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Indústria cervejeira aponta reaquecimento do setor e busca soluções para inflação

Após encarar as dificuldades impostas pela pandemia do coronavírus, que provocou uma crise financeira e desafiou a capacidade de resiliência de empresas e do setor cervejeiro, executivos exibem otimismo com o novo momento do segmento, visto como um período de reaquecimento, mesmo tendo que encarar algumas adversidades.

Com o abrandamento progressivo da pandemia, a recuperação do segmento começou a se concretizar no fim do ano passado e manteve a sua curva de crescimento em 2022. Embora a crise financeira afete uma parcela relevante da população, impactando na capacidade de consumo, as empresas do setor cervejeiro recuperaram a coragem e a segurança para voltar a realizar maiores investimentos com o reaquecimento dos negócios, como detectou a reportagem do Guia ao ouvir diversas empresas de diferentes áreas de atuação durante a realização da Brasil Brau.

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É o caso do diretor-executivo da BeerSales, Alam Corrêa, que vislumbra um futuro positivo. “Desde setembro do ano passado, temos visto o mercado cervejeiro começando a reagir. Então, isso também nos movimentou na empresa, nos dando mais confiança no mercado, até porque, durante a pandemia, também sentíamos a situação dos nossos clientes”, recorda o líder da empresa especializada no desenvolvimento de softwares para cervejarias e distribuidoras da bebida no Brasil. “Esse ano, estamos acreditando muito na retomada, principalmente de bares e pubs, um mercado que vem crescendo bastante e vejo como um grande canal que as cervejarias têm usado para rentabilizar os seus produtos”, completa.

Essa nova fase não vem sem novos desafios, pois tem sido acompanhada pela continuidade da inflação em níveis elevados. Mas a avaliação é de que a recuperação já se iniciou. “As coisas estão voltando ao normal. Muito lentamente ainda, mas a gente já vê uma luz no fim do túnel, percebe que as pequenas e médias cervejarias, que passaram por grandes dificuldades, já vêm retomando a produção”, ressalta Dario Occelli, CEO da Eureka Insumos Cervejeiros.

O empresário também projeta com confiança a segunda metade do ano no setor, embora reconheça que a conjuntura macroeconômica imponha dificuldades para alavancar o desenvolvimento. “O setor como um todo está vendo com bastante otimismo esse segundo semestre de 2022, e nós mesmos já sentimos nas vendas, nas importações que nós fazemos. A única coisa preocupante é a situação da inflação, que vem aumentando. E isso afeta diretamente o poder de consumo”, completa Occelli.

Thiago Chiumento, coordenador comercial da Agrária Malte, também tem boas perspectivas para os últimos seis meses do ano. Olhando o mercado das médias a grandes cervejarias, nós apostamos muito nesta retomada. Para o segundo semestre, apostamos em produtos que tragam algum diferencial para o mercado. A gente vê o crescimento de muito produtos zero álcool e produtos de especialização um pouco maiores. O público está mudando, o cliente quer um produto diferente, que tenha um custo atraente, relativamente interessante e que seja novidade”, destaca o executivo.

Para ele, a capacidade de inovar é importante em um cenário de inflação crescente. “Com os custos se elevando a cada dia que passa, a gente vê essas grandes indústrias tendo de se reinventar. Então, o atrativo que vai fazer a roda girar no segundo semestre é o de trazer produtos diferentes, com valor agregado diferente e atrativo para o cliente”, reforça.

Filipe Bortolini, sócio da Beer Business, também enxerga o reaquecimento do setor cervejeiro, mesmo que o ritmo de atividade ainda não tenha atingido os níveis pré-pandemia. “A gente está em um momento de retomada. Ainda não o mercado como era antes, mas a cada mês que passa está melhorando”, analisa o profissional, que reconhece os obstáculos impostos pela alta dos preços para quem decide começar a empreender.

É claro que com o alto custo dos insumos, com a inflação, acaba dificultando, principalmente para quem vai entrar no mercado e precisa fazer um investimento maior. Está tudo mais caro, mas a gente sabe que continuará vendo o mercado em expansão

Filipe Bortolini, sócio da Beer Business

Nesse cenário de desafios, a JT Instrumentação e Processos tem atuado sob novas diretrizes para reduzir o impacto da inflação e mesmo da oscilação da moeda, ainda mais que a empresa trabalha com um grande volume de produtos importados, como explica Eduardo Veloso, gerente de serviços da companhia especializada em soluções industriais para o segmento de bebidas e alimentos.

“Primeiro a gente conseguiu fazer um trabalho na parte de margem de lucro. Como trabalhamos muito com produtos importados, estamos remanejando a parte de logística, tentando fechar pacotes maiores na hora de importar produtos para conseguir reduzir os custos. Com isso, a gente está conseguindo uma boa redução, minimizando o aumento da inflação para o consumidor final”, explica.

Carol Troppmair, gerente administrativa da myTapp, empresa especializada em sistemas de autosserviço de chope no Brasil, admite que a pandemia, que provocou o fechamento de bares – e depois limitou o número de pessoas frequentando esses locais –, impactou os negócios da companhia. Porém, enfatiza que a myTapp voltou com força quando a crise sanitária se abrandou, o que culminou no reaquecimento do setor cervejeiro.

“Nossa retomada tem sido super forte, com mais clientes, maior faturamento, com mais torneiras de chope instaladas do que no período pré-pandemia. E os nossos clientes também estão vendendo mais do que vendiam antes. Alguns bares realmente não aguentaram porque foi bem pesado para todo mundo, mas a galera que sobreviveu, que conseguiu gerenciar direitinho o negócio na crise, está se dando bem, vendendo mais”.

Sócio da BierHeld, que oferece sistemas de gerenciamento para microcervejarias, Ewerton Miglioranza aponta que após um longo período de freio nos investimentos, já é possível detectar movimentações para abertura ou ampliação de cervejarias. “Teve muita gente que segurou planos de abrir cervejaria ou de aumentar (seus investimentos), mas a gente vê agora que o pessoal está aparecendo de novo”, revela.

Ederson Cavalin, diretor comercial das Chopeiras Memo, também reconhece que houve “retração muito grande”, de 35%, em sua empresa, no primeiro ano da crise sanitária. Porém, o executivo destaca que essa perda foi recuperada e a companhia depois cresceu 15%, fato que o faz projetar com otimismo o segundo semestre. “O mercado voltou com tudo e neste 2022 a gente colocou uma meta para que seja realmente o nosso ‘ano da virada’ e no qual estamos ajudando os nossos clientes”, diz.

Já a Zero Grau, empresa especializada em fabricar e comercializar máquinas e equipamentos para refrigeração, também vê um cenário mais estável após as dificuldades vividas durante os períodos críticos da pandemia, como destaca o seu gerente de marketing, Leandro Spaniol, embora reconheça que agora as empresas precisam saber lidar com a inflação para se manterem competitivas.

 “Eu sei que o mercado de cerveja sofreu, assim como tem muita gente que não está mais aqui. E tem muita gente querendo fazer essa retomada. Esse momento de inflação, é natural do mercado, então a gente tem de saber lidar com isso, levar na ponta do lápis, fazer continha”, receita o executivo.

Brasil Brau indica reaquecimento
Um sinal do reaquecimento do setor foi o sucesso da última edição da Brasil Brau. A Feira Internacional de Tecnologia em Cerveja, que voltou a ser realizada após três anos, teve 7 mil visitantes em três dias de evento, entre o fim de maio e o início de junho. Assim, gerou muitos negócios e movimentou receitas importantes para os seus participantes, entre eles os 113 expositores, que exibiram e promoveram produtos e serviços.

Jeferson Stamborowski, gerente de produtos da Sartorius, empresa que oferece sistemas de filtração para maximizar o processo de produção cervejeira, vê o aquecimento dos negócios, percebido durante a feira, como um indício importante de que o setor vive um período de expansão pós-crise.

A gente vê uma procura muito maior das crafts por novas tecnologias. A feira, de uma maneira geral, foi muito mais promissora do que há três anos, com um crescimento potencial muito forte para o mercado cervejeiro no que tange ao processo com o qual trabalhamos, que é o de filtração e purificação de cervejas

Jeferson Stamborowski, gerente de produtos da Sartorius

CBCA se funde com Startup Brewing, agrega Unicorn e passa a ter 3 fábricas

A Companhia Brasileira de Cerveja Artesanal realizou nova movimentação relevante no mercado. A CBCA anunciou a fusão com a Startup Brewing, a levando a contar com três unidades produtivas, pois agora a fábrica de Itupeva (SP) vai se somar com as de Pomerode (SC), onde está a Schornstein, e a de Piracicaba (SP), cidade da Leuven.  

Além dessas três fábricas, a CBCA também já contava com dois centros de distribuição, em São Paulo e Tijucas (SC).  Segundo o CEO da companhia, Gustavo Barreira, a capacidade produtiva da fábrica da Startup Brewing motivou a celebração do acordo, assim como as condições da unidade produtiva e a possibilidade de expansão em um cenário de crescimento do seu grupo cervejeiro.

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“Essas características vão ao encontro do que está previsto no plano de ações estratégicas da CBCA para o momento. Estamos crescendo acima de 50% ao ano nos últimos 24 meses e no final de 2021, já havíamos chegado no nosso limite de capacidade produtiva”, afirma o CEO.

Com as três unidades produtivas, a CBCA espera atingir R$ 70 milhões em faturamento já em 2022. Também existe a projeção de investimentos de R$ 7 milhões nos próximos três anos nas fábricas com o intuito de elevar a produção para 800 mil litros mensais.

Contar com uma segunda fábrica em solo paulista também ajudará a CBCA a reforçar a sua presença no Estado, como argumenta o seu CEO. “São Paulo tem um potencial enorme e, por isso, estamos reforçando nossa distribuição no estado, criando um corredor logístico que liga o oeste paulista à região de Campinas, capital e litoral. A Startup Brewing é a parceira ideal para fortalecer essa estratégia”, diz Gustavo.

Além de passar a contar com uma terceira fábrica, a CBCA também vai agregar a Unicorn ao seu portfólio, que já contava com as marcas Schornstein, Leuven, Seasons e The Drummer. “A união da CBCA fortalece nossa capacidade de expansão e nos permite acelerar o projeto da marca Unicorn, que desenvolvemos desde a fundação da cervejaria, em 2018”, afirma André Franken, um dos sócios fundadores da Startup Brewing.

A Unicorn foi criada em 2018 e tem, em seu portfólio, 15 cervejas, de acordo com descrição divulgada em seu site oficial. Traz rótulos estampados pela figura do excêntrico Mr. Unicorn, a personalidade da série de cervejas que é um empresário de sucesso e atua como um consultor pessoal do cenário das cervejas artesanais. IPA, Hop Lager e Witbier são as cervejas mais vendidas, seguidas por Premium Lager e Session IPA.

Mercado de bebidas alcoólicas se recupera em 2021 e atinge US$ 1,17 trilhão

O mercado global de bebidas alcoólicas se recuperou em 2021 e cresceu 17%, superando as perdas em valor que teve em 2020. Assim, atingiu US$ 1,17 trilhão (aproximadamente R$ 5,84 trilhões) no ano passado, de acordo com levantamento da International Wine and Spirits Research (IWSR). Porém, ainda não alcançou os níveis pré-pandemia em volume.

O trabalho, afinal, lembra que o volume de bebidas alcoólicas teve perdas de 6% em 2020, crescendo apenas 3% em 2021. Mas a avaliação é de que atingirá o estágio que antecedeu a pandemia em até dois anos.

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A IWSR analisa o mercado de bebidas de 160 países em seu estudo e aponta que a recuperação do recuo de 2020 veio mais rápido do que o esperado. E para que isso tenha ocorrido, ressalta o impacto de algumas tendências, como a maior procura por bebidas premium e com baixo teor alcoólico, além do crescimento do comércio eletrônico.

“O mercado se recuperou muito mais rapidamente do que o esperado e, em termos de valor, 2021 está agora acima de 2019. A premiumização continua inabalável; o comércio eletrônico de bebidas alcoólicas também continua crescendo, embora em ritmo mais moderado; e a tendência de moderação continua, com produtos sem/baixo teor de álcool apresentando crescimento contínuo a partir de uma base relativamente baixa”, afirma Mark Meek, CEO da IWSR Drinks Market Analysis.

O especialista pondera que o mercado de bebidas alcoólicas ainda encara diversos desafios em 2022, mas acredita que a expansão vai se manter ao longo dos próximos meses. “Apesar dos desafios atuais e futuros do setor – interrupções contínuas na cadeia de suprimentos, inflação, guerra na Ucrânia, lento retorno do mercado de turismo aos níveis anteriores a 2019 e política de zero Covid da China – as bebidas alcoólicas estão em uma posição forte”, diz.

Onde a cerveja cresce
O trabalho também aponta que a cerveja apresentou forte recuperação em vários mercados após o fim das restrições em função da Covid-19, prevendo que agregue valor significativo ao mercado de bebidas alcoólicas ao longo dos próximos cinco anos, especialmente nas regiões Ásia-Pacífico e na África, que juntas devem acrescentar cerca de US$ 20 bilhões (R$ 100 bilhões) à categoria de até 2026.

“O crescimento contínuo do volume será visto no Brasil; a forte recuperação no México e na Colômbia, iniciada no ano passado, continuará; e haverá alguma recuperação na China”, acrescenta a IWSR.

De acordo com o trabalho, a categoria de bebidas sem álcool ou com baixo teor alcoólico cresceu mais de 10% no ano passado e vai prosseguir em expansão nos próximos anos, ponderando que o resultado de 2021 teve grande influência do segmento de destilados sem álcool no Reino Unido.

Além disso, prevê que a cerveja sem álcool crescerá em importância nesse setor. “Olhando para o futuro, a cerveja sem álcool/com baixo teor adicionará o maior volume ao número global nos próximos cinco anos”, afirma.

Schornstein reforça elo com Pomerode ao voltar a fazer festival na cidade em julho

A cultura, a cerveja e a gastronomia, reunidas em um único evento, estão de volta ao calendário de Pomerode. Marca que se orgulha de carregar as características e a tradição da cidade catarinense em sua trajetória, a Schornstein vai realizar mais uma edição do Schornstein Festival nos dias 2 e 3 de julho.

O evento volta a ocorrer após um hiato de três anos, em função da pandemia do coronavírus. E a sua realização marca a consolidação de uma nova etapa da Schornstein, pois acontece pela primeira vez desde a oficialização da entrada na Companhia Brasileira de Cerveja Artesanal (CBCA), ocorrida em julho de 2019, quando uniu forças com a Leuven.

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Desde então, não só a CBCA cresceu, passando a agregar outras marcas, como a Seasons e a The Drummer, como a Schornstein, hoje presente em 2 mil pontos de venda, também ampliou a sua participação, incluindo a presença nos eventos, a ponto de ter sido a cerveja artesanal oficial da edição da Oktoberfest de São Paulo, no ano passado.

Agora, então, as festividades da Schornstein voltam para a sua casa, reforçando o laço da marca com Pomerode. “O Schornstein Festival é uma celebração da cerveja artesanal, da Schornstein e do público de Pomerode, que foi o primeiro a receber e disseminar a cerveja com alma. Para nós, é uma oportunidade de estar perto do público da cidade, da região e de agradecer por isso”, afirma Karin Barreira, chefe de marketing da CBCA. “Os eventos proporcionam uma oportunidade de contato direto com o público, levando conhecimento e cultura cervejeira. Isso é muito importante para a marca”, acrescenta.

O Schornstein Festival acontecerá no centro histórico de Pomerode, na rua em frente à fábrica e ao bar oficial da marca. E o acesso ao evento é gratuito. O line-up do Schornstein Festival, dedicado especialmente ao rock, terá mais de dez atrações musicais, entre apresentações musicais e de DJs. Os participantes ainda serão confirmados, mas a marca adiantou, ao Guia, as participações das bandas Headcutters (blues) e Black Sheep (country rock).  Além disso, haverá opções gastronômicas especiais para harmonizar com as cervejas da marca.

“Nós teremos uma estrutura que se adaptou ao contexto no Centro Histórico de Pomerode, que tem novos empreendimentos. O que diferencia o evento em relação às demais agendas da região é uma identidade mais conectada aos festivais de música e ao rock n’roll, à gastronomia (o próprio Kneipe, bar da fábrica, estará com cardápio especial para o festival, com novidades), além de conseguir integrar os lojistas do Passeio Pomerano, que ficam dentro do festival, com maravilhosos doces, cafés especiais e muitas opções de artesanato e presenteáveis”, relata a chefe de marketing da CBCA.

A realização do Schornstein Festival também marca a celebração do aniversário de 16 anos da marca, uma das pioneiras no mercado de cervejas artesanais no Brasil.

“Vale lembrar que, há 16 anos, quando a cervejaria foi fundada, o mercado da cerveja artesanal era muito diferente; o público não tinha tanto acesso ou conhecimento sobre o produto e, em Pomerode, a Schornstein teve um apoio imediato, e dada a qualidade e drinkabilty desde sempre de suas receitas, crescemos Brasil afora. Nós sempre celebraremos isso”, conclui Karin.

Balcão do Tributarista: 149 dias de trabalho para o pagamento de tributos

Balcão do Tributarista: 149 dias de trabalho para o pagamento de tributos

Segundo estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), repetindo a marca de 2021, os contribuintes brasileiros precisaram neste ano trabalhar 149 dias apenas para o pagamento dos tributos. Quer dizer, até 29 de maio o trabalho dos brasileiros foi inteiramente para cobrir os impostos, taxas e contribuições exigidos pelos governos federal, estaduais e municipais.

E não bastasse o elevado custo com os tributos em si, os brasileiros ainda precisam enfrentar um “carnaval tributário”, como denominou o tributarista Alfredo Augusto Becker. Isto porque o Poder Legislativo parece querer acompanhar todas as mudanças sociais através da elaboração de novas leis. Essa inflação legislativa, embora possa até ter louváveis intenções, acaba por levar a um estado caótico. Não raras vezes, é extremamente difícil identificar a norma aplicável a determinado caso ou situação, o que mina o sistema da necessária simplicidade e transparência.

Em outro estudo, também do prestigiado IBPT, foi demonstrado que foram editadas 363 mil normas tributárias desde a Constituição de 1988 até setembro de 2016. Isso significa dizer que o Brasil produziu 45 novas normas jurídicas referentes ao sistema tributário a cada dia útil.

Este elevado custo tributário, que engloba tanto os valores que são necessariamente dispendidos para o pagamento dos tributos, quanto a complexidade para sua correta apuração, acaba muitas vezes gerando um passivo tributário. Contribuintes acabam não tendo condições financeiras ou mesmo técnicas de recolher os tributos de forma correta, seja pelo elevado valor, seja pela complexidade exigida para tal.

No entanto, é preciso que os contribuintes estejam o mais preparados possível para evitar equívocos no recolhimento de seus tributos, principalmente porque um simples erro de apuração pode ensejar a aplicação de multas e outras sanções que irão agravar ainda mais a situação. Aliás, é interessante ter em mente que anualmente a Receita Federal divulga um documento chamado Plano Anual de Fiscalização, onde detalha as atividades e situações que estarão no foco central da atividade fiscalizatória. Este ano, ações como omissão de receitas nas vendas de mercadorias, reorganizações societárias e empresas optantes do Simples Nacional, bem como empresas do ramo de bebidas, foram incluídas no Plano de Fiscalização.

Portanto, diante do peso e complexidade da carga tributária brasileira, e ainda mais que o ramo de bebidas foi expressamente incluído no Plano de Fiscalização da Receita Federal, ganha relevo a necessidade de que as cervejarias estejam atentas à forma como apuram e recolhem seus tributos. Uma boa organização societária e tributária podem ser fatores decisivos para sobrevivência em um mercado de alta competitividade e pesado custo tributário.


Clairton Kubaszwski Gama é advogado, sócio do escritório Kubaszwski Gama Advogados Associados, especialista em Direito Tributário pelo IBET e mestrando em Direito pela UFRGS. Também é cervejeiro caseiro.

Bares esperam incremento de 30% na receita no Dia dos Namorados; Confira opções

Depois de dois anos sendo celebrado em meio a muitas restrições, o Dia dos Namorados, data oficialmente comemorada neste domingo, 12 de junho, desperta a expectativa de alta no faturamento de bares e restaurantes, assim como do setor cervejeiro, com a preparação de produtos e eventos especiais.

De acordo com levantamento realizado pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), a receita dos estabelecimentos de alimentação fora do lar deve crescer, em média, 30% em relação ao Dia dos Namorados de 2021. Além disso, há a aposta em um aumento de 20% na comparação com o período pré-pandemia.

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De acordo com a Abrasel, o índice de crescimento do faturamento no Dia dos Namorados pode ser ainda maior em algumas localidades, como em São Paulo, onde se estima um incremento de 50% em relação a 2021. A alta deve ser, ainda, de 25% no Sudeste e no Sul, ficando em 30% no Centro-Oeste.

As estimativas positivas da Abrasel têm algumas razões. E uma delas envolve o dia da semana. Celebrado em um domingo, o Dia dos Namorados provocou nos bares e restaurantes a expectativa de que as comemorações não se resumam a um dia, se prolongando ao longo de todo o fim de semana.

“A data sempre foi a mais importante para os bares e restaurantes. Desde o café da manhã até o jantar, a expectativa para o final de semana dos namorados está alta em todo país”, diz o presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci. “Segundo a última pesquisa da Abrasel, muitos estabelecimentos não têm conseguido repassar integralmente para o cardápio o aumento de custos. Cerca de 33% não estão conseguindo reajustar o menu e 45% dos bares e restaurantes fizeram reajustes abaixo da inflação média, o que atrai ainda mais o consumidor”, completa.

Opções para a data
Para aproveitar o período de celebração do Dia dos Namorados, cervejarias buscaram incrementar as atrações. A Nacional, que tem unidades em São Paulo nos bairros Pinheiros e Tatuapé, criou uma bebida especial para acompanhar a Domina Weiss. É a Poção do Amor, uma receita afrodisíaca preparada com frutas vermelhas, entre elas romã e morangos, e servida em um tubo de ensaio. A dupla será vendida no valor de R$ 33, no salão.

No delivery, a Nacional oferece combos temáticos, como Casal Verão o Ano Todo, com Pilsen e Weiss (R$ 44,32); Casal Grude, com dois growlers de Kurupira (R$ 47,15); Casal Amantes de Mula, com dois litros de Mula Ipa (R$ 55,80), Casal Aventureiro, com IPA Cacau e IPA Café (R$ 54,40) e o Casal IpaCondríaco, com o rótulo sazonal Queen Beea Imperial IPA (R$ 70,30).

Com espaços no bairro Prado, em Belo Horizonte, e em Contagem, na região metropolitana da capital mineira, a Cervejaria Artéza terá um menu especial para os namorados nas suas unidades. A entradinha de cortesia será fondue de queijo, tendo como prato principal o jarret suíno, que é a panturrilha de porco, com mandioca na manteiga de garrafa. De sobremesa, petit gateau.

Já o Esconderijo, bar da Juan Caloto em São Paulo, oferece, desde sexta-feira, dois combos: um couple shot e uma “prova de amor”, que são dois aperitivos servidos na casa: um com gengibre e cachaça que acompanha alho confitado no mel (comestível), e o rollmop, uma sardinha enrolada na cebola. Os casais que degustarem os aperitivos e, em seguida, derem um beijo serão premiados com um pint de pilsen cada um.

Menu Degustação: Crowdfunding do IPA Day, reciclagem da Corona…

O mês de junho começou no setor cervejeiro com uma iniciativa para viabilizar um conhecido evento, o IPA Day, que voltará a acontecer em 2022, em duas edições, mas que precisa arrecadar fundos para ter continuidade e abriu um crowdfunding com essa intenção. Já em busca de um mundo mais sustentável, a Corona prometeu reciclar uma garrafa de plástico para cada long neck vendida.

Os eventos cervejeiros, por sua vez, continuam em alta. A Landel, por exemplo, realizará um growler day de temática junina neste fim de semana, enquanto Beck’s e Hoegaarden têm festivais passando por diversas cidades brasileiras. E o concurso Eisenbahn Mestre Cervejeiro definiu os finalistas.

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Confira estes e outras ações dentro do setor no Menu Degustação do Guia:

Crowdfunding do IPA Day
Criado em 2012, o festival IPA Day Brasil ajudou a consolidar a India Pale Ale como uma das cervejas preferidas entre os amantes das artesanais. A pandemia, entretanto, interrompeu o ciclo de expansão. Para se recompor, o IPA Day lançou um crowdfunding para reequilibrar as contas e garantir eventos futuros. Mas as edições de 2022 estão confirmadas. Em 6 de agosto, a festa acontecerá na cervejaria Tarantino, em São Paulo. Já em 12 de novembro a edição nacional, o IPA Day Brasil, será realizada em Ribeirão Preto.

Growler Day junino da Landel
Neste sábado, a partir das 11 horas, a tap house da Landel, no bairro do Taquaral, em Campinas (SP), vai se transformar em “arraiá”, com comes típicos e uma cerveja preparada especialmente para a data: a Anarriê, uma Herb and Spice Beer, com 5% de teor alcóolico. Além dela, as torneiras estarão abastecidas com outros nove chopes frescos. No happy hour estendido – até 17h –, a cada dois chopes, o cliente ganha um do mesmo tamanho.

Avós ocupa locais históricos de São Paulo
A Avós se tornou a cerveja artesanal oficial do Pavilhão Pacaembu, em São Paulo. Para brindar sua recente chegada ao local, apresentou a Avó que Dibra, uma Bohemian Pilsner com 4.8% de teor alcoólico. A receita faz reverência às mulheres que promoveram o Jogo das Vedetes no estádio, em 1959, driblando a lei que proibia partidas de futebol feminino até então.

Reciclagem da Corona
A Corona anunciou que para cada long neck vendida no Brasil, a marca vai reciclar o equivalente a uma garrafa de plástico, em ação para fortalecer a luta contra a poluição plástica e a favor da preservação dos oceanos. Serão destinados ainda recursos para que mais de 5 mil toneladas de plástico – o que representaria mais de 287 milhões de garrafas descartáveis de 500ml – sejam recicladas. Para anunciar essa iniciativa, a marca criou uma intervenção artística na praia de São Conrado, no Rio, escrevendo em letras gigantes a mensagem “imagine um mundo sem plástico”. Foram usados cerca de 400 quilos de plástico recolhidos durante limpezas de praia na cidade. A intervenção foi assinada pelo artista e designer de upcycling Davi Rezende.

Finalistas de concurso
O concurso Eisenbahn Mestre Cervejeiro definiu os finalistas da sua 12ª edição: Gabriel Portela Paulo, de Jacareí (SP), e Fabiano Ferreira da Cruz, de Xaxim (SC). Eles foram determinados após análise das brassagens de German Pils, estilo tema deste ano, pela equipe de mestres cervejeiros do Instituto da Cerveja Brasil (ICB) juntamente com Juliano Mendes (fundador da Eisenbahn), seguido por uma segunda fase com aulas no ICB. A grande final acontecerá em julho, em Blumenau (SC).

Festival da Hoegaarden
O circuito Brunch Gaarden, apresentado pela Hoegaarden, terá 17 dias de evento, de 24 de junho a 10 de julho, reunindo mais de 35 restaurantes de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, englobando casas que irão disponibilizar pratos exclusivos, em opção à la carte, oferecendo três sugestões de seus menus e que poderão ser desfrutadas durante todo o dia.  Ao pedir um dos itens do cardápio, os clientes ganham uma Hoegaarden ou um coquetel feito com a Witbier como welcome drink.

Festival de música da Beck´s
A Beck´s iniciou a realização do Festival Urbeck’s com oito festas espalhadas por seis cidades do Brasil (São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Salvador e Porto Alegre). Neste fim de semana, desta sexta-feira até o domingo (10 a 12), a festa será no Rio, no Planetário da Gávea. O line-up conta com atrações como Fernanda Abreu e Millos Kaiser, Carlos do Complexo, Festa Selvagem, Carola, Larissa Jennings, Só Track Boa e exposições de artistas, como Elian Almeida, Jota Explícito, Raphael Cruz, Rafa Moreira e Marcela Cantuário.

Expansão de programa
A Ambev resolveu se juntar com sua operação na Argentina – a Quilmes – para expandir o Além, seu programa de cocriação de novos negócios. Neste ano, startups de toda América do Sul podem participar da terceira edição do programa, que as conecta com as áreas de negócios da companhia para que elas criem, em conjunto, soluções para além da Ambev. São elegíveis a participar do programa startups de todas as verticais que estão em fase de tração e escala e possuem solução pronta, já validada no mercado. As interessadas poderão se candidatar até 28 de junho.

Banco de jurados
O Science of Beer, organizador da Brasil Beer Cup, abre oportunidade a profissionais atuantes no segmento para serem juízes em um concurso internacional. Os candidatos a jurados devem comprovar sua experiência através da submissão de currículo e de três cartas de apresentação assinadas por profissionais reconhecidos no segmento cervejeiro de seu país. A cada edição do concurso, a organização recebe pedidos de interessados em fazer parte do corpo de juízes. Assim, o Science of Beer decidiu criar um banco reserva de profissionais que podem ser convidados a compor o júri do concurso em próximas edições. O formulário pode ser acessado no link.

Ação que apoia retificação de nomes causa impactos além do ecossistema cervejeiro

João, Maria, Luiz Eduardo, Ana Carolina… Simples ou composto, comum ou diferente, o fato é que, apesar de os nomes próprios serem tantos, cada um carrega a sua singularidade por ser a identificação de uma pessoa perante a sociedade.

O impacto dos nomes no convívio social de um indivíduo está estabelecido pelo Código Civil, apontando que toda pessoa precisa ter um, estando nele compreendidos o prenome e o sobrenome, que geralmente são definidos no registro da certidão de nascimento.

Entretanto, imagine uma pessoa transgênero que começou sua hormonização e tem barba, mas nos documentos ainda carrega um nome atrelado ao gênero feminino. Se ela precisar apresentar seu documento para entrar em um estabelecimento, essa situação poderá causar questionamentos, transfobia e desconforto.

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Foi pensando nisso que a Ambev criou o projeto “Me chame pelo meu nome (e pronome também)”, que apoia pessoas trans e travestis da companhia no processo de retificação de seus nomes. “Nosso objetivo é ajudar nosso time de colaboradores trans e travestis a se sentir cada vez mais incluídos dentro e fora da Ambev”, pontua a companhia.

Entendendo as questões burocráticas que englobam a alteração de nomes, a Ambev chamou um advogado especializado no tema para ajudar os colaboradores nesse processo. “Basta o funcionário enviar um e-mail para seu respectivo gestor que a equipe responsável de D&I (diversidade e inclusão) entrará em contato com o advogado, iniciará o processo e arcará com todos os custos envolvidos”, destaca a empresa.

A ação se soma a outros programas internos da Ambev para ajudar a combater homofobia, transfobia, machismo, racismo e a objetificação da mulher dentro do seu ecossistema. “Acreditamos que um ambiente diverso faz com que as pessoas se sintam mais confiantes para propor novas ideias e estimular a inovação e criatividade, resultando na qualidade das decisões tomadas”.

Em 2016, para reforçar seu compromisso com a causa LGBTQIAP+, a companhia aderiu ao Fórum de Empresas e Direitos LGBTQ+. Também criou o LAGER, grupo de afinidade para todos os membros da comunidade LGBTQIAP+ poderem discutir as melhores práticas de inclusão para que se sintam cada vez mais à vontade para se expressar da maneira que quiserem.

O projeto “Me chame pelo meu nome (e pronome também!)” é mais uma iniciativa dentro desse guarda-chuva de diversidade e inclusão criado para apoiar os mais de 120 colaboradores trans que estão distribuídos em diferentes níveis dentro da companhia.

Me chame de Issabela
Issabela Alves Reis, trans, de 25 anos, é formada em gestão de recursos humanos pelo Instituto Federal de São Paulo (IFSP), e atualmente atua na Ambev como analista de gente e gestão. Ela conta que o nome antigo a afetava negativamente. “Eu não era lida conforme meu gênero. As pessoas associam nome ao gênero e isso não é correto”, afirma.

A retificação do nome de Issabela está acontecendo a partir da ação “Me chame pelo meu nome”. Antes, ela já havia pesquisado formas de mudar de nome, processo que planejava dar início neste ano. “Poder escolher como quero ser chamada me trouxe mais autonomia para ser quem eu quiser ser. O processo está em andamento. Estou aguardando atualização do advogado responsável pela ação”, destaca a analista.

“Como empresa, é um movimento muito humano e empático com nossa existência sendo pessoas trans [a realização da ação], e no Brasil é um movimento para provocar a mudança de comportamento, pois as pessoas que estão na Ambev vão compartilhar essas notícias de forma a conscientizar outras”, completa.

Muito além da companhia
Para que pessoas em situação de vulnerabilidade também possam realizar a mudança de nomes, a Ambev fará ainda uma doação proporcional ao valor investido em seus colaboradores à Casa Neon Cunha, ONG de acolhimento às pessoas da comunidade LGBTQIA+.

A Casa Neon Cunha promove a autonomia da comunidade LGBTQIA+, apoiando sobretudo a população trans com atividades de formação, qualificação, acolhimento e distribuição de cestas básicas.

Além disso, a companhia destaca a consciência de o quão importante é para as pessoas trans e travestis serem chamadas pelo nome e pronome que escolheram. “Afinal, isso é um direito básico atribuído a todas as pessoas, algo importantíssimo para a construção da identidade e dignidade do ser humano, e que, junto com a aparência, nos identifica e diferencia das outras pessoas, nos tornando únicos”.

Junto com o programa, a Ambev lançou um guia com conteúdo especialmente pensado para apoiar a jornada da população trans e travesti dentro de seu ecossistema. “A conclusão que fica é que precisamos, cada vez mais, olhar com atenção para as pessoas, entender suas individualidades e pensar em ações de inclusão que tragam essas pessoas para perto do jeito que elas são, pois só assim conseguiremos construirmos um futuro com mais razões para todos nós brindarmos”, completa.

O que diz a lei?
Em 2018, o Supremo Tribunal Federal reconheceu que pessoas trans podem alterar o nome e o sexo no registro civil sem a necessidade de realização de cirurgia de transgenitalização ou decisão judicial. De acordo com a lei, quem deseja fazer a retificação de nome poderá se dirigir diretamente a um cartório para solicitar a mudança. Ainda é preciso ter 18 anos ou mais para poder trocar de gênero nos documentos. Menores de idade, mesmo com autorização dos pais, precisam entrar com um processo judicial.

Outra alternativa para pessoas trans com menos de 18 anos que desejam trocar de nome é utilizar o nome social, que pode ser inserido no RG e deve ser respeitado em escolas, hospitais e outras instituições. Para isso, um caminho pode ser contar com o auxílio do Poupatrans, um coletivo de São Paulo, iniciativa de três mulheres trans comprometidas com o direito de pessoas trans ao reconhecimento de seu nome e identidade através do processo de retificação.

Com um portal dedicado ao tema, o Poupatrans esclarece ainda a diferença entre nome social e retificação de nome e formas de obtê-los. O primeiro não muda o nome escrito na certidão de nascimento e é uma política que permite às pessoas trans utilizarem os nomes pelos quais se identificam em diferentes instituições, como escolas e serviços de saúde.

Já o segundo permite a retificação de prenome e/ou gênero através de um procedimento administrativo nos documentos pessoais, substituindo o nome registrado na certidão de nascimento por aquele que a pessoa se identifica.

Para quem busca mais compreensão e caminhos para a tão sonhada retificação de nome, o coletivo elaborou uma cartilha que favorece o direito de retificação do nome e/ou do gênero em documentos oficiais de identificação e que está disponível gratuitamente em seu portal.

Preço da cerveja tem alta de 0,44% e repete ritmo do IPCA em maio

O preço da cerveja registrou aumento médio de 0,44% em maio, mantendo a tendência de alta no ano, além de ter um ritmo parecido ao da inflação oficial, o IPCA. Afinal, o índice geral terminou o mês passado com alta de de 0,47%, de acordo com os dados divulgados pelo IBGE.

A variação mensal de 0,44% foi constatada para a cerveja no domicílio, vendida em supermercados ou redes varejistas, enquanto o custo desta bebida fora do domicílio, comercializada em locais como bares e restaurantes, teve elevação média de 0,36% no mês passado.

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Em abril, o preço da cerveja havia contabilizado uma subida de 0,36% e descolado da alta histórica do IPCA, que foi de 1,06%, a maior para este mês do ano desde 1996. Agora, porém, repete o comportamento da inflação brasileira.

Neste panorama, no acumulado do ano, o valor da cerveja comprada em estabelecimentos como supermercados aumentou 2,17% e subiu 2,20% em estabelecimentos como bares e restaurantes. Já no amontoado dos últimos 12 meses, a bebida soma expressivas altas de 9,38% e 5,22% nas mesmas ocasiões de aquisição, respectivamente.

Já o preço médio de outras bebidas alcoólicas registrou elevações importantes em maio, sendo de 1,66% no domicílio e de 1,04% fora dele. E desde janeiro deste ano, a subida já é de 14,10% e 4,80% nestas respectivas condições de compra. Estes dois índices superam, inclusive, os encarecimentos de 8,60% nos lares e de 3,27% fora deles constatados para este item de consumo no período dos últimos 12 meses.

Um dos principais destaques negativos da inflação de abril divulgada pelo IBGE, o tópico Alimentação e Bebidas sofreu variação mensal de 0,48% em maio, uma queda significativa em relação ao índice do mês anterior, quando havia contabilizado uma alta de 2,06%. No acumulado do ano, porém, este item já soma 7,56% de aumento, sendo que a elevação no período dos últimos 12 meses é de 13,51%.

Pedro Kislanov, gerente desta pesquisa do IPCA, explica que a boa redução constada no custo de alimentos e bebidas em maio se deveu principalmente à diminuição dos preços de alguns produtos que estavam muito caros, como o tomate (-23,72%), a cenoura (-24,07%) e a batata-inglesa (-3,94%).

“Agora começamos o período de outono-inverno, que é mais seco e permite aumentar a oferta de alimentos e reduzir os preços. Outro fator é que os preços de alguns alimentos, como a cenoura (116,37% em 12 meses), subiram muito, o que faz com que a base de comparação seja muito alta. Já o preço do leite continua subindo, devido ao período de entressafra, com pastagens mais secas, e à inflação de custos com a elevação dos preços de commodities como milho e soja, usadas na ração animal”, esclarece.

Oito dos nove grupos de produtos e serviços investigados pelo instituto de pesquisa registraram alta nos preços em maio. A maior variação foi constatada no custo com vestuário, que subiu 2,11%. O item Transportes, que ficou 1,34% mais caro, se posicionou como outro vilão da inflação. E o único grupo que teve queda nos seus valores foi o de habitação, com redução de 1,70%.

O IBGE também enfatiza que o aumento dos preços das passagens áreas foi o principal fator que influenciou para o índice geral da inflação ser de 0,47% em maio, após a variação ter sido de 0,83% no mesmo mês de 2021. No ano, a alta acumulada do IPCA é de 4,78% e, no amontado dos últimos 12 meses, de 11,73%, sendo superior aos 9,38% da cerveja no domicílio.

“Vale fazer uma ressalva de que a coleta das passagens aéreas é feita dois meses antes. Neste caso, os preços das passagens aéreas foram coletados em março para viagens que seriam realizadas em maio. A alta deve-se a dois fatores: elevação dos custos devido ao aumento nos preços dos combustíveis; e pressão de demanda, com o aumento do consumo, após um período de demanda reprimida por serviços, especialmente aqueles prestados às famílias. Isso impacta, também, alimentação fora do domicílio e itens de cuidados pessoais”, explica o gerente Pedro Kislanov.

Entrevista: “Há uma demanda reprimida por livros técnicos sobre cerveja no Brasil”

Terceiro país que mais consome cerveja no mundo, o Brasil ainda sofre com a escassez de livros técnicos que abordem essa temática e sejam produzidos por autores locais. A constatação vem de um autor de uma obra sobre o assunto, o professor Alfredo Muxel, que trabalha na unidade de Blumenau da Universidade Federal de Santa Catarina.

Atuante por lá e participante de grupos de pesquisas, ele aproveitou o recolhimento provocado pela pandemia do coronavírus para escrever “Química da Cerveja – Uma abordagem química e bioquímica das matérias-primas, processo de produção e da composição dos compostos de sabores da cerveja”.

Confira o Guia Talks com Alfredo Muxel

A obra é tema de mais uma edição do Guia Talks, com Muxel revelando que a percepção da falta de livros técnicos sobre cerveja esteve entre as razões que motivaram a sua produção. E ele usa a grande demanda surgida desde o lançamento da sua obra como referencial para diagnosticar a escassez desse tipo de publicação.

Na entrevista, Muxel também revela os avanços em trabalhos de pesquisa envolvendo leveduras e lúpulo no Brasil, apostando que, em breve, novidades chegarão ao mercado e poderão ser percebidas, inclusive, pelo consumidor.

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Confira os principais trechos do Guia Talks com Alfredo Muxel:

O que motivou a escrever o livro “Química da Cerveja”?
Primeiramente, uma motivação pessoal. Sempre fui muito estudioso sobre a cerveja, buscava informações e artigos. Então, eu tenho esse interesse por conhecimento. E isso me trouxe um incômodo porque a gente não tinha um livro técnico nacional, com conhecimentos sobre ingredientes e produção. Eu leciono na universidade uma disciplina que se chama Fundamentos de Produção de Cerveja e não conseguia oferecer aos alunos um livro-texto que pudesse servir de base para os estudos.  E isso também foi uma motivação. Eu também ofereço cursos na universidade e recebo muita gente, desde o principiante até o pessoal que trabalha no nas cervejarias da região. E quando eles vêm participar do curso, muitas das dúvidas são recorrentes e repetitivas. Eu os respondo, mas não tinha um material em português para embasar. E o fator preponderante foi a pandemia. Acabei ficando em casa e tive que procurar uma ocupação para poder passar esse período. E aí comecei a escrever. Foi assim que surgiu o livro.

Quais são os temas abordados no livro?
O livro tem 350 páginas, sendo dividido em cinco partes, com 11 capítulos, além de dois apêndices. Todo o conteúdo passou por um comitê científico, por ser um livro técnico. A primeira parte é sobre os ingredientes utilizados na produção, como adjuntos, lúpulo e água, com a discussão dos conceitos químicos. A segunda parte tem foco na levedura e, principalmente, nos processos bioquímicos associados ao seu metabolismo. A terceira parte é dedicada a descrever o processo de produção e a influência na composição do mosto cervejeiro. A quarta parte é focada na fermentação e maturação da cerveja. E a quinta parte aborda a composição química da cerveja e como isso acaba influenciando nos sabores que a cerveja tem. E, para finalizar, temos os processos químicos que estão envolvidos no envelhecimento da cerveja. Além disso, Cada parágrafo traz a referência de onde foi retirado esse conteúdo. Então, a pessoa pode pegar a referência para se aprofundar ainda mais sobre o tema.

Qual é o público-alvo do seu livro?
Essa é uma preocupação que eu sempre tive: quem seria o meu público. A pessoa que tem conhecimento básico sobre ciências e pegar esse livro, vai compreender certas partes. Quem tem conhecimento um pouco maior sobre ciências como química e biologia, vai ter uma compreensão melhor do livro. E quem tem um conhecimento aprofundado em química e biologia, produz a sua cerveja, possui uma indústria ou trabalha com sommelieria, consegue se aprofundar ainda mais nos conteúdos. Então, quanto melhor for a base, mais vai tirar proveito. Mas ele foi escrito para desde o cervejeiro iniciante ou aquele curioso que quer ter uma compreensão, até uma pessoa que é estudiosa, que deseja se aprofundar mais em algum tema.

Você comentou sobre a escassez de livros técnicos sobre cerveja no Brasil. Qual é a importância para o mercado de se ter mais obras desse tipo?

Os nossos cervejeiros estão muito carentes por material desse tipo. Prova disso é que quando o meu livro foi publicado, a editora não deu conta de produzir, houve até atraso na entrega. Toda essa demanda reprimida estava esperando por um material desse tipo e foi atrás. Surpreendeu a editora. Isso foi legal, porque mostra que tem público que consome esse tipo de material e serve de incentivo. Quando a gente tem um livro escrito na nossa língua, que usa os nossos termos, faz a diferença. Nos apegamos e isso facilita o aprendizado. O mercado precisa de mais material técnico.

Além de professor e, agora, autor de livros técnicos com a temática da cerveja, o senhor está envolvido em alguns grupos de pesquisa. Quais as temáticas têm sido mais abordadas nesses trabalhos sobre ciência cervejeira?
Eu estou vendo muitos projetos relacionados ao tema com projetos de financiamento público a fundo perdido como o Programa Centelha, que dá toda uma estrutura para o projeto, contribuindo para que depois se tornem empresas. E tem muito projeto bacana, bem estruturado. Tem duas vertentes. A primeira delas é relacionada com a regionalização da levedura cervejeira, que está inserida em uma região. A outra vertente que estou vendo envolve a produção de lúpulo nacional, com várias tecnologias surgindo.

E o que poderemos ter de novidade envolvendo as leveduras?
Pelo que vejo, a nossa próxima evolução tecnológica sobre cerveja no Brasil vai sair de um desses programas. Já pensou a gente poder tomar uma cerveja que foi produzida com levedura de uma planta do cerrado? Qual será o sabor? Eu acho que vai ter muita cerveja produzida com leveduras regionais, a gente vai poder verificar qual característica que aquele microrganismo vai produzir.

Quais são os assuntos mais abordados nesses trabalhos envolvendo o lúpulo?
Quando eu escrevi o livro, citei algumas pesquisas relacionadas ao lúpulo no Brasil. E quando eu fiz a busca bibliográfica, haviam poucos artigos científicos relacionados ao tema. Nesse sentido, os projetos que eu estou vendo surgir estão muito relacionados à tecnologia, que pode ser associada à plantação, suprindo essa dificuldade de desenvolvimento na nossa região. Mas tendo a tecnologia, é possível desenvolver. Existem propostas para suprir a dificuldade da iluminação. E, é claro, o desenvolvimento de novas variedades. A gente está no caminho, tem espaço para crescer.