back to top
InícioGuia na CopaEm jogo muito disputado, Brasil vence o Japão por 3 a 1...

Em jogo muito disputado, Brasil vence o Japão por 3 a 1 na Copa do Mundo da Cerveja

O Japão é conhecido pela precisão e pela disciplina dentro e fora de campo. No futebol, a seleção japonesa evoluiu muito e promete dar trabalho no jogo contra a seleção brasileira nesta segunda-feira (29) em Houston, nos Estados Unidos. No gramado, ninguém sabe ainda qual será o resultado na primeira partida do mata-mata da Copa do Mundo 2026. Mas se o Mundial fosse decidido pelo mercado cervejeiro, apesar da disputa acirrada, o Brasil ainda levaria vantagem, furaria a retranca japonesa e venceria por 3 a 1 no placar na Copa do Mundo da Cerveja.

Esse duelo cervejeiro é um quadro elaborado pela equipe do Guia da Cerveja para comparar os países que se enfrentam em campo por meio de seus mercados cervejeiros. Funciona como um “Super Trunfo”, com cinco critérios: tamanho do mercado, consumo per capita, preço, tradição cervejeira e variedade. Ganha quem marcar mais gols, ou seja, quem tiver maior nota em cada um dos quesitos.

Apesar de parecerem quase opostos, o que tornou o jogo tão duro foi a incrível semelhança dos mercados cervejeiros. Japão e Brasil compartilham uma história bastante parecida com incríveis pontos de coincidência. Já em variedade, o país oriental acaba levando até uma pequena vantagem. Mas o peso da camisa canarinho acaba falando mais alto, sendo que é difícil superar o tamanho do mercado brasileiro, consumo per capita e preço.

Confira como seria essa partida.

Tamanho do mercado

O Brasil começa o jogo atacando com força total. Com uma produção que coloca o país entre os gigantes globais, o mercado brasileiro tem um volume de jogo muito superior. Nosso país produziu 15 bilhões de litros de cerveja em 2025, segundo o Anuário da Cerveja 2026 do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Isso garante o terceiro lugar em fabricação no ranking mundial, atrás apenas da China (35,9) e dos Estados Unidos (19,3).

Já o Japão possui um mercado consolidado e eficiente, mas não consegue competir em escala com a indústria canarinho. De acordo com os números mais recentes do Barth Haas Report 2025, a produção do país foi de aproximadamente 4,5 bilhões de litros em 2024, menos de um terço do volume do brasileiro. Um golaço, com uma nota 8 contra 3.

Consumo per capita

O segundo gol deixa explícito todo o talento nacional. O brasileiro tem uma cultura de consumo mais intensa, com 70,3 litros de cerveja por ano, segundo números do relatório Global Beer Consumption 2025 da Kirin Holdings. Enquanto isso, o mercado japonês apresenta um consumo per capita de apenas 33,7 litros/ano. A preferência do japonês, que muitas vezes se volta para outras bebidas ou opções mais moderadas, acaba pesando na conta final desse duelo.

Tradição Cervejeira

Pode até parecer estranho, dado que são estilos de jogo muito diferentes. Mas na história cervejeira, Brasil e Japão são muito semelhantes. E isso acaba gerando um empate nesse critério. Com isso, nenhum dos lados marca gol aqui.

A história da cerveja no Japão começa no século 17 por meio da influência de holandeses que aportaram por lá e até construíram uma tradição cervejeira. O mesmo aconteceu no Brasil, com a primeira cervejaria em território que viria a ser nosso país sendo inaugurada em Recife em 1640 também por holandeses, que dominaram a região Nordeste entre 1630 e 1654. Só que no caso brasileiro, eles foram expulsos pelos portugueses sem deixar legado na bebida.

Outro ponto de coincidência é que, em ambos os países, as maiores cervejarias nacionais nascem no final do século 19. Por aqui, Antarctica é fundada em 1885 em São Paulo e a Brahma em 1888 no Rio de Janeiro. No Japão, a Kirin nasce em 1870, a Sapporo em 1876 e a Asahi em 1889.

Mais um ponto comum: as primeiras cervejarias artesanais nascem na década de 1990, com influências do Renascimento da Cerveja Artesanal dos Estados Unidos.

Variedade

O market share das cervejas artesanais também é semelhante em ambos os países, variando entre 1% e 3% de participação, de acordo com critérios de pesquisa e fontes. No entanto, é a vez do Japão marcar um gol de placa em variedade.

Se antes o mercado era focado nas tradicionais Lagers, a “tática” mudou drasticamente após uma reforma tributária em 1994, que facilitou a abertura de microcervejarias. O mercado explodiu com criatividade: os japoneses não apenas aprenderam a produzir ales, IPAs, Stouts e Weissbiers com uma execução técnica impecável, mas começaram a inovar na escalação do elenco. Hoje estão usando ingredientes locais como caqui, umê (a tradicional ameixa salgada e ácida) e até plantas nativas de ilhas remotas, como a Angelica keiskei

Com o surgimento de brewpubs espalhados por Tóquio e colaborações internacionais de peso, o Japão provou que tem um banco de reservas cheio de talentos e uma cena craft dinâmica, com entre 500 e 600 cervejarias.

Já o Brasil ampliou consideravelmente a presença de tipos e estilos de cerveja nos últimos 30 anos e chegou a mais de 1954 cervejarias em 2025. No entanto, nunca teve uma lei de incentivo para pequenos produtores, o que garante a vantagem japonesa. 

Preço

De tão disputado, o quesito preço poderia ter empatado o jogo e levado a decisão aos pênaltis. No entanto, por poucos centavos, a vantagem permaneceu a favor dos brasileiros, que marcaram o último gol, selando a vitória.

O Brasil, com um mercado maior, consegue oferecer valores mais competitivos. O preço da cerveja por aqui varia em torno de 1,38 dólares, 66% mais barato que a média mundial, de 4,06 dólares nos supermercados. Já no Japão, o valor é um pouco maior, com média de 1,5 dólares. Já em bares e restaurantes, a cerveja varia entre 2,5 e 3,5 dólares por aqui e 3 e 4,5 dólares no país oriental.

O placar final: Brasil 3 x 1 Japão

A vitória brasileira na Copa do Mundo da Cerveja foi construída com base no volume e no consumo, mas o Japão mostrou ser um adversário duríssimo, com muita qualidade em tradição e variedade — as semelhanças dos mercados são impressionantes. Agora, resta saber se no gramado do estádio o mesmo se repetirá. Torcemos para que a Seleção Brasileira entre com a mesma força do nosso mercado cervejeiro e vença o duelo real com a mesma autoridade.

Luís Celso Jr.
Luís Celso Jr.
É jornalista, escritor e sommelier de cervejas. Formado pela PUC-PR, se especializou em jornalismo digital e em gestão de Pequenas e Médias Empresas (FIA Business School). No ramo da cerveja, foi premiado no 1º Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cervejas em 2014, defendo o Brasil no mundial em 2015. É professor do Instituto da Cerveja, juiz de concursos nacionais e internacionais (National BJCP), consultor e fundador do BarDoCelso.com — blog mais antigo de cerveja da internet brasileira que completa 20 anos em 2026. Premiado no Edital Fermenta!, é autor do livro “Uma viagem pela história da cerveja no Brasil” (no prelo).
NOTÍCIAS RELACIONADAS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui