A Alem Bier e a Blumenau foram os principais destaques do Concurso Brasileiro de Cervejas, que realizou a sua cerimônia de premiação nesta terça-feira. Afinal, enquanto a marca de Flores da Cunha (RS) foi eleita a melhor cervejaria da premiação, a de Blumenau (SC) teve a cerveja “Best of Show” do evento.
O acúmulo de premiações rendeu para a Alem Bier o prêmio de melhor cervejaria do Concurso Brasileiro. Para isso, conquistou quatro medalhas de ouro, além de três pratas e três bronzes.
A Blumenau, que leva o nome da cidade catarinense onde é realizado o evento, foi a segunda colocada, com três medalhas de ouro, três de prata e uma de bronze, repetindo o resultado de 2021. Além disso, a CraftLab Grodziskie, do estilo Grodziskie, foi eleita a Best of Show, ou seja, a melhor cerveja do evento.
Com Alem Bier e Blumenau, o pódio das melhores cervejarias do Concurso Brasileiro também contou com a Sabores do Malte. A marca de Maringá (PR) ficou em terceiro lugar, com três medalhas de ouro, uma de prata e quatro de bronze – no ano passado, havia sido eleito o melhor brewpub.
Na categoria Best of Show, destinada a premiar as melhores cervejas do concurso, a Unika, de Rancho Queimado (SC), com a sua Catharina Sour, a Catharina Sour Caju e Pitanga, levou a medalha de prata. E o bronze foi para a B7, uma Experimental Indian Pale Ale, da Bragantina, de Bragança Paulista (SP).
Esta edição do Concurso Brasileiro de Cervejas distribuiu 332 medalhas, sendo 106 de ouro, 108 de prata e 118 de bronze. Entre as 160 categorias de estilos inscritos, a American India Pale Ale (IPA) teve a maior quantidade de participantes, com 211 amostras, seguida pela American Pale Ale (APA), com 125, e pela Catharina Sour, com 117 amostras. Confira a lista de cervejarias premiadas.
O Concurso Brasileiro de Cervejas teve a sua cerimônia de premiação realizada na noite desta terça, sendo aberta ao público, com a realização de apresentações musicais, depois de dois eventos do setor, que também estavam agendadas para ocorrer neste mês em Blumenau, terem sido adiados por causa da pandemia, casos do Festival Brasileiro da Cerveja e da Feira da Cerveja, ambos remarcados para a primeira semana de maio. Já o Congresso Internacional da Cerveja será nesta quarta e quinta-feira (9 e 10).
Até por isso, esta premiação do CBC, a décima da sua história, só permitiu o acesso ao Don Concept Hall às pessoas que apresentassem na entrada do local um passaporte vacinal contra a Covid-19 ou um teste PCR feito 48 horas antes do evento.
O CBC deste ano contou com 3.635 rótulos inscritos e 587 cervejarias de todo o país, números apontados pela organização como recorde e que representaram incrementos de 15% e 26%, respectivamente, em relação ao evento realizado em 2021
A décima edição do CBC foi realizada após uma grande controvérsia. No final do ano passado, o coletivo AfroCerva, a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) e 12 cervejarias, incluindo a Ambev e o Grupo Heineken, se manifestaram contra a presença de uma pessoa, acusada de cometer atos racistas, entre os integrantes da organização do concurso.
Responsável pelo evento, a Associação Blumenauense de Turismo, Eventos e Cultura (Ablutec) negou que um dos profissionais acusados de envolvimento nos casos estivesse fazendo parte da preparação e execução do campeonato cervejeiro. Entretanto, à época, a organização do CBC ignorou os pedidos da reportagem do Guia para ter acesso a uma lista com o nome dos organizadores do evento e de seus jurados. E optou por não responder aos pedidos de esclarecimento da AfroCerva, embora a Ablutec tenha cobrado que o nome do profissional alvo da acusação tivesse o seu nome tornado público, o que não aconteceu.
A disputa pelo mercado de cervejas puro malte no Brasil ganhou mais uma concorrente. Com a intenção de consolidar sua presença no setor premium e chegar a novos consumidores, a Praya apresentou ao mercado o seu novo rótulo, a Praya Puro Malte. A novidade está disponível em cerca de 5 mil pontos de venda no eixo Rio-São Paulo.
O lançamento é o primeiro da Praya desde que ela passou a integrar a Better Drinks, grupo de bebidas, que também conta com as marcas F!VE, de drinks prontos para beber, Praya, Vivant, de vinhos em lata, Mamba, de águas e Baer-Mate, uma alternativa aos refrigerantes com mate, gás e cafeína natural.
Para este novo momento da marca, a ideia é ampliar a presença no cotidiano do consumidor ao apostar no segmento de cervejas puro malte, sem deixar de lado a busca pela associação com a brasilidade, além do uso de ingredientes naturais.
“Estamos muito bem posicionados no mercado premium e vamos fomentar o crescimento acelerado do setor com mais uma opção, sempre prezando pela mesma qualidade, conexão e compromisso com o consumidor. Estamos muito felizes porque agora a Praya está completa e pode estar na mesa do brasileiro em todas as ocasiões!”, afirma Tunico Almeida, CEO da Praya.
Segundo ele, já era um sonho antigo, de pelo menos três anos atrás, lançar uma puro malte da Praya. “Sempre tivemos muito orgulho de ser uma marca de rótulo único, mas começamos a sentir que era possível complementar nosso portfólio com um produto que seguisse a nossa qualidade, com uma receita única e que pudesse chegar a novos públicos e novos ambientes”, conta.
Co-fundador e CEO da Better Drinks, Fellipe Negra garante que a preocupação com a sustentabilidade não é só um discurso na Praya, algo que a marca espera demonstrar conforme for conquistando espaço no setor cervejeiro.
“A Praya é a primeira cervejaria Empresa B e carbono neutro do Brasil. É uma marca extremamente cuidadosa com todo o processo de produção, sustentabilidade e práticas responsáveis” afirma.
Com a chegada de março, começam a surgir as campanhas sobre o Dia Internacional da Mulher. E no segmento cervejeiro não é diferente. Na semana do dia 8 de março, mulheres são convidadas para realizar uma fala sobre o que é ser mulher em um mercado majoritariamente masculino e quais são as dificuldades encontradas na carreira.
As dificuldades incluem serem chamadas para falar do mesmo assunto todos os anos ou participar de campanhas de cervejarias para criar empatia e visibilidade para a marca com um assunto que fica nos Trendings Topics por uma semana, enquanto no restante do ano não se lembram de chamar as mesmas mulheres para falar de cerveja, malte ou lúpulo, mesmo quando são especialistas no assunto.
Como cientista e CEO do Science of Beer Institute, passei a adotar práticas que buscam a equidade de gênero em meus projetos. Minha trajetória que nasceu na ciência traz o amparo e a ascendência de mulheres que passaram por esse caminho. E sigo lutando para dar mais espaço a elas.
As mulheres ocupam somente 37,4% dos cargos de gerência. E, quando se trata de alta gestão, só temos 8% das mulheres nos cargos de CEO. Isso é preocupante quando sabemos que a média de instrução das mulheres chega a ser 10% maior do que a dos homens. Por isso, eu acredito que ações que fortalecem o trabalho de mulheres valem mais do que campanhas que exaltam nossa beleza.
Essas estatísticas mostram que precisamos trabalhar muito mais para atingir o mesmo sucesso que homens têm, sem o mesmo talento ou experiência. Estudamos, criamos e conquistamos o mundo. E, ainda assim, os espaços de liderança nos são negados apenas por sermos mulheres.
Nos últimos anos, abri ações afirmativas nos cursos do Science para bolsas parciais ou integrais para mulheres, pessoas negras e/ou que se encontram em situação de vulnerabilidade econômica. Esse projeto é só uma parte do que eu posso fazer pelo mercado. Já formamos mais de 10 mil alunos e busco dar oportunidade para pessoas que sonham em estudar cerveja.
A equidade não pode ser um apêndice, precisa estar na governança e no ponto de partida para seleção de equipe. Do contrário, não se está fazendo algo que se reflita na sociedade. Do ponto de vista de uma empresa, essa ideologia vai além. Vai se ficando para trás, perde-se prestígio e há risco de perder dinheiro. O país está atrasado em relação ao mundo, que está caminhando e avançando nas questões de equidade.
A palavra feminismo ainda assusta e afasta muita gente, principalmente no meio cervejeiro, mas essa pauta não é contra os homens e sim a favor das mulheres. Ser feminista é usar uma lente que te permite enxergar o mundo por outras perspectivas além da sua. Perspectivas, inclusive, que nos alertam quando estamos tendo estruturas de opressões. Meu convite é para todos passarem a usar essas lentes.
Ainda vivemos em um sistema de opressões que beneficia a poucos. Um homem não vive experiências de machismo, logo é muito difícil que compreenda como esse machismo opera. E pessoas héteros não sofrem com a LGBTfobia para compreender a deslegitimação de sua orientação sexual. Não há como enfrentar a desigualdade no Brasil sem enfrentar a desigualdade de gênero e raça.
Por estarmos em um mercado que permeia a diversão e por falar de bebida alcoólica, ainda há muita objetificação da mulher. Passamos por diversas situações de assédio moral ou sexual em eventos cervejeiros, nos quais ainda temos que repetir que NÃO É NÃO para evitar comportamentos nocivos para a mulher. É impressionante que ainda no século XXI precisemos discutir respeito e consentimento.
E, ainda assim, nos últimos dois anos, o mercado foi inundado por diversos episódios de machismo, misoginia, homofobia e racismo, vide o caso da cervejeira Brienne Allan nos Estados Unidos e de diversas mulheres no Brasil. É preciso discutir como podemos melhorar o segmento para então ter um ambiente mais inclusivo e acolhedor. E as mulheres devem ser protagonistas nesse diálogo.
A mensagem que precisamos passar é que ao invés de desejarem feliz Dia das Mulheres, valorizem nosso trabalho, contratem os serviços de mulheres, comprem de mulheres, fortaleçam suas ações e as deixem tomar os postos que lhes são de direito. A representatividade é de extrema importância para que o posicionamento saia do papel e faça a diferença
Amanda Reitenbach, fundadora do Science of Beer Institute
Nós precisamos ocupar cargos que possam efetivamente realizar as mudanças estruturais que irão beneficiar a todos, e não só aos homens. Para mim, a melhor pessoa para tomar decisões para mulheres, são as mulheres.
As pequenas ações ao longo da minha carreira são a forma que posso contribuir para o crescimento dos trabalhos de mulheres, dando oportunidades profissionais e indicando para vagas que comumente são tomadas por homens. Ainda há muita resistência em contratar mulheres nas cervejarias, por exemplo, mesmo que tenham instrução comprovada.
A mulher, além de ter de se provar constantemente na sua área de atuação, ainda sofre com a jornada dupla de trabalho. No Brasil, a mulher tem média de 18,1 horas de trabalho de afazeres domésticos durante a semana, enquanto os homens têm 10,5h. E essa mudança deve ser estrutural, vindo das ações que efetivamente deem voz para que as mulheres estejam em postos de decisão.
Essas ações podem ser: implementação de uma política de contratação e gestão que considere mulheres para os cargos e tolerância zero de discriminação de gênero, a contratação de uma consultoria feminina especializada em treinamento educacional e preventivo contra violência de gênero, estabelecimento de protocolos de prevenção e políticas contra assédio de todas as origens em local de trabalho, promovendo um espaço seguro para mulheres.
Além disso, as cervejarias, bares e pubs podem instruir a equipe e comunicar através de seus canais e espaços físicos que a mulher que se encontra em alguma situação de assédio pode falar abertamente com os colaboradores e/ou gerência. São ações como essas que podem realmente fazer a diferença.
Temos muitas mulheres extremamente competentes e experientes no mercado cervejeiro. Contratem mulheres para que estejam no processo de decisão, contratação e gestão dos seus negócios. Isso vai ter muito mais significado do que uma cerveja rosa e perfumada para 8 de março. As ações de uma empresa podem ser um protesto silencioso que endossa o poder às mulheres competentes de nosso mercado e ainda acho que não é suficiente: precisamos de todas as mulheres!
No mês da visibilidade das mulheres, queremos mais do que flores e homenagens, que, claro, são bem-vindas. Mas queremos espaço e valorização de atuação, políticas públicas, espaço de fala, ações e programas que valorizem a equidade e diminuam as violências de gênero. Essas transformações precisam ser em todas as esferas: instituições, associações, cervejarias e todos os demais tipos de negócios.
*Amanda Reitenbach é cientista com doutorado em Neuroengenharia. Fundou o Science of Beer Institute e é responsável pela organização e curadoria do Brasil Beer Cup e do Beer Summit.
Chegou mais um 8 de março e, junto a ele, vem o marketing das empresas, totalmente voltado para nós, aquela mensagem pronta no WhatsApp, nos felicitando pelo dia, e, também, o adorado e odiado botão de rosas, que é usado para dizer “lembramos de vocês”. Nada contra isso, mas, mais uma vez, só quero lembrar que o que realmente queremos é: RESPEITO, SEGURANÇA E VALORIZAÇÃO.
Respeito no local de trabalho, em casa, nas redes sociais e na rua. Queremos ser ouvidas, ser levadas a sério, poder disputar uma vaga de emprego onde o que vai ser analisado é nosso currículo e nossas capacitações, não nosso gênero. Respeito na mesa do bar, atrás do balcão de bar, no chão da cervejaria ou no televendas, nas postagem de Instagram e nos grupinhos de WhatsApp.
Queremos segurança em vários sentidos, seja ao sair para um bar, festival ou viagem, nos sentindo seguras no ambiente. A segurança de que tudo vai estar bem quando chegarmos em casa ou que a ajuda chegue logo, caso seja solicitada, e até mesmo a segurança que nosso emprego estará garantido depois de uma licença-maternidade.
Queremos ser valorizadas como mulheres e profissionais, como empregadas ou empreendedoras. Que nosso trabalho seja levado a sério e valorizado, seja ele no balcão de bar, nas panelas ou escritório da cervejaria, nas postagens de redes sociais, na organização ou como juradas de um concurso ou qualquer outra profissão (cito essas pois esse é o meu mundo).
Queremos o compromisso das empresas ao revisar suas políticas de contratação, salários e cargos. E que uma postagem em rede social tomando uma cerveja na banheira, ou de biquíni na praia ou piscina não tire nossa credibilidade como profissional.
Resumindo, o que mais queremos é viver sem medo. Medo do mundo que espera as meninas de hoje e as mulheres do futuro.
* Fernanda Salviano é gastrônoma com especialização em bebidas e gerenciamento de bares e restaurantes, sommelière de vinhos e cervejas, jurada de concursos de cervejas e atual sommelière do Unika Bar, em Florianópolis.
A Seasons decidiu olhar para o seu passado e realizar relançamentos de rótulos que já tiveram êxito comercial em concursos logo nos primeiros meses de 2022. De uma vez, a marca fundada no Rio Grande do Sul e pertencente à Companhia Brasileira de Cerveja Artesanal (CBCA) recolocou no mercado a Basilicow, a Pacific e a X-Bacon.
A ideia da Seasons, com esses relançamentos, foi aproveitar o período do ano, especialmente no caso da Basilicow, uma Witbier que combina com o calor do verão, e, principalmente, atender aos pedidos do público que aprecia os rótulos da cervejaria.
“A Basilicow normalmente é produzida no verão, então está na sua janela de sazonalidade; já a Pacific tem ganho cada vez mais espaço nos nossos tanques devido à excelente aceitação do produto por onde passa. E, quanto a X-Bacon, posso dizer que ela está sendo produzida por aclamação pública, pois todos os nossos clientes, fãs e amigos da vaca estavam pedindo por ela”, relata Léo Sewald, fundador da Seasons.
Além de serem já conhecidos, os rótulos têm mais em comum. Eles são inspirados em estilos clássicos de escolas cervejeiras distintas: a Basilicow nas Witbiers belgas, a Pacific nas American Pale Ale tradicionais, e a X-Bacon nas cervejas defumadas alemãs, as Rauchbiers. Mas todos esses relançamentos possuem o toque da inventividade da Seasons a partir desses estilos.
“Estamos falando da nossa assinatura criativa nas receitas, tangenciando os métodos clássicos de fabricação e dando a nossa cara para os produtos”, afirma, Léo Sewald, fundador da Seasons, para depois detalhar como se dá esse processo em cada uma das três cervejas agora relançadas pela marca da CBCA.
“Na Basilicow, usamos uma base de uma Witbier, mas substituímos as tradicionais sementes de coentro e raspas de laranja por manjericão; na Pacific, desenvolvemos uma especialização do estilo American Pale Ale chamada Extra Pale Ale, um tipo de cerveja com as notas aromáticas e amargas de uma IPA, mas com o drinkability e o teor alcoólico de uma APA, ou seja, o melhor dos dois mundos. Para finalizar, na X-Bacon, adotamos o modelo quanto mais, melhor. Ou seja: onde nas tradicionais Rauchbiers alemãs se utiliza até 50% de malte defumado na sua composição para trazer as notas fenólicas da defumação, na X-Bacon elevamos esse percentual para 90%”, explica.
A trajetória dos relançamentos da Seasons A Basilicow é uma das cervejas mais premiadas da marca gaúcha. Afinal, ela rendeu à Seasons medalha de ouro e Best of Show no Concurso Brasileiro de Cervejas de 2015 e uma de bronze no de 2017. Também foi ouro na South Beer Cup de 2016 e bronze na Copa Cervezas de America de 2017.
“A Basilicow nasceu nas panelas homebrews da Carol Bender, sócia-fundadora da Seasons e minha esposa. Ela já produzia a receita da Basilicow pelo menos 3 anos antes de a lançarmos como produto na Seasons. Como normalmente fazemos a cada ano, aproveitamos o período do Festival Brasileiro de Cervejas em 2015 para mostrá-la como lançamento. Para nossa alegria, não só a Basilicow levou uma medalha de ouro na sua categoria como também ganhou o prêmio de Cerveja do Ano e nos elevou ao patamar de segunda melhor cervejaria do Brasil. Foi uma coroação mais do que especial para nós”, relembra Sewald.
Detentora de medalhas de prata conquistadas no Concurso Brasileiro de Cervejas de 2014 e 2015, a Pacific surgiu de um desejo do fundador da Seasons em uma viagem pela Califórnia. “A Pacific nasceu depois de uma viagem minha para San Diego, na Califórnia. A cidade é a capital mundial da West Coast IPA, a clássica IPA amarga e seca no paladar. Em conversas com os cervejeiros de lá, entendi que havia uma busca por aroma e amargor com mais drinkability. Daí surgiu a inspiração para o desenvolvimento da receita da Pacific”, relata.
Já a X-Bacon teve participação internacional, advindo de uma longa parceria com uma maltaria alemã, a Weyermann, como recorda o fundador da marca gaúcha. E garantiu para a Seasons um ouro, em 2017, e uma prata, em 2016, no Concurso Brasileiro de Cervejas.
“A X-Bacon surgiu de uma colaboração com a maltaria alemã Weyermann, uma das empresas mais tradicionais do setor cervejeiro e nosso fornecedor desde o primeiro dia de Seasons. A amizade cresceu tanto ao longo dos anos que, quando a Weyermann estava para lançar um malte novo no mercado, escolheu a Seasons para desenvolver um produto que levasse o ingrediente. Foi um grande momento para nós trabalhar em conjunto com uma empresa secular como a Weyermann, mostrando que tradição e criatividade podem sim andar de mãos dadas”, relata Sewald.
O carnaval em 2022 contou com atrações bem diferentes das usuais para alguns amantes da cerveja e seus insumos. Afinal, da sexta-feira em que a folia costuma começar até a última terça, foi realizada a 2ª edição do Festival Nacional da Colheita do Lúpulo, atraindo 4 mil pessoas para uma imersão na cultura deste ingrediente da cerveja em Curitibanos (SC).
Realizado inicialmente em 2021, o evento expandiu neste ano com a realização, pela primeira vez, da Feira Brasileira do Lúpulo e do Concurso Latino de Cervejas Lupuladas. Elas se juntaram às palestras técnicas, visitas a plantação de lúpulo, colheita, brassagem coletiva, e claro, muita comida e chopes premiados.
O público que compareceu ao evento surpreendeu os organizadores. “A adesão do público à 2ª edição do Festival Nacional da Colheita do Lúpulo foi de 100%, já que a edição contou com cerca de 4 mil pessoas”, afirma o engenheiro agrônomo Rodrigo Baierle, da Lúpulos 1090.
Ele dividiu a organização do festival em Curitibanos pelo segundo ano seguido com o também engenheiro agrônomo Romualdo Petters Pietrovski, da Lothbrok Cervejaria. E destacou como o público conseguiu interagir com a rotina da produção de lúpulo.
“Foi fantástico o que aconteceu nestes cinco dias de evento. A galera que compareceu entrou totalmente no clima da experiência. Tivemos jurados de mais alto nível e todo mundo saiu feliz e com a certeza de que iria voltar”, conta Baierle.
O evento técnico do Festival Nacional da Colheita do Lúpulo também foi considerado um sucesso, tendo atraído mais de 150 pessoas. “Para as palestras técnicas, a gente já fechou os pacotes com uma certa antecedência e lotou o auditório, assim como os dois hotéis oficiais do festival”, destaca o engenheiro agrônomo.
Para ele, o festival consagrou-se dentro do município e entre as pessoas que não são especialistas em cervejas, mas que também gostam da bebida e puderam experimentar alguns passos da produção do lúpulo. “As pessoas puderam viver a experiência da plantação de lúpulo e das palestras. A avaliação foi de 100% e todo mundo saiu satisfeito e elogiando bastante”, completa Baierle.
1º Concurso Latino de Cervejas Lupuladas O 1º Concurso Latino de Cervejas Lupuladas foi uma das grandes atrações da edição deste ano do festival em Curitibanos. A competição teve inscrições da Argentina, do Brasil e do Panamá e distribuiu 58 medalhas, divididos entre cervejeiros caseiros e profissionais.
O concurso foi uma iniciativa da organização do festival em parceria com a produtora Matinê Cervejeira. E contou com a participação de jurados do Estados Unidos, do Panamá, da Venezuela, do Uruguai, da Argentina e de diversas regiões brasileiras.
Entre os caseiros, Fábio Luis Bossada foi eleito o cervejeiro do ano. Já o rótulo Best Show acabou sendo o Lenabarley, de Fabio Ferreira Florencio, de Ribeirão das Neves (MG).
Já na parte do concurso destinada aos profissionais, Leonardo Salvador foi apontado como o cervejeiro do ano. E a Destellos Del Pacifico, uma Spice, Herb ou Vegetable Beer, de Luca Fernandez Chinigo, de La Plata, na Argentina, levou a medalha de ouro do Best of Show.
Após um fevereiro agitado no mercado cervejeiro, o mês de março também começa movimentado e cheio de novidades no setor. Uma das principais é o lançamento de uma IPA de baixa caloria pela Goose Island, que já disponibiliza o produto para venda na sua brewhouse em São Paulo, além da comercialização online, com entrega em todo o Brasil.
Já para quem busca adquirir conhecimentos técnicos e uma nova especialização, a Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM) confirmou uma agenda de 10 novos cursos à distância, que começarão em abril e estão com inscrições abertas e preços promocionais até a próxima quarta-feira.
Confira estas e outras novidades do setor no Menu Degustação do Guia:
IPA de baixa caloria da Goose Island A Goose Island lançou a LO IPA com a promessa de surpreender os consumidores ao preservar as principais características de uma cerveja deste estilo mesmo tendo apenas 98 calorias no seu conteúdo, envasado em garrafas long neck de 355ml. Segundo a marca, esta cerveja possui aroma frutado e cítrico, que remete a maracujá e casca de limão, que podem ser sentidos graças a uma combinação dos lúpulos citra, azacca e cashmere. Com estas variedades e um leve sabor de malte, a IPA de baixa caloria da Goose Island tem 40 IBUs de amargor e apenas 2,75% de teor alcoólico. “A LO IPA chega para brindar quem busca uma cerveja leve, mas sem perder em sabor. Estamos orgulhosos do resultado, que preserva as características de uma boa IPA e traz uma nova possibilidade para as pessoas. Mais uma vez, nosso objetivo é ampliar o leque de possibilidades de quem ama cerveja e não abre mão de uma explosão de sabores”, ressalta Vanessa Nastari, chefe de marketing de Goose no Brasil.
Plataforma de hospedagem A Corona anunciou o lançamento de uma plataforma de hospedagem, a Corona Paradise, que promete auxiliar os usuários com serviços de 150 hotéis e pousadas selecionados por uma curadoria exclusiva da marca. De acordo com a empresa, por meio da plataforma, é possível fazer reservas em mais de 28 destinos com paraísos naturais no Brasil.
Brahma com Alcione e Arlindinho Em meio a mais um ano sem folia oficial nas ruas por causa da pandemia, a Brahma lançou uma campanha com as participações de Alcione e Arlindinho, respectivos sambistas da velha e da nova geração, que convidam brasileiros a manter vivo o espírito do carnaval. Criada pela agência Africa, a ação publicitária tem os músicos cantando “O Show Tem Que Continuar”. A iniciativa serve como um aquecimento para os amantes desta festa, já que os principais desfiles das escolas de samba do Brasil foram transferidos para abril.
Chope da Votus na plataforma Magalu A cervejaria Votus, de Diadema (SP), anunciou que o chope produzido pela marca agora está disponível para venda também na plataforma do Magazine Luiza. De acordo com a empresa, o fato vai facilitar aos seus clientes o acesso e o recebimento da bebida em casa.
Parcerias da Lagoon Com o objetivo de expandir os seus pontos de venda, a Lagoon fechou parcerias com o Santíssimo Resort, em Tiradentes, e quatro bares das cidades históricas mineiras: na Toca do Lobo e no Tunico Delicatessen, ambos deste mesmo município, assim como nas casas Venfel e a Deer Espetinhos, localizadas em São João Del Rei.
Lançamento de Martyn Cornell A Editora Krater, especializada em livros sobre cerveja, segue promovendo lançamentos de suas publicações e uma agenda de eventos. Nesta terça-feira (8), na cervejaria Alles Blau, em Blumenau (SC), haverá uma palestra do jornalista inglês Martyn Cornell sobre o livro “A História das Cervejas Britânicas”, sessão de autógrafos e happy hour com DJ e comidas do Reino Unido. O primeiro lançamento desta obra, em São Paulo, ocorrerá na sexta-feira (11), no Espaço Aroo, com nova palestra de Cornell e experiência de harmonização dirigida por Junior Bottura. E o mesmo autor fará uma outra explanação ao público, esta com o tema “150 anos do lúpulo Fuggle”, no sábado (12), no bar Esconderijo, da cervejaria Juan Caloto, com ingressos à venda por meio do link.
Workshop de sommelieria A Krater também colocou à venda o Guia da Sommelieria de Cervejas, um livro com 470 páginas, capa dura e repleto de ilustrações. Motivado pelo lançamento, será realizado no dia 19 o workshop multissensorial “Sommelieria em 5 atos”, conduzido por Bia Amorim e Jayro Neto, alguns dos autores do livro.
ESCM amplia grade A Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM) abriu dez novos cursos à distância, que estão com inscrições abertas e lotes com preços promocionais até a próxima quarta-feira (9). Transmitidas com uma estrutura multicâmera de dentro dos laboratórios da instituição, as aulas são para as áreas de produção, gestão, sommelieria e outras bebidas, sendo que os cursos possuem de 24 a 40 horas de duração. Os temas são: Aprofundamento em lúpulo; Produção de cervejas não convencionais; Controle de qualidade para as cervejarias; Microbiologia da cerveja; Gestão comercial para as cervejarias; Gestão financeira para cervejarias; Gestão industrial; Harmonização com cervejas; Destilador e Produção de bebidas não alcoólicas.
Premiação do Concurso Brasileiro Em sua décima edição, o Concurso Brasileiro de Cervejas, de Blumenau (SC), realizará a cerimônia de premiação nesta terça-feira (8), a partir das 19 horas, ocorrendo pela primeira vez de forma aberta ao público. Será no Don Concept Hall, com apresentação das bandas Laskeras e Dazaranha, e tendo o chef Erick Jacquin sendo o mestre de cerimônias.
Festival em Sorocaba Sorocaba (SP) receberá nos dias 19 e 20 de março o Festival de Cerveja Artesanal Saint Patrick’s Day. Com a presença de 11 cervejarias que fazem parte da Associação Cerveja Livre, que promove o evento, o encontro vai ser no Parque Carlos Alberto de Sousa Campolin e os organizadores preveem que cerca de 5 mil pessoas participem ao longo dos dois dias. O festival também contará com cinco food trucks e apresentações musicais.
BCB São Paulo com estandes cheios A organização da segunda edição do BCB São Paulo, maior evento de destilados premium do Brasil, anunciou que já vendeu 100% dos espaços reservados aos expositores de diversas marcas de bebidas. Entre elas estão Diageo, Pernod Ricard, Campari, Amázzoni Gin, Beam Suntory e Brown-Forman, que estarão presentes no Expo Barra Funda, em São Paulo, em 21 e 22 de junho. O evento contará com 150 estandes, nos quais estarão profissionais como bartenders, mixologistas, gestores de bares e restaurantes, gerentes de compras, executivos tomadores de decisões para estabelecimentos, donos e sócio-proprietários de distribuidores e varejistas.
Cerca de 15 dias após a maior tragédia da história de Petrópolis (RJ), provocada pelas fortes chuvas, a comunidade e as cervejarias da cidade tentam, em meio ao trauma, retomar a rotina, embora, para isso, as ações de solidariedade sejam fundamentais. Assim, neste mês de março, em meio à reabertura dos estabelecimentos, algumas ações cervejeiras buscam ajudar a cidade.
Elas envolvem o Circuito Cervejeiro de Petrópolis, que conta com as cervejarias Odin, Bohemia, Sampler, Duas Torres e Brewpoint, localizadas no entorno do Palácio de Cristal e no coração do centro histórico da cidade fluminense.
As cervejarias se juntaram e decidiram dar continuidade aos trabalhos de solidariedade que estão sendo realizados desde a tragédia, como conta Felipe Rabah, sócio da Odin. “Nosso casarão fica em uma área estratégica e com o encontro de três ruas. Então, ele ficou fechado durante esses dias e virou uma espécie de quartel-general para arrecadação e distribuição de doações, com muitas pessoas ajudando nas demandas das famílias mais afetadas”, conta.
Agora, com a retomada das atividades da cervejaria, algo que aconteceu no último sábado (26), o projeto foi deslocado para um galpão ao lado do Casarão da Odin. “A gente precisou retomar o trabalho cervejeiro porque aqui, por exemplo, temos 30 funcionários. Ou seja, 30 famílias que dependem da gente”, explica Rabah.
Na ação de solidariedade, durante todo o mês de março, para toda conta acima de R$ 100,00, as cervejarias irão destinar 5% do valor total para doações e projetos para as famílias mais necessitadas. “Estamos falando de 5 empresas da região que vão somar toda a semana e apresentar seus resultados dessa ação. Depois disso, vão direcionar isso diretamente para um projeto de caridade ou para abastecer um abrigo ou às famílias diretamente.”
Em paralelo, outra ação vai ajudar diretamente a Doutor Duranz, integrante da Rota RJ que foi a cervejaria mais atingida pelas chuvas. Na iniciativa, todas as cervejarias também irão plugar um barril do chope Summer da marca. “A gente vai comprar os chopes da Doutor Duranz e vender aqui em nossa estrutura e isso de alguma maneira vai ajudá-la a recuperar as vendas”, relata o sócio da Odin.
A Doutor Duranz relatou que a fábrica na Coronel Veiga teve parte do maquinário afetada. Com isso, o espaço só pôde ser reaberto no sábado passado (26), mas apenas com a venda de cerveja através do sistema drive-thru, com a retirada de growlers. Já os danos do snack bar de Corrêas foram menores, sendo reparados mais rapidamente.
Nesta retomada, o sócio da Odin ressalta que a cidade já está limpa e em recuperação, mas agora será fundamental apoiar o turismo, restaurantes, bares, pequenas lojas e todo o comércio de Petrópolis. “Estamos fazendo até um pacto aqui de dar prioridades aos fornecedores locais. Então, por mais que a gente tenha um prazo ou um preço melhor em grandes players no mercado, a gente vai olhar para dentro e auxiliar na economia local porque vamos precisar de toda ajuda possível”, finaliza.
No dia 15 de fevereiro, em um período de seis horas, choveu 260mm em Petrópolis, de acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, provocando deslizamentos e enchentes. Segundo o mapeamento realizado pela prefeitura, o município soma 1.117 pessoas desabrigadas, em 34 espaços, 955 delas em escolas municipais e estaduais e 162 em igrejas e ONGs. A Defesa Civil informou que a tempestade provocou pelo menos 231 mortes. E cinco pessoas seguem desaparecidas.
Uma pesquisa realizada pelo Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises apontou que a tragédia provocou prejuízo superior a R$ 78 milhões no setor de bens, serviços e turismo de Petrópolis. Já um trabalho realizado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro apontou perda estimada de R$ 665 milhões no PIB do município.
Ao refletirem mudanças da sociedade e se organizarem em um movimento para a realização de uma semana de eventos, expoentes do modernismo brasileiro mostraram que era possível construir uma arte que rompesse com as tradições europeias, que dominavam os pensamentos da elite brasileira no início do século XX. Foi assim que a Semana de Arte Moderna, também eternizada como Semana de 22, se tornou um dos marcos culturais do país, a ponto de repercutir 100 anos depois, se tornando, inclusive, alvo de homenagem em rótulos de cerveja no seu centenário.
Realizada de 13 a 17 de fevereiro de 1922, a Semana de Arte Moderna reservou um dia para cada manifestação artística – pintura, escultura, poesia, literatura e música –, se transformando em uma das referências culturais do Brasil no século XX pela renovação da linguagem e a experimentação, vista em atos hoje corriqueiros, como a declamação de poesias. Mudou, assim, a cultura brasileira e sua manifestação dali em diante.
O encontro, em São Paulo, reuniu nomes hoje consagrados na arte brasileira, como Mário e Oswald de Andrade, Víctor Brecheret, Plínio Salgado, Anita Malfatti, Menotti Del Picchia, Heitor Villa-Lobos e Di Cavalcanti. E se deu em meio a um período em que oligarquias dominavam o país politicamente, na República Velha, representada pela política do café com leite, mas que contrastava com o início da explosão urbana na capital paulista.
Ao usar esse momento de mudanças para expor um movimento, a Semana de 22 se tornou um marco do modernismo brasileiro, embora não tenha representado, de fato, o início da sua manifestação no país. Mas a reunião de eventos serviu para exibi-lo como algo coletivo, como destaca, ao Guia, André Cáceres, jornalista cultural, escritor e editor da Sesi-SP Editora.
“Embora o modernismo já existisse em manifestações artísticas e literárias isoladas no Brasil, a Semana de 22 foi o primeiro grande evento a organizar o modernismo como um movimento coletivo e a disputar com a crítica reacionária da época, colocando novas formas de pensar e fazer arte no centro de um debate que contribuiu, posteriormente, para desenvolver culturalmente o país”, afirma.
Essa apresentação do modernismo, com o abandono de estéticas, caso da parnasiana, atacada na leitura do poema “Os Sapos”, de Manuel Bandeira, não se deu, porém, de forma pacífica. Houve choque, provocação e enfrentamento com o público presente ao Teatro Municipal, como nas vaias a Heitor Villa-Lobos, por se apresentar calçando um chinelo.
E os debates acalorados que prosseguiram por semanas, à época, através de artigos publicados na imprensa, com representantes relevantes do evento, como Menotti del Picchia, Mário e Oswald de Andrade, se manifestando a favor do modernismo e seus ideais artísticos como resposta às reações conservadoras. “Se o choque foi duro na época, foi também importante para que a arte moderna passasse a ser aceita nos círculos culturais do país nos anos seguintes”, avalia Cáceres.
A união entre os modernistas que fizeram a Semana de 22, porém, durou pouco, em função de divergências, sejam as de caráter ideológico ou algumas de fundo estético. Nem por isso aquele período deixou de repercutir ao longo das últimas décadas, mostrando que a sua relevância é inegável.
Afinal, o Movimento Antropofágico, o tropicalismo e mesmo a bossa-nova sofreram sua influência. E seus principais representantes seriam eternizados em representações décadas depois, seja com Macunaíma, de Mário Andrade, filmado por Joaquim Pedro de Andrade, ou Rei da Vela, de Oswald, encenado no teatro por Zé Celso, ambos produzidos em meio à ditadura militar brasileira e que podem ser vistos como resposta a ela. E mesmo Villa-Lobos ganhou espaço nas trilhas sonoras dos filmes Terra em Transe e Deus e o Diabo na Terra do Sol, ambos de Glauber Rocha, além de ter influenciado Tom Jobim.
“Vários fatores mantiveram a Semana de 22 em destaque: o regime varguista usurpou o imaginário modernista para construir uma visão nacionalista; os movimentos concretistas e neoconcretistas, nos anos 1950, e a Tropicália, nos anos 1960, foram influenciados pelo grupo; comemorações e homenagens ao evento reavaliaram constantemente seu legado ao longo do século 20. Por essas e outras, até hoje há um grande debate em torno da Semana de 22 e de suas repercussões na arte e na sociedade brasileira”, avalia o jornalista cultural.
Na visão de Cáceres, há outros motivos, esses mais relacionados ao processo de construção e realização da Semana de 22, assim como dos seus participantes, que ajudam a explicar a longevidade da relevância do evento modernista, ocorrido em um período em que a arte das oligarquias começaria a ser suplantada pela sociedade de massas.
“Talvez pelo ineditismo do evento em terras brasileiras; talvez pela forma como, pela primeira vez, um movimento tentou pensar uma arte verdadeiramente brasileira a partir de influências de dentro e de fora do país, sem a ingenuidade do indianismo do século 19, por exemplo; talvez pela destreza com que seus integrantes desfilassem pelas trincheiras da imprensa da época, tornando o evento um marco incontornável também por questões midiáticas”, enumera Cáceres.
A homenagem em cerveja à Semana de 22 A repercussão da Semana de 22 e, agora, do seu centenário também ganhou seu espaço no setor, através de uma cerveja recém-lançada. Marca que costumeiramente aposta em elementos relacionados com a brasilidade nas suas receitas, a Colorado participou da celebração com o lançamento da Vendedor de Frutas, rótulo que leva o nome de um famoso quadro de Tarsila do Amaral.
A cerveja para marcar o centenário da Semana de 22 é uma Catharina Sour, um estilo surgido no Brasil e reconhecido recentemente pelo BJCP. Ela leva abacaxi e coco na sua receita, tendo 4% de teor alcoólico e baixo amargor, com apenas 6 IBUs. E é feita a base de trigo. De acordo com o seu descritivo, a receita destaca o sabor e o aroma das frutas, sendo o abacaxi o protagonista no paladar e, o coco, no aroma, “combinação que traz para a cerveja um equilíbrio entre a acidez cítrica e o aroma doce.”
“Em cada receita de nossas cervejas buscamos retratar a riqueza dos sabores brasileiros. Assim como o modernismo, chegamos para quebrar o ‘complexo de vira-lata’ e focar na valorização do que temos aqui em nosso país. Os quadros de Tarsila transbordam brasilidade, por isso, o ‘Vendedor de Frutas’ foi um convite para os nossos mestres cervejeiros. Esperamos que os amantes de arte e de cerveja apreciem essa novidade e que nossa homenagem esteja à altura do legado de Tarsila”, defende Daniel Carneiro, gerente de marketing de Colorado.
Tarsilinha do Amaral, presente ao lançamento da Vendedor de Frutas, celebrou a iniciativa da Colorado. “Estou muito feliz com a parceria Tarsila e Colorado. A embalagem com o quadro ‘Vendedor de Frutas’ ficou maravilhosa e ainda a cerveja tem na sua composição as frutas do quadro. A parceria ficou completa. Tenho certeza de que as pessoas vão adorar o produto e vão colecionar a embalagem”, comenta a sobrinha-neta de Tarsila do Amaral,
E Tarsila? Embora homenageada pela Colorado com uma cerveja que leva o nome de um dos seus quadros, Tarsila do Amaral não participou diretamente da Semana de 22. Afinal, embora em consonância artística com os modernistas da época, especialmente com Anita Mafalti, ela estava fora do Brasil, em Paris, quando da realização do evento em São Paulo.
Ainda assim, muitas características a aproximam daquele grupo, como detalha Cáceres. “Sua capacidade de síntese, de construir formas e imagens sugestivas a partir de elementos mínimos; sua compreensão de que a arte de um país não pode abdicar dos aspectos nativos de sua terra, mas também de que a formação de um artista deve passar pelo cânone tradicional; sua vontade de inovar, de buscar uma arte não formulaica, que rejeitasse rótulos acadêmicos em prol de um novo padrão estético”, diz.
Além disso, embora a homenagem da Colorado para a Semana de 22 e Tarsila tenha sido com uma cerveja que leva o nome do quadro Vendedor de Frutas, a sua principal obra – e uma das mais icônicas da história da arte brasileira – é outra: Abaporu. Para Cáceres, uma consequência do movimento que ganhou espaço com a realização da Semana de 22. E que, na sequência de um evento que deu vazão à arte brasileira, foi levada por ela para todo o mundo.
“Tarsila do Amaral concebeu aquela que talvez seja a obra mais icônica da arte brasileira, o ‘Abaporu’, símbolo máximo do movimento antropofágico, que foi consequência direta da Semana de 22. A importância de Tarsila talvez tenha sido sua capacidade de internacionalizar a arte brasileira, levando-a para além das fronteiras do país”, conclui Cáceres.
A Matisse é uma cervejaria que tem sinalizado, ao longo da sua trajetória, o cuidado em homenagear as artes plásticas em seus rótulos, além do desejo de se manter próxima ao consumidor. Essas duas características estarão estreitadas a partir do próximo sábado, quando o bar da Matisse será inaugurado em Niterói (RJ).
Les Fauves é o nome do espaço, localizado na Vila Cervejeira da cidade fluminense, e também o termo, utilizado inicialmente de forma pejorativa, para se referir ao que seria reconhecido como o Fauvismo, movimento artístico do início do século XX que tinha Henri Matisse, homenageado pela cervejaria em sua identidade, como um dos expoentes.
“Les Fauves (do francês) significa ‘os feras’, mas também é o nome de uma tendência artística associada à pintura, que teve início no ano de 1901, na França, com Henri Matisse e outros pintores contemporâneos. Tinha como característica principal o uso de cores puras, sem misturas e intensas”, explica Mario Jorge, sócio-fundador da Matisse.
No bar, o público terá acesso a 20 torneiras, com várias das mais conhecidas cervejas da Matisse, além de novidades e cervejas maturadas em barril de madeira, assim como rótulos de marcas convidadas. Também estarão plugadas duas opções não alcoólicas, a água tônica e o ginger ale, ambos de produção artesanal, que vão compor alguns dos drinques oferecidos pela casa.
Ao comentar sobre as opções que estarão à disposição do público, Mario Jorge destaca que será possível contar com cervejas que dificilmente poderiam ser oferecidas se a Matisse não tivesse o seu bar. “Teremos um espaço para plugar todas as nossas cervejas, mesmo as mais especiais, envelhecidas em barril de madeira e produzidas com ingredientes especiais, que acabam sendo caras para revenda e o público em geral tem poucas oportunidades de experimentar”, comenta.
A cozinha do bar da Matisse será comandada pelo chef Ruann Bravo, responsável por um cardápio que terá os tradicionais petiscos de boteco e algumas inovações da casa. Além disso, haverá petiscos veganos produzidos pela chef Mari Menezes, do Restaurante Aluá, e pratos tradicionais da culinária internacional.
A Matisse precisou encarar o desafio de construir o bar durante a pandemia do coronavírus. Algo que também levou os seus responsáveis a prepará-lo com espaços amplos e abertos. Assim, as mesas são posicionadas com o espaçamento necessário ao atendimento dos protocolos sanitários. Um cenário que se repete nos espaços internos, com dois andares. No total, o bar da Matisse tem capacidade para 80 pessoas sentadas, com 70m2 de área coberta para os clientes, além da sua área externa.
“Foi um grande desafio, porque a obra envolve muitas pessoas e com os protocolos de segurança para prevenção da Covid eu tinha que ficar administrando o pessoal para que não tivesse muita gente na obra ao mesmo tempo. Além disso, a pandemia provocou falta de alguns materiais, principalmente os que são de aço, pois não os encontrava ou estavam muito caros”, relembra Mario Jorge.
A inauguração do Les Fauves será no próximo sábado (5), a partir das 16 horas. O bar da Matisse na Vila Cervejeira de Niterói fica na rua Professor Heitor Carrilho, 250, no centro da cidade. O espaço, que contará com apresentações musicais, também é visto pelos profissionais responsáveis por ela como uma oportunidade de encontro com o público para falar sobre o que os mais inspira: cerveja, arte e as relações que elas propiciam.
“É o que mais gostamos de fazer, conversar com os clientes, ouvir feedback, falar sobre as cervejas, os ingredientes, as histórias por trás dos nomes e das artes que compõem a identidade visual da cervejaria, do bar e dos rótulos”, conclui Mario Jorge.