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Artigo: De volta, Barcelona Beer Festival é celebrado sob clima de festa da firma

*Por Andreia Gonçalves Ribeiro

A espera terminou e o maior festival de cervejas do sul da Europa tomou a capital da Catalunha em sua nona edição. O Barcelona Beer Festival, que normalmente se celebra em março, começou na última sexta-feira (17) e se estenderá até o domingo (19), no centro de eventos La Farga L’Hospitalet. Com esta nova data, a sensação de quem está por aqui é de como se fosse a habitual “festa da firma” para reunir a turma no final do ano. Hora de diversão, mas com toda a responsabilidade que o momento exige.

Desde o último toque de sino em 2019 até seu início, foram 1.006 dias de espera. A edição 2020 foi cancelada a dois dias da abertura das portas, naquele fatídico março pandêmico. Agora, então, é hora de se jogar em quase 600 cervejas de umas 250 marcas de diferentes países, contanto que os protocolos contra a Covid-19 implementados sejam seguidos. Para entrar no recinto, há a exigência do certificado digital europeu de vacinação com imunização completa, além de muitos frascos de álcool gel espalhados pelos 8.500m² do espaço. É para espalhar o tal do álcool em tudo para poder se espalhar, né? Sempre de máscara, claro.

Tanto a parte profissional, como o momento da gala de celebração do Barcelona Beer Challenge aconteceram antes. Então, a festa fica dedicada realmente às cervejas, à gastronomia e ao encontro das pessoas. Pessoas que protagonizaram dias difíceis com a pandemia, mas que agora têm a oportunidade de estarem juntas, mesmo com as restrições. Chega uma hora em que é preciso. E esse final de semana foi a data marcada.

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Também não há como faltar um discurso nas reuniões de encerramento de ano. Mikel Rius, o diretor do Barcelona Beer Festival, dedicou um artigo de agradecimento no portal Factoría de Cerveza. Nele, comenta sobre as consequências e desafios trazidos pela pandemia e assume a consciência de que o Barcelona Beer Festival é o termômetro anual do setor. “É hora de lembrar, agradecer e celebrar. Lembrar de momentos duros e projetos que tiveram de baixar a porta. Agradecer o apoio mútuo dado, as redes que foram tecidas ao longo dos anos e que nos têm dado sustento. E celebrar. Celebrar que permanecemos firmes, com muitos planos e ilusões para o futuro… Não sei se poderemos brindar com todos nesses dias (…), mas vamos tentar. Queremos olhar nos olhos, ver o brilho e dizer Salut! a tantas pessoas boas”.  

O Barcelona Beer Festival está como a “festa da firma” por aqui. Assim sendo, espero poder conseguir não perder na memória os dados e fatos vividos (acontece, né?). Para então, como pontuou “o chefe”, poder “lembrar, agradecer e celebrar” com histórias para contar até a próxima edição, que será a décima. Esperamos que seja já em 2022 e com mais alegria e menos vírus. Ficaria encantada em ser a mestre de cerimônias e ciceronear os conterrâneos em eventos como esse. E brindar, se possível, com cerveja brasileira! Fica não só a ideia, mas a ilusão e a torcida. Como dizem aqui para desejar força e paciência, “Ànims”! Ens veiem fins aviat.

O festival
Mas o que é esse “sino”? A dinâmica do festival é diferente daqueles aos quais estamos acostumados no Brasil. São 161 torneiras para servir um arsenal de cervejas, em um único espaço. Um toque de sino avisa ao público que está rolando troca de barril na torneira X. A novidade que é engatada tem seu nome escrito junto às outras cervejas disponíveis no momento, em um painel atualizado ao vivo por dois “mestres de cerimônia”. Dessa maneira, fica fácil acompanhar.

Para os mais freaks, a organização criou um aplicativo próprio, com informações sobre cada cerveja para aqueles que querem seguir o esquema “favoritou, engatou, recebeu notificação”. E corre, galera! Porque é coisa rara, misericórdia. É bobear para ficar sem. Quem é habitué de festa cervejeira já sabe bem como é. Mas não só de “batata frita 1, 2, 3” vive o Barcelona Beer Festival. Há torneiras fixas de algumas das cervejarias expoentes e estandes de marcas como as catalãs La Pirata e Ales Agullons, a Founders Brewers, dos Estados Unidos, e a Budvar, da República Checa. Ganhadores do Barcelona Beer Challenge (nesse caso, Basqueland, Cátedra Beer, Torre Mozza) também têm seu espaço, além de estandes de coletivos e de associações, além de um só pra bater papo com o mestre cervejeiro.

Meet the Brewer
“Mas qual a temperatura para obter o grau platô X…?”, “a densidade do patati patatá…?”. Sabe aquele tipo de papo que todo beer geek adora? Então, pode ir lá falar com os caras, meu filho. Mas desenrolar a língua será necessário para poder saber tudo de Cascade Brewing (EUA), Hopalaa (Letônia), Cervecería Península (logo ali de Madri), Tanker Brewery (Estônia), Thornbridge (Reino Unido), Bionoc (Itália). Eu ficarei por ali, de boa, com minha acidinha na mão. Só para não perder a chance de pescocear, cumprindo meu papel de curiosa.

Foco nas ciganas e acidez é mato!
Segundo a organização, “esta edição dá especial atenção ao fenômeno das novas cervejarias ciganas, apresentando cervejeiras como Oddity Brewing, Engorile Beer e Caravelle, entre outras. Os novos estilos também serão protagonistas, como a Italian Grape Ale, que combina o melhor do vinho e da cerveja. Não tão novo, mas muito na moda, como também estão as cervejas de fermentação mista ácidas”. Vale saber que aqui existe o movimento da “Catalan Grape Ale” como estilo. Bem semelhante às IGAs, mas com o terroir catalão. De beber e gritar “Visca”.

E vamos de ácida porque vai ter Italian Grape Ale engatada o tempo todo. E viva a cultura alimentar do Mar Mediterrâneo que se funde para nos abraçar com seus sabores. Aquele tanto de matizes próprios do solo, da cepa (sangiovese, nebbiolo, croatina, brachetto, timorasso, freisa) e de técnica para fazer as novas IGAs, que dá até pra escolher. Uma seleção de peso da delegação italiana que vem com o time escalado com Birra Bruton, Birra Dell’Eremo, Pirra Perugia, Birrificio Italiano e Birrificio Lambrate. Eu quero sair falando com as mãos, cazzo!

A relação do setor cervejeiro da Catalunha com o da Itália já vem de longa data, com a participação de produtos e profissionais em eventos italianos, como é o caso dos organizadores. A Beer Events, responsável por organizar o forfait, cria aplicativos, faz estudos do mercado e somou ao currículo a realização do InnBrew – primeiro encontro profissional do setor, ocorrido em julho – e do Bizkaia Beer Festival em Bilbao, primeiro festival dedicado ao público cervejeiro da Comunidade Autônoma do País Basco, em outubro.

Mikel Rius, diretor do Barcelona Ber Festival, também singrou os mares e descobriu as cervejas brasileiras ao participar como juiz da última edição do Brasil Beer Cup. E eu espero, de coração, que em um momento futuro a gente também possa voltar a viajar para participar de festivais e eventos. Não tem nada melhor nessa vida que beber in loco e eu sei que quem teve a paciência de ler até aqui, concorda comigo nesse ponto sobre turismo cervejeiro.

Atividades paralelas
Participar é parte mais do que importante na cultura cervejeira e há uma programação de mesas redondas, degustações harmonizadas, verticais e especiais, além de apresentações de estudos. Para estas, era necessário agendar previamente. Há desde apresentação de estudos a aquelas degustações marotas, além, claro, do momento Pink Boots! Afinal, pode ser que elas sejam poucas num meio onde 72% são homens, segundo o recente relatório da Associação Espanhola de Cervejeiros Artesanais apresentado na última sexta. Mas elas são poderosas, viu? Visíveis, divertidas e brilhantes. Citar nomes seria injusto. Falar qualquer muito é pouco. Só de ter a oportunidade de brindar com elas, é uma honra. Estou ansiosa.

Gastronomia, cultura e mais diversão
Se bem que brindar anda meio perigoso… Manter a distância e tirar a máscara só para comer é o que se recomenda. Aliando gastronomia à cerveja artesanal há a apresentação de projetos como a Fundació Oficis de la Carn, de embutidos, e a presença costumeira do restaurante barcelonês El Racó d’en Cesc. Para os comensais que bebem e comem e comem e bebem, seis opções de restaurantes estão no cardápio, todos com propostas de alimentos que têm a cerveja como ingrediente.

As pausas podem ser feitas para curtir os “BBF Vibes”, nome dos seis espaços de atividades dedicadas. (1) O BBF Cellar, onde estão as cervejas de guarda reunidas para agradar quem adquiriu o BBF Experience (tipo um camarote, uma área VIP exclusiva), por alguns tokens a mais; (2) o Corn Hole que é um jogo de arremesso de saco de malte viciante, (3) o estande da Family Beer que ensina sobre homebrewing mostrando o processo ao vivo, (4) o BBF Discovery que é o rolê guiado com degustação e, como a festa, reúne todo mundo sem distinção, (5) e a área infantil com atrações e monitores. Por último, o (6) Photocall, um backdrop especial para posar para o Instagram.

E muita música! Esse ano, as atrações foram ampliadas, já que a festa é para comemorar e os momentos de negociação e premiação já rolaram. Espero trazer um balanço positivo desses dias. Isso se as ácidas não me… Não, não! Fica feio fazer jogo de palavras com isso. Paro por aqui porque já estou com a roupinha de ir. A sorte é que é festa da firma, né? E a regra é “até o chefe bebe”. Então, vamos celebrar que sobrevivemos, com a responsabilidade e o sentimento de estar sendo observados. Não pega bem beber do copo do coleguinha, nem se despir… Da máscara, gente! Da máscara.


*Andreia Gonçalves Ribeiro é mestra em Turismo Cultural Gastronômico e em Patrimônio, pela Universitat de Girona. É sommelière de cervejas pelo ICB e sommelière bartender pela ABS. Mineira atleticana, é pesquisadora da cerveja e seus fenômenos na Catalunha. Se deixar, “só toma azeda” e tem queda assumida pelas belgas.

Colorado lança chope com uva passa para as festas do fim do ano

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Ingrediente marcante nas ceias natalinas, mas alvo de eventuais controvérsias, a uva passa agora também poderá estar presente no chope consumido no período de festas. A Cervejaria Colorado acaba de lançar o Ho Ho Ho, uma Red Ale produzida com água, malte de cevada, lúpulo, uva passa e avelã.

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É a primeira vez que a marca da Ambev cria uma bebida especialmente para a celebração do Natal. E esse chope com uva passa possui 28 IBUs de amargor e 6,2% de graduação alcoólica. De acordo com o descritivo divulgado pela Colorado, a novidade tem aroma e sabor que remete às uvas passas (frutas secas), além de notas de avelã, que lembram o panetone, outra das tradicionais atrações do período natalino.

Ao anunciar o lançamento do chope Ho Ho Ho, a Colorado relata que a criação do chope com uva passa foi motivada pela “polêmica” que divide opiniões: o uso ou não da fruta seca como ingrediente de pratos típicos do Natal.

“Resolvemos investir em um chope especial para celebrar o Natal, que é uma data muito especial e sempre celebrada pelos brasileiros. Sabemos que tem gente que gosta e gente que não gosta da uva passa, mas na dúvida pegamos esse ingrediente tipicamente natalino e colocamos em uma cerveja que sabemos que o público irá se identificar”, explica Daniel Carneiro, gerente de marketing da Colorado.

A marca da Ambev explicou, ainda, que o chope da Colorado com uva passa está disponível em um crowler personalizado na Toca do Urso e nos Bares do Urso.

Mussum, 80 anos: O legado das suas facetas na cerveja e a luz dada à representatividade

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Um dos maiores artistas brasileiros, Antônio Carlos Bernardes Gomes, eternizado como Mussum, completaria 80 anos em 2021, como um nome de destaque do humor e do samba. E seu legado e memória estão eternizados, seja em memes na internet, programas na televisão, camisetas, bottons ou cervejas.

Mussum, afinal, será sempre lembrado por suas atuações no grupo cômico Os Trapalhões e por suas contribuições à música brasileira no grupo Os Originais do Samba. E para homenagear o aniversário do artista, a Brassaria Ampolis, marca do Grupo Petrópolis, realiza, em parceria com a agência Vírgula, o projeto “Artistas do Cacildis”.

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Em 2013, Sandro Gomes, um dos filhos de Mussum, e Diogo Mello fundaram a Brassaria Ampolis, que hoje conta com quatro rótulos fixos: Cacildis, Biritis, Ditriguis e Forévis. Agora, então, prepararam o “Artistas do Cacildis”, projeto audiovisual de entrevistas, apresentado por Mumuzinho. O cantor entrevista ícones da cultura afro-brasileira, com o intuito de abordar assuntos de carreira e a importância dos artistas que foram inspirações para os entrevistados, tendo o objetivo de dar luz à representatividade e ao legado de Mussum.

“Não é novidade que o Brasil é um país muito diverso, entretanto, durante muitos anos, isso foi invisibilizado – com o passar do tempo a diversidade e a inclusão vem sendo mais discutidas. Em ‘Artistas do Cacildis’, Mumuzinho discute negritude, representatividade, amor próprio e, principalmente, a música. Assuntos que são de grande relevância social”, conta Sandro Gomes.

Ele lembra que seu pai encantou o Brasil inteiro, com bordões que marcaram gerações, tendo, como inspiração, a representatividade. “Um homem negro e de origem humilde, que conseguiu fazer história no humor. De acordo com o padrão da sociedade, suas chances eram mínimas, mas ele foi contra essa regra e se tornou o Mussum que conhecemos”, completa.

André Carrico, vice-chefe do Departamento de Artes e professor adjunto da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), destaca como a luta contra a discriminação racial e social é fortemente atrelada ao personagem. “O Mussum está dentro de um outro contexto de comicidade dos anos 1980, mas tem um peso você pensar num artista que foi o primeiro cômico negro que fez muito sucesso na televisão”, comenta o professor, que terá a sua tese de doutorado publicada com o livro “Os Trapalhões: Uma Leitura da Comédia Popular Brasileira”.

O pesquisador explica ainda que, por mais que a comédia dos Trapalhões em alguns momentos usasse de preconceitos que na perspectiva de hoje são inadmissíveis, Mussum, enquanto cômico, sempre se colocava contra a discriminação. “Quando tinha piadas racistas, e infelizmente havia, ele não deixava quieto. Ele reivindicava de alguma forma, da maneira que ele tinha nos anos 1980 e dentro daquela estrutura, a posição social da sua etnia”, diz.

Na visão do professor, Mussum também usava de sua posição para reivindicar os direitos dos negros e a presença maior em espaços artísticos. “Naquele momento histórico, anos 1970 e 1980, o personagem tem várias cenas e vários momentos em que reclama do próprio preconceito racial. Inclusive, tem um documentário em 1980 onde ele [Mussum] aparece e fala: ‘eu acho que tem que ter cada vez mais criolo [ainda que seja um termo preconceituoso] na televisão, sim. Eu sou o primeiro e acho que tem que ter mais’. Não é uma reivindicação engajada em comparação com os dias atuais, mas dentro daquele contexto, era a sua forma de reivindicação”, afirma.

Palhaço e sambista
O carisma do Mussum era um diferencial que provocava um carinho especial do público. “Um personagem muito carismático e que tinha uma relação diferenciada. Costumo dizer que tem o público dos Trapalhões e tem um público específico do Mussum. Inclusive em relação às crianças”, avalia Carrico.

É por essa relação com as crianças, na avaliação do professor, que Mussum desenvolveu um personagem, ainda que não explicitamente, com outras preocupações sociais, como o uso indiscriminado do álcool, mesmo havendo uma associação entre a bebida e a alegria.

“Acho interessante porque o Mussum é o palhaço que bebe e está sempre enaltecendo o que ele chama de ‘mé’, que é a cerveja ou a cachaça, e está sempre brincando com aquilo que é coisa do brasileiro mesmo, o apreço, como uma ligação também da bebida alcoólica com um momento de descontração e de alegria, afinal a gente está falando de um grupo cômico”, argumenta.

A hipótese é que justamente por estarem atentos a essas preocupações é que Os Trapalhões nunca tiveram problemas em serem acompanhados pelo público infantil. Além disso, o grupo dava espaço para manifestações culturais do povo e suas características.

“É legal a maneira como ele lida com a bebida e como aquilo está ligado à alegria, porque, no fim, o que eles estão falando é das classes populares. Se você pegar, os Trapalhões era um humor popular. Eles são o povo brasileiro, um veio da roça, o outro é um migrante nordestino, o outro é favelado e o outro é o cara que mora na periferia. Então, eles são esse povo das regiões periféricas do Brasil que migra para a grande cidade, onde a alegria é o seu churrasco, bebida e samba”, destaca o pesquisador.

Mas a importância de Mussum não se atém ao programa humorístico, vindo de antes, com a sua presença no Originais do Samba, um dos primeiros grupos de samba formado inteiramente por negros a fazer sucesso no Brasil. Carrico explica que Mussum foi para Os Trapalhões porque já desempenhava um papel de mestre de cerimônias nos shows da banda. “Além de cantar samba, já contava piadas e dançava muito bem em suas apresentações. E foi isso que chamou a atenção de produtores de TV e em um segundo momento aos Trapalhões”, completa.

Foi em sua passagem pela Aeronáutica, que Mussum aprendeu música por partitura. E além de grande percussionista, também era um grande compositor. “Ele vai para os Trapalhões quando o Os Originais do Samba já era um grande sucesso. Tem muitos filmes em que ele aparece tocando instrumentos e dançando. Então era um palhaço dançarino e músico”, afirma o professor.

O grupo Os Originais do Samba também ficou marcado por lançar um estilo próprio de fazer e cantar samba. E o artista era um esteio da banda. “Eles tinham uma musicalidade particular, uma ginga particular, também manifestados nesse carisma do Mussum”, relembra o pesquisador. “Tanto é que quando ele sai do grupo, o Os Originais do Samba permanece, mas já não com o mesmo sucesso”, lembra.

São, assim, as diversas facetas que explicam a permanência de Mussum como referência na cultura brasileira mesmo quase 30 anos após o seu falecimento, tendo se transformado em um ícone pop. “Ele morreu em 1994 e décadas depois este homem continua vendendo bottons, camiseta, cerveja. Então, muito tempo depois do seu falecimento, não só os Trapalhões continuam passando na televisão com sucesso, mas o Mussum, isoladamente, continua sendo uma espécie de Carmen Miranda, com o ícone de Charles Chaplin, de Mickey Mouse…”, finaliza Carrico.

Brewers Association aponta aumento de 6% no número de artesanais nos EUA em 2021

O ano de 2021 foi de recuperação para o segmento de cervejas artesanais e independentes nos Estados Unidos, embora com desafios impostos pela falta de insumos. A avaliação é da Brewers Association (BA, na sigla em inglês), que apresentou um breve material de balanço e perspectivas. E, de acordo com a associação, hoje são 9 mil cervejarias em operação no país, o que representa um aumento de 6% em relação a 2020.

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A BA destaca que essas cervejarias artesanais e independentes contribuíram, no ano passado, com US$ 62,1 bilhões para a economia dos Estados Unidos. Além disso, as marcas são responsáveis por 400 mil empregos, sendo 140 mil diretos nas cervejarias e brewpubs do país.

A avaliação da BA sobre 2021 também aponta uma maior diversidade na comunidade cervejeira artesanal, especialmente entre os jovens, pois estima que há mais mulheres com menos de 25 anos como consumidoras da bebida do que homens. E destacou que as marcas precisam se adaptar a esse contexto.  

“Saindo de um ano desafiador, as cervejarias pequenas e independentes perseveraram e encontraram novas maneiras de inovar em um ambiente em mudança, nas preferências e expectativas do consumidor em evolução”, disse Bob Pease, presidente e CEO da Brewers Association.

A associação também destacou alguns desafios envolvendo a cadeia de insumos para as cervejarias neste ano. De acordo com a BA, a produção de cevada em 2021 caiu 31% em relação a 2020. A produção no Canadá também sofreu queda drástica, de 38%, em comparação ao ano anterior. Esta foi a menor safra dos EUA desde 1934 e a menor da América do Norte desde 1949.

“A capacidade dos cervejeiros artesanais de assumir riscos, inovar sabores e construir comunidades melhores fez dos Estados Unidos a capital mundial da cerveja artesanal, e mal posso esperar para ver o que o próximo ano trará para os cervejeiros e amantes da cerveja”, acrescentou o presidente da Brewers Association.

Em seu documento, a BA também apontou conquistas obtidas junto às autoridades dos Estados Unidos. A associação citou, por exemplo, o plano de subsídio para empresas de hospitalidade de US$ 28,6 bilhões do governo federal. Após negociações, cerca de 1.600 cervejarias receberam mais de US$ 450 milhões em doações.

A Brewers Association também apresentou cinco previsões para 2021:

1 – A produção artesanal excederá os níveis de 2019 mais uma vez.
2 – As vendas no local irão melhorar, mas o chope ainda não estará de volta aos níveis de 2019.
3 – Nas cervejarias, as vendas atingirão recordes históricos.
4 – O número das cervejarias em operação continuará subindo, mas a um ritmo menor do que nos anos anteriores.
5 – A inflação virá para as artesanais: a alta dos custos levará a um aumento nos preços médios da cerveja em relação aos últimos anos.

Entrevista: Os próximos passos da Dogma com fábrica própria, franquias e bitcoin

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Fábrica, franquias, bitcoin… O que não faltou nos últimos meses para a Dogma foram novidades. Vista como uma das referências do segmento de artesanais, a marca paulistana deixou de ser cigana em meio à pandemia, passou a contar com franquias na cidade de São Paulo e agora aceita receber pagamentos pelos seus rótulos através da criptomoeda bitcoin.

São novidades que vão moldando os caminhos da Dogma e foram tema de entrevista do Guia com Leonardo Satt, cofundador e sócio-proprietário da marca. Ele destaca que embora tenha sido uma mera coincidência, abrir a fábrica em meio a um período de crise acabou sendo importante para a companhia conseguir lidar com um dos grandes problemas atuais, a inflação, pois permitiu reduzir custos com a produção em meio a um crescimento dos preços de insumos em meses mais recentes.

A fábrica, na Vila Buarque, foi seguida pelo início da operação das franquias da companhia, nos bairros Jardins, Pinheiros e Itaim, ajudando a dar vazão à produção e indicando o começo de uma cuidadosa expansão da companhia, pois, como relata Satt, há planos de levar a Dogma para outras regiões de São Paulo e cidades.

A ideia é oferecer ao público uma experiência completa da marca, reconhecida por suas receitas lupuladas, complexas e ousadas. Um DNA que a Dogma nunca pretende abandonar, mas que, agora, controlando a produção em casa, poderá ser compartilhado com a fabricação de estilos mais simples, como o Pilsen, ou mesmo cervejas da escola inglesa.

A grande novidade é que o consumidor que for beber essas cervejas em qualquer das franquias da Dogma poderá pagar sua conta com bitcoins, criptomoeda independente de governos e instituições bancárias. O seu valor varia pela oferta e demanda no mercado, como o de um ativo. Mas o número limitado evitaria grandes desvalorizações, na visão dos seus defensores.

E a criptomoeda, inclusive, inspirou o último lançamento da Dogma. A marca apresentou recentemente a Satoshi, uma Hazy IPA de 6,5% de teor alcoólico feita com os lúpulos Bravo, Citra e Strata, O nome escolhido foi uma homenagem a Satoshi Nakamoto, o suposto criador da bitcoin.

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Confira na entrevista de Leonardo Satt ao Guia as razões que levaram a Dogma a apostar na criptomoeda e os próximos passos da cervejaria paulistana:

Na sua avaliação, em que momento está o mercado? O público já voltou a consumir como antes da pandemia?
No momento que abriu o mercado, em agosto, o pessoal saiu, estava com sede, começou a ir para os bares. E teve uma melhora geral no faturamento e nas vendas. Mas o que tem acontecido de uns tempos para cá é que as pessoas não estão consumindo tanto quanto elas consumiam pré-pandemia. O que acho que está acontecendo é a inflação mesmo, que pegou todo mundo. Houve uma impressão astronômica de dinheiro na pandemia, e isso foi direto para os preços. Eu senti isso nos preços dos insumos que compro para a fábrica, alguns cresceram 100%. As pessoas estão com um custo de vida maior, estão podendo gastar menos.

Como a Dogma tem lidado com a inflação, especialmente dos insumos?
Até maio, a gente era uma empresa cigana. Toda a nossa produção era terceirizada. Em maio, a gente começou a fazer a produção própria. Isso já deu um ganho, pela redução do custo. Então, na média, a gente ficou no 0 a 0, porque teve, por outro lado, o aumento nos insumos. E, assim, o nosso preço não mudou. Agora, com a produção própria, a gente tem um custo muito mais apurado na mão. A gente sabe o que dá mais resultado com menos preço, o que a gente consegue trabalhar melhor. Falo para os distribuidores que cada lote pode ter uma variação de preço. A gente também consegue fazer um mix de produtos.

A Dogma abriu suas franquias em meio à pandemia. Já é possível avaliar os primeiros resultados desses novos estabelecimentos?
As lojas abriram em dezembro, em janeiro e em agosto. Eu consigo comparar a minha loja da Santa Cecília (onde está a fábrica hoje) pré-pandemia com o pós-pandemia. E o nosso faturamento praticamente não caiu. Isso significa que nós ganhamos mais clientes nas outras unidades. A gente percebeu que tem muita gente nas franquias que nunca visitou a loja da Santa Cecília. Então, a gente conseguiu desenvolver um público novo, que até conhecia a Dogma, mas nunca tinha ido à loja. E agora ele acaba indo por localização geográfica ou por se identificar melhor com o bairro.

É possível imaginar a Dogma abrindo novas franquias e em outras cidades?
A gente acredita que caiba mais algumas lojas na cidade de São Paulo. A gente tem algumas regiões para explorar: zona norte, zona leste e até a zona oeste depois do rio Pinheiros. Tem algumas grandes cidades do estado de São Paulo que podemos explorar, como Ribeirão Preto, Araraquara, Campinas, Piracicaba, que são pontos estratégicos. E aí, depois, ir para as capitais, nesse crescimento, como Vitória, Belo Horizonte, Curitiba. Mas não há pressa nesse processo.

Como surgiu a ideia de passar a aceitar pagamentos em bitcoin nas franquias da Dogma?
Eu gosto de estudar, não só a parte técnica em si, mas toda filosofia por trás, toda parte da economia, a parte de investimento, a história do dinheiro. Bitcoin é um produto escasso e apesar de ter a sua inflação diária ela já é programada. É até deflacionária, porque tem gente perdendo chave privada. Você tem uma moeda que mantém o poder de compra, as coisas vão ficar mais baratas. Agora, imagina isso acontecendo com tudo. A fome acaba no mundo inteiro.  Por isso, eu falo que é um negócio muito mais ideológico. As pessoas vão ficar mais ricas, não em valores absolutos, mas em poder de compra.

Onde a Dogma espera chegar com essa decisão de receber pagamento em bitcoins?
Isso mais cedo ou mais tarde vai chegar no Brasil. Por que a gente não pode ser o primeiro a divulgar? A gente acredita na tecnologia. E se todo mundo quiser pagar assim, a gente tem estratégias. Hoje, eu vou ter que transformar isso em real para poder pagar meus fornecedores. Mas isso vai virar, o caminho é esse. É uma questão de divulgação para a marca, mas não é só isso. A gente está recebendo, saiu na frente e acaba divulgando. A bitcoin não é só para a Dogma ou eu usar, é para todo mundo.

Quais são os próximos passos da Dogma?
Estamos nos ajustando com a fábrica, temos que estabilizar as franquias, vamos divulgá-las melhor. Queremos estar mais próximos do consumidor final. O nosso desejo é oferecer ao cliente final a melhor experiência. E a melhor experiência é levar o pessoal para as nossas lojas, porque lá tem a apresentação, tem o foco. E a gente gostaria de ter mais lojas para poder atender o pessoal. A gente já tem uma organização no Brasil hoje, a gente está praticamente em todos os estados. Se for possível, for viável, a gente vai atender as demandas. A gente também está trabalhando em uma linha de produtos, de cervejas um pouco mais baratas, que foi um mercado que a gente nunca teve, pela produção antes ser cigana, com as Pilsens, por exemplo. Também começamos a fazer cervejas inglesas.

Como você imagina o ano de 2022 para o mercado cervejeiro?
Eu acho que para ver o mercado real é só olhar para a bolsa de valores. E eu acredito que a bolsa está barata. Eu acho que ela vai começar a subir. E a partir do momento que ela começa a subir, o mercado real melhora. É ano de eleição, vai ter muitos gastos. Então, acho que 2022 vai ser bom. Acho que o mercado volta forte em março.

Ambev vai distribuir quase R$ 9,5 bilhões aos acionistas no fim de 2021

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A Ambev será mais uma entre as várias companhias listadas na Bolsa de Valores de São Paulo a distribuir dividendos e juros sobre capital (JCP) aos próprios acionistas no fim de 2021. A decisão foi tomada pelo conselho de administração da empresa em reunião realizada na última quinta-feira e tem como base o balanço extraordinário de 30 de novembro.

De acordo com comunicado divulgado pela companhia cervejeira, cada pessoa que tiver o papel ABEV3 na próxima sexta-feira (17) receberá R$ 0,1334 por ação em dividendos. Além disso, serão pagos R$ 0,4702 por ação em JCP. Nesse caso, porém, será distribuído o valor líquido de R$ 0,3996 por ação, já descontado, portanto, o imposto de renda. Mas há exceções.

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“A distribuição de JCP será tributada na forma da legislação em vigor, o que resultará em uma distribuição líquida de R$ 0,3996 por ação da Companhia, exceto para os acionistas pessoas jurídicas que sejam imunes ou isentos por força do artigo 5º da Lei nº 11.053/04, com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.196/05”, explicou a companhia.

Considerando que o capital social da Ambev indica a existência de 15.717.615.419 de ações ordinárias, a companhia cervejeira vai distribuir um valor bruto de R$ 9,487 bilhões aos seus acionistas, sem a contabilização dos impostos que incidem sobre os JCP.

Os valores serão depositados pela Ambev em 30 de dezembro com base na posição acionária da próxima sexta-feira (17) na B3, a bolsa de valores brasileira. Já no caso da Bolsa de Valores de Nova York, a Nyse, o pagamento está previsto para 21 de dezembro.

A ação ordinária da Ambev fechou o pregão da última segunda-feira na bolsa brasileira cotada a R$ 16,01, o que representa uma valorização de R$ 0,36 em relação aos R$ 15,65 com que iniciou o ano. Já nos Estados Unidos, o papel apresenta desvalorização em 2021. Afinal, na bolsa de Nova York, valia, ao fim da segunda, US$ 2,80. E tinha terminado 2020 com preço de US$ 3,06.

Grupo Heineken desiste de construir fábrica próxima a sítio arqueológico em MG

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O Grupo Heineken desistiu de construir uma fábrica de cervejas em Pedro Leopoldo, na região metropolitana de Belo Horizonte, nas proximidades da área onde está localizado um importante sítio arqueológico, o Lapa Vermelha. Lá foi encontrado Luzia, considerado o fóssil humano mais antigo das Américas.

“A decisão foi tomada após poucos meses de diálogo sobre os diferentes entendimentos de órgãos envolvidos e da sociedade em geral, relacionados à proximidade do atual terreno com uma importante área de preservação ambiental e arqueológica da região”, afirmou o Grupo Heineken em trecho da nota em que anunciou a desistência da construção.

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Em seu comunicado, a companhia lembrou que uma decisão judicial permitia a realização da obra, mas ponderou que o imbróglio envolvendo o caso a motivou a desistir da construção da fábrica. O Grupo Heineken obteve, afinal, licenças ambientais junto ao governo de Minas Gerais para a instalação da sua unidade, mas o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) chegou a conseguir um embargo, iniciando um impasse.

Posteriormente, a obra se tornou alvo de inquérito civil do Ministério Público de Minas Gerais. A promotoria recomendou a anulação das licenças que liberavam a construção, após análise da documentação, apontando que a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad/MG) não cumpriu a legislação ao dar o seu aval para a obra. E apontava preocupação com o impacto da instalação da fábrica sobre o sistema hidrológico da região.

“Seguimos todos os ritos para obter a licença ambiental e temos autorização judicial para construir a cervejaria, o que demonstra a legalidade de todo o processo e na forma como conduzimos nossa operação. No entanto, entendemos que nossa permanência no local ainda divide opiniões e que, para seguir adiante, teríamos que dedicar mais tempo para realização de novos estudos. Por tudo isso, tomamos a decisão de buscar outra área que atenderá a demanda dos próximos anos”, afirmou Mauro Homem, diretor de assuntos corporativos do Grupo Heineken.

A desistência de ter uma fábrica em Pedro Leopoldo demandará ajustes na estratégia da cervejaria. Como a unidade estava prevista para começar a operar em 2023, a companhia decidiu ampliar a capacidade produtiva de outras unidades, tendo citado nominalmente a de Ponta Grossa (PR), para compensar o volume de bebidas que seria produzido em Minas Gerais.

Em nota oficial, o Grupo Heineken explicou que não desistiu do projeto de ter uma fábrica em solo mineiro, relatando que o local onde será construída a unidade fabril será anunciado em breve.  “Temos um plano agressivo de crescimento e já estamos em busca de um novo terreno no estado de Minas Gerais. Nossos clientes e consumidores têm o nosso compromisso”, declarou o executivo da companhia.

Durante o período de impasse sobre a construção da fábrica do Grupo Heineken, houve manifestação de apoio à obra da companhia de autoridades de Pedro Leopoldo, assim como um ato com a participação de políticos e moradores da região. E, quando anunciada, ainda em dezembro de 2020, a chegada da companhia a Minas Gerais foi exaltada pelo governador Romeu Zema.

Assim, ao confirmar a desistência de instalar uma fábrica na localidade, o Grupo Heineken agradeceu a esse apoio. E prometeu realizar uma doação para ajudar na preservação da área, que estaria ameaçada caso a obra tivesse continuidade.

“Somos profundamente gratos à comunidade de Pedro Leopoldo, que nos recebeu de braços abertos, e a todos os parceiros que se juntaram ao Grupo Heineken nesse grande projeto. Seguiremos juntos em Minas Gerais, vamos avaliar novas oportunidades dentro da área que ocupamos e, para essa comunidade que tanto nos acolheu, faremos uma doação em parceria com o Ministério Público para preservação do sítio arqueológico”, disse a empresa em sua nota oficial.

A construção da fábrica em Pedro Leopoldo teria o intuito de apoiar o crescimento do Grupo Heineken no Brasil, especialmente dos rótulos premium. E, com a sua construção, a companhia passaria a contar com 16 unidades produtivas no país, sendo 13 cervejarias.

Esta seria a primeira unidade da cervejaria em Minas Gerais, onde a companhia já possuía centros de distribuição e logística em Contagem e em Poços de Caldas, onde o seu nível de estocagem foi triplicado recentemente. A planta industrial teria capacidade para produzir 760 milhões de litros por ano

Em dezembro de 2020, o governo de Minas Gerais revelou que o investimento na unidade produtiva seria de R$ 1,8 bilhão naquela que poderia ser considerada, de fato, a primeira fábrica do Grupo Heineken a ser construída pela própria empresa, pois as demais foram incorporadas com a aquisição da Brasil Kirin em 2017.

Relembre o caso
Após obter o aval da Semad/MG através de um processo de licenciamento ambiental, o Grupo Heineken dava os passos iniciais na construção da sua fábrica em Pedro Leopoldo.  Em 10 de setembro, porém, o ICMBio, após visita à área da obra, que ainda estava na fase de terraplanagem, a embargou, alegando ameaças ao sítio arqueológico existente na localidade. O órgão, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, apontou risco de soterramento do complexo de cavernas e grutas do sítio arqueológico Lapa Vermelha.

O instituto também dizia ver com preocupação o plano do Grupo Heineken de bombear 150 metros cúbicos de água por hora de dois poços na região, o que causaria impacto relevante nos lençóis freáticos e nas cavernas do Cipó, Fedo e Nei. Na visão do ICMBio, o risco geológico impedia a realização da obra da fábrica da Heineken sem realização de estudos mais aprofundados, incluindo os dos efeitos da sua atividade nos lençóis freáticos.

No fim de setembro, a construção da fábrica do Grupo Heineken em Pedro Leopoldo se tornou alvo de inquérito civil do Ministério Público. A partir dessas investigações sobre a concessão das licenças e dos eventuais impactos da obra e da operação da unidade industrial no patrimônio cultural, os promotores recomendaram a anulação da licença concedida pela Semad/MG.

O caso, porém, ainda teve uma outra reviravolta. Na primeira semana de outubro, o Grupo Heineken conseguiu uma decisão, de caráter liminar, liberando a realização das obras para instalação da fábrica em Pedro Leopoldo. A companhia, porém, optou por não retomá-las, decisão que reforçou quando o MP defendeu a anulação da licença para sua instalação em Pedro Leopoldo.

Naquela oportunidade, a promotoria defendeu que novas autorizações não fossem concedidas sem que fosse atestada a viabilidade ambiental do empreendimento. Além disso, alertava que outras medidas podiam ser tomadas, como a proposição de uma ação judicial. Agora, então, o Grupo Heineken encerra o caso ao anunciar a decisão de não ter uma fábrica nessa localidade.

A região
A região onde ficaria situada a fábrica do Grupo Heineken em Minas Gerais conta com a APA Carste de Lagoa Santa. Lá, onde foi encontrada Luzia, também existem diversos sítios arqueológicos e cavidades naturais com potencial para novas descobertas sobre a história do homem.

A unidade produtiva do Grupo Heineken seria instalada a apenas 800 metros do Monumento Natural Estadual Lapa Vermelha, dentro dos limites da zona de amortecimento de uma unidade de conservação. E é no Lapa Vermelha IV onde foi encontrado o crânio de Luzia.

O sítio foi escavado na década de 1970 por um trabalho coordenado pela arqueóloga francesa Annette Laming-Emperaire. Nessa iniciativa, então se encontrou o esqueleto de Luzia, datado de 11 mil anos atrás.

Mas ainda podem existir resquícios arqueológicos por lá e que poderiam contribuir para o avanço nos estudos sobre a chegada do homem ao continente americano.  Além disso, a área onde a fábrica seria instalada é prioritária para conservação, como previsto no Plano Diretor da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas.

Cervejarias reveem logística como saída para driblar inflação e alta da gasolina

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A persistente alta da inflação, que está em 10,74% nos últimos 12 meses, de acordo com os dados mais recentes divulgados pelo IBGE, forçou a adoção de novas estratégias pelas cervejarias. Em um momento de retomada do consumo, preocupadas em não afugentar o público, as marcas têm revisto, especialmente, a distribuição e a operação logística com o intuito de evitar o repasse integral da elevação dos preços ao consumidor.

Esse foco está em consonância com a distribuição da inflação pelos variados itens. Afinal, se o dólar valorizado e as matérias-primas até pressionam o índice, o maior vilão é o combustível. Em novembro, por exemplo, o preço da gasolina subiu 7,38%. E a sua alta nos últimos 12 meses está em 50,78%. O índice fica em 69,4% para o etanol e em 49,56% para o diesel.

Entre as cervejarias ouvidas pelo Guia, a principal ação para lidar com esse cenário envolve a busca por uma operação logística mais eficiente. Tudo para contornar os aumentos dos preços, especialmente os dos combustíveis, não os incluindo nos valores cobrados pelos seus rótulos.

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Na StartUp Brewing, por exemplo, foram reduzidos os números de automóveis utilizados na entrega dos produtos. Além disso, é preparada, com cuidado, a rota de entrega, como detalha Otávio Shiroma, coordenador de logística da companhia.

Os efeitos que essas altas trazem impactam na nossa operação logística, na hora de criarmos as rotas e na operação em si. Às vezes, optamos por ao invés de mandar 3 carros para a rua, mandamos apenas 2. Dá uma apertada nos horários e na quantidade de produtos em um só carro, mas tem sido a opção mais viável. E também na montagem do itinerário, otimizando as entregas em regiões que atendemos e até reduzindo as rotas para algumas regiões”, afirma.

Algo parecido foi adotado pela Brewpoint, que tem buscado reduzir o consumo de combustível. “Distribuímos diretamente uma pequena parte de nossa produção, a qual tentamos administrar com a otimização das rotas de entregas”, diz Pedro Henrique Neves, sócio da cervejaria.

Na Cruls, a avaliação foi de que a companhia conseguiu tornar a sua logística mais eficiente ao alterar políticas de venda e de entrega, como explica Pedro Capozzi, sócio-fundador e gerente de operações.

“Nós fizemos algumas modificações nas nossas dinâmicas e políticas de entregas, tanto para cliente final como para pontos de venda. Fizemos alterações como, por exemplo, pedido mínimo, prazo de entrega, elaboramos uma setorização dessas entregas etc.”, afirma.

As parcerias também têm sido uma saída encontrada por diversas marcas no setor cervejeiro. É o caso da Matisse, do Rio de Janeiro, que vem atuando junto com outras cervejarias em compras coletivas de insumos, além da realização conjunta da distribuição, melhorando a logística. Assim, a esperança é de otimizar os gastos, como destaca Mário Jorge Lima, sócio-fundador da cervejaria.

“Em relação aos insumos, temos procurado parcerias para fazer compra conjunta, pelo menos dos insumos mais comuns e, com isso, conseguir maiores descontos e menor custo de frete. Temos procurado parcerias também na logística de entrega e estamos investindo no bar da fábrica para aumentar as vendas locais”, diz, também destacando a venda direta ao consumidor como uma outra saída.

Na WO Beer, a estratégia foi renegociar contratos com fornecedores. “Chamamos para conversar todos os nossos fornecedores e negociamos novas condições dentro da nossa parceria. Com muita negociação, conseguimos reduzir praticamente todos os preços praticados pelos nossos parceiros fornecedores”, afirma Gerson Luiz Dunca, diretor da companhia.

E as compras de insumos e produtos pelo WO Beer são realizadas sem parcelamento, o que permite a obtenção de preços mais competitivos. “Ajuda bastante também o fato de a empresa pagar suas compras somente à vista. Isso reduz bastante os custos financeiros embutidos nos serviços e produtos usados em toda a nossa cadeia de produção e venda”, explica Dunca.

Além da preocupação em diminuir os custos com a logística, reduzir as margens de lucro também tem sido uma ação adotada por algumas cervejarias, com o foco em não perder participação no mercado. “Estamos apertando nossa margem para não impactar muito no preço ao consumidor”, relatou Edison Nunes, diretor comercial da NewAge.

Preço da cerveja tem alta de 2,55% em novembro e volta a superar IPCA

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Ficou bem mais caro comprar cerveja em novembro. A constatação veio através da divulgação da inflação oficial, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), pelo IBGE, que apontou uma alta de 2,55% no preço do item no domicílio em novembro.

A expressiva inflação da cerveja no domicílio supera até mesmo a do índice geral, que ainda assim foi a maior para o mês desde novembro desde 2015, de 0,95%, e contrasta com o grupo de alimentação de bebidas, que apresentou pequena deflação no período, de 0,04%.

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É o segundo mês consecutivo em que a inflação da cerveja superou a alta do IPCA, o que já havia ocorrido em outubro, quando os índices foram de 1,77% e de 1,25%, respectivamente. Agora, com essa aceleração de 2,55% em novembro, o preço da cerveja no domicílio acumula alta de 8,55% ao longo de 2021. E está em 8,95% no período de dezembro de 2020 até novembro.

O preço da cerveja fora do domicílio também acelerou em novembro, ainda que em ritmo mais lento, apresentando alta de 1,36%. Agora, então, tem inflação de 4,73% neste ano e de 5,67% ao longo dos últimos 12 meses.

Essa inflação relevante da cerveja se insere em um contexto de alta do IPCA, que ficou em 0,95% em novembro, chegando aos 9,26% neste ano. E agora está em 10,74% nos últimos 12 meses, o maior índice desde novembro de 2003.

A alta do IPCA foi puxada pelos transportes (3,35%), com enorme influência dos combustíveis, principalmente da gasolina (7,38%), mas também do etanol (10,53%), do óleo diesel (7,48%) e do gás veicular (4,30%). Com isso, a gasolina acumula, em 12 meses, alta de 50,78%, o etanol de 69,40% e o diesel, de 49,56%. A habitação (1,03%) foi o grupo com o segundo maior impacto no IPCA em novembro, pressionado, novamente, pela energia elétrica (1,24%).

“Além da bandeira tarifária da Escassez Hídrica, que acrescenta R$ 14,20 na conta de luz a cada 100 kWh consumidos, em vigor desde setembro, houve reajustes nas tarifas em Goiânia, Brasília e São Paulo. Em Belém e Porto Alegre o recuo decorreu da redução da alíquota de PIS/Cofins”, detalha o gerente do IPCA, Pedro Kislanov.

A inflação em novembro poderia, inclusive, ter sido maior, não fosse a Black Friday. De acordo com a avaliação de Kislanov, embora a data seja na última sexta-feira do mês, os preços promocionais foram adotados durante todo o mês.

“A Black Friday ajuda a explicar a queda tanto no lanche quanto nos itens de higiene pessoal. Nós observamos várias promoções de lanches, principalmente nas redes de fast food no período. E no caso dos itens de higiene pessoal, várias marcas nacionais deram descontos nos preços dos produtos em novembro. No Brasil, diferente de outros países, os descontos não são centrados em um único dia. Os descontos acabam sendo dados ao longo do mês”, explica.

Isso pode explicar a deflação do grupo de alimentação e bebidas, que ficou em 0,04%, influenciada pela queda de 3,37% nos preços de lanches. Agora, então, há inflação de 7,04% em 2021 nos itens de alimentação e bebidas em 2021. E ela agora está em 8,9% nos últimos 12 meses.

Em oposição à alta do preço da cerveja, as demais bebidas alcoólicas tiveram inflação abaixo do 1% em novembro. No domicílio, o item acelerou 0,09%. A alta está, agora, em 1,31% em 2021. E fica em 1,48% no período de 12 meses. Já as outras bebidas alcoólicas aumentaram seus preços em 0,92% em novembro. Nesse caso, há inflação de 0,77% no ano e de 3,73% em 12 meses.

Balcão do Profano Graal: Uma bebida dos deuses – A cerveja na cultura nórdica

Balcão do Profano Graal: Uma bebida dos deuses – A cerveja na cultura nórdica

Você já deve ter escutado, ou até mesmo dito, em uma mesa de bar que “a cerveja é sagrada”, é um “néctar dos deuses”, ou coisas desse tipo. Pois saiba que para muitos povos ela era literalmente isso, uma bebida sagrada. Desde a Antiguidade, as bebidas alcoólicas se revestem de um caráter sagrado para as sociedades humanas. Para os sumérios, na Mesopotâmia, os primeiros fermentados de cereais foram ofertados pela deusa Ninkasi. Consumir cerveja simbolizava beber o corpo de Ninkasi e celebrar a vida que ela oferecia como dádiva.

Nesse texto, quero apresentar um breve compilado sobre a sacralidade da cerveja para os povos nórdicos, comumente conhecido como vikings entre os séculos V e XII. É importante ressaltar que esse termo era usado originalmente para se referir aos homens que saíam em expedições guerreiras, de comércio e pirataria. Os escandinavos não chamavam a si mesmos de vikings, pois seria um termo pejorativo. Assim como nem todo nórdico pode ser considerado um viking, pois muitos não saíram da Escandinávia para participar dessas expedições.

Como explicam os pesquisadores Johnni Langer e Luciana Campos, para os nórdicos não existia uma separação entre laico e sagrado. Todos os atos, assim como o de beber, eram mágicos, feitos em comunhão com os deuses. Beber representava uma ligação direta com as suas divindades e suas crenças. A cerveja era utilizada em rituais e como um meio de acesso aos deuses.

O caráter sagrado da bebida estava presente desde a escolha dos ingredientes até o próprio ato de beber. O grão básico cultivado durante o período medieval na Escandinávia era a cevada e além de cerveja, outras bebidas fermentadas eram consumidas, como vinhos, hidromel e cidras. Deve-se notar que, embora as palavras modernas “cerveja” e “Ale” sejam hoje quase intercambiáveis, há boas evidências de que as duas bebidas eram muito diferentes no Norte da Europa naquele período. As ale (ealu ou öl, em nórdico antigo) seriam produzidas a partir de grãos maltados. Já as björr seriam bebidas alcoólicas doces, podendo se referir inclusive às cidras.

A cerveja consumida tanto pelos vikings como pelos anglo-saxões era um fermentado rápido de cereais, levedura e ervas aromáticas. As ervas escolhidas eram usadas para garantir a longevidade, textura, cor, aroma e sabor do produto, bem como eram ervas medicinais e de uso mágico, que eram consagradas aos deuses que protegiam a bebida e quem a ingerisse. Uma das ervas mais utilizadas era a erva-de-São João ou hera-terrestre (Glechoma hederacea) de sabor amargo e rica em ácidos fenólicos, taninos antioxidantes e conservantes naturais. Algumas dessas ervas, como a artemísia (Artemísia abisinthium), a crista-de-galo (Heliotropicum indicum) e a urtiga (Urtiga dioica) têm potencial alucinógeno. Alguns poemas constantes nas Eddas (coletâneas de textos nórdicos, do século XIII) citam que a intoxicação provocada pelo álcool e ervas proporciona a ligação com os deuses. Sintomas como a perda momentânea dos sentidos, a ausência de racionalidade, a alteração de consciência, os rompantes de felicidade, conectam os homens aos deuses.

A elaboração das bebidas era uma tarefa feminina e as mulheres se responsabilizavam por todo o processo, devendo cuidar para que as despensas estivessem sempre bem abastecidas de ingredientes tanto para a elaboração da bebida de todos os dias como também para as festas. Registros históricos mostram que o consumo de cerveja era particularmente importante em vários festivais religiosos sazonais. Uma lei imposta pelo Gulating (uma das mais antigas e maiores assembleias parlamentares da Noruega, que ocorreu anualmente entre 900 e 1300 d.C.) exigia que os agricultores em grupos de pelo menos três pessoas preparassem cerveja para consumo nas festas: Samhain (1 de novembro), Yule (25 de dezembro, solstício de inverno), e Midsommar (24 de junho, solstício de verão).

Uma das figuras mais importantes da mitologia nórdica foi Aegir, um gigante Comandante do Mar e respeitado cervejeiro para os deuses de Asgard. No seu salão subaquático, chifres de beber magicamente se enchiam com a melhor cerveja e hidromel. Odin dizia que a cerveja de Aegir era a melhor de todos os Nove Mundos. O Mestre do Mar fabricava a cerveja junto com suas nove filhas no maior caldeirão já feito. Conta a mitologia que Aegir ganhou esse enorme tanque de cerveja quando os deuses uma vez se sentaram para uma refeição festiva e a mesa ficou mais ou menos vazia. Quando eles perguntaram a Aegir onde seria o banquete, ele disse que não poderia servir comida sem cerveja e que não tinha nada para preparar. Então Thor saiu em missão para roubar o enorme caldeirão do Gigante Hymir e deu a Aegir como um presente. Desde aquele momento, nunca faltou cerveja no famoso salão submarino.

O ato de beber era tão sagrado para os nórdicos que era bem comum encontrar runas entalhadas nos chifres de beber. Sugere Thomas Karlsson que se deveria entalhar no utensílio a sequência Ansuz – Laguz – Uruz – ALU, para proteção. Recentemente, um copo cerâmico foi encontrado na Dinamarca com essas mesmas runas entalhadas no fundo. Alguns pesquisadores acreditam que se trata da palavra cerveja para os povos da Idade do Ferro (entre 200 a 500 a.C.), mas também pode significar poder, proteção, força. E, uma vez que eram entalhadas em recipientes usados para beber cerveja, poderiam representar que aqueles homens esperavam encontrar poder, força e proteção em um copo da bebida. O poema Sigrdrífumál (estrofes 7 e 19) também indica o uso de runas entalhadas nos cifres de beber. No poema a valquíria Sigfrida ensina ao rei como entalhar uma runa no chifre de beber e no dorso da mão para sua proteção “No chifre tu entalharás, e nas costas da mão, e marcarás com o prego Naud”.

Dessa forma, diferentemente da importância que atribuímos às bebidas nos dias atuais, como entretenimento e produto comercial, para os nórdicos e outros povos na Antiguidade e no Medievo, as bebidas tinham uma conexão profunda com o sagrado. Para eles, tanto o ato de fabricar, quanto o ato de beber e se embebedar eram um ato mágico, uma forma de se conectar com o divino. Então, nas festividades que se aproximam, da próxima vez que você levar um copo à boca, ou fizer uma brassagem, lembre-se de que alguém lá em cima (ou lá embaixo) pode estar olhando por você.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

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CAMPOS, L. A sacralidade que vem das taças: o uso de bebidas no Mito e na Literatura Nórdica Medieval. Revista Brasileira de História das Religiões. v. 8, n. 23, p. 97-107. 2015. Disponível em: http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/RbhrAnpuh/article/view/29528.

CAMPOS, L. Cinco erros sobre bebidas e alimentos da Era Viking. Blog do NEVE – Núcleo de Estudos Vikings e Escandinavos. 2020. Disponível em: http://neve2012.blogspot.com/2020/01/cinco-erros-sobre-bebidas-e-alimentos.html.

GAIMAN, N. Mitologia Nórdica. Rio de Janeiro: Intrínseca. 2017. 288 p.

KARLSSON, T. Uthark: o lado noturno das runas. São Paulo: Penumbra. 2018. 208p.

LANGER, J. Nova inscrição rúnica é descoberta na Dinamarca. Blog do NEVE – Núcleo de Estudos Vikings e Escandinavos. 2019. Disponível em: http://neve2012.blogspot.com/2019/03/nova-inscricao-runica-e-descoberta-na.html

LANGER, J.; CAMPOS, L. Brindando aos Deuses: Representações de Bebidas na Era Viking, no Cinema e nos Quadrinhos. Revista De História Comparada. Rio de Janeiro, v. 6, n. 1, p. 141-164, 2012. Disponível em: https://revistas.ufrj.br/index.php/RevistaHistoriaComparada/article/view/62.

McCOY, D. Viking Food and Drink. Norse Mythology for Smart People. 2019. Disponível em: https://norse-mythology.org/viking-food-drink/


Sérgio Barra é carioca, historiador, sommelier e administra o perfil Profano Graal no Instagram e no Facebook, onde debate a cerveja e a História