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Entrevista: Como inteligência artificial auxilia a criação de uma cerveja

É possível utilizar a inteligência artificial para produzir uma cerveja? Para responder a essa pergunta na prática, a Prussia Bier, marca de São Gonçalo do Rio Abaixo (MG), fez várias outras à ferramenta que se tornou febre neste começo de 2023: o ChatGPT. E foi a partir delas que concebeu a sua mais nova cerveja, uma Black IPA.

A novidade da Prussia provocou mais perguntas, algumas delas da reportagem do Guia. Em entrevista, o diretor-executivo da marca, Fernando Cota Carvalho, relatou como foi realizar a experiência com a inteligência artificial em processos tão detalhados na produção de uma cerveja como a definição de uma receita.

Ele reconheceu que a ideia partiu, em um primeiro momento, do departamento de marketing da cervejaria, colocando a Prussia em contato com uma assunto que está muito em voga na sociedade. Mas ressaltou que a aplicação prática trouxe resultados e conclusões que vão além do óbvio burburinho provocado pelo lançamento.

Na entrevista, o executivo da Prussia relatou que foram necessários ajustes na receita, mas considerou o teste positivo, ressaltando que o uso de ferramentas de inteligência artificial ainda está em um processo inicial na indústria da cerveja.

Além disso, ponderou que será preciso disseminar informações para o ChatGPT e a outros recursos semelhantes para que eles sejam mais precisos em suas sugestões. Assim, ele espera que esse tipo de ferramenta possa contribuir para facilitar o acesso a informações envolvendo, por exemplo, os processos produtivos de uma cerveja.

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Confira, abaixo, a entrevista do Guia com Fernando Cota, diretor executivo da Prussia Beer:

Quando surgiu a ideia de criar uma receita de cerveja via ChatGPT? E como isso se deu na prática?
Na reunião com o marketing, houve esse insight e esse questionamento se a ferramenta fazia cerveja. A primeira reação foi a risada, mas depois veio o porquê não? Então, entrou o trabalho e o conhecimento profissional. Se fez a primeira consulta, com perguntas. E aí o ChatGPT deu um resumo básico da receita. Como temos conhecimento, vimos que faltaram detalhes e teve alguns erros. Então, fomos “apertando” o sistema. Foi assim que saiu uma receita, que faltou o dedo do cervejeiro para ficar razoável. Quando nosso mestre-cervejeiro recebeu o retorno, nós internalizamos a receita e fizemos ajustes para deixá-la do modo correto.

Como avalia o retorno que vocês tiveram do ChatGPT? A inteligência artificial pode ajudar na criação da receita de uma cerveja?
Para alguém que não sabe fazer cerveja, há uma limitação, pois não saberá o que perguntar ou não conseguirá chegar em uma receita que é o estado da arte. Mas para alguém com conhecimento, e isso vale para o profissional de qualquer área, é um banco de dados que pode te trazer algo sólido, porque quem faz a pergunta está preparado para dialogar a partir da resposta. Eu o definiria como um super Google, que agrupa receitas da internet que ficaram top. Hoje, vejo mais como um banco de dados do que uma inteligência artificial. Mas está caminhando para isso.

Quais foram os ajustes que vocês precisaram fazer na receita da cerveja após as sugestões do ChatGPT?
Não soltaríamos a Black IPA do jeito que recebemos a receita. Para chegar na cor que desejávamos, houve a sugestão de uso de malte escuro, mas aí seria um Schwarzbier. Tem uma técnica que ele não conseguiu captar. Também mexemos um pouco na graduação alcoólica, mas essa quase bateu. Tivemos que fazer alguma correção em função dos equipamentos que nós usamos no processo produtivo.

Diante do resultado prático que tiveram, como imaginam que a inteligência artificial pode ajudar o segmento da cerveja?

À medida que o setor for disponibilizando o seu banco de dados, acho que estaremos no caminho de arrancar de lá uma receita. Isso pode tornar o setor mais democrático, pois o “segredo” estará disponível. Uma receita poderá surgir com as melhores ranqueadas, as indicações de buscas sensoriais, mas primeiro será preciso democratizar a informação. Ensinar a inteligência artificial está mais longe do que disponibilizar as receitas para que ele faça isso. Não vejo o homem fora de qualquer processo industrial. O que vejo é a máquina se somando ao homem.

Além da receita, o design do rótulo também foi pensado com o incentivo da inteligência artificial. Como foi isso?
Buscamos colocar todo o projeto dentro dessa lógica. No caso do rótulo, nosso designer ficou responsável por essa interação. A resposta não foi tão adequada, foi preciso fazer ajustes, achamos mais complexo, pois foi necessário juntar peças variadas. Acabou sendo preciso ter mais inteligência do lado de cá para chegar ao ponto que gostamos.

É possível imaginar a Prussia utilizando a inteligência artificial em outros projetos ou mesmo em uma nova cerveja?
A conclusão a que chegamos é que vale a pena ficar atento à tecnologia para resolver questões diversas. Falamos internamente para os funcionários que devem consultar a ferramenta, se engajando no dia a dia. Ganhamos mais uma referência.

Como estão as perspectivas da Prussia para 2023? Há preocupação com a possibilidade de recessão econômica?
O início de ano nunca foi fácil para a cerveja artesanal. Desde que começamos, há 8 anos, o primeiro trimestre é sempre desafiador, o carnaval não é uma festa para a cerveja artesanal, ainda não conseguimos democratizá-la para isso. Então, não estou enxergando o ano com pessimismo. Com trabalho bem estruturado, com boas ideias de mercado, como a que tivemos, pode ser que consigamos andar para frente. Inovação é primordial. Além dos lançamentos mensais, estamos com um plano de um clube de assinatura de cerveja. Devemos entrar mais fortes nisso no segundo semestre, tem um público que deseja provar cervejas de outros estados.

Com corrida, St. Patrick’s em Teresópolis dura 4 dias e reúne 15 marcas da Rota RJ

O St. Patrick’s Day é celebrado em 17 de março, mas, ao menos neste ano, a comemoração vai durar 4 dias em Teresópolis. Na cidade da Serra Fluminense, acontecerá o St. Patrick’s Days, um festival que começa nesta quinta-feira (16) e irá até domingo, com diversas atrações, incluindo uma corrida pelas ruas, e a presença de 15 das 25 cervejarias associadas à Rota Cervejeira RJ, com o intuito de fortalecer a missão de promover o turismo cervejeiro na região.

Durante quatro dias, o St. Patrick’s Days Teresópolis terá mais de 60 rótulos de cervejas especiais, chope verde, shows de bandas locais, música irlandesa, expositores e muitas ativações, além de uma grande novidade, uma corrida cervejeira, com largada em frente ao Higino Palace Hotel, no bairro Alto.

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A disputa se insere no Circuito Cervejeiro de Corrida e se inspira na famosa St. Patrick’s Run, que ocorre em vários lugares do mundo. Em Teresópolis, a prova vai acontecer no domingo, em um percurso de 3 quilômetros. Nele, haverá três paradas, nas quais o corredor se hidratará com cerveja e muita festa, sendo recepcionado na linha de chegada com muito rock. De acordo com a organização, já são contabilizados mais de 300 inscritos.

A primeira edição do St. Patrick’s Days em Teresópolis aconteceu em 2019, quando as cervejarias da Rota RJ participaram como convidadas. Agora, neste ano, a Rota RJ é co-organizadora do evento, junto à empresa Pra Cima, o que reforçará o viés de divulgação do turismo cervejeiro, com apenas marcas vinculadas à associação participando.

“Nós nos unimos a ela [Pra Cima] para que o festival fosse criado para divulgar o turismo cervejeiro, com cervejarias somente da Rota e com ativações das prefeituras divulgando os destinos turísticos dos cinco municípios”, explica Ana Cláudia Pampillón, coordenadora da Rota RJ.

A estimativa é de que 60 mil pessoas passem pelo evento, marcado para o bairro Alto, em frente ao antigo bingo, superando os 40 mil participantes da edição de 2019. Em 2023, o St. Patrick’s Days Teresópolis terá as seguintes cervejarias participantes: Alpendorf, Barão Bier, Bohemia, Cacife, Colonus, Craft Beer, Doutor Duranz, Duas Torres, Kanton Bier, Mad Brew, Nossa Fábrica, Pontal, Rota Imperial, Sampler e Sanandu.

O St. Patrick’s Days Teresópolis, assim, está em consonância com os objetivos da Rota RJ de aquecer a economia e promover o turismo cervejeiro na região. Até por isso, a associação já se programou para participar em 2023 de outros festivais, assim como realizará eventos próprios, com três edições do Cerveja das Montanhas.

A expectativa está alta, porque os eventos ficaram muito tempo sem acontecer e os que estão acontecendo agora, estão gerando muito movimento. As pessoas estão muito empolgadas de voltarem aos eventos cervejeiros e, principalmente, às cidades do interior que carecem de eventos com música e cerveja boa. A Rota Cervejeira vê nisso uma oportunidade de divulgar o destino turístico através das cervejarias que fazem parte da Rota

Ana Cláudia Pampillón, coordenadora da Rota RJ

Com novo forno em MG, Verallia mira inovações para atender cervejarias

Aumento da capacidade produtiva e da agilidade para o atendimento às demandas de parceiros e para acompanhar as tendências da indústria de bebidas e, principalmente, cervejeira. Foi com esses objetivos que a Verallia, terceira maior produtora global de embalagens de vidro para alimentos e bebidas, investiu 60 milhões de euros na ampliação da fábrica de Jacutinga, já tendo colocado em funcionamento um novo forno dedicado ao mercado cervejeiro na sua unidade no interior de Minas Gerais.

Com o investimento, a empresa mais que dobrou a capacidade produtiva, que passou de 1,2 milhões para 2,5 milhões de garrafas diárias a partir desse ano. E com esse incremento, a Verallia espera atender a expansão da demanda dos setores cervejeiro e alcoólico com embalagens de vidro nas cores âmbar e verde.

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“Isso significa que, além de ampliar nossas relações comerciais com os clientes que já são atendidos, poderemos investir em lançamentos de novos produtos, inovações e sermos mais rápidos e flexíveis para novas tendências de embalagens que surgirem ao longo dos anos”, afirma Quintin Testa, diretor geral da Verallia Latam.

O foco da produção, nesse momento, está em atender o mercado interno, especialmente o setor cervejeiro, sendo que o portfólio de produtos para esse segmento conta com garrafas com capacidade a partir de 300ml. Assim, o novo investimento está alinhado com as expectativas de crescimento para as cervejarias brasileiras. “A maior oferta de garrafas de vidro permitirá à indústria cervejeira aumentar a capacidade de produção e ter maior previsibilidade”, afirma o executivo da Verallia.

Também para atender demandas específicas ou novas tendências, a Verallia acredita que está mais preparada com a ampliação da capacidade produtiva em Jacutinga. “Pretendemos ampliar ainda mais essas relações com clientes atuais e atrair novas parcerias. O grande diferencial que a Verallia oferece ao mercado cervejeiro é a qualidade das garrafas, aliada à inovação e funcionalidade”, diz o diretor geral da Verallia Latam, também apontando o foco da companhia em atender o mercado de cervejas artesanais.

Costumo dizer que uma garrafa bonita e funcional agrega valor ao produto e estimula a escolha do consumidor, principalmente no mercado de cervejas artesanais, que demanda por embalagens inovadoras e design, fatores que despertam a curiosidade e geram impacto positivo no aumento de venda

Quintin Testa, diretor geral da Verallia Latam

De acordo com a Verallia, além de acompanhar o crescimento da indústria e o surgimento de novas demandas, a ampliação da unidade de Jacutinga se deu em consonância com seus objetivos de sustentabilidade, tanto que esta é a fábrica da empresa de apresenta a menor emissão de CO2 entre todas as suas plantas no mundo.

“Do ponto de vista de resíduos, 100% do resíduo sólido retorna ao processo produtivo como matéria prima. Adicionalmente, a fábrica conta com uma moderna estação de tratamento de efluentes, doméstico e industrial, em circuito fechado. Todo efluente tratado neste sistema é reaproveitado internamente, sem descarte externo, reduzindo, assim, o consumo de água”, explica o diretor geral da Verallia Latam.

Após 5 anos de alta, venda de latas de alumínio recua 4,7% em 2022

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As vendas de latas de alumínio caíram no Brasil em 2022. De acordo com os dados divulgados pela Associação Brasileira de Fabricantes de Latas de Alumínio (Abralatas), houve queda de 4,7% no ano passado na comparação com 2021. Foi o primeiro recuo após cinco anos de crescimento.

De acordo com a Abralatas, a redução nas vendas de latas de alumínio ao longo do primeiro trimestre pesou para o resultado consolidado de 2022, embora tenha havido alta nas vendas no restante do ano, mas em ritmo insuficiente, portanto, para compensar a perda anterior.

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“A pandemia ocasionou uma verdadeira gangorra no mercado. Iniciamos o ano de 2022 cientes de que seria um período de ajustes e muitos desafios. Acreditamos no potencial do nosso produto, em um novo ciclo no mercado e estamos preparados para este futuro”, afirma Cátilo Candido, presidente executivo da Abralatas.

Ao revelar os números das vendas de latas em 2022, a associação elencou quatro razões para o recuo: a questão climática, em um ano em que as temperaturas foram menores que nos anos anteriores; a reabertura de bares e restaurantes, com consumo maior de bebida em vidro; os eventos mundiais, como a Copa do Mundo e a precoce eliminação do Brasil; e a repressão no consumo, ocasionada principalmente pela inflação.

Apesar da continuidade do protagonismo da cerveja, a Abralatas também tem percebido o crescimento do consumo de diversos outros tipos de bebidas em lata, como energéticos, refrigerantes, drinques, vinhos, uísque, café e água.

“Os resultados de 2022 nos mostram que, mesmo em meio a um contexto adverso, temos a resiliência e a coragem de continuar investindo e ressignificar nossa atuação. Vimos que o setor se reinventa e se supera, mostrando que a latinha continua no caminho certo, conquistando cada vez mais os consumidores brasileiros

Cátilo Candido, presidente executivo da Abralatas

A associação também destacou que embora 2022 tenha sido um ano de recuo, o setor de latas de alumínio vem realizando investimentos relevantes recentemente, que somam US$ 1 bilhão e vão ser concluídos até 2024, com a inauguração de novas unidades fabris e linhas de produção de latas de alumínio para bebidas.  

Ainda atuando na Rússia, Heineken admite ter feito lançamentos e contratações

Cerca de um ano após o início da guerra na Ucrânia e do anúncio de que iria sair da Rússia, o Grupo Heineken continua operando no país, além de ter realizado lançamentos em 2022, a maior parte envolvendo a marca Amstel e refrigerantes, assim como reforçou a sua equipe de funcionários.

A revelação de detalhes sobre a atuação da Heineken na Rússia foi realizada pelo site Follow the Money. A companhia, então, reconheceu que segue operando no país em uma longa explicação, com perguntas e respostas, publicadas em seu site oficial, além de garantir que continua com o compromisso de sair de Moscou.

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“Deveríamos ter deixado claro desde o início que o negócio na Rússia precisaria introduzir novos produtos locais para evitar a falência depois que a marca Heineken e duas outras grandes marcas internacionais (Guinness e Miller) foram retiradas do mercado no início da guerra”, explica a empresa em trecho da publicação. “Percebemos que isso criou ambiguidade e dúvidas sobre nossa promessa de deixar a Rússia. Por isso, pedimos desculpas”, acrescenta.

De acordo com informações publicadas pelo site Follow the Money, a Heineken lançou 61 produtos na Rússia em 2022 e teve um acréscimo de 72 milhões de litros de cervejas e refrigerantes vendidos. Isso incluiu três versões da Amstel – Amstel Fresh, Amstel Extra e Amstel Natur Wild Berries –, além da Black Sheep, marca de cerveja Stout desenvolvida para substituir a Guinness.

Uma das citações obtidas pelo site afirma que a empresa decidiu entrar no mercado de refrigerantes da Rússia após as saídas de Pepsi e Coca-Cola. O Follow the Money afirma ter obtido as informações através do site https://www.heinekenrussia.ru/, que nesse momento está fora do ar.

A divisão russa do Grupo Heineken é denominada Heineken Breweries LLC. A companhia reconheceu que a empresa em operação na Rússia realizou 243 contratações em 2022, o que diz ter gerado um saldo positivo de 20 vagas no país. “Novas contratações foram necessárias para manter o negócio operacional devido à saída de funcionários e para realizar tarefas que antes eram feitas na sede global, mas agora devem ser feitas localmente em preparação para a transferência para um novo proprietário”, afirma.

No comunicado, o Grupo Heineken ainda afirma que a fase atual representa um período de transição para viabilizar a sua saída da Rússia. “As operações russas, lideradas pela equipe de gestão local, estão focadas na continuidade do negócio e solvência (capacidade de continuar a cuidar dos funcionários, pagar salários, pagar fornecedores, etc.) fazendo a ponte até ao momento da transferência de propriedade”, diz.

Assim, a companhia reconhece que ainda não foi realizada a desvinculação da operação russa. “Agora estamos passando para a próxima fase em que estamos desvinculando os negócios da Rússia para permitir que eles operem independentemente da Heineken em preparação para a transferência para um novo proprietário”, explica.

O Grupo Heineken ainda garante que não está obtendo lucro ou royalties advindos da operação na Rússia. “Deixamos claro desde o início que não lucramos com as operações em andamento e não lucraremos com a transferência de propriedade”, afirma. “Não há royalties recebidos por nenhuma marca desde março de 2022 e não haverá royalties no futuro. Não haverá suporte do Grupo Heineken a novos proprietários para quaisquer marcas remanescentes após a transferência”.

A empresa ainda reforça a intenção de deixar a Rússia e espera que esse processo seja concluído até a metade de 2023. “Apesar de tudo isso, e embora seja frustrante que esteja demorando tanto, continuamos totalmente comprometidos em deixar a Rússia”, diz. “Continuamos confiantes de que chegaremos a um acordo no primeiro semestre de 2023, seguido das aprovações necessárias das autoridades russas”, conclui.

Em sua publicação, o Grupo Heineken também destaca não ser a única empresa que tem encarado desafios para encerrar as operações na Rússia, do mesmo modo como anunciaram dezenas de empresas de origem ocidental assim que foi iniciado o conflito com a Ucrânia.

“A situação na Rússia é sem precedentes e a realidade para empresas com grandes operações de produção e manufatura no país é desafiadora e complexa. Todas as transferências de negócios precisam de várias aprovações pelas autoridades locais. Não somos a única empresa lutando para sair; pesquisas acadêmicas recentes mostram que apenas 9% das empresas deixaram a Rússia”, argumenta.

A Heineken Breweries LLC iniciou a sua atividade na Rússia em 2002, operando sete cervejarias e duas fábricas de malte. Ela é considerada a terceira maior cervejaria do país.

Cresce número de bares com prejuízo no começo de 2023, aponta pesquisa

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O começo de 2023 tem sido difícil para bares e restaurantes. Mesmo com o verão, aumentou o número de estabelecimentos que tiveram prejuízo em janeiro na comparação com dezembro de 2022, de acordo com pesquisa divulgada pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).

Segundo o levantamento, quase um quarto (23%) dos bares e restaurantes em todo o país registrou prejuízo em janeiro, um crescimento de 4% em relação ao resultado de dezembro. Outros 43% trabalharam com lucro (queda de 4%) e 34% ficaram em estabilidade.

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O levantamento sobre bares e restaurantes no início de 2023 mostrou, ainda, que 66% das empresas do setor têm empréstimos bancários contratados. A inadimplência é de 21% entre os que tomaram dinheiro de linhas regulares e de 13% entre os que aderiram ao Pronampe, a linha de crédtio do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, um índice bem acima dos 5,2% de todo o Brasil.

Além disso, em média 10,3% do faturamento das empresas que têm empréstimos está empenhado em pagar as parcelas. Para um terço delas (33%), o comprometimento da receita está acima deste patamar (24% têm entre 11% e 20% do faturamento empenhados, e para 9% o percentual está acima de 20%).

 “Em média, 10% do faturamento das empresas que tomaram empréstimos está sendo aplicado em pagar dívidas bancárias, um índice muito alto. Não à toa, a inadimplência em relação a empréstimos de linhas regulares já atinge uma em cada cinco destas empresas”, afirma Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel.

Repasse da inflação?
O levantamento também mostra que 55% das empresas não estão conseguindo reajustar os preços conforme a média de inflação, sendo que 29% fizeram reajustes abaixo do índice e 26% não conseguiram realizar reajuste algum. Outros 35% aumentaram conforme a média e apenas 10% subiram os valores no cardápio acima deste índice.

Recentemente, dados do IBGE mostraram que o preço da cerveja teve crescimento expressivo nos bares em fevereiro, mês posterior ao levantamento da Abrasel, registrando alta de 0,99% fora do domicílio, grupo que representa o setor, ficando acima do índice oficial da inflação do Brasil, o IPCA, de 0,84% para o segundo mês de 2023. Mas a inflação geral nos bares e restaurantes foi menor, de 0,50%, em fevereiro.

Todos na luta contra o assédio
A pesquisa da Abrasel, que ouviu 1.477 empresas de todo o país, também abordou o tema do assédio e violência contra mulheres nos estabelecimentos. O assunto voltou a ser pauta com projetos de lei e decretos em estados e municípios, como é o caso da recém-sancionada Lei 17.635/2023, no estado de São Paulo, estabelecendo que funcionários de bares, restaurantes, boates e estabelecimentos similares recebam treinamento para identificar e inibir condutas de assédio sexual e estupro contra mulheres dentro desses ambientes.

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Publicada em 18 de fevereiro, a lei prevê que gestores e responsáveis pelos espaços terão 60 dias para se regularizarem. E segundo a pesquisa da Abrasel, apenas 13% dos estabelecimentos pesquisados em todo o Brasil implementaram sinalização sobre canais de denúncia ao assédio contra mulheres, sendo que 67% pretendem fazê-lo.

Outras medidas que devem ter ampla adesão são o treinamento dos funcionários para lidar com as situações de assédio/violência (78% implementaram ou pretendem implementar) e o protocolo para acionamento imediato de autoridades (74% implementaram ou pretendem implementar).

Porém, há medidas que os donos dos estabelecimentos não consideram viáveis de serem implementadas. É assim para 52% dos respondentes sobre a vigilância especial em áreas isoladas ou com pouca iluminação, assim como para 58% dos participantes quando questionados sobre ter espaço físico reservado para acolhimento.

Preço da cerveja acelera nos bares e fica acima do IPCA em fevereiro

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O preço da cerveja teve crescimento expressivo nos bares em fevereiro. De acordo com o IBGE, o produto registrou alta de 0,99% fora do domicílio, grupo que representa estabelecimentos como restaurantes e bares, ficando acima do índice oficial da inflação do Brasil, o IPCA, de 0,84% para o segundo mês de 2023.

Essa alta do preço da cerveja em estabelecimentos fora do domicílio em fevereiro levou a sua inflação para 1,42% no primeiro bimestre do ano, superando o 1,37% do IPCA no mesmo período. Já ao longo dos últimos 12 meses, o indicador chegou aos 6,38%, também acima dos 5,60% da inflação oficial.

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Em fevereiro, o preço da cerveja no domicílio, em geral comercializada no varejo e em supermercados, sofreu desaceleração expressiva em relação a janeiro, ficando em 0,25%, contra 1,50% no mês anterior. Agora, então, tem alta de 1,75% no primeiro bimestre e de 9,80% no período de 12 meses, ambas acima do IPCA.

Já o item outras bebidas alcoólicas teve comportamento oposto ao da cerveja em fevereiro, com inflação bem mais alta no varejo do que nos bares. No domicílio, o reajuste foi de 0,95%. Agora, então, está em 0,77% em 2023 e em 9,11% em 12 meses. Já fora do domicílio, a inflação foi de 0,33% em fevereiro. O índice fica nos mesmos 0,77% no ano e em 7,36% desde o período iniciado em março de 2022.

No mês de fevereiro, a cesta de alimentação e bebidas apresentou inflação de 0,16%. O grupo acumula alta de 0,76% no primeiro bimestre de 2023, ficando em 9,84% no somatório dos últimos 12 meses.

Educação puxa inflação
O grupo educação foi o destaque na inflação de fevereiro, sendo responsável pelo maior impacto (0,35 p.p.) e com a maior variação (6,28%). “Fevereiro é sempre muito marcado pela educação, pois os reajustes efetuados pelos estabelecimentos de ensino na virada do ano são contabilizados nesse mês. Normalmente, essa alta de educação fica indexada ao próprio IPCA, ou seja, o reajuste das mensalidades é baseado na inflação do ano anterior”, explica o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov.

Campeãs da inflação
Entre as cidades pesquisadas pelo IBGE, a cidade com maior inflação da cerveja no domicílio em fevereiro foi São Luís, ficando em 4,77%, seguida por Aracaju, onde a alta foi de 2,81%. Já nos bares, a campeã do reajuste da cerveja foi Goiânia, onde o índice chegou a 2,64%. O indicador ficou em 2,42% em Salvador.

Ambev será cervejaria da Oktober de Blumenau até 2028; aporte é de R$ 100 mi

A Oktoberfest de Blumenau, a maior do Brasil e uma das principais do mundo, terá a Ambev como cervejaria oficial ao longo das próximas seis edições. A companhia venceu uma licitação, realizada pela prefeitura da cidade catarinense, e terá a cerveja oficial do evento do período de 2023 a 2028.

Ao anunciar a escolha da Ambev, a organização da Oktoberfest de Blumenau destaca a disputa intensa entre os dois principais grupos cervejeiros do mundo, apontando que a selecionada apresentou ágio de cerca de 80% em relação ao valor mínimo incluído no edital, que era de R$ 2,830 milhões, superando, assim, os R$ 5 milhões por ano em sua oferta. Além disso, aponta que deverá haver investimento de cerca de R$ 100 milhões pela ganhadora da licitação.

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“Depois de uma disputa lance a lance entre as duas maiores cervejarias do mundo, as superpotências Ambev e Heineken, buscando a chancela de ‘Cervejaria Oficial da Oktoberfest Blumenau’, a Ambev consagrou-se vencedora, em proposta com ágio de 80%.  O aporte projetado do contrato totaliza 100 milhões de reais para as próximas seis edições da maior festa alemã das Américas”, diz.

A Ambev já havia tido a cerveja oficial da Oktoberfest de Blumenau em 2022, quando optou por deixar esse posto com a Spaten, uma tendência que deve se repetir para as próximas edições, especialmente em função do histórico da marca, de origem na Alemanha. Agora, porém, para vencer a disputa, a cervejaria dobrou o valor oferecido no ano passado, que havia sido de R$ 2,55 milhões.

Outros investimentos
O edital de escolha da cervejaria oficial da Oktoberfest também contemplou a construção de um boulevard na área do Parque Vila Germânica, onde ocorre a festividade em Blumenau.

A Ambev, ganhadora da disputa, terá o direito de utilizar o naming right do local até o fim de março de 2029, tendo que entregar a obra concluída até junho de 2024. No espaço, vai ter exclusividade na venda de bebidas alcoólicas e não alcoólicas, com exceção dos eventos que sejam focados em cerveja artesanal.

Números de 2022
A 38ª edição da Oktoberfest está prevista para ocorrer de 4 a 22 de outubro, quando tentará superar os resultados expressivos alcançados no ano passado.  Em 2022, a festividade em Blumenau reuniu 634.704 pessoas, que consumiram 683.300 litros de chope de uma variedade de 128 tipos de rótulos, sendo 14 da Ambev. No ano passado, a festa teve receita de R$ 21.763.506,12, com superávit de R$ 7,5 milhões.

Oscar e cerveja: Filme sobre fim de amizade passada em pub disputa 9 estatuetas

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Um amigo vai até a casa do outro para chamá-lo a ir a um pub, como faz todos os dias. A cena, costumeira na vida de muitas pessoas, é o marco inicial de um dos grandes candidatos a conquistar estatuetas do Oscar na noite deste domingo, em Los Angeles, e reforça a longeva relação entre o cinema e a cerveja. Trata-se de “Os Banshees de Inisherin”, alvo de 9 indicações à mais conhecida premiação do cinema mundial.

Os Banshees de Inisherin também é o mais novo filme do diretor Martin McDonagh, que anteriormente concorreu ao Oscar com Três Anúncios Para um Crime. A trama se desenvolve a partir do fim da amizade entre os seus dois atores principais, Pádraic (Colin Farrell) e Colm (Brendan Gleeson), tendo uma ilha na Irlanda nos anos 1920 como cartão-postal e o pub como um dos locais onde se desenrola a história.

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Na ilha fictícia de Inisherin, seus moradores parecem ignorar a Guerra Civil Irlandesa, que acontece a quilômetros dali e só pode ser percebida pelos barulhos de bombas e canhões, para acompanharem outra: a dos dois ex-amigos, o fazendeiro ingênuo e o introspectivo violinista. É, claro, uma fábula, que faz lembrar o teatro do absurdo.

Começa com a tentativa de Pádraic de tentar salvar uma amizade que parece funcionar como ponto de equilíbrio da sua vida, com o rompimento o deixando completamente vulnerável por uma mudança drástica de rotina: em uma ilha com pouco a fazer, ele não consegue mais ir ao bar para conversar com Colm em meio a muitas cervejas.

E a sua tentativa de reatar a relação com o parceiro de copo provoca reações drásticas do personagem interpretado por Gleeson, como ameaçar cortar um dedo a cada vez que o ex-amigo lhe dirigir a palavra. A decisão radical dialoga com os absurdos de uma guerra, mas também com os sacrifícios da arte, pois Colm precisa dos seus dedos para tocar o violino.

O filme, assim, vai trocando a tristeza do fim de um relacionamento por um lado bem mais sombrio desse rompimento, ainda que pontuado por momentos de humor. E, ainda, com duas histórias paralelas: a de Shiobhán (Kerry Condon), a irmã de Pádraic, que deseja sair da ilha, e a de Dominic (Barry Keoghan), jovem visto como tolo e que é espancado pelo pai policial.

Filme com cerveja no Oscar
Essa história e, principalmente, as atuações parecem ter encantado a Academia de Ciências e Artes Cinematográficas. Foram, afinal, 9 indicações ao Oscar, apenas duas a menos do que Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo, líder nesse quesito entre os concorrentes, e o mesmo número de Nada de Novo no Front.

Neste domingo, então, Os Banshees de Inisherin concorrerá às estatuetas de filme, direção (Martin McDonagh), ator (Farrell), ator coadjuvante (Gleeson e Keoghan), atriz coadjuvante (Condon), roteiro original, trilha sonora e montagem. No Globo de Ouro, foram três prêmios amealhados: melhor filme – musical ou comédia, melhor ator – musical ou comédia (Farrell) e melhor roteiro.

Um bar real
Banshees de Inisherin foi rodado na ilha irlandesa de Inishmore. Por lá, o set de filmagem foi construído, o que incluiu, claro, o pub onde se passa parte relevante da trama. O detalhe é que o espaço não foi uma mera locação, tendo funcionado para os moradores. Porém, acabou sendo demolido ao término das gravações.

Confira o trailer do “representante” da cerveja no Oscar de 2023:

Heineken lança long neck retornável e inicia implementação pelo Sul

A Heineken agora conta com uma garrafa long neck retornável. A novidade, adotada para reforçar a circularidade das embalagens, começou a ser implementada neste mês de março em bares e restaurantes parceiros da marca na região Sul do Brasil. O lançamento está em consonância com a meta da Heineken de ter 80% de suas embalagens de vidro circulares até 2030.

A garrafa long neck retornável da Heineken está sendo disponibilizada nas cidades de Curitiba, Japurá, Ponta Grossa, Londrina, Cascavel, Umuarama, Campo Mourão e Paranaguá, todas no Paraná, nas catarinenses Florianópolis, Itajaí, Chapecó, Criciúma, Blumenau, Montenegro, Vacaria e Laurentino, além dos municípios gaúchos de Porto Alegre,  Cachoeirinha, Pelotas e São Borja.

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De acordo com a Heineken, a long neck retornável conta com algumas novidades, como o selo prata, que reforça o conceito dos produtos, garantindo que aquela unidade irá ser reutilizada. Além disso, as tampas, com novas cores, sinalizam que as novas garrafas devem ser abertas apenas com abridor (modelo Pry Off).

Nessa fase de implementação, a Heineken irá distribuir 10 mil abridores desse tipo para os estabelecimentos e os consumidores. Além disso, o vidro da garrafa é mais espesso e com tamanho maior, sendo mais seguro para o transporte e para o consumo.

Ao anunciar a long neck retornável, a Heineken revelou a meta de que 90% dos bares e restaurantes da região Sul recebam as novas garrafas até o fim deste primeiro semestre. “O projeto será expandido para as demais regiões brasileiras ao longo dos próximos anos”, acrescenta a marca.

De acordo com a marca, foram realizados investimentos na sua fábrica em Ponta Grossa, onde o processo de produção, transporte, coleta, lavagem e reenvase do produto foi internalizado em 100%, tornando o fluxo do ecossistema mais viável e ecológico.

A Heineken lembra que apenas 47% do vidro no Brasil é reciclado e espera que sua iniciativa ajude a provocar mudanças logísticas e no hábito cultural envolvendo o produto. “Queremos, num futuro próximo, estar em todos os estados brasileiros com as long necks retornáveis, garantindo a redução de impactos negativos com a produção de novas garrafas”, diz Eduardo Picarelli, diretor da unidade de negócios da Heineken no Brasil.