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Menu Degustação: Catharina Sour da Black Princess, vacinação na Bodebrown…

A semana veio cheia de opções para os cervejeiros de todo o país, incluindo novidades das mais variadas marcas, como a Bodebrown, que vai aproveitar mais uma edição do seu Growler Day para a vacinação de pessoas contra o coronavírus e a influenza. Por sua vez, a Black Princess, do Grupo Petrópolis, investiu no lançamento da sua primeira Catharina Sour.

Em outra iniciativa, a Hooegarden preparou, no Parque do Ibirapuera, um jardim composto por ingredientes de cerveja, enquanto a Goose Island prepara o lançamento de uma Barley Wine em um evento com hambúrguer da carne Wagyu. Já a Rota Cervejeira RJ elegeu a sua nova diretoria.

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Confira essas e outras novidades do setor no Menu Degustação do Guia:

Catharina Sour da Black Princess
A Black Princess lançou a Aryna Sour, a primeira cerveja no estilo Catharina Sour da marca. O rótulo é feito com junção entre açaí e cereja, traz a cor rosé, possui 4,5% de graduação alcoólica e 12 IBUs de amargor. A marca diz que a ideia do nome foi fazer uma releitura de “Catarina” na língua Tupi. A Catharina Sour da Black Princess tem venda exclusiva no e-commerce Bom de Beer, em long neck de 355ml, sendo sazonal.

Hamburgada da Goose
A brewhouse da Goose Island realiza na próxima quarta-feira uma hamburgada especial com o chef Thiago Gil, do Koburger de Pinheiros, e lançamento de uma Barley Wine, além de apresentação da banda Caramelo Dogs. No cardápio, dois lanches feitos com a considerada melhor carne do mundo, o Wagyu. A novidade será a Goose Gang, criada pela mestre-cervejeira Marina Pascholati.

Jardim de ingredientes de cerveja
A Hoegaarden resolveu dar vida a um jardim com os ingredientes da cerveja. Neste sábado e domingo, o público poderá conhecer o Gaarden Code, fazendo uma imersão nos sabores naturais da cerveja no meio do Parque do Ibirapuera. Trata-se de um jardim escaneável, o Gaarden Code, desenvolvido pela Media.Monks.

Spaten no automobilismo
A Porsche Cup C6 Bank Mastercard abre sua 18ª temporada neste fim de semana no Autódromo de Goiânia, tendo a Spaten como cerveja oficial em 2022. O calendário terá nove etapas, com seis reuniões de sprint e três de endurance. “Essa parceria une duas experts no que fazem: Porsche no mundo dos carros e Spaten no da cerveja. Por isso, estamos muito felizes em ser a marca que estará ao lado dos fãs a cada etapa”, diz Joice Carvalho, chefe de marketing de Spaten no Brasil.

Nova campanha da Bohemia
A Bohemia lançou uma nova campanha, chamada “A temperada com uma pitada extra de lúpulos”. E a ação de marketing afirma que o lúpulo é o grande responsável por despertar sabores únicos e memórias especiais em quem consome a sua cerveja. A primeira fase da campanha teve início em março, com Juliette, porta-voz de cultura e tradição de Bohemia, perguntando aos consumidores nas redes sociais sobre o que eles sentem ao tomarem uma Bohemia gelada. Agora, o filme publicitário mostra as diferentes manifestações e o paralelo dos ingredientes.

Ambev arrecada alimentos não perecíveis…
A Ambev realizará a 2ª edição do Sempre Juntos Day, agora em Jaguariúna (SP). A expectativa é de arrecadar mais de sete toneladas de alimentos não perecíveis neste sábado, das 9h às 14h, na Estação Maria Fumaça. As doações serão enviadas à Cufa Campinas, que destinará os alimentos a instituições de Jaguariúna. O Sempre Juntos Day será realizado para os moradores da cidade maiores de 18 anos, com a troca de de cerveja pelos alimentos. Para participar da campanha, os consumidores devem levar um quilo de alimento não perecível para cada cerveja que desejam trocar, sendo limitado ao máximo de quatro garrafas por pessoa.

…convida para zerar carbono…
Para zerar as emissões líquidas de carbono próprias e de terceiros até 2040, a Ambev resolveu incentivar e ajudar os fornecedores a cumprirem essa ambição, formando uma aliança: o Compromisso pela Ação Climática. Atualmente, 160 parceiros assinaram o acordo, incluindo 16 dos maiores fornecedores da Ambev, que representam juntos 50% dos fornecedores, como Cooperativa Agraria, Valgroup, Vivo, Tereos, WestRock, Concordia Logística, Ingredion e Ecolab. Para aderir ao movimento, as empresas parceiras podem encontrar mais informações no site da companhia.

…e faz processo seletivo no metaverso
A Ambev está com inscrições abertas até segunda-feira para os programas de Estágio e Representa – voltado exclusivamente para pessoas pretas. E parte do processo vai acontecer no ambiente metaverso. O processo seletivo é dividido em quatro etapas: inscrição, teste, vídeo e challenge. Nesta última, os candidatos são direcionados para o Ambev Expo, plataforma onde eles participam de dinâmicas e interagem entre si e com os membros da companhia. No metaverso Ambev, os candidatos podem criar o seu próprio avatar com mais de 20 milhões de possibilidades de customização com diferentes tipos de cabelo, roupa, acessórios e tons de pele.

Nova diretoria da Rota Cervejeira RJ
Depois de dois anos com reuniões online, os integrantes da Rota Cervejeira RJ promoveram o primeiro encontro presencial do ano. Na pauta da reunião, a eleição da nova diretoria da associação cervejeira para o biênio e o planejamento de ações para 2022.  Foram eleitos: Gabriel Thuler (da Cervejaria Alpendorf), para a presidência; Gilmar Carvalho (Cervejaria Bohemia), vice-presidência executiva; Luciano Machado (Grupo Petrópolis), vice-presidência corporativa; Maurício Almeida (Cervejaria Rota Imperial), gerência de marketing/comercial; e Pedro Paiva (Cervejaria Mad Brew), gerência de operações e eventos.

Coisa de Mulher
O primeiro curso sobre cerveja feito por mulheres e exclusivo para mulheres da Serra do Rio de Janeiro, o Coisa de Mulher, antes previsto para fevereiro e adiado por conta da tragédia provocada pelas chuvas em Petrópolis, aconteceu esta semana na Cidade Imperial. O curso foi uma iniciativa da Agência Maip e da cervejaria Sampler, acontecendo em espaço cedido pela Bohemia. Foram cinco dias de palestras, network e muita cerveja, com conteúdo sobre história da cerveja e escolas cervejeiras, atendimento, elementos e estilos, marketing cervejeiro, produção cervejeira, e empreendedorismo e turismo cervejeiro.

Jogo da Hocus Pocus
A Hocus Pocus realiza, a partir da próxima quarta-feira, a 2ª edição da Easter Egg Hunt. A ideia da marca é que o público procure e encontre, no seu site, nas mídias sociais e em bares, mensagens e símbolos escondidos. Quem achar, será premiado pela cervejaria.

Vacinação em evento da Bodebrown
O Growler Day da Bodebrown neste sábado terá a edição especial “Para sua proteção”, que contará com um posto de vacinação para imunizar pessoas com mais de 80 anos contra a Covid-19 e a influenza. A vacinação, realizada pela Bodebrown em parceria com a Secretaria de Saúde de Curitiba, faz parte do programa Imuniza Já Curitiba. Além da vacinação, o evento terá apresentação da Elvis Presley Jam Session Band, com o cantor Nick Araújo, tocando das 13h às 15h no evento da Bodebrown. Já o grupo Queen Immortal faz um show cover da banda de Freddie Mercury, das 15h30 às 17h30. A venda de growlers PET de dois litros terá cinco opções ao preço de R$ 55 cada e inclui uma caneca plástica com tirante. Serão oito alternativas de chopes em caneca. Cada opção custa R$ 20 e inclui a caneca grátis.

Kiss cover na Madalena
A banda cover Destroyer Kiss, reconhecida oficialmente como a única banda tributo atuante na América do Sul, se apresenta neste domingo na Madalena. O evento tem início às 13h, com show a partir das 16h, em ambiente coberto, pet friendly e com espaço kids para acomodar melhor as famílias com crianças, com valet para facilitar o acesso. Além disso, para deixar a festa ainda mais animada, um profissional de maquiagem artística estará na Madalena caracterizando os clientes como os integrantes da banda original.

Credenciamento para o BCB São Paulo
Os profissionais da indústria de bebidas que têm interesse em participar do BCB São Paulo já podem realizar o credenciamento de acesso para o evento, que acontecerá em 21 e 22 de junho, no Expo Barra Funda. O evento promete reunir os principais profissionais de coquetelaria e marcas de destilados premium para tratar de tendências, lançamentos, inovação, promoção de fornecedores e produtos ligados ao universo dos drinques.

Brasil Beer Cup e Beer Summit ganham reforço de festival e serão em outubro

A organização do Brasil Beer Cup e do Beer Summit anunciaram as datas de realização dos eventos em 2022 com uma ampliação das atividades e atrações. Além da competição e do congresso cervejeiros, também será realizado um festival aberto ao público no fim de outubro, em Florianópolis.

O regulamento e a abertura das inscrições para os eventos estão previstos para maio. Em outubro, o julgamento do Brasil Beer Cup se dará entre os dias 23 e 26, com a cerimônia de premiação prevista para o dia 27. Depois, nos dias 28 e 29, vão ocorrer o Beer Summit, assim como um festival de cerveja aberto ao público.

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A realização dos eventos de modo presencial e com a presença do público serão, aliás, diferenciais em relação às edições anteriores, quando foram adotadas restrições, com algumas atividades acontecendo de modo online, em função da pandemia do coronavírus.

Assim como aconteceu em 2021, o Brasil Beer Cup contará com competições para cervejarias comerciais em 2022, mas também para cervejeiros caseiros, que poderão inscrever criações do estilo Catharina Sour.

Toda a avaliação e julgamento do concurso será realizado de forma online via aplicativo Beer Sensor, ferramenta que visa trazer mais credibilidade e agilidade na condução do concurso, como destaca Amanda Reitenbach, fundadora do Science of Beer.

“Incorporar esse diferencial tecnológico para o julgamento, foi inspirado nas melhores práticas dos concursos mundo afora, em prol da execução um concurso confiável, sério e comprometido com o mercado cervejeiro”, diz Amanda, também idealizadora do Beer Sensory ao lado de outros pesquisadores e liderança à frente do concurso, que se autoproclama como o único do mundo a ter um comando feminino.

O Beer Summit, por sua vez, abordará cinco trilhas: diversidade, equidade e inclusão; negócios, marketing e empreendedorismo; sommelieria, estilos, serviço e harmonização; matérias primas, processos e inovação; tecnologia e ciência cervejeira.

Estilo polonês Grodziskie “renasce”, mas características desafiam popularização

O estilo polonês Grodziskie, criado há mais de 700 anos e cuja produção foi retomada há cerca de uma década, após a sua fabricação ser inviabilizada em decorrência da Segunda Guerra Mundial, tem, aos poucos, chamado a atenção de cervejeiros brasileiros, com algumas marcas o fabricando e uma delas até tendo a excelência de sua produção reconhecida.  

Foi o caso da Cerveja Blumenau, que teve a Craftlab Grodziskie eleita a melhor bebida entre os 3.636 rótulos inscritos no último Concurso Brasileiro de Cervejas. Um resultado que mostra que a cerveja caiu no gosto dos críticos, embora especialistas ouvidos pelo Guia apontem ser improvável a sua popularização.

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Afinal, a forma como a Grodziskie é produzida, com malte de trigo defumado, uma matéria-prima escassa no país, e mesmo o seu sabor peculiar, proporcionado pela malteação, são vistos como obstáculos importantes para que conquiste mais espaço no mercado de artesanais.

Esses fatores foram lembrados por Luís Celso Jr., sommelier de cervejas e fundador do Bar do Celso, que deu consultoria para o projeto de fabricação de uma das primeiras Grodziskies produzidas no Brasil, com receita de Evandro Zanini – esse rótulo foi lançado pela cervejaria Suméria, em parceria com a Lund, e faturou a medalha de ouro no CBC em 2016 e a de prata em 2017.

“O Grodziskie é um estilo com 100% de malte de trigo. Não utiliza malte de cevada e esse malte de trigo é defumado em carvalho. Como o processo é só com trigo, a gente acaba tendo uma cerveja bastante leve e pouco alcoólica. Ela tem em torno de 3% de álcool e uma turbidez aparente por conta da proteína do trigo. É uma cerveja de leve toque frutado, normalmente com frutas brancas, como pera e uvas verdes, e que não tem a ver com a cerveja de trigo alemã, que é com muita banana e cravo”, explica Luís Celso Jr. em entrevista ao Guia.

“É normalmente bastante carbonatada, com bastante gás, que torna ela uma opção bastante refrescante. Na boca é, normalmente, levemente ácida, de baixo amargor e seca. Ela não tem dulçor, é uma cerveja mais delicada”, completa o especialista.

Por algumas das características de sua receita, a Grodziskie também é popularmente chamada de “champanhe polonês” em seu país.  “É assim por conta dessa alta carbonatação, apesar de ser uma cerveja leve e não tão alcoólica como um espumante, mas que é refrescante”, explica.

Desafio para produção em larga escala
Mas existe a avaliação de que os custos envolvidos na produção da Grodziskie inviabilizam a sua popularização no Brasil, pela necessidade de importação do malte de trigo defumado. “É uma cerveja que não está no hype. É uma alternativa, quem faz, faz mais por gosto do que realmente para ter lucro. Não é um estilo que será popular no Brasil em pouco tempo. É um estilo mais de laboratório, de pesquisa, assim como todos os estilos históricos”, opina Celso.

Recentemente, durante o próprio CBC, a Das Bier realizou uma brassagem da Grodziskie, aproveitando a passagem de especialistas poloneses por Santa Catarina. Mas o seu mestre-cervejeiro, Eduardo Rausch, também apontou os desafios da produção comercial de uma cerveja desse estilo.

“Dificulta pelo fator técnico da produção, que exige equipamentos e métodos específicos, e pela obtenção dos insumos, principalmente o malte de trigo defumado, cuja disponibilidade no Brasil não é muito constante. Percebemos, por isso, uma prática de releitura do estilo, com as adaptações necessárias ao que está ao alcance de quem está produzindo sem, claro, perder a essência da Grodziskie”, diz Rausch.

Gosto popular x concursos
Embora uma Grodziskie tenha triunfado em meio à concorrência em um renomado concurso, Celso aponta outro desafio para o estilo se popularizar: o sabor defumado não é aprovado pela maior parte dos consumidores.

“Acho que esse estilo não se tornará popular. Pode chamar a atenção pela curiosidade, mas o defumado ainda é um sabor difícil para a maioria das pessoas, e gera uma certa rejeição. Foi o que a gente sentiu muito com a Grodziskie que a gente fez com a Suméria. Eles tiveram bastante dificuldade em vender essa cerveja”, recorda.

Mas em um concurso pode ser diferente. Um estilo de cerveja “inusitado” pode até colaborar para o êxito perante jurados, como se deu com a Grodziskie da Blumenau. “É diferente você beber uma cerveja defumada que é leve, com aromas delicados, refrescante, e quase espumante, tendo a sua efervescência de carbonatação e com esse tom defumado, que é bastante mais neutro. Essa coisa inusitada provavelmente ajudou essa cerveja a ser notada. E tem vários meandros dentro de um julgamento que vão ser levados em consideração”, analisa Celso.

A Best of Show do CBC e o ouro no seu estilo não foram as primeiras medalhas conquistadas pela Blumenau com a sua Grodziskie. Em 2021, o rótulo havia levado a prata no próprio Concurso Brasileiro e no Brasil Beer Cup. A consagração, assim, foi vista como especial por vir após a avaliação de jurados do país de origem do estilo, presentes ao concurso, como lembra o mestre-cervejeiro Marcos Guerra.

“Foi muito legal, pois além de ser uma cerveja histórica, quase não produzida no Brasil, havia 3 jurados poloneses no corpo de avaliação. E, devido a experiência deles, o nível de julgamento foi muito alto”, comenta.

Celso, porém, reconhece que o triunfo no CBC serve como uma motivação para outras cervejarias produzirem rótulos desse estilo. “Pode estimular algumas pessoas a descobrirem o estilo e a fazerem pela curiosidade, pela experiência com um estilo histórico. Acho que vai popularizar um pouco mais esse estilo no Brasil, mas não será uma grande aposta de mercado por conta das dificuldades mesmo de aroma, de sabor, e pelas dificuldades de matéria-prima (no processo de produção)”, prevê.

Essa maior busca das cervejarias pela Grodziskie também tem sido percebida pela Blumenau. “Após quase 2 anos que a Cerveja Blumenau produz esse estilo, notamos uma movimentação do mercado na produção da Grodziskie”, afirma Guerra.

Resgate do estilo
Em função da Segunda Guerra Mundial, a produção das Grodziskies precisou ser interrompida na Polônia, cujo governo desencorajou a fabricação de comidas e bebidas especiais para contenção de gastos durante o conflito, fato que também provocou o fechamento de cervejarias naquele país.

E isso ocorreu também em outros países, o que acabou abrindo espaço para o crescimento de estilos de cervejas que se tornaram populares e para o desaparecimento de outros mais sofisticados, como é o caso do Grodziskie. Mas ele renasceu recentemente.

“É um estilo que, como vários outros estilos históricos, se perdeu no tempo, foi esquecido. Tem vários motivos para isso e um é o avanço das Lagers alemã e checa. O início da Bohemian Pilsner foi em 1842 com a cerveja dourada, brilhante, um novo padrão que fez sucesso no mundo inteiro. E todos queriam cervejas mais ou menos daquele jeito”, diz.

Celso também tem enxergado o ressurgimento de estilos cervejeiros históricos no mercado global. “A gente está vendo, a partir dos anos 1970, principalmente nos Estados Unidos, no Reino Unido e na Europa, esse renascimento da cerveja artesanal. É um resgate de processos históricos, receitas e estilos, o que chamamos de renascimento da cerveja artesanal. E a Grodziskie também passou por isso. Ela é esquecida, principalmente a partir da Segunda Guerra Mundial. Deixa de ser feita, inclusive, regionalmente, a partir da queda do Muro de Berlim, e é resgatada por volta de 2010. E justamente quando a Polônia entra de uma forma mais forte, assim como o Brasil, no renascimento da cerveja artesanal”, encerra o sommelier.

Barcelona recebe 2ª edição do InnBrew, feira que afirma fôlego do setor pós-pandemia

*Por Andreia Gonçalves Ribeiro

A convenção InnBrew, The Brewers Convention, destinada a profissionais da cerveja artesanal, é realizada desta quinta-feira até sábado em um já reconhecido território cervejeiro em Barcelona, La Farga em L’Hospitalet.

Abandonando o selo de BBFPro – como anteriormente era nomeada a área business do Barcelona Beer Festival -, o evento retorna com os mesmos moldes da primeira edição ocorrida em julho de 2021, destinado ao público B2B. No ano passado, o InnBrew foi o primeiro encontro pós-restrições mais rígidas da pandemia em Barcelona. O Guia apresentou uma cobertura do evento, com exclusividade, na ocasião.

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InTalks, InMeet e InnShow são as três vias do congresso. Neles, os profissionais do setor se reúnem para encontros de debate, palestras sobre temas atuais, workshops técnicos de formação e feira com expositores do mercado.

A aposta dos organizadores para esta segunda edição é a entrega dos prêmios do VII Barcelona Beer Challenge, que ocorre no sábado. Junto à premiação, é distribuído o prêmio Steve Huxley, que elege uma personalidade que se destaca pela trajetória no universo da cerveja do país. O selo com uma medalha da competição é um dos mais almejados do sul da Europa.

Vale lembrar que o BBChallenge se associou ao Concurso Brasileiro de Cervejas, em uma aposta para maior internacionalização de ambos os campeonatos. A notícia foi dada pouco depois da visita do diretor da Beer Events, Mikel Rius, ao Brasil. O organizador do BBF e do InnBrew, esteve presente em Florianópolis durante o Beer Summit no fim de 2021, também tendo participado como juiz do Brasil Beer Cup.

Entre os principais temas das conferências e mesas de discussão do InnBrew, estão sustentabilidade, eficiência energética e reciclagem, matérias que já não são um diferencial, senão as únicas vias a serem adotadas na produção, logística, venda e compromissos das cervejarias. Outras discussões miram o papel dos festivais de cerveja e a função das cooperativas de cerveja na era pós-Covid.

Como já é tradição em todo evento na Catalunha, lideradas pelas profissionais do Pink Boots, as mulheres cervejeiras marcaram dois encontros no evento. São momentos descontraídos para troca de experiências, boas-vindas de novas companheiras, celebração e visibilidade. Apesar do setor estar com apenas 30% delas, a grande maioria está em cargos de alta gestão ou são as próprias cervejeiras. Em reportagem do The Guardian, publicado em março, é possível conhecer algumas delas.

Segundo a organização, “é uma grande conquista realizar uma feira como esta, em um setor relativamente novo e emergente como o da cerveja artesanal – com pouco mais de 15 anos de experiência em nosso país. Logo, a realização da segunda edição de uma convenção como o InnBrew já dá sinais de maturidade do setor”. Cabe agora acompanhar e analisar se as expectativas estarão alinhadas com os resultados da conferência.


*Andreia Gonçalves Ribeiro é mestra em Turismo Cultural Gastronômico e em Patrimônio, pela Universitat de Girona, além de sommelière de cervejas pelo ICB e sommelière bartender pela ABS-SP. Hoje, pesquisa sobre a cerveja e seus fenômenos na Catalunha.

Premiada, cerveja da Wienbier reforça avanço das Bitters no mercado brasileiro

As cervejas do estilo Bitter parecem estar caindo no gosto do cervejeiro brasileiro. Apostando nesse tipo de cerveja, a Wienbier, uma das marcas do portfólio da NewAge, lançou a Wienbier 52 Bitter Ale, o que representou um investimento fora dos estilos mais produzidos no país.

Essa ação ganha relevância porque a Wienbier é uma das principais marcas fabricantes de cervejas especiais no Brasil. E além de apresentá-la ao público, a companhia também conseguiu reconhecimento da crítica.

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É mais um passo de diversificação do mercado, com o estilo Bitter, aos poucos, avançando no Brasil. Tanto que, em setembro do ano passado, o movimento Toda Cerveja reuniu 60 marcas para celebrar o Bitter Day. O evento foi realizado para o lançamento de rótulos do estilo, na tentativa de ajudar a popularizá-lo no país.

O gerente comercial da NewAge, Edison Nunes, avalia que as características da Bitter podem ajudá-la a cair no gosto do consumidor brasileiro, levando mais marcas a lançarem cervejas desse estilo.

“Eventos como o Bitter Day promocionando o estilo chamam a atenção do consumidor-alvo para mais possibilidades de satisfazer seu paladar. E, por ser um estilo relativamente novo no mercado brasileiro, cai facilmente no gosto dos adeptos de uma cerveja mais refrescante e leve, com uma carga extra de malte e um amargor presente, mas bem equilibrado”, afirma.

De alta drinkability e refrescância, conforme o Beer Judge Certification Program (BJCP), as Bitters trazem alta fermentação, cor levemente acobreada, lúpulos ingleses e podem ser divididas em três estilos: Ordinary Bitter, Best Bitter e Strong Special Bitter.

Nunes relata, ainda, que a NewAge enxerga um movimento de mercado de busca por estilos mais sofisticados. E quer atendê-lo. “Apostamos que o consumidor está se acostumando a beber melhor, escolhendo sua cerveja pela ocasião, em uma gourmetização”, diz.

Wienbier 52 Bitter Ale
A Wienbier 52 Bitter Ale foi inspirada em uma Ale inglesa e combina lúpulos de Hallertau e aromas de especiarias para gerar amargor. Com 5,0%, de graduação alcoólica, esse rótulo tem maltes caramelo em sua composição, que proporcionam um corpo médio, cor âmbar límpida e aromas e sabores maltados com notas de biscoito, nozes e pão, de acordo com o relato da marca.

O rótulo levou a medalha de ouro na categoria Extra Special Bitter no Concurso Brasileiro de Cervejas deste ano, o que, de acordo com Edison, fará a Wienbier reforçar a aposta nessa opção ao longo de 2022.

“Ela foi lançada no segundo semestre de 2021 e até antes do prêmio era considerada um complemento de mix, porém agora temos que admitir, ela é o nosso novo super trunfo para 2022”, afirma Edison, comemorando o desempenho alcançado na competição cervejeira em Blumenau.

“Estamos exultantes e orgulhosos com este prêmio conquistado no CBC, um dos mais renomados no mundo. Foi a nossa 1ª participação e já fomos coroados com medalha de ouro. Valeu nossa insistência por primar pela qualidade dos ingredientes e processo de produção de nossa linha Wienbier”, completa.

Entrevista: “O sommelier é o relações públicas do universo cervejeiro”

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O sommelier de cerveja agora é uma das 2.269 ocupações reconhecidas pelo Ministério do Trabalho e Previdência. Há cerca de duas semanas, a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) trouxe atualizações na sua lista, incluindo o trabalho do sommelier, tema de mais uma edição do Guia Talks, agora com Bia Amorim.

A sommelière de cervejas, escritora e fundadora da Farofa Magazine é a organizadora do Guia de Sommelieria de Cervejas, livro publicado pela editora Krater, com textos produzidos por 28 profissionais do setor, do Brasil e de outros países. A obra é um manual prático visando complementar a formação dos profissionais, além de buscar ajudar a reduzir a carência desse tipo de publicação no país.

No Guia Talks, Bia Amorim comentou sobre o processo de concepção do livro e o que ela considera ser a função primordial de um sommelier: atuar como um relações públicas da cerveja. Além disso, a especialista também apontou a entrada da profissão no CBO como um passo inicial para atender demandas de quem realiza essa função.

E, com a experiência de quem atua no mercado há anos, ela aposta que o setor vai produzir cervejas melhores neste ano, em todos os aspectos, diante da propagação do conhecimento entre os profissionais que atuam diretamente com as artesanais.

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Confira os principais trechos da conversa do Guia com Bia Amorim:

Como foi a concepção do Guia de Sommelieria de Cervejas?
A Editora Krater, em dezembro de 2019, me ligou, falando do projeto do Guia. Eles já tinham um projeto muito amarrado, algumas sugestões de nomes. E a gente começou a fazer os convites, comigo funcionando como uma ponte. Na produção, buscamos refletir sobre qual é o papel do sommelier.  A gente deixou muito aberto para as pessoas escreverem da sua maneira. E ainda tivemos o desafio de escrevê-lo em meio à pandemia. Eu diria que este livro é um resultado muito importante para o mercado cervejeiro do Brasil.

Existe um público-alvo para o livro? Qual seria?
É um livro que é fácil de ser lido. Eu não sei se a gente pode rotular como sendo para o geek cervejeiro, o nerd cervejeiro. É para o cervejeiro, a pessoa que gosta de ler para buscar aprofundamento. Foi feito, também, para todos os sommeliers que já se formaram e vão poder fazer uma reciclagem. E para as pessoas terem uma fonte para consultas.

Como você enxergou a entrada do sommelier de cervejas no CBO? O que muda para os profissionais?
Eu acho que o CBO é uma ótima provocação. Não muda muita coisa no mundo, mas muda que você sai de um lugar quase inexistente para um lugar existente. O CBO foi importante porque você acaba tendo ali quais são as funções do sommelier, quais são as outras profissões que estão conectadas ao seu ambiente. E, às vezes, a burocracia é uma forma de registro. Ainda tem novos passos a dar, coisas para acontecer, inclusive até sobre quanto se ganha e sobre um plano de carreira. Acho que são questões para as escolas, os cursos de formação, a mídia e os profissionais também discutirem.

O setor de artesanais ainda tem uma participação diminuta no mercado. Qual é o papel do sommelier de cervejas para ajudá-lo a crescer?
O sommelier é como um relações públicas da cerveja. É quem ajuda o consumidor a fazer essa travessia entre uma forma de consumo antiga, um pouco restrita em questões de escolha de sabores e experiências pessoais, para um lugar onde, provavelmente por uma questão econômica, a pessoa vai ter que fazer melhores escolhas, mas também para uma forma diferente de consumo, porque em geral ela deveria beber menos. Como eu escolho, por quais parâmetros? O sommelier tem o papel de ajudar o consumidor a entender o que gosta, o que é bom. É a pessoa que dá a mão dos dois lados, para a cervejaria e para o consumidor. É muito legal você vivenciar isso e entender o que o consumidor quer. E, às vezes, é preciso ajustar a narrativa.

E o que o sommelier precisa fazer para alcançar isso?
A gente precisa chegar muito mais perto da gastronomia como mercado. A gente precisa de menos sommelier de cerveja e de mais garçons e garçonetes que entendam do produto. A gente não precisa rotular tanto. Parece que às vezes o sommelier virou um status. Eu acho que ele é algo muito maleável. Você está sommelier, não é um conhecimento que conseguiu atingir.

Quais são as tendências do mercado nesse momento?
Fazer cerveja boa. Isso pode parecer o primeiro passo, mas eu digo isso porque tenho visto muita gente se especializando, fazendo cursos, muitos cursos abrindo. Estourou a bolha das escolas particulares, muito nichadas. Tem muita gente entendendo mais e melhor a cerveja. É um mercado que tem mais autocrítica para que se possa fazer cervejas melhores. E a cerveja melhor não é somente a cerveja boa. É uma cerveja eficiente, que não tem desperdício, com mais sustentabilidade. É a cerveja onde a cervejaria trabalha melhor, entendendo quem é o seu público. A tendência é olhar mais para os dados que o mundo digital nos trouxe. É preciso cada vez mais encontrar quem é o público da minha cervejaria. Assim, você vai fazer um trabalho melhor. Saber qual é a pessoa que está atendendo, ainda mais que agora as pessoas vão beber mais localmente.

Advogado Cervejeiro celebra 5 anos e agora mira mercado de bebidas especiais

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O projeto Advogado Cervejeiro comemorou cinco anos de atividade em 2022 mirando novos saltos e mercados. Diante de um desempenho considerado “altamente positivo e muito além do esperado” para o período, de acordo com o seu idealizador, o advogado André Lopes, o foco para os próximos cinco anos se voltará para a ampliação dos serviços jurídicos ao mercado de bebidas especiais.

Com o serviço de assessoria jurídica para o setor cervejeiro, o projeto possibilitou, no período, um acréscimo de 40% ao faturamento do escritório de advocacia Lopes, Verdi & Távora, de Porto Alegre.

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“Apesar do começo difícil e de uma certa resistência do mercado, o saldo nesses 5 anos superou qualquer expectativa. Foi um longo caminho até a consolidação do trabalho e reconhecimento por parte da cena cervejeira, que, com o passar do tempo, passou a ter o Advogado Cervejeiro como referência jurídica”, destaca André.

Na sua avaliação, o reconhecimento do setor veio muito em virtude dos trabalhos realizados para os clientes, além de iniciativas em prol das microcervejarias, como a elaboração do Código de Ética da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) e do livro Direito para o Mercado da Cerveja. “O livro foi um grande divisor de águas. A partir do seu lançamento e do sucesso das vendas, a demanda pelos serviços aumentou consideravelmente”, lembra.

Desde que surgiu, em março de 2017, o escritório soma mais de 300 clientes no setor cervejeiro, baseados em quase todos os estados brasileiros.  “Há cinco anos era muito comum encontrar cervejarias menores trabalhando sob risco legal. O Advogado Cervejeiro surgiu para evitar que o empreendedor da cerveja artesanal, com uma oportunidade de negócio muito boa nas mãos, quebre por falta de assessoria jurídica especializada”, detalha André.

Segundo André, apesar de o foco inicial ter sido apenas o mercado cervejeiro, outras empresas produtoras de bebidas procuram os serviços do escritório em virtude da escassez de profissionais especializados e da autoridade da assessoria na abordagem de questões jurídicas sobre cerveja e outras bebidas.

Com isso, ele espera nos próximos 5 anos também atender produtores de kombucha, hard seltzer, destilados, vinhos naturais, cafés e outras bebidas. “Já atendemos marcas de praticamente todas outras bebidas artesanais, por isso a expansão para abranger mais bebidas foi orgânica, aconteceu naturalmente. A ideia é cada vez mais atender não só microcervejarias e negócios cervejeiros, mas também toda cadeia de bebidas artesanais, que acabam tendo dores muito semelhantes às dos cervejeiros”, completa.

Em bairro boêmio de São Paulo, Torneira se firma como bar “de todes para todes”

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Um dos bairros mais famosos de São Paulo pelas atrações boêmias conta, agora, com um símbolo de diversidade e inclusão. Com um pouco mais de 5 meses de funcionamento na Vila Madalena, o Torneira Bar está ganhando espaço no mercado e conquistando o público cervejeiro por colocar a inclusão em prática com a proposta de um “bar de todes para todes”.

A casa chama a atenção por ter uma equipe formada 100% por pessoas trans e não-binárias, além de sua programação ser voltada para o público LGBTQIA+, mulheres e negros.

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A sociedade do Torneira Bar é formada pelos sommeliers de cerveja Christian Montezuma e Dani Lira. E a ideia de empreender nasceu justamente pela paixão de ambos por cervejas, com a inclusão de outros grupos de pessoas a um ambiente majoritariamente masculino, brancos e hétero, sendo um fato determinante para a criação do bar.

“O Christian é advogado trabalhista e eu sou ex-bancária. E a gente queria empreender no mercado cervejeiro. Quando pensamos em ter um bar, levantei a mão e falei: se a gente for fazer um ambiente cervejeiro, ele tem que ser diferente, porque eu, como mulher preta nesse meio, já passei por algumas situações”, comenta Dani.

Embora o Torneira Bar tenha sido aberto em São Paulo, a ideia inicial era de que o espaço fosse no Rio de Janeiro, cidade dos sócios, sendo uma opção pós-praia. Entretanto, a mudança da dupla para a capital paulista em meio à pandemia da Covid-19 veio junto com a alteração no local onde o bar acabou sendo criado. A crise sanitária, inclusive, os permitiu consolidar os planos e estratégias. “A gente começou a desenhar o bar e nesse período de pandemia começamos a estudar sobre inclusão e diversidade porque ambas as palavras são ligadas, né?”, reflete Dani.

E foi justamente definindo o projeto que outra importante questão foi levantada pelos sócios do bar: o público LGBTQIA +. “É quase zero dentro dos espaços cervejeiros. Você não vê a galera LGBTQIA+ nos eventos, é muito difícil encontrá-la em bares”, explica.

Um bar de todes
A ideia de criar um “bar de todes que respeitasse todes” dentro da sigla LGBTQIA+ fez os sócios começaram a aprofundar-se ainda mais na comunidade. Foi quando encontraram o público transgênero. As travestis, geralmente, enfrentam ainda mais dificuldades de se colocarem no mercado de trabalho, em muitos casos por preconceito.

“É uma responsabilidade. Como a gente vai pautar diversidade se não tiver representatividade dentro do nosso bar?”, indaga Dani. “É o que falo para muitas pessoas: não é só a gente colocar uma bandeira no dia da semana da Parada Gay. É agir de fato, colocá-las [as pessoas trans] para dentro da nossa casa. É um posicionamento”, pontua.

Com a ajuda de um portal de empregabilidade para pessoas transgêneras, os sócios do Torneira Bar conseguiram direcionar as vagas para elas. E encontraram toda a mão de obra de que precisavam. “Com muito orgulho a gente fala isso, hoje. Realmente é uma equipe 100% trans. Temos padrões aqui dentro do bar e nada muda por ser uma equipe trans”, destaca Dani.

‘É muito gostoso fazer parte disso porque a gente percebe que o Torneira Bar é ainda tão jovem e já vem mostrando alguns pontos para esse universo cervejeiro. A gente percebe, inclusive, dentro dos nossos parceiros, que vêm conversando, sondando e querendo entender melhor essa relação de diversidade. Esse não é o é a. Ou não, não é a é o. E é muito legal essa preocupação”, comenta Dani.

Atualmente, o Torneira Bar conta com oito colaboradores fixos na casa, todos membros da comunidade trans, além dos freelancers que costumam ser contratados para os finais de semana e períodos mais agitados.

Dani explica que a casa ainda não tem um trabalho de marketing direcionado, mas o boca-a-boca vem dando fama ao bar, que está conseguindo chegar ao seu público-alvo. “A gente percebe que o clima do bar e dos clientes é de respeito. Tem um público misto. E são muitos eventos direcionados. Por exemplo, no dia que fazemos um evento de forró, percebemos que temos um público com maioria lésbica. Quando a gente faz evento como o Transarau, voltado para comunidade trans, temos muitos participantes trans”, comenta.

E a cerveja artesanal?
Por serem sommeliers de cervejas, os sócios têm uma relação direta com a cerveja artesanal. E, neste novo empreendimento, também exercem o papel de apresentação das bebida para o público, como relata Dani.

“É importante que provem e conheçam. A gente enfrenta muito no bar o comparativo, falando que a cerveja é cara. A nossa relação é mostrar que a cerveja artesanal é possível. É uma questão de cultura, de mudar a visão da cerveja e trazer isso para todos os públicos.”

Apesar dessa relação mais íntima com as artesanais, o Torneira ainda não possui sua própria cerveja, mas já participou de vários rótulos colaborativos e pretende integrar outros, principalmente aqueles ligados à diversidade e à inclusão.

Palavra de ordem: coragem
Para quem, assim como os sócios do Torneira Bar, está com a ideia de desenvolver um projeto de diversidade e de fortalecer o setor de cerveja artesanais, a palavra de ordem é coragem.  “A gente inclusive saiu em um veículo jornalístico recentemente e tivemos reação dos ‘haters’”, diz Dani. “Mas é o que sempre digo: abrace. Não ache que é só porque você não é que você não pode abraçar uma causa”, afirma.

Dani revela, inclusive, que o maior apoio aos sócios do Torneira Bar, diante dos ataques, veio da equipe de funcionários. “Eles nos abraçaram, porque talvez já tenham passado tanto por isso e sabem enfrentar melhor do que a gente. Algo que não deveria acontecer, mas estamos enfrentando juntes e misturades”.

Além de resistir, abraçar e agir por uma causa, a sócia do Torneira Bar ressalta a importância de o seu espaço inspirar outras iniciativas do tipo.

Quando se fala, hoje, em diversidade, em São Paulo, está muito concentrada na região central [da cidade], na Augusta. Foi um desafio trazer isso para a Vila Madalena, mas é importante, porque daqui a pouco vem outro. Daqui a pouco, a rua está diversa, os bares e as cervejas serão diversos

Dani Lira, sócia do Torneira Bar

A sócia do Torneira pede, ainda, para o mercado cervejeiro escutar, observar e dar oportunidades. “Tem pessoas maravilhosas dentro desse mercado profissional que muitas vezes não são nem convidadas para o processo seletivo, porque o nome é diferente, o currículo está confuso, entende? E é só uma oportunidade. É só sentar, olhar, receber a pessoa como ela vem, com o estilo e jeito dela. E vocês vão se surpreender” finaliza Dani.

Com 2ª cerveja em 7 meses, Rush é mais uma banda a se aventurar no setor

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Uma das principais bandas da história do rock, o Rush acaba de lançar, em parceria com a canadense Henderson Brewing Co., uma cerveja, a Moving Pitchers. Com o nome inspirado no clássico disco Moving Pictures, que completou 40 anos de seu lançamento em 2021, o rótulo está sendo produzido em uma quantidade limitada, possui teor alcoólico de 11,9% e serve para ampliar a tradição de bandas clássicas que já lançaram cervejas especiais.

Com um toque de vinho Pinot Noir e notas de uvas bordô, maçã e lichia em sua composição, a nova cerveja do Rush é uma Blond Ale que segue a tradicional receita belga, tendo sido lançada em 24 de março, em Ontário, no Canadá. O país da América do Norte é o de origem do célebre “power trio” que era formado por Geddy Lee (vocalista e baixista), Alex Lifeson (guitarrista) e Neil Peart, lendário baterista morto em janeiro de 2020.

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Essa é a segunda cerveja lançada pelo grupo em sete meses, depois de a banda ter apresentado, no fim de agosto passado, a Rush Canadian Golden Ale, também fruto de um acordo colaborativo com a Henderson Brewing. O novo rótulo, a Moving Pitchers, reproduz a imagem de um arremessador de beisebol ao fundo. Em primeiro plano, há uma caneca cheia de cerveja sobre um skate que está de frente para o esportista. A arte estampada na garrafa foi produzida por Hugh Syme.

Já a Rush Canadian Golden Ale, outra cerveja em edição limitada, trouxe em seu rótulo o famoso emblema “Starman”, retratado pela primeira vez na contracapa do álbum 2112, de 1976, que foi o quarto de estúdio da banda canadense.

A cerveja Moving Pitchers chega ao mercado pouco antes de o Rush lançar, no próximo dia 15, uma reedição especial de 40 anos do álbum Moving Pictures. Ao comentar o fato, o grupo brincou que a nova cerveja estará disponível aos fãs “em todo o Canadá a tempo de tomarem uma gelada” enquanto ouvem a versão comemorativa do disco de 1981, que contém as clássicas “Tom Sawyer” e “Limelight” entre as suas sete músicas. Tom Sawyer, aliás, ganhou ainda mais notoriedade ao ser escolhida como trilha do seriado Profissão Perigo, estrelado pelo personagem MacGyver, naquela década.

“Quando começamos este projeto, estávamos realmente empolgados em criar a cerveja perfeita para depois do show. Mas depois de passar um tempo trabalhando com a Henderson (Brewery), descobrimos muitos estilos e sabores para produtos adicionais mais complexos”, ressalta o guitarrista Alex Lifeson, que também é cientista de cerveja. “Levamos o teste de sabor muito a sério”, completa Geddy Lee, vocalista que é outro amante desta bebida.

Cerveja do Iron Maiden inspirou lançamentos do Rush
O Rush começou a lançar cervejas anos após um fato ocorrido durante a R40 Tour, turnê da banda realizada entre maio e agosto de 2015. Na ocasião, depois de um show do trio canadense, Geddy Lee experimentou uma garrafa da The Trooper Ale, rótulo criado pelo Iron Maiden, e perguntou, em tom de brincadeira, quando o seu grupo teria uma cerveja própria. E ali foi plantada uma semente que depois resultou nas criações da Rush Canadian Golden Ale, em 2021, e agora da Moving Pitchers.

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A Trooper foi lançada pelo grupo britânico de heavy metal melódico após uma parceria com a cervejaria Robinsons, do Reino Unido. E a banda possui dez rótulos de diferentes estilos, entre os quais uma cerveja chamada Brasil IPA, que tem baixo amargor, com notas sutis de cacau, chocolate branco e manga, tendo sido produzida no país em parceria com a curitibana Bodebrown. Antes disso, a formação liderada pelo vocalista Bruce Dickinson fabricou, em colaboração com a cervejaria escocesa Haviestoun, uma English Strong Ale batizada com o nome da canção The Number of the Beast, que continha 6,66% de teor alcoólico.

Confira outras bandas clássicas que lançaram cervejas especiais:
Queen – O lendário grupo britânico lançou a Bohemian Lager em 2015, então produzida em comemoração aos 40 anos da música Bohemian Rhapsody. Produzida na República Checa, ela é uma Pilsen com 4,7% de álcool e tem estampado no rótulo o símbolo original do grupo, que foi criado por Freddy Mercury quando o vocalista, morto em 1991, cursava design gráfico na Ealing Art College, de Londres.

AC/DC – Se o Iron Maiden ostenta dez rótulos com o nome da banda, o clássico grupo australiano também já lançou várias cervejas especiais. Uma delas foi a Back in Black, uma Black India Pale Ale que carrega o mesmo nome da clássica música da banda e do álbum que é o disco de rock mais vendido da história. Os australianos também já trouxeram ao mercado a AC/DC German Beer Australian Hardrock, em 2012, quando completaram 40 anos de carreira, e depois rótulos premium inspirados nos álbuns Rock or Bust (2014), Power Up (2020) e High Voltage (1976), estes dois últimos frutos de parcerias com as cervejarias KnuckleBonz e Calicraft Brewing Company.

Kiss – A mítica banda norte-americana lançou, em 2011, uma German Pilsner com teor alcoólico de 4,7% e batizada como Destroyer, mesmo nome do disco clássico do grupo, de 1976. A cerveja foi produzida pela sueca Rewine, também responsável por um vinho que carrega o nome do Kiss.  

Metallica – Outra clássica banda de rock que se aventurou no mundo cervejeiro é o Metallica, que em 2019 lançou a Enter Night, rótulo produzido em colaboração com a norte-americana Stone Brewing e cm seu nome inspirado no clássico Enter Sandman, do Black Album, de 1991. Com 5,7% de teor alcoólico, ela é uma Pilsen lupulada que se tornou a segunda cerveja lançada pelo grupo. A outra, batizada com o próprio nome Metallica, foi apresentada em 2015 sendo feita na fábrica da Labatt, subsidiária canadense da AB InBev, em uma edição limitada que ocorreu após parceria com a Budweiser.

Pearl Jam – Outra grande banda do cenário do rock que já lançou sua própria cerveja é o Pearl Jam. Em 2011, em comemoração ao aniversário de 20 anos do clássico disco Ten, o grupo apresentou a Twenty Faithfull Ale, que também faz referência à música Faithfull, do álbum Yield, de 1998. O rótulo foi fruto de uma parceria com a cervejaria norte-americana Dogfish Head, cujos representantes qualificaram a encorpada Golden Ale, de 7% de teor alcoólico e groselha entre os ingredientes de sua receita, como uma cerveja “forte como o som da banda” liderada por Eddie Vedder.

Angra – Uma das maiores bandas brasileiras na cena do heavy metal melódico mundial, o Angra acumula um histórico de lançamentos de cervejas durante a sua trajetória. Primeiro em 2013, para comemorar os 20 anos do disco Angels Cry, o grupo apresentou dois rótulos: um de mesmo nome do álbum e outro chamado Holy Land, ambos fabricados pela cervejaria Bushido. Oito anos mais tarde, em 2021, para festejar as 3 décadas de existência, a banda trouxe ao mercado mais dois rótulos, estes produzidos em uma colaboração com a Cerveja Coruja, de Forquilhinha (SC). São uma Lager e uma IPA, que nos adesivos que as identificam em garrafas long neck contam com elementos dos álbuns que marcaram a história do Angra.

Sepultura – Esse é outro grupo brasileiro que conquistou grande sucesso no exterior e acumula experiências no mercado cervejeiro. Em 2009, a banda lançou o seu primeiro rótulo, chamado de Sepulweiss, que traz banana e cravo em sua receita e tem 4,5% de teor alcoólico. Depois disso, em 2014, quando completou 30 anos, comemorou a data com o lançamento da Sepultura Ale, com sabor frutado e 4,8% de álcool. Ambas as cervejas são fabricadas pela Bamberg, de Votorantim (SP).

Motörhead – Essa é mais uma banda de rock pesado que tem na sua biografia o lançamento de uma cerveja. Trata-se da Bastards Lager, apresentada em 2012, depois de o grupo já ter entrado no mercado de bebidas com o vinho Motörhead Shiraz e com a Motörhead Vodka. O rótulo cervejeiro foi lançado pela empresa sueca Krönleins e conta com 4,7% de teor alcoólico dentro de uma receita de malte leve em uma Lager fresca e frutada.

Homenagens para bandas e artistas famosos
Além das cervejas lançadas pelas próprias bandas, há vários casos de bebidas que surgiram para homenagear famosos grupos ou artistas do rock. O Deep Purple, por exemplo, foi reverenciado com o rótulo Smoke on the Water, cujo nome é o mesmo de um dos maiores clássicos compostos pelos lendários roqueiros ingleses. É uma Smoked Porter Ale, produzida pela cervejaria Küd com malte defumado. Ela tem 8% de teor alcóolico e traz no rótulo uma partitura com as notas do conhecido riff inicial da canção, que faz parte do disco Machine Head, de 1972.

Outra grande banda que já foi homenageada com uma cerveja artesanal é o Ramones. O rótulo Blitzkrieg Hop, cujo nome foi dado em alusão à música Blitzkrieg Bop, que abre o álbum lançado pelo grupo em 1976, é uma American India Pale Ale. Esse rótulo da RockBird Craft Brewery possui 8,1% de teor alcoólico, possui coloração cobre avermelhada e tem receita inspirada nas cervejas extremas norte-americanas.

Uma outra canção clássica do rock que se tornou nome de cerveja é Purple Haze, de Jimi Hendrix, lendário guitarrista que morreu com apenas 27 anos e foi homenageado com este rótulo da Abita Brewing Company. Trata-se de uma bebida de trigo, com 4,2% de álcool, do estilo American Wheat Beer, que contém na receita purê de framboesa, ingrediente adicionado após o processo de filtração da cerveja.

Assim, ao lançar um novo rótulo, o Rush não só está agradando aos seus fãs que são apreciadores desta bebida. O lendário grupo também amplia uma tradição que conecta o rock com o mundo cervejeiro, que tem milhões de amantes do estilo musical que não dispensam o hábito de tomar uma bebida enquanto curtem o som de suas bandas preferidas.

Artigo: Fòrum Gastronòmic reuniu estrelas para reforçar reativação do setor em Girona

*Por Andreia Gonçalves Ribeiro

Cristiano Ronaldo, Messi e Mbappé. Frank Sinatra, Aretha Franklin e Miles Davis. Rihanna, Beyoncé e Lady Gaga. Steven Spielberg, Scorsese e Tarantino. Bom, seja qual for o seu universo, é fácil apontar um trio que seja de grandes estrelas de grandes temas, mesmo que esse não seja, necessariamente, nosso mundinho. Futebol, música e cinema flutuam sobre nossas cabeças, não importa onde estamos. E por que não a gastronomia? Esta que também está no noticiário, nas redes sociais, nos memes, na mesa do bar… Certamente, a porção que acompanha a sua cerveja foi inspirada em alguma criação anterior. Ou, no caso do Brasil, no nosso patrimônio alimentar e nas tradições culinárias desde os tempos da avó.

Porém, quando o assunto é a cena da culinária mundial as referências que passeiam em nossas cabeças são caçarolas francesas, fornos italianos, temperos orientais… Não é necessário sair das terras mediterrâneas para chegar aonde esse texto quer te levar. Ali, na fronteira do nordeste da Espanha com a França, está a Catalunha. Terra que produz cavas, mar que inspira arte, o berço da gastronomia molecular inovadora de Ferran Adrià. Daquela cozinha que se agarra às saias da mãe para sorver tudo o que a tradição pode oferecer.

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Agora, estamos em Girona, considerada por muitos a Capital da Gastronomia. E, mesmo que o título tenha validade de três dias (para os mais recalcados ou para qualquer um em seu direito de contestar), não há lugar que reúna mais gente prodigiosa em um só momento como o Fòrum Gastronòmic. Os craques, os caras, as mina, os p* da galáxia, todos juntos.

É com essas informações em mente que apresento um resumo do que ocorreu na semana retrasada. Intensa, cheia de sensações, cores, sabores… E, por que não dizer, coisa de cinema? Ou “música para os meus ouvidos”? Enfim, Girona batendo um bolão na área da gastronomia.  

O evento
O Fòrum Gastronòmic é um evento criado com o intuito de analisar o que se passa na atualidade da arte culinária e apresentar as tendências da gastronomia, porém, a partir de diferentes pontos de vista. Nos três dias em que se celebrou no Palau de Fires e no Auditori de Girona, o congresso trouxe não só os grandes nomes dos restaurantes estrelados, mas reuniu ainda profissionais, fornecedores de matéria-prima, restauradores, estudantes e clientes, aficionados e, perdoados, gente que só foi para comer e tirar foto.

Debates, palestras, show cookings, concursos, demonstrações culinárias, apresentações de teses e uma feira com mais de 120 expositores, divididos em 7.000 m2. Uma retomada depois de tempos duros para o mercado, com possibilidade de novos negócios, de contatos, de um brinde.

A tônica do evento é ouvir diferentes vozes para saber o papel de cada um nesse cenário em um mercado que foi tão afetado com a pandemia. O último Fòrum Gastronòmic havia sido em 2019, com sua primeira edição tendo ocorrido no final dos anos 1990. E, atualmente, outras capitais, como Barcelona, o recebe. Adiado outras duas vezes, pôde ser realizado, sem tantos riscos.

“Celebridades” e atividades
Nesta edição, segunda e terça (14 e 15) tiveram jornadas dedicadas ao mundo profissional, com convidados que representavam a gastronomia que participaram de diálogos e debates sobre os mais variados temas. A organização dividiu cinco temas, Bacus (vinhos e bebidas no geral), Culinária, Doce, Empresa e Sala. No entanto, como participante, a visão é um pouco diferente.

Abertas as portas no domingo (13), o Fòrum Gastronòmic trouxe a estrela do programa MasterChef da Espanha Jordi Cruz, que apresentou o conceito de “cozinha estrambótica”, ao lado do artista Quim Hereu, seguido por Ada Perallada, com uma apresentação mais do que importante sobre o reaproveitamento de alimentos.

O auditório sediou sessões sobre os horários e a jornada intensa do setor e um debate sobre a mudança geracional à frente de restaurantes e empresas do segmento gastronômico. Neste, a participação da única mulher com sete estrelas no currículo, Carme Ruscalleda. O consumo halal, também veio como tema de grande fator de crescimento econômico e inclusão.

A palestra magna, que era o grande momento do evento na segunda-feira (14), reuniu Massimo Bottura, chef da Osteria Francescana de Módena, Mauro Colagreco, do Mirazur de Menton, e Joan Roca, do El Celler de Can Roca. Eles debateram sobre a cozinha como ferramenta para consciência social e transformação ambiental.

Há um ano, após momentos difíceis que apertaram ainda mais os laços de amizade desses grandes mestres, eles se reuniram para celebrar a vida. Os três realizaram um grande jantar para arrecadar fundos para a Unidade de Neurocríticos do Hospital Josep Trueta de Girona.

Terça-feira foi dia de apresentar as inovações do trio à frente do restaurante #5 do mundo, Mateu Casañas, Oriol Castro e Eduard Xatruch, do Disfrutar, de Barcelona. Eles também são sócios do Compartir, de Cadaqués, cidade litorânea toda branquinha, que rendeu inspiração para muitos artistas que tinham ali suas casas de verão e onde está o Museu Casa de Salvador Dalí.

No último dia, com alta ocupação no auditório, os diálogos foram em torno da criatividade e negócio, sobre a valorização da figura dos profissionais de sala, sobre o mundo do vermute, se encerrando com Paco Pérez, do dois estrelas Miramar.

Debates
Uma lista de profissionais de primeira enfrentaram debates conduzidos por jornalistas. Desde as necessidades estruturais do setor até “o glamour na gastronomia” foram temas colocados na roda. Nesse, participou Raül Ballam, filho da chef Ruscalleda, que já soma duas estrelas e levou a sua cozinha para o Japão. Entre os mais interessantes, o papel dos críticos gastronômicos e criadores de conteúdo que amplia a possibilidade de opiniões, favoráveis ou não, chegarem ao público.

“Benvingut a Pagès” é um projeto que coloca a agricultura em contato direto com o consumidor, em jornadas de visitas aos sítios e granjas locais durante uma semana. Mais um coletivo que recebeu destaque. Os agricultores puderam debater a importância do primeiro setor e falaram da experiência dos produtores ao longo do ano. E, já se ancorando a uma das receitas-estrela do congresso, rolou uma degustação de cheesecakes acompanhados de destilados.

Pela primeira vez
A novidade da edição 2022 foram os “monográficos”, encontros de especialistas durante todo um dia para adentrar em um produto e esmiuçar um conceito. Os três eleitos foram o steak tartar, o cheesecake e o chocolate. Apresentações que “desconstruíam para construir”. O saber do manejo do rebanho, o cuidado na maturação da carne, o corte, a condimentação, a maneira de preparar o prato já na mesa do cliente. Uma viagem.

O Bean to bar, ou seja, o chocolate desde o ponto zero, foi no último dia, com a presença de Jordi Roca e equipe da Casa Cacao. Para saber mais sobre ele, tem episódio especial na quarta temporada de Chef’s Table, na Netflix. Para os interessados em cada tema, pela programação é possível pegar os nomes e partir em viagem para conhecer mais sobre essa delícia.

Eu quero café!
Um cantinho chamado “Cafés de Autor” era onde se podia experimentar e fazer degustação guiada, uma sala que ficava anexo da sala Girona Excel·lent, que concentrou públicos maiores. Diálogos sobre criatividade, tosta, sabores, origem.

Concursos
Ainda rolou o Concurso Melhor Sommelier da Catalunha, prêmio conferido a Joan Anton Colet, do restaurante El Cigró d’Or de Vilafranca del Penedès, e de melhor steak tartar, dado ao restaurante Divinum. Outro concurso foi o de Melhor Xuixo do Mundo, uma massa folhada recheada com creme catalão. Frita, passa no açúcar e bota para gelar. Mas daí vai a criatividade. Há recheios de maçã, de bebidas locais, de chocolate… Daquelas coisas que se há de provar quando se viaja para o lugar. Ganhou uma confeitaria de L’Escala, a Juhé, e no fim de semana seguinte já enfrentou filas, tendo que aumentar a produção do doce em 10 vezes.

Outra disputa foi a de melhor startup das que apresentaram suas ideias no S[Pitch] Corner e na sala de Debates. A vencedora foi a venezuelana Yummy, um aplicativo de entrega compartilhada que já recebeu algumas boas dezenas de milhões de investimentos. Gente jovem, disposta, conectada com a sustentabilidade e com as demandas que criam tendências.

E a cerveja?
Como nossa filósofa contemporânea Anitta que sempre planta sua pergunta para reflexão, “pensaram que eu não ia rebolar…?”, teve cerveja. E foi justamente do banco de startups que saiu a Brebel, um projeto “beeractivista” que destina 10% a projetos sociais. Xavier Ramón e Héctor Puig, o cervejeiro e o cara do design, compõem a dupla que investe seus conhecimentos, causas e valores nos projetos. Da consciência contra o desperdício e baseando-se na reutilização de pão como parte do malte, sai uma Bohemian Pilsen sem glúten muito límpida e fresca. Buscando sempre fazer cervejas leves, entre as escuras sai uma Stout colaborativa com o chocolatier Ivàn Pascual, do Origen Bean to Bar, de Lleida, que também participou e se apresentou no Fòrum Gastronòmic. E, para quem teve sorte de encontrar o momento certo, uma IPA sem álcool era uma das receitas interessantes para se provar.

Na outra ponta, Saison e Belgian Blonde Ale. Jordi, da Cervesera Minera, é um anfitrião em feiras. A Minera tem esse nome porque está em terras onde antigamente havia uma mina e, até 2018/2019 ainda era possível fazer uma caminhada bucólica, conhecer o patrimônio de Sant Joan de les Abadesses e degustar as variadas cervejas. Brindes harmonizados com produtos e pratos da região. O projeto segue firme. E se tem feira, tem Jordi e tem Minera. Entre outras, a Wee Heavy Wood Aged com ratafia é um sucesso. Sabor local, produto local e com apoio do Girona Excel.lent, impulsor e promotor dos produtos das comarcas gironinas.

Por falar em impulso, o patrocinador master do evento era a Estrella Damm. Em seu espaço, foram servidas tapas com cervejas na pegada certeira para os “consumidores de entrada” (como frequentemente se escuta sobre quem está descobrindo sobre as artesanais). A exemplo da Complot IPA – lançada no FGG de 2018 -, da Inedit e da Malquerida, as últimas elaboradas em parceria com os irmãos Albert e Ferràn Adriá, a rainha da festa foi a Duet Damm.

A marca industrial de cervejas é a mais presente nos restaurantes estrelados e tenta estar, cada vez mais, ligada à gastronomia. O Fòrum Gastronòmic foi a oportunidade de lançar a receita criada junto aos irmãos do Celler de Can Roca. Nesse caso, mais especificamente com o sommelier Josep e sua fiel equipe escudeira, como Bernat Guixet, um feiticeiro no quesito concepção de bebidas.

A Duet é uma Sour com garnatxa branca, cepa de uva originária da Catalunha. O dulçor no aroma remete àquela caixa de uva de madeira que se comprava na época de Natal… E ainda convidaram um coletivo de chefs Michelin para servir o espaço vip, chamado Cuina d’Empodarnet. Marisco, canelone de vitela com bechamel, um espetinho “mar e montanha” (nada mais local aqui que isso) com polvo e barriga de porco e molho de chilli… Daqueles momentos que o mundo para, você fecha os olhos, nem escuta, só sente.

Para fechar o ciclo cerveja no Fòrum Gastronòmic 2022, quatro ex-alunas da Universitat de Girona, apresentaram suas teses. Convidadas pela Càtedra de Gastronomia Sant Antoni i Calonge que tem como presidente o doutor honoris causa e chef Joan Roca, a cadeira oferece bolsas de estudos para alguns estudantes do mestrado em Turismo Cultural Gastronomia. Uma oportunidade única para mulheres na ciência. E houve um “rompimento” com a tradição vinícola que se respira na atmosfera da gastronomia.

A pesquisa dessa autora que vos escreve, Andreia Gonçalves Ribeiro, apresentou respostas sobre a possibilidade de se fazer do turismo cervejeiro um produto turístico factível na Catalunha, sob o ponto de vista dos próprios cervejeiros. O tema gerou bastante discussão e foi gratificante ver o interesse das pessoas sobre algo que provoca muitos questionamentos, ainda é desconhecido e suscita a possibilidade de desdobrar investigações.

Sendo a única brasileira entre os 129 palestrantes do evento, aproveito esse espaço para agradecer à Càtedra de Gastronomía da UdG pela seleção do trabalho entre tantos outros, pela oportunidade e pelo convite. E ao Fòrum, por receber tão bem e dar a chance de viver a honra de “compartilhar o palco” com tantas estrelas. A mineira que vos escreve ficou muito feliz.

Reflexão
Enfim, o Fòrum Gastronòmic é uma jornada dedicada aos profissionais da cozinha. Cozinheiros, garçons, sommeliers, confeiteiros, padeiros, queijeiros, charcuteiros, maitres… E como diz o texto final da feira, é “um cartaz de luxo com profissionais de todas as áreas que mostrou que o setor gastronômico encara o futuro com energia e força renovadas”.

A intenção de mostrar um pouco do que se passou no Fòrum Gastronòmic é para fermentar ideias. A reflexão que se traz a partir deste texto é a de que é possível não só sobrepor, mas fazer com que as diferentes cadeias da gastronomia se sintam aptas a realizar eventos assim em terras brasilis. A visão de que as camadas estão intrínsecas para se chegar ao resultado é mais do que necessária. Propriedades, altos cargos, egos, prêmios, marcas, estrelas, formação, nada disso vale se não se desce do pedestal para entender como chegar ao topo da pirâmide. E não é possível fazer acontecer sozinho. De baixo para cima? Não, é cíclico. E é isto que esse fórum traz em conta. Gastronomia, para uns é glamour e sucesso. Mas em momento algum deixa de ser cozinha, trabalho e, claro, muita dedicação, tempo e afeto.


*Andreia Gonçalves Ribeiro é mestra em Turismo Cultural Gastronômico e em Patrimônio, pela Universitat de Girona. Sommelière de cervejas pelo ICB e sommelière bartender pela ABS-SP. Mineira e atleticana – caipira hooligan – pesquisa sobre a cerveja e seus fenômenos na Catalunha, onde também estuda Antropologia. Se deixar, “só toma azeda” e tem queda assumida pelas cervejas belgas.