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Entrevista: A incrível raiz africana da Otim’Bé, a cerveja de Ya e Lumumba

Toda a monumental ancestralidade da cultura africana metonimizada em uma garrafa de cerveja. Essa é, em linhas gerais, a ideia central da Otim’Bé, uma cerveja produzida na histórica São Luís do Paraitinga que chegou nos últimos meses ao mercado brasileiro.

Por trás da cerveja, figuras não menos históricas: Benedito Luiz Amauro, o Mestre Lumumba, poeta, compositor e mobilizador cultural que, há décadas, vem fazendo um precioso trabalho de divulgação da tradição afro-brasileira; e sua esposa Ya, a Yalorixá Nadya Sant’Anna.

Integrante do Grupo de Teatro Evolução, um marco na história do movimento negro brasileiro, e reverenciado como um dos precursores do reggae nacional, Mestre Lumumba fundou com Ya um terreiro de candomblé em São Luiz do Paraitinga em 1987, a Comunidade Cultural Religiosa de Matriz Africana Ilê Asè Omò Ayé.

De lá, do sítio que abriga a comunidade, veio a semente da cerveja. E, depois de mais de 30 anos, Mestre Lumumba e Ya consolidaram o projeto, apresentando uma bebida que representa a cultura afro-brasileira.

Para conhecer mais sobre a histórica Otim’Bé, o Guia da Cerveja conversou com Vera Ventura, coordenadora de produção, e Marcelo Azevedo, engenheiro de alimentos e responsável técnico.

Confira, a seguir, a entrevista completa com Vera Ventura e Marcelo Azevedo.

Como surgiu a ideia de lançar a Otim’Bé?
A ideia de produzir uma cerveja de forma autônoma surgiu com o início da formação do Ilê Asè Omò Ayé, há mais de 30 anos com Mestre Lumumba e Ya. A realização desse sonho se deu com a produção artesanal de cerveja nas instalações do sítio em São Luís do Paraitinga (SLP), onde nasce a água que proporciona a alta qualidade sensorial do produto final. O lançamento da Otim’Bé (cerveja em Ioruba) é a apresentação e o compartilhamento da concretização desse sonho.

Quem faz parte da cervejaria e como foi o processo de produção?
Todos que fazem parte de nossa Egrégora, de alguma forma, fazem parte da Otim’Bé, ao contribuir com a cervejaria desde a produção de matérias primas até a coordenação do projeto. O leme da Cervejaria Otim’Bé é conduzido por Mestre Lumumba e Ya (direção), Vera Ventura (coordenadora de produção) e Marcelo Azevedo (engenheiro de alimentos – responsável técnico).

Quais as características da cerveja, o volume de produção, etc.?
A produção da cerveja é realizada na cozinha industrial pelas mãos de Vera Ventura sob supervisão de Marcelo Azevedo. O processo produtivo conta com maltes e lúpulos de alta qualidade, mel extraído por famílias parceiras da região e com as águas que brotam dos seios das montanhas da zona rural de SLP. A qualidade de todo o processo produtivo garante o sabor característico e peculiar da Otim’Bé em suas duas versões, a Honey Pale Ale e a Black Honey Pale Ale. De sabor levemente adocicado e crítico, leve em sua versão clara e encorpada com tons biscuit quando escura, a Otim’Bé leva ao consumidor a explosão de sentidos de satisfações. Produzida de maneira artesanal, tem uma produção mensal atual de 500 litros.

Como as características da cerveja estão interligadas à cultura afro-brasileira?
A cerveja, por si só, já faz parte da vida do povo brasileiro, incluindo a cultura afro-brasileira, em que em certos momentos de sua vivência consome-se cerveja. Nada mais justo que oferecer uma cerveja não só “tomável”, mas feita pelos próprios afro-brasileiros de forma autônoma.

É possível estabelecer uma relação entre cerveja e cultura afro-brasileira? E qual a importância da Otim’Bé nesse contexto?
Ao integrar os membros de nossa comunidade, se utilizando de formas integradas de produção e auto sustento tribal, resgatamos a ancestralidade dos povos originários da América fundidos à cultura e modos de vida africanos, transmitida por gerações, tendo como resultado um produto que consideramos parte de nossa cultura afro-brasileira.

Quais os planos futuros relacionados à Otim’Bé?
Preocupada com a geração de renda, integração social e ambiental de nossa Egrégora e suas gerações futuras, a Otim’Bé se consolida como uma experiência viável e alternativa ao sistema econômico vigente. Por esse motivo o crescimento da cervejaria é necessário para cumprir de forma eficiente sua missão ao ser modelo econômico de vida que nos leve a liberdade, autonomia e felicidade.

Exportação de cerveja sofre pequena queda em agosto e confirma ano difícil

A exportação brasileira de cerveja de malte sofreu uma nova queda em agosto. Tendo como principais destinos os países da América do Sul, o produto alcançou US$ 5,12 milhões em vendas para o mercado externo no último mês, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).

O valor é 1,7% menor na comparação com agosto do ano passado, quando a exportação brasileira de cerveja de malte foi US$ 90,89 mil maior.

Essa queda reforça a forte baixa nos números acumulados de 2018. Os oito primeiros meses do ano registraram US$ 53,81 milhões e 81.945,21 toneladas de cerveja exportadas, diminuições respectivas de 18,9% e 22,7% na comparação com igual período de 2017.

Tais números fazem com que a cerveja tenha 0,03% de participação nas exportações brasileiras e ocupe o 181º posto entre os produtos negociados de janeiro a agosto deste ano.

Já os principais destinos da cerveja brasileira nos oito primeiros meses de 2018 foram Paraguai (68%), Argentina (14%) e Bolívia (12%).

Boas práticas: O que a indústria cervejeira pode aprender com a alimentícia

A indústria cervejeira possui suas especificidades, mas as empresas que a integram precisam entender algumas bases que também compõem as premissas do setor alimentício. Quem faz esse alerta é Cynthia Jurkiewicz Kunigk, professora do curso de Engenharia de Alimentos do Instituto Mauá de Tecnologia.

Cynthia Jurkiewicz Kunigk

A principal recomendação de Cynthia recai sobre dois pontos específicos: seguir as Boas Práticas de Fabricação e o sistema de Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle.

O “produto deve ter qualidade e estar livre de contaminações que possam causar algum dano à saúde do consumidor”, avisa a professora ao Guia da Cerveja, lembrando os riscos da contaminação microbiológica.

Contar com sistemas de boas práticas e de controle é preceito básico na indústria cervejeira, segundo ela, pois os microrganismos contaminantes podem ter origem em qualquer etapa do processo: na própria matéria-prima, nos equipamentos mal higienizados, no ambiente de produção ou mesmo nos manipuladores.

Assim, há o risco de no processo de fermentação, por exemplo, o microrganismo contaminante se multiplicar e inibir o crescimento da linhagem de levedura selecionada para a produção de cada tipo de cerveja. Os efeitos drásticos serão percebidos, então, no produto final.

“As características sensoriais da cerveja serão alteradas, levando a perda do lote e a um grande prejuízo econômico”, afirma Cynthia.

A produção de cervejas artesanais, com longo tempo de produção, aumenta ainda mais a importância do controle de qualidade e da sua presença em todas as etapas desse processo. É possível, assim, evitar que problemas sejam descobertos apenas quando a bebida estiver pronta.

“O controle de qualidade deve existir em todas as etapas de produção, de forma que qualquer alteração no produto seja detectada rapidamente durante o processo e não apenas no produto final”, completa a professora do Instituto Mauá.

Mondial Rio registra 45 mil pessoas e 25 toneladas de alimentos arrecadadas

A sexta edição do Mondial de la Bière Rio de Janeiro foi um grande sucesso. Em balanço divulgado nesta terça-feira, a organização informou que cerca de 45 mil pessoas compareceram ao evento, realizado entre 5 e 9 de setembro, nos armazéns 2, 3 e 4 do Píer Mauá.

Foram arrecadadas, ainda, 25 toneladas de alimentos não perecíveis por meio do ingresso cervejeiro solidário – quem optasse por ele pagava preço promocional e deveria entregar 1kg de alimento na entrada do festival.

Instituições apoiadas pelo Sesc, como o Sopão do Alcides de Castro, o Projeto Ruas, a Casa de Apoio à Criança com Câncer Santa Teresa e a Fundação Gol de Letra, entre outras, foram as beneficiadas.

A presença animada do público e a iniciativa solidária foram a tônica de um evento que se consolidou como sucesso de crítica. Embalados pela paisagem espetacular do Píer Mauá, com direito a vista da Ponte Rio-Niterói e do Museu do Amanhã, os cervejeiros puderam provar mais de 1500 rótulos dos mais variados estilos, com destaque para as Catharina Sour, uma das estrelas do festival.

Mas foi com uma Russian Imperial Stout – a Nikita Cherry Hickey – que a Antuérpia levou a medalha de platina do MBeer Contest Brazil, premiação do festival que ainda concedeu 13 medalhas de ouro aos mais diversos estilos.

Outras atrações também se destacaram no Mondial Rio. A parceria inédita fechada com a Rockcetera, por exemplo, levou inúmeras bandas que empolgaram o público. Foi o caso da Jackstone, com seu tributo aos Rolling Stones, e a Pepper Spray, com covers da californiana Red Hot Chili Peppers, entre tantas outras.

O estúdio Lady Luck Tatto ainda fez 236 desenhos e 116 piercings durante os cinco dias, complementando a enorme festa dos cervejeiros presentes no Mondial Rio. “Nosso principal objetivo nesta edição foi ampliar a experiência dos expositores e do público visitante”, conta Luana Cloper, diretora do Mondial de la Bière.

Polêmica nos EUA: Comediante detona artesanais e Brewers Association reage

A poucos dias do início do Great American Beer Festival, um dos maiores festivais de cerveja dos EUA, a bebida se tornou assunto constante na mídia e nas redes sociais país afora. Mas uma esquete de humor do comediante Jim Gaffigan questionando as craft beer norte-americanas deixou a comunidade cervejeira furiosa.

No programa Morning Show, da rede de TV CBS, o comediante disse que as artesanais são todas ruins. Questiona, ainda, por que hoje em dia há tantos sabores de cerveja quando ele, “um norte-americano gorducho de 40 e poucos anos”, só quer uma cerveja com gosto de… cerveja?

“Agora, parece que toda cidade ou aldeia que eu visito tem sua própria cerveja feita por locais: cervejas especiais, de microcervejarias, artesanais feitas por artesãos da comunidade. E eu tenho que te dizer, que, sem exceções, são todas ruins”, diz o texto da esquete.

Jim é conhecido por abordar frequentemente assuntos que envolvem comida e os hábitos alimentares dos norte-americanos. Uma de suas esquetes mais famosas questiona “como o McDonalds vende 6 bilhões de sanduíches no ano se ninguém admite comê-los”. Por isso, críticos ainda o acusaram de inverter a própria lógica de seu humor: de criticar o senso comum.

O que deixou a comunidade cervejeira dos EUA realmente irritada foi o fato do texto aparentemente não ter sido interpretado por um personagem incorporado – como ele normalmente faz – e sim declamado pela própria persona de Jim. Assim, o humorista foi criticado nas redes sociais por admiradores de cervejas minimamente diferentes. Sua esquete foi considerada rasa, e, se era o próprio Jim falando ali, extremamente defasada em seu entendimento da cena cervejeira local.

Quem também entrou na discussão, mantendo o bom humor, foi a Brewers Association (BA), entidade que representa as microcervejarias do país. Em texto assinado por sua diretora, Julia Herz, a associação “explica” o lado bom de não haver apenas cervejas com o mesmo sabor no mercado – a escolha.

“Você não reprime o tanto de ingredientes usados por um chef, nem de piadas que um comediante conta ou quantos papéis um ator faz. Por que os cervejeiros deveriam se limitar a água, levedura, malte e lúpulo? E por que os amantes de cerveja deveriam apenas tomar ‘light American Lager?’”

Confira o polêmico vídeo de Gaffigan, e a resposta da BA a ele.

Votus e Heusch promovem bons eventos cervejeiros nesta semana

O cervejeiro paulista tem boas razões para estar animado. A semana, afinal, começa com a promessa de dois interessantes eventos: uma degustação harmonizada da Votus e o lançamento da Heusch.

O evento da Votus ocorre na sexta-feira, dia 21 de setembro, no Empório Frei Caneca, no Shopping Frei Caneca, em São Paulo, às 19 horas. Será uma palestra com degustação harmonizada dos seus principais rótulos.

Entre os destaques está o último lançamento da marca, a Trippelbock envelhecida em barril de carvalho, uma “cerveja potente, com aromas e sabores de maltes escuros, apresentando toda complexidade do envelhecimento na madeira, trazendo notas que lembram frutas secas e vinho Jerez”, segundo a cervejaria.

O convite sai por R$ 80 e 50% do valor será revertido para compras dos rótulos degustados no evento. Os interessados devem entrar em contato com atendimento@emporiofreicaneca.com.br ou pelo telefone (11) 3472-2082.

Cerveja medieval
Já a Heusch, uma nova cervejaria artesanal paulista, inaugurará fábrica e pub no sábado, dia 22 de setembro, às 16 horas, com uma festa aberta ao público na Rua General Rondon, 65, em Atibaia, a 66 km de São Paulo.

O evento terá, além da presença bandas de rock e blues, o lançamento de quatro estilos de cerveja ainda não revelados, inspirados nas clássicas escolas cervejeiras internacionais com toques inovadores, segundo a cervejaria. A entrada será gratuita e haverá espaço exclusivo para crianças.

A Heusch – termo que vem da expressão alemã “Herz Und Schwert Prämie Bier”, que significa “Cerveja Premium do Coração e da Espada” – aposta em uma temática medieval. Seus produtos são inspirados nos antigos cavaleiros medievais que consumiam a cerveja com fins medicinais e comemorativos ao final de suas batalhas.

Parceria entre Azul e Patagonia, Tripel da SUD: Confira as novidades da semana

Um lançamento nos ares. Essa foi a ideia da Patagonia ao fazer uma parceria com a Azul para apresentar sua tradicional Amber Lager – agora em lata – para o mercado brasileiro. A semana trouxe ainda uma interessante Tripel Wood Aged da SUD Birrificio, além de uma nova versão da New England IPA da Everbrew. Confira todas as novidades.

Lata nos ares
A Patagonia trouxe uma grande novidade ao Brasil. Trata-se do lançamento de sua Amber Lager – primeira receita da marca – em latas de 473 ml. E, para celebrar a notícia, a cervejaria argentina fez uma interessante parceria com a Azul: as latas serão primeiramente disponibilizadas em voos que operam na janela entre 17h e 21h, com mais de uma hora de duração entre Guarulhos, Campinas, Curitiba e Porto Alegre, até 15 de outubro. “A Patagonia acredita muito na experiência, e queremos propor que todos saiam da inércia, seja na vida ou na escolha da cerveja. Desejamos que todos vivenciem algo novo e queremos que a Patagonia seja o ponto de partida desse momento”, afirma Nathalia Cajueiro, responsável pelo marketing da Patagonia no Brasil. “Com a lata, conseguimos estar presentes em mais momentos, desde um encontro entre amigos até as ocasiões a sós na natureza. Tudo isso, trazendo versatilidade para o consumo.”

Tripel da SUD
A gaúcha SUD Birrificio Artigianale lançou neste sábado um novo rótulo: a Tripel Wood Aged, com teor alcoólico de 8,4%, cor clara e com aromas que remetem a frutas amarelas. Foi envelhecida em barricas de carvalho norte-americano por três anos, o que lhe conferiu notas aromáticas muito intensas, segundo Fabiana Gava, gerente da cervejaria. “Um estilo belga de cerveja que irá compor nossa linha e que nos orgulhamos muito em poder apresentar ao mercado brasileiro”, acrescenta.

Wäls do Coco Bambu
A cervejaria mineira Wäls e o restaurante Coco Bambu fizeram uma parceria para lançar a Wäls Coco Bambu, uma Premium Lager de coloração amarelo claro e boa formação de espuma. A novidade está à venda com exclusividade nas 31 unidades da rede e teve inspiração nas receitas à base de frutos que são tradição do estabelecimento, resultando em notas frutadas sutis e um amargor moderado com toque floral. “Com um baixo teor alcoólico, a leveza do sabor e do aroma irão harmonizar perfeitamente com o cardápio do Coco Bambu”, avalia Roberto Leão, mestre-cervejeiro da Wäls.

Everbrew 2
A Everbrew Evermont ganhou uma nova versão. A New England IPA com 4% de teor alcoólico e 70 IBUs recebeu uma variação na levedura – agora trazida dos Estados Unidos – que oferece uma percepção sensorial diferente, resultando na Evermont 2. A cervejaria cigana conta com uma linha com vários estilos e produz atualmente na Dádiva.

Você decide: Slow Brew abre para o público escolha de cervejaria do ano

Um dos principais festivais de São Paulo, o Slow Brew Brasil anunciou uma interessante novidade: fará uma votação com o público para escolher a cervejaria do ano e os melhores rótulos do evento.

A votação será feita de duas maneiras. A primeira é analógica e ocorrerá durante o festival, no dia 3 de novembro, no Pro Magno, na Av. Profa. Ida Kolb, em São Paulo. Os organizadores explicam que os critérios serão baseados nos rótulos e no atendimento nos estandes. Uma “cédula” no guia de bolso será depositada em urnas por cada participante.

Já a segunda votação – digital – utilizará o Untappd e avaliará os rótulos com notas de 1 a 5. Elas serão filtradas pelo aplicativo Brewer Stage, que em tempo real mostrará o ranking.

Para que o voto digital seja computado, os participantes devem selecionar o local Slow Brew Brasil na hora do check-in ou usar a hashtag oficial do evento: #SBB2018. Os aplicativos são gratuitos e podem ser adquiridos no Google Play ou na Apple Store.

“Um festival precisa ter alma e identidade para não ser apenas mais um. Nós reforçamos a nossa identidade dando mais autonomia e experiência ao público que carinhosamente chamamos de Slowers”, conta Kátia Pereira, curadora do festival. “Eles já nos ajudam a convidar as cervejarias em cada edição e a melhorar itens estruturais do evento, agora demos a eles a missão de premiá-las.”

A premiação ocorre a partir das 18h, no palco principal do evento. Os vencedores receberão taças feitas artesanalmente e medalhas. Mais de 70 cervejarias e 270 rótulos já estão confirmados para esta edição do Slow Brew.

Dia da Cachaça: Cervejarias investem em harmonização com a bebida

Uma dose de cachaça entre uma cerveja e outra. A combinação parece perfeita e pode ser celebrada nesta semana em função de uma data especial. Nesta quinta-feira se comemora o Dia Nacional da Cachaça, em referência ao dia em que foi liberada a produção e comercialização da bebida no Brasil – 13 de setembro de 1661.

E não faltam opções para o cervejeiro festejar a data. Cultuada cervejaria paulistana, por exemplo, a Dogma lançou recentemente uma carta harmonizada de cachaças e cervejas, feita em parceria com a Escola da Cachaça.

Como exemplos, a carta aponta que a Cachaça Middas, que possui flocos de ouro em sua composição, combina com a Dasein, uma German Pilsen, e com a Citra Lover, uma Double IPA.

Já a Middas Reserva harmoniza com a Orfeu, uma RIS, e com a Cafuza, uma Double India Black. Todas essas opções podem ser testadas na sede da cervejaria, na Rua Fortunato, 236, no bairro de Santa Cecília, em São Paulo.

Parcerias
Estimativas apontam que o Brasil produz cerca de 1,2 bilhão de litros de cachaça por ano. A bebida está diretamente vinculada a aspectos culturais, econômicos e sociais do país, desde o início da colonização portuguesa, especialmente a partir do ciclo da cana de açúcar.

A cachaça começou a ser produzida nos engenhos, com subprodutos da produção de açúcar, expandindo a sua produção para as então denominadas “casas de cozer méis” no século XVII. Hoje, o Brasil possui mais de 40 mil produtores de cachaça artesanal.

E, para homenagear essa tradição, a 13 também fez uma série vinculada à bebida. A ideia é produzir sempre um estilo diferente, utilizando alguma madeira nacional usada na cachaça e em colaboração com um parceiro.

O último lançamento foi a Sour Blonde Sassafrás, feita com a Cachaça Pardin. Trata-se de uma cerveja levemente ácida, complexa e aromática, com base de Belgian Blonde e toque dos aromas e sabores da Sassafrás, uma das madeiras brasileiras mais exóticas e intensas.

Recentemente, a 13 também desenvolveu uma colaboração com a DUM para lançar uma Wheat Wine maturada em castanheira. Já a primeira cerveja da série veio após uma parceria com a consagrada holandesa Brouwerij De Molen.

É Rópis: O que levou a Skol a apostar na popularização do lúpulo

Componentes essenciais da cerveja, a cevada e o lúpulo vivem um amor improvável no Brasil. São como Romeu e Julieta do universo etílico: um é reverenciado por especialistas e desconhecido por boa parcela da população, parcela esta que encara o outro como sinônimo de cerveja.

Afinal, se o brasileiro com menos acesso às artesanais costuma definir a cerveja como suco de cevada, ele geralmente franze o cenho quando perguntado sobre o lúpulo. O mesmo lúpulo que se tornou sinônimo – e estampas de camiseta – de um novo mercado de especiais que começa a borbulhar no país.

Trafegar por esses dois universos parece ter sido o insight da Skol ao lançar a Hops, uma cerveja puro malte desenvolvida com um blend exclusivo de lúpulos, feita para “levar ao consumidor uma nova opção completamente diferente do que é visto em cervejas” com esse tipo de alcance, segundo a marca.

Lançada inicialmente no Nordeste entre junho e julho, durante as festas de São João, a Skol Hops chegou neste início de setembro ao mercado nacional. É a aposta para fortalecer a identidade de uma marca associada à inovação e ao público jovem.

“A Skol Pilsen é a marca mais valiosa do Brasil nos últimos seis anos, então não faria sentido mudar uma fórmula de tanto sucesso. Ela continua forte e à disposição em todas as regiões do país. A Skol Hops nasce da necessidade constante da marca em inovar e surpreender o consumidor”, conta Maria Fernanda Albuquerque, diretora de marketing da marca.

Leve e aromática
Para se manter fiel às origens e não brigar com o gosto de um público tradicionalmente ligado ao mainstream, a Skol decidiu apostar em uma cerveja leve e refrescante, em que os lúpulos se destacam pelo aroma – e não pelo amargor.

Foram escolhidos quatro lúpulos que propiciassem essa característica: Monroe, Citra, Denali e um experimental alemão, ainda sem nome comercial. A Hops, assim, que terá calderetas especiais e mais largas para facilitar a percepção dos aromas, nasceu com 12 IBUs, praticamente o mesmo perfil da comum. E apenas 4% de teor alcoólico.

 “Tentamos buscar o cliente tanto pelo sabor como pelo aroma”, revela Leonardo Antonelli, mestre-cervejeiro da Ambev. “É Skol e jamais levaríamos para algo pesado. Não queria levá-la para um perfil de amargor.”

Seu início, aliás, já teve excelentes resultados: em agosto, a Skol Hops foi eleita como a melhor Hoppy Pilsener do Brasil no World Beer Awards, de Londres, um dos principais prêmios cervejeiros do mundo.

“A medalha dada à Skol Hops comprova todo o conhecimento e expertise da Skol em produzir grandes cervejas e a capacidade dos seus mestres cervejeiros de trazer novidades dentro da marca de cervejas mais consumida do Brasil. É um orgulho concorrer com tantas cervejarias conceituadas e obter esse prêmio de melhor do país”, celebra Laura Aguiar, também mestre-cervejeira da Ambev.

As primeiras percepções no Nordeste também foram positivas. Gerente de marketing da Skol, Adriana Molari conta que o público, de maneira geral, aprovou a novidade. “O resultado foi excelente. Provou que tem capilaridade para todo o país.”

Mas a disputa shakespeariana entre a tradicional cevada e o hypado lúpulo, reconhece Adriana, também deixou suas marcas. “Teve rejeição, paladares que não conheciam, que não aceitaram tanto. Mas já esperávamos. Queríamos dar acesso.”

Skol Esperança
Tanto o perfil baixo de amargor e de teor alcoólico quanto o lançamento no Nordeste, segundo os executivos da marca, reforçam a estratégia da Skol ao apostar na Hops: ser pioneira na popularização do lúpulo a um público que, por fidelidade ao mainstream e, especialmente, por questões sociais, o desconhecem.

“Tentamos trazer uma conversa democrática”, explica Adriana. “Tem um mundo cervejeiro que, principalmente, pela questão do dinheiro, é difícil ter acesso. Miramos esse mercado de lugares que, talvez, a conversa sobre lúpulo levasse dez anos para chegar.”

Nada mais natural, assim, que o lançamento ocorresse no Nordeste, local onde o papo sobre lúpulo ainda é pouco difundido, embora o cenário já comece mudar aos poucos. E em uma festa grandiosa – e popular – como a de São João. “Acreditamos muito na região. Eles mereciam ver isso primeiro”, diz a gerente de marketing.

A política de preços, assim, deve aproximar a novidade mais do rótulo tradicional do que da linha Beats, por exemplo – a previsão é de que o valor seja entre 10 e 15% acima da comum. Espera-se, ainda, como no caso da Brahma Extra e em suas linhas como a Weiss e a Red Lager, que a Hops sirva como marco para desenvolver outros rótulos “complexos”.

Com a sua estratégia de popularização traçada, porém, a Skol precisa enfrentar um obstáculo. Em um país onde a desigualdade beira ao escárnio e a falta de acesso à educação é utilizada como tática de imobilização social, apostar no termo em inglês para lúpulo trouxe riscos naturais que a marca, com humor, tenta contornar.

“O Hops já virou várias coisas, falaram até que é a Skol Esperança devido à pronúncia por vezes equivocada [Skol Hopes]”, brinca Adriana. “Não esqueçam: é Rópis”.