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Dois anos após mortes, Backer é liberada para produzir cerveja em BH

Pouco mais de dois anos após a eclosão dos casos de contaminação que provocaram dez mortes em Minas Gerais, a Cervejaria Três Lobos, responsável pela marca Backer, voltará a produzir a bebida na sua fábrica em Belo Horizonte. A empresa, porém, não informou uma data para a retomada das atividades no local.

A proibição da produção de bebidas foi adotada em função da contaminação de cervejas da Backer por dietilenoglicol, com os primeiros casos vindo à tona logo no começo de 2020.  O espaço, então, foi interditado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que, à época, determinou o recolhimento de todos os produtos, após as ocorrências. Análises, então, identificaram a presença de contaminante dietilenoglicol em diversos lotes de cervejas da Backer.

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Agora, porém, a Três Lobos garante ter obtido autorização para retomar a produção no local. “A Cervejaria Três Lobos informa que obteve a aprovação para a retomada da produção de cervejas em seu parque industrial. O processo de reabertura contou com o acompanhamento das autoridades e órgãos competentes e observou todos os critérios legais e técnicos”, afirma a companhia em trecho da nota oficial em que confirma a retomada das atividades.

A informação foi confirmada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), pontuando que a liberação é parcial. Além disso, aponta que a decisão foi adotada em função do cumprimento das exigências do órgão. Assim, as cervejas produzidas na fábrica, localizada no bairro Olhos D’Água, agora podem ser comercializadas.

“O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) confirma que a Cervejaria Backer foi autorizada, na manhã desta sexta-feira (08), a retomar a produção e comercialização de cerveja na fábrica. Essa liberação foi concedida de forma parcial para duas adegas no parque industrial da empresa”, diz, em nota oficial, o ministério.

“O Mapa esclarece que a empresa atendeu às exigências feitas para garantir a segurança dos produtos, referentes às condições dos tanques de fermentação e equipamentos que serão utilizados neste retorno. A cervejaria ainda substituiu em seu processo o fluido refrigerante por solução hidroalcoólica – solução que contém água e álcool”, acrescenta.

A volta das atividades da cervejaria já era ensaiada há algum tempo, tanto que, no ano passado, começou a produzir a Capitão Senra, um dos rótulos mais famosos da Backer, embora de modo cigano, em uma fábrica do interior paulista.

Além disso, o Mapa vinha monitorando as produções da fábrica em Belo Horizonte. E, agora, liberou a sua comercialização. “O processo de produção de cerveja no parque fabril vem ocorrendo desde novembro de 2021, após vistoria executada por auditores fiscais federais agropecuários do Mapa. Os produtos produzidos foram informados semanalmente ao Ministério que realizou a coleta de cada lote e dos fluidos refrigerantes. Com a aprovação das análises, fica a Cervejaria Backer autorizada a comercializar seus produtos”, acrescenta o ministério.

Em seu site, a Cervejaria Três Lobos indica que parece mesmo pronta para voltar a comercializar rótulos que levam o nome da Backer. Afinal, descreve, além de rótulos que já estão sendo vendidos, como os da Capitão Senra, três com o nome Backer que estarão disponíveis “em breve”: Pilsen, Pale Ale e Trigo.

Além das dez mortes, a contaminação das cervejas da Backer por monoetilenoglicol e dietilenoglicol provocou lesões graves e sequelas em ao menos 16 pessoas.  Em outubro de 2020, 11 pessoas se tornaram réus no processo contra a Backer, incluindo seus sócios-proprietários, por homicídio e lesão culposos, além de contaminação de produtos alimentícios. Um dos indiciados, porém, já faleceu. As primeiras audiências para o julgamento do processo foram agendadas para o fim de maio.

Menu Degustação: Festival das Cervejarias Paulistanas, 10 anos do Trembier…

O mês de abril no setor cervejeiro começou cheio de novidades e definições de programações de eventos. Entre as maiores apostas, os festivais se destacam. O Festival das Cervejarias Paulistanas, por exemplo, depois de ser adiado em função da alta dos casos de coronavírus nas primeiras semanas de 2022, será realizado neste sábado e domingo na Cervejaria Tarantino, no bairro do Limão, em São Paulo.

Também neste fim de semana, mas já a partir desta sexta-feira, acontece o 1° Festival de Cerveja do Jardim Pamplona Shopping, também na capital paulista. Enquanto isso, o Trembier, o Festival de Cervejas Especiais de Tiradentes (MG), marcou a celebração dos seus dez anos com o agendamento da sua próxima edição para maio.

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Confira essas e outras novidades do setor no Menu Degustação do Guia:

Festival das Cervejarias Paulistanas
A terceira edição do Festival das Cervejarias Paulistanas será neste sábado e domingo, reunindo 26 cervejarias. O evento estava previsto para acontecer em 25 de janeiro, dia do aniversário de São Paulo, porém, por conta da pandemia, foi transferido para abril. Durante os dois dias de festival na Tarantino, os consumidores poderão conhecer um pouco mais sobre a cultura cervejeira paulistana, apreciar rótulos conhecidos das cervejarias participantes com receitas inéditas, além de música e gastronomia.

Festival em shopping
O 1° Festival de Cerveja do Jardim Pamplona Shopping será realizado desta sexta-feira até domingo, com entrada gratuita. O evento acontece no rooftop do empreendimento, que possui uma das vistas mais bonitas da cidade de São Paulo, e ainda conta com apresentação de bandas para animar os clientes, além da presença de dez cervejarias, como Madalena, Insana, Mea Culpa e Baden Baden, com mais de 50 rótulos para venda, além de opções gastronômicas nos restaurantes do rooftop. A entrada é gratuita.

Dinner in The Sky
Iniciado em 1º de abril, o Dinner in the Sky São Paulo vai até 7 de agosto na capital paulista. Os convidados poderão degustar diferentes estilos da cerveja, harmonizados com o menu de chefs renomados, a 50 metros de altura, com vista para o Parque do Ibirapuera, um dos mais privilegiados cartões postais da cidade. Em terra, para receber os visitantes com conforto e sofisticação, há um lounge assinado por Joia Bergamo, expert em design de interiores. Já a Black Princess é a cerveja oficial do evento.

Trembier celebrará 10 anos
O Festival de Cerveja e Cultura de Tiradentes, o Trembier, tem um reencontro marcado com seu público. Entre os dias 12 e 15 de maio, a cidade histórica mineira receberá o festival, cheio de atrações, mais de 300 rótulos de cervejas para serem degustados, corrida “alcoológica”, shows, boa gastronomia e muito mais. O festival tem entrada gratuita, com exceção das palestras, cursos e do circuito gastronômico, que têm custo à parte.

Abracerva promove bate-papo com Tiago Falcone
O brasileiro Tiago Falcone, um dos cervejeiros responsáveis pela Dansaert, a mais nova produtora de Lambic em Bruxelas, será o palestrante do “Roda Fermentativa” da próxima terça-feira (12), na série de encontros com especialistas do setor promovida pela Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva). O evento poderá ser acompanhado pelo canal da entidade no YouTube a partir das 15 horas.

Growler Day de Páscoa
No próximo sábado, quem comparecer ao Growler Day de Páscoa da Landel, em Campinas (SP), poderá desfrutar de dez opções de chope nas torneiras da tap house, além de experimentar os petiscos do Bentos Burguer. A atração musical fica por conta do One Man Band Geraldo Barba Blue, que apresentará clássicos do Blues, Rock e Folk. Para a data, a Landel também anunciou o lançamento Choco Late, uma Mild Ale adocicada com adição de flocos de cacau produzidos pela parceira Atlântico Chocolates. O evento será realizado a partir das 11h no tap house da cervejaria.

Mestre-Cervejeiro ampliando cadeia de franquias
A rede Mestre-Cervejeiro.com continua ampliando sua cadeia de franquias por todo o Brasil. Nos últimos meses, foram sete franquias abertas: Buritis (MG), Garden Piedade (PE), Tangará da Serra (MT), Mossoró (RN), Primavera do Leste (MT), Itapeva (SP) e João Pessoa (PB).

Nova programação agita o mês no Mr. Hoppy Prado
O Mr. Hoppy Prado promete um mês bem agitado e divertido para os clientes com apostas em brincadeiras para entreter o público durante a semana, principalmente às quartas e quintas-feiras, com a Noite da Sorte e o toque do sino, respectivamente. Entre as promoções da casa, quem levar pelo menos 10 pessoas para confraternizações ou aniversários, ganha 2 litros de chope Pilsen para os convidados.  E com o início do Campeonato Brasileiro e da Copa Libertadores, a casa, que conta com ambientes fechados e abertos, também vai apostar nos clientes que gostam de assistir jogos em bares.

Blumenau conquista medalhas em Barcelona
A Cerveja Blumenau conquistou duas medalhas no Barcelona Beer Challenge, na Espanha. Esta foi a sétima edição do concurso, que teve 1.315 rótulos inscritos, de 215 marcas diferentes e 15 países. A Blumenau CraftLab Grodziskie, que conquistou o ouro e o Best of Show como melhor cerveja do Concurso Brasileiro de Cervejas de 2022, levou uma prata, assim como a Mestres do Tempo Lambic #2. O rótulo também já tinha uma premiação: a prata no Brasil Beer Cup de 2021. Agora, foi premiada no estilo European Sour Ale.

Artigo: InnBrew aproxima profissionais cervejeiros de toda a Espanha

*Por Andreia Gonçalves Ribeiro

Desde sua arrancada, na quinta-feira (31 de março), até seu encerramento com a celebração da entrega dos prêmios do Barcelona Beer Challenge, no sábado (2), o InnBrew, The Brewers Convention, aparentou ser um ponto de união do setor profissional de cervejas artesanais da Espanha. Com espaço físico reduzido em relação à primeira edição, o evento, realizado no espaço La Farga d’Hopitalet, parecia mais aconchegante.

As palestras e os workshops estavam com público em quantidades apreciáveis. E a estrutura permitiu que quem estivesse apenas de passagem pudesse parar e ouvir quem se apresentava. Somado à usabilidade do aplicativo próprio, com informações sobre palestras, palestrantes, expositores e participantes, as notificações ajudavam a não perder o que de fato levava o profissional à feira.

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Temas transversais, de sustentabilidade às questões mais técnicas, estavam na programação. Boas cervejas foram engatadas, a preços que variavam de 2€ a 4€. “Se eu pudesse e meu dinheiro desse”, não sairia do biergarten. Uma Cascade Vlad the Imp Aler não durou o primeiro dia. Tive o privilégio de beber todas, mas destaco a ganhadora do BBChallenge, a Grape Ale da Letra de Portugal, uma English Pale Ale fresca do queridíssimo Carlos Rodríguez, da Ales Agullons. O final dos dias merecia a potente Baltic Porter que levou o bronze na categoria, da Cerveja Musa.

Com as restrições da Covid-19 suspensas, o palco das palestras se situava em meio aos estandes. Logo, mais próximo de um público que pôde se sentar lado a lado. Máscaras mantidas, porém, com o contato restabelecido.

Antes de seguir, entenda um pouco sobre o mercado espanhol de artesanais
O mercado local é composto majoritariamente por nanocervejarias (produção até 24.000hl/ano) e microcervejarias (100.000hl/ano), sendo 50% e 41%, respectivamente, de acordo com o estudo da Associação Espanhola de Cervejeiros Artesanais e Independentes (Aecai) publicado em dezembro de 2021. Esta representação corresponde a somente 0,5% de produção e 1,1% de valor de mercado de cervejas da Espanha. Enquanto isso, a Catalunha, que sedia o congresso, o volume de mercado sobe para 5%, de acordo com a associação local, o Grêmio de Elaboradores de Cerveja Artesanal e Natural, o Gecan.

Ainda segundo a Aecai, se comparados com outros países europeus, o mercado artesanal da Espanha é relativamente pequeno. Alemanha (11%), Bélgica e Reino Unido (5%), França (4%) e Itália (3%) aparecem à frente. No entanto, a fonte sobre estes dados ou a metodologia utilizada não foram apresentados, o que dificulta constatar a fiabilidade dos dados comparados.

Estas cervejarias espanholas estão 87% localizadas em zonas rurais. O restante, em capitais de províncias, as cidades administrativas regionais. Foi possível encontrar profissionais de Madri, Girona, Coruña e até da Galícia, do outro lado do norte da Espanha, que se deslocaram especialmente para o InnBrew.

Foi o caso de Manu, diretor do festival Portomarin Beerfest que acontece em maio, em uma cidade de 400 habitantes que leva o nome do evento, na Galícia. Os sócios vieram para trocar experiências, conhecer potenciais participantes da feira, conhecer e serem conhecidos. Um ponto de colaboração que se pôde presenciar foi uma brassagem conjunta especial da GroBrewers, de Girona, exclusiva para o encontro.

Nas palestras, destaco 4 temas abordados:

1 – Turismo cervejeiro
Diferentemente do ano passado, quando uma mesa-redonda reunia membros dos setores público e privado nacionais, este ano o tema foi abordado por Àngeles Alonso-Misol, responsável pela comunicação do escritório VisitFlandes, representação turística da região belga. Ela explicou sobre os eixos que trabalham para Bruxelas e outras cidades como Bruges e Leuven, que tem sua cerveja local reconhecida como patrimônio imaterial da Humanidade pela Unesco, desde 2016. Esses eixos envolvem desenvolvimento de novos produtos turísticos e marketing na internet.

Alonso-Misol apresentou que o governo promove subsídios aos pequenos cervejeiros e treinamento quanto à abordagem ao turista. Junto ao elemento histórico, ela afirma que a intenção é construir experiências de maior interação e utilizar o storytelling como ferramenta. Mas esta realidade está muito distante da vivida na Espanha, apesar de 84% das cervejarias indicarem ter condições de receber visitas.

Em sua palestra, ela afirma que todas as cervejarias “estão abertas para receber o turista 24 horas”. No entanto, isto não se aplica nesta região, onde os cervejeiros acumulam funções de produção, vendas, administrativo… E os apoios financeiros dos governos são nulos. Existem apoios pontuais, como “digitalização para pequenas empresas” ou plataformas de comercialização do produto local. Porém, nenhuma diretamente ligada ao turismo.

2 – Lo Vilot Farm Brewery
Quiònia e Oscar estão além do produto cerveja. São representantes do primeiro setor e, em sua fazenda, recebem visitantes, realizam festivais e cultivam malte e lúpulo, comercializados para a produção local e, em maior fatia, importado à vizinha França. Cerveja ecológica “full circle” é a proposta da Lo Vilot Farm Brewery. Cervejas de fermentação mista e espontânea, com utilização de coolship e frutas do entorno estão no DNA da Lo Vilot.

O projeto é quase um “bean to bar” cervejeiro, em terras de Lleida, levando o compromisso de buscar um terroir catalão completo às cervejas. Prova disso, durante as tentativas de fermentação espontânea, um estudo conduzido por Sergi Forcadell Mulet para o mestrado em Bebidas Fermentadas da Universitat Rovira i Virgilli, de Tarragona, isolou e inoculou as leveduras encontradas no trabalho de campo. Para a decepção dos mais fanáticos, nenhuma brettanomyces foi encontrada. Somente uma saccaromyces cerevisae entre os microrganismos isolados.

3 – Sustentabilidade: vidro x lata
Uma discussão poderosa para estar em dia com a questão ambiental: qual dos envases responde melhor ao tema? O debate tinha dois representantes das indústrias de envases: Francisco Javier de Santiago, diretor de vendas da Cervezas Verallia, como o do vidro, e Juan Ramon Meléndez, diretor da LatasDeBebidas.org, das latas. A conclusão a qual chegaram foi a de que depende da soma de diversos fatores para ter uma resposta que seja válida. Isto porque o resultado depende de fatores como a coleta seletiva, processamento do material coletado, logística tanto do retorno do montante selecionado à do produto final em si.

“O alumínio vem da Rússia, transformamos em folhas para as latas. Se esse fica em Coruña, é coletado aqui e retorna, é uma situação. Agora se a lata é envasada aqui (referindo-se à Estrella Galícia), vai para Madri (centro do país), é coletada e segue para separação lá na Andaluzia (extremo sul da Espanha), volta à nossa fábrica (extremo noroeste) para ser processada, a molécula de carbono emitida nessa logística já excede o aceitável para ser validado como sustentável”, resumiu Meléndez, durante sua apresentação no InnBrew.

4 – O papel dos festivais
O que é um festival de cerveja para você? E uma feira? Bom, aqui se chega à conclusão de que um festival é aquele em que o cervejeiro vai com a intenção de mostrar o seu produto para o consumidor e seus pares, de modo que ele investe nesse processo. Algo mais próximo a uma estratégia de branding do que de vendas. Por outro lado, feiras são eventos nos quais o cervejeiro vai para fazer caixa mesmo. A comunicação da marca está presente nos dois, no entanto, um seria investimento, enquanto o outro, o retorno.

A autoria destas duas definições, “no papel”, acabo de denominar eu mesma. Pode colocar aí (GONÇALVES, A. R.). Porém se trata de um apanhado das conclusões da mesa-redonda sobre o tema que reuniu Eduardo Lara Alba, do Granada Beer Festival (desde 2016), Mikel Rius, do Barcelona Beer Festival (BBF, desde 2011) e a respeitada e querida Montse Virgili, da Mostra de Cervesa Artesana de Mediona (nascido com cervejeiros em 2008). Cada um ao seu estilo, com proporções e didáticas diferentes.

Caso queira se programar para participar de algum desses festivais, a tabela reúne informações das mais importantes sobre eles. No entanto, uma informação que é mais importante que todas estas é que acontecem “feiras” de cerveja artesanal quase todos os finais de semana, espalhados por todo o território. Vinculadas a outros produtos ou datas comemorativas, são em torno de 480 eventos anuais, de acordo com Geni, responsável pelo Instagram Festivales de Cerveza. Em meu último estudo, somente aqui na comunidade autônoma da Catalunha, catalogou mais de cem, reflexo dos cerca de 70% do total de produção de cerveja artesanal de toda Espanha se concentrar aqui, nas terras vizinhas à França.

FestivalGranadaBarcelonaMediona
Desde201620112006
Data30/4 a 1/5Outubro11 de junho
Em 2022 está na edição6ª10ª17ª
Dura quantos diasDoisTrêsUm
Público5.000 (dados 12/2021)32.000 (dados 2018)8.000 (dados 2018)
Cervejarias (1ª vez/hoje)25 / 40não consta / +2508 / 73
Cervejas servidas150+- 600Via produtor
Preço da degustaçãoDe 2€ a 4€De 2€a 4€Via produtor
Preço da entrada10€/dia7€/diaGratuito
EspaçoFechadoFechadoAberto


Brasileiros na InnBrew, por curiosidade…
Rodrigo Goldani, gaúcho que trabalha na distribuidora de cervejas e vinhos ViHop, a fotógrafa e sócia da Reptilian Brewery Renata Giorgio e Felipe Palazzi, consultor de cervejas e ex-proprietário do Mr. Mills de São Paulo.

Conclusão

Concluo dizendo que o último dia do InnBrew foi dedicado à premiação do Barcelona Beer Challenge, em todas as suas categorias. E, com o intuito de oferecer um conteúdo mais parrudo, esse fica para o texto seguinte. Além dessas palestras, grande parte da programação, incluídos os workshops, tratavam de assuntos mais técnicos. Qualidade de água, leveduras, conselhos de aprimoramento de produção, porém uma seara que elegi não adentrar para não correr o risco de falar bobagem. Os anos me ensinaram que não dá para, nem se pode ser especialista em tudo. Sou do movimento “pelo fim dos ‘Átilas’ da vida”.

Jornalista com diploma, porém com a experiência e a agilidade menos significativas que (insira aqui o que não fere o sentimento de alguém), espero ter trazido informações que possam ser interessantes e/ou relevantes para construir a imagem do mercado de cervejas artesanais da Espanha. Melhor dizer, com minhas vindas aqui no Guia, minha intenção é a de descontruir. E, pouco a pouco, dar a oportunidade de que cada um que se dispôs a ler, possa rever seus conceitos e pré-conceitos como com carinho um dia fiz. E, se possível, desfrutar de tudo que sai daqui, como se fosse um clássico Barça-Madrid, cheio de apaixonados.


*Andreia Gonçalves Ribeiro é mestra em Turismo Cultural Gastronômico e em Patrimônio, pela Universitat de Girona. Sommelière de cervejas pelo ICB e sommelière bartender pela ABS-SP. Mineira e atleticana – caipira hooligan – pesquisa sobre a cerveja e seus fenômenos na Catalunha, onde também estuda Antropologia. Se deixar, “só toma azeda” e tem queda assumida pelas cervejas belgas.

Terroir “brasiliano”: O que motivou sócios da Cozalinda a criarem a Cosabella

A inventividade utilizada nas produções da Cozalinda e a experiência de atuar em uma fábrica de bebidas estão sendo colocadas à serviço de uma nova marca. Cervejeiro, blender e sócio-fundador da cervejaria de Florianópolis, Diego Simão Rzatki se juntou a mais três profissionais para criar a Cosabella, uma nova marca de fermentados à base de uva.

O objetivo principal da nova marca é desenvolver produtos fermentados com uva, priorizando a utilização de ingredientes locais, com o que os próprios sócios estão denominando como “terroir brasiliano”.

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A primeira leva de lançamentos conta com duas cervejas: a Brett Italian Grape Ale, fermentada com o mosto das uvas Trebiano e Chardonnay, além de utilizar a levedura Brettanomyces bruxellensis, e a Wild Italian Grape Ale, produzida com fermentação selvagem e uva Cabernet Sauvignon. Os vinhos espumantes Pét-Nat Bianco Natural Orgânico e Pét-Nat Bianco Natural Orgânico completam as novidades, na apresentação inicial da Cosabella ao mercado.

Nessa empreitada, Diego Rzatki tem a companhia de outros três sócios: Carlos Pavanelli, também sócio da Cozalinda; Ivan Tisatto, enólogo e fundador da vinícola Dom Dionysios e da cervejaria Donner; e Lázaro Araújo, sócio e cervejeiro na Donner.

Diego explica que as experiências técnicas com cervejas na Cozalinda, especificamente aquelas com uvas, ajudaram no novo empreendimento. A marca, afinal, tornou-se conhecida por suas cervejas ácidas, muitas delas fermentadas em barris de madeira, com leveduras nacionais. “Se não fosse toda a experiência adquirida anteriormente, não poderia haver esse projeto da Cosabella”, diz.

Ele destaca, porém, que a existência de objetivos diferentes, que não poderiam ser explorados na Cozalinda, motivou a criação da Cosabella. “Quando a gente faz cervejas da Cozalinda, a nossa maior intenção é sempre trabalhar com as coisas que são locais e ligadas à Florianópolis. De certa forma, trabalhar com uvas de Caxias do Sul e com a ideia de uma cultura italiana praticamente escapava aos objetivos da Cozalinda. Então, para a gente ficar mais livre até para fazer mais coisas, pareceu muito oportuno abrir essa nova marca”, afirma.

Além disso, a presença de profissionais da Donner, de Caxias do Sul (RS), na sociedade da Cozalinda não é à toa. Diego lembra que a Cosabella participou de um projeto ao lado da marca gaúcha nos anos de 2019 e 2020, com o lançamento de “cervejas selvagens”, que levavam a uva Merlot.

“A Cozalinda ensaiava há algum tempo a produção de uma linha de bebidas com uvas.  Em 2019, lançamos com a Donner a Sympotein Merlot: uma Wild Italian Grape Ale com uva Merlot. No ano seguinte fizemos uma segunda safra e então decidimos unir forças e lançar uma marca focada em produções com uva”, conta Diego.

O terroir da Cosabella
De acordo com um dos seus fundadores, a Cosabella busca trabalhar com a valorização de cepas, do terroir e de receitas ancestrais, resgatando as histórias por trás de cada ingrediente. As produções serão realizadas em Caxias do Sul e Florianópolis, cidades onde os sócios já possuem estrutura apta para acomodar os produtos durante as fases de fermentação.

As bebidas serão safradas e sempre com produções limitadas. E com o uso de ingredientes básicos da cerveja e do vinho nas criações dos fermentados.  “Assim como as cervejas receberão mosto de uva para sua fermentação, também faremos vinhos que recebem lúpulos brasileiros, por exemplo. A ideia é trabalhar ao máximo com ingredientes próximos e aproveitar do terroir que está ao nosso redor. É o que estamos chamando de terroir brasiliano”, ressalta Diego.

Outro aspecto fundamental para a Cosabella é o que seus sócios estão chamando de “terroir brasiliano”. Na visão de Diego, o conceito de terroir precisa levar em conta uma somatória de questões físico-químicas, como o clima, o solo e os microrganismos de determinada região, mas também as características culturais que fazem com que algumas técnicas de produção sejam predominantes em certa região.

No caso da Cosabella, então, o terroir é brasiliano pela mistura de características e culturas italianas com as brasileiras e o seu solo. E isso, claro, remete à colonização italiana da região Sul do país.

Tendo em vista que o terroir é muito mais do que apenas uma situação de qualidade físico-químicas, mas também todo o aspecto cultural e histórico que está intrínseco naquela área, no nosso caso, a gente colheu a questão do terroir brasileiro para estar em conjunto com a cultura italiana

Diego Simão Rzatki, sócio da Cosabella

Foi justamente essa ideia utilizada no desenvolvimento da nova marca, o que já pode ser visto na produção dos espumantes, que utilizam a variedade americana de uvas ao invés das mais tradicionais para vinhos, como a Pinot Noir.

“A Cosabella dialoga com toda a cultura italiana, que é um dos motivos a induzir a gente a decidir por certos caminhos. Quando a gente fala nos caminhos, olhamos, por exemplo, para como a população imigrante vinda da Itália fazia os seus primeiros vinhos. Vamos ver se eles usavam técnicas mais rústicas. E vamos usar técnicas mais rústicas. A gente está usando uvas de mesa, uvas americanas porque foram elas que se adaptaram ao local”, conclui.

Confira quais são os primeiros lançamentos da Cosabella:

Cervejas
– Wild Italian Grape Ale – Cabernet Sauvignon
Cerveja produzida com uvas orgânicas e fermentada espontaneamente com os microrganismos encontrados nas uvas, fermentando não apenas o mosto de uva, mas o mosto cervejeiro também. A fermentação aconteceu sem controle de temperatura por 15 meses em barris de carvalho francês em Caxias do Sul.
Ingredientes: malte de cevada, trigo, aveia e mandioca, uva, lúpulo e água
Graduação alcoólica: 7,8%
IBUs: 8

 – Brett Italian Grape Ale – Trebiano & Chardonnay
Cerveja produzida em parceria com a Levtek.  Toda fermentação é feita com Brettanomyces bruxelensis de Santa Catarina, em temperaturas de Caxias do Sul, e com uva com o terroir de lá.
Ingredientes: malte de cevada, trigo, aveia, uva, lúpulo e água
Graduação alcoólica: 8,6%
IBUs: 11

Espumantes
– Pét Nat Natural Orgânico – Sabel
Vinho espumante Rose natural. O vinho base é fabricado com uvas de diferentes parcelas e, depois de pronto, passa por uma infusão de cubos de madeira brasileira. Após ganhar o perfil aromático desejado, vai então para a garrafa fechada em rolha de espumante.
Ingredientes: fermentado de uva
Graduação alcoólica: 10,7%

– Pét-Nat Bianco Natural Orgânico – Trebiano & Chardonnay
Vinho espumante branco natural Chardonnay. O vinho base é fabricado com uvas brancas Chardonnay e, depois de pronto, passa por uma infusão de cubos de madeira amburana. Após ganhar o perfil aromático desejado, vai então para a garrafa fechada em rolha de espumante.
Ingredientes: fermentado de uva
Graduação alcoólica: 13,2%

Projeto na Chapada dos Veadeiros coleta 80 toneladas de vidro em 6 meses

Com o objetivo de combater a poluição e evitar o descarte inadequado de vidro na Chapada dos Veadeiros, o projeto sustentável Corona Protect Paradise neste patrimônio mundial tem alcançado sucesso muito além dos objetivos traçados. Criada pela marca da Ambev em parceria com a startup Green Mining, especialista em logística reversa inteligente, e a Reciclealto, empresa de coleta seletiva local, reuso e reciclagem de resíduos sólidos, a ação começou em outubro passado e já processou mais de 80 toneladas do material. Desta forma, vem superando com folga a expectativa inicial de reciclar até mil quilos de vidro por mês.

O projeto tem duração prevista de três anos e vem causando impacto positivo nos municípios goianos de São Jorge e Alto Paraíso. Nestas cidades, foram distribuídos 80 pontos de coleta, sendo 50 deles de estabelecimentos parceiros da Corona.

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A Chapada dos Veadeiros é uma unidade de conservação brasileira, tendo um parque de extensão de 240 mil hectares, que foi ampliado em 2017 para proteger diversas espécies da fauna e da flora ameaçadas de extinção. Ele está incluído na lista de Patrimônios Culturais da Unesco, sendo administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Nesse cenário, que também é turístico, ações sustentáveis se tornam ainda mais importantes.

“O projeto gera benefícios para toda a sociedade. Ao desviar o vidro da coleta de resíduos municipal e dos aterros, geramos uma economia direta aos cofres públicos, que geralmente pagam por tonelada as empresas contratadas. A embalagem de vidro era comumente criticada por não ter seu destino correto, e o projeto veio para viabilizar a recuperação e reciclagem de qualquer embalagem de vidro. Portanto, uma solução que fecha a cadeia da economia circular através da reciclagem”, afirma, ao Guia, Rodrigo Oliveira, fundador e CEO da Green Mining.

Na iniciativa, a Reciclealto trabalha com três pessoas diretamente no dia a dia, sendo um coletor intermitente, um triador e um responsável pelo programa. Além disso, seu coordenador operacional, presidente e secretários executivo e financeiro também estão envolvidos no projeto.

“A Reciclealto, em parceria com a Corona, está executando a coleta, o acondicionamento temporário, a triagem e a destinação do vidro dos 80 pontos instalados juntos ao Protect Paradise. A partir dessa parceria com Corona e Green Mining, conseguimos incorporar à nossa operação itens que melhoraram a apresentação e a eficiência da coleta”, explica a associação, através da assessoria de imprensa.

A Prefeitura de Alto Paraíso destaca os benefícios que o projeto está proporcionando à população e aos visitantes na região da Chapada dos Veadeiros. “Reconhecida pelas belezas naturais e pelo povo acolhedor, a nossa região ainda é deficiente na coleta seletiva, o que impacta diretamente a nossa comunidade e nosso turismo. Assim, a ação liderada pela Corona com o apoio da Prefeitura, para o descarte e coleta adequados do vidro, contribui com a limpeza da nossa região e com a conscientização dos parceiros e da população, mantendo nosso paraíso”, completa.

Engajamento chama a atenção
A administração municipal local destaca como a iniciativa tem conseguido unir forças de diferentes frentes. “A Prefeitura segue alinhada com as melhores práticas para preservação do nosso ecossistema e a iniciativa da Corona corrobora com nossas ações ambientais. O projeto da Corona despertou um grande movimento e os empresários locais se mobilizaram junto à Reciclealto para que a coleta seletiva seja cada vez mais incorporada à nossa comunidade, orientando e realizando as parcerias preservando as nossas belezas naturais”, afirma, através da assessoria de imprensa.

A Prefeitura de Alto Paraíso também tem participado ativamente do projeto de reciclagem de embalagens de vidro, como ressalta Aline Gusmão, gerente regional de marketing da Ambev no Centro-Oeste, lembrando que a instalação de coletores de vidro está permitindo “não apenas estabelecimentos, mas também que toda a população faça parte do projeto”.

“Ela autorizou a colocação dos tambores de coleta de vidro nos 20 pontos de entrega voluntária do município, que antes recebiam apenas papel, metais e plásticos. Isso permitiu que qualquer cidadão ou turista tivesse um local perto para o descarte correto do vidro”, acrescenta o CEO da Green Mining.

Oliveira lembra que outros braços de atuação deste projeto da Corona já haviam promovido ações ambientais em localidades como Trancoso (BA) e Fernando de Noronha (PE). E celebra o engajamento das populações locais nas iniciativas.

“Duas coisas surpreenderam nossa equipe em relação aos diversos projetos que realizamos pelo Brasil. Primeiro: o enorme engajamento da cidade em receber os tambores e utilizá-los para o descarte adequado. Segundo: a utilização exclusiva para vidro, ou seja, o nível mais baixo que já vimos de descarte incorreto”, revela o CEO da Green Mining.

A participação dos bares, restaurantes, pousadas, assim como dos consumidores e turistas, vem sendo fundamental. Se estes não se engajassem com a causa e não separassem corretamente, não haveria o que coletar. Todo o material estaria indo para o atual lixão

Rodrigo Oliveira, fundador e CEO da Green Mining

Diante do êxito do projeto, a Reciclealto já trabalha com a perspectiva de traçar novas metas para a iniciativa, além de levá-la para outras localidades. “A partir da primeira destinação que será feita com o apoio do programa Protect Paradise, a Reciclealto terá o dado de aumento do recolhimento do material e então planejamos estabelecer nova meta. Estamos em diálogo com municípios vizinhos para expandir a coleta para essas regiões. Em dois municípios, já contamos com comunicação instrucional avançada. E, certamente, o programa Protect Paradise de Corona está incluído no avanço”, comenta.

A gerente regional de marketing da Ambev no Centro-Oeste destaca que esta nova iniciativa nesta região reforça a “conexão genuína da Corona com a natureza” – no ano passado, tornou-se a primeira marca global de bebidas considerada neutra em resíduos plásticos.

“Ao levar o Corona Protect Paradise para a Chapada dos Veadeiros entendemos com a comunidade local que o descarte e reciclagem do vidro é dos maiores desafios enfrentados no local – tanto porque é um processo mais caro e demorado quanto porque necessita de uma infraestrutura maior. Com isso, temos o impacto da diminuição desse problema na região, além de conseguirmos promover a sustentabilidade e o descarte correto do lixo”, conclui.

Em meio à guerra, Budweiser vai lançar cerveja ucraniana no Reino Unido

Em mais uma ação de apoio de uma multinacional ocidental para o povo ucraniano em virtude da invasão do país pela Rússia, a Budweiser anunciou que vai lançar no Reino Unido uma cerveja com o intuito de reverter os lucros para a caridade. Se trata da Chernigivske, da Ucrânia, que faz parte do extenso portfólio de marcas de cerveja da AB InBev.

A Chernigivske é uma das cervejas mais populares no seu país e chegará aos pubs, restaurantes e varejistas britânicos a partir do final de abril com a ajuda da Budweiser. A marca de origem norte-americana prometeu doar os lucros com as vendas das cervejas para ONGs que realizam ações humanitárias ligadas à Caritas Internacional.

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A Budweiser, inclusive, trabalha com a expectativa de arrecadar US$ 5 milhões (aproximadamente R$ 23 milhões, na cotação atual). “Estou orgulhosa de podermos lançar Chernigivske no Reino Unido para apoiar a ajuda humanitária”, afirma Anna Rudenko, diretora de marketing da Chernigivske.

Ela destacou, ainda, como um rótulo de cerveja pode contribuir para quem sofre com os efeitos do conflito na Ucrânia. “Chernigivske foi apreciada por gerações de ucranianos. Como cervejaria, podemos usar nossas interações diárias com os consumidores para levar essa cerveja ao mercado e permitir que os consumidores apoiem os esforços de ajuda humanitária”, acrescenta.

A marca tem o nome da cidade de Chernihiv, no norte da Ucrânia, onde a cerveja foi produzida pela primeira vez, em 1988, tendo sido criada para celebrar os 300 anos da localidade. Agora, também é feita nas cidades de Mykolaiv e Kharkiv. E todas elas foram duramente atingidas pelas tropas russas.

Considerada uma das principais cervejas do seu país, a Chernigivske tem presença importante no mercado ucraniano e ainda como patrocinadora, já tendo apoiado a equipe olímpica, a seleção e o campeonato nacional de futebol, além do Festival Eurovision da Canção, conhecido concurso musical na Europa.

Anteriormente, em outra frente da sua atuação no Leste Europeu, a AB InBev, solicitou à sua parceira na operação na Rússia que deixe de vender e fabricar a Budweiser. A companhia tem uma operação em conjunto com a cervejaria turca Efes na Rússia e na Ucrânia, não sendo a controlada da joint venture.

A AB InBev, que possui 1.800 funcionários na Ucrânia, está instalada em três fábricas no país. Já na Rússia, onde solicitou a paralisação da fabricação da Budweiser, são 11 fábricas e 3 maltarias.

Sem carnaval, Brasil tem queda brusca na fabricação de bebidas alcoólicas

Em meio ao cancelamento das festividades de carnaval em sua época habitual, devido ao alastramento da variante Ômicron do coronavírus, o Brasil amargou uma queda expressiva, de 16,7%, na fabricação de bebidas alcoólicas em fevereiro na comparação com o mesmo mês do ano passado. O índice foi confirmado pelo IBGE em sua Pesquisa Industrial Mensal.

Com isso, essa categoria da economia manteve a tendência de baixa, pois em janeiro havia amargado retração de 13,9% na confrontação com os números contabilizados nos primeiros 31 dias de 2021 no país.

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O IBGE também confirmou que há retração de 15,3% no primeiro bimestre deste ano e de 3,2% nos últimos 12 meses na produção de alcoólicas. Mas, paralelamente a esta redução expressiva, a fabricação de bebidas sem álcool registrou aumento de 14,1% em fevereiro, de 4,4% nos 2 primeiros meses de 2022 e de 3% nos 12 meses imediatamente anteriores a fevereiro passado.

Já a fabricação de bebidas de forma geral, levando em conta a soma das alcoólicas e não alcoólicas, teve confirmada pelo instituto de pesquisa queda de 3,5% em fevereiro na comparação com o mesmo período de 2021. Além disso, caiu 6,7% no acumulado no ano e diminuiu 0,4% nos últimos 12 meses.

Indústria tem crescimento de 0,7%
O balanço divulgado pelo IBGE também revelou que em fevereiro a indústria nacional como um todo cresceu 0,7% em relação a janeiro, na série com ajuste sazonal, eliminado parte da queda de 2,2% que havia sido registrada no mês anterior. Porém, no comparativo com o desempenho atingido em fevereiro de 2021, houve recuo de 4,3% na produção brasileira.

Já no acumulado deste ano, a indústria contabiliza redução de 5,8%, com elevação de 2,8% nos últimos 12 meses. Com estes números, o país também tem um desempenho que é 18,9% pior do que o seu nível recorde de produtividade, alcançado em maio de 2011.

O IBGE ainda enfatiza que o setor industrial fechou o mês de fevereiro com um índice geral que “permanece 2,6% abaixo do patamar que possuía antes do início da pandemia” do coronavírus, cujo começo foi declarado pela Organização Mundial de Saúde em março de 2020.

Produtos alimentícios ajudam a impulsionar evolução modesta
O tímido crescimento de 0,7% que a indústria nacional registrou no segundo mês do ano teve a fabricação de produtos alimentícios como um dos dois principais responsáveis por esta evolução entre os itens pesquisados pelo IBGE, que coletou dados de quatro grandes categorias econômicas de 26 ramos diferentes.

Este setor contabilizou uma produção 2,4% maior no comparativo entre fevereiro e janeiro deste ano, subiu 3,4% em relação ao mesmo mês de 2021 e aumentou 1,7% no acumulado do ano. Foi o quarto mês seguido de avanço da fabricação de alimentícios. O fato representa uma importante reação de um item essencial da economia brasileira, que, ainda assim, no acumulado dos últimos 12 meses agora acumula retração de 7,3%.

O único setor que apresentou maior evolução do que o da fabricação de alimentícios no comparativo entre fevereiro e janeiro deste ano foi o das indústrias extrativas, que cresceu a sua produção em 5,3%.

“O setor extrativo teve uma queda importante em janeiro (-5,1%), por conta do maior volume de chuvas em Minas Gerais, naquele mês, o que prejudicou a extração do minério de ferro. Com a normalização das chuvas, houve uma regularização da produção. Já o setor alimentos teve seu quarto mês positivo de crescimento, acumulando no período ganho de 14,0%. Em fevereiro, os destaques foram a produção de açúcar e carnes e aves, dois grupamentos importantes dentro do setor de alimentos”, ressalta o gerente da pesquisa do IBGE, André Macedo.

Heineken estende projeto de acesso à energia renovável às residências no Brasil

O projeto da Heineken para facilitar o acesso à energia renovável no Brasil foi estendido. Após direcioná-lo para bares e restaurantes em 2021, a cervejaria agora oferece a possibilidade de adesão de residências à iniciativa. Assim, as pessoas também podem participar do projeto, de forma gratuita.

Para ingressar na iniciativa da Heineken, é preciso se cadastrar no site do projeto, o Green Your City. Além disso, para ter acesso ao benefício, o usuário precisa comprovar que tem o valor médio mensal de no mínimo R$ 200 na conta de energia. Após a adesão, o prazo estipulado para a conversão e fornecimento de energia verde é de até 120 dias.

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O projeto da Heineken é realizado em parceria com geradores regionais de energia renovável. Neste momento, está disponível para moradores dos estados de Minas Gerais, Goiás, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, do Distrito Federal e das localidades de São Paulo que estejam vinculadas à CPFL Paulista.

Nos demais estados, segundo a Heineken, a previsão é de que o serviço esteja disponível entre o segundo semestre de 2022 e a primeira metade de 2023. Até lá, a marca sugere que os moradores dessas regiões realizem um pré-cadastro no site com a intenção de acompanhar a chegada da iniciativa a suas cidades.

O projeto, além do intuito de conscientizar a população, também beneficia os participantes com descontos em suas contas de energia, que podem chegar a até 20%. E no site da iniciativa, é possível realizar simulações de quanto se pode economizar.

Em 2021, o projeto iniciou-se com o atendimento a bares e restaurantes parceiros da marca, sendo incluído na plataforma de sustentabilidade da marca. Nesse caso, a meta da Heineken é alcançar 50% dos pontos de vendas em 19 capitais até 2030.

“A geração distribuída já é uma realidade na Europa e Estados Unidos, onde os consumidores têm a opção de escolher formas sustentáveis de abastecimento de energia. Aqui no Brasil, o formato está se consolidando e por isso estamos felizes por conseguir, junto a parceiros, atuar ativamente como facilitadora desse movimento pioneiro”, afirma Gabriel D’Angelo Braz, diretor de marketing da marca Heineken no Brasil.

O projeto também faz parte de um grupo maior de ações de sustentabilidade da Heineken. Em dezembro de 2020, a marca havia anunciado a produção e envase das suas cervejas com energia 100% verde nas unidades de Alagoinhas (BA), Araraquara (SP) e Ponta Grossa (PR). Além disso, assegurou que o mesmo ocorrerá até 2023 na planta de Jacareí (SP).

“A marca Heineken terá papel fundamental dentro do Grupo Heineken no Brasil para alavancar metas da companhia, como a neutralização das emissões de carbono em toda a sua cadeia de valor até 2040. Acreditamos que este projeto pode estimular atitudes individuais que colaborem para a transformação das cidades em cidades mais sustentáveis, por meio de apresentação de soluções, novas possibilidades e novas perspectivas”, afirma Ornella Vilardo, gerente de sustentabilidade do Grupo Heineken no Brasil.

Ação da Ambev valoriza pelo 2º mês seguido, mas fecha trimestre com leve baixa

Em um mês marcado pela oscilação na cotação da ação da Ambev na B3, a bolsa de valores brasileira, o papel fechou março cotado a R$ 15,40, o que representou valorização de 1,32% em relação ao fim de fevereiro. A alta, porém, não foi suficiente para a recuperação plena do ativo, que ainda registra queda, mesmo que diminuta, de 0,13%, em 2022.

O cenário chegou a ser pior ao longo de março, com a ação da Ambev tendo terminado a sessão do dia 11 valendo R$ 13,18. Desde então, iniciou uma recuperação, voltando para a casa dos R$ 15 no fim do mês, na última quarta-feira (29).

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A valorização, mesmo que em ritmo mais lento da ação da Ambev em março, se inseriu no contexto do primeiro mês completo do conflito na Ucrânia, com os seus desdobramentos iniciais já sendo sentidos tanto nas bolsas de valores ao longo do mundo quanto na economia real.

O conflito tem se refletido em alta nos preços das commodities, como petróleo, gás natural, milho e trigo, além da expectativa de inflação global. Por outro lado, com a saída de investidores do mercado russo, houve, em março, forte fluxo de entrada de estrangeiros na B3.

Isso explica a valorização do Ibovespa, o principal índice da bolsa brasileira, em março. Ele terminou o mês em 119.999,23 pontos, uma alta de 6,06% em um mês. Além disso, acumulou elevação de 14,48% no primeiro trimestre de 2022. E isso após um ano em que havia recuado 12%.

Nesse cenário, a ação da Ambev foi uma das 72 do Ibovespa a valorizar em março. O principal destaque foi a CVC, com alta de 32,99%. A flexibilização das medidas protetivas contra o coronavírus e a desvalorização do dólar parecem, assim, ter pesado bem mais para o investidor do que possíveis efeitos da alta dos combustíveis para a companhia. O Top 5 de valorizações também conta com Cogna Educação (25,2%), Qualicorp (24,7%), 3R Petroleum (23,5%) e JHSF Participações (22,4%).

Por outro lado, 19 ações do Ibovespa desvalorizaram em março, com o destaque negativo sendo a Embraer, com perda de 15%, com a divulgação do balanço do quarto trimestre de 2021 tendo impacto na avaliação de especialistas, assim como o preço dos combustíveis. PetroRio (-7,78%), Braskem (-7,19%), Fleury (-6,95%) e Azul (-5,42%) completam a relação das maiores baixas no mês.

Fora do Brasil
No mercado externo, chamou a atenção a expressiva valorização do papel da Ambev na Bolsa de Nova York, tendo fechado março valendo US$ 3,23. Isso representou uma alta de 10,24% no mês. Além disso, há salto de 15,36% no primeiro trimestre de 2022.

Na Europa, por sua vez, os dois principais grupos cervejeiros do mundo viram suas ações desvalorizarem em março. O papel da AB InBev terminou o pregão da última quinta-feira cotado a 54,26 euros, com queda de 1,6% em março. Já o ativo da Heineken fechou o mês com preço de 86,58 euros, caindo 3,89%. Na última terça-feira, quando a multinacional holandesa anunciou a saída da Rússia, a ação valorizou 1,97%. Mas o ritmo não se manteve nos dias seguintes.

Balcão Beersenses: A triste sina da cerveja nas guerras

Rodrigo Sena Beersenses

Balcão Beersenses: A triste sina da cerveja nas guerras

Esse é um artigo que escrevo com tristeza. Cerveja é antônimo de violência. Cerveja significa confraternização, alimento, felicidade, paz e amor. Nada a ver com guerra e mortes. Mas, infelizmente, ao longo da história, a cerveja esteve presente em momentos tristes, de guerras, ódio e violência. Um dos motivos é que o grande continente cervejeiro do mundo, a Europa, sempre viveu conflitos por poder e dinheiro. E sempre que tem uma guerra em algum canto da Europa, tem cerveja ali.

Conta a história que, no início do século XVII, a região central da Europa era uma bagunça, para variar. Diversos reinos e ducados separados brigavam entre si com interesses diferentes, o que fez eclodir um conflito que ficou conhecido como a Guerra dos Trinta Anos, onde diversas nações lutaram por três motivos básicos: religião, território e comércio.

Uma das regiões que estava metida nessa briga era o Ducado da Baviera, que em 1632 estava praticamente dominado pela Suécia quando Munique foi invadida. Desnecessário falar sobre a importância da cerveja para a Baviera, né? Exatamente por essa importância toda, os moradores de Munique conseguiram um acordo com os invasores suecos: trocaram mil baldes de cerveja Hofbräu – que era a cerveja oficial do ducado – pela garantia de que a cidade não seria destruída. A cerveja salvou Munique da destruição. Dois anos depois, a Suécia fez um acordo e desocupou a Baviera. Nesta intersecção entre cerveja e guerra na Baviera, o final foi feliz.

As duas grandes guerras do início do século XX também produziram histórias envolvendo cerveja. Algumas ficaram muito famosas, como a história de criatividade dos ingleses que enchiam tanques de cerveja e penduravam no lugar de bombas nos aviões Spitfire para levar a bebida até as tropas na França.

Outra história ficou famosa e transformou seu protagonista em lenda. Teria acontecido em 1944, bem perto do final da Segunda Guerra Mundial, durante uma luta sangrenta que ficou conhecida como a Batalha do Bulge na cidade de Bastogne, na Bélgica.

Durante a batalha, um jovem paraquedista do exército norte-americano, chamado Vincent Speranza, encontrou um barril de cerveja intacto nas ruínas de um pub e encheu seu capacete da bebida para levar a soldados feridos que estavam em um posto médico improvisado em uma igreja ao lado do pub.

Recentemente, fiquei extremamente chocado quando vi notícias de que uma cervejaria na Ucrânia havia abandonado a fabricação de cervejas para produzir coquetéis molotov. Na minha ignorância, confesso que achava que não iríamos mais viver uma guerra dessas na Europa, que mexe com o mundo todo. Eu era daqueles que acreditava mesmo que a humanidade havia evoluído e que a briga por poder e dinheiro tinha atingido outros patamares, usando outras armas, como ataques cibernéticos, por exemplo. Mas eu estava errado.

O fato de uma cervejaria produzir bombas me abalou tanto que fui pesquisar mais informações e descobri que se tratava da cervejaria Pravda, que fica em Lviv, cidade no oeste da Ucrânia, distante cerca de 80 quilômetros da fronteira com a Polônia.

Descobri ainda que a Pravda havia lançado em 2017 uma cerveja chamada “Putin Huilo” – nome que significa um xingamento bem feio contra o líder russo e é melhor não traduzir do ucraniano. A cerveja ficou famosa, pois além do escancarado xingamento a Putin, era uma Strong Golden Ale muito bem feita e que, inclusive, ganhou medalhas em concursos internacionais.

Claro, após encontrar todas essas informações via Google, entrei no Instagram para achar a cervejaria. E, bingo: eles possuíam dois perfis. Um deles tem mais assuntos relacionados à produção das cervejas. E o outro é o perfil principal, o que divulga as cervejas e a marca em si.

A minha comoção com o assunto foi tanta que fiz um post no meu perfil do Instagram, usando um vídeo da Agência Reuters, e marquei a cervejaria. Qual não foi minha surpresa quando vi que o pessoal da Pravda curtiu minha publicação e ainda trocou uma ideia comigo via direct message, que foi o suficiente para perceber o forte sentimento de resistência deles contra a invasão russa. E serviu também para que eu mandasse diretamente uma mensagem de apoio e solidariedade a eles.

No dia seguinte, fui surpreendido com mais uma notícia da guerra envolvendo uma cervejaria. Dessa vez, uma nota muito triste noticiando a morte de uma pessoa causada pelo bombardeio da cervejaria Lisichansk, na cidade de Luhansk.

Triste em ver acontecer essas histórias de novo, em perceber que nunca iremos evoluir como seres humanos. Essas grandes guerras um dia serão nosso fim. E nem mesmo a cerveja irá nos salvar.


Rodrigo Sena é jornalista, sommelier certificado em tecnologia cervejeira com especialização em harmonizações e responsável pelo canal Beersenses.