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Belo Horizonte é a capital nacional dos bares, confirma levantamento

Belo Horizonte é a capital nacional dos bares. Esse título, celebrado informalmente por seus moradores há anos, foi confirmado recentemente pelo cruzamento de dados do Censo de 2022, divulgado pelo IBGE, com o número de estabelecimentos ativos na Receita Federal. De acordo com o levantamento realizado pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Belo Horizonte possui incríveis 178 bares para cada 100 mil habitantes.

Com uma população de 2.315.560 habitantes, de acordo com a última edição do Censo, a cidade conta com um total de 4.136 bares. Essa cifra inclui estabelecimentos registrados nos códigos de bares com entretenimento e bares sem entretenimento na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) da Receita Federal.

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“Não é surpresa, há muito sabemos informalmente que Belo Horizonte é a capital dos bares e botequins. Qualquer pessoa que já tenha visitado a cidade por alguns dias pode atestar isso. Mas agora não há espaço nem mesmo para contestação”, diz o presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci.

No entanto, apesar de ser a capital com maior densidade de bares por habitante, Belo Horizonte não é a cidade com o maior número absoluto desses estabelecimentos no Brasil. Esse título fica com São Paulo, que possui 9.043 bares, que está à frente do Rio de Janeiro, com 6.175.

Contudo, ambas as cidades estão bem atrás de Belo Horizonte quando se trata da proporção de bares por habitante. A capital fluminense ocupa a oitava posição com 99 bares para cada 100 mil pessoas, enquanto São Paulo fica em 14º lugar, com 78 bares para cada 100 mil habitantes.

Para Solmucci, porém, Belo Horizonte pode ter ainda mais bares do que o número oficial, pois muitos deles estariam registrados no CNAE destinado a restaurantes. “Como o estudo leva em conta a atividade principal, creio que o número de estabelecimentos é ainda maior. Porque muitos que têm CNAE de restaurante na cidade servem refeições no almoço e, à noite, funcionam como bar da happy hour em diante”, afirma.

Outro dado interessante revelado pelo levantamento é que Belo Horizonte lidera a lista de estabelecimentos por área, com 12,5 bares por km². São Paulo ocupa a segunda posição, com 5,9 bares por km², e o Rio de Janeiro a terceira, com 5,1 bares por km².

Quanto a outras capitais brasileiras, Florianópolis é a que mais se aproxima de Belo Horizonte em termos de bares por habitante, com 150 bares para cada 100 mil habitantes, destacando-se como líder na região Sul do Brasil. E Vitória é a terceira colocada no ranking nacional, com 149 bares por 100 mil pessoas.

Nas demais regiões do Brasil, as capitais com maior densidade de bares são Palmas (130 bares por 100 mil habitantes), no Norte, Salvador (104 bares por 100 mil habitantes), no Nordeste, e Goiânia (101 bares por 100 mil habitantes), no Centro-Oeste.

Confira a tabela da Abrasel com as principais capitais em termos de densidade de bares:

Cerveja com ciência: Existe algo de novo no reino da Dinamarca?

Cerveja com ciência: Existe algo de novo no reino da Dinamarca?

Fatores como clima, preferências do consumidor, festividades culturais, concorrência, promoções, flutuações econômicas e mudanças regulatórias fazem a previsão da demanda por cervejas um desafio complexo pela alta incerteza e dificuldades de coordenar as informações ao longo da cadeia produtiva. Isso se torna ainda mais difícil em situações de grandes rupturas, como a pandemia de Covid-19, que levou ao fechamento de bares e restaurantes, restrições de mobilidade, mudanças no comportamento do consumidor, impacto econômico e a necessidade de mover as vendas para o mercado online, entre outros desafios. Diante disso, quais cervejarias conseguiram sobreviver a essa turbulência e como elas fizeram isso?

Embora a indústria cervejeira seja globalizada, uma das maneiras é buscar a imersão regional para enfrentamento, especialmente em relação aos concorrentes1. Boa parte dos consumidores prefere cervejas de grandes fabricantes nacionais e internacionais, contudo há uma fatia de mercado significativa que apoia cada vez mais as marcas locais. Por exemplo, a European Beer Consumer Union (EBCU) pesquisou 1.667 pessoas e descobriu que 975 delas apoiaram mais as cervejarias locais durante a pandemia e 1.176 delas consideravam fazer o mesmo no futuro2.

Outros levantamentos apontam que as microcervejarias têm muitos efeitos positivos nas economias locais3, 4, 5, o que é motivo para examinarmos mais de perto como a indústria mudou ao longo do tempo e que papel a imersão regional tem desempenhado nesse sentido.

Um exemplo é uma pesquisa recente realizada na indústria dinamarquesa de microcervejarias6, que serviu como fonte principal para explorarmos neste artigo. Os autores revelam sinais de que a tendência de imersão regional tem se fortalecido e afirmam que o amor dos proprietários pela indústria (e seus produtos) vai além do sentido econômico por trás de suas decisões. Isso indica que há algo de novo no reino da Dinamarca que valha para o mundo afora?

Como se trata de um mercado global, existem certamente diferenças entre países. Por exemplo, as cervejarias mais resilientes nos Estados Unidos no período de 1998 a 2002 foram aquelas com mais experiência7. Outro fator crítico de sucesso das cervejarias é o tamanho da área de atuação, sendo que microcervejarias geralmente têm se complicado ao abraçar um mercado muito grande8. Em vez disso, os microcervejeiros que se concentram em uma área específica se saem melhor, haja visto os resultados semelhantes no mercado japonês9.

Outro ponto que as microcervejarias locais podem tirar vantagem ao competir com grandes empresas nacionais ou internacionais está em utilizar nomes, rótulos ou ingredientes com apelo regional. Desta forma, aspectos geográficos e localização são fundamentais para marca do produto10,11  e para como as microcervejarias constroem um mercado local e regional12,13,14. Cabe destaque que, durante a fase de start-up de uma microcervejaria, seu acesso a recursos locais, redes e canais de distribuição pode ajudá-la a contar histórias, aprender mais, economizar dinheiro e se proteger da concorrência nacional e internacional. Assim, conseguem atingir uma posição de mercado estável por meio do envolvimento local, integração e diferenciação de produtos, que podem incluir produtos complementares, como atividades turísticas11, 3, 15.

A importância dos mercados locais como fator de resiliência também é afetada pelo quanto os proprietários das microcervejarias se preocupam com a sua atuação6. A lealdade e a personalidade dos clientes também são importantes para um negócio regional de sucesso a longo prazo16. As iniciativas de políticas públicas voltadas para a comunicação de marca sobre lugares e cidades aumentam a lealdade regional, sendo que as empresas podem mostrar o valor da autenticidade e identidade regional, associando-se a um aspecto cultural ou de suas proximidades, que seja conhecido pelos fiéis cervejeiros12, 17, 18.

Retomando a pergunta sobre como as cervejarias (especialmente as micro, pequenas e médias) buscam sobreviver em um ambiente de alta incerteza na demanda e forte concorrência, escolher sua abrangência de atuação é parte fundamental de sua identidade e de sua capacidade de competir. Essa é uma tendência que tem sido observada mundialmente à medida que a concorrência se torna mais acirrada e as cervejarias tentam administrar o mercado local concentrando-se em como seus consumidores se sentem e interagem com suas marcas.

A localização da cervejaria e as ações de branding ajudam a construir um sentimento de pertencimento local. Por exemplo, as cervejarias artesanais conseguem atender à demanda por novidades e melhorar seus produtos existentes, oferecendo o que sabem e conversando com os consumidores em sua área. Os consumidores, por sua vez, ajudam a construir reputações por meio de compartilhamento de histórias, comentários em redes sociais ou websites especializados, ou até mesmo criarem experiências locais conjuntas, como eventos turísticos, peças teatrais e celebrações culturais.

Para isso, há a necessidade de um compromisso de longo prazo com a comunidade cervejeira, que passa pelo fortalecimento do sentimento de pertencimento e orgulho pelo que faz, onde faz, para quem faz. Essa resiliência é atribuída ao desenvolvimento da comunidade regional e local, por meio da geração de empregos e da percepção do negócio cervejeiro como mais que um passatempo ou hobby, uma herança compartilhada com toda comunidade. Saúde!


Referências bibliográficas:

1 Garavaglia, C. (2021). Industry evolution: Evidence from the Italian brewing industry. Competition & Change 26 (1).

2 European Beer Consumers Union (EBCU). (2020). EBCU COVID-19 survey results. Acesso disponível em: https://www.ebcu.org/ebcu-covid-19-survey-results/

3 Danson, M., Galloway, L., Cabras, I., & Beatty, T. (2015). Microbrewing and entrepreneurship, The origins, development and integration of real ale breweries in the U.K. Entrepreneurship and Innovation, 16(2), 135–144.

4 Gatrell, J., Reid, N., & Steiger, T. L. (2017). Branding spaces: Place, region, sustainability, and the American craft beer industry. Applied Geography, 90, 360–370.

5 Reid, N., & Gatrell, J. (2015). Brewing growth: Regional craft breweries and emerging economic development opportunities. Economic Development Journal, 14(4), 4–12.

6 Poul Houman Andersen & Jesper Lindgaard Christensen (2022): Industry evolution, resilience and regional embeddedness: the case of the Danish microbrewing industry, Regional Studies.

7 Horvath, M., Schivardi, F., & Woywode, M. (2001). On industry life-cycles: Delay, entry, and shakeout in beer brewing. International Journal of Industrial Organization, 19(2001), 1023–1052.

8 Wesson, T., & Figueiredo, J. N. D. (2001). The importance of focus to market entrants: A study of microbrewery performance. Journal of Business Venturing, 16(4), 377–403.

9 Umemura, M., & Slater, S. (2021). Institutional explanations for local diversification: A historical analysis of the Japanese beer industry, 1952–2017. Journal of Strategic Marketing, 29(1), 71–92.

10 Barlow, M. A., Verhaal, J. C., & Hoskins, J. D. (2018). Guilty by association: Product-level category stigma and audience expectations in the U.S. craft beer industry. Journal of Management, 44(7), 2934–2960.

11 Cunningham, J., & Barclay, S. (2020). Craft beer sector collaboration in Northeast Scotland: The role of individual success. The International Journal of Entrepreneurship and Innovation, 21(4), 263–274.

12 Bowen, R., & Miller, M. (2022). Provenance representations in craft beer. Regional Studies, 1–11.

13 Esposti, R., Fastigi, M., & Viganò, E. (2017). Italian craft beer revolution: Do spatial factors matter? Journal of Small Business and Enterprise Development, 24(3), 503–527.

14 Garavaglia, C., & Borgoni, R. (2022). The local dimension of legitimation: An empirical analysis of firms’ entry in the Italian craft beer market. Regional Studies.

15 Hasman, J., Materna, K., Martin Lepič, M., & Förstl, F. (2022). Neolocalism- and glocalization-related factors behind the emergence and expansion of craft breweries in Czech and Polish regions. Geographical Review.

16 Reid, N., Pezzi, G., & Stack, M. (2020). Space, place, and culture: An applied geography of craft beer. Papers in Applied Geography, 6(3), 175–179.

17 Schnell, S. M., & Reese, J. F. (2014). Microbreweries, place, and identity in the United States. In M. Patterson, & N. Hoalst- Pullen (Eds.), The geography of beer: Regions, environment, and societies (pp. 167–187). Springer.

18 Skoglund, W., & Sjölander-Lindqvist, A. (2021). Caring for com- munity through crafted beer. Perspectives from northern Sweden. In M. G. Pezzi, A. Faggian, & N. Reid (Eds.), Agritourism, wine tourism, and craft beer tourism local responses to peripherality through tourism niches (ch. 11). Routledge.


Marcelo Sá é professor de gestão em operações, pesquisador na área de riscos e resiliência em cadeias de alimentos e bebidas, esposo e pai apaixonado por sua família. Em sua folga, pode ser facilmente encontrado com uma IPA ao seu lado.

Homenageada por cerveja, Marta soma feitos e luta por igualdade no futebol

Considerada a melhor jogadora de futebol de todos os tempos, Marta também é uma das mais importantes atletas do planeta. Seu status é resultado dos feitos conquistados dentro de campo, mas também por ser uma protagonista na batalha pelo reconhecimento e equidade do futebol feminino. E com sua relevância na sociedade, Marta já foi homenageada com uma cerveja que leva seu nome.

Eleita seis vezes a melhor jogadora de futebol do mundo pela Fifa, Marta possui entre suas principais conquistas as medalhas de prata nos Jogos Olímpicos de 2004 e 2008, além de ser a maior artilheira da história das Copas do Mundo. Atualmente, aos 37 anos, a camisa 10 continua sendo uma referência da seleção brasileira, que busca na Oceania o tão sonhado título da Copa do Mundo feminina.

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Tamanho talento e representatividade fazem com que a “Rainha” colecione recordes, títulos, admiradores e homenagens. E foi justamente a inspiração proporcionada por ela que levou a Ouse Beer a unir o esporte mais popular do mundo com duas das bebidas mais apreciadas, resultando na cerveja Marta, uma Lager com café.

Nayla Mohamad, sommelière e CEO da Ouse Beer, conta que a ideia de homenagear a jogadora com uma cerveja surgiu a partir de especulações – não concretizadas – de que Marta iria se aposentar durante a Copa do Mundo de 2019. “Marta é, de forma geral, uma inspiração para todas nós!”, enfatiza. “Decidimos unir o estilo mais popular, a Lager, com café! E assim nasceu a nossa Marta”, celebra.

Naquela Copa disputada na França e vencida pelos Estados Unidos, o Brasil se despediu nas oitavas de final, caindo para a seleção anfitriã. Mas mesmo sem o título, Marta brilhou. E não só pelo que fez em campo.

Um ano depois de ser nomeada embaixadora da ONU Mulheres para mulheres e meninas no esporte, “sendo reconhecida por seu compromisso ao longo da vida em desafiar estereótipos, superar barreiras e inspirar outras mulheres e meninas a fazer o mesmo”, ela viveu o que muitos chamaram de “despertar feminista”.

Após marcar o seu primeiro gol no torneio e alcançar o recorde de ser a primeira jogadora a marcar em cinco Copas diferentes, além de ter se igualado ao jogador alemão Klose na artilharia histórica da competição entre homens e mulheres, as chuteiras sem patrocínio da jogadora chamaram a atenção pelo símbolo de igualdade nas cores azul e rosa.

A ação conectou-se com a iniciativa denominada “Go Equal“, que se repetiu nos Jogos Olímpicos de Tóquio em 2021 e agora na Copa do Mundo na Nova Zelândia e Austrália, com o objetivo de promover a igualdade de gênero no esporte e deixar um legado importante para todas as jogadoras.

A luta, encampada por Marta, demonstra como a diferença entre homens e mulheres no futebol ainda é gritante e injusta. Segundo informações do diário esportivo espanhol Marca, Marta recebe um salário anual de US$ 400 mil (R$ 1,91 milhão, na cotação atual) no Orlando Pride, dos Estados Unidos, valor que não chega a 1% do recebido por outro camisa 10 da seleção, Neymar, que joga no Paris Saint-Germain e receberia US$ 4,5 milhões (R$ 21,5 milhões) mensais.

Nayla destaca que, mesmo sendo exaltada como o maior nome da história do futebol feminino, Marta não é tratada de forma igual aos homens. “Nem financeiramente, tampouco em relação ao reconhecimento dado aos homens no futebol, que nem sequer possuem um título de melhor do mundo”, diz.

Nascida em uma família humilde no município de Dois Riachos (AL), Marta foi criada apenas por sua mãe, Tereza da Silva, junto com mais três irmãos. E as adversidades enfrentadas por Marta e pelas jogadoras de futebol também se reproduzem no ambiente da cerveja, com grande predominância masculina.

“Acredito que a maior importância [da cerveja Marta] e é o que tentamos mostrar, é a força da mulher cervejeira, uma vez que é um mercado extremamente masculino, assim como é o futebol”, comenta a CEO da Ouse Beer.

A Ouse Beer, uma marca cigana do Rio de Janeiro, é liderada por mulheres que também lutam por igualdade no setor das cervejas artesanais. Além da craque Marta, a cervejaria também já homenageou a cantora Rita Lee, Lélia González, pioneira nos estudos sobre a cultura negra no Brasil, e Tina Valentina Tereshkova, a primeira mulher a ir para o espaço.

“O público rapidamente se identificou com o sabor e a ideia da Marta! Ela é realmente deliciosa e desce muito bem, principalmente em uma mesa de bar assistindo nossa Martinha dando um show de bola!”, afirma Nayla.

Em campo ou fora dele, Marta é garantia de “show de bola”. E será assim, também, na Nova Zelândia e na Austrália, palco daquela que deve ser a sua última Copa do Mundo. O Brasil está no Grupo F, com estreia marcada para segunda-feira, às 8 horas (de Brasília), diante do Panamá. França e Jamaica serão os outros adversários na primeira fase.

Menu Degustação: Hocus Pocus no Sindicerv, festivais em BH e Piracicaba…

Os últimos dias contaram com várias novidades tanto para quem atua diretamente no setor cervejeiro como para quem só deseja se divertir com as atrações do segmento. Para o primeiro grupo, a Hocus Pocus se associou ao Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), que espera ampliar a sua representatividade dentro do segmento.

Também para quem atua no setor, a próxima quarta-feira contará com a realização do Congresso Cerveja Brasil, edição Sudeste, em Vitória, promovido pela Abracerva, sendo uma das atrações da primeira etapa do Conexão Cerveja Brasil, que reúne várias outras iniciativas e passará por todas as regiões do país.

Já neste fim de semana, o público cervejeiro poderá aproveitar festivais em diferentes cidades. Em Piracicaba (SP), será no sábado e no domingo, com shows de Toni Garrido e Ira!. Em Belo Horizonte, no sábado, acontece o Festival Mineiro de Cerveja.

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Confira essas e outras novidades do setor no Menu Degustação do Guia:

Hocus Pocus no Sindicerv
A Hocus Pocus tornou-se a mais nova associada do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv). Fundada no Rio de Janeiro em 2014, a marca concluiu a construção de sua própria fábrica em Três Rios (RJ) cinco anos depois, com capacidade de produção de aproximadamente 50 mil litros por mês. Desde 2021, a Hocus Pocus integra o programa de inovação e aceleração da Ambev, por meio de sua divisão de inovação, a ZX Ventures. Com a entrada da Hocus Pocus, o Sindicerv, que já contava com a Ambev e o Grupo Heineken, espera reforçar sua atuação como entidade representativa de toda a cadeia produtiva da cerveja.

Congresso da Abracerva em Vitória
A Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) realizará o Congresso Cerveja Brasil, edição Sudeste, em Vitória, na próxima quarta-feira (26), com inscrições gratuitas e transmissão pelo canal da associação no YouTube. O evento abordará temas técnicos e institucionais do setor cervejeiro, como questões tributárias, tendências de mercado, inovação e sustentabilidade. O congresso faz parte do Conexão Cerveja Brasil, que percorrerá todas as regiões do país até dezembro, incluindo a 3ª edição da Copa Cerveja Brasil e uma festa de premiação. A festividade em Vitória acontecerá no sábado (29), na Cervejaria Fratelli Reggiani.

Festival em Piracicaba
O 2º Festival de Cervejas Artesanais de Piracicaba, que teve sua data remarcada para este sábado e domingo (22 e 23), no Parque Engenho Central, na Vila Rezende, contará com a participação de 12 cervejarias, cada uma apresentando até três rótulos diferentes. O evento também confirmou a presença de um novo artista na programação: Toni Garrido, que se apresentará no sábado, enquanto a banda Ira! continua agendada para o domingo. Além disso, o festival contará com diversas bandas de rock locais. O evento é organizado pelas cervejarias Cevada Pura e Hop Flyers. Os ingressos estão disponíveis na plataforma Byma. Mais informações estão disponíveis no perfil do evento no Instagram.

Festival Mineiro de Cerveja
O Festival Mineiro de Cerveja realizará sua segunda edição neste sábado (22), após uma primeira edição em abril, com a participação das cervejarias Albanos, Kud, Lagoon, Artesamalt, Krug, Läut, Uaimii e Slod. O evento também contará com banheiros climatizados, praça de alimentação e será pet friendly. A festa acontecerá no estacionamento da Churrascaria Porcão, no bairro São Bento, em Belo Horizonte. Os convites estão disponíveis no Sympla, e há diferentes tipos de combos, que incluem copos, para escolher. Mais informações podem ser encontradas no Instagram do evento.

Atrações do camarote da Oktober Blumenau
Os responsáveis pelo Camarote Spaten na Oktoberfest de Blumenau anunciaram as atrações que vão se apresentar nas sextas-feiras e sábados de 6 a 21 de outubro, além da quarta-feira, 11, e quinta-feira, 12. Será um line-up diversificado, incluindo artistas como Menos é Mais, João Gomes, Dennis DJ, Turma do Pagode, KVSH, Jeito Moleque, Vitor Kley e Arca de Noé DJ Set, além de DJs convidados. Os ingressos estão disponíveis no site do camarote a partir de R$ 600, incluindo acesso à Vila Germânica.

Baden Baden para casais
A Baden Baden oferece a “Baden Baden Experience Table for Two”, em parceria com o Restaurante Dona Chica na Horta, em Campos do Jordão (SP), até 13 de agosto. A experiência consiste em um tour pela fábrica da Baden Baden, com degustação de 5 tipos de cerveja, seguido de um menu gastronômico harmonizado pelo chef Anderson Oliveira, servido em 5 tempos, cada um acompanhado de uma cerveja do portfólio da marca, incluindo uma opção vegana. O evento ocorre às quintas, sextas, sábados e domingos, em horários específicos, e as regras incluem a proibição de pets (exceto cão-guia), havendo a recomendação de chegar com antecedência de 20 minutos para o tour. Para adquirir ingressos e mais informações, acesse o site da marca.  

Parceria da Corona
O Selina, ecossistema de hospedagem e lifestyle, anunciou uma parceria global com a cerveja Corona, com o objetivo de criar experiências de viagem únicas e inspirar os hóspedes a se desconectarem e reconectarem com a natureza. A colaboração incluirá ativações envolvendo educação, música, arte e eventos, promovendo a sustentabilidade em todas as propriedades do Selina ao redor do mundo, assim como acesso a experiências exclusivas e descontos em produtos da Corona. Os fãs da cerveja poderão explorar as acomodações e espaços comunitários exclusivos da rede de hospedagem.

Krug na Casacor Minas
A Krug Bier é a parceira oficial de cerveja na 28ª edição da Casacor Minas, realizada em Belo Horizonte até 3 de setembro. O evento conta com 50 ambientes assinados por 53 profissionais do setor de arquitetura, design de interiores e paisagismo, abordando o tema “Corpo e Morada”. A Krug Bier oferece suas cervejas em três pontos de venda dentro da mostra, incluindo opções como German Pils, Áustria, IPA Rancor e Crystal.

Em relatório, Petrópolis indica avanço na gestão de resíduos com foco em 2030

Em meio a um cenário de redução na participação de mercado e aos desafios decorrentes dessa adversidade, o Grupo Petrópolis também investiu em iniciativas de sustentabilidade no ano passado, com o objetivo de alinhar-se aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, traduzidos em 11 compromissos a serem cumpridos até 2030, como indica no seu mais recente relatório de sustentabilidade.

A companhia conseguiu avançar em várias questões, principalmente naquelas relacionadas à gestão de resíduos, relatando uma redução de 278 milhões de toneladas no ano passado, bem como no trabalho com as embalagens. Contudo, ainda enfrenta dificuldades em algumas áreas, como em questões de diversidade. Essas conclusões foram observadas a partir do terceiro relatório de sustentabilidade do Grupo Petrópolis, referente a 2022 e divulgado na última quarta-feira (19).

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Em termos ambientais, a empresa destaca o trabalho realizado para promover a circularidade dos resíduos. “Buscamos destinos melhores para os resíduos gerados, de modo que uma parte cada vez maior deles se torne insumo para outras cadeias produtivas. Como resultado, menos de 0,5% dos resíduos gerados em nossas oito unidades fabris vão para aterros. Houve uma redução de 19% na geração de resíduos, enquanto a receita aumentou 4%”, afirma a companhia, no relatório.

Além disso, o Grupo Petrópolis cumpriu a meta de logística reversa referente a 2021, enviando mais de 17 mil toneladas de resíduos para reciclagem, beneficiando 55 cooperativas e operadores privados. No entanto, a reciclagem do vidro ainda representa um desafio para a empresa, levando ao estabelecimento de uma parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e o lançamento da Missão Estratégica de Circularidade do Vidro.

Visando aumentar o conteúdo reciclado em suas embalagens, o Grupo Petrópolis revela em seu relatório de sustentabilidade que passou a utilizar filme stretch 100% reciclado e estabeleceu parcerias com fornecedores de garrafas de vidro para aumentar a coleta desse material e, consequentemente, o percentual de conteúdo reciclado.

A empresa estabeleceu a meta de atingir 70% de embalagens com conteúdo reciclado até 2030. E o relatório informa que as embalagens de vidro já alcançaram 60% de conteúdo reciclado, as de papel atingiram 40% e as de plástico, 15%. Em 2022, a linha de Petra e Lokal adotou o shrink reciclado, alcançando 5% de conteúdo reciclado.

Água, energia e lúpulo
No âmbito da gestão da água e das águas residuais, o Grupo Petrópolis enfrenta desafios significativos. Em 2022, houve uma queda no uso de água por hectolitro de bebida produzida apenas nas fábricas de Uberaba (MG), Teresópolis (RJ) e Itapissuma (PE), com alta nas demais unidades produtivas.

Ainda assim, o relatório destaca diversas ações de otimização do uso da água em todas as unidades fabris, mas ressalta que o desafio de aumentar a eficiência nesse aspecto foi maior devido à retração na demanda – ocorreu queda acentuada no volume produzido.

Em relação à energia, houve um aumento no consumo de energia elétrica por litro fabricando, mas com queda na energia térmica utilizada. O ano também foi marcado pela conclusão da instalação de uma usina solar em Minas Gerais, com implementações adicionais no Mato Grosso e no Rio de Janeiro. E com as usinas já instaladas, o Grupo Petrópolis conseguiu gerar 207.898 kWh de energia elétrica de fonte solar, atendendo a dez centros de distribuição.

A empresa também se dedicou à produção de lúpulo na Fazenda São Francisco, em Teresópolis (RJ). Em 2022, iniciou a produção de mudas em um viveiro próprio na fazenda, gerando 2.860 mudas e 108 toneladas de bokashi, um fertilizante orgânico feito do bagaço de cevada gerado no processo cervejeiro, combinado com farelo de mamona. Além disso, foram plantados mais de 0,58 hectare. Como resultado, a produtividade aumentou para 580 kg/hectare, de acordo com o Grupo Petrópolis.

Desafios sociais e de governança
Desafios sociais e de governança também fazem parte do cenário da empresa. A companhia promoveu diversas ações sociais em 2022, incluindo o Programa de Educação Socioambiental, que envolveu 2.952 alunos e impactou cerca de 12 mil pessoas, considerando suas famílias. No entanto, ainda não possui um programa social de abrangência nacional.

No que diz respeito à diversidade, o Grupo Petrópolis criou seu comitê de diversidade no ano passado, mas ainda pode ter avanços significativos. A participação de mulheres entre seus 24 mil colaboradores é de apenas 13%, e houve uma redução no número de pretos, pardos e indígenas entre 2021 e 2022.

A governança e a gestão também são áreas que demandam melhorias na empresa. O relatório destaca ajustes na estrutura de ética e compliance e a chegada de três novos vice-presidentes em 2022 como ações em busca de melhorias. Neste momento, a companhia enfrenta um cenário incerto e desafiador, uma vez que está em processo de recuperação judicial.

Metade dos bares do Rio tem dívidas, mas 1 de cada 3 contratará no 2º semestre

Metade dos bares do Rio de Janeiro possui dívidas em atraso, de acordo com uma pesquisa realizada no mês passado pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Rio de Janeiro (Abrasel RJ). Os impostos federais são a principal causa dos débitos vencidos.

O levantamento da Abrasel RJ mostra que 82% dos bares do Rio com dívidas devem impostos federais, tais como Imposto de Renda, PIS/Cofins e parcelas do Simples Nacional. Além disso, 62% desses estabelecimentos possuem débitos em atraso com impostos estaduais.

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Segundo a pesquisa, 29% dos bares e restaurantes com dívidas têm encargos trabalhistas em atraso, 33% devem taxas municipais, 24% acumulam dívidas com serviços de água, luz, gás e telefonia, 22% possuem débitos com fornecedores de insumos e outros 22% estão com o aluguel atrasado.

Apesar do cenário desafiador, a pesquisa também aponta sinais de melhoria e otimismo entre os bares e restaurantes do Rio de Janeiro. Em maio, houve uma redução no número de estabelecimentos operando no prejuízo, de 23% para 21% em relação ao levantamento anterior, e um aumento nas empresas com lucro, de 36% para 39% em abril, além de um aumento na estabilidade, de 36% para 39%. “Ainda há um longo caminho pela frente, e precisamos de um ambiente de negócios mais saudável e previsível”, diz Pedro Hermeto, presidente da Abrasel RJ.

O estudo também revela que uma parcela significativa dos bares do Rio de Janeiro pretende reforçar suas equipes ao longo do segundo semestre: 33% planejam realizar contratações, 52% pretendem manter seus quadros e apenas 7% relatam a intenção de realizar demissões.

“A maioria das empresas está optando por se ajustar às circunstâncias e planejar para um futuro mais forte”, diz Hermeto. “Isso inclui investimentos em seus funcionários, com 37% realizando reajustes acima da convenção coletiva e 93% oferecendo oportunidades de primeiro emprego e treinamento interno”, acrescenta o presidente da Abrasel RJ.

Entrevista do Gole: Impactos do contato com o álcool na infância

O consumo abusivo de álcool é um problema sério e que merece atenção devido aos impactos negativos que provoca, não apenas em quem faz o uso em excesso, mas também naqueles que o cercam. Entre essas pessoas afetadas, encontram-se as crianças, que muitas vezes são expostas desde a infância a uma cultura e rotina de uso da bebida e, em alguns casos, até com o alcoolismo.

Os impactos dessa exposição precoce ao alcoolismo nas crianças foram discutidos no mais recente episódio do podcast “Hora do Gole“, conduzido por Eduardo Sena e que contou com a participação da psicóloga Rosely Sayão, com uma longa trajetória, incluindo colaboração com órgãos de imprensa, como o jornal O Estado de S. Paulo e a rádio BandNews FM.

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“Os adultos, com sua maturidade, sabem o que pode acontecer e deveriam proteger os mais jovens”, afirma Rosely. “É melhor manter as crianças fora disso. Se você sente que precisa desabafar, vá a um local que não seja público, como a casa de um amigo, e deixe as crianças em casa com outra pessoa. Não estou dizendo que o adulto responsável por uma criança não deve beber, mas quando ele tem a ideia, e geralmente tem, de que vai exagerar, o primeiro cuidado deve ser proteger as crianças e os adolescentes”, acrescenta.

A psicóloga enfatiza como o consumo de álcool, especialmente na presença de crianças, deve ser feito com maturidade pelos adultos. “Mas vivemos em um mundo cada vez mais carente de adultos maduros. Os adultos vivem em uma cultura juvenil que deixou o mundo carente de maturidade”, avalia.

Ela também destaca, durante sua participação no “Hora do Gole“, que os adultos não devem esconder das crianças o fato de serem consumidores de álcool. No entanto pondera a necessidade de separar contextos. Além disso, enfatiza que os comportamentos dos adultos em relação às crianças terão efeitos no futuro.

“Muitos falam muito sobre tentar evitar que os jovens bebam, adoram demonizar a juventude e os adolescentes que bebem e exageram. Mas, de um modo geral, vejo pouca discussão nas redes sociais sobre a responsabilidade do adulto que tem criança e bebe. Já conheci famílias que bebiam apenas escondido dos filhos. No entanto, não é bom se comportar dessa maneira, pois é como se a bebida não existisse. E a bebida existe, e é nesse mundo em que ela existe que a criança vai viver, e seus pais bebem. Mesmo escondendo de você, eles bebem. A criança é muito mais esperta do que o adulto e descobre isso muito rapidamente”, argumenta.

Acompanhe mais da participação de Rosely no “Hora do Gole“, o que inclui, além da avaliação sobre o impacto do contato com o alcoolismo na infância, abordagens sobre sua trajetória como educadora social e psicóloga, acessando o link:

O que desafia a presença das cervejas artesanais nos supermercados

A presença nas principais redes de varejo é um indicativo de popularização de produtos considerados premium e, durante o auge da pandemia, também se tornou uma forma para algumas marcas de cerveja artesanal se manterem próximas aos consumidores. No entanto, desafios relacionados a altos custos, competição com grandes indústrias e o retorno das rotinas do público têm criado um cenário adverso para as cervejas artesanais estarem presentes nas gôndolas dos supermercados.

Na busca por espaço nos estabelecimentos, as artesanais encontram obstáculos, como a exigência de pagamento ou participação maior nas vendas para estarem presentes nas prateleiras, o que dificulta a obtenção de margens de lucro relevantes, conforme avalia Gilberto Tarantino, presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva).

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“Uma grande rede, por exemplo, deixou de tratar as artesanais de forma diferenciada, ampliando o pedágio de 10% sobre o contrato para até 28%, o que é inviável para as pequenas cervejarias. A mesma rede optou por oferecer sua área refrigerada, mais cara que as gôndolas secas, para as megacervejarias”, exemplifica.

A redução da oferta de artesanais nas prateleiras dos supermercados também é vista como resultado da atuação das gigantes do mercado, como Ambev, Heineken, Coca-Cola e Grupo Petrópolis, que possuem opções de cervejas especiais em seus portfólios e têm mais facilidade para conquistar espaço nas gôndolas, inclusive devido ao seu maior potencial econômico para promover suas marcas com promoções, brindes e outras ações de marketing.

“Essas empresas já possuem em seu portfólio diversas marcas dentro do segmento artesanal, e se alguma cervejaria artesanal faz sucesso, em pouco tempo ela é comprada por uma dessas grandes empresas e adicionada à oferta”, avalia Rodrigo Castro, responsável pelo setor de cervejaria do Supermercados Mundial, com mais de 20 lojas e forte presença no Rio de Janeiro.

A adoção de cláusulas idênticas de margens mínimas para as grandes marcas e os pequenos empreendedores também é citada como um fator a afastar as cervejas artesanais das gôndolas dos supermercados. “Não é justo tratar segmentos absolutamente diferentes da mesma forma, mas essa é uma prerrogativa dos varejistas que acaba reduzindo as opções para os consumidores”, defende o presidente da Abracerva.

Assim, as próprias redes conhecem o maior poderio, presença e facilidades das grandes marcas na disputa por espaço nas prateleiras dos supermercados. “É evidente o forte investimento desses players, especialmente em ações no ponto de venda, mídia em massa e direcionada por meio do relacionamento com os clientes”, comenta Felipe Teixeira, gerente executivo de gestão de categorias do Grupo Koch.

O Grupo Koch, uma das maiores redes de supermercado de Santa Catarina, observa uma mudança no comportamento dos consumidores com o fim das restrições da pandemia. Eles estariam buscando prioritariamente alternativas além do varejo para ter contato com cervejas artesanais.

“Os consumidores se dedicaram à experimentação em casa devido ao lockdown, o que aumentou a compra desta categoria no varejo. Agora, grande parte do primeiro contato com o produto ocorre em bares, restaurantes e eventos sociais”, explica o gerente executivo de gestão de categorias do Grupo Koch.

E essa tendência do consumidor pode estar resultando em ajustes no portfólio de cervejas artesanais oferecidas pelos supermercados. “Aqui no Grupo Koch, não vemos uma tendência de queda na oferta dessa categoria, mas sim uma otimização em relação às marcas e suas variantes, para adequar o mix à realidade de cada formato, cluster e microrregião em que atuamos”, reforça Teixeira.

Além disso, os pequenos empreendedores do setor cervejeiro têm enfrentado problemas internos, como dificuldades de fluxo de caixa, o que afeta diretamente sua competitividade e provoca mudanças de estratégia. Em muitos casos, isso leva ao abandono da busca por estar presente ao varejo.

Diante da dificuldade financeira pela qual passam os pequenos empreendedores em geral, a estratégia de trabalhar com margem negativa em troca de exposição nos grandes varejistas faz ainda menos sentido

Gilberto Tarantino, presidente da Abracerva

Segundo o responsável pelo setor de cervejaria dos Supermercados Mundial, os preços e o menor poder de negociação podem ajudar a explicar os desafios enfrentados pelas marcas artesanais. “A tendência de queda da categoria está relacionada aos novos preços. E as pequenas e médias cervejarias também têm dificuldade em fazer um bom trabalho nas lojas, o que é bem realizado pelas grandes empresas com promotores nas lojas”, diz.

No cenário adverso para as marcas artesanais, além dos desafios nas negociações com as redes de varejo, a apresentação de preços menos competitivos também é citada como um fator complicador. Isso é mencionado por profissionais que atuam diretamente junto a elas, como o responsável pelo setor de cervejaria do Supermercados Mundial.

“Acredito que o setor de cervejas artesanais vem sofrendo muito nos últimos anos com os aumentos dos custos com os insumos para produzir as cervejas, além dos aumentos nos custos logísticos, o que faz e fez diversas microcervejarias fecharem no vermelho. O reflexo disso é aumento dos preços nos pontos de venda, vendas fracas, vencimento e migração de garrafas para venda de cervejas artesanais em latas”, argumenta Castro.

Alternativas para promoção das artesanais
No entanto, segundo o presidente da Abracerva, existem caminhos para as cervejarias artesanais conquistarem espaço no varejo. Isso envolve negociações e, principalmente, valorização do produto independente, artesanal e regional, para que mais consumidores estejam dispostos a pagar um preço maior por ele.

“Precisamos criar demanda por produtos artesanais nos mercados, inclusive nas redes regionais, que precisam de produtos diferenciados. Uma ação concreta para isso são as rodadas de negócios com a presença de pontos de venda, incluindo supermercados. Esse é um dos objetivos do Conexão Cerveja Brasil, pois sabemos que não conseguimos competir em termos de preço”, afirma.

Em um momento no qual o consumo está disseminado por várias frentes, o acesso a novos produtos, algo que costuma ser um chamariz para as cervejas artesanais, não se resume mais ao varejo, como ocorreu em algumas fases da pandemia, com a onda de experimentação voltando a crescer em outros estabelecimentos.

“O ato de conhecer o produto por indicação de amigos, participar de feiras de degustação, entre outros, faz com que o produto seja desejado, e o desafio de colocá-lo nas prateleiras de cada loja se torna mais fácil para o varejista”, diz o profissional do Grupo Koch.

Para ele, o trabalho das artesanais para conquistar espaço nos supermercados passa por ações fora do varejo, que as façam ganhar relevância para o público cervejeiro. “Ativações que impactem o consumidor fora e dentro da loja, até conquistar e receber a recomendação dos consumidores mais ávidos pela categoria, que estão abertos ao novo e, quando encontram algo claramente bom, recomendam para todos que compartilham do mesmo perfil de consumo”, diz Teixeira.

Mercado altamente concentrado
As vendas de cervejas nos supermercados desempenham um papel significativo tanto para a indústria de bebidas como para a economia, ainda que estejam concentradas em alguns rótulos.

A 24ª edição do Guia Líderes de Vendas, referente ao ano de 2022, que traz as marcas preferidas pelos consumidores nas lojas do setor supermercadista, elaborado pela NielsenIQ, a pedido da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), demonstrou que Heineken, Brahma, Skol, Amstel e Antarctica representaram, juntas, 56,5% das vendas de cervejas nas redes de supermercados pesquisadas no ano passado.

Colorado relança Session IPA e a torna fixa em seu portfólio

O portfólio de cervejas da Colorado ganhou um novo rótulo fixo. A marca da Ambev anunciou que a Kuyá, uma Session IPA com maracujá, anteriormente lançada em edição limitada, agora passa a fazer parte definitivamente da família Colorado.

“Sempre buscamos valorizar tudo o que o Brasil tem de melhor e marcante, levando para nossas receitas. E essa valorização pode acontecer de várias formas. Primeiro, explorando a variedade e riqueza de ingredientes. Segundo, atendendo os desejos do público e sua diversidade de preferências, buscando manter um portfólio fixo completo”, diz Fernanda Federico, chefe de marketing craft da Ambev.

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Com a Kuyá, a marca aposta em um estilo que combina as características das IPAs, um dos mais desejados pelos consumidores brasileiros de cervejas especiais, mas com maior drinkability. A novidade apresenta 4,3% de teor alcoólico e 30 IBUs de amargor.

Conhecida pelo uso de ingredientes locais em suas produções, a Colorado repete essa estratégia em sua Session IPA, que inclui maracujá em sua composição. A marca afirma que a Kuyá “é uma cerveja leve e refrescante, com uma cor dourada e aroma intenso de fruta e lúpulo”.

Antes do lançamento da Kuyá, o portfólio de cervejas fixas da Colorado já contava com Ribeirão Lager, Appia e Indica. “Pesquisas mostram que o estilo IPA é o segundo mais consumido no Brasil, ficando atrás apenas do Lager. Como a Kuyá é uma Session IPA, ou seja, menos complexa e mais fácil de beber, ela se encaixou perfeitamente na família para oferecer uma variedade de opções ao consumidor”, afirma Fernanda.

Lançada inicialmente em 2021, a Kuyá já está disponível nos principais mercados do Brasil, em sites parceiros e no Zé Delivery nas opções de garrafa (600ml) e lata (350ml).

Rússia intervém na Carlsberg e põe em risco venda da líder do mercado


O governo da Rússia colocou temporariamente sob administração estatal as operações do grupo cervejeiro dinamarquês Carlsberg, em uma intervenção que levanta dúvidas sobre a venda dos ativos da sua subsidiária, anunciada em junho. Essa mesma abordagem foi adotada com a empresa francesa de produtos alimentícios Danone.

A intervenção nas operações da Carlsberg na Rússia foi estabelecida através de um decreto assinado pelo presidente Vladimir Putin. Segundo o documento, a agência imobiliária estatal Rosimushchestvo assume o controle da participação da empresa no país, assim como ocorrerá com a Danone.

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Essa medida está sendo vista como um alerta do governo russo para as empresas do Ocidente que decidiram sair do país devido à guerra na Ucrânia. De fato, esse é exatamente o caso da Carlsberg, que havia relatado anteriormente ter chegado a um acordo para vender sua operação local.

Em abril, Putin assinou um decreto permitindo que o estado assumisse temporariamente o controle de ativos de países considerados hostis à Rússia. Na prática, porém, essa medida só havia sido adotada até agora contra as empresas de energia Fortum Oyj, da Finlândia, e Uniper SE, de origem alemã.

Antes da intervenção, a Carlsberg possuía uma participação de 27% na Baltika Breweries e era líder de mercado na Rússia. No país, a empresa produz várias marcas de cerveja estrangeiras, como Carlsberg, Tuborg, Asahi Super Dry, Holsten e Warsteiner, e opera oito fábricas.

Em 2021, a Carlsberg obteve uma receita de 6,5 bilhões de coroas dinamarquesas (cerca de R$ 4,71 bilhões) na Rússia, correspondendo a aproximadamente 10% de seu faturamento global. Além disso, obteve um lucro de 682 milhões de coroas dinamarquesas (R$ 494 milhões) no país naquele ano, o que representou 6% de seus ganhos totais.

A Carlsberg divulgou uma nota oficial declarando que não recebeu informações das autoridades russas sobre o decreto e suas consequências para a Baltika. “O Grupo Carlsberg tem operado de acordo com as regras e regulamentos locais na Rússia e considera esse desenvolvimento inesperado. O grupo avaliará as consequências legais e operacionais desse desenvolvimento e tomará todas as medidas necessárias em resposta”, diz.

No entanto, no comunicado em que aborda o caso, a Carlsberg reconhece que a venda de seu negócio no país, que já estava acordada, embora ainda pendente de aprovação das autoridades, agora se torna extremamente incerta.

“Em 28 de março de 2022, o Grupo Carlsberg anunciou sua decisão de buscar a alienação total de seus negócios na Rússia. Após um extenso processo de separação do negócio do resto do Grupo Carlsberg, um acordo para vender o negócio russo já havia sido assinado em 23 de junho de 2023, sujeito a aprovações regulatórias e cumprimento de certas condições em várias jurisdições. Na sequência do decreto presidencial, as perspectivas para este processo de venda são agora muito incertas”, afirma no comunicado.