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3 locais para beber cerveja artesanal em Recife

Recife completa 489 anos de história nesta quinta-feira (12), sendo considerada por muitos como a capital mais antiga do país – fundada em 1537. Aniversário que comemora junto com a cidade-irmã Olinda, que faz 491 anos em 2026. A capital pernambucana foi também uma das primeiras cidades do Nordeste a entrar na atual fase de renascimento da cerveja artesanal no Brasil em meados de 2015, tendo algumas das cervejarias pioneiras da região. Então, nada melhor do que conhecer alguns bons lugares para beber cerveja artesanal em Recife e guardar como dicas para sua próxima viagem.

Cerveja artesanal em Recife

Angelo Nunes é sommelier de cervejas e dono do perfil Caçador de Cerveja no Instagram (Crédito: Arquivo Pessoal)
Angelo Nunes é sommelier de cervejas e dono do perfil Caçador de Cerveja no Instagram (Crédito: Arquivo Pessoal)

Apesar do pioneirismo, a cidade não está na sua melhor fase cervejeira. O movimento da cerveja artesanal perdeu força após a Pandemia de covid-19, algumas cervejarias e bares fecharam e outras diminuíram suas operações. No entanto, ainda é possível encontrar bons lugares e boas torneiras que servem chopes frescos locais e de fora da cidade. 

Para fazer as indicações, o Guia convidou o experiente sommelier de cervejas Angelo Nunes, que mora na cidade e é dono de um dos maiores perfis cervejeiros no Instagram, o Caçador de Cerveja. Ele sugeriu três casas: uma tradicional, uma recém-inaugurada e uma que vai ser inaugurada nesta sexta (13) e sábado (14) – um presente para a cidade. Confira:

BeerDock

Trata-se do mais antigo bar de cervejas artesanais de Recife e um dos mais tradicionais do Nordeste. Foi inaugurado em 2015 no charmoso bairro da Madalena, Zona Oeste de Recife. Contava com uma estrutura de 15 torneiras de chope, câmara fria e mais de 200 rótulos. Mas a casa original foi fechada em 2025. Hoje opera em outros dois endereço: Boa Viagem e Casa Forte. 

“O local é famoso por oferecer várias opções de cervejas locais e regionais tanto nos taps quanto em garrafas, além de petiscos e pratos que combinam com o clima descontraído do espaço”, diz Ângelo Nunes. “Com uma decoração moderna e música ao vivo, na qual prevalece o rock, o BeerDock se tornou um ponto de encontro popular na noite recifense”, completa.

BeerDock Boa Viagem: Rua Professor Eduardo Wanderley Filho, 242

BeerDock Casa Forte: Rua dos Arcos, 1745 – Poço da Panela

Instagram: @beerdock_recife 

Sonora Áudio Bar 

Instalado numa pequena casa secular, com ambiente climatizado, o Sonora foi inaugurado no final de 2025. Como o nome dá a entender, é um local que valoriza a música de qualidade, principalmente em vinil. Tem ambiente descontraído e intimista, além de “boas cervejas artesanais e cardápio cheio de bons petiscos e drinks autorais”, conta Angelo.

Endereço: R. João Ramos, 252 – Graças

Instagram: @sonora.audiobar

Garagem 66

“Um misto de pub, oficina de motos, barbearia, estúdio de tatuagem e hamburgueria”, conta o sommelier de cervejas. Sim, o Garagem 66 tem cinco negócios em um único espaço, localizado em Boa Viagem. E vai estrear em grande estilo nesta sexta-feira (13) e sábado (14). 

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 O público poderá curtir as bandas Geffe (de Karaokê), Papaninfa e Anabela no primeiro dia. E os grupos Cadillac 87, Macfly e Overtime tocam no sábado. 

“Possui tap de autosserviço com cervejas locais, palco com atrações musicais onde rock toca a noite inteira”, explica Angelo. 

Endereço: Rua José da Silva Lucena, 619, Boa Viagem 

Instagram:@garage66.recife

Artigo: Degusta Cervejas do Brasil – quando um festival reencontra o seu próprio futuro

Alguns eventos simplesmente acontecem. Outros passam por ciclos. Há também aqueles que, depois de um período de desgaste, conseguem algo mais raro: reinventar-se. É justamente esse terceiro caso que parece definir o momento atual do Degusta Cervejas do Brasil. Depois de anos em que o festival parecia ter perdido parte de sua energia original, as duas últimas edições indicam que um novo ciclo está em curso e que ele pode atingir seu potencial máximo em 2027.

Festivais cervejeiros vivem, em grande medida, da percepção do público. A reputação de um evento não é construída apenas pela lista de cervejarias ou pela estrutura oferecida, mas pela sensação que fica depois que tudo termina. É aquela pergunta simples que circula entre quem esteve presente: valeu a pena estar lá?

Durante algum tempo, essa resposta deixou de ser tão clara.

A edição de 2024 ficou aquém de qualquer expectativa. O modelo utilizado já demonstrava sinais evidentes de esgotamento e o formato, que em outros momentos ajudou a consolidar o festival como um dos principais encontros da cerveja artesanal no país, parecia incapaz de mobilizar o mesmo entusiasmo.

O impacto foi perceptível em vários níveis. Algumas cervejarias que tradicionalmente participavam do evento deixaram de comparecer. Parte do público que costumava viajar de diferentes regiões do país reduziu sua presença. A diversidade de rótulos diminuiu e a atmosfera que antes caracterizava o festival perdeu intensidade.

A situação acabou sendo agravada por problemas ligados à administração anterior. As dificuldades acumuladas tornaram inevitável a mudança de organização, abrindo caminho para uma nova fase do evento.

Degusta Cervejas do Brasil

A reconstrução de um festival, porém, não acontece de um ano para o outro.

A nova direção assumiu a tarefa de redesenhar o evento praticamente do zero. O desafio não era apenas reorganizar o evento, mas recuperar a confiança do mercado e do próprio público cervejeiro. Era preciso demonstrar que o festival ainda tinha capacidade de evoluir.

Os primeiros sinais dessa mudança começaram a aparecer rapidamente. O formato foi ajustado, a experiência do visitante passou a receber maior atenção e ficou evidente que havia um esforço real para reconstruir a identidade do evento.

Mesmo assim, o processo ainda carregava o peso do passado. Disputas judiciais e questões herdadas da gestão anterior inevitavelmente influenciavam a percepção de quem acompanhava o festival de fora.

Com o tempo, porém, os resultados começaram a falar mais alto.

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A edição mais recente mostrou um evento mais organizado, com maior diversidade de cervejarias e um ambiente muito mais próximo daquilo que se espera de um grande festival cervejeiro. O público voltou a circular com entusiasmo pelos estandes e as conversas que surgiram depois do evento passaram a refletir algo que há algum tempo não se ouvia com tanta frequência: a sensação de que Blumenau voltou a valer a visita.

Esse tipo de percepção se espalha rapidamente dentro da cena cervejeira.

Quem frequenta festivais sabe que as decisões de participar ou não de um evento são fortemente influenciadas por relatos de amigos, cervejeiros e frequentadores habituais. Quando as avaliações começam a mudar, a reputação do festival também muda.

Muita gente que havia deixado de ir ao evento começa agora a reconsiderar essa decisão. A expectativa para as próximas edições cresce justamente porque o Degusta parece ter reencontrado aquilo que faz um festival funcionar: relevância para o público e para o mercado.

O futuro

É nesse contexto que 2027 surge no horizonte cercado de expectativa.

A tendência é de crescimento tanto no número de cervejarias participantes quanto no público presente. Mais do que simplesmente ampliar os números, o festival parece caminhar para consolidar um novo posicionamento dentro da cena cervejeira nacional.

Se essa trajetória se confirmar, o Degusta pode voltar a ocupar um papel central como grande ponto de encontro da cerveja artesanal brasileira, não apenas como um festival, mas como um espaço de convivência, troca de experiências e celebração da cultura cervejeira.

Naturalmente, sempre há espaço para aprimoramentos.

No fim das contas, revitalizar um festival nunca é tarefa simples. Exige capacidade de reconhecer erros, disposição para ajustar rotas e, principalmente, coragem para reconstruir a confiança do público.

O Degusta Cervejas do Brasil parece ter iniciado esse processo.

Se continuar evoluindo no mesmo ritmo observado nas últimas edições, 2027 pode marcar mais do que um grande evento. Pode ser o momento em que o festival deixa definitivamente para trás um período de incertezas e volta a ocupar o lugar que sempre deveria ter tido no calendário cervejeiro nacional.

Um daqueles raros casos em que um festival não apenas sobrevive ao tempo, mas retorna mais forte justamente depois de quase ter sido dado como superado.


André Lopes é advogado, sócio do escritório Lopes Verdi Advogados e criador do Advogado Cervejeiro. E também colunista do Guia da Cerveja


* Este é um texto de opinião. As ideias e informações nele contidas são de responsabilidade do articulista e não refletem necessariamente o ponto de vista do Guia da Cerveja.

Guerra no Irã pode afetar preço da cerveja no Brasil

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A cerveja no Brasil pode ficar mais cara por conta da guerra no Irã, iniciada pelos Estados Unidos da América (EUA) há pouco mais de dez dias. Apesar do país do Oriente Médio não ser produtor da bebida nem de matérias-primas para ela. O impacto seria indireto, já que o conflito pode afetar o custo da energia, de combustíveis e fertilizantes no mundo. E isso se reflete em toda a cadeia logística, bem como no custo dos próprios grãos dos campos brasileiros e do exterior.

Todo isso porque o país controla a margem norte do Estreito de Ormuz, importante rota marítima do comércio da região em importações e exportações. A passagem, de apenas 33 quilômetros de largura em sua parte mais estreita, é responsável por escoar aproximadamente um quarto do petróleo mundial e um quinto do gás natural. Este último – essencial também para a indústria de hidrocarbonetos, entre eles os fertilizantes químicos como a ureia.

No fim de semana, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter “controle total” dessa conexão do Golfo Pérsico e do Golfo de Omã e disse ter atacado um petroleiro. O Irã como um todo atacou ao menos nove embarcações comerciais na semana passada. Na segunda-feira (9), o presidente dos EUA, Donald Trump, disse em sua conta na rede social Truth Social que vai atacar o Irã “vinte vezes mais forte” caso o país bloqueie o fluxo de petróleo na região.

Enquanto as tensões crescem, especialistas calculam os impactos, em especial caso o conflito se prolongue por muito tempo. 

Guerra no Irã e o preço da logística

Também na segunda-feira, o preço do petróleo se aproximou de US$ 120 por barril (cerca de R$ 630) em razão dos temores provocados pelo conflito. E as bolsas de valores tiveram forte queda pelo mundo. O principal medo é de um prolongamento da guerra no Irã, que poderia inflacionar os preços em escala global.

Apesar dos Estados Unidos minimizarem a situação, analistas ouvidos pelo G1 dizem que um impacto severo na economia é possível. “O choque mais profundo está se espalhando pela cadeia produtiva”, disse Stephen Innes, da SPI Asset Management. Para ele, “o petróleo acima de 100 dólares não representa apenas uma alta das commodities. Torna-se um imposto sobre a economia global”.

Como muitos países do mundo ainda têm o petróleo, gás natural e derivados como principal fonte da matriz energética e de transportes, o impacto seria sentido por todos os cantos. No Brasil, o encarecimento do diesel, por exemplo, pode aumentar os preços em geral por impactar diretamente a logística.

Isso afetaria não só o custo das entregas da cerveja pronta, por exemplo, mas também toda a cadeia. Grande parte da matéria-prima da bebida é importada e os combustíveis dos navios também ficariam mais caros. Mesmo a parcela nacional sofreria, já que quase a totalidade é transportada por via rodoviária.

Fertilizantes nitrogenados

Outro ponto de atenção está na produção de fertilizantes nitrogenados, como a ureia, usados na agroindústria. Além de uma crise no setor afetar o preço de outros alimentos, também poderia impactar a produção de grãos nacionais, como a cevada e outros cereais usados para maltes ou adjuntos cervejeiros, como trigo, milho e arroz.

O impacto, no entanto, não se resumiria aos campos brasileiros. Lavouras de outros países que exportam as matérias-primas para a cerveja brasileira e mundial utilizam os mesmos tipos de fertilizantes.

A indústria de hidrocarbonetos obtém esses fertilizantes químicos a partir do gás natural. Elas processam o material para obter amônia e depois combinam com dióxido de carbono para obter a ureia. Além de grande parte do transporte ser por meio do Estreito de Ormuz, o próprio Irã é um dos principais produtores mundiais de gás e fertilizantes.

O país do Oriente Médio tem a segunda maior reserva de gás natural do mundo. Fica atrás apenas da Rússia – que, no momento, também está em guerra e sofrendo embargos sobre o gás natural em diversos países.

Em 2024, a produção de ureia do Irã atingiu cerca de 9 milhões de toneladas, com metade destinada à exportação. Um dos importadores é o agronegócio brasileiro, que obteve 184,7 mil toneladas em 2025, segundo dados do Comex Stat publicado no portal Times Brasil. O Brasil não é dependente desse fornecimento – o volume é considerado pequeno. Mesmo assim, é sensível aos preços internacionais do produto.

Sucesso da edição 2026 consolida um Festival Brasileiro da Cerveja reinventado

A 17ª edição do Festival Brasileiro da Cerveja (FBC) terminou no sábado (7) após quatro dias de muita degustação, encontros e entretenimento. O público presente foi de 21.566 pessoas, segundo a Prefeitura de Blumenau. Somente o Degusta Cervejas do Brasil, evento paralelo em modelo open bar, contou com 6 mil pessoas, de acordo com a Associação Blumenau Capital Brasileira da Cerveja (ABCBC), responsável pela organização. Esse total representa um crescimento em relação a 2025, quando foram anunciados 18 mil participantes.

No entanto, o maior indicador de sucesso não pode ser medido apenas em números, mas deve ser pesado pelas palavras de quem participou. A reportagem do Guia da Cerveja esteve presente, observou a evolução do evento e conversou com vários participantes e expositores, que relataram muitas experiências positivas e um clima mais otimista. É claro que ajustes também precisam ser feitos. Mas entre os cervejeiros e apreciadores, não faltou quem afirmasse também que “os bons tempos” estavam de volta.

Isso tudo valida e consolida o modelo lançado ano passado e aprimorado nessa edição, que divide o evento em dois: o Festival Brasileiro da Cerveja propriamente dito, organizado pela prefeitura por meio da Blumenau Eventos, com a experiência de anos de Oktoberfest; e o setor de experimentação livre, recém-batizado de Degusta Cervejas do Brasil, realizado pela ABCBC. Este, aliás, é o grande destaque do ano.

A solução foi implementada após o modelo anterior ter mostrado sinais de desgaste ao longo do tempo, principalmente após a Pandemia da covid-19. Mas o evento, que teve uma primeira edição em 2005 e foi retomado de maneira contínua em 2009, sempre foi uma ótima oportunidade para quem quer conhecer cervejas artesanais e um grande ponto de encontro da comunidade cervejeira brasileira.

Quem foi, gostou

Igor Cardoso, engenheiro de 42 anos do interior de São Paulo, relata que não participou do evento em 2025, mas que estava gostando do que tinha visto este ano. Ele elogiou o modelo de open bar que, para ele, não é sobre beber em volume. “É a melhor forma de degustar uma grande variedade de cervejas de forma mais livre, sem ficar pensando em pagar cada cerveja”, diz.

Elemar José Zoz, farmacêutico e sommelier de cervejas de 52 anos, residente em Blumenau e dono do perfil do Instagram @zoz_sommelier, participou do evento no sábado e avalia que foi um sucesso. “O Degusta foi muito além de um simples evento cervejeiro. Acabou mostrando a diversidade e a criatividade do mercado cervejeiro, o potencial que esse mercado tem e, acima de tudo, quantas experiências o público pode ter”, diz. “A simples liberdade de você explorar inúmeros estilos de cerveja e interagir com os cervejeiros acaba transformando um simples gole de cerveja numa viagem sensorial incrível”, completa.

De acordo com o presidente da ABCBC, André Grutzmacher, o saldo do evento é muito positivo. “Tivemos muitas evoluções do modelo do evento em relação à estreia dele, em 2025, e isso foi sentido pelos expositores e pelos visitantes. Encerramos o Degusta Cervejas do Brasil com o modelo consolidado, caminhos estruturados para os próximos anos e a certeza de que o encontro do mercado cervejeiro em Blumenau é único”, comenta.

Expositores felizes, mas com ressalvas

Avaliação geral dos expositores foi positiva, apesar de pontos de melhoria apontados principalmente na área do Festival Brasileiro da Cerveja (Crédito: Daniel Zimmermann/Divulgação)

Muitos dos cervejeiros que expuseram no evento compartilham o otimismo do público. Gabriel Thiler Costa, sócio da Cervejaria Alpendorf, em Nova Friburgo (RJ), trouxe a cervejaria pelo segundo ano. “Em 2025 o evento já se mostrou revolucionário e isso se provou em 2026”, conta. “Blumenau não é o maior centro do país, mas é o maior centro cervejeiro do Brasil. É uma espécie de São Paulo Fashion Week da bebida: onde todos se encontram, as tendências se apresentam e se reforçam a partir da percepção do próprio mercado”, finaliza ele, que garante que já está confirmado em 2027. 

Também já reforçando que estará na próxima edição, Josué Zonta representa a Cervejaria Sacramento, de Chapecó (SC). “É um evento que tem menos foco na competição pela venda, que foca no produto, nas possibilidades de inovação que ele pode oferecer para que o consumidor tenha experiências sensoriais diferentes”, conta. “Há uma clara evolução criativa e técnica das cervejas brasileiras que só eventos como o Degusta conseguem deixar tão evidente”, encerra.

Mas nem tudo funcionou bem para todos. Expositores que preferiram não se identificar relataram que o movimento foi aquém do esperado, principalmente na área do Festival Brasileiro da Cerveja. Mesmo no sábado, dia de maior público e do principal show do evento, com a banda Dazaranha, o setor estava com poucas pessoas até o final da tarde, disse um deles. Nesse dia os portões foram abertos às 11 horas. E atribuiu o baixo volume à divulgação feita “muito em cima da hora”. Mas espera que os problemas sejam resolvidos em uma próxima edição.

Degusta: um evento, muitas experiências

A reportagem esteve no local e pôde confirmar uma diferença expressiva de movimento entre as áreas do Festival e o Degusta nos quatro dias. A impressão é que faltaram atrativos capazes de atrair mais público para a área aberta, que ficou um pouco esvaziada diante do movimento no setor de experimentação livre.

Já o destaque positivo também recai sobre o Degusta Cervejas do Brasil, que representa uma ótima oportunidade de provar uma grande variedade de cervejas diferentes. Baseado no modelo do festival norte-americano Great American Beer Festival, contou com cerca de 200 expositores e 900 rótulos. A maior questão, no entanto, foi como filtrar e organizar o que se pretendia degustar. Um bom problema para ser resolvido. Foram tantas opções que é possível até dividir toda essa diversidade por diferentes circuitos internos com propostas diferentes. Ou seja, criar seu próprio evento dentro do evento.

Aqueles que saíram provando cervejas de maneira mais aleatória beberam mais Sours do que qualquer outro estilo. Houve um grande predomínio dos rótulos de acidez elevada, que estavam espalhados pela maioria dos estandes. Uma das melhores experiências para quem gosta do gênero foi fazer um circuito de cervejas ácidas de grande complexidade, que incluía nomes fortes dessa cena no Brasil, como Fermentaria Local (Jarinu – SP), Yarun Fermentados (Cássia dos Coqueiros – SP) e Cozalinda (Florianópolis – SC) — coincidentemente ou não, lado a lado no evento. Mas também merece menção especial o aniversário de dez anos da Catharina Sour. Criado em 2016 e considerado o primeiro estilo brasileiro de cervejas, que teve muitas versões disponíveis para degustação na área livre.

Em caso de cansaço das azedinhas, o público tinha diversas possibilidades à disposição. Entre elas, passar a noite provando apenas cervejas maltadas, desafio autoproposto pela equipe do Guia. Começamos com as Brown Ales das cervejarias Salvador (Caxias do Sul – RS) e Dasbier (Gaspar – SC) e terminamos com as mais intensas, como a Barley Wine da Indigo Brewing (Rio de Janeiro – RJ) ou Salted Caramel Peanut Cake, uma Pastry Stout com caramelo salgado da 5 Elementos (Fortaleza – CE).

Porém, um dos circuitos mais curiosos e saborosos talvez tenha sido o de bebidas sem álcool. Quem acha isso uma ironia – não alcoólicos num evento de bebidas alcoólicas – é porque não provou os excelentes chás gaseificados da Manifestea (Blumenau – SC) ou os cafés torrados pela Marek Cervejaria Artesanal (Charqueado – RS). Isso sem mencionar as cervejas sem álcool da Sim! Cerveja (Campinas – SP) e da Luci (São Paulo – SP), muitas delas premiadíssimas.

O evento foi de kombuchas até destilados diversos, mostrando que mais do que nunca o mercado está antenado às tendências internacionais, pensando a cerveja e para além dela.

Região Sul fica com 3 em cada 4 medalhas

Outro grande destaque foi a realização do 14º Concurso Brasileiro de Cervejas, que este ano contou com 2,7 mil rótulos inscritos em 175 categorias. As amostras foram avaliadas por cerca de 70 juízes entre sábado (28 de fevereiro) e terça-feira (3), quando foi divulgado o resultado. E um dos números marcantes do resultado da competição foi que os três estados do Sul juntos levaram para casa 77,95% das medalhas, o que equivale a mais de três em cada quatro premiações.

O maior vencedor foi o estado de Santa Catarina, que levou 154 medalhas ao todo, ou seja, 39,49% de todas as 390 medalhas da 14ª edição da competição. Em segundo lugar ficou o o Rio Grande do Sul, com 87 medalhas (22,31% do total), e o Paraná completou o pódio com 63 (16,15%).

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O desempenho é bastante superior, proporcionalmente, ao número de cervejarias de cada um desses estados. Santa Catarina, por exemplo, responde por 250 das 1.949 cervejarias do país, segundo números do Anuário da Cerveja 2025 do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Ou seja, 12,8% do total, o que o coloca apenas como terceiro colocado em número de cervejarias no país. Rio Grande do Sul tem 349 fábricas (17,9%) e o Paraná 175 plantas fabris (9%). O Sul como um todo soma 774, o que equivale a 39,7% do total.

Além disso, as marcas de Santa Catarina ficaram com o primeiro e o segundo lugar no pódio de Melhores Cervejarias com as cervejarias Big Jack (Orleans), que faturou o ouro pelo segundo ano seguido, e Stannis (Jaraguá do Sul). A terceira colocação foi para a Brewine Leopoldina (Bento Gonçalves).

Para fechar o bom desempenho catarinense, o estado ainda ficou com prata entre as melhores cervejas da competição, com a cerveja Pina Colada – Catharina Sour com Abacaxi e Coco, da Faroeste Beer, de Itajaí (SC).

O primeiro lugar foi para o Paraná com a cerveja Patanegra Cacacu Wood, uma Sour em madeira brasileira da Cervejaria Patanegra, de Pinhais, e o terceiro para Alagoas, com a cerveja Alagoas Funky Wild, uma Manipuera da Caatinga Rocks, de Murici. Todas as melhores cervejas do concurso foram premiadas em estilos nacionais.

Área do Degusta Cervejas do Brasil teve público cativo nos quatro dias de evento e contava com alimentação própria e DJs para animar a festa (Crédito: Daniel Zimmermann/Divulgação)

Ambev lança Stella Pure Gold de 600 ml e expande o portfólio de “escolhas equilibradas”

A Ambev está colocando no mercado uma nova embalagem da Stella Pure Gold, cerveja da linha premium sem glúten anunciada com 17% menos calorias que a versão tradicional. Agora, será possível encontrar o rótulo em garrafas de 600 ml. Trata-se da maior versão até agora, que antes só continha embalagens de 269 ml, 330 ml, 350 ml e 473 ml.

De acordo com a Ambev, o lançamento pretende ampliar as ocasiões de consumo do produto, podendo ser compartilhado à mesa durante momentos de celebração.

A distribuição começou pelo estado de Minas Gerais e a previsão é de chegar às demais regiões nas próximas semanas.

Crescimento do consumo equilibrado e Stella Pure Gold

Segundo a Ambev, a chegada do novo formato acompanha um movimento crescente entre os consumidores brasileiros, que têm buscado um estilo de vida mais equilibrado. Os números do mercado confirmam essa tendência: em 2025, o portfólio de “escolhas equilibradas” da Ambev registrou um avanço de 67% em relação ao ano anterior.

Esse segmento reúne as opções zero álcool, sem glúten e com menos calorias. A nova edição da Stella se junta a cervejas como Bud Zero (sem álcool), Corona Cero (sem álcool e rica em vitamina D) e Michelob Ultra (com baixo teor de carboidratos e calorias).

Dentro dessa categoria, a Stella Pure Gold foi um dos destaques, com crescimento de 150% no mesmo período, segundo a Ambev.

“Com Stella Pure Gold 600 ml queremos criar novas ocasiões de consumo e equilíbrio, para que mais consumidores compartilhem juntos uma boa cerveja sem abrir mão da sofisticação e do sabor característico de Stella Artois”, explica Camila Fischmann, diretora da marca no Brasil. A executiva também ressalta o papel da empresa no setor. “Fomos pioneiros no segmento de cervejas sem glúten no Brasil, e agora damos mais um passo para continuar desenvolvendo a categoria no mercado nacional”.

A Ambev lançou a Stella Pure Gold no Brasil em meados de 2023. Tem apenas 34 quilocalorias para cada 100 ml, contra as 41 calorias da versão regular e da sem glúten.

Artigo: Carnaval, cerveja e o país que se encontra

Independentemente da sua opinião sobre curtir na folia ou descansar em família, há de se convir: o Carnaval não é apenas um feriado prolongado. É economia distribuída. É a maior festa popular do país e uma das maiores do mundo. E movimenta bilhões de reais.

Em 2026, o evento bateu recordes. Dados do Ministério do Turismo estimam que R$ 18,6 bilhões foram movimentados no varejo e nos serviços – crescimento de 10% em relação ao ano anterior. O setor de serviços liderou o impacto, e cerca de 39,2 mil empregos temporários foram gerados.

No Rio de Janeiro, com R$ 5,7 bilhões de impacto e 98% de ocupação hoteleira, a cidade pulsou dia e noite. Em Salvador, 8 milhões de pessoas seguiram atrás dos trios, movimentando R$ 2 bilhões. Recife e Olinda reuniram 7,6 milhões de foliões, com R$ 3,2 bilhões injetados na economia local. São Paulo projetou R$ 7,3 bilhões. Brasília superou os R$ 100 milhões.

Por trás dessas cifras, estão bares cheios, cozinhas funcionando, garçons servindo, músicos, catadores e pequenos fornecedores respirando aliviados. Segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), bares e restaurantes movimentaram R$ 5,7 bilhões; o transporte aéreo e rodoviário, R$ 3,7 bilhões; a hospedagem, R$ 1,4 bilhão.

É no meio dessa engrenagem que está a nossa cerveja, não como protagonista solitária, mas como fio que costura encontros. Está na roda improvisada depois do desfile, na varanda onde três gerações comentam a fantasia da escola favorita, no bar que vira extensão da rua.

A cerveja não explica o Carnaval. Mas ajuda a contá-lo.

Nos últimos anos, o setor cervejeiro também avançou em responsabilidade e organização. Parcerias com prefeituras estruturaram melhor o comércio ambulante, ampliaram pontos de apoio e reforçaram práticas de consumo responsável. A categoria de cerveja sem álcool cresce de forma consistente, ampliando alternativas e refletindo mudanças de comportamento.

No Brasil, festa também é política pública. E quando é bem estruturada, gera emprego, renda e orgulho nacional.

O Carnaval é encontro. É convivência. É celebração coletiva em um país que, fora dali, muitas vezes vive dividido. A cerveja cumpre, nesse ambiente, um papel simbólico: partilha, pausa, conversa. Está no bloco de rua, no churrasco da família, na mão do turista estrangeiro dentro do camarote.

Talvez seja isso que torne essa combinação tão poderosa. Carnaval e cerveja representam encontro. Representam convivência. Coexistem em uma celebração que é, ao mesmo tempo, cultural e econômica.

Não há combinação mais brasileira do que Carnaval e cerveja porque, no fundo, ambas falam da mesma coisa: um povo que, apesar de tudo, ainda sabe se reunir.

E, quando o Brasil se reúne, ele movimenta bilhões… mas, principalmente, move pessoas.


Márcio Maciel é presidente-executivo do Sindicerv (Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja).


* Este é um texto opinativo. As opiniões e informações contidas nele são de responsabilidade do articulista e não refletem necessariamente a opinião do Guia da Cerveja.

A primeira mulher cervejeira e feminista

Coluna bia amorim

Quem teria sido a primeira mulher cervejeira? Nunca saberemos quem foi e talvez essa nem seja a pergunta mais importante. A cerveja não foi inventada, foi descoberta e moldada lentamente por muitas mãos anônimas ao longo de milhares de anos. Antes de ser indústria ou mercado, ela foi alimento cotidiano, saber doméstico e prática coletiva. E, nesse tempo longo, foram sobretudo as mulheres que colheram os grãos, cozinharam mingaus e observaram a transformação silenciosa da fermentação.

Respeita as mina.

A natureza tornou possível uma mistura simples: grãos diversos e água, somados a um punhado invisível de microrganismos suspensos no ar, ao tempo e à fé. Um mingau deixado ao repouso alimentava a família e, pelas mãos femininas, fermentava. Antes de ser produto ou especialidade técnica, a cerveja foi sustento e observação empírica. Foi cuidado, celebração, ritual. Se fazia por sentido. Fermentar era parte do cotidiano. E, nesse cotidiano, as mulheres transformavam o que havia em alimento ou bebida, nutrindo corpos e também imaginários.

Muitas foram as deusas associadas à agricultura, à fertilidade, à colheita e à fermentação. Costumamos citar Ninkasi, deusa suméria da cerveja, mas também poderíamos lembrar Mayahuel, no México ancestral, Mbaba Mwana Waresa, na tradição zulu, Ceres, guardiã romana dos cereais, Sif, ligada aos campos dourados da mitologia nórdica, ou Pachamama, matriz andina da terra fértil. Muitas deusas em nossos caminhos abençoando todos os organismos e assim, os micros fermentam.

Em diferentes cosmologias, do Mediterrâneo às Américas, da África ao Norte da Europa, a produção de bebidas fermentadas caminhou lado a lado com o feminino como princípio organizador da vida cotidiana, a origem de saberes transmitidos entre gerações e como continuidade de um gesto fundamental: que além de alimentar, celebra e transforma. 

Séculos depois, na Europa medieval, é tentador associar diretamente as alewives medievais à figura da bruxa de chapéu pontudo que habita o imaginário contemporâneo. No entanto, pesquisas historiográficas recentes mostram que essa iconografia se consolidou apenas entre os séculos XVIII e XIX, resultado de uma longa construção cultural que mistura heresia, propaganda religiosa e, inclusive, estereótipos antissemitas. A historiadora Christina Wade, em estudo dedicado a desmontar esse mito recorrente, lembra que a perseguição às mulheres que produziam e comercializavam bebidas fermentadas é parte da história, mas seus símbolos são muito mais complexos do que a cultura pop costuma sugerir.

Dentro dos mosteiros e de seus campos cultivados, algumas vozes femininas deixaram registros que atravessaram o tempo. Hildegard von Bingen foi uma abadessa, naturalista e pensadora do século XII, que escreveu sobre as propriedades do lúpulo e sua capacidade de preservar e equilibrar as bebidas, aproximou a cerveja da ciência um pouco mais com sua incrível forma de observar os detalhes da transformação que a planta causava. E adicionou também mais uma pitada de espiritualidade, arte, poesia e música. 

Tudo se conecta com a cultura da cerveja. 

A jornalista Tara Nurin lembra que, até a modernidade, as mulheres foram força motriz na produção cervejeira em diferentes continentes. Com a industrialização crescente e a regulamentação constante da produção, muitas mulheres foram sendo deslocadas do centro desse saber. Leis e estruturas econômicas restringiram a fabricação doméstica e transformaram em mercado aquilo que antes era prática cotidiana.

Estudos como os da historiadora Judith Bennett demonstram que a crescente masculinização do comércio cervejeiro alterou o equilíbrio econômico dentro das famílias e das cidades, cada vez mais foi-se restringindo a presença feminina nesse ofício. Era o mercado em disputa, concorrência que vemos até hoje, de diferentes formas.

Talvez aquelas primeiras mulheres do fazer fermentar os grãos não se nomeassem feministas e nem precisassem. A cerveja ainda não era uma disputa simbólica, nem era um território de prestígio econômico ou cultural. Tornou-se. A história segue em ciclos e, em cada um deles, seguimos disputando espaços que, em muitos momentos, já foram nossos. 

A história das mulheres e das bebidas sempre foi atravessada por mecanismos de controle. Como observa a escritora Mallory O’Meara, culturas que restringiam a liberdade feminina também restringiam sua relação com o álcool: o acesso, o consumo e a legitimidade de sua presença em espaços públicos. Beber, afinal, sempre foi também um gesto de autonomia. E talvez por isso mesmo tenha sido tão regulado para as mulheres.

A mulher cervejeira no mundo contemporâneo

O século XXI, por vezes, cria a confortável ilusão de que já chegamos aonde deveríamos. Não chegamos. Enquanto ainda houver mulheres vivendo sob risco, limitação ou silêncio, seguimos todas atravessadas por essa realidade. Triste verdade. Um mundo cheio de tecnologias e inteligências ainda não evoluiu para compreender suas essências.

Estamos no século XXI e só posso falar a partir do tempo que me atravessa. É dele que observo, trabalho e escrevo. Consigo dizer que olho ao redor e sinto orgulho. Vejo mulheres ocupando espaços na produção, na pesquisa, no serviço, na comunicação e na gestão da cerveja de modo geral. Leio sobre as que vieram antes, estudo suas trajetórias e reconheço que essa memória me mantém desperta. Não sonho tão longe, observo o presente com atenção e sei que ainda temos um longo caminho que ainda falta percorrer. Mas comemoro. Brindo. É do celebrar que seguimos em frente.

Cresci entre mulheres fortes e, por isso, sempre me senti protegida e inspirada. Tenho expectativas profissionais e viso, livremente, sobre coisas que vão além da casa e da maternidade. E foi logo no começo do exercício cotidiano da profissão que percebi que os degraus para quem “usa saia” (quem quer que seja) costumam ser mais altos, mesmo quando o discurso pop diz o contrário. Em vários projetos com outras mulheres, há sempre uma nova história a ser contada. E tem histórias ruins, recheadas de preconceitos e machismos. Típicas histórias antigas como as que estamos contando aqui.

Quando entrei no mercado, encontrei mulheres extraordinárias: mestres cervejeiras,  professoras, biólogas pesquisando leveduras, sommelières conduzindo degustações e conversas com o público, tantas diferentes personalidades. Gestoras da parte administrativa, marketeiras e vendedoras. De todos os paladares, de tantas diferentes partes do país. Em diferentes contextos.

Nos últimos anos, a cultura cervejeira ampliou seu vocabulário, gerou muito repertório e vem tentando agregar mais valor cultural à categoria. Falamos muito aqui no Brasil de qualidade, de insumos, de criatividade, de identidade e de experiência sensorial. Ainda assim, em muitos ambientes, homens continuam achando “interessante” ver uma mulher falando sobre cerveja, como se fosse algo fora do lugar. Excêntrico, para mim, é perceber o quanto certos pensamentos permanecem atrasados. Como se nossa presença ainda orbitasse o campo da imagem decorativa, do cartaz na parede, da publicidade com um copo gelado na mão, a gostosa de roupa curta. Ou, no máximo, como se ainda fosse necessário explicar o que significa ser mulher em um mercado que muitos insistem em reconhecer como masculino. Mais um mito cervejeiro. Brindamos sempre, mas não podemos perder de vista o que ainda precisa ser conquistado.

Recentemente reli Profissões para mulheres e outros artigos feministas de Virginia Woolf e me vi pensando no mercado cervejeiro. Uma mulher feminista nesse universo, para mim, é toda aquela que reivindica algo simples e fundamental: o direito de estar onde quiser, onde sempre esteve e continuar seguindo em frente e para o alto. E fazer cerveja. Falar de cerveja. Beber cerveja. Vender cerveja. Estudar cerveja. Sem pedir licença, sem pedir permissão. Como era no princípio, como é imaginado. Amém.

Ao longo dos anos, conheci muitas outras mulheres, todas atravessando batalhas pessoais e profissionais e, ainda assim, abrindo caminhos à sua maneira. Hoje é impossível fazer uma lista definitiva. Não existe uma única mulher que nos represente. A diversidade, talvez, seja justamente o que nos liberta.

Beber com liberdade

Última coisa importante. Vale ressaltar para quem ainda não entendeu: não existe “cerveja de mulher”. Existe liberdade de escolha. Seu sabor preferido, individual. Meu paladar não pertence a estruturas antigas nem às expectativas alheias. Mesmo que goste de algo frutado e leve, menos intenso ou estruturado. Mesmo que seja rosa. Apenas parem de generalizar e colocar as coisas desta forma. A primeira mulher cervejeira e feminista é sempre aquela que abre uma cerveja e bebe o que quer, onde quer e com quem quiser, com consciência, prazer e autonomia. 

Há, ainda, batalhas importantes em curso. O álcool pode ser ferramenta de convivência e cultura, mas também pode carregar dor e violência. Falar de consumo responsável, de bem-estar e de ambientes seguros faz parte do caminho. Apoiar outras mulheres e fortalecer redes também. Mais sabor. Mais moderação. Mais conhecimento. Respeito.

Seguimos. Talvez o verdadeiro avanço esteja no dia em que não precisemos mais tensionar a corda para lembrar que sempre estivemos aqui e que igualdade não deveria exigir explicação. 

Saúde.


Bia Amorim é sommelière, pesquisadora e palestrante. Atua na interseção entre gastronomia, cultura e bebidas brasileiras, com foco em comunicação, experiência, consumo consciente e hospitalidade.


* Este é um texto opinativo. As opiniões e informações contidas nele são de responsabilidade do colunista e não refletem necessariamente a opinião do Guia da Cerveja.

Menu Degustação: Santa Catarina conquista 40% das medalhas do Concurso Brasileiro de Cervejas

O desempenho das cervejarias do estado de Santa Catarina no Concurso Brasileiro da Cerveja foi bastante alto este ano. O estado ficou com 154 medalhas ao todo, ou seja, 39,49% de todas as 390 medalhas da 14ª edição da competição, que divulgou os resultados na noite de terça-feira (3).

Além disso, as marcas de Santa Catarina ficaram com o primeiro e o segundo lugar no pódio de Melhores Cervejarias com as cervejarias Big Jack (que faturou o ouro pelo segundo ano seguido) e Stannis. Para fechar o bom desempenho, a unidade federativa ainda ficou com prata entre as melhores cervejas da competição, com a cerveja Pina Colada – Catharina Sour com Abacaxi e Coco, da Faroeste Beer, de Itajaí (SC).

Santa Catarina e o Sul

Em segundo lugar ficou o estado do Rio Grande do Sul, com 87 medalhas (22,31% do total), e o Paraná, com 63 (16,15%). São Paulo, que tem o maior número de cervejarias do país (427 ou 21,9% do total do país), aparece apenas em quarto lugar, com 37 premiações (9,49%), segundo a análise feita pela reportagem do Guia da Cerveja a partir dos resultados.

Os três estados do Sul juntos levaram para casa 77,95% dos prêmios. O desempenho é bastante superior, proporcionalmente, ao número de cervejarias de cada um desses estados. Santa Catarina, por exemplo, responde por 250 das 1.949 cervejarias do país, segundo números do Anuário da Cerveja 2025 do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Ou seja, 12,8% do total, o que o coloca como terceiro colocado em número de cervejarias no país.

O Sul como um todo tem 774 cervejarias, o que equivale a 39,7%.

Leia também neste Menu Degustação:

Cervejarias de Uberlândia comemoram conquista de prêmios

Três cervejarias locais — Captain Brew, Uberbrau e Trema — conquistaram, ao todo, 15 medalhas durante o CBC Brasil realizado na última terça-feira (3) em Uberlândia (MG). A Captain Brew foi o destaque principal, garantindo o título de melhor cervejaria artesanal de Minas Gerais e a oitava posição no ranking nacional. O produtor Flávio Jordok, da mesma marca, obteve o quinto lugar na categoria de melhor cervejeiro do país, enquanto o rótulo Ponta de Areia foi eleito a segunda melhor cerveja do Brasil. O resultado completo pode ser encontrado no site oficial do CBC Brasil

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Grupo Petrópolis reforça combate ao assédio

O Grupo Petrópolis anunciou nesta quinta-feira (5) a ampliação do movimento Não se Cale para suas campanhas de marketing e patrocínios esportivos. A iniciativa incorpora o alerta Nunca Assedie ao aviso legal obrigatório das peças publicitárias da marca Itaipava. O projeto busca conscientizar os consumidores e promover ambientes seguros após dados apontarem que oito em cada dez brasileiras temiam sofrer algum tipo de importunação durante o Carnaval deste ano.

A mensagem contra o machismo chegou ao Campeonato Paulista no domingo (1º). Durante a semifinal entre Palmeiras e São Paulo, na Arena Barueri, jogadores entraram em campo com uma faixa de conscientização. A ação também ocorreu em apoio à árbitra Daiane Muniz, que atua na partida. A marca utilizou as placas de LED do estádio para reforçar a responsabilidade coletiva no esporte, integrando as diretrizes do Pacto Ninguém Se Cala, firmado com o Ministério Público.

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Brotas promove semana cervejeira com gastronomia e música

A Estância Turística de Brotas realiza a 3ª Semana Cervejeira entre sexta-feira (13) e domingo (15) no Largo do CIAM. O evento reúne cinco produtores locais — Aventura Líquida, Brotas Beer, Casa da Mina, Companhia 6 e Cultiva — e atende à Lei Municipal 3.652/23 para fomento ao setor artesanal. A programação gratuita inclui praça de alimentação, espaço kids e 11 apresentações musicais de gêneros como rock, samba e MPB. Detalhes estão disponíveis no site da Prefeitura de Brotas.

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Lagunitas faz ação de adoção animal em Campinas

A cervejaria Lagunitas promove uma campanha de adoção responsável neste sábado (7), das 9h às 20h, no Posto Ipiranga Cristal (Avenida Dr. Jesuíno Marcondes Machado, 1125). A ação celebra o aniversário do influencer pet Matuê e disponibiliza para novos lares as cachorrinhas Tigresa e Pretinha. O evento inclui orientações de um adestrador sobre guarda responsável e doação de ração para a ONG Laticão. Informações adicionais constam no perfil @lagunitasbr.

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Estudo analisa impacto de algoritmos na socialização

A Heineken e a consultoria Box 1824 lançaram um estudo sobre como os algoritmos digitais influenciam a socialização dos brasileiros. O mapeamento entrevistou mais de 1 mil pessoas para investigar como sistemas de recomendação moldam hábitos em festivais e na vida noturna. A pesquisa integra uma campanha que incentiva o público a romper padrões previsíveis em favor de experiências reais. As conclusões serão divulgadas em abril e o filme do projeto está no canal da Heineken no YouTube.

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Bodebrown homenageia mulheres com programação de rock

Curitiba (PR). A cervejaria Bodebrown realiza shows gratuitos com vozes femininas durante todas as sextas e sábados de março na Rua Carlos de Laet, 1015. A programação especial pelo Mês da Mulher inclui rock clássico, blues e tributos a artistas como Janis Joplin e Queen. Nesta sexta-feira (6), às 19h, apresenta-se Marcela Juk, seguida pela banda Sphynx no sábado (7), às 15h. O espaço conta com área para animais de estimação e informações completas estão no Instagram da Bodebrown.

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As mulheres cientistas que estão dando um “RG” brasileiro à cerveja nacional

Do isolamento de leveduras selvagens na Amazônia ao desenvolvimento de tecnologias para bebidas sem álcool, o futuro da cerveja no Brasil passa, obrigatoriamente, pelas mãos de mulheres cientistas. Elas são as mentes por trás da bioprospecção em biomas nacionais e da criação de parâmetros rigorosos de qualidade que estão transformando o mercado de bebidas. Mais do que pesquisadoras, essas mulheres estão construindo uma identidade científica e tecnológica para a cerveja brasileira.

É essa ciência nacional que “está dando ‘RG’ para a nossa cerveja”, define Bianca Telini, biotecnologista molecular e doutoranda em Biologia Celular e Molecular. Para ela, a busca por uma identidade cervejeira própria e a evolução técnica da produção passam diretamente pelos laboratórios e pelas pesquisas de campo conduzidas por mulheres.

Tudo na cerveja é ciência, mas o olhar feminino traz um rigor que vai além do copo. “Para o consumidor, pode parecer apenas uma bebida refrescante. Para nós, cada gole é o resultado de uma série de decisões técnicas rigorosas”, explica Bianca. Ela cita a estabilidade da espuma, a aparência cristalina e o equilíbrio sensorial como exemplos diretos desse trabalho silencioso que desponta no setor.

Essas cientistas atuam em todas as frentes: desde a busca por microrganismos na floresta amazônica até a estruturação de controles de qualidade para o envase, definindo o aroma, a textura e a viabilidade comercial do que bebemos. Uma dessas frentes mais inovadoras busca justamente a “alma” da bebida em solo brasileiro.

Leveduras com “brasilidade”

No trabalho de Ana Carolina Carvalho – conhecida como Carola – a ciência faz uma intersecção entre a cerveja, os biomas brasileiros, e até o espaço sideral. 

Mestre e doutora em biotecnologia com pós-doutorado em engenharia química, Carola encontra leveduras (fungos microscópicos que fazem a fermentação) nos mais diversos ambientes, o que é chamado tecnicamente de bioprospecção de leveduras. O trabalho dela pode ser acompanhado por meio do perfil no Instagram @spacebeer_project.

Em entrevista ao Guia da Cerveja, ela conta que, embora sua pesquisa seja voltada para o bioetanol e as leveduras tenham aplicações em áreas alimentícias, de combustível, farmacêuticas e químicas, a aplicação na cerveja surgiu como um “brinde” no processo.

Isso aconteceu quando Carola começou a trabalhar com leveduras em um laboratório de astrobiologia, buscando organismos resistentes a condições extremas para sobreviver no espaço. E, já conhecendo o processo cervejeiro, ela entendeu que ali seria um ambiente extremo para a levedura devido à produção de álcool, menor disponibilidade de oxigênio, limitação de nutrientes, crescimento em baixa temperatura e fermentação.

Ana Carolina Carvalho (Carola), mestre e doutora em biotecnologia com pós-doutorado em engenharia química. (Foto: Arquivo Pessoal)

“Eu comecei a procurar, dentro da cervejaria, leveduras que fossem resistentes às condições espaciais, vamos dizer assim. Na época, eu trabalhava com as condições marcianas. E, já conhecendo o processo de fabricação da cerveja, imaginei que ali teria essas leveduras resistentes. E o meu trabalho de campo se tornou a cervejaria”, afirma.

A Cervejaria Nacional foi a primeira a colaborar com a pesquisa dela, doando leveduras que já haviam passado por estresses da produção.

Depois, ela percebeu que leveduras na natureza também vivem em condições inóspitas, com escassez de alimento, e começou a isolar leveduras selvagens nos mais variados habitats na Terra, como a Amazônia, a Serra da Canastra e a Mata Atlântica. Ela encontrou leveduras não convencionais, muitas delas do gênero não-Saccharomyces (o mais comum na fabricação de cerveja). E isso foi muito bem recebido pelos cervejeiros.

As leveduras não-Saccharomyces usadas na indústria cervejeira trazem a descoberta de novos aromas, sabores e texturas. “Ao invés de você usar uma bactéria para acidificar uma cerveja, tipo uma sour, você usa essa levedura”, explica. Além disso, essas leveduras podem entrar no processo de fabricação das cervejas sem álcool. “Porque a gente sabe que existem leveduras que não produzem álcool quando fermentam, e essas leveduras estão aí na natureza para a gente descobrir também”, diz.

A inovação de sua pesquisa na indústria cervejeira é a aplicação dessas leveduras não convencionais nas bebidas, o que altera os sabores tradicionais e introduzem uma certa “brasilidade” na cerveja, em contraste com a maioria das leveduras usadas atualmente, que são importadas.

Um exemplo é uma levedura isolada de mel de abelha do Acre, que foi usada no desenvolvimento da cerveja Amazon.IA, produzida pela Cybeer Cervejaria, e ganhou medalha de ouro em Estilos Brasileiros na Copa Brasileira de Cervejas em 2023.

Mas, na prática, como isso acontece? O processo de pesquisa envolve coletar amostras em locais ricos em açúcar na natureza (flores, frutas, cascas de árvores), isolar as leveduras em laboratório (o que pode levar meses ou anos), identificar o organismo e, em seguida, testar sua capacidade de fermentar o mosto cervejeiro. Após a fermentação, são avaliadas a parte organoléptica (aroma, sabor), a capacidade de fermentar em temperaturas ideais e o tempo de fermentação, considerando que a indústria não pode ter processos muito demorados devido ao risco de contaminação. 

Entre as muitas amostras coletadas, poucas se mostram adequadas para a indústria cervejeira. “De 1.000 leveduras que são coletadas, só dez servem para alguma coisa e, no final, só uma tem aplicação na indústria cervejeira”, afirma. Isso não quer dizer que o trabalho foi em vão. As amostras ficam armazenadas em um banco de leveduras, disponíveis para pesquisas futuras.

A pesquisa das bebidas sem álcool

Se o consumo de bebida sem álcool subiu 535%, de acordo com o Anuário da Cerveja, é no trabalho de cientistas como Bianca Telini que o ajuste sensorial deste consumo se faz.

Biotecnologista molecular e doutoranda em Biologia Celular e Molecular, Bianca atualmente foca seu trabalho no isolamento de leveduras do ambiente para a produção de cervejas de baixo teor alcoólico. Uma de suas frentes de pesquisa envolve mimetizar (imitar) a sensação do álcool na bebida. 

Bianca Telini, biotecnologista molecular e doutoranda em Biologia Celular e Molecular. (Foto: André Ávila)

“Durante meu mestrado trabalhei com desenvolvimento de leveduras híbridas (focadas no uso para produção de cerveja) e agora, durante o doutorado, trabalho com o isolamento de leveduras do ambiente para a produção de cervejas de baixo teor alcoólico. Essa é uma área bastante trabalhosa, que envolve diversos experimentos e testes (como resistência aos estresses da fermentação, a exemplo do estresse etanólico, estresse osmótico etc.) para avaliar o potencial das leveduras isoladas”, afirma.

Ela explica que o trabalho foca no uso de compostos para mimetizar a experiência sensorial do álcool (como corpo e aquecimento) em bases não alcoólicas, para que o prazer sensorial seja o mesmo. Tradicionalmente, cervejas sem álcool ou de baixo teor alcoólico eram vistas como tecnicamente inferiores, mas a pesquisa dela ajuda a derrubar o mito de que cerveja sem álcool é sem graça.

Apesar do avanço técnico, a pesquisadora pontua que a rotina nas cervejarias esbarra na escassez de recursos e no alto custo da tecnologia. Diante desse abismo financeiro, o papel da cientista é conseguir adaptar o rigor do laboratório à infraestrutura disponível na fábrica.

 Além do desafio técnico, há o estrutural: Bianca destaca o fenômeno conhecido como “duto com vazamento”, onde as mulheres são maioria na graduação e no mestrado, mas poucas chegam aos postos de diretoria ou estratégia dentro das cervejarias. 

Para as mulheres que desejam entrar na área, ela deixa um conselho: “O conhecimento científico é o seu maior escudo contra o preconceito e a sua ferramenta mais poderosa de ascensão profissional. Seja a maior autoridade técnica da sala”.

Cerveja com padrão e controle de qualidade

Luciana Brandão,  microbiologista e diretora-executiva do Laboratório da Cerveja (Foto: Arquivo Pessoal)
Luciana Brandão, microbiologista e diretora-executiva do Laboratório da Cerveja (Foto: Arquivo Pessoal)

A ciência na indústria cervejeira também depende de parâmetros técnicos para garantir a padronização dos lotes. A microbiologista Luciana Brandão, diretora-executiva do Laboratório da Cerveja, identificou durante seu pós-doutorado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), por volta de 2016, a necessidade das fábricas de controlar o resultado das suas fermentações.

Naquele momento, o mercado de cervejas artesanais em Minas Gerais e no Brasil vivia um período de expansão, mas as cervejarias esbarravam na falta de serviços de controle de qualidade e de fornecimento estruturado de leveduras nacionais.

Para estabelecer a conexão entre os dados gerados na academia e o chão de fábrica, ela obteve a formação de Sommelière de Cerveja. A etapa funcionou como uma ferramenta para entender o produto final do ponto de vista sensorial, cultural e técnico. “Tornar-me Sommelière de Cerveja em 2016 não foi apenas um hobby, foi um passo estratégico e transformador na minha trajetória”, relata Luciana. “Embora meu interesse por leveduras já viesse da minha formação e pesquisa acadêmica, foi a formação como sommelière que conectou definitivamente a ciência à experiência prática da cerveja. A partir dali, consegui enxergar com ainda mais clareza o impacto das leveduras na construção de aromas, sabores e identidade das cervejas, fortalecendo minha decisão de atuar de forma inovadora nesse mercado”, afirma.

Há dez anos, o cenário da cerveja artesanal no Brasil estava em plena expansão, conta Luciana, mas ainda era muito embrionário em termos de ciência nacional aplicada à produção. “As cervejarias buscavam se diferenciar, mas havia poucos recursos técnicos especializados no país, especialmente no que diz respeito ao uso de leveduras nacionais e controle de qualidade rigoroso”, conta. 

Foi nesse contexto, em 2016, que o sonho que começou dentro da universidade começou a ganhar forma como propósito profissional. Com o contato direto com as pesquisas que eram realizadas no laboratório e a complementação  da formação em Sommelier de Cerveja, Luciana conta que surgiu a vontade de traduzir conhecimento científico em soluções práticas e acessíveis para as cervejarias brasileiras.

Ao longo desta década, a atuação de Luciana contribuiu para elevar o padrão da produção de cerveja por meio do compartilhamento de conhecimento técnico científico através de serviços e de conteúdo educativo no site Laboratório da Cerveja.

Ela também atua na disponibilização para o mercado de leveduras brasileiras, proveniente de pesquisa nacional e em pesquisas que permitiram o conhecimento dessas leveduras com perfis sensoriais únicos, o que hoje é diferencial competitivo para muitas cervejarias.

Luciana também cita a implementação de serviços de controle de qualidade, que antes eram ainda mais raros no país, o que ajudou produtores a entender melhor seus processos e padronização de lotes, reduzindo perdas econômicas. “Hoje, olhar para trás e ver como o mercado evoluiu e como o Laboratório da cerveja contribuiu é muito gratificante”, afirma.

O trabalho de Luciana se insere em diferentes momentos da rotina das cervejarias. A atuação vai desde a fase inicial, quando a empresa estrutura processos e implementa sistemas de controle, até as fases de expansão e lançamento de produtos. 

Os serviços incluem também a investigação de desvios sensoriais, a otimização de fermentações e a propagação de leveduras específicas para cada cliente. 

“Embora historicamente o mercado artesanal tenha sido o que mais demandou esse tipo de suporte técnico especializado, hoje atendemos cervejarias de todos os portes pequenas, médias e algumas grandes indústrias. A necessidade de qualidade, padronização e inovação não depende do tamanho da empresa, e nosso papel é justamente oferecer soluções científicas aplicadas que se adaptem à realidade e aos objetivos de cada cliente”, diz.

Luciana Brandão também é responsável por um portfólio próprio de leveduras nacionais, algumas delas desenvolvidas a partir de pesquisas realizadas pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) Leveduras, da UFMG. “A partir desses estudos, podemos avaliar o desempenho fermentativo, perfil sensorial e viabilidade tecnológica, para então estruturar a aplicação em escala de mercado”, explica.

Um exemplo prático é a Star Brasilis, uma levedura brasileira que, inicialmente, não era usada na produção. Ela foi selecionada e estudada para atuar nos estímulos sensoriais, valorizando a biodiversidade nacional. Para Luciana, ela representa não apenas uma alternativa às leveduras importadas, mas também um posicionamento estratégico. “Ela mostra que o Brasil tem potencial científico e biotecnológico para desenvolver suas próprias soluções de alto padrão”, afirma.

Diversas cervejas já foram produzidas com essa levedura. A primeira que foi ao mercado, em 2023, foi a Uaild Ale feita em parceria com a Prússia Bier

No ano passado, foi lançado em parceria com o INCT Leveduras da UFMG e a cervejaria Stardust de Minas duas outras cervejas produzidas com essa levedura que levavam o mesmo nome: Star Brasilis, uma witbier, e a Star Brasilis Fruit Bier, com graviola e coco. “As produções, únicas, tiveram lote reduzido e fizeram muito sucesso entre os amantes de cervejas inovadoras”, conta Luciana.

Além da Star Brasilis®, Luciana Brandão também trabalha com outras leveduras brasileiras, que também passaram por processos de seleção, caracterização e validação para alinhar identidade sensorial, performance tecnológica e estabilidade. “No nosso portfólio está a Torulaspora delbrueckii, que carinhosamente apelidamos de Guará por ter sido isolada no Santuário do Caraça, em Minas Gerais, habitat natural do lobo-guará, além de duas linhagens de Saccharomyces cerevisiae isoladas de fermentações naturais, que nomeamos Tupiniquim I e Tupiniquim II”, afirma.

Multiplicidade de áreas de atuação das mulheres cientistas

A atuação feminina nas áreas técnicas do setor abrange diferentes disciplinas científicas e atinge todas as etapas da cadeia produtiva. Esse mapeamento é divulgado continuamente pela Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), que utiliza suas plataformas para visibilizar o trabalho de mulheres cientistas na cervejeira. Os perfis mapeados incluem profissionais de química, biologia, engenharia de alimentos e agronomia, demonstrando que a pesquisa sustenta desde o plantio de insumos até o serviço da bebida.

Além dos estudos em microbiologia e bioprospecção de leveduras, o mercado conta com profissionais inseridos em campos de estudo voltados ao consumidor, como a neuroengenharia. 

A pesquisadora Amanda Reitenbach, fundadora do Science of Beer, exemplifica essa vertente ao investigar a interação do cérebro com as percepções sensoriais provocadas pela cerveja. A pesquisa analisa como os estímulos olfativos e gustativos são processados, gerando dados que auxiliam as fábricas na formulação de receitas e no direcionamento de mercado.

A soma das trajetórias de bioprospecção, estruturação de qualidade e neuroengenharia consolida essas pesquisas como peças centrais no desenvolvimento do mercado de bebidas no Brasil. O avanço técnico proporcionado por essas investigações demonstra que a construção de uma identidade nacional para a cerveja requer dados, testes contínuos e validação científica. E são as mulheres cientistas que colocam suas mentes para trabalhar nesses desenvolvimentos tão inovadores.

Confira o guia de cursos de cerveja do primeiro semestre de 2026

O início do ano é o momento ideal para tirar os planos do papel. E se o seu objetivo para este ano é aprofundar seus conhecimentos no universo cervejeiro, o mercado educacional está repleto de oportunidades. Seja você um entusiasta buscando entender o que está no seu copo, um cervejeiro caseiro querendo aprimorar receitas, ou um profissional em busca de uma transição de carreira, as principais escolas do Brasil já estão com suas agendas de cursos de cerveja abertas para o primeiro semestre de 2026.

Entre as oportunidades, há cursos na Academia da Cerveja, Escola Superior de Cerveja e Malte, Instituto da Cerveja Brasil e Senac (com direito a uma nova Pós-Graduação em Bebidas).

Confira abaixo:

Academia da Cerveja

A Academia da Cerveja oferece cursos de cerveja diversos; a maioria é totalmente gratuita e no formato On Demand (gravado), permitindo que você estude no seu próprio ritmo, de onde estiver. O projeto é ligado à Ambev.

Mitos e Verdades sobre as Cervejas

  • Modalidade: Online (On Demand)
  • Data de início: Imediato
  • Duração: 40 minutos
  • Investimento: Grátis
  • Link para inscrição: Acessar curso

Levedura I: A Alma da Cerveja

  • Modalidade: Online (On Demand)
  • Data de início: Imediato
  • Duração: 2 horas
  • Investimento: Grátis
  • Link para inscrição: Acessar curso

Harmonização de Pizzas com Cervejas

  • Modalidade: Online (On Demand)
  • Data de início: Imediato
  • Duração: 15 minutos
  • Investimento: Grátis
  • Link para inscrição: Acessar curso

Cerveja Sem Álcool

  • Modalidade: Online (On Demand)
  • Data de início: Imediato
  • Duração: 1 hora
  • Investimento: Grátis
  • Link para inscrição: Acessar curso

Cereais I: O Malte

  • Modalidade: Online (On Demand)
  • Data de início: Imediato
  • Duração: 1 hora e 30 minutos
  • Investimento: Grátis
  • Link para inscrição: Acessar curso

Escolas Cervejeiras

  • Modalidade: Online (On Demand)
  • Data de início: Imediato
  • Duração: 2 horas
  • Investimento: Grátis
  • Link para inscrição: Acessar curso

Água I: Água e Estilos

  • Modalidade: Online (On Demand)
  • Data de início: Imediato
  • Duração: 1 hora e 30 minutos
  • Investimento: Grátis
  • Link para inscrição: Acessar curso

A Magia do Lúpulo

  • Modalidade: Online (On Demand)
  • Data de início: Imediato
  • Duração: 1 hora e 15 minutos
  • Investimento: Grátis
  • Link para inscrição: Acessar curso

Programa Cicerone com Sol Cravello

  • Modalidade: Online (On Demand)
  • Data de início: Imediato
  • Duração: 2 horas
  • Investimento: Grátis
  • Link para inscrição: Acessar curso

Palestra: Vamos Falar Sobre Fermentação

  • Modalidade: Online (On Demand)
  • Data de início: Imediato
  • Duração: 1 hora e 20 minutos
  • Investimento: Grátis
  • Link para inscrição: Acessar curso

Cervejas ao Redor do Mundo

  • Modalidade: Online (On Demand)
  • Data de início: Imediato
  • Duração: 1 hora e 20 minutos
  • Investimento: Grátis
  • Link para inscrição: Acessar curso

A Cerveja e a Beleza da Espuma

  • Modalidade: Online (On Demand)
  • Data de início: Imediato
  • Duração: 1 hora e 15 minutos
  • Investimento: Grátis
  • Link para inscrição: Acessar curso

Lúpulo no Brasil

  • Modalidade: Online (On Demand)
  • Data de início: Imediato
  • Duração: 1 hora e 30 minutos
  • Investimento: Grátis
  • Link para inscrição: Acessar curso

Levedura IV: Levedura Brasileira

  • Modalidade: Online (On Demand)
  • Data de início: Imediato
  • Duração: 1 hora e 40 minutos
  • Investimento: Grátis
  • Link para inscrição: Acessar curso

Curso Levedura III: Fermentação Selvagem

  • Modalidade: Online (On Demand)
  • Data de início: Imediato
  • Duração: 1 hora e 40 minutos
  • Investimento: Grátis
  • Link para inscrição: Acessar curso

Levedura II: O Banco de Leveduras

  • Modalidade: Online (On Demand)
  • Data de início: Imediato
  • Duração: 1 hora e 40 minutos
  • Investimento: Grátis
  • Link para inscrição: Acessar curso

História das Bebidas Através do Tempo

  • Modalidade: Online (On Demand)
  • Data de início: Imediato
  • Duração: 2 horas
  • Investimento: Grátis
  • Link para inscrição: Acessar curso

Harmonização nas Festas Natalinas

  • Modalidade: Online (On Demand)
  • Data de início: Imediato
  • Duração: 20 minutos
  • Investimento: Grátis
  • Link para inscrição: Acessar curso

Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM)

A Escola Superior de Cerveja e Malte, uma das principais referências do setor, traz formações online e presenciais, algumas com certificação profissional. De cursos de cerveja rápidos de harmonização até pós-graduações, há opções para todos os perfis e bolsos.

Confira abaixo a lista de cursos disponíveis. Os valores, datas e durações informados podem sofrer alterações pela instituição de ensino. Recomendamos checar os links de inscrição para confirmar as turmas disponíveis.

Cervejeiro Caseiro

  • Modalidade: Online (ao vivo)
  • Data de início: 24 de março de 2026
  • Duração: 14 noites
  • Investimento: R$ 1.774,44 à vista (ou 12x de R$ 159,00)
  • Link para inscrição: Acessar curso

Cervejeiro Artesanal

  • Modalidade: Presencial
  • Data de início: Sob consulta no site
  • Duração: Sob consulta
  • Investimento: R$ 3.059,70 à vista (ou 12x de R$ 274,17)
  • Link para inscrição: Acessar curso

Tecnologia Cervejeira

  • Modalidade: Online (EaD / ao vivo)
  • Data de início: 24 de março de 2026
  • Duração: 25 noites
  • Investimento: R$ 2.778,84 à vista (ou 12x de R$ 249,00)
  • Link para inscrição: Acessar curso

Tecnologia Cervejeira em Portugal

  • Modalidade: Híbrido
  • Data de início: 26 de janeiro de 2026 (turmas recorrentes)
  • Duração: 150 horas
  • Investimento: € 588 (€ 98 matrícula + 5x € 98)
  • Link para inscrição: Acessar curso

Mestre Cervejeiro (EAD)

  • Modalidade: Online (ao vivo)
  • Data de início: 22 de abril de 2026
  • Duração: 18 meses
  • Investimento: Matrícula de R$ 689,00 + 23 parcelas de R$ 689,00
  • Link para inscrição: Acessar curso

Sommelier de Cervejas

  • Modalidade: Híbrido (Aulas online + 2 finais de semana presenciais)
  • Data de início: 28 de abril de 2026
  • Duração: 80 horas (32h presenciais + 48h a distância)
  • Investimento: R$ 3.560,04 à vista (ou 12x de R$ 319,00)
  • Link para inscrição: Acessar curso

Sommelier de Cervejas (Intensivo)

  • Modalidade: Presencial
  • Data de início: Sob consulta no site
  • Duração: 10 dias
  • Investimento: R$ 4.185,00 à vista (ou 12x de R$ 375,00)
  • Link para inscrição: Acessar curso

Gestão Financeira para Cervejarias

  • Modalidade: Online (ao vivo)
  • Data de início: 27 de abril de 2026
  • Duração: 5 semanas
  • Investimento: R$ 1.774,44 à vista (ou 12x de R$ 159,00)
  • Link para inscrição: Acessar curso

Microbiologia da Cerveja

  • Modalidade: Online (ao vivo)
  • Data de início: 29 de abril de 2026
  • Duração: 5 semanas
  • Investimento: R$ 1.774,44 à vista (12x de R$ 159,00)
  • Link para inscrição: Acessar curso

Produção de Bebidas Não Alcoólicas

  • Modalidade: Híbrido
  • Data de início: 28 de abril de 2026
  • Duração: 5 semanas
  • Investimento: R$ 2.109,24 à vista (12x de R$ 189,00)
  • Link para inscrição: Acessar curso

Mestre Destilador

  • Modalidade: Online (ao vivo)
  • Data de início: 27 de abril de 2026
  • Duração: 7 semanas
  • Investimento: R$ 2.890,44 (12x de R$ 259,00)
  • Link para inscrição: Acessar curso

Instituto da Cerveja Brasil

O Instituto da Cerveja Brasil está com matrículas abertas para diversas formações. Com forte presença no mercado e parcerias com instituições de peso, como a alemã Universidade de Weihenstephan, o ICB possui um vasto catálogo de cursos de cerveja que atendem desde entusiastas até profissionais que buscam especializações avançadas.

Análise Sensorial e Off Flavour

  • Modalidade: Presencial (Turmas em São Paulo e Rio de Janeiro)
  • Data de início: 21 de fevereiro de 2026 (SP) / 18 de abril de 2026 (RJ)
  • Duração: 16 horas
  • Investimento: R$ 1.000,00 (ou R$ 950,00 para alunos e ex-alunos)
  • Link para inscrição: Acessar curso

Avançado de Tecnologia Cervejeira – ICB e Weihenstephan

  • Modalidade: Presencial e Híbrido (Aulas online ao vivo + Finais de semana presenciais)
  • Data de início: 28 de março de 2026 (em São Paulo)
  • Duração: Aproximadamente 110 horas
  • Investimento: Cerca de R$ 4.500,00 (R$ 4.275,00 para alunos e ex-alunos)
  • Link para inscrição: Acessar curso

Sommelier de Cervejas Profissional

  • Modalidade: Presencial
  • Data de início: 25 de abril de 2026 (RJ) e 16 de maio de 2026 (SP)
  • Duração: 76 horas (aulas em finais de semana com degustação de mais de 80 rótulos)
  • Investimento: R$ 4.400,00 (ou R$ 4.180,00 para alunos e ex-alunos)
  • Link para inscrição: Acessar curso

Curso preparatório para o “Cicerone® Certified Beer Server”

  • Modalidade: Online
  • Data de início: 19 de maio de 2026
  • Duração: 8 horas
  • Investimento: R$ 790,00
  • Link para inscrição: Acessar curso

Gestão Fiscal, Jurídica e Tributária para Cervejarias

  • Modalidade: Online
  • Data de início: 16 de junho
  • Duração: 12 horas (EAD)
  • Investimento: R$ 1.200,00 (ou R$ 1.080,00 para alunos e ex-alunos)
  • Link para inscrição: Acessar curso

Gestão para Bares e Brewpubs

  • Modalidade: Online
  • Data de início: 20 de abril de 2026
  • Duração: 20 horas (EAD)
  • Investimento: R$ 1.400,00 (ou R$ 1.260,00 para alunos e ex-alunos)
  • Link para inscrição: Acessar curso

Mestre em Estilos® – Especialização em Estilos

  • Modalidade: Presencial (em São Paulo)
  • Data de início: 28 de março de 2026
  • Duração: 52 horas
  • Investimento: R$ 4.000,00 (ou R$ 3.800,00 para alunos e ex-alunos)
  • Link para inscrição: Acessar curso

Science of Beer

O Science of Beer tem sede em Florianópolis (SC) e promove cursos de cerveja desde 2010. As formações vão desde estilos de cerveja, passando pela formação intensiva em sommelier de cervejas, masterclass sobre aromas e treino sensorial, tecnologia em processos cervejeiros, entre outros.

Science of Beer Styles

  • Modalidade: Presencial (Teresópolis, RJ)
  • Data de início: 23 de março de 2026 (Intensivo)
  • Duração: 5 dias consecutivos (56 horas/aula)
  • Investimento: R$ 6.500,00
  • Link para inscrição: Acessar o curso

Sommelier de Cerveja – Intensivo

  • Modalidade: Presencial (Teresópolis, RJ)
  • Data de início: A confirmar
  • Duração: 7 dias consecutivos (56 horas/aula)
  • Investimento: R$ 6.500,00
  • Link para inscrição: Acessar o curso

Sommelier de Cerveja – Online

  • Modalidade: Online
  • Data de início: Imediato
  • Duração: 80 horas
  • Investimento: R$ 3.840,00
  • Link para inscrição: Acessar o curso

Masterclass Aroma Sensory Training

  • Modalidade: Online (Aulas EAD gravadas + envio de kit prático)
  • Data de início: Imediato
  • Duração: Acesso por 20 dias
  • Investimento: R$ 1.600,00
  • Link para inscrição: Acessar o curso

Mixologia com Cerveja

  • Modalidade: Online
  • Data de início: Imediato
  • Duração: 2 horas
  • Investimento: R$ 399,90
  • Link para inscrição: Acessar o curso

Harmonização de Cervejas com Chocolate e Serviços

  • Modalidade: Online
  • Data de início: Imediato
  • Duração: Flexível
  • Investimento: R$ 399,90
  • Link para inscrição: Acessar o curso

História Geral da Cerveja

  • Modalidade: Online
  • Data de início: Imediato
  • Duração: Flexível
  • Investimento: R$ 399,90
  • Link para inscrição: Acessar o curso

Cursos de Cerveja do Senac

O Senac também oferece cursos de cerveja, desde o básico, como degustação, harmonização e serviços, até a formação em sommelier. Os preços variam conforme a região. A novidade é a abertura de uma Pós-Graduação em “Bebidas: Serviços,
Experiências e Gestão”, que inclui cerveja. Trata-se de um curso presencial e uma das grandes novidades da instituição para o primeiro semestre de 2026.

Com uma carga horária total de 360 horas, ele foi desenhado para profissionais graduados em gastronomia, hotelaria, nutrição ou que já possuam experiência comprovada no setor de alimentos e bebidas. O objetivo é capacitar especialistas para atuar na operação e gestão de negócios, abrangendo desde técnicas de serviço até o conhecimento profundo de aspectos culturais, éticos e ambientais do mercado.

As inscrições devem ser realizadas exclusivamente pela internet até o dia 2 de março, com prazo podendo ser prorrogado até o final de abril. As vagas estão distribuídas entre os campi Santo Amaro (30 vagas), na capital paulista, e Águas de São Pedro (20), no interior do estado. Entre os professores estão os sommeliers de cerveja Luís Celso Jr. e Bia Amorim.

Sommelier de Cervejas

  • Modalidade: Presencial (com intensa vivência de degustação prática)
  • Data de início: Variável conforme a unidade (diversas turmas abertas ao longo do ano)
  • Duração: Em média 100 horas
  • Investimento: A partir de R$ 2.219,00 (estimativa sujeita a variações regionais e políticas de desconto)
  • Link para inscrição: Acessar curso

Básico em Cervejas

  • Modalidade: Presencial
  • Data de início: Variável conforme a unidade
  • Duração: De 15 a 20 horas
  • Investimento: A partir de R$ 400,00 (estimativa sujeita a variações regionais e políticas de desconto)
  • Link para inscrição: Acessar curso

Pós-Graduação em Bebidas: Serviços, Experiências e Gestão

  • Modalidade: Presencial
  • Data de início: 2 de março (prazo prorrogável até o final de abril)
  • Duração: 360 horas
  • Investimento: R$ 17.500,00 parcelável em 24 vezes. Há desconto de 50% para ex-alunos do Ensino Médio, cursos técnicos ou graduação do Senac e para quem trabalha ou tem sua própria empresa no setor de comércio e serviços.
  • Link para inscrição: Acessar curso