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Sapporo adquire Stone Brewing nos EUA; Entenda razões e impacto do negócio

Em uma histórica movimentação dentro do mercado cervejeiro dos Estados Unidos, a Sapporo USA anunciou a aquisição da Stone Brewing, icônica marca de artesanais californiana. O acordo, avaliado em cerca de US$ 165 milhões (aproximadamente R$ 863 milhões) e com potencial para pagamentos adicionais a depender do desempenho dos negócios, deve ser concluído em agosto.

A Sapporo é a marca de cerveja asiática mais vendida nos Estados Unidos e a 27ª maior do mundo, de acordo com levantamento da BarthHaas. Já a Stone Brewing, fundada em 1996, é a nona maior cervejaria artesanal dos EUA, segundo dados da Brewers Association, e a 18ª maior do país, tendo rótulos como Stone IPA, Stone Delicious IPA e Stone Buenaveza Salt & Lime Lager em seu portfólio, sendo uma das responsáveis pelo crescimento do mercado de IPAs.

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“Este é o próximo capítulo certo para a Stone Brewing”, diz Greg Koch, cofundador e presidente executivo da Stone Brewing, em um comunicado à imprensa. “Por 26 anos, nossa incrível equipe trabalhou incansavelmente para produzir cervejas que definiram tendências e redefiniram expectativas. Ter o interesse de uma empresa como a Sapporo em continuar a história da Stone é uma prova das ótimas cervejas que criamos e continuaremos a criar para nossos fãs em todo o mundo”, acrescenta.

Com a aquisição, a holding da Sapporo no mercado norte-americano espera ter grande capacidade de fabricação de cervejas em ambas as costas dos Estados Unidos, permitindo um aumento significativo na produção para atender a demanda do consumidor pelas cervejas da sua marca dentro do país.

Para isso, vai utilizar as duas cervejarias da Stone no país, localizadas em Escondido, na Califórnia, e em Richmond, na Virgínia. Com base nas capacidades existentes e apoiada por investimentos, a Sapporo pretende produzir 360 mil barris no país até o final de 2024, o que representa dobrar o que é fabricado atualmente pela marca recém-adquirida, que produziu 326.281 barris no ano passado.

“Nós abordamos a Stone Brewing em busca de um parceiro para nossos planos de crescimento nos EUA e rapidamente reconhecemos que eles eram um parceiro ideal com capacidade de fabricação de cerveja em duas costas, fãs leais, gerenciamento excelente, valores culturais compartilhados e compromisso com os mais altos padrões de qualidade”, afirma Kenny Sadai, presidente da Sapporo USA.

“Esta aquisição junta os recursos e o legado da maior marca de cerveja asiática da América com uma das marcas de cerveja artesanal mais inovadoras e reconhecidas do mundo. É uma fusão perfeita de leste a oeste, sendo um casamento ideal para a estratégia de crescimento de longo prazo da Sapporo nos EUA”, acrescenta.

A Stone continuará produzindo suas cervejas nas duas fábricas, além de operar seus sete estabelecimentos (taprooms e restaurantes) e demais atividades sob o guarda-chuva da Sapporo. “Esta parceria única nos permite preservar o legado da Stone que nossos fãs conhecem e amam e adicionará oportunidades exponenciais de crescimento, desde a produção até mais investimento em pessoas, equipamentos, vendas e marketing”, diz Maria Stipp, CEO da Stone.

Essa é a segunda aquisição no segmento de cervejas artesanais dos Estados Unidos realizada pela Sapporo USA, que em 2017 comprou a Anchor Brewing Co. A Sapporo é a cervejaria mais antiga do Japão, tendo sido fundada em 1876. E seu portfólio na América do Norte também inclui a Sleeman Breweries em Ontário, no Canadá, que a empresa comprou em 2006.

A Stone Distributing Co., negócio de distribuição da Stone Brewing, não faz parte da venda e se tornará uma empresa independente sob a atual propriedade, mantendo sua atual liderança nas operações do dia-a-dia. A empresa, assim, continuará a atender o sul da Califórnia com um portfólio de 42 marcas de artesanais, incluindo a Stone Brewing.

Mudança de postura e crise
A venda da Stone se insere em um contexto de aumento das atividades de fusões e aquisições no mercado de cervejas artesanais nos Estados Unidos, algumas delas com a participação de gigantes asiáticas, tanto que a Lion Little World Beverages, de propriedade da japonesa Kirin, adquiriu a New Belgium em 2019 e a Bell’s Brewery no ano passado. Já a fabricante de bebidas energéticas Monster Beverage fechou a aquisição da CANarchy Craft Brewery Collective em fevereiro.

E a última dessas negociações conclui uma mudança de postura da Stone e de Koch, que defendiam o movimento independente de fabricação de cerveja artesanal. Em 2016, inclusive, o assunto foi tema de um vídeo intitulado “Por que escolhemos não nos vender para grandes cervejarias”, publicado no perfil no YouTube da marca.

Porém, neste ano, durante o julgamento de ação contra a MillerCoors, a CEO da Stone admitiu a possibilidade de vender a cervejaria em função, principalmente, de dívidas com o grupo investidor VMG/Hillhouse. Além disso, a empresa teve outros contratempos, com o fracasso da sua operação na Alemanha e da True Craft, uma empresa destinada a investir em cervejarias artesanais.

A negociação também foi alvo de uma longa carta aberta publicada por Koch no site oficial da Stone, intitulada “Está na hora”. Confira na íntegra.

Identificação de embalagens ganha peso na memória do consumidor

A pandemia da Covid-19 impactou economicamente diversos setores e mudou comportamentos do consumidor. Não foi diferente no segmento cervejeiro, com embalagens como latas, garrafas PETs e growlers ganhando espaço e aparecendo como novas opções para as marcas. Um cenário que não deve se alterar nem com a retomada dos eventos, que forçam a indústria a reforçar os cuidados com a identificação dos seus rótulos nas embalagens.

Na visão de Bruno Lage, sócio-fundador da Label Sonic, empresa especializada em rotulagem, os eventos são uma possibilidade para as cervejarias consolidarem as suas marcas junto aos consumidores através da identificação empregada nas embalagens. Assim, uma rotulagem cuidadosa e chamativa deve facilitar o seu posterior reconhecimento pelo consumidor em um outro cenário de aquisição dos produtos.

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“Nos eventos, há sempre a venda de garrafas e latas. Neste sentido, é importante para nós, pois há o uso de rótulos. É importante mostrar seus produtos rotulados para que o consumidor possa identificá-los depois em outros PDVs. A venda de kits também é importante, pois consolida a marca na cabeça do consumidor”, destaca.

Os eventos, aliás, também ajudam na recuperação econômica das cervejarias por facilitarem o escoamento da produção de bebidas, além de proporcionarem uma experiência mais rica aos consumidores. E, na visão de Lage, as cervejarias retornam a esses encontros presenciais mais completas, após o desenvolvimento de soluções durante o período de pandemia do coronavírus.

“Com a pandemia, algumas cervejarias que produziam somente em barril, começaram a envasar e, alinhado à falta de garrafas e ao aumento do delivery, começaram a usar outras embalagens como latas, garrafas PET e growlers. E desta forma, conseguiram se manter e em alguns casos até aumentar as vendas. Portanto, aquelas cervejarias que escoavam a produção em eventos, agora possuem outros canais de distribuição. Os eventos, voltando com força total, irão ajudar demais no faturamento das cervejarias”, argumenta.

Com clientes e parceiros em diferentes segmentos, a Label Sonic também tem aproveitado o período de retomada dos eventos presenciais. Para isso, a empresa já esteve em feiras de negócios voltadas para o mercado de azeites e cachaças. Além disso, já estão programadas participações em eventos voltados a produtores de kombuchas e drinques. E o sócio da companhia ressalta a importância do estreitamento do relacionamento comercial permitido por esses eventos.

“O resultado foi excelente, pois sempre o contato pessoal terá um valor enorme na relação comercial. É a hora de encontrar e bater papo, apresentar produtos, conhecer mais pessoas do time do cliente, conhecer mais a fundo os problemas de cada cliente. A pandemia criou outros ambientes virtuais, mas o contato pessoal sempre será mais valioso”, conclui Lage.

Ambev define Carambeí para receber fábrica de vidros no Paraná; Conheça a cidade

A cidade de Carambeí, nos Campos Gerais, foi a escolhida para receber uma nova fábrica de vidros sustentáveis da Ambev no Paraná.  A companhia havia assinado um protocolo de intenções com o governo estadual no fim de 2021 para a instalação da unidade produtiva. Agora, então, definiu a cidade onde vai se instalar.

A construção da fábrica de vidros da Ambev em Carambeí demandará investimento de R$ 870 milhões e vai se iniciar ainda em 2022. A expectativa é de gerar 1,5 mil vagas durante o processo de construção. Depois, com o início da operação, previsto para 2025, serão entre 300 e 400 postos diretos de trabalho.

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“A Ambev já é uma referência em sustentabilidade no nosso Estado e no mundo. Agora, eles trazem mais essa boa notícia: uma indústria de garrafas de vidro, que segue a política da empresa de fazer a reciclagem das garrafas”, afirma o governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior.

Em Carambeí, a Ambev vai produzir garrafas a partir da reciclagem de cacos recolhidos, fruto de parcerias com empresas de logística reversa e cooperativas da região. Serão fabricadas garrafas dos tipos long neck, além de embalagens de 300ml, 600ml e 1 litro das diversas marcas da empresa, como Brahma, Skol, Budweiser, Stella Artois, Becks e Spaten.

A capacidade produtiva da planta industrial será de até 500 milhões de garrafas por ano, dependendo do tipo. E com essa unidade para produção de embalagens de vidro, a Ambev espera atender suas cervejarias no Paraná e em outros estados. Além disso, a construção da unidade em Carambeí está alinhada à meta da empresa de ter 100% dos seus produtos em embalagens retornáveis ou feitas majoritariamente de conteúdo reciclado até 2025.

Para isso, a fábrica será construída com apenas fontes de energia elétrica renovável, sendo equipada para operar com biocombustíveis. Também contará com uma estação para tratamento de 100% dos efluentes gerados e reaproveitamento da água utilizada no processo, garantindo eficiência hídrica e energética.

A cidade
Emancipada em 1995, Carambeí é uma cidade de pouco mais de 25 mil habitantes, tendo a sua identidade cultural moldada por indígenas, tropeiros e imigrantes europeus – principalmente holandeses –, que fundaram por lá uma cooperativa de laticínios, sendo uma das principais bacias leiteiras do País e abrigando importantes indústrias nacionais e multinacionais de produtos lácteos, como a Batavo.

Localizada nos Campos Gerais, tem os apelidos de “Pequena Holanda” e “Cidade das Tortas”, fazendo limite com as cidades de Castro, Ponta Grossa e Tibagi. Além disso, está a 135 quilômetros da capital Curitiba.

“É resultado de um trabalho árduo de toda a equipe, que desde dezembro está dando o suporte com o repasse de informações à empresa. É um marco histórico, um grande passo para a industrialização do município. Uma conquista de Carambeí, dos Campos Gerais e do Paraná”, afirma a prefeita de Carambeí, Elisangela Pedroso, celebrando a chegada da Ambev à cidade.

Antes de decidir pela construção de uma fábrica de vidros em Carambeí, a Ambev já contava com uma unidade no Rio de Janeiro. No Paraná, a companhia também possui unidades produtivas em Ponta Grossa e Curitiba.

Balcão da Fabiana: Cerveja artesanal – O sonho acabou?

Balcão da Fabiana: Cerveja artesanal – O sonho acabou?

Em 2022 completam-se 15 anos desde que entrei para o segmento cervejeiro. Foi em 2007, quando passei a fazer parte da Confece – Confraria Feminina da Cerveja – em sua primeira formação, que a cerveja passou a fazer parte da minha vida. Primeiro como hobby, depois como objeto de estudo, a seguir como tema de trabalho e por fim, como profissão mesmo.

Quando comecei a me inteirar deste mundo, havia um inimigo claro a ser combatido: a grande indústria personificada pela Ambev. Curiosamente, as outras grandes cervejarias não pareciam ameaçar as pequenas. Diziam que a Heineken era amiga das artesanais… Não sei de onde tiraram tal conceito, mas, vá lá, o aceitávamos, inclusive, propagando a holandesa como nossa cerveja de batalha.

Naquela época, o Brasil não contava nem com 100 cervejarias artesanais abertas. E o romantismo de ser dono de sua própria cervejaria povoava os sonhos dos homebrewers por aqui. Muitos deles conseguiram tornar real esse sonho e estamos aí, atualmente, segundo os números oficiais do MAPA, com mais de 1.300 cervejarias em funcionamento no País.

Mesmo com um crescimento notável como esse, quando me perguntam hoje como enxergo o mercado cervejeiro, confesso que não tenho prognósticos tão otimistas como muitos adoram propagar por aí. Aliás, não sei nem delimitar em que pé está o nosso segmento diante das novas tendências registradas na área de bebidas – alcoólicas e não-alcoólicas, diga-se de passagem.

Vivemos uma situação um tanto quanto paradoxal hoje: por um lado, os destilados, com teores alcoólicos altíssimos, invadem os espaços sociais, eventos e preferência do público. Do outro lado, há uma demanda cada dia maior por bebidas sem álcool, ou com baixo teor alcoólico.

E a cerveja artesanal, onde fica em tudo isso?

A impressão que tenho é que a cerveja caiu em uma espécie de limbo, no qual sobrevive a duras penas, sem o “ glamour” da qual esteve cercada poucos anos atrás. Cerveja não é mais moda. O boom da bebida passou. E hoje nossos principais inimigos são as bebidas de outras categorias e, pasmem, as cervejarias vizinhas!

Nunca antes vi tanta cervejaria pequena tentando passar a perna na outra. As mesmas práticas que tanto condenavam nas grandes, de fechar pontos de venda, de exigir exclusividade em troca de mesas e cadeiras, de colocar seus preços lá embaixo inviabilizando uma concorrência minimamente possível, estão sendo praticadas por pequenas cervejarias. Estaríamos dormindo com o inimigo?

Eu confesso que tenho me sentido bastante incomodada em ver o mercado, de certa forma, prostituído. Não existe mais sonho, nem romantismo e muito menos respeito por quem, na teoria, está na mesma trincheira.

Não bastasse ter de lutar contra as altas cargas tributárias, contra o domínio de mercado pelas grandes (que recebem incentivos fiscais de todo tipo para se instalarem em cidades brasileiras), contra as exigências leoninas dos grupos de varejo para abrir espaço em suas gôndolas para as pequenas, agora estamos guerreando umas contra as outras?

Que mercado é este que pretendemos construir? Se alimentamos ovos de serpente dentro do segmento, como queremos alcançar um crescimento sustentável?

Que diferença pretendemos fazer se as pequenas agora se voltam a produzir cervejas ordinárias, até mesmo com uso de adjuntos, para competir com as grandes marcas? Como se fosse possível apresentar um produto melhor e mais barato do que elas, que têm décadas à frente na expertise de produzir esse tipo de cerveja.

Para piorar a situação, voltou ao mercado uma cervejaria cujos produtos mataram e contaminaram dezenas de consumidores. Mudaram de nome, mas mantiveram as velhas práticas de comprar PDVs em detrimento das outras cervejarias de seu nicho. Isso sem indenizar nenhuma vítima, sem pagar os ex-funcionários que lutam na Justiça para receber o que lhes é devido.

É isso. Posso parecer amarga em minha análise, mas não vejo muito futuro para o mercado se continuarmos nessa toada. Talvez seja a hora de recuar e retomar a trilha aberta lá na década de 1990 por alguns cervejeiros visionários. Talvez seja o momento de repensarmos o que queremos para esse mercado e levantar iniciativas construtivas, em vez de nos voltarmos contra nossos pares.

Grandes impérios caíram assim: de dentro para fora. É esse o fim que almejamos para nossos sonhos?


Fabiana Arreguy é jornalista e beer sommelière formada em 2010, pela primeira turma Doemens no Brasil, através do Senac SP. Produz e apresenta, desde 2009, a coluna de rádio Pão e Cerveja, sendo editora de site com o mesmo nome e autora de livros. É curadora de conteúdo, consultora de cervejas especiais, proprietária da loja De Birra Armazém Cervejeiro, além de professora do Science of Beer Institute e do Senac MG, assim como juíza dos principais concursos cervejeiros brasileiros e internacionais.

Confira lançamentos realizados pelas cervejarias artesanais no mês de junho

O mês de junho ficou marcado por uma série de lançamentos de colaborativas que foram frutos de parcerias entre cervejarias, como é o caso dos acordos firmados entre as marcas Corisca e Zuraffa, Dádiva e 5Elementos e as catarinenses Frost Beer e Lohn Bier.

Entre os lançamentos ocorridos no agitado setor cervejeiro brasileiro, também houve espaço em junho para receitas diversas, sofisticadas e até mesmo históricas, como é o caso do novo rótulo apresentado pela Blumenau, de estilo polonês Grodziskie cuja bebida havia sido eleita a grande campeã do último Concurso Brasileiro de Cervejas.

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Confira essa e outras novidades apresentadas nos lançamentos pelas cervejarias em junho e selecionadas pelo Guia:

Avós
Em mais uma iniciativa ligada a sua essência de resgatar e homenagear memórias, a cervejaria paulista lançou em junho a Avó que Dibra, uma Bohemian Pilsner de 4,8% de teor alcoólico. O rótulo brinda a chegada da marca ao Pavilhão Pacaembu, que sediará eventos culturais variados. O nome desta cerveja faz reverência às mulheres que promoveram o Jogo das Vedetes no tradicional estádio municipal paulistano, em 1959, driblando a lei que proibia partidas de futebol feminino até então.

Blumenau
Vencedora do prêmio de melhor rótulo do Concurso Brasileiro de Cervejas de 2022, a Blumenau lançou no mercado a Dona Patroa. Do histórico estilo polonês Grodziskie, a cerveja leva, em sua composição, apenas malte de trigo defumado em carvalho e é uma Ale leve e refrescante. O rótulo homenageia Alcione Tomio Zanetti, esposa do fundador da cervejaria, Valmir Zanetti, e está à venda em latas de 473ml. O produto também tem um lote em barril disponibilizado pela marca para ser comercializado.

Burgman
Para celebrar o aniversário de 12 anos da marca, a cervejaria paulista promoveu três lançamentos de rótulos em junho. Um deles é uma Wee Heavy com café batizada de Burgman Twelve, que tem carga generosa de malte e 7% de teor alcoólico. Outra novidade lançada pela marca foi uma Session IPA chamada de Haisa, com 3,8% de álcool e cujo nome é uma reverência à elefanta que viveu até 2020 no zoológico de Sorocaba, cidade de origem da cervejaria, junto com seu companheiro Sandro. Para complerar, a Burgman lançou uma versão repaginada da sua IPA Hop, uma India Pale Ale que chega ao mercado em garrafas de 600ml e em chope. A nova receita deste rótulo conta com uma lupulagem diferente, composta pelo blend de citra, enigma, topaz e amarillo, que traz mais frescor e potência de aromas cítricos.

Corisca e Zuraffa
A Corisca e a Zuraffa lançaram uma cerveja artesanal colaborativa, batizada com o nome Do Brejo, que é fruto da parceria firmada pela cervejeira Thamara Andreatta e a Éden Hops, empresa de produção de lúpulo nacional comandada por Camila Gross. Com as duas se identificando como LGBTQIAP+ e apoiadoras da causa, o rótulo chega para celebrar o orgulho, o respeito, a visibilidade lésbica e provar a força das mulheres em um mercado ainda dominado pelos homens. Uma Session IPA feita com lúpulos Cascade e Cornet, essa cerveja pode ser comprada como chope e em latas de 473ml em diversos pontos de venda.

Cruls
A Cervejaria do Distrito Federal lançou um rótulo da sua linha Cosmos, série dedicada ao universo das IPAs. Trata-se da Vórtex, uma Juicy IPA feita com cinco variedades de lúpulos, sendo um sul-africano e quatro norte-americanos. Entre as suas características mais notáveis estão a intensidade aromática, a aparência turva e o amargor mais moderado. As ilustrações das latas da série Cosmos são feitas por artistas locais. O responsável pelas artes da Vórtex foi o designer gráfico e ilustrador Ge Lima, que já havia produzido também o desenho da Gênese, outra cerveja deste segundo ciclo de IPAs lançadas pela Cruls.

Dádiva
A marca lançou a Smoothie Ephemeral, rótulo promovido pela cervejaria como dona de uma saborosa combinação proporcionada por uma “explosão de frutas e cremosidade”. Esse estilo de cerveja é chamado de Smoothie Beer por se assemelhar, na textura, a um shake de frutas ou vitamina. Mesmo com a acidez que possui, o rótulo foi lançado com o atrativo de ser bom para o inverno, por trazer com equilíbrio a mistura entre cacau e baunilha, além de ser bem encorpada ao possuir teor alcoólico alto, de 10%. Contendo também mirtilo e amora em sua receita, essa cerveja é vendida em latas de 473ml.

Dádiva e 5Elementos
Em outro lançamento envolvendo a Dádiva neste mês de junho, a cervejaria apresentou ao mercado, em conjunto com a cearense 5Elementos, duas versões do rótulo batizado de Double IPA. Uma delas conta com lúpulos Idaho 7 e Idaho Gem sendo que é uma cerveja com notas cítricas e frutadas, evidenciando aromas de laranja e frutas amarelas. Já a outra versão desta bebida traz lúpulos Nelson Sauvin e Hallertau Blanc, com um perfil cítrico puxado para frutas vermelhas e uva branca. Estes dois rótulos são vendidos em latas de 473ml.

Dogma
Em parceria com a principal distribuidora de bicicletas BMX do Brasil, a Dogma lançou uma cerveja inspirada em uma manobra icônica desta categoria do ciclismo. Trata-se da Backflip, uma Hazy IPA que traz aromas de frutas cítricas e tropicais como laranja, maracujá e lichia. Esse rótulo foi criado como fruto da união da cervejaria com a empresa Dream BMX e é apresentada como uma cerveja leve, refrescante e fácil de beber, mas ao mesmo tempo intensa. A lata de 473mil do novo rótulo conta com a ilustração de um competidor quando ele executa um backflip em uma pista de manobras. O produto está à venda nas lojas e franquias da Dogma e outros locais especializados em cervejas artesanais.

Frost Beer e Lohn Bier
Em uma colaboração que visou o lançamento de um rótulo que foi fruto da parceria entre duas cervejarias de Santa Catarina, a Frost Beer e a Lohn Bier apresentaram a Lager Pinhão, criada com esse nome ao ser inspirada na Festa Nacional do Pinhão, que neste ano celebra a sua 32ª edição, em Lages, na serra catarinense. Com a proposta de misturar à cerveja artesanal a este ingrediente serrano que dá nome à festa local, esse rótulo está sendo vendido no formato de chope e em garrafas de 600ml nos mais diversos estabelecimentos da cidade de Lages e em todo o Estado de Santa Catarina.

Menu Degustação: Iniciativas ao público LGBTQIAP+, Rolê de 20 Conto…

O movimentado junho entra em sua reta final repleto de novas atrações. No mesmo mês em que São Paulo abrigou a Parada do Orgulho LGBT+ com a presença de cerca de 4 milhões de pessoas, o segmento cervejeiro conta com uma série de iniciativas voltadas ao público LGBTQIAP+ ou ligadas à diversidade e inclusão. Uma destas novidades é a de que escolas cervejeiras, em parceria com a Ambev, formarão pessoas trans para trabalhar no mercado de serviço de bares.

Em outra frente, em uma união entre dois gigantes, o GPA fechou uma parceria para que seus produtos sejam vendidos pelo aplicativo BEES, de B2B, da Ambev. E para quem quer só curtir o fim de semana em São Paulo, o Capitão Barley promove evento com limite de preço de R$ 20 para cada 600ml de chope.

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Confira estas e outras novidades do setor no Menu Degustação do Guia:

Oportunidades para trans no mercado de trabalho
Com a meta de formar e incluir mais pessoas trans ao mercado de trabalho, a Academia da Cerveja, da Ambev, se uniu ao Instituto Ceres e à Escola Superior de Cerveja e Malte para oferecer 120 vagas de um curso gratuito de iniciação e capacitação no mercado de serviço de bares e universo cervejeiro. O Programa tFORMA será realizado entre os dias 27 de junho e 6 de julho, oferecendo aulas online, presenciais e ainda uma experiência prática em bares parceiros em São Paulo, Ribeirão Preto, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Petrópolis, Goiânia e Maceió. Gratuito, o curso de capacitação contará com 14 horas, ao longo de sete aulas, e os alunos receberão um certificado ao completá-lo. As inscrições para pessoas trans interessadas podem ser feitas na página da escola da Ambev.

Linn da Quebrada é a nova consultora de diversidade da Ambev
Em outra iniciativa da Ambev voltada à inclusão de pessoas LGBTQIAP+, Lina Pereira foi anunciada a nova consultora de diversidade e inclusão da companhia. Mais conhecida como Linn da Quebrada, a cantora, atriz e compositora foi contratada para apoiar a empresa na ampliação de práticas de inclusão e visibilidade deste público, especialmente da comunidade de trans e travestis. Ela também será uma das embaixadoras do LAGER, grupo de afinidade que discute e implementa ações em prol de pessoas LGBTQIAP+, no qual será incumbida de trazer um olhar direcionado a esse público, ajudando também a proporcionar mais oportunidades para pessoas trans.

Palco Beats assume cachês de artistas trans
Em iniciativa que visa dar mais visibilidade para travestis, pessoas trans binárias e não binárias em palcos espalhados pelo Brasil, a Beats anunciou que vai bancar o cachê de artistas maiores de 25 anos, selecionados em diferentes casas de shows do país. Na ação, chamada de Palco Beats, os locais que desejarem receber artistas trans em seus eventos devem entrar na página @beatsoficial nas redes sociais e preencher um formulário de inscrição. O mesmo vale para artistas, a partir de 25 anos, que podem acessar um outro formulário, voltado para novos talentos. A consultoria Diversity Bbox e o Instituto Ssex Box realizam a curadoria do projeto, idealizado pela agência SOKO, enquanto a Beats pagará o cachê para a realização dos shows.

GPA no BEES da Ambev
O GPA fechou uma parceria para que seus produtos sejam comercializados pelo aplicativo BEES, a plataforma B2B da Ambev. Com isso, quase 1 milhão de pontos de vendas atendidos pelo BEES ao redor do Brasil poderão comprar, de forma simples e ágil, itens de marcas próprias do grupo, como produtos de limpeza, higiene, mercearia e todo o portfólio de vinhos, por exemplo, dentre outros produtos. O GPA passará a ter, até o início do quarto trimestre, uma loja virtual dentro do aplicativo. Hoje o BEES oferece mais de 400 itens na sua plataforma, de 40 indústrias, em diversas categorias, além das bebidas da Ambev.

Reciclagem campeã
Na praia de Saquarema, palco da etapa brasileira do Circuito Mundial de Surfe, o tricampeão e atual campeão do mundo Gabriel Medina, o atual líder do ranking global masculino Filipe Toledo e a estrela do surfe feminino Tatiana Weston-Webb lideraram uma ação de limpeza do local, em ação apoiada pela Corona e realizada em parceria com a ONG Mar Sem Lixo.

Itaipava 100% Malte patrocina o São João de Petrolina
O São João de Petrolina, que foi iniciado no dia 17 e vai até este domingo, está sendo realizado com patrocínio da Itaipava 100% Malte, a cerveja oficial do evento. Com expectativa de receber 700 mil pessoas, a festividade traz diversas ações assinadas pela agência WMcCann, entre elas a ida do jornalista Márcio Canuto como “Correspondente 100%”. O ex-jornalista da TV Globo promove a marca de cerveja no evento dialogando com o público e os artistas. Os cantores Victor Fernandes e Tarcísio do Acordeon foram escolhidos como padrinhos da marca neste São João de Petrolina, que entre esta sexta-feira e domingo terá shows de nomes como Gusttavo Lima e das duplas Chitãozinho e Xororó e César Menotti e Fabiano.

Paulo Vieira é novo apresentador do Arena Brahma
O programa Arena Brahma teve a abertura de sua quarta temporada no último dia 14 e trouxe como principal novidade a presença do humorista Paulo Vieira como apresentador. Com um novo formato, quadros inéditos e muita resenha, o programa é exibido no canal do YouTube da Brahma, tem episódios previstos até o final deste ano e vai ao ar quinzenalmente, sempre às terças-feiras, a partir das 19h. A atração também conta com a participação especial de Xand Avião, cantor e compositor de forró eletrônico.

Brasil Beer Cup com pré-inscrições no fim
O prazo para pré-inscrições na Brasil Beer Cup, com preços promocionais, termina na próxima segunda-feira (dia 27), informa o Instituto Science of Beer, organizador do concurso. Até esta data haverá descontos do valor de cada amostra de cerveja inscrita, sendo que este estágio inicial do processo visa abrir espaço para o maior número possível de cervejarias, independentemente dos seus portes, participar com todo o seu portfólio. Após esse prazo, será aberto o período regulamentar de inscrições, sem preços promocionais.

Novidade da Copa Cervezas de América
A etapa brasileira da Copa Cervezas de América, que será realizada entre os dias 5 e 7 de agosto, em Porto Alegre, terá Guto Procópio, sommelier e mestre em estilos, como responsável por cuidar das cervejas e do seu serviço para os juízes da competição. Formado há mais de 10 anos como sommelier pelo Instituto da Cerveja e à frente do Let´s Beer, bar paulistano na Vila Mariana, desde dezembro de 2012, ele tem vasta experiência como jurado em concursos e vai estrear na função de cellar master. As inscrições para a etapa nacional da competição podem ser feitas no link.

“Rolê de 20 conto” no Capitão Barley
Está marcado para este sábado um dos eventos mais famosos do brewpub Capitão Barley. O preço máximo para os copos de 600ml de chope será de R$ 20, com muitas opções engatadas nas torneiras, com destaque para os recém-lançados Just Smile (American Brown Ale), BR Ale Abacaxi (BR Ale) e Red Dream (Red Ale). Alguns hambúrgueres da casa, com blend exclusivo de carne de Angus, também estarão com preços promocionais. Com entrada gratuita, o bar trabalha com 20 torneiras, servindo chopes da casa, de outras marcas e até drinques, e fica na Rua Cotoxó, 516, na Pompeia, em São Paulo.

Growler e festa junina da Madalena
No clima de São João, a cervejaria Madalena realiza festa junina na fábrica-bar localizada em Santo André, no ABC paulista, desta sexta-feira até domingo. Haverá decoração temática, comidas e bebidas típicas, barracas com brincadeiras, fogueira, correio elegante, banda com música ao vivo para animar a festa e muito mais. Além disso, os clientes também podem saborear diversos estilos de chope premium da marca, como Lager Premium, Bohemian Pilsen, Session IPA, Double IPA, Weiss, Stout, Lager Light, entre outros, nas mais de 25 torneiras da casa. Os ingressos custam R$ 10 sexta e domingo, e R$ 25 no sábado. Já para quem prefere beber em casa, os growlers de 1 litro de chope da Madalena agora estão disponíveis em cinco unidades do Pão de Açúcar em São Paulo.

Festa da Colonus
Na próxima terça-feira (28), véspera do feriado municipal em Petrópolis (RJ), a Cervejaria Colonus vai promover um show da banda River Raid, às 20h, na Villa Colonus (Rua Professor Cardoso Fontes, 108, Castelânea). A banda promete tocar os grandes clássicos do pop rock dos anos 80 e 90. No cardápio especial, novidades da casa para homenagear os colonos: salsichões Schublig Weisswurst e Viena, croquetes de carne com calabresa ou gorgonzola.

Hambúrguer da Odin
No Casarão da Cervejaria Odin, em Petrópolis, toda quinta-feira agora é “Dia do Hambúrguer no Casarão”, batizado de Thor’s Day Thursday (nome dado ao dia do Deus Thor). A ideia da casa é sempre apresentar ao público novidades, com uma versão smash e outra mais bruta de burgers feitos com blends especiais e acompanhamentos diversos.

Krater promove pré-venda de livro com webinars e sorteios
A pré-venda do livro How to Brew segue aberta enquanto o trabalho de tradução, edição e demais etapas da produção da obra continuam. A editora Krater informou que quem adquirir o livro nesta fase de pré-vendas será beneficiado com recompensas exclusivas, como quatro webinars realizados ao vivo com grandes nomes do mercado cervejeiro. Para completar, o autor de How to Brew, John Palmer, gravou uma série de conteúdos comentando alguns temas do livro e estes vídeos serão transmitidos no início de cada webinar. E como fruto de parcerias fechadas com a Cerveja da Casa e a 4Beer, prêmios cervejeiros serão sorteados entre as pessoas que adquirirem a obra na pré-venda.

Gestão cervejeira
A Brewsiness, formada por Erika Rocha e Isabel Melo, está oferecendo consultorias focadas em gestão estratégica para negócios cervejeiros. O trabalho consiste em melhorar as rotinas administrativas, adequação de cardápio e carta de cervejas, ajustar a precificação e proporcionar soluções para problemas operacionais. Tudo com foco em melhorar a experiência de consumo para os clientes, de organização para os colaboradores e de gerenciamento para os donos do negócio.

Cervejeiras se unem e lançam rótulo para celebrar respeito à visibilidade lésbica

Contra a truculência e a violência da polícia, uma demonstração de força, com um grito em favor dos direitos LGBTQIA+. Foi assim que a Revolta de Stonewall, iniciada em 28 de junho de 1969, entrou para a história e deu voz a essa comunidade com uma série de protestos contra a ação realizada em Nova York, nos Estados Unidos, no bar Stonewall.

Naquela época, o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo era considerado ilegal, sendo combatido com o emprego da força pelas autoridades. Foi contra isso que os manifestantes que participaram da Revolta de Stonewall protestaram, em um importante marco para o movimento LGBTQIA+, levando junho a ser o mês para se lembrar da luta, do reconhecimento e do orgulho da comunidade. E 28 de junho se tornou o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+.

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Essa necessidade de demonstração de força também foi o que uniu quatro mulheres: Melissa Miranda, proprietária da cervejaria Corisca, e Miriam Moraes, da Zuraffa, além da cervejeira Thamara Andreatta e da produtora de lúpulo Camila Gross, sócia da Éden Hops.

Juntas e a partir da importante temática que envolve o mês de junho, decidiram criar a cerveja “Do Brejo”, nascida, do desenvolvimento da receita até a sua apresentação, para celebrar o orgulho, o respeito, a visibilidade lésbica, além de exibir a força das mulheres a um mercado ainda dominado pelos homens.

“O desejo de criar um rótulo que pudesse despertar a sociedade para o orgulho e o respeito à diversidade já existia entre as criadoras”, afirma Melissa. “Lançar um rótulo como a ‘Do Brejo’ seria uma forma de mostrar que cerveja artesanal pode ser para todes!”, ressalta.

Depois de se reunirem e decidirem pela criação da “Do Brejo” no mês do Orgulho LGBTQIAP+, a vontade de fazer uma receita com o máximo de mulheres envolvidas era grande. “Foi nesse momento que Camila Gross chegou ao projeto, com seus lúpulos produzidos no Brasil e desenvolvidos por ela mesma”, relata Thamara.

Assim, com o quarteto unido, foi possível tirar do papel essa Session IPA. “A ‘Do Brejo’ chegou para quebrar barreiras e mostrar que mulheres podem, e já fazem, cerveja de muita qualidade”, pontua Miriam.

Em sua visão, lançar rótulos como a “Do Brejo” é importante para que o público LGBTQIAP+ se reconheça no setor e veja que a cerveja artesanal não é algo destinado apenas a um público específico. “Eles podem consumir esse produto sabendo que ali tem pertencimento e representatividade na produção”, diz Miriam.

Para as envolvidas na concepção do rótulo, o meio cervejeiro é um reflexo da sociedade, inserida em um contexto cis-heteronormativo. “Já presenciamos episódios graves de machismo entre cervejeiros e existem poucas políticas de inclusão LGBTQIAP+. Por consequência, isso faz com que o público que consome cervejas artesanais seja, em sua maioria, cis-heteronormativo”, completa Miriam.

Tamara pontua, ainda, que o mercado cervejeiro, em sua maioria, ignora o público LGBTQIAP+, sendo dominado por homens héteros e de classe média. E há pouco espaço para a diversidade, inclusive para quem deseja empreender.

“O mercado ainda vê o movimento cervejeiro artesanal como hobby, faltando incentivo fiscal e fomento ao empreendedorismo fora do nicho. Toda diversidade é pouco valorizada dentro do mercado do meio cervejeiro, favorecendo a exclusão da diversidade. E quando falo da diversidade não se trata apenas do público LGBTQIAP+, mas da população periférica, negra, feminina…”, destaca.

As criadoras da “Do Brejo” ponderam que o rótulo, embora criado pensando no público LGBTQIAP+, é uma cerveja feita para todos. Ela foi lançada no último sábado (18) na Zuraffa, também sendo vista como uma celebração à Parada do Orgulho LGBTQIAP+, que voltou a ocorrer após dois anos.

“Acreditamos que a cerveja é agregadora e que grandes ideias podem surgir em torno da mesa ou no balcão do bar. Mostrar que o mundo cervejeiro pode ser um espaço acolhedor e seguro para a mulher, lésbica ou hétero, cis ou trans, que quer criar, produzir ou apenas experimentar e se deliciar com uma boa cerveja artesanal é o nosso maior objetivo”, finalizam as criadoras da “Do Brejo”.

Macroeconomia desafia retomada do setor cervejeiro em nova fase, aponta startup

O avanço da vacinação e o fim de medidas restritivas adotadas desde o início da pandemia do coronavírus trouxeram expectativas positivas para uma retomada do segmento de cervejas artesanais, mas ainda há problemas a serem superados para “virar a página” da crise. Afinal, ao mesmo tempo em que lutam para alavancar um período de mais bonança, as empresas ainda lidam com efeitos do passado e novos desafios.

Certo mesmo é que o cenário se modificou, com o consumidor voltando às ruas, bares e restaurantes. “A gente percebe muito isso, principalmente pelo volume de chope que é vendido. As pessoas estão na rua com um cenário completamente diferente do que a gente enxergou até o final do ano passado”, afirma Roberto Lazaro, um dos sócio-fundadores da Bevfy.

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A startup Bevfy está há pouco mais de um ano no mercado, com uma plataforma que busca descomplicar os processos de compra e venda de bebidas, permitindo aos donos de um estabelecimento a aquisição de rótulos direto dos fabricantes e distribuidores. Assim, ao fazer essa “ponte”, a empresa tem percebido um mercado modificado no segundo trimestre de 2022.

Lazaro lembra, porém, das sequelas da pandemia, com muitos estabelecimentos parceiros ainda tendo dívidas a pagar. “Praticamente todos os pontos de venda do mercado têm mais contas para pagar como consequência dos empréstimos que tiverem de fazer. Então, tem muita empresa com caixa baixo, o que acaba afetando a gente diretamente, com mais atraso nos nossos pagamentos”, diz.

Assim, até com a intenção de deixar para trás essas sequelas, as empresas vêm buscando acelerar a reação. “Nesse momento de retomada, está todo mundo procurando alternativas para tentar recuperar as perdas ou recuperar o que deixou de ganhar nestes últimos dois anos”, conta Carlos Lima, também sócio-fundador da Bevfy.

O problema, porém, está na força que o consumidor terá para voltar a comprar cervejas artesanais. A inflação oficial, que fechou o período de 12 meses encerrado em maio em 11,73%, de acordo com o IBGE, é um dos obstáculos, que se soma a problemas vistos no cenário externo e que impactam no preço dos insumos, como o conflito na Ucrânia. “A cadeia de suprimentos está toda abalada, com alta da inflação, alta de combustível…”, lamenta Lima.

O profissional da Bevfy também aponta que tudo acaba se transformando em perda do poder de compra do consumidor. “O maior impacto é no poder de compra do consumidor que com essa queda tende, obviamente, a deixar de gastar uma parcela do dinheiro em algumas coisas. E a bebida artesanal e o segmento de serviços podem ser impactados por essa retração”, destaca.

Assim, mesmo que não lide prioritariamente com o consumidor final, a Bevfy acaba sentindo o impacto provocado por esse público em seus parceiros. “É o consumidor quem efetivamente gera a demanda e tem essa retração em função da inflação. Obviamente, com a inflação, os produtos acabam chegando mais caros não só às gôndolas, mas também no balcão do bar”, conclui Lima, apontando o difícil equilíbrio que as empresas do setor cervejeiro precisam alcançar para efetivar a retomada.

40 maiores cervejarias venderam 80 milhões de hectolitros a mais em 2021

O mercado mundial de cervejas apresentou ligeira recuperação em 2021, segundo ano da pandemia do coronavírus. De acordo com levantamento do BarthHaas Group, as 40 maiores cervejarias venderam, combinadas, cerca de 80 milhões de hectolitros a mais do que em 2020.

Essa alta, porém, não compensou completamente as perdas do primeiro ano da crise sanitária, quando o recuo havia sido de 94 milhões de hectolitros em relação a 2019. Assim, ficaram faltando 14 milhões de hectolitros de cerveja para que as vendas de 2021 atingissem os níveis pré-pandemia.

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De qualquer forma, de acordo com o levantamento anual do BarthHaas Group, a produção de 1,699 bilhão de hectolitros em 2021 representou expansão de 4,9% em relação a 2020. E essa produção é liderada pelos 4 principais grupos cervejeiros do mundo, AB InBev, Heineken, Carlsberg e a chinesa Snow Breweries, que respondem por 61% do que é fabricado pelas 40 maiores companhias. Além disso, apenas a AB InBev, com 581,7 milhões de hectolitros, é responsável por 34% deste volume.  

Apesar da recuperação registrada pelo mercado cervejeiro em 2021, há ainda marcas que tiveram novos recuos nas produções no ano passado, especialmente em países da Europa Ocidental. Na Alemanha, por exemplo, 5 das 7 cervejarias listadas entre as 40 maiores apresentaram perdas, com a redução mais expressiva sendo do Bitburger Braugruppe, de 15,3%.

As principais altas, por sua vez, foram da espanhola Estrella Galícia, de 27,9%, a da chilena Compañía de las Cervecerías Unidas, a CCU, de 23,0%, na comparação entre 2020 e 2021. Única cervejaria brasileira presente na lista do Bart Haas Group, o Grupo Petrópolis teve queda de 4,8% na sua produção, de 31,0 milhões de hectolitros para 29,5 milhões de hectolitros no ano passado.

O relatório da empresa de lúpulos também destaca como 2021 foi um ano de alterações no mercado por causa de fusões e aquisições, assim como de consolidação de participações minoritárias. A Heineken, por exemplo, adquiriu uma participação majoritária na United Breweries, na Índia, listada como a 23ª maior cervejaria do mundo, e passou a controlar a Namibia Breweries ao assumir o Distell Group. Já a Kirin/Lion ganhou peso no segmento de artesanais ao adquirir a Bell’s Brewing, assim como a New Belgium Brewing.

Confira a lista das 40 maiores cervejarias do mundo de acordo com o BarthHaas Report 2021/2022 e como a produção variou de 2020 para o ano passado:

Cerveja artesanal precisa de menos tributos para ficar mais barata, avaliam especialistas

Em meio a um cenário de alta dos custos de produção, provocado principalmente pelo aumento dos valores das matérias-primas e dos insumos importados, assim como pela inflação, a cerveja artesanal ficou com o preço ainda mais elevado no Brasil. Especialistas ouvidos pelo Guia alertam, porém, que o problema tem menor ligação com a atual conjuntura, estando mais relacionado com a alta carga tributária que incide sobre as pequenas empresas do setor.

Em nova matéria sobre preço e custos da cerveja, após a anterior debater se a bebida está com um valor médio acessível à população, profissionais apontam que o caminho para o rótulo artesanal se tornar mais competitivo passa pela redução da carga de impostos que incide sobre o produto, geralmente fabricado com insumos mais caros do que os das grandes marcas.

Presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), Gilberto Tarantino ressalta a necessidade de a tributação ser menos severa com os produtores de rótulos especiais, destacando que o índice de taxação sobre os fabricantes de artesanais está em 56%.

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“Entendemos que o ideal e mais justo seria que os impostos fossem proporcionais ao volume de produção. De imediato, uma luta na qual nós da Abracerva estamos envolvidos é pela ampliação do limite do Simples (Nacional), o que daria a possibilidade de as cervejarias ganharem escala sem serem obrigadas a sair do regime tributário simplificado”, diz.

A desejada redução da carga tributária teria impacto direto sobre o preço das cervejas artesanais, as tornando mais competitivas em relação, inclusive, a aquelas produzidas pelas grandes marcas, na visão de Luís Celso Jr., sommelier e fundador do Bar do Celso. E, para referendar seu raciocínio, cita o exemplo dos Estados Unidos.  

 “A gente fala do mercado americano como se ele tivesse desenvolvido a cerveja artesanal do nada e feito muito sucesso. E isso não é verdade. Se a gente estuda a história do renascimento da cerveja artesanal nos Estados Unidos, vê-se que no começo dos anos 1980 houve uma lei de isenção de impostos para microcervejarias, que foi ampliada no começo dos anos 1990, e favoreceu muito o mercado de cerveja artesanal. E aí esse mercado bombou e disparou”, diz.

Com visão semelhante, Roberto Kanter, professor de cursos de MBA da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que é especialista em varejo, comportamento do consumidor, tendências de mercado e marketing, defende a participação ativa do estado no fomento ao pequeno produtor, com a oferta de vantagens tributárias pelas gestões públicas. “Uma questão que poderia ser trabalhada é um fortalecimento das pequenas empresas locais através de subsídios e vantagens tributárias para que elas consigam equiparar um pouco mais os preços praticados”, afirma o professor da FGV.

Insumos também pesam mais
Mas, claro, não são apenas os impostos que afetam as microcervejarias. Afinal, há a avaliação de que a alta dos custos provoca impacto maior sobre as marcas artesanais, também causando mais oscilação nos preços do produto final.  

Se sobe o preço da cerveja porque subiram os custos e a matéria-prima, quer dizer que para o produtor de cerveja artesanal também subiu. E o produtor de artesanal utiliza muito mais desses produtos, tem uma capacidade de compra muito menor, porque ele adquire em menores volumes e acaba pagando mais caro por não conseguir negociar os preços

Luís Celso Jr., sommelier e fundador do Bar do Celso

Para Kanter, também é natural que a cerveja artesanal seja mais cara do que a tradicional, por causa dos ingredientes utilizados e volume produzido. “Tecnicamente, as cervejas artesanais possuem insumos diferenciados, que são mais caros do que os utilizados nas cervejas mainstream. Elas também possuem volumes muito menores de produção, o que impacta em um custo de produção maior, e consequentemente um preço para o consumidor também maior”, acrescenta.

Na visão de Celso, para minimizar esse impacto, as cervejarias artesanais devem buscar alternativas para reduzir os custos de produção, o que grupos como a CBCA, que agrega 4 marcas no Brasil e uma para o mercado externo, podem ter mais facilidade, em uma negociação pelos preços dos insumos.

“Na medida em que artesanais vão crescendo e surgem, por exemplo, grupos de cervejas artesanais, como a CBCA, eles conseguem negociar preços melhores em relação aos fornecedores de matéria-prima, diminuindo seus custos e, possivelmente, reduzindo o preço das suas cervejas”, diz o especialista.

E a macroeconomia?
O contexto econômico, aliás, impacta não apenas nos custos produtivos, mas na busca do produto pelo consumidor. Recentemente, o IBGE revelou que o rendimento real habitual recebido pelos trabalhadores fechou o trimestre encerrado em abril em R$ 2.569, um recuo de 7,9% em relação ao mesmo período de 2021. E, claro, essa queda do poder aquisitivo de grande parte da população também impacta o mercado de cervejas artesanais, tornando os seus rótulos ainda mais inacessíveis.

“O grande limitante do consumo da cerveja artesanal é a renda. Se houver aumento de renda, haverá com certeza um aumento no consumo”, enfatiza Kanter.

Ao mesmo tempo em que cita o êxito da cerveja artesanal nos Estados Unidos como um bom exemplo, em função dos incentivos fiscais recebidos por lá, Celso pondera que a realidade econômica brasileira impõe outros desafios, que vão muito além da moeda desvalorizada.

 “Sempre falamos que estamos atrasados em relação aos Estados Unidos há alguns anos, que passaríamos pela mesma revolução que eles passaram em termos de cerveja artesanal, mas isso sem considerar obviamente o fato de sermos um país subdesenvolvido, com os problemas que temos aqui”, opina.

Também proprietário da Tarantino, o presidente da Abracerva ainda avalia que o consumidor pode ter a percepção de que o produto artesanal é caro em função da comparação com o preço da cerveja produzida pela grande indústria.

“Para formar sua percepção de valor sobre um produto, o consumidor pode utilizar várias referências. Uma delas é comparar preços, mesmo que sejam produtos de categorias muito distintas. E isso acaba acontecendo também no mercado de cervejas. Então, de alguma forma, um preço menor de cervejas mainstream pode impactar o mercado de artesanais, ainda que sejam produtos bem diferentes na experiência que entregam ao consumidor”, analisa.

Para mudar essa percepção, Kanter pondera que o crescimento econômico pode até facilitar a penetração das cervejas artesanais. Mas destaca que isso só irá se consolidar com mudanças nos hábitos culturais e de consumo do público.

O grande trabalho que deve ser feito é o desenvolvimento do mercado consumidor, através de cultura e conhecimento. Com isso o consumo do brasileiro será cada vez mais desenvolvido, com produtos de maior complexidade e diversidade. Neste cenário, as cervejarias artesanais tendem a expandir e aumentar seus volumes, conseguindo, assim, uma redução no custo de produção e no preço ao consumidor final

Roberto Kanter, professor de cursos de MBA da FGV