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Restaurantes e bares só retomarão nível pré-crise em 2 anos, projeta Abrasel

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O ano de 2020 certamente entrou para a história como um dos piores para a economia mundial. Para os bares e restaurantes, o período foi particularmente ainda mais difícil porque o setor foi um dos mais afetados pela pandemia da Covid-19. Mesmo passando por inúmeras adaptações e mudanças, o endividamento cresceu e alguns estabelecimentos precisaram fechar as portas. Como as dificuldades prosseguem em 2021, o segmento só deverá voltar à normalidade daqui a dois anos, de acordo com avaliação do presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci, feita com exclusividade ao Guia.

“A grande maioria das empresas vai demorar, pelo menos, dois anos para trazer o seu endividamento para um nível confortável, um nível pré-crise. O sofrimento e a perda de empregos e de empresas é enorme”, avalia Solmucci em entrevista ao Guia.

A aposta da Abrasel para a retomada de bares e restaurantes no início de 2021 está ligada à vacinação da população. Apesar disso, Solmucci destaca que o setor começa o ano muito fragilizado.

A gente imagina que desses 70% que reabriram as portas após a primeira onda de fechamento, de 10 a 15% ficarão pelo caminho. Ou seja, houve um estrago

– Paulo Solmucci, presidente da Abrasel

O presidente da Abrasel prevê, ainda, que somente a partir do segundo trimestre de 2021 o setor voltará a operar dentro da normalidade, com horários mais flexíveis e resultados mais positivos. “A partir daí, é pagar conta e com muita resiliência, construir uma história nova e bonita para o setor”, projeta.

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Eleições e bares fechados
Desde meados de março de 2020, quando as medidas de isolamento social tiveram início no país, estabelecimentos enfrentam inúmeros desafios para seguir operando com segurança para os funcionários e o público. Foi preciso adotar medidas sanitárias, assim como elaborar formas de funcionar, o que foi possível a partir dos investimentos no sistema de delivery e em novos canais de venda.

Nem todos, porém, sobreviveram. A Abrasel estima que, como efeito da pandemia, 30% dos cerca de 1 milhão de estabelecimentos existentes no país antes da crise encerraram as atividades. O cenário de dificuldade prossegue no começo de 2021 em função do aumento dos casos de coronavírus.

E, para Solmucci, a campanha eleitoral municipal no fim de 2020 foi responsável pelo crescimento do número de casos da doença.  “Um descuido na campanha política gerou esse repique, penalizando de uma maneira muito especial e desproporcional o setor de bares e restaurantes.”

O presidente da Abrasel também aponta dificuldades para os bares e restaurantes obterem receitas diante das restrições impostas por prefeituras e governos estaduais aos estabelecimentos para frear a expansão do coronavírus.

Uma pesquisa da associação sobre a recuperação após a reabertura apontou que mais da metade (53%) dos donos de bares e restaurantes entrevistados operavam no prejuízo, sendo que para 52% deles o faturamento estava abaixo da expectativa na retomada.

 “Os que abriram continuam tendo prejuízo, mais da metade deles, convivendo com protocolos absolutamente inconsistentes, determinados por convênios estaduais e prefeituras, algo que transformou esse inferno em algo ainda mais difícil”, lamenta Solmucci.

Novas tecnologias
Para sobreviver, o setor precisou usar a criatividade, apostando na tecnologia para fomentar serviços de delivery e e-commerce, sendo que a própria Abrasel desenvolveu um marketplace de serviços de entrega – essa foi apenas uma das inúmeras soluções tecnológicas que surgiram no ano passado.

“Nosso papel nesse momento foi atender a grande demanda de clientes que tiveram que lidar com uma nova rotina, com a digitalização emergencial de seus processos e ainda precisou ter uma visão macro do negócio”, comenta Marcelo Ferri, idealizador da plataforma ControlenaMão.

Corinthians assina com a Brahma e se torna 18º clube patrocinado pela marca

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O Corinthians é o mais novo clube a ser patrocinado pela Brahma. Após cinco anos, a marca da Ambev volta a ter um acordo com o time paulista, logo após o fim do contrato entre a equipe e a Estrella Galícia. Agora, então, a cervejaria passa a patrocinar 18 dos principais clubes do futebol nacional.

Antes do Corinthians, a Brahma já possuía acordo com os pernambucanos Sport e Santa Cruz, os cariocas Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo, os paranaenses Athletico e Coritiba, os gaúchos Grêmio e Internacional, os baianos Bahia e Vitória, os mineiros Cruzeiro, Atlético e América e os paulistas São Paulo e Palmeiras.

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O contrato de patrocínio entre o Corinthians e a Ambev, através da Brahma, engloba o time masculino, o feminino, ativações na Neo Química Arena e as redes sociais do clube. No entanto, por causa da legislação vigente no Brasil, não pode ser exposto nas camisas.

“A Brahma é parceira de longa data do futebol brasileiro. Esse acordo com o Corinthians fortalece ainda mais essa nossa trajetória no esporte, com a união de duas marcas que movem multidões e fazem parte da vida de muitas pessoas. Esse projeto amplia ainda mais nossas ações dentro da modalidade e nos aproxima ainda mais de toda a torcida corintiana”, afirma Daniel Teixeira, gerente de marketing da Ambev.

Assim, o foco deverá ser em ações interativas nas redes sociais, como indicou a Ambev ao anunciar o acordo. A Brahma, inclusive, utilizou ídolos históricos do clube para revelar o acerto, como o ex-goleiro Ronaldo, presente no vídeo de divulgação como seu narrador.

“Futebol e cerveja sempre tiveram tudo a ver. Uma marca como a da Brahma, que tem lugar cativo no coração de todos os brasileiros, é mais uma conquista para o clube e, com certeza, uma grande alegria para todos os corintianos”, aponta o presidente do Corinthians, Duilio Monteiro Alves

A Brahma patrocinou o Corinthians anteriormente, de 2011 a 2016. E, agora, retorna em um acordo válido até o fim de 2021. A marca promete que uma lata personalizada em preto e branco com os dizeres Timão Chopp e o símbolo do clube será comercializada nos próximos meses.

“Queremos ficar marcados na vida dos torcedores e, para isso, vamos trazer diversas iniciativas únicas que valorizem ainda mais a relação do clube com a Fiel Torcida. Assim como para a própria agremiação, a torcida vai estar sempre em primeiro lugar. Então estamos prontos para levar experiências inesquecíveis para quem apoia o time nas mais diversas situações”, destaca Harry Racz, gerente regional de marketing da Ambev. 

No fim de 2020, o Corinthians teve encerrado o contrato com a Estrella Galícia, cervejaria espanhola que tinha acordo com o clube desde setembro de 2016.

Balcão do Advogado: Para sua cervejaria começar 2021 voando

Balcão do Advogado: Para sua cervejaria começar 2021 voando

Enfim, 2020 acabou. Um ano extremamente difícil para a cerveja artesanal brasileira, mas que teve avanços significativos, muito em decorrência dos fatos negativos. Para auxiliar no planejamento de 2021, que todos esperam que seja muito melhor do que o último ano, elaboramos uma lista com dicas para a sua cervejaria começar voando já em janeiro:

– Declaração de produção anual (exigência do Mapa): Anualmente relembramos as cervejarias, mas ainda são poucas as que atendem a essa exigência. Todas as cervejarias devem apresentar, até 31 de janeiro, a declaração de produção anual ao órgão técnico especializado da Superintendência Federal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do seu Estado, na qual conste a quantidade de produto elaborado e os estoques existentes ao final de 2020, sob pena de receberem sanção, que vai de advertência a multas de até R$ 117.051,00 (artigos 86 e 104 do Decreto nº 6.871/2009). No canal do Telegram do Advogado Cervejeiro, disponibilizamos um modelo do arquivo a ser enviado.

– Adesão ao Simples: As cervejarias que ainda não aderiram e estão aptas a optarem pelo Simples Nacional devem fazê-lo também até 31 de janeiro. Converse com o seu contador, verifique eventuais pendências, regularize-as e faça a opção pelo regime do Simples, caso seja mais vantajoso.

– Anuidade dos conselhos profissionais: Os conselhos profissionais (principalmente o de química – CRQ – e o de engenharia – Crea) costumam cobrar das cervejarias uma anuidade de pessoa jurídica, além de obrigarem a empresa a contratar profissionais ligados aos seus conselhos. Essa cobrança na pessoa jurídica e a imposição de multas por parte dos conselhos são ilegais, haja vista que o Mapa é o único órgão com capacidade jurídico-fiscalizadora sobre as cervejarias. As cervejarias precisam ingressar com uma ação judicial para obter o cancelamento do registro de pessoa jurídica e a suspensão das cobranças por parte dos conselhos. Isso porque os pedidos administrativos são sempre indeferidos, tendo em vista que as únicas hipóteses aceitas pelos conselhos para cancelamento do registro na via administrativa são o fechamento da empresa ou a mudança da atividade principal. No Judiciário, ainda é possível pleitear a restituição das anuidades pagas nos últimos 5 anos.

– LGPD: A Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018) entrou em vigor em 2020, mas ainda são poucas as cervejarias que promoveram qualquer mudança. Essa regulamentação estabelece requisitos para o tratamento de dados pessoais, ou seja, quando a empresa poderá armazenar, processar e transferir esses dados. O descumprimento dos termos previstos na LGPD pode causar a proibição parcial ou total do tratamento de dados pela empresa, além da aplicação de multas de até 2% do faturamento anual, podendo chegar a até R$ 50 milhões, dependendo da gravidade da infração cometida. Para auxiliar as cervejarias, desenvolvemos um e-book específico explicando como a LGPD afetará as cervejarias, para que elas procedam com as devidas adequações.

– Registre seus rótulos: Em 2020, muitas cervejarias finalmente se deram conta da importância do registro de suas marcas e rótulos. Contudo, mesmo com esse nítido avanço, ainda são poucas as cervejarias que registram o nome/logo dos seus rótulos no INPI, o que tem ocasionado uma série de conflitos entre os cervejeiros. Ao deixar de registrá-los, a cervejaria simplesmente abdica da exclusividade dos seus rótulos, tendo em vista que, sem registros no INPI, qualquer outra cervejaria pode utilizar o nome da cerveja ou a sua identidade visual, sem contar que pode até “roubar” a marca ao registrá-la primeiro. É muito importante que as cervejarias entendam a necessidade do registro dos seus rótulos como medida de resguardar algo que, muitas vezes, possui valor imensurável. Para entender mais sobre a importância do registro de marca, acesse nosso ebook sobre o tema.

– Associe-se à Abracerva: As cervejarias artesanais precisam de representatividade e isso só ocorrerá com maior adesão às associações de microcervejarias estaduais e à Abracerva. Com a Abracerva cada vez mais forte, será possível conseguir alterações legislativas benéficas (principalmente tributárias) específicas para o setor cervejeiro artesanal.

– Passivos judiciais: Em anos complicados como foi 2020, é comum as empresas acumularem passivos judiciais. Assim, a fim de evitar novos passivos e de mitigar antigos, torna-se imprescindível para as cervejarias prevenirem-se por meio de assessoria jurídica qualificada. Lembre-se: o futuro da cerveja artesanal, e da sua cervejaria, consequentemente, passa pela profissionalização de todos os aspectos do negócio. A parte jurídica é só mais um desses aspectos que deve ser profissionalizado e terceirizado para especialistas, sob pena de a sua cervejaria ser apenas mais uma na estatística dos fechamentos.

Auxílio qualificado: Por muitos anos, a cena cervejeira brasileira foi carente de literatura própria, capaz de instruir e informar o mercado como um todo. Felizmente 2020 mudou isso, a partir do lançamento de livros direcionados especificamente para as microcervejarias do Brasil e escritos por autores daqui. Após essa breve exaltação ufanista, não poderíamos deixar de falar e, por que não, indicá-lo: o livro Direito para o Mercado da Cerveja, da Editora Krater. A primeira tiragem do livro esgotou, mas em breve novos exemplares vão sair do forno. Uma obra essencial para todos que atuam na cadeia cervejeira.

André Lopes, sócio do escritório Lopes, Verdi & Távora Advogados, é criador do site Advogado Cervejeiro

Tradição familiar e alto rendimento: Saiba mais sobre a Maltearia Viking

A tradição construída em quase 140 anos de trajetória e o uso de cevada europeia de alta qualidade. É a partir desse histórico e dessa busca pelo melhor produto que a Maltearia Viking tem atuado no mercado internacional, a partir dos países bálticos, mas tendo clientes em diversas localidades no mundo, como o Brasil.

A Viking possui seis maltarias, todas na Europa, sendo duas na Polônia. Já as outras ficam na Dinamarca, Suécia, Lituânia e Finlândia, onde iniciou a sua trajetória em 1883. Foi lá onde Lahden Polttimo se juntou a August Fellman e a Henrik Mattsson, fundando a Oy Lahden Polttimo, inicialmente uma fábrica de cerveja e destilaria – a produção de malte se iniciou em 1934.

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Foi na década de 70 que a empresa passou a se internacionalizar, a partir de uma série de parcerias corporativas. Hoje, a Polttimo Oy é detentora de uma participação de 62,5%, com o grupo sueco Lantmännen, uma cooperativa agrícola, possuindo uma presença minoritária de 37,5%. Mas a tradição prossegue. Tanto que Harald Relander’s son Pär-Gustaf, representante da quinta geração familiar, é CEO e presidente do conselho da empresa desde 2013.

Essa trajetória se transforma, hoje, em uma produção anual estimada de 610 mil toneladas, tornando a Maltearia Viking a líder do segmento nos países bálticos. Além disso, é a quinta maior companhia do setor na Europa e a nona do mundo. E, com 45 mil toneladas, é também a maior produtora de malte especial torrado do mundo.

Condições favoráveis
É a partir de uma localização considerada privilegiada que a Maltearia Viking consegue fazer uma produção de qualidade, pois a matéria-prima cresce nas áreas agrícolas mais ao norte do mundo, onde as circunstâncias para o cultivo são apontadas como mais favoráveis.

E isso permite que o malte da Viking tenha rendimento superior ao da média do mercado em função da cevada usada e de como se dá a malteação.

“Ele rende mais e filtra melhor porque é um malte Pilsen Premium que utiliza cevada europeia de alta qualidade em um processo de malteação totalmente controlado”, diz Ricardo Negretto, gerente comercial e mestre-cervejeiro da GranoBrew, representante comercial da marca no Brasil.

Além disso, a maltearia ocupa uma área expressiva, o que permite o melhor gerenciamento dos riscos relacionados à cultura. E, com produção em várias localidades, oferece flexibilidade logística, aproveitada pelos seus clientes em todo o mundo – está presente em cerca de 80 países –, sendo o principal deles a Carlsberg.

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No Brasil, por sua vez, a Viking fornece o seu malte para diversas cervejarias. Uma delas, a DUM, usa o produto fornecido pela maltearia para produzir a DUM 3 e Meio Viking, uma Lager.

A GranoBrew, aliás, é a responsável por trazer os produtos da Maltearia Viking para o mercado nacional. E, além da realização de testes de eficácia junto aos clientes, também oferece apoio para que o malte seja mais bem aproveitado pelas cervejarias.

“Durante os testes de comprovação nas cervejarias aqui no Brasil, oferecemos todo o suporte técnico e orientações necessárias, inclusive observando os ajustes e pontos de controle, para que se atinjam os resultados esperados”, relata Negretto.

Para a Granobrew, oferecer o malte da Viking ao mercado brasileiro é uma oportunidade para fomentar a evolução do segmento, a partir do fornecimento de um produto com histórico internacional de excelência.

“Nosso posicionamento com os maltes especiais Viking é cada vez mais expandir no mercado, oferecendo aos nossos clientes soluções para suas ‘invenções criativas’ e ajudando a fortalecer o mercado de cervejas artesanais”, conclui o representante da Granobrew.

Ação da Ambev desvaloriza 15,64% em ano marcado pela oscilação da Bolsa

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A ação da Ambev terminou 2020 com desvalorização de 15,64% na B3, a bolsa de valores de São Paulo. Em um ano difícil para a economia brasileira, marcado por uma inédita crise sanitária, o papel da multinacional cervejeira teve o seu preço reduzido, ainda que com o índice Bovespa apresentando crescimento de 2,92% no mesmo período.

A ação ordinária da Ambev fechou dezembro com o preço de R$ 15,75, sendo que havia começado 2020 cotada a R$ 18,67. Assim, teve expressiva desvalorização no ano, apesar de registrar recuperação em meses recentes, como dezembro, em que valorizou 11,24% – após começar valendo R$ 13,98.

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O cenário para a B3 em 2020 foi mais positivo do que para a ação da Ambev. Embora tenha começado o ano quase com um colapso, tendo o pior trimestre da história, o índice Bovespa fechou dezembro a 119.484,34 pontos, quase 2 mil a mais do que no fim de 2019, quando estava em 115.645,34.

O Ibovespa, considerado o mais importante índice do principal mercado de ações brasileiro, também apresentou crescimento em dezembro, de 9,73%, pois havia começado o mês com 108.893,32 pontos. E isso foi decisivo para reverter o cenário de desvalorização em 2020, em uma recuperação iniciada com a adoção de auxílios emergenciais mundo afora e consolidada pelo início da vacinação contra o coronavírus em alguns países.

Incertezas
Se 2020 será lembrado pela crise do coronavírus no mundo, com a paralisação de atividades industriais e cotidianas durante meses, o ano de 2021 também deve sentir os efeitos da pandemia, com a esperança de que a imunização contra a Covid-19 ajude a recuperar a economia global. Porém, as primeiras semanas de janeiro devem ficar marcadas por novas restrições, especialmente de viagens internacionais.

No Brasil, a busca pela imunização da população parece em segundo plano para o governo federal, que segue adotando um discurso negacionista, mais preocupado com a disputa pelo comando da Câmara dos Deputados entre Arthur Lira e Baleia Rossi, além da própria popularidade, como se viu em ação organizada na virada do ano no litoral paulista.

O problema é que a demora para o início da vacinação, além de agravar a crise sanitária, com o Brasil se aproximando da marca de 200 mil mortos pelo coronavírus, tende a adiar a retomada da atividade econômica, a criação de novos empregos e o aumento do consumo, cenário que influencia negativamente o setor cervejeiro.

Fora do Brasil
Entre as principais cervejarias do mundo, por sua vez, o cenário foi semelhante ao da Ambev no Brasil: valorização do preço da ação em dezembro, mas insuficiente para recuperar as perdas acumuladas ao longo de 2020.

A principal queda se deu com a Anheuser-Busch InBev – multinacional fruto da fusão da belga Interbrew com a Ambev – na Europa. O papel da AB-Inbev fechou 2020 custando 57,01 euros, com uma desvalorização de cerca de 25% no ano. Ainda assim, registrou alta de 2,02% em dezembro, tendo iniciado o mês a 55,88 euros.

Já a queda da ação da Heineken no último ano foi de, aproximadamente, 9%, encerrando 2020 a 91,22 euros. Mas, no 12º mês, valorizou 3,05%, pois havia terminado novembro com o preço de 88,52 euros.

Label Sonic aposta no fortalecimento de parcerias para o setor crescer em 2021

Do difícil ano de 2020 para o setor, o que deve ser levado como lição para os próximos meses é a necessidade de fortalecimento de parcerias para lidar com os momentos de adversidade e incerteza. É dessa forma que a Label Sonic inicia 2021: com foco em estreitar as relações com fornecedores e a indústria cervejeira.

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Sócio-proprietário da empresa de rótulos, Bruno Lage aponta a importância de se buscar soluções conjuntas e compartilhar os efeitos das ações de sucesso. Iniciativas que, garante a Label Sonic, buscará concretizar em 2021. E, para isso, vai trabalhar para entender previamente as demandas dos parceiros.

“Fortalecer parcerias com fornecedores é o melhor caminho. E parceria significa ser generoso nas soluções de problemas e nos bons resultados, quando houver. Da mesma forma, entender mais a dinâmica de consumo dos nossos clientes para antecipar as demandas. Um desafio contínuo, mas que precisa ser intensificado”, afirma o sócio da Label Sonic.

Olhando para 2020 com a intenção de planejar o ano recém-iniciado, Lage celebra o fato de a Label Sonic ter conseguido passar relativamente bem pelo período turbulento, marcado pela paralisação da atividade durante meses ocasionada pela crise do coronavírus.

“Um ano para aprendermos lições de como entender o mercado e as pessoas que fazem o mercado acontecer. Em termos práticos, praticamente empatamos com o resultado de 2019, o que é uma grande vitória. O impacto foi gigantesco em termos de comportamento, pois o home working, as reuniões virtuais e até as feiras virtuais ‘surgiram’ na nossa vida”, comenta ele, apontando como novas formas de atuação foram surgindo a partir de março.

Outros problemas
O freio na produção industrial foi seguido por um desafio relevante: quando as atividades começaram a retomar alguma normalidade, cervejarias e fornecedores constataram a falta de insumos, escassez que atrapalha e atrasa a recuperação do segmento, como detalha Lage.

“A falta de matéria-prima é algo que não imaginávamos ser tão grave. No fornecimento de rótulos, em março, já prevíamos que algumas matérias iriam faltar quando a economia se movimentasse novamente, mas não com esta magnitude. Os fornecedores confiáveis e as multinacionais – com contratos de fornecimento – falharam sistematicamente”, relembra o sócio da Label Sonic.

Ao relatar os desafios encarados especialmente no segundo semestre de 2020, o sócio da empresa de rótulos explica que a escassez de matéria-prima se deu por motivos diferentes, incluindo problemas logísticos. Nesse cenário, para 2021, o profissional da Label Sonic enxerga ser fundamental buscar soluções compartilhadas para evitar a repetição das adversidades.

“No fornecimento de copos descartáveis, o prazo de entrega aumentou muito. E, no fornecimento de caixas, as vendas estão suspensas desde outubro. Mas a maior ameaça está nas garrafas e latas. A questão vai além da produção de garrafas, por exemplo. Atinge a questão da logística reversa das garrafas usadas. E, para isto, muitos atores do mercado deverão participar da solução”, argumenta.

Saiba mais sobre a Label Sonic em nosso Guia do Mercado

Assim, ao mesmo tempo que admite ser um desafio a definição de planejamentos e objetivos para 2021, Lage crê em um ano melhor, especialmente a partir do momento em que a crise dos insumos se encerrar. “Esperamos crescimento no faturamento, que será alterado à medida que a crise no fornecimento das matérias-primas passar e o mercado voltar a ter alguma previsibilidade”, conclui o sócio da Label Sonic.

Ab InBev vende participação na sua operação de latas nos EUA por US$ 3 bilhões

A Anheuser-Busch InBev (AB InBev) vendeu uma participação minoritária, de 49,9%, da operação das suas fábricas de latas de alumínio sediadas nos Estados Unidos. Um consórcio liderado pela empresa gestora de investimentos Apollo Global Management, com sede em Nova York, vai desembolsar US$ 3 bilhões (aproximadamente R$ 15,6 bilhões) pela transação, que deverá ser concluída na próxima sexta-feira.

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Com a negociação da operação de suas fábricas de latas nos EUA, a AB InBev obtém recursos para pagar as suas volumosas dívidas, especialmente as provocadas pela aquisição da SABMiller por US$ 108 bilhões (R$ 561 bilhões) em 2016. A empresa é a proprietária da AmBev no Brasil e o maior grupo cervejeiro do mundo.

 “Esta transação, uma vez concluída, permitirá que a AB InBev crie valor adicional para os acionistas, otimizando seus negócios em um preço atraente, gerando receitas para pagar dívidas, em linha com seus compromissos de desalavancagem”, justificou a empresa em comunicado oficial.

Mesmo com a venda, a AB InBev manterá o controle operacional das suas fábricas de latas, assim como a flexibilidade na produção para atender aos clientes e consumidores.

O contrato também possui uma cláusula que dará para a cervejaria o direito de readquirir a sua participação a partir do quinto aniversário do fechamento da venda. Os valores estão pré-determinados, mas são sigilosos.

A Apollo celebrou o acordo firmado com a líder mundial no setor cervejeiro, que possui no seu portfólio marcas como Beck’s, Brahma, Budweiser, Corona, Leffe e Patagonia, afirmando que a aquisição representa “oportunidade de investimento em ativos de alta qualidade, com perspectiva de longo prazo de fluxos de caixa estáveis”.

 “Temos o prazer de investir junto com a AB InBev em seu negócio líder de latas de alumínio nos Estados Unidos, apoiando os planos estratégicos da AB InBev e seus funcionários”, disse Robert V. Seminara, executivo da Apollo.

Balcão da Cilene: Da trilogia Desenhando Sonhos – Saga segunda

Balcão da Cilene: Da trilogia Desenhando Sonhos –
Saga segunda: Salvar o planeta (ou a nós mesmos?)

O incrível e lindamente redondo Planeta Terra está esquentando e este fato deveria colocar-nos bem preocupados. A crise do clima deve interferir profundamente no futuro das cervejas no mundo.

A mudança climática em curso deve afetar todos os aspectos da gestão de recursos na produção, distribuição e comercialização de cervejas em futuro próximo. Isto não é uma suposição. Isto é uma afirmação.

Atualmente, os principais estados produtores de cevada nos Estados Unidos são Idaho, Montana e Dakota do Norte (Fonte: statista.com em 2019). Neste mesmo país, os principais estados produtores de lúpulo são Washington (sobretudo: Yakima Valley), Idaho e Oregon (Fonte: statista.com em 2019). Todos esses estados estão concentrados na região noroeste e centro-norte do país. Sendo assim, quase todos em fronteira com o Canadá.

Com base nos estudos climáticos das últimas décadas, a previsão é de que os EUA viverão mais e mais a tendência de verões secos. Nos próximos anos, portanto: verões com menos chuva; verões com menos água. (Um pedido de desculpas pela redundância, mas creio que seja preciso enfatizar.)

A cevada e o lúpulo são cultivares susceptíveis à combinação de calor e seca. No caso da cevada, a relação carboidratos-proteínas pode sofrer grandes variações. Isso pode afetar rendimento em sacarificação e qualidade de espuma, entre outros importantes pontos. Já no caso do lúpulo, as condições de seca podem diminuir significativamente rendimento em níveis de amargor e qualidade de amargor.

O clima nestas regiões relevantes para a produção de cervejas nos EUA está mudando e se deslocando consideravelmente. Com o aquecimento global, o clima favorável a essas plantações tende a deslocar-se para o norte. E ao norte desses estados, está o Canadá. (Detalhe: Quase como obviedade, as principais regiões produtoras de cevada e lúpulo no Canadá estão concentradas ao sul.)

Em um futuro próximo, possivelmente os americanos deverão cuidar – com muito carinho – da diplomacia junto aos canadenses, caso queiram continuar a produzir cervejas no longo prazo.

(…)

Pelas bandas da América do Sul, a tendência é a mesma: calor e seca. Mas em um cenário

especialmente agravado pelo impacto brutal do desmatamento da região Amazônica. Para melhor entender isso, é preciso conhecer as seguintes expressões: “Quadrilátero Afortunado” e “rios voadores”.

Ao observar o mapa global, é interessante perceber que os principais desertos do planeta estão alinhados pelas latitudes médias de 30º, tanto pelo hemisfério norte quanto pelo hemisfério sul. Isso não é coincidência. Existem embasamentos científicos sólidos que explicam esse fenômeno.

Mapa: Os desertos do Planeta Terra

Entretanto, há uma grande exceção. O ‘quadrilátero afortunado’ é a única região destas latitudes médias que não é desértica e fica justamente na América do Sul. De Cuiabá a São Paulo, de Buenos Aires aos Andes.

Essa condição de exceção (ainda) existe graças aos ‘Rios Voadores’: uma expressão metafórica dada às gigantescas nuvens que carregam um volume colossal de umidade da Amazônia para várias regiões do centro-sul da América do Sul. Os estudos a respeito deste fenômeno mostram uma evidente colaboração da região Amazônica nas chuvas do Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil.

Em um mecanismo bastante sofisticado, a natureza nos regala a Amazônia como sendo uma imensa usina de serviços ambientais: irrigação da atmosfera e regulação do clima global.

Por essa razão, a região centro-sul da América do Sul é verde, úmida e fértil, contrariando a tendência da região de ser deserto. E muita atenção nos seguintes fatos: essa região abriga a maior reserva subterrânea de água doce do planeta – o Aquífero Guarani – e corresponde a 70% do PIB da América do Sul concentrando riquezas de agricultura, pecuária, indústria e serviços. Isso não é ao acaso. Onde existe água, existe vida e riqueza.

Tendo isso em mente, parece ser sensato, inteligente e estratégico focar em ações de preservação destas condições climáticas amigáveis. Desenhar, articular e incentivar políticas ambientais públicas e privadas nesta direção. No entanto, infelizmente, o que está sendo feito se resume à motosserra, correntão e fogo.

(…)

O desmatamento na região Amazônica simplesmente desmantela a dinâmica dos “rios voadores” e ameaça alterar as condições climáticas para algo bastante inóspito. Ou seja: um país em um terrível “suicídio ambiental e econômico”. E as respostas da natureza não costumam tardar…

Sem floresta, sem água. E sem água, nada há. Nem cevada, nem lúpulo, nem muito menos cerveja (vale lembrar que, atualmente, as cervejarias modernas apresentam um consumo médio de água na ordem de 2 a 6 litros por litro de cerveja produzida).

No mais, apenas reiterar os alertas de especialistas que dizem que, se essa tragédia ambiental segue adiante, as respostas da natureza virão mais e mais na forma de uma triste dicotomia: estiagens e enchentes.

Ainda assim, sendo bastante pragmática, sabe-se que o movimento capitalista impera. Ou seja: mesmo que haja um imperativo moral, existe um imperativo legal que tem obrigado corporações e estados a assumir responsabilidades neste assunto.

As corporações estão sendo progressivamente pressionadas pelo mercado de consumo a tomar frente nas questões de sustentabilidade e responsabilidade social. Se não o fazem, perdem negócios. Para alcançar viabilidade, as corporações passam a pressionar estados com a força dos impostos. É assim uma imensa engrenagem em que deveríamos ser agentes pensantes, comunicantes e transformadores. Por isso são tão importantes nossos ativismos.

Recomendaria observar e, até mesmo, se aprofundar nas obrigações corporativas do chamado Corporate Social Responsibility assumidas pelas principais companhias do mundo. Da mesma maneira, nos padrões de gestão do chamado Sustainable Development Goals (SDGs) em que empresas e países se comprometem a cumprir as metas de desenvolvimento sustentável.

Em nosso pequeno universo cervejeiro, as políticas ambientais e sociais certamente trarão impactos na cerveja que teremos – ou não – no copo nas próximas décadas. O espírito colaborativo entre cervejarias e afins será fundamental.
(…)

De forma urgente, ainda nesta geração: ou cuidamos bem do planeta e de todos os seres vivos, reordenando tudo em uma coexistência não abusiva; ou não vamos durar. O Planeta Terra fica; e nós: pó.

À Revolução Verde, meu Saravá!

PS. Agradecimentos especiais ao Antonio Nobre (Cientista, INPE, Brasil), Sidarta Ribeiro (Neurocientista, Instituto do Cérebro, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Brasil) e Steve Bertman (Professor, Departamento de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Western Michigan University, EUA)


Cilene Saorin tem se dedicado às cervejas, nos últimos 28 anos, por alguns cantos deste planeta. É sommelière, mestre-cervejeira e diretora da Doemens Akademie no Brasil

Petrópolis prevê investir R$ 230 milhões em MG para ampliar produção em 2021

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Após inaugurar uma fábrica em Uberaba em agosto, o Grupo Petrópolis vai ampliar as suas operações em Minas Gerais. A previsão da cervejaria é de investir R$ 230 milhões no estado em 2021, sendo R$ 135 milhões nessa unidade. Com isso, o crescimento da capacidade produtiva da planta industrial passará de 8,5 milhões de hectolitros/ano para 11,4 milhões de hectolitros/ano.

Além do investimento na fábrica de Uberaba, protocolado na Secretaria da Fazenda de Minas Gerais, o Grupo Petrópolis também planeja destinar mais R$ 95 milhões em frota, revendas, trade, marketing e novos negócios, somando assim um total de R$ 230 milhões.

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O investimento se dá porque o Grupo Petrópolis enxerga potencial para crescimento em Minas Gerais. As cervejas da fábrica de Uberaba são distribuídas para as cidades do estado, com suporte também para as regiões norte e noroeste de São Paulo, além de Goiás, Distrito Federal e o Sul do País.

“Nossa fábrica de Uberaba já nasceu ampliada, em agosto deste ano. Percebemos um potencial de crescimento ainda maior para 2021 e já vamos fazer esse investimento desde já. A infraestrutura para a ampliação já existe, a região de Uberaba tem água de excelente qualidade e a fábrica já possui uma logística muito avançada. Teremos a maior fábrica do Grupo Petrópolis em Uberaba”, comenta Marcelo de Sá, diretor executivo da empresa.

Atualmente, o estado consome 16% de toda cerveja produzida no país e representa um importante mercado para o setor cervejeiro. Até por isso, Minas Gerais vem recebendo investimento de outros empresas do segmento, tanto que a Heineken anunciou o plano de construir uma fábrica em Pedro Leopoldo. Já a Ambev inaugurou uma unidade em Sete Lagoas em agosto.

Expansão tecnológica
Os equipamentos para a quinta linha de produção da fábrica do Grupo Petrópolis em Uberaba foram adquiridos na Alemanha e, segundo a empresa, são os mais modernos do mundo, sendo da marca Krones.

Com os equipamentos de alta tecnologia, é possível atingir a meta de 3,3 litros de uso de água para cada litro de cerveja, um resultado alcançado apenas por cervejarias de alto padrão de produção e referência internacional, segundo acrescenta a companhia.

A fábrica em Uberaba está, atualmente, com três linhas de produção em funcionamento e a quarta deverá começar a operar no início de 2021. A ampliação vai adicionar 9,4 mil m² no terreno da fábrica, que hoje funciona em uma área de mais de 108 mil m². A quinta linha está prevista para começar a funcionar em setembro de 2021.

8 especialistas avaliam como foi o ano para o mercado cervejeiro e o consumidor

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Após a expansão em anos recentes, o mercado de cervejas artesanais precisou encarar desafios inéditos em 2020. Ainda em busca da consolidação e da conquista de mais consumidores, o setor enfrentou desconfianças, os efeitos de uma crise sanitária e até mesmo a falta de insumos. Mas, na avaliação de especialistas consultados pelo Guia, soube se reinventar, o que pode ajudá-lo a se fortalecer.

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O primeiro baque para o mercado de cervejas artesanais em 2020 veio da Backer, até então uma das líderes do segmento. A contaminação de cervejas da marca com o produto tóxico dietilenoglicol nos primeiros dias do ano provocou a morte de dez pessoas e lançou o setor sob desconfiança de consumidores, especialmente em Minas Gerais.

Além disso, a crise do coronavírus paralisou boa parte das operações de fabricantes a partir de março, algo que ainda não foi completamente normalizado. E, quando os trabalhos foram retomados, a falta de insumos foi outro entrave que precisou ser encarado pelo mercado de cervejas artesanais, este já nos últimos meses de 2020.

Esse panorama poderia indicar uma retração do setor neste ano, mas o que se viu foi a criatividade imperar, evitando que as empresas submergissem. A tecnologia se tornou uma importante aliada para o mercado cervejeiro em 2020, com a venda por delivery sendo uma opção que vai permanecer mesmo ao fim da pandemia do coronavírus e das medidas de isolamento social.

Também houve a ampliação das parcerias entre os diferentes atores do segmento. E casos como o da Backer e os relatos de preconceito deixaram lições que podem contribuir para o amadurecimento do setor, que viu o consumidor não o abandonar, mas se adaptar para ter acesso aos seus rótulos preferidos – muitas vezes em embalagens antes não tão usuais, como latas e growlers.

Confira a avaliação de oito especialistas consultados pelo Guia sobre o ano de 2020 do mercado de cervejas artesanais e o comportamento do consumidor.

Bia Amorim (sommelière de cervejas)
Temos empresas fechando, o desemprego dos profissionais da área, vendas abaixo do projeto, aumento no custo dos ingredientes, por escassez ou por conta da alta do dólar, e uma lista imensa de prejuízos.
Para aquelas empresas que ainda não tinham entrado no mundo digital, foi a hora de mergulhar e se comunicar virtualmente, transformando as mídias sociais.
Já no começo do ano sabíamos que não seria fácil lidar com a crise na identidade da cerveja artesanal depois do triste episódio com a Backer e como as coisas foram mal gerenciadas. A falta de confiança no produto artesanal se revelou maior do que esperávamos e o público que estava chegando para provar novos sabores e toda a cultural artesanal ficou desconfiado. Depois tivemos o caso das mensagens racistas que tomaram grandes proporções e a mídia nacional, mostrando mais uma vez que uma cultura como a da cerveja está imersa em antigos padrões, já inaceitáveis para os tempos atuais.

Carlo Enrico Bressiani (diretor da Escola Superior de Cerveja e Malte)
O mercado cervejeiro teve que se reinventar. Eu acho que foi positivo a parte de forçar a buscar novos canais de distribuição, novas formas de vender diretamente ao consumidor, a busca por produtos mais acessíveis.
Para o consumidor, é mais acesso de forma direta, mais acesso a cervejas em redes onde ela não estava disponível. E ele se mostrou, realmente, de alguma forma fiel a essa mudança de perfil de consumo e não deixou de tomar cervejas especiais, buscando em outros formatos, já que ele só podia comprar e beber em casa.

Cilene Saorin (sommelière, mestre-cervejeira e diretora da Doemens Akademie no Brasil)
Os impactos se deram de forma previsível no campo econômico com redução de consumo e vendas, e de forma inusitada no campo logístico com “falta garrafa e papelão; sobra lúpulo”.
Atentos aos protocolos inteligentes de proteção à saúde pública e à viabilidade de seus negócios, alguns empreendimentos desenvolveram importante capacidade de adaptação, inclusive incorporando, ampliando e otimizando processos e ofertas. Talvez a ampliação do alcance em PDV’s de autosserviço e a inovação em plataformas tecnológicas tenham sido as estratégias mais aplicadas neste ano.

Fabiana Arreguy (jornalista e sommelière)
Na pandemia, as cervejarias precisaram se reinventar e criar formas de atender seus consumidores. Muitas não tiveram como continuar suas atividades, outras frearam seus planos e projetos, algumas conseguiram ser originais e criar novidades que as permitiram se destacar no mercado.
Já a crise da Backer foi um momento bem complicado para o segmento de cervejas artesanais, que foi desacreditado perante o público que passou a associar o termo “cerveja artesanal” com um produto nocivo à saúde.

Luana Cloper (sommelière de cervejas, professora convidada do instituto Marketing Cervejeiro e sócia-fundadora da CMLC Consultoria Colaborativa)
Foi um ano de total transformação para as cervejarias, que trouxe a necessidade de reinvenção na base, reinvenção das relações de negócio. “Aprender fazendo”, acho que essa expressão resume bem.
O consumidor acabou descobrindo, nesse ano, que é possível beber cerveja boa em casa. É possível ter experiências sensoriais, de marca e educação cervejeira virtualmente. Na verdade, todos ganham com isso.

Marcelo Paixão (presidente do conselho da Abracerva).
Foi um ano com muita dificuldade para escoar o produto, mas ao mesmo tempo foi um ano em que as cervejarias buscaram se reinventar, com novos canais de venda, buscando o consumidor final, criando deliverys, usando e-commerce. As cervejarias de alguma forma se modernizaram um pouco no sentido de canais de venda, então acho que quando as coisas voltarem, isso vai ser um ganho para o mercado.
A pandemia também agravou a questão da matéria-prima que é um problema que já vem acontecendo há algum tempo.

Sady Homrich (cervejeiro, sommelier e baterista do Nenhum de Nós)
Veio o caso Backer e a pandemia, no final do verão, prejudicando todo e qualquer planejamento. Muita cerveja foi pelo ralo ao longo do ano e a reengenharia econômica foi fundamental. A saída óbvia foi o e-commerce, mas a falta de agilidade dos correios também prejudicou a demanda. Daí a venda local foi a salvação para muitos e os growlers não retornáveis entraram definitivamente em cena.
A crise da Abracerva significou alguns passos atrás na busca por uma tributação mais justa e refletiu uma sociedade despreparada para a inclusão natural.

Taiga Cazarine (jornalista e sommelière de cervejas)
Eu achei que foi um ano de estruturação e reestruturação das cervejarias. Ano de preparação, de colocar muita ideia em prática, de criatividade e tecnologia. Todo mundo que estava por algum motivo esperando para ir para a venda online ou e-commerce teve que fazer isso, então, se adaptou. Empresas que também trabalham com soluções de tecnologia começaram a acessar mais as cervejarias também, para proporcionar essas soluções.