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Cerveja que cura: O jardineiro, o enfermeiro e as receitas medicinais da Doktor Bräu

O lema de que cerveja faz bem à saúde sempre foi obstinadamente defendido – nem sempre com a precisão desejada – pelos cervejeiros mais convictos. No Brasil, contudo, o mote tem um argumento de peso: a Doktor Bräu Cervejas Especiais, tradicional marca mineira que une os universos etílicos e medicinais.

Fundada em 2015, a Doktor Bräu pertence a dois amigos de infância, o cirurgião plástico Nuberto Hopfgartner e o farmacêutico Fernando Evans. E, como não poderia deixar de ser, os sócios levaram sua expertise ao universo cervejeiro. O resultado, segundo eles, é uma marca que preza acima de tudo pelo cliente – e pela busca de excelência e criatividade na concepção dos rótulos.

“Minha experiência como médico ajudou muito na expertise de como valorizar e cuidar do cliente. O respeito ao cliente é algo sagrado na medicina. A busca por excelência e atualização na respectiva área de conhecimento também”, explica Nuberto Hopfgartner ao Guia da Cerveja.

O médico é o responsável pelas áreas comercial, de produção e de criação das receitas – Fernando atua na parte administrativo-financeira – e trabalha diretamente nas pesquisas dos novos rótulos. E, de fato, desde o surgimento, a Doktor Bräu aposta em bebidas inovadoras e criativas, o que tem ligação direta com sua faceta medicinal.

“A inspiração vem de pesquisas contínuas pelo universo cervejeiro, acompanhamento das tendências mundiais, além de conhecimento de química e do paladar do brasileiro”, diz o cirurgião plástico, antes de arrematar.

“Transferimos todo o cuidado, carinho, precisão e necessidade de conhecimento para o mundo empresarial. Assim, nós colocamos, sem dúvida, o nosso cliente em primeiro lugar.”

Rótulos surrealistas
Mas não é apenas pela inventividade das cervejas que a Doktor Bräu tem se destacado. Além de nomes e receitas divertidamente inspirados na medicina, como Adrenaline, Endorphina e HemorragIPA (leia no fim da matéria), a marca sempre ousou com rótulos psicodélicos.

Rótulos surrealistas de Tami Hopfgartner

Não por acaso. A responsável pelos designes é Tami Hopfgartner, irmã de Nuberto. Hoje com um estúdio na cidade de Vevey, na Suíça, Tami é uma artista multidisciplinar que já teve suas obras expostas em várias cidades europeias, principalmente da Suíça, Inglaterra e Portugal.

Como os cultuados rótulos sugerem, Tami se inspira na escola surrealista e em nomes como o do belga René Magritte, um dos grandes ícones do movimento. A artista, assim, para criar as embalagens da Doktor Bräu, frequentemente desenha sonhos absurdos ou delírios tirados de livros de contos.

“Os rótulos são cuidadosamente elaborados por ela, que prefere ilustrações feitas à mão, máquinas de tatuagem e tinta em grandes murais”, conta Nuberto.

Há cerca de duas semanas, em parceria com a Tribal, a cervejaria apresentou mais uma interessante embalagem: a Braille Brut IPA, que possui o sistema de leitura tátil no seu rótulo, o que lhe dá um caráter especialmente inclusivo.

Origem e expansão
O investimento em rótulos especiais e em receitas inovadoras proporcionou um impressionante crescimento da Doktor Bräu desde a sua fundação. Localizada na divisa entre Congonhal e Pouso Alegre, em Minas Gerais, a cervejaria iniciou com a produção de 2.000 litros mensais em 2015. Quase três anos depois e já com cerca de 500 pontos de venda em SP, MG, PE, PB, CE, RJ, GO, MT, MS, BA, AM, PR e DF, a estimativa é de que ela encerre 2018 com 50.000 l/mês.

E, mais uma vez, segundo o cirurgião plástico, a ligação com a medicina tem impacto direto nesse crescimento de mercado. “Nós, médicos, nunca nos espantamos com o volume gigantesco de trabalho, portanto, suportar a enorme carga de trabalho de uma cervejaria não foi empecilho nenhum para nosso crescimento constante.”

Outro ponto decisivo é a estrutura sólida, com uma fábrica de 3.000 m² de área construída em um terreno de 16.000 m². Inspirado nas cervejarias norte-americanas e em sua concepção de “passeio”, o espaço conta ainda com um “hospício pub” e um estacionamento para 50 carros.

“A intenção é criar um ponto turístico para os apreciadores de cervejas artesanais por meio de uma experiência completa na arte cervejeira – cursos, degustação, harmonização, uma vista relaxante – para que eles saiam da fábrica como fãs da marca: com camisetas, bonés, canecas e copos especiais, cheio de alegria e com histórias para contar”, relata Nuberto.

Mas, tão importante quanto o crescimento, é a origem. E foi exatamente por conta dela – a origem de um de seus fundadores – que a cervejaria nasceu.

Nuberto conta que começou a estudar alemão e a pesquisar sobre a origem de sua família austríaca. Então, em viagens à Europa, descobriu que ela estava ligada a uma antiga tradição de plantadores de lúpulo na região do Tirol. Não bastasse, em alemão, seu sobrenome Hopfgartner significa “jardineiro do lúpulo”.

“Assim, com um precedente desses, não tinha como não juntar duas vontades: ser empresário e resgatar a tradição cervejeira dos Hopfgartners. E, em 2013, durante uma visita à Áustria e à Alemanha, decidi voltar e empreender. Em 2015, após muito estudo sobre produção de cerveja e avaliação do mercado de cervejas, a Doktor Bräu Cervejas Especiais estava aberta.”

Criou-se, assim, para a sorte dos aficionados, um forte argumento de que a cerveja se conecta, sim, com a medicina. Se ela pode curar gripe ou dor de ouvido, é uma outra história. Mas, com seus rótulos surreais, suas receitas criativas, sua origem no mínimo curiosa, não há como negar: a Doktor Bräu é um baita remédio contra o tédio.

 

 

Exportação de cerveja tem crescimento irrisório e mantém queda em 2018

A exportação brasileira de cerveja de malte teve um irrisório crescimento em outubro, após registrar números negativos nos meses anteriores. Tendo países da América do Sul como destinos principais, o produto alcançou US$ 8,27 milhões em vendas para o mercado externo no décimo mês de 2018, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).

O valor é 0,1% maior na comparação com outubro do ano passado, quando a exportação brasileira de cerveja de malte foi US$ 5,59 mil menor.

Esse crescimento irrisório não foi suficiente para modificar o cenário de forte baixa nos números acumulados de 2018. Os dez primeiros meses do ano registraram US$ 67,14 milhões e 103.567,8 toneladas de cerveja exportadas, diminuições respectivas de 18,6% e 20,1% na comparação com igual período de 2017.

Tais números fazem com que a cerveja tenha apenas 0,03% de participação nas exportações brasileiras e ocupe a 182ª colocação no ranking dos produtos negociados pelo país de janeiro a outubro deste ano.

Os principais destinos da cerveja brasileira nos dez primeiros meses de 2018 foram Paraguai, Argentina, Bolívia e Uruguai. Confira quanto o Brasil exporta para cada país:

 

Entrevista: O empreendedorismo de “alfinete a foguete” do Polo de Campinas

Não é à toa que o clichê “a união faz a força” se repete. E, pelo menos no mercado cervejeiro do Brasil, ele revela uma importante verdade: em diversas localidades, como Niterói, Ribeirão Preto e Belo Horizonte, as artesanais se uniram em torno de uma pauta comum, buscando a formulação de políticas junto ao poder público e empreendendo um trabalho “de formiguinha” na formação de um mercado consumidor mais robusto, consciente e bem informado.

No interior de São Paulo, o Polo Cervejeiro da Região Metropolitana de Campinas também seguiu essa linha. São 12 cervejarias que integram o grupo e lutam pela constante evolução do setor: Berggren, Campinas, Cogumelo, Crazy Rocker, Daoravida, Kalango, Kombuteco, Landel, Mafiosa, Nuremberg, Tábuas e Toca da Mangava.

Segundo Samuel Faria, presidente do grupo e sócio da Landel, após pouco mais de um ano de atividade, o polo já tem conquistas para celebrar. É o que ocorre no estabelecimento de um diálogo mais franco com o poder público e no reconhecimento da iniciativa por parte do setor privado – e até acadêmico – como grande berço de novas ações empreendedoras.

“Queremos levar informação para que o novo empreendedor não entre em uma fria, compartilhando com ele o desafio que já nos fez bater com a cara na porta”, comenta Faria. “A ideia é promover conhecimento, não só técnico. Como uma microempresa de um setor muito grande, a gente precisa entender de alfinete a foguete – de marketing, produção, distribuição, financeiro.”

Confira, a seguir, a entrevista exclusiva com Samuel Faria, sócio da Cervejaria Landel e presidente do Polo Cervejeiro da Região Metropolitana de Campinas.

Como surgiu a ideia do polo, de onde ele veio e como se estruturou?
A ideia veio da necessidade da gente se unir porque lá somos todos iguais, com as mesmas oportunidades e desafios. Então, veio dessa necessidade de olhar para o lado e ver que a artesanal vizinha, que é vizinha mesmo e não concorrente, tem os mesmos desafios e problemas que a gente. Também veio da Abracerva [Associação Brasileira de Cerveja Artesanal], porque fui secretário lá por dois anos e, quando voltei para casa, pensei que era importante começar de baixo, juntando os núcleos menores. Quando regressei, juntei as cervejarias da região e nasceu o Polo Cervejeiro, a ideia de ser um canal de comunicação único entre poder público, imprensa e iniciativa privada quando se pensa em cerveja artesanal na região.

E como foi esse processo de montagem do polo? A aceitação, de imediato, foi boa?
Foi muito boa. Essa necessidade fez com que todo o processo fosse muito natural, justamente porque tínhamos a mesma cabeça, o mesmo pensamento e o mesmo problema. Quando alguém tem o mesmo problema, é muito mais fácil de se juntar na mesa. Mesmo que concorramos em alguns pontos de venda, entendemos que somos muito mais fortes quando buscamos aumentar a nossa fatia de mercado.

O polo completou um ano em julho. Nesse tempo, tanto em termos de ideias quanto de iniciativas concretas, o que foi alcançado?
Já conseguimos abrir canais de comunicação. A região metropolitana de Campinas – os prefeitos, as Secretarias de Turismo – entende que o polo é um canal de comunicação. Quando há dúvidas sobre qualquer questão que diga respeito à cerveja artesanal, eles nos chamam, nos procuram. O segundo ponto do Polo Cervejeiro era promover eventos e fazer com que os promotores de eventos nos enxergassem como um apoiador. O que é um evento de cerveja artesanal que fomenta o mercado de cerveja artesanal? Como devo fazer? É só colocar pula-pula e banda de rock? O que preciso ter, o que é interessante ter, como eu movimento as pessoas? Hoje já fazemos palestras em universidades – Unicamp, PUC – falando sobre cerveja artesanal. Um evento gigante de empreendedorismo nos citou como um canal não só para levar as cervejarias até lá, como produto, mas também como ideia, inovação. Além disso, hoje também existe uma rota cervejeira na região, que é promovida pela prefeitura, e que a gente promove também.

Samuel Faria Polo cervejeiro Campinas
Samuel Faria, presidente do Polo Cervejeiro da Região Metropolitana de Campinas

É uma iniciativa das prefeituras?
Na verdade a iniciativa privada cria o produto, e as prefeituras apoiam. E, depois desse primeiro ano, saímos com o objetivo de institucionalizar a rota. A partir de agora, começaremos a concretizar as ações para nos tornar mesmo um canal de comunicação. Mas alguns frutos já estão sendo colhidos.

Quais são os próximos passos no curto prazo e em um horizonte mais longo?
O Polo Cervejeiro pretende mesmo consolidar esses canais e ajudar o empreendedor que quer entrar no mercado, para ele entender como é de fato, quais as necessidades. Nem sempre fazer cerveja é um elo da cadeia muito importante em um determinado momento. Se todo mundo que gosta de cerveja quer empreender nesse mercado – ou em qualquer outro – fazendo a mesma coisa, nós teremos um problema. É preciso explicar para as pessoas que existem outras necessidades na cadeia. Temos, por exemplo, problemas de logística reversa de barril. A indústria artesanal é menor, como é possível produzir mais e melhor a um custo acessível? Todos esses são problemas da cadeia que queremos que o novo empreendedor entenda e entre para ajudar. Queremos levar informação para que o novo empreendedor não entre em uma fria, compartilhando com ele o desafio que já nos fez bater com a cara na porta. É importante que ele não cometa os mesmos erros, para que seja um catalisador, um avanço, que seja utilizado nas próprias universidades. A ideia é promover conhecimento, não só técnico. Como uma microempresa de um setor muito grande, a gente precisa entender de alfinete a foguete – de marketing, produção, distribuição, financeiro. Precisamos entender isso tudo, e por que não passar essas informações a quem está entrando para que todos possam crescer de uma maneira mais forte? Esse é o objetivo de todos, que o mercado cresça, mas de forma consolidada.

Qual é a importância do polo para a região de Campinas? O que ele agrega em termos econômicos, culturais?
O fato de termos um portal como o Guia da Cerveja procurando a gente já é um indicador de que estamos no caminho certo, ou seja, de desenvolver o mercado local. As pessoas hoje buscam isso com maior frequência. O consumidor busca hoje uma experiência, o que em um supermercado, em um varejo grande, ele ainda não tem. Então, a proximidade entre produtor e consumidor, o fato dele poder apertar a mão, perguntar o que é, da informação fluir em um canal menor, com menos elos, isso tudo aumenta a experiência do consumidor no final, e faz até com que ele tope pagar um pouco mais caro, que é o que vem ocorrendo hoje. Ele topa pagar um pouco mais caro porque ele tem uma experiência não apenas sensorial, mas no contexto todo. Esse é o grande prêmio que o consumidor tem apoiando experiências como a nossa.

Grandes marcas de cerveja realizam ações inclusivas e de sustentabilidade

Algumas das principais marcas de cerveja do mercado têm aproveitado oportunidades para realizar ações inclusivas e de sustentabilidade. Os casos mais recentes envolvem dois rótulos da Ambev: Budweiser, com a utilização de material reciclado na constituição de sua garrafa, e Brahma Extra, que promove  curso de sommeliers para deficientes visuais.

A ação da Budweiser se deu a partir da renovação visual de suas garrafas de vidro de 330 ml e 550 ml, passando a serem feitas com 45% de material reciclado. E o Brasil é o primeiro mercado onde a marca implementa a novidade. A expectativa é de que elas estejam presentes em todo o mundo após o final do próximo ano.

“Essa é mais uma inovação da Cervejaria Ambev para a redução do uso de material virgem na produção, além de diminuir o descarte de embalagens no meio ambiente”, afirma a cervejaria responsável pela produção da marca Budweiser.

As garrafas também passam a ter um padrão de linhas mais retas e geométricas. Além disso, a embalagem contará com o logotipo da cerveja em alto relevo, o que lembra uma estampa, e a inscrição “Since 1876”, em referência ao ano em que começou a ser fabricada.

Sommeliers Extraordinários
Já a Brahma Extra iniciou o curso “Sommeliers Extraordinários”, em parceria com a Fundação Dorina Nowill para Cegos e o Instituto da Cerveja Brasil (ICB), voltado para pessoas com deficiência visual. A primeira turma conta com 20 alunos matriculados.

A iniciativa abre mais uma oportunidade no mercado de trabalho para deficientes visuais, que ocupam apenas 1% das vagas de empregos formais no Brasil, de acordo com informações do Ministério do Trabalho.

A parceira permitiu a adaptação do curso que já era ofertado para um público mais amplo, assegurando a acessibilidade dos materiais. Isso inclui a tradução das apostilas para os formatos Braille e digital acessível, até a utilização de taças do curso com Braille em sua base.

A infraestrutura do ICB, local das aulas, também foi adaptada com um chão tátil para orientação dos alunos. Houve, ainda, a impressão de uma maquete 3D que ilustra uma cervejaria. E os professores foram treinados pela Fundação Dorina Nowill para Cegos.

“Criar este curso faz parte dessa disseminação de conhecimento cervejeiro, mas com um gosto ainda mais especial, já que o fazemos, ao mesmo tempo que estamos ajudando na inserção de centenas de brasileiros no mercado de trabalho. Para nós é um prazer colocar projetos como este no ar. Mais do que agradar, queremos fazer a diferença na vida das pessoas”, afirma Maurício Landi, gerente de marketing de Brahma Extra.

Confira o vídeo da campanha “Sommeliers Extraordinários”:

https://youtu.be/G0A4GpflxuY

3 pontos essenciais no planejamento da Black Friday 2019

Passado o Tsunami da Black Friday, varejistas de todos os setores têm agora o Natal para se concentrar, mas já começam a traçar estratégias para 2019. E, para aproveitar a próxima data com mais lucratividade, o comércio de cervejas precisa de um plano bem traçado. Presidente da Sociedade Brasileira do Varejo e Consumo (SBVC), Eduardo Terra  alguns pontos importantes a serem trabalhados no planejamento da Black Friday 2019. Confira, a seguir, as dicas e comece a pensar nos próximos passos.

1- De olho na margem
A data é praticamente uma guerra de preços. Todos os varejistas oferecem o melhor que podem, mas jogá-los lá embaixo pode significar margens perigosas. Negociar bem com a indústria é a melhor estratégia para fugir do problema. Mas, segundo Eduardo Terra, para a Black Friday 2018, a indústria alimentícia como um todo freou sua participação na formação das ofertas. Isso trouxe para o varejista o desafio de ser competitivo sem o apoio financeiro da indústria. “Precisa entrar na Black Friday com uma antecedência no planejamento e trazer os seus parceiros e fornecedores juntos. Na categoria de cerveja, é difícil ter uma intensidade promocional sem a indústria”.

Eduardo Terra, presidente da SBVC

2- Black Friday do CRM
Na edição desse ano vimos se consolidar uma tendência que pode não ter volta: o trabalho de divulgação dos varejistas deixou de utilizar mídias tradicionais e passou a dar mais atenção ao relacionamento com os clientes. Com frequência, eles recorreram a táticas online de geração de leads, buscando possíveis clientes para receber ofertas na hora certa. “Estamos vendo menos um bombardeio de mídia, rádio, TV e algo mais ligado ao digital, à internet, aos disparos de SMS. São ações mais de relacionamento”, avalia Terra.

3- Narrativa atraente
Nas primeiras edições da Black Friday, o apelo de mídia com uma estética promocional bastante agressiva (muito preto, números grandes) era a mais usada. Segundo Terra, esse padrão estético ainda funciona, mas é preciso ir além de dizer que seu comércio está fazendo promoção. A criatividade será essencial para a Black Friday 2019.

“A narrativa promocional precisa ser forte, mas o canal para que essa narrativa chegue às pessoas é o grande ponto”, afirma. Ele avalia que a estratégia deve unir narrativas mais interessantes por parte das marcas e ações de CRM. “Se você for usar só mídia de massa, quando se fala especialmente de cerveja, isso fica muito caro e inviável. O grande segredo é usar a base de clientes para fazer chegar essa narrativa ao consumidor. Isso se torna mais inteligente, economicamente mais viável. Para mim, esse é o caminho,” completa.

Sai Black Friday, entra Natal: Como se preparar para continuar vendendo

A Black Friday chegou ao fim, mas não as oportunidades. De olho na expansão dos negócios e na repercussão da importante data para o comércio, celebrada na última sexta-feira, o varejista cervejeiro deve encará-la como o início de um período favorável às vendas. E o próprio calendário atua em seu benefício: é importante que a Black Friday seja vista como um processo integrado que vai culminar no Natal, segundo apontam especialistas consultados pelo Guia da Cerveja.

Um dos mais tradicionais feriados dos Estados Unidos, o Dia de Ação de Graças é celebrado na quarta quinta-feira de novembro, sendo seguido no dia posterior pela Black Friday. A ação, tradicional no varejo norte-americano, se expandiu no início desta década ao mercado brasileiro. E com êxito, tanto que se tornou a segunda data que mais movimenta o comércio, atrás apenas do Natal e à frente do Dia das Mães.

Eduardo Terra, presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC) e sócio-diretor da BTR Educação e Consultoria, lembra que nos Estados Unidos a Black Friday é vista como o início do período de compras para o Natal, marcando o começo da fase mais agitada do ano para o setor. Trata-se, então, de uma época ideal para fidelizar clientes.

“Os norte-americanos fazem isso muito bem, inclusive chamam isso de ‘período do feriado’, ‘holiday seasons’. Para eles não existe a Black Friday e o Natal, existe um período que começa em um e acaba no outro”, explica Terra. Nesse sentido, algumas estratégias para “ampliar” a Black Friday, inclusive, já vêm sendo adotadas pelo varejo brasileiro. São ações que associam o dia com promoções que não se limitam a apenas uma data específica.

“Tem um desafio grande que é estender a data, porque a Black Friday é um único dia. E esse único dia, por melhor que ele seja, não vale todo esse esforço. Por isso vemos esse Black Week, Black Weekend, Pré-Black Friday, que é a tentativa de estender a data”, afirma Terra.

Embora Black Friday e Natal devam ser encaradas como pontas de um processo, é fundamental que o varejista aborde as datas com estratégias diferentes, pois se o público consumidor é o mesmo, os desejos no momento da compra são diferentes. E, nesse caso, são fundamentais a adoção de alguns ajustes na comunicação e na estratégia de marketing para continuar vendendo.

“Depois da Black Friday, você deve basicamente mudar seu tipo de comunicação. Um exemplo: ‘o seu ano foi difícil, se dê isso de presente’. Se você tem a indulgência, você trabalha isso, mas com uma comunicação não voltada para o preço. E se você não tem, você vai para o lado família, da festa”, afirma Patricia Angelo de Castro Cotti, diretora-geral do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar) e professora da Academia de Varejo e da Fundação Instituto Administração (FIA).

Já Terra lembra que a margem de lucros teoricamente reduzida na Black Friday, forte em preços promocionais, pode ser recuperada pelo varejista cervejeiro no Natal, quando o foco se volta para o volume, sem redução de preços.

“É uma data forte em vendas e saudável em margem. Você não vê tanta promoção e liquidação no Natal, então é uma data que o varejista tem uma recomposição importante de resultado e de caixa”, conclui o presidente da SBVC.

La Mano de D10s, 20% de álcool, Brüt da Falke: As novidades da semana

Cerveja inspirada em Maradona, novo rótulo da cultuada Falke Bier, bebida com pimenta e sal, certificado de excelência à Bodebrown. Depois de inúmeros eventos nos últimos dias com lançamentos de rótulos, o final da semana trouxe outras excelentes novidades ao cervejeiro. Confira, a seguir, oito delas.

La Mano de D10s
Cinco meses depois de abrir as portas em Sertãozinho, no interior de São Paulo, a BR Brew lançou mais uma cerveja colaborativa – e criativa: La Mano de D10s, uma novidade feita em conjunto com a SP 330, a Cervejaria Nacional e a argentina Kraken. É uma IPA Argenta, com lúpulos provenientes da região da Patagônia, como Cascade, Victoria e Mapuche. Tem 5,4% de teor alcóolico, 55 IBUs, visual dourado, espuma branca e cremosa e aroma cítrico que remete às frutas amarelas tropicais. Com a clássica referência a Maradona e a seu histórico gol de mão contra a Inglaterra, na Copa do Mundo de 1986, La Mano de D10s não deixa de ser uma bebida para celebrar “a final do mundo”, apesar de toda confusão envolvida na partida que deveria ter sido memorável.

Álcool, álcool e sabor
A premiada cervejaria 5Elementos, do Ceará, e a Augustinus, de São Paulo, acabam de lançar “a cerveja mais alcoólica do Brasil”: a Dead In The Abyss. Trata-se de uma Russian Imperial Stout que leva baunilha, lactose e café. A bebida, que traz ainda um rótulo especial, reúne algumas das principais características das Imperial Stouts já produzidas por cada cervejaria – a Abyssal, da 5Elementos, e a Dead by Dawn, da Augustinus. Seu diferencial fica por conta da adição de café maturado em barril de Bourbon, desenvolvido pela Franck’s Ultra Coffee, marca curitibana reconhecida nacionalmente pelo seu trabalho com cervejas artesanais. Mas, claro, o destaque fica por sua graduação alcoólica: 20%, resultando em uma cerveja imponente e intimidadora, escura e viscosa, segundo as cervejarias.

Dádiva natalina
As festas de fim de ano já começaram a render os primeiro rótulos. A tradicional cervejaria Dádiva está finalizando um pequeno lote de uma Belgium Dark Strong com especiarias, a Vivant Noël, uma Christmas Ale que será lançada em garrafas rolhadas de 750 ml. Destaque para as notas de noz moscada, pimenta do reino, gengibre e canela sobre uma bebida com base belga, escura, forte e aveludada. Tem 8,2% de teor alcoólico e chega com preço sugerido de R$ 70. Esse é o segundo rótulo da linha inspirada em cervejas belgas da Dádiva, em que a levedura é a protagonista – a primeira foi a Vivant Printemps.

Brüt IPA da Falke
Uma das mais icônicas cervejarias brasileiras, a Falke Bier acaba de lançar uma Brüt IPA, a Fly Away. Possui 10% de teor alcoólico, 18 IBUs e alta refrescância com um final tão seco que se assemelha a um champagne brüt, mas com lúpulos e características de uma IPA. A marca, aliás, tem passado por um grande processo de renovação. Entre os resultados dessa mudança, é possível destacar o lançamento da Falke Peregrinus, a nova American Pale Ale de sua linha já premiada na Copa Cervezas de América. Um dos planos para os próximos meses, aliás, é dividir seus rótulos em três linhas distintas: a Clássica, que engloba as cervejas mais tradicionais; a Especial, que hoje enquadra a Monasterium, mas que até início de 2019 ganhará duas novas companheiras; e a Falcoaria, que engloba Peregrinus e Fly Away.

Barco refrescante
Entrando no clima de verão, a Barco Brewers apresentou a Summer Sour, criada com o objetivo de atingir um paladar levemente azedo, mas sem a complexidade característica das Sour. O resultado é uma experiência refrescante, própria para a estação mais quente do ano. “É uma Sour que não assusta. Diferente para a maioria do público, não familiarizado com o termo Sour e com acidez em cerveja”, explica Fernando Lapolli, cervejeiro da marca. Tem 4% de teor alcoólico e 5 IBUs. “A cerveja apresenta notas de frutas ácidas, lembrando maracujá. O seu corpo baixo e acidez trazem a sensação de frescor, por isso ela é perfeita para matar a sede.”

Sal, pimenta, cerveja
Conhecida por trazer ingredientes inusitados, a Antídoto está ampliando a linha de produtos sem perder a sua principal característica. O destaque da vez é a Sal & Pimenta, uma bebida levemente salgada, no estilo Gose. O traço foi ressaltado com a adição de pimenta rosa, que não é picante, mas contribui com um perfume único. O resultado é uma cerveja leve e refrescante, com 4% de teor alcoólico e 3 IBUs. “Prezamos sempre pelo novo e fora do comum e este rótulo representa um pouco disso. O estilo Gose é milenar, mas bastante polêmico, por ter adição de sal. Com a Sal & Pimenta queremos mostrar que mesmo uma cerveja levemente salgada pode trazer sabores e perfumes únicos e ser fácil de beber”, explicam Cléverson Tambosi e Fabiano Massaneiro, cervejeiros da Antídoto. O rótulo, que será vendido em garrafas de 500 ml, recebeu a medalha de ouro no Concurso Brasileiro de Cervejas 2018.

Trem das Onze
A Paulistânia segue se inspirando na ligação umbilical com São Paulo para criar seus rótulos. A novidade da vez é a Trem das Onze, uma American Pale Ale (APA) com 11 lúpulos, combinação que proporciona aromas cítricos e florais, além de 43 IBUs e 4,7% de teor alcoólico. Sua história é inspirada nas ferrovias paulistas, em especial a The São Paulo Railway (SPR), a primeira de São Paulo. Ela foi inaugurada em 1867 e teve papel fundamental na economia do estado, levando o café do interior até o porto de Santos e trazendo os imigrantes que chegavam ao país. “Nosso objetivo é resgatar registros importantes do Brasil, que muitas vezes acabam sendo esquecidos, porém, de uma forma descontraída e que ninguém ousou fazer, que é utilizar rótulos de cerveja para contar histórias”, explica Marcelo Stein, diretor da Bier & Wein, importadora que criou a Paulistânia. O rótulo foi lançado na Associação Brasileira de Preservação (ABPF), com direito a um passeio de locomotiva.

Certificado de excelência
A Bodebrown conquistou mais um importante feito para seu currículo: o prêmio Certificado de Excelência do Brussels Beer Challenge 2018, competição que é considerada uma das mais importantes do mundo. Além da consagração, obtida pela Sour Punk, a cerveja Wee Heavy recebeu a medalha de bronze na mesma competição. “É uma grande honra para nós ganhar este prêmio, pois serve como mais um reconhecimento ao nosso trabalho, que vai desde a criação constante de novas cervejas até a formação de público e novos profissionais, por meio dos nossos cursos mensais para produção de cerveja na panela”, comemora Samuel Cavalcanti, mestre-cervejeiro da Bodebrown.

A final do mundo: Cerveja chega à decisão e amplia presença no futebol latino

Apelidada pela imprensa argentina de “a final do mundo”, a decisão da Copa Libertadores entre River Plate e Boca Juniors, no Monumental de Núñez, tem sido tratada como o mais importante jogo de uma das maiores rivalidades da história do esporte. Reforça, ainda, um essencial componente que une duas das grandes paixões latinas: a longa relação entre o futebol da América do Sul e o mundo das cervejas.

Principal marca de cervejas da Argentina, a Quilmes retomou em 2017 o patrocínio aos dois gigantes do país. A marca não é estampada nos uniformes de River e Boca, mas o acordo a tornou a cerveja oficial dos clubes e trouxe aos torcedores nostálgicos a lembrança de momentos gloriosos dessas equipes.

Afinal, foi utilizando o logo da Quilmes em seu uniforme que o River Plate conquistou em 1996 o segundo dos seus, até agora, três títulos da Copa Libertadores. Já o Boca Juniors, também com o apoio da cervejaria, venceu o torneio continental em 2000 e 2001, sendo que no primeiro desses anos também faturou o Mundial Interclubes, diante do Real Madrid.

A Quilmes, porém, não se atém a esses dois gigantes de Buenos Aires. Além de apoiar times de outras províncias, inclusive expondo a sua marca na camisa do Quilmes, um dos clubes da sua cidade de origem, a empresa é há anos uma das patrocinadoras oficiais da seleção argentina e também do Campeonato Nacional, tendo adquirido o naming right do torneio.

Outras parcerias
A relação bem-sucedida da Quilmes com clubes, seleção e torneios argentinos é só o caso mais conhecido dos laços entrelaçados entre marcas de cerveja e o futebol sul-americano, que em algumas situações foi fomentado e até sustentado pelos recursos financeiros da indústria. Praticamente todas as seleções nacionais possuem uma cerveja entre seus patrocinadores, embora muitas marcas tenham deixado de apoiar clubes em anos recentes.

Na Bolívia, a seleção nacional tem a cerveja Cordillera como uma das patrocinadoras, enquanto o The Strongest, um dos mais tradicionais clubes do país, estampa em sua camisa a marca da bebida sem álcool da Paceña, um acordo semelhante ao que o Corinthians possui no Brasil com a espanhola Estrella Galicia.

Já a Pilsener, embora em 2018 tenha deixado de expor sua marca na camisa dos tradicionais Emelec e Barcelona de Guayaquil, ainda se faz presente no futebol equatoriano ao apoiar a seleção nacional, assim como acontece na Colômbia, de James Rodríguez e Falcao García, que tem o patrocínio da Aguila, cerveja que também expõe sua marca no uniforme do Junior Barranquilla.

A situação se repete no Peru, onde a Cristal apoia a seleção nacional e o Sporting Cristal. De mesmo nome, a Cristal chilena também está ao lado da equipe nacional do seu país, enquanto no Paraguai, Uruguai e Venezuela a participação de marcas de cerveja no futebol ainda é restrita.

As indústrias cervejeiras, evidentemente, também voltaram suas atenções para as competições continentais. É o caso da própria “final do mundo” entre River Plate e Boca Juniors, que traz a exposição da Amstel, patrocinadora oficial da Copa Libertadores desde 2017 – o acordo é válido por quatro anos. A marca, do mesmo grupo da Heineken, mas considerada mais popular, apoia o torneio como uma das ações para conquistar mercado na América Latina.

Assim, seja com Amstel, Quilmes, Pilsener, Cristal ou qualquer outra marca, a final da Libertadores, a maior de seus 58 anos de história, tem a cerveja como coadjuvante em uma decisão a ser acompanhada muito além das arquibancadas do estádio do River Plate e que envolve não apenas dois clubes argentinos, mas a América do Sul, representada por jogadores uruguaios e colombianos. E, claro, por toda essa história de simbiose que une o principal esporte e a principal bebida do continente.

Entrevista: Black Friday cervejeira é indulgência e Natal, escala e kits

A Black Friday se consolidou nos últimos três anos e se tornou a segunda data mais importante do varejo brasileiro. Mas, junto com o seu amadurecimento, veio uma questão fundamental: como fazer para ela não concorrer com o Natal, o evento ainda mais importante do comércio nacional?

Uma característica específica dessas datas, contudo, pode facilitar a dinâmica dos negócios. Enquanto o Natal se vincula ao presente e, no caso específico do mercado de bebidas, à escala, a Black Friday se tornou o dia de comprar para si. É o que explica Patricia Angelo de Castro Cotti, diretora-geral do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar) e professora da Academia de Varejo e da Fundação Instituto Administração (FIA).

“Dentro do mercado cervejeiro, existe [na Black Friday] muito forte a questão das cervejas mais elaboradas e de presentes para si mesmo, de indulgência”, explica Patricia. “Então, você usaria o Natal pensando muito na questão do presente, de festa, família, volume e supermercado. E, na Black Friday, utiliza a questão da indulgência, das cervejas mais elaboradas, artesanais”.

Em entrevista exclusiva ao Guia da Cerveja, a professora e especialista em varejo detalha como trabalhar a questão da indulgência, do presente e da escala. Comenta, também, sobre o amadurecimento da Black Friday e fala sobre estratégias para o Natal, como a elaboração de cestas e kits.

Confira, a seguir, a entrevista completa com Patricia Cotti, diretora-geral do Ibevar e professora da Academia de Varejo e da FIA.

Em meio à crise econômica e à instabilidade política do país, qual a importância da Black Friday ao varejo?
A Black Friday começa no Brasil em 2010, quando tivemos os primeiros movimentos. E, diferentemente do que ocorre no mercado internacional, aqui ela acabou sendo um movimento muito de e-commerce. A partir de 2013, de 2015, ela realmente ganha bastante força, porque antes tínhamos uma questão de amadurecimento do próprio termo Black Friday no Brasil. Fizemos uma pesquisa em conjunto com o Estadão, em 2013, se não me engano, onde apontamos que você tinha um aumento de preço, apesar da Black Friday. Foi 1,02% em 2013 e, com base nisso, o Procon começou a fazer auditorias. Então, teve esse tempo de maturação no Brasil e, a partir de 2015, começamos a ter realmente Black Fridays muito estruturadas e com preços realmente vantajosos. Então, esse é o primeiro movimento que é importante dizer.

E como analisamos a Black Friday no cenário de hoje?
Por conta desse amadurecimento, a Black Friday vem tendo bastante destaque nos últimos anos. Historicamente, sempre tivemos o Natal como grande evento sazonal do varejo, depois o Dia das Mães e o Dia das Crianças. Obviamente que isso depende de segmento para segmento – Páscoa, por exemplo, é diferente para alguns. Mas, no varejo ampliado, sempre foram esses três eventos. Hoje, percebemos que a Black Friday virou nos últimos três anos a segunda maior data de vendas do varejo brasileiro, ultrapassou até o Dia das Mães. Então, hoje é Natal, Black Friday e Dia das Mães, nessa ordem. Em alguns segmentos, como o de eletroeletrônicos, a Black Friday inclusive já é maior do que o Natal em termos de faturamento. Então, a Black Friday amadureceu e vem ganhando cada vez mais destaque, independentemente do cenário econômico que estejamos vivendo.

Isso muda algo frente à instabilidade de hoje?
Quando pegamos um cenário econômico que ainda tem um apelo muito forte dessa questão da falta de confiança, porque a crise de hoje não é apenas uma questão econômica, mas de falta de confiança em não saber o que será o futuro do país, então o consumidor precisa sentir confiança nesses eventos. E a Black Friday, por já ter maturidade, acaba sendo uma data que permite um pouco mais dessa segurança. Eu sei que farei um bom negócio, então, se tenho dinheiro, vou investir. Espera-se que, neste ano, a Black Friday seja realmente bem favorável. Ano passado ela já foi e neste ano se projeta, pelo menos, um crescimento de uns 5%, 7%, em relação a 2017. Óbvio que isso depende de cada um dos segmentos, mas o pessoal está sendo bem otimista em relação aos resultados que a Black Friday vai gerar.

Quais as especificidades da Black Friday quando se trata do mercado cervejeiro? É muito diferente quando falamos de e-commerce ou de varejo tradicional, como bares, pubs e restaurantes?
Para responder essa pergunta, cabe analisar o que é a Black Friday no Brasil. Tem uma questão muito importante quando tocamos no assunto: até que ponto a Black Friday canibaliza ou não o Natal? Até que ponto esses eventos acabam competindo? E o que percebemos, em termos de consumo brasileiro, é que na Black Friday você tem mais produtos de indulgência sendo trabalhados, ou seja, produtos que você compra para si. E, no Natal, continua sendo muito forte a questão do presente, algo que eu compro para alguém. Ah, mas o consumidor adianta na Black Friday um produto que ele vai comprar no Natal. Sim, em alguns produtos mais caros, como eletroeletrônicos, é verdade. Mas também sabemos que o brasileiro não é tão programado assim e, no dia 24 de dezembro, ainda estamos comprando presente de Natal. É um movimento cultural. Então, essa é a orientação que damos para as empresas: sempre trabalhar comunicação de indulgência, de se autopresentear. E de deixar o produto mais família para o Natal.

Esse raciocínio também vale para o mercado de cerveja?
Dentro do mercado cervejeiro, existe muito forte a questão das cervejas mais elaboradas e de presentes para si mesmo, de indulgência. Então, esse caráter de indulgência no mercado cervejeiro virou uma tendência muito clara nos últimos anos. Fazendo um paralelo, acredito que este momento de Black Friday pode, sim, ser adaptado ao momento atual propriamente dito da cerveja. Então, você usaria o Natal pensando muito na questão do presente, de festa, família, volume e supermercado. E, na Black Friday, utiliza a questão da indulgência, das cervejas mais elaboradas, artesanais.

O varejo na Black Friday, então, devia se concentrar apenas nas artesanais? Ou dá para trazer um pouco as promoções para as mainstream?
Até dá, mas o que acontecerá é que você vai conseguir pegar nesse movimento provavelmente uma antecipação do Natal do consumidor, ou de eventos de final de ano, de festas. O consumidor vai comprar com planejamento e antecipação, mas aí entramos naquilo que falei: o movimento de antecipação do brasileiro não é lá aquele movimento de antecipação. Então, se você tem esse tipo de cerveja, ok. O caminho será esse – de antecipação – porque você não consegue trabalhar a indulgência. Mas o grande movimento está mesmo na indulgência.

Pensando agora só nas artesanais e no movimento entre Black Friday e Natal, existe uma diferença de que agora o consumidor vai buscar mais a cerveja em si, individual, enquanto no Natal cabe pensar em kits com copos e cestas?
Exatamente. Ele vai pensar em presentear alguém, e aí vem realmente essa questão do kit. Ou no evento festa-família, no volume, no churrasco. Então, tem esses dois comportamentos completamente diferentes. Agora, fazendo um outro paralelo, é o cara que vai comprar o vinho diferenciado para ele tomar. É o mesmo com a cerveja: um paladar distinto, um movimento distinto. É esse o movimento da Black Friday, de um consumidor que vai no máximo comprar para um seleto grupo de amigos degustar. Ou para si mesmo.

O que o varejista de cerveja deveria ter em mente ao se preparar para a Black Friday?
A primeira coisa que temos de pensar é o próprio comportamento do consumidor e a previsão de demanda. Não adianta achar que é Black Friday e que vai vender muito se você não tem uma estrutura para isso. Temos aí erros clássicos, fora até do mercado cervejeiro, de não conseguir prever a demanda existente: o site do e-commerce cair, por exemplo, porque não estava dimensionado corretamente; ou, então, o varejista físico não ter o produto porque não previu certo a demanda existente. Coisas desse tipo. Então, tem o comportamento do consumidor que você precisa avaliar de acordo com as suas demandas, baseado em comportamentos anteriores, com base no que você projeta de crescimento do mercado. Toda essa parte de previsão de demanda, de gestão de estoque, de relacionamento com os fornecedores. Tudo isso já começa muito antes. Quando você pega os grandes varejistas, os hipermercados, por exemplo, esse movimento começa em junho, julho, por questão de estoque.

Como isso pode ser transportado ao mercado cervejeiro?
Para o varejista pequeno, é importante que ao menos ele tente entender o quanto terá de demanda. Um erro muito comum é achar que vai crescer – e você faz no vento. Aí cresce, mas cresce menos, e você fica com produto no estoque. Então, você precisa de uma projeção com base nos anos anteriores daquilo que você acha realmente factível. E aí você tem outro ponto, que é a parte de comunicação disso tudo. Que tipo de comunicação eu vou trabalhar com o consumidor? Primeira coisa: Black Friday você precisa mostrar para o consumidor um benefício real na aquisição daquele produto. A Black Friday é só baseada em desconto, mas dá para adaptar e fazer com kit, com brinde, com tudo. O importante é deixar claro qual o benefício que está sendo gerado para o consumidor, para não ficar aquela coisa “ah, mas é só isso, só R$ 2”. Deixe claro esse tipo de benefício, que é Black Friday e, se você tiver algum caráter de indulgência, qualquer que seja, use isso, porque esse é o grande ponto.

Lançamento da Júpiter, da Sueli, da Daoravida: 9 eventos para o fim de semana

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Novidade da Júpiter para o verão e outra que homenageia um dos grandes nomes do movimento negro brasileiro. Festa de aniversário de cervejaria, workshop e Craft Day. O fim de semana está recheado de eventos e, para ajudar, o Guia da Cerveja reuniu nove deles para ajudá-lo a escolher a sua opção. Aproveite.

Sudeste

São Paulo
– Lançamento da Júpiter: A já tradicional cervejaria apresenta um novo rótulo, a Duna, uma Brut IPA que promete ser uma ótima opção para o verão. A cerveja é leve, refrescante, frisante e lupulada no aroma, mas com amargor bem suave, contando com flocos de milho e arroz na composição. Seu teor alcoólico é de 6%. O lançamento será às 19 horas desta sexta-feira na Choperia São Paulo, na Rua dos Pinheiros, 315.

– Sueli Carneiro: A Goose Island Sisterhood – confraria feminina da tradicional norte-americana Goose Island – lançará uma bebida inspirada em Sueli Carneiro, filósofa, escritora e uma das mais importantes ativistas do movimento social negro brasileiro. A cerveja é uma African IPA, uma India Pale Ale com lúpulos africanos, tendo coloração cobre clara, aromas frutados e cítricos e o amargor bem presente, com 5,5% de teor alcoólico e 55 IBUs. O lançamento da Sueli, vendida inicialmente apenas em chopp, será no domingo, a partir das 16 horas, no Brewhhouse de Goose Island, na rua Baltazar Carrasco, Pinheiros, em São Paulo.

– Craft Day: O espaço gastronômico Da Vittoria promove um Craft Day com a presença dos mestres cervejeiros da Dádiva, da Minimal, da Suricato Ale, da Treze, da Japas e da Mafiosa, que ministrarão palestras sobre cervejas artesanais. Será no sábado, a partir das 14 horas, na rua Doutor Cândido Mota Filho, 660, em Cidade São Francisco, São Paulo.

– La Caminera: A cervejaria lançará seu terceiro rótulo, a Atlantis, uma Double IPA com 7,5% de teor alcoólico e 46 IBUs, que será comercializada em latas de 473 ml e barril de chope. Para celebrar a novidade, haverá dois eventos: na sexta-feira, no Empório Alto dos Pinheiros, na rua Vupabussu, 305; e, no sábado, no Embarxador, na rua Embaixador João Neves da Fontoura, 306, especialmente para amigos e parceiros da La Caminera.

– PicNic e Mercado de Iguarias: A Stella Artois promove dois eventos no fim de semana. No sábado, em parceria com o restaurante Petí Panamericana Angélica, realiza o PicNic na Laje, com opções gastronômicas como bolinhos de chuva de porco defumado e creme azedo de limão cravo, dadinho de tapioca com guacamole e frito misto de camarão, lula e polvo com maionese picante. Será na avenida Angélica, 1900, 4º andar, a partir das 12 horas. No domingo, por sua vez, destaque para o Mercado de Iguarias, com diversos expositores culinários e a Fiel Discos liderando o som. Será no Edifício Copan, na avenida Ipiranga, 318 Bloco A, a partir das 12 horas.

Campinas
– Festa da Daoravida: Para celebrar mais um aniversário, a cervejaria lancará a colaborativa Aruake Malabar, produzida em setembro deste ano com a Babylon, na cidade de Villa Pigna, na Itália. A bebida é uma Catharina Sour com 5,5% de álcool e adição de goiaba e coco. Haverá food truck e shows musicais do dueto Smeke&Buzzo e da banda Full Time Band. Será no sábado, a partir das 14 horas, na Daoravida Taproom, na Avenida Nossa Senhora de Fátima, 765, no Taquaral.

Sorocaba
– Tap room da Synergy: A marca do interior de São Paulo inaugura oficialmente o espaço de sua cervejaria. A estrutura conta com quatro tanques – dois de 2 mil litros e mais dois de mil litros. Destaque para o taproom com seis torneiras de chope, uma de água filtrada (grátis), além de espaço kids, pet friendly e parceria com food trucks. A ideia do espaço é servir cervejas frescas de linha, sazonais e algumas experimentais, que no futuro podem ser lançadas comercialmente. O lançamento será nesta quinta-feira, a partir das 18h, e no final de semana funcionará na sexta, das 18h às 22h, e no sábado, das 11h às 15h, na Rua Aparecida José Nunes de Campos, 53.

Sul

Porto Alegre
– Workshop da Seasons: A cervejaria gaúcha promove, ao custo de R$ 250, o primeiro workshop do projeto Acowdemy, de educação e cultura cervejeira. Serão três módulos: Insumos, Processos e Tendências. O objetivo do curso é fornecer as ferramentas adequadas para dominar a fermentação das cervejas, sejam elas em ambiente caseiro ou profissional. Será nesta sexta-feira, a partir das 19 horas, na Cervejaria Seasons, na avenida Provenzano, 333, no bairro Anchieta, em Porto Alegre.

Curitiba
– Lançamento da Bodebrown: A premiada cervejaria apresentará um rótulo em seu Growler Day deste final de semana. Trata-se de uma Brut IPA, a Sorachi Ace, feita com um lúpulo japonês versátil, que oferece aroma com notas de limão combinadas a menta, endro e um toque sutil de chá verde. Tem cor amarelo ouro, teor alcoólico de 6,5% e média formação de espuma. Traz ainda uma característica bem seca, que lhe confere a natureza de uma extra-Brut. Será a quarta desta linha, criada depois das Brut IPA Galaxy, El Dorado e Mosaic. “As sparkling IPA tem uma efervescência marcante, sem deixar de lado a natureza de uma Indian Pale Ale”, conta Samuel Cavalcanti, cervejeiro da Bodebrown. “Além disso, a presença sensorial do lúpulo utilizado deixa marcas elegantes mas bem presentes”. Será na sexta, das 17h às 20h30, e no sábado, das 9h30 às 16h, na Rua Carlos de Laet, 1015.

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