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Metade das cervejarias produz menos de 5 mil litros por mês

Metade das cervejarias produz menos de 5 mil litros por mês

Terceiro maior produtor de cerveja do mundo, o Brasil conta com um expressivo contingente de pequenos fabricantes. A produção não vai além de 5 mil litros por mês para metade das cervejarias participantes da pesquisa “O Ano de 2022 para as Cervejarias”, realizada pelo Guia da Cerveja e que pode ser acessada pelo link.

O levantamento mostrou que grandes produções são uma exceção dentro do segmento cervejeiro brasileiro. Afinal, se resume a 9% o número de cervejarias participantes que conseguem fabricar mais de 50 mil litros de cerveja por mês.

A pesquisa do Guia também revelou que o Nordeste é a região com maior predominância dos empreendimentos cervejeiros com produção de menos de 5 mil litros mensais, correspondendo a 64,3% dos respondentes da pesquisa. E, de acordo com o levantamento, o Sudeste é a única das demais regiões brasileiras com mais de 50% (53,3%) de cervejarias com tal porte.

A região Sul é a que possui maior equilíbrio entre os portes das cervejarias, em um indicativo de um maior mix de opções e de tipos de atividade. Por lá, 35,7% dos respondentes produzem entre 5 mil e 10 mil litros de cerveja por mês, 28,6% fazem menos de 5 mil, 21,4% fabricam entre 10 mil e 50 mil e 14,3% conseguem produzir mais de 50 mil litros de cerveja.

Modelo x porte
“O Ano de 2022 para as Cervejarias” também demonstrou que os participantes com produção acima dos 10 mil litros mensais contam com sua própria unidade para fabricação da bebida. Mas esse cenário é diferente entre as faixas com produção mensal abaixo desse porte.

Embora contar com fábrica própria seja um modelo predominante entre as cervejarias de todos os patamares, esse índice é de apenas 46% entre as que produzem até 5 mil litros mensais. E 3 de cada 10 respondentes com esse porte optam pelo modelo cigano, quando a produção é terceirizada, sendo realizada na fábrica de um parceiro.

O modelo de brewpub, estabelecimento onde a cerveja é produzida, comercializada e consumida no mesmo local, também possui maior relevância entre cervejarias com produção menor. Ele significa 22,2% das cervejarias com volume mensal entre 5 mil e 10 mil litros e 18% entre quem fabrica menos de 5 mil litros no período.

“O Ano de 2022 para as Cervejarias” foi uma pesquisa, quantitativa, realizada por meio de questionário online pelo Guia, com respostas coletadas entre outubro e dezembro de 2022 de 100 donos ou administradores de cervejarias.

Como ação em cenário de The Last Kingdom marca nova posição da Spaten

Lançada no mercado brasileiro em agosto de 2021, a Spaten atualizou o seu posicionamento de marca com o lançamento de uma propaganda com ares de superprodução, gravada na Hungria, em um cenário utilizado pela famosa série “The Last Kingdom”, com a participação, atrás das telas, de nomes importantes do audiovisual nacional. Tudo para apresentar “O Estilo Spaten de Ser Forte”, novo posicionamento da marca.

A união entre cinema e propaganda não é rara, mas costuma acontecer em ocasiões especiais, como por exemplo, nos Estados Unidos, para as campanhas que são exibidas no intervalo do Super Bowl, muitas delas com a participação de grandes marcas de cerveja.

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Seguindo esses passos, a Spaten apresentou o resultado da sua superprodução, uma campanha de aproximadamente 2min30, em uma sala de cinema em São Paulo, depois a lançando, em versão reduzida, no intervalo da novela Terra e Paixão, no horário nobre da Globo. E com a direção de Felipe Velasco, o Vellas, conhecido pela participação nas séries “Arcanjo Renegado” e “Dom”.

Tudo isso foi pensado para reforçar um novo posicionamento da marca. Apresentada em sua chegada ao mercado brasileiro pela sua longeva trajetória, de quase 700 anos, ligada à criação do estilo Munich Helles e pela sua forte ligação com a Oktoberfest, a marca, sem deixar toda essa trajetória para trás, agora aposta na “força” dentro do mercado brasileiro. E, para isso, usa personagens icônicos históricos da cultura pop marcados por essa característica.

“Queremos nos conectar com o nosso consumidor de um jeito genuíno e inovador e, para essa campanha, pensamos em mostrar a força da nossa marca com criatividade, unindo a publicidade tradicional a um olhar mais grandioso do entretenimento”, afirma Joice Carvalho, chefe de marketing de Spaten.

A fotografia e a linguagem do cinema foram, assim, usadas no novo passo planejado pela Ambev para ampliar a participação de mercado da Spaten, que teve crescimento de dois dígitos nas suas vendas no primeiro trimestre de 2023 no Brasil, na comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com informações do seu mais recente resultado financeiro.

Dirigido por Vellas, a propaganda, gravada na Hungria, traz um cavaleiro chegando a uma taverna, onde se misturam personagens de épocas diferentes, todos conhecidos pela força, como o pirata, o gângster, o caubói e a viking. E ele pacifica o ambiente ao tocar “Sweet Child’ O Mine”, do Guns N’ Roses, no piano, enquanto consome a sua Spaten.

“Spaten é uma cerveja forte, que literalmente atravessou a história. Só Spaten poderia estar nesse multiverso da força, que reúne ícones de força desses 700 anos. Criar esse bar impossível não só é refletir uma verdade da marca, como uma proposta de colocar a marca em um lugar de entretenimento, se relacionando com um dos assuntos mais quentes do momento”, afirma Tiago Abreu, diretor de criação da GUT São Paulo, agência responsável pela criação da campanha.


Multiverso com cerveja
Esse ambiente com personagens de diferentes tempos busca remeter à força da Spaten para seguir com a sua trajetória de quase 700 anos. Mas também se associa ao multiverso, consagrado na última edição do Oscar, com “Tudo ao Todo Lugar ao Mesmo Tempo”. E essa ligação foi expandida, na nova campanha de outra das marcas em crescimento da Ambev no Brasil, a Bud Zero.

Ainda que sem os mesmos ares de superprodução internacional da Spaten, a marca faz um mergulho na cultura pop em um filmete para apresentar o conceito “Qualquer dia é dia”, que passa por vários multiversos, como um sitcom, uma animação, o mundo apocalíptico e o espaço, em paródias de produções hollywoodianas, como “Friends” e “2001: Uma Odisseia no Espaço”, tendo “Should I Stay or Should I Go”, do Clash, como trilha sonora.

“Desde o lançamento, temos criado uma série de ações e experiências, mostrando todas as possibilidades que podemos vivenciar quando estamos com Bud Zero. Não é porque você não pode tomar uma bebida alcoólica que não consegue aproveitar. E se ainda duvida disso, a gente te mostra que com Bud Zero, qualquer dia é dia”, afirma Carolina Caracas Gargione, diretora de marketing de Budweiser.

Especial Vidro: Quais cuidados podem otimizar o uso de garrafas

Realizado após etapas fundamentais do processo produtivo, como brassagem e fermentação, o envase é um passo decisivo para que a cerveja possa chegar às mãos do consumidor. E quando as fabricantes optam por realizá-lo em garrafas de vidro, é preciso adotar alguns cuidados para otimizar a sua utilização. Essas ações ajudam a melhorar o seu aproveitamento, especialmente quando somadas a outras, seja no transporte, armazenamento ou mesmo no processo de retorno às fábricas.

O processo de lavagem do vidro pode ser realizado com água aquecida, desde que seja respeitada a diferença de temperatura, de 42ºC, de acordo com a norma NBR-14910, da ABNT. Além disso, a recomendação é de que o aquecimento da embalagem seja gradativo, para que a embalagem não se fragilize e sofra choque térmico. Já os cervejeiros que optarem por colocar as garrafas em máquinas lavadoras, devem ter atenção para que os bicos de inox do equipamento não entrem em contato com o vidro.

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São cuidados simples dentro de um processo de higienização, mas que podem ser fundamentais para que algumas cervejarias consigam ampliar o reaproveitamento das embalagens de vidro, em um cenário que deve ser de aumento da procura por essa solução, como cita a presidente da Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe), Cristiane Foja.

“O processo de limpeza traz uma grande oportunidade para a indústria, até pela demanda do consumidor, que é o reuso, uma solução prática, aproveitando um espaço de expansão, pois acreditamos no crescimento de 25% no uso dessa embalagem até 2025”, afirma.

Os fabricantes também devem estar atentos no momento de inserção do líquido na garrafa de vidro, como ensina Rodrigo Toledo, coordenador de sistemas de qualidade da Verallia. “No processo de enchimento da embalagem, é necessário ficar atento ao alinhamento do bico de enchimento para que este não toque as laterais do pescoço da garrafa, o que poderia riscar ou até mesmo lascar a parte interna da embalagem”, explica.

Além disso, é preciso respeitar o chamado “headspace”, espaço para que exista ar dentro da embalagem, necessário para que o CO2 se expanda e não gere pressão excessiva na embalagem, o que provocaria o risco de acidentes. Os fabricantes de garrafa de vidro reforçam que a sua medida é definida no desenho do produto e deve ser respeitada, garantindo que o volume adequado seja acondicionado na embalagem e a câmara de expansão esteja correta.

A inserção do rótulo também precisa ser feita na área determinada na garrafa, o deixando bem posicionado, o que evita contatos com as demais embalagens durante o processo produtivo na fábrica e até mesmo em seu manuseio no ponto de venda. O profissional da Verallia alerta para riscos relacionados aos contatos entre garrafas na linha de produção, que podem chegar a até afetar a estrutura da embalagem, além de criar pontos de fragilização.

Todo o impacto gerado no manuseio da embalagem de alguma forma prejudica sua resistência, o que torna necessário um bom ajuste nas linhas de produção. O barulho excessivo de vidros batendo na linha é um forte sinal de que a resistência da embalagem de vidro está sendo prejudicada

Rodrigo Toledo, coordenador de sistemas de qualidade da Verallia

Cuidados para além do envase
O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Vidro (Abividro), Lucien Belmonte, destaca que, por suas características de resistência e durabilidade, a garrafa, quando bem manipulada nas diferentes etapas, da fabricação ao seu retorno para a indústria, pode ser utilizada centenas de vezes.

“Tudo é viável, de acordo com o que se demanda para aquela embalagem. A questão é se a garrafa foi feita para aquela função – ser retornável, por exemplo. A partir disso, ela terá as propriedades de segurança para o seu uso”, comenta.  

Essa manipulação correta da embalagem ganha relevância para os casos em que se pretenda reutilizar aquela garrafa. Nesse caso, o cumprimento dos cuidados deve vir acompanhado por movimentos da cadeia que reforcem as características de circularidade do vidro.

“O reuso funciona quando se está perto da fábrica que vai limpar a embalagem e quando há demanda por consumo dos retornáveis, mas tem fatores desafiadores, que são os tributos, os fretes e a distância. Então, a movimentação precisa ser motivada e a conta precisa valer a pena para multiplicarmos o reaproveitamento”, comenta a presidente da Abrabe.

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Além disso, a resistência e as propriedades de reciclabilidade tornam o vidro um grande aliado da economia circular, podendo contribuir fortemente para seu avanço. A recente movimentação para abertura de novas fábricas e fornos de vidro reforça a expectativa de aumento do reaproveitamento desse material.

“Novas fábricas de produção de vidro estão em desenvolvimento, aumentando o mercado de consumo e, consequentemente, de reciclagem também. As novas fábricas vêm acompanhadas de novas tecnologias e mais eficiência nos processos”, relata Gabriela Ditt, analista de relações institucionais e sustentabilidade da Abividro.

Brasil venderá 480 mi de litros de cerveja sem álcool em 2023, diz Euromonitor

A venda de cerveja sem álcool ou de baixo teor alcoólico deve chegar próxima a meio bilhão de litros em 2023 no Brasil. De acordo com projeções da empresa de pesquisa de mercado Euromonitor International, o índice deve ultrapassar os 480 milhões de litros neste ano, um incremento de cerca de 90 milhões de litros em relação a 2022.

A projeção foi realizada a pedido do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv) e, caso se confirme, representará alta de 24% na comparação com os 390 milhões de litros comercializados em 2022. A aceleração da venda de cerveja sem álcool é uma tendência global, tanto que superou os 6,5 bilhões de litros no ano passado no mundo. A projeção de crescimento para 2023 é de 5,7%, em um ritmo mais lento, portanto, do que do Brasil.

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“No mundo, o segmento movimenta US$ 10 bilhões, com expectativa de crescer mais um terço nos próximos anos, segundo dados da Worldwide Beer Alliance (WBA). Esse desempenho está relacionado à crescente busca do consumidor por um estilo de vida mais leve, saboroso e equilibrado e os investimentos do setor em inovação e oferta de novos produtos”, afirma Marcio Maciel, presidente executivo do Sindicerv.

Recentemente, Ambev e Grupo Heineken, que são representados pelo Sindicerv, citaram, em seus resultados financeiros do primeiro trimestre de 2023, bons resultados envolvendo suas marcas de cerveja sem álcool no país.

De acordo com a Ambev, o volume da Budweiser Zero cresceu mais de 90% sequencialmente, e sua cobertura mais do que dobrou em relação ao último trimestre de 2022. Já a Heineken Zero, segundo a multinacional de origem holandesa, manteve o crescimento das vendas no país, em detrimento do recuo na comparação com o primeiro trimestre do ano passado globalmente.

Apesar disso, a estimativa do Euromonitor de expansão de 24% no ritmo de venda de cerveja sem álcool no país em 2023 apresenta um freio no ritmo de crescimento na comparação com 2022, quando houve alta de 37% ante 2021. Ainda assim, cerca de 200 milhões de litros de cerveja sem álcool deverão ser adicionados às vendas do mercado brasileiro de bebidas em relação aos 284 milhões de litros de 2021.

IraHops é eleita melhor fazenda na Copa Brasileira de Lúpulos; veja resultado

A IraHops foi o principal destaque da segunda edição da Copa Brasileira de Lúpulos. A fazenda da produtora de lúpulos em Itapetininga (SP) foi eleita a melhor do país na competição, realizada na cidade de Campinas e organizada pelo químico Duan Ceola e pela Kalamazoo Natural Solutions.

A disputa reuniu 35 fazendas de lúpulos do país, que inscreveram 87 amostras do ingrediente cervejeiro. E pelo acúmulo de medalhas, a IraHops foi eleita a melhor fazenda produtora de lúpulo do país, sucedendo a Brava Terra, que havia sido a vencedora da edição anterior da competição, que foi realizada no ano passado.

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Foram duas medalhas de ouro, nas categorias Magnum e Crystal, e duas de bronze, nas variedades Saaz e na Zeus, para a IraHops, na premiação realizada na noite de sábado (20).

A Fazenda Bella Terra foi a segunda colocada na Copa Brasileira de Lúpulos ao também faturar quatro medalhas, sendo uma de ouro, duas de prata e uma de bronze. O ouro para a produtora de São Sebastião do Paraíso (SP) veio da variedade Zeus.

O Grupo Petrópolis conquistou dois ouros, nas categorias Triumph e Chinook, além do bronze na Triple Pearl. A Lúpulos Guará, de Santa Rita do Sapucaí (MG), também se destacou na Copa Brasileira de Lúpulos ao conquistar dois ouros, nas categorias Saaz e Cascade. Já a Lúpulos Brasil, de Ipeúna (SP), levou o ouro da categoria mais concorrida, a Comet.

A disputa tem o intuito de contribuir para o aperfeiçoamento técnico dos cultivadores e dos consultores e divulgar a qualidade da produção nacional de lúpulo, como explica Duan Ceola, idealizador e organizador da Copa Brasileira.

“A copa tem três objetivos principais: mostrar a qualidade do lúpulo nacional, realizar a ponte entre agricultor e cervejaria, que é o principal cliente do produtor, e fazer com que o agricultor melhore a sua produção”, afirmou Duan, durante a cerimônia de premiação.

As variedades de lúpulo foram premiadas em 15 categorias, mais do que o dobro das sete do ano passado. Nelas, se distribuíram 36 medalhas, sendo 13 de ouro, que não foram dadas para as variedades Brewers Gold e Triple Pearl. Na competição, os lúpulos foram avaliados por mais de 20 jurados, de acordo com os alfa-ácidos e por análise sensorial.


A Copa Brasileira de Lúpulos contou, em paralelo, com a realização da Semana do Lúpulo Nacional em Campinas, com debates e workshops. Além disso, foram oferecidas 11 cervejas produzidas com lúpulos brasileiros, em ação que contou com o apoio do Polo Cervejeiro da Região Metropolitana de Campinas.

Veja as medalhistas de ouro da Copa Brasileira de Lúpulos:

Comet – Lúpulo Brasil
Magnum – IraHops
Zeus – Fazenda Bella Terra
Saaz – Lúpulos Guará
Triumph – Grupo Petrópolis
Sorachi Ace – Lúpulos Dalcin
Nugget – Fazenda Mantique
Cascade – Lúpulos Guará
Chinook – Grupo Petrópolis
Mittelfrüh – Dio Santo Lúpulo
Southern Cross – Éden Hops
Crystal – IraHops
Experimental – Lúpulo do Vale

Cerveja na Apas: Estrangeiros buscam novos mercados e gigantes exibem novidades

Fonte de negócios e vitrine importante para o setor supermercadista brasileiro, a 37ª edição da Apas Show atraiu o interesse de diferentes representantes da indústria da cerveja, com grandes grupos nacionais aproveitando a oportunidade para mostrar as novidades de extensos portfólios, enquanto marcas sul-americanas buscavam atrair a atenção para a possibilidade de novas parcerias que aumentem o seu alcance no mercado brasileiro.

Esses representantes, presentes ao Expo Center Norte, em São Paulo, ao longo da última semana, se misturaram entre os cerca de 850 expositores, sendo mais de 200 internacionais, distribuídos em cinco pavilhões e 78 mil m² de exposição da feira, organizada pela Associação Paulista de Supermercados (Apas).

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Presente à feira, a reportagem do Guia identificou que diversas cervejarias internacionais também aproveitaram o palco do maior evento varejista da América Latina para colocarem em prática seus planos de expansão.

Foi o caso da chilena Kunstmann, da cidade de Valdívia, que participou pela primeira vez da Apas e trouxe 9 das suas 15 opções de cerveja. “Estamos aqui no Brasil com a intenção de trazer toda a nossa qualidade e variedades de cervejas do nosso país e começar a desenvolver a nossa marca aqui no Brasil. Estamos procurando novas parcerias com as redes de supermercados e com os exportadores”, afirma Felipe Meneses, gerente de exportação da cervejaria.

Com capacidade produtiva de 400 mil hectolitros anuais, a Kunstmann está, de acordo com Meneses, em toda a América do Sul, com exceção da Venezuela e Equador, e comercializa sua produção em garrafas de vidro, latas de alumínio e chope. Atualmente no Brasil, a Kunstmann já está presente em Santa Catarina, Rio de Janeiro, São Paulo, Amazonas, Goiás e Minas Gerais.

Segundo ele, a feira permitiu a marcação de diversas reuniões com potenciais importadores. “Temos muitas expectativas de crescer e de consolidar a nossa marca no Brasil e a Apas é uma grande oportunidade para isso”, diz Meneses.

Já a argentina La Matriarcada aproveitou a Apas para buscar entrar no mercado da cerveja do país. “O Brasil é um mercado grande na América Latina e com muitos consumidores de cervejas. O intuito é primeiro expandir para o Brasil e depois mundialmente”, afirma Jose Augusto, sócio-proprietário da cervejaria de La Plata.

Hoje com comercialização limitada à Argentina, a La Matriarcada teve na Apas a sua primeira grande feira a nível mundial com participação como expositora. “No ano passado, também estive na Europa para divulgar as nossas cervejas, mas ainda estamos negociando”, diz. “A participação na feira foi magnífica e não falei somente com os brasileiros, mas também com os uruguaios e bolivianos. Para expansão dos negócios, a feira foi muito interessante”, acrescenta.

A cervejaria La Matriarcada nasceu em 2019 como plano de expansão do restaurante familiar, mas o foco está mais na cerveja. Para os presentes na Apas, levou seus seis estilos de cerveja: Pilsen, Strong Red Ale, Dry Stout, IPA, Weiss e Honey Ale.

Gigantes da cerveja brasileira na Apas

Neste ano, o evento organizado pela Apas, que esperava receber mais de 120 mil visitantes e gerar negócios em torno de R$ 14 bilhões, reforçou o conceito “Além de Alimentos”, que reflete seu posicionamento de oferecer tudo de mais relevante para o setor – desde alimentos e bebidas, incluindo tecnologia e inovação, passando por logística, finanças, infraestrutura, equipamentos e conteúdos relevantes para o varejista. E entre os patrocinadores platinum da edição estavam a Ambev e o Grupo Heineken.

Esses gigantes da indústria estiveram presentes na Apas com novidades e ativações, muitas delas indo além da cerveja. A Ambev não só levou todo o seu portfólio de produtos para o público presente ao evento, como também ofereceu degustações de produtos. E o destaque no estande da cervejaria ficou para o lançamento de mais três rótulos da Brahma Duplo Malte: a Duplo Malte Trigo, a Duplo Malte Tostada e a Duplo Malte Black, que anteriormente havia sido apresentada em versão limitada.

Já com a proposta de um estande sustentável, com experiência imersiva e degustação de rótulos, o Grupo Heineken levou itens conhecidos do portfólio, como Eisenbahn, Sol, Amstel, Lagunitas, Blue Moon, Baden Baden, Heineken, Heineken Zero e Fys. A companhia apresentou novas opções da Devassa Tropicaê, nos sabores de limão e maracujá. Atualmente as novidades estão sendo comercializadas apenas no Nordeste.

Além disso, aproveitou a grande movimentação do evento para reforçar o lançamento da sua marca de refrigerantes premium, a Clash’d nos sabores maçã golden, hortelã com capim limão, limão siciliano, morango com gengibre e frutas vermelhas com hibisco.

A companhia também buscou minimizar os impactos ambientais durante e após a feira. Com 300 m² de área útil, o ambiente do estande foi projetado principalmente com materiais biodegradáveis, como tintas à base de água, tecidos crus e madeiras recicladas ou recicláveis. No último dia do congresso da Apas, ainda realizou uma palestra sobre a parceria entre varejo e indústria.

Com um estande de 175 m², a Coca-Cola Femsa Brasil focou, durante a Apas, na apresentação do portfólio de bebidas que produz ou tem sua distribuição, com destaque para as marcas de cerveja Therezópolis, Estrella Galicia e Eisenbahn, que estavam disponíveis para degustação. Além disso, a novidade da marca foram as bebidas Jack & Coke e Lemon Dou – ambas passam a compor a linha de alcoólicos da companhia.

O Jack & Coke surgiu do mix de Coca-Cola com o Tennessee Whiskey, da Jack Daniel’s. Já o Lemon-Dou traz uma receita japonesa com vodca, limão e água gaseificada e pode ser encontrado nas versões limão, limão com mel e limão com sal. “Buscamos diversificar nosso portfólio de acordo com as diversas ocasiões de consumo de nossos públicos. O Jack & Coke e o Lemon-Dou ampliam nossa presença para mais momentos na rotina das pessoas”, comenta o diretor comercial da Coca-Cola Femsa Brasil, Adalberto Luiz Fofan.

Por sua vez, o Grupo Petrópolis, que montou um estande com cerca de 800 m², ofereceu uma experiência imersiva com óculos de realidade aumentada para um beer tour virtual, além de ter apostado em seu chope na lata, a ITA-Draft Tardezinha, que conta a parceria do cantor Thiaguinho.

Fora isso, outra novidade foi a ampliação da linha do TNT Energy Drink, com os sabores Maçã Verde, Zero, Tangerina e Açaí com Guaraná. E quem passou pelo estande ainda pôde encontrar produtos conhecidos, como a Itaipava, a Black Princess, a Cacildis e outras cervejas, além de vodcas, ices, energéticos, isotônicos, a água Petra e o refrigerante It!.

Balcão Xirê Cervejeiro: O papel do patrocinador quando violam direitos

Balcão Xirê Cervejeiro: Qual o papel do patrocinador quando o patrocinado comete uma violação de direitos

Olá, seguidores/as e leitores/as do Guia da Cerveja, estou de volta ao balcão Xirê Cervejeiro e, desta vez, quem nos guiará é uma pergunta franca: qual é o papel de patrocinadores quando há notícia envolvendo casos de trabalho análogo à escravização, como o que ocorreu com o Lollapalooza?

Estamos no mês de maio e no último dia 13 completaram 135 anos do fim da Instituição Jurídica da escravização no Brasil. A Lei 3.353, de 13 de maio de 1888, continha apenas dois dispositivos, são eles:

Art. 1º É declarada extincta desde a data d’esta Lei, a escravidão no Brazil.

Art. 2º Revogam-se as disposições em contrário.

Lei 3.353, de 13 de maio de 1888

Como se observa dos artigos supracitados, não houve nenhuma menção às políticas públicas direcionadas àquele grande contingente populacional que foi jogado à própria sorte, sem trabalho, sem moradia, sem acesso à saúde, à educação. E os danos pela falta de acesso aos bens materiais, bens esses que os escravizados produziam e foram a base do acúmulo capital da sociedade brasileira, observamos na atualidade.

Você pode já está se perguntando: Sara, como o fim da escravização de pessoas negras no Brasil se conecta com o mercado cervejeiro?

Assim, como Brás Cubas, caro leitor, me reporto a você e peço que faça o exercício de analisar as relações sociais, econômicas, de trabalho e, claro, raciais no Brasil.

Observe a realidade plasmada e veja quais são as cores dos corpos resgatados em situação análoga à escravidão no Brasil nos últimos anos.

Nos últimos meses, pipocaram nas mídias notícias de que trabalhadores estavam exercendo suas atividades laborativas em situação análoga à escravização.

De norte a sul do país, de empresas de vinho a açúcar, até festival de música, foram acusados de terem nos seus quadros, pessoas exercendo atividades laborativas em situação degradante e inumanas.

A maioria dessas empresas contrataram os trabalhadores de forma indireta, através de prestadores de serviços, a fim de evitar obrigações trabalhistas, alguns foram contratados na informalidade. O que essas empresas esquecem é que, juridicamente, respondem solidariamente.

A lei permite a contratação de mão-de-obra através da terceirização. No entanto, o direito do trabalho que regula a matéria traz as responsabilizações não só à empresa terceirizada, mas a que terceirizou o serviço. Caso haja inadimplemento por parte do empregador, busca-se a responsabilidade subsidiária do tomador de serviço. É o que preconiza a Súmula nº. 331, inciso IV do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que trata sobre o Contrato de Prestação de Serviços/Legalidade, que traz a previsão da responsabilidade subsidiária da terceirização da mão-de-obra.

Isto posto, trago à memória um recente caso envolvendo uma gigante do setor de entretenimento e uma grande marca de cerveja que realizava o patrocínio, no caso em comento, o festival Lollapalooza e a Budweiser.

Não é a primeira vez que o Lollapalooza, festival internacional de música que ocorre no Brasil, é acusado de ter no evento trabalhadores em situação análoga a escravização. Segundo noticiado, 5 trabalhadores foram resgatados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em situação de trabalho degradante que se assemelha ao trabalho análogo à escravização:

“Segundo informações da pasta, os 5 funcionários trabalhavam como carregadores de material durante o dia, com uma jornada de trabalho de 12 horas, e eram obrigados a dormir nos pontos de estoque de bebidas dentro do autódromo de Interlagos –onde o festival é realizado– para fazer a segurança do local. Todos moravam próximos ao local de trabalho, no bairro do Grajaú.”

Não é a primeira vez que o festival se utiliza dessa prática. Em 2019, utilizaram da mesma prática, contrataram pessoas e pagavam R$ 50,00 por 12 horas de trabalho para desmontarem os palcos. Houve uma comoção social à época e, anos depois, novas denúncias surgiram. Ou seja, pelo visto, nada mudou.

O festival é um dos mais disputados por empresas que querem aproveitar a audiência para vender suas marcas e seus produtos. Em 2023, mais de 20 empresas de renome patrocinaram o festival. No campo da bebida, a Budweiser é a patrocinadora oficial do evento.

Os trabalhadores resgatados, este ano, estavam cuidando das bebidas que seriam vendidas no evento.

E a pergunta que fica: qual a importância do posicionamento público das marcas que são patrocinadoras de eventos, contra atos que violam os direitos humanos como o flagranteados no Lollapalooza?

Cobrar responsabilidade pública e ações é uma forma de demonstrar que não compactua com práticas de violações de direitos. Quando você patrocina um evento, você é parte dele. Ao colocar sua marca em um evento que possui histórico de violação de direitos e sem se posicionar publicamente, indiretamente você poderá estar concordando com essa prática.

Após as notícias veiculadas em todas as mídias de que no festival Lollapalooza  foram resgatados trabalhadores em situação análoga à escravização junto ao setor de bebidas, o que gostaria de ouvir da marca era: Budweiser firma Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o festival Lollapalooza contra a utilização de pessoas exercendo trabalho análogo à escravização, mas o que lemos na mídia foi: Budweiser distribui Bud Zero às pessoas que foram assistir aos shows no Lollapalooza. A mensagem que passa é que pessoas estavam sendo premiadas dentro de um festival que violou direitos humanos. É hora de educar as pessoas e mostrar que podemos ser melhores.

Dias atrás, disseram que eu jamais tocaria em temas sensíveis como esse por ser patrocinada pela Ambev. Eu não sou. Aliás, já fui solicitada por algumas pessoas do meio cervejeiro a não trabalhar questões dessa natureza porque as empresas do meio cervejeiro me isolariam. Não parei e o que elas disseram se confirmou. Mas tratar sobre temas como o que trouxe aqui não é para polemizar, mas, sim, nos levar a refletir sobre o que queremos enquanto sociedade.

Faço parte da maior parcela da população brasileira que por quase 400 anos foi escravizada e mais de 130 anos depois do fim da escravização jurídica, continua sofrendo todo tipo de sortilégios. Em função disso, não dá para ficar em silêncio diante de situações como essa. Até porque, o silêncio não nos protege, já nos advertiu Audre Lorde.

Aqui, não se trata de demonizar uma marca, mas perguntar qual é o real comprometimento com situações de violações de direitos, qual é o real comprometimento com a população negra, uma vez que é essa população a mais atingida.

Enquanto nos Estados Unidos, país em que a população negra não chega a 15%, um estado como a Califórnia está se preparando para pagar indenizações às pessoas negras em razão da escravização, no Brasil, onde o contingente negro (pretos e pardos), segundo o IBGE, é mais de 56% da população, vemos, ao invés de reparação histórica, empresa colaborando com a reificação dessa população.

Às empresas do setor: vamos conversar, vamos promover mudanças, vamos trabalhar de forma honesta o letramento racial crítico?

Para finalizar a nossa conversa e encerrar o nosso papo no Balcão Xirê Cervejeiro, deixo dicas de leitura para que possamos compreender e mudar essa realidade perversa que nos atravessa:

– Um Pé na Cozinha, de Thaís Sant´anna Machado, da editora Fósforo, e Ventres Livres?, da Editora Unesp

Por hoje é só.


Fontes:

https://www2.camara.leg.br/legin/fed/leimp/1824-1899/lei-3353-13-maio-1888-533138-publicacaooriginal-16269-pl.html
https://www.em.com.br/app/noticia/nacional/2023/03/23/interna_nacional,1472771/trabalhadores-no-lollapalooza-estavam-em-regime-analogo-ao-escravo.shtml
https://www.poder360.com.br/brasil/trabalho-encontra-situacao-analoga-a-escravidao-no-lollapalooza/
https://jaquesoliver.jusbrasil.com.br/artigos/351057494/responsabilidade-solidaria-e-subsidiaria-das-empresas-grupo-economico-e-sucessao-de-empregad
https://calmatters.org/california-divide/2023/05/reparations-payments-california/


Sara Araujo é graduada em Ciências Jurídicas, pela Instituição Toledo de Ensino Bauru (SP). Atua na área de execução penal, sendo graduanda em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Maringá (PR) e pós-graduanda em História da África e da Diáspora Atlântica pelo Instituto Pretos Novos do Rio de Janeiro. É sommelière de Cervejas pela ESCM/Doemens Akademie e criadora e gestora do @negracervejassommelier

Marcas e fábrica da Santa Catarina são adquiridas por grupo empresarial

A Cervejaria Santa Catarina tem novo dono. O Grupo Ezos anunciou a aquisição de 100% das operações da companhia, o que inclui as marcas Saint Bier, Catarina, Coruja e Barco, assim como o seu parque fabril, localizado na cidade de Forquilhinha.

Criado em outubro de 2020, o Grupo Ezos conta no seu portfólio com as empresas Fumacense Alimentos, conhecida pelos produtos Kiarroz e RisoVita, JS Empreendimentos, Criciúma Shopping e Mark at Place. Assim, realizou, agora, seu primeiro investimento no setor cervejeiro.

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À reportagem do Guia, a empresa afirma que essa aquisição se deu por visualizar uma oportunidade de crescimento da operação da cervejaria. “O Grupo Ezos enxergou, na Cervejaria Santa Catarina, um negócio que posse ser expandido consideravelmente, trazendo cada vez mais sucesso para o grupo econômico”, diz.

O Grupo Ezos afirma pretender aproveitar o que enxerga como sinergia mercadológica e logística da Fumacense Alimentos com a cervejaria para levar seus rótulos a mais localidades. “Unir estes negócios em um único grupo econômico vai promover uma grande capilaridade de distribuição do mix da Cervejaria Santa Catarina no país e, consequentemente, fazendo o negócio crescer de forma exponencial”, afirma.

Para alcançar esse crescimento, o Grupo Ezos também promete realizar investimentos para renovar e ampliar a fábrica da Cervejaria Santa Catarina. Hoje, o espaço possui capacidade para produzir até 500 mil litros mensais em caso de rótulos Pilsen, volume que se reduz com a adição de outros estilos ao mix.

“A ideia é levar os produtos da Cervejaria Santa Catarina para cada vez mais regiões do Brasil, expandindo a presença das marcas pelo país e, por consequência, tornando o negócio maior e mais forte. Para tanto, precisa comportar esse crescimento aumentando sua capacidade de produção, é onde entram os investimentos”, comenta.

Além disso, o Grupo Ezos também promete fazer contratações para a equipe de colaboradores da Cervejaria Santa Catarina. “Sobre os funcionários, a compra reforça a manutenção dos empregos existentes e, nas próximas semanas, a cervejaria ainda deve contar com a contratação de novos colaboradores, para poder retomar a produção em 100% de sua capacidade”, declara a companhia.

A aquisição por parte do Grupo Ezos encerra um período de incerteza iniciado em abril, quando os responsáveis pela cervejaria anunciaram o fechamento da unidade produtiva em Forquilhinha e relataram o desejo de licenciar as marcas, agora vendidas, assim como a fábrica.

Quem é a Cervejaria Santa Catarina?

Em 2007, a Cervejaria Santa Catarina foi fundada, conquistando sucesso através da venda do chope da Saint Bier, que em 2010 começou a produzir seus rótulos. Posteriormente, Coruja, Barco e Catarina foram incorporadas ao seu portfólio. 

Em 2022, a Cervejaria Santa Catarina sofreu um grande baque, com a morte de Abrahão Paes Filho, seu sócio-fundador, em um acidente de trânsito, enquanto conduzia uma motocicleta de luxo na rodovia Governador Jorge Lacerda, em Criciúma.

As marcas Saint Bier e Coruja representam o carro-chefe da Cervejaria Santa Catarina, com ambas superando a barreira dos 100 mil litros de cerveja produzidos por mês, um nível relativamente raro entre as artesanais brasileiras.

Menu Degustação: Festivais no Rio e em Joinville, aniversário em Morretes…

Os festivais em diferentes cidades são uma das atrações do fim de semana para o público cervejeiro. Seja no Rio, palco do Festival Cervejeiro Carioca, ou em Joinville, que receberá o Festival Craft Beer, não faltarão opções de boas cervejas para quem pretende sair de casa neste sábado e domingo.

Já em São Paulo, o Parque Villa Lobos receberá o Nômade Festival com grandes artistas brasileiros e ativações da Petra. E em outra frente, o final de semana será de comemoração do aniversário da Três Morretes no Paraná.

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Confira essa e outras novidades do setor no Menu Degustação do Guia:

Festival Cervejeiro Carioca
O Festival Cervejeiro Carioca está de volta à Cidade das Artes em uma edição especial que celebra os 10 anos de inauguração do espaço cultural na Barra da Tijuca. A 20ª edição do FCC acontece neste sábado e domingo (20 e 21), com mais de 20 cervejarias presentes e mais de 80 rótulos, além de estações gastronômicas e atrações musicais com shows ao vivo. Entre as cervejarias participantes desta edição estão as marcas Fractal, Oldschool, Pakas, Antuérpia, Boto, Farra, Masterpiece, Hocus Pocus, Noi, Tropí Brassaria, Indigo, Alter, Rotter, Kumpel, Galo e Dr Beer Hops.

Festival em Joinville
O sábado e o domingo também serão de muita cerveja em Joinville (SC). Por lá, na Expoville, vai acontecer o Festival Craft Beer, com 28 cervejarias, praça gastronômica com 20 food trucks e 10 bandas e DJs. Serão mais de 200 opções de chope. Entre as atrações musicais está a banda Alta Voltagem, que já foi eleita a melhor cover no Brasil do AC/DC. Também haverá área kids. A entrada é gratuita, mas há necessidade de se realizar um cadastro no site.

Aniversário da Três Morretes
A cervejaria Três Morretes vai celebrar seu aniversário de três anos com um evento neste sábado (20), às 11h30, no Bistrô da Vila, em Morretes (PR). No evento, haverá pratos típicos da região harmonizando com rótulos da cervejaria, assim como o lançamento de uma cerveja comemorativa, a Penajóia, uma Strong Golden Ale com adição de mel e gengibre de Morretes, casca de laranja e semente de coentro.

Shows internacionais com Heineken
A Heineken fechou um acordo com a Live Nation Brasil para ser a cerveja oficial 15 shows internacionais promovidos pelo braço nacional da empresa de entretenimento global neste ano e no próximo, em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre e Brasília, com a expectativa de impactar mais de 650 mil pessoas. A primeira parceria foi ativada já no início de maio, durante a mais recente turnê da cantora norte-americana Alicia Keys, nos shows realizados no Rio e em São Paulo. Além disso, a Heineken já está confirmada como a cerveja oficial da apresentação da banda norte-americana Foo Fighters, que desembarca no país em setembro.

Diretoria de felicidade
O Grupo Heineken anunciou a criação da sua diretoria de felicidade, área que será responsável por acompanhar e agir para aumentar o sentimento de bem-estar dos 14 mil colaboradores espalhados pelo Brasil. A diretoria de felicidade é formada por profissionais de recursos humanos e de saúde, como psicólogos e médicos, para que seja possível um cuidado integrado de saúde física e mental. “A iniciativa representa um novo pilar estratégico da companhia para sustentar o crescimento previsto nos próximos anos, em linha com os investimentos recém-anunciados no país”, afirma a empresa.

Petra no Nômade Festival
Tendo em seu line-up atrações como Alcione, Seu Jorge, Criollo, BayanaSystem, Karol Conká e Luedji Luna, o Nômade Festival realiza a sua quarta edição neste sábado e domingo no Parque Villa Lobos, em São Paulo, tendo o patrocínio da Petra. E a marca do Grupo Petrópolis fará várias ativações, como carrinho-bar com open de cerveja no espaço Family&Friends, redário para o descanso dos consumidores e um palco de DJs exclusivo.

Incentivo a projetos de cultura cervejeira
A Ambev abriu inscrições para o Fermenta, edital que vai apoiar projetos e iniciativas para disseminação e impulsionamento da cultura cervejeira. Serão selecionados até 5 projetos em três faixas de valor, sendo eles: dois de até R$ 15 mil, dois projetos de até R$ 25 mil e um projeto de até R$ 50 mil, divididos em dois eixos temáticos: crescimento compartilhado e capacitação, no qual serão contempladas iniciativas que visem a aceleração e crescimento contínuo do ecossistema cervejeiro; e disseminação da cultura cervejeira, no qual o foco é fomentar festivais, shows, encontros, competições, palestras, produção de conteúdo em diferentes formatos, produtos para plataformas de streaming, dentre outros tipos de projetos. O período de inscrições encerra-se em 18 de junho.

Brasil Sabor
Iniciado na última quinta-feira (17), o Brasil Sabor chega a sua 17º edição, que vai até 4 de junho. Com o tema “O Brasil de Todas as Cores”, o evento, promovido pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), acontece simultaneamente em 785 estabelecimentos de 70 cidades e 18 estados, além do Distrito Federal, das cinco regiões do país. Valorizando as raízes brasileiras com pratos que enaltecem ingredientes e técnicas de preparo originais, o festival gastronômico conta com o patrocínio nacional da Ambev e acontece em formato híbrido, ou seja, os clientes poderão experimentar os pratos nos restaurantes ou em casa, por um valor promocional.

Bar bicampeão
Considerado o maior concurso de butecos do país, o Comida di Buteco chegou ao fim e começou a anunciar os vencedores por cidades. Em São Paulo, o ganhador foi o Venezas Bar, que fica no bairro Ipiranga, repetindo o resultado do ano passado. Agora o Comida di Buteco parte para a etapa nacional. Depois de eleitos todos os campeões de cada circuito, um novo corpo de jurados visita e avalia os campeões regionais para que seja eleito, então, o melhor buteco do Brasil. Em julho, será revelado o campeão nacional, numa festa em São Paulo.

Entrevista: “Juros estão impossíveis para os bares pagarem”

Em um contexto pós-pandemia, os bares e restaurantes enfrentam desafios persistentes que afetam sua lucratividade e mesmo a sobrevivência, encarando dificuldades especialmente pelo crescimento de dívidas atreladas aos juros, de acordo com Percival Maricato, diretor institucional da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em São Paulo (Abrasel-SP), e diretor presidente do conselho da Escola de Bares e Restaurantes (Esbre)

Essa avaliação sobre um cenário desafiador foi apresentada em entrevista de Maricato ao Guia, em que apresentou sua visão sobre a situação do setor e suas perspectivas. Ele destacou a dificuldade enfrentada pelos bares para lidar com os juros, com a taxa básica, a Selic, em 13,75% desde agosto de 2022, mais de 10% acima do período de início da pandemia, quando muitos estabelecimentos precisaram recorrer a empréstimos.

Além disso, Maricato reconheceu que o impacto do modelo híbrido em bares próximos a escritórios veio para ficar e precisará ser encarado pelos estabelecimentos, assim como a percepção de desaceleração econômica em 2023, mais um desafio para quem lida diretamente com os consumidores.

O diretor da Abrasel-SP também avaliou a legislação sobre assédio nos estabelecimentos que passou a vigorar recentemente no estado de São Paulo e os desafios relacionados à aplicação das novas regras.

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Confira a entrevista do Guia com Percival Maricato:

A fase aguda da pandemia já passou, mas é sabido que bares e restaurantes sofreram muito com os impactos das restrições impostas. Quais desafios permanecem e como os estabelecimentos estão lidando com eles?
Estamos em situação difícil, 70% dos estabelecimentos ou dão prejuízo ou no máximo estão trabalhando sem lucro, empatados. O maior problema está nos juros. Milhares de bares tomaram empréstimos com os juros em 3,5% e agora estamos em 13,75%. Isto é impossível de pagar.

O modelo de home office está praticamente escasso no mercado de trabalho, mas diversas empresas estão adotando e fixando o formato híbrido. Você consegue perceber se isso causa impacto nos bares? Quais são os desafios e oportunidades que esse cenário acarreta?
O home office prejudicou muito mais na época da pandemia e em determinadas regiões, onde se têm muitos prédios de escritórios. Atualmente, esse efeito, com adoção do trabalho híbrido, ainda se faz sentir, mas de forma mais amena. O setor terá que se acostumar e ir se adequando.

A percepção, hoje, é que o Brasil vive um momento de desaceleração econômica, tanto que o PIB recuou no último trimestre de 2022. A Abrasel-SP tem essa mesma visão? E como isso impacta no setor?
Nos últimos anos do governo anterior, tínhamos visto ações ou fatos que nos alertavam para um ano difícil em 2023: a redução do preço dos combustíveis exigindo que estados os isentasse de ICMS, os adiamentos no pagamento dos precatórios, a queda do salário médio do brasileiro, endividamento das famílias, aumento dos juros, cobrança de tributos e outras contas que sobraram da pandemia. Isso nos levou a informar aos proprietários que 2023 seria um ano de recuperação. Não obstante, estamos lutando para sensibilizar os governos a auxiliarem o setor e evitar fechamento de empresas.

Na visão da Abrasel-SP, quais são as principais tendências e oportunidades no setor de restaurantes e bares no estado de São Paulo atualmente?
Há ainda vazios no mercado deixados pelos que fecharam na pandemia. Mas há dificuldades como as acima citadas e, principalmente, pela limitação do mercado consumidor. O brasileiro ganha menos de  R$ 1,7 mil por mês em média, apenas 15% das famílias ganham mais de R$  4 mil no país. O principal desafio é reduzir a disparidade de renda, aumentando o mercado de consumo. E então teremos oportunidades maiores.

Em sua visão, os bares e restaurantes paulistas já estão preparados para a aplicação das leis sobre assédio nos estabelecimentos? Há uma conscientização sobre a importância da legislação?
Não estão preparados. A lei é muito nova, certas questões são novas e sutis. A Abrasel, através da escola de bares e restaurantes (Esbre), está preparando empresários e funcionários através de palestras e boletins. Faremos vídeos, todos no sentido de levar informações, conscientizar, para melhor enfrentarmos o problema.

Para a Abrasel-SP, há desafios e gargalos a serem resolvidos para o efetivo cumprimento dessa legislação. Se sim, quais?
Os maiores gargalos são a falta de critérios claros para definir o crime de assédio em determinadas situações.

Em sua visão, quais são esses critérios que não estariam claros?
O ambiente dos bares é particularmente agitado, as pessoas e grupos interagem, se procuram, fazem amizades, surgem namoros. É comum a paquera, é comum a impertinência, e só após vem o crime, quando o paquerador ou impertinente tentar ir além dos limites admissíveis, perturba mesmo, chega a toques físicos ou ameaças psicológicas. Para quem está fora dessa relação, nem sempre é fácil vislumbrar que o incômodo já chegou aos limites do crime.