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13 executivos avaliam como indústria da cerveja se insere na alta do PIB

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Estimulado pela alta do consumo e da geração de empregos no Brasil, o Produto Interno Bruto (PIB) fechou o ano passado com crescimento de 2,9%, ainda que apresentando recuo de 0,2% no último trimestre. Mas como a indústria da cerveja foi contemplada em meio ao PIB de 2022?

Para compreender esse cenário, o Guia ouviu executivos de 13 empresas de diferentes ramos da indústria da cerveja com a intenção de captar nuances da atividade em meio à expansão do PIB no ano passado.

Os números, por si só, apontam que a venda de cerveja subiu acima do ritmo da economia brasileira. De acordo com levantamento da Euromonitor Internacional, em estudo encomendado pelo Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), a venda de cerveja no Brasil cresceu 8% em 2022, para 15,4 bilhões de litros, uma expansão, portanto, superior na comparação com o PIB.

Além disso, a alta do faturamento da indústria com a venda da cerveja foi percentualmente ainda maior, de 19,8%, saltando de R$ 231,6 bilhões para R$ 277,4 bilhões, em um indicativo do que muitos dos executivos ouvidos pelo Guia sobre o comportamento do setor no ano passado em meio à alta do PIB: a premiumização do mercado e o crescimento das artesanais, que possuem maior valor agregado.  

Também por trás desses números e detalhando como se deu o impacto deles, os executivos observaram que o mercado cervejeiro conseguiu se recuperar dos desafios impostos pela pandemia, com os fornecedores apostando na diversificação de produtos e em novas soluções tecnológicas para atender as demandas dos produtores.

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Confira as reflexões dos profissionais da indústria da cerveja sobre o PIB de 2022 e como o setor se comportou no ano passado:

Agrária Malte (Thiago Chiumento, coordenador comercial)
O setor teve uma recuperação forte no pós-pandemia. Ainda que tenha havido perda do poder de compra, percebemos a busca do consumidor por produtos de qualidade maior. Ele está bebendo melhor ainda que em menor quantidade. Ou seja, tem mais valor agregado, além da busca pela cerveja zero álcool.

Allbot (Loreno Minati, diretor administrativo)
Saímos de uma recessão que bagunçou bastante o mercado. Tivemos que nos reinventar nesse meio tempo. Diversificamos nossos produtos, até por medo de sucumbir. Tivemos uma melhoria e certamente uma parcela disso veio do meio cervejeiro. A mudança de um ano para cá foi significativa, principalmente depois das eleições.

Barril Vix (Roniely Sarzi, comercial)
Foi um ano desafiador. Houve crescimento da indústria da cerveja e da produção caseira, mas também se esbarrou na disponibilidade de produtos importados, com o encarecimento do frete e de commoditires, como do inox. O crescimento, assim, poderia ter sido mais expressivo. Mas também foi um ano de muita esperança. A desaceleração do fim do ano se deu pela insegurança política.

Brewtainer (Maurício Margaritelli, diretor)
Crescemos muito mais do que o PIB. Os setores de cerveja e de contêineres para bares e restaurantes, no qual estamos inseridos, vêm crescendo muito. Esse ano ainda contém boas expectativas em função do crescimento do mercado cervejeiro, do número de cervejarias artesanais que vão surgindo e da amplitude do nosso negócio.

CBCA (Gustavo Barreira, CEO)
A premiunização é uma realidade irreversível, o que faz com que o mercado de artesanais continue crescendo na faixa dos 20%. No caso da CBCA, nosso crescimento orgânico foi de 30% em 2022, com ajuste de canais e movimento de migração gradual para venda direta. A aquisição da Startup Brewing, em Itupeva (SP), trouxe um crescimento adicional de 28%, totalizando 58% em 2022. Apesar do crescimento no ano, tivemos, sim, uma retração nas vendas no último trimestre, especialmente novembro e dezembro, resultado de uma ressaca eleitoral e excesso de chuvas.

Chopeiras Memo (Lucas Cavalin, diretor de AT e controller)
Percebemos uma animação maior, com um crescimento de 10% em 2022. Mesmo com as incertezas políticas, para nós, o último trimestre representa 50% das vendas no ano e, para a Memo, esse período foi excelente.

HBS Distribuídora (Pedro Bordin Hoffmann, vendedor)
O mercado cervejeiro cresceu mais do que o próprio PIB, mas ainda assim abaixo da média do que poderia ter crescido. Poderia ter roubado uma fatia maior de mercado de outros pontos. O mercado de cervejeiros caseiros encurtou bastante. Já a nossa empresa cresceu acima do PIB.

JT Instrumentação e Processo (Victor Ferraz, sócio)
O setor cervejeiro é um mercado atípico, que está sempre crescendo. O que varia são as preferências. E está caminhando para opções melhores, o que contribui para dar valor ao mercado e melhorá-lo. Para nós, é um mercado que promove tecnologias e nos ajuda a desenvolver novos parceiros. As cervejarias querem melhorar processos e isso nos faz trazer novas tecnologias, que acabam se disseminando por todo o mercado.

Label Sonic (Bruno Lage, sócio-fundador)
Não temos tamanho suficiente para seguir retração ou crescimento do PIB. Mas percebo que mais pessoas estão se tornando empreendedoras. E esperamos que o consumidor sempre valorize o pequeno e médio produtor. Trabalhamos com uma variedade de setores e vemos oportunidades para crescimento em todos eles.

MeuChope (Bruno Medeiros, CEO)
O mercado artesanal cresceu acima de 10%, ainda que muito impactado por resquícios da pandemia, o que até atrasa um pouco essa recuperação. Mas isso já vem acontecendo, com o pagamento das dívidas.

NewAge (Edison Nunes, gerente comercial)
O mercado das cervejas especiais, no canal que atendemos, os supermercados, retraiu. Porém, no geral, crescemos com o lançamento da linha Wienbier de chope em growler PET único.

Porofil (Nelson Karsokas Filho, proprietário)
Crescemos mais de 3% no ano passado, considerando todos os setores em que atuamos. Foi um ano bom, com aumento de vendas e incorporação de novos produtos. Esse ano começou muito difícil, um início devagar no primeiro bimestre, com projetos sendo paralisados. Mas as coisas começaram a entrar no ritmo em que estávamos antes.

Tanoaria Agulhas Negras (Luis Claudio de Castro Nogueira, CEO)
Está bem devagar. O pessoal está tentando entender o que vai acontecer com a economia, com tudo meio parado, creio que só irá melhorar em 2024. O pessoal está um pouco assustado com tudo que está acontecendo no mundo.

Menu Degustação: Festivais em Curitiba e SP, cervejaria em Balneário Camboriú…

A agenda de festivais cervejeiros pelo Brasil segue movimentada no começo de 2023. Neste fim de semana, São Paulo vai receber o Festival do Camarão, Acarajé e Cerveja Artesanal, que promete movimentar o público que for ao Memorial da América Latina. Já o Alright Garden Festival anunciou os detalhes da sua primeira edição, que irá acontecer no fim de março, em Curitiba.

Além disso, o setor também tem visto a abertura de negócios. Em Santa Catarina, Balneário Camboriú ganhou nova cervejaria, cuja proposta é valorizar os sabores e particularidades de regiões brasileiras.

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Confira essas e outras novidades do setor no Menu Degustação do Guia:

Festival no Memorial da América Latina
A ArtShine Promoções e Eventos promove neste sábado e domingo (11 e 12) das 11h às 21h, no Memorial da América Latina, em São Paulo, o Festival do Camarão, Acarajé e Cerveja Artesanal. Com entrada grátis e voltado para toda a família, o evento espera reunir um público de aproximadamente 30 mil pessoas. Os visitantes poderão provar as comidas e bebidas das mais de 60 opções de expositores presentes, como cervejas de 300ml a 2 litros, com valores a partir de R$ 12,00 e com variedades de estilos, como Pilsen, IPA e Weiss.

Festival em Curitiba
A Alright Beer anunciou a primeira edição do Alright Garden Festival, que acontecerá nos dias 25 e 26 de março, das 11h às 20h, em Curitiba. O evento será dedicado à música, à cerveja e à diversão das famílias, em um espaço que celebra o sucesso do conceito garden, que está presente na casa da Alright Beer em Curitiba desde a sua inauguração, em 2018 As atrações do evento em Curitiba começam pelas 42 torneiras, com cervejas para todos os gostos e valores, um bar dedicado a cervejarias parceiras e à Associação das Microcervejarias do Paraná, além de um espaço para operações gastronômicas.

Mulheres na Madalena
Com o mote de festejar o Dia Internacional das Mulheres, a Madalena realiza neste domingo um dia inteiramente dedicado a elas em sua fábrica-bar em Santo André (SP), com destaque para apresentação da banda Rusty Hits, que traz o projeto Divas do Rock, homenageando cantoras que têm desempenhado papéis significativos nesse estilo musical. No cardápio, diversos rótulos de Madalena nas mais de 25 torneiras disponíveis na casa. A entrada custa R$ 25.

Cervejaria Sotaque
Um dos principais destinos turísticos do Brasil, Balneário Camboriú (SC) passa a contar com mais uma atração para turistas e moradores: a cervejaria Sotaque, onde os visitantes podem conhecer uma fábrica cervejeira, aprender sobre o processo de fabricação artesanal, degustar tipos diferentes da bebida, ter acesso à gastronomia local e curtir música ao vivo. A cervejaria conta com 16 estilos da bebida e, anexo ao bar, há uma fábrica com capacidade para 7 mil litros da bebida.

Novo quiosque em Teresina
O Quiosque do Lugui acaba de inaugurar uma nova unidade na região do bairro Fátima, em Teresina. O local segue o estilo gastrobar e terá promoção de chope em dobro em qualquer horário e dia. Além do chope, o estabelecimento oferece outras opções de bebidas como a clássica caipirinha de limão e a gin tônica de blueberry. Para acompanhar as bebidas, o espaço conta com um cardápio assinado por chefs renomados e oferece opções de petiscos e pratos mais elaborados para atender todo o tipo de público.

St. Patrick’s no Rio
Da próxima terça-feira até o domingo (14 a 19), a Rio Tap Beer House vai oferecer uma programação especial em celebração ao St. Patrick’s Day. O bar prepara uma série de ações festivas, além de novidades nas torneiras e no cardápio para a ocasião. Para entrar no clima da comemoração, o bar terá em suas torneiras o chope pilsen verde St. Patrick Pilsen Old School, além de um prato especial no menu inspirado na data: o Irish’s Starter, um fiambre artesanal acompanhado de picles de pepino, crispy de shitake, molho de mostarda e melaço, com pão de pretzel.

Evento da Verallia
A Verallia, produtora global de embalagens de vidro para alimentos e bebidas, realizou um evento interno como forma de reconhecimento às pessoas que já trabalhavam ou passaram a trabalhar na fábrica de Jacutinga e no projeto de ampliação com o novo forno, que recebeu aporte de 60 milhões de euros e permitiu que a planta mineira da Verallia mais do que dobre sua capacidade produtiva. O evento externo, para comemorar oficialmente a inauguração, está previsto para junho.

Brassagem da Das Bier
A sexta-feira contará com a Das Bier Experience. Será uma brassagem coletiva de uma Quadrupel, realizada pela Das Bier em parceria com Balbúrdia, Observatorium e Omas Haus, a partir das 10 horas, no complexo da cervejaria em Gaspar (SC). A produção será aberta para o público interessado em aprender mais sobre o processo. Os visitantes ainda poderão degustar o buffet no restaurante e passar o dia no complexo, que possui mais de 48 hectares com parque infantil e lagoas.

Federação de Concursos
Uma federação internacional de concursos foi criada a partir de um encontro envolvendo representantes de alguns dos principais campeonatos cervejeiros do mundo, realizado em Blumenau (SC). O encontro se deu durante a Semana da Cerveja Brasileira, que prossegue até este sábado na cidade catarinense. O encontro reuniu especialistas da Itália, Colômbia, México, Bélgica, Japão, Alemanha, Argentina, Polônia e Paraguai. A discussão, realizada no plenário da Câmara de Vereadores de Blumenau, envolveu, principalmente, a criação de um padrão de excelência, uniformidade e confiabilidade destes concursos, além de políticas conjuntas que contemplam distribuição, exportação e divulgação em comum.

Lançamento da Beerpass
A Beerpass, startup que desenvolve uma plataforma de autosserviço de chope, lançou uma solução para o mercado cervejeiro durante a Feira Brasileira da Cerveja, em Blumenau. É um mini totem de autoatendimento em parceria com a Stone. A novidade busca atender a demanda por automação e a facilidade no atendimento. A startup também levou o novo layout do sistema e o aplicativo Beerpass para o encontro.

Atrações da Bodebrown
A curitibana Bodebrown está presente no Festival Brasileiro da Cerveja, que vai até sábado (11) em Blumenau, com a apresentação de 27 cervejarias para o público, separadas em três categorias: Extreme, Wood Aged e Fresh. São 12 lançamentos em caráter nacional aos cervejeiros, sendo seis da Wood Aged e cinco da Fresh. As duas cervejas elaboradas junto ao Iron Maiden também fazem parte das atrações da marca.

Molson Coors é proibida de comparar cerveja light de rivais com água

O humor, uma característica costumeiramente utilizada nos comerciais de cerveja, pode ter ido longe demais. A Divisão Nacional de Publicidade dos Estados Unidos (NAD, na sigla em inglês) proibiu a Molson Coors de vincular uma propaganda em que ironiza e compara a cerveja light de suas concorrentes com água.

A contestação havia sido apresentada pela Anheuser-Busch em relação a uma propaganda da Miller Lite, uma das marcas do portfólio da Molson Coors. “A cerveja light não deve ter gosto de água, deve ter gosto de cerveja”, afirma um trecho da campanha.

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Além disso, em outro momento da propaganda, um ciclista, após subir uma montanha, abre uma cerveja, em uma latinha da cor azul, e ao invés de bebê-la, a joga em seu corpo, se encharcando. Nenhuma marca de cerveja é citada, mas sabe-se que a Bud Light tem o azul como cor predominante em sua latinha.

Em sua decisão, a NAD afirmou que o sabor de água é um “atributo mensurável”, apontando que as pessoas devem esperar que afirmação realizada na propaganda “seja apoiada por tais evidências”. Além disso, destaca que a Molson Coors “não apresentou evidências que apoiassem a alegação de que qualquer outra cerveja light tem gosto de água”.  “Testes sensoriais confiáveis ​​podem demonstrar se os consumidores detectam um sabor aguado ou a completa ausência de sabor”, acrescenta.

Não é obrigatório cumprir decisões da NAD, mas caso um anunciante ignore a determinação, o caso é levado à Comissão Federal de Comércio. A Molson Coors, então, optou por recorrer do veredicto.

A empresa afirmou que “discorda veementemente dessa decisão porque acreditamos que cerveja light deve ter gosto de cerveja, não de água, e temos o direito de compartilhar essa crença”. “Os anúncios não identificam expressamente a Michelob Ultra ou quaisquer outras cervejas light”, acrescenta a Molson Coors, citando outra marca de cerveja light da Anheuser-Busch.

A Anheuser-Busch, por sua vez, aprovou a decisão da NAD. “Os verdadeiros administradores da indústria cervejeira deveriam trabalhar juntos para fortalecer a categoria cerveja, ao invés de recorrer a ataques enganosos que denigrem os produtos apreciados por milhões de bebedores de cerveja”, diz, em comunicado oficial.

https://youtu.be/g06E2SnaoUw

Melhor cervejaria e rótulo: Alem Bier domina Concurso Brasileiro em 2023

A gaúcha Alem Bier foi o principal destaque da edição de 2023 do Concurso Brasileiro da Cerveja. Ela foi eleita a melhor cervejaria da competição, em uma disputa acirrada com a Leopoldina, definida apenas nos critérios de desempate, e ainda viu uma das suas cervejas ser escolhida a melhor de toda a disputa em Blumenau, uma Sour Italian Grape Ale, a Tannat Grape Ale, a Best of Show da disputa.

A marca da cidade de Flores da Cunha conquistou 12 medalhas na competição, sendo 4 de ouro e 8 de prata. E teve outra das suas premiadas cervejas entre as cinco melhores do concurso, sendo ela a sua Wild Beer, chamada Viognier Grape Ale, que ficou na terceira posição. Os outros ouros da Alem Bier foram nos estilos Brut Beer e Italian Grape Ale.

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Fundada em 2017, a Alem Bier tem sido um destaque recorrente do Concurso Brasileiro da Cerveja. No ano passado, ela já havia triunfado como melhor cervejaria da competição, conquistando, então, o bicampeonato em 2023. Já em 2021, a sua Merlot Grape Ale foi a Best of Show.

Neste ano, o desempenho da Alem Bier foi o mesmo da Leopoldina, a segunda melhor cervejaria da 11ª edição do Concurso Brasileiro da Cerveja, também com quatro ouros e oito pratas. E a escolha da Best of Show desempatou a disputa para a artesanal de Flores da Cunha.

As vencedoras foram reveladas em premiação que aconteceu nesta quarta-feira, no setor 3 do Parque Vila Germânica, em Blumenau (SC), dentro do Festival Brasileiro da Cerveja, sendo o concurso uma da série de eventos realizados na Semana da Cerveja Brasileira.

Em 2023, o Concurso Brasileiro contou com uma novidade, a premiação de um Top 5 entre as cervejarias, definido através do peso das medalhas, e entre as cervejas. E a disputa foi dominada pelas cervejarias do Sul do Brasil, que monopolizaram o grupo das melhores marcas, assim como tiveram as três melhores cervejas.

Logo atrás de Além Bier e da Leopoldina, ficou a catarinense Big Jack, que conquistou 6 ouros e 3 bronzes. Com 4 ouros, 2 pratas e 4 bronzes, a gaúcha La Birra terminou em quarto lugar. E o Top 5 foi completado pela paranaense Sabores do Malte, a quinta colocada, com 2 ouros, 3 pratas e 5 bronzes.

O CBC deste ano contou com 4.085 rótulos inscritos por 565 cervejarias de 25 estados brasileiros. O número de cervejas participantes, assim, foi recorde e 12% superior ao concurso de 2022. E todas elas foram julgadas no Don Concept Hall, a partir da última segunda-feira.

Entre essas, a catarinense Blauer Berg teve a segunda melhor cerveja da disputa, um rótulo do estilo Robust Porter. A Hop Hed, uma Amber Red Ale da capixaba Três Torres, foi a quarta colocada. E a quinta melhor cerveja foi uma da catarinense Bierbaum, a sua Bock.  

No total, foram 252 medalhas distribuídas, sendo 79 de ouro, 87 de prata e 86 de bronze. A relação completa de premiadas pode ser conferida no link.

A edição deste ano do Concurso Brasileiro também fechou acordos com organizadores de outras competições pelo mundo. Assim, as cervejas Best of Show do CBC terão inscrição gratuita no Brussels Beer Challenge, na Bélgica, e no European Beer Star, na Alemanha. Já as medalhistas de ouro, prata e bronze nas categorias Italian Grape Ale e Sour Italian Grape Ale terão inscrição gratuita no concurso mundial de Italian Grape Ale, na Itália.

O concurso está inserido na Semana da Cerveja Brasileira, iniciada no último domingo (5) e que prosseguirá até o próximo sábado (11). Ela também congrega o Festival Brasileiro da Cerveja, a Conferência Internacional de Concursos Cervejeiros, a entrega da Comenda da Cerveja Brasileira, o Congresso Internacional da Cerveja e a Feira Brasileira da Cerveja.

Continuidade de ações cervejeiras reforça luta das mulheres

O dia 8 de março traz luz à luta das mulheres por equidade e pelos seus direitos, vindo carregada de iniciativas que chamam a atenção para essa causa urgente. E a continuidade dessas ações também é fundamental para que a desigualdade entre homens e mulheres não seja esquecida nos demais 364 dias de cada ano.

Tem sido assim, ano a ano, com algumas iniciativas na indústria da cerveja. Duas delas, selecionadas pela reportagem do Guia, envolvem a Dádiva, marca artesanal dirigida por uma mulher e que chama a atenção no Dia Internacional das Mulheres para os desafios diários enfrentadas por elas, e a Academia da Cerveja, que vem oferecendo qualificação profissional voltada a esse público, com a realização, pelo terceiro ano consecutivo, do curso CervejeiraSouEu.

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“Todos os dias são desafiadores para nós, mulheres. Nas nossas trincheiras diárias, porém, encontramos muita gente disposta a combater injustiças e mudar o nosso mundo para melhor, a nos dar as mãos”, diz Luiza Lugli Tolosa, sócia-fundadora da Dádiva.

Aproveitar a data para lançamentos de cervejas carregadas de muitos significados é uma marca da Dádiva. Em 2020, a marca promoveu campanhas relacionadas aos direitos das mulheres, abordando temas como a liberdade de frequentar um bar sozinha sem ser assediada e poder beber o que e quando quiser. Em 2021, a violência doméstica – que, inclusive, aumentou durante a pandemia – foi o tema da Nosso Silêncio Deixa Marca. Já a diferença salarial entre homens e mulheres foi exposta em latinhas de tamanhos diferentes no ano passado.

Em 2022, a Dádiva quis chamar a atenção para o combate à cultura do patriarcado, que alimenta a desigualdade entre gêneros na sociedade. Assim, para reforçar esse combate, realizou o lançamento da Fight the Power.

“O olhar que queremos trazer neste ano sobre este tema (tão necessário, mas também tão potente para nós) é mais terno do que o que trouxemos nos anos anteriores, já que dessa vez propomos um estreitamento dos laços que nos unem, bem como um reconhecimento de nossas conquistas (as que vieram e as que ainda virão)”, afirma Luiza.

A cerveja de 2023 é uma West Coast IPA com 6,3% de teor alcoólico com aromas frutados, lembrando manga e melancia, tendo um toque de laranja doce ao final. Já no sabor, há notas resinosas, de acordo com o descritivo da novidade. Nesta campanha, foram criados 52 rótulos diferentes nas latas, cada um com o nome de uma mulher, representando sua luta por respeito e equidade.

“A campanha deste ano é um convite para essa força que nos une, para esse desejo de reconstrução, de repensar novas formas de se relacionar, e reconstruir as bases de nossa sociedade”, acrescenta Luiza.

Cervejeira
O curso promovido pela Academia da Cerveja já leva em seu nome a necessidade de ressignificação do termo cervejeira, comumente relacionado ao eletrodoméstico. O Empório da Cerveja, plataforma de e-commerce da Ambev, inclusive, alterou o nome do produto para “geladeira de cerveja”.

Em 2023, o curso CervejeiraSouEu está com 2 mil vagas gratuitas. As aulas abordam o universo da cerveja e as áreas de atuação profissional que ele possibilita. Neste ano, haverá duas turmas, de 27 a 30 de março e de 3 a 6 de abril.

As inscrições podem ser feitas pelo site da Academia da Cerveja, que ainda vai oferecer uma bolsa de sommelieria – curso profissionalizante de longa duração – para uma das alunas do curso deste ano.

“Nas duas primeiras edições, quase mil mulheres participaram das nossas aulas e outras duas mil ficaram em lista de espera. Para este ano, trouxemos um número ainda maior de vagas para que mais mulheres possam ter acesso a esse conteúdo. É gratificante saber que estamos empoderando mulheres para ocupar espaço dentro do mercado cervejeiro que só tem a ganhar com esse aumento da diversidade de profissionais e amantes da bebida”, destaca Laura Aguiar, head de conhecimento e cultura cervejeira, sommelière e mestre-cervejeira da Ambev.

Balcão Rise Beer: Falar que mulher não entende de cerveja é burrice

Balcão Rise Beer: Falar que mulher não entende de cerveja não é só preconceito, é burrice. E isso não é achismo, é ciência

Sempre que você ouvir, a partir de agora, essa história de que mulher não entende de cerveja, eu gostaria que lembrasse exatamente do que vou lhe escrever agora.

Porque, olhe, essa afirmação é de colocar os burros no chinelo.

Acompanhe aqui a linha de raciocínio e vamos construir, juntos, esse pensamento. Abre uma boa cerveja e fica aqui comigo que o papo vai ser bom.

Existem 3 coisas que me parecem ser absurdamente difíceis de se falar:
1 – Pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico;
2 – Oftalmotorrinolaringologista;
3 – Caramba, essa mulher entende de cerveja mesmo!

E, repare, dizer que mulher não entende de cerveja, para mim, é equivalente a assinar um termo afirmando, assim, em letras garrafais mesmo: EU QUE NÃO ENTENDO NADA DE CERVEJA, MINHA JOVEM.

Vamos aos fatos. A ciência da análise sensorial funciona da seguinte forma: a sensação começa com um estímulo e termina com uma percepção.

Explico melhor:
Um estímulo atinge um de nossos órgãos sensoriais e, sendo estimuladas por uma gama de substâncias químicas, as terminações nervosas disparam, enviando sinais de forma específica, atravessando várias estações de processamento, inclusive podendo passar por partes emocionais até chegar à parte cognitiva do cérebro onde vai passar por uma trilha de pensamentos, lembranças, memórias, sensações e recordações afetivas até, finalmente, serem expressadas em vocabulário, em linguagem.

Vamos simplificar:
É por isso que quando você bebe uma cerveja, ela pode despertar uma memória afetiva. É por isso que quando você sente um perfume, você pode lembrar de alguém. E é por isso que você tem uma comida preferida que te faz lembrar de alguém especial.

Os sentidos químicos, que te proporcionam perceber as nuances sensoriais de uma cerveja, são extremamente antigos e primitivos. Os sinais do paladar, por exemplo, alcançam o bulbo do sistema nervoso central, uma parte super primitiva do cérebro.

Isso explica por que você não pode dizer que uma cerveja traz notas fenólicas, se você não souber o que é fenólico. E é por isso também que não basta “dar um Google” para entender, é preciso sentir. A jornada sinestésica que eu citei acima precisa acontecer.

É por esse motivo que uma música que te faz lembrar algo, pode não despertar absolutamente nada em outras pessoas, simplesmente porque essas pessoas não viveram a jornada sinestésica que você viveu.

Todos os meus alunos conhecem, por exemplo, a história de que quando ouço “Jar of Hearts” lembro-me do São João de Campina Grande imediatamente. Se você der um play nessa música irá me dizer: “Não tem nada a ver com junho, com fogueira, com forró ou com milho assado, Kyl”.

E eu vou te responder que, para mim, tem, absolutamente.

Tem a ver com as lembranças felizes que construí com meus amigos nos “esquentas” pré-Parque do Povo – lugar que acolhe o maior São João do mundo – e que foram enraizadas na minha memória, sendo a música um atalho que me leva direto para essas boas lembranças.

E é por isso que o seu caminho de evolução sensorial é único, porque ninguém além de você é capaz de trilhar essa vereda e só você é capaz de ressignificar suas trilhas sinestésicas para linguagens e vocabulários.

Todos os meus alunos são ensinados a ter inteligência sensorial, o jogador conhece o jogo pela regra, é o que sempre ensino, porque falar, até papagaio fala.

Usar os sentidos para, ativamente, degustar e apreciar uma cerveja é uma estrada individual que eu prazerosamente os conduzo, não os ensinando a repetir o que eu digo, o que eu acho, ou como eu avalio, mas os ensinando a serem experts.

E experts são esses jogadores que conhecem o jogo pela regra e que fazem lindas jogadas.

Meus caros cervejeiros e cervejeiras que estão comigo até aqui, não achem que nem por um momento eu esqueci de lhes dizer o motivo pelo qual é burrice achar que uma mulher não entende de cerveja.

Eu estou lhes explicando isso em cada uma das linhas escritas acima.

Vamos arrematar esse pensamento?

Pois bem, o que eu brevemente lhes descrevi acima é a pura ciência da análise sensorial.

Onde, em toda essa descrição, você consegue concluir que um homem, apenas por ser homem, consegue ter alguma vantagem nesse processo?

Em nenhum momento.
Pensem nisso: em nenhum momento.

E por que eu preferi falar sobre o certo e estampar o errado mesmo sem citá-lo?

Porque sou uma mulher nordestina, inteligente e avessa à burrice.

Sempre mostrei que mulher entende, sim, de cerveja, não discutindo com quem fala tais bobagens, mas mostrando na prática, ensinando a centenas de alunos, democratizando (de verdade!) o conhecimento cervejeiro e mostrando que cerveja é para gente de bem e inteligente.

Deixo aqui um brinde a cada um de meus Risers, que são meu povo, são meus alunos e para todos vocês, gente de bem e inteligente, que leram o que lhes escrevi até aqui.

Um xêro, cheers e até o nosso próximo papo.


Kylvia Cordeiro é engenheira química pela Universidade Federal de Campina Grande, sommelier de cervejas, especialista em análise sensorial e off flavors, fundadora da escola Rise Beer e criadora do método que leva o mesmo nome.

Abracerva fará eventos nas 5 regiões do país e retomará Copa Cerveja Brasil 

A Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) anunciou a realização de um projeto itinerante com eventos que acontecerão nas cinco regiões do país, contemplando festival, congresso técnico e a retomada da Copa Cerveja Brasil. A iniciativa é o Road Show Cervejeiro e terá início em Salvador, na semana de 24 a 28 de maio, com a última edição em 2023 acontecendo na cidade de São Paulo, em outubro.

Além de edições regionais da Copa Cerveja Brasil, um concurso voltado para cervejarias artesanais independentes, o projeto da Abracerva terá uma série de seis eventos compostos por congressos técnicos e festivais. A realização do Road Show Cervejeiro está alinhada ao posicionamento da associação de buscar atuar nacionalmente em prol da cerveja artesanal, com eventos, ações de relacionamento governamental, participação em fóruns e conselhos.

Leia também – Carnaval provoca alta no faturamento e busca por reconexão com jovens

“Assumimos o compromisso de levar cultura cervejeira de Norte a Sul do Brasil, o que é um desafio enorme em um país de dimensões continentais. Por isso, faremos o Road Show, com edições em cada região brasileira, entre maio e outubro deste ano”, explica Gilberto Tarantino, presidente da Abracerva,

A busca pela regionalização se repetirá na Copa Cerveja Brasil, que, em sua retomada, contará com edições regionais. “O novo formato era uma demanda dos nossos associados e traz como vantagens o menor custo logístico e a valorização das identidades regionais”, destaca Giba.

A Abracerva explica que haverá uma edição nacional final da Copa Cerveja Brasil, em outubro, na capital paulista. Será a volta da competição, que teve sua primeira edição em 2018, em Brasília, ocorrendo no ano seguinte em Vitória, com 700 cervejas inscritas.

O Road Show Cervejeiro terá início na capital baiana, depois seguindo, ao longo do ano, para Belém, Belo Horizonte, Brasília e Curitiba, até o fechamento em São Paulo. Nessas cidades, acontecerão congressos com palestras técnicas e de gestão, encontros com representantes do poder público, rodada de negócios e treinamentos para profissionais e empreendedores de cervejarias e pontos de venda, que serão realizados por especialistas das regiões, da Abracerva e seus parceiros. O objetivo é difundir cultura e conhecimento sobre cerveja artesanal para consumidores e formadores de opinião.

O circuito técnico, educativo, competitivo e de degustação conta com patrocínio máster da startup MeuChope. A empresa também atuará na promoção das cervejarias locais com realização do MeuChope Festival um evento de degustação para o público.

“Nessa parceria quem ganha é o todo mercado cervejeiro. Mas principalmente as pequenas cervejarias do Norte e Nordeste que muitas vezes não têm espaço nos eventos cervejeiros nacionais”, diz Augusto Sato co-CEO da startup.

Lei põe bares na luta contra assédio às mulheres em SP; veja como será

O olhar, o toque sem consentimento, as propostas incômodas, o constrangimento, a perseguição, a humilhação, o medo… Cerca de 46,7% das mulheres brasileiras de 16 anos ou mais sofreram alguma forma de assédio sexual em 2022, o que representa quase 30 milhões de mulheres. Já o número estimado de casos de estupro no país por ano é de 822 mil, o equivalente a dois por minuto, uma situação crítica que afeta as mulheres e motivou a criação de uma lei, no estado de São Paulo, para que funcionários de bares e outros estabelecimentos atuem para protegê-las.

Os dados, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apresentam um contexto que a recém-sancionada Lei 17.635/2023 espera ajudar a combater. Ela estabelece que funcionários de bares, restaurantes, boates e estabelecimentos similares recebam treinamento para identificar e inibir condutas de assédio sexual e estupro contra mulheres dentro desses ambientes.

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Ter uma lei de proteção às mulheres contra o estupro e assédio em bares e restaurantes é importante, pois os dados da pesquisa do Ipea mostram que  8% (5,1 milhões) das mulheres já sofreram tentativa de abusos por estarem alcoolizadas e 11,2% das entrevistadas, o que corresponde a 7,2 milhões de mulheres, foram abordadas de maneira agressiva, isto é, alguém tocou no seu corpo sem consentimento durante uma balada ou uma festa.

Publicada em 18 de fevereiro, a lei prevê que gestores e responsáveis pelos espaços terão 60 dias para se regularizarem. Para estarem de acordo com a legislação, será preciso que os estabelecimentos promovam, ao menos, uma capacitação anual. Fora isso, a lei ainda determina que os estabelecimentos tenham cartazes com indicação de quais trabalhadores estão aptos a auxiliar as mulheres em situação de risco dentro desses ambientes.

No caso de descumprimento, a lei prevê que os responsáveis possam ser punidos de acordo com o Código de Defesa do Consumidor, aplicáveis na forma de seus artigos 57 a 60.

 “Apoiamos a lei, ela é razoável. O assédio não é uma agressão só contra o cliente, é uma agressão também contra a casa, o proprietário e seus trabalhadores, que estão ali para fazer uma coisa legal, correta e não toleram esse tipo de conduta de cliente algum”, comenta Percival Maricato, diretor institucional da seccional de São Paulo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, a Abrasel SP.

Para ele, essa conduta de combate ao assédio e ao estupro é algo que precisa ir além da obrigatoriedade da lei. “Nós achamos que é obrigação de todo mundo, inclusive de proprietários e bares de restaurantes, contribuir para ter uma sociedade mais civilizada e mais respeitosa”.

Fabio Francisco, sócio fundador do grupo BaresSP, também considera a lei essencial. “A gente é a favor, sim, e vê que os bares estão se preparando com mais instrução e mais treinamento interno. É mais uma coisa conceitual, do que fazer, em que momento agir, o que fazer quando acontecer, porque às vezes a brigada não está preparada para isso. Acontece algum episódio e ela pode não agir da melhor forma”, diz.

Para que os estabelecimentos não tenham problemas com a nova lei, a escola da Abrasel SP já está trabalhando com seus professores em treinamentos, que serão repassados a funcionários e proprietários dos bares e restaurantes. A direção da associação em São Paulo também realizou reuniões sobre o tema e prepara cursos e palestras.

Para os treinamentos aos colaboradores, a Abrasel SP já realizou um debate com advogado e um delegado de polícia com instruções das ações dentro da lei. “(Foi abordado) O que não pode, como pode, o que é conveniente, como tratar uma pessoa que é agredida, como a pessoa agredida poderá ter acesso a alguém do estabelecimento. Enfim, tudo que é necessário para interpretar algo que está ocorrendo e buscar uma solução”, diz o diretor institucional da Abrasel SP.

O BaresSP também iniciou suas ações e vai promover o Encontro de Mulheres, que buscará reunir suas associadas para compartilhar histórias, conhecimentos e experiências do mundo do empreendedorismo. O evento foi agendado para a próxima segunda-feira (13) e contará com palestras e debates sobre a lei.

“Estamos nos movimentando com isso. Uma advogada especialista e uma delegada vão falar disso e como trabalhamos nesse momento em relação a essa lei. Então, estamos preparando bastante documentos e conteúdo para munir os estabelecimentos e que eles consigam passar essas instruções para os colaboradores”, conta o sócio-proprietário do BaresSP.

Dados alarmantes
O levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostrou que a conduta mais frequentemente citada em casos de assédio sexual foi a cantada e os comentários desrespeitosos na rua, experimentados por 4 em cada 10 mulheres (26,3 milhões).

Além disso, todas as oito formas de assédio listadas apresentaram crescimento de 2021 para 2022. Também em comparação com as pesquisas anteriores, todas as formas de violência contra a mulher tiveram aumento acentuado.

Já o Ipea, a partir do dado de 822 mil estupros anuais no país, calculou que apenas 8,5% dos estupros são identificados pela polícia e 4,2% pelo sistema de saúde.

Outras leis
Se a violência contra a mulher no Brasil é um problema sério, diversas são as leis que buscam prevenir, coibir e aumentar a proteção da mulher. Algumas delas são: Lei Maria da Penha (Lei 14.310, de 8 de março de 2022, que modificou a 11.340, de 7 de agosto de 2006); Lei do Feminicídio (Lei 13.104/2015); Lei do Minuto Seguinte (Lei 12.845/2013) e Lei Joana Maranhão (Lei 12.650/2015).

Caso sofra algum tipo de violência, a mulher pode ligar para a Central de Atendimento à Mulher, no Ligue 180, criado a partir da Lei 10.714/2003, além do Disque 100, que recebe, analisa e encaminha denúncias de violações de direitos humanos.

Ambev está otimista para 2023, mas ação cai 2% após balanço; veja análises

A Ambev está otimista em relação às perspectivas para 2023, de acordo com relato do CEO Jean Jereissati durante a apresentação dos resultados do quarto trimestre de 2022, mas, ao que parece, quem atua no mercado não tem a mesma expectativa. Afinal, a ação da companhia desvalorizou nos dois dias seguintes à apresentação do balanço na última semana.

No quarto trimestre de 2022, a Ambev teve lucro líquido de R$ 5,083 bilhões, além de Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de R$ 7,109 bilhões e receita líquida de R$ 22,693 bilhões, em um resultado puxado especialmente pelo Brasil, com o volume de cerveja chegando aos 26,605 milhões de hectolitros no país.

Esse volume não só representou uma alta de 4% na comparação com o quarto trimestre de 2021 como foi recorde para a Ambev, sendo um dos destaques do balanço, assim como o lucro líquido de pouco mais de R$ 5 bilhões, cerca de 30% acima da estimativa de alguns dos principais analistas.

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Ainda assim, a recepção do mercado financeiro ao balanço da Ambev não foi boa. Da cotação de R$ 13,47 em que havia fechado a última quarta-feira (1), véspera da apresentação do resultado do quarto trimestre, caiu para R$ 13,13 ao fim da quinta, desvalorizando 1,93%. E terminou a sexta valendo R$ 13,11.

O CEO da Ambev, porém, está otimista, tanto que praticamente abriu a teleconferência de resultados com analistas declarando que começou 2023 “mais confiante do que estava em 2022”. E o motivo para isso é a expectativa de que a empresa sofra menor pressão sobre os custos ao longo desse ano, embora os efeitos tenham persistido no primeiro trimestre.

Essa possibilidade, esperada em função da queda dos preços das commodities, seria um sinal importante para ajudar a aumentar a rentabilidade da Ambev. “Testemunhamos inflação significativa nos últimos anos. Mas agora não há mais essa desconexão. Estamos vendo aumento contínuo de receita, enquanto a inflação das commodities e com despesas está em queda”, declara Jereissati.

Essa redução da alta dos insumos também deverá contribuir para a estratégia de rentabilidade da Ambev, pois a companhia explica que tem evitado repassar integralmente a alta dos custos nos últimos anos, concentrando os reajustes de acordo com a cesta de produtos dos consumidores. “Desconectamos preços dos custos, olhando mais para o consumidor. Vamos manter essa estratégia, tentando entender renda disponível, força de marca e demanda”, diz Jereissati.

Perspectiva para as marcas
A Ambev também acredita que pode aumentar a sua participação de mercado, especialmente com as marcas Brahma Duplo Malte, surgida nos primeiros meses da pandemia, Spaten, que quase dobrou o seu volume entre o quarto trimestre de 2021 e o último de 2022, e Corona.

“Com a reabertura, houve a consolidação da Duplo Malte. Está ajudando a rejuvenescer toda a franquia da Brahma, o que beneficiou as nossas principais marcas”, afirma Jereissati. “Estamos investindo para que Corona se torne a principal marca premium do Brasil”, acrescenta.  

E a Copa?
A alta do volume de 4%, embora tenha permitido uma venda recorde de cerveja para a Ambev em um trimestre, foi menor do que a esperada por analistas para os três últimos meses de 2022, período que coincidiu com a disputa da Copa do Mundo. Na apresentação de resultados, Jereissati estimou que a influência do torneio no volume de cerveja da Ambev foi de 1,5%. E ressaltou o efeito negativo da eliminação do Brasil nas quartas de final ao declarar que o peso poderia ter chegado a 2,5% caso a seleção tivesse avançado à final no Catar.

Americanas
Os executivos da Ambev aproveitaram a teleconferência de resultados para comentarem sobre o que classificaram como “ruídos” envolvendo a empresa. A referência se dá em função de preocupações com a situação da empresa, especialmente porque três dos seus principais acionistas – Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles – são os mesmo da Americanas, que no início de 2023 teve revelado um escândalo contábil.

A situação ganhou mais intensidade com a publicação de uma matéria pelo site da revista Veja em que a CervBrasil, a Associação Brasileira da Indústria da Cerveja, afirmava que a Ambev poderia ter inconsistências em suas demonstrações financeiras, geradas por manobras envolvendo a atuação na Zona Franca de Manaus. Na época, o Guia explicou a situação, que está contabilizada em documentos da empresa, em reportagem.

“Houve muitos ruídos que nada tem a ver conosco”, diz Jereissati. “Litígios tributários em questões envolvendo a Zona Franca de Manaus devem durar anos”, acrescenta Lucas Lira, diretor de relação com investidores da Ambev. “Se colocarmos as distrações de lado, nosso negócio está indo bem”, conclui Jereissati.

Confira quatro análises sobre o resultado financeiro da Ambev e a expectativa para os próximos meses:

Ativa Investimentos
“A Ambev reportou resultados levemente acima do esperado nos volumes, mas ainda sente pressão nas margens. Vemos a companhia entregando o melhor que pode para ganhar participação e contornar os efeitos macroeconômicos. No curto prazo, acreditamos que a empresa ainda seguirá enfrentando cenários desafiadores, porém, enxergamos a empresa entregando fortes resultados no longo prazo, trazendo iniciativas digitais e se mantendo resiliente frente às dificuldades impostas”.

Bradesco BBI
“A ação deve se beneficiar da queda dos preços das commodities, apesar de uma defasagem de 12 meses entre preços spot de commodities e o que se reflete em seus resultados, e preços resilientes de cerveja que devem, combinados, levar a expansão de margem acima do consenso nos próximos anos”.

BTG Pactual
“O lucro de R$ 5 bilhões superou nossa expectativa em 19% e aumentou 38% na comparação com 12 meses atrás devido à grande reversão do imposto de renda após a distribuição de juros sobre capital próprio”.

“Os volumes de cerveja cresceram 4% ante um ano, abaixo das expectativas mais baixas, sugerindo que os ganhos de participação de mercado foram interrompidos, enquanto preços abaixo do esperado levaram a uma perda de 12% do Ebitda na margem inferior”.

“Acreditamos que a qualidade dos ganhos fracos, os riscos da reforma tributária e uma contribuição crescente da Argentina apoiam nossa visão de que a história de rebaixamento continuará”.

XP Investimentos
“Ambev relatou um trimestre positivo com o tão esperado, embora ainda tímido, foco nas margens, mesmo que isso sacrifique o crescimento de volume. Conforme declarado pela empresa, essa tendência deve continuar em 2023, favorecida por uma acomodação dos custos”.

“Após a recente performance negativa da ação, em nossa opinião não relacionada aos fundamentos da empresa, esperamos uma recuperação no desempenho”.

Balcão Beersenses: A diferença entre chope e cerveja é cultural

Rodrigo Sena Beersenses

Balcão Beersenses: A diferença entre chope e cerveja é cultural e não técnica

Há uns 7 anos, fui almoçar em uma churrascaria, num sábado ensolarado, perto do Parque do Ibirapuera, em São Paulo. O dia estava perfeito para comer churrasco acompanhado de uma cerveja gelada. Então, eu perguntei ao garçom o que ele tinha de cerveja na casa. Eis que ele me respondeu que não tinha nenhuma cerveja, só tinha chope.

Me lembro bem desse dia porque esse fato gerou uma discussão na mesa: mas, afinal, qual a diferença entre chope e cerveja? Isso aconteceu muito antes de eu me aprofundar no estudo cervejeiro, antes de eu me tornar sommelier de cervejas profissional com certificação em tecnologia cervejeira. Então, na época, a dúvida ficou no ar.

Mas, depois de anos de estudo, eu finalmente consigo responder a essa dúvida de maneira direta: não existe diferença técnica entre chope e cerveja. O que existe é uma questão cultural brasileira ao usar o nome chope.

Tecnicamente, chope e cerveja são a mesma bebida
Os ingredientes usados são os mesmos, o processo de produção é o mesmo, a tecnologia é a mesma. Sim, tecnicamente, chope e cerveja são a mesma bebida, mas, nós aqui, no Brasil, nos acostumamos a chamar de chope aquela cerveja que está nos barris e é servida sob pressão via torneiras. E ainda dizemos que chope não é pasteurizado. Bem, pretendo esclarecer esses pontos a seguir.

Chope só existe no Brasil
Para mim, particularmente, essa questão cultural deve ser respeitada, mesmo sendo tecnicamente equivocada. Para nós, culturalmente aqui no Brasil, a diferença entre chope e cerveja é a forma de serviço. Em outros países há também termos diferentes para identificar a cerveja que é servida sob pressão em torneiras, como a expressão beer on tap (cerveja na torneira) muito usada nos EUA, ou draugh beer na Inglaterra (algo como cerveja fresca) ou ainda o nome fino que é muito usado em Portugal para pedir o que nós aqui chamamos de chope. 

Mas, de fato, o termo chope só é usado aqui no Brasil. É bem possível que algum brasileiro desavisado já tenha ido a algum bar mundo afora e pedido um chope e tenha recebido uma cara de dúvida infinita do garçom. Aliás, isso deve acontecer muito.

Acredita-se que o termo tenha origem em um antigo dialeto alemão onde a palavra schoppe significava caneca. Essa palavra, por sua vez, é derivada de outro termo, schoppen, que é uma unidade de medida de aproximadamente meio litro – mais ou menos como o pint, em inglês, que também é uma unidade de medida.

Uma das teorias é a de que os imigrantes alemães, aqui no Brasil, quando queriam cerveja pediam um schoppe, e então os brasileiros, ouvindo aquilo, passaram a entender que aquele era o nome da cerveja que estava nos barris. Outra teoria diz que o nome chope teria sido criado na França e depois migrado para o Brasil. Eu, particularmente, acho que as duas teorias podem ter acontecido, concomitantes, inclusive.

A propósito, vale ressaltar que a forma correta de se escrever na língua portuguesa é chope, e não chopp. Aliás, o termo chopp em alemão significa picar. Acho que não deve ter muito a ver com cerveja…

A definição legal do chope
Há uma grande confusão técnica, na minha modesta opinião, na definição legal do que é chope no Brasil. O entendimento oficial por aqui é de que cerveja é pasteurizada e chope, não, como diz a instrução normativa 65, do Ministério da Agricultura, que regulamenta a produção e a venda de cerveja no país:

“A expressão ‘chopp’ ou ‘chope’ é permitida apenas para a cerveja que não seja submetida a processo de pasteurização, tampouco a outros tratamentos térmicos similares ou equivalentes”, diz o parágrafo 5 do artigo 2 da regra.

Além de usar uma palavra que não existe na língua portuguesa, essa norma é confusa e tecnicamente equivocada, na minha opinião. Se formos seguir a regra, qualquer cerveja que seja pasteurizada e colocada em barris não pode ser chamada de chope, da mesma forma que qualquer cerveja envasada em garrafas e latas que não seja pasteurizada pode ser chamada de chope.

Mas isso é um erro técnico, já que existem cervejas que são colocadas nos barris e são pasteurizadas, assim como existem cervejas que vão para a garrafa que não são pasteurizadas. Portanto, dizer que chope não é pasteurizado e cerveja, sim, é confundir tudo.

E essa confusão chega até o dia a dia das pessoas, pois a grande maioria acha que a diferença entre chope e cerveja é a pasteurização. E, como vimos, é um equívoco pensar assim. Prefiro pensar na diferença única e exclusivamente pela forma de serviço, o que deixa as coisas tecnicamente mais corretas.

Bem, e depois de saber de tudo isso, você também pode ter suas próprias conclusões. Chame de chope ou chame de cerveja, o importante é que a bebida seja boa. Saúde, meus amigos!


Rodrigo Sena é jornalista, sommelier de cervejas especializado em harmonizações, técnico cervejeiro, criador de conteúdo para o YouTube e o Instagram @beersenses