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Cerveja artesanal precisa de menos tributos para ficar mais barata, avaliam especialistas

Em meio a um cenário de alta dos custos de produção, provocado principalmente pelo aumento dos valores das matérias-primas e dos insumos importados, assim como pela inflação, a cerveja artesanal ficou com o preço ainda mais elevado no Brasil. Especialistas ouvidos pelo Guia alertam, porém, que o problema tem menor ligação com a atual conjuntura, estando mais relacionado com a alta carga tributária que incide sobre as pequenas empresas do setor.

Em nova matéria sobre preço e custos da cerveja, após a anterior debater se a bebida está com um valor médio acessível à população, profissionais apontam que o caminho para o rótulo artesanal se tornar mais competitivo passa pela redução da carga de impostos que incide sobre o produto, geralmente fabricado com insumos mais caros do que os das grandes marcas.

Presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), Gilberto Tarantino ressalta a necessidade de a tributação ser menos severa com os produtores de rótulos especiais, destacando que o índice de taxação sobre os fabricantes de artesanais está em 56%.

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“Entendemos que o ideal e mais justo seria que os impostos fossem proporcionais ao volume de produção. De imediato, uma luta na qual nós da Abracerva estamos envolvidos é pela ampliação do limite do Simples (Nacional), o que daria a possibilidade de as cervejarias ganharem escala sem serem obrigadas a sair do regime tributário simplificado”, diz.

A desejada redução da carga tributária teria impacto direto sobre o preço das cervejas artesanais, as tornando mais competitivas em relação, inclusive, a aquelas produzidas pelas grandes marcas, na visão de Luís Celso Jr., sommelier e fundador do Bar do Celso. E, para referendar seu raciocínio, cita o exemplo dos Estados Unidos.  

 “A gente fala do mercado americano como se ele tivesse desenvolvido a cerveja artesanal do nada e feito muito sucesso. E isso não é verdade. Se a gente estuda a história do renascimento da cerveja artesanal nos Estados Unidos, vê-se que no começo dos anos 1980 houve uma lei de isenção de impostos para microcervejarias, que foi ampliada no começo dos anos 1990, e favoreceu muito o mercado de cerveja artesanal. E aí esse mercado bombou e disparou”, diz.

Com visão semelhante, Roberto Kanter, professor de cursos de MBA da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que é especialista em varejo, comportamento do consumidor, tendências de mercado e marketing, defende a participação ativa do estado no fomento ao pequeno produtor, com a oferta de vantagens tributárias pelas gestões públicas. “Uma questão que poderia ser trabalhada é um fortalecimento das pequenas empresas locais através de subsídios e vantagens tributárias para que elas consigam equiparar um pouco mais os preços praticados”, afirma o professor da FGV.

Insumos também pesam mais
Mas, claro, não são apenas os impostos que afetam as microcervejarias. Afinal, há a avaliação de que a alta dos custos provoca impacto maior sobre as marcas artesanais, também causando mais oscilação nos preços do produto final.  

Se sobe o preço da cerveja porque subiram os custos e a matéria-prima, quer dizer que para o produtor de cerveja artesanal também subiu. E o produtor de artesanal utiliza muito mais desses produtos, tem uma capacidade de compra muito menor, porque ele adquire em menores volumes e acaba pagando mais caro por não conseguir negociar os preços

Luís Celso Jr., sommelier e fundador do Bar do Celso

Para Kanter, também é natural que a cerveja artesanal seja mais cara do que a tradicional, por causa dos ingredientes utilizados e volume produzido. “Tecnicamente, as cervejas artesanais possuem insumos diferenciados, que são mais caros do que os utilizados nas cervejas mainstream. Elas também possuem volumes muito menores de produção, o que impacta em um custo de produção maior, e consequentemente um preço para o consumidor também maior”, acrescenta.

Na visão de Celso, para minimizar esse impacto, as cervejarias artesanais devem buscar alternativas para reduzir os custos de produção, o que grupos como a CBCA, que agrega 4 marcas no Brasil e uma para o mercado externo, podem ter mais facilidade, em uma negociação pelos preços dos insumos.

“Na medida em que artesanais vão crescendo e surgem, por exemplo, grupos de cervejas artesanais, como a CBCA, eles conseguem negociar preços melhores em relação aos fornecedores de matéria-prima, diminuindo seus custos e, possivelmente, reduzindo o preço das suas cervejas”, diz o especialista.

E a macroeconomia?
O contexto econômico, aliás, impacta não apenas nos custos produtivos, mas na busca do produto pelo consumidor. Recentemente, o IBGE revelou que o rendimento real habitual recebido pelos trabalhadores fechou o trimestre encerrado em abril em R$ 2.569, um recuo de 7,9% em relação ao mesmo período de 2021. E, claro, essa queda do poder aquisitivo de grande parte da população também impacta o mercado de cervejas artesanais, tornando os seus rótulos ainda mais inacessíveis.

“O grande limitante do consumo da cerveja artesanal é a renda. Se houver aumento de renda, haverá com certeza um aumento no consumo”, enfatiza Kanter.

Ao mesmo tempo em que cita o êxito da cerveja artesanal nos Estados Unidos como um bom exemplo, em função dos incentivos fiscais recebidos por lá, Celso pondera que a realidade econômica brasileira impõe outros desafios, que vão muito além da moeda desvalorizada.

 “Sempre falamos que estamos atrasados em relação aos Estados Unidos há alguns anos, que passaríamos pela mesma revolução que eles passaram em termos de cerveja artesanal, mas isso sem considerar obviamente o fato de sermos um país subdesenvolvido, com os problemas que temos aqui”, opina.

Também proprietário da Tarantino, o presidente da Abracerva ainda avalia que o consumidor pode ter a percepção de que o produto artesanal é caro em função da comparação com o preço da cerveja produzida pela grande indústria.

“Para formar sua percepção de valor sobre um produto, o consumidor pode utilizar várias referências. Uma delas é comparar preços, mesmo que sejam produtos de categorias muito distintas. E isso acaba acontecendo também no mercado de cervejas. Então, de alguma forma, um preço menor de cervejas mainstream pode impactar o mercado de artesanais, ainda que sejam produtos bem diferentes na experiência que entregam ao consumidor”, analisa.

Para mudar essa percepção, Kanter pondera que o crescimento econômico pode até facilitar a penetração das cervejas artesanais. Mas destaca que isso só irá se consolidar com mudanças nos hábitos culturais e de consumo do público.

O grande trabalho que deve ser feito é o desenvolvimento do mercado consumidor, através de cultura e conhecimento. Com isso o consumo do brasileiro será cada vez mais desenvolvido, com produtos de maior complexidade e diversidade. Neste cenário, as cervejarias artesanais tendem a expandir e aumentar seus volumes, conseguindo, assim, uma redução no custo de produção e no preço ao consumidor final

Roberto Kanter, professor de cursos de MBA da FGV

Com Uçá, de Aracaju, Brasil leva só um ouro em concurso cervejeiro no México

Após 3 anos sem ser realizado, o concurso Aro Rojo reuniu cervejarias do México e de todo o mundo na cidade de Tampico e entregou 13 medalhas para marcas brasileiras. O principal destaque do País foi a Uçá, de Aracaju, no Sergipe, eleita a melhor cervejaria do Brasil entre as participantes.

A Valeime, também da Uçá, acabou sendo escolhida a melhor cerveja do País no Aro Rojo, tendo recebido a única medalha de ouro para um rótulo nacional nesta edição do concurso, no estilo Mixed-Fermentation Sour Beer.

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Outros destaques do Brasil nesta edição do Aro Rojo foram a ØL Beer, que ganhou duas pratas, com uma Belgian IPA e uma Witbier, e a Blumenau, que faturou três medalhas, sendo uma de prata, com uma Lambic, e duas de bronze, nas categorias Belgian Blonde Ale e Spice, Herb, or Vegetable Beer.

No total, o Brasil conquistou 13 medalhas com suas cervejas, sendo uma de ouro, cinco de prata e sete de bronze. É um resultado aquém dos obtidos nas duas edições anteriores do Aro Rojo. Em 2018, foram 21 medalhas, sendo 4 de ouro. Já em 2019, o País faturou 33 medalhas, sendo 13 delas douradas.

Entre os destaques internacionais da premiação, a Rorrito, da Cervecería Icono, do México, foi eleita a Best of Show do concurso. Já o prêmio de melhor cervejaria da competição acabou ficando com a Kraken, da Argentina, e a Cardera, do México.

Concurso para caseiros
A edição de 2022 do Aro Rojo também premiou cervejeiros caseiros. E a cerveja Best of Show foi de um brasileiro, a Bella – I Lupi, de André Mendes Piol, do estilo Specialty Wood-Aged Beer. Nessa mesma categoria, a RIS Mexican, de Cleberton José Pereira, conquistou a medalha de ouro.

Confira quais foram as cervejarias brasileiras premiadas no Aro Rojo:

Melhor Cervejaria do Brasil
Cervejaria Uçá

Melhor cerveja do Brasil
Valeime – Uçá

Ouro
Uçá – Valeime – Mixed-Fermentation Sour Beer

Prata
ØL Beer – Thor Belgian IPA – Belgian IPA
Cervejaria Denker – Denker Catharina Sour – Catharina Sour
Cruls – Catharina Sour Limão e Cúrcuma – Fruit and Spice Beer
Cerveja Blumenau – Mestres do Tempo Lambic #2 – Lambic
ØL Beer – Odin Witbier – Witbier

Bronze
Blumenau – Blumenau Frida Blond Ale – Belgian Blond Ale
Daoravida – Daoravida Tamaru – Fruit and Spice Beer
Brew Center – St. Patrick’s Old Ale – Old Ale
Königs Bier – Königs Defumada – Rauchbier
Blumenau – Blumenau Macuca Pé-de-Moleque – Spice, Herb or Vegetable Beer
Ashby – Ashby Weiss – Weizenbock
Masterpiece – Van Gogh – Wild Specialty Beer

Cervejeiros caseiros
Best of Show – Bella – I Lupi – André Mendes Piol

Ouro
RIS Mexican – Cleberton José Pereira – Specialty Wood-Aged Beer

Prata
Bella – I Lupi – André Mendes Piol – Specialty Wood-Aged Beer

Bronze
Andanzas – Amazônia – Chico Milani – Catharina Sour

Lagunitas anuncia expansão para Centro-Oeste, Nordeste e Sul e lança versão em lata

A Lagunitas expandiu a sua presença no mercado brasileiro e os formatos em que é disponibilizada. A renomada IPA da Califórnia, antes concentrada no Sudeste, agora também poderá ser encontrada nas regiões Sul, Centro-Oeste e Nordeste. Além disso, além da long neck de 355ml, a Lagunitas também está sendo disponibilizada em lata de 350ml.  

De acordo com Lucas Pires Barbosa, gerente de marketing da Lagunitas no Brasil, a expansão está relacionada com o bom desempenho alcançado pela marca desde a sua chegada ao País, em 2019. Nos comentários do balanço financeiro de 2021, o Grupo Heineken relatou crescimento acima de 10% nas vendas do produto no País no ano passado. Além disso, a Lagunitas decidiu acompanhar um movimento de mercado das marcas artesanais, que cada vez mais têm sido lançadas em lata.

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“Entendemos que essa expansão é algo natural para a marca, já que, desde sua chegada ao Brasil em 2019, a IPA sempre foi muito bem aceita e querida pelos brasileiros, conquistando um público fiel por meio de suas ações e irreverência. Ao mesmo tempo, o mercado de cervejas artesanais em lata tem ganhado relevância e decidimos proporcionar mais poder de escolha para os nossos consumidores, dando a eles a opção da IPA mais amada em uma nova embalagem”, afirma o gerente de marketing da Lagunitas no Brasil.

Com a intenção de chamar a atenção do público para sua expansão de formato e mercado, a Lagunitas criou uma ação publicitária em que reforça a sua proximidade da causa cachorreira ao lançar uma campanha em que o seu “cãodidato” promete levar a IPA para mais regiões brasileiras e a lançá-la em lata se os consumidores votarem nele por meio das redes sociais.

“Lagunitas é uma marca irreverente, conhecida por utilizar da criatividade para transmitir seus valores, apoiar os doguinhos e reforçar sua origem californiana. A cãodidatura é parte deste racional, já que é uma forma diferente e divertida de anunciar as novidades da marca para os consumidores brasileiros”, conclui Lucas.

Com mercado de growlers aquecido, Meu Garrafão aposta na personalização

Os growlers, especialmente em PET, ganharam protagonismo durante a pandemia da Covid-19 no Brasil, seja pelo seu baixo custo ou pela facilidade de transporte. Essa alteração no comportamento do consumidor se refletiu na mudança de envase de bebidas e no surgimento de novas preferências de embalagens, que vieram para ficar. No momento atual, com um novo estágio da crise sanitária, as marcas precisam buscar alternativas para se destacarem diante da concorrência.

No auge da pandemia, as cervejarias utilizaram amplamente esse tipo de recipiente para fazer delivery de suas cervejas. Agora, percebem como esse tipo de embalagem pode ser uma aliada do serviço de take-away, com bares e pubs oferecendo o envase em growlers PET para o cliente levar a cerveja fresca para sua casa.

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“O growler PET é uma ótima opção de envase para cervejas, pois tem custo baixo, fácil personalização e a logística da cerveja envasada é menos onerosa para a cervejaria. E não há risco de quebra do recipiente quando há o contato de uma garrafa com a outra”, comenta Helton Aguiar, diretor da Meu Garrafão.

O profissional destaca os benefícios da adoção da personalização nos growlers PET, citando que a ação deve gerar uma propaganda espontânea para as marcas, através do próprio consumidor. “Atualmente, o cliente que prova uma cerveja artesanal fresca quer demonstrar em suas redes sociais a satisfação de saborear esse líquido preparado com tanto cuidado. E quando o growler PET é feito com uma boa apresentação, ou seja, personalizado com a marca da cervejaria, o cliente vai postar essa garrafa diferenciada aos seus amigos, fazendo, desta forma, uma bem-vinda propaganda gratuita da cervejaria”, explica.

Além disso, o diretor da Meu Garrafão avalia que o produtor personalizado traz mais satisfação ao consumidor, que sente estar tendo acesso a um produto de qualidade e com preço justo. “Queremos que o cliente tenha alegria em receber um growler bonito, com informações da cerveja, da cervejaria, onde encontrar a cervejaria nas redes sociais etc”, pontua.

De acordo com Aguiar, a procura pelos growlers personalizados tem sido satisfatória, também influenciada pela promoção em que a cervejaria pode adotar esse tipo de funcionalidade de modo gratuito no seu primeiro pedido junto à Meu Garrafão. “Nós temos uma linha industrial de produção de growlers PET voltado ao mercado cervejeiro. E iniciamos a pouco tempo a personalização dos growlers PET no sistema de serigrafia diretamente na garrafa”, comenta.

Localizada na região metropolitana de Curitiba, a Meu Garrafão também atende o público cervejeiro com growlers de vidro personalizados, importação e personalização de growlers de inox, além de serviços de venda e personalização de copos de vidro.

Balcão do Profano Graal: A longa história da produção de lúpulo no Brasil

Balcão do Profano Graal: A longa história da produção de lúpulo no Brasil

Em junho, se comemorou o Dia da Cerveja Brasileira (dia 5). Uma justa homenagem à bebida alcoólica preferida dos brasileiros e para aqueles que se dedicam a produzi-la. Porém, apesar de ser hoje o terceiro maior fabricante de cerveja do mundo (ficando atrás apenas de China e Estados Unidos), o Brasil ainda depende, quase totalmente, da importação de dois dos principais insumos para a sua produção: o malte e o lúpulo. 

Notícias recentes chamam a atenção para o crescimento do cultivo de lúpulo no Brasil nos últimos anos, com expansão de cerca de 110% na área plantada em 2020, algo que, até pouco tempo atrás, era considerado impossível, uma vez que a planta tem demandas específicas, como a necessidade de 17 horas de luz solar durante a sua floração. Porém, o cultivo de lúpulo em terras brasileiras é prática muito mais antiga do que se pensa.

Como aponta pesquisa de Daniel Taveira Oberlaender, há registros de cultivo no Rio Grande do Sul desde a segunda metade do século XIX, na colônia de São Lourenço, por Curt August Adolf Wilhelm Ernst von Steinberg, barão de Hannover (1846-1893). A edição de 1909 do Almanak Literário e Estatísticos do Rio Grande do Sul traz um breve histórico da fundação da Colônia de São Lourenço, extraído das notas de Jacob Rheingantz (1817-1877), um dos seus fundadores, escritas em maio de 1867. Já no final do texto de 1909, escrito por Carlos Guilherme Rheingantz (1849-1909), filho mais velho de Jacob e sucessor do pai na administração da colônia, ao se referir ao estado atual da agricultura na colônia, o autor afirma:

“Seja-me lícito mencionar ainda os ensaios feitos na cultura do lúpulo, cuja exploração, na colônia, poderá ser, futuramente, fonte de grande receita. Foi o meu cunhado, o falecido barão Curt von Steinberg, quem a encetou, obtendo produtos muito bem aceitos. A análise das amostras, feitas no laboratório do Imperial Instituto de Agricultura pelo químico Otto Linger, mostrou serem plantas riquíssimas em substâncias amargas. Em 1.000 gramas acharam-se 26,5 gramas de substância amarga solúvel em água, 3,5 gramas de resina amarga solúvel em álcool e 6 centigramas de óleo etéreo aromático. Depois da morte de meu cunhado não houve, infelizmente, quem se interessasse pelo plantio dessa útil urticácia [sic] que, como já se disse, poderia constituir mais um elemento de prosperidade para a colônia” (RHEINGANTZ, 1909, p. 156).

Curt August Adolf Wilhen von Steinberg emigrou para o Brasil por motivos desconhecidos, casando-se em 1878 com Theresa Guilhermina Rheingantz (1851-1932), segunda filha de Jacob Rheingratz. Morreu precocemente, aos 47 anos, e sem deixar filhos. Com a sua morte, termina também a experiência de plantio de lúpulo em São Leopoldo. Ainda não é possível saber em que ano von Steinberg iniciou o seu cultivo, mas a análise química do seu lúpulo a que Rheingantz faz referência no seu texto, feita pelo doutor Otto Linger, responsável pelo laboratório de química do Imperial Instituto Fluminense de Agricultura, foi publicada na edição de 1885 da revista do instituto.

Aliás, já na sua primeira edição, publicada em 1869, a Revista Agrícola do Imperial Instituto Fluminense de Agricultura traz uma nota de pouco mais de uma página sobre a introdução do lúpulo no Rio de Janeiro, feita pelo Comendador Antonio José Gomes Pereira Bastos (1828-1914). A nota informa que Pereira Bastos era proprietário “de uma importante fábrica de cerveja nesta cidade”. Como nos informa o Almanak Laemmert, Pereira Bastos era, desde o ano 1860, proprietário da Imperial Fábrica de Cerveja Nacional, criada cinco anos antes por Alexandre Maria Villasboas, localizada na Rua de Matacavallos, número 27. Informa a nota que, Pereira Bastos:

Desejando criar mais uma fonte de riqueza na agricultura do País, mandou vir de Alost (Bélgica) mil pés em estacas de lúpulo, que chegaram a esta cidade em abril do ano próximo passado, na galera Petropolis, do Havre. Estas mudas foram ofertadas ao Ministério da Agricultura para serem distribuídas por diversas colônias. Infelizmente, esse primeiro ensaio não foi coroado de resultados vantajosos, porquanto, dessas mudas poucas lograram vingar

Revista Agrícola do Imperial Instituto Fluminense de Agricultura, 1869, p. 58

Pereira Bastos, porém, não se deixou abater pelo fracasso dessa primeira tentativa, feita em 1868. Encomendando a seus correspondentes em Paris, em dezembro do mesmo ano, mais 3 mil pés de lúpulos de origem variada, que chegaram ao Brasil no ano seguinte. Essas 3000 mudas teriam sido distribuídas pelo Ministério da Agricultura, pelo Imperial Instituto Fluminense de Agricultura e pela Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional a vários lavradores, tendo sido plantadas também no Jardim Botânico do Rio de Janeiro e na chácara do próprio Pereira Bastos, localizada na Rua do Riachuelo 27 (cerca de 50 pés). Ou seja, na própria cervejaria, “onde grande número deles estão bem desenvolvidos”. (Revista Agrícola do Imperial Instituto Fluminense de Agricultura, 1869, p. 58)

A revista do Imperial Instituto Fluminense de Agricultura voltaria a abrir espaço para falar do cultivo do lúpulo em outras duas ocasiões. Na edição número 2, de 1877, se publicou uma História Natural do Lúpulo, texto sem autor, de 4 páginas, na seção Noticiário Agrícola. E, por fim, a seção Agricultura Prática, da edição de 1885 da mesma revista, escrita pelo engenheiro agrônomo Luiz Caminhoá traz as informações necessárias para aqueles que resolvessem se aventurar na cultura da planta como tipo de solo, modo de fazer a plantação, como combater as principais pragas, momento da colheita etc. A mesma edição traz ainda a já citada análise do lúpulo da colônia de São Leopoldo, feita por Otto Linger.

A recorrência do tema naquela que talvez fosse a principal revista de agricultura e botânica do País só mostra que a cultura do lúpulo era considerada importante recurso natural a ser explorado no Brasil no século XIX. Contudo, não se sabe que fim levou a cultura de lúpulo de Pereira Bastos. E, segundo o texto de Carlos Guilherme Rheingantz, em 1909 o lúpulo era ainda uma promessa. Parece ter havido ainda uma breve experiência na região de Nova Petrópolis (RS) em 1953, com mudas levadas por um imigrante alemão.

Mas o fato é que a cultura do lúpulo praticamente desapareceu no Brasil ao longo do século XX, a ponto de ser considerada impossível, como falei no início desse texto, voltando a ganhar força apenas recentemente. Vamos torcer para que, dessa vez, o seu cultivo tenha melhor sorte, tornando-se até mesmo, quem sabe, o primeiro passo para a formação de uma escola brasileira de cervejas.  


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Área plantada de lúpulo cresce 110% no Brasil impulsionada pelas cervejas artesanais. Site Globo Rural. 06/08/2021. Disponível em: Área plantada de lúpulo cresce 110% no Brasil impulsionada pelas cervejas artesanais – Revista Globo Rural | Agricultura

BAIERLE, Rodrigo. Cultivo de lúpulo no Brasil, história e perspectivas. Brew Blog Lamas Brew Shop. 14 de julho de 2020. Disponível em: Cultivo de Lúpulo no Brasil, história e perspectivas – Blog Lamas (lamasbrewshop.com.br)

CAMINHOÁ, Luiz. Agricultura prática – A cultura do lúpulo. Revista Agrícola do Imperial Instituto Fluminense de Agricultura. Rio de Janeiro: Typographia do Imperial Instituto Artístico, volume décimo sexto, nº 1, março de 1885, p. 37-42.

CEOLA, Duan. Lúpulo no Brasil: em que pé está o cultivo da planta no país. Escola Superior de Cerveja e Malte. 18/05/2021. Disponível em: O Lúpulo no Brasil: em que pé está o cultivo da planta no país (cervejaemalte.com.br)

CHAVES, Ricardo. O barão alemão que trocou a realeza pelo rio Grande do sul. GZH Almanaque. Disponível em: O barão alemão que trocou a realeza pelo Rio Grande do Sul | GZH (clicrbs.com.br)

Introdução do lúpulo no Rio de Janeiro pelo Sr. Comendador Antonio José Gomes Pereira Bastos. Revista Agrícola do Imperial Instituto Fluminense de Agricultura. Rio de Janeiro: Typographia do Imperial Instituto Artístico, nº 1, Setembro de 1869, p. 57-59.

LINGER, Otto. Chimica Analyptica – Lúpulo da colônia de São Lourenço no Rio Grande do Sul. Revista Agrícola do Imperial Instituto Fluminense de Agricultura. Rio de Janeiro: Typographia do Imperial Instituto Artístico, volume décimo sexto, nº 1, março de 1885, p. 160.

Noticiário agrícola – o lúpulo. Revista Agrícola do Imperial Instituto Fluminense de Agricultura. Rio de Janeiro: Typographia do Imperial Instituto Artístico, volume oitavo, nº 2, Junho de 1877, p. 61-65.

RHEINGANTZ, Carlos Guilherme. Colônia de S. Lourenço – Breve histórico de sua fundação, extraído das notas do arquivo de seu fundador Jacob Rheingantz. Almanak Literario e Estatistico do Rio Grande do Sul. Pelotas, Rio Grande e Porto Alegre, 1909, p. 143-164.


Sérgio Barra é carioca, historiador, sommelier e administra o perfil Profano Graal no Instagram e no Facebook, onde debate a cerveja e a História.

Há quase 2 anos no Brasil, Pabst inicia nova fase com introdução a bares

Considerada um dos ícones do setor cervejeiro norte-americano, a Pabst Blue Ribbon chegou ao Brasil em agosto de 2020 e agora, quase dois anos depois, inicia uma nova fase, com sua introdução a bares e restaurantes.

De acordo com a marca, esse processo tem se dado de modo gradativo, “com foco em excelência e não em velocidade”, com a Pabst tendo confeccionado milhares de materiais para que o movimento se torne mais perceptível pelo público.  

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“Queremos bares com o estilo Pabst, com nossa pegada. Não apenas vendendo nossa cerveja”, pontua o diretor de criação da marca, Thiago Lima. “Estamos com baldes, copos, neons, geladeiras… Viemos para deixar nossa marca clara ao consumidor que procura por uma cerveja excelente e de fácil consumo”, acrescenta.

A introdução a bares e restaurantes representa a segunda etapa de um planejamento estruturado da marca norte-americana, que tem sua produção e a distribuição sendo realizada pela NewAge, uma indústria de bebidas localizada na cidade de Leme, no interior de São Paulo.

A Pabst primeiro apostou, na sua chegada ao Brasil, no “off-premise” (supermercados), agora caminhando para o mercado on-premise (bares e restaurantes). “Trabalhar com bares e restaurantes é a maneira ideal de mostrar ao consumidor que a Pabst Blue Ribbon faz parte de seu cotidiano. Globalmente falando, o mercado off-premise corresponde a 40% do faturamento da marca, logo, é de grande interesse entrar corretamente nesta frente aqui no Brasil”, afirma o diretor de criação da Pabst.

Assim como aconteceu em sua chegada ao Brasil, em 2020, o foco da Pabst será o estado de São Paulo, especialmente a capital. E haverá mais atenção a bares agitados e festivos, com música, nessa introdução. “A Pabst Blue Ribbon faz parte da celebração destes momentos especiais e, exatamente por isso, queremos estar em bares que proporcionem tais experiências”, justifica Lima.

A marca também espera causar “impacto total” no consumidor, apostando na curiosidade provocado por novidades. Até por isso, a Pabst garante ter caprichado na preparação do enxoval para os estabelecimentos, com neon, baldes, copos, aventais e porta-copos. E confia no drinkability para conquistar o consumidor com sua long neck e seu chope, disponibilizado para bares em versões que vão do growler de 2 litros chegando aos 50 litros para locais onde as vendas acontecem em “tambores”.

“A Pabst vai muito bem com bares, pois nossa cerveja não causa a sensação de empapuçado. Entregamos agora a oportunidade de conhecimento da marca ‘outside to inside’. O consumidor vive a experiência da marca e, logo, então, pode procurar em supermercados para seguir comprando ‘in-home’”, conclui o diretor de criação.

Congresso do Sindicerv e da Abracerva buscará aproximar gastronomia e cerveja

Com o intuito de exibir o potencial da cerveja como parte importante do universo gastronômico, a Abracerva e o Sindicerv uniram forças para a realização de um congresso. Em sua primeira edição, o “Cerveja é Gastronomia” vai acontecer em 30 de junho, em São Paulo, na unidade da Vila Olímpia da Universidade Anhembi Morumbi.

Assim, a ideia do congresso, promovido pelo Associação Brasileira da Cerveja Artesanal (Abracerva) e pelo Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), é promover discussões e debates com o intuito de permitir o posicionamento da cerveja no universo da gastronomia.

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“Esta aproximação pretende, neste evento, misturar a paixão cervejeira que temos na Abracerva com uma importante estrutura profissional que o Sindicerv oferece”, afirma Gilberto Tarantino, presidente da Abracerva, destacando os pontos que ligam a sua associação ao Sindicerv para a realização do congresso.

O “Cerveja é Gastronomia” pretende abordar temas relevantes e permitir o contato entre profissionais de diferentes áreas, ampliando a divulgação da cultura cervejeira. Além disso, como lembra Giba, a discussão sobre o comer e a forma de consumo da bebida se alteraram ao longo do tempo. E a cerveja deve se inserir em um contexto no qual já estão posicionados o vinho, o café e o azeite, por exemplo.

“Com a evolução do gosto, as pessoas estão conhecendo mais a cerveja artesanal. O que era cerveja para a geração passada, atualmente mudou bastante. A cerveja está em muitos lugares, mas também está à mesa, com uma proposta muito mais harmônica. Saber apreciar diferentes estilos e sabores, é parte deste desenvolvimento do paladar”, diz o presidente da Abracerva.

Para isso, os responsáveis pelo “Cerveja é Gastronomia” reunirão nomes importantes dos setores cervejeiro, gastronômico e turístico em uma intensa programação para associados e convidados. O evento, com apresentação de Carolina Oda, vai ter mais de 15 painéis de discussão a partir das 9 horas do dia 30, ocorrendo de forma concomitante entre salas de aula, anfiteatro e cozinha.

A abertura do “Cerveja é Gastronomia” vai ser com Mauro Homem, vice-presidente de sustentabilidade e assuntos corporativos do Grupo Heineken e o presidente da Abracerva, que vão discutir sobre a categoria da cerveja e o mercado gastronômico.

Além dos painéis, haverá duas aulas shows na cozinha da universidade, a primeira com Carol Veras, do Brewstone Pub, de Fortaleza, para discutir o tema da gastronomia no mercado cervejeiro. Na sequência, o chef Onildo Rocha vai abordar a “A construção de sabores brasileiros”.

Destinado a associados e convidados das organizações, o “Cerveja é Gastronomia” é gratuito, sendo necessária a doação de 2kg de alimento não perecível. As inscrições podem ser feitas no link da Sympla. E as palestras realizadas no anfiteatro também poderão ser acompanhadas no YouTube da Abracerva pelos inscritos.

Confira a programação completa do congresso:

9h/9h30 – Anfiteatro
Abertura – A Categoria Cerveja & o Mercado de Gastronomia
Giba Tarantino – Abracerva
Mauro Homem – Sindicerv

9h30/10h30 – Anfiteatro
São Paulo, cerveja e cultura
Sandra Santana – Vereadora em São Paulo
Aline Cardoso – Secretária Municipal de Turismo
Junior Bottura – Cervejaria Avós

10h/11h – Sala 723 A
Cerveja e Gastronomia
Cilene Saorin – Doemens Academy

10h30/11h30 – Sala 724 A
Marketing, Cerveja e Gastronomia
Eduardo Sena – Hora do Gole

10h30/11h30 – Anfiteatro
O papel do álcool no processo civilizatório e consumo responsável
Mediador: Luiz Nicolaewsky – Sindicerv
Rodrigo Moccia – Ambev
Fernando Solera – Coordenador da Comissão de Controle de Doping da CBF
Iberê Moreno – Anhembi Morumbi

11h/12h – Sala 724 A
Harmonização Molecular
Rene Aduan Jr. – Escola Superior de Cerveja e Malte

11h30/12h30 – Anfiteatro
Boas Práticas na Produção: Segurança dos Processos
Mediador: Luis Guaraná – Sindicerv
Juçara André – MAPA
Renata Walter – Grupo Heineken
Alexandre Esber – Academia da Cerveja

14h/15h – Sala 723 A
Harmonização essencial em brewpubs
Gabriel Ramalho – Goose Island
Luciano Saqueto Shimojo Ferreira – Goose Island

14h/15h – Anfiteatro
As brasilidades do gosto no século XXI
Mediadora: Bia Amorim – Abracerva
Elaine de Azevedo – Panela de Impressão
Larissa Januário – Sabor & Arte
Luiza Fecarotta – Jornalista gastronômica e editora Food Connection

15h/16h – Cozinha Show
A gastronomia no mercado cervejeiro
Carol Veras – Brewstone (Fortaleza)

15h30/16h30 – Anfiteatro
Cervejas, vinhos e fermentados selvagens
Mediador: Jayro P. Neto – Abracerva
Lis Cereja – Enoteca Saint Vin e Feira Naturebas
Gabriela Monteleone – Tão Longe, tão perto
Diego Simão Rzatki – Cervejaria Cozalinda

16h/17h – Cozinha Show
A construção de sabores brasileiros
Onildo Rocha – Priceless

16h30/17h30 – Sala 723 A
Cultura e Diversidade, a conversa atual
Beatriz Ruiz – Grupo Heineken
Leandro Sequelle – Graja Beer

17h/18h – Sala 724 A
Cerveja como alimento ao longo da história
Luís Celso Jr – Instituto da Cerveja Brasil

17h/18h – Anfiteatro
Iniciativas Sustentáveis na indústria da cerveja
Mediador: Fábio Ferreira – Sindicerv
Patrícia Iglecias – CETESB
Mauro Homem – Grupo Heineken/Sindicerv
Lucien Belmonte – Abividro
Cátilo Cândido – Abralatas
Caio Miranda – Ambev

18h/19h – Anfiteatro
Gastronomia Brasileira e a intersecção com a cerveja
Mediador: Rosa Moraes – Ânima Educação/Anhembi Morumbi/ 50 Best´s
Gilberto Tarantino – Abracerva
Marcelo Corrêa Bastos – Jiquitaia, Lobozó e Vista

Balcão A Dança: “Você não sente nem vê, mas eu não posso deixar de dizer…”

Balcão A Dança: “Você não sente nem vê, mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo…”

Dois pares de olhos se cruzam pelos corredores de um dos maiores festivais técnicos do segmento cervejeiro da América Latina e criam automaticamente uma cumplicidade e conexão que pareciam obra de um forte imã – ou mesmo pela ligação de raízes bem profundas e antigas.

Esses pares, passo a passo, se multiplicavam a cada esquina dobrada, e ali, sem muitas palavras, a certeza de que já não estavam sós, era evidente.

E foi assim que vivenciamos em 2022, em São Paulo, um histórico e simbólico momento de ampliação do mercado cervejeiro, discutindo, durante os três dias de Brasil Brau, tecnologias e inovações, amizades, novos aromas e sabores, cores e ritmos. E, acredite, o Brasil fica muito mais bonito quando ele se parece com… o Brasil!

Talvez justamente por isso, o painel “Diversidade e inclusão no mercado cervejeiro” tenha sido sucesso e destaque na feira – dando inclusive sold out!

Estamos muito phyn@s e potentes! E o melhor. Com a certeza de que podemos discutir muito mais (de forma profissional e técnica) do que os assuntos abordados no painel!

E embora tardiamente e fora das lógicas e ordens editoriais, como essa é minha primeira coluna no Guia, vale falar um pouquinho sobre mim!

Prazer, Leandro Sequelle. Morador do Grajaú – extremo sul da capital paulista. Encontrei na cerveja artesanal uma forma de continuar o trabalho de construir pontes e materializar o impossível rumo a um mundo melhor. Antes trabalhei com arte (produção, curadoria, e mentoria artística) e educação (sendo educador e coordenador de projetos socioculturais nas periferias). Decidi que a cerveja poderia contribuir com seu aspecto agregador lúdico e potencial comercial com essa transformação.

E não é que tem dado certo?

Criamos uma marca de cerveja. Essa marca ganhou notoriedade nas mídias abertas e especializadas, e hoje somos o que tem sido chamado de referência no assunto. Mas temos muita consciência de que esse nosso mercado ainda é um bebê que está se desenvolvendo, e as lutas por um equilíbrio social são continuadas.

Então, se pensarmos na grandeza de nosso país, e sua diversidade em diálogo direto com o que buscamos para identidade de nosso líquido sagrado, ainda há muito a ser feito. Seja no desenvolvimento de mercado, seja em identidade, impacto e transformação social.

Há muito a ser feito.

Diálogo a diálogo. Copo a copo. Olhar a olhar.

“Você não sente nem vê
Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
Que uma nova mudança em breve vai acontecer…”

Cheers!


Leandro Sequelle é morador do subdistrito do Grajaú, bairro no extremo sul de São Paulo, sendo idealizador da cervejaria social Graja Beer. É tido como referência na pauta diversidade dentro do mercado e atua junto à Abracerva na busca da ampliação das soluções referentes ao tema.

Diversidade de empresas de autosserviço mostra mercado maduro, avalia myTapp

Caixas de autoatendimento se tornaram, ao longo dos anos, um serviço comum ao cotidiano da população, abrindo o caminho que levou o autosserviço para diversas áreas e negócios. Um deles, o setor de bares, restaurantes e cervejarias, tem adotado cada vez mais o autosserviço de chope, que vem se consolidando como um nicho de mercado.

Essa foi uma das percepções da myTapp durante a sua participação na Brasil Brau. Mateus Bodanese, CEO da empresa de fornecimento de soluções em autosserviço de chope para bares, apontou a presença de diversas companhias que atuam no mesmo segmento durante a Feira Internacional de Tecnologia em Cerveja, como um sinal de amadurecimento desse tipo de funcionalidade.

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“Tinham quatro empresas que trabalhavam com autosserviço diretamente entre os expositores. Esse número está crescendo. Isso mostra que cada vez mais o mercado está maduro. Foi bom para nós, porque conseguimos mostrar nossos produtos”, comenta.

Para ele, porém, mais do que um aumento da concorrência, a existência de mais empresas de autosserviço de chope representa uma ampliação do mercado, com o atendimento de diferentes demandas do segmento cervejeiro.

“Entraram novas empresas que trabalham em locais onde tem uma menor quantidade de torneiras ou locais que não são especificamente para vender chope, mas que trabalham com autosserviço. Então, elas acabam, por exemplo, não concorrendo diretamente com a gente, porque atuam em mercados diferentes”, analisa Bodanese.

Presente à Brasil Brau, na São Paulo Expo, entre os dias 30 de maio e 1º de junho, a myTapp avalia que o fim do período sem feiras traz benefícios para a companhia pela retomada do contato direto com os atuais clientes, assim como pela possibilidade de diálogo com outras empresas, que buscam comparar soluções.

“Nossa presença nas feiras ajuda muito em duas frentes: pessoas que já trabalham com autosserviço e pessoas que estão entrando no mercado e querem conhecer novas oportunidades. E acabamos conseguindo nos apresentar ao vivo”, afirma, também destacando que a feira possibilitou escutar o público e conhecer novas demandas.

No caso da myTapp, a apresentação in loco ganha ainda mais relevância porque a sua atuação está concentrada no ambiente virtual. “Toda a nossa venda é feita de forma online, sendo toda remota. Então, [a feira] é quase uma oportunidade única para encontrar e conversar com bastante gente de forma presencial”, pontua o CEO.

Para a Brasil Brau deste ano, a empresa não levou nenhuma atualização de seu hardware, focando mais nos softwares. “A gente lançou agora a opção de adição de crédito por PIX, de forma automática. Primeiro a gente tem um chatbot no WhatsApp, com o número da myTapp e que ele [cliente] consegue mandar mensagem e adicionar crédito via PIX pelo WhatsApp”, explica.

Além disso, ainda há um site também voltado para o cliente da myTapp onde ele consegue entrar, escolher o seu crédito via PIX, o adicionando através do aplicativo da empresa.

A myTapp também está lançando soluções de CRM para ajudar os bares na gestão da base de clientes. Isso permitirá, por exemplo, fazer uma campanha de aniversariantes, assim como adicionar um bônus de forma automática ou enviar uma mensagem via WhatsApp. Há ainda uma plataforma para segmentar a base de clientes. “A gente está ajudando mais o dono do bar a se comunicar e ter ferramentas para gerir a base de clientes deles. Foi o que levamos para a feira e que o público gostou bastante”, conclui o CEO.

Com Djonga, Titãs e Alceu Valença, festival da Stannis agita SC no fim de semana

O feriado prolongado de Corpus Christi será de música e arte em Guaramirim. No sábado e no domingo (18 e 19), a cidade do interior catarinense receberá a primeira edição do Warren Stannis Festival (WSF), que contará com apresentações de grandes nomes da música brasileira, como Alceu Valença, Djonga e Titãs.

O Aeroparque Vale Europeu será o palco do evento, promovido pela cervejaria Stannis, de Jaraguá do Sul, em parceria com a Warren, uma plataforma de investimentos. No sábado, vão se apresentar Titãs, Ratos do Porão, Raimundos, Boom Boom Kid, Far From Alaska, Gabriel, o Pensador e Tropkillaz. E as atrações do domingo serão Vitor Kley, Djonga, Alceu Valença, Duda Beat, Dazaranha, Marina Sena e Seu Celso.

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Com essa escalação no festival, a Stannis espera, “criar momentos incríveis para a vida das pessoas”. “Seja em nossos pubs, taps, cervejaria, pontos de venda de parceiros e agora com o festival, queremos entregar o máximo da experiência Stannis, que é despertar o brilho nos olhos, criar memórias de momentos maravilhosos ao lado de quem a gente ama e, ao relembrar estes momentos no futuro, seja com fotos, vídeos ou mesmo lembrando deste dia na memória, pensar ‘putz, este dia foi louco’”, afirma Eric de Lima, coordenador de marketing da Stannis.

Para a marca, o festival está em consonância com a sua trajetória, pois a música e a arte têm moldado as ações desde a sua criação, quando o então músico Jorge Braier se uniu a Denis Torizani, que organizava eventos de música alternativa, criando a cervejaria do qual são sócios. Além disso, um dos rótulos mais conhecidos da marca, a St. Cecília, uma Belgian Quadrupel com cereja, leva o nome de uma conhecida música do Foo Fighters.

“A arte está presente em, literalmente, cada rótulo que produzimos. Cada uma das nossas cervejas leva a ilustração de algum artista para que elas se tornem verdadeiramente uma peça de arte, encantem não só pelo sabor, mas também no visual”, destaca Eric.

A Stannis também já havia promovido outros eventos, como o Insannis Fest, que teve a sua última edição em abril de 2019. “Rolavam shows, esportes insanos como cabo de guerra com chope, serra tronco (tipicamente alemã) e outras loucuras que a gente adora. Já rolou até um half de skate na cervejaria! Ah, e o pessoal do Bicicleta Sem Freio também fez um live painting durante um destes eventos nas paredes externas da cervejaria, obra que nos orgulhamos até hoje”, relembra o coordenador de marketing.

Agora, então, a Stannis deu um passo além, criando um festival de grande magnitude. E tirá-lo do papel foi possível a partir de uma parceria com a Warren. Essa união já havia rendido uma cerveja, a Mary Wells, uma Saison de hibisco com gengibre.

“O fermento que fez esse evento crescer (ou, poderia dizer, levedura) veio com a parceria da Warren, que surgiu em uma conversa despretensiosa entre o Denis e o Tito Gusmão [CEO da Warren], que compartilham deste amor pela música. Então a coisa cresceu (e muito!) com o WSF”, comenta.

Para a Stannis, realizar um festival de música e arte também representa uma nova etapa na sua trajetória, depois dos desafios encarados durante a pandemia e que forçaram a marca a se renovar. Após a eclosão da crise sanitária, passou a ter seu e-commerce, desenvolveu um clube de assinaturas e, assim como outras cervejarias, também apostou nos growlers.

Nesse fim de semana, com a realização do festival, a marca acredita que poderá começar a galgar novos passos e atingir mais consumidores. “Nosso trabalho de locação de chopeiras tem crescido constantemente, nossas vendas online também, ao ponto que mais e mais pessoas sabem da existência da Stannis. O WSF está ajudando nisso também, ele ajuda o beija-flor a voar ainda mais longe com nossas futuras franquias, um mundo de novas possibilidades. E será incrível apresentar tudo isso no festival”, conclui.

O Warren Stannis Festival tem ingressos a partir de R$ 200 para cada dia de evento, com o passaporte para sábado e domingo saindo a partir de R$ 340. A expectativa é de que Guaramirim, que tem 45 mil habitantes, receba visitantes de cidades do seu entorno, pois está a 25 quilômetros de Jaraguá do Sul, a 40km de Joinville e a 75km de Navegantes. Além disso, a distância para Curitiba é de 150km, ficando a 200km de Florianópolis.