Estudo aponta que consumidor brasileiro de cerveja prefere qualidade à quantidade
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Estudo sobre cerveja revela que brasileiro prefere qualidade à quantidade

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Pesquisa da Mintel revela que 57% dos brasileiros preferem beber pequenas quantidades de cerveja cara (Crédito da Foto: santiagoib/Freeimages)

O mercado brasileiro de cerveja vive uma drástica mudança. Se o crescimento exponencial das artesanais deixava a sensação de que o slogan “beba menos, beba melhor” ganhava espaço considerável, um estudo publicado nesta terça-feira pela Mintel não deixa qualquer dúvida sobre o assunto: de fato, o consumidor nacional está priorizando a qualidade em detrimento da quantidade.

A pesquisa inédita revela que 57% dos entrevistados afirmam preferir beber pequenas quantidades de cerveja cara, em vez de grandes quantidades de cerveja de menor custo. Esse comportamento é ainda mais perceptível no grupo socioeconômico AB: mais de dois terços dos consumidores – 68% – priorizam a qualidade, estatística que chega a 52% dos cervejeiros das classes C12.

Homens, por sua vez, segundo a pesquisa, são mais propensos do que as mulheres a preferir cervejas nacionais: 47% contra 41%, ante 26% para homens e 23% para mulheres em relação às marcas internacionais.

Quando se trata de experimentar novos tipos de cerveja, a pesquisa da inglesa Mintel aponta que dois quintos – 42% – dos consumidores mencionaram “um novo sabor/sabor inovador”, como frutas e mel. Entre jovens de 18 e 24 anos, essa estatística chega a 53%.

“A nossa pesquisa indica que os consumidores, principalmente os mais jovens, são atraídos por sabores novos e interessantes ao provar novos tipos de cerveja. As marcas podem, portanto, investir em sabores inovadores e exóticos para atrair esse público por meio da curiosidade”, explica Ana Paula Gilsogamo, especialista em Alimentos e Bebidas da Mintel, uma das maiores empresas de pesquisas do mundo.

Para agradar os consumidores que preferem qualidade à quantidade, Ana Paula recomenda a aposta em embalagens menores. “Já em relação ao fato que as preferências dos consumidores estão mudando de grandes quantidades para quantidades menores de mais qualidade, investir em embalagens menores para produtos premium pode ser uma oportunidade para atrair as classes mais altas”, comenta a especialista, antes de acrescentar.

“Apesar de várias marcas nacionais já terem lançados versões menores de seus produtos, as cervejas artesanais e de trigo ainda não aproveitaram essa oportunidade. E como nossa pesquisa mostra que não há uma grande diferença de preferência entre homens e mulheres em relação às marcas internacionais, elas poderiam ter mais sucesso em atrair o público feminino. As marcas internacionais poderiam, por exemplo, lançar edições limitadas especiais voltadas especificamente para mulheres.”

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Mercado
A pesquisa da Mintel também abordou o crescimento do mercado brasileiro de cervejas. E, segundo o estudo, o setor deve ter crescimento de 1% em volume até o final deste ano.

Os brasileiros compraram 10,3 bilhões de cerveja no ano passado e, para 2018, segundo detalha a pesquisa, está prevista uma quantidade de 10,4 bilhões de litros. As perspectivas, porém, não são boas para os próximos anos: influenciado pelas incertezas políticas e econômicas do país, além de preocupações dos consumidores com a saúde, o mercado não deve se expandir.

Em relação ao valor de mercado, a Mintel estima crescimento de 3,3% em relação a 2017, quando atingiu R$ 79,8 bilhões. Assim, neste ano, a cifra deve alcançar R$ 82,4 bilhões.

“O consumo de cerveja está mudando no Brasil. Os consumidores têm favorecido produtos de mais qualidade e que são menos prejudiciais à saúde, o que deve continuar afetando o mercado, especialmente o crescimento em volume”, avalia Ana Paula.

“Já o crescimento em valor pode ser atribuído ao fato de que os consumidores demonstram preferência em beber pequenas quantidades de cerveja cara em vez de grandes quantidades de cerveja barata.”

Artesanais
O estudo da Mintel apontou, por fim, que os consumidores tendem relacionar cervejas artesanais à qualidade dos ingredientes e a sabores inovadores. Quando perguntados sobre quais fatores definem uma cerveja artesanal, quase metade dos consumidores – 45% – respondeu “ingredientes de alta qualidade”, 43% mencionaram “sabores únicos/inovadores” e 34% citaram “ingredientes/métodos de fermentação tradicional”.

Sobre o fato de cervejarias artesanais serem adquiridas por grandes grupos, o estudo revelou que 40% dos consumidores concordam com a afirmação: “Quando uma marca artesanal/pequena cervejaria é comprada por uma grande empresa, a qualidade da cerveja diminui”, enquanto 38% concordam com “pequenas cervejarias independentes produzem cerveja de melhor qualidade do que as grandes empresas ”.

“As marcas precisam criar estratégias para mostrar que a aquisição de uma cerveja artesanal por uma grande empresa não vai prejudicar sua qualidade. Aliás, a comunicação da manutenção da qualidade, especialmente dos ingredientes usados, é essencial, pois a percepção do consumidor brasileiro em relação às cervejas artesanais está mais ligada à qualidade dos ingredientes utilizados do que ao tamanho das marcas ou aos métodos de fermentação”, conclui Ana Paula.


1 Comentário

  • Julia Reply

    30 de dezembro de 2018 at 16:41

    “As marcas internacionais poderiam, por exemplo, lançar edições limitadas especiais voltadas especificamente para mulheres.”

    Não entendi a colocação de uma cerveja voltada para mulheres.. o que seria uma cerveja para mulher? Sempre achei que pessoas bebessem cerveja e não gêneros.

    Curioso ver o reflexo do machismo em uma pesquisa.

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