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Campanha da Antarctica “ressuscita” Gonzaguinha

Marca tradicionalmente ligada ao samba, a Antarctica publicou nessa semana sua mais nova – e muito feliz – peça publicitária. Com a ajuda de tecnologia, a cervejaria reproduziu digitalmente a voz de Gonzaguinha para gravar uma canção inédita sua, vetada pela ditadura militar.

Reconhecido pelo teor de consciência e crítica social que imprimia em suas canções, o cantor morto em 1991 foi alvo constante da censura do regime. Céu País, composição resgatada pela Antarctica, foi escrita em 1973, ano de lançamento de seu primeiro LP Luiz Gonzaga Jr. e um dos pontos altos de sua carreira, após cantar no programa Flávio Cavalcanti a contestadora Comportamento Geral, ser advertido pela censura e a acusado de “terrorista” por parte de jurados do programa. Segundo a pesquisa feita pela Antarctica, de 72 composições suas enviadas para a análise do governo militar, 54 foram vetadas.

Para dar vida à música, foram feitas reconstruções da voz do Gonzaguinha usando como base a voz de um cantor com tom de voz parecido com a dele. Foram extraídos trechos de diversas gravações feitas pelo filho de Gonzagão em vida, recortes feitos palavra por palavra de áudios de entrevistas e outros registros. Tudo sob supervisão de uma equipe de músicos e biógrafos do músico carioca.

Confira o vídeo de Céu País:

O lançamento faz parte da ação e divulgação do concurso de sambas Batuque da BOA, em que compositores são incentivados a tirar suas composições “da gaveta”. O júri será presidido pelo sambista e pesquisador cultural Nei Lopes, e composto por diversos sambistas tarimbados. O compositor vencedor leva um prêmio de R$40 mil. As inscrições para o concurso estão abertas até 15 de setembro pelo site www.antarctica.com.br/batuque-da-boa e o vencedor será conhecido no dia 3 de novembro.

Veja também vídeo com cenas do making of de Céu País:

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Pesquisador da Embrapa alerta sobre clima, mas vê lúpulo nacional com otimismo

O Brasil traça os primeiros passos de sua história com o lúpulo. Embora ainda não exista propriamente uma tradição, o país tem potencial para desenvolver o cultivo próprio, o que já começou a ser feito informalmente por algumas cervejarias, segundo conta Euclydes Minella, pesquisador da Embrapa Trigo desde 1975.

“Com o crescimento das cervejarias artesanais, certamente aumentou a procura por lúpulo local e, infelizmente, ainda não temos história de produção de lúpulo no Brasil, mas estamos construindo. Atualmente, já existem várias cervejarias fazendo pomar de lúpulo”, explica o pesquisador, detalhando sobre essa produção que começa a ganhar forma.

“Obviamente isso é material importado, porque não temos tradição de produção nem de melhoramento no país, mas está havendo resultados positivos. As pessoas estão adquirindo a própria confiança de como fazer, então isso aí é crescente”, acrescenta Minella.

“Temos hoje produção de lúpulo informal na mão de microcervejarias do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais. É o povo que está se adiantando, porque não temos informações no país sobre o cultivo.”

Desafios
Um tempero da cerveja, segundo o pesquisador, o lúpulo é uma planta – o lupuleiro – que, contrariamente ao que se imagina, é da cultura de verão. Dela se aproveita a flor, que dá aroma e sabor à bebida. E é aí onde está o grande problema para a produção nacional: para colher a flor, é preciso tempo seco.

“É uma planta exótica aqui, exigente também e que precisa de clima específico principalmente na época de colher essas flores. Precisa ser clima seco, então aí você começa a imaginar as dificuldades de se produzir aqui”, comenta Minella, uma das grandes referências nacionais no cultivo de cevada.

Ainda assim, apesar da dificuldade com as chuvas, ele garante que há boas condições, especialmente se a colheita for em abril. “Vai se buscar exemplo de todos os outros cultivos de regiões que favorecem a questão do pós-floração. Temos condições boas para colher em abril, final de março, que em geral é seco”, orienta.

Confiante no potencial do lúpulo brasileiro, Minella aponta outro importante desafio: a falta de maior apoio institucional para o cultivo se estabelecer. “Existe potencialidade, sim. Mas temos muita coisa a aprender. E espero que alguma instituição se interesse, porque é um movimento que veio para ficar”, finaliza.

 

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Sinnatrah inaugura nova sede e promete novidades na grade curricular

Uma das principais referências do setor em São Paulo, a Sinnatrah Cervejaria-Escola inaugurou nesta terça-feira a sua nova sede. Fica a apenas duas quadras de sua antiga instalação, na Avenida Pompeia, agora no número 2021, a poucas quadras do metrô Vila Madalena.

A conhecida sede anterior, contudo, não será desativada: o brew shop da Sinnatrah continuará no mesmo espaço, mas sofrerá uma repaginação e ganhará uma cara nova.

A mudança a um espaço mais amplo não só serviu para comemorar o aniversário de nove anos da escola, como também para ampliar sua grade curricular. A Sinnatrah deve, também, em breve, montar uma planta-piloto destinada à produção de cervejas.

“A ideia da mudança foi ampliar o espaço dedicado aos cursos, montar uma sala de brassagem maior e dar mais conforto de maneira geral aos clientes”, conta Júlia Reis, sócia e professora da Sinnatrah.

A escola possui, ainda, além de Júlia, outros dois sócios e professores titulares: Rodrigo Louro, doutor em bioquímica e mestre cervejeiro; e Alexandre Sigolo, também bioquímico e mestre cervejeiro.

Ao longo de sua trajetória, a Sinnatrah já formou mais de 4500 cervejeiros caseiros, muitos dos quais assumiram o hobby como profissão, atuando dentro de cervejarias ou criando as suas próprias marcas.

 

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Herdeiros de Nassau: A estratégia “bairrista” da Capunga para ganhar mercado

Um lançamento recente no mercado brasileiro chamou a atenção por trazer uma arrojada estratégia comercial. Trata-se da Pilsen Praia, apresentada no final de julho pela Capunga com o intuito “brigar diretamente com grandes rótulos de aceitação nacional”, segundo informou a própria cervejaria pernambucana na época.

A cerveja, uma puro malte com sabor mais leve e refrescante, envazada em garrafas de 330 ml, 600 ml, 1 litro e latas de 473 ml, surge como ponto central da ampliação de uma estratégia já existente. Depois de chegar em 150 pontos de venda em Pernambuco, Alagoas e Rio Grande do Norte, a Capunga mira agora todo o mercado nacional.

“A Capunga sempre teve em sua estratégia atrair novos consumidores para o segmento de cervejas artesanais e identificamos na Pilsen Praia a oportunidade perfeita para nos mantermos neste foco”, conta Victor Lamenha, diretor comercial da Capunga, ao Guia da Cerveja.

Para atingir o objetivo, a cervejaria já começou a reforçar o canal de distribuição, visando grandes redes de supermercado. Aposta, também, em parcerias para aumentar sua capacidade de produção.

“Em Pernambuco e em outros estados do Nordeste, temos uma distribuição ampla e pretendemos atingir o mercado nacional através das grandes redes de supermercados, com as quais estamos finalizando as negociações. Vamos conseguir atingir esse objetivo no médio prazo, com um projeto de ampliação fabril que estamos concluindo em parceria com o Banco do Nordeste”, detalha Victor.

Artesanal, sim
A tentativa de ampliar o foco, contudo, não deve mudar as características da Capunga. O diretor comercial garante que, apesar do intuito de conquistar um mercado maior, a cervejaria seguirá como “artesanal”.

“Nós seguiremos fiéis a nossa origem artesanal, porém com planos, metas e objetivos grandiosos. Ainda somos muito pequenos, mas com muita vontade de, cada vez mais, buscar nosso espaço neste mercado tão competitivo e com os maiores players do mundo.”

Embora o foco seja na Pilsen Praia, todo o portfólio auxiliará na nova estratégia. Tanto que dois rótulos atrelados ao paladar artesanal – a Capunga IPA Cumade Florzinha e a Capunga Double IPA Bala de Prata – foram lançados recentemente em garrafas de um 1 litro.

“É o complemento dessa estratégia”, explica Victor. “Visamos atingir todos os públicos, aumentar nossa participação na prateleira e oferecer opções de consumo variadas para o consumidor. E já estamos com a Pilsen Praia no mercado.”

Essa fidelidade ao termo artesanal, completa ele, poderá ser verificada na manutenção da qualidade da cerveja. “Enxergo com muita clareza essa dinâmica: a qualidade, a variedade e complexidade de aromas e sabores, o cuidado e o carinho que colocamos dentro da garrafa, que só as cervejarias artesanais conseguem colocar.”

Da Capunga para o mundo
Mas não é apenas em relação ao rótulo “artesanal” que a cervejaria promete se manter fiel. Mesmo que se expanda e conquiste o país, a Capunga avisa que não esquecerá jamais de suas origens. Origens que remontam a uma região do Recife chamada de… Capunga.

Foi nessa localidade onde dois dos sócios da marca – Victor entre eles – passaram boa parte de suas vidas. E foi exatamente na Capunga onde Maurício de Nassau, o célebre governador da colônia holandesa no Nordeste, sediada no próprio Recife, em meados do século XVII, fundou a primeira cervejaria da América – ela seria, depois, comandada pelo também holandês Dirc Dicx.

O próprio nome carrega, então, um intuito quase “nassauniano” da cervejaria: levar um produto local para o restante do país. E, especialmente, o que parece ainda mais decisivo: a aposta no bairrismo pernambucano para atingir o objetivo.

“O bairrismo do pernambucano é o nosso maior trunfo. Sempre confiamos e contamos com ele em todo projeto que lançamos”, garante o pernambucano Victor, sempre fiel a suas origens.

“Desde o início, três anos atrás, até hoje, com nossas curtas ou nenhuma verba de marketing, o valor que o pernambucano dá aos bons produtos de sua terra é o que nos faz crescer de forma relevante, significativa e contínua e sempre nos mantém motivados a continuar apostando em novos produtos e projetos. Por isso o bairrismo do pernambucano é simplesmente tudo para a Capunga.”

 

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São Paulo provoca alta do preço da cerveja em julho; Confira demais capitais

Embora tenha registrado queda de 2,14% no acumulado de 2018, o preço da cerveja em domicílio destoou do mercado em julho e subiu 0,98%, ante um aumento de 0,33% da inflação oficial brasileira.

Nove das 16 capitais medidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresentaram queda no valor da cerveja em domicílio. Mas São Paulo, com alta de 2,70%, foi a grande vilã dos preços e a principal responsável pela inflação acima da média brasileira.

Outras cinco capitais também registraram aumentos expressivos e contribuíram para a inflação cervejeira de julho: Belém (1,45%), Rio de Janeiro (1,34%), Salvador (1,08%), Curitiba (0,85%) e Grande Vitória (0,76%).

Do lado oposto, por sua vez, destaque para Fortaleza, que registrou baixa no preço da cerveja de 3,04% e impediu alta ainda maior da inflação. Rio Branco (-2,13%), Campo Grande (-1,90%), Recife (-1,52%), São Luiz (-1,38%) e Goiânia (-1,21%) também apresentaram queda significativa.

Já o preço da cerveja fora de domicílio, que registrou alta de 0,67% em julho, teve Rio Branco (3,78%), Brasília (2,93%) e Porto Alegre (2%) como líderes do aumento.

Confira, a seguir, onde o preço da cerveja em domicílio mais subiu em julho:
1- São Paulo: 2,70%
2- Belém: 1,45%
3- Rio de Janeiro: 1,34%
4- Salvador: 1,08%
5- Curitiba: 0,85%
6- Grande Vitória: 0,76%
7- Belo Horizonte: 0,03%
8- Aracaju: -0,17%
9- Brasília: -0,30%
10- Porto Alegre: -0,32%
11- Goiânia: -1,21%
12- São Luiz: -1,38%
13- Recife: -1,52%
14- Campo Grande: -1,90%
15- Rio Branco: -2,13%
16- Fortaleza: -3,04%

E o da cerveja fora de domicílio:
1- Rio Branco: 3,78%
2- Brasília: 2,93%
3- Porto Alegre: 2%
4- Aracaju: 1,99%
5- Campo Grande: 1,78%
6- Belém: 1,76%
7- Rio de Janeiro: 1,09%
8- Goiânia: 0,90%
9- São Paulo: 0,88%
10- Curitiba: 0,68%
11- Belo Horizonte: 0,53%
12- Grande Vitória: 0,40%
13- Salvador: -0,23%
14- Recife: -1,17%
15- Fortaleza: -1,18%
16- São Luiz: -1,72%

 

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Entrevista: Ceará vive mudança e tem cenário otimista à cerveja artesanal

O crescimento da cultura da cerveja artesanal no Brasil não chega a ser uma novidade. Em alguns estados, principalmente das regiões Sul e Sudeste, o movimento já chegou com força em cidades do interior, que vêm desenvolvendo cenas complexas com lojas, bares e cervejarias alimentando o público sedento por novidades.

A boa notícia é que esse mercado começa, também, a alcançar novos e importantes espaços. É o caso do Ceará, onde a cerveja artesanal não apenas se consolidou em polos mais “esperados”, como na capital Fortaleza, mas também no interior, como na região do Cariri.

Às vésperas de ministrar um inédito curso de sommelier de cervejas no interior do Ceará, o instrutor do Senac-CE e sommelier João Filho falou com o Guia da Cerveja sobre a evolução da cena cervejeira na capital e, especialmente, no interior.

E, apesar de apontar algumas dificuldades, como a falta de lojas especializadas na venda de insumos, ele garante: o cenário é otimista. “Apesar de morar em Fortaleza, noto que a semente da cena cervejeira no Cariri já foi plantada.”

Confira, a seguir, a entrevista completa com João Filho, instrutor do Senac-CE e sommelier.

Você nota mudanças na relação do cearense com a cerveja, em especial os rótulos artesanais?
Essa mudança é visível. Por atuar na área, noto a procura e a curiosidade do público em geral pelos rótulos artesanais. Com a expansão do mercado, novas cervejarias vão surgindo, bares especializados investindo em novos rótulos, além de cursos e workshops para a formação e educação do público, supermercados e restaurantes investindo em cartas de cervejas mais elaboradas. As previsões são otimistas para a cena local.

É possível observar uma cena cervejeira específica do Cariri?
Apesar de morar em Fortaleza, noto que a semente da cena cervejeira no Cariri já foi plantada. Daí a importância de ofertar o curso de Beer Sommelier na região, para acompanhar não só as tendências, mas a expansão desse mercado, qualificando os profissionais para atenderem as demandas que estão surgindo.

Como você percebe a evolução do público de cervejas na região?
Me surpreendeu! Na minha última visita provei em um Bottle Share, para o qual fui convidado, cervejas que nunca tive a oportunidade de beber em Fortaleza. Existem grupos cervejeiros locais, confrarias e apreciadores bem avançados.

O que fez com que o Senac-CE entendesse que um curso de sommelier de cervejas seria interessante para Juazeiro?
A região do Cariri é uma região importantíssima para a economia do estado, e que vem crescendo a passos largos. Bares e restaurantes estão investindo em estrutura e atendimento, bem como na gastronomia. Dessa forma a cerveja artesanal também ganha espaço na região. O curso vem capacitar entusiastas que querem investir ou atuar no setor, fomentado por cervejarias locais e bares especializados.

Quais são as grandes dificuldades que o público de cervejas especiais enfrenta para exercer seu hobby em Juazeiro?
Acredito que as dificuldades já foram maiores. Já existem bares especializados e supermercados com um número de rótulos interessantes. Creio que falta ainda na região cursos e workshops mais frequentes para formação. A falta de lojas especializadas na venda de insumos para produção de cervejas caseiras também é um das principais dificuldades enfrentadas para quem deseja seguir com o hobby de produzir a sua própria cerveja.

 

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Exportação de cerveja reage em julho, mas apresenta forte queda em 2018

A exportação brasileira de cerveja de malte teve ótimos resultados em julho. Tendo como principais destinos os países da América do Sul, o produto alcançou US$ 7,35 milhões em vendas para o mercado externo, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).

O valor é 27,4% maior na comparação com o mesmo período do ano passado, quando a exportação de cerveja resultou em US$ 1,58 milhão a menos.

Ainda assim, os números acumulados de 2018 apresentam forte baixa. Os sete primeiros meses do ano registraram US$ 48,7 milhões e 74.302,06 toneladas de cerveja exportadas, baixas respectivas de 20,4% e 25,1% na comparação com igual período de 2017.

Esses números fazem com que a cerveja tenha 0,04% de participação nas exportações brasileiras e ocupe o 179º posto entre os produtos negociados de janeiro e julho deste ano.

Já os principais destinos da cerveja brasileira nos sete primeiros meses de 2018 foram Paraguai (68%), Argentina (16%) e Bolívia (11)%.

 

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Após promessa, província canadense derruba preço da cerveja a 1 dólar

Segunda-feira, dia 27 de agosto, será inesquecível na província de Ontário, no Canadá. Foi quando se cumpriu uma promessa de campanha que anunciava a possibilidade de comprar cerveja a um preço bastante convidativo: um dólar por garrafa ou por lata.

Em evento na cervejaria Cool Beer Brewing Company, na cidade de Etobicoke, o premier da província de Ontário, Doug Ford, celebrou a entrada em vigor do buck-a-beer, medida que derrubou o preço mínimo da cerveja estabelecido legalmente, antes de C$ 1,25 para C$ 1.

O Canadá, país que está às vésperas de liberar o uso recreativo da maconha e derivados, tem regras rígidas para a comercialização e o preço de bebidas alcoólicas. A província de Ontário é uma das mais rigorosas, com o governo no controle de lojas “estatais” de bebidas e determinando quem pode e por quanto a cerveja pode ser vendida. A regra do valor mínimo estava em vigor desde 1993 e, em 2008, o governo liberal aumentou a preço mínimo de C$ 1 para C$ 1,06, com o argumento de desincentivo do consumo excessivo. O valor veio sendo corrigido pela inflação desde então, chegando a C$ 1,25.

governo de Ontário derruba preço da cerveja
Premier de Ontário Doug Ford celebra início das vendas de cerveja a um dólar

O buck-a-beer, no entanto, não significa preços mais baixos imediatamente. Apenas três cervejarias da província aceitaram o desafio de Ford. Uma delas, a Barley Days Brewing afirma que a qualidade de sua cerveja não vai cair por conta da medida: “Estamos fazendo nossa lager do mesmo jeito que sempre fizemos, acreditamos que podemos entregar um produto de qualidade por um preço ótimo”, disse o diretor da marca Kyle Baldwin à CVTNews.

Outras chegaram a se posicionar contra a medida, alegando ser impossível vender a lata a um dólar sem comprometer a saúde da empresa, a qualidade ou a remuneração dos trabalhadores. Pelo Twitter, a cervejaria People’s Pint se manifestou dizendo que não entra no buck-a-beer pois é “comprometida com a qualidade” de seus produtos e que acredita que as pessoas “recebem por aquilo que pagam”. Analistas afirmam que a maioria das cervejarias canadenses tem registrado lucros relativamente baixos, na casa de 10 a 12%, e que convidá-las a abrir mão de 20% de seu faturamento significa fechar no vermelho.

A crítica à cerveja de um dólar se inflama quando o premier Ford afirma que não há subsídios financeiros às empresas que aderirem ao programa. Haveria, apenas, vantagens como privilégios em posicionamento de prateleiras nas lojas pertencentes à província e em propaganda. Ou seja: benesses que no mercado podem significar dinheiro.

No plano político, o New Democratic Party, partido de oposição ao Progressive Conservative Party de Ford, enxerga uma inversão de valores, dado que o atual governo cortou linhas de assistência social.

No Brasil, a corrida eleitoral já começou e as demandas do setor da cerveja são assunto de uma série de reportagens do Guia. Resta saber se o populismo barato e prejudicial às empresas do mercado praticado por Ford tem força para contaminar as campanhas por aqui.

 

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Reconhecimento, abertura de portas: As consequências dos prêmios no WBA

A cerveja brasileira voltou a demonstrar sua força no mercado internacional. No World Beer Awards 2018, uma das mais importantes premiações do setor, as cervejarias nacionais conquistaram oito vitórias, ficando atrás apenas da Alemanha, com 14 rótulos premiados, e da Bélgica, com 13 medalhas.

O bom desempenho manteve o ritmo das últimas premiações. Na edição de 2017 do World Beer Awards, por exemplo, as cervejarias brasileiras levaram dez prêmios. E, na World Beer Cup 2018, foram outras cinco medalhas.

As premiadas da vez foram a Bohemia 838, a Baden Baden Bock, a Wäls Fruit Vintage, a Capa Preta English Pale Ale, a Bohemia Reserva, a Debron Imperial Stout Cacahuatl, a Al Fero Witbier e a Lohn Bier Bretta. E, segundo as cervejarias, as novas conquistas foram fundamentais para demonstrar a consolidação das artesanais no Brasil.

Para Érico Marchi, sócio e sommelier da Al Fero, as medalhas são um símbolo da busca pela perfeição das cervejas nacionais. “Esse prêmio mostra como as cervejarias nacionais (inclusive nós) buscamos a perfeição a cada receita”, comenta Marchi, reforçando a qualidade de artesanal brasileira.

“O mercado brasileiro é muito bom e já vem mostrando isso há algum tempo com outros prêmios e concursos. Para a cervejaria, é o símbolo de que estamos trabalhando de forma correta para sempre melhorar, buscar a receita perfeita e equilibrada”, complementa.

Já Thomé Calmon, sócio da Debron, pontua que o bom desempenho no World Beer Awards é um retrato da credibilidade brasileira no mercado internacional. “O mercado brasileiro vem ganhando expressividade no mundo craft, e estas medalhas atestam a qualidade do produto e que sabemos fazer cerveja. Este reconhecimento internacional em um dos principais concursos do mundo só nos traz mais credibilidade.”

Para o sócio da Debron, as medalhas demonstram que o setor está trabalhando corretamente. “Nosso mercado ainda engatinha, mas estes prêmios sinalizam que estamos todos no caminho certo!”

Premiada com a Bretta, por sua vez, a Lohn Bier garante que os prêmios têm duas importâncias fundamentais: ajuda no fortalecimento da cultura cervejeira e valoriza o produto nacional no exterior.

“Para o mercado brasileiro de cerveja artesanal a premiação é de grande valor, pois ajudamos a fomentar a cultura cervejeira para o mercado brasileiro, abrimos portas em outros países e levamos a cerveja artesanal brasileira e sua força para fora do país”, avalia Tatiani Felisbino Brighenti, sócia-fundadora da cervejaria.

Biomas brasileiros, cerveja com jabuticaba: Confira os lançamentos da semana

A semana de lançamentos cervejeiros trouxe elementos com muita brasilidade. A Colorado, por exemplo, reforçou sua aposta em elementos nacionais ao apresentar a Gabiru, uma cerveja com gabiroba que inaugura a sua linha Biomas. Já a Avós fez uma parceria com a Lamplighter Brewery para lançar um rótulo com jabuticaba, enquanto a Votus apostou no carvalho para refinar a versão de sua Trippelbock. Confira, a seguir, todas as novidades.

Cerveja com gabiroba
Especialista em utilizar elementos tipicamente brasileiros, a Colorado lançou mais uma excelente novidade. Trata-se da Gabiru, uma American IPA que leva gabiroba, fruta típica do Cerrado escolhida para abrir uma nova série da cervejaria, a Biomas – o país possui a Floresta Amazônica, a Caatinga, o Pantanal, a Mata Atlântica, os Pampas e o Cerrado como principais biomas. “Com a linha Biomas Brasileiros, queremos mostrar cada vez mais a riqueza natural e o potencial do Brasil”, explica Marcelo Carneiro, fundador da Colorado. “A ideia é gerar inquietação em quem não se contenta em ter sempre mais do mesmo, em quem não se acomoda e dar a essas pessoas mais uma razão para desibernar com a Colorado para novos sabores e experiências”. A cerveja terá, ainda, inscrição em braile no rótulo. A Gabiru terá edição limitada ao custo de R$ 18,90. 

Trippelbock em carvalho
Uma bebida com 13% de teor alcoólico e 58 IBU. Esta é a Votus Nº 013, uma variante da Trippelbock da cervejaria maturada em barril de carvalho. É uma versão potente, com aromas e sabores de maltes escuros, apresentando toda complexidade do envelhecimento na madeira, trazendo notas que lembram frutas secas e vinho Jerez, segundo a cervejaria. “O tempo de barril conseguiu trazer uma acidez que equilibra perfeitamente com o dulçor residual, deixando essa Lager escura e alcoólica, com uma facilidade incomum de degustação”, analisa Flavio Athayde, responsável pela cervejeira. O rótulo, que estará disponível em garrafas de 330 ml (R$ 58) e em quantidade limitada, será lançado em 30 de agosto, no Pateo Sabor Paulista, a partir das 20h, na rua Pamplona, 869, em São Paulo.

Parceria com jabuticaba
A Avós anunciou a criação de mais uma receita colaborativa. A parceira da vez é a Lamplighter Brewery, dona de uma fábrica em Cambridge, na região de Boston, nos Estados Unidos. Simon Flaim e Tyler Fitzpatrick, respectivamente head brewer e brewmaster da cervejaria norte-americana, vieram recentemente ao Brasil para produzir a receita com Junior Bottura e Fabio Geribello, sócios da Avós. O estilo ainda é segredo, mas as cervejarias anteciparam que haverá adição de jabuticaba, fruta que encantou a dupla de Cambridge. Há alguns meses, os cervejeiros da Avós estiveram nos Estados Unidos e também produziram um rótulo em parceria com a Lamplighter.

Doppelbock de inverno
Nesta terça-feira, a Cervejaria Nacional lança mais uma novidade de sua campanha de inverno: a Moxotó, uma Doppelbock acobreada com 6,5% de teor alcoólico e 24 IBU. A cerveja possui notas maltadas intensas e leve caramelização, além de um corpo médio baixo. No dia do lançamento, que será feito na própria cervejaria, na Av. Pedroso de Morais, 604, em São Paulo, o rótulo entrará no sistema de happy hour (50% do valor do half pint) até as 22h.

 

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