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Em expansão, Wienbier aposta em latas de 473ml para ampliar momentos de consumo

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Em fase de crescimento no setor cervejeiro, mesmo em um ano marcado pela crise do coronavírus e pela falta de insumos, a Wienbier apresentou ao mercado uma novidade que promete ajudar na ampliação dos momentos de consumo. A marca substituiu as latas de 550ml por um formato menor, de 473ml, que agora passa a compor o seu portfólio que já contava com as embalagens de 710ml.

Na avaliação da Wienbier, essa diferença no formato das latas tende a deixar o consumidor em uma situação mais clara para definir qual cerveja deseja beber, de acordo com o momento vivenciado no seu dia a dia.

“Criamos uma família de produtos capaz de atender consumidores em diversos momentos de consumo compartilhado e individual, com o portfólio composto respectivamente pelas latas de 710ml e agora, com latas de 473ml, do tamanho exato de 1 pint”, afirma Victor Ramalho, gerente de marketing da Wienbier, produzida pela cervejaria NewAge.

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Para a marca, agora com a opção da lata de 473ml, o consumidor poderá, também, experimentar diferentes rótulos entre as suas diversificadas opções. “Com a redução da embalagem, o consumidor terá a oportunidade de ampliar a experimentação dos diversos estilos de Wienbier, sem que tenha que necessariamente adquirir um volume compartilhável do produto [lata de 710 ml]”, afirma Ramalho. E acrescenta: “O consumidor encontrará nas gondolas também um produto de menor desembolso na compra, o que ajuda a democratizar o consumo de nossas cervejas e na entrada em varejos menores”.

Além disso, a Wienbier aponta outros aspectos que podem atrair o público para a lata de 473ml: o consumo individual e a manutenção da cerveja sempre gelada. “Poderá beneficiar o consumidor nas festas de fim de ano. Com a lata menor, a pessoa pode degustar sozinha (diferentemente das latas maiores, que geralmente são compartilhadas). Com a embalagem menor, temos a vantagem de a cerveja não esquentar, o que favorece o consumo”, acrescenta Edison Nunes, diretor de marketing e vendas da Wienbier.

Marca em expansão
A mudança no formato da lata se dá em um momento de expansão da Wienbier, apresentando crescimento acima da categoria. De acordo com dados da Nielsen, em relação ao mesmo período de 2019, a expansão no valor obtido pela marca com as vendas foi mais de 5 vezes maior do que as vendas da categoria no Brasil. No interior paulista, a marca atingiu crescimento cerca de 10 vezes maior do que a categoria.

Para a Wienbier, essa expansão está diretamente relacionada ao crescimento de distribuição e às experiências oferecidas pelos seus rótulos. “Todas as cervejas Wienbier são produzidas com o mais alto padrão de qualidade e métodos de produção tradicionais, para que o consumidor possa usufruir da mais genuína experiência cervejeira em seus momentos de descompressão”, complementa Edison.

Saiba mais sobre a Wienbier em nosso Guia do Mercado

Os rótulos da Wienbier podem ser encontrados no link. Confira quais são:

Wienbier 53 Stout: A 53 é uma Stout levemente lupulada, com espuma densa e final seco. Os maltes torrados especiais remetem a chocolate amargo e café. Tem 20 IBUs e 5,0% de graduação alcoólica.

Wienbier 54 Bock: A 54 é uma típica Bock, porém adequada ao clima brasileiro. Possui coloração acobreada, com sabor e aroma vindos de um blend de maltes especiais. Tem 15 IBUs e 5,0% de graduação alcoólica.

Wienbier 55 Pilsen: A 55 Pilsen possui cor dourada clara, sendo produzida com uma elaborada seleção de maltes de cevada e com lúpulos europeus. Conta com espuma cremosa e persistente. Tem 8 IBUs e 4,5% de graduação alcoólica.

Wienbier 55 Pilsen Sem Glúten: Recriação da tradicional receita 55 Pilsen, dedicada aos celíacos e a todos os amantes de cerveja. Possui cor dourada clara, produzida com uma elaborada seleção de maltes de cevada e com lúpulos europeus. Conta com espuma cremosa e persistente. Tem 8 IBUs e 4,5% de graduação alcoólica.

Wienbier 555 Super Pilsen: Utilizando o mesmo malte da 55 Pilsen, a Wienbier criou a Super Pilsen, uma cerveja com corpo e sabor marcantes, resultado da harmonização de lúpulos especiais e com uma maior concentração de malte. O processo de maturação é mais longo que o da 55 Pilsen tradicional e ressalta a presença dos lúpulos de amargor e aroma, trazendo equilíbrio com a maior quantidade de malte. É uma cerveja não filtrada de coloração translúcida, que preserva melhor seus elementos naturais. Tem 20 IBUs e 5,8% de graduação alcoólica.

Wienbier 56 Black: A receita 56 traz o sabor de maltes especialmente selecionados. Conta com espuma cremosa e persistente. Levemente adocicada, possui equilíbrio de aroma e sabor. Tem 10 IBUs e 4,5% de graduação alcoólica.

Wienbier 57 Weiss: A receita 57 é elaborada com maltes de cevada, trigo de melhor qualidade e com o renomado lúpulo alemão Hallertau Mittelfrüeh. Possui coloração dourada e turva, característica proveniente da não filtração em seu processo produtivo. Aroma complexo de frutas e especiarias. Sabor balanceado e delicado com um suave amargor. Tem 15 IBUs e 4,5% de graduação alcoólica.

Wienbier 58 Ruby: A Wienbier reuniu as duas bebidas fermentadas mais antigas da humanidade em uma receita preparada para agradar aos paladares entusiastas dos dois mundos. Seu balanceado sabor de cerveja e vinho, agradável e refrescante, com ingredientes nobres, faz da 58 uma bebida diferenciada. Tem 6,8% de graduação alcoólica.

Wienbier 58 White: Na receita 58 White, o mestre cervejeiro da Wienbier uniu cepas especiais responsáveis por gerar a cerveja e o vinho para elaborar uma bebida de coloração leve como ouro. Seu sabor equilibrado nasce da harmônica combinação destes clássicos. Tem 7,2% de graduação alcoólica.

Wienbier 59 IPA:  Esta cerveja apresenta uma turbidez e coloração cobre profundo, espuma cremosa e persistente. Corpo equilibrado e um amargor marcante, característico do lúpulo esloveno Styrian Golding usado em sua receita, o que confere um aroma herbal e floral. Tem 45 IBUs e 7,0% de graduação alcoólica.

Artigo: Uma marca com DNA paulistano

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Texto publicado originalmente no site Confraria Paulistânia

A cerveja artesanal de São Paulo chega ao fim de 2020 com um presente para nós que, além de admiradores, atravessamos um ano tão atípico e desafiador.

É numa toada de alegria e celebração que a Cervejaria Paulistânia nos aquece o coração, pois lançou a segunda safra da Paulistânia X. Uma Brut Barley Wine com adição de pimenta rosa e 10% de teor alcoólico que prometem uma sensação de confortável aquecimento.

Quem teve oportunidade de degustar a primeira safra desta maravilha engarrafada sabe que se trata de uma cerveja espetacular.

A Paulistânia X teve a sua versão primogênita em 2019, ocasião na qual a cervejaria celebrava seus dez anos de existência. Mas não era só a Paulistânia que completava o ciclo, pois um marco da cidade de São Paulo compartilhava esta mesma década de atividades.

O “X” da questão
A Ponte Estaiada Octávio Frias de Oliveira, cartão postal paulistano, inspirou uma homenagem à altura da sua obra arquitetônica, com duas pontes em curva formando um X, sustentadas por estais ligados a um único mastro.

A ponte é suspensa por conjuntos de cabos de aço, conectados a uma torre ou mastro com a função de dar sustentação às suas pistas.  Uma construção moderna e sofisticada, considerada a evolução da tradicional ponte pênsil.

Estes princípios também marcam o exemplar de Barley Wine criado pela Paulistânia, uma cerveja que tem tradição secular, com uma releitura moderna e bastante sofisticada de produção.

Na edição de 2020, a Paulistânia X repete o sucesso da versão Brut Barley Wine, que é feita seguindo um método de produção de espumantes conhecido como Charmat, sendo a segunda fermentação realizada por levedura de espumante. Esta fermentação acontece na Vinícola Góes e confere à cerveja característica frisante e complexidade aromática.

Safras para serem colecionadas
Com todos esses cuidados no processo de produção, leva três meses para se realizar a mágica. Temos então uma apresentação espetacular, sendo a Paulistânia X envasada em garrafas de 750ml e embalada em uma caixa incrível.

Vale ressaltar que este é um daqueles exemplares que depois de consumido vai ser parte importante da decoração do cantinho cervejeiro da sua casa. Um verdadeiro item de colecionador.

Mas o que é o estilo Barley Wine?
Se formos traduzir literalmente, seria vinho de malte de cevada e, tal descrição se fundamenta, pois este estilo surgiu justamente para substituir o consumo de vinho da aristocracia britânica nos idos do século XVIII.

Como a Inglaterra fria e úmida não permitia o cultivo de uvas, os vinhos eram importados principalmente da França, mas conflitos entre as duas nações muitas vezes complicavam trocas comerciais e diversas vezes o fornecimento de vinho era interrompido.  

Surgem então cervejas com potencial de rivalizar não apenas em teor alcoólico, mas em qualidade e complexidade. Estas bebidas recuperaram o orgulho dos cervejeiros ingleses, que agora forneciam aos palácios e foram cantadas em verso e prosa.

Como mencionado acima, é um processo delicado e trabalhoso de fabricação, mas compensa no seu resultado.  As cervejas do estilo Barley Wine podem levar de meses a anos para ficarem prontas. Neste caso, podemos considerar que a Paulistânia X é um jovem exemplar.

Todos os sentidos!
Falando de degustação, meu primeiro sentido a ser aguçado foi a audição. Já na abertura da garrafa, o estampido demonstrou todo potencial frisante. Depois meus olhos brilharam ao ver o líquido de cor âmbar com tons rubis, verter até a taça.

No nariz, um aroma marcante de concentração de malte remetendo a toffee, frutas escuras e jerez. Na boca, o condimentado vem em primeiro plano. Depois os aromas se confirmam e um dulçor se contrasta com equilibrada acidez. o final é bem sequinho.

Harmonizando com salgado…
Claro que eu não receberia tão ilustre visita na minha casa sem oferecer para ela uma companhia adequada, para edificar tão brilhante presença. Assim, resolvi harmonizar com dois clássicos, sendo um salgado e um doce. 

Queijos são uma ótima pedida para harmonização com cervejas, pois além de promoverem deliciosas harmonizações, são muito práticos para servir e para comer, dando protagonismo ao ato de bebericar a cerveja.

Paulistânia X harmonizada com uma tábua de queijo Gruyère Reserva de Cruzília
Foto: Candy Nunes

Aqui minha escolha foi um queijo gruyère. Achei o Gruyère Reserva da Cruzília, que produz queijos desde 1948. O queijo apresenta acidez e sabores frutados suficientes para combinar com nossa exuberante e jovem Barley Wine Paulistânia X. Para decorar a tábua, coloquei uvas red globe e para aromatizar, derramei um punhado de pimenta rosa.

Foto: Candy Nunes

… E doce
Mas como boa curiosa que sou, ainda queria apreciar a união com um belo doce. Assim, optei pela clássica harmonização com o crème brûlée.
Convido os leitores a experimentarem esses sabores marcantes e espetaculares.

Com as festividades de fim de ano, a Paulistânia X é uma peça-chave para uma bela mesa de ceia. Que tal surpreender sua família e amigos com uma cerveja que tem apresentação de vinho, nome de vinho, mas que será uma inesquecível surpresa palatável para todos os que tiverem o prazer de degustá-la?

Candy Nunes é sommelière de cervejas, mestre em estilos, técnica cervejeira e apresentadora, além de correspondente audiovisual do Guia

Pesquisadores criam teste de diagnóstico mais barato da Covid-19 usando levedura

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A levedura Saccharomyces cerevisiae é mais um elemento que acaba de ser descoberto pela ciência para ajudar na corrida mundial contra a Covid-19. O microrganismo está sendo utilizado no desenvolvimento de um teste de diagnóstico rápido contra o vírus. A pesquisa é da empresa BIOinFOOD, startup apoiada pelo Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) da Fapesp e que surgiu dentro da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Leia também – Como foi 2020 na visão de 7 fornecedores da indústria cervejeira

A patente foi feita por alunos do Laboratório de Genômica e Bioenergia da Unicamp. E o novo teste, além de rápido, será mais barato que o RT-PCR tradicional porque o preço principalmente do insumo – a levedura, um dos principais componentes da cerveja – é menor.

O teste envolve a montagem de um biossensor na levedura Saccharomyces cerevisiae. A modificação genética introduzida na nova cepa fará com que a glicoproteína viral spike, presente na superfície externa do vírus, se ligue ao receptor humano ACE2 expresso na membrana da levedura.

“Quando ocorre a ligação – um sinal de que o vírus está presente –, a levedura, que tem normalmente uma coloração bege, emite uma cor verde fluorescente que pode ser identificada facilmente por equipamentos que detectam fluorescência, comumente encontrados nos laboratórios de análises clínicas”, afirma Gleidson Silva Teixeira, um dos sócios da BIOinFOOD.

Mais vantagens
Além de rápido e produzido a partir de um insumo mais barato, outra vantagem do teste com levedura é que ele provavelmente poderá ser feito a partir de amostras de saliva.

O fato de não ser invasivo – muitas pessoas relatam desconforto no momento da coleta de uma amostra da parte interior do nariz, que ocorre por meio do swab (cotonete especial) – é mais uma vantagem para esse tipo de diagnóstico.

A expectativa é de que a sensibilidade do teste também seja grande, o que significa que ele poderá mostrar a infecção poucos dias depois de ter ocorrido. E, como os insumos usados no desenvolvimento do novo produto são simples, a distribuição do teste diagnóstico também tende a ser mais fácil em termos de logística.

Para a fase seguinte, segundo Teixeira, a ideia é que a levedura emita uma luz vermelha, que será de mais fácil identificação e, assim, o teste poderá ser feito por em casa por qualquer pessoa.

A partir da constatação de que a hipótese do teste de Covid-19 utilizando levedura é viável, os cientistas da startup projetam que o novo teste poderá estar no mercado – para ser comprado por qualquer interessado – no primeiro semestre de 2021.

O projeto da levedura para o teste da Covid-19 tem também o apoio financeiro da Finep e, conforme o pesquisador, precisa ser desenvolvido rapidamente para ajudar no enfrentamento da pandemia.

“O grande pulo do gato, neste caso, está na modificação genética feita na levedura. Temos muita confiança de que a hipótese vai funcionar e o biossensor que estamos construindo vai emitir um sinal totalmente confiável”, destaca Teixeira.

Foco nas leveduras
As leveduras são microrganismos bem conhecidos e utilizados em diversas pesquisas. Na BIOinFOOD elas têm sido exploradas de diversas maneiras – inclusive, um dos produtos desenvolvidos pela startup é exatamente uma plataforma biotecnológica com foco na Saccharomyces cerevisiae.

Em razão de sua versatilidade, o microrganismo é amplamente utilizado como biofábrica pela indústria. As plataformas montadas a partir dessa levedura produzem vários produtos, como ácidos orgânicos, aminoácidos, enzimas e proteínas terapêuticas.

“No caso específico da plataforma para o teste de Covid-19, a nossa intenção é que ela possa ser adaptada para outros tipos de doença no futuro”, projeta Teixeira.

O pesquisador explica, ainda, que a empresa desenvolve várias soluções a partir dos microrganismos. Também integra o projeto a pesquisa com leveduras especiais para a fabricação de pão ou o processamento de cervejas especiais. Tudo com o objetivo de que o produto seja personalizado de acordo com o interesse do fabricante e o paladar dos consumidores.

* Com informações do site Pesquisa para Inovação – Fapesp

Como foi 2020 na visão de 7 fornecedores da indústria cervejeira

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Os fornecedores da indústria brasileira de cerveja também viveram, em 2020, um ano inteiro de desafios e incertezas ocasionados pela crise global oriunda da pandemia da Covid-19. Assim como seus clientes, os cervejeiros que precisaram usar a criatividade para se adaptar ao difícil ano de 2020, os fornecedores sentiram os efeitos do novo normal e necessitaram encontrar caminhos alternativos.

Leia também – 12 cervejarias avaliam como foi o ano de 2020 para o setor

No primeiro momento, o isolamento social inviabilizou praticamente todos os eventos presenciais que estavam programados para ocorrer após o primeiro trimestre do ano. Assim, sem a possibilidade de participarem de diversas feiras e exposições em 2020, que eram umas das mais eficazes apresentações aos clientes, os fornecedores precisaram de uma rápida adequação aos novos canais de venda e de comunicação, como o e-commerce, as redes sociais, as lives, etc.

Ao novo momento, somou-se a incerteza vinda da luta das cervejarias para manterem-se vivas no mercado. Foi quando se aqueceu o delivery, modelo de entregas que priorizou as vendas das cervejas em lata, garrafas e growlers diretamente ao consumidor final. Bem recebido, contudo, ele exigiu toda uma readequeção na cadeia de fornecedores para atender a nova demanda.

E, com a pandemia permanecendo ao longo dos meses, não demorou para que o fechamento do mercado internacional, a alta do dólar e as dificuldades logísticas aumentassem os desafios. Tudo isso ainda foi permeado pela crise financeira do país, ocasionando a dispensa de pessoal, a reformulação de negócios e a falência de inúmeros estabelecimentos.

Mais recentemente, nos últimos meses de 2020, os fornecedores ainda precisaram encarar a falta de insumos e de matéria-prima, que impactaram na produção de garrafas, embalagens e outros componentes para a fabricação de cerveja.

Confira abaixo como foi o ano de 2020 na visão de sete fornecedores da indústria cervejeira.

Agência Alvo (Bento Ferreira, sócio-proprietário)
No início da pandemia, muitas cervejarias tiveram que reinventar seu negócio, colocando sua cerveja em lata, garrafa ou growler, para que chegasse ao consumidor final. No meu ponto de vista, tivemos um aumento de consumo de bebida alcoólica, mas isso não quer dizer que tivemos um aumento nos lucros das cervejarias, pois muitas tiveram que fazer a preço de custo, para honrar suas despesas. Agora, temos a falta de insumos e de matéria-prima, impactando na falta das garrafas, embalagens e insumos para fabricação. E, para lidar com esse cenário, as cervejarias tiveram que trocar de fornecedores, trocar de embalagem e tentar se reinventar.

Hoplog (Luciano Demattio, fundador)
Definitivamente o ano de 2020 foi desafiador. O mundo inteiro passou por transformações inesperadas e não só no universo cervejeiro. A suspensão das atividades diante da recém-chegada Covid-19, no mês de março e ao longo dos meses seguintes, mudou profundamente o mercado e, logicamente, impactou os planos de negócios em 2020. Nossa decisão foi de não parar nenhum dia! Aumentamos os cuidados na armazenagem e entrega, seguindo todas as normas da OMS, e nos adaptamos às novas realidades de cada cliente durante as paralisações dos comércios. Foi um período difícil, mas garantir o escoamento das cervejas até os pontos de vendas foi essencial para não prejudicar ainda mais os custos. Já a falta de insumos e matéria-prima não nos atinge diretamente como “operadores logísticos”, mas uma possível escassez pode nos impactar na armazenagem do produto final.

Label Sonic (Bruno Lage, sócio-proprietário)
Um ano muito difícil e de muitas mudanças, mas também de muitas conquistas. Um ano para aprendermos lições de como entender o mercado e as pessoas que fazem o mercado acontecer. Em termos práticos, praticamente empatamos com o resultado de 2019, o que é uma grande vitória. O impacto foi gigantesco em termos de comportamento, pois o home working, as reuniões virtuais e até as feiras virtuais “surgiram” na nossa vida. A falta de matéria-prima é algo que não imaginávamos ser tão grave. No fornecimento de rótulos, em março, já prevíamos que algumas matérias iriam faltar quando a economia se movimentasse novamente, mas não desta magnitude. Os fornecedores confiáveis e as multinacionais – com contratos de fornecimento – falharam sistematicamente. No entanto, estamos terminando o ano com poucos problemas de atrasos.

M&P Facility Services (Michel Gervasoni e Patrícia Lopes, sócios-proprietários)
2020 ficará conhecido como o ano do reinventar-se e cocriar-se. Para nós, desafiador também, por ser o de lançamento da marca M&P Facility Services. A jornada foi drasticamente alienada pela ausência de calendário, na qual não podemos reunir, conhecer, confraternizar, apresentar ou celebrar algo novo. O mundo dos eventos foi cancelado, algo sem precedentes, assim como nossas relações pessoais, interpessoais e comunitárias. Ter resiliência e pensar fora da caixa foi a nossa premissa. Sobreviver à paralisação das atividades e buscar mercados sinérgicos foi nossa ação imediata, ante tal contexto.

Porofil (Nelson Karsokas Filho, sócio-proprietário)
O ano de 2020 se iniciou com muita expectativa, pois a economia estava se recuperando de uma crise que a pouco se afastava. Me lembro que o mercado estava comprador e os bons ventos apontavam para um ano promissor. Passado um mês, a China instalou o isolamento social e já começamos a sentir aqui no Brasil os efeitos do câmbio, pessimismo de mercado e falta de materiais nos fornecedores nacionais. E assim foi piorando até que a doença se tornou uma pandemia e afetou o Brasil em suas atividades. Mesmo com projetos cancelados e todos segurando recursos e investimentos, o básico precisava ser mantido e encontramos uma oportunidade nessa área que nos manteve ativos. Desse modo, procuramos ampliar parcerias, fortalecer relacionamentos, fazer um planejamento de curto prazo e, principalmente, decidimos manter nosso estoque sempre abastecido.

Smart Mash (Heitor Wermann, sócio-proprietário)
O ano de 2020, apesar de muitas incertezas, trouxe também muitos desafios. No início, estávamos com o projeto de participar de diversas feiras e exposições para apresentar um pouco mais do nosso trabalho e divulgar nosso lançamento. Mas percebemos que nossos clientes estavam produzindo mais cervejas em casa do que em relação aos anos anteriores, o que nos trouxe um aumento da demanda por Controladores de Temperatura. Então, acabamos perdendo um pouco de divulgação presencial do produto, mas aumentamos a participação online.

Zero Grau (Leandro Spaniol, coordenador de marketing)
Percebemos aqui na empresa de forma muito nítida a curva de consumo: a forte parada no início da pandemia e depois uma retomada do mercado nos meses de julho, setembro e outubro. Claramente, foi uma forma dos empresários demonstrarem que queriam retomar suas atividades e se prepararem para o verão que estava chegando. Já o cliente sempre é o termômetro de tudo, e o cliente do nosso cliente também. As pessoas já estão cansadas de ficar em casa e buscam alternativas seguras para seu entretenimento. Com isso tudo, 2020 foi um ano atípico, mas, mesmo assim, no balanço do ano, nosso setor mostrou crescimento.

21 lançamentos de cervejarias artesanais em dezembro

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O último mês do ano chegou repleto de lançamentos das cervejarias artesanais do país. Muitos deles vieram em clima natalino, enquanto outros trouxeram ao mercado rótulos premiados. Dezembro também foi marcado pela chegada de muitas collabs.

Leia também – 12 cervejarias avaliam como foi o ano de 2020 para o setor

A Barão Bier, por exemplo, fez o pré-lançamento de sua Vaud – White IPA, que ficou com a medalha de bronze no Festival Brasileiro de Cerveja 2020. Já a Berggren acabou de desenvolver um rótulo especial para o verão, a Everbrew lançou a série Nelson in Love co, a Cervejaria Demonho trouxe dois novos rótulos do estilo Juicy IPA e a Bodebrown veio com duas novidades, uma delas natalina.

Ainda neste clima de fim de ano, a StartUpBrewing Co. apresentou a versão natalina da linha Acid Rain, da marca UX Brew. E a curitibana Maniacs teve a sua Russian Imperial Stout especial de Natal envelhecida em barril de cachaça.

E, por fim, a Latido Ale House resolveu apostar em uma trilogia de DDH American IPAs, enquanto o Festival Repense Cerveja, da carioca 2cabeças, foi marcado pelo lançamento de seis rótulos colaborativos.

Confira abaixo os lançamentos das cervejarias artesanais no mês de dezembro.

2cabeças
O criativo Festival Repense Cerveja, da carioca 2cabeças, foi marcado pelo lançamento de seis rótulos colaborativos com a Invicta, Brewteco, Urbana, Landel, Tábuas e BR Brew, além da participação internacional da alemã Ale Mania. Com a Invicta e a Urbana, a 2cabeças trouxe a Feijoada, uma Lager Rauchdoppelmärzen com feijão, arroz, pimenta e sal (ABV de 8% e 30 IBUs). Da parceria com a Landel nasceu a Bolinho com Café, uma Vienna Lager produzida com café e laranja (ABV de 5,5% e 25 IBUs). Com a Tábuas foi produzida a Pudim, uma American Wheatwine com caramelo e cumaru (ABV 8,5% e 35 IBUs). Já a Roiz Doce é uma Pastry Sour com canela feita com a BR Brew (ABV de 6,4% e 8 IBUs). Da parceria com a Brewteco foi produzida a Batida de Maracujá, uma NE APA com dry hopping de Azacca e Mosaic, além de adição de maracujá e baunilha (ABV de 5% e 35 IBUs). O Festival ainda apresentou a Apfelstrudel, rótulo feito com a Ale Mania, da Alemanha. A bebida é uma Dubbel com maçã, canela e passas (ABV de 6.6% e 15 IBU).

Barão Bier
A Barão Bier, de Nova Friburgo e integrante da Rota Cervejeira RJ, fez em dezembro o pré-lançamento de sua Vaud – White IPA, no Only Beer Deck, que funciona no Shopping Comary, no bairro Alto, em Teresópolis. A cerveja foi medalha de bronze no Festival Brasileiro de Cerveja 2020 e traz uma complexidade de aromas e sabores, como especiarias de coentro e pimenta, resultante do trabalho da levedura belga. O amargor é elevado e o final refrescante, moderadamente seco. A receita foi desenvolvida para o primeiro festival da Rota Cervejeira, em janeiro. “Pensamos em um estilo diferente e ainda pouco explorado no mercado brasileiro, a White IPA. Esse estilo é basicamente um casamento de dois estilos distintos de cerveja: a IPA norte-americana, com o seu elevado caráter de lúpulo, e a Wit belga à base de trigo, com a sua presença refrescante e picante. Ambos estilos têm sua similaridade no frutado, seja no caráter do lúpulo, como na American IPA, ou da adição da fruta como na Witbier. Escolhemos a Physalis, que é uma fruta bem aromática e saborosa e que, juntamente com a laranja, traz uma bela composição”, explicou Helen Angelo, que divide a sociedade da cervejaria com a irmã, Karolina Angelo.

Berggren
A Berggren acabou de desenvolver um lote especialmente para o Verão. É a sua Sour Tangerina, uma cerveja com espuma cremosa e frisante que tem baixo amargor e acidez moderada, que dá o equilíbrio ao estilo conhecido pelo sabor ácido e aroma frutado. A garrafa com 355 ml será vendida pelo preço sugerido de R$ 13.

Bodebrown
A paranaense Bodebrown trouxe duas novidades. Inspirada nas cervejas de Natal da Europa, mais especificamente de uma região da Bélgica chamada Wallonia, a cervejaria apresentou a sua Bodebrown Hanscroufe Du Nöel Millésime 2019 / Krampus. O nome e o rótulo fazem referência ao Krampus, uma criatura mitológica que tem a missão de acompanhar São Nicolau durante a época do Natal. Com aroma de pães com nozes e castanhas, o rótulo é bem maltado, com um amargor mais pronunciado e elementos que remetem a frutas secas e desidratadas como ameixas. Tem, ainda, 9% de teor alcoólico. E, no Growler Day da marca, também houve o lançamento da Bodebrown Burton Wild Millésime 2018. A nova versão do rótulo de 2018 partiu do envelhecimento da receita original por 25 meses. É uma clássica Burton Pale Ale, com baixo amargor, suave acidez e leve frutado tipicamente inglês. O teor alcoólico é de 5,2%. Para mais informações, acesse: www.loja.bodebrown.com.br.

Demonho
A Cervejaria Demonho está com dois novos rótulos: Gárgulas da Escuridão e O Mal Vem a Cavalo. Ambos são do estilo Juicy IPA, porém com lúpulos e leveduras diferentes. A Gárgulas da Escuridão tem aroma e sabor de frutas tropicais que remetem a pêssego em calda, toranja, manga e maracujá silvestre, além de 7% de teor alcoólico e 50 IBUs, segundo descreve a marca. Já o Mal Vem a Cavalo traz aromas de frutas amarelas maduras, com amargor médio-baixo e alta drinkability. São 6,7% de teor alcoólico e 47 IBUs. Os rótulos já estão disponíveis nos pontos de vendas especializados.

Everbrew
A Everbrew, de Santos, criou uma nova série de cervejas com lúpulos da Nova Zelândia, Estados Unidos e Austrália. A Nelson in Love, uma NEIPA que foi a primeira da série, leva em sua receita apenas o lúpulo Nelson Sauvin – tem notas de uva verde e o perfil de vinho branco domina esta versão. A Nelson in Love Motueka, outro rótulo, traz dois lúpulos neozelandeses (Nelson Sauvin e Motueka), proporcionando uma junção do perfil de uva com características de lima e limão. Já a Nelson in Love Citra, Mosaic e Galaxy utiliza o Mosaic, dos Estados Unidos, e o Galaxy, da Austrália, que trazem aroma e sabor de frutas amarelas e complementam as notas de uvas verdes. E a última desta série é a Nelson in Love Southern Cross, com adição de outro lúpulo neozelandês de safra 2020. Traz. assim, um blend com o Nelson Sauvin, proporcionando características resinosas junto ao perfil de uvas.

Latido Ale House
A cigana carioca Latido Ale House lançou a experiência sensorial Verdell, uma trilogia de DDH American IPAs formada por Verdell Topaz, Verdell Azacca e Verdell Ekuanot. O projeto foi criado para as pessoas despertarem seus sentidos e descobrirem o sensorial de cada lúpulo. São três cervejas com os mesmos parâmetros, grist de maltes, levedura, lupulagens de amargor, flame out e whirpool, mas com diferença no double dry hopping. Topaz é um lúpulo australiano tropical, frutado, terroso e com notas de lichia. Azacca é um lúpulo norte-americano complexo que destaca manga, laranja, abacaxi e pinho. E Ekuanot é um lúpulo norte-intenso, cítrico, frutado e com notas de melão, papaia e pimenta verde.

Maniacs
A curitibana Maniacs apresentou uma edição especial de Natal envelhecida em barril de cachaça. Trata-se da Amburana Xmas Special, uma Russian Imperial Stout que, além dessa maturação em barris, também é posteriormente refermentada dentro da garrafa com levedura de champagne. É uma cerveja escura, opaca, com aromas e sabores torrados que remetem, principalmente, a cacau e café, com leve caramelo e notas secundárias do envelhecimento em amburana, que lembram coco, canela e baunilha. O amargor é médio e o corpo médio-alto, com 11,1% de teor alcoólico.

Ux Brew
Também no clima do Natal, a StartUp Brewing, empresa de tecnologia de bebidas e aceleradora para marcas artesanais, fechou o ano com o lançamento da versão natalina da linha Acid Rain, da marca UX Brew. A novidade é uma Fruited Sour com Cherries & Berries, fazendo referência às champanhes francesas. O rótulo Acid Rain Cherries & Berries tem 5,3% de teor alcoólico e leva frutas vermelhas em sua composição, como framboesa, amora e cereja, apresentando uma opção de cerveja leve e carbonatada. A garrafa de 750 ml foi feita pela design Gisa Bill Franken.

Artigo: Transformação digital pode reverter queda nas vendas de restaurantes?

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*Por Wanderson Leite

Ainda é lenta a retomada do setor de alimentação, uma das dez atividades mais prejudicadas pela pandemia de Covid-19. Segundo o Índice Cielo do Varejo Ampliado (Cielo/ICVA), bares e restaurantes alcançaram em outubro 73% do faturamento de antes da pandemia. São números animadores, tendo em vista que em abril a queda foi de 74,2%, mas ainda há um longo caminho na retomada de confiança do consumidor.

Leia também – 12 cervejarias avaliam como foi o ano de 2020 para o setor

Além disso, estudos recentes indicam que o número de casos da doença está voltando a subir em todo o país, tornando necessária a ampliação de medidas de segurança em todos os setores. Se muitos já aproveitavam a flexibilização da quarentena para voltar ao trabalho e às atividades de lazer, agora, tudo isso pode ter de ser novamente reconsiderado.

Os últimos meses impactaram fortemente o comportamento do consumidor. Como bem classificou a CEO da Galunion, empresa especializada em consultoria para food service, Simone Galante, hoje são três “S’s” que norteiam as decisões dos consumidores: saúde, segurança e solidariedade. Ou seja: para atrair o público para o seu estabelecimento, é preciso investir em ações que demonstrem esses valores.

Uma pesquisa feita pela consultoria destacou que o principal motivo (73% das respostas) que leva uma pessoa a confiar em um estabelecimento são as práticas de higiene e limpeza evidentes, tanto das instalações quanto dos colaboradores. Isso passa pelo cliente encontrar mesas limpas e com álcool em gel disponível, funcionários utilizando luvas e máscaras e utensílios entregues somente no momento da refeição, não expostos nas mesas. Mas, um item que merece bastante atenção, por ser uma importante fonte de transmissão se não higienizado constantemente e da maneira correta, é o cardápio.

Assim como a tecnologia foi importante para manter os restaurantes em atividade no início da pandemia, por meio dos aplicativos de delivery, ela pode ser uma aliada na retomada da confiança do consumidor. Muitos bares e restaurantes têm apostado em cardápios digitais, como o Yes Menu, para evitar o contato dos clientes com itens compartilhados e também com a equipe de funcionários. Além de ser uma solução mais segura em tempos de pandemia, a ferramenta reduz o tempo de atendimento – uma antiga reclamação de boa parte do público – e ainda aumenta a rotatividade das mesas, fazendo com que o estabelecimento possa aumentar as receitas em volume. A facilidade também está em alterar itens do cardápio, para evitar que o cliente peça algo que não está disponível no momento.

Eu costumo dizer que a venda é a consequência de um processo bem feito. Com redução de tempo, melhoria no atendimento e garantia de segurança para o cliente, o estabelecimento é capaz de faturar mais. O resultado da excelência em cada etapa do atendimento é um cliente satisfeito, que volta a consumir e ainda ajuda o bar ou restaurante a crescer por meio de recomendações para amigos e familiares.

Por fim, em qualquer segmento, é necessário um processo de adaptação e a pandemia acelerou tudo que já vinha sendo apresentado como tendência. A tecnologia deve ser utilizada a nosso favor e os restaurantes precisam estar abertos a inovar. Acredite: os clientes já estão preparados para viver novas experiências, desde que elas prezem por conforto, agilidade e segurança. Colocando a transformação digital em prática, será possível reescrever 2020 em 2021!


* Wanderson Leite é o idealizador do YES Menu. Formado em administração de empresas, ele também está à frente da Prospecta Obras, Big Data capaz de mapear obras em andamento e a iniciar em todo o país; da ProAtiva, app de treinamentos corporativos digitais; e da ASAS VR, startup que leva realidade virtual e tecnologia para as empresas

Beer Summit: A experiência do público como juiz de uma competição profissional

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O público da Brasil Beer Cup deste ano pôde viver uma experiência especial: um dia de juiz de uma competição profissional de cerveja artesanal. A iniciativa fez parte da programação do último dia do Beer Summit, realizado em 13 de dezembro.

Leia também – Balcão do Profano Graal: A história das Christmas Ales

Para uma experiência completa do evento organizado pelo Science of Beer, foi enviado um kit “box experience” com quatro rótulos de cervejas comerciais para a casa de cada participante, que teve a oportunidade de degustar às cegas junto com jurados profissionais. A ideia era trocar informações sobre o processo de avaliação da bebida em diferentes competições.

“Essa é uma ação inédita no Brasil e visa ensinar como acontecem os julgamentos nos festivais cervejeiros ao redor do mundo”, destacou Amanda Reitenbach, idealizadora do Beer Summit e CEO do Science of Beer.

O estilo escolhido para a simulação foi uma Catharina Sour, o primeiro estilo brasileiro reconhecido pelo Beer Judge Cerfication Program (BJCP). “O estilo é muito jovem, mas já está fazendo a cabeça dos cervejeiros aqui no Brasil”, afirmou Aline Araújo, juíza e membro da equipe de organização do Beer Summit.

As avaliações dos aspectos visuais, olfativos e degustativos das cervejas foram realizadas no Bier Science, uma ferramenta criada pelo Science of Bier para ajudar nas aulas online – e que agora foi adaptada para o evento.

O papel dos juízes
Em conversa sobre o que se espera dos juízes em uma competição de cerveja artesanal, os profissionais do encontro apontaram que eles precisam entender toda a completude da avaliação, que vai além da análise sensorial e descritiva de uma bebida.

“A gente sempre tem de pensar que precisa levar uma informação útil”, analisou Amanda. Segundo ela, o jurado deve ser extremamente objetivo, quantitativo e fornecer feedback para a compreensão da avaliação. O juiz também precisa estar atento ao julgamento da cerveja conforme o concurso, porque há diferentes regulamentos.

Rudy Fávero, juiz em concursos nacionais e internacionais, sommelier de cervejas e professor do Science of Bier, destacou que o guia de diretrizes norte-americano, além de oferecer instruções de como os profissionais devem se portar e avaliar as cervejas, traz uma importante parte histórica.

“Então, nós, como juízes, precisamos ter essa correlação de entender o guia e interpretar essa amostra na nossa frente de forma exímia, ética, correta e passando as melhores sensações e as melhores percepções”, comentou Rudy.

Já a juíza Priscila Prudêncio destacou a importância da produção correta de fichas pelos jurados. “O que é mais proveitoso para qualquer concurso cervejeiro é o feedback. A gente precisa pensar que tem alguém por trás esperando o seu produto que é produzido com tanto esmero para receber uma avaliação.”

Quanto mais o juiz for descritivo, acrescentou Priscila, melhor será a análise. Outro ponto fundamental é terminar a avaliação com alguma sugestão de como o cervejeiro poderia aperfeiçoar o seu produto, completou a especialista.

Há, também, por outro lado, a visão dos cervejeiros. Para Fernanda Ueno, da Japas Cervejaria, é importante sempre avaliar as opções de inscrições disponíveis ao estilo de cerveja que a marca tem.

Outro ponto é estar atento para que a ficha de inscrições contenha apenas o necessário sobre o produto. “Tem pessoas que escrevem mais e passam muitas informações, mas quem vai fazer o julgamento é o jurado”, analisou Fernanda.

O evento
O Beer Summit deste ano começou no dia 4 de dezembro e foi até o dia 13 de dezembro. Além do Brasil Beer Cup e da feira virtual, o evento contou com uma ampla programação de palestras em cinco trilhas: Diversidade, equidade e inclusão, Negócios, marketing e empreendedorismo, Sommelieria, estilos, serviço e harmonização, Matérias-primas, processos e inovação, e Experiências, tecnologia, ciência cervejeira e equidade.

Balcão do Profano Graal: A história das Christmas Ales

Balcão do Profano Graal: A história das Christmas Ales

Salve nobres,

Finalmente, estamos nos aproximando das festas de fim de ano. Desse ano que muitos com certeza preferem esquecer, mas que vai entrar para a história, ainda que de uma forma negativa. Mas, talvez, as festas de fim de ano sejam uma forma de “exorcizar” tudo de ruim que aconteceu nesse ano e renovar as esperanças para um ano melhor em 2021. Tradicionalmente, esse ritual (seja de “exorcismo”, seja de “celebração”) é feito com vinhos e espumantes. Mas, principalmente nos países de tradição cervejeira do Norte da Europa, também vai muito bem com uma cerveja. As cervejas de Natal ou Cervejas Sazonais de Inverno, como são classificadas no Guia BJCP (Beer Judge Certification Program), vêm sendo redescobertas pelas cervejarias há apenas uns 40 anos. Mas a sua história é bem mais antiga.

Remete aos hábitos de antigas populações pré-cristãs (celtas) do Norte da Europa, chegando aos povos nórdicos germânicos medievais. Há milênios, os celtas guiados pelos seus druidas festejavam o Yule, o solstício de inverno, o “dia mais curto do ano”. Dia em que o sol parecia estar imóvel no céu (solstitium, em latim, significa “sol parado”). O Yule acontece exatamente no período durante o qual hoje se celebra o Natal (nesse ano caiu no dia 21 de dezembro). Aliás, os druidas com seus rituais mágicos influenciaram muito nossos costumes de Natal. O visco (planta da vida), combinado com o carvalho (símbolo da eternidade), sob o qual é propiciatório beijar. A árvore solsticial decorada em homenagem ao Deus da luz. As guirlandas de azevinho que com suas bagas vermelhas representam o círculo da vida. Ou o toco de Yule, usado ano após ano para iluminar o próximo e deixado para queimar como um símbolo de renascimento. Por esses mestres celtas, desde o primeiro século DC. Os soldados romanos aprenderam muito, tanto que assimilaram os rituais para trazê-los até os dias atuais. Naquelas ocasiões, que marcavam também o fim da estação da colheita e o início dos meses frios, não faltava a cerveja de Yule.

Já entre os povos nórdicos, também conhecidos como vikings (séculos V a XII), fazer sua própria cerveja de fim de ano era uma tradição tão forte que se tornou mesmo uma obrigação imposta por lei pelo Gulating, uma das mais antigas e maiores assembleias parlamentares da Noruega, que ocorreu anualmente entre 900 e 1300 d.C. E que determinava que os proprietários de terra noruegueses deveriam festejar o Jul (palavra do nórdico antigo para Yule) com os seus trabalhadores fornecendo a juleØl, ou seja, a “cerveja de Jul”.  Se você quiser saber mais sobre o papel da cerveja na cultura nórdica, temos um vídeo sobre o tema no perfil do Profano Graal no Instagram.

Tradição tão forte, essa da cerveja de inverno, que nem a sobreposição da ritualística cristã sobre as religiões pagãs conseguiu erradicar. Tanto que os mosteiros europeus costumavam celebrar o nascimento de Cristo com a “Prima Melior”, o melhor do melhor da sua produção cervejeira. 

Apesar de ser um costume tão antigo, apenas no século XVII a cerveja natalina ganhou fama no mercado mundial. Foram os suecos, entre os primeiros imigrantes europeus a introduzir naquele século essas cervejas tradicionalmente natalinas na América do Norte. E, incrivelmente, apenas no século XIX os escandinavos voltaram a possuir essa tradição, mesmo que de forma mais comercial. Com a sua popularização começaram a ter suas versões em diversas escolas cervejeiras como na Belga, Alemã e Inglesa. Usualmente as cervejas natalinas eram versões mais alcoólicas e condimentadas de alguma cerveja já tradicional e bem aceita, relançadas no fim de ano em edição especial.

Hoje o BJCP estabelece as linhas-guias para a sua produção. Apesar de conhecidas como Christmas Ales, elas podem Ales ou Lagers, devem ter uma coloração de âmbar médio a castanho escuro, apresentar um aroma que remeta aos biscoitos de Natal, bolos, pinheiro, frutas secas, podem ser aromatizadas com especiarias, ter um sabor rico em base de malte ou maltados doces, podendo incluir caramelo, tosta, nozes e sabores de chocolate, corpo médio a alto e um teor alcóolico acima de 6% para esquentar nos dias frios. O que revela as suas origens do Norte da Europa e pode não ser o mais adequado para o Natal nos Trópicos, com a temperatura batendo os 40 graus celsius.

Mas, ainda assim, as cervejas de Natal costumam ser bebidas menos “quentes” do que os tradicionais vinhos. Além de serem mais versáteis na harmonização com os pratos natalinos. Nessas festas, façam essa experiência em família. E, se alguém reclamar da falta do vinho, conte para ele essa história. A história, como sempre, faz toda a diferença.

Aproveito para desejar Boas Festas a todos os leitores do Guia da Cerveja e nos vemos nesse mesmo balcão em janeiro.

Fontes
Niccolò Marranci – Abrir e presentear uma cerveja de Natal: a tradição das Christmas Beers! – Giornale della Birra – 22/12/2019 (https://www.giornaledellabirra.it/birre/stappare-e-regalare-una-birra-di-natale-la-tradizione-delle-christmas-beers/)

Andrea Cerreti – A cerveja de Natal não existe – Giornale della Birra – 22/12/2020 (https://www.giornaledellabirra.it/birre/la-birra-di-natale-non-esiste)

Luquita da Cerveja – Natal, época de tradição… cervejeira! – Beercast Brasil (http://beercast.com.br/leia-o-rotulo/natal-epoca-de-tradicao-cervejeira/)

Gulating – Wikipedia (https://pt.wikipedia.org/wiki/Gulating)

Yule – Wikipedia (https://pt.wikipedia.org/wiki/Yule)

Guia de Estilos de cervejas Beer Judge Certification Program (BJCP) 2015 – Tradução livre Mauro Manzali Bonaccorsi – Abril de 2016


Sérgio Barra é carioca, historiador, sommelier e administra o perfil Profano Graal no Instagram e no Facebook, onde debate a cerveja e a História

Ambev se junta a importantes players na criação da Academia da Cerveja

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Em mais um passo importante para democratizar o conhecimento cervejeiro e levar o setor à alta performance de profissionalização, relevantes players do mercado se uniram em uma parceria: a Academia da Cerveja. Encabeçado pela Ambev, o projeto reúne grandes institutos internacionais, como o alemão VLB Berlin, e algumas das mais importantes escolas cervejeiras do país, como a Escola Superior de Cerveja e Malte, o Instituto Ceres e o Instituto Marketing Cervejeiro.

Leia também – 12 cervejarias avaliam como foi o ano de 2020 para o setor

Iniciativas focadas em diversidade e inclusão farão parte do projeto e guiarão todo o trabalho da Academia da Cerveja. A iniciativa contribuirá ainda para, entre outras frentes, segundo os seus fundadores, o avanço do setor cervejeiro brasileiro com o compartilhamento de conhecimentos técnico e prático relacionados a processos de produção, segurança de alimentos, sustentabilidade, tecnologia cervejeira, inovação e outros temas que potencializam a atuação desse ecossistema.

Para a criação da Academia da Cerveja, a Ambev entrou com o seu time de especialistas nacionais e internacionais, responsáveis pelo desenvolvimento de conteúdos técnicos e exclusivos direcionados a especialistas na modalidade avançada da grade curricular dos cursos oferecidos pela escola.

“Entendemos que a profissionalização, a educação cervejeira e a democratização de conhecimento são processos essenciais para a solidificação e destaque do mercado brasileiro. Unir a expertise técnica e a experiência de grandes institutos de ensino cervejeiro em um único espaço fomenta o ecossistema e auxilia em um desenvolvimento saudável, conjunto e democrático”, explica Laura Aguiar, mestre-cervejeira e head de conhecimento e cultura cervejeira da Ambev.

Já a VLB Berlin, que possui mais de 140 anos de história, trará cursos específicos baseados na sua metodologia de ensino. De acordo com Roberto Biurrun, coordenador da VLB Berlin para América Latina, “o instituto é hoje uma referência mundial na área de pesquisa, análise e suporte técnico, que forma anualmente grandes nomes da cena cervejeira”.

Ainda segundo Biurrun, dada a abrangência e o impacto que a Academia da Cerveja pode proporcionar entre os profissionais do mercado brasileiro, o instituto não poderia deixar de contribuir com o projeto que nasceu com os mesmos propósitos, sempre mirando a excelência de atuação dos especialistas.

Já Chiara Barros e Patricia Sanches, fundadoras do Instituto Ceres, garantem que a Academia da Cerveja está alinhada à missão do Instituto Ceres de fazer a educação cervejeira alcançar todas as pessoas. “Estamos muito felizes em participar desse projeto que nos dá a oportunidade de propagar nossa paixão pela cerveja com tantos outros apaixonados.”

Diretor da Escola Superior de Cerveja e Malte, por sua vez, Carlo Bressiani destaca a importância do surgimento da academia para o mercado brasileiro de cerveja. “Juntar forças para levar educação cervejeira a todos os segmentos da sociedade e reforçar os fundamentos de um mercado saudável e sustentável é o que buscamos neste projeto. Um mercado cervejeiro mais preparado é um mercado cervejeiro mais forte.”

Já de acordo com Érica Barbosa, fundadora do Marketing Cervejeiro, que também faz parte da iniciativa, “ter uma sede para chamar de nossa na maior cidade do Brasil, com toda a estrutura que precisamos para oferecer o melhor aos alunos, é um passo importante para o Instituto Marketing Cervejeiro. E quando digo ‘nossa’, é no sentido da pluralidade desta escola colaborativa. Estar na Academia da Cerveja ao lado de outras instituições que admiramos nos aproxima de um público mais diverso”.

12 cervejarias avaliam como foi o ano de 2020 para o setor

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O ano de 2020 entra para a história como um dos mais desafiadores para as cervejarias artesanais em todo o Brasil. Afinal, praticamente todas sentiram os impactos de um dos anos mais atípicos da sociedade moderna, marcado pelo surgimento da pandemia do coronavírus.

Leia também – Como foi 2020 na visão de 7 fornecedores da indústria cervejeira

Se na virada do ano as expectativas eram as melhores possíveis, logo no começo de 2020 as cervejarias tiveram de encarar a desconfiança do consumidor após as contaminações e mortes pelo consumo de rótulos da Backer.

Em seguida, os efeitos da pandemia da Covid-19 espalharam-se tão rapidamente pelo país quanto o próprio vírus. De um dia para o outro, o isolamento social e as consequências econômicas da crise sanitária afetaram a vida das pessoas e, consequentemente, os planos das cervejarias para 2020.

Por outro lado, o temor das contaminações e o crescente número de mortes aceleraram a tendência ao digital. E, para sobreviver a esses desafios de 2020, muitas cervejarias foram obrigadas a se adaptar ao “novo normal”, que trouxe consigo um novo perfil de consumidor.

Aos estabelecimentos, coube elaborar formas para manter as vendas mesmo com as portas fechadas. Foi quando a inovação e a criatividade se tornaram fundamentais para a operação das cervejarias em 2020. Vieram à tona os projetos engavetados e firmou-se parcerias, priorizando as formas mais seguras e eficazes de comunicação e entrega.

Quem conseguiu sobreviver, ainda teve pela frente mais abalos econômicos, com as longas restrições ao funcionamento, as dificuldades de logística, a alta do dólar e, mais recentemente, a falta de insumos e de matérias-primas. E tudo em meio a decretos de fechamento e reaberturas, proibições de consumo, adequações de horários, dispensas de pessoal e desafios financeiros, o que exigiu resiliência das cervejarias em 2020.

Leia também – Falta de insumos: Maior crise em décadas dificulta retomada do setor cervejeiro

Confira o balanço exclusivo de 12 cervejarias sobre o ano de 2020 para o Guia.

Blondine (Sibele Xerfan, fundadora e diretora de marketing)
2020 foi um ano desafiante e de muita resiliência para muitos setores. Nós, conectados com a hospitalidade, sofremos os impactos do fechamento repentino dos bares e restaurantes, que representam uma parte importante de nosso faturamento. Diante da nossa nova realidade, tivemos de tomar decisões com agilidade, como corte de custos e ampliar nossos canais de venda com o lançamento da loja online. Também oferecemos apoio aos bares e restaurantes como forma de fidelização deste nosso portfólio em um período sensível para todos. Outra estratégia, depois da reabertura das casas, foi a venda de growlers lacrados de fábrica para os bares pensando em uma forma de trazer mais segurança e menos manuseio dos produtos durante a pandemia. Paralelamente, fortalecemos nossa presença nas redes de varejo, o que trouxe muita segurança para a Blondine neste ano, visto que os consumidores aumentaram a compra de bebidas alcoólicas para consumo em casa. A Blondine sempre estimou o relacionamento próximo com os seus parceiros, desta forma conseguiu abastecer o mercado sem alavancar grandes problemas de ruptura com as embalagens. A única adversidade foi com a cerveja Sparkling, uma Brut IPA que usa em seu envase uma garrafa importada da França que sofreu um reajuste de 100%, o que inviabilizou a manutenção do produto nas prateleiras das redes e ocasionou sua retirada do mercado. As demais cervejas continuam em linha, obtendo sucesso de vendas e sem comprometer o portfólio.

Cia de Brassagem Brasil (Danielle Mingatos, diretora de tecnologia cervejeira)
Encerramos a operação do nosso bar em março. Já tínhamos esse fechamento previsto, mas o objetivo com essa ação era a de retornarmos ao mercado e tudo aconteceu junto. Entendemos que, com as despesas que tínhamos com o nosso bar, era inviável nos mantermos. Também passamos por uma mudança societária. Isso nos fez rever a nossa cervejaria, nossas estratégias e entender quais seriam os melhores caminhos a seguir. Retomamos as produções no final de outubro e estamos seguindo com muita parcimônia. No retorno, vimos o estrago com tantos bares e restaurantes de portas fechadas. A falta de garrafas é um complicador, pois temos alguns pontos de venda que exigem que o produto seja apresentado em garrafas. Felizmente, já tivemos experiência com a produção em latas. Hoje, estamos produzindo nossas cervejas em latas e com a possibilidade de tê-las não pasteurizadas, o que melhora muito a experiência do consumidor.

Colonus (Filipe Carvalho, sócio-proprietário)
Os meses de março, abril e maio geraram cada vez mais temor ao que estava por vir, nos fazendo buscar mais proximidade para reforçar o nosso grupo de cervejeiros: as parcerias surgidas durante este período, o reforço na divulgação das marcas e das ações promovidas. Não podemos esquecer das lives que também promoveram fortemente as marcas e o canal de comunicação, elevando mais ainda o status da Rota (RJ) dentro do cenário. De maneira efetiva, tivemos o suporte jurídico para todas as ações, com destaque para problemas com energia e água nas cidades.

DeBron Bier (Thomé Calmon, sócio-diretor)
2020 não foi um ano fácil, apesar de ter tido um início promissor. Tiramos aprendizados e conseguimos desenvolver outros canais de vendas que deram uma boa visibilidade para a DeBron. Naturalmente, o coronavírus desacelerou o desenvolvimento que havíamos planejado para este ano, sem falar na queda de faturamento. Mas, por outro lado, conseguimos ser mais eficientes e aumentar a produção de garrafas apesar da falta em um determinado período. Os insumos ficaram mais caros e a pressão por aumento de preços tem ficado cada dia maior. Palavra do ano: resiliência!

Doutor Duranz (Ricardo Branco, sócio-proprietário)
Tivemos de inovar, usar a criatividade. Assim, nós turbinamos o nosso aplicativo de delivery, que passou a ser o principal canal de venda. Fizemos uma série de promoções para poder atrair as pessoas e, com isso, conseguimos um contato mais próximo com o público. Neste delicado momento que estamos vivendo, a Rota Cervejeira RJ conseguiu promover ainda mais a união dos seus associados, para que juntos pudéssemos pensar em soluções para alavancar a retomada do turismo cervejeiro em um futuro próximo.

Hipnose
Obviamente, a crise do coronavírus trouxe um impacto financeiro negativo na Hipnose, assim como em todas as outras cervejarias. Para nós, especialmente pelo fato de termos constantemente eventos e shows nas nossas taps, compondo grande parte da receita da empresa. Recentemente, a falta de insumos também se mostra um desafio que estamos lidando através do aumento de parceiros fornecedores e de aquisição em quantidades menores, caso necessário. A ideia é não perder nenhuma oferta de insumo disponível para não diminuirmos a produção.

MinduBier (Gustavo Martins, sócio-fundador)
O ano de 2020 tem sido um dos mais desafiadores da nossa história como empresa. Foi um ano em que a resiliência falou mais alto. Em março, logo após decretarem o fechamento dos estabelecimentos comerciais, todos os clientes cancelaram seus pedidos e tivemos uma queda nas vendas de 95%. A partir daí, investimos no e-commerce e, principalmente, no delivery na Grande Salvador. As pessoas, que compravam bastante nos pontos de venda, passaram a comprar conosco, o que recuperou um pouco o faturamento e, aliado à redução de custos fixos por revisão de contratos e diminuição do ritmo de produção, conseguimos passar por essa fase. Após a retomada, percebemos um aumento de vendas a estes estabelecimentos, porém também as vendas pelo delivery caíram bastante e, em paralelo, fomos surpreendidos com a falta de insumos e embalagens.

New Age (Edison Nunes, gerente comercial)
Nos meses de março e abril, as quedas nas vendas foram de 50% devido ao fechamento dos bares e restaurantes e as prioridades do consumidor para as compras de material de limpeza, higiene pessoal e cesta básica. Já no 2º semestre, houve o aumento de venda em cerca de 30% das nossas cervejas especiais. O consumo domiciliar cresceu, privilegiando as embalagens em lata (consumo individual) e os canais de vendas como os supermercados, que permaneceram abertos durante toda a pandemia. Na NewAge, todas as cervejas estão predominantemente na embalagem de lata e a indústria de embalagem, que não conseguiu acompanhar a demanda do consumo, ocasiona a falta de vários rótulos e marcas tradicionais no mercado.

Odin (Flavio Haas, sócio-proprietário)
O coronavírus alterou o consumo propriamente dito. O cliente trocou a cerveja no bar por garrafas e growlers na comodidade e proteção de sua casa. A alta do dólar afetou diretamente o “direcionamento” de nossas matérias-primas brutas, assim como de nossas importações, que consequentemente afetam toda a cadeia de produção, desde os insumos e embalagens até as peças de reposição. De fato, 2020 foi um ano atípico, não somente pela questão do coronavírus. A reação da Odin a toda essa crise foi imediata e rapidamente conseguimos adiantar os insumos necessários para alguns meses à frente, negociamos o prazo de alguns pagamentos e impostos, postergamos novos investimentos e, principalmente, aceleramos a venda direta ao cliente final. Nossas mídias digitais alteraram o viés institucional para um viés mais comercial, reduzindo o caminho entre a propaganda e a execução da venda final ao cliente.

Proa
2020 foi, sem dúvida, um ano de muitos desafios. O fechamento dos bares devido à pandemia impactou diretamente o nosso negócio, pois houve uma drástica diminuição das vendas e, consequentemente, da produção. Além dos bares e restaurantes que compravam o nosso produto, a Proa tem três bares próprios: um bar de fábrica, um bar conceito em Salvador e um mais recente no aeroporto, que segue fechado. Tudo isso gerou diminuição da receita e também inevitáveis demissões. A falta de insumo provocou uma quebra na nossa produção, prejudicando o estoque. Toda a cadeia necessária para chegar ao produto final foi afetada. A maneira que encontramos para agir nesse cenário foi dar prioridade ao consumidor final. Implementamos um delivery próprio e nossos bares passaram a funcionar como ponto de take away. Com isso, tivemos que mudar o foco da nossa comunicação também, estreitando os laços com o cliente final, oferecendo growlers e aluguel de chopeira como opção de compra, já que não envasamos toda a nossa produção.

Taru (Marcelo Miguel, sócio-proprietário)
Claro que em momentos de crise sempre surgem oportunidades, e isso fez com que a cervejaria colocasse em prática planos que eram de médio ou longo prazo. O coronavírus veio para complicar, e muito, o cenário mundial. A grande dor é ver parceiros e amigos que estão se perdendo no caminho. Entendemos que a falta de insumos e matéria-prima, que já são de certa forma normais para nosso mercado por estarmos em entressafra, foi agravada pela crise. E a dificuldade na previsão de demanda para os próximos meses dificulta ainda mais um planejamento apurado. De qualquer forma, tem sido possível obter os materiais necessários buscando novas fontes e fornecedores. Conseguimos manter a produção rodando normalmente. Um pouco de criatividade, novas receitas e boa comunicação com o consumidor ajudam bastante.

Wonderland Brewery (Anna Lewis, sócia-proprietária)
Este ano foi muito desafiador. Primeiro foi a incerteza de quando terminaria a quarentena, como poderíamos nos adaptar, que volume e quais estilos poderíamos produzir para atender à demanda ajustada, e em que embalagem. O segundo desafio é que todo o ecossistema que foi construído antes mudou, e uma mudança na cadeia dá um efeito cascata para todos. E agora, chegamos a um ponto em que as cervejarias artesanais estão sem garrafas de vidro e caixas de papelão. Há também a parte que é quase impossível para uma cervejaria artesanal pequena fazer um pedido, pois o volume não atende aos requisitos de lote mínimo para os grandes fabricantes. Mas, mesmo assim, precisamos pagar adiantado, e um preço 25% maior do que era antes da pandemia. Como é possível lidar com isso? Bem, isso requer muita análise de uma bola mágica, organizando-se com fornecedores e outras pequenas cervejarias em nossa comunidade para tornar viável para os fornecedores nos atenderem. Além disso, depois de ver a dinâmica, adaptamos nossa proporção e os novos lotes de nossas três cervejas foram lançados em latas.