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Conheça as 5 maiores festas do tipo Oktoberfest no mundo

Quais são as maiores Oktoberfests do mundo? A pergunta surgiu quando a equipe do Guia da Cerveja decidiu elaborar uma agenda dos eventos do gênero no Brasil este ano. O levantamento, produzido sem compromisso exaurir o assunto, chegou a 16 festas espalhadas pelo país. E como a curiosidade é a mãe da sabedoria, mergulhamos na internet e na imprensa internacional para obter a resposta.

Maiores Oktoberfests do mundo

Mas o que caracteriza uma Oktoberfest? Não é só a cerveja. Toda a festa do tipo é uma verdadeira celebração da cultura alemã. Portanto, elas são mais comuns em países, estados e cidades onde houve algum tipo de influência cultural.

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No Brasil, são mais típicas do Sul do país — mas no levantamento, deu para notar que estão se espalhando, principalmente para o Nordeste. No mundo, tem festa até na China. E não é pequena!

Como muitas festas deste ano continuam acontecendo e não há números oficiais de público, focamos nos balanços de 2024 publicados em veículos de notícias. Confira abaixo o ranking das cinco maiores Oktoberfests do mundo.

1º lugar: Oktoberfest de Munique (Alemanha)

Oktoberfest da Alemanha, realizada em Munique, espera receber entre 6 e 7 milhões de pessoas em 2025 (Crédito: © Turismo de Munique / Jan Saurer)
Oktoberfest da Alemanha, realizada em Munique, espera receber entre 6 e 7 milhões de pessoas em 2025 (Crédito: © Turismo de Munique / Jan Saurer)

A Oktoberfest de Munique não é apenas a festa original, mas também é a que mais atrai público no mundo. Em 2024, o festival reuniu 6,7 milhões de pessoas que consumiram 7 milhões de litros de cerveja.

Após ser cancelada em 2020 e 2021 devido à Pandemia de Covid-19, a festa retornou com público diminuído em 2022 (“somente” 5,7 milhões). E perdeu lugar mais alto do pódio para o Qingdao International Beer Festival, realizado na China. Mas se recuperou em 2023 e repetiu a dose no ano passado.

A edição de 2024 durou 16 dias, de 21 de setembro a 6 de outubro. Uma média impressionante de 419 mil pessoas por dia.

Este ano a festa começou em 20 de setembro com cerveja a R$ 100,00 aproximadamente. Confira essa e outras curiosidades.

2º lugar: Qingdao International Beer Festival (China)

Hoje segunda maior festa do gênero do mundo, o Qingdao International Beer Festival já ocupou a primeira posição em 2022 (Crédito: Divulgação / Prefeitura de Qingdao)
Hoje segunda maior festa do gênero do mundo, o Qingdao International Beer Festival já ocupou a primeira posição em 2022 (Crédito: Divulgação / Prefeitura de Qingdao)

O festival de Qingdao solidificou sua posição como um dos maiores do mundo em 2024. O evento, considerado a “Oktoberfest da Ásia”, recebe milhões de visitantes anualmente. Em 2024, a festa atraiu um público de 6,36 milhões de pessoas que consumiram aproximadamente 2,8 milhões de litros de cerveja, segundo o site China Daily.

Porém, seu recorde é ainda maior: em 2022, reuniu 7,37 milhões de visitantes, superando inclusive o evento original de Munique. A cidade foi colônia alemã de 1898 e 1914. E lá germânicos fundaram uma das maiores cervejarias do mundo hoje: a Tsingtao.

A edição de 2024 teve 23 dias de duração e aconteceu entre 19 de julho e 10 de agosto. Cerca de 277 mil visitantes por dia, em média.

Duas curiosidades: como ela é realizada mais cedo que as demais, já há números da edição 2025. O evento recebeu este ano 6,97 milhões que consumiram 2,9 milhões de litros de cerveja. Depois, diferente dos demais desta lida, o evento da China não parou durante a Pandemia, sendo realizado com restrições.

3º lugar: Oktoberfest Cincinnati (EUA)

Considerada a maior dos Estados Unidos, a Oktoberfest de Cincinatti, em Ohio, é famosa por sua “Corrida Anual dos Wieners”, onde cães da raça Dachshund competem (Crédito: Cincinnati Regional Chamber)
Considerada a maior dos Estados Unidos, a Oktoberfest de Cincinatti, em Ohio, é famosa por sua “Corrida Anual dos Wieners”, onde cães da raça Dachshund competem (Crédito: Cincinnati Regional Chamber)

Nas Américas, também há grandes festas do gênero. As três próximas posições acontecem por aqui. E o terceiro lugar entre as maiores do mundo pertence hoje à cidade de Cincinnati (Ohio), que foi fortemente influenciada pela cultura alemã. 

Estima-se que na virada do século 21, cerca de 50% da população tinha descendência alemã. Isso porque a região recebeu muitos imigrantes entre 1830 e 1850, que chegaram a ser 60% da população na década de 1840.

Cerca de 800 mil pessoas participaram da edição 2024 da Oktoberfest de Cincinnati, famosa por sua “Corrida Anual dos Wieners”, onde cães da raça Dachshund competem. E o que mais impressiona é que ela dura apenas três dias (20 a 22 de setembro, no ano passado). Ou seja, uma média de 267 mil visitantes por dia. O que a coloca em pé de igualdade com o evento chinês nesse quesito.

4º lugar: Oktoberfest de Kitchener e Waterloo (Canadá)

As cidades-irmãs de Kitchener e Waterloo abrigam a maior Oktoberfest do Canadá. A festa se destaca por seu grande desfile, que já reuniu mais de 150 mil pessoas. As cidades também têm raízes germânicas profundas. Anualmente, o evento atrai cerca de 700 mil pessoas. A edição de 2024 foi realizada de 27 de setembro a 19 de outubro, com duração de 23 dias. Média de 30,43 mil por dia.

5º lugar: Oktoberfest de Blumenau (Brasil)

Oktoberfest 2025: Blumenau é a maior festa do gênero do país e uma das maiores das américas (Crédito: Divulgação / Oktoberfest Blumenau)
Oktoberfest 2025: Blumenau é a maior festa do gênero do país e uma das maiores das américas (Crédito: Divulgação / Oktoberfest Blumenau)

Blumenau, em Santa Catarina, aqui no Brasil, abriga a maior Oktoberfest da América Latina. O festival foi criado em 1984 para ajudar a cidade a se recuperar de uma grande enchente, recuperando renda para a reconstrução, mas também elevando a moral dos habitantes.

A edição de 2024 atraiu 579.222 pessoas, um aumento significativo de 27,5% em relação ao ano anterior, que marcou 454.285 visitantes. O evento sofreu muito com as chuvas em 2023, chegando a ser interrompido por dias, o que prejudicou a adesão do público.

O evento de 2024 ocorreu de 9 a 27 de outubro, durando 19 dias. Ou seja, aproximadamente 30,49 mil pessoas por dia, superando o evento canadense nesse cálculo.

Congresso do Grão ao Gole fomenta a cultura e a cadeia cervejeira

Na última terça (23) e quarta-feira (24) o Centro Britânico Brasileiro, em São Paulo, recebeu o Congresso do Grão ao Gole. Promovido pela Academia da Cerveja, da Ambev, ele reuniu dezenas de profissionais, que participaram de palestras, painéis e muita troca de experiência. E com isso, fortaleceu a cadeia produtiva e a própria cultura cervejeira no Brasil. Ao final, tanto participantes quanto a organização se mostraram muito satisfeitos com o resultado.

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Marta Rocha, gerente de categoria Ambev e responsável pelo evento, contou que o evento atingiu seus objetivos. “Fiquei muito feliz com o resultado. Ver o auditório cheio, as pessoas engajadas, fazendo perguntas e querendo se conectar, mostrou que a proposta fazia sentido. A recepção foi muito positiva, tanto os temas quanto os convidados tiveram ótima repercussão. Os feedbacks que recebemos apontam que conseguimos entregar algo relevante para diferentes perfis de público. Foi exatamente o que a gente queria, um espaço plural, com temas diversos, mas com a cerveja como elo central”, explica.

Alexandre Esber, gerente da Academia da Cerveja, ressaltou a importância de promover discussões e oferecer novas visões sobre a cerveja (Crédito: Luís Celso Jr. / Guia da Cerveja)
Alexandre Esber, gerente da Academia da Cerveja, ressaltou a importância de promover discussões e oferecer novas visões sobre a cerveja (Crédito: Luís Celso Jr. / Guia da Cerveja)

Alexandre Esber, gerente da Academia da Cerveja, ressaltou o valor de promover discussões e oferecer novas visões sobre a cerveja. “Além da satisfação da entrega, existe a satisfação de ver que muitas pessoas se colocaram em pontos de vista diferentes do que usualmente elas estão acostumadas”, diz. “Acho que trazer essas discussões com diferentes perspectivas é muito interessante para todo mundo que participou”, finaliza.

Tanto Marta como a sommelière Bia Amorim, curadora do evento, enfatizaram o trabalho em equipe para entregar o melhor evento possível. Bia afirma que a própria curadoria foi um trabalho coletivo. Além disso, ela destaca a importância da união do mercado cervejeiro. “O que a gente teve no congresso é a representação da construção da categoria cerveja, a construção do bom relacionamento dentro do mercado e como isso é necessário, benéfico e importante”, diz.

Dado o sucesso, é natural que se pense em uma continuidade do Congresso do Grão ao Gole nos próximos anos. Esber diz que o planejamento dos próximos anos acontece paulatinamente. “Mas pela reação dos congressistas, pelo potencial que o evento mostrou, eu acho que tem tudo para a gente buscar fazer novas edições dele”, diz. Já Marta conta que existe uma ideia. “Pensamos em fazer a cada dois anos, justamente para trazer sempre temas novos e relevantes. Ainda não temos a próxima data definida”, conclui.

Congresso do Grão ao Gole

Painel “A Indústria da cerveja no Brasil: investimentos, tecnologias e o futuro pelo campo” teve a presença de (das esquerda para a direita) Jeferson Caus, superintendente de Negócios da Cooperativa Agrária Agroindustrial, Maciel Silva, diretor técnico adjunto da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Carlos Goulart, secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), e foi mediado pela jornalista Fernanda Pressinott (Crédito: Luís Celso Jr. / Guia da Cerveja)
Painel “A Indústria da cerveja no Brasil: investimentos, tecnologias e o futuro pelo campo” teve a presença de (das esquerda para a direita) Jeferson Caus, superintendente de Negócios da Cooperativa Agrária Agroindustrial, Maciel Silva, diretor técnico adjunto da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Carlos Goulart, secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), e foi mediado pela jornalista Fernanda Pressinott (Crédito: Luís Celso Jr. / Guia da Cerveja)

O evento foi dividido em dois dias, com o primeiro dedicado aos aspectos do campo e o segundo ao consumo. A abertura ficou por conta de uma mesa com Márcio Maciel, presidente-executivo do Sindicerv, Gilberto Tarantino, presidente da Abracerva (Associação Brasileira de Cerveja Artesanal), e Carla Crippa, vice-presidente de Impacto e Relações Corporativas da Ambev.

Tarantino enfatizou a necessidade de união do mercado cervejeiro e disse que o evento é consequência de um trabalho de categoria que começou ainda em 2022. Já Maciel trouxe números e reforçou o papel que a cerveja tem na socialização do brasileiro. O ecossistema cervejeiro movimenta 2,5 milhões de empregos diretos, indiretos e induzidos, 2% do PIB brasileiro e impacta mais de 2,1 mil propriedades rurais. “Somos muito mais do que apenas um líquido com o qual o brasileiro celebra”, disse.

O dia ainda contou um painel com Carlos Goulart, secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Maciel Silva, diretor técnico adjunto da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), e Jeferson Caus, superintendente de Negócios da Cooperativa Agrária Agroindustrial. O tema foi “A Indústria da cerveja no Brasil: investimentos, tecnologias e o futuro pelo campo”, e focou em cevada e malte.

Para Maciel Silva, o evento representou um espaço estratégico para aproximar os elos da cadeia cervejeira e discutir soluções conjuntas. “A presença da CNA no evento foi muito importante para dialogar com a sociedade sobre os benefícios socioeconômicos do agro”, disse. “O encontro também representou uma oportunidade de aprendizado a partir das experiências já consolidadas em outras cadeias produtivas”.

O dia contou ainda com mais duas palestras: “A cevada brasileira, do grão ao insumo”, na qual Adriana Favaretto (Ambev) mostrou a pesquisa e dedicação por trás do desenvolvimento de um cultivar de cevada; e “O campo de pesquisa, leveduras e inovação”, apresentada por Gabriel Galembeck (Bioinfood).

Além disso, outros dois painéis fecharam a programação do primeiro dia: “O lúpulo no campo brasileiro”, com Daniel Leal (Aprolúpulo), Amanda Xavier (COPPE UFRJ) e Ana Pampillon (Rota Cervejeira do RJ), com mediação de Luís Celso Jr., diretor de conteúdo e editor do Guia da Cerveja; e “O campo no copo: ingredientes com qualidade e desenvolvimento sustentável”, com Diego Rzatki (Cevejaria Cozalinda), Leonardo Barbosa (UFABC) e Guillermo Favre (Ambev).

Uma das palestras mais esperadas foi com o cervejeiro norte-americano John Palmer autor do livro “How to Brew” (Crédito: Luís Celso Jr. / Guia da Cerveja)
Uma das palestras mais esperadas foi com o cervejeiro norte-americano John Palmer autor do livro “How to Brew” (Crédito: Luís Celso Jr. / Guia da Cerveja)

Foco no consumo

O segundo dia do Congresso do Grão ao Gole teve uma das palestras mais esperadas do evento: “American Lager: passado, presente e futuro”. Ela foi ministrada pelo cervejeiro norte-americano, John Palmer, autor de de “How to Brew”, publicado originalmente em 2006 nos Estados Unidos. A obra é considerada uma das mais importantes da arte de fazer cerveja em casa e que influenciou gerações de cervejeiros caseiros e profissionais.

Palmer trouxe um histórico completo do estilo de cerveja, que começou a ser desenvolvido em meados do século 19 nos EUA e ganhou o mundo como modelo de cerveja Mainstream. Hoje, responde por cerca de 85% da produção mundial, segundo o palestrante. O autor também deu dicas sobre como fazer cervejas desse estilo em casa e enfatizou tanto pontos de atenção quanto as técnicas necessárias.

Outro destaque foi a Palestra “Como a tecnologia reinventa cada gole de cerveja?”, do especialista em transformação digital, Mauricio Tkatchuk, que desvendou cases de uso de tecnologia por parte das grandes cervejarias e mostrou como mesmo pequenos negócios podem se beneficiar da tecnologia.

Outras três palestras trouxeram muitas informações de mercado e marketing para o público: “Brindando com equilíbrio: tendência de mercado e perfil consumidor”, sobre moderação com Andressa Azevedo (Ambev) e Lucas Lima (Ambev); “A cerveja em novos territórios”, de Higor Lambach (Futuro Co.); e “Construção de posicionamento de marca, cultura e relevância no mercado cervejeiro”, de Caroline Ferraz (Ambev).

O dia foi finalizado com o painel “Cerveja e gastronomia”, com Fernanda Lazzari (Morada Cia. Etílica), Patty Durães (Pesquisadora de Culturas Alimentares), Helena Guimarães (Restaurante TUJU) e a mediação de Luiza Fecarotta (CBN).

A cerveja como matéria-prima da escrita

Coluna bia amorim

“die Sprache ist das Haus des Seins”*
(A língua é a casa do Ser)

Martin Heidegger

Você também se pergunta o que a cerveja tem de tão especial? Às vezes eu simplesmente abro uma cerveja, coloco no copo e fico olhando para ela. Dou um gole, a carbonatação me diverte, a lupulagem me instiga, o malteado me coloca no céu, sinto o gole gelado descendo garganta abaixo e já começo a pensar. Mas não é sobre seus gostos deliciosos e tão variados que eu quero falar aqui. Especial mesmo, assim, para a gente, humanos. Encasquei com isso. Mas acabei fazendo uma lista longa, desses porquês especiais. Como queria escrever sobre isso, pensei que escrever poderia ser um bom começo. Escrita.

A cerveja esteve a todo momento junto aos homens em sua jornada pela sociedade, nas nossas constituições mais antigas e que ainda seguimos transformando. Muitas vezes olho para a cerveja como esse objeto de estudo tão rico, uma pedra rara, mas ao mesmo tempo tão democrática sensorialmente, tão complexa estruturalmente. E que ainda há tanta coisa a ser vista e transformada, descoberta, e muito mais imaginada. Escrita.

Estava lendo um texto sobre a história da língua e da escrita, e tudo o que eu pensava era: “Olha lá, a cerveja fazendo parte da palavra escrita, do registro, caraca! A cerveja é tão importante que ela já existe desde tanto tempo que a gente até esquece.”

Não à toa, como mostram aquelas tabuletas sumérias, a cevada e a cerveja figuram entre os primeiros signos da escrita! Pode parecer banal, mas fico toda feliz. A cerveja é especial e o que eu faço é interessante. Por isso eu amo trabalhar com cerveja. E, portanto, também escrever sobre ela.

No livro The Domestication of the Savage Mind, Jack Goody (1977; em português, A domesticação do pensamento selvagem), argumenta que a escrita não apenas registra ideias, mas transforma radicalmente a forma de pensar e organizar o mundo, permitindo listas, genealogias extensas, leis codificadas, registros de contabilidade.

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É justamente nesse ponto que a cerveja aparece, lá atrás: entre os primeiros registros cuneiformes da Mesopotâmia estão tábuas de argila listando medidas de cevada, jarros de cerveja e pagamentos em grão. Imagina o trabalhão que dava, antes dessa época, fazer tudo de forma oral: falado, rimado, decorado, cantado. A escrita foi também um salto na evolução humana. E a cerveja já estava lá. Hoje em dia o Excel já resolve um montão, né?

Alfabetos, poesia e a musicalidade do copo

Finalmente, quando os gregos inventam as vogais e registram a musicalidade da língua, o texto vira poesia, filosofia.  A cerveja também ganha o seu estatuto, vira tema literário, receita, ciência, pesquisa e cultura: do hino à deusa Ninkasi, na Mesopotâmia, até os poemas medievais de taberna, chegando a bebidas fermentadas de forma tão tecnológica e até sem o próprio álcool. A bebida não é apenas consumo, mas linguagem estética, suporte para metáforas, narrativas, símbolos. E acompanhou as boas histórias que foram narradas, escritas e eternizadas. 

Da Antiguidade até os dias de hoje, nosso pensamento crítico nos faz comunicar o que achamos daquela cerveja, daquela marca, daquele gosto, daquele sabor, daquela mistura, aquela técnica, aquilo outro. E escrevemos, compartilhamos, comunicamos e aprendemos. 

Aliás, em boa parte das boas histórias de quase ficção, a galera devia estar com uma cervejinha em mãos, tanto vivendo quanto contando sobre aquilo. Todo mundo tem boas memórias de quando a cerveja estava ali, desde os milênios até hoje.

A história da escrita pode ser lida nos seus suportes: argila, pergaminho, papel, tela. A da cerveja também: do jarro de barro às barricas de madeira, da garrafa ao copo de cristal, da lata à chopeira, da tábula ao Instagram. Cada suporte altera a circulação, o acesso, o prestígio. 

O status da garrafa grande, feita em um mosteiro, com rótulo em linhas douradas delicadas; a história ali contada timidamente em linhas corridas; e uma taça de cristal impecavelmente limpa aguardando essa cerveja. A garrafa long neck e o simples post, alegre, no Instagram. Tudo é parte: elementos tão decisivos para a cerveja quanto o códice e o PDF para a escrita.

Mundo digital e mundo líquido

No presente, a escrita se torna hipertextual. A cerveja, por sua vez, se torna global. Cada post de cerveja é também uma escrita digital, um fragmento da memória coletiva que continua atuando sobre as transformações, mas agora com o nome de consumo, publicação, #publi, experiência, etc. Se a língua digital é atravessada por algoritmos, a cerveja hoje é atravessada por métricas, rankings, aplicativos de check-in. Ambas vivem essa tensão entre liberdade criativa e captura pelos sistemas de poder.

Do mito oral ao post no Untappd, a cerveja está lá, paralela à história da linguagem. Se a linguagem é a casa do ser, talvez a cerveja seja a varanda desta casa: um momento nesse espaço de encontro, a contemplação e a partilha, o rito onde a humanidade, desde sempre, tem inventado maneiras de existir junto. Cá estou eu, usufruindo da cerveja e da escrita, para manter viva esta paixão: olhar para uma cerveja e saber, e sentir, que ela é especial. Uma sommelier que escreve para também criar mudanças.

Bia Amorim é sommelière, pesquisadora e palestrante. Atua na interseção entre gastronomia, cultura e bebidas brasileiras, com foco em comunicação, experiência, consumo consciente e hospitalidade.

Menu Degustação: Premiação da Copa Paulista destaca cervejarias de Ribeirão Preto

Copa Paulista de Cerveja 2025 revelou os vencedores no início da noite de domingo (20) durante cerimônia realizada na São Paulo Oktoberfest, no Parque Villa-Lobos, na capital paulista. O concurso, que contou com 50 cervejarias paulistas participando, distribui 57 medalhas ao todo em 19 categorias. A premiação destacou as cervejarias Ribeirão Preto como as maiores premiadas com 30 medalhas. Duas das três posições no pódio de melhores cervejarias também ficaram com fabricantes da cidade.

Lei também nesse Menu Degustação: Tarantino realiza festa de 7 anos; Academia da Cerveja traz curso internacional de cervejeiro para o Brasil; AB Inbev fecha parceria com Netflix; cerveja Erdinger passa a ser importada pela Interfood; e muito mais. 

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Copa Paulista de Cerveja 2025

Cervejarias do interior de São Paulo dominaram a lista de premiados da Copa Paulista de Cerveja 2025. Das 57 medalhas distribuídas ao todo, somente uma foi para a capital paulista. Além disso, a cidade de Ribeirão Preto aparece com maior premiada, com 30 medalhas (12 de ouro, oito de prata e 11 de bronze) e o primeiro e terceiro lugar na disputa pelo prêmio de Melhor Cervejaria (concedido para a fabricante que soma mais pontos conforme o número de medalhas). 

A cervejaria Walfanger foi a mais premiada com 14 medalhas, quase a metade das que foram parar nas malas rumo à Ribeirão Preto. Foram sete de ouro, duas de prata e cinco de bronze. Em segundo ficou a Dama Bier, de Piracicaba, com três premiações de cada tipo. A Cervejaria SP330 ficou com a terceira posição, acumulando três de ouro, uma de prata e três de bronze. 

Já o prêmio de Melhor Cerveja da Copa Paulista de Cerveja 2025 foi mais distribuído. O ouro ficou com a Walfanger Lager, a prata com Frederícia Weizenbock (de Rio Claro) e o bronze com a Dama Bier Wood Selection Imperial Grape Ale. Confira a lista completa de cervejas premiadas aqui.

Curso cervejeiro internacional

Pela primeira vez fora da Alemanha, o curso “Tecnologia Cervejeira” da tradicional VLB Berlin será realizado no Brasil, em parceria com a Academia da Cerveja, escola da Ambev voltada à formação e difusão de conhecimento técnico sobre o setor. O programa acontece online entre 6 e 24 de outubro, com 55 horas de conteúdo em três semanas, sempre das 19h às 22h, e terá aulas sobre matérias-primas, análise sensorial, controle de qualidade e etapas da produção, além de uma brassagem transmitida de São Paulo e visita técnica a uma cervejaria industrial. Voltado para profissionais do mercado, o curso oferece certificação internacional da VLB, reconhecida mundialmente por formar mestres cervejeiros, e as inscrições já estão abertas no Sympla.

AB InBev e Netflix

A AB InBev e a Netflix anunciaram uma parceria global inédita que conecta marcas de cerveja icônicas, como Budweiser, Corona e Stella Artois, a séries, filmes e eventos ao vivo da plataforma de streaming. O acordo prevê campanhas de co-marketing, embalagens em edição limitada, promoções digitais, integrações em conteúdos e ativações em títulos como The Gentlemen (Reino Unido), Brasil 70 – A Saga do Tri (Brasil) e Culinary Class Wars (Coreia do Sul). A colaboração também se estende a grandes eventos esportivos, incluindo a transmissão do NFL Christmas Game Day em 2025 na Netflix e ações voltadas à Copa do Mundo Feminina de 2027. Recentemente, a Cerveza Victoria já participou como patrocinadora oficial da luta entre Canelo e Crawford, no México. Com presença em quase 50 países e um portfólio de mais de 500 marcas, a AB InBev reforça, com o acordo, sua estratégia de aproximar consumidores em momentos de celebração ao redor do entretenimento global.

Tarantino celebra 7 anos com festa

A Tarantino Cervejaria comemora sete anos com uma festa neste sábado (27), das 16h à meia-noite, em sua sede no bairro do Limão, em São Paulo. O evento contará com shows de Adam Lasher, Santa Jam Vó Alberta, Cornucópia Desvairada, além das DJs Mari Mats e Nat Jako, e apresentação de Mana Bella. A programação inclui o lançamento da Pils Ano 7, uma West Coast Pilsner de lote único, além de opções gastronômicas de Koya 88, Bagaceira, Gelato Boutique e Sow Defumados. Com ingressos disponíveis pelo Sympla, a celebração será pet-friendly, com entrada gratuita para crianças de até 14 anos e benefícios para aniversariantes do mês.

Spaten Fight Night 2

Encarada entre Wanderlei e Popó agitou a Faria Lima, em São Paulo, e esquentou o clima para a luta no Spaten Fight Night 2 (Divulgação / Inovafoto / William Lucas)
Encarada entre Wanderlei e Popó agitou a Faria Lima, em São Paulo, e esquentou o clima para a luta no Spaten Fight Night 2 (Divulgação / Inovafoto / William Lucas)

Acelino Popó Freitas e Wanderlei Silva fazem neste sábado (27), em São Paulo, a luta principal do Spaten Fight Night 2, evento que terá transmissão da TV Globo, Canal Combate e Globoplay. A encarada entre os dois, realizada na quinta-feira (25) na Avenida Faria Lima, reuniu multidão e contou com provocações de ambos, além da presença de Vitor Belfort, que surpreendeu ao declarar torcida para Wanderlei após ser vetado da disputa por lesão. A programação ainda inclui três duelos de destaque: Hebert Conceição x Yamaguchi Falcão, valendo o cinturão brasileiro dos super-médios; Bia Ferreira x Maíra Moneo, pelo título mundial peso-leve da Federação Internacional de Boxe; e Wanderson Barcelos x Thiago Manchinha, único combate de MMA da noite. O evento acontece no Arca e deve reunir cerca de 2 mil espectadores.

Itaipava na Tardezinha

A Itaipava, marca do Grupo Petrópolis, será a cerveja oficial da Tardezinha em São Paulo, com shows de Thiaguinho nos dias 4 e 5 de outubro na Arena Anhembi. Parceira do projeto há 10 anos, a marca celebra a data com uma edição especial da Itaipava Premium, vendida em latas exclusivas de 350 ml durante os eventos. Segundo a Nielsen, a Itaipava é hoje a cerveja mais consumida nos lares paulistanos e a sexta mais vendida no estado, e em 2023 registrou crescimento de 1,2% em clientes após a turnê. A marca também promove ativações no varejo, como a ação “Comprou, Ganhou”, que oferece latas extras e brindes, e a campanha “Pagode na Lata”, que sorteará ingressos para os shows e prêmios de R$ 15 mil mensais.

Märzen no Tank

O Tank Brewpub, em Pinheiros (SP), lança no dia 25 de setembro uma Marzen especial para celebrar a Oktoberfest, festa cervejeira que tradicionalmente começa em setembro. Com 6% de teor alcoólico, a cerveja apresenta coloração dourada profunda, aromas de casca de pão e notas florais de lúpulos nobres alemães, baixo amargor e corpo marcante sem dulçor residual, remetendo ao estilo clássico consumido nas festividades bávaras. O lançamento será marcado por um fim de semana promocional, de 25 a 27 de setembro, com a caneca de 570 ml vendida a R$ 25 (em vez de R$ 30), além de outras opções de serviço, como copos de 300 ml e 460 ml, growler de 1 litro e pitcher de 1,7 litro.

Erdinger na Interfood

A cervejaria alemã Erdinger, fundada em 1886 em Erding e líder mundial em cervejas de trigo, passa a integrar com exclusividade o portfólio da Interfood Importação no Brasil. Reconhecida pela produção artesanal seguindo a Lei da Pureza de 1516 e pelo método tradicional de dupla maturação bávara, a marca exporta para mais de 100 países e mantém toda sua produção na Baviera. Entre os rótulos disponíveis no mercado brasileiro estão clássicos como Weissbier, Dunkel, Kristall, Urweisse e versões especiais como Oktoberfest e Pikantus, além de opções sem álcool. A distribuição contempla garrafas de 500 ml, latas de 500 ml e barris de 30 litros, reforçando a presença da marca centenária no país.

Trilha e Caledonia lançam Wee Heavy colaborativa

O bar Caledonia Whisky & Co., localizado em Pinheiros, na capital Paulista, e a Cervejaria Trilha, da Barra Funda, também em São Paulo, lançaram a segunda cerveja colaborativa de uma série inspirada no universo do destilado. Trata-se da cerveja Caskbound, uma Wee Heavy, estilo escocês maltado e alcoólico, finalizada em barril de carvalho americano que antes continha rye whisky. A cerveja ficou ótima, com leves notas da madeira, coco queimado e baunilha, com um toque picante do centeio. O objetivo não era maturar a cerveja por longos períodos no barril, mas sim aplicar a madeira de forma semelhantemente à técnica de “cask finish” — quado se finaliza o whisky em um barril diferente, que continha outra bebida antes. O lançamento contou também com drinks com Sazerac Rye e até sanduíche de centeio, que ficou disponível por período limitado. A cerveja está disponível em chope e em garrafas em ambos os pontos de venda. 

Oktoberfest Ribeirão

Jorge Ben Jor é uma das estrelas da coleção de acessórios inspirados na fauna, flora e cenários do Rio de Janeiro (Divulgação / Ambev)

A Oktoberfest Ribeirão 2025 acontece até domingo (28) no Parque Municipal Dr. Luís Carlos Raya, em Ribeirão Preto, com entrada gratuita e estrutura de 5 mil m². A festa reúne música, danças folclóricas, gastronomia típica, espaço kids e carta de chopes artesanais da cervejaria Walfänger, incluindo o Sebastian Altbier, eleito melhor do mundo no World Beer Awards 2024. A programação conta com mais de 12 bandas, DJs e grupos culturais como Rotkappen, Weisser Schwan e Banda Original, com horários disponíveis nas redes sociais @oktoberfestrp. Uma novidade é a obrigatoriedade do copo oficial, reutilizável de 400 ml, vendido a R$ 10 pelo site duoticket.com.br. O evento é pet friendly, terá área coberta, pontos de acessibilidade e expectativa de receber 40 mil pessoas, sendo realizado com apoio da Prefeitura de Ribeirão Preto e aprovação pela Lei de Incentivo à Cultura.

Corona Cero e FARM Rio

A Corona Cero, rótulo zero álcool da Ambev, e a marca de moda FARM Rio lançaram uma collab que celebra a cultura de praia carioca, com coleção de acessórios inspirados na fauna, flora e cenários do Rio de Janeiro. A campanha de lançamento é estrelada por Jorge Ben Jor, que assina a trilha com “Obá, Lá Vem Ela”, e conta ainda com nomes como Pedro Scooby, Maya Gabeira e Anderson Pikachu em mini filmes ambientados sob os guarda-sóis da orla. Entre os itens estão bolsa de nylon, copos e garrafas térmicas, cadeira de praia e pochete térmica, todos com estampas da FARM e elementos da Corona. A iniciativa marca a primeira collab de moda da Corona Cero, em um momento em que o rótulo ajudou a impulsionar em 15% o crescimento do segmento de cervejas zero álcool da Ambev no último trimestre. A coleção será vendida no site da FARM Rio e em 50 lojas pelo país, incluindo Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Belém e Florianópolis.

IFSP Sertãozinho Abre Inscrições para Curso de Cervejaria

As inscrições para o Curso Técnico em Cervejaria do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), campus de Sertãozinho, já estão abertas e vão até 20 de outubro de 2025. O curso é gratuito, presencial e noturno, com aulas de segunda a sexta-feira. Com duração de 1.200 horas, distribuídas em três semestres, a formação é subsequente ao ensino médio, o que significa que os candidatos devem ter concluído o ensino médio e ter no mínimo 18 anos na data da matrícula. O curso habilita o profissional para ser responsável técnico de cervejarias. A seleção será feita por meio de uma prova com 30 questões de múltipla escolha, de Língua Portuguesa e Matemática, que será aplicada em 7 de dezembro de 2025. Para se inscrever ou obter mais informações, os interessados podem acessar o site do processo seletivo.

Entrevista: Luiza Tolosa fala sobre a Dádiva e o protagonismo feminino no setor

Fundadora da Cervejaria Dádiva, Luiza Tolosa entrou no universo da cerveja artesanal em 2014. Não por uma paixão antiga pelo produto, mas como empresária, pela visão de que havia ali um mercado em formação com grande potencial de crescimento. Em pouco mais de uma década, viu de perto a transformação do setor: de cerca de 200 para mais de 1,8 mil cervejarias registradas no país atualmente, acompanhando o movimento de curiosidade dos consumidores e o amadurecimento da produção e mão-de-obra. 

Mas percurso de Luiza vai além do papel de fundadora da Dádiva, uma marca muito respeitada e premiada. Ela também assumiu o papel de dar voz e visibilidade às mulheres do setor. Em 2023, liderou a criação do movimento “Criado Por Elas, Liderado Por Elas”, que reúne cervejarias fundadas e conduzidas por mulheres em diferentes regiões do Brasil. A iniciativa rapidamente se transformou em um coletivo forte, capaz de promover encontros, ocupar espaços em grandes eventos e abrir discussões fundamentais sobre igualdade, reconhecimento e respeito no ambiente cervejeiro.

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Em entrevista exclusiva ao Guia, ela conta mais detalhes sobre essa trajetória. Confira.

Você comentou que iniciou no ramo da cerveja não pela paixão, mas pelo potencial do mercado, certo? Como era o mercado quando você entrou e como o avalia atualmente? 

Quando entrei em 2014, o mercado de artesanais ainda era bastante incipiente. Mas a gente já começava a perceber que havia um interesse por cervejas diferentes. Era um momento de curiosidade e de um mercado que estava se formando, com consumidores e entusiastas.

Acho que 2014, 2015 e 2016 foram anos bem importantes. Quando a gente olha para a formação de cervejeiros caseiros, esse é um momento que ajudou muito o mercado a crescer. E a gente foi crescendo junto. Acho que foi um bom timing nesse sentido, ainda tinha poucas cervejarias, estava começando.

Em termos de números, acho que tinha ali 200 cervejarias registradas no Mapa [Ministério da Agricultura e Pecuária]. Hoje já são mais de 1,8 mil registradas. Então, realmente o mercado cresceu bastante, muitos ciganos também contribuíram para o crescimento, não só fábricas. Hoje a cerveja artesanal é algo que acontece, não é só um desejo, uma ideia como era antes.

Quais os maiores desafios que você enfrentou para estruturar a Cervejaria Dádiva?

Acho que começar uma empresa do zero traz vários desafios. A gente montou a empresa e aí foi entendendo que tinha um mercado de ciganos, daí começamos a investir olhando esse potencial de clientes. O acesso a crédito é algo difícil quando você não tem histórico. Acho que na época a gente tinha mais dificuldade de encontrar mão-de-obra qualificada para trabalhar na cervejaria. Era ainda mais difícil no começo encontrar pessoas que já sabiam produzir cerveja. Hoje em dia existem muitos cursos, mas na época eram pouquíssimos. Acho que hoje em dia a gente já tem um mercado mais formado nesse sentido.

Por que escolheu a libélula como símbolo da Cervejaria Dádiva? 

Luiza Tolosa criou não só a Cervejaria Dádiva, como também o movimento "Criado por Elas, Liderado por Elas" (Crédito: Claus-Lehmann / Cervejaria Dádiva)
Luiza Tolosa criou não só a Cervejaria Dádiva, como também o movimento “Criado por Elas, Liderado por Elas” (Crédito: Claus-Lehmann / Cervejaria Dádiva)

A gente queria uma coisa que fosse positiva. Então o nome Dádiva já vem um pouco por esse objetivo. E queríamos algo que falasse da cerveja de uma forma leve, alegre, fácil, sem ter ali alguns símbolos mais esperados, mais masculinizados. E Dádiva é algo que a gente dá sem querer nada em troca, assim como a libélula é um símbolo de alegria e de prosperidade em várias lendas e histórias do Oriente principalmente. Então, acabou que uniu Dádiva e a libélula. 

Você liderou a criação de um movimento de mulheres no mercado cervejeiro no ano passado, o “Criado Por elas, Liderado por Elas”. Como foi a experiência e como está o projeto atualmente? 

Na Dádiva, a gente sempre teve uma preocupação de ter uma equipe que também tivesse mulheres em todas as áreas, salários iguais, etc.. E quando a gente começou a entender que ‘ok, dentro de casa a gente já fez a nossa lição’, começamos a contar essa ideia para que outras cervejarias também pudessem pensar nisso. E foi aí que veio esse movimento.

A gente começou a falar e muitas mulheres do mercado acabaram se reconhecendo, entendendo que a história que eu passo aqui em São Paulo é muito parecida com a história que a minha amiga de Florianópolis, a outra do Rio de Janeiro e a outra em Goiás. E isso foi criando uma união das mulheres que trabalham com cerveja como um todo, um coletivo de mulheres cervejeiras.

E em 2023, a gente acabou fazendo um post no perfil da Dádiva sobre o dia do empreendedorismo feminino, que é dia 19 de novembro. Fizemos um carrossel marcando cervejarias lideradas por mulheres. E deu uma super viralizada, muita gente comentou, marcou e indicou cervejarias que a gente nem conhecia. Foi quando a gente falou, ‘putz, tá aí uma coisa que a gente precisa fazer pra se ajudar’. E foi assim nasceu o ‘Criado por Elas, Liderado por Elas’, que é um projeto que apoia, divulga e dá visibilidade aos negócios fundados por mulheres no mercado cervejeiro. 

Que tipo de ações o grupo já realizou?

Fizemos um evento no ano passado, uma festa que reuniu 26 cervejarias do Brasil todo, lideradas por mulheres, para a gente se conhecer e trocar experiências. Foi uma festa super legal, com 30 torneiras de chope. E foi um evento onde muitas mulheres saíram com uma sensação de que ‘nossa, que evento tranquilo, seguro’. Claro que tinha homens também na festa, mas era um ambiente acolhedor. Às vezes, em algumas festas de cerveja, o ambiente é tipo mega masculinizado. E ali foi diferente. Estamos tentando viabilizar um novo encontro. E a gente vem fazendo também inserções em outros eventos para divulgar essas cervejarias. Levamos cervejarias de mulheres para o IPA Day, em São Paulo, em agosto. E recentemente voltei do Rio, onde estávamos no Mundial de La Bière com um estande do movimento ‘Criado por Elas, Liderado por Elas’ com oito cervejarias de mulheres. E foi muito legal. 

Você falou que as mulheres do mercado vivem histórias muito parecidas. Que tipo de situação é comum entre vocês?

Movimento Criado por Elas, Liderado por Elas participou do Mondial de La Bière 2025 (Crédito: Dádiva / Divulgação)
Movimento Criado por Elas, Liderado por Elas participou do Mondial de La Bière 2025 (Crédito: Dádiva / Divulgação)

Uma história que é muito comum é ter que falar que já participei de 40 cursos, tenho a cervejaria Dádiva que tem tantos anos, ganhei 40 prêmios para depois dizer: quero te vender uma cerveja. Se você não fala seu currículo todo, você não está apta a falar sobre aquilo. E a gente sabe que muitos homens não precisam se apresentar dessa forma antes de começar a falar de cerveja, né? Isso é muito comum.

Tem um assédio que também é muito frequente. O homem acaba confundindo o fato de você estar ali apresentando e vendendo um produto para ele, com um sorriso no rosto, ele acha que você está dando alguma liberdade a mais do que a relação profissional. Infelizmente, isso é muito comum. Eu estava no Mondial de La Bière esse final de semana falando sobre o projeto. E chegou um cara, perguntou um monte de coisa, expliquei para ele, que parecia super interessado, gostou do que eu tava contando. E no final ele virou e falou ‘juntou as duas melhores coisas do mundo, mulher e cerveja’. Aí você fala, ‘gente, será que ele realmente ouviu tudo que eu te falei até agora, ou não’? É duro. Nessas situações você vê como realmente são importantes esses trabalhos que a gente faz. Porque, sim, o óbvio ainda precisa ser dito.

E você sente que houve uma evolução na conquista por mais espaço e respeito das mulheres nestes últimos anos?

Acho que sim. Se antes a gente tinha que dar o nosso LinkedIn completo antes de falar de cerveja, hoje precisa dar um pouco menos, sabe? Hoje tem muitas mulheres que trabalham com cerveja, existe uma abertura maior. No entanto, às vezes, o preconceito está enraizado e é difícil de ser assumido. Mas, sim, eu acho que tem uma evolução. Existe um espaço cada vez maior, ainda que ele precise continuar sendo conquistado.

Cerveja que homenageia Ozzy Osbourne e mais 13: os lançamentos de setembro

Cervejas artesanais variadas — inclusive em homenagem a Ozzy Osbourne! —, novos rótulos super premium das grandes cervejarias e produtos sazonais ligados a festas do tipo Oktoberfest marcaram os lançamentos do mês de setembro. A realização do Mondial de La Bière no Rio de Janeiro (RJ), entre os dias 11 e 14 desse mês, e a proximidade com as festas típicas de outubro motivaram as cervejarias.

Além do lançamento da “Symptom of the Universe”, feita pela Joy Project Brewing, de Curitiba, em homenagem a Ozzy Osbourne, há cervejas dos times de futebol Fortaleza e Ceará feitas pela Turatti; com matérias-primas nacionais da Way Beer; edição especial do Iron Maiden em parceria com a Bodebrown; e de aniversário da Tarantino e Mafiosa (colaborativa com a Dádiva).

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Já as grandes cervejarias trouxeram novos rótulos para Baden Baden, Lagunitas e Estrella Galícia. E tanto a São Paulo Oktoberfest quanto a Oktoberfest de Blumenau lançaram cervejas próprias para abastecer as festas.

Confira tudo em detalhes na seleção do mês do Guia da Cerveja.

Joy Project lança IPA em homenagem a Ozzy Osbourne

A cervejaria Joy Project Brewing (Curitiba – PR) lançou o rótulo “Symptom of the Universe”. Trata-se de uma American IPA “Old School” em homenagem ao roqueiro Ozzy Osbourne, vocalista do Black Sabbath e ícone do rock, falecido em julho aos 76 anos. O rótulo apresenta caráter tropical, cítrico e resinoso dos lúpulos Columbus, Simcoe, Centennial e Cascade, corpo médio, 6,8% de teor alcoólico e 68 IBU. Com preço de R$ 25 para a lata de 473 ml, a novidade já está disponível no taproom da cervejaria em Curitiba e na loja online da Joy Project Brewing.

Bodebrown lança Trooper Brasil IPA 6.6.6. Anos

Bodebrown lançou edição especial da cerveja feita em parceria com o Iron Maiden (Divulgação / Rodrigo Milorch)

Por sua vez, a cervejaria curitibana Bodebrown (Curitiba – PR) lançou uma cerveja que celebra os seis anos da Trooper Brasil IPA, criada em parceria com o Iron Maiden. A edição especial foi envasada em garrafas de 330 ml numeradas e com caixa temática. Ela se chama Trooper Brasil IPA 6.6.6. Anos, foi apresentada no Trooper Day, evento realizado na fábrica, e durante o Mondial de La Bière. A cerveja, lançada originalmente em 2019 com receita que combina nibs de cacau de Ilhéus e três tipos de lúpulo, a edição especial estará disponível também no site da Bodebrown e em pontos de venda pelo país.

Turatti lança cervejas exclusivas para Ceará e Fortaleza

Cervejas do Fortaleza Esporte Clube e o Ceará Sporting Club foram lançadas pela Cervejaria Turatti (Divulgação / Turatti)
Cervejas do Fortaleza Esporte Clube e o Ceará Sporting Club foram lançadas pela Cervejaria Turatti (Divulgação / Turatti)

A Cervejaria Turatti (Fortaleza – CE), considerada a maior artesanal do Nordeste, lançou rótulos exclusivos em parceria com o Fortaleza Esporte Clube e o Ceará Sporting Club, unindo a tradição do futebol cearense à produção cervejeira local. As cervejas já estão disponíveis em redes como Supermercado Guará e Nidobox, além das unidades da própria Turatti, e em breve chegarão também a supermercados Pinheiro, São Luiz e Portugal. A iniciativa busca estreitar a relação dos clubes com suas torcidas e oferecer uma experiência diferenciada aos consumidores; um rótulo especial para o Ferroviário Atlético Clube também está em desenvolvimento.

Mafiosa lança cerveja de aniversário com a Dádiva

As cervejarias Dádiva (Várzea Paulista – SP) e Mafiosa (Valinhos – SP) lançaram juntas a La Parola Data, uma Modern Pils criada para celebrar os 10 anos da Mafiosa e a parceria entre as marcas, que começou em 2014. Com 5,2% de teor alcoólico e lúpulo Luminosa, a receita traz aromas cítricos e frutados, corpo leve e perfil refrescante. O lançamento oficial aconteceu na festa de aniversário da Mafiosa realizada no dia 30 de agosto.

Tarantino Pils Ano 7

A Tarantino Cervejaria comemora sete anos agora em setembro e vai lançar uma cerveja comemorativa: a Tarantino Pils Ano 7. Trata-se de uma West Coast Pilsner de lote único que une “uma base clássica com lúpulos americanos”, diz o cervejeiro da marca, Tarsis Patini em vídeo na conta do Instagram da marca. A base usa processo de decocção, típico das Czech Pale Lagers, com variedades de lúpulo mais clássicas das escola americana, trazendo notas cítricas e resinosas, explica Tarsis. 

Way Beer Brasileira

A Way Beer relançou a Cerveja Brasileira durante a Festa Brasileira, realizada na fábrica em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba (PR). Originalmente uma Ale, foi reveita como Lager leve, de 4,9% de álcool, feita 100% com maltes e lúpulos nacionais. A matéria-prima vem da Maltaria Gourmet Malz, de Palmeira, na região dos Campos Gerais do Paraná, e da Lúpulo da Ribeira, da região do Vale do Ribeira, em São Paulo.

Lagunitas Daytime no Brasil

Durante o Mondial de la Bière no Rio de Janeiro (RJ), que aconteceu de 11 a 14 de setembro, a Lagunitas lançou no Brasil a Lagunitas Daytime. O rótulo é um dos clássicos da marca nos Estados Unidos. Trata-se de uma Session IPA leve e fácil de beber com 98 kcal, notas cítricas, frutadas e 30 IBU. Apesar da primeira aparição ter acontecido no evento, a cerveja deve chegar oficialmente ao mercado somente em outubro e inicialmente nas regiões Sul e Sudeste. Ela estará disponível em lata 350 ml, long neck 355 ml, com preço sugerido de R$ 8,99 e R$ 10,99, respectivamente. Também haverá opção draft.

Baden Baden lança Amber Lager

O Grupo HEINEKEN anunciou o lançamento da Baden Baden Amber Lager, novo rótulo que amplia o portfólio da marca. Com distribuição inicial nas regiões Sul e Sudeste e previsão de expansão nacional ainda em setembro, a cerveja chega em lata de 350 ml (R$ 6,39) e latão de 473 ml (R$ 6,99). Produzida com três tipos de malte, apresenta notas de caramelo, toffee e biscoito, espuma cremosa, 5,2% de teor alcoólico e 35 IBU.

Estrella Galícia Tostada 0.0 e Black Coupage

A Estrella Galicia foi a patrocinadora master do Mondial de La Bière no Rio e aproveitou a ocasião para apresentar suas novidades: 1906 Black Coupage e Estrella Galicia 0,0 Tostada. A primeira é uma Bock de 7,2% de álcool eleita melhor Lager do mundo pelo World Beer Awards 2024. A segunda, uma Lager sem álcool feita com maltes mais tostados, como diz o nome. Também foi apresentada a versão em barril da 1906 La Milnueve, uma Märzen.

Weihenstephaner Festbier chega ao Brasil

A cervejaria bávara Weihenstephan, considerada a mais antiga do mundo ainda em operação, lança no Brasil o rótulo sazonal Weihenstephaner Festbier. Ele está disponível no e-commerce TodoVino, da Interfood Importação. A cerveja é um clássico e apresenta características das cervejas estilo Oktoberfest, típico da festa bávara. Tem cor dourada, corpo médio-baixo, notas de malte e leve lúpulo trazendo refrescância.

SPOF Bier

A WGroup, responsável pela organização da São Paulo Oktoberfest, estreou no fim de semana passado a SPOF Bier, a primeira cerveja oficial criada exclusivamente para a festa. Trata-se de uma cerveja do estilo Oktoberfest e o nome é acrônimo do título do evento. Kathia Zanatta, mestre cervejeira e sommelière formada pela Doemens Akademie, na Alemanha, e uma das sócias do Instituto da Cerveja Brasil, assina a receita. Ela está sendo produzida pela Klaro, de Goiânia (GO), que tem sede em Ribeirão Preto (SP). 

HB Belo Horizonte lança receita extinta em garrafa

A Hofbräuhaus Belo Horizonte, a primeira e única franquia da cervejaria alemã Hofbräu na América Latina, lançou agora em setembro a HB Royal Export em garrafa. A receita foi extinta na Alemanha em 1982 e agora retorna em edição histórica e super limitada. “Desde que trouxe a HB para Belo Horizonte, meu sonho era engarrafar a cerveja e vender aqui, fresca, para quem quisesse levar para casa. Depois de anos de negociação conseguimos essa vitória”, fala Bruno Vinhas, proprietário da franquia mineira.

Trata-se de uma Helles Export, versão mais alcoólica da Munich Helles que era originalmente feita para exportação, de fato. Ela conserva as características do estilo, dourada, leve e refrescante, com teor alcoólico é de 5,7% e amargor de 24 IBU. Interessados podem comprar a cerveja diretamente na HB, pelo Instagram ou WhatsApp da empresa.

Cervejaria Blumenau lança rótulo da Oktoberfest

A Cervejaria Blumenau, de Santa Catarina, está produzindo a cerveja licenciada oficial da Oktoberfest Blumenau 2025, que acontece de 8 a 26 de outubro. O rótulo é inspirado no cartaz da 40ª edição do evento. Ela é uma Pilsen puro malte, leve e refrescante, com 4,1% de teor alcoólico. Estará disponível em garrafas de 500 ml, 355 ml e growlers PET de 1,5 litro. O produto, em pré-venda, chegará ao mercado em setembro, com distribuição nacional em bares, restaurantes e supermercados, além de estar disponível durante a festa.

Trilha e Caledonia lançam Wee Heavy colaborativa

O bar Caledonia Whisky & Co., localizado em Pinheiros, na capital Paulista, e a Cervejaria Trilha, da Barra Funda, também em São Paulo, lançaram a segunda cerveja colaborativa de uma série inspirada no universo do destilado. Trata-se da cerveja Caskbound, uma Wee Heavy, estilo escocês maltado e alcoólico, finalizada em barril de carvalho americano que antes continha rye whisky. A cerveja ficou ótima, com leves notas da madeira, coco queimado e baunilha, com um toque picante do centeio. O objetivo não era maturar a cerveja por longos períodos no barril, mas sim aplicar a madeira de forma semelhantemente à técnica de “cask finish” — quado se finaliza o whisky em um barril diferente, que continha outra bebida antes. O lançamento contou também com drinks com Sazerac Rye e até sanduíche de centeio, que ficou disponível por período limitado. A cerveja está disponível em chope e em garrafas em ambos os pontos de venda.

Pesquisas sobre cerveja na universidade produzem inovação e conhecimento

Nos últimos anos, diferentes pesquisas sobre cerveja vêm evidenciando como o universo acadêmico pode contribuir para trazer conhecimento, tecnologia e inovação para o mercado cervejeiro brasileiro. Seja no laboratório ou nas Ciências Humanas, a bebida vem se tornando tema acadêmico e os resultados já estão aparecendo.

Um dos exemplos mais recentes vem da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), onde a pesquisadora Amanda Reitenbach liderou um grupo que desenvolveu uma nova roda sensorial para bebidas lupuladas. A ferramenta traz novos descritores técnicos para produtos lupulados, incluindo cervejas artesanais, chás e kombuchas. Termos como “maracujá”, “chá-verde” e “casca de laranja” ajudam a traduzir compostos químicos em percepções reconhecíveis para cervejeiros, sommeliers e consumidores. 

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O projeto foi desenvolvido ao longo de dois anos e contou com a colaboração de grupos de alunos, pesquisadores de diferentes universidades e produtores de cerveja. Ele fez parte do Programa de Pós-Graduação em Ciência dos Alimentos da UFSC, em parceria com a Cervejaria Kairós, de Florianópolis, e o Instituto de Química da Universidade de Brasília (IQ/UnB). “Defendo muito a colaboração entre grupos nas pesquisas. Ter integrantes com múltiplos conhecimentos deixa o trabalho mais abrangente”, afirma Amanda. 

Pesquisas sobre cerveja: Amanda Reitenbach liderou um grupo que desenvolveu uma nova roda sensorial para bebidas lupuladas na UFSC (Divulgação/UFSC)
Pesquisadora Amanda Reitenbach liderou um grupo que desenvolveu uma nova roda sensorial para bebidas lupuladas na UFSC (Divulgação/UFSC)

Essa nova roda sensorial trouxe uma versão atualizada para uma ferramenta clássica de aromas da cerveja, inventada nos anos 1970 pelo cientista dinamarquês Morten Meilgaard, que é usada como principal referência para o mercado até hoje. “Esse material precisava ser atualizado de forma científica. Temos metodologia para fazer uma ferramenta baseada em evidências, era isso que faltava”, explica Amanda. Na prática, a ferramenta pode ser utilizada por produtores, sommeliers, pesquisadores e avaliadores sensoriais, e foi disponibilizada em um e-book gratuito. O trabalho vai ajudar a fazer uma ponte entre o produto e o consumidor. 

Para Amanda, o Brasil tem dado bons passos no caminho da ciência e inovação, mas o financiamento ainda é um desafio. Para reverter esse cenário, ela acredita que a valorização e mobilização por parte das indústrias podem ser um passo importante. “A indústria precisa perceber o quanto ela é beneficiada pelas pesquisas”, diz.

Ela ressalta a importância de ter as empresas e pesquisadores trabalhando juntos em busca de melhorias. “As empresas só se desenvolvem com inovação e, muitas vezes, elas não têm quem faça essa parte de tecnologia, porque não conseguem contratar um pesquisador doutor. Então, essa colaboração entre academia e indústria é fundamental para que o setor cervejeiro se desenvolva”, diz.   

Projeto desenvolvido na UFSC resultou na primeira marca registrada em cotitularidade entre UFSC, UnB e a Cervejaria Kairós (Divulgação/UFSC)
Projeto desenvolvido na UFSC resultou na primeira marca registrada em cotitularidade entre UFSC, UnB e a Cervejaria Kairós (Divulgação/UFSC)

Além de reunir dados científicos e análises sensoriais avançadas, o projeto resultou na primeira marca registrada em cotitularidade entre UFSC, UnB e a Cervejaria Kairós, demonstrando um novo modelo de cooperação entre ciência e setor produtivo no campo da inovação sensorial.

Pesquisas sobre cerveja no Brasil

Se por um lado a pesquisa acadêmica contribui para novas ferramentas técnicas e inovações aplicadas ao mercado, por outro ela também ajuda a entender a cerveja como fenômeno cultural, econômico e social.

O geógrafo Eduardo Marcusso pesquisa o universo cervejeiro desde a sua graduação, em 2007, quando estudou o impacto da chegada da cervejaria Petrópolis na região de Boituva. Depois, no mestrado, ele estudou o crescimento das microcervejarias no Brasil e, no doutorado, o foco foi cerveja, cultura e território

Ele lembra que a ciência sempre é pautada pela realidade e está aberta para temas relevantes. E que principalmente, nos últimos 15 anos, quando as artesanais tiveram um grande crescimento no Brasil, passou a despertar mais interesse das universidades. “Hoje temos artesanais em quase 800 cidades no Brasil. Então, houve um espraiamento da produção e da cultura cervejeira, com novos aromas e sabores. Isso muda as dinâmicas de comércio, transporte, consumo, tudo. E essas mudanças nas dinâmicas chamaram a atenção da ciência”. 

Eduardo divide a pesquisa em cerveja no Brasil em três grandes grupos. Um mais focado em processos produtivos, insumos, leveduras, tropicalização do úpulo entre outros temas. Um segundo grupo é mais focado na parte da economia da cerveja, administração das empresas, marketing. E por fim, um terceiro grupo nas Ciências Sociais, que pesquisa a filosofia, história e geografia por trás da cerveja no Brasil. “O que tem chamado a atenção nos últimos anos é essa questão cultural”, diz Eduardo.

Para o pesquisador, a revolução da cerveja artesanal já ocorreu, mas hoje ganha nova roupagem e novas formas de consumo, como as cervejas sem álcool e sem glúten. Ele acredita que tudo isso vai servir como tema de estudo nas universidades nos próximos anos. “Tem que ter esse encadeamento entre realidade e ciência para gente entender por que bebemos e como bebemos no Brasil nas suas diferentes formas”. 

Para quem se interessar por novos estudos no setor cervejeiro, em outubro, São Paulo será palco do VI Simpósio de Cerveja, promovido pela Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (FEALQ), ligada à USP. O evento reúne pesquisadores, cervejeiros e profissionais da cadeia produtiva para discutir temas e pesquisas sobre cerveja que vão da produção e qualidade até tendências de consumo.

Começa a Oktoberfest da Alemanha; cerveja a R$ 100 e mais 6 curiosidades da festa

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A 190ª edição da Oktoberfest da Alemanha começou oficialmente no último sábado, 20 de setembro, no Campo de Teresa, em Munique, capital da Baviera, e vai até 5 de outubro. A festa, que coleciona títulos como maior festa folclórica do mundo e um dos maiores eventos cervejeiros, combinando música, trajes típicos, pratos tradicionais e, claro, muita cerveja. A expectativa da organização do evento é receber entre seis e sete milhões de visitantes, vindos tanto da região quanto de diversos países.

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E como acontece a cada edição, a Wiesn, como é chamada a Oktoberfest de Munique pelos locais, também traz histórias curiosas e números impressionantes. Do preço da caneca de cerveja ao famoso setor de achados e perdidos, a festa é repleta de detalhes que ajudam a mostrar sua grandeza. Confira sete curiosidades da Oktoberfest da Alemanha 2025.

Cerveja a quase R$ 100

O preço da cerveja é sempre o tema mais comentado. Em 2024, o limite simbólico era de 15 euros; neste ano, o recorde foi batido, tornando difícil encontrar uma Maß (caneca de um litro) por menos do que isso. Segundo informações a Deutsche Welle (DW), na tenda Münchner Stubn, a mais cara chega a 15,80 euros — quase R$ 100.

Mesmo assim, o consumo não diminui. A organização do evento estima que as tendas servirão cerca de 7 milhões de litros de cerveja ao longo da festa. Mais do que beber, os visitantes participam de um ritual coletivo, em que cada gole se mistura com séculos de tradição bávara.

Abertura com o primeiro barril

A Oktoberfest da Alemanha só começa oficialmente quando o prefeito de Munique abre o primeiro barril no Schottenhamel Festhalle. Ao meio-dia do dia 20, Dieter Reiter repetiu a tradição com a tradicional frase “O’zapft is!” (“Está aberta!”).

A cerimônia acontece desde 1950 e guarda uma disputa simbólica: quantos golpes de martelo serão necessários para liberar a torneira? O recorde é de apenas dois, enquanto Thomas Wimmer, criador da tradição, precisou de 17 na primeira edição.

O atual prefeito de Munique é um dos recordistas na modalidade de abrir o barril com menos marteladas: apenas duas (Assessoria de Imprensa de Munique / Michael Nagy)
O atual prefeito de Munique é um dos recordistas na modalidade de abrir o barril com menos marteladas: apenas duas (Assessoria de Imprensa de Munique / Michael Nagy)

14 grandes tendas e milhões de pessoas

Parte da grandiosidade da Oktoberfest da Alemanha está em suas tendas: 14 grandes, com média de 6.000 lugares cada, 21 menores, para até 3.000 visitantes, e três no Oide Wiesn, área que resgata a atmosfera das edições antigas.

Com tanta variedade, há espaço para todos: da música tradicional bávara, festas de Schlager (um estilo de música cafona alemã) ou até clássicos do rock. O resultado é uma cidade paralela que, durante pouco mais de duas semanas, recebe milhões de pessoas para brindar em conjunto.

Comida em números gigantes

O cardápio da Oktoberfest da Alemanha impressiona: só em 2024 os festeiros consumiram 500 mil frangos assados, 125 bois e 70 mil joelhos de porco. O pretzel segue como acompanhamento clássico, mas opções vegetarianas e veganas, como ensopados de grão-de-bico ou goulash de jaca, já fazem parte do cardápio.

O curioso achados e perdidos

Mais de 3.500 objetos vão parar todos os anos no setor de achados e perdidos, incluindo carteiras, celulares e casacos. Mas também surgem itens improváveis, como dentaduras, aparelhos auditivos, lederhosen (as calças de couro típicas da vestimenta tradicional masculina da festa), um capacete viking e até um cachorro.

Segurança reforçada na Oktoberfest da Alemanha

Com milhões de visitantes, a Oktoberfest da Alemanha exige organização impecável. Controles rígidos e presença preventiva da polícia ajudam a manter o clima de festa sem comprometer a segurança. Com isso, em 2024 os crimes caíram 25% em relação ao ano anterior. Além disso, e os atendimentos médicos reduziram quase 30%.

Todo o ano, alguns “colecionadores” tentam repetidas vezes contrabandear canecas vazias de Maß para fora das tendas. Mas os seguranças impedem a maioria dos furtos. Em 2024, a organização recuperou 98 mil canecas de cerveja nas saídas dos barracões, em comparação com números muito maiores nos anos anteriores, segundo a DW.

Rumo à neutralidade climática

A Oktoberfest da Alemanha também olha para o futuro. Desde 2023, o evento é abastecido 100% por energia verde, reutiliza água e reduz o uso de plásticos descartáveis. O objetivo é ousado: tornar-se climaticamente neutro até 2028.

No Brasil, também teve início neste final de semana a São Paulo Oktoberfest, uma das primeiras do calendário de festas do tipo por aqui. Confira a lista com 16 evento que o Guia da Cerveja preparou.

Prêmio Lata Mais Bonita do Brasil 2025 entra em votação popular

O Prêmio Lata Mais Bonita do Brasil 2025, promovido pela Abralatas, chega à reta final. Nessa etapa, o juri técnico já avaliou mais de 318 latas usando critérios como criatividade, estética e clareza na comunicação, e selecionou os rótulos finalistas. Agora o concurso abre a fase de votação popular. E todos os consumidores podem participar pelo site oficial, escolhendo suas artes favoritas entre as cinco finalistas de cada categoria: “Cervejarias” e “Outros Produtos”.

Na categoria Cervejarias, Paraná e São Paulo tiveram o maior número de rótulos entre os finalistas. A cervejaria Fumaçônica Brewery, de Curitiba, teve duas latas selecionadas: Mango Sour Dream e Super Kunk IPA. As cervejarias paulistas estão representadas pela SIM! Cerveja, marca especializada em cervejas sem álcool de Campinas, com a SIM! Abacaxi, e Brass Brew, da capital, com Uma Menina Má. Completa a lista a Go Brew, de Goiânia (GO), com a Massala Red.

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Já em Outros Produtos, os finalistas são 51 Ouro São João 2025 com J. Borges, Cachaça 51 São João 2025 com J. Borges (Companhia Muller), Energético Legacy Tangerina (Legacy Energy Drink), Seagers Gin Tonic Lichia e Maracujá e Seagers Gin Tonic Morango e Hibisco (Stock do Brasil).

Diversidade marca Prêmio Lata Mais Bonita do Brasil 2025

Finalistas da categoria "Outros Produtos", seção que é novidade desta edição da competição (Divulgação / Abralatas)
Finalistas da categoria “Outros Produtos”, seção que é novidade desta edição da competição (Divulgação / Abralatas)

Para a Abralatas, esta 4ª edição, que premiará também outras bebidas além da cerveja, representa um marco na trajetória do concurso. “A premiação nasceu exclusivamente para cervejarias, mas ao longo dos anos recebemos muitos pedidos para abrir espaço para outros tipos de bebidas em lata. Hoje, com o crescimento do mercado de drinks prontos, chás, vinhos e outras opções em lata, entendemos que era o momento ideal para ampliar o escopo e trazer esses fabricantes para o concurso. Essa mudança foi muito bem recebida e marcou um passo importante para tornar o prêmio ainda mais representativo do cenário nacional”, destaca Cátilo Cândido, presidente executivo da Abralatas. 

Além da ampliação de categorias, os finalistas de 2025 refletem uma tendência no design de embalagens. “É possível perceber um movimento de grande valorização das identidades regionais e culturais. Temos latas vindas de várias partes do Brasil, cada uma traduzindo a essência da marca e da região em que foi criada. Notamos o uso de cores vibrantes, ilustrações autorais e referências culturais que dialogam com o público de forma criativa e autêntica. Essa diversidade mostra que a indústria está transformando cada lata em uma verdadeira peça de expressão artística”, avalia Cátilo.

A votação segue até 30 de setembro, e os vencedores serão conhecidos em outubro, durante cerimônia em São Paulo. Cada categoria premiará três rótulos — ouro, prata e bronze — e os vencedores receberão também o selo oficial de reconhecimento da Abralatas, além de participar de ativações em parceria com a entidade e seus parceiros.

“É possível perceber um movimento de grande valorização das identidades regionais e culturais. Temos latas vindas de várias partes do Brasil, cada uma traduzindo a essência da marca e da região em que foi criada”

Cátilo Cândido, presidente executivo da Abralatas.

O concurso Lata Mais Bonita do Brasil conta com patrocínio da Brasil Brau. O apoio institucional conta com participação de várias entendiades: Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não Alcoólicas (ABIR); Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas (ABRABAR); Associação Brasileira de Bebidas (ABRABE); Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (ABRACERVA); Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS); Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (ABRASEL); Associação dos Produtores de Lúpulo do Brasil (APROLÚPULO); Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil); Instituto Brasileiro da Cachaça (IBRAC); e Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (SINDICERV).

No mercado da pressa, parar não é silêncio: é estratégia

Da primeira vez que me chamaram para escrever para o Guia, fiz uma pausa para pensar. Mas declinei. Não tinha tempo nem fôlego para seguir. Da segunda, aceitei de primeira. Mas depois fiz uma pausa: “Ainda não tenho tempo, será que vai dar?”, pensei. Mas se você tá lendo agora, deu.

Fazer uma pausa parece perigoso, te expõe, ainda mais num mercado que vende a presença como valor. Onde ser visto não é mais consequência, é obsessão. Mas a verdade é que nem sempre foi a presença que mudou o jogo na minha jornada. Foi justamente parar que me reposicionou.

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Para mim, parar nunca foi sobre ausência ou covardia. É mais sobre estratégia. Um jeito de reorganizar o pensamento, revisar o sentido e trazer mais intenção. É olhar o todo com calma já que vivemos num mundo em que acelerar é o padrão.

(Crédito: Eduardo Sena / Imagem criada com IA)
(Crédito: Eduardo Sena / Imagem criada com IA)

Falei sobre isso outro dia e me perguntaram se eu tinha medo de me posicionar. A pergunta sincera veio de alguém que tá crescendo como marca, mas sente que precisa “calar” algumas falas para continuar na trend. É aí que mora o dilema: crescer para quem?

Essa pergunta me pegou, pois já estive nesse lugar. De pensar se valia a pena arriscar um contrato por uma opinião. De medir palavras para não assustar. De ter medo de sofrer ataques, cancelamento, ameaças. Mas hoje, com anos de estrada e algumas cicatrizes, não tenho dúvida: se posicionar dói, mas se esconder dói ainda mais.

É claro que nem toda empresa precisa ser ativista. Mas toda empresa precisa saber do que não abre mão. Em tempos de polarização e pós-verdade, isso tem que ficar visível. Porque o silêncio da omissão parece confortável, mas ele também comunica. E normalmente, comunica conivência.

Parar me ensinou que não dá para criar no automático. E se posicionar me lembrou que não vale a pena crescer agradando quem não corre junto contigo. É papo reto, cada escolha tem um custo. Mas também tem um filtro. É o que fica quando você diz com clareza a que veio, no que acredita e o que não admite: gente que se identifica, não vampiriza. É apoio na caminhada, não questionamento vazio. É motivação para seguir e apoio quando apertar, pois você sabe para quem tá criando e o principal: vale a pena.

Foi assim quando parei de criar para o @horadogole. Foi assim quando voltei. E foi por sempre me posicionar que o Guia me convidou para estar aqui.

Hoje, mais do que querer ser presença, eu quero criar barulho. Mais do que buscar aplauso, eu quero provocar conversas como as que compartilho a cada semana no @horadogole. Foi a pausa que me reconectou com isso. E o posicionamento, me pôs ao lado de quem eu realmente quero estar.

E você, tem posicionado sua marca com clareza? Me conta aqui nos comentários.

Eduardo Sena é publicitário, entusiasta cervejeiro, podcaster e agitador etílico-cultural. Com mais de 20 anos de experiência como criativo, é diretor de conteúdo do Hora do Gole HUB — plataforma que conecta cerveja, cultura, equidade e criatividade. Também colabora como estrategista e criativo para outras marcas.