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Indústria cervejeira reduz uso de água em 40% nos últimos 15 anos no Brasil

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A água é indispensável para a cerveja. Além de compor cerca de 90% do produto, ela é utilizada em vários processos numa cervejaria, como resfriamento e limpeza. E em épocas em que cidades como São Paulo (SP) enfrentam a ameaça de uma nova crise hídrica, é bom saber que a Indústria cervejeira reduziu o uso de água em 40% nos últimos 15 anos.

O dado é um dos destaques no Relatório de Sustentabilidade do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), documento inédito lançado nesta quarta-feira (17) em cerimônia no Salão Nobre da Câmara dos Deputados. O documento, elaborado pela primeira vez pela entidade que representa 12 associados responsáveis por 85% da produção nacional, também registra avanços expressivos em reciclagem, reuso de embalagens, transição energética e impacto social ampliado.

O relatório está disponível na íntegra no site do Sindicerv.

Relatório de sustentabilidade Sindicerv

O relatório é uma construção coletiva de empresas de diferentes portes, regiões e perfis em prol de uma agenda positiva comum. E o impacto é grande, dado o peso econômico e social do setor cervejeiro no Brasil. Trata-se de uma das maiores cadeias produtivas do país, gerando 2,5 milhões de empregos diretos, indiretos e induzidos, respondendo por 2% do PIB brasileiro e contribuindo com mais de 50 bilhões de reais em impostos anuais.

Ao reunir doze associadas em um mesmo documento, o Sindicerv demonstra a maturidade de um ecossistema capaz de influenciar comportamentos, acelerar soluções e ampliar resultados sustentáveis em escala.

Para Priscilla Gurgel, gerente de Sustentabilidade do Sindicerv, o documento inédito simboliza uma virada de chave na forma como o setor encara o seu papel no país. “Reunimos dados, iniciativas e compromissos de empresas muito diferentes entre si, mas que compartilham um mesmo propósito. Este Relatório mostra que a sustentabilidade é uma força estruturante do setor cervejeiro, guiada por ciência, inovação e pelo respeito às pessoas que fazem essa cadeia acontecer. É um documento vivo, que orienta decisões e inspira novos avanços.”

O presidente-executivo do Sindicerv, Márcio Maciel, reforça que a sustentabilidade faz parte da identidade da indústria. “A cadeia da cerveja move o Brasil. Gera emprego, renda, inovação e desenvolvimento. O lançamento deste Relatório prova que podemos ir além: crescer, preservando recursos, acelerando a transição energética, valorizando catadores e fortalecendo as comunidades. Quando a cerveja avança com responsabilidade, todo o país avança junto.”

Indústria cervejeira e o uso de água

Em 2011 a indústria da cerveja tinha um consumo de água 4,3 litros para produzir cada litro de cerveja. Já em 2014, com o avanço da tecnologia e investimentos do setor, ele chegou a 2,6 litros em média. Segundo o documento do Sindicerv, essa melhoria representa uma economia de 161,93 bilhões de litros de água no período. É um volume capaz de abastecer uma cidade de 2,9 milhões de habitantes (como Brasília) por um ano.

Grandes e pequenas cervejarias estão juntas na preocupação e nos investimentos para melhor utilização dos recursos hídricos. A Ambev, por exemplo, economizou cerca de 56,1 mil m³ de água por mês somente com a água de reúso utilizada nos processos industriais. Já o Grupo Heineken alcançou uma redução de 18% no consumo desde 2022 por meio de inovações tecnológicas e melhorias nos processos de produção e reaproveitamento, de acordo com o relatório.

Cervejarias artesanais também estão definindo metas de melhorias. A Stannis, de Jaraguá do Sul (SC), colocou como objetivo reduzir o uso para 6 litros em 2026 e 4 litros em 2027. A Quatro Poderes, de Brasília (DF), atua com o Ação Água, programa de otimização de recursos e tem meta de redução de 10% no em 2025 e 5% adicionais em 2026.

Embalagens e transição energética na indústria cervejeira

Íntegra do Relatório de Sustentabilidade do Sindicerv está disponível no site da entidade (Crédito: Reprodução/Sindicerv)

Entre os destaques do relatório estão as melhorias em embalagens. A reciclagem de latas de alumínio chegou a 97,3% em 2024, mantendo o Brasil entre os líderes globais do setor. Mais de 33,5 bilhões de unidades retornaram ao ciclo produtivo e podem voltar às prateleiras em apenas 60 dias, em média. A indústria cervejeira representa mais da metade do mercado brasileiro de latas.

A reciclagem de vidro também avançou, impulsionada pela Circula Vidro, iniciativa que reúne indústria, entidades e fabricantes para transformar o material. Uma mesma garrafa de cerveja é reutilizada, em média, 25 vezes. Hoje mais de 80% do portfólio de vidro é retornável.

O relatório também evidencia o avanço da indústria na transição energética, uma das pautas ambientais mais urgentes do mundo. Praticamente 100% da energia elétrica utilizada pelas associadas já vem de fontes renováveis, seja por autogeração — como parques solares eólicos —, seja por contratos de compra de energia limpa. A frota elétrica em expansão (cerca de 400 caminhões elétricos são usados nas operações de transporte) reforça esse compromisso. Além disso, reduz emissões diretas, aproximando o setor das metas de descarbonização.

Meio ambiente e impacto social do setor cervejeiro

O documento também destaca o conjunto de ações de cunho ambiental: cerca de 3 milhões de árvores plantadas, 2.780 hectares de matas nativas restauradas, 11 mil hectares de áreas de conservação mantidas.

Além disso, há destaque no campo social. O setor demonstra que resultados ambientais expressivos dependem, sobretudo, de pessoas, ao reconhecer, apoiar e fortalecer o trabalho essencial dos catadores e das cooperativas na economia circular. Essa combinação entre tecnologia e humanidade torna possível transformar resíduos em recursos e inclusão social em impacto permanente.

O consumo consciente também é destaque no documento. Ele ressalta o aumento dos portfólios de bebidas com menor teor alcoólico e sem álcool e o crescimento expressivo do volume de produção desses produtos. Também há ações visando promover a moderação e combater o uso nocivo de bebidas alcoólicas.

Inflação da cerveja desacelera em novembro; acumulado de 12 meses se aproxima ao IPCA

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A inflação da cerveja fechou o mês de novembro com variação de 0,73%, acima da inflação oficial do país captada pelo IPCA, que subiu 0,18%, mas abaixo do registrado em outubro, quando a variação ficou em 0,75%.

No acumulado de 12 meses, os preços da cerveja em domicílio variaram 4,53%, em consonância com o indicador geral, de 4,46% no mesmo período.

Os dados são do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), e foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

LEIA TAMBÉM:

IPCA: Inflação geral e da cerveja mês a mês nos últimos 12 meses
MêsGeralCerveja em domicílioCerveja fora do domicílio
novembro 20250,180,730,78
outubro 20250,090,75-0,08
setembro 20250,480,640,44
agosto 2025-0,1110,42
julho 20250,260,450,06
junho 20250,240,36-0,17
maio 20250,260,110,11
abril 20250,430,480,61
março 20250,560,370,17
fevereiro 20251,31-0,291,07
janeiro 20250,160,49-0,09
dezembro 20240,52-0,640,24
novembro 20240,390,850,79
Fonte: IBGE

Inflação da cerveja

Este é o sexto mês consecutivo em que a cerveja tem resultado superior ao índice geral. No ano, a variação acumulada da cerveja é de 5,20% e, em 12 meses, de 4,53%. Ambos os acumulados estão superiores ao do índice geral: 3,92% e 4,46%, respectivamente.

De acordo com o IBGE, a variação de preços é explicada porque os preços da cerveja foram reajustados por alguns fabricantes, com possível reflexo ao longo dos meses para o consumidor final. 

Goiânia tem maior aumento e São Luís, maior recuo

Na análise entre as 17 capitais avaliadas pelo IBGE, a que teve maior variação de preços da cerveja em novembro foi Goiânia, com avanço de 1,85%, seguida por Belém e Campo Grande (1,65% cada) e Curitiba (1,58%).

Os maiores recuos foram registrados em São Luís, com redução de -1,89% nos preços, seguida por Porto Alegre (-0,91%) e Belo Horizonte (-0,34%).

Produção industrial segue em ritmo de recuperação

Os dados da PIM-PF (Pesquisa Industrial Mensal — Produção Física), também divulgados pelo IBGE, apontam que a fabricação de bebidas alcoólicas recuou -1,3% em outubro, em mais um mês de recuperação gradual do setor desde julho, quando o recuo atingiu o menor nível do ano, de -14,8%.

No acumulado do ano, de janeiro a outubro, a variação também ficou negativa em -4,3%, levemente acima do acumulado até setembro, quando ficou em -4,7%.

O acumulado de 12 meses, de outubro de 2024 a outubro de 2025, teve recuo de -4,4%.

Guinness é viral: como desafios do TikTok rejuvenesceram uma Stout centenária

A Guinness, tradicional cerveja Stout irlandesa, está passando por uma nova e inesperada fase de popularidade. A cerveja se tornou estrela de desafios que viralizaram nas plataformas de redes sociais em todo o mundo, o que está impulsionando o consumo e trazendo maior visibilidade à bebida para além dos pubs.

O sucesso da Guinness nas redes sociais tem sido impulsionado por desafios e rituais que transformam o ato de beber em conteúdo compartilhável. Veículos internacionais especializados como o VinePair, The Independent e The Drinks Business têm noticiado e analisado esse fenômeno cultural e comercial.

A ascensão da Guinness no digital é orgânica e passa longe de grandes planejamentos de marketing — ou seja, é o público que está levando a cerveja à ascensão e à nova popularidade. O resultado foi um recorde inesperado de vendas que, segundo a CNN, levou os pubs a temerem ficar sem estoque da bebida.

“Split the G” (Divida o G)

Um dos desafios mais viralizados ficou conhecido como “Split the G” (que, em tradução livre, significa divida o “G”). Esta tendência consiste em dar um primeiro (grande) gole no pint de Guinness até que a linha entre o líquido escuro e o famoso creme branco se posicione de maneira exata com o centro da letra “G” impressa no copo oficial. 

É um desafio bem difícil e, ao mesmo tempo, divertido, já que a tendência é que se beba menos ou mais do que a linha imaginária.

Mas, por que isso se tornou viral? Especialistas em marketing e conteúdo digital afirmam que a força do “Split the G” está em sua simplicidade e alto valor visual. O desafio transforma um momento comum de consumo em uma competição social, potencializada pelo alcance dos vídeos. 

Se, antes, brincadeiras com bebidas ficavam circunscritas a quem dividisse a mesa de bar (ou de casa, entre amigos), agora não há limites físicos para compartilhar essa experiência. A graça está em filmar e compartilhar as tentativas e sucessos, o que representa um volume significativo de publicidade gratuita e autêntica, conhecida como earned media.

A origem dessa brincadeira ainda é debatida, mas não se originou da equipe de marketing da Guinness, já que a marca nunca lançou uma campanha de marketing para “Dividir a G”. Especialistas até dizem que, se a Guinness tentasse criar uma versão comercializada da experiência, o resultado poderia levá-la ao constrangimento, comum às marcas que tentam forçar uma identificação com o público.

Em vez disso, a Guinness focou em fortalecer a cadeia de suprimentos para garantir que, à medida que a popularidade crescesse, sempre haveria um copo e um barril para satisfazer a experiência do cliente-fã.

Guinness na variação “60/40”

Outra tendência que ganhou visibilidade é o pint “60/40”. Essa variação reflete uma mudança no comportamento do consumidor, que busca bebidas com menor teor alcoólico. A receita é simples: uma mistura de 60% da Guinness 0.0 (a versão não alcoólica) com 40% da Guinness tradicional, resultando em uma stout híbrida com cerca de 1,7% de álcool por volume.

A tendência gerou forte controvérsia na comunidade cervejeira, sendo vista por alguns como uma inovação inteligente e por outros como um “sacrilégio” à receita centenária. 

No entanto, é exatamente essa polarização que alimenta o debate e o engajamento massivo nas plataformas digitais, mantendo a marca em evidência. Afinal, todo mundo quer comentar o que acha da mistura.

A estética e o ritual como fatores de sucesso

O fascínio das redes sociais pela Guinness é mais profundo do que modismos passageiros. Analistas de mercado apontam que a cerveja possui características intrínsecas que a tornam naturalmente atraente para o consumo de mídia.

Em primeiro lugar, eles destacam que a estética da cerveja é um grande diferencial. Afinal, o contraste dramático entre o corpo escuro e a espuma cremosa branca se alinham com o “efeito cascata”, processo visual que ocorre enquanto o líquido se acerta no copo enquanto está sendo servido. Todo esse contexto fornece uma experiência visual ideal para vídeos curtos e impactantes. Ou seja, sucesso garantido.

Em segundo lugar, o ritual de serviço da Guinness, com sua exigência de um despejo lento e em duas etapas, cria um elemento de performance ou “teatro” no bar. Esse processo, que leva cerca de 120 segundos para ser concluído, se alinha perfeitamente com a narrativa de conteúdo digital. Nesse aspecto, a experiência é tão valorizada quanto o produto final. E isso traz mais elementos à degustação dessa cerveja — ou seja, além do paladar, o visual também agrada.

Ao capitalizar a autenticidade de sua história, enquanto permite que seus consumidores criem e conduzam as tendências, a Guinness demonstrou a capacidade de uma marca centenária de se manter relevante e prosperar na dinâmica cultural da era digital.

Mídia espontânea rejuvenesceu a marca Guinness (Imagem: Reprodução / Guinness.com)
Mídia espontânea rejuvenesceu a marca Guinness (Imagem: Reprodução / Guinness.com)

Decreto 12.709 marca nova fase para as bebidas no Brasil

O setor de bebidas no Brasil começa a operar sob novas regras com a publicação do Decreto nº 12.709/2025, que reformula completamente o regulamento de fiscalização de produtos de origem vegetal. A proposta é modernizar o modelo anterior, que já não acompanhava as transformações do mercado. O novo texto traz conceitos atualizados, mecanismos mais precisos de controle e uma tentativa clara de desburocratizar sem abrir mão da segurança e da transparência.

A nova norma já está em vigor. No entanto, os efeitos variam conforme o tipo de dispositivo: algumas regras passam a valer imediatamente, outras em até dois anos, a depender da exigência. É o caso, por exemplo, das rotulagens com alteração de denominação, que só precisarão ser adaptadas após 730 dias da publicação oficial.

Fim da divisão entre vinhos e as demais bebidas

Uma das mudanças mais marcantes está no fim da separação histórica entre o vinho e as outras bebidas. Até então, a legislação era dividida em dois blocos. De um lado, estavam as normas específicas para o vinho e seus derivados. Do outro, as regras gerais para cervejas, destilados, sucos, vinagres e demais bebidas.

Com o novo decreto, todas essas categorias passam a ser tratadas dentro de um único marco regulatório. Bebidas agora integram o conceito amplo de produtos de origem vegetal, ao lado de vegetais in natura, processados, algas, fungos e até ingredientes destinados à alimentação animal. Essa unificação busca simplificar o entendimento e tornar a fiscalização mais eficiente, promovendo um ambiente regulatório mais harmonizado e atualizado com os padrões internacionais.

Rastreabilidade ganha protagonismo

Um dos pontos que mais chama atenção é a forma como o Decreto 12.709 trata a rastreabilidade. O tema, que antes era tratado de forma pontual, agora ocupa uma seção inteira. Isso não parece ser coincidência. Diante de crises recentes envolvendo contaminação de bebidas por substâncias como o metanol, a nova norma reforça a importância de se conhecer a origem e o percurso dos produtos ao longo de toda a cadeia produtiva.

Todos os agentes envolvidos — do campo ao envase — precisarão manter registros auditáveis por até 18 meses. Essas informações deverão estar disponíveis às autoridades quando solicitadas. A rastreabilidade deixa de ser apenas uma formalidade e passa a ser uma ferramenta central de segurança alimentar e responsabilidade empresarial.

Rotulagem: mais clareza, menos espaço para dúvidas

A nova regulamentação também traz avanços importantes nas regras de rotulagem. Os rótulos precisarão ser claros, legíveis, em língua portuguesa e com informações corretas e completas. Elementos gráficos que possam induzir o consumidor ao erro — como imagens que sugiram propriedades terapêuticas — estão expressamente proibidos.

Produtos importados também deverão seguir as mesmas exigências, com as informações obrigatórias disponibilizadas em português, seja no rótulo original ou em etiqueta complementar.

Declaração de produção anual: continua obrigatória, mas com menos rigidez formal

Antes do decreto 12.709, a apresentação da declaração de produção anual era uma exigência clara, com prazo fixo até 31 de janeiro de cada ano. Todos os estabelecimentos deveriam comunicar à Superintendência Federal de Agricultura a quantidade produzida e os estoques existentes ao fim do exercício.

A nova norma não traz mais esse detalhamento. A obrigatoriedade aparece apenas como uma infração de natureza moderada quando não cumprida dentro do prazo definido em legislações específicas. Ou seja, a exigência segue válida, mas os detalhes operacionais passam a ser definidos em atos normativos complementares.

Na prática, essa mudança flexibiliza a redação da obrigação, mas reforça que seu descumprimento ainda pode gerar sanções. A declaração continua sendo peça-chave para garantir as informações de cada setor — no caso das cervejarias, por exemplo, é a base dos dados utilizados na elaboração do Anuário da Cerveja.

Multas mais proporcionais e valores revistos

O novo decreto também atualiza o regime de sanções. Antes, o valor mínimo de multa era de R$ 2.000. Agora, com base na Lei nº 14.515/2022, esse valor pode começar em R$ 100, podendo chegar a R$ 150.000, conforme a gravidade da infração e o porte da empresa.

Essa nova lógica cria uma gradação mais justa, com tabelas de referência para aplicar penalidades proporcionais à capacidade econômica do infrator e ao impacto da conduta irregular. Além disso, os valores passam a ser corrigidos anualmente com base no INPC, garantindo atualização frente à inflação.

Um marco regulatório mais coerente com o presente

O Decreto nº 12.709/2025 representa uma mudança importante no modo como o Brasil enxerga e fiscaliza seus produtos de origem vegetal, incluindo as bebidas alcoólicas e não alcoólicas. A modernização da linguagem normativa, a integração de categorias antes tratadas de forma separada e a valorização de temas como rastreabilidade e rotulagem mostram um esforço claro em alinhar o país com práticas mais contemporâneas e eficientes.

Para quem vive o dia a dia do setor de bebidas, o novo regulamento oferece desafios e também oportunidades. Adaptar-se será essencial. Afinal, o respeito às regras segue sendo o primeiro ingrediente de qualquer produto de qualidade.


André Lopes é advogado, sócio do escritório Lopes Verdi Advogados e criadores Advogado Cervejeiro.


* Este é um texto opinativo. As opiniões e informações contidas nele são de responsabilidade do colunista e não refletem necessariamente a opinião do Guia da Cerveja.

Menu Degustação: World Beer Cup terá participação de cervejas brasileiras via Abracerva

O World Beer Cup, considerado o mais importante concurso de cerveja do mundo, terá a participação das cervejas brasileiras premiadas com medalha de ouro na etapa nacional da 5ª Copa Cerveja Brasil, competição da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva). O evento acontece em abril de 2026 nos Estados Unidos.

A participação das cervejarias no World Beer Cup ocorre por meio de uma parceria entre a Abracerva e sua congênere estadunidense, a Brewers Association (BA), organizadora da competição internacional e que ofereceu inscrições gratuitamente para as medalhistas brasileiras. São 17 cervejas representas do Brasil este ano. Em 2024 e 2025 foram conquistados sete prêmios internacionais.

“Essa proximidade com a BA ampliou o acesso das pequenas cervejarias brasileiras ao principal palco competitivo do mundo [World Beer Cup]. É uma oportunidade real de mostrar nossa técnica, diversidade e criatividade, e reforçar internacionalmente o valor da cerveja artesanal do Brasil”, afirma o presidente da Abracerva, Gilberto Tarantino.

A parceria inclui ainda uma missão internacional para a Craft Brewers Conference and BrewExpo America, maior encontro anual da indústria de cerveja artesanal das Américas, que acontece na Philadelphia entre 20 a 22 de abril. É nesse evento que acontece a premiação do World Beer Cup. Os interessados em participar podem entrar em contato pelo e-mail wbc2026@abracerva.com.br.

Além do World Beer Cup, confira também neste Menu Degustação:

Mariana Astolfi lança Cacau IPA em parceria com o app BeerBo

A empresária e influenciadora da cerveja Mariana Astolfi, do perfil do Instagram @confianamari, lançou na quinta-feira (11) no Empório Alto de Pinheiros na capital paulista uma nova versão da sua Cacau IPA, receita que produz há anos para seu bar em Bauru (SP), o Dignissima Beer & Smoke. Desta vez, ela saiu das panelas pequenas para ser produzida em escala maior com ajuda do aplicativo BeerBo, de propriedade de Fernando von Borstel – ex-proprietário da cervejaria Von Borstel, de Londrina (PR).

O BeerBo é um software por assinatura de controle de produção focado em cervejarias que também oferece a possibilidade de produção de pequenos lotes (250 a 500 litros) dentro do projeto Cervejaria Experimental. A cerveja, que foi inspirada na Cacau IPA da Bodebrown, de Curitiba (PR), fica engatada no EAP até acabar. Mas boa parte da produção vai para o bar de Bauru.

Peregrinos Abominável Wild Fest acontece neste sábado

A cervejaria Peregrinos realiza neste sábado (13) o Abominável Wild Fest 2025, festival de cervejas selvagens e ácidas, no Peregrinos Pocket Bar na Vila Madalena, em São Paulo (SP). Dezenas de cervejas selvagens nacionais e Lambics belgas serão servidas em doses a partir de garrafas e dez torneiras de chope. Para participar, o interessado deve comprar a taça oficial na plataforma Sympla, que dá direito a consumo open bar. O evento ocorre das 12h às 20h no tap room (Rua Girassol, 655) e imediações.

Ativações da Ambev marcam Carnatal 2025

O Carnatal 2025 em Natal (RN) consagrou o reencontro do público potiguar com a Ambev cheia de experiências com as marcas Skol, Guaraná Antarctica e Beats. Skol celebrou seus 60 anos com o Camarote Skol e uma prainha instagramável, reforçando sua relação histórica com o evento. Guaraná Antarctica resgatou a cultura dos tradicionais pernas de pau e distribuiu glitter, enquanto Beats lançou o Green Mix e instalou um prisma instagramável. A Ambev também reforça estratégia de conexão cultural incentivando o consumo responsável e oferecendo opções zero álcool.

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Edelbrau lança cerveja Tripel envelhecida em barris

A Cervejaria Edelbrau lançou uma Belgian Tripel maturada por seis meses em barril de carvalho americano. O processo confere complexidade e intensifica os aromas, com notas de frutas maduras e especiarias, além da madeira, que remete a baunilha e coco-queimado. A tiragem é limitada. São cerca de 600 unidades em embalagem colecionável. O sócio Fernando Maldaner afirma que a edição continua o projeto de rótulos envelhecidos, explorando novos sabores na cervejaria gaúcha.

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Cervejaria Erdinger amplia presença no Brasil com Interfood

A Erdinger, maior e mais popular marca de cerveja de trigo independente da Alemanha, amplia sua presença no Brasil com distribuição exclusiva pela Interfood. Fundada em 1886 em Erding (Alemanha), a cervejaria segue a Lei da Pureza da Cerveja de 1516 e usa o método de maturação dupla bávara para garantir o equilíbrio de corpo e aroma. O portfólio traz opções — disponíveis em garrafa, lata e barril — como Dunkel, Pikantus, Helles, Kristall e Urweisse. Também estão a sazonal Oktoberfest, a clássica Weissbier e a sem álcool Alkoholfrei,

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Festival Cultural de Natal da Bodebrown

A Bodebrown realiza neste sábado (13) e domingo (14) o Festival Cultural de Natal em Curitiba (PR), gratuito e aberto ao público. A programação, que marca dez anos de festivais temáticos da cervejaria, destaca a união da Orquestra Sinfônica de Curitiba e a banda Made In CWB para interpretar clássicos do Iron Maiden no domingo. O evento terá ainda apresentações folclóricas, tributos a bandas de rock, espaço gastronômico e visitas à fábrica, com Café da Manhã Solidário mediante doação de alimentos. Mais informações sobre os horários e atrações estão no site oficial bodebrown.com.br.

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Academia da Cerveja celebra 2 anos

A Academia da Cerveja, escola de cultura cervejeira da Ambev, celebra dois anos de sua sede física em São Paulo (SP) com programação especial em dezembro. A agenda começa na segunda-feira (15) com a última edição gratuita do curso “Introdução ao Mundo da Cerveja”, e na quinta-feira (18) com uma harmonização natalina, com inscrições a R$99. As atividades para maiores de 18 anos acontecem na sede em Pinheiros, com informações e inscrições no site academiadacerveja.com.

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Corona Luau MTV já está disponível online

O Corona Luau MTV de 2025 presta um tributo emocionante à Cássia Eller, que completaria 63 anos na quarta-feira (10). O programa, gravado em Maresias (SP) com Nando Reis, Céu e Os Garotin, e apresentado por Sarah Oliveira, já pode ser assistido online YouTube da MTV Brasil eCorona, e também na Pluto TV. A homenagem integra a celebração dos 100 anos da marca de cerveja, com a turnê do projeto seguindo para o Rio de Janeiro (RJ) no domingo (14) e São Paulo (SP) no domingo (21), com ingressos à venda no site eventim.com.br.

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Itaipava patrocina show de encerramento da Tardezinha 2025

A Itaipava é a cerveja oficial do encerramento da turnê Tardezinha 2025, do cantor Thiaguinho, em São Paulo (SP), no sábado (20), no autódromo de Interlagos. Em dez anos de parceria, a marca, que prioriza a praça paulista, criou uma embalagem exclusiva da Itaipava Premium. A Head de Marketing Cristiane Rosa afirma que a presença da Itaipava no evento reforça seu compromisso com iniciativas culturais que valorizam a celebração e estreitam a relação com o público.

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Heineken Lager Spritz estreia nos bares

A Heineken Lager Spritz é uma nova Lager da marca inspirada no ritual dos coquetéis Spritz, com infusão de botânicos e 6% de teor alcoólico. Ela agora começa a chegar a bares selecionados de São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Florianópolis (SC). O preço será o mesmo da Heineken tradicional. O lançamento inaugura uma experiência de consumo exclusiva, com ritual em copo especial, gelo e fatia de laranja. Elbert Beekman, gerente de marketing, reforça a antecipação de tendências da marca, expandindo o universo cervejeiro com um ritual que eleva a ocasião de consumo no verão.

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Tiny Desk Brasil recebe Liniker, que lança música inédita

Liniker, uma das mais celebradas cantoras brasileiras, é a atração do décimo episódio do Tiny Desk Brasil, apresentado por Heineken, que foi ao ar na terça-feira (09) no canal exclusivo no YouTube. A artista, que já estrelou a versão americana, presenteia o público da mesinha com o primeiro fonograma da canção inédita “Charme”. Liniker se diz ansiosa para conhecer a pluralidade musical do país através do formato, que segue a filosofia de valorizar a essência da música em seu estado mais natural.

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Budweiser estreia plataforma Bud Live no Brasil com Maroon

A Budweiser deu o pontapé inicial na plataforma global de música Bud Live no Brasil com um show exclusivo do Maroon 5 em São Paulo (SP) na sexta-feira (5). O evento, criado para os fãs mais apaixonados, reuniu personalidades como Bianca Andrade e Mari Palma, e teve ambientes imersivos e latas comemorativas com as assinaturas da banda. A plataforma Bud Live, presente de Budweiser aos fãs, busca proporcionar experiências exclusivas, colocando o público no centro e aproximando-o dos seus ídolos.

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Lote promocional do Brasil Cup 2026 se encerra na segunda-feira

O lote promocional de inscrições para a Brasil Cup 2026, uma das competições mais prestigiadas de bebidas da América Latina, está chegando ao fim. A data limite para aproveitar o preço especial de R$ 260 se encerra na segunda-feira (15). A partir de terça-feira (16) o valor será outro: R$ 390. Os interessados devem garantir a participação e conferir os regulamentos pelo site www.brasilbeercup.com.br. A edição de 2026 será em Florianópolis (SC), entre 07 e 12 de setembro, e promete superar o recorde de rótulos de 2025, com a inclusão de novos segmentos, como Brasil Chocolate Cup e Brasil Olive Cup.

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7 locais para beber cerveja artesanal em Belo Horizonte

Belo Horizonte (MG) é, de fato, a capital mundial dos botecos. No entanto, a cidade provou que vai além do tradicional. BH também é um polo de turismo cervejeiro nacional. Essa efervescência de brewpubs, bares e tap houses eleva a qualidade dos rótulos locais e combina a paixão mineira pela gastronomia com a arte da cerveja artesanal em Belo Horizonte.

Aproveitando o aniversário da cidade, comemorado nesta sexta-feira (12 de dezembro), o Guia da Cerveja fez uma seleção de sete locais cervejeiros da capital mineira que valem a visita.

Cervejaria Octopus Greenhouse (Savassi)

A Greenhouse é a casa da Cervejaria Octopus em BH. Trata-se de um brewpub localizado no bairro Savassi. O grande destaque, é claro, são as cervejas produzidas lá mesmo. O ambiente oferece um espaço moderno e convidativo. Assim, o público pode provar diversos chopes fresquinhos de maneira bem confortável. As mais famosas cervejas da Octopus são as lupuladas, como as New England IPAs. Mas a casa também ótimas opções de perfil mais leve.

Endereço: R. Tomé de Souza, 600 — Savassi.

Capa Preta Tap House (Savassi)

A cervejaria Capa Preta, já consolidada no cenário nacional, oferece seu próprio tap house também no coração da Savassi. Assim, o público pode consumir as criações da marca recém-saídas na fonte, localizada em Nova Lima. O ambiente é moderno, intimista e focado na degustação, com diversas torneiras servindo clássicos como a Tropical Blonde e as IPAs da casa. Experimente também os hambúrgueres da casa.

Endereço: Rua Levindo Lopes, 303 — Savassi.

Protótipo (Santa Tereza)

O Protótipo é uma parada obrigatória no histórico bairro de Santa Tereza, combinando atmosfera nostálgica com uma curadoria de rótulos de ponta. Criado em 2016, tem foco na variedade e na qualidade das cervejas, oferecendo uma das seleções mais vastas de cerveja artesanal em Belo Horizonte. A casa não produz a própria cerveja, mas possui dez torneiras de chope rotativas, além de uma impressionante geladeira com cerca de 200 rótulos em garrafa e lata de múltiplas marcas, nacionais e importadas. O amplo pátio a céu aberto complementa a experiência, proporcionando um ambiente descontraído para degustar.

Endereço: Rua Professor Galba Veloso, 206 — Santa Tereza.

Hofbräuhaus BH (Lourdes)

Hofbräuhaus BH é o primeiro e único brewpub da HB na América Latina (Crédito: Carol Thusek / Dvulgação)
Hofbräuhaus BH é o primeiro e único brewpub da HB na América Latina (Crédito: Carol Thusek / Dvulgação)

Visitar a Hofbräuhaus de Belo Horizonte é algo quase obrigatório para o cervejeiro. Lá, você poderá experimentar a cultura cervejeira de Munique. Essa é a única filial na América Latina da lendária Hofbräuhaus até agora. A casa garante uma experiência autêntica, que inclui pratos típicos alemães, como joelho de porco e salsichões. O grande destaque são as cervejas artesanais frescas, feitas in loco, que seguem a Lei da Pureza (Reinheitsgebot). Experimente a clássica Hofbräu Original, uma Munique Helles. Aproveite as canecas de um litro.

Endereço: Av. do Contorno, 7613 — Lourdes (confira nos links do Google Maps as informações de dias e horários de atendimento).

Bar do Antônio / Pé de Cana (Sion)

Este é um clássico que soube se reinventar. O Bar do Antônio, o “Pé de Cana”, incluiu as cervejas artesanais no menu, que são servidas ao lado das cervejas mainstream. Já teve uma segunda unidade, no bairro Luxemburgo, que produzia até uma cerveja própria. Mas ela não está mais ativa. No entanto, o mais interessante aqui é que ele não perdeu sua essência de boteco. Poder aproveitar IPA, Session IPA e APA num ambiente de bar mineiro original, com petiscos ótimos e tradicionais, não tem preço. O casamento entre a tradição e a cerveja artesanal se prova perfeito.

Endereço: Rua Flórida, 15 — Sion.

Craft Station (Savassi)

O Craft Station é um ótimo ponto de encontro para os amantes de cerveja artesanal em Belo Horizonte. A casa nasceu como Growler Station, mas hoje é muito mais. São mais de uma dezena de torneiras de chope rotativas e mais de 200 rótulos em latas e garrafas. Uma bela tap house multimarcas.

Endereço: Rua Sergipe, 1233 – Savassi.

Stadt Jever (Funcionários)

Se você busca uma experiência com raízes europeias, mas com algo a mais, o Stadt Jever é o destino ideal. Inaugurada em 1983 , esta casa é inspirada na tradição cervejeira da cidade natal do fundador Hans Joachin: Jever, na Alemanha. O ambiente é acolhedor e familiar, com muita madeira e cara de pub, e oferece pratos de comida alemã e petiscos brasileiros em porções generosas. Mas ele vai além. Foi adquirido em 2012 pela família Carneiro, que fundou a Wäls, e hoje também tem cervejas artesanais e até produção própria. Uma ótima opções pela tradição ou pela cerveja.

Endereço: Av. do Contorno, 5771 – Funcionários.

Cerveja artesanal em Belo Horizonte se estende ao Jardim Canadá

Apesar da lista acima ser focada na capital, também vale a visita o polo de cerveja artesanal de Nova Lima, especialmente no Jardim Canadá, que fica bem próximo da capital. É uma das maiores concentrações de cervejarias do país. E beber cervejas na fonte, nas fábricas de lá, é uma experiência incrível e muito recomendada. Geralmente, elas também estão abertas ao público e recebem visitas aos finais de semana. Vale a pena fazer contato antes com as cervejarias para saber a programação.

Lata ou garrafa, qual é a melhor? Especialista explica se a embalagem muda a cerveja

Nas mesas de bar ou nas confraternizações em casa, o debate sobre as embalagens de cerveja costuma dividir opiniões. Afinal, entre a lata e a garrafa, qual é melhor? Há quem jure que exista diferença no sabor de uma mesma marca de cerveja de acordo com a embalagem — e defenda uma ou outra preferência. Mas, existe mesmo uma embalagem melhor?

A resposta curta e clara é: depende. Para desmistificar essa “guerra” e entender as vantagens e desvantagens de cada material na conservação da sua bebida favorita, conversamos com Kathia Zanatta, sommelière de cervejas, professora e sócia do Instituto da Cerveja.

O mito da diferença entre lata e garrafa

A primeira coisa que precisamos fazer é derrubar um mito. Muita gente jura que a cerveja de garrafa é “mais gostosa” porque a receita seria diferente da versão em lata. Mas isso não é verdade.

Zanatta explica que, nas cervejarias, o tanque de maturação é o mesmo. O que muda é apenas o destino final do líquido na linha de envase. “É importante dizer que, considerando uma mesma marca, a mesmíssima cerveja vai para a lata e para a garrafa, não existe diferença nenhuma no líquido envasado nas duas”, explica a sommelière. 

Portanto, se você sente alguma diferença, ela não vem dos ingredientes, mas sim de como cada material interage com o ambiente externo e com a sua própria experiência de beber.

No entanto, há pequenos detalhes que devem ser considerados. Entre eles está a carbonatação. “Em estilos convencionais, podemos manter a mesma carbonatação em ambos. Naqueles estilos onde se deseja carbonatação mais elevada, na versão em lata é necessário um cuidado maior para que não haja estufamento durante a pasteurização”, afirma. Mas isso é para casos bem específicos.

Mas, e a vedação? A garrafa concentra mais gás? Zanatta explica que este é outro mito. “Não existe diferença em relação a hermeticidade e isolamento do oxigênio durante a vida de prateleira. Antigamente, as latas acabavam tendo, durante o envase, um percentual maior de oxigênio dissolvido na cerveja, mas com a tecnologia atual, conseguimos ter a mesma mínima quantidade de oxigênio dissolvido em ambas as embalagens, sejam latas ou garrafas”, explica.

Vidro: tradição e anatomia

A garrafa de vidro tem um lugar cativo no coração do brasileiro. E isso tem uma explicação sensorial. Segundo Zanatta, “a garrafa de vidro tem a vantagem de ser mais anatômica para consumo na embalagem”. O bocal da garrafa é mais agradável ao tato dos lábios do que a borda de uma lata, o que influencia a percepção de prazer.

Além disso, a cor do vidro importa. A versão âmbar (marrom) é a que melhor protege a cerveja da luz entre as opções de vidro, ajudando a evitar o off-flavor (defeito sensorial) conhecido como skunking ou “cheiro de gambá”, causado pelos raios ultra-violetas (UV).

Então, o vidro é melhor? Nem sempre. Esta embalagem também tem seus “contras”. Entre elas está a fragilidade em relação à lata, já que o vidro quebra com facilidade. Além disso, o material é pesado, o que dificulta a logística. “[A garrafa de vidro] É um material mais frágil e pesado, precisando de cuidado maior com choques térmicos e necessidade de avaliação para custos logísticos”, pontua a especialista.

Lata: resfriamento rápido e reciclagem 

Concurso Lata mais Bonita do Brasil chega à 4ª edição com uma novidade: uma nova categoria volta para marcas de outros segmentos, como água, vinho, energéticos, sucos, refrigerantes, RTDs e diversas bebidas que utilizam a lata como embalagem (Crédito: Canva)
Latas protegem completamente da luz ultra-violeta (UV), presente na luz solar, lâmpadas fluorescentes e algumas de led (Crédito: Canva)

Se a garrafa ganha na anatomia, a lata sai vencedora quando o assunto é proteção e física. O primeiro grande trunfo da lata é ser uma barreira intransponível contra a luz, o maior inimigo do lúpulo. “A lata protege contra 100% da ação da luz”, afirma Zanatta. Por isso, a lata garante que a cerveja chegue ao copo exatamente como o cervejeiro planejou, sem alterações de aroma causadas pelo sol ou luz artificial.

Outro ponto que agrada muito o brasileiro é a temperatura. O alumínio troca bastante calor com o ambiente e, por isso, a cerveja fica “geladinha” mais rápido, em comparação com a garrafa. “O alumínio é um melhor condutor térmico, então na lata a cerveja gela mais rápido. Além disso, o vidro é susceptível ao choque térmico, podendo estourar/quebrar, enquanto o alumínio não”, diz a sommelière.

Além da performance térmica, a lata tem vantagens sociais e ambientais. “A lata traz como vantagem facilidade de reciclagem, leveza e segurança para eventos com grande número de pessoas”, completa Zanatta, lembrando que, em grandes festas e blocos, o vidro é frequentemente proibido por segurança.

A desvantagem? Segundo a especialista, ela é “talvez menos anatômica para consumo na própria embalagem”. Há ainda quem evite a lata alegando sentir “gosto de metal”. Mas, segundo a sommelière, isso se trata de um efeito psicológico. “A lata intacta não libera íons metálicos para percepção do gosto metálico”, afirma.

Lata ou garrafa: quem leva a melhor?

Considerando todos os prós e contras, pode-se dizer que não existe uma única resposta. Se o líquido é o mesmo e o que muda é a embalagem, use a estratégia da informação para fazer sua escolha.

Para Zanatta, a dica final é ficar atento à situação de consumo. Latas são mais leves e, dependendo da quantidade que será levada para casa, peso e organização na geladeira podem ser fatores de escolha. Outro ponto que a especialista destaca é que as latas são mais despojadas e descontraídas, enquanto garrafas são mais elegantes — então, dependendo do propósito da ocasião, dá para escolher entre uma e outra usando esses critérios também.

Assim, se for beber cerveja em um churrasco, onde geralmente é preciso gelar rápido ou se estiver em um ambiente aberto sob o sol, o melhor é ir de lata. Se quiser uma experiência mais clássica, se for beber direto da embalagem ou se a logística não for um problema, a garrafa pode atender melhor.

Agora, se o critério for o tipo de cerveja, saiba que cervejas de consumo rápido (como Pilsens e IPAs frescas), a lata parece levar vantagem. Já para cervejas de guarda (Old Ale, Imperial Stouts e Lambics, por exemplo), a garrafa ainda é soberana. 

“Na prática, realmente a garrafa ainda é soberana para estilos de guarda. Apesar de termos boas latas no mercado, a eficiência da proteção contra a corrosão depende bastante da qualidade e integridade do revestimento interno da lata. Ou seja, em amostras com revestimento deteriorado ou de espessura inadequada, poderia haver um processo inicial de corrosão que migraria para o líquido obviamente. Por isso, acho que para cervejas de guarda não valeria a pena correr riscos com embalagens metálicas e o vidro certamente passa a ser o material escolhido. Lambics (Gueuzes, Fruit Lambics) tradicionais, especificamente, não poderiam também ser envasadas em lata em função da pressão da carbonatação”, explica. 

Em meio a esta discussão, talvez a melhor dica seja servir a bebida em um copo. Assim, você evita o contato com o metal ou vidro e libera todos os aromas da cerveja — e se o copo estiver geladinho, melhor ainda. 

“Certamente beber direto da embalagem prejudica a percepção de aromas da cerveja, pois tanto a lata quanto a garrafa tem a borda bem estreita, o que não permite a liberação dos mesmos. Então, para uma avaliação sensorial, a cerveja deve certamente ser servida no copo. Entretanto, para o consumo informal, muitas vezes o prazer de beber direto da embalagem é o desejo do consumidor e está tudo bem também!”, diz.

Guia realiza pesquisa para saber com quem você brindaria a chegada de 2026; participe!

Se você pudesse brindar a chegada de 2026 com qualquer pessoa do mundo, quem seria? Do seu melhor amigo a alguma personalidade internacional. É isso que o Guia da Cerveja quer saber e conta com a sua participação. O formulário está disponível aqui.

A pesquisa leva menos de três minutos e qualquer pessoa com mais de 18 anos pode participar. As suas respostas são anônimas e não individualizadas — serão complicadas com parte de um conjunto de dados. O objetivo é entender um pouco melhor as preferências em relação a ocasiões de consumo de cerveja.

O levantamento conta com apoio da Quereres — Pesquisa e Estratégica.

Responda o questionário aqui!

“A Cerveja Explica!” ganha prêmio no maior festival de webséries do mundo

Criada pela mestre cervejeira e sommelière Cilene Saorin e pela diretora Bruna Lessa, “A Cerveja Explica! Uma Terapia de Botequim” foi premiada como Melhor Série Educacional na 11a edição do Rio Webfest, considerado o maior e mais inclusivo festival de webséries do mundo. A premiação aconteceu no dia 1o de dezembro durante o evento de gala, que foi sediado na Grande Sala da Cidade das Artes Bibi Ferreira, no Rio de Janeiro (RJ).

O reconhecimento vem após dois anos de dedicação de um projeto que começou a ser pensado em 2022. E vem numa categoria educacional, mostrando o potencial de ideias como essa para ampliar os horizontes da cerveja artesanal com o público. “A gente sente uma alegria imensa em receber esse prêmio — pelo reconhecimento mesmo de todo o trabalho”, comentou Bruna Lessa. “O desejo por entregar conhecimento é vital para a série”, admite Cilene Saorin.

A websérie tem dez episódios (todos já disponíveis no canal oficial no Youtube) que visa tornar a cultura cervejeira acessível, utilizando uma linguagem bem humorada. O enredo central da série mostra Cilene e Laíza em uma viagem por diversas cidades do interior de São Paulo, como Várzea Paulista, Ribeirão Preto e Jundiaí, explorando o contexto sociocultural da cerveja, cervejarias locais e roteiros gastronômicos.

O Guia da Cerveja entrevistou as criadoras do audiovisual, que comentaram sobre a premiação e a repercussão da série lançada no início da segunda quinzena de setembro.

Como foi receber o prêmio? Como se sentem com esse reconhecimento?

Bruna Lessa: A gente sente uma alegria imensa em receber esse prêmio — pelo reconhecimento mesmo de todo o trabalho. Esta é uma série audiovisual que carrega mais de dois anos de dedicação. Começamos a pensar nesta série em 2022. E, em 2023, materializamos os primeiros documentos para inscrição em editais. Então, existe uma trajetória longa até aqui.

Chegarmos ao final desse processo, fazermos a entrega e ainda sermos premiadas, é tudo muito significativo. É a confirmação de que aquilo a que nos propusemos desde o início — falar sobre cerveja por uma perspectiva de educação — está sendo visto e valorizado.

E, embora tenha esse tempo próprio de desenvolvimento, a série reflete o trabalho pioneiro da Cilene Saorin nesse tema no Brasil. Alguém que se dedica ao tema da cerveja e marca seu compromisso com a educação há tantos anos. Por isso, de certa forma, este prêmio também reconhece essa longa caminhada que ela realiza em favor da cultura das cervejas e todo o entusiasmo com que ela abraça essa discussão.

“A Cerveja Explica!” explica muita coisa, como você disse, Bruna, ao receber o prêmio. Ganhar como Melhor Série Educacional mostra que cumpriram a missão de tornar o universo da cerveja acessível?

Bruna Lessa: A cerveja explica — e explica muitíssimas coisas, né? Eu até falei mesmo isso no dia da premiação. Quando começamos a pensar e desenhar esta série, eu sentia que eu era completamente desletrada na cultura das cervejas. Eu era só uma pessoa curiosa sendo apresentada a esse universo pela Cilene. No início, eu inclusive me sentia altamente intimidada ao chegar em um evento ou bar cervejeiro. Eu não sabia lidar com aquele monte de opções, que poderiam parecer óbvias apenas pra aqueles já consumidores e amantes da cerveja.

É como se a gente não pudesse fazer parte desse letramento. Como se, para entrar neste universo, fosse necessário ser especialista. E isso não acontece só com a cerveja; o mundo do vinho é assim; às vezes, o da coquetelaria também. Todo mundo acaba tendo que virar “meio especialista” para poder consumir.

A ideia do programa nasceu justamente do contrário: como é que a gente descomplica esse universo? Como é que traz a cerveja para o centro da conversa a partir de uma perspectiva acessível, humana, histórica e gastronômica? A cerveja é uma bebida ancestral, que acompanha a humanidade há milênios. E também é uma bebida que cria pontes — que gera encontros.

Quando sentamos numa mesa com mulheres que contam suas histórias e Cilene propõe harmonizações, esses encontros, regados à cerveja e costurados pelas trajetórias de cada convidada, criam sinapses muito potentes. E tudo isso a partir do olhar feminino. Sempre mulheres como ponto de encontro, como eixo da narrativa.

A função da série é justamente tirar a cerveja desse lugar intimidador — e muito masculino — e colocá-la em espaços onde mulheres se sintam encorajadas a entrar, pedir aquela cerveja do episódio de Sertãozinho, por exemplo, e se sentir parte desse mundo. Nosso desejo é decifrar essa cultura para um público que não quer, e não precisa, ser especialista. Um público que quer se divertir, experimentar e se reconhecer nessa experiência.

Laíza Dantas, atriz e entusiasta cervejeira, traz muito da comicidade da série em suas atuações (Crédito: Reprodução)
Laíza Dantas, atriz e entusiasta cervejeira, traz muito da comicidade da série em suas atuações (Crédito: Reprodução)

Os últimos episódios da série foram ao ar há cerca de um mês. Agora, com tudo publicado, como está sendo a repercussão do projeto?

Bruna Lessa: Sim, a série está toda publicada no YouTube. São dez episódios nessa primeira temporada. Temos recebido muitos retornos positivos, incluindo o prêmio. Acredito que a série cumpre uma função importante: é um programa audiovisual que expande territórios, valoriza histórias locais e, de alguma maneira, também convoca ao turismo em diversas cidades do estado de São Paulo.

Cilene Saorin: E, como estamos falando aqui para um canal que se dedica às cervejas, seria interessante pensar em como a comunidade cervejeira pode aproveitar esse conteúdo para repensar as abordagens e as estratégias de comunicação da cultura das cervejas — e, quem sabe, abrir espaço para novas leituras, novos públicos e novas experiências.

Então deixamos o convite para as pessoas acessarem e seguir a plataforma. Assistam aos episódios e conversem com a gente. Dessa forma, iniciativas como essa podem alcançar mais pessoas, ganhar novas camadas e gerar desdobramentos. Projetos só ganham força se tiverem apoios. Creio que estejamos no bom caminho e espero que a escala seja uma questão de trabalho no tempo.

Houve algum feedback específico que mais chamou a atenção de vocês até agora?

Cilene Saorin: Todos os episódios da série se apresentam em uma versão especial de acessibilidade para cegos, surdos e mudos. Foi marcante e lindo perceber a participação expressiva deste público nos comentários da plataforma quando se viram representados por nossa convidada no episódio de Ribeirão Preto. Esse é um dos gratos exemplos de representatividade que conseguimos alcançar na série.

Cilene Saorin usa sua experiência educaconal com cervejas na série de forma descontraída (Crédito: Reprodução)

Apesar de não ser necessariamente sobre mulheres na cerveja, a série tem a presença feminina constante — nas apresentadoras e convidadas. Como as elas estão se vendo representadas por vocês nesse material?

Bruna Lessa: Muitas mulheres têm conversado conosco, dizendo que se sentem muito representadas. Mulheres que não são do universo da cerveja olham o projeto e dizem: “Uau, existe tudo isso? Existem tantas possibilidades?”. Até as convidadas, em vários momentos, verbalizaram isso: que a série é uma expansão real de repertório. E esse é o grande propósito da série: expandir repertório, colocar a cerveja em outro lugar de discussão e trazer novos atores para essa conversa. Inclusive, nesse caso, mulheres protagonizando um espaço que, historicamente, costuma ter homens somente.

A propósito, penso que valeria a pena perguntar às mulheres da comunidade cervejeira o que elas estão achando da série. Muito mais que nós dizermos o que pretendemos, o que importa é: como elas têm visto essa iniciativa? Quais episódios as tocaram? De que forma as moveram? É esse olhar que nos interessa. A gente tenta sair do tecnicismo e ampliar o espectro, porque isso também faz parte de um modo de ver o mundo que é muito feminino — uma visão ampla, sensível, relacional.

Cilene Saorin: O desejo por entregar conhecimento é vital para a série. Entretanto, queremos oferecer outras perspectivas, outros olhares, outros modos de pensar e sentir a cultura das cervejas. E é muito animador ter mulheres tanto à frente quanto atrás das câmeras. Acho que chegamos a esse resultado justamente porque a equipe — majoritariamente feminina — participa de todas as etapas: da concepção à finalização. O olhar feminino atravessa tudo.

E isso nada tem a ver com querer afastar os homens. Muito pelo contrário: queremos os homens na conversa, como parceiros nesta transformação. Afinal, os desafios dos negócios da cerveja estão aí batendo a porta. E é preciso exercitar a observação e a escuta. É século XXI e sim — chegamos de volta. Vamos em frente!

Cerveja perde status automático de “Kosher” nos EUA e passará a exigir certificação

Nos Estados Unidos (EUA), o avanço da produção de cervejas artesanais impôs uma mudança na classificação dessas bebidas. A partir de 1º de janeiro de 2026, cervejas, incluindo as não aromatizadas, não serão mais consideradas automaticamente Kosher — status que indica o cumprimento dos preceitos da dieta religiosa. Elas passarão a exigir certificação para atestar seu método de fabricação. A regra anterior, que aceitava automaticamente cervejas feitas apenas com água, malte, lúpulo e levedura, será encerrada.

A decisão partiu da União Ortodoxa (OU) Kosher, a maior agência de certificação norte-americana. Em novembro, ela informou que as cervejas vendidas em estabelecimentos e eventos certificados pela entidade precisarão exibir um selo de identificação Kosher. Esta mudança, citada pelo site ColLive, é uma resposta ao “crescimento da produção artesanal de cerveja e aos novos métodos de produção”, que resultaram na proliferação de cervejas aromatizadas, com diversos aditivos e equipamentos compartilhados.

Essa complexidade moderna pode comprometer o status Kosher de cervejas aparentemente simples. A medida visa proteger o consumidor de ingerir ingredientes que não participam da dieta inadvertidamente, uma vez que a confiança apenas na lista básica de ingredientes se tornou inviável. Outras grandes agências de certificação, como a Star-K e a OK Kosher, apoiaram a medida, alinhando os padrões nacionais.

O que é Kosher

O termo Kosher (Kashrut) significa literalmente “próprio para o consumo”. E refere-se às leis dietéticas judaicas que determinam quais alimentos são permitidos para consumo e como devem ser preparados. Para que um produto seja Kosher, ele deve ser fiscalizado e certificado por uma agência rabínica, que concede um selo após rigorosa inspeção de todos os ingredientes, processos e equipamentos.

A população judaica nos Estados Unidos somava cerca de 7,5 milhões de pessoas em 2023, mantendo o país como a segunda maior comunidade judaica do mundo. Globalmente, a estimada é de aproximadamente 15,7 milhões.

Embora apenas 17% dos judeus americanos afirmem manter Kosher em suas casas, a certificação é amplamente procurada na indústria. Há muitos que aderem parcialmente à dieta e estima-se que, devido à confiança em ingredientes puros e à ausência de carne ou lácteos em produtos pareve, o selo Kosher atrai consumidores de outras dietas, como veganos, vegetarianos e muçulmanos (em busca de conformidade Halal).

O impacto da cerveja artesanal e os riscos de contaminação

A nova regra terá um impacto considerável no setor, impulsionado pela crescente demanda por cervejas com sabores. Dani Klein, fundador da YeahThatsKosher, alertou que as cervejarias artesanais utilizam uma variedade de ingredientes adicionais, incluindo especiarias, frutas e até mesmo substâncias não Kosher (como frutos do mar ou itens à base de carne).

Além dos ingredientes diretos, o alerta principal é o risco de contaminação cruzada se produtos não próprios forem fabricados na mesma instalação. Um dos principais argumentos para impor a certificação é o uso de lactose na cerveja, aditivo comum em cervejas Stout. Visto que a rotulagem de cerveja nem sempre exige a divulgação da lactose, a bebida poderia conter ingredientes lácteos sem essa indicação, o que compromete gravemente o status por violar a proibição de misturar laticínios (milchig) e carne (fleishig).

Marcas de cerveja mainstream (como Budweiser e Heineken) e rótulos médios (como Blue Moon) que já possuem supervisão ou são consideradas aceitáveis permanecerão permitidas, mesmo sem um símbolo impresso na embalagem, segundo a OU. No entanto, todas as cervejas artesanais e de produtores menores exigirão um símbolo Kosher visível ou uma carta de certificação para serem aceitas. As agências já disponibilizaram uma lista de cerca de 1 mil cervejas certificadas para auxiliar na transição.