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Espaço aberto: Conheça a história dos abridores STARR X

*Por Carlos Alberto Tavares Coutinho

Mais uma vez escrevo sobre colecionismo. Alguns pensarão: o que isto tem a ver com um site de artigos e canais sobre cultura cervejeira? Mas estão pensando errado, pois a postagem é dirigida não só aos colecionadores de itens de cerveja, mas a todos aqueles que tem um cantinho dedicado à cerveja, com decoração, uma churrasqueira, geladeiras, facas, copos e pelo menos um abridor de garrafas. E aposto que muitos terão um abridor aparafusado na parede e nada sabem sobre ele, podendo ser um STARR X de alto valor.

Na época em que a maioria das bebidas eram vendidas em garrafas de vidro, havia a necessidade de um abridor de garrafas que não se quebrasse ou quebrasse a garrafa.

Um dos mais famosos tipos de abridores fabricados nos Estados Unidos é o abridor para ser afixado na parede, muito usado no Brasil, na década de 1950/1960, quando o comércio de bebidas tinha grandes refrigeradores de gabinete de madeira e havia, normalmente, pelo menos um aparafusado em uma das portas. Conhecido como STARR X (Star com dois erres”). Para os colecionadores de abridores este é um item muito difícil de ser conseguido na sua totalidade, com centenas de tipos diferentes.

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Ao longo dos anos, os abridores de garrafas STARR X tornaram-se colecionáveis devido à sua história, marca registrada e variedade de designs. Foram fabricados em vários países ao longo dos anos, com patentes diversas e formatos que podem ser: simples em padrão sem logotipo ou com logotipos de cervejas clássicas e artesanais, refrigerantes, esportes; em alto relevo ou baixo relevo; coloridos, banhados de zinco, níquel, cromo e até ouro.

O abridor de garrafas STARR X pode ser impresso com um logotipo plano, em relevo ou gravado para vendas premium, promocionais ou licenciadas. Esses abridores de garrafas ainda são produzidos hoje para engarrafadores, cervejarias, atacadistas, distribuidores, varejistas e outros fabricantes. Há quase cem anos a Brown Manufacturing distribui seus abridores de garrafas com a marca STARR em todo o mundo.

Alguns dos tipos mais colecionáveis destes abridores são os “made in USA” que foram produzidos entre 1925 e o início da década de 1970. Com preços em leilões que variam de alguns poucos até a centenas de dólares, designs como NEHI, Drink Mavis e Orange Crush podem ser vendidos no eBay por grandes valores. Outros designs com o “X” abaixo do STARR, “patente pendente” ou “Patenteado 21 de abril de 1925” também são muito colecionáveis e tem grande valor por serem alguns dos designs mais antigos conhecidos.

Mas vamos à história: Raymond Brown, nasceu em 1888, foi o filho mais novo de um médico do campo residente em vários lugares no Condado de Onslow, Kinston e Tarboro, na Carolina do Norte. Ele tinha dois irmãos e três irmãs. Não fez faculdade por causa das limitações de dinheiro da família, mas de alguma forma foi ajudado para fundar, com um de seus irmãos, a Brown Brothers Company, uma fornecedora de supermercados por atacado, por volta de 1909, quando tinha 20 anos.

Em 1912, eles combinaram com o engarrafador da Coca-Cola em Kinston, na Carolina do Norte, para engarrafar e distribuir Coca-Cola na parte do território em que era difícil para o engarrafador atender.

Isso levou a Coca Cola Tarboro a se tornar independente. No início, as bebidas eram enviadas pela East Carolina Railroad (linha de trem de trajeto curto que se juntava em Farmville, com a Norfolk Southern), para depósitos ao longo da linha, de onde os pontos de venda os buscavam. Em 1914, a Brown Brothers ouviu falar de um acordo semelhante no mercado em Newport News, onde a fábrica da Coca-Cola Norfolk alugou seu direito à Península, o que era impraticável para eles cobrirem. Este acordo durou até a Brown Brothers comprar, por volta de 1920, a participação da Norfolk no território da Península. Os negócios prosperaram especialmente durante a mobilização e a guerra, de modo que na década de 1920 deu ativos para a Brown Brothers investir em outras empresas.

Enquanto isto, em 18 de setembro de 1924, Thomas C. Hamilton, um cidadão de Boston, Massachusetts, fez um pedido de registro de uma patente para um abridor de tampa de garrafa para ser preso à parede. A patente, 1.534.211 foi emitida em 21 de abril de 1925.

Depois de Tarboro, Raymond Brown residiu em Newport News. Por volta de 1925, ele, já proprietário de várias empresas de engarrafamento de Coca-Cola, iniciou a Brown Manufacturing na cidade da Virginia. Em 1927, casou-se e a família mudou-se para uma casa maior no Condado de Elizabeth City, que agora faz parte de Hampton, na Virgínia. Ele permaneceu lá até sua morte em 1989.

Não sei como Raymond Brown ficou sabendo do abridor de Hamilton. Tudo o que sei é que ele estava ansioso para ter uma operação industrial suplementando seu engarrafamento de Coca-Cola e que tinha um lugar, máquinas e uma força de trabalho disponível para empregar nela.

Ele tinha acabado de descobrir que o produto de um empreendimento paralelo anterior, uma máquina de gravação doméstica que havia sido produzida e vendida, era baseada em pesquisas inadequadas e não teve um desempenho aceitável para os consumidores, o “engenheiro” que o havia induzido a produzi-la provou ser um ex-funcionário descontente e incompetente da Edison. Assim, a pequena operação de fabricação abrigada dentro do prédio de engarrafamento da Coca-Cola e sua pequena força de trabalho estavam disponíveis para algum outro produto.

Alguém, talvez o próprio Hamilton, mostrou a Raymond a patente e ele ansiosamente abraçou o projeto. Ele arranjou com uma fundição de Richmond (Virgínia) para ter os moldes feitos. O acabamento, decoração e expedição dos abridores foi feito nos espaços utilizados para o extinto “projeto anterior”. A operação real na planta envolvia quebrar os moldes separar e tirar o fragmento da junta entre os abridores. Em seguida, suavizar os abridores, polir com pedras redondas em tambores de metal, banhar em níquel, zinco ou cromo, pintar os logotipos em relevo, embalar e despachar para os clientes. Havia cerca de dez mulheres fazendo o trabalho mais leve e um homem que manuseava os barris de fundição e levava os abridores embalados para os correios ou estação de carga.

A operação de engarrafamento da Coca-Cola continuou nos espaços adjacentes do prédio. Quando a operação de engarrafamento foi movida para outro bairro, a um quarteirão de distância, a fabricação de abridores de garrafas expandiu-se para o edifício meio vazio mais antigo sem que os processos mudassem.

Em 9 de fevereiro de 1942, Raymond Brown fez algumas modificações e pediu o registro de uma versão modificada da patente de Thomas Hamilton, a qual foi concedida em 2 de novembro de 1943 uma nova patente com o número 2.333.088. A principal melhoria da patente original foi a inclusão de 2 batentes traseiros adjacentes à aba original do abridor de garrafas. Esses batentes traseiros evitavam que as tampas das garrafas ficassem presas no abridor, para que o próximo usuário não tivesse que remover fisicamente a tampa da garrafa com os dedos.

Na década de 1970, a empresa passou a ter como responsável o seu filho, Raymond Brown Júnior, que morreu em um acidente de avião. Depois de sua morte, a empresa foi assumida por sua esposa, Pat Brown. Ela vendeu o negócio e o prédio em que o empreendimento estava localizado para o filho de um vizinho, James Borden, que foi dono da empresa por 10 anos e acabou vendendo para uma empresária de sucesso, Barbara Brim, cuja empresa, Trademark Marketing International, era cliente da Brown Manufacturing Co. e comprava o abridor de garrafas ‘Drink Coca-Cola’ STARR X da empresa em grandes quantidades.

Quantidades grandes o suficiente para ser um dos maiores clientes da Brown. Ao vender, Borden solicitou que a Brown Manufacturing Company permanecesse uma empresa independente. Assim, Barbara Brim criou a Brown Manufacturing Company como uma corporação da Geórgia em 1998 e seu filho, David Brim, passou a administrá-la. Em 2005, David comprou a empresa de Barbara. David continua a dirigir a empresa até hoje com a ajuda de sua esposa, Cathy, e os filhos: Boyd e Anna.

Não há uma explicação para a marca Starr (com dois erres), mas para o “X”, sim. Ele foi usado no lugar em que deveria ficar o número da patente enquanto se aguardava o respectivo registro e que por se tornar assim conhecido acabou sendo registrado em 1937 como marca.

Todos os abridores de STARR X se parecem na frente, tendo como diferença o número de patente impresso. Todos os abridores feitos após 1943 terão o número de patente mais novo.

Na parte de trás do abridor de garrafas, aparece um número que representa a posição do abridor dentro de um molde de padrão maior usado para fundição. Moldes de padrão para os EUA podem ser de 1 a 200+ enquanto os moldes alemães são de número 1 a 45+. Se for identificado um defeito com um abridor após ser lançado, o número permite que a fundição localize rapidamente e corrija o problema.

A outra diferença está na parte de trás. Qualquer data entre 1929 e o início da década de 1970 traz escrito “Made in the USA”. Isso significa que foi moldado em qualquer uma das fundições em todo os EUA que a Brown Co. usou. A partir dos anos 1970, a Brown Manufacturing Company transferiu sua fundição para a então Alemanha Ocidental. Todos os abridores feitos do início dos anos 1970 até 1991 dizem “Made in W. Germany”. Finalmente, todos os que dizem “Made in Germany” foram construídos de 1991 a 2006.

Em 2006, a Brown Manufacturing Company parou de fabricar esse abridores de garrafas, mas passou a terceirizar sua fabricação em várias empresas, principalmente na China, mas sua qualidade não se compara aos antigos abridores.


*Carlos Alberto Tavares Coutinho é funcionário público septuagenário e aposentado que atende pelo pseudônimo de Cervisiafilia, colecionador de itens de bebidas desde 1994, blogueiro que tenta escrever sobre a história da cerveja brasileira no blog cervisiafilia.blogspot.com.br – A História das Antigas Cervejarias

Confira lançamentos realizados pelas cervejarias artesanais em agosto

No mês marcado pela comemoração do Dia Internacional da Cerveja, em 5 de agosto, o mercado das artesanais contou com lançamentos de diversos rótulos, sendo alguns deles colaborativos, como os que foram resultado das parcerias da Dádiva com a Vaia e com o Tank Brewpub.

As parcerias se estenderam a datas festivas de agosto, com lançamentos de dois rótulos coletivos da Das Bier e da Borck, em homenagem ao Dia dos Pais, que também foi celebrado pela Landel. Já a Cruls chamou a atenção em agosto ao realizar dois lançamentos.

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Confira essas e outras novidades apresentadas nos lançamentos das cervejarias artesanais em agosto e selecionadas pelo Guia:

Avós
A cervejaria paulista lançou o terceiro rótulo da Não Ipa, linha especial que homenageia senhoras que por algum motivo não foram avós ou bisavós. Batizada de Tia Angela, a cerveja é uma India Pale Lager e tem 6,8% de teor alcoólico. Sua receita conta com lúpulos das variedades Citra, Galaxy, Azacca e Ekuanot. Disponível em chope ou lata de 473ml na Casa Avós e em parceiros de vendas da marca, a bebida tem preço sugerido de R$ 38. Seu nome homenageia a prima de Mariana Silveira, sócia desta cervejaria, conhecida como a tia afetiva e de alto astral que é vista como “mãe” de todos os sobrinhos quando eles estavam de passagem por Vitória, cidade onde mora.

Borck e Das Bier
Em ação que visou o Dia dos Pais, as marcas criaram duas cervejas colaborativas batizadas com o nome Zum Meister (ao mestre, em alemão), sendo que cada uma destas bebidas conta com um estilo diferente. A Das Bier traz uma nova formulação da Stark Bier, rótulo já premiado por duas vezes no Concurso Brasileiro de Cervejas, mas que agora adicionou amburana à receita. Já a Borck escolheu uma Barley Wine de amargor acentuado. As bebidas têm 8% de teor alcoólico, tendo sido produzidas para homenagear os fundadores das cervejarias, que são pais das atuais diretoras das empresas. Ambas as cervejas são envasadas em garrafas de 500ml e com os rótulos estampando os nomes das marcas.

Cruls
Em comemoração aos seus cinco anos de presença no mercado, a Cruls, de Santa Maria (DF), lançou em agosto a 1892 Wheat Wine. Trata-se do rótulo mais alcoólico já produzido pela cervejaria, com teor de 11,5%. Esse rótulo é de uma linha da marca cujos estilos podem se beneficiar com o envelhecimento da bebida, implementado em seu processo de produção. A cerveja possui complexidade de maltes, com cevada, trigo e cento, sendo vista como boa alternativa de consumo para dias mais frios. Em outra novidade, a marca apresentou a Éter, o quinto lançamento da série Cosmos. É uma American IPA cujas ilustrações do rótulo foram desenhadas pela artista Juliana Lama. Essa linha da marca é inspirada no ofício de astrônomo de Louis Ferdinand Cruls, sendo que na mitologia grega o nome Éter é a personificação de um céu sem limites e ar puro respirado pelos deuses do Olimpo. A receita desta nova bebida traz lúpulos dos Estados Unidos e da Nova Zelândia, dos tipos Citra, Hort 4337 (Nectaron), Chinook e Meridian.

Dádiva e Vaia
As cervejarias Dádiva, de Várzea Paulista, e Vaia, de São Paulo, lançaram na última quinta-feira (dia 25) uma cerveja colaborativa chamada Pra Não Dizer que Não Falei das Flores. Com 6% de álcool, a bebida é uma Saison que contém lúpulo Zappa, cujo dry hopping proporciona uma cerveja com aromas bem tropicais e cítricos.

Dádiva e Tank
Outra cerveja colaborativa lançada pela Dádiva neste mês foi a First Rise, em parceria com o Tank Brewpub. A bebida é uma New Zealand Pils com os lúpulos Riwaka e Nelson Sauvin. O primeiro deles é aromático, cítrico e lembra grapefruit, enquanto o segundo possui uma variedade de característica frutada, picante e aromas de vinhos brancos. O rótulo homenageia a Nova Zelândia e está disponível em chope e latas de 473ml.

Edelbrau
Fruto do projeto experimental Bier Lab, a cervejaria de Nova Petrópolis, na Serra Gaúcha, lançou a Sour Goiaba em comemoração ao Dia da Cerveja. Leve e refrescante, a bebida tem paladar ácido e é balanceada pela adição do tradicional fruto tropical presente no nome do rótulo. Com preço sugerido de R$ 15,90, essa cerveja combina com queijos brancos, sobremesas à base de frutas vermelhas e saladas.

Juan Caloto
Famosa no mercado pela criatividade que marca os personagens criados para os rótulos, a cervejaria paulista lançou a Um Peso em El Paso, uma West Coast IPA com 6,5% de álcool, levando os lúpulos Mosaic, Citra, Simcoe e Chinook em sua fórmula. Possui notas cítricas e resinosas como características mais marcantes, além de sabores de frutas mais maduras e tropicais em segundo plano.

Landel
Outro lançamento que teve o Dia dos Pais como inspiração foi o protagonizado pela Landel, que apresentou a Citric Revolution, uma New England IPA leve, com 5,5% de teor alcoólico e 20 IBUs de amargor. A bebida, de receita complexa, conta com sete tipos de lúpulos cítricos: Amarillo, Cascade, Centennial, Chinook, Citra, Columbus e Ella.

Louvada
De Cuiabá, a Louvada lançou uma cerveja escura, a Porter. Com inspiração neste estilo inglês da bebida, o rótulo tem receita mais adocicada, com aroma de chocolates e castanhas, além de teor alcoólico de 5,4%. A sua fórmula possui sete diferentes tipos de maltes, incluindo o torrado que garante a tonalidade escura à cerveja, e harmoniza com sobremesas como pudim de leite, brownie e petit gateau, também combinando com carnes e vegetais grelhados.

Balcão da Fabiana: A difícil tarefa de não polemizar

Balcão da Fabiana: A difícil tarefa de não polemizar

Depois do meu último artigo por aqui, decidi que meu próximo texto seria leve, sem polêmicas, sem motivos para desagradar ninguém, tipo “o mundinho da cerveja paz e amor”. Afinal, somos um segmento tão unido, tão empático, não é verdade?

Então, comecei a separar possíveis temas e em todos eles percebi que tudo hoje é uma questão de opinião. Mesmo as verdades mais incontestáveis, mesmo as provas científicas irrefutáveis são aceitas ou não de acordo com a vontade do freguês. Imagine, então, se o que se lê é, de fato, um texto opinativo, como são os meus? Aí é que se abre a porteira para opiniões inflamadas que contestem a minha! Perdemos a habilidade de discutir! Não sabemos ter opinião contrária sem ofender o outro, sem agredir.

Quer um exemplo? No meu texto passado, cito algumas práticas pouco ortodoxas (para não dizer desleais novamente) no mercado cervejeiro, observadas em vários locais do Brasil. Não inventei fatos, não criei acontecimentos. Apenas apontei o que tenho visto e vivido no mercado no qual trabalho há 15 anos.

Pois logo vem um comentário do tipo: “a autora não tem conhecimento do mercado cervejeiro, pois aqui na minha cidade todas as cervejarias são amigas”. Pera lá, minha gente! Qual é a cidade da nobre leitora? Qual é a relevância da tal cidade que eu não sei qual é para o mercado como um todo? Por que a agressividade em dizer que eu desconheço um mercado para o qual trabalho há tanto tempo?

É claro que muitas opiniões vinham ao encontro da minha. Houve concordâncias também. Mas, aí, nesse caso, não havia o que se discutir, não é? Enfim, era apenas um exemplo. Não quero render polêmica, como disse no início.

Voltando então aos temas pensados, queria falar das IPAs, já que agosto é o mês delas. Um estilo que me impressiona pela quantidade de derivações que ele gera. Sim, porque a cada ano surgem novas modalidades de IPA, dando ao consumidor a oportunidade de conhecer várias facetas de um mesmo estilo. No entanto, mesmo com tantos subestilos dele, por que será que tenho a impressão de que as IPAS têm o mesmo perfil de aroma e sabor, independentemente de quem as fabrica?

Posso estar super enganada (e aqui valem opiniões contrárias, claro. Vamos debater, discutir numa boa?), mas se escolho NEIPAs de variados produtores, fica difícil distinguir uma da outra. O mesmo aroma tropical dos lúpulos, o mesmo sabor doce, a mesma coloração amarela turva. Desgosto? Não. Mas ando meio cansada de beber sempre a mesma cerveja!

Outro tema que pensei em abordar é a lactose na cerveja. Eu não gosto. Me enjoa. E as cervejas Pastry, que viraram uma febre, sempre me lembram o cheiro e o gosto do “AS infantil” que minha mãe me obrigava a tomar quando eu tinha febre. Para piorar a situação, ela diluía o comprimido em café ( de onde tirou essa ideia? Sei lá…). E não ficava bom, não.

Aquele cheiro e gosto ficaram impressos em minha memória como uma das piores lembranças gustativas. Fico imaginando, e aqui coloco a pergunta aos cervejeiros que a produzem, se as cervejas com lactose vendem bem. São cervejas com apelo comercial? O que o público diz sobre elas? Na minha loja, que abri durante a pandemia, no Mercado Novo de Belo Horizonte, elas não têm saída. Encalham nas prateleiras. Mas pode ser um caso isolado, né? Vende muito em outros espaços e no meu não vende.

Sobre as Pastry Beers, pesa ainda um agravante: hoje em dia há um imenso número de pessoas intolerantes à lactose. E um consumidor desavisado pode passar mal ao beber uma cerveja que ele nem sabia conter tal adjunto. Um amigo meu, dia desses, passou perrengue justamente por isso. Bebeu uma Pastry Sour, comprada na minha loja, e não conseguia mais sair do banheiro! Ao resolver ir embora, teve de pedir ao motorista do Uber que parasse no meio da rua, pois a lactose insistia em ser eliminada ali mesmo, dentro do carro.

Pois é isso, minha gente. Já que estamos na era do opinar sobre tudo ao mesmo tempo agora, deixo aqui dois assuntos que podem render horas de boas discussões, sadias e sem ofensas. E sem polêmicas, como me comprometi! É gosto ou não gosto. Quero ou não quero. Simples assim.


Fabiana Arreguy é jornalista e beer sommelière formada em 2010, pela primeira turma Doemens no Brasil, através do Senac SP. Produz e apresenta, desde 2009, a coluna de rádio Pão e Cerveja, sendo editora de site com o mesmo nome e autora de livros. É curadora de conteúdo, consultora de cervejas especiais, proprietária da loja De Birra Armazém Cervejeiro, além de professora do Science of Beer Institute e do Senac MG, assim como juíza dos principais concursos cervejeiros brasileiros e internacionais.

Crise energética e escassez de fertilizantes ameaçam indústria da cerveja na Europa

A crise energética na Europa, com o aumento dos preços em função de problemas no abastecimento de gás natural, tem afetado diretamente a indústria da cerveja, assim como a escassez de fertilizantes. Em diferentes países, empresas e seus representantes vêm cobrando apoio governamental para não paralisarem suas atividades.

O problema tem relação com o conflito entre Rússia e Ucrânia, pois o fornecimento de gás natural à Europa por Moscou foi paralisado. Assim, o produto, que também é importado pelos europeus da Ásia, está com o preço em alta. E isso causa efeitos na indústria, com o aumento dos custos. Além disso, a escassez de fertilizantes também vem afetando fabricantes de cerveja, pois são essenciais para a produção de gás carbônico.

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No Reino Unido, a Sociedade de Cervejeiros Independentes (Siba, na sigla em inglês) e a Campanha pela Cerveja Real (Camra) assinaram uma carta conjunta destacando os desafios que estão colocando em risco o futuro da indústria da cerveja. As organizações apontam que o setor está enfrentando alta nos preços da energia, escassez frequente de ingredientes e aumentos de preços.

Por isso, eles pedem que o governo ajude, introduzindo um limite de emergência nos preços da energia para pequenas empresas, bem como maior apoio para que elas adotem fontes renováveis.

“Com as contas de energia subindo, estamos pedindo ao governo que apoie a cerveja britânica e ajude os cervejeiros independentes com um teto de preço de energia para pequenas empresas e ofereça subsídios e incentivos para as muitas empresas que desejam fabricar cerveja com mais energia verde”, diz Roy Allkin, presidente da Siba.

As associações lembram que o cenário adverso vem logo depois de o setor sofrer com os fechamentos em função da pandemia. “Com as empresas tendo feito todos os esforços para sobreviver à pandemia, seria uma farsa se nossas cervejarias locais, pequenas e independentes fossem forçadas a fechar definitivamente agora”, acrescenta Nik Antona, presidente da Camra.

Falta de CO2
Além disso, a falta de acesso a CO2 vem sendo outro problema para as cervejarias na Europa. Na última quinta-feira, a maior empresa de fertilizantes do mundo, a Yara, com sede na Noruega, anunciou um corte de 50% em sua produção de fertilizantes à base de amônia e ureia na Europa, citando preços recordes.

A decisão veio na mesma semana em que a maior fábrica de fertilizantes da Grã-Bretanha, a CF Fertilizers UK, disse que iria “parar temporariamente” a produção em sua fábrica em Billingham. Além disso, dois outros grandes produtores de fertilizantes na Polônia anunciaram que interromperam as operações no início da semana.

“Assim que a planta de amônia for paralisada com segurança, a produção de CO2, que é um subproduto do processo de produção de amônia, será interrompida até que a planta seja reaberta”, afirma a CF Fertilizers UK.

A decisão foi recebida com preocupação pela chefe-executiva da Associação Britânica de Cervejarias e Pubs, Emma McClarkin. “Nossos pubs e cervejarias já estão lidando com fortes ventos contrários e pressões em suas cadeias de suprimentos. Esta decisão levanta sérias preocupações para o fornecimento sustentável de CO2”, diz. 

Mais conhecido pelo seu uso para aumentar a fertilidade do solo das plantações, os fertilizantes também fornecem um subproduto, o CO2, que é utilizado para adicionar o gás à cerveja, dando efervescência para a bebida.

Esperar até algumas semanas para que o governo aja pode ser muito tempo. Precisamos de um plano sustentável para o fornecimento de CO2 à nossa indústria e ajuda urgente com o aumento das contas de energia para as empresas antes que elas sejam forçadas a fechar suas portas

Emma McClarkin, chefe-executiva da Associação Britânica de Cervejarias e Pubs

Terceira maior cervejaria da Polônia, com 3 fábricas e participação de quase 20% do mercado, a Carlsberg Polska, que é subsidiária da multinacional dinamarquesa, chegou a declarar que cogitava paralisar a sua operação em função desse problema, também apontando que outras marcas do país encaram o mesmo desafio. Mas a empresa recuou em suas declarações após o governo polonês expressar apoio a medidas que abordariam a falta de dióxido de carbono usado na produção de cerveja.

O ministro da Agricultura da Polônia, Henryk Kowalczyk, garante que o governo está se movimentando para apoiar os produtores de fertilizantes a comprar gás a um preço moderado. “Estamos trabalhando nisso. Por enquanto, não quero falar sobre os detalhes, já temos algumas ideias e estamos acertando algumas soluções”, diz.

Menu Degustação: Aniversário da Everbrew, festival no PR, tinta da Stella…

Agosto já está quase acabando, mas a agenda cervejeira continua agitada nesta reta final do mês. A programação deste fim de semana, por exemplo, promete atrair os cervejeiros para a celebração do aniversário de 6 anos da Everbrew, neste sábado, em Santos.

Já a Madalena vai realizar um Festival Gastronômico em comemoração aos 469 anos de São Bernardo do Campo. E não faltam opções para quem já está se programando para as próximas semanas, como o Festival da Cultura Cervejeira Artesanal em Curitiba.

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Confira estas e outras novidades do setor no Menu Degustação do Guia:

Festival em Curitiba
A 5ª edição do Festival da Cultura Cervejeira Artesanal vai acontecer em 3 e 4 de setembro, no Jockey Club do Paraná, em Curitiba. Serão mais de 300 rótulos de cerveja, mais de 18 horas de música ao vivo, além de gastronomia regional e workshops. O primeiro lote dos ingressos, que inclui o eco-copo oficial do evento, já está à venda no site oficial do evento, organizado e promovido pela Associação das Microcervejarias do Estado do Paraná.

6ª edição do Champions Beer
O Champions Beer espera receber 20 mil visitantes nos seus 9 dias de duração, de 2 a 4 e de 6 a 11 de setembro, em Campinas, no estacionamento do Galleria Shopping. O evento terá produtos de 14 microcervejarias nacionais e reservará áreas especiais para alimentação, espaço kids e outros equipamentos. Os organizadores também prepararam shows de diversas bandas, como IRA! e Raimundos.

Conferência de concursos cervejeiros 
A Semana Brasileira da Cerveja, que congregará em Blumenau (SC) o Festival, a Feira, o Concurso Brasileiro, o Congresso Internacional e a entrega da Comenda Brasileira da Cerveja, em março de 2023, também contará com a 1ª Conferência Internacional de Concursos Cervejeiros. A ideia é reunir representantes de vários países com o objetivo de criar intercâmbio, visando a participação de cervejeiros de todo o planeta nos mais importantes certames do setor.  Até agora, estão confirmados representantes de 11 países. 

Parceria da Brasil Beer Cup
Em mais uma inovação científico-tecnológica, a Brasil Beer Cup (BBC) firmou parceria de trabalho com a empresa austríaca Anton Paar para oferecer às cervejarias participantes do concurso a análise físico-química dos rótulos inscritos até o dia 30. A parceria prevê a utilização pela equipe científica do BBC dos equipamentos analíticos desenvolvidos pela Anton Paar. Com os laudos técnicos emitidos, as cervejarias conseguirão manter o padrão de qualidade em todas as suas amostras, sejam elas as que foram julgadas em concursos ou as que se encontram no mercado.

Aniversário da Everbrew
A Everbrew celebra seu aniversário de 6 anos neste mês. A marca iniciou como cervejaria cigana, passou a ter um brewpub, começou a exportar para a China e Europa e hoje possui fábrica própria, contabilizando mais de 180 lançamentos. Para comemorar o aniversário, neste sábado, a Everbrew realiza a 6ª Fest Tour, festa que ocorre dentro da fábrica, onde os participantes poderão curtir o show de Cristopher Clark e banda.

Madalena celebra aniversário de São Bernardo 
Em comemoração aos 469 anos de São Bernardo do Campo, a cervejaria Madalena realiza Festival Gastronômico no Paço Municipal da cidade neste fim de semana, com início nesta sexta-feira (26), às 17h, sendo a partir das 12h no sábado e domingo (27 e 28). Para divertir o público, uma das principais atrações será a degustação de cerveja em voo cativo de balão a 20 metros de altura. No cardápio, torresmos de rolo, comida da roça, porco no rolete, churrasco BBQ, comidas regionais, lanches artesanais do Busger, doces diversos, churros, além do chope Madalena, com diversos estilos, como Lager Premium, IPA, Double IPA, Stout e Shandy Lemon. A entrada é um quilo de alimento não perecível.

Pets na Soma
A Soma Cervejaria vai promover mais uma edição da sua feira pet neste sábado (27), com programação especial para quem aprecia cervejas artesanais, mas também não vive sem seu bichinho de estimação. Pequenos expositores vão apresentar linhas de petiscos e comidas naturais, programas de adoção e confecção para animais de estimação. A Feira Pet acontece das 12h às 17h, na parte externa do brewpub, com participação da Chácara dos Animais, um lar temporário para cães resgatados, da IDD Confecções (moda pet) e Zela Pet Natural (alimentação animal). Cães de pequeno e médio porte, com guia, são bem-vindos acompanhados dos tutores. A entrada é gratuita.

Tinta à base de lúpulo ​da Stella
São Paulo acaba de ganhar uma obra de arte que promete roubar a atenção das telas e fazer quem passa pelo Minhocão olhar para o alto. Para além do imponente tamanho de 300 metros quadrados, um ingrediente especial na tinta traz um sabor inusitado: o lúpulo de Stella Artois, que se transformou em arte para dar vida a uma empena criada pela artista Aline Bispo. Em parceria com o Instagrafite, o projeto da ilustração escancara a reflexão sobre a importância do toque humano que dá alma e qualidade a tudo que fazemos, questionando as pessoas a pensarem sobre o que dedicam seu olhar e atenção.

Campanha da Brahma na Copa
Patrocinadora oficial da seleção desde 1994, a Brahma entra em campo para lembrar os brasileiros o que define como real essência da amarelinha. Embalada pela voz marcante de Galvão Bueno, convoca as pessoas para esse momento especial, em um vídeo disponível no YouTube, repleto de emoção e paixão. A campanha tem criação da agência Africa e marca o início das comunicações da marca para a Copa do Mundo do Catar.

Das Bier relança cerveja sem álcool 
A Das Bier, de Gaspar (SC), relançou a Kaffe Bier, rótulo medalhista de ouro na categoria sem álcool no Festival Brasileiro de Cervejas deste ano. Ela foi desenvolvida em parceria com Blum´s Kaffee, Blumenau Coffee Roasters e Cooperativa Agrária, levando um blend de três cafés especiais: Afonso, Sprouting Chagas e The Peaberry Freak Coffee.

Latão de Craft Lager da Maniacs
A Maniacs Brewing Co. deu um novo passo em seu plano de crescimento. Agora, o portfólio da cervejaria curitibana terá a presença da Craft Lager em latão de 473ml. A novidade se junta aos latões da Maniacs IPA e Aloha. E para conseguir lidar com a alta concorrência das cervejas puro malte, a marca promete um preço competitivo para o produto.

Mais lúpulo no Porks
Lançada pelo Stadt Jever, a Fresh Hop Lager leva lúpulos cultivados no bairro São Francisco, em Belo Horizonte, e agora está disponível nas três unidades do Porks na capital mineira. Se trata do lúpulo Saaz, considerado o mais tradicional da República Checa, com destaque para seu aroma.

Seminário sobre lúpulo
O cultivo do lúpulo e a melhoria das vendas de cervejas artesanais feitas com a planta serão temas do seminário que acontece nesta sexta-feira, na Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto. O encontro é promovido pelo polo cervejeiro da entidade em parceria com Sebrae e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, entidade vinculada à Confederação da Agricultura e Pecuária.  O evento é gratuito, mas é preciso confirmar presença pelo link.

Seminário sobre fermentação
Também em Ribeirão Preto, no Royal Tulip JP, em 8 de setembro, a Fermentis Academy Ribeirão Preto promoverá um seminário com troca de conhecimento e um dia inteiro de treinamento sobre levedura de cerveja e fermentação. O encontro tem programação ampla, com palestrantes nacionais e internacionais.

Cervejeiras da América Latina se unem em manifesto contra violência e por equidade

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Seja durante as atividades cervejeiras ou em outros contextos, o machismo e o sexismo fazem com que as mulheres estejam constantemente sujeitas a terem a competência profissional colocada em dúvida, além de sofrerem com a hipersexualização, ofensas, piadas, agressões e uma série de outras violências e preconceitos de gênero que persistem na sociedade.

Justamente para unificar as vozes de muitas mulheres da América Latina que sentem que o mundo cervejeiro é desigual, discriminatório e até mesmo violento, foi criado o Manifesto Situação das Mulheres no Mundo Cervejeiro. O objetivo é tornar o problema visível, mostrar apoio institucional massivo, trabalhar com estratégias para mudar essa realidade e prevenir violências.

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A redação do manifesto, produzido de modo colaborativo, ficou a cargo de representantes de diferentes organizações de mulheres cervejeiras de diversos países, reunidas sob o nome Mulheres Cervejeiras na América Latina. O texto, que teve a colaboração de 250 mulheres, foi colocado em assembleia para votação pelas organizações participantes, que reúnem mais de mil mulheres em sua totalidade.

“A iniciativa nasceu ao pensarmos em diferentes maneiras de mostrar que as várias formas de violência sofridas pelas mulheres não são eventos isolados, mas que respondem a uma constante em nossas sociedades e que, portanto, devemos agir juntas e não individualmente para resolver os problemas”, conta Laura Acosta, cervejeira caseira, membro da Comunidade de Mulheres Cervejeiras da Argentina, socióloga com perspectiva de gênero e assessora no Ministério da Mulher da província de Buenos Aires.

Acosta aponta que o manifesto pode ser visto como um posicionamento político e o esboço de um relatório sociológico escrito a partir das experiências de mais de 250 mulheres que denunciaram o tratamento desigual, hierárquico, abusivo e violento que vivenciam em eventos cervejeiros, mostrando que se trata de um problema estrutural. “O relato convida a demonstrar que essas experiências têm um viés de gênero e limitam o desenvolvimento profissional e de lazer das mulheres”, analisa.

Assim, o manifesto reivindica às mulheres cervejeiras a oportunidade de ocuparem espaços, como ressalta Ana Beatriz Silva, advogada especializada em perspectiva de gênero, direito da família e da mulher, além de colaboradora na elaboração do documento.

“Que os espaços sejam ocupados por quem detém a competência, independente de gênero, para que também a constituição federal no Art 5. seja respeitada: ‘todos são iguais perante a lei e na sociedade’. Isso não acontece e a gente está tentando de todas as formas fazer”, comenta.

As responsáveis pelo documento apontam que a situação das mulheres no mundo cervejeiro é pautada pela divisão sexual do trabalho, algo que foi destacado, inclusive, pelo Conselho Nacional de Justiça, que divulgou um protocolo de julgamento específico pela perspectiva de gênero, em 2021.

Mudança de lógica
Ana Beatriz destaca que, no segmento cervejeiro, é atribuída à mulher apenas a função de cuidadora, mantendo-as afastadas de cargos que envolvam decisões, em um tratamento desigual. Além disso, lembra que a mulher ainda tem dentro do setor uma função sexual e de objetificação, como por exemplo, em propagandas.

“A gente cresceu vendo uma loura com um corpo padrão chegando e entregando a cerveja. A mulher, ou ela é objeto ali, ou é objeto dentro da empresa cervejeira. Agora não temos mais por que foi proibido, mas ainda há nas entrelinhas”, comenta Silva, apontando que o desrespeito também se dá em ocasiões de consumo e eventos.

É necessário, portanto, mudar essa lógica. E, na visão dessas mulheres, isso passa pela alteração da cultura cervejeira, algo que pode trazer até mesmo benefícios econômicos para o setor, como avalia Ana Beatriz, apontando que empresas podem se tornar mais sustentáveis diante da diminuição da violência – velada ou não – contra as mulheres.

“Economicamente falando, investidores apoiam mais empresas sustentáveis. Não falo em sustentabilidade apenas ambiental, mas falo também na igualdade de gênero. A sustentabilidade também abarca isso”, lembra a advogada, destacando que a importância da igualdade de gênero transcende a pauta reivindicatória das mulheres.

Além disso, um ambiente acolhedor aumentaria a presença da mão de obra feminina, acrescentando qualidade ao trabalho na rotina do setor. “A partir do momento que nós excluímos a expertise das mulheres, excluímos grande parte das pessoas. Então, as mulheres sofrem violência dentro do setor e não têm como continuarem ali desempenhando essas funções de forma ampla, competente e completa, porque quando nós nos machucamos, temos um prejuízo em nosso trabalho”, analisa a advogada.

O manifesto, assim, existe com o intuito de trazer à tona informações para ajudar a prevenir a ocorrência de novos casos de sexismo e machismo dentro do setor cervejeiro. Mas como o processo de mudança de cultura é lento, Ana Beatriz defende a criação de protocolos para que esse tipo de prática seja inibida e não aconteça mais.

Eu acredito fielmente que através de um protocolo de conduta nós podemos, por mais que não exista uma educação real, ao menos inibir esse tipo de prática. Mudar o pensamento das pessoas é um processo muito lento, mas podemos colocar normas que proíbam isso

Ana Beatriz Silva, advogada especializada em perspectiva de gênero

Também defendendo soluções coletivas, a socióloga aponta que o manifesto, ao falar sobre respeito à igualdade dentro do segmento cervejeiro, prefere adotar tom do alerta, ao invés de se concentrar em denúncias de casos específicos, pois a questão não é individualizada, mas um problema social e recorrente.

“Isso pode ser mais eficaz do que apenas sancionar ou expulsar, pois consideramos que de forma meramente punitiva as ações se repetem muitas vezes em novos lugares, ao contrário do que pretendemos”, finaliza ela.

Para as outras mulheres que desejam apoiar o manifesto, a adesão pode ser feita através deste link. Para saber mais sobre as “Mulheres Cervejeiras na América Latina”, clique aqui.

Wäls, Campinas, Stannis, Noi e Unika levam 5 ouros para o Brasil no World Beer Awards

As cervejas do Brasil conquistaram 5 medalhas de ouro na disputa por estilos da edição de 2022 do World Beer Awards, prestigiosa premiação internacional que anunciou os seus ganhadores nesta quinta-feira (25). Uma representante nacional, a Baden Baden, também foi agraciada na avaliação do design das embalagens. Foi, assim, um desempenho pior do que o de 2021, quando nove cervejas nacionais se sagraram campeãs.

O melhor desempenho das cervejas brasileiras no World Beer Awards em 2022 foi entre as cervejas Pale, com a conquista de duas medalhas de ouro. A Red Sönja, da Stannis, foi escolhida a melhor Pale Beer Amber. Já a Diavolo, da Noi, acabou sendo premiada com a medalha de ouro na categoria Biére De Garde & Saison.

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A disputa entre as cervejas Pale também contou com uma categoria alusiva ao Brasil, a Brazilian Pale Ale, com a medalha de ouro indo para uma representante da Holanda, a Juicy Pale Ale, da Liberty.

Entre as Dark Beers, o Brasil conquistou um ouro com a Wäls Dubbel na categoria Beer Belgian Style Dubbel. O País também foi campeão em uma das categorias envolvendo Sour & Wild Beer. A melhor Catharina Sour foi da Unika, a Catharina Sour – Caju e Pitanga.

Já na competição das cervejas sem álcool ou com baixa graduação alcoólica da edição de 2022 do World Beer Awards, a brasileira premiada foi a IPA Zero, da Campinas, na categoria No & Low Alcohol IPA.

O Brasil também foi reconhecido na disputa destinada aos designs das embalagens da cerveja. A medalha de ouro foi para a garrafa da Baden Baden na categoria Bottle Range.

O reconhecimento através da premiação traz benefícios para as cervejas, como figurar na publicação anual da World’s Best Beers, além do direito de usar o selo de medalhista em seu material de divulgação.

A escolha das melhores cervejas se dá através de critérios sensoriais em dez categorias reconhecidas internacionalmente, com suas subdivisões. Anteriormente, havia sido realizada uma primeira rodada de premiações, por país. Veja no link as 35 brasileiras reconhecidas com a medalha de ouro na disputa local.

Confira a lista das cervejas brasileiras destacadas como melhores do mundo no seu estilo pela edição de 2022 do World Beer Awards:

Melhor Belgian Style Dubbel: Wäls Dubbel
Melhor No & Low Alcohol IPA: Campinas Ipa Zero
Melhor Pale Beer Amber: Stannis Red Sönja
Melhor Biére De Garde & Saison: Noi Diavolo
Melhor Catharina Sour: Catharina Sour – Caju E Pitanga, da Unika

Entrevista: “Uma coisa são as chances; outra é a capacidade das cervejarias de abraçá-las”

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A retomada das atividades sem restrições traz a expectativa de que o setor de artesanais recupere as perdas sofridas nos momentos mais duros da pandemia do coronavírus, mas é necessário estar pronto para aproveitar as oportunidades. O alerta foi feito durante o 13º episódio do Guia Talks, na entrevista com Gustavo Barreira, CEO da CBCA, a Companhia Brasileira de Cervejas Artesanais.

Os períodos mais graves da crise sanitária, aliás, não impediram a CBCA de se movimentar, em uma preparação para a recuperação da economia e do segmento cervejeiro. Afinal, se mais recentemente acertou a fusão com a Startup Brewing, incorporando a marca Unicorn, a companhia já havia recebido o aporte de novos investidores semanas antes. Afinal, o Grupo Maubisa havia se associado à CBCA, o que deve ajudar a acelerar a sua expansão.

Esses movimentos de mercado foram tema do Guia Talks, programa de entrevista em vídeo do Guia, com Gustavo Barreira. Nela, o executivo explicou as razões que motivaram a junção com a Startup Brewing, que possibilita a expansão da capacidade produtiva e a maior presença no mercado paulista, assim como relata as possibilidades de melhora na gestão a partir do acordo com o Grupo Maubisa.

Além disso, na entrevista, Gustavo Barreira comenta os planos da CBCA para o restante de 2022, depois de tantas movimentações no mercado. “Estou enxergando com muito otimismo o segundo semestre. Uma coisa são as oportunidades que o mercado vai trazer. Outra coisa é a capacidade das cervejarias de abraçar essas oportunidades”, diz.

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Confira os principais trechos da entrevista do Guia com Gustavo Barreira, CEO da CBCA:

O que motivou a fusão da CBCA com a Startup Brewing?
O projeto já previa uma expansão nas áreas de atuação, como os estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. E quando começaram as conversas com a Startup, estávamos buscando capacidade produtiva. E eles buscando um parceiro estratégico para acelerar o projeto. Então, adquirimos a Startup, trazendo também a marca Unicorn para o nosso portfólio. Somou a necessidade da Startup de acelerar com a nossa, de ter mais capacidade produtiva. E que também pudesse ser expandida, que é uma das belezas da fábrica da Startup. No futuro, ela pode chegar a produzir 400 mil litros mensais.

A CBCA já contava com a Leuven, que tem uma fábrica em Piracicaba (SP), e agora incorporou a Startup Brewing, com a unidade produtiva em Itupeva (SP).  Com essa fusão, então, o mercado paulista se torna o principal foco da CBCA?
São Paulo é um estado que requer atenção especial. Tem uma cultura cervejeira estabelecida, além de consumidores de cervejas especiais e produtos artesanais. Existe uma cadeia logística muito sólida, com cidades que cresceram tanto que já se transformaram em regiões metropolitanas, com São Paulo, Campinas, Piracicaba… Então, está virando um cinturão só. Tem o oeste do estado, com São José do Rio Preto, Presidente Prudente, Araçatuba, além da região de Ribeirão Preto e o litoral. É o segundo estado com o maior número de cervejarias do Brasil, muito perto do Rio Grande do Sul. E, por outro lado, a fábrica da Leuven tem uma capacidade produtiva menor do que a da Schornstein, em Santa Catarina. Então, precisávamos de um reforço. Se elas fossem iguais, não teríamos essa urgência.

O que a incorporação da Unicorn acrescenta ao portfólio da CBCA?
A Unicorn se apresenta como uma marca de entrada. Ela tem um portfólio para pessoas que são iniciantes no mercado cervejeiro. Ela tem alguns estilos que não contávamos no nosso portfólio, como Pale Ale. Então, entra com esse complemento de portfólio, tendo um price index muito parecido ao da Schornstein, mas se posicionando como produto de entrada e bastante presente nas redes de supermercados. Ela agrega canais, produtos que não tínhamos no portfólio e com preços levemente diferentes aos da Schornstein, que hoje é o nosso cavalo de batalha. Além disso, há o fato de já existir uma carteira de vendas em São Paulo capital, onde é bastante presente. E aí um bar que não recebia CBCA e só tinha Unicorn, também pode passar a contar com as nossas cervejas.

Em março, o Grupo Maubisa se tornou investidor da CBCA. O que esse acordo trouxe de benefícios para a companhia?
Esse foi um movimento bastante relevante, que está na nossa história. A Maubisa liderou um grupo de investidores, que muito além do aporte financeiro, está trazendo muito conhecimento, know-how e networking. E vem nos ajudando em tomadas de decisão que nos encurtam os caminhos do que queremos fazer. Estou bastante contente. Houve aprimoramento de governança, das decisões estratégicas do dia a dia. Como já disse, a CBCA é um projeto. E a Maubisa entra com o intuito de nos ajudar a acelerá-lo. Hoje, a gente vive um dilema interno que é a busca do ponto ótimo, entre aceleramos, mas não de forma a tirar o trem do trilho. Enxergamos boas oportunidades, bons movimentos no mercado de crescimento, até de forma orgânica, reforçando a capacidade das fábricas. Mas, ao mesmo tempo, não podemos acelerar tanto sob o risco de perder a mão do volante. A Maubisa traz ótimas reflexões e visões que complementam e nos ajudam na tomada da melhor decisão.

Também neste ano, Leo Sewald deixou o dia a dia da Seasons, passando a morar nos Estados Unidos, atuando como um consultor da marca que fundou. Como fica a Seasons em meio a essa mudança?
A marca ganhou vida própria. Cada vez mais tende a ser uma marca que fala por si, com muita inovação, mantendo essa característica irreverente, de ser pioneira em alguns movimentos. Lançamos em 2021 a linha Legado, com produtos como o café e o cacau da Amazônia, certificados, orgânicos, de agricultura familiar. Então, ela traz essa pegada e preocupação de combinar inovação com o senso de responsabilidade social. Agora, devem surgir parcerias com cervejarias de fora do País. E estamos com uma linha que liga o rock and roll com a marca. A ideia é privilegiar o nacional, o sustentável, o pequeno e sem perder a irreverência. É a mesma concepção que o Leo pensou para ela.

Depois de tantas movimentações, quais são os planos e próximos passos para a CBCA?
Estamos com muito foco na arrumação da casa. Fazer a integração de uma nova empresa é bem complexo. Estamos como quatro pessoas em um time de integração, que está alocado na Startup, focado em levar para lá os padrões e a forma de operação da CBCA. Estamos agora no segundo semestre, que representa historicamente 60% das vendas no ano. É uma época de rampa, de muito cuidado com a operação, fora coisas periféricas. Daqui para frente é só aceleração. Estaremos na Oktoberfest de São Paulo. Até o final do ano, nosso foco é total na operação. A partir do início de 2023, voltamos a avaliar crescimento orgânico, com investimento necessário para isso, e possibilidades de novos movimentos que envolvam aquisição ou fusão com outra cervejaria. Isso é mais uma agenda para o 2º ou 3º trimestre de 2023.

Com o abrandamento da crise sanitária, chegou o momento da recuperação do setor de cervejas artesanais?

Sou otimista por natureza, mas com um olhar cuidadoso. O que vejo é um segundo semestre muito forte, lembrando que tivemos janeiro e fevereiro complicados, com o carnaval e grandes eventos sendo cancelados. Ainda houve alguma insegurança sobre como seria o restante do primeiro semestre. Então, apesar de termos conseguido atingir nossas metas, ficamos 5% abaixo do nosso orçamento deste ano no primeiro semestre. Estou enxergando muito otimismo com o segundo semestre. Mas uma coisa são as oportunidades que o mercado vai trazer. Outra é a capacidade das cervejarias de abraçar essas oportunidades

Gustavo Barreira, CEO da CBCA

Quais são os desafios para as cervejarias aproveitarem esse momento de retomada?
A dificuldade número 1 é o capital de giro. Todo mundo consumiu estoque, transformou o que tinha em liquidez nos momentos mais difíceis. E as cervejarias sempre ficam com o caixa negativo. Primeiro você paga a matéria-prima, depois são 30 dias só para produzir. Depois, tem mais 15 ou 20 dias do produto no estoque. E ainda mais 15 ou 20 dias para receber. Então, existe uma demora para o dinheiro voltar. E toda vez que a gente acelera, existe uma demanda natural de capital de giro. O dinheiro está caro e não está abundante, então são dificuldades para o meio cervejeiro tirar proveito desse cenário positivo que vem pela frente. De qualquer forma, acho que vai ser um segundo semestre bastante bom, melhor do que o do ano anterior.

Guia nas Eleições: Bares cobram menor tributação e desoneração por recuperação

Em meio a um ano de reaquecimento econômico e recuperação após sofrer em 2020 e 2021 com os impactos proporcionados pela pandemia, o setor de bares e restaurantes já começa a projetar o cenário no Brasil para um novo ciclo, que terá como marco a realização de eleições, em outubro, para presidente, governadores, senadores e deputados.

Diante deste panorama de expectativa para a votação, o Guia inicia nesta quarta-feira uma série de reportagens para apresentar demandas e reivindicações dos diversos braços que compõem a indústria cervejeira visando as eleições, sendo a primeira delas com representantes dos bares e restaurantes.  

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) e a Associação Nacional de Restaurantes (ANR) destacam como pontos essenciais a redução da carga tributária e a desoneração da folha de pagamento dos funcionários.

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O presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci, defende a realização de uma reforma tributária em que seja adotada a cobrança do Imposto de Valor Agregado (IVA), um modelo de unificação dos tributos sobre bens e serviços. Em sua opinião, sua implementação reduziria a alta taxação provocada pelo recolhimento de ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), ISS (Imposto Sobre Serviço), IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e PIS (Programa de Integração Social)/Cofins (Contribuição para Financiamento da Seguridade Social). 

“Hoje, a principal pauta do nosso setor é que a reforma tributária avance e se dê com a desoneração da folha de pagamentos. Caso contrário, se uma reforma do padrão IVA, que é a que nós apoiamos, não vier com a desoneração, o setor de alimentação fora do lar pagará 22% a mais de impostos, uma coisa inaceitável”, ressalta Solmucci.

Entre uma série de demandas para os candidatos, a ANR também defende a realização de uma reforma tributária que desonere a folha de pagamentos, assim como estímulo ao crédito e ao primeiro emprego no setor de bares e restaurantes.

 “Desoneração da folha de pagamento para empresas fora do Simples (regime simplificado de recolhimento de impostos), tendo em vista ser o setor um dos maiores empregadores do Brasil; debates sobre reforma tributária (setor não suporta aumento de carga tributária); políticas públicas de estímulo à contratação de primeiro emprego; aumento do teto do Simples; políticas de crédito para pequenas empresas”, enumera a ANR em nota oficial enviado ao Guia.

Em meio à necessidade de que sejam promovidas ações em diferentes esferas, a ANR também aponta demandas que espera serem atendidas pelos governadores estaduais eleitos em outubro. “Redução de carga tributária (alíquotas de ICMS e substituições tributárias) e desburocratização para licenciamentos (processos online e por autodeclaração)”, acrescenta a associação.

Para bares e restaurantes enquadrados no Simples Nacional, a alíquota de imposto hoje varia de 4%, para quem tem faturamento mensal de até R$ 180 mil, a 19% (rendimentos de R$ 3,6 milhões a R$ 4,8 milhões ao mês). Já os estabelecimentos do setor que optam pelo regime chamado Lucro Presumido, no qual o valor recolhido é calculado a partir de uma previsão de receita bruta anual, pagam mensalmente taxação única de tributo, fixada em 8%.

Menos impostos para conseguir pagar dívidas
Pesquisa realizada entre 21 e 28 de junho pela Abrasel, que consultou 1.689 empresários do setor em todo o Brasil, apontou que 42% dos bares e restaurantes com regime tributário enquadrado no Simples Nacional estão com impostos atrasados, indicando como seus proprietários têm sofrido com o endividamento e os custos de operação.

O levantamento, porém, confirma a retomada econômica deste segmento, já que 35% dos donos destes estabelecimentos registraram lucro em maio e outros 36% apontaram equilíbrio em suas contas. Porém, 29% reconheceram que tiveram prejuízos diante de uma conjuntura de encarecimento dos insumos e da inflação no setor de alimentação fora do lar naquele momento.

Desta forma, o presidente-executivo da Abrasel enfatiza a importância de os governantes ajudarem a criar um ambiente mais favorável para que os empresários de bares e restaurantes tenham melhores condições de quitar as dívidas e manter seus negócios ativos. E isso em um setor no qual a preocupação com a inflação e a incerteza econômica em relação a 2023 sobrepõem a expectativa por uma recuperação plena.

Precisamos encontrar soluções para os empresários que têm hoje o nome negativado, em função do que passaram na pandemia. São seis em cada dez empresas com dívidas atrasadas, com o Fisco, com os bancos, com aluguel, com fornecedores, mas felizmente estão com os salários em dia. E muitos quebraram para que pudéssemos estar aqui hoje, vivos, sem máscaras, trabalhando e faturando

Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel

Ambev amplia família da Brahma Duplo Malte com lançamento de versão escura

O sucesso da Brahma Duplo Malte, rótulo lançado pela Ambev em 2020, rendeu frutos para a companhia. A empresa anunciou a chegada ao mercado da Brahma Duplo Malte Escura, uma Dark Lager criada especialmente para os dias mais frios do ano e que em sua apresentação oficial reforçou a associação da marca com a música sertaneja.

Criada em 2020, com a participação direta dos profissionais do Centro de Inovação e Tecnologia Cervejeira da Ambev, a Duplo Malte trazia em sua receita dois tipos de malte: o tradicional Pilsner e o Munich. Para essa nova versão em uma família que tem como origem a Brahma e agora ganha uma nova ramificação, o malte Pilsner se une ao Black.

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De acordo com a marca, o lançamento da Brahma Duplo Malte Escura reflete a busca do consumidor por cervejas de estilos diferentes ao Lager, uma procura que tem maior demanda no período mais frio do ano.  A cerveja, de acordo com o seu descritivo, possui notas leves de tosta, frutas secas, biscoito e caramelo. Tem, ainda, 9 IBUs de amargor e 4,7% de teor alcoólico.

“O tradicional malte Pilsner chega acompanhado do malte escuro, trazendo um sabor único para a bebida, com perfil de sabor tostado. A edição especial nasce justamente da percepção dos hábitos de consumo durante essa época do ano, quando a procura por estilos cervejeiros além do tradicional Lager aumenta. Assim, essa Dark Lager segue aquilo que os consumidores tanto gostam e reconhecem em toda a família Brahma: uma bebida saborosa, com muita leveza e cremosidade”, afirma a marca no material de divulgação da sua nova cerveja.

Com isso, a Brahma acredita que, assim como aconteceu com a Duplo Malte, a versão escura da cerveja conseguirá conectá-la com consumidores que buscam sabores de cervejas que vão além do segmento core, que em seu portfólio conta com rótulos como Antarctica, Brahma e Skol. A companhia, inclusive, revelou anteriormente esperar que o segmento core plus responda, no futuro, por 25% das suas vendas.

“A Brahma Duplo Malte Escura chega justamente para suprir uma necessidade das pessoas, que sempre buscam uma opção diferente. O lançamento segue tudo o que Brahma tem trilhado no campo das inovações, seja com novos produtos ou na produção de conteúdos. Se a Brahma Duplo Malte é um sucesso, a versão Escura traz tudo que já conhecemos e muito mais. Principalmente, quando falamos da principal característica de nossas cervejas, a cremosidade”, afirma Tetê Chaves, gerente de marketing de Brahma.

A Brahma Duplo Malte Escura tem edição limitada e está disponível nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina, assim como através do aplicativo Zé Delivery. Em outras regiões do País, a novidade pode ser comprada pelo Empório da Cerveja. Nesta terça-feira (23), o preço da lata de 350ml está em R$ 4,29.

União com o sertanejo
Se o lançamento da Brahma Duplo Malte em 2020 contou com várias ações em lives de música sertaneja, em meio ao início da pandemia do coronavírus, a Ambev decidiu reforçar a associação com esses artistas e sua cultura ao apresentar a versão escura da cerveja.

Afinal, o lançamento oficial da novidade ocorreu na Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos, durante a apresentação de Gusttavo Lima. Além disso, na festividade, no interior paulista, a marca se uniu ao Instituto de Compromisso com o Desenvolvimento Humano (ICDH) para apresentar a campanha “Seguuuuuuura essa emoção. Beba com Moderação”.