A grandeza do país continental chamado Brasil também se reflete na ciência e no bar. Entre segunda (18) e quarta-feira (20), será realizada a edição 2026 do festival Pint of Science Brasil — realização nacional do evento que acontece em mais de 25 países e busca aproximar o público da ciência. Nosso país vai realizar a maior edição do mundo em número de cidades participantes, segundo a organização. Serão 213 municípios impactados. Trata-se de um recorde nacional, já que será o maior desde 2015, quando a iniciativa teve início por aqui.
Bares, restaurantes, cafés, sorveterias, shoppings, praças e espaços públicos das cinco regiões brasileiras serão palco de palestras, rodas de conversa e debates sobre os mais variados assuntos. Desde aqueles que dominam os noticiários, como inteligência artificial, mudanças climáticas, exploração espacial e canetas emagrecedoras, até temáticas conectadas ao desenvolvimento regional e aos saberes de comunidades tradicionais.
Todas as atividades são gratuitas e sem necessidade de inscrição. A programação completa já está disponível no site oficial do Pint of Science Brasil.
“É uma grande responsabilidade nossa definir que pesquisas entram na nossa vitrine. Estou certo de que há muito trabalho científico de excelente qualidade ainda esperando para ser descoberto e aparecer nos nossos palcos”, revela o coordenador nacional do Pint of Science Brasil, Eduardo Bessa.
Professor da Universidade de Brasília, ele explica que o festival depende de uma organização sem fins lucrativos. Sendo assim, é composto por uma ampla rede de voluntários, pessoas que coordenam o evento localmente com a ajuda de equipes de entusiastas da ciência. “É uma honra e uma responsabilidade imensa coordenar esse festival, que leva divulgação científica a tantos cantinhos escondidos do nosso país”, acrescenta Bessa.
O Pint of Science nasceu em 2012 com a realização de um encontro de pesquisadores do Imperial College London, na Inglaterra. Chegou ao Brasil em 2015, trazido pela jornalista Denise Casatti, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC-USP), e ocorreu em São Carlos, no interior de São Paulo.
Tem até visita no cemitério
Para assegurar que as diretrizes do evento sejam respeitadas, além da coordenação nacional, o festival conta com seis coordenadores regionais em 2026 divididos da seguinte forma: regiões Norte e Centro-oeste; região Nordeste; região Sul; Rio de Janeiro e Espírito Santo; Minas Gerais; e São Paulo.
Na capital paulista vai ter até visita no cemitério. Com o título “Noite no Cemitério da Consolação: entre ciência e histórias que assombram”, será um passeio pelo local na terça-feira (19) a partir das 19h30 revelando por que ele é considerado um verdadeiro museu a céu aberto — já que tem obras de arte tumular de grande valor artístico e arquitetônico. Será conduzido pelo humorista e roteirista Thiago de Souza, a arquiteta doutora em arquitetura e urbanismo Aline Silva Santos, além da mestre em antropologia Marianna Knothe Sanfelicio e da mestranda Isabella Latorre de Assis Figueiredo. O ponto de encontro será na capela do cemitério.
No estado, outras 31 cidades realizarão o festival. Haverá, ainda, discussões sobre cultura dos povos originários, o conceito de saúde única (one health), canabidiol e terras raras.
De acordo com Paulo Lopes, coordenador da região, o festival desempenha um papel essencial na construção de uma sociedade mais informada e crítica. “É uma oportunidade de desmistificar e aproximar a ciência das pessoas, mostrando que ela é presente em diferentes aspectos da nossa vida. Nas cidades paulistas que recebem o festival, buscamos promover debates científicos com quem faz ciência com o intuito de ampliar esse diálogo com uma programação diversa e acessível, capaz de alcançar públicos de diferentes idades e realidades”.
O crescimento do Pint Of Science Brasil 2026
A região Nordeste se destaca pelo crescimento de 60% no número de cidades participantes do festival: de 23 no ano passado para 37 este ano. “O grande diferencial deste ano é a consolidada interiorização do Pint of Science no Nordeste. Estamos levando a ciência para além das capitais, alcançando cidades do sertão e do agreste”, comemora Adriana Rolim, coordenadora da região.
O crescimento no número de cidades engajadas no festival também é destaque na região Sul e em Minas Gerais. Na primeira, houve um aumento de 30%, passando de 54 municípios em 2025 para 70 em 2026. Já os mineiros saíram de 20 cidades para 25 este ano. Entre os destaques da terra do pão de queijo está um marco histórico: Belo Horizonte realizará a 10ª edição do Pint of Science.
Diversificação e participação feminina
A diversificação de públicos e ambientes também é uma marca do Pint of Science Brasil nas regiões Norte e Centro-Oeste, onde 32 cidades participarão do festival, sendo 12 da região Norte e 20 da região Centro-Oeste. “Este ano, as cidades de Formosa (GO) e Água Boa (MT) realizarão também uma experiência pensada para o público infantil. Ela terá ciência em linguagem leve, curiosa e interativa, que acontecerá em ambientes como sorveteria e escolas”, exemplifica Lecticia Figueiredo Oliveira, coordenadora da regional.
Já no Rio de Janeiro e no Espírito Santo, um dos diferenciais do Pint of Science é o alinhamento com outro evento tradicional. Em outubro ocorre a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, que este ano terá como tema mulheres na ciência. “Na nossa região, temos pelo menos dois municípios em que só mulheres serão apresentadoras: Paracambi (RJ) e Teresópolis (RJ). Há outras cidades também em que a maioria das pesquisadoras que vão falar são mulheres”, destaca Aline Chaves Intorne, coordenadora da região.
Ela também revela que, este ano, o Pint of Science Brasil vai coincidir com a Semana Nacional da Biodiversidade, que será de 18 a 24 de maio. “Várias das cidades do Rio de Janeiro e do Espírito Santo estão trazendo para o festival algum tema ligado à biodiversidade”, completa Aline. Em Niterói, por exemplo, a proposta é unir ciência e arte, abarcando exposições, filmes e shows sobre cultura oceânica para serem apreciados antes e depois das palestras do Pint.


