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Menu Degustação: Black Princess defumada, novo lote da Bourbon County…

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A semana teve novidades em lançamentos de rótulos e novas edições de cervejas consagradas e que podem ser aproveitadas pelo público. A Black Princess apresentou uma cerveja “defumada”, a Gimme Fire, uma Classic Rauchbier que amplia o portfólio da marca do Grupo Petrópolis.

E há outras opções para o cervejeiro. Para quem não conseguiu comprar a sua garrafa do primeiro lote da Bourbon County, a Goose Island disponibilizou a cerveja através do Empório da Cerveja e na sua brewhouse. Já a Cruls optou por reeditar Berliner Weisse Café – um rótulo que já lhe rendeu quatro medalhas – agora em lata.

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Confira essas e outras novidades do setor no Menu Degustação do Guia:

Rauchbier da Black Princess
A cerveja Black Princess lançou nesta semana a Black Princess Gimme Fire. Do estilo Classic Rauchbier, ela tem aroma de malte e fumaça, variando em proporção de intensidade e dando a impressão de defumado. Segundo o seu descritivo, a cerveja tem cor âmbar, colarinho cremoso e amargor equilibrado. Sendo originária de um estilo da escola alemã, tem no aroma e sabor a prevalência de notas maltadas e defumadas. No paladar, as notas defumadas sobressaem ao malte. A novidade, uma sazonal, pode ser encontrada no Bom de Beer, o e-commerce do Grupo Petrópolis, com o preço de R$ 11,90.

Novo lote da Bourbon County
Após a rápida venda do estoque inicial da Bourbon County, a Goose Island disponibilizou um novo lote da safra 2020, no Empório da Cerveja. Criada pelo filho do fundador da marca, Greg Hall, a Bourbon County é uma das mais cultuadas cervejas do mundo, sendo lançada uma vez a cada ano. É uma Imperial Stout maturada em barris de uísque Bourbon. A garrafa tem o preço de R$ 150, individualmente, ou de R$ 180, com uma taça exclusiva. A cerveja também pode ser apreciada na brewhouse da Goose, no bairro de Pinheiros, em São Paulo, com os preços de R$ 180 a garrafa e R$ 60 em chope.

Lata da Cruls
A cervejaria Cruls (DF) lançou o lote de 2021 da Berliner Weisse Café, rótulo mais premiado da marca, com quatro medalhas em competições nacionais e internacionais. Para esse relançamento, a cerveja ganhou rótulo novo e foi envasada pela primeira vez em lata, de 473 ml. Nessa nova edição, o café escolhido foi do Sítio Morada da Prata, variedade Arara. A cerveja tem 3,9% de graduação alcoólica e 8 IBUs. E está disponível na loja online da Cruls.

Experimento da Patagonia
A Cerveza Patagonia realizou um experimento social chamado Experimento da Montanha. Nele, entrevistou 20 pessoas com elevados níveis de estresse e ansiedade, selecionando três participantes para passarem uma semana hospedados em cabanas em Cambará do Sul, região montanhosa gaúcha. Todos foram acompanhados pela psicóloga e psicanalista Lia Luz antes, durante e depois do experimento, para mapear os pontos sensíveis e motivos de irritabilidade, a fim de verificar a melhora no bem-estar. A iniciativa teve um vídeo lançado na última quinta-feira, Dia Mundial de Combate ao Estresse, com narração da filósofa Viviane Mosé e uma provocação sobre como mudar de ares pode modificar a perspectiva sobre nosso próprio bem-estar.

Evento da Madalena
A Cervejaria Madalena será palco neste domingo de mais uma edição do Kustom Day. O evento de valorização da customização reunirá as tendências de carros hot rods, motos personalizadas, Flash Tattoo, grafite, acessórios, técnicas de pintura (Pinstripe), barbearia e muito mais. Também haverá apresentação das bandas Zona Western e Dan Rockers, que tocam do outlaw country ao psychobilly e rockabilly.

Drive Thru Solidário da Noi
O fim de semana na Noi é reservado para uma ação de solidariedade. Tendo começado no sábado, a iniciativa prossegue neste domingo. Quem doar 2 quilos de alimento não perecível vai ganhar 1 litro de chope Noi Bionda, uma Pilsen, sendo que cada pessoa pode fazer até 5 doações. A troca é feita na frente da fábrica da cervejaria, na Estrada Francisco da Cruz Nunes,1965, Niterói, entre 10h e 14h – ou enquanto durarem os estoques. O que for arrecadado será entregue para o projeto Locomotiva do Bem, do Rio Solidario. A expectativa da cervejaria de Niterói é de arrecadar entre 700 quilos e 1 tonelada de alimentos.

Mestre em Estilos da ESCM
A segunda edição da Semana de Estilos da Escola Superior de Cerveja e Malte vai ser realizada de segunda até quinta-feira (27 a 30), às 19h, com as inscrições sendo gratuitas. A programação promete aprofundar informações sobre American IPA, Doopelbock, Rauchbier e Barley Wine. A American IPA abre a semana com Alexandre Bleed, conhecido na internet como Dr. Breja. No segundo dia, Débora Canejo falará sobre a Doppelbock. Na quarta-feira, o assunto será Rauchbier, com Fernanda Menezes. E quem fecha a semana é André Tochetto, sobre a Barley Wine.

Cerveja com queijo no Clube do Malte
A harmonização entre queijos e cerveja é o foco do Clube do Malte neste mês. Em setembro, a plataforma de assinatura está entregando uma seleção especial para combinar cervejas e queijos. Além disso, o assinante tem acesso a um guia repleto de dicas e curiosidades sobre outras opções de harmonização. Os novos assinantes ainda ganham uma tábua de degustação junto com o primeiro pack.

Take and Go no interior paulista
A startup Take and Go ampliou a sua atuação e espera terminar o mês com a instalação de 73 vending coolers de cerveja no interior paulista, em cidades como Araraquara, Araras, Marília, Mococa, Mogi das Cruzes, São Caetano do Sul e São José dos Campos, além de São Paulo. O plano da empresa, que tem parceria com a Ambev, é chegar a três mil em todo o Brasil até o fim do ano.

BCB Shots
No mês em que se celebrou o Dia da Cachaça, no dia 13, o próximo episódio do BCB Shots vai debater a bebida. Será com o webinar “A nova geração da cachaça”, agendado para a próxima terça-feira (28), às 15 horas, na plataforma digital do BCB São Paulo, o BCB On-Air. Com moderação do co-criador da plataforma Mapa da Cachaça, Felipe Jannuzzi, o programa contará com a participação do designer e comunicador da cachaça Encantos da Marquesa, André Gonzalez; da diretora de marketing e Eventos da BR-ME, Isabela Pimentel; da especialista em destilados, Isadora Fornari; e do sócio-fundador da Destilaria Canera, Pedro Carvalho.

13 lançamentos realizados pelas cervejarias artesanais em setembro

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Em setembro, sobrou celebração entre as cervejarias artesanais, que utilizaram a criatividade para a apresentação de novidades ao público, muitas delas contendo frutas em suas receitas. Foi o caso da Bodebrown, que usou toques de manga e maracujá em sua criação, assim como a Cruls, que adicionou suco de limão cravo em seu rótulo recém-lançado.

O mês também ficou marcado por lembranças históricas. Coincidentemente, Dádiva e Hocus Pocus, duas das mais renomadas artesanais do Brasil, completaram 7 anos em setembro e brindaram seu público com novidades que foram além do universo cervejeiro. Já a Blumenau homenageou a primeira cervejaria da sua cidade ao realizar um lançamento. E a Caatinga Rocks brindou os 204 anos de Alagoas.

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Confira essas e outras novidades apresentadas pelas cervejarias artesanais em setembro, selecionadas pelo Guia:

Barco
Já mirando o verão e com o intuito de ampliar o seu portfólio, a marca catarinense lançou uma Lager, cerveja que tradicionalmente é suave, refrescante e fácil de beber. A novidade apresenta coloração âmbar claro, com leve turbidez, segundo a descrição divulgada. A Barco Lager ainda tem sutil amargor e presença dos lúpulos cítricos e florais do aroma. A cerveja foi lançada em garrafas de 600ml, mas em breve também estará disponível na versão long neck.

Blumenau
A Cerveja Blumenau aproveitou o mês de setembro para lançar uma cerveja de conotação histórica: a Bock Feldmann, que homenageia na identidade visual e no conceito a mais longeva fábrica da cidade catarinense. Os maltes utilizados são da Maltaria Blumenau e os lúpulos colhidos na região, da Lúpulos Vale Europeu. Avermelhada, a cerveja tem aroma com suaves notas de pão tostado, nozes e frutas secas, segundo o seu descritivo. O teor alcoólico é de 5,7% e o índice de amargor fica em 10 IBUs  O estilo não foi escolhido à toa. De acordo com os registros, a Feldmann lançou a primeira Bock produzida no Brasil, no início do século XX. A cervejaria funcionou por cerca de 60 anos: foi aberta em 1898 e a última produção aconteceu em 1954.

Bodebrown
A cervejaria de Curitiba criou a Lupulol Galaxy Maracujá & Manga IPL, que mistura uma base de India Pale Lager com toques tropicais de frutas como manga e maracujá, além de doses do lúpulo australiano Galaxy. Ela já está disponível no formato de lata de 473ml e possui 5,5% de graduação alcoólica. A novidade foi produzida com duas fermentações. Na primeira, foram adicionadas só as frutas com a levedura Kveik Voss, de origem norueguesa. Já no segundo processo, trabalhou-se a fermentação de cereais maltados com a base da cerveja India Pale Ale, mas usando a levedura germânica de uma Lager.

Caatinga Rocks
A Beeva Brazil e a Caatinga Rocks se uniram para celebrar o aniversário de 204 anos de Alagoas com uma cerveja colaborativa. Juntas, lançaram a Alagoas Sour Ale, com receita do mestre-cervejeiro Rafael Leal, da Caatinga Rocks, que revisita a Berliner Weiss. Um diferencial entre os rótulos de artesanais lançados em setembro é o uso do mel Caatinga Bamburral da Beeva Brazil.

Cruls
A cervejaria de Santa Maria, no Distrito Federal, lançou a CXP07, uma Saison com adição de suco de limão cravo. O rótulo é o sétimo da série experimental CXP e integra o projeto Brut do Cerrado, encabeçado pela cervejaria goiana Colombina. A premissa do projeto é a criação de cervejas refrescantes, de perfil seco e alta carbonatação, que utilizassem frutas de produtores locais, de modo a incentivar e fomentar a cena da própria região.

Dádiva
Para marcar o seu aniversário de sete anos, a Dádiva vai apresentar a Sept na próxima segunda-feira, mas em duas versões. Trata-se de uma Belgian Strong Golden Ale envelhecida em barrica de carvalho francês. Um dos lançamentos conta com 20% de seu volume em vinho Claret Cabernet Sauvignon, tendo 10,9% de teor alcoólico. Sua coloração é alaranjada. No aroma, destacam-se notas de frutas amarelas, como pêssego, com um toque sutil de frutas vermelhas no sabor.

A outra versão da Sept ganhou 40% do seu volume em vinho Claret Cabernet Sauvignon. É rosada e tem 11,2% de teor alcoólico. Devido ao volume maior de vinho, suas camadas de aromas e sabores trazem mais presentes as frutas vermelhas. As amarelas, como damasco, aparecem em menor proporção. Tem sutis toques de baunilha e flor de laranjeira. Ambas as versões da Sept estão envasadas em garrafas de 375ml.

Doutor Duranz
A microcervejaria de Petrópolis (RJ) produziu uma Dubbel com rapadura e passas. A cerveja apresentada em setembro por uma das marcas artesanais que compõe a Rota RJ tem 6,5% de álcool e 23 IBUs, com aroma e sabor que remetem a frutas secas. E, em sua composição, foram adicionadas rapadura e uva passas.

Hocus Pocus
Outra aniversariante do mês, a Hocus Pocus, que também completou 7 anos, ousou ao lançar um hidromel, o Origin Story. A marca do Rio de Janeiro combinou dois tipos de mel: o de flor de laranjeira e o de melato de bracatinga, que se juntaram com framboesas, amoras, morangos e mirtilos. Na fermentação, que durou aproximadamente um mês, o mel de flor de laranjeira e o mel de melato de bracatinga se juntaram para trazer aromas amadeirados, doces e com um leve toque de maracujá. A bebida tem 13% de graduação alcoólica com uma aparência vermelha acobreada brilhante que pode facilmente se passar por um vinho Pinot Noir quando servido em uma taça.

Nacional
Em mais um lançamento da série DNA Nacional, a marca paulistana apresentou em setembro a Cajuína Strong Golden Ale com Caju. A sazonal faz parte da coleção para valorizar a biodiversidade com ingredientes exclusivos de cada bioma brasileiro. Tem aroma de cajuína e, no sabor, a presença do caju é mesclada com a doçura dos maltes. A potência alcoólica (7,8%) e o amargor médio (25 IBUs) equilibram o dulçor, de acordo com o descritivo da Cervejaria Nacional.

Proa
A cervejaria baiana lançou em setembro uma American Amber Ale. Produzida em parceria com o cervejeiro Andris, ela foi batizada como Capitão e tem receita elaborada pela mestre-cervejeira Débora Lehnen. Com alta carga de malte, a bebida tem cor âmbar, aromas maltados que remetem ao caramelo, com os cítricos do lúpulo Centennial, amargor equilibrado e teor alcoólico moderado.

Saint Bier
A marca da Cervejaria Santa Catarina produziu um lote especial da Belgian Dubbel. Complexo, esse tipo de cerveja necessita de um processo lento e cuidadoso de produção. Assim, para a sua fabricação, a Dubbel Saint Bier precisou de 46 dias entre a fermentação e a maturação. Desse trabalho desenvolvido pela Saint Bier, resultou uma cerveja de coloração cobre profundo com sabores maltados, bem como ésteres de frutas escuras e toque amendoado. É encorpada e ainda possui 7% de graduação alcoólica.

Soma e ZEV
A chegada da primavera foi celebrada com o lançamento de uma Belgian Indian Pale Ale, a Elixir de Flora, um rótulo colaborativo feito entre a ZEV e a Soma. A cerveja tem 8,5% de graduação alcoólica. E, de acordo com o descritivo divulgado pelas marcas, a cerveja é de cor dourada, com espuma branca e cremosa. No aroma, possui notas herbais e florais que encontram composição com sabores de malte e leve condimentado fenólico, proveniente da levedura belga e da citricidade do lúpulo Amarillo.

Centenário Paulo Freire: A emancipação pela educação e a homenagem em cerveja

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Educar para que a pessoa se reconheça como sujeito atuante e participativo na sua história e na sociedade. É tendo como base a visão de que o processo de alfabetização vai muito além de se juntar sílabas para se formar palavras, passando, necessariamente, pelo aprendizado da leitura do seu mundo, que Paulo Freire se tornou um dos nomes mais importantes e influentes na pedagogia, seja no Brasil ou em outros países. Não à toa, tem recebido uma série de homenagens em 2021, ano em que é celebrado o centenário do nascimento daquele que ficou conhecido como Patrono da Educação Brasileira.

Como o pensamento de Paulo Freire e seu método extrapolaram o campo da pedagogia, naturalmente as homenagens vão muito além desses universos neste aniversário de 100 anos, que se completaram em 19 de setembro. E uma delas veio do setor cervejeiro. A Dutra Beer, com atuação importante no ABC paulista, o que inclui a oferta de cursos sobre artesanais para disseminação do conhecimento, decidiu estampar o educador em suas garrafas e latas.

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Em maio, a cervejaria lançou uma Honey Ale que leva o nome de Paulo Freire. Para André Dutra, fundador da Dutra Beer, trata-se de uma lembrança natural. Afinal, em consonância com o pensamento do agora centenário homenageado, a educação deve ser oportunidade para emancipação e troca de valores e saberes. Algo que, garante, combina com a sua ideia de usar a cerveja artesanal como divulgadora do saber.

“A nossa ideia é que a cerveja, através dos rótulos, seja também uma ferramenta condutora de conhecimento, emancipação e troca de saberes, assim como indicava Paulo Freire. Ter seu nome e seu trabalho semeado em toda essa diversidade cultural é nosso propósito”, destaca André.

A troca de conhecimento através da educação e o seu uso para a emancipação, citados pelo fundador da Dutra Beer, estão no cerne do pensamento de Paulo Freire. E fazem parte de uma proposta, ao mesmo tempo, humanista e humanizadora, dialogando com a igualdade, a justiça social e a liberdade.

É o que se vê no reconhecido método alfabetizador de Paulo Freire. O educador entendia que o processo deveria estar inserido na realidade de cada pessoa. Assim, partia do conhecimento prévio, com as palavras já conhecidas e utilizadas rotineiramente, para que as pessoas aprendessem a ler e a escrever.

Foi desse modo, por exemplo, em Angicos (RN), em 1963, que ele levou 45 dias para alfabetizar cerca de 300 adultos. A ideia deu tão certo, à época, que o então presidente João Goulart pretendia expandir a experiência através do Plano Nacional de Alfabetização, algo que foi freado pelo golpe militar de 1964.

“A metodologia de Paulo Freire consiste em uma maneira de educar conectada ao universo cotidiano dos estudantes. Por meio das narrativas e experiências de vida dos sujeitos componentes desse processo educacional, instaura-se um diálogo, entre professores e alunos, que conduz à autopercepção do papel de transformação social que devemos assumir como seres integrantes da vida em sociedade”, explica Adriana do Carmo Figueiredo, doutora em Estudos Linguísticos pelo PosLin/UFMG e docente de Direitos Humanos, Literatura e Linguagens.

Esse método de ensino, na visão de Adriana, enxergava na educação uma possibilidade de transformação social, levando o cidadão a reconhecer e a reivindicar os seus direitos, não ficando apenas passivo diante do conhecimento oferecido por um professor. Criava, assim, um diálogo a partir dele ao aprender a “ler” o mundo, em um pensamento e ação essencialmente políticos.      

“Essa perspectiva dialogada contribui também para o processo de autonomia do sujeito aprendiz, transformando-o em uma pessoa ativa e produtora do conhecimento. Por esse motivo, a participação política na vida social e a responsabilidade cidadã se tornam elementos essenciais nessa metodologia educacional. Essas abordagens do método desenvolvido por Paulo Freire contribuem também para as percepções das contradições existentes entre opressores e oprimidos”, acrescenta Adriana.

Professora de inglês, Alexandra Volker Figueiredo destaca um aspecto nem sempre notado na pedagogia de Paulo Freire: a do docente, que, além de compartilhar conhecimento, também tem a oportunidade de aprender no contato com os alunos através do diálogo, com uma horizontalidade que ainda nem sempre é comum nas escolas brasileiras para a construção do conhecimento.

“Na educação, Paulo nos dimensiona e orienta. Aprendemos a sair do tablado e trocar experiências com nossos alunos e fazer desse momento algo impaciente e transformador, libertador de verdade”, avalia a moradora do complexo da Penha, no subúrbio do Rio de Janeiro.

Assim, a importância da metodologia disseminada por Paulo Freire vai além da alfabetização ao permitir a autopercepção do aprendiz, que ganha a condição de refletir sobre o mundo social, suas palavras e enunciados, pois o seu aprendizado se dá a partir do diálogo com a realidade, relacionando método de ensino e conscientização. Ou seja, ela oferece condições ao aluno de se tornar autônomo.  

Isso acontece porque o método desenvolvido por Paulo Freire não se baseia em repetir palavras e não se restringe a desenvolver o pensamento em conformidade com as exigências lógicas do discurso abstrato. Trata-se de uma travessia permanente, em que as pessoas humanas buscam compreender a plenitude de sua existência, ressignificando os seus papéis sociais como agentes de transformação.

Adriana do Carmo Figueiredo, doutora em Estudos Linguísticos pela UFMG

A pedagogia de Paulo Freire é, assim, transformadora ao não seguir uma lógica dominadora, permitindo que o rumo do aprendizado seja dado pelo próprio aluno. “O seu pensamento se insere em uma pedagogia em que o esforço totalizador da ‘práxis’ humana busca alcançar uma ‘prática da liberdade’ no interior dos próprios processos de conhecimento e aprendizado. Pertencemos a uma sociedade cuja dinâmica estrutural ainda nos conduz à dominação de consciências. Em outras palavras, a pedagogia dominante ainda se mostra como a pedagogia das classes dominantes”, acrescenta a doutora em Estudos Linguísticos.

A aplicação do método de ensino de Paulo Freire é, também, uma prática que ajuda a “libertar” as pessoas ao permitir, ao mesmo tempo, a formação de uma consciência política. “Os pensamentos de Paulo Freire nos ajudam a compreender e a transcender o nosso próprio projeto enquanto sociedade, ainda marcada e governada pelos interesses de grupos, classes e nações dominantes. Sem dúvida, seus pensamentos contribuem para a construção de um projeto educacional como prática da liberdade, em que o sujeito aprendiz se autoconfigura como uma pessoa imbuída de reponsabilidade e autorreflexão”, conclui Adriana.

O reconhecimento
Nascido no Recife em 19 de setembro de 1921, Paulo Freire faleceu com 75 anos, em 1997. Ele se formou em Direito, mas não chegou a exercer a profissão, alterando o seu campo de atuação para a pedagogia e a filosofia.

Por seus trabalhos, recebeu de mais de 30 títulos de Doutor Honoris Causa de universidades estrangeiras. Um dos muitos sinais de uma trajetória interrompida no Brasil por um golpe militar que o forçou a se exilar do país até 1980.

Passou, então, por países sul-americanos, como Chile e Bolívia, além de universidades de prestígio, como Harvard e Cambridge. Foi nesse período, inclusive, em que escreveu a sua mais conhecida obra, A Pedagogia do Oprimido, sendo apontado como o terceiro livro mais citado em trabalhos sobre ciências sociais no mundo.

Em sua volta ao país, ainda foi secretário municipal de educação de 1989 a 1991, na gestão de Luiza Erundina à frente da Prefeitura de São Paulo.

A cerveja de Paulo Freire
Lançada em maio, a Paulo Freire é uma Honey Ale da Dutra Beer. A cerveja leva em sua composição o Mel Terra Livre, orgânico e agroecológico produzido pela Cooperativa dos Trabalhadores Assentados da região de Porto Alegre. O rótulo tem 5,5% de teor alcoólico e 15 IBUs, possuindo final seco e um agradável aroma de mel, de acordo com o descritivo divulgado pela marca.

Ao homenagear Paulo Freire, André Dutra destaca a busca por tornar o cidadão livre através da educação que permite a transformação do seu mundo como fonte inspiradora. “Suas concepções e seu pensamento crítico com relação à libertação e autonomia sempre nos motivam na busca por uma sociedade mais instruída e, consequentemente, livre”, comenta o fundador da cervejaria do ABC Paulista.


Em São Paulo, uma exposição no Itaú Cultural, a Ocupação Paulo Freire, aborda a sua trajetória. Também na capital paulista, ele é homenageado em um mural na lateral de um prédio na avenida Pacaembu, onde há uma imagem sua e uma frase: “Esperançar: Amar é um ato de coragem”.

Secretaria de MG diz que Heineken não teria “impacto ambiental significativo”

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Celebrada no fim de 2020 pelo governador Romeu Zema como uma importante conquista para Minas Gerais, a construção da primeira fábrica do Grupo Heineken no estado está envolta em controvérsia. Afinal, a sua obra foi embargada pelo Instituo Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) por, entre outros fatores, colocar em risco um importante sítio arqueológico. Porém, para a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), responsável pela liberação inicial de instalação da empresa na localidade, a construção não teria “significativo impacto ambiental”.

É o que diz a Semad em trecho de nota oficial enviada à reportagem do Guia. “A Semad esclarece que, para fins de instrução do processo com os estudos PCA/RCA, foi considerado que a atividade se enquadra como grande porte, conforme capacidade instalada, mas o potencial poluidor geral da atividade é médio, não se configurando significativo impacto ambiental.”

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A Heineken havia iniciado recentemente a fase de terraplanagem da área onde seria construída a sua fábrica, em Pedro Leopoldo, nas proximidades de um importante sítio arqueológico. É na região da cidade, a cerca de 40 quilômetros de Belo Horizonte, onde está localizada a Lapa Vermelha, um importante complexo de cavernas e grutas, que estaria ameaçada pela instalação da fábrica da cervejaria.

Para entender o impasse, a reportagem do Guia procurou as partes relacionadas ao caso, que envolve, em seu cerne, o natural desejo expansionista de uma das maiores fabricantes de cerveja do mundo, a vontade de gestores públicos de atraírem investimento para Minas Gerais, mas também o importante e, às vezes, perigoso impacto que uma obra e uma operação de grande porte provocam na região onde são realizadas. Nesse caso, nos lençóis freáticos e em um sítio arqueológico fundamental para explicar a origem do homem nas Américas.

Nesta reportagem, o foco está na atuação da Semad, responsável pela liberação inicial para a instalação da fábrica da Heineken em Pedro Leopoldo. De acordo com a secretaria, além de não serem significativos, caso ocorressem impactos, eles não seriam irreversíveis. “Os estudos ambientais e o pedido de informações complementares solicitado pela Semad não indicaram a possibilidade de impactos negativos irreversíveis nas cavidades localizadas na região”, acrescenta a nota.

É uma visão bem diferente da apresentada pelo ICMBio. Para o instituto, há risco de soterramento do complexo de cavernas que compõem o sítio arqueológico em função da instalação da fábrica da Heineken. Em uma delas, a Lapa Vermelha IV, foi encontrado o crânio de Luzia, o fóssil humano mais antigo das Américas, com idade estimada de 13 mil anos.

A secretaria diz, porém, que tinha pedido ao Grupo Heineken estudos complementares de impacto nas cavernas e grutas do sítio arqueológico. “Já havia sido solicitada informação complementar, à empresa, sobre a análise de impactos ambientais às cavidades já mapeadas no entorno do empreendimento. Também foram solicitadas as medidas de mitigação para implantação. A questão da drenagem foi tratada em reunião específica.”

E garante que os trabalhos apontaram quais poderiam ser os impactos. “O estudo de análise de impactos às cavidades foi apresentado, assim como o Termo de Referência específico para implantação de empreendimentos em área de alto ou muito alto potencial espeleológico. Os estudos apresentados informam que não há impacto negativo irreversível nas cavidades mapeadas”, complementa a Semad.

Recursos hídricos
O uso da água do solo para a produção das cervejas na fábrica da Heineken também foi um dos fatores apresentados pelo ICMBio para embargar a obra.  O instituto via com preocupação o plano do Grupo Heineken de bombear 150 metros cúbicos de água por hora de dois poços na região, o que causaria impacto relevante nos lençóis freáticos e nas cavernas do Cipó, Fedo e Nei.

Na visão do ICMBio, o risco geológico impede o avanço da obra da fábrica da Heineken sem a realização de estudos mais aprofundados, incluindo os dos efeitos da sua atividade nos lençóis freáticos.

A Semad, porém, afirma que foi pedida a análise geral das águas – tanto superficiais, quanto subterrâneas da região – antes que a instalação da fábrica da Heineken fosse liberada. “Foi ainda condicionada à licença de instalação uma pesquisa hidrogeológica para análise da capacidade de captação solicitada pelo empreendedor, assim como os impactos no entorno”, comenta.

Para embargar a obra, o instituto federal também alegou preocupação com o uso de recursos hídricos pela fábrica da Heineken e o seu impacto. Nesse caso, há alguma consonância com a posição da secretaria, que assegura que se exigiu da companhia a busca por alternativas caso ocorra impacto provocado pela captação. “O estudo hidrogeológico foi condicionado e caso seja verificado algum tipo de interferência com outros fatores ambientais o empreendedor deverá apresentar alternativa para captação de água.”

A secretaria defende, então, que a legislação para a liberação da obra foi cumprida. Assim, restaria ao Grupo Heineken a adoção de medidas que evitem o impacto ambiental. “A equipe da Semad entende que os ritos e normativas foram seguidos e o empreendedor é responsável por implantar as medidas mitigadoras necessárias e propostas à proteção do meio ambiente”, destaca.

Ainda assim, a secretaria terá de convencer o ICMBio, que apontou falhas e falta de dados nos relatórios de impacto ambiental produzidos para liberar a obra. Para isso, a Semad promete apresentar, nas próximas etapas da regularização do empreendimento, os motivos que levaram a secretaria a liberar a construção do empreendimento em Pedro Leopoldo.

“A Secretaria fará manifestação técnica com a demonstração da correção solicitada pelo ICMBio, no processo de regularização do empreendimento, e enviará, em seguida, à administração do Instituto. Pretende-se, com isso, demonstrar ter havido razão técnica e jurídica que orientou a Semad no deferimento da licença ambiental”, completa a Semad.

A cronologia
A secretaria explica que o pedido de licenciamento do empreendimento foi formalizado pela Heineken em 28 de junho, com a liberação sendo concedida em 24 de agosto “após deliberação da Câmara de Atividades Industriais (CMI) do Conselho Estadual de Política Ambiental”.

Entre o pedido da Heineken e a liberação para a instalação do empreendimento, a Semad enviou, em 9 de julho, ofício à Unidade de Conservação APA Carste de Lagoa Santa, do ICMBio, dando ciência do processo. De acordo com a secretaria, então, há quase uma semana, o instituto apontou o potencial de impacto da instalação da fábrica da Heineken em Pedro Leopoldo. Por isso, solicitou a produção de relatórios e estudos de impacto ambiental.

“Em 14 de setembro, a equipe técnica da Superintendência de Projetos Prioritários (Suppri) da Semad teve acesso à Nota Técnica da APA Carste da Lagoa Santa/ICMBio. Segundo a avaliação do ICMBio, o empreendimento tem potencial de impactos nas cavidades da Lapa Vermelha e não poderia ter sido instruído por PCA/RCA, sendo necessária a apresentação de Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA), além da anuência da Unidade de Conservação”, afirma, em nota oficial.

Dias antes, contudo, a obra já havia sido paralisada. De acordo com a Heineken, a companhia recebeu, no local onde seria instalada a sua fábrica, a visita do ICMBio em 10 de setembro. A partir desse encontro, o grupo paralisou as obras no local, que estavam em fase de terraplanagem.

O ICMBio relata, ainda, que uma audiência sobre o caso foi marcada para 9 de outubro. Na sala de conciliação, então, caso haja a apresentação de estudos e documentos necessários que assegurem a proteção do sítio arqueológico e o atendimento de outras demandas, a obra de construção da fábrica da Heineken em Pedro Leopoldo poderá ser retomada, como explica o instituto.

A fábrica
No anúncio da chegada de uma fábrica do Grupo Heineken a Minas Gerais, o governo estadual declarou que o empreendimento teria custo de R$ 1,8 bilhão para a sua construção. E apontou que mais de 300 empregos diretos seriam criados.

A fábrica em Pedro Leopoldo será a primeira da cervejaria em Minas Gerais, onde a companhia já possuía centros de distribuição e logística em Contagem e em Poços de Caldas, no qual o nível de estocagem foi triplicado recentemente. A planta industrial teria capacidade para produzir 760 milhões de litros por ano.

Caso a obra tenha sequência, a fábrica de Minas Gerais será a 16ª da companhia no país e pode ser considerada, de fato, a primeira do Grupo Heineken a ser construída pela própria empresa, pois as demais foram incorporadas com a aquisição da Brasil Kirin em 2017.

Lapa Vermelha
Nas proximidades da área onde a Heineken pretende construir a sua fábrica, a Lapa Vermelha é um sítio arqueológico em Minas Gerais, na região das cidades de Pedro Leopoldo e Lagoa Santa. Trata-se de um maciço calcário às margens de uma lagoa, com quatro grutas em seu penhasco, uma delas, a Lapa IV. E é considerado um sítio arqueológico de extrema fragilidade.

Nela, em 1970, uma missão arqueológica franco-brasileira, coordenada por Annette Laming-Emperaire, encontrou Luzia. A missão tinha a tarefa de retomar e aprofundar as pesquisas feitas por Peter Lund no século XIX.

Foi ele, considerado o pai da paleontologia brasileira, quem encontrou na Lapa Vermelha e na Gruta do Sumidouro, entre 1835 e 1845, milhares de fósseis de animais extintos da época Pleistoceno, além de 31 crânios humanos em estado fóssil no que passou a ser conhecido como o Homem de Lagoa Santa.

A Lapa Vermelha demanda cuidados que implicam na permissão de visitação apenas para pesquisadores autorizados. A Unidade de Conservação, criada em 2010, ajuda a preservar tanto o patrimônio natural quanto cultural da área.

Soma e ZEV celebram início da primavera com lançamento de colaborativa

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Iniciada às 16h21 desta quarta-feira no Hemisfério Sul, a primavera veio com um presente para quem gosta de cerveja. Afinal, a chegada da estação das flores foi celebrada com o lançamento de uma Belgian Indian Pale Ale, a Elixir de Flora, um rótulo colaborativo feito entre a ZEV e a Soma.

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A cerveja criada especialmente para a primavera tem 8,5% de graduação alcoólica. E, de acordo com o descritivo divulgado pelas marcas, a Elixir de Flora é de cor dourada, com espuma branca e cremosa. No aroma, ainda, possui notas herbais e florais que encontram composição com sabores de malte e leve condimentado fenólico, proveniente da levedura belga e da citricidade do lúpulo Amarillo.

“O novo rótulo é uma cerveja envolvente e refrescante, como os campos floridos de primavera. Um verdadeiro néctar dos deuses para beber e se deliciar na estação das cores e das flores”, destaca a Soma Cervejaria, no material de divulgação do rótulo feito em parceria com a ZEV para celebrar a primavera.

A festejada estação da Primavera, que costuma ser marcada por temperaturas mais amenas e aumento da umidade relativa do ar no Brasil, ganhou, então, uma nova colaborativa, fruto da união entre a cervejaria de Suzano (SP) e o brewpub paulistano.

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A Elixir da Flora foi envasada em latas de 473ml e também está disponível em chope desde o início da primavera, que irá até 21 de dezembro, precedendo o verão.

ICMBio embarga construção de fábrica da Heineken em MG; Audiência será em 9/10

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A construção de uma fábrica pelo Grupo Heineken em Pedro Leopoldo (MG) está embargada. A decisão foi tomada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, por causa das ameaças ao sítio arqueológico existente na localidade.

Para o ICMBio, há risco de soterramento do complexo de cavernas e grutas do sítio arqueológico Lapa Vermelha. Uma delas, a Lapa Vermelha IV, é o local onde foi encontrado o crânio de Luzia, o fóssil humano mais antigo das Américas. O instituto também vê com preocupação o plano do Grupo Heineken de bombear 150 metros cúbicos de água por hora de dois poços na região, o que causaria impacto relevante nos lençóis freáticos e nas cavernas do Cipó, Fedo e Nei.

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Na visão do ICMBio, o risco geológico impede o avanço da obra da fábrica da Heineken sem realização de estudos mais aprofundados, incluindo os dos efeitos da sua atividade nos lençóis freáticos.

Segundo a Heineken, no local onde seria instalada a sua fábrica, a companhia recebeu a visita do ICMBio em 10 de setembro. A partir desse encontro, ela paralisou as obras no local, que estavam em fase de terraplanagem. Foi o que afirmou o grupo cervejeiro em nota enviada à reportagem do Guia.

“No dia 10 de setembro de 2021, a empresa recebeu a equipe do ICMBio no terreno de sua futura cervejaria em Pedro Leopoldo (MG). Nessa ocasião, a equipe expôs seu ponto de vista acerca da licença concedida em 24 de agosto de 2021 pela autoridade ambiental do estado de Minas Gerais e a necessidade de paralisação do trabalho de terraplanagem. A Heineken imediatamente suspendeu a atividade no local e se colocou mais uma vez à disposição de todos os órgãos envolvidos”, afirma a Heineken.  

A companhia também assegura que está em contato com as autoridades do ICMBio e da Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Minas Gerais (Semad/MG) para tratar dos próximos passos do embargo à obra.

O ICMBio, em nota oficial enviada à reportagem do Guia, confirmou o embargo, além de explicar que uma audiência sobre o caso foi marcada para 9 de outubro. “O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) informa que houve auto de infração e embargo, com audiência marcada para 9/10. A motivação da ação foi a instalação de indústria na Zona de Conservação do Desenvolvimento Industrial (ZCDUI) da APA Carste de Lagoa Santa.”

Na sala de conciliação, então, caso haja a apresentação de estudos e documentos necessários, a obra de construção da fábrica da Heineken em Pedro Leopoldo poderá ser retomada, como explicou o instituto.

“Os autos serão encaminhados para a sala de conciliação. Caso o empreendimento se adeque ao que determina o Plano de Manejo, apresentando estudos e as informações necessárias, a obra poderá ser retomada. As questões sobre o licenciamento podem ser acompanhadas, tendo em vista que essas informações são públicas”, acrescenta o instituto.

Antes da decisão do ICMBio, o Grupo Heineken havia obtido licença ambiental do governo de Minas Gerais para a realização da obra de construção da fábrica. A companhia lembra, em nota oficial, que fez em abril um pedido de licença ambiental junto à Semad/MG.

“A Heineken Brasil deu entrada, perante a Semad/MG, no pedido de licença ambiental para a construção de sua cervejaria em abril de 2021. Durante o processo forneceu todos os documentos, dados e estudos técnicos necessários à obtenção da licença, a qual foi concedida pela autoridade ambiental e depois referendada pelo Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam)”, relata a Heineken.

A fábrica
A obra de construção da fábrica do Grupo Heineken em Pedro Leopoldo havia sido anunciada em fevereiro e seria a primeira da cervejaria em Minas Gerais, onde a companhia já possuía centros de distribuição e logística em Contagem e em Poços de Caldas, onde o seu nível de estocagem foi triplicado. A planta industrial teria capacidade para produzir 760 milhões de litros por ano. E, de acordo com anúncio do governo mineiro, o investimento na obra seria de R$ 1,8 bilhão.

A fábrica prevista para Minas Gerais é a 16ª da companhia no país e pode ser considerada, de fato, a primeira do Grupo Heineken a ser construída pela própria empresa, pois as demais foram incorporadas com a aquisição da Brasil Kirin em 2017.

“A localização é estratégica para a companhia, uma vez que a região Sudeste é extremamente importante para o crescimento das categorias premium e mainstream”, afirmou o presidente do Grupo Heineken no Brasil, Maurício Giamellaro, quando do anúncio pelo governo de Minas Gerais da obra de construção da fábrica.

Os segredos das artesanais brasileiras premiadas no World Beer Awards

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A edição 2021 do World Beer Awards reconheceu a qualidade da cerveja brasileira. Foram nove rótulos premiados em um dos principais concursos internacionais, sendo que três deles foram conquistados por marcas artesanais não totalmente ligadas a grandes grupos. São os casos da mineira Albanos, da catarinense Lohn Bier e da gaúcha Leopoldina.

Vindas de três estados diferentes, as marcas celebram o reconhecimento como o resultado do planejamento, paciência, união, resiliência, pioneirismo e aperfeiçoamento da atuação dentro do setor. Esses são alguns dos “segredos” revelados por essas cervejarias artesanais para alcançarem as premiações no World Beer Awards.

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Em entrevistas ao Guia, representantes da Albanos, Leopoldina e Lohn Bier contaram detalhes sobre os rótulos premiados e a importância do reconhecimento de um dos mais importantes concursos do setor no mundo. A premiação acontece anualmente em Londres e reúne rótulos do mundo inteiro disputando suas colocações em diversas categorias.

As bebidas são escolhidas por criteriosos juízes e especialistas no mercado, baseadas em características sensoriais de cada uma. Além disso, o World Beer Awards envolve cervejarias de todos os tamanhos, das grandes indústrias até as artesanais.

Nos 25 anos da Albanos, prêmio para a criatividade do hub
Com 25 anos completados em maio, a Albanos conseguiu receber um outro presente em setembro. A marca de Belo Horizonte, afinal, foi premiada como a melhor Oub Bruin pelo World Beer Awards com a Acidentally Sour Brown. O rótulo é uma Brown Ale, cerveja do estilo belga, sendo maltada, frutada e envelhecida em barris, além de levemente ácida.

De acordo com Pablo Carvalho, mestre-cervejeiro da Albanos, foi preciso planejamento e paciência em todos os processos – sempre cuidadosamente pensados – na fabricação dessa cerveja. “Essa acidez é proveniente de um processo de refermentação com uma cultura mista de leveduras e bactérias selecionadas em laboratório. Nossa cerveja, após refermentar e envelhecer até o ponto desejado, é então ‘blendada’ com uma versão mais jovem da mesma cerveja para equilibrar os níveis de acidez, sabor maltado, corpo e outras características.”


Para chegar ao resultado final, foi necessário acompanhamento constante da evolução da cerveja nos barris de madeira para que nenhum atributo se sobrepusesse aos demais. “Apesar da brincadeira com o nome da cerveja, Accidentally Sour, posso garantir que não teve nada de acidental durante sua produção”, conta Pablo.

A Accidentally Sour Brown faz parte de um desejo antigo da Albanos de produzir cervejas que envelhecem em barris de madeira e de um projeto que envolve uma série de experimentos que, em breve, estarão no mercado e vêm sendo desenvolvidos no hub cervejeiro da marca.

Da mesma série, a Acidentally Sour, a Flanders Red Ale levou a prata na premiação nacional do World Beer Awards. Já a Pumpkin Ale levou o bronze na categoria Flavoured/Wild Sour. A Albanos ainda foi premiada com a Life Lager, medalha de bronze na categoria Lager/Light.

Pioneirismo leva Leopoldina ao prêmio
O mestre-cervejeiro da Leopoldina, Rodrigo Veronese, avalia que o pioneirismo de apostar em um estilo e o aperfeiçoamento foram as principais razões para a marca ganhar na categoria de Melhor Speciality Brut com a Italian Grape Ale. Este estilo de cerveja nasceu na Itália e leva em sua elaboração mostos de uva, que podem chegar a até 50% da composição do produto. “A Leopoldina é uma das pioneiras no Brasil na produção da Italian Grape Ale. Demos início ao projeto da Italian Grape Ale há 5 anos. Mas a comercialização começou somente em meados de junho de 2020.”

Ainda sobre o rótulo vencedor, o mestre-cervejeiro destaca que a Italian Grape Ale Leopoldina é feita com as uvas Chardonnay do Vale dos Vinhedos, as mesmas usadas na elaboração de vinhos e base para espumantes da Casa Valduga. “Para produzir a Italian Grape Ale normalmente demoramos cerca de 6 meses até o produto final. A segunda fermentação acontece na garrafa, como é feito nos espumantes pelo método champenoise, por exemplo”, detalha Rodrigo.

Na fase nacional do World Beer Awards, além do ouro que levou a Italian Grape Ale para a etapa mundial, a Leopoldina também recebeu outras duas medalhas: ouro para a Tripel e bronze para a Imperial Stout.

Resiliência para fabricar a melhor Wheat Beer
Na Lohn Bier, a união e a resiliência marcaram o desenvolvimento da American Wheat Wine, vencedora da categoria Melhor American Style Wheat Beer no World Beer Awards. Segundo os seus criadores, é uma cerveja intensa, licorosa, alcoólica e maltada, contendo também em sua base uma parte de trigo.

Cervejeiro e sommelier da Lohn Bier, Richard Westphal Brighenti destaca que a cerveja foi criada em um momento complicado da história, com a atual crise sanitária. “Essa cerveja representa nossa paixão em fazer cerveja! A American Wheat Wine precisou maturar por um longo tempo e, no mesmo período, nós também estávamos em fase de maturação. A união e a resiliência da nossa equipe mesmo em um tempo tão difícil como foi a pandemia nos trouxe esta importante conquista.”


O reconhecimento
Inaugurada em 2014 e localizada em Lauro Müller (SC), a Lohn Bier tem participado do World Beer Awards desde 2016. Nesta edição, além da American Wheat Wine, ouro nas etapas brasileira e mundial, ganhou outras duas medalhas na etapa nacional, com o ouro da Carvoeira e o bronze da Catharina Sour com Café e Framboesa. “Os prêmios revelam o quanto estamos trabalhando com assiduidade e padrão”, completa Richard.

Para Rodrigo Ferraz, diretor da Albanos, a conquista do prêmio dado pelo World Beer Awards referenda o trabalho desenvolvido pela cervejaria de Belo Horizonte dentro do mercado nacional de artesanais e a criatividade do mestre-cervejeiro Pablo Carvalho. “Nos chancela, nos coloca na lista das poucas cervejarias brasileiras que já conquistaram esse prêmio. Ser eleita a melhor cerveja do mundo, em uma categoria tão específica, nos posiciona como referência no mercado nacional e internacional, dada a importância desse prêmio no mundo inteiro.”

Marca do Grupo Famiglia Valduga, a Leopoldina completa cinco anos em 2021, celebração que torna o título ainda mais especial. “É a primeira vez que ganhamos esse prêmio na disputa mundial, o que nos enche de orgulho e mostra toda a nossa expertise em elaborar produtos de qualidade”, finaliza Rodrigo Veronese.

O World Beer Awards 2021
Neste ano, as cervejas brasileiras receberam nove premiações, um resultado melhor do que o do ano passado, quando seis rótulos do país tiveram o reconhecimento em seus respectivos estilos. E o Canadá foi o país com mais ouros: 17.

Além disso, dos dez grupos de estilos premiados, o Brasil só não foi reconhecido em três: Dark Beer, Flavoured Beer, No & Low Alcohol e Stout & Porter. Em compensação, foram três premiadas no grupo Sour & Wild Beer, de cervejas consideras mais ácidas: Colorado Catharina Toca, Wäls Fruit Lambic e Albanos Accidentally Sour Brown.

Confira a lista de todas as cervejas brasileiras destacadas como melhores do mundo no seu estilo pelo World Beer Awards (no link, as premiadas na etapa nacional):

Melhor IPA English Style: Colorado Indica
Melhor IPA Session: Midway, da Goose Island
Melhor International Lager: Brahma Chopp
Melhor Pale Bière De Garde / Saison: 42, da Wäls
Melhor Berliner Weisse: Catharina Toca, da Colorado
Melhor Fruit Lambic: Fruit Lambic, da Wäls
Melhor Oud Bruin: Accidentally Sour – Brown, da Albanos
Melhor Speciality Brut: Italian Grape Ale, da Leopoldina
Melhor American Style Wheat Beer: American Wheat Wine, da Lohn Bier

Em ‘rumos opostos’, marcas da Cervejaria Santa Catarina lançam Dubbel e Lager

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Marcas que fazem parte do grupo da Cervejaria Santa Catarina, Saint Bier e Barco realizaram lançamentos nos últimos dias, embora seguindo por caminhos e estilos bem diferentes. Afinal, enquanto a Saint Bier optou pela complexidade de uma Belgian Dubbel, a Barco apresentou uma Lager, já pensando na proximidade do verão.

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De Forquilhinha (SC), a Saint Bier produziu um lote especial da Belgian Dubbel, um estilo originário das mãos de monges trapistas na Idade Média, depois tendo a sua produção retomada no século XIX, na sequência da Era Napoleônica.

Complexo, esse tipo de cerveja necessita de um processo lento e cuidadoso de produção. Assim, para a sua fabricação, a Dubbel Saint Bier chegou a precisar de 46 dias entre a fermentação e a maturação.

Desse cuidadoso trabalho desenvolvido pela Saint Bier, resultou uma cerveja de coloração cobre profundo com sabores maltados, bem como ésteres de frutas escuras e toque amendoado. É encorpada e ainda possui 7% de graduação alcoólica, segundo a descrição divulgada.

Lager da Barco
A Barco, por sua vez, já mirando o próximo verão, foi por um caminho praticamente oposto ao da parceira de grupo, com a qual divide um parque industrial em Forquilhinha. Com o intuito de ampliar o seu portfólio, a marca lançou uma Lager, cerveja que tradicionalmente é suave, refrescante e fácil de beber.

A novidade apresenta coloração âmbar claro, com leve turbidez, segundo a descrição divulgada pelo grupo. A Barco Lager ainda tem sutil amargor e a presença dos lúpulos cítricos e florais do aroma. A cerveja foi lançada em garrafas de 600ml, mas em breve também estará disponível na versão long neck.

A Barco Lager já está disponível na loja virtual das marcas da Cerveja Santa Catarina, assim como a Dubbel Saint Bier.

“Proibida”, cerveja da Samuel Adams tem 28% de álcool e ligação com voo espacial

A Samuel Adams vai lançar no dia 11 de outubro, nos Estados Unidos, a edição 2021 da cerveja Utopias com características que a tornam única e cobiçada. Elas envolvem a sua elevada graduação alcoólica e uma produção cuidadosa, mas também a sua missão envolvendo um inédito voo espacial.

A novidade da Samuel Adams tem, inclusive, características proibitivas para alguns consumidores. O lançamento, afinal, envelhecido em barris, tem 28% de graduação alcoólica, um índice que não é permitido em 15 estados dos EUA.

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A cerveja, assim, não pode ser comprada e consumida no Alabama, Arkansas, Carolina do Norte, Carolina do Sul, Geórgia, Idaho, Missouri, Mississippi, Montana, New Hampshire, Oklahoma, Oregon, Utah, Vermont e West Virginia.

A safra 2021 da Utopias é a cerveja oficial do Inspiration4, voo espacial lançado na última quinta-feira (16). A missão teve três dias de duração e foi a primeira realizada somente com pessoas comuns, tendo sido operada pela SpaceX. E o lançamento da Samuel Adams também é revestido de uma iniciativa de caridade.

A garrafa número 1 da limitada produção será leiloada, vindo com a assinatura de Jim Koch, considerado o pai do movimento das artesanais nos Estados Unidos, além de presidente da Boston Beer Company, que produz as cervejas da Samuel Adams. Terá, também, as assinaturas dos integrantes do Inspiration4.

Além da cerveja, o vencedor do leilão terá direito a uma passagem aérea de ida e volta para si e um acompanhante para Boston, uma visita à fábrica da Samuel Adams e uma estadia de duas noites em um hotel na cidade. Até a conclusão da matéria, o maior entre os 22 lances dados pela garrafa tinha o valor de US$ 4.500 (R$ 24 mil).

E o leilão é importante para a promessa da Samuel Adams de doar até US$ 100 mil (aproximadamente R$ 533 mil) para a missão do voo espacial de angariar fundos para pesquisas de câncer ósseo pediátrico do St. Jude Children’s Research Hospital, de Memphis.

A cerveja
A Utopias foi produzida com 2 mil libras (aproximadamente 907 gramas) da cereja Balaton, que é azeda, nativa da Hungria e hoje também cultivada no estado do Michigan. É composta pela mistura de vários lotes de cervejas extremas da Samuel Adams, algumas mantidas em reserva apenas para este lançamento, em uma tradição de quase três décadas, envelhecendo em tonéis de bourbon de madeira.

Os cervejeiros terminam o blend com uma combinação de barris de Carcavelos, da Madeira, de Porto Ruby e de Oloroso. Além disso, neste ano, pela primeira vez, os profissionais da Samuel Adams envelheceram uma parte do blend em barris de carvalho francês Sauternes.

Com tantos cuidados e detalhes em sua produção, a versão 2021 da Utopias pode não ser das mais acessíveis – e não apenas nos estados em que a sua graduação alcoólica é proibida. Afinal, o preço sugerido pela Samuel Adams por cada uma das garrafas de 750ml é de US$ 240 (R$ 1.278).

“Fomos pioneiros no envelhecimento em barril e no processo de mistura de Utopias há quase trinta anos e continuamos essa tradição consagrada pelo tempo até hoje”, comenta Jim Koch sobre a cobiçada cerveja, enaltecendo o seu longo e meticuloso processo de produção e envelhecimento.

“Desde a introdução de Utopias em 2002, os cervejeiros têm explorado um território desconhecido com cada cerveja, experimentando diferentes tipos de barris de envelhecimento, novos sabores e diferentes técnicas de mistura. O resultado é sempre especial, empolgante e vale a pena esperar”, conclui Koch.

Coca-Cola distribuirá Estrella Galicia no Brasil e amplia foco em marcas premium

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Cerca de um mês após a aquisição da Therezópolis por duas das suas engarrafadoras, o Sistema Coca-Cola fez nova ação no mercado cervejeiro nacional: passará a ser a responsável pela distribuição da Estrella Galicia no país após fechar um acordo com a marca espanhola. Em comunicado, o grupo reforçou o foco na ampliação do seu portfólio de cervejas premium.

“O Sistema Coca-Cola no Brasil informa que assinou um contrato de distribuição com a cervejaria Estrella Galicia. Este acordo faz parte da estratégia de longo prazo para complementar o portfólio de cervejas premium no Brasil”, anunciou a companhia.

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No primeiro semestre de 2021, a Coca-Cola passou por uma reformulação na sua distribuição de cervejas no Brasil. Em acordo com o Grupo Heineken, deixou de ser a responsável pelas entregas de duas das principais marcas da companhia no país, a Heineken e a Amstel.

Porém, seguiu realizando a distribuição das duas marcas mais econômicas, a Kaiser e a Bavaria, além da Eisenbahn e da Tiger, que recentemente foi lançada no país pelo Grupo Heineken. Em agosto, então, duas das principais engarrafadoras da Coca-Cola – a Femsa e a Andina – haviam adquirido a Therezopolis, que, até então, fazia parte do grupo Arbor Brasil.

Agora, em novo passo no setor cervejeiro do Brasil e, mais especificamente, entre as marcas premium, fechou acordo de distribuição da Estrella Galicia. A marca espanhola é uma empresa familiar, tendo sido fundada em 1906. E hoje está sob administração de Ignacio Rivera, membro da quarta geração da família Rivera.

A cervejaria é considerada a líder do segmento premium na Espanha e possui cinco rótulos: Estrella Galicia, Estrella Galicia 0,0% (versão sem álcool), 1906 Reserva Especial, 1906 Red Vintage e 1906 Black Coupage.

Como a Estrella Galicia ainda não possui uma fábrica própria no Brasil, o acordo firmado com o Sistema Coca-Cola aumenta a expectativa para a expansão das suas atividades no país, com a intenção de aproveitar o potencial da sua parceira. A planta industrial deve ser em Araraquara (SP), cidade onde a própria Coca-Cola já está instalada.

No Brasil, com a sua 0.0, a Estrella Galicia chegou a ser patrocinadora do Corinthians e firmou no ano passado acordo com a Portuguesa. Repetiu, assim, a sua tradição de associação ao esporte, como acontece na Fórmula 1, sendo parceira da Ferrari e do piloto espanhol Carlos Sainz. No seu país, também já patrocinou Deportivo La Coruña e Celta de Vigo, assim como a série La Casa de Papel, sucesso da Netflix.