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Petrópolis investe em resíduo, amplia projeto do lúpulo e tem água como desafio

O Grupo Petrópolis divulgou, pelo segundo ano consecutivo, o seu relatório de sustentabilidade, destacando as iniciativas que foram adotadas ao longo de 2021. O material também apresenta um balanço das ações da companhia, como lançamentos, projetos e investimento em infraestrutura.

Um dos destaques do relatório é o trabalho da gestão de resíduos que tem sido realizado pelo Grupo Petrópolis. A empresa afirma que, em 2021, houve padronização das iniciativas, assim como as unidades de fabricação e distribuição trabalharam no desenvolvimento de soluções mais eficazes de economia circular.

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De acordo com o Grupo Petrópolis, a receita obtida com os resíduos foi de R$ 24.520,74, um aumento de 101% na comparação entre 2020 e 2021. E 342.377,07 toneladas de resíduos foram inseridas em outros processos produtivos, por meio de reciclagem, reaproveitamento, compostagem ou coprocessamento. Assim, calcula a empresa, a não disposição dessa quantidade de resíduos em aterros sanitários deixou de emitir 15,6 mil toneladas de CO2 equivalente na atmosfera.

O Grupo Petrópolis destacou que a fábrica de Boituva (SP), geradora de resíduos de plástico, e a Plastshow, fabricante de produtos que utilizam esse insumo, como mesas e cadeiras, realizaram projeto em conjunto que resultou na redefinição do processo de separação do resíduo plástico na fábrica e sua destinação para a parceira.

No total, 28 toneladas de plástico reciclado foram geradas na fábrica, que deram origem a novos materiais e diminuíram a extração de recursos naturais virgens. Também houve a reutilização de tubos de PVC e de insumos para a produção de embalagens. A companhia destaca que economizou, aproximadamente, R$ 130 mil, por não haver necessidade de compra de novos tubos.

Já na unidade de Teresópolis (RJ), houve a implementação de um processo interno de compostagem, que gerou adubo, com a utilização do resíduo de bagaço de malte como fertilizante orgânico no plantio do lúpulo. Desde o segundo semestre, foram produzidas 69,491 toneladas de adubo, com o custo interno de R$ 48.643,70 e a economia de R$ 166.778,40.

Ainda dentro da jornada da sustentabilidade, o Grupo Petrópolis também inaugurou, em 2021, o Lab de Inovação e Sustentabilidade. A ideia é estimular a criação de soluções e inspirar o intraempreendedorismo. A iniciativa é aberta a todos os colaboradores, tendo o objetivo de fomentar e potencializar ações inovadoras nas fábricas.

Investimento industrial e equipe
Em 2021, o Grupo Petrópolis também realizou investimentos nas suas unidades produtivas. Em novembro, a empresa inaugurou a produção da quinta linha de latas da fábrica de Uberaba, com capacidade para envasar 128 mil latas por hora. A nova linha deve aumentar a capacidade da unidade, de 8,5 milhões de hectolitros por ano, para 11,4 milhões de hectolitros por ano.

“Com a implementação, concluímos o projeto de ampliação anunciado pela companhia em dezembro de 2020, no qual a empresa se comprometeu a investir R$ 230 milhões em ampliação das linhas, frota, revendas, trade, marketing e novos negócios em 2021”, afirma a empresa.

Ainda no fim do ano passado, em dezembro, o Grupo Petrópolis inaugurou uma unidade de distribuição de produtos, localizada em Jaboatão dos Guararapes (PE). “A nova central de distribuição tornou-se necessária por causa da crescente demanda de seus produtos, em especial da marca Itaipava, que é uma das líderes de vendas em Pernambuco”, explica.

Hoje, o Grupo Petrópolis conta com oito fábricas, localizadas em Petrópolis (RJ), Teresópolis (RJ), Boituva (SP), Bragança Paulista (SP), Rondonópolis (MT), Alagoinhas (BA), Itapissuma (PE) e Uberaba (MG), além da sua unidade de plásticos, a Plastshow, de Boituva (SP). Nelas, no total, fabrica 130 produtos.

Na sua estrutura, a empresa diz contar com mais de 24 mil colaboradores, sendo 12% mulheres. Além disso, são 3.637 pretos, 127 indígenas, 8.368 brancos, 464 amarelos e 10.888 pardos. Na comparação com o relatório de 2020, houve pequeno avanço na ainda diminuta presença feminina, que era de 11%.

Gestão de recursos
De acordo com os dados do relatório de sustentabilidade, a gestão da água foi um grande desafio para o Grupo Petrópolis em 2021. Afinal, em relação ao ano anterior, apenas a unidade de Teresópolis conseguiu reduzir a utilização do recurso para a produção de cerveja, para 2,94 hectolitros de água para 1hl de cerveja.  

A variação entre as diferentes fábricas teve a de Alagoinhas (BA), com o melhor desempenho – 2,81 hl/hl –, o que vem acontecendo desde 2018, com o pior resultado sendo o da unidade de Petrópolis – 3,45 hl/hl.

O consumo de água em 2021 foi bastante afetado pela redução dos volumes de produção, como consequência da pandemia de Covid-19. Continuamos com nossa meta de otimizar o uso da água e reduzir o seu consumo, trazendo inovações e melhorias de performance para esse objetivo

Grupo Petrópolis

Por outro lado, a companhia conseguiu reduzir, no ano passado, o consumo de energia térmica, ainda que ela seja predominante, de 59,38 MJ/hl para 56,18 MJ/hl, com o aumento do uso da fonte elétrica, de 7,76 MJ/hl para 8,26 MJ/hl.

O Grupo Petrópolis também tem adotado iniciativas envolvendo embalagens. Em ação para melhorar a circularidade dos resíduos, um projeto, em fase de implementação, envolve a utilização de shrink composto por 25% de material reciclado.

Projeto do lúpulo cresce
Iniciado em 2018, o Programa do Lúpulo do Grupo Petrópolis avançou em 2021, seja na produção ou em localidades em que está sendo realizado. A plantação na Fazenda São Francisco, em Teresópolis, abrange 21.385 plantas em uma área de 5,27 hectares, na qual 12 mil plantas e 3,03 hectares representam a expansão ocorrida no ano passado.

Além disso, uma área piloto foi aberta nas dependências da fábrica em Uberaba, em junho de 2021, oferecendo a oportunidade de avaliação do comportamento da cultura do lúpulo em uma área com características de relevo e clima completamente diferentes da região serrana do estado do Rio. Em novembro, foi realizada a colheita das cultivares plantadas. E, de acordo com a empresa, os resultados contribuíram para a decisão de expandir o cultivo.

Lançamentos e delivery
O material também destaca os vários lançamentos realizados pela companhia em 2021. Foram os casos da Itaipava 100% Malte e da Petra Kellerbier, premiada no Concurso Brasileiro da Cerveja de 2016 e envasada em long neck. A Black Princess apresentou a Bohemian Pilsner, a Be.Witbier, a Gimme Fire e a Golden FemAle, feita só por mulheres, da brasagem ao envase.

O material também destaca os vários lançamentos realizados pela companhia em 2021. Foram os casos da Itaipava 100% Malte e da Petra Kellerbier, premiada no Concurso Brasileiro da Cerveja de 2016 e envasada em long neck. A Black Princess apresentou a Bohemian Pilsner, a Be.Witbier, a Gimme Fire e a Golden FemAle, feita só por mulheres, da brasagem ao envase.

Em outra frente, a Brassaria Ampolis lançou a Aveludadis, a Chilli Peppis, em função do Dia dos Namorados, e a Ampolis, para o Dia dos Pais. Já para marcar presença no mercado de drinques prontos, o Grupo Petrópolis criou a Cabaré Ice.

Também em 2021, o Grupo Petrópolis também testou novidades envolvendo o Bom de Beer, o seu e-commerce. Isso se deu em Ribeirão Preto (SP), onde foi realizado um projeto piloto de seis meses, com o objetivo de operacionalizar a entrega de bebidas geladas em até 20 minutos na residência do consumidor, em parceria com a startup Alfred Delivery.

Balcão do Aloisio: Produção de cevada – O quão longe estamos da autossuficiência?

Balcão do Aloisio: Produção brasileira de cevada – O quão longe estamos da autossuficiência?

A cevada é o quinto grão mais produzido no mundo, perdendo apenas para arroz, milho, trigo e soja. Com quantidade anual média, nos últimos 10 anos, de aproximadamente 145 milhões de toneladas, em uma área média de 49,6 milhões de hectares, a produção do cereal está concentrada nas regiões temperadas da Europa, Ásia e América do Norte.

Pode ser usada na forma de malte, que por sua vez é utilizado na fabricação de bebidas (cerveja e destilados), alimentos e medicamentos; na forma de farinhas ou flocos destinados à composição de produtos de alimentação infantil, de panificação (pães, doces e confeitos) e dietéticos; e de sucedâneos de café. No contexto mundial, entretanto, o maior uso da cevada é na alimentação animal, seja como forragem verde, feno, silagem ou grãos na fabricação de rações.

Já no Brasil, ao contrário de outros países, a malteação tem sido a principal aplicação econômica da cevada. Em média, 70 a 75% do volume da cevada produzida, anualmente, é aproveitada na fabricação de malte e 95% deste é destinado para fins cervejeiros. Existem no País quatro grandes maltarias: Agrária Malte (Guarapuava, PR), Maltaria Navegantes (Porto Alegre, RS), Maltaria Passo Fundo (Passo Fundo, RS) e Maltaria Soufflet (Taubaté, SP). Juntas, têm capacidade de produção média anual de 720 mil toneladas de malte, o que corresponde a, aproximadamente, 45% da demanda nacional por esse produto. É esperado, em 2024, a entrada em operação de mais uma maltaria, com capacidade de 240 mil toneladas anuais.

A cultura da cevada começou a se expandir no Brasil a partir da década de 1970, em grande parte devido às iniciativas da indústria cervejeira, que buscou fomentar a produção nacional para garantir a oferta. De 1976 até os dias atuais, a área cultivada oscilou ao redor dos 100 mil hectares, tendo em alguns anos, como 1981, 1997, 1999 e 2001 sido cultivada área acima de 150 mil hectares. O rendimento da cultura, entretanto, apresentou aumento constante ao longo desse período, passando de 1.018 kg/ha, em 1976, para 3.812 kg/ha, em 2021, o que garantiu aumento constante também na produção nacional, que passou de 95 mil toneladas para 425 mil toneladas, no mesmo período.

Para atender a necessidade de grãos de cevada por parte das maltarias instaladas no Brasil são necessárias, anualmente, cerca de 830 mil toneladas de grãos, ou seja, o dobro do volume que tem sido produzido nos últimos anos. A situação se agrava ainda mais com a demanda de malte para atender às indústrias de bebidas: o consumo chega a 1,6 milhão de toneladas por ano, enquanto a produção nacional supre apenas 45% da demanda.

Analisando os dados de importação de grãos e malte de cevada de 1976 até 2021, verificamos que o volume importado passou de 16,2 para 485,2 mil toneladas de grãos e de 234,3 para 1.427,4 mil toneladas de malte. Isso equivale a uma taxa de crescimento médio anual na importação da ordem de 10,4 mil toneladas de grãos e de 26,5 mil toneladas de malte de cevada, enquanto a produção nacional aumentou a uma taxa média anual, nesse mesmo período, de 7,32 mil toneladas. Portanto, estamos nos distanciando da autossuficiência de grãos de cevada.

Observando o cultivo de cevada em cada estado da região Sul do Brasil, verificamos que a área tem aumentado no Paraná, porém, reduzido no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. O Rio Grande do Sul que já chegou a cultivar mais de 100 mil hectares de cevada no final da década de 1990, em 2021 cultivou apenas 38 mil hectares. Mesmo com 73,4 mil hectares em 2021, o aumento gradativo de área no Paraná não tem sido suficiente para fazer frente à crescente demanda de grãos de cevada.

Um dos motivos que poderiam ser apontados para a redução na área de cultivo de cevada no Rio Grande do Sul são as incertezas provocadas pelo clima, principalmente no período reprodutivo da cultura, quando o excesso de chuvas pode prejudicar a qualidade dos grãos, aumentando os níveis de micotoxinas e/ou reduzindo o teor de germinação dos grãos colhidos, em função da germinação na espiga, em pré-colheita.

A fim de ser aproveitado na malteação, os grãos de cevada devem atender a alguns padrões mínimos de qualidade e a colheita em período muito chuvoso prejudica o alcance desse padrão. Grãos fora do padrão não são aceitos para malteação e são destinados a outros usos, dentre eles a alimentação animal, porém, a preços muito inferiores àqueles pagos pelos grãos com qualidade para malte. É provável que esse risco associado à possibilidade de não obtenção de grãos com qualidade esteja desestimulando os agricultores do Rio Grande do Sul a investirem na cultura da cevada.

O caminho para reverter esse quadro e avançar em direção à autossuficiência passa por avanços na tecnologia de produção e, principalmente, no melhoramento genético, com desenvolvimento de cultivares de cevada mais tolerantes ao excesso de chuvas no período reprodutivo da cultura, conferindo menores níveis de micotoxinas nos grãos e tolerância à germinação pré-colheita, de forma a minimizar os efeitos do clima (excesso de chuvas) na qualidade dos grãos colhidos, dando maior segurança aos agricultores para investirem na cultura.


Aloisio Alcantara Vilarinho é engenheiro agrônomo com doutorado em Genética e Melhoramento de Plantas. Pesquisador da Embrapa desde 2003, ele atua, desde novembro de 2019, como melhorista de cevada na Embrapa Trigo.

Growlers se consolidam no setor: veja diferenças entre PET, vidro, cerâmica e inox

Seja de PET, vidro, cerâmica ou inox, os growlers conseguiram consolidar seu espaço no segmento da cerveja artesanal. Depois da ascensão provocada pela alta do delivery nos momentos mais graves da pandemia do coronavírus, esse tipo de embalagem se firmou como uma interessante alternativa para o consumidor.

E os motivos, na visão de especialistas, são muitos. Afinal, se trata de um produto barato, leve, resistente, reciclável, versátil e de fácil personalização. Com isso, ainda que sem as restrições provocadas pela crise sanitária, o consumidor tem incluído o growler em suas rotinas.

Assim, um profissional, por exemplo, em um dia quente e ensolarado, pode, na saída do seu trabalho, parar em uma loja que vende a cerveja que ele gosta. Mas não podendo degustá-la naquele momento, o consumidor a leva em um growler para a sua residência, conseguindo ter acesso a uma cerveja fresca, mesmo sem permanecer no estabelecimento. “Ele compra sua cerveja fresca e gelada, recém tirada do barril e sai contente para saboreá-la no conforto do seu lar”, diz Helton Aguiar, diretor da Meu Garrafão.

Por outro lado, uma cerveja envasada em um growler pode ser uma boa forma de presentear um amigo ou um familiar. O executivo da Meu Garrafão cita o exemplo de um fã de Star Wars e de cervejas artesanais para destacar a facilidade de personalização desse tipo de embalagem.

“Imagine que uma pessoa lembra que o amigo aniversariante adentrou recentemente no mundo das cervejas artesanais, provando, sempre que pode, estilos novos da bebida. E ele teve uma ideia! Foi pesquisar se tem algo que una cerveja artesanal e Star Wars. Deu alguns poucos cliques e voilá! Ele achou um growler muito divertido que remete aos filmes, com a frase cômica: ‘may the beer be with you’. Em tradução direta, seria algo como ‘que a cerveja esteja com você’, uma paródia com a clássica frase dos filmes de Star Wars que diz: Que a Força Esteja Com Você!’”, exemplifica Aguiar.

Assim, independentemente da ocasião, o executivo da Meu Garrafão enxerga grande potencial para os growlers continuarem tendo relevância no mercado.

“Independentemente do tipo de growler, a tendência é o consumidor levar cada vez mais a cerveja fresca para casa, para festas com os amigos, ou para outro lugar que ele queira ir, desde que seja aquela cerveja especial que ele tanto queria, mas não vai encontrar na prateleira do supermercado”, afirma.

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Assim, pensando nas diversas alternativas de growlers presentes no mercado, o Guia apresenta as características dos diferentes tipos dessa embalagem:

Growlers PET
Os growlers PET são, em geral, garrafas PET adaptadas. Em geral na cor âmbar, tem uma tampa com vedante que possibilita manter a bebida carbonatada. Muitas vezes, tem uma charmosa alça de dois dedos para facilitar o transporte.

Growlers de vidro
Os growlers de vidro podem ter tampa de rosca ou a flip top, que nada mais é do que uma tampa que fecha hermeticamente o recipiente. Os growlers de vidro são muito queridos pelos fãs de cerveja artesanal, pois podem ser personalizados com cores vivas e retêm o gás da bebida por bastante tempo.

Growlers de cerâmica 
Os growlers de cerâmica têm características similares aos de vidro, porém com diferenciais importantes. Eles não deixam a luz entrar no recipiente, conservando melhor a cerveja, e suportam um pouco mais a temperatura em relação aos growlers de vidro e PET. Além disso, podem ser encontrados em variadas cores vivas, dando opções interessantes de personalização para este tipo de embalagem.

Growlers de inox
Geralmente importados da China, os growlers de inox têm um grande diferencial: o material. O inox é muito resistente e suporta facilmente impactos que os growlers de vidro e cerâmica, por exemplo, não aguentariam. Quando o growler de inox é feito somente de uma camada, a transferência de calor nele é muito eficiente. Ou seja, a cerveja gela bem rápido. Por outro lado, ele esquenta bem rápido fora da geladeira. Entretanto, se o growler de inox é feito com duas camadas, chamadas de parede dupla a vácuo, ele vira uma garrafa térmica. Assim, a cerveja fica fresca por muito mais tempo.

Menu Degustação: Novidades nos 2 anos da Soma, ação solidária da Läut…

As cervejarias continuam se movimentando e apresentando novidades para atrair o público neste mês de julho. E a Soma Cervejaria aproveita a celebração do seu aniversário de 2 anos para realizar um projeto relevante, que envolve a compra de barricas e uma programação de lançamentos de rótulos em lata e de cervejas envelhecidas.

Com foco mais solidário, a Läut promove uma campanha do agasalho, em Belo Horizonte, em parceria com diversos pontos de venda. Também em função dos dias mais frios, a ØL Beer relançou dois rótulos já conhecidos do público. E a Budweiser iniciou uma campanha para levar consumidores a shows de estrelas internacionais.

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Confira essas e outras novidades do setor no Menu Degustação do Guia:

Novidades nos 2 anos da Soma
Para comemorar os seus 2 anos de atividades, a Soma Cervejaria nascida em São Paulo, apresenta uma série de novidades. A marca lançou um projeto após comprar seis barricas de carvalho americano, de segundo uso, que têm como procedência produtores brasileiros de rum e uísque. Em duas delas, foram produzidas uma Russian Imperial Stout e uma American Barley Wine, que devem evoluir de 8 a 12 meses antes de serem envasadas em garrafas para guarda. Em outra frente do aniversário de 2 anos da Soma, também foram envasadas em lata duas Double NE IPA: a Lumberjack e a Buffalo Heart. Além disso, na sua tap, há 4 novidades: Irish Dry Stout, Milk Stout, Double NE IPA e uma Double Hazy IPA. E a programação de aniversário de 2 anos da Soma traz música ao vivo e stand-up comedy de terça a domingo (19 a 24) no brewpub da marca. Entre os convidados, estão as bandas Mato Alto, com repertório de MPB, e Zona Western, com clássicos do country norte americano, a dupla Rodrigo Grecco e Vini e uma apresentação acústica do capixaba Apenas John.

ØL Beer relança cervejas para dias mais frios
Com a chegada de dias mais frios e foco no drinkability, a cervejaria paranaense ØL Beer traz dois rótulos de volta: a Belgian Tripel Wood Aged e a Bragi Oatmeal Stout. Com inspirações que remontam ao deus mitológico Kvásir, a Belgian Tripel Wood Aged da ØL retorna ao mercado. Já o retorno da Stout da ØL Beer reforça a demanda por cervejas mais indicadas para o inverno. 

Campanha do agasalho da Läut
A Läut em parceria com seus revendedores e parceiros, lançou a campanha do agasalho. Até domingo (17), as lojas do Ao Gosto Carnes Nobres, o Bar do Bigode, o Armazém 44, Casa OLEC, Stop Espeteria, Bendito Chopp, Adega Buritis, Choperia Carcará, Artesanato da Cerveja, OD Growler Station, Estilo Drinks e o Butecos Bar, além do Posto Pica Pau no bairro Buritis, em Belo Horizonte, recolherão donativos.

Fest Tour da Everbrew
Em sua quinta edição, a Fest Tour da Everbrew, que em julho será realizada no dia 30, comemora o mês do rock. A festa vai ocorrer dentro da fábrica da Everbrew, no antigo Mercado Municipal de Santos (SP), das 15h às 18h, com copo exclusivo para saborear os chopes diretamente da fonte e à vontade, flash tattoo e som ao vivo com Ton Cremon e Bira Aguiar. Para quem mora em São Paulo e deseja fazer parte dessa experiência estão à venda ingressos com direito a transporte saindo do Barcearia.

Novos rótulos da Brewdog no Brasil
A importadora Interfood apresenta três novos rótulos da cervejaria escocesa Brewdog, como parte do programa Craft Sessions. Neste mês, os lançamentos Pomegranate and Hibiscus, Valkyrie Vendetta e 5PM Saint chegam ao Brasil para compor a linha Overworks, reconhecida por produzir cervejas por meio de técnicas exclusivas de envelhecimento em barris.

Ingressos da Bud
Em nova ação de marketing, a Bud Me Leva, a Budweiser vai distribuir 70 pares de ingressos para shows internacionais patrocinados pela marca neste ano. Para participar, é simples: a cada R$30 em compra de produtos Budweiser no Zé Delivery, a pessoa tem direito a um número da sorte. Para conseguir o seu, basta cadastrar o pedido no site da ação, escolher o show preferido, gerar a numeração e aguardar o sorteio. A promoção vai até as 14 horas do dia 31 de julho. Estão disponíveis ingressos para as apresentações de Harry Styles (em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba), Justin Bieber (São Paulo), Dua Lipa (São Paulo), Coldplay (São Paulo e Rio de Janeiro) e Arctic Monkeys (Rio de Janeiro e Curitiba).

Nova campanha da Itaipava
“ITA-refrescante”, “ITA-no malte”, “ITA-marcante”. Em sua nova campanha, que estreou no último domingo (10), a Itaipava usa o próprio ITA do nome para ressaltar os atributos da família contida no portfólio. Além disso, a assinatura “Cerveja 100%” muda para “100% Cerveja”, tendo, agora, o produto no centro da comunicação. Assinada pela WMcCann, a campanha conta com filme para TV, mídia OOH, marketing de influência com nomes como a atriz e cantora Cleo, e os cantores e músicos nordestinos Tarcísio do Acordeon, Vitor Fernandes e Felipão, além de uma iniciativa para redes sociais chamada ITA-RESPONDE. A ação contempla vídeos com as participações de um mestre cervejeiro e uma sommelier de estilos do Grupo Petrópolis, respondendo desde mitos até perguntas técnicas sobre a fabricação da cerveja. 

Escalação especial da Brahma 
A Brahma montou um time especial para trazer tudo sobre o futebol nacional, seja na internet, nas arquibancadas ou em qualquer lugar que a torcida brasileira estiver, com a intenção de descentralizar os conteúdos e aproximar as pessoas de seus formadores de opinião prediletos. Para isso, a marca se associou a um time de influenciadores da produtora NWB. Assim, renovou a parceria com Fred e ampliou suas ações para os canais Passa a Bola – de Ale Xavier e Luana Maluf – Desimpedidos e Camisa 21. Além disso, o PodPah, comandado por Igão e Mítico, se juntou ao time, que ainda conta com o Movimento Verde Amarelo.

Promoção no Clube do Malte 
O Clube do Malte está realizando no mês de julho a sua principal promoção do ano. O período conta com uma “Black Friday” antecipada para celebrar o aniversário do Clube do Malte, acontecendo em parceria com as principais marcas disponíveis na plataforma. Os descontos em mais de 20 mil unidades podem chegar a até 68% do preço original. As promoções duram 24 horas e são atualizadas a cada dia, visando disponibilizar o maior número de estilos e rótulos aos consumidores. As compras são válidas para todo território nacional.

Frutos de parceria
A cervejaria artesanal Farra Bier, do Rio de Janeiro, diz já colher os frutos de estar cadastrada como fornecedora da Inventa, e-commerce B2B que entrega produtos dos mais de 900 parceiros a lojistas de todo o território nacional. O seu alcance passou de um para 11 estados. Além disso, ampliou o faturamento em 20%. “Antes a bebida só tinha presença no Rio e um pouco em São Paulo. Agora, nossos mais de dez rótulos, distribuídos em diversos estilos, estão disponíveis em 11 estados – Paraná, Minas Gerais, Bahia, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Alagoas  e Santa Catarina e ainda com maior força em São Paulo –, totalizando 45% do faturamento da cervejaria”, conta o sócio-proprietário Marcos Mangin.

Novo local para o Gastro Beer Rio 
Após 17 edições na Quinta da Boa Vista, o Gastro Beer Rio chega à zona sul nos dias 23 e 24 de julho. O Parque das Figueiras, na Lagoa, receberá mais de 60 opções, entre cervejas artesanais e gastronomia. Com entrada gratuita, o Gastro Beer Rio conta ainda com artistas que se apresentam nas ruas do Rio. O público infantil pode aproveitar o espaço kids e as oficinas.

Menor pressão dos custos sobre a Ambev e Copa deixam analistas otimistas

O segundo semestre deverá ser promissor para a Ambev em função da conjuntura global e de eventos marcantes no calendário, de acordo com a equipe de analistas do JP Morgan. A avaliação positiva para o futuro da multinacional cervejeira foi apresentada em relatório denominado “Finalmente encontrando a última peça do quebra-cabeças”.

De acordo com o material, essa peça, que agora deixa o quebra-cabeças da Ambev completo, é a diminuição da pressão provocada pelos preços das commodities. “Vemos os preços das commodities aliviando (indicando um ponto de virada de margem) como sendo a peça que faltava no quebra-cabeça”, afirmam os analistas do JP Morgan.

O trabalho destaca que o momento atual é o primeiro desde 2019 em que os custos de produção da cerveja estão crescendo, especialmente grãos e alumínio, em ritmo mais lento do que o preço da cerveja, algo que vinha desafiando a Ambev.

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“O principal contratempo no caso de investimento da Ambev nos últimos dois anos tem sido sua incapacidade de sustentar margens enquanto acelera a expansão da receita líquida. Isso ocorre porque a Ambev (e a indústria) sofreu enormes pressões de custo de matéria-prima (com pico de 30% a/a em média). Os principais impactos na inflação de custos da Ambev foram o aumento dos custos do alumínio (~30% do CPV Brasil) e grãos (trigo, como substituto da cevada e outros grãos respondem por ~13% do CPV Brasil)”, relembra o JP Morgan.

O cenário considerado positivo levou a equipe do banco de investimentos a mudar pela primeira vez a recomendação envolvendo a ação da Ambev desde o começo da sua avaliação. Agora, então, o JP Morgan deixou para trás a sugestão de neutralidade, passando a indicar a compra, com preço-alvo de R$ 17.

O relatório também aponta outras “peças do quebra-cabeça” para explicar o otimismo em relação à Ambev. E uma das citadas envolve tendências para o setor. Para isso, o JP Morgan cita a perspectiva de aumento do consumo da população no segundo semestre, o que deve ser provocado por variados motivos, como programas de transferência de renda para a população, realização das eleições e da Copa do Mundo, assim como o aumento da temperatura.

Apesar das comparações difíceis no 3T, acreditamos que o consumo de cerveja no 2S22 deve ser sustentado por diversos fatores. Em primeiro lugar, estamos em um ponto de inflexão em termos climáticos, pois o Brasil começa a sair do inverno e experimentar temperaturas mais quentes, uma correlação positiva com o consumo. Além disso, situações como estímulo fiscal à população e o fato de o Brasil ter eleições presidenciais em outubro também devem ter o efeito de sustentar a demanda

Equipe de análise do JP Morgan

“Um último fator a ser considerado em termos de demanda é que a Copa do Mundo retorna em novembro. O evento já está associado ao aumento do consumo, e o fato de, pela primeira vez na história, ocorrer no verão brasileiro deve impactar positivamente a demanda”, acrescenta o relatório.

O relatório do JP Morgan também cita dados da Pesquisa Industrial Mensal do IBGE para apontar perspectivas positivas para o ritmo da fabricação de cervejas no Brasil. “Segundo dados divulgados pelo IBGE, 10 dos últimos 12 meses registraram quedas anuais na produção industrial de bebidas alcoólicas. No entanto, o crescimento acumulado do 2T22 mostra atualmente que a produção cresceu +4,8% em relação ao ano passado, tendência que esperamos materializar nos próximos meses. Com a melhoria da dinâmica de preços entrando no 2S, esperamos alta na produção nos próximos meses, à medida que os players aumentem os estoques em antecipação à demanda mais forte”, diz.

Outro item citado pelo time de analistas do JP Morgan envolve a concorrência, que não seria mais a maior preocupação para a Ambev, como ocorria no período pré-pandemia. O material reconhece que a disputa com a Heineken continuará acirrada no País, mas aponta que a Ambev tem buscado conquistar espaço pela diversificação dos seus produtos, além dos fortes investimentos em inovação.

Créditos: JP Morgan

“Acreditamos que a marca Heineken continuará ganhando participação nos próximos anos, dado que seu valor de marca continua muito acima da participação de mercado, mas a estratégia de portfólio da Ambev e o foco em inovação (destaques para a crescente exposição ao Core Plus) estão levando a Ambev a conquistar posições no ranking de preferência do consumidor. Além disso, as estratégias digitais BEES e Zé Delivery estão ajudando a Ambev a ter sucesso nos canais on-premises e B2C”, argumenta.

Balanço não empolga
Apesar de enxergar um cenário positivo para o segundo semestre, o JP Morgan não tem o mesmo otimismo para a apresentação do balanço do segundo trimestre da Ambev, agendado para ocorrer em 28 de julho. O trabalho afirma que a expectativa não chega a ser ruim, mas ainda não é incrível.

“Estamos projetando resultados razoáveis ​​para o 2T22 da Ambev em função da interação entre essas várias peças do quebra-cabeça. Projetamos um Ebitda de R$ 4.523 milhões, implicando um crescimento a/a de +11%, crescimento semelhante ao observado no 1T e em linha com a expectativa da empresa para todo o ano. Em termos de receita, nossas estimativas estão +13% acima do consenso em R$ 17.893 milhões. Além disso, esperamos lucro líquido de R$ 2.098 milhões para o trimestre”, diz.

O trabalho destaca, ainda, a expectativa de impacto positivo pelo desempenho da venda de cerveja no Brasil. “Muito do nosso sentimento de alta é suportado pela cerveja no Brasil, que deve apresentar um crescimento de Ebitda de +16% a/a (margens planas a/a), impulsionado por +5% de crescimento esperado para volumes no contexto de dinâmica de preços positiva”, acrescenta.

Essa perspectiva cautelosa com o balanço da Ambev também foi apresentada pela XP Investimentos em sua prévia do balanço, com o título. “Sem motivos para brindar, ainda”. A equipe de analistas também manteve a indicação da compra da ação da companhia, com preço-alvo de R$ 18,80.

“Após a AmBev apresentar um 1T22 fraco, e apesar de alguns sinais de melhora dos preços das commodities, o 2T22 não deve animar os investidores, uma vez que mesmo com crescimento na receita líquida/hl, os custos ainda serão um vento contrário, ainda com um aumento nas despesas de SG&A pressionando o resultado final. Esperamos um aumento nas vendas de cerveja no Brasil, seguindo a tendência do setor reportada até maio (índice IBGE), mas CAC e Canadá estão atrasados, enquanto LAS é misto”, afirma o material, também apontando otimismo para a segunda metade de 2022.

Apesar desse gostinho de cerveja choca, a AmBev sempre foi um forte player nas embalagens retornáveis, cujas vendas já estão acima de 2019, apesar de ainda atrás para a garrafa de 600ml. Assim, à medida que o on-trade (bares e restaurantes) continua se recuperando e com as perspectivas das eleições e da Copa do Mundo, continuamos otimistas

Equipe de análise da XP Investimentos

Entrevista: “Os profissionais do setor cervejeiro estão afiando o machado”

O setor cervejeiro ainda não recuperou o nível pré-pandemia, mas as perspectivas para o segundo semestre, que será marcado pela realização de eleições e da Copa do Mundo, provocam a esperança de que a recuperação poderá se consolidar assim que o inverno passar, iniciando um período longevo de alta do consumo.

É sob essa perspectiva que a Agrária Malte vai realizar, na próxima semana, a 13ª edição do Congresso Técnico Internacional. O evento, que volta a ser presencial, em Guarapuava (PR), após dois anos seguidos acontecendo online, está sendo encarado, pela companhia, como uma oportunidade de qualificar o mercado para esse novo período no segmento.

“É o momento ideal (para a realização do congresso), pois os profissionais estão afiando o machado”, afirma Jeferson Caus, diretor comercial da Agrária Malte, no Guia Talks, destacando que o evento se insere em um período que, espera-se, seja de inflexão do setor cervejeiro.

Na entrevista, além de apresentar as atrações do Congresso Técnico Internacional, que terá dois dias de visitas técnicas à estrutura da Agrária (18 e 22 de julho) e três de palestras e debates (19, 20 e 21 de julho), ele comenta sobre desafios que vêm sendo encarados pela cadeia produtiva do setor cervejeiro.

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Confira os principais trechos do Guia Talks com Jeferson Caus, diretor comercial da Agrária Malte:

Na sua visão, qual é o diferencial do congresso promovido pela Agrária?
O principal diferencial do congresso organizado pela Agrária está no próprio nome: ele é técnico. Então, as discussões são de altíssimo nível, com profissionais do mundo todo. O nome também enfatiza outro ponto. Ele é internacional, porque realmente traz uma relevância e abrangência mundial, principalmente pelos palestrantes e o pessoal que vai coordenar as discussões. É um congresso voltado para técnicos. É claro que o dono da cervejaria pode participar, mas é voltado para quem participa do processo, põe a mão na massa para produzir uma cerveja ou é responsável técnico por uma cervejaria ou é um consultor, alguém que apoia o mercado a se desenvolver. A gente cuida muito para manter essa pegada no nosso congresso. O segundo ponto é a interação. Conseguimos criar momentos de interatividade entre o público no qual muitas ideias críticas, sugestões e discussões surgem. No Brasil, hoje tem pouco mais de mil cervejarias. E nós teremos 500 pessoas de cervejarias, ainda que com algumas mandando mais de uma pessoa. Então, teremos um público extremamente seleto e representativo do setor cervejeiro durante uma semana, podendo interagir. Isso é único.

Como o congresso se insere no contexto atual do setor cervejeiro?
Ele vem em um momento ideal. Agora, a gente está em um momento de consumo baixo de cerveja, é a nossa entressafra. Mas é o momento ideal, pois os profissionais estão afiando o machado. É isso que vamos fazer durante a semana, nos preparar para um crescimento de consumo que estamos enxergando para o segundo semestre, nos preparando para o nosso verão. Neste ano, teremos uma questão muito atípica, que são as eleições e a Copa do Mundo em uma mesma época. Normalmente, a Copa do Mundo é no inverno no hemisfério sul, mas dessa vez começará em novembro. E, associado a isso, tem as eleições e todo esse cenário macroeconômico e político que estamos vivendo, o que dá a esperança de um crescimento, de uma retomada. Então, existem muitas expectativas. Nesse momento de preparação para o período de crescimento, é importante nos juntarmos para análises e discussões de temas técnicos.

Nesse momento, como está o mercado global de maltes?
O mercado está difícil. A gente vem com um consumo abaixo da expectativa, de maneira geral. Porém com tudo o que aconteceu no mundo, em termos de valorização de commodities, com a questão da guerra na Ucrânia, muitas maltarias tiveram a produção afetada, assim como a produção da cevada e mesmo do trigo, o que causa influências indiretas. Também tivemos a questão da seca no hemisfério norte na última safra. Então, o contexto está muito complexo de leitura, pois há uma previsibilidade baixa diante de tudo o que está acontecendo. Há uma escassez no mercado como um todo. E foi por isso que houve uma subida expressiva nos preços do malte. Quando se tem uma subida expressiva em um período pequeno, não é bom para ninguém, nem para o fornecedor. Quando isso acontece, tem alguns elos da corrente se quebrando, tem uma dificuldade de repasse de preço. Estamos em um momento bem turbulento. Numa semana se fala em falta de produto, na outra se fala que o mercado está retraindo, na outra o preço varia…

E no Brasil? O cenário é o mesmo?
O momento, hoje, aqui no Brasil, está de pouco aquecimento, mas também por influência do inverno. Porém, mesmo comparado ao inverno passado, está um pouco abaixo. Mas a gente tem uma expectativa extremamente alta para o que está vindo. Então, também estamos nos preparando para poder atender o mercado da melhor forma possível e da maneira mais viável, também ajudando os nossos clientes e parceiros.

As últimas duas edições do congresso foram realizadas de modo online. Qual é a importância da volta ao modelo presencial?
Se a gente fosse falar somente da agenda, só a questão dos dois dias de visitas técnicas já impactaria. Seria impossível fazer da forma como estamos planejando e com o ganho de conhecimento que vamos oferecer. Uma visita virtual não tem o mesmo resultado. Além disso, há o encontro entre as pessoas. Você poderá falar com um parceiro, um fornecedor ou sobre um determinado projeto. Nos almoços e jantares, haverá a interação entre toda a cadeia. E isso é impagável. Falando da nova forma como estamos nos reorganizando, aprendemos muito durante esse período de pandemia, muita coisa vai se resolver virtualmente. Mas tem coisas que são insubstituíveis. E a aproximação é fundamental, para se ter ganhos, com a possibilidade de gerar networking, conseguindo agregar mais para o mercado e a academia. Por isso, tenho certeza de que na 13ª edição, depois de duas online, teremos ganhos absurdos

Quais temas serão abordados nas palestras do congresso?
Costumamos pensar em ter a abrangência máxima possível quando se fala das etapas de produção de cerveja. Então, vamos falar da aquisição de matéria-prima, do mercado de matéria-prima e da sua aplicabilidade. E não só do malte. Vamos ter palestras voltadas para fermento e lúpulo, outras para processos inovadores. Teremos uma palestra em que vai se falar sobre como manter o frescor da cerveja, outra voltada à biotransformação. Vamos falar sobre a produção de cerveja sem álcool, que é algo que está muito em voga agora. E ainda abordaremos a legislação. No final do dia, teremos mesas redondas. A ideia é abrir uma discussão a partir dos principais temas elencados para o dia. E aí o público vai exercer o papel de massa crítica, com perguntas e avaliações.

Bares aproveitam reaquecimento, mas sofrem com endividamento e custos

Depois de dois anos duríssimos, por causa, principalmente, da pandemia do coronavírus, bares e restaurantes ensaiam uma recuperação. Com o avanço da vacinação e a diminuição quase completa das restrições sanitárias, os estabelecimentos voltaram a receber o público em peso e buscam descontar os prejuízos amargados em 2020 e 2021.

Representantes de bares e restaurantes, ouvidos pela reportagem do Guia, confirmam o reaquecimento. Entretanto, alertam que, na esteira da crise, a maior parte dos estabelecimentos precisa lidar com dívidas. E os empresários vêm sofrendo com os efeitos da continuidade da inflação a níveis elevados e a carência de mão de obra qualificada.

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“Estamos muito endividados. Atualmente, 64% das empresas têm dívidas em atraso, a maior parte delas com impostos, parcelados no Simples (Nacional, regime tributário), mas ainda não parcelados para as empresas fora do Simples; débitos com os bancos, com o Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte) apertando cada vez mais e as carências já vencendo. Com isso, a situação caminha para uma inadimplência maior; hoje, ronda os 20%”, revela Paulo Solmucci, presidente-executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).

Pesquisa feita pelo órgão com empresários do setor, ouvidos entre 21 e 28 de junho, constatou que só 35% dos estabelecimentos tiveram lucro em abril e maio, respectivos meses nos quais outros 28% e 29% trabalharam com prejuízos, enquanto outros 36% ficaram no equilíbrio. “Duas em cada três empresas, atualmente não fazem lucro e, portanto, não têm condições de liquidar as suas dívidas do passado”, aponta Solmucci.

Diretor e sócio-fundador do BaresSP, o maior guia desta categoria de estabelecimento cujo nome batiza a entidade representativa de bares e restaurantes da capital paulista, Fabio de Francisco destaca, assim, que a volta do público acaba não sendo suficiente para reduzir as dívidas dos estabelecimentos.

“O bar retoma o movimento, ainda que seja mais no final de semana, mas o proprietário deixou um buraco lá atrás (de prejuízo acumulado durante a pandemia) e não consegue atender o dobro de pessoas que tem capacidade. E aí, obviamente, os empréstimos que ele fez em 2020, ou no começo de 2021, estão vindo a todo o vapor”, diz.

Outro desafio nesse momento de recuperação do setor é a redução na frequência da ida dos consumidores aos bares, provocada pela elevação do custo de vida no Brasil, como avalia o diretor do BaresSP.

Em linhas gerais, o que aconteceu na maior parte dos bares é que voltou a ter o movimento de sexta, sábado e domingo, e isso é ótimo. Mas ainda está com um pouco de dificuldade nos dias da semana e isso obviamente pelo fato de todo mundo estar segurando um pouco mais o dinheiro. Muita gente foi mandada embora e aumentou tudo. Então, em vez de ir ao bar toda semana, a pessoa começa a ir a cada 15 dias ou só uma vez por mês

Fabio de Francisco, diretor e fundador do BaresSP

Alta dos custos desafia setor
Em níveis elevados, a inflação impactou não apenas os frequentadores de bares e restaurantes, mas também os empresários do setor, que viram o custo dos seus produtos se elevar bastante. O fato é um obstáculo a mais para os estabelecimentos, que precisam encontrar um meio termo para ofertar preços acessíveis aos clientes.

De acordo com a pesquisa realizada pela Abrasel, 75% dos empresários com prejuízos no ano citaram o aumento dos principais insumos como fator que contribuiu para o saldo negativo. E entre os outros principais motivos apontados para as contas ficarem no vermelho estiveram a queda nas vendas (63%), a redução no número de clientes (58%), dívidas com empréstimos (54%) e impostos atrasados (49%).

“A maior preocupação é a inflação, em especial do CMV (Custo de Mercadoria Vendida) de alimentos e bebidas. Isso realmente tem um impacto enorme. Uma recente pesquisa nossa mostrou que 83% dos estabelecimentos consideram esse o maior desafio do ano”, afirma Fernando Blower, diretor-executivo da Associação Nacional de Restaurantes (ANR).

Já o presidente-executivo da Abrasel destaca que a queda do poder de compra da população, sufocada pela inflação, pressiona a recuperação de bares e restaurantes, que têm evitado repassar, na integralidade, a alta dos custos ao consumidor.

“A renda do trabalhador caiu quase 8% e isso segura a nossa capacidade de repassar a inflação para os preços do cardápio. A inflação está muito pesada, nos últimos 12 meses a inflação média vem rondando os 12%. O setor corrigiu pouco acima disso: 6,3%, enquanto a inflação dos alimentos está rondando os 16%”, enfatiza Solmucci.

“Portanto, estamos com um resultado pior do que estávamos e com um agravante de que 74% das empresas alegam não conseguir repassar a inflação média total ou parcial para os cardápios, sendo que 29% destes não conseguiram fazer qualquer reajuste em maio”, acrescenta.

Assim, como aponta o sócio-fundador dos BaresSP, os estabelecimentos estão comprometendo o lucro para não perderem a clientela. “As coisas estão subindo muito rápido e não dá para o bar chegar e repassar isso de cara para o cliente. Então, ele fica segurando os preços, faz promoção, mexe nas porções e na estrutura, mas isso acaba impactando diretamente na lucratividade dessas operações”, lembra.

Adaptações e falta de mão de obra
O primeiro semestre também foi de oscilação para bares e restaurantes, que sofreram, nos meses iniciais, com o alastramento da variante Ômicron afetando o funcionamento dos estabelecimentos. Mas a recuperação veio a partir do fim de março, como detalha Solmucci.

“Os dois primeiros meses do ano frustraram e foram mais difíceis por conta da Ômicron. O medo tomou conta de novo e algumas restrições retornaram. Mas nós também tivemos boas notícias. Março foi muito positivo e o carnaval fora de época, em abril, também puxou o movimento. A questão do emprego tem ajudado muito. O Auxílio Brasil, que saiu de R$ 189 para R$ 400, ajudou a impulsionar o faturamento da base do setor”, analisa.

O presidente da Abrasel também aponta mudanças no comportamento da população que tem afetado o faturamento de bares, como a redução das viagens internacionais e o prolongamento do home office em algumas empresas.

A Ômicron e outras variantes tiraram o brasileiro de viagens para o exterior, impulsionando o turismo doméstico. Então, quem vende para o pico da pirâmide também está faturando muito bem. A dificuldade maior está nas regiões onde o home office ainda é muito importante e o trabalho presencial não voltará mais plenamente. De um modo geral, o primeiro semestre foi positivo, ainda que tenham tido muitas variações e muitos desafios

Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel

Além de precisar se adaptar a novas dinâmicas da sociedade, os bares e restaurantes vêm encarando o desafio da carência de funcionários qualificados. “Temos uma dificuldade de contratação de mão de obra preparada, com o mínimo de formação técnica. Como a retomada foi mais rápida, o processo de treinamento acaba não acompanhando a mesma velocidade. Então, é um gargalo relevante”, diz o presidente da ANR.

O sócio-fundador do BaresSP também enxerga o desafio de ter profissionais qualificados, o que, admite, pode causar efeitos no atendimento aos consumidores. “Se perdeu muito a mão de obra do setor porque eles mudaram para outros estados, outras cidades e até de área. Saíram do bar e do restaurante e foram para escritórios. E acabaram não voltando. Então, com a falta de mão de obra disponível e, a que tem disponível não estando altamente qualificada, acaba impactando diretamente no atendimento, na economia de material e no relacionamento com o cliente”, finaliza.

Brasil Beer Cup cria categoria para cervejas com ingredientes nacionais

A identidade nacional e toda a rica biodiversidade que o País possui serão reconhecidos no concurso Brasil Beer Cup (BBC). Em sua terceira edição, a competição avaliará cervejas em uma categoria denominada Brazilian Beer.

A Brasil Beer Cup, que foi criada e tem coordenação do instituto Science of Beer, será realizada entre 23 e 26 de outubro, em Florianópolis, com a festa de premiação presencial marcada para o dia 27 do mesmo mês.

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Para essa nova categoria, as marcas comerciais e os produtores caseiros poderão mostrar suas criações de cervejas que contenham ingredientes e técnicas genuinamente brasileiras.

A categoria Brazilian Beer se dividirá em quatro subcategorias: Brazilian Beer com frutas; Brazilian Beer com ervas e especiarias; Brazilian Beer com madeira e Brazilian Beer com levedura, malte e/ou lúpulo brasileiros.

“Queremos mostrar ao mundo o que temos de diferencial. Queremos que nossas cervejas sejam reconhecidas por sua identidade brasileira”, afirma a CEO do Science of Beer e diretora do BBC, Amanda Reitenbach, contando o que motivou a criação da categoria.

Segundo Amanda, a organização da competição vinha percebendo um movimento no mercado de uso, cada vez mais constante, de elementos da flora nacional nas cervejas. “Isso nos levou a criar uma categoria específica para julgamento no BBC. Assim não restarão dúvidas sobre em qual categoria as cervejas desse tipo devem ser inscritas”, orienta.

O “estilo” Brazilian Beer
Em seu guia de estilos, o BBC afirma que uma Brazilian Beer “deve utilizar ingredientes e/ou técnicas de processo característicos brasileiros. Esses ingredientes podem ser frutas, ervas, especiarias, leveduras, malte, lúpulo e madeiras. O cervejeiro deve obrigatoriamente especificar a ‘natureza brasileira’ da cerveja (por exemplo, os tipos de ingredientes especiais usados ou o processo utilizado com descrição detalhada preferencialmente em inglês).”

Além disso, o guia destaca que o cervejeiro “deverá informar também o estilo-base que foi utilizado para a criação da cerveja”. “No mínimo 51% dos açúcares fermentáveis devem ser derivados de grãos malteados.  As singularidades de processo, ingredientes usados e criatividade devem ser considerados como positivos na avaliação. Corpo é variável de acordo com o estilo base. Todas as características técnicas da cerveja deverão variar de acordo com o estilo base”, conclui.

A organização do BBC lembra que o estilo Brazilian Beer ainda não existe oficialmente nos guias reconhecidos internacionalmente, como o BJCP e o da Brewers Association, mas afirma que, dando continuidade ao trabalho de catalogação de cervejas com identidade brasileira, o Science of Beer já requisitou aos núcleos de coordenação desses dois guias a inclusão dele como estilo oficialmente reconhecido.

“As conversações estão adiantadas, inclusive com representantes dos dois guias compondo as mesas de julgamento dele no concurso BBC”, destaca a organização do concurso. Assim, há a expectativa de que a Brazilian Beer seja incorporada como categoria tanto no BJCP quanto no guia da BA.

EverGrain inicia produção comercial de proteína de cevada “reciclada” nos EUA

A EverGrain, uma empresa de ingredientes sustentáveis apoiada pela AB InBev, inaugurou uma fábrica para a produção de proteína vegetal em grande escala nos Estados Unidos. A companhia trabalha com o reaproveitamento de resíduos da cevada advindos da fabricação de cerveja, produzindo, a partir deles, alimentos e ingredientes ricos em nutrientes.

A fábrica da EverGrain fica em St. Louis e tem o objetivo de oferecer um fornecimento local e sustentável de proteína vegetal para atender a demanda crescente dos consumidores. Esta instalação é a primeira em escala comercial dedicada a produzir comercialmente produtos oriundos do reaproveitamento da cevada da companhia. E a previsão é de que sejam fabricadas 7 mil toneladas anuais.

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Para a abertura da fábrica, que fica dentro do espaço onde está instalada a planta industrial da Anheuser-Busch em St. Louis, foi necessário investimento de US$ 100 milhões (aproximadamente R$ 538 milhões) na reforma de um prédio construído em 1905 e que não foi utilizado nos últimos 30 anos.

Um dos produtos desenvolvidos pela empresa é o ingrediente EverPro, “com solubilidade superior em relação a outras proteínas vegetais”, de acordo com a EverGrain, podendo ser aplicado em bebidas prontas para misturar, como café e chá, e em shakes de proteína, já sendo usado, por exemplo, pela Nestlé.

“Esta nova instalação comercial em St. Louis é um marco significativo em nossa jornada para transformar a cevada ‘gasta’ em escala em uma das fontes mais sustentáveis, acessíveis e abundantes de proteína vegetal do mundo”, afirma Gregory Belt, CEO da EverGrain.

O CEO da Anheuser-Busch, Brendan Whitworth, destaca que a abertura do espaço reforça o compromisso com a sustentabilidade da companhia em todas as etapas do ciclo produtivo. Afinal, a EverGrain terá acesso a milhares de toneladas de resíduos da produção cervejeira da companhia, ajudando a reduzir o seu impacto.

“Na Anheuser-Busch, abordamos a sustentabilidade com uma mentalidade inovadora para que possamos integrar soluções de ponta em toda a nossa cadeia de suprimentos. Isso torna a operação sustentável um compromisso, não apenas uma prioridade, e aproveita o poder de nossa rede para resolver desafios importantes”, afirma.  

O executivo da companhia cervejeira também lembra que a abertura do espaço vai gerar benefícios para a comunidade de St. Louis, cidade onde a Anheuser-Busch iniciou as suas atividades em 1852.

“A EverGrain é um dos exemplos de destaque desse compromisso, ajudando a alcançar uma cadeia alimentar mais sustentável, ao mesmo tempo em que causa grande impacto por meio da criação de empregos e investimentos em St. Louis”, completa Whitworth.

Preço da cerveja tem alta de 2,31% no 1º semestre e fica bem abaixo da inflação

O preço da cerveja no domicílio, em geral vendida em supermercados e redes varejistas, terminou o primeiro semestre de 2022 com alta de 2,31%. A aceleração ficou, assim, bem abaixo da inflação medida pelo IBGE. De acordo com o instituto, o índice oficial, o IPCA, fechou a primeira metade do ano em 5,49%.

A diferença no ritmo da alta do preço da cerveja no domicílio e do IPCA também foi registrada em junho. Afinal, enquanto a bebida teve aumento médio de 0,14% no período no Brasil, o índice geral da inflação foi de 0,67% no mês passado.

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Esse descolamento, porém, não havia ocorrido em maio, quando a elevação do valor cobrado pela cerveja no domicílio tinha sido de 0,44%, próxima da variação média de 0,47% no somatório de todos os produtos e serviços investigados para o mês.

O balanço do IBGE ainda constatou que em junho houve deflação de 0,20% no preço das cervejas fora do domicílio, comercializadas em estabelecimentos como bares e restaurantes, onde em maio havia contabilizado aceleração de 0,36% em seu custo. Além disso, o item em geral consumido fora dos lares ficou 2% mais caro no primeiro semestre.

Nos últimos 12 meses, a elevação de preço da cerveja para o período é de 8,41% nos supermercados e redes varejistas e de 4,51% em locais como bares e restaurantes.

O aumento de 0,14% do custo da cerveja também ficou bem abaixo da subida média dos preços de outras bebidas alcoólicas no domicílio em junho, que foi de 0,66%. Este item contabilizou expressiva deflação de 1,40% em seu valor quando adquirido fora de casa. Nestas duas respectivas ocasiões de consumo, esse produto aumentou 14,86% e 3,34% no primeiro semestre, enquanto nos últimos 12 meses as elevações de preço acumuladas são de 10,34% e de 1,14%, respectivamente.

Alimentação e bebidas puxam aumento da IPCA
A inflação de 0,67% em junho teve a sua alta influenciada principalmente pelo aumento médio dos preços do tópico alimentação e bebidas, que foi de 0,80% e representou peso de 21,26% para a formação do índice geral do IPCA. Nos últimos 12 meses, a elevação é de 11,89%.

“O resultado foi influenciado pelo aumento nos preços dos alimentos para consumo fora do domicílio (1,26%), com destaque para a refeição (0,95%) e o lanche (2,21%). Nos últimos meses, esses itens não acompanharam a alta de alimentos nos domicílios, como a cenoura e o tomate, e ficaram estáveis. Assim como outros serviços que tiveram a demanda reprimida na pandemia, há também uma retomada na busca pela refeição fora de casa. Isso é refletido nos preços”, explica o gerente da pesquisa do IBGE, Pedro Kislanov. 

A inflação do mês passado também foi mais alta do que a constatada em junho de 2021, quando a variação havia sido de 0,53%. E o instituto de pesquisa destaca que ocorreram elevações de preços nos nove grupos de produtos e serviços investigados, sendo que o item que apresentou a maior subida média de custo foi o de vestuário, que ficou 1,67% mais caro.

O tópico alimentação e bebidas, por sua vez, fechou a primeira metade de 2022 como um dos principais vilões da inflação, com variação de 8,43% no período. “No primeiro trimestre do ano, o destaque foi a alta dos produtos alimentícios, como a cenoura. Em março e abril, houve o aumento nos preços da gasolina e também dos produtos farmacêuticos. Nesse segundo trimestre, observamos a redução do patamar do índice geral, que estava acima de 1% e, em maio, foi para 0,47% e em junho, para 0,67%”, afirma Kislanov.

Para calcular o índice de inflação do mês passado no Brasil, o IBGE comparou os preços pesquisados entre 28 de maio a 29 de junho (referência) com os valores vigentes no período de 30 de abril a 27 de maio (base).