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Álcool ilícito pode responder por até 27% do consumo global de bebidas, diz Tracit

A recente onda de intoxicações por metanol no Brasil, fruto da adulteração de bebidas destiladas, está abrindo os olhos da sociedade para um problema que não é recente e nem exclusividade nacional: o mercado ilegal de bebidas. Segundo a Transnational Alliance to Combat Illicit Trade (TRACIT), o álcool ilícito pode responder por até 27,7% do consumo global de bebidas em 2025. Ou seja, adulterações e falsificações podem afetar uma em cada quatro garrafas de bebidas do planeta.

O número foi revelado em entrevista exclusiva do diretor-geral da TRACIT, Jeff Hardy, ao Guia da Cerveja. O executivo esteve no Brasil nos últimos dias para contribuir na discussão sobre a circulação de bebidas alcoólicas adulteradas no país. Ele participou de uma audiência pública da Comissão de Assuntos Sociais do Senado na última quarta-feira (15).

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E, apesar de o problema não ser exclusividade brasileira, o caso nacional é preocupante. Segundo o balanço mais recente do Ministério da Saúde, divulgado na noite de segunda-feira (20), nove pessoas morreram intoxicadas por metanol no Brasil. O órgão diz que seis casos estão confirmados em São Paulo, dois em Pernambuco, no município de Lajedo, e um no Paraná, em Foz do Iguaçu. Mais sete óbitos seguem em investigação. Ao todo, 47 casos foram confirmados, 57 seguem em investigação e 578 notificações foram descartadas. 

Na semana passada, as investigações da polícia de São Paulo levaram a postos de combustíveis em São Bernardo do Campo e Santo André, no ABC paulista, que estariam vendendo etanol batizado com metanol. Esse tipo de produto teria sido utilizado por criminosos para adulterar as bebidas destiladas, causando parte das mortes. 

A TRACIT é uma organização sem fins lucrativos do setor privado que visa diminuir os danos econômicos e sociais do comércio ilícito de bebidas. As empresas associadas são responsáveis por 1,5 mil marcas de bebidas que operam em 190 países e empregam cerca de 800 mil pessoas. 

Na conversa abaixo, Jeff Hardy fala um pouco mais sobre o mercado ilegal de bebidas no mundo e conta o que funciona e o que não funciona no combate ao álcool ilícito no mundo.

Quão grande é o problema do mercado ilegal de bebidas no mundo hoje?

O problema é significativo e heterogêneo entre regiões. As estimativas da TRACIT indicam que o álcool ilícito pode responder por até 27,7% do consumo global em 2025. Esse índice varia conforme três fatores principais: pressão tributária sobre o mercado legal, brechas regulatórias/fiscalização frágil e acesso indevido a insumos químicos como etanol industrial e metanol. Picos de mortalidade aparecem quando o metanol entra na cadeia ilícita. A resposta efetiva combina controle químico direcionado, atuação policial sobre redes criminosas e comunicação pública para orientar o consumidor.

A cerveja é afetada pelo mercado ilegal da mesma forma que outras bebidas, ou há alguma particularidade?

A dinâmica é diferente. Adulteração com metanol está associada sobretudo a destilados, não à cerveja. No caso da cerveja, quando há ilegalidade, ela costuma ocorrer por práticas como refilagem de garrafas, uso indevido de rótulos/embalagens ou sonegação, não por contaminação com metanol. Além disso, o teor alcoólico mais baixo e a menor margem por unidade tornam a cerveja menos atraente para esquemas de adulteração química. Ainda assim, o consumidor deve priorizar canais formais, onde controles de qualidade, rotulagem e rastreabilidade garantem segurança.

Diversos governos ao redor do mundo estão lidando com o problema do álcool ilícito. Quais são os casos de maior sucesso no combate ao mercado ilegal de bebidas e por que funcionam?

Vemos bons resultados quando há coordenação interagências e foco nos pontos de maior risco. Exemplos incluem: (i) Reino Unido, com inspeções baseadas em risco e integração entre autoridades fiscais, aduaneiras e de saúde; (ii) Colômbia, com aprimoramento do monitoramento de insumos químicos e fiscalização direcionada. O elemento comum é atacar a cadeia de suprimento de etanol/metanol e as redes criminosas, em vez de impor camadas generalistas de controle sobre quem já está em conformidade.

Endurecer a legislação é uma boa abordagem para esse tipo de crime?

Leis claras e proporcionais ajudam, mas não bastam sozinhas. O essencial é a aplicabilidade: tipificações que alcancem desvio de insumos químicos e falsificação, penas que desestimulem a reincidência, celeridade processual e apreensão de ativos dos criminosos. Sem execução efetiva, somente “apertar a lei” pode aumentar custo de conformidade para o setor legal sem reduzir o risco para o consumidor.

Essas soluções se aplicam ao mercado brasileiro? Ou como o Brasil poderia melhorar o combate ao mercado ilegal?

Sim, são aplicáveis e podem ser adaptadas. Algumas recomendações são: (1) força-tarefa nacional entre Receita, Anvisa, polícias e ministérios para focar desvio químico; (2) rastreamento do etanol industrial da produção ao uso final, com auditorias e cruzamento de dados; (3) padrões harmonizados de desnaturação, com fiscalização em produtores e distribuidores; (4) penalidades robustas redes que operam metanol/etanol desviados, incluindo confisco de bens; (5) campanhas de conscientização para reforçar que o mercado legal é seguro e que o informal oferece risco real; (6) calibragem tributária que reduza incentivos ao consumo de produtos ilícitos.

COP30: cervejas de Belém focam em sustentabilidade para dialogar com o público

As cervejarias de Belém (PA) estão se preparando para receber, em novembro, os estrangeiros que irão desembarcar para a COP30, conferência anual que debate mudanças climáticas. É a primeira vez que uma edição será realizada em uma capital da Amazônia. A presença de visitantes está sendo tratada como estratégica pelas cervejarias, que querem se expor ao mundo, consolidar a marca e expandir negócios. E, para dialogar com o público, investem em processos e ações de sustentabilidade.

“A COP30 em Belém representa, sem dúvida, um marco histórico e uma oportunidade única de projeção para as marcas amazônicas”, afirma Ronaldo Maiorana Jr, presidente do Lide Pará e diretor-executivo da Indústria de Bebidas Paraense (Inbepa).

“Um dos nossos principais objetivos é consolidar a marca como uma empresa que prioriza a qualidade dos seus produtos e o compromisso com a comunidade local. Reconhecemos a importância vital dos recursos naturais, todas as nossas ações são pautadas pelo respeito às leis e regulamentos ambientais vigentes”, diz Jorge Alexander Kowalski, CEO da cervejaria Cerpa. Ele destaca que a cervejaria tem compromisso “de cuidar das fontes naturais” e que faz reciclagem em todas as operações.

Peso da tradição alemã e paraense

A fabricante Cerpa deve se posicionar como uma empresa genuinamente paraense – mas com ascendência alemã. Fundada em 1966 pelo alemão Konrad Karl Seibel, a Cerpa produz atualmente diversas marcas, como Cerpa Export, Cerpa Prime e Kroland, e diz estar alinhada às práticas de sustentabilidade há décadas. 

Na COP30, a cerveja Cerpa deve reforçar o compromisso com a comunidade local. “É o momento de mostrarmos que a atividade econômica e o compromisso social e ambiental podem andar de mãos dadas. Esperamos dar o exemplo e encorajar outros a envolverem-se ativamente em ações sustentáveis”, diz Kowalski.

Cerveja Caribeña-paraense na COP30

A Pilsen Caribeña, da Inbepa, foi lançada em 2023 e deve se posicionar na COP30 como uma cerveja de alto padrão na Amazônia feita com práticas sustentáveis. Segundo Maionara Jr, a Inbepa adota processos de eficiência energética e reutilização de insumos, além de promover iniciativas de conscientização ambiental.

Neste ano, a empresa lançou uma lata da cerveja Caribeña com um selo da COP30 em uma embalagem que destaca a característica do alumínio, que é 100% reciclável.

Cerveja na COP30: embalagem da Caribeña ilustrada por selo da COP30. (Imagem: Reprodução/Instagram)
Cerveja na COP30: embalagem da Caribeña ilustrada por selo da COP30. (Imagem: Reprodução/Instagram)

“No caso da Caribeña, a presença de um público internacional e diverso reforça a possibilidade de posicionar nossa cerveja como um produto que nasce da Amazônia, mas dialoga com o mundo. Trata-se de um momento estratégico para fortalecer a identidade da marca — uma cerveja genuinamente paraense, feita com qualidade premium e com respeito ao meio ambiente — diante de um público sensível a temas de sustentabilidade e cultura local”, diz.

Produção 

Segundo Maionara jr, a Inbepa vem se preparando com antecedência para garantir o abastecimento de Belém e dos estados vizinhos durante a COP30. 

Para isso, a estrutura industrial e logística foi reforçada para ampliar o envase e a distribuição da Caribeña. O foco é em pontos estratégicos como bares, restaurantes, hotéis e eventos paralelos ao encontro climático.

“Nosso objetivo é que a Caribeña esteja presente em todos os ambientes de celebração e convivência da COP, mantendo a qualidade e o frescor que caracterizam a marca”, diz.

Internacionalização

Além de uma oportunidade de reforçar a marca Caribeña, a Inbepa olha para a COP30 como um ambiente de negócios para o plano de internacionalização. “Estamos estruturando um projeto de internacionalização, com foco inicial em mercados da América Latina e, em seguida, em destinos onde há crescente interesse por produtos de origem amazônica”, diz Maionara Jr.

Dados da Inbepa apontam que, em 2023, a indústria produziu cerca de 16 mil hectolitros, uma produção significativa para a região Norte. A distribuição chega ao Amapá, Maranhão e Roraima.

Experiência e foco: Rodrigo Sawamura é o 4º melhor sommelier do mundo

O Brasil alcançou mais um resultado de destaque no meio cervejeiro mundial: o sommelier Rodrigo Sawamura, 46 anos, conquistou o quarto lugar no Campeonato Mundial de Sommelier de Cerveja (World Cup of Beer Sommeliers) de 2025, realizado em setembro durante a Drinktec em Munique, na Alemanha. Com isso, ele se tornou o único sommelier das Américas a ter três finais de Campeonato Mundial no currículo. O especialista, que também teve a segunda maior nota técnica, superou mais de 90 participantes de 18 países. Além disso, a delegação brasileira foi considerada este ano a segunda melhor do evento.

“O campeonato reforçou que concentração, foco e dedicação influenciam diretamente no resultado”, afirmou Rodrigo Sawamura em entrevista ao Guia da Cerveja. Mas para entender o grande feito, é preciso destacar a dinâmica do campeonato, que é dividido em etapas eliminatórias de altíssima precisão. 

A fase classificatória exigiu que os sommeliers passassem por três provas: identificação de dez estilos de cerveja e dez defeitos (off-flavors) em testes cegos — com cada acerto valendo dez pontos —, além de uma prova teórica. Os dez melhores avançaram para a semifinal, uma etapa de duelos individuais onde os participantes descreviam, às cegas, as características sensoriais de uma cerveja desconhecida.

Já a prova final ia além dos conhecimentos cervejeiros: era preciso também dominar a técnica da oratória. Nesta etapa, os participantes precisavam fazer uma apresentação de serviço completo de uma cerveja sorteada na hora, exigindo do competidor conhecimento aprofundado sobre a história do estilo e da cervejaria, características sensoriais, sugestões de harmonização e oportunidades de consumo para um corpo de jurados e plateia. 

Foi dentro deste nível de exigência e superando todos os desafios que Rodrigo Sawamura colocou o Brasil em destaque.

Confira, abaixo, a entrevista completa.

Estar em um Campeonato Mundial coloca à prova toda a sua trajetória profissional, e deve passar um filme na sua cabeça. Como foi a formação e a preparação para atingir este nível de desempenho?

Tudo começou em 2013, com o curso de sommelier de cervejas. Ali, eu adotei a estratégia de continuar estudando para conseguir me inserir no universo cervejeiro. A partir de 2015, obtive resultados importantes nos campeonatos, como o terceiro lugar no Campeonato Brasileiro daquele ano, que me projetou para o mundo da cerveja. Em 2016, eu fui campeão brasileiro. Em 2017 eu me classifiquei para o Mundial e, naquela edição, fiquei em terceiro lugar.

E aí eu quase me aposentei porque, nesse momento, em 2017, eu já era professor e estava atuando dentro do programa de formação da DOEMENS no Brasil, onde fiquei até 2019. Como já havia entrado para o mercado da cerveja, decidi parar de disputar os campeonatos.

Mas eis que em 2025 a Estrella Galícia da Espanha [onde Sawamura atuava como gerente de cultura cervejeira da marca no Brasil] me incentivou a me inscrever de novo. 

Como sua atuação como sommelier e como professor pode ter impactado no resultado?

Essa consistência de contato com o mundo da cerveja, não só de participar de outras etapas do Mundial e do Brasileiro, mas principalmente a experiência de 100% dando aula entre 2016 e 2019, ajudou demais a consolidar conhecimento. Eu sempre digo que a biblioteca sensorial é diretamente proporcional à exposição. Além disso, a experiência anterior de dinâmica das provas ajuda a entender o que é preciso aprimorar.

Como foi ver o Brasil alcançar o segundo lugar como equipe, considerando sua dedicação ao crescimento da cultura cervejeira no país?

Para mim, isso foi sensacional, ainda mais considerando o nosso cenário e a forma como nos preparamos. Olhamos para outras equipes e elas são “equipes de verdade”, com rotina de treinamento, investimento e estrutura. 

No Brasil, não temos um time que se reúne constantemente. A gente foi lá na raça, individualmente, e obtivemos a segunda maior nota geral, desbancando países que têm esse apoio. 

Foi algo extraordinário. Fazer parte desse time que foi o segundo melhor do Campeonato como um todo foi fantástico. É um feito gigantesco. Fico com o desabafo de que faltou repercussão desse feito no Brasil, que poderia ser um gatilho para a gente se organizar e pleitear mais apoio.

Rodrigo Sawamura se tornou o único sommelier de cervejas das Américas a disputar a final do Campeonato Mundial três vezes (Holger Rauner / YONTEX GmbH & Co KG-2)
Rodrigo Sawamura se tornou o único sommelier de cervejas das Américas a disputar a final do Campeonato Mundial três vezes (Holger Rauner / YONTEX GmbH & Co KG-2)

Quais são as provas mais difíceis no Campeonato?

Para mim, e por já ter ficado em duas finais do Campeonato Mundial, o nível de pressão que eu tinha colocado na minha participação foi muito grande. Então, todas as etapas foram realmente desafiadoras, mas sem dúvida nenhuma a de off-flavors e a prova final são as mais difíceis. 

Em off-flavors, a dificuldade é que a gente, aqui no Brasil, não tem muito acesso ao material usado no Campeonato Mundial. Isso é um fator que dificulta um pouquinho nosso treinamento. Até dava para comprar, mas tinha toda aquela questão de investimento alto, prazo de recebimento extenso, então não era simples. E este foi um grande ponto. 

E depois, na última prova, o nível de tensão é muito grande — pelo menos para mim, que não sou um exímio apresentador. Confesso que não é simples. Fazer essas apresentações, controlar tempo de fala, ter clareza na comunicação, ter esse jogo de cintura para contornar algumas situações que podem fugir do controle… São muitas variáveis para contornar e, ainda assim, entregar um belíssimo trabalho para conseguir encantar os jurados, obter uma excelente nota e conseguir resultados espetaculares na prova final. 

Eu fiz muito treino de estilos aqui no Brasil e uma semana antes, eu fui para Espanha me encontrar com o time da Espanha, que também participaria do Campeonato Mundial —, e a gente fez três dias de treinamentos bem intensos de estilos e off-flavors, antes de fazer a prova.

Ao viver a experiência deste campeonato, houve algum aprendizado ou desafio que mudou a forma como você vê a profissão de sommelier?

O campeonato reforçou que concentração, foco e dedicação influenciam diretamente no resultado. Destaco a importância da inteligência emocional. Minha terceira participação foi a que eu estava mais focado, tranquilo e com mais controle emocional. Essa parte psicológica é crucial, principalmente nas provas de análise às cegas. 

Fica também a lição de que nem tudo está sob nosso controle e que se permitir errar é importante. Saí arrasado da prova final por conta de episódios que tiraram minha concentração, o que pode ter me tirado do pódio. Hoje, no entanto, consigo enxergar “o copo meio cheio”: fiz parte da segunda melhor equipe, tive a segunda maior nota técnica e sou o único sommelier das Américas a ter três finais de Campeonato Mundial.

Que mensagem pessoal e profissional você gostaria de deixar para os sommeliers brasileiros que acompanham sua trajetória e sonham em se tornar o próximo Rodrigo Sawamura e, quem sabe, levar o Brasil para o topo mundial?

Para atingir estes resultados, é preciso treino, não tem como fugir da exposição. Você precisa se expor às provas técnicas e às oportunidades de apresentação em público [para poder se sair bem nas provas de apresentação de serviço]. 

Essa rotina e frequência vão te entregar a segurança para o melhor resultado possível. Se dediquem a buscar conhecimento, se desenvolver tecnicamente e a praticar com uma certa frequência, porque a consistência faz toda a diferença. A margem para erro é mínima.

Dedicação, frequência, exposição e muito controle emocional são os grandes pilares que constroem um bom resultado em competições internacionais como essa.

Fux pede vista e julgamento do Sicobe é suspenso no STF

O ministro Luiz Fux fez um pedido de vista no sábado (18) durante a sessão de julgamento do Sicobe na Primeira Turma do STF. A sessão pode determinar ou não a volta do Sistema de Controle de Produção de Bebidas. Com isso, o julgamento fica suspenso por 90 dias.

O pedido veio logo após o voto de Alexandre de Moraes contra a retomada do sistema. Moraes seguiu o relator Cristiano Zanin, que já havia se manifestado no início da sessão virtual, que começou na sexta-feira (17) e iria até dia 24 de outubro. Ainda faltam votar o próprio Luiz Fux, o ministro Flávio Dino e a ministra Carmem Lúcia.

Com o placar em 2 a 0, basta apenas mais um voto contrário para formar maioria no entendimento que o Sicobe não deve ser retomado.

Entenda o julgamento do Sicobe no STF

Em específico, o que está em jogo no julgamento é se Receita Federal tinha competência para determinar a suspensão do Sicobe por meio de ato administrativo. A análise do caso é uma resposta a uma decisão do Tribunal de Contas da União (TCU). O órgão avaliou, em 2024, que a Receita não teria esta competência, e determinou o retorno do Sicobe para reforçar a fiscalização.

A Receita Federal recorreu, via Advocacia-Geral da União (AGU), com um mandado de segurança para suspender os efeitos da decisão do TCU. O pedido foi acatado e a decisão do TCU foi suspensa em caráter liminar pelo ministro do STF Cristiano Zanin, em abril deste ano.

Em sua decisão, Zanin argumentou que a Receita poderia, sim, suspender a operação do Sicobe. E que a volta do sistema poderia criar um benefício tributário sem previsão orçamentária, o que violaria a Lei de Responsabilidade Fiscal. Este impacto é estimado pela AGU em cerca de R$ 1,8 bilhão em renúncia fiscal via concessão de créditos de PIS/Cofins por unidade de bebida.

É possível acompanhar os votos da Primeira Turma relacionados ao Mandado de Segurança (MS) 40235, relativo ao Sicobe, por meio do site do STF. Para isso, basta entrar no Portal de Sessões de Julgamento Virtuais, clicar em “Ver Processos” da Primeira Turma e procurar por MS 40235.

Sicobe e a crise do metanol

A crise do metanol despertou críticas à fiscalização na produção de bebidas alcoólicas e, consequentemente, trouxe à tona o debate sobre a volta do Sicobe. No entanto, de acordo com a Receita Federal, o Sicobe não poderia identificar adulterações de bebidas alcoólicas.

Em nota publicada em seu site, a Receita afirma que o “controle de destilados, como vodka, gin, whisky etc. é usualmente feito pela utilização de selos, que não têm relação, nem se confunde com o Sicobe. O Sicobe controlava, preponderantemente, refrigerantes e cervejas”, diz a entidade.

Além disso, o Ministério da Fazenda também emitiu nota rechaçando a correlação entre os crimes de adulteração de bebidas e a extinção do Sicobe. Segundo a pasta, “os equipamentos e aparelhos instalados nos estabelecimentos envasadores de cervejas, refrigerantes e águas permitiam à Receita saber a quantidade de produtos fabricados pelos fabricantes”, não havendo, portanto “verificação alguma de qualidade dos produtos por meio do Sicobe, nem qualquer tipo de lacre na embalagem”.

A Fazenda reforça que a “finalidade era exclusivamente fiscalização tributária, não da qualidade do produto ou impedir adulteração posterior”.

Outro ponto nesta discussão é que as investigações indicam que as adulterações recentes nos destilados ocorreram em fábricas clandestinas, que não estariam sujeitas à fiscalização do Sicobe.

Os impactos de uma possível volta do Sicobe na indústria da cerveja seriam grandes, já que o sistema é caro. Estimativa da LA Consutores (R$ 1,2 bilhão) diz que o custo da reativação deve ser de três vezes o valor possivelmente arrecadado com a sonegação de impostos federais (R$ 453 milhões).

Lúpulo brasileiro: 7 curiosidades sobre a matéria-prima nacional

O lúpulo brasileiro não é mais uma promessa. É uma realidade. Na temporada 2022/2023, foram produzidos 88 mil quilos, segundo pesquisa anual da Associação Brasileira de Produtores de Lúpulo (Aprolúpulo). São 114 produtores e um total de 111,18 hectares cultivados. Mesmo assim, ainda é muito pouco perto da necessidade de um país que é o terceiro maior produtor de cerveja do mundo, com mais de 15 bilhões de litros por ano e tem cerca de 2 mil fábricas.

Atualmente, embora a indústria cervejeira ainda seja dependente da importação do produto, as plantações nacionais seguem se desenvolvendo para fornecer o lúpulo brasileiro, especialmente para as cervejarias artesanais. Um ótimo começo para uma onda que começou apenas em 2005 – o país já teve outras tentativas de cultivo nos séculos 19 e 20.

Por aqui, os produtores de lúpulo tiveram que adaptar a cultura da planta, natural de climas frios e cultivada tradicionalmente entre as latitudes 35° e 55° do globo terrestre. Sabe-se que essa trepadeira é muito dependente de tempo de luz solar e que o Brasil oferece menos que o necessáiro. Portanto, os produtores tiveram que aprender a suplementar as plantações com luz artificial, por exemplo.

Esses e outros ajustes curiosos que estão sendo realizados pelos pioneiros do lúpulo nacional foram tema de uma conversa entre a reportagem do Guia da Cerveja com Daniel Leal, vice-presidente da Aprolúpulo. O dirigente contou curiosidades que farão você apreciar e vaorizar ainda mais a matéria-prima nacional – que já começa a aparecer em algumas cervejas artesanais.

Suplementação com luz artificial

O lúpulo é uma planta originária do Hemisfério Norte, onde os dias são mais longos e, portanto, há maior quantidade de exposição à luz. No Brasil, para compensar os dias mais curtos, é necessária a suplementação luminosa. Isso porque o lúpulo precisa acumular muitas horas de sol para fotossíntese e energia, e o encurtamento do dia funciona como um gatilho para a planta parar de vegetar e começar a produzir as inflorescências (cones de lúpulo). 

Enganando a planta com LED

A suplementação luminosa não precisa ser feita com lâmpadas específicas como as usadas para plantações indoor. Descobriu-se que lâmpadas LED com potência específica podem “enganar” a planta, fazendo-a acreditar que o dia continua longo, atrasando o florescimento. Essas lâmpadas são mais baratas e consomem menos energia do que as lâmpadas fotossintetizantes.

Maior ciclo produtivo

Antes da suplementação luminosa, a produtividade do lúpulo no Brasil era menor, pois a planta não acumulava horas de luminosidade suficientes e não tinha o “gatilho” para florescer. Agora, a suplementação luminosa alonga o ciclo de produção, o que significa ter mais de uma safra por ano. Ela permite controlar o desenvolvimento da planta e atingir um nível de produtividade economicamente viável a cada safra.

Amor à cerveja leva guia a produção do lúpulo brasileiro

Muitos produtores são amantes da cerveja, mas enfrentam dificuldades nos processos agrícolas ou na comercialização. Produtores com experiência agrícola podem ter sucesso na produção, mas dificuldade na venda. O novo segmento e o mercado cervejeiro estão também se adaptando a essa nova realizadae e ao novo produto.

Produtor faz-tudo

No Brasil, as plantações de lúpulo, geralmente, são pequenas propriedades, de 1 mil a 2 mil metros quadrados, com viabilidade comercial a partir de meio hectare. Existem algumas produções maiores (4 a 7 hectares), mas são poucas. Por isso, o produtor de lúpulo no Brasil é altamente verticalizado, plantando, beneficiando, industrializando, criando marca e vendendo. Isso gera altos custos e limita novos investimentos.

Alto valor agregado por hectare

O lúpulo tem alto valor agregado em comparação com outras culturas, permitindo um retorno interessante em pequenas áreas. No entanto, a produtividade é variável devido a fatores de risco (suplementação luminosa, doenças, pragas) e a falta de domínio total do manejo.

Recomendado para a diversificação

O lúpulo é uma cultura interessante para diversificar a atividade econômica da propriedade, mas não é recomendado como investimento único devido aos riscos e variabilidade. Uma realidade que será mudada em breve, se depender da força de vontade dos produdores de lúpulo brasileiro.

Até quando as cervejarias serão reféns dos Conselhos Profissionais?

Nos últimos anos, o mercado cervejeiro brasileiro tem enfrentado desafios que vão além da produção, comercialização e inovação. Entre esses obstáculos, um em especial tem causado indignação e apreensão entre microcervejarias: a atuação dos conselhos profissionais, especialmente CREA e CRQ, que insistem em fiscalizar e autuar empresas com base em interpretações questionáveis da legislação.

A recente decisão da 7ª Vara Cível Federal de São Paulo, favorável à Abracerva, é emblemática. A Justiça reconheceu que a atuação de microcervejarias não configura atividade privativa da engenharia e, portanto, não justifica a obrigatoriedade de registro junto ao CREA nem a contratação de engenheiros como responsáveis técnicos. A sentença anulou multas, autos de infração e afastou a pretensão do conselho de vincular essas empresas a uma estrutura regulatória que simplesmente não se aplica à sua realidade produtiva.

A produção de cerveja, embora complexa, não deve ser tratada como uma atividade que exige, necessariamente, um engenheiro responsável. Especialmente quando a Lei 6.839/1980 estabelece que a exigência de registro em conselho depende da atividade-fim da empresa. Para o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), que de fato regula o setor de bebidas, o que se exige é a comprovação de responsabilidade técnica. Mas não há imposição de que esta responsabilidade recaia exclusivamente sobre engenheiros ou químicos. Tanto é que há biólogos, técnicos industriais e farmacêuticos como responsáveis técnicos de cervejarias.

Essa divergência interpretativa vem servindo de escudo para autuações indevidas e cobranças ilegítimas. É extremamente comum que conselhos profissionais exijam registro de pessoa jurídica e a cobrança de anuidade com base apenas na presença do CNAE de fabricação de cervejas nos registros da empresa, mesmo sem qualquer inspeção ou averiguação concreta das funções exercidas.

Solução para o caso dos Conselhos Profissionais

Felizmente, há sinais de avanço. Existe atualmente a expectativa de que o MAPA venha a dispensar a exigência da ART (anotação de responsabilidade técnica) exclusivamente para fins de comprovação da responsabilidade técnica. Seria adotado em seu lugar um modelo mais flexível e coerente com a realidade do setor. Ele seria baseado em declaração de responsabilidade técnica e/ou contrato com o profissional. Desde que este esteja regularmente inscrito como pessoa física em seu respectivo conselho.

Essa possível mudança traria alívio e racionalidade. Afinal, o objetivo da regulação é proteger a qualidade e a segurança do produto, e não criar barreiras desnecessárias ao empreendedorismo. Sobretudo em um setor onde a criatividade, a inovação e a independência são marcas registradas.

Essa medida certamente não resolverá todos os problemas das cervejarias com os conselhos profissionais. Mas permitirá que as novas empresas obtenham o registro de estabelecimento sem precisar recorrer aos conselhos para a emissão da ART do responsável técnico. É justamente nesse momento — da emissão da ART — que os conselhos impõem o registro da cervejaria como pessoa jurídica, um vínculo que não pode ser cancelado administrativamente e que gera cobranças de anuidades indefinidamente.

É chegada a hora de os conselhos deixarem de agir com fins exclusivamente arrecadatórios e, ao mesmo tempo, deixarem de manter o setor cervejeiro artesanal refém de cobranças e fiscalizações abusivas. O reconhecimento jurídico da ilegalidade dessas autuações é um passo relevante, mas não pode ser isolado. Precisa vir acompanhado de mudanças administrativas e de um posicionamento claro do poder público em favor da razoabilidade e da segurança jurídica.

Enquanto isso, as cervejarias devem se manter vigilantes, organizadas e, sempre que necessário, recorrer ao Judiciário para garantir seus direitos. E que esse brinde à liberdade empresarial não fique apenas no copo. Mas se transforme em um ambiente mais justo, seguro e desburocratizado para quem produz, inova e investe no mercado cervejeiro brasileiro.

André Lopes é advogado, sócio do escritório Lopes Verdi Advogados e criadores Advogado Cervejeiro.

Menu Degustação: Programa Fermenta 2025 abre votação popular

O Programa Fermenta, iniciativa da Ambev voltada ao fortalecimento do ecossistema cervejeiro, abriu a votação popular que definirá os vencedores da edição 2025. Nove projetos finalistas disputam apoio financeiro de até R$ 25 mil cada, com propostas que valorizam a história da cerveja, incentivam o consumo responsável e estimulam boas práticas no setor.

O público pode participar acessando o site do Prosas e registrando seu voto até o dia 20 de outubro. Cada pessoa pode votar apenas uma vez, utilizando seu e-mail. Os projetos mais votados serão selecionados para receber o prêmio e dar continuidade às suas iniciativas em prol da cultura cervejeira no Brasil.

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Abracerva encerra road show com congresso em São Paulo

A Abracerva realizou na sexta (17), na Academia da Cerveja, em São Paulo, uma edição especial do Congresso Cerveja Brasil. O evento marcou o encerramento do road show Conexão Cerveja Brasil 2025, que passou pelas cinco regiões do país levando capacitação e integração ao setor. A programação teve palestras sobre gestão, marketing e tendências, além de um workshop de off flavors conduzido por Mariana Maranho, da Globalfood, com degustação guiada para profissionais da área.

O congresso foi realizado logo após o julgamento final da 5ª Copa Cerveja Brasil, concurso oficial da Abracerva, cujos vencedores foram anunciados no dia 23 de outubro. A competição reuniu as cervejas medalhistas das etapas regionais e garantiu às campeãs nacionais vagas no World Beer Cup 2026, nos Estados Unidos. O Conexão Cerveja Brasil contou com patrocínio de Globalfood, Hop France, Sebrae e Lallemand, e apoio da Academia da Cerveja e da Abralatas.

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Os melhores do Great American Beer Festival 2025

O Great American Beer Festival 2025 premiou 273 cervejarias e cidrarias com 347 medalhas, reconhecendo os melhores rótulos dos Estados Unidos. Realizado em Denver e promovido pela Brewers Association, o concurso avaliou 8.315 inscrições de todos os 50 estados e Washington D.C., julgadas por 250 especialistas ao longo de sete dias. Esta foi a 39ª edição do evento, que também incluiu categorias especiais para sidras e uma nova categoria temporária chamada Vera Hop.

Entre os destaques, Fat Head’s Brewery (Ohio), UPP Liquids (Oregon) e Westbound & Down Brewing Co. (Colorado) foram as mais premiadas. As categorias mais concorridas foram Juicy/Hazy IPA, West Coast IPA e Festbier, reforçando a diversidade e o vigor da produção cervejeira americana. Segundo Chris Williams, diretor da competição, o festival continua a ser “o grande palco da inovação e da excelência” das cervejarias do país.

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Heineken lança festival sem line-up revelado

A Heineken promoveu o inédito “No Line-Up Festival” no dia 25 de outubro, na Barra Funda (SP), com mais de 15 atrações nacionais e internacionais que só foram reveladas durante o evento. Os ingressos gratuitos puderam ser resgatados no Hei App. Com curadoria de Lúcio Ribeiro e Felipe Hirsch, o festival buscou incentivar a descoberta musical e experiências autênticas, integrando a plataforma Green Your City. A ação reforçou a relação da marca com a música e seu compromisso com sustentabilidade e inovação.

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Stella Artois celebra volta do tênis à Costa do Sauípe

Após 13 anos, o tênis voltou à Costa do Sauípe com o torneio ATP Challenger 125 entre 19 e 26 de outubro, e Stella Artois marcou o retorno com um cálice especial feito com areia das praias locais, em homenagem ao bicampeonato de Guga Kuerten na região. O projeto foi criado com a artista Elvira Schuartz e simboliza a ligação da marca com o tênis, esporte que a Stella também patrocina em torneios como Wimbledon e Roland Garros. No Brasil, o destaque foi a Stella Artois Pure Gold, versão sem glúten e com menos calorias, presente nas ativações do evento.

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Oktoberfest de Igrejinha começa com shows e tradição

A 36ª Oktoberfest de Igrejinha começou nesta sexta (17) e foi até 26 de outubro, com expectativa de reunir 200 mil visitantes no Parque de Eventos Almiro Grings. O evento, considerado a maior festa comunitária do país, teve mais de 70 atrações, entre elas Lauana Prado, Zé Neto & Cristiano, Israel & Rodolffo, Nenhum de Nós e Menos é Mais. Todo o lucro foi revertido para entidades da região. A festa trouxe novidades como chopeiras automatizadas, novo espaço de convivência e áreas inclusivas.

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Oktoberfest Summit estreia com sucesso

A primeira edição do Oktoberfest Summit reuniu cerca de 500 participantes em Blumenau, entre 13 e 15 de outubro, superando as expectativas da organização. O evento trouxe painéis e palestras sobre gestão, turismo, marketing e operação da maior festa alemã das Américas, além de visitas técnicas ao Parque Vila Germânica. Com apoio da Exame, o Summit já tem nova edição confirmada para 2026, prometendo ampliar o debate sobre o legado da Oktoberfest.

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Ambev promove consumo responsável na Oktoberfest de Blumenau

Durante a Oktoberfest de Blumenau 2025, a Ambev reforçou sua campanha de consumo responsável com a ação “Open Água”, que ofereceu água ultrafiltrada gratuita em parceria com a Veolia nos pavilhões Blumenau e Munique e nos bares do Camarote Spaten. Em sua terceira edição, a iniciativa incentivou o público a intercalar o consumo de cerveja com água, promovendo moderação e reduzindo o uso de garrafas plásticas e copos descartáveis no Parque Vila Germânica. A ação fez parte da agenda “Brinde à Moderação”, que também incluiu o Dia de Responsa e atividades na Academia da Cerveja com foco em conscientização e consumo equilibrado.

O Guia da Cerveja elaborou um material especial sobre como organizar eventos de cerveja com representantes do Summit. Você pode ler aqui.

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Dádiva leva projeto feminino à Feira do Sebrae

A Cervejaria Dádiva participou da Feira do Sebrae, de 15 a 18 de outubro, no estande “São Paulo de Destinos e Sabores”, representando o projeto “Criado por Elas, Liderado por Elas” ao lado da Japas Cervejaria. A iniciativa, lançada em março, reúne 28 cervejarias fundadas e lideradas por mulheres para ampliar visibilidade e oportunidades de negócios. A fundadora da Dádiva, Luiza Tolosa, também ministrou palestra no sábado (18), às 18h20, sobre empreendedorismo feminino e inovação.

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Krug Bier lança sua Oktoberfest sazonal

A Krug Bier lançou sua cerveja sazonal Oktoberfest, uma festbier com 5,5% de teor alcoólico e 25 IBU, equilibrando o amargor dos lúpulos nobres alemães com o dulçor dos maltes caramelo. A novidade chegou em outubro, mês em que a cervejaria celebrou 28 anos. Pioneira entre as artesanais de Minas Gerais, a Krug mantém viva a tradição germânica com toque mineiro e segue expandindo o portfólio, que inclui sucessos como a German Pils e a Krug Light.

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Hilton Morumbi realiza Beer Fest com chopp em dobro

Durante todo o mês de outubro, o Hilton São Paulo Morumbi realizou o “Hilton Beer Fest”, com chopp Brahma e Stella Artois em dobro no Canvas Bar, de segunda a domingo, das 17h às 19h. O evento celebrou o mês da cerveja com happy hour animado, petiscos harmonizados e DJs de quinta a sábado. O bar ainda contou com o maior telão fixo de hotel em São Paulo para transmissões esportivas.

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Rock e chope na Monka Rocktoberfest

A Monka Cervejaria realizou de 17 a 19 de outubro, em Belo Horizonte, o Monka Rocktoberfest — evento que misturou tradição alemã, rock e cerveja artesanal. A programação incluiu shows de bandas como Cash, Velotrol e Made in 80, almoço típico, torneios de Masskrugstemmen e chope em metro, além de open bar nos dois primeiros dias. O festival ocorreu em espaço coberto, no bairro Olhos D’Água, com ingressos disponíveis pelo Sympla (https://www.sympla.com.br/evento/monka-rocktoberfest/3106895).

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Sicobe vira tema de julgamento no STF; custo de religamento seria o triplo da sonegação

O Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe) vai voltar ao debate do Supremo Tribunal Federal (STF) a partir desta sexta-feira (17). A Primeira Turma deverá analisar de forma online, até 24 de outubro, se o sistema deve voltar a operar após ser extinto em 2016. No entanto, o custo de religamento do sistema seria o triplo do potencial de arrecadação com impostos federais sonegados no setor cervejeiro, segundo estudo da LCA Consultores publicado na Folha de São Paulo na quinta-feira (16). E os impactos seriam ainda maiores se considerados os demais fatores, como os desafios tecnológicos.

Para o Sindicerv (Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja), existem alternativas mais modernas e eficazes que poderiam fortalecer a fiscalização e o controle tributário sem a necessidade de reinstalar um sistema físico nas linhas de produção. 

Em relação à adulteração das bebidas, as medidas mais efetivas seriam controlar rigorosamente a comercialização e uso do metanol, aumentar as penalidades para os crimes de falsificação, intensificar a fiscalização em pontos de venda e a eliminação de garrafas que poderiam ser usadas de forma ilegal. 

“Políticas de reciclagem e logística reversa, aliadas ao uso de tecnologias, também podem contribuir para ampliar a rastreabilidade e a transparência da cadeia produtiva”, diz Márcio Maciel, presidente-executivo do Sindicerv.

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A análise do caso ocorre em meio à crise do metanol, em que pessoas foram intoxicadas e levadas à morte devido à presença da substância em bebidas destiladas. Até quarta-feira (15), o balanço do Ministério da Saúde apontava 41 casos comprovados de intoxicação por metanol, e oito mortes confirmadas. Outros 107 casos seguiam em investigação. O estado de São Paulo concentrava 60,8% das notificações.

Impacto na indústria da cerveja

De acordo com o estudo da LCA Consultores encomendado pelo Sindicerv, somente no setor cervejeiro, o custo para religar o Sicobe seria de R$ 1,2 bilhão. E o potencial de arrecadação de tributos federais sonegados seria de apenas R$ 453 milhões.

De acordo com Maciel, o Sindicerv defende o controle efetivo da produção de bebidas, mas não vê benefícios na volta do sistema antigo. “A experiência com o Sicobe mostrou alto custo, baixa aderência tecnológica e pouca efetividade para o problema central, que é a adulteração e sonegação fora de fábrica”, disse.

Para ele, a retomada do sistema traria desafios técnicos, operacionais e econômicos. “A adaptação das linhas de produção exigiria ajustes físicos e tecnológicos complexos, especialmente em plantas com grande variedade de embalagens e processos automatizados”, avalia.

O custo exato varia de acordo com o porte e a complexidade da linha de produção de cada fábrica. Segundo Maciel, em 2016 o impacto total foi de R$ 2 bilhões no setor. Mas na época eram apenas 496 cervejarias no país. Atualmente são mais de 1,9 mil.

“A gente já paga muitos impostos, e a volta do Sicobe traria custos extras, que não conseguimos arcar”

Gilberto Tarantino, presidente da Abracerva (Associação Brasileira da Cerveja Artesanal)

Segundo Gilberto Tarantino, presidente da Abracerva (Associação Brasileira da Cerveja Artesanal), o setor é favorável ao controle tributário e está aberto para discutir com as autoridades sugestões alternativas. No entanto, a associação é contra a volta do Sicobe, devido ao impacto dos custos extras à produção. “A gente já paga muitos impostos, e a volta do Sicobe traria custos extras, que não conseguimos arcar”, diz.

“Ouvimos relatos, na época, de custos em torno de R$ 0,03 a R$ 0,05 por unidade, mas hoje, reajustando os valores, estimamos um custo de R$ 0,10 por unidade”, afirma.

Segundo Tarantino, a crise do metanol também impactou o setor cervejeiro, porque as pessoas estão saindo menos de casa. “A crise do metanol atingiu diretamente os bares, restaurantes, e alguns pontos de venda, como supermercados, mercadinhos e adegas. O mercado todo sofre. O pessoal fala que está havendo uma troca do destilado pela cerveja. Mas as pessoas estão saindo menos de casa. Então, ninguém ganha em uma situação como essa”, afirma.

O que está em debate no STF

A Primeira Turma do STF deve avaliar, agora, se a Receita Federal tinha competência para determinar a suspensão do Sicobe por meio de ato administrativo. A análise do caso é uma resposta a uma decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) que, em 2024, avaliou que a Receita não teria esta competência, e determinou o retorno do Sicobe para reforçar a fiscalização. 

A Receita Federal recorreu, via Advocacia-Geral da União (AGU), com um mandado de segurança para suspender os efeitos da decisão do TCU. O pedido foi acatado e a decisão do TCU foi suspensa em caráter liminar pelo ministro do STF Cristiano Zanin, em abril deste ano.  

Em sua decisão, Zanin argumentou que a Receita poderia, sim, suspender a operação do Sicobe, e que a volta do sistema poderia criar um benefício tributário sem previsão orçamentária, o que violaria a Lei de Responsabilidade Fiscal. Este impacto é estimado pela AGU em cerca de R$ 1,8 bilhão em renúncia fiscal via concessão de créditos de PIS/Cofins por unidade de bebida.

Agora, a Primeira Turma do STF – composta por outros quatro ministros, além de Zanin, que a preside – decide se o TCU tem autoridade para restabelecer o sistema sem aval do Executivo.

É possível acompanhar os votos da Primeira Turma relacionados ao Mandado de Segurança (MS) 40235, relativo ao Sicobe, por meio do site do STF. Para isso, basta entrar no Portal de Sessões de Julgamento Virtuais, clicar em “Ver Processos” da Primeira Turma e procurar por MS 40235.

O que é o Sicobe

Leitor do selo Sicobe, sistema extinto em 2016(Imagem: Reprodução/YouTube/Sicpa Brasil)

O Sicobe era usado nas indústrias para quantificar a produção de cervejas, refrigerantes e águas envasadas, e previa a concessão de créditos de PIS/Cofins por unidade de bebida. O mecanismo era instalado pela Casa da Moeda, sob supervisão da Receita Federal. 

Segundo a Agência Brasil, o Sicobe foi desativado sob o argumento de que a Casa da Moeda estaria desenvolvendo um projeto para substituir o sistema, por um custo menor. A agência cita ainda que, de acordo com a Receita, foi feita uma avaliação em 2015 sobre a eficácia do sistema. Naquela época, o Ministério da Fazenda instaurou uma comissão especial que concluiu que o Sicobe era inadequado, recomendando a descontinuidade. 

Sicobe e a crise do metanol 

A crise do metanol despertou críticas à fiscalização na produção de bebidas alcoólicas e, consequentemente, trouxe à tona o debate sobre a volta do Sicobe. No entanto, de acordo com a Receita Federal, o Sicobe não poderia identificar adulterações de bebidas alcoólicas. Em nota publicada em seu site, a Receita afirma que o “controle de destilados, como vodka, gin, whisky etc. é usualmente feito pela utilização de selos, que não têm relação, nem se confunde com o Sicobe. O Sicobe controlava, preponderantemente, refrigerantes e cervejas”, diz a entidade.

Além disso, o Ministério da Fazenda também emitiu nota rechaçando a correlação entre os crimes de adulteração de bebidas e a extinção do Sicobe. Segundo a pasta, “os equipamentos e aparelhos instalados nos estabelecimentos envasadores de cervejas, refrigerantes e águas permitiam à Receita saber a quantidade de produtos fabricados pelos fabricantes”, não havendo, portanto “verificação alguma de qualidade dos produtos por meio do Sicobe, nem qualquer tipo de lacre na embalagem”. 

A Fazenda reforça que a “finalidade era exclusivamente fiscalização tributária, não da qualidade do produto ou impedir adulteração posterior”.

Outro ponto nesta discussão é que as investigações indicam que as adulterações recentes nos destilados ocorreram em fábricas clandestinas, que não estariam sujeitas à fiscalização do Sicobe.

Os problemas do Sicobe

Selo Sicobe impresso em lata de cerveja; sistema foi extinto em 2016 (Imagem: Reprodução/YouTube/Sicpa Brasil)

Segundo o advogado tributarista Marcos Moraes, operações da Receita Federal ligadas à Casa da Moeda apontavam suspeitas de fraudes no Sicobe. Além disso, na época, havia questionamentos sobre os custos com aquisição e manutenção dos equipamentos, além de debates sobre a eficiência e os limites do sistema, já que ele não inspecionava a qualidade do produto, mas sim volumes de produção. 

Outro ponto é o impacto operacional nas indústrias, o que era um entrave, com exigências técnicas difíceis de serem contornadas no dia a dia de produção.

Moraes explica que o sistema funcionava como se fosse uma grande caixa com um túnel, que ficava acoplada à linha de produção. Por ali passavam as latas ou garrafas que eram identificadas por meio de uma impressão no formato de pequenos pontos – como se fosse um QR code retangular. 

Este mecanismo tinha que ficar conectado à internet 24 horas por dia, 7 dias por semana, segundo Moraes, mesmo que a linha de produção estivesse inoperante – o que gerava custos de manutenção.

E, caso o sistema parasse de funcionar devido à queda de energia ou de internet, a Receita Federal era notificada e o produtor teria que justificar o motivo desta desativação. “Era como manter um fiscal dentro da fábrica, tendo que alimentar o sistema com informações para justificar qualquer pausa na operação”, afirma Moraes. Neste vídeo de 2016, é possível conhecer como funcionava o mecanismo do Sicobe.

Segundo o Sindicerv, o Sicobe operava como um arranjo de hardwares e tinta invisível, com câmeras/sensores e contadores em pontos da produção, operado por empresa contratada pelo governo. 

“O objetivo era identificar precisamente volumes produzidos e confrontar com a escrituração fiscal. Na prática, exigia intervenção física, paradas e manutenção; não era um “dosador eletrônico” que cobrava imposto automaticamente: o tributo sempre decorre da escrituração fiscal e das notas eletrônicas. Também não analisava a composição das bebidas; então, não era um sistema desenhado para evitar falsificações ou adulterações. Era obrigatório para bebidas frias e voluntário para bebidas destiladas”, afirma Maciel.

Agora, explica Maciel, o setor opera com autodeclaração auditável e rastros digitais oficiais – como Nota Fiscal Eletrônica (NF-e), Escrituração Fiscal Digital (EFD) ICMS/IPI, SPED, Bloco K (antigo Livro de Registro), controles de estoque/insumos, frete e saída, que são ferramentas interligadas que formam um ecossistema de rastreabilidade digital e controle fiscal em tempo real.

“Essas bases são cruzadas pelas administrações tributárias, permitindo malhas de inconsistência, auditorias dirigidas e fiscalização em campo. Para qualidade e segurança, seguimos normas sanitárias e programas internos robustos, auditados por órgãos competentes. Com essas ferramentas, a arrecadação aumentou”, diz.

Como fazer bons eventos de cerveja? Confira as dicas de especialistas

O mercado mudou. Hoje cervejarias não são mais apenas fábricas. Para melhorar o faturamento, elas são cada vez mais sendo também pontos de venda, e-commerce e produtoras de eventos. E os eventos de cerveja são ótimas oportunidades de apresentar os produtos e fidelizar consumidores por meio de um ambiente que promove a interação social e o prazer da degustação da bebida. Ou seja, uma verdadeira experiência. Por isso, eles se consolidam como ferramentas cruciais para o desenvolvimento do mercado, a educação do consumidor e a construção de comunidades, segundo especialistas.

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Importância

“A principal dica é entender que um evento cervejeiro vai muito além da bebida: ele precisa oferecer uma experiência completa. Isso inclui pensar no ambiente, na gastronomia, na música, nas ativações e até na identidade visual”, afirma Guilherme Guenther, diretor-geral do Parque Vila Germânica, onde é feita a Oktoberfest Blumenau (SC), que completa 40 anos em 2025.

Gulherme é um dos 30 especialistas que estiveram presentes na primeira edição do Oktoberfest Summit, encontro sobre a arte de organizar grandes eventos e novo braço da maior Oktoberfest da América Latina. Ele ocorreu de 13 a 15 de outubro e além de muito conhecimento, a iniciativa revelou parte dos segredos do megaevento. 

E, para que tudo ocorra no planejado, é preciso montar uma logística bem planejada, segundo Guenther. Desde a seleção dos fornecedores até a estrutura de atendimento ao público. “Também destacamos a importância de parcerias estratégicas — tanto com marcas de cerveja quanto com setores complementares, como gastronomia, turismo e cultura, fortalecendo o evento e amplia o alcance”, diz.

O mesmo vale para eventos de cerveja artesanal. Segundo Rafa Moschetta, que organiza desde 2012 o IPA Day Brasil e desde 2019 o IPA Day São Paulo, é preciso pensar no evento cervejeiro como uma ferramenta de transformação do mercado, criação de demanda e educação do consumidor.

Hoje as cervejarias não são somente fábricas e sim pontos de venda e até produtoras de eventos (Marcos Weiske / IPA Day São Paulo)
Hoje as cervejarias não são somente fábricas e sim pontos de venda e até produtoras de eventos (Marcos Weiske / IPA Day São Paulo)

“É uma ferramenta que consegue usar o entretenimento para apresentar, no caso do Festival IPA Day, por exemplo, os estilos e subestilos, formar consumidores de IPAs e educá-los sobre o valor do produto. Construímos uma comunidade. E continuamos trabalhando para também apresentar cerveja artesanal para um consumidor que não tem o hábito de consumir cerveja artesanal para fomentar a cultura do artesanal como um produto do dia a dia e não de indulgência”, afirma.

5 dicas para um bons eventos de cerveja

Foco na experiência completa

Segundo Guilherme Guenther, bons eventos de cerveja devem proporcionar uma experiência completa. O que inclui pensar no ambiente, na gastronomia, na música, nas ativações e na identidade visual.

Para Moschetta, o evento é uma oportunidade para a marca contar uma história por meio da música, da gastronomia, da estética e do conceito do projeto, amplificando seu ponto de contato com o consumidor. “Um evento bem elaborado é um instrumento potente de branding e construção de comunidade”, diz.

Trabalhe com profissionais qualificados

Rafa Moschetta destaca a importância de fechar parcerias e contratar profissionais qualificados para que o amadorismo não estrague toda a experiência dos eventos de cerveja. Ele afirma que se a organização do evento em si não é uma expertise da cervejaria que deseja promovê-lo, o ideal é contratar profissionais qualificados para organizar a estrutura e dar apoio. “Contratar agências ou especialistas torna a entrega muito mais confortável. E de nível mais alto, visto que o desafio de tocar uma cervejaria já é grande”, diz.

Para a operação de chope deste ano, a Oktoberfest de Blumenau conta com o serviço da Netbar Operações de Bar e Eventos, dos sócios Rafael Almeida e Jonathan Benkendorff. De acordo com Jonathan, a operação é complexa, envolvendo quase 1 mil pessoas para garantir que a cerveja seja servida gelada para todos. “Diferentemente de festivais com bebidas em lata ou garrafa, o chope exige uma operação robusta e mecanizada, com equipamentos especializados, como torneiras, bandejas coletoras, barris, cilindos de dióxido de carbono, etc.”, explica em entrevista ao Guia da Cerveja durante a Oktoberfest. A Netbar é responsável por 90% da entrega de chope do festival.

Planeje a logística rigorosamente

O planejamento da logística do evento deve incluir desde a seleção dos fornecedores até a estrutura de atendimento ao público. Guenther afirma que é preciso pensar em todos os passos para que detalhes não virem transtorno. Além disso, é importante firmar parcerias estratégicas com marcas de cerveja e setores complementares, como gastronomia, turismo e cultura, fortalecendo o evento. Para Moschetta, a organização exige detalhes como tempos e movimentos do fluxo com fornecedores, como entregas e estoques, além da experiência da venda e pós-venda, ressaltando a complexidade da organização em si.

Jonathan Benkendorff conta que em termos de operações e logísticas, a Oktoberfest de Blumenau é muito complexa. A Netbar opera 14 bares de chope e atende mais de 22 estabelecimentos, incluindo outras cervejarias, restaurantes, camarotes e eventos promocionais.

Para abastecer muitos dos bares, a empresa opera com tanques estacionários com capacidade de três a oito mil litros (um total de 52 mil litros de capacidade), o que facilita a logística por evitar trocas de barris de chope durante o evento. Esses tanques são abastecidos por caminhões-tanque que vem diretamente da fábrica da Ambev de Lages (RS) semanalmente, durante a noite, no contraturno do evento.

Barris também são utilizados em bares sem tanques fixos e para cervejas artesanais. Segundo Jonathan, o maior desafio é prever a presença e o consumo do público. “Diferente de uma lata de cerveja ou de uma garrafa, a gente não a gente precisa ter uma previsibilidade. Eu não consigo sair daqui ir no mercado e comprar mais cerveja. Então a gente tem essa expectativa de público, expectativa de consumo, imaginar o que vai acontecer dentro do evento”, explica.

Fique de olho na hospitalidade e segurança

Organizar um evento é uma grande responsabilidade, afirma Moschetta, porque “você está convidando o consumidor para dentro da sua casa”, diz. “A maneira como se organiza a casa, principalmente na questão da hospitalidade, constrói a percepção da marca, que pode ser boa ou ruim”, destaca. Por isso, evitar imprevistos é uma saída para a experiência ser positiva.

Guilherme Guenther reforça que o evento cervejeiro precisa garantir que o público se sinta “bem acolhido e em um ambiente confiável”. Para ele, investir em hospitalidade e atendimento de qualidade faz toda a diferença para as pessoas quererem voltar.

Use eventos de cerveja para construir marca e comunidade

O evento é uma ferramenta poderosa de relacionamento e desenvolvimento de mercado. Para Rafa Moschetta, eles auxiliam a marca a construir conceito e branding através de pilares e experiências. “Um evento é a maneira mais fácil e natural de se conectar com o consumidor, construir comunidade e fazer com que as pessoas se identifiquem genuinamente com a marca”, diz.

Guilherme Guenther afirma que investir na experiência pode ser um motor de desenvolvimento econômico e turístico. E fortalecer o setor cervejeiro como um todo, além de preservar a autenticidade e a essência da cervejaria.

O risco de fugir do controle

As principais lições da vida nem sempre vem de acertos, mas também de erros. Rafa Moschetta, que foi gerente de marketing da cervejaria Colorado, relembra a experiência de organizar um evento cervejeiro que atraiu um público maior do que o esperado.

“Fizemos um Saint Patrick’s Day que saiu do nosso controle. Em 2012 ou 2013, o Saint Patrick’s ainda não tinha o apelo atual e recebemos um público muito maior que o previsto. Era um evento gratuito e a gente não estava preparado para atender aquele público, deu muita fila e a experiência foi ruim”, conta.

Nesse caso, explica Rafa, ele exercia simultaneamente o papel de organizador do evento e gerente de marketing de uma cervejaria que era patrocina master do evento. “Como head de marketing entendi que, de alguma maneira, o evento poderia refletir negativamente na cervejaria. Então, a partir daquele momento, tive uma preocupação muito maior sempre que ofereço uma cota de patrocínio. É preciso que a experiência seja a melhor porque do mesmo jeito que a marca empresta sua credibilidade para o evento, o evento reforça e valoriza atributos ou prejudica a marca se a experiência for ruim”, explica.

“Quando você organiza o seu próprio evento, vai ser surpreendido com a quantidade, a complexidade. São detalhes de tempos e movimentos, de fornecedores, de controle de fluxo, a experiência da venda, da troca dos ingressos, ou um saque pós-venda, o atendimento pós-venda do ingresso. Então, se o pré e o pós já exigem esforços, a organização do evento em si pode ser ainda mais trabalhosa”, afirma.

Inflação da cerveja de setembro cai e produção industrial tem recuperação

Dois dos principais índices de mercado relacionados à cerveja tiveram melhoras, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Porém as boas notícias são apenas parciais. A inflação da cerveja fechou em 0,64% em setembro, contra 1% no mês de agosto — maior índice registrado nos últimos 22 meses. No entanto, ela permanece acima do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que fechou o mês em 0,48%. Já a produção industrial de Bebidas Alcoólicas de agosto ficou em -11,8% frente ao mesmo mês do ano anterior, uma melhora em relação à julho (-15,4%).

Segundo analistas do Bradesco BBI em relatório liberado no fim de setembro, publicado no InfoMoney, o setor cervejeiro conseguiu sustentar o aumento de preços realizados no primeiro trimestre pela Ambev e em julho pela Heineken — o que deu origem a índices maiores que a inflação da cerveja medida pelo IPCA. No entanto, do lado do consumo, a leitura dos especialistas é mais pessimista, indicando uma demanda mais fraca e, logo, uma produção industrial de bebidas em queda em relação ao ano passado.

Os analistas afirmam que aparentemente o setor cervejeiro parece estar tendo uma troca direta entre preços mais altos e volumes menores consumidos. E isso levanta dúvidas sobre a capacidade dele manter o atual equilíbrio nos próximos meses.

Inflação da cerveja

A inflação da cerveja de 0,64% em setembro representa uma desaceleração em relação ao aumento de agosto, que foi de 1%, índice bastante alto, sendo o maior em quase dois anos. No acumulado do ano, de janeiro a setembro, a inflação da cerveja chega a 3,66%. Nos últimos 12 meses, o indicador está em 4,89%. 

IPCASetembro (%)Janeiro a setembro (%)Set/2024 a Set/2025 (%)
Índice geral0,483,645,17
Alimentação e bebidas-0,262,676,61
Alimentação no domicílio-0,411,665,99
Cerveja0,643,664,89
Outras bebidas alcoólicas-2,04-1,07-1,61
Alimentação fora do domicílio0,115,368,24
Cerveja0,442,654,64
Outras bebidas alcoólicas-0,035,356,18
Fonte: IBGE

Os números altos estão na contramão do próprio grupo que a bebida está inserida. Alimentação e Bebidas teve leve aceleração, mas continua deflacionário em -0,26%. O Índice vinha registrando quedas sucessivas desde abril, mas fechou o mês de agosto com baixa de -0,46%.

Os dados do IBGE apontam que a cerveja subiu menos fora de casa. No subgrupo Alimentação fora do domicílio, o índice geral ficou em 0,11%, enquanto os preços da cerveja subiram 0,44%, terceira alta consecutiva.

set/24out/24nov/24dez/24jan/25fev/25mar/25abr/25mai/25jun/25jul/25ago/25set/25
IPCA0,440,560,390,520,161,310,560,430,260,240,26-0,110,48
Alimentação e bebidas0,51,061,551,180,960,71,170,820,17-0,18-0,27-0,46-0,26
Alimentação no domicílio0,561,221,811,171,070,791,310,830,02-0,43-0,69-0,83-0,41
Cerveja0,370,980,85-0,640,49-0,290,370,480,110,360,4510,64
Alimentação fora do domicílio0,340,650,881,190,670,470,770,80,580,460,870,50,11
Cerveja0,110,890,790,24-0,091,070,170,610,11-0,170,060,420,44
Fonte: IBGE

Inflação da cerveja por cidade

Nas capitais, a inflação da cerveja ficou maior no Rio de Janeiro, com alta de 2,87%, seguida por São Luís (1,76%), Salvador (1,22%), Campo Grande (1,11%) e Belém (1,08%). Belo Horizonte e Recife tiveram baixas de -0,68% e -0,65%, respectivamente.

No subitem Alimentação fora de casa, a inflação da cerveja foi maior em Curitiba (1,68%), Porto Alegre (1,33%), São Paulo (0,94%), Rio branco (0,86%) e Brasília (0,84%).

As maiores baixas ficaram em Belo Horizonte (-1,56%), Campo Grande (-1,28%), Goiânia (-0,64%), e Rio de Janeiro (-0,21%).

Produção industrial de bebidas

A produção industrial de Bebidas Alcoólicas de agosto, mês mais recente a ser pesquisado pela PIM-PF (Pesquisa Industrial Mensal — Produção Física) do IBGE, apontou uma queda menor se comparada ao registrado em julho, mas ainda assim o percentual permanece elevado. 

O índice caiu -11,8% em relação a agosto de 2024 na série que já considera ajustes sazonais. Em julho, a queda havia sido de -15,4% sobre o mesmo mês do ano anterior. Em 2025, a queda acumulada de janeiro a agosto foi de 4,6%. Já nos últimos 12 meses, o recuo foi de 4,3%.

Na comparação com as bebidas não-alcoólicas, houve avanço de 3,1% na produção industrial de agosto em relação ao mesmo mês do ano anterior. O acumulado do ano ficou com queda de 0,9%, e nos últimos 12 meses, o recuo foi de 2,1%.

Se comparado ao mesmo mês do ano anterior, o setor industrial brasileiro teve redução de 0,7% em agosto de 2025. Houve quedas em 9 dos 18 locais pesquisados, com recuos mais acentuados no Mato Grosso (-12,8%), Maranhão (-11,4%) e Amazonas (-9,3%). O setor de bebidas, em geral, acumulou queda de 4,9% no mesmo período.

No entanto, se comparados a julho de 2025, os números de agosto representam um crescimento na produção industrial nacional de 0,8%, também na série com ajuste sazonal. Assim, 9 dos 15 locais pesquisados pelo IBGE acompanharam esse movimento positivo. As altas foram no Pará (5,4%), Bahia (4,9%) e Paraná (4,2%) tiveram os maiores avanços e Amazonas (-7,4%), Pernambuco (-3,5%) e Rio de Janeiro (-1,9%) as maiores quedas.