Uma pesquisa nacional realizada pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) revela que 60,9% dos empresários do setor afirmam não estar preparados para a transição da reforma tributária. O levantamento, que ouviu 1.480 empreendedores de todas as regiões do país entre os dias 20 e 28 de julho de 2026, expõe uma lacuna de informação no setor gastronômico. Apenas uma minoria de 22,9% dos entrevistados declara estar preparada ou muito preparada para lidar com as novas regras tributárias que se aproximam (confira o infográfico ampliado).
Dentro do grupo majoritário que admite o despreparo, 43,9% dos proprietários de bares e restaurantes consideram-se pouco preparados para as mudanças, enquanto 17% se dizem nada preparados. Outros 16,3% dos participantes não conseguiram sequer avaliar o nível de preparação de suas próprias empresas.
Essa falta de clareza gera pessimismo comercial. Mais da metade (54,2%) dos empresários preveem que os efeitos da reforma tributária para o setor de alimentação fora do lar serão negativos ou muito negativos. Já 52,9% estimam o mesmo impacto ruim para os seus próprios negócios. Além disso, mais de 22% dos donos de estabelecimentos admitem não saber precisar as consequências práticas em suas operações.
Para Paulo Solmucci, presidente da Abrasel, o setor precisa de um grande esforço de orientação para evitar decisões equivocadas. “Os empresários estão diante de uma transformação profunda no sistema tributário brasileiro, mas ainda sem acesso às informações necessárias para compreender todas as implicações da mudança”, explica.
Solmucci diz que o governo federal é quem deveria liderar este processo de esclarecimento, mas tem falhado na missão. “Em face disso, inclusive surgem a todo momento peças de desinformação sobre o tema nas redes sociais, muitas delas com falsos alertas que confundem ainda mais o empreendedor e a população. O principal desafio neste momento é garantir que os empresários e os responsáveis pela contabilidade dos negócios entendam o que muda na prática, quais decisões precisam tomar e em que prazo elas deverão ser tomadas”.
Bares e restaurantes do Simples Nacional
A inércia prática é ainda mais acentuada entre os bares e restaurantes enquadrados no Simples Nacional. Eles correspondem a 71,3% da amostra total da pesquisa da Abrasel. Apenas 10,6% desses empresários estão se preparando ativamente para a escolha do regime tributário que deve ocorrer em setembro de 2026.

Entre os que não estão se preparando, 33,6% apontam a ausência de informações suficientes para justificar a inação. E 29% afirmam que reconhecem o impacto da decisão, mas precisam de ferramentas e dados adicionais para escolher. Já 26,8% alegam que o prazo é curto e que o mercado ainda não está apto a dar orientações.
Os donos de bares e restaurantes também apontaram quais são as suas maiores dúvidas sobre as novas regras. A principal preocupação do segmento é com a formação de preços e margem de lucro, tema indicado por 49,4% dos entrevistados. O funcionamento básico dos novos impostos, o IBS e a CBS, gera dúvidas em 48,1% dos empresários. Já as regras da redução de 40% na alíquota e o aproveitamento de créditos fiscais confundem 46,8% do setor.
A pesquisa aponta ainda preocupações com a opção entre o Simples tradicional e o modelo híbrido (34,5%), o funcionamento prático do sistema de split payment (34%), o cumprimento de obrigações acessórias e emissão de notas fiscais (26,6%) e as datas e fases do cronograma de transição tributária (16,4%).
Prazo curto para definição de modelo

Com o calendário de transição tributária batendo à porta, os proprietários de bares e restaurantes enquadrados no Simples Nacional enfrentam uma decisão importante já em setembro de 2026. A Abrasel recomenda que as empresas do setor, especialmente aquelas que vendem para outras pessoas jurídicas, façam a opção preventiva pelo modelo híbrido de recolhimento do IBS e da CBS.
Essa modalidade garante que o estabelecimento continue transferindo créditos fiscais aos seus clientes corporativos, evitando a perda imediata de competitividade no mercado B2B.
Para proteger os empresários de bares e restaurantes em meio ao cenário de incertezas, há uma janela de segurança. Quem realizar a adesão ao modelo híbrido em setembro terá até o dia 30 de novembro de 2026 para desistir da escolha. Caso avalie que a migração não foi vantajosa para o negócio, poderá retornar ao formato tradicional do Simples Nacional.


