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Prevenir adulterações e reduzir riscos: rastreabilidade digital na cadeia da cerveja

A circulação de bebidas adulteradas, seja por metanol ou outras fraudes, é um problema que volta a acelerar no Brasil e no mundo. Além dos impactos na saúde das pessoas, como cegueira, óbitos e internações, essas crises expõem fragilidades na cadeia: rotulagem frágil, canais paralelos sem fiscalizados, pontos cegos logísticos que facilitam a entrada de produtos ilícitos no mercado formal e informal. No Brasil, o Ministério da Saúde e agências intensificaram notificações e fiscalizações em resposta aos surtos recentes de intoxicação por metanol. (BRASIL, 2025)

Rastreabilidade não é só legalidade ou marketing, é uma ferramenta técnica que reduz o tempo de investigação quando algo dá errado. É a história que um produto conta, é o caminho percorrido pelo produto desde os fornecedores até o consumidor ou o inverso. Em casos de suspeita de contaminação, essa visibilidade pode significar a diferença entre uma crise controlada e uma tragédia de grandes proporções.

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O princípio básico da rastreabilidade é garantir que cada lote de produto, matéria-prima ou embalagem possa ser identificado e localizado em qualquer ponto da cadeia. Para isso, precisamos ter:

  • Identificação única de lotes de insumos e produtos acabados;
  • Registro de dados críticos em cada etapa (recebimento, estoque, produção, envase, armazenamento, distribuição);
  • Acesso rápido a esses registros em caso de auditoria ou investigação;
  • Integração entre os elos da cadeia — fornecedor, produtor, distribuidor e ponto de venda.

Na prática, pequenas e médias cervejarias conseguem implantar rastreabilidade usando ferramentas simples, desde que o sistema seja disciplinado e consistente. Planilhas estruturadas, etiquetas com códigos de lote e softwares de gestão (ERP, MES ou softwares de rastreabilidade de alimentos) podem atender à exigência legal e técnica.

Porém, temos um ponto crítico que é garantir que os dados sejam registrados no momento certo, de forma verificável, revisados periodicamente, e, se possível, que não possa haver alteração dos dados. De nada adianta uma planilha se o operador só lança as informações “quando der tempo” ou com os registros “viciados”, sempre os mesmos tempos, as mesmas temperaturas. Rastreabilidade eficaz depende de cultura de registro e de verificação cruzada.

Entretanto, mesmo soluções acessíveis podem evoluir com automação gradual usando QR Code para vincular cada lote a seu histórico digital, integração dos dados com equipamentos de processo através de coleta automática para evitar digitações manuais, backups automáticos em nuvem para evitar perda de dados, alertas para lotes vencidos, bloqueados ou rejeitados. Esses recursos são tecnicamente viáveis e financeiramente compatíveis com a realidade de boa parte das cervejarias brasileiras.

Apesar de ser possível realizar a rastreabilidade através de planilhas, os sistemas tradicionais podem falhar em velocidade e integridade dos dados. Empresas maiores, com múltiplos fornecedores e alto volume de distribuição, enfrentam um desafio maior. É aí que entram soluções digitais mais robustas, onde o blockchain aparece como uma alternativa para criar um registro imutável, íntegro e compartilhado entre todos os elos: maltarias e distribuidores de matérias-primas, cervejarias, distribuidoras e varejo.

Blockchain é uma tecnologia de registro digital descentralizado, que armazena informações em blocos interligados e imutáveis, garantindo que os dados não possam ser alterados ou apagados, pois são gravados e validados na rede e o bloqueio de lotes ou alertas automáticos pode ser acionado automaticamente quando algum parâmetro crítico é descumprido. Essa característica traz uma vantagem poderosa: cada transação ou etapa registrada é permanentemente validada, criando uma cadeia confiável de informações. (Ellahi et al, 2023)

Na prática, como isso funciona? Um modelo viável combina identificação única como um QR code com registro em rede blockchain dos eventos críticos como recebimento de matéria-prima, resultados de análises, processo, avaliação sensorial, envase e expedição. O histórico digital reduz drasticamente o tempo de rastreio e inibe adulterações, pois cada transação é assinada digitalmente e validada por múltiplos agentes. 

Você pode estar se perguntando se seria possível identificar contaminações químicas. A depender da etapa e dos controles de processo, não! O blockchain assegura o registro e não a veracidade das informações. Se alguém adulterar o produto antes do registro, a rede não perceberá o desvio. Por isso, a tecnologia precisa caminhar junto de controles das análises de laboratório, auditorias externas e mecanismos de validação independente. Pode haver uma integração entre os resultados de análises, laudos, sensores IoT que garantem uma maior confiabilidade.

Os recentes casos de adulteração e fábricas clandestinas, mostram que a vulnerabilidade começa muito cedo: insumos não certificados, canais informais e ausência de verificação laboratorial sistemática, falta de documentação que garanta a confiança do cliente. A rastreabilidade digital não é uma bala de prata, mas reduz de forma mensurável a janela de atuação do agente fraudador ao tornar mais rápido e transparente o cruzamento entre lotes, notas fiscais e análises. Em paralelo, a integração com sistemas de vigilância é essencial. 

Quando o fornecedor dos insumos e bebidas não é regularizado e certificado e o lote não é devidamente registrado, torna-se quase impossível identificar a origem da fraude. O resultado é um rastro invisível: vítimas, prejuízos e nenhuma responsabilização clara.

Sistemas de rastreabilidade digital, sejam simples ou avançados, reduzem drasticamente essa vulnerabilidade. Se cada lote de insumo fosse vinculado digitalmente a seu fornecedor, e cada etapa tivesse um registro auditável, seria possível identificar rapidamente onde ocorreu o desvio, conter a distribuição e acionar os órgãos responsáveis.

No caso da cadeia cervejeira, isso também se aplica a adulterações menos dramáticas, mas igualmente sérias: diluição indevida, substituição de matérias-primas, falsificação de rótulos ou uso de produtos fora de especificação.

A rastreabilidade serve também para ajustes de processo e para defesa em caso de suspeita improcedente. Algumas dicas para implementação da rastreabilidade de uma maneira mais realista:

  • Definir pontos críticos de controle;
  • Padronizar codificação de lotes;
  • Registrar em tempo real: papel, planilha ou software: o importante é registrar imediatamente e manter a rastreabilidade cruzada;
  • Digitalizar aos poucos: QR codes e aplicativos gratuitos podem substituir etiquetas manuais, evitando erros e perdas; 
  • Validar fornecedores: exigir laudos digitais assinados e certificados, fazer auditorias, contratos exigindo relatórios de desvio técnico e solução para anomalias;
  • Treinar equipes.

As dicas custam mais disciplina do que investimento e formam uma base sólida para uma futura digitalização completa. A rastreabilidade é uma ferramenta de prevenção e resposta rápida a crises. Para pequenas cervejarias, planilhas e softwares bem estruturados já são suficientes para cumprir o papel técnico e legal. À medida que o negócio cresce e se conecta a redes de distribuição mais amplas, soluções digitais mais robustas como o blockchain tornam-se um caminho natural para garantir transparência e segurança.

A integração entre boas práticas de registro, verificação laboratorial e fiscalização ativa é o que de fato protege o consumidor. A rastreabilidade começa na cultura da qualidade, que felizmente, ainda pode ser construída com caneta, planilha e responsabilidade.

Chiara Barros é proprietária do Instituto Ceres de Educação e Consultoria Cervejeira. Engenheira Química, especialista em Biotecnologia e Bioprocessos, em Gestão da Qualidade e Produtividade e em Segurança de Alimentos, além de cervejeira e sommelière de cervejas.

Referências 

Menu Degustação: Concurso vai eleger a Melhor IPA do Brasil

Estão abertas as inscrições para a 4ª edição do concurso “Melhor IPA do Brasil”, realizado pelo festival IPA Day Brasil e pela cervejaria SP-330. A competição recebe amostras até 14 de novembro e é voltada para cervejas do estilo India Pale Ale e seus subestilos, produzidas e registradas no país. A premiação ocorrerá durante o IPA Day Brasil, no dia 22 de novembro, em Ribeirão Preto (SP) — um dos maiores festivis do mundo dedicado exclusivamente às IPAs. As inscrições podem ser feitas pelo site Eventiza. A taxa de R$ 150 por rótulo.

Confira também neste Menu Degustação:

IPA Day Brasil retoma concurso para Melhor IPA do Brasil

O concurso Melhor IPA do Brasil, promovido pelo evento IPA Day Brasil, já está com inscrições abertas. Entre as novidades desta edição estão a categoria Lúpulos Brasileiros, voltada a IPAs produzidas 100% com lúpulos cultivados no país, e o prêmio especial “Melhor IPA criada por Elas”, que reconhecerá cervejarias lideradas por mulheres ou receitas assinadas por cervejeiras.

As demais categorias seguem os parâmetros da Brewers Association 2025, incluindo variações como American IPA, Double IPA, Hazy IPA e Specialty IPA. Segundo os organizadores, o objetivo é valorizar a diversidade e a qualidade das IPAs nacionais, além de acompanhar o impacto dos lúpulos brasileiros na produção artesanal.

A cerimônia de entrega será parte da programação da 12ª edição do IPA Day Brasil, que transformará Ribeirão Preto (SP) na “capital nacional das IPAs”. O festival reunirá mais de 40 rótulos exclusivos, colaborações especiais e lançamentos inéditos, além de gastronomia, experiências sensoriais e três palcos musicais.

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Ambev celebra moderação e identidade regional

Anna Paula Alves, diretora de categoria cervejeira da Ambev (Crédito: Divulgação)

A Ambev une duas datas simbólicas para destacar diferentes dimensões da cultura cervejeira brasileira: o Dia de Responsa, comemorado na sexta-feira (10), e o Dia do Nordestino, na quarta (8). A 17ª edição do evento global da companhia reforça o compromisso com o consumo responsável, promovendo ações em bares, escritórios e eventos em todo o país. As cervejas zero álcool, como Bud Zero, Brahma 0,0% e Corona Cero, serão o destaque das celebrações, reforçando o papel da cerveja como bebida da moderação. Segundo Anna Paula Alves, diretora de categoria cervejeira da Ambev, o segmento cresce em ritmo acelerado — com alta de 20% em 2024 — e reflete a busca dos consumidores por equilíbrio sem abrir mão do sabor.

Além da conscientização sobre o consumo, a cerveja também ganha protagonismo como expressão da identidade brasileira, especialmente no Nordeste, onde ingredientes locais inspiram novas criações. A mandioca, o caju e a laranja, entre outros insumos típicos, vêm sendo incorporados em receitas que valorizam a biodiversidade e as tradições da região. Para Carolina Loureiro, mestre cervejeira da Academia da Cerveja, “cada gole carrega um pedacinho dessa terra diversa e criativa que é o Nordeste”, destacando a importância de conectar saberes tradicionais à inovação cervejeira.

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Lagunitas renova visual e lança nova cerveja

Nova Identidade visual da Lagunitas IPA entrará em linha gradualmente no Brasil (Crédito: Divulgação)

A Lagunitas, marca californiana do Grupo Heineken, apresenta nova identidade visual e atualiza os rótulos de suas embalagens no Brasil. A reformulação traz mudanças sutis e modernas nas latas, long necks e cartonados, mantendo o estilo irreverente e divertido da marca. A transição começou em setembro e será feita gradualmente em todo o país. Segundo a gerente de marketing Ilana Boukai Lencastre, o movimento global busca conectar a marca aos códigos contemporâneos sem perder sua essência visual.

A atualização acompanha o lançamento da Lagunitas Daytime, uma Session IPA leve e refrescante, com 98 kcal e notas cítricas e frutadas. O novo rótulo chega em latas, long necks e chope, inicialmente nas regiões Sul e Sudeste, com lançamento oficial em outubro. O produto foi apresentado no Mondial de la Bière, no Rio de Janeiro. Com 30 IBU, ela possui apenas 4% de álcool.

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HGA realiza 5ª edição de concurso

A Hop Growers of America realiza em 20 de outubro o concurso da Melhor Cerveja Artesanal Brasileira. A competição reúne dez cervejarias de seis estados, que criaram Session IPAs elaboradas com ao menos duas variedades de lúpulo norte-americano entre as quatro possíveis — CTZ, Amarillo, El Dorado e Idaho 7. A premiação será em 21 de outubro no 3 Brasseurs, em São Paulo (SP). O objetivo é valorizar a criatividade e o uso de lúpulos dos EUA.
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Petra promove experiência cervejeira no SP Gastronomia

A Petra participa do SP Gastronomia 2025 com aula do mestre cervejeiro Álvaro Nogueira sobre produção e estilos de cerveja. O evento oferece degustações de chope e distribuição de 300 latas de Petra Puro Malte. Nos bares do festival, estarão disponíveis Black Princess, Petra Puro Malte e chope Petra. A ação reforça a valorização da gastronomia e cultura cervejeira.
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Heineken amplia capacitação e lança novas plataformas

O Grupo HEINEKEN lançou duas iniciativas de capacitação para bares, restaurantes e público em geral: a plataforma gratuita Desce+1, que conecta profissionais a estabelecimentos em todo o país, e a Universidade HEINEKEN, oferecendo cursos online e gratuitos sobre carreira, inovação e universo cervejeiro, reforçando o compromisso da empresa com a qualificação do mercado e o incentivo à educação.

O Desce+1 deve impactar mais de 5 mil profissionais e funcionar como banco de talentos para 4 mil pontos de venda, com módulos sobre gestão, primeiros socorros, consumo responsável e história da cerveja. O Desce+1 está disponível em todas as lojas de aplicativos para dispositivos Android e iOS. Já a Universidade HEINEKEN, a partir de novembro, oferecerá cursos como Beer Expert e WeLab, voltados a jovens de 18 a 29 anos, ampliando o alcance de programas que já impactaram mais de 1.200 participantes. As inscrições estão abertas no site da Universidade HEINEKEN.
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Restaurante YVÁ realiza Oktoberfest em São Paulo

O restaurante YVÁ, situado na Zona Sul de São Paulo (SP), realiza a Oktober YVÁ em 26 de outubro, das 12h às 20h, no Hotel Wyndham, também Moema. O evento oferece chope Madalena, pratos típicos alemães e música, incluindo DJ e show do Classical Queen. Ingressos custam R$ 70 com chope de boas-vindas e caneca exclusiva. Espaço kids tem ingresso de R$ 30.
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Igrejinha aquece para 36ª Oktoberfest

Oktoberfest de Ingrejinha (RS) está de braços abertos para os turistas (Crédito: Cleiton Miguel / Divulgação)

A 36ª Oktoberfest de Igrejinha (RS) começa no dia 17 de outubro e segue até o dia 26, prometendo nove dias de chope, música e tradição germânica no Parque de Eventos Almiro Grings. A festa comunitária mais tradicional do Brasil deve reunir mais de 200 mil visitantes, com 70 atrações e 120 apresentações em seis palcos. A estrutura do evento ganhou melhorias, como o novo Multipalco, ampliação do Biergarten e chopeiras automatizadas no Bierplatz. O chope oficial é Eisenbahn. O ingresso dá acesso também a atrações culturais, gastronomia típica e espaços de convivência, com medidas de acessibilidade ampliadas.

Neste sábado (11), o Bierwagen leva o clima da festa a Cachoeirinha e São Leopoldo, com distribuição de chope e interação com o público. Já na festa, quem comparecer com traje típico completo ganhará dois tickets de chope Eisenbahn (400 ml cada) ou quatro águas, reforçando a valorização da tradição. A ação é válida apenas para maiores de 18 anos com ingresso integral. Os ingressos da Oktoberfest de Igrejinha seguem à venda no site oficial, com valores a partir de R$ 34,00, dependendo do dia. Realizada por mais de três mil voluntários, a festa tem todo o lucro revertido a entidades locais, e já destinou mais de R$ 33 milhões a projetos de saúde, educação e cultura da região.

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O Aeroporto Internacional de Navegantes preparou recepção especial para visitantes da Oktoberfest de Blumenau (SC), com banda típica alemã no desembarque. Entre 1º e 31 de outubro, haverá 252 mil assentos e 1.531 operações aéreas. Gol e Azul reforçam malhas, e Latam mantém voos regulares. As origens com mais operações são Congonhas, Guarulhos, Viracopos e Galeão.
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São Conrado Bar celebra Oktoberfest

O São Conrado Bar, em Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo (SP), realiza duas noites especiais de chope Spaten nos dias 14 e 15 de outubro, das 17h à meia-noite. O evento inclui open de chope, petiscos e equipe com trajes bávaros. Valores: R$ 98 no dia 14 e R$ 58,90 no dia 15.
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Festival Brasileiro da Cerveja vende 500 passaportes em 12h

Festival Brasileiro da Cerveja de Blumenau (SC) vendeu 500 passaportes em 12 horas (Crédito: Divulgação)

O Festival Brasileiro da Cerveja, que vai acontecer em Blumenau (SC) entre 4 a 7 de março de 2026, vendeu mais de 500 passaportes para a área de degustação livre em menos de 12 horas em uma promoção relâmpago no final de setembro. O Evento vai contar com mais de cem cervejarias e 200 marcas de cerveja. Ingressos do primeiro lote custam R$ 599. A programação também inclui a Festa (com ingressos mais acessíveis e venda de doses, além de shows), o Concurso Brasileiro de Cervejas e Seminário Técnico.
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Inside the Star celebra um ano com cerveja e descontos

O Inside the Star, em Ponta Grossa (PR), comemora um ano em outubro com cerveja exclusiva e descontos. Tours guiados mostram processo produtivo, ingredientes e sustentabilidade. Ingressos custam a partir de R$ 25 (meia) e R$ 60 (tour harmonizado). O espaço funciona de terça a sábado, às 10h e 14h, para maiores de 18 anos.
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Griletto lança promoção com chopp Brahma em dobro

O Griletto – rede brasileira de franquias de fast-food especializada em grelhados – oferece chopp Brahma em dobro às terças e quintas, de 14 a 30 de outubro, nas mais de 150 unidades da rede. Compras de 300 ml, 500 ml ou 700 ml ganham o dobro. A ação celebra a primavera e incentiva confraternização com porções da linha “Boteco”.
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Estrella Galicia leva fãs ao clipe de Liniker e Priscila Senna

Estrella Galicia patrocinou clipe de Liniker (Crédito: Divulgação)

A Estrella Galicia participou do clipe “Pote de Ouro”, de Liniker e Priscila Senna, com inserção de marca e presença de superfãs nos bastidores. Segundo Renata Cecco, diretora de marketing da Estrella Galicia no Brasil, o projeto reforça a essência da cervejaria, que valoriza autenticidade, processos genuínos e conexão real com comunidades e artistas independentes.
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Budweiser celebra fãs como cidadãos no Tomorrowland

Pelo segundo ano consecutivo como cerveja oficial do Tomorrowland Brasil, a Budweiser anuncia ações especiais para o festival de 2025, reconhecendo o público como cidadãos da “Nation of Celebration”. Os fãs poderão se cadastrar no site da marca para retirar um passaporte exclusivo durante o evento, em quantidade limitada. No festival, a marca retoma o “Círculo dos Sonhos”, espaço interativo em frente ao palco Freedom — também assinado pela Bud — onde o público poderá registrar desejos.

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Grupos unem corrida e cerveja em prol da socialização e bem-estar 

Os movimentos de popularização das corridas de rua e a expansão da cultura cervejeira no Brasil encontraram um ponto de convergência: os eventos e as práticas esportivas que têm a apreciação da bebida como “atração” à parte. Afinal, corrida e cerveja não são opostos. Se correr já estimula a produção de endorfina e alivia o estresse, por que não socializar e turbinar o bem-estar com uma bebida gelada e bem feita?

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Quem adere à prática garante que o aparente descompasso entre o exercício físico e a ingestão de álcool pode ser driblado com o consumo consciente, beirando a degustação. Ou ainda com a substituição da cerveja tradicional por opções sem álcool. 

“Beer evangelizador”

Quando se fala em corrida e cerveja no Brasil, fala-se também de Gilberto Tarantino, o Giba. O atual presidente da Abracerva (Associação Brasileira de Cerveja Artesanal) e sócio-proprietário da Cervejaria Tarantino já foi importador. E foi o responsável por trazer ao Brasil o Mikkeller Running Club, que se declara como “um clube de cervejas com o mau hábito de correr”. 

Giba já corria desde 2000 e passou importar cervejas artesanais em 2008. Eram produtos norte-americanos, da Escócia, da Itália e a dinamarquesa Mikkeller. Os fundadores da cervejaria de Copenhague — Mikkel Borg Bjergsø e Kristian Klarup Keller, que também são corredores — criaram o clube para estimular o esporte e o consumo consciente de cerveja lá na Dinamarca. 

Em 2011, Giba importou também a ideia do clube de corrida para o Brasil, que foi gerido ao lado do personal trainner Rodrigo Kimura. “Fui o ‘beer evangelizador’ de todos os meus amigos de corrida”, conta. “Sempre tive uma visão da cerveja acompanhada de um estilo de vida saudável. [A corrida com cerveja] É mais uma curtição, uma degustação pelo lado gastronômico da experiência da cerveja com aromas e sabores diferentes”, diz.

Atualmente, o Mikkeller Running Club está ativo no Brasil somente na cidade de Curitiba (PR). No último sábado (27), o grupo promoveu uma corrida com a cervejaria Xamã. Foi feito um circuito de seis quilômetros pelas ruas do bairro Boqueirão, com voucher de cerveja (“vale um final feliz”) ao fim do trajeto. E com direito a música ao vivo.

Beer Crew, do personal trainer Rodrigo Kimura, nasceu em 2017 com o objetivo de aproximar os cervejeiros da prática esportiva (Crédito: Arquivo Pessoal / Rodrigo Kimura)
Beer Crew, do personal trainer Rodrigo Kimura, nasceu em 2017. O objetivo é aproximar os cervejeiros da prática esportiva (Crédito: Arquivo Pessoal / Rodrigo Kimura)

Legado de corrida e cerveja

Depois que a Importadora Tarantino deixou de trazer as cervejas da Mikkeler por conta do alto valor do dólar, o Mikkeller Running Club de São Paulo se desfez. Mas Rodrigo Kimura decidiu continuar e fundou o Beer Crew em 2017.

Kimura diz que vê a união da corrida e cerveja como uma forma de promover a qualidade de vida e o consumo consciente, valorizando a produção de cervejarias artesanais. O grupo já contou com cerca de 15 patrocinadores, a maioria de cervejarias artesanais nacionais. Mas já fez parcerias com marcas de fora, como Straffe Hendrik, da Bélgica, Fuller’s, da Inglaterra, e Pilsner Urquell, da República Checa.

Para Kimura, o objetivo não é “encher a cara”. Mas, sim, degustar a cerveja artesanal, valorizando a educação sobre os tipos e marcas, dando chance para as pessoas conhecerem cervejarias nacionais. “Eu quis construir esse meio-termo de trazer o pessoal da cerveja para a corrida, introduzir a qualidade de vida sem precisar encher a cara. No mundo da cerveja artesanal, a gente costuma dizer ‘beba pouco, mas beba melhor’”, diz Kimura.

Da rua ao evento fechado

Enquanto alguns grupos promovem a treinos e corridas de rua com degustação ao fim do percurso, há quem pratique em eventos fechados, com degustação de cerveja ao longo do trajeto.

Marcelo Naves, mestre cervejeiro e CEO da Cervejaria Quatro Poderes, de Brasília (DF), promove desde o ano passado seu próprio evento. A Quatro Poderes Beer Run é um circuito de corrida de seis quilômetros dentro do Parque da Cidade. 

Segundo Naves, a ideia era aproveitar a cultura de corrida de Brasília, aliada à divulgação do novo produto da marca, a cerveja Esplanada Zero Carb. No evento, os pontos de hidratação do quilômetro dois e quatro oferecem a água e também uma cervejinha gelada e sem carboidratos. “Tem corrida, tem show, tem cerveja. Virou um grande evento, todo mundo já fica na expectativa para a próxima”, diz. Na última edição, o evento contou com 1 mil participantes.

Pelo Brasil

Outro exemplo é o Circuito Cervejeiro de Corrida, que tem expandido suas etapas para diversas cidades com forte apelo cervejeiro e turístico, principalmente no estado do Rio de Janeiro e em Minas Gerais. 

Cidades como Petrópolis, Nova Friburgo, Penedo, Itaipava, Paraty (RJ) e Ouro Preto (MG) já sediaram o evento, integrando a corrida com o ambiente e o produto de cervejarias locais.

Outras iniciativas regionais têm surgido, como o Circuito Way Beer de Corrida (no Paraná). O que reforça a tendência de microcervejarias usarem a corrida como ferramenta de divulgação e engajamento comunitário. 

Alguns desses eventos oferecem aos participantes um kit que inclui camisetas, medalhas (frequentemente em formato de abridor de garrafa) e vouchers para as degustações.

Assim, a corrida e cerveja formam um nicho no calendário esportivo brasileiro, unindo a busca por um estilo de vida mais ativo com socialização, apreciação cultural e gastronômica da cerveja. E isso valoriza o produto artesanal e a alegria da confraternização — sem exageros, afinal, o público que costuma frequentar esses eventos é todo 35+.

Criminoso não estaria submetido ao Sicobe, diz presidente-executivo do Sindicerv

O combate ao mercado ilícito de bebidas é o caminho mais adequado para solucionar problemas como da adulteração de bebidas por metanol, segundo o presidente-executivo do Sindicerv, Marcio Maciel. E não aumentar a fiscalização do mercado legal. Trata-se de uma questão complexa, para o qual não há “bala de prata”. “Criminoso não está submetido ao Sicobe”, disse o dirigente durante a audiência pública realizada pelas comissões de Saúde e de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (8).

No encontro, membros das comissões ouviram representantes do governo e da indústria de bebidas para discutir os impactos econômicos, tributários e de saúde pública do mercado ilegal de bebidas. O debate ocorre enquanto são investigados casos de intoxicação por bebidas com metanol, que já resultaram em mortes.

Ao falar do Sicobe (Sistema de Controle de Produção de Bebidas), Maciel se referiu ao antigo sistema da Receita Federal, que funcionou entre 2008 e 2016, e vem sendo sugerido como solução simples para a adulteração de bebidas. O que, para o presidente do Sindicerv, é um equívoco. 

O primeiro ponto apontado é que o sistema trabalhava com contagem de produtos para fins fiscais, ou seja, de recolhimento de impostos, e não de rastreamento ou medição da qualidade do produto. E era focado principalmente em bebidas frias, como cerveja, refrigerantes e águas, no qual bebidas destiladas entravam de forma voluntária. Sendo assim, o Sicobe rastreava somente a produção legal, não abrangendo criminosos ou falsificações.

“O que a gente está discutindo aqui é uma discussão criminal contra uma discussão de um mercado legal que segue suas regras”, disse o presidente do Sindicerv.

Desligamento por ineficácia

Maciel também explicou que o desligamento do sistema em 2016 pela Receita federal foi devido a custos não razoáveis, baixa efetividade e denúncias de corrupção, que foram alvo da Operação Vício, da Polícia Federal, envolvendo a empresa que tinha o contrato do Sicobe.

O presidente do Sindicerv também desmente que a arrecadação tenha caído após o fim do sistema. “Isso é uma inverdade. Ela continuou crescendo, acompanhando o crescimento do setor durante os anos”, conta. “O setor de bebidas não ficou um minuto sem ser fiscalizado, tanto pela Receita quanto pelo Ministério da Agricultura, em relação aos seus produtos”, afirma.

Soluções

Para o presidente do Sindicerv, a solução é mais complexa que só um sistema de fiscalização do mercado legal. Trazendo cases de outros países que já tiveram problemas semelhantes com mercado ilegal de bebidas, Maciel sugeriu várias ações como a integração dos sistemas da Receita Federal e do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA); aumento das penas para esse tipo de crime, bem como da fiscalização; e maior fiscalização do metanol, com rastreamento de origem.

Em relação à comercialização e os pontos de venda, outras ações também poderiam ser eficazes, como o reforço da fiscalização de produtos e distribuidoras; treinamentos para diagnóstico de casos de intoxicação; forças-tarefas policiais atuando em fábricas e destilarias clandestinas; e o descarte adequado de vasilhames com incentivos de políticas públicas.

Isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil renderia quantas cervejas?

A Câmara dos Deputados aprovou no dia 1º a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês, incluindo descontos progressivos nas faixas até R$ 7.350. Atualmente, a isenção é válida para quem ganha até dois salários mínimos — R$ 3.036 ao mês. Para entrar em vigor, o Projeto de Lei 1087/2025 precisa passar pelo Senado.

Se o PL for aprovado, o trabalhador sem dependentes que ganha R$ 5 mil poderá economizar cerca de R$ 4 mil ao ano em impostos, segundo estimativa da Unafisco Nacional (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil).

Para dar uma dimensão dessa economia, o Guia da Cerveja calculou quantas latinhas daria para comprar com esse dinheiro a mais no bolso do trabalhador. A ideia é quantificar os valores em latas, e não incentivar o consumo irresponsável da bebida. Afinal, a recomendação é sempre a mesma: beba com moderação.

Três Skol ou Brahma por dia, ou uma Lagunitas IPA

No parâmetro “lata”, a isenção do IR até R$ 5 mil representa 1.214 latinhas de Skol ou Brahma por ano para o trabalhador que não tem dependentes. Este cálculo considera a economia de imposto de renda (estimada em R$ 4.067,57 pela Unafisco) e a média de valor cobrado pela bebida (R$ 3,35 por lata de 350 ml). Dividindo as latinhas pelos dias do ano, daria para consumir 3,32 latas por dia.

Fazendo os mesmos cálculos com Amstel, são 1.056 latinhas ao ano, ou 2,89 ao dia. Quem prefere Spaten ou Heineken poderia consumir 760 e 726 latas ao ano, respectivamente, com a economia. Isso representa cerca de duas latinhas ao dia (2,08 e 1,98, respectivamente).

O público da cerveja artesanal poderia apreciar 428 latas a mais ao ano de Lagunitas IPA (1,17 por dia) ou 254 latas de Dogma IPA — aproximadamente uma lata a cada dois dias (0,69 por dia). 

Isenção do IR “em latas” para salários de R$ 5 mil
Marcas$ médio por lataQtd. latas/ano
Brahma ou Skol3,351214
Amstel3,851056
Spaten5,35760
Heineken5,6726
Lagunitas IPA9,5428
Dogma IPA16254

Isenção do IR em latinhas

Mas, como o Guia chegou a estes valores? A reportagem usou como parâmetro os cálculos da Unafisco que mostram que, com a isenção do IR para quem tem renda de R$ 5 mil, sem dependentes, seria possível “investir” R$ 4.067,57 em latas ao ano. Como os valores das cervejas variam de acordo com o tipo e o fabricante — e tem variado ainda mais nos últimos meses por conta da inflação da cerveja —, estipulamos a média de preços de latas de 350 ml para usar como parâmetro na comparação:

  • Brahma Chopp/Pilsen ou Skol Pilsen: R$ 3,35
  • Amstel: R$ 3,85
  • Spaten (Puro Malte): R$ 5,35
  • Heineken (Puro Malte): R$ 5,60
  • Lagunitas IPA: R$ 9,50
  • Dogma IPA: R$ 16

Considerando o cálculo da Unafisco sobre a isenção do IR para trabalhador sem dependente e as faixas de renda que passariam a ter isenção total ou escalonada, a economia com o imposto seria as seguintes:

  • Salário de R$ 3.500: acréscimo de R$ 516,88 na renda ao ano
  • Salário de R$ 4.000: acréscimo de R$ 1.491,88 na renda ao ano
  • Salário de R$ 5.000: acréscimo de R$ 4.067,57 na renda ao ano
  • Salário de R$ 6.000: acréscimo de R$ 2.336,75 na renda ao ano
  • Salário de R$ 7.000: acréscimo de R$ 605,86 na renda ao ano
  • Salário a partir de R$ 7.350: sem mudanças previstas

Quando começa a isenção do Imposto de Renda?

Os debates sobre a isenção do Imposto de Renda ainda estão em tramitação no Congresso. Após a aprovação da Câmara, o Projeto de Lei 1087/2025 precisa passar pelo Senado para entrar em vigor. E ainda não há data de votação definida.

Entidades representativas argumentam que a tabela do IR está defasada, e que a correção ajuda algumas faixas de renda, mas segue penalizando outras. 

“É um avanço parcial, que traz algum grau de justiça para a base da pirâmide, mas mantém a carga desproporcional sobre a classe média. A situação mais favorável é a de quem ganha exatamente R$ 5.000, sem dependentes. Esse contribuinte, na prática, terá algo próximo a um 14º salário ao longo do ano, graças à isenção total. Já acima de R$ 7.350, não há qualquer benefício e essa é a grande limitação da proposta”, afirma o presidente da Unafisco Nacional, Mauro Silva.

“Quem ganha R$ 8.000, R$ 9.000 ou mais, por exemplo, profissionais de nível superior, supervisores, técnicos especializados, continua submetido à mesma tabela congelada desde 1996. A defasagem acumulada, que passa dos 170%, continua pesando integralmente sobre esses contribuintes”, explica Silva.

5 mitos sobre o metanol e a cerveja

A crise do metanol deixou a sociedade em estado de alerta. Pessoas estão com medo e estão buscando informações para tirar suas dúvidas. Porém, muitos mitos e inverdades em relação ao metanol e a cerveja estão saindo nas redes sociais, causando um problema também de desinformação.

Algumas dessas questões são confusões compreensivas, dada a complexidade do processo de fabricação de bebidas; outras são equívocos de entendimento sobre os produtos, fiscalização, adulteração e falsificação; mas há também casos de fake news propositais, com vídeos adulterados por montagem.

Para esclarecer algumas dessas questões, o Guia da Cerveja fez uma lista das cinco principais inverdades que estão sendo propagadas na internet sobre metanol e a cerveja, dando as explicações corretas. Confira:

1 – Falsificação não é o mesmo que adulteração

Há muita confusão sobre adulteração e falsificação de produtos. E, apesar do que possa parecer, são coisas diferentes. Adulteração é quando um produto é adicionado ou subtraído de algo, mas parte do produto original continua lá, explicou o mestre cervejeiro Marcus Dapper ao Guia da Cerveja na semana passada.

Essa é uma das principais hipóteses sobre o que está acontecendo com as bebidas destiladas e gerando as intoxicações e suspeitas de intoxicação por metanol. Investigadores trabalham com a probabilidade de que parte do destilado original tenha sido removido da garrafa da bebida, que foi adicionada de metanol.

Já falsificação de um produto é quando nenhuma parte do produto original está presente. É o caso da apreensão de aproximadamente 15 mil garrafas de cerveja na região de Campinas (SP), realizada pela Polícia Civil e Guarda Municipal na última sexta-feira (3). No local, falsificadores trocavam o rótulo e tampa de cervejas mais baratas pelo material de identificação de cervejas mais caras, segundo matéria da Folha de São Paulo

2 – Cerveja é mais difícil de adulterar

O risco de adulteração de cerveja por metanol, ou seja, de uma garrafa ser aberta e parte do líquido ser trocado por esse tipo de álcool mais tóxico, é baixo. Um dos motivos é que esse tipo de alteração seria fácil de perceber, já que parte do gás carbônico da bebida seria perdido e o aroma e sabor de álcool seria muito perceptível, como explica o mestre cervejeiro Marcus Dapper. Já nos destilados, as notas alcoólicas podem passar desapercebidas.

Além disso, a adulteração faz pouco sentido financeiramente. Órgãos reguladores controlam o metanol no Brasil e o produto é mais caro do que o próprio etanol. Usá-lo numa bebida de valor agregado mais baixo, como a cerveja, inviabilizaria o ganho financeiro almejado pelos falsificadores. Já uma garrafa de destilado tem um valor de venda maior.

Em entrevista coletiva na quinta-feira (2), o próprio ministro da Saúde, Alexandre Padrilha, reforçou a maior dificuldade na adulteração da cerveja. “Estamos diante de um crime envolvendo produtos destilados, incolores, onde se têm técnicas de adulteração desse produto que você não tem no caso de cerveja, que é uma bebida que tem a tampa, tem gás, e é muito mais difícil de adulterar”, disse.

3 – Fabricação de cerveja não produz metanol

Outra hipótese trabalhada pelos investigadores seria de um erro na fabricação. Um destilado mal-feito, por exemplo, pode, sim, ter uma concentração elevada de metanol. No caso da cerveja, essa possibilidade é inexistente. 

“Estamos diante de um crime envolvendo produtos destilados, incolores, onde se têm técnicas de adulteração desse produto que você não tem no caso de cerveja, que é uma bebida que tem a tampa, tem gás, e é muito mais difícil de adulterar.”

Alexandre Padrilha, ministro da Saúde

Um dos motivos é a formação do metanol na fermentação precisa de pectina, um polissacarídeo presente principalmente em frutas e massas vegetais, como na cana-de-açúcar. E os cereais, que dão origem à cerveja, não possuem pectina. 

Além disso, a pectina só libera metanol quando processada por uma enzima chamada pectinametilesterase. E essa enzima não participa da fermentação da cerveja. Ou seja, o fermento da cerveja não metaboliza a pectina, explica Marcus Dapper. 

4 – Sicobe não fiscalizava destilados ou qualidade

Outra informação falsa que está circulando nas redes é que a descontinuação do sistema Sicobe (Sistema de Controle de Produção de Bebidas), antigo método de fiscalização da Receita Federal desativado em 2016, teria correlação com a adulteração de bebidas.

Em nota, a própria Receita Federal desmentiu o fato e esclareceu que o sistema nunca foi utilizado para destilados, fiscalizando apenas cervejas e refrigerantes. Em entrevista coletiva na terça-feira (30), Marta Machado, Secretária Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos do Ministério da Justiça, reforçou que a relação é falsa. “[O Sicobe] faz um controle de vazão para fazer um controle do ponto de vista fiscal. Para entender se tudo que foi produzido está representado do ponto de vista fiscal, da arrecadação dos impostos. Ele nunca teve qualquer relação nem com destilados, nem com a qualidade”.

5 – Polícia não confirmou metanol em cerveja Heineken

Talvez o caso mais claro de fake news até agora envolvendo cerveja seja o vídeo em que o apresentador Reinaldo Gottino, da TV Record, teria dado a notícia que a polícia havia confirmado metanol em cervejas da marca Heineken. 

O vídeo foi considerado falso pela Reuters e outras agências de checagem de fake news.

Trata-se de uma montagem que aproveitou material originalmente publicador no perfil do programa Cidade Alerta. Na gravação verdadeira, o jornalista diz que as notificações de intoxicação por metanol estão associadas principalmente ao consumo de vodca, gin e uísque. Ele não cita nenhuma investigação da polícia sobre cervejas da Heineken.

Até o momento, todos os casos confirmados e suspeitos de intoxicação por metanol tem relação com o consumo de bebidas destiladas.

Cervejarias da Asahi retomam produção no Japão após ciberataque

As seis cervejarias da Asahi retomaram a produção no Japão, segundo anúncio feito nessa segunda-feira (6) pela da Asahi Breweries, subsidiária de cervejas do grupo de bebidas Asahi. O comunicado vem uma semana após ser detectada uma falha nos sistemas em razão de um ciberataque que paralisou as operações do grupo no país. O incidente afetou o fornecimento de bebidas para bares, restaurantes e redes de conveniência.

A crise começou na manhã da segunda-feira (29 de setembro), quando o sistema da Asahi Group Holdings — responsável por marcas como Asahi Super Dry, Nikka Whisky e Mitsuya Cider — foi atingido por um ataque de ransomware. Esse tipo de crime digital bloqueia o acesso a sistemas e dados da empresa até que um resgate seja pago aos invasores. A Asahi confirmou o ataque em seu site oficial e disse ter acionado uma equipe de resposta.

O ataque afetou as cervejarias da Asahi somente no Japão, não interferindo na operação em outros países. A empresa paralisou operações críticas, como o registro de pedidos remessas, operações de call center e balcões de atendimento ao cliente. O ataque não teria afetado diretamente as cervejarias. No entanto, a organização teria optado por paralisar as atividades em decorrência do não funcionamento do restante do sistema logístico.

As fontes da imprensa internacional, no entanto, divergem sobre quantas manufaturas tiveram a produção interrompida de fato. O grupo tem cerca de 30 fábricas de bebidas no Japão.

Grande parte da divergência de informações está relacionada à política de sigilo adotada pela Asahi para não gerar danos adicionais. Com isso, não foram divulgados informações como o nome do grupo que atacou nem detalhes do processo.

Impactos

No site oficial, a Asahi informou que investigações em andamento “confirmaram indícios que sugerem uma potencial transferência não autorizada de dados”. Mas ainda não se sabe que tipo e a dimensão do vazamento de informações. “Estamos envidando todos os esforços para restaurar o sistema o mais rápido possível, enquanto implementamos medidas alternativas para garantir o fornecimento contínuo de produtos aos nossos clientes”, disse Atsushi Katsuki, CEO do grupo na nota.

Durante a paralisação, a companhia chegou a registrar pedidos manualmente e fazer entregas presenciais para manter parte do abastecimento. Ainda assim, bares e restaurantes japoneses relataram escassez da popular Super Dry, e redes como Lawson, FamilyMart e 7-Eleven começaram a substituir temporariamente os produtos da marca, segundo informações da Reuters.

A empresa retomou a produção no último dia 2 de outubro, mas só anunciou oficialmente a normalização parcial das fábricas nesta segunda-feira. Segundo comunicado, as cervejarias da Asahi já voltaram a fabricar a Super Dry e devem retomar o envio de mais de uma dezena de outros produtos a partir de 15 de outubro.

Mesmo assim, é quase certo que haverá impacto financeiro. Ações da companhia na bolsa caíram e a paralisação deve afetar os números do faturamento. O grupo tem produção diária de aproximadamente 6,7 milhões de garrafas de cerveja por dia no Japão.

O caso da Asahi é mais um entre diversos ataques cibernéticos que vêm afetando grandes corporações em 2025. Ja sofreram com o problema a Jaguar Land Rover e redes varejistas britânicas como Marks & Spencer e Co-op Group.

Cervejarias da Asahi

O grupo japonês Asahi Group Holdings foi fundado em 1889 como Osaka Beer Company. Transformou-se em um dos principais players globais de cerveja, destacando-se pela inovação com o lançamento da Asahi Super Dry em 1987. Sua relevância cresceu nos últimos anos por uma agressiva estratégia de aquisições internacionais.

Na última década, essa política incluiu a compra de marcas europeias icônicas como Peroni Nastro Azzurro, Grolsch, e Pilsner Urquell em um negócio multibilionário. Ela é também proprietária da Fuller’s no Reino Unido e foi o responsável pela aquisição da Anchor Brewing, icônica cervejaria artesanal de São Francisco, nos Estados Unidos — bem como sua recente crise de fechamento e venda.

Spaten lança Festbier para a 40ª Oktoberfest de Blumenau

A Spaten vai lançar um novo rótulo para comemorar a 40ª Oktoberfest de Blumenau (SC): a Spaten Festbier. Trata-se de uma cerveja exclusiva que estará disponível em versão chope somente nesta edição da festa catarinense. O lançamento oficial será nesta quarta-feira (8), dia da abertura da maior evento do gênero da América Latina.

A nova cerveja é inspirada nas clássicas Oktoberfestbier de Munique, que são cervejas produzidas especialmente para a festa de outubro da Alemanha. Ela é uma Lager de cor dourada, 5,2% ABV de teor alcoólico e amargor de 19 IBU — escala que vai de 0 a 100 e mede de amargor de lúpulo na bebida. “Suave, clara e equilibrada, com notas de malte que se harmonizam ao frescor do lúpulo, resultando em uma bebida saborosa, de final refrescante e perfeita para brindar grandes momentos”, descreve o material de divulgação oficial.

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“Para nós, cerveja é muito mais do que uma bebida: é o brinde à conexão entre pessoas, à moderação, aos laços sociais e um elo entre culturas e tradições. Por isso, é uma honra para Spaten ser a cerveja oficial da Oktoberfest de Blumenau pelo quarto ano consecutivo. A festa já se tornou a nossa casa no Sul do Brasil, e nada mais especial do que lançar a Spaten Festbier justamente aqui, em um marco histórico. Desejamos que esta edição seja um brinde à cultura cervejeira, à tradição que une Munique a Blumenau e a todos que celebram conosco este momento único” comenta Carolina Caracas, diretora de marketing estratégico de Spaten.

O estilo Festbier ou Oktoberfest

Em Munique, na Alemanha, o nome Oktoberfestbier só pode ser utilizado nas cervejas sazonais feitas pelas seis grandes cervejarias de Munique que estão autorizadas a servir cerveja na festa: Augustiner, Hacker-Pschorr, Hofbräu, Löwenbräu, Paulaner e Spaten. O termo Festbier é usado em outras cervejas do mesmo estilo, produzidas por cervejarias diferentes ou para eventos paralelos, respeitando essa tradição.

Independente do nome escolhido, o estilo é o mesmo. As cervejarias de Munique o desenvolveram na década de 1980, quando a Oktoberfest começou a receber muitos turistas estrangeiros. A ideia era criar um produto mais suave para se tornar a nova cerveja oficial, agradando o paladar daqueles que não estavam acostumados com cervejas mais pesadas servidas na festa até aquele momento, do estilo Märzenbier.

Uma dessas cervejarias era a Spaten. Criada em 1397 em Munique, é uma das fabricantes de cerveja mais antigas da Alemanha ainda em funcionamento. A Ambev lançou a marca em 2021 no Brasil e hoje integra o portfólio premium da companhia.

Camarote Spaten

A cerveja deve estar presente em todo o evento e no Camarote Spaten, espaço exclusivo da marca com programação especial, cenografia imersiva e serviços premium. O local tem ambiente climatizado, vista panorâmica para o Pavilhão Spaten, banheiros privativos e acesso exclusivo por meio do Receptivo (Rua Itapiranga, 179).

Nesta edição, o palco recebe nomes como Banda Eva (10/10), Os Garotin (11/10), Matheus Fernandes (17/10), Marvvila (18/10), Péricles (24/10) e Atitude 67 (25/10). No camarote Spaten, open bar e open food vão acompanhar toda a programação. O chope Spaten — disponível apenas em eventos selecionados — a Spaten Festbier, assim como rótulos especiais da Ambev, drinks, opções não alcoólicas e um cardápio completo, da entrada ao lanche da madrugada, estarão disponíveis.

Os ingressos são limitados e estão disponíveis no site oficial e dão direito a caneca tecnológica e a camiseta oficial do Camarote Spaten, desenvolvida em collab com a Reserva.

Serviço: 40ª Oktoberfest Blumenau

Quando: 8 a 26 de outubro

Onde: Parque Vila Germânica – R. Alberto Stein, 199 – Velha, Blumenau – SC, 89036-200

Mais informações: no site oficial da Oktoberfest Blumenau

Camarote Spaten

Quando: 10, 11, 17, 18, 24 e 25 de outubro

Ingressos: no site oficial do Camarote Spaten

Mais informações: No perfil do Instagram do Camarote Spaten

Cevada brasileira deve bater recorde de produção em 2025

A produção de cevada brasileira deve bater recorde esse ano com 516,5 mil toneladas, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Apesar disso, o Brasil ainda é muito deficitário quando se trata de cevada e malte para fazer cerveja. O país é o terceiro maior produtor da bebida do mundo e para sustentar tamanha produção, ainda dependemos fortemente da importação de insumos. Essa dependência sempre foi um dos grandes desafios do mercado cervejeiro nacional, mas os últimos anos mostram sinais de mudança.

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Dados apresentados por Jeferson Caus, superintendente de Negócios da Cooperativa Agrária Agroindustrial, durante o painel “A Indústria da cerveja no Brasil: investimentos, tecnologias e o futuro pelo campo”, no Congresso “Do Grão ao Gole”, dão a dimensão da necessidade. Para dar conta da produção anual de 157.276.363 hectolitros de cerveja, o Brasil precisaria de 1.933.950 toneladas de malte, e o que produzimos por aqui são 955 mil toneladas, ou seja, um deficit de 978,95 mil toneladas. De cevada, importamos no último ano 922,5 mil toneladas, correspondendo a 77,31% da nossa necessidade.

Embora o Brasil ainda esteja muito distante da autossuficiência, a produção de cevada e malte no país vem crescendo de forma consistente. Os dados do Conab dão conta de que em 2022 registramos um recorde histórico de produção de cevada: 498,1 mil toneladas. No ano seguinte, houve uma queda para 391 mil toneladas, mas em 2024 o volume voltou a subir, alcançando 438,4 mil toneladas. Para este ano, as projeções indicam um esse novo recorde de 516,5 mil toneladas.

Produção de cevada e malte no Sul

Esse avanço é puxado especialmente pelo Paraná, maior produtor de cevada do país e sede das principais maltarias brasileiras. Em junho de 2024, o estado ganhou um reforço de peso: a inauguração da Maltaria Campos Gerais, em Ponta Grossa. O empreendimento, fruto de um investimento de R$ 1,6 bilhão das cooperativas Agrária, Frísia, Castrolanda, Capal, Bom Jesus e Coopagrícola, tem capacidade para produzir 240 mil toneladas de malte por ano. A Agrária assumiu a operação da planta, enquanto as demais cooperativas atuam junto aos produtores rurais no cultivo da cevada que abastece a indústria.

A nova maltaria ampliou de forma significativa a capacidade de malteação no estado e hoje atende exclusivamente a Heineken e a Ambev. Na inauguração, o secretário da Fazenda do Paraná, Norberto Ortigara, destacou a importância do projeto. “Hoje gastamos muito dinheiro importando malte, porque o mercado cervejeiro do Brasil é gigante e está em crescimento. Por isso é importante esse investimento das cooperativas, que fizeram esse grande empreendimento para absorver parte importante desse mercado.”

Apesar de um projeto de expansão ter sido anunciado no lançamento, que poderia dobrar a capacidade da unidade, a Agrária esclareceu que este primeiro ano de funcionamento está sendo voltado à consolidação das operações. O foco atual é incentivar o cultivo da cevada por meio do trabalho técnico das cooperativas parceiras, orientadas pelas pesquisas da FAPA (Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária) e da Fundação ABC. O objetivo é identificar as cultivares mais adaptadas às condições locais e difundir boas práticas de manejo nas lavouras.

Desafios para seguir crescendo

Para que o Brasil avance ainda mais na produção de cevada, é preciso superar alguns obstáculos. Aloísio Vilarinho, agrônomo e pesquisador da Embrapa Trigo, lembra que questões climáticas e logísticas limitam atualmente uma maior expansão. “No Rio Grande do Sul, onde há terras disponíveis e agricultores interessados no cultivo, questões como o excesso de chuvas podem comprometer a qualidade do grão. Já no Cerrado, as condições climáticas são muito boas, mas as áreas já estão ocupadas por culturas mais rentáveis, como milho, cebola e cenoura”, explica.

“Aumentar a capacidade das maltarias gera riqueza e empregos aqui no país”

Aloísio Vilarinho, agrônomo e pesquisador da Embrapa Trigo

Além disso, a concentração das maltarias na região Sul dificulta a logística do cultivo em outras partes do país. “Uma produção pequena de cevada em outra região não viabilizaria a construção de uma maltaria próxima, e as que estão no Sul preferem importar de países vizinhos do que transportar de longe, com custos altos e menos controle sobre a produção”, observa o pesquisador. Esse fator ajuda a explicar por que grande parte da cevada importada pelo Brasil vem da Argentina.

Apesar do desafio de expandir a produção de cevada em solo nacional, o pesquisador destaca a importância do crescimento recente e, especialmente, a guinada na capacidade de produção nacional de malte. “A medida que os programas de melhoramento crescem, a tendência é de que as cultivares nacionais se tornem cada vez melhores e mais adaptadas, com mais qualidade para malteação. Além disso, aumentar a capacidade das maltarias gera riqueza e empregos aqui no país”, explica. 

Invalidação de vozes negras no campo da identidade brasileira no meio da cerveja artesanal

O sociólogo francês Pierre Bourdieu foi categórico em afirmar que o gosto é socialmente construído. Para o pensador social, a cultura, o meio, as experiências socioambientais, estilos de vida, e classe social moldam o gosto e formulam os códigos, que podem incluir ou excluir as pessoas dentro de determinada sociedade.

O antropólogo brasileiro Michel Alcoforado também se insere nessa discussão, acolhendo em partes o pensamento bourdiesiano. Alcoforado traz um elemento importantíssimo. No que tange à análise da sociedade brasileira, a raça é um fator preponderante nos marcadores da diferença.

Neste ponto, o antropólogo brasileiro não está só. Ele divide o mesmo pensamento com teóricos como Sueli Carneiro, Lélia Gonzales, Beatriz Nascimento, Nego Bispo e Kabengele Munanga, por exemplo.    

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Esse introito é para dar início à nossa conversa acerca da negação dos saberes e sabores brasileiros no campo da cerveja artesanal. E esse diálogo é motivado por um vídeo recentemente publicado na rede social da filial da cervejaria Brooklyn no Brasil. Nele, Garret Oliver, um dos maiores mestres cervejeiros do mundo, considerado o “papa” da harmonização, e afroamericano baseado em Nova York, diz amar a culinária brasileira. Sobretudo a “moqueca e o mocotó”, dois pratos ligados a diáspora negra. Eles foram introduzidos na culinária do país por descendentes de escravizados e tem origens que remontam ao período colonial. 

A moqueca, segundo o pesquisador Nei Lopes, é um guisado ou caldeirada de peixe, camarões ou carne, que faz parte da culinária afro-brasileira. A origem do vocábulo é de Angola, país que se localiza no Sul do continente africano.

Por sua vez, o mocotó é uma iguaria muito comum na culinária do nosso país, com sua origem marcada na África. Um prato também fruto da diáspora negra, que remonta à Angola e foi introduzido no Brasil com os negros escravizados. A palavra “mocotó” tem origem na língua Quimbundo, segundo o pesquisador Nei Lopes. 

O elogio de Garret à culinária brasileira, sobretudo aos pratos acima mencionados, me trouxe à lembrança memórias recentes, de quando comecei a praticar harmonização, pareamento entre cerveja e comida, em 2018. Eu era constantemente interpelada por pessoas do meio cervejeiro que denominavam como exóticos os pareamentos feitos por mim com comidas tipicamente brasileiras.  Para essas pessoas, o glamour da cozinha estava em ofertar experiências com a culinária internacional. E, no entendimento delas, a brasileira estava nesse grupo. 

Ou seja, os saberes e sabores nacionais não seriam aptos a acolher o paladar exigente de quem frequentava a alta gastronomia. E isso me incomodava muito. Para mim, a nossa culinária tem uma riqueza inimaginável e abraça lindamente os sabores que a cerveja artesanal entrega.

Antes mesmo dos generosos e fartos elogios de Garret aos nossos pratos, Randy Mosher, especialista cultuado no campo da cerveja artesanal, teceu fatos elogios à culinária brasileira em 2020, bem como ao vasto terroir vocalizado na nossa fauna e flora. Segundo ele, o Brasil e a América Latina seriam o futuro da cerveja artesanal pelo rico bioma que possuem.

Faço coro a Oliver e Mosher, até porque a gastronomia nacional brasileira é riquíssima e cheia de elementos afro-indígenas, além de muito versátil. Chefs e cozinheiras negras vem fazendo esses apontamentos há bastante tempo. Contudo, não eram ouvidas ou valorizadas. No livro “Um Pé na Cozinha — um olhar sócio-histórico para o trabalho de cozinheiras negras no Brasil” a pesquisadora e antropóloga Taís Machado já nos advertia sobre esse aspecto da negação dos saberes produzidos por corpos racializados.

Voltando ao campo da cerveja artesanal, nos dias atuas, mais precisamente depois dos episódios de 2020, muitas pessoas do mercado se aproximaram dos saberes ancestrais. Antes, as pessoas não falavam em ancestralidade quando eram feitas propostas de harmonizar com a culinária local. Liam como algo exótico. Hoje percebemos que elementos da cultura nacional estão sendo incorporados. Contudo, falam do indígena sem o indígena, falam do negro sem o negro, sendo que essas pessoas estão aqui e produzindo. Mas quem está ganhando dinheiro com a cultura dessas pessoas, que até pouco tempo atrás era descarta, ainda são as pessoas brancas. Ou seja, os saberes entram, os corpos não.

Com essa aproximação de Oliver com a nossa culinária, sobretudo, fazendo os acenos à culinária afrodiaspórica, tenho a esperança de que vozes negras e indígenas sejam protagonistas no meio cervejeiro nacional.

Sara Araujo é sommelière de cervejas e palestrante sobre relações raciais; consultora, formada em Direito (ITE de Bauru/2012) e em Ciências Sociais (UEM/2022), é também especialista em História da África e da Diáspora Atlântica (Instituto Pretos Novos/2025), além de mestranda em Ciências Sociais pela UEM.