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quinta-feira, março 5, 2026
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4 consequências da catalogação da Catharina Sour no BJCP

O dia 4 de julho trouxe um marco histórico para a cerveja nacional. Mais importante instituição mundial de juízes do setor, o Beer Judge Certification Program (BJCP) catalogou o primeiro estilo brasileiro da bebida, a Catharina Sour.

Criada espontaneamente por um grupo de amigos catarinenses, que jamais sonhavam na proporção que a “brincadeira” iria tomar, a Catharina Sour é uma cerveja leve e ácida, com baixo amargor, corpo leve e presença de frutas frescas. A graduação alcoólica vai de 4% a 5,5% e o índice de IBUs varia entre 2 e 8. Suas características ficam no meio do caminho entre outros estilos do gênero. É mais intensa, por um lado, do que uma Berliner Weisse. E menos azeda, por outro, do que as Lambics e as Gueuzes.

“É difícil mensurar a importância, mas foi um marco”, garante Fabio Koerich, diretor-técnico da Associação dos Cervejeiros Artesanais de Santa Catarina (Acerva Catarinense), sócio da cervejaria Armada e juiz do próprio BJCP.

Mas, embora seja realmente difícil mensurar a importância do feito, conversamos com alguns especialistas para entender um pouco mais sobre esse marco.

Confira, a seguir, 4 possíveis consequências da catalogação da Catharina Sour no BJCP.

1- Globalização do estilo
A decisão do BJCP de catalogar um estilo traz um efeito imediato: ele pode ser julgado mundialmente em concursos oficiais que seguem essa normativa. A tendência, assim, é que a Catharina Sour ganhe mais espaço no mercado internacional. Cervejarias latinas, inclusive, já começaram a trabalhar com ela. “Com a adição de frutas a uma cerveja ácida e leve, conseguimos voltar ainda mais os olhos do mundo interessado em cerveja para o Brasil”, explicou Carlo Lapolli, presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), no dia da catalogação.

2- Popularização nacional
Depois da Catharina Sour ser catalogada, inúmeras cervejarias nacionais já se interessaram pelo estilo. É o que conta Koerich, diretor da Acerva Catarinense. “O que aconteceu é que temos recebido vários contatos de cervejarias que se interessaram, que perguntam como faz, qual o jeito certo de fazer. Tem muita gente entrando no bonde. Então, imediatamente, traz essa repercussão. Tem muita gente elogiando, criticando também, não entendendo, falando que deveria ser assim ou assado. De imediato, foi esse interesse, de gente querendo saber o que é. No futuro, esperamos que continue.”

3- Valorização da cultura
Embora traga no nome a ideia de um produto regionalizado, a Catharina Sour é elaborada com frutas tipicamente nacionais e representa algo essencialmente brasileiro, segundo Tatiani Felisbino Brighenti, sócia-fundadora da Lohn Bier. A catalogação, assim, seria a valorização de toda a cultura cervejeira do país. “É de grande importância esse feito, a valorização deste estilo brasileiro para o mundo, a brasilidade deste produto e seu potencial mundial. Para o Brasil significa o aumento da cultura cervejeira: temos agora um estilo legítimo brasileiro de cerveja, e isso é fantástico.”

4- Aumento de vendas
Quando colocamos na balança a globalização, a popularização nacional e a valorização de uma cultura, evidentemente o resultado não poderia ser outro: o possível incremento de vendas. Tanto que a Lohn Bier, responsável pelo lançamento de cinco rótulos em janeiro de 2017 (Manga, Butiá, Bergamota, Jabuticaba e Uva Goethe, esta premiada como a melhor cerveja do mundo na categoria fruta no World Beer Awards, em agosto de 2017, em Londres), promete anunciar uma nova Catharina Sour nas próximas semanas. “Agora, com a catalogação no BJCP, as vendas com certeza aumentarão”, aposta Brighenti. “Temos muito orgulho da Catharina Sour.”

Com travesseiro de lúpulo, Colorado abre fábrica para consumidores “hibernarem”

A Cervejaria Colorado está convocando seus clientes para uma visita à cervejaria bem ao estilo do seu mascote urso: hibernando. Os fãs da marca agora poderão passar a noite dormindo em sua fábrica, em Ribeirão Preto (SP).

Nos próximos dois finais de semana (4 e 11 de agosto), quem estiver interessado em conhecer o lifestyle dos mascotes da Colorado pode se inscrever no site da cervejaria e participar de um tour que inclui um quarto com mesa de malte, travesseiros recheados de lúpulo (diz eles que são relaxantes) e uma geladeira cheia das variedades produzidas pela marca.

A iniciativa faz parte das comemorações dos 22 anos da Colorado, e quem quiser participar da experiência precisa fazer uma reserva no “hotel” pelo site da cervejaria. A diária, de R$ 160, além da noite bem dormida no quarto cheio de insumos, inclui um café da manhã, o acompanhamento do processo de brasagem na fábrica, um passeio de balão e uma visita à Toca do Urso, bar da marca que fica em frente à cervejaria.

“Dormir fora de casa e conhecer uma cervejaria de perto são coisas que possuem um lado explorador quando atrelados à experiência. Então, por que não juntar as duas coisas?”, afirma Guilherme Poyares, gerente de marketing da Colorado.

O valor arrecadado com a ação já tem destino certo: será repassado a Seu Zé e Dona Maria, micro produtores responsáveis pela rapadura que serve de matéria-prima da Colorado Indica.

Sour Ale da Dogma, IPA da Noi: Os lançamentos cervejeiros da semana

A semana teve algumas boas novidades para o público cervejeiro. A Dogma, por exemplo, lançou uma cerveja com tangerina em que, além da qualidade da bebida, destaca-se a bonita e criativa embalagem. Já o Rio Craft Beer, festival que está acontecendo no Rio de Janeiro, foi palco do lançamento da primeira IPA da Noi. Confira, a seguir, em detalhes, essas novidades.

Sour Ale da Dogma
A Dogma apresentou nesta semana uma cerveja que leva fruta em sua composição. Trata-se da China, uma Sour Ale com tangerina. O teor alcoólico é de 5,1% e o preço da lata de 473 ml sai por R$ 26. Destaque, ainda, para a embalagem produzida pelo estúdio FORM, em parceria com o ilustrador Caio Stolf. Recentemente, junto com a Synergy, a cervejaria paulistana também lançou uma Sour Double IPA feita com manga.

IPA da Noi
O Rio Craft Beer, importante festival que começou na sexta-feira e termina no domingo, no Clube Monte Líbano, na Lagoa, foi palco de um lançamento: a Fiorella, a primeira IPA da niteroiense Noi – a marca já possui a Amara, uma Imperial IPA. Com 60 de IBU, 6,3% de teor alcoólico e utilizando como base os lúpulos Cascade, El Dorado, Mosaic e Nugget, a cerveja está disponível apenas em chope. “Além de ser uma referência à flor do lúpulo (Fiorella significa florzinha em italiano), também é uma homenagem ao meu avô, que se chamava Fiorello”, conta Bárbara Buzin, diretora da cervejaria. “Só lançaremos as garrafas da cerveja em alguns meses.”

Witbier do Demokrata
Uma Witbier com cascas de limão siciliano e de laranja, além de semente de coentro, foi a novidade do brewpub Demokrata, de Santo André. A nova versão tem 5,2% de teor alcoólico, 18 IBU e está sendo comercializada somente em chope. Sua produção ficou a cargo de Daniel Izidro, responsável pela elaboração das cervejas da casa. A primeira versão da Witbier do Demokrata levava camomila e erva cidreira.

Os 4 países que mais importam a cerveja brasileira

A grande opção em bares, empórios e supermercados de cervejas alemãs, norte-americanas, belgas, entre tantas outras, leva a crer que o Brasil é apenas um grande importador da bebida. Mas, aqui, também trabalhamos a exportação. Especialmente para os países sul-americanos.

Entre janeiro e junho de 2018, o Brasil negociou US$ 41,35 milhões (cerca de R$ 154 milhões) de cerveja para o mercado externo, o equivalente a 63.860,64 toneladas. E quase todo esse montante foi para os nossos vizinhos.

Somente o Paraguai foi responsável por US$ 26,87 milhões, o equivalente a 65% do total. Em seguida aparecem Argentina, com 17% (US$ 7,12 milhões), e Bolívia, com 11% (US$ 4,68 milhões). O Uruguai, por fim, com 5,2% (US$ 2,16 milhões), completa a lista.

Os demais importadores da cerveja brasileira vêm de outros continentes: os Estados Unidos estão em quinto, com 0,44% e US$ 182 mil, seguidos por China (US$ 154 mil) e Holanda (US$ 68 mil).

Confira, a seguir, os quatro maiores responsáveis pela exportação brasileira de cerveja:

Podres poderes: A eleição, a crise política e seus impactos no mercado cervejeiro

Enquanto os homens exercem seus podres poderes, já diria Caetano, motos e fuscas avançam os sinais vermelhos. Que o irmão da Bethânia nos conceda a paráfrase: enquanto os homens exercem seus podres poderes, bares e cervejarias lutam contra os sinais vermelhos.

Embora tenha sobrevivido à margem da crise econômica nos últimos anos, apresentando crescimento expressivo enquanto o PIB decaía, o setor cervejeiro não passou incólume ao novo e turbulento cenário político inaugurado com as jornadas de junho de 2013.

Conflito nas ruas, impeachment, insegurança jurídica, trocas semanais de ministros, eleições encaradas com pouco entusiasmo pela população. Todo esse fermento resultou em um baque significativo, que impediu o setor de crescer ainda mais. É o que garante Carlo Enrico Bressiani, sommelier de cervejas, PhD em Finanças pela Universitat Ramon Llull, de Barcelona, e diretor-geral da Escola Superior de Cerveja e Malte.

“Sim, (a crise política) sem dúvida afeta. Apesar de andar à margem da economia em geral nos últimos quatro anos, o mercado sentiu este último baque, reduzindo seu ritmo de crescimento e desestimulando investimentos programados.”

Questionado sobre quais seriam as melhores “boias” para enfrentar a turbulência, Bressiani é pessimista: quando já se está no barco, pode-se apenas evitar maiores traumas. E, para isto, é necessária uma carteira adequada de clientes.

Bressiani, diretor da Escola Superior de Cerveja e Malte

“Estamos no barco, não tem como sair assim”, pondera. “As empresas que estiverem menos alavancadas e com suas vendas menos concentradas em poucos clientes têm mais chances de passar pela tempestade com poucos traumas.”

Ainda assim, Bressiani diz que o cenário pode mudar com as eleições. Dependendo do resultado, ele aposta, a turbulência pode se acalmar. E o setor cervejeiro, quem sabe, poderá avançar com sinal verde. “A eleição será um divisor de águas, com um crescimento muito acelerado caso ganhe alguém pró-mercado e com uma redução maior ainda nos investimentos se ganhar alguém com uma plataforma antimercado.”

Confira, nas próximas semanas, a sequência do nosso especial sobre eleições e mercado cervejeiro.

4 festivais paulistanos de cerveja e boa gastronomia em agosto

O momento nunca foi tão propício para o cervejeiro paulistano. Embalado pela oferta cada vez maior de rótulos, o mercado se dinamizou em uma sucessão de festas e festivais que se espalharão por São Paulo em agosto. Reunimos, aqui, alguns desses eventos. Aproveite.

Festival de Cerveja Artesanal até R$ 10
Gosta de cerveja boa e barata? Então, o Festival de Cerveja Artesanal – Edição Especial até R$ 10 é uma atração imperdível. O evento será realizado no icônico Memorial da América Latina, ao lado do Metro Barra Funda. E, como o nome diz, os chopps artesanais custarão até R$ 10 – exceto garrafas e canecas. Serão mais de 15 cervejarias e 70 rótulos. Atrações musicais, de arte e de design acompanharão a festa, com entrada gratuita. A diversão também é garantida aos esfomeados: paralelamente à festa da cerveja, ocorrerá o Festival de Comida Alemã e o memorável 3º Festival Nacional do Bacon.
Serviço
Quando: 18 e 19 de agosto
Horário: das 11h às 21h
Local: Memorial da América Latina, na Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664 – Portões 08, 09 e 12

Notepe
Depois do sucesso de sua primeira edição, realizada na Mooca, em junho, o Notepe terá a segunda versão em 25 de agosto, a partir das 14h, no restaurante Voa Boi, na Rua Carla, no Itaim Bibi. A festa, que brinca e abrasileira a expressão “on tap”, terá entrada gratuita e reunirá dez torneiras de marcas como a Goose Island e a Colorado, além de artesanais locais. O preço do chopp, aliás, será tabelado: R$ 15.
Serviço
Quando: 25 de agosto
Horário: a partir das 14h
Local: Voa Boi, na Rua Carla, 78

Aniversário Erdinger Hütt’n
O primeiro aniversário do Erdinger Hütt’n, a cabana de madeira que viajou mais de 10.000 km até chegar ao Brasil e se instalar na São Paulo Expo, onde se tornou o restaurante oficial da cervejaria alemã, será comemorado com uma festa especial em 11 de agosto. A “cabana” receberá a banda Apple Rock e a apresentação do grupo de dança folclórica alemã Edelweiss. Não faltará, é claro, os já tradicionais rótulos da Erdinger Tradicional, Dunkel e Alkoholfrei, acompanhados por comida alemã e foodtrucks. Uma atração especial promete fazer a festa dos aficionados por velocidade: uma exposição de carros clássicos da Mercedes-Benz.
Serviço
Quando: 11 de agosto
Horário: das 12h às 18h
Local: São Paulo Expo, na Rodovia dos Imigrantes, km 1,5

Festival Fartura
Se você acredita que cerveja boa tem de ser acompanhada por gastronomia de qualidade, então o Festival Fartura – Comidas do Brasil merece a visita. Depois de rodar por algumas capitais, a festa que reúne o melhor da comida nacional chega a São Paulo e será realizada em 4 e 5 de agosto, no Jockey Club. Entre as inúmeras opções gastronômicas, destaque para a presença de chefs renomados, como Cafira Foz, do Fitó, que levará seu arroz caldoso com galinha d’Angola e farofa de miúdos e coco, e Luiz Filipe Souza, do Evvai, com sua bomba com recheio de vitelo e molho de atum. Petiscos, lanches e doces também prometem marcar presença, além de atrações musicais como A Espetacular Charanga do França, do talentoso Thiago França, e o premiado Duo Finlandia.
Serviço
Quando: 4 e 5 de agosto
Horário: sábado, das 12h às 22h; domingo, das 12h às 20h
Local: Jockey Club, na Av. Lineu de Paula Machado, 1263

 

Leia, também, no Guia da Cerveja:

Sour Ale da Dogma, IPA da Noi: Os lançamentos cervejeiros da semana

Com travesseiro de lúpulo, Colorado abre fábrica para consumidores “hibernarem”

Na semana da IPA, cervejaria recebe o Ira! para comemorar seus 7 anos

https://guiadacervejabr.com/fabricacao-degustacao-graduacao-em-cerveja-qual-o-curso-ideal-para-voce/

 

Canadá se prepara para lançar cerveja de maconha

De olho no imenso mercado que deve se abrir com a legalização da maconha para uso recreativo no Canadá, uma startup de Ontario está investindo forte para encontrar uma alternativa ao álcool: a cerveja de maconha.

O processo desenvolvido pela Province Brands é diferente de todas as outras iniciativas envolvendo a erva, que usam cevada e recebem a infusão de óleos à base de maconha. A startup trabalha em uma combinação de lúpulo, levedura, água e talos e raízes de maconha (partes descartadas por fornecedores da indústria farmacêutica), que substituem a cevada.

Assim, ela obtém uma cerveja inicialmente alcoólica, mas que passa por uma etapa de remoção do álcool. O resultado final é uma cerveja não alcoólica, sem glúten e que dá o barato da maconha.

“Bate bem rápido, mais rápido do que coisas de comer feitas com maconha”, afirmou ao jornal The Guardian Dooma Wendschuh, empresário de Miami por trás da empreitada, que se mudou para o Canadá em 2016 de olho no futuro da maconha recreativa. Segundo ele, a ideia é que a cerveja de maconha tenha efeito equivalente ao de uma dose de bebida alcoólica.

“Não deve ser algo para tomar cinco vezes ao dia, ou logo de manhã”, diz Wendschuh.

A legalização da maconha para uso recreativo no Canadá valerá a partir de 17 de outubro. Já os produtos feitos á base de maconha serão permitidos depois de um ano. Segundo o Guardian, a previsão é que o potencial desse mercado ultrapasse os 12 bilhões de dólares canadenses (R$34 bi).

Uma verdadeira corrida de empresas e empreendedores por um lugar nessa nova indústria já está em andamento. Prova disso foi o investimento de 245 milhões de dólares canadenses feito no ano passado pela Constellation Brands, fabricante da marca Corona, na compra de 10% da Canopy Growth Corp, que já explora o mercado canadense e de estados dos EUA onde a maconha é legal.

A Canopy foi a primeira das 500 maiores empresas do mundo a investir no negócio da maconha, dando indícios de que a relação entre cervejarias e maconha ainda deve render muitas notícias no futuro.

(Com informações do The Guardian e da Bloomberg)

Rio Craft Beer começa nesta sexta buscando espelhar a energia da cerveja carioca

Um festival organizado pelos próprios cervejeiros e com o intuito de mostrar a união e a energia dos produtores cariocas. Essa será a onda que embalará o Rio Craft Beer, segundo garante Vinicius Kfuir, sócio da cervejaria Hocus Pocus e presidente da Associação das Microcervejarias do Estado do Rio de Janeiro (Amacerva-RJ).

Organizado pela associação e produzido pela Siga Norte, o Rio Craft Beer terá aproximadamente 40 cervejarias e ocorrerá entre sexta e domingo (27 a 29 de julho), no clube Monte Líbano, na Lagoa – um local pensado exclusivamente para o evento, com espaços para o público curtir o visual, segundo a organização.

“O Rio Craft é a realização de um sonho. Um festival organizado por nós mesmos, os cervejeiros do Rio de Janeiro, mostrando a nossa união e compartilhando com o público toda a energia que colocamos nas nossas cervejas”, explica Kfuir.

Atingindo sua quarta edição, o festival foi idealizado por seis cervejarias cariocas – 2cabeças, 3Cariocas, Fraga, Hija de Punta, Hocus Pocus e Three Monkeys Beer – até ganhar maiores proporções. O surgimento da Amacerva em 2017 foi o passo definitivo para torná-lo o “evento oficial” dos cervejeiros cariocas.

“Desde 2015 a gente tinha como objetivo criar um evento diferente, organizado pelas próprias cervejarias. Assim surgiu o Rio Craft Beer. No último ano muita coisa mudou, criamos a Amacerva e enxergamos o momento ideal de entregar um festival mais completo para os cariocas”, conta Leo Gil, sócio da Three Monkeys Beer e diretor da Amacerva, revelando algumas novidades para a quarta edição.

“Agora temos mais de 40 cervejarias associadas e participantes do evento. Novidades, mais atrações, local mais acessível para os apaixonados por cerveja, sejam eles conhecedores ou iniciantes em cervejas artesanais. Queremos mostrar o que tem de melhor na cidade e no país, pois ainda vamos trazer umas surpresas de outras cidades”, acrescenta Leo Gil.

Além de boa cerveja, o Rio Craft Beer terá uma opção variada de gastronomia, atrações musicais e serviços de barbearia e tatuagem.

Rio Craft Beer
Data: de 27 a 29 de julho;
Horário: a partir das 14h;
Local: Clube Monte Líbano, na Av. Borges de Medeiros, 701, no Rio;
Preço: a partir de R$ 30,00;
Mais informações: https://www.riocraftbeer.com.br/.

Os desafios da cevada: Entenda como o país pode dobrar produção de malte

A relação pouco desenvolvida entre agricultor e indústria tem impedido que o Brasil se consolide como grande produtor de cevada. Embora a sua qualidade seja semelhante à das principais referências externas, o malte nacional sofre com problemas estruturais que praticamente cortam pela metade a sua capacidade produtiva. Toda a cadeia cervejeira, assim, acaba prejudicada.

E os entraves ainda estão distantes de serem superados. Para Euclydes Minella, pesquisador da Embrapa Trigo, os produtores de cevada sofrem com a falta de incentivo – e, especialmente, com uma estrutura interna que os afasta do cultivo. O resultado dessa equação, claro, resvala na indústria: a oferta é menor e exige, por vezes, a importação de uma commodity que poderia ser facilmente produzida aqui.

“Com a exceção dos associados de uma cooperativa fabricante independente de malte, os produtores de cevada do país dependem totalmente do interesse da indústria cervejeira em produzir localmente”, explica Minella, pesquisador da Embrapa Trigo desde 1975.

Essa relação, segundo ele, funciona como a de produtores integrados da cadeia de aves e suínos: as maltarias fornecem a semente, os insumos e a assessoria técnica ao produtor, que fará o pagamento quando o produto for entregue.

“A produção é totalmente feita sob contrato, ou seja, os produtores são contratados para produzir cevada de variedade determinada que atenda um padrão de qualidade definido. Caso a produção não atenda o padrão, a indústria não recebe e a produção fica na mão do produtor, que a coloca em um mercado alternativo.”

É aí que, para Minella, reside o nó estrutural: como inexiste um mercado formal para a cevada “não cervejeira”, o produto descartado tem o valor rebaixado para 70% do preço do milho. “Quando o produto não é recebido pela indústria, o produtor quase sempre amarga prejuízo. O risco de não atingir o padrão de qualidade é todo do produtor, ou seja, não existe parceria indústria-produtor”, acrescenta o pesquisador, detalhando os problemas dessa falta de parceria.

“Assim, também não existe fidelização entre as partes, o que é ruim para a cultura, uma vez que é grande o número de produtores entrando no negócio a cada ano. Em geral, para o bem da cultura, seria ideal que o produtor plantasse sempre de maneira a conseguir melhores resultados com o passar dos anos”, acrescenta Minella, que cursou doutorado na Cornell University, nos Estados Unidos, onde estabeleceu a base genética da tolerância ao alumínio tóxico em cevada.

Bons exemplos
Se o cultivo nacional é feito sob demanda, no restante do mundo o agricultor tem a cevada incorporada em sua produção. Planta, assim, todos os anos, em sistema de rotação e posteriormente a produção é dividida: boa parte da cevada vai para o mercado de alimentação animal (feed) e uma pequena quantidade é selecionada pela indústria de malte, que pagará bônus de 10%, em média.

Euclydes Minella, pesquisador da Embrapa

No Brasil, por sua vez, onde o preço da cevada feed está atrelado ao milho, o deságio em relação à cevada malte chega a 50-60%. A produção, assim, torna-se quase inviável. “A cevada cervejeira compete com o trigo semeado na mesma época, mas tem risco maior de não atingir o mesmo padrão de qualidade que o trigo ou a aveia. A principal diferença está no poder germinativo do grão. Para o malte, no mínimo 95% dos grãos têm que germinar, enquanto para trigo ou aveia não existe esta exigência”, compara o pesquisador.

Cerca de 20% da produção na Região Sul não atinge o padrão de qualidade em razão da perda de germinação por chuva na colheita ou por secagem malfeita. “No meu entender, será muito difícil nas condições atuais aumentar a produção de cevada no Sul, independentemente do aumento da capacidade de malteação que possa ocorrer na região.”

Ainda assim, Minella se demonstra otimista com a produção nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, feita em regime irrigado onde o clima seco minimiza as perdas de germinação. “Atualmente já existe uma produção no estado de São Paulo cujos resultados endossam a tese da viabilidade de produção irrigada de cevada cervejeira fora da região tradicional”, conta.

Mas, mesmo com as melhores condições, ainda restam alguns desafios nessas regiões. Se as dificuldades com a produção são menores, a indústria precisa enfrentar as longas distâncias entre os campos e as maltarias. Um problema que, segundo ele, também torna difícil a competição com o mercado externo.

“O problema atual para a não expansão nessas regiões está na localização das maltarias, exceto a Soufflet, situada em Taubaté. A distância encarece a produção pelo alto custo do frete nacional, muito superior ao da cevada que chegas aos portos oriunda principalmente da Argentina e do Uruguai”, finalizada o pesquisador.

Aproximação entre universidade e cervejaria pode reduzir dependência externa

A atuação da universidade no setor cervejeiro começa a ganhar corpo no mercado brasileiro. São parcerias fundamentais não apenas para aumentar a qualidade da principal bebida nacional, como para melhorar a produção e diminuir a dependência do mercado externo.

Um importante apoio universitário vem com o controle de qualidade. O resultado é uma cerveja mais “segura” que vai beneficiar toda a cadeia: o consumidor ganha em qualidade e o cervejeiro diminui as perdas, além de lucrar com a satisfação do cliente.

“Problemas causados pela contaminação da cerveja podem provocar grandes prejuízos econômicos ao produtor, além da retirada dos produtos do mercado e da perda de confiança do consumidor”, explicam as doutoras Beatriz Borelli e Luciana Brandão, integrantes do Laboratório da Cerveja, uma iniciativa do Laboratório de Taxonomia, Biodiversidade e Biotecnologia de Fungos localizado no Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

O suporte técnico oferecido pelo laboratório, acrescentam elas, é bastante procurado pelas nano e microcervejarias, “uma vez que a montagem de um laboratório de microbiologia envolve aumento nos custos, além de ser necessário o emprego de mão de obra capacitada para a realização das análises relacionadas ao controle de qualidade”.

Mais qualidade, menos importação
Mas não é apenas com o controle de qualidade que a aproximação com uma universidade pode auxiliar o cervejeiro. O apoio acadêmico também pode estar relacionado a outro importante ganho para toda a cadeia: a diminuição das importações.

Beatriz Borelli e Luciana Brandão, do Laboratório da Cerveja

Isso ocorre principalmente devido ao trabalho de pesquisa com as leveduras. “A cerveja, assim como outras bebidas fermentadas, é feita a partir de fermentações conduzidas por linhagens comerciais estrangeiras, principalmente de países da Europa e Estados Unidos, o que torna o produtor dependente de leveduras importadas, o que encarece o produto”, explicam as doutoras.

O Laboratório de Taxonomia, Biodiversidade e Biotecnologia de Fungos, onde está inserido o Laboratório da Cerveja, então, tem trabalhado para atenuar esse problema. O resultado é tanto uma possível diminuição das importações quanto uma “nacionalização” da cerveja. Até mesmo a qualidade sensorial, segundo Borelli e Brandão, pode ser beneficiada.

“Todas as pesquisas realizadas no laboratório visam identificar potenciais leveduras (tanto Saccharomyces cerevisiae quanto não Saccharomyces) para a produção de cervejas, diminuindo a dependência das importações, além de regionalizar o produto, utilizando leveduras da biodiversidade brasileira, agregando valor e dando mais personalidade às cervejas especiais no nosso país”, contam as doutoras da UFMG, antes de acrescentar.

“Além disso, e não menos importante, visam o melhoramento sensorial da bebida, como no caso da utilização de leveduras híbridas. E, no caso do uso de leveduras não convencionais (não Saccharomyces), buscam a produção de cervejas com características diferenciadas, tanto de aroma e sabor como, por exemplo, de baixo teor alcóolico.”

Todo esse trabalho com as leveduras, segundo complementam elas, surgiu com uma tese inédita de doutorado defendida em 2016, quando foi selecionada e utilizada a primeira levedura brasileira para produção industrial de cerveja (Grimor 18). O trabalho, então, desenvolveu uma linha de pesquisa, resultando na seleção de linhagens de Saccharomyces cerevisiae para a produção de cervejas ale.

Buscando apoiar os cervejeiros artesanais, tanto no controle de qualidade quanto na produção de leveduras, o laboratório conta hoje, entre outros colaboradores, com uma estudante de doutorado trabalhando com a obtenção de híbridos de saccharomyces cerevisiae para a produção de cervejas e uma pós-doutoranda desenvolvendo atividades relacionadas à seleção e produção de cervejas por leveduras não Saccharomyces isoladas no país.