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Entrevista: Graja Beer celebra 10 anos, lança cerveja com Edi Rock e sonha com escola na periferia

Há exatos dez anos, em uma mesa de bar no Grajaú, no extremo sul da capital paulista, um grupo de educadores e artistas olhou para os próprios copos e se fez uma pergunta que mudaria suas vidas: “Por que o dinheiro da cerveja que a gente bebe vai só para fora e não fica aqui?”. Daquela inquietação nasceu a Graja Beer, uma marca que ousou desafiar a lógica de um mercado elitista, que ignora que o grande volume de consumo sempre morou nos botecos, no samba e nos campos de várzea, explica Leandro Sequelle, um dos fundadores da marca.

Ao longo de sua primeira década, a trajetória da Graja não foi linear, mas marcada por aberturas, fechamentos e reinvenções. Hoje, quem procura pelo bar da marca no Grajaú não o encontra aberto. O fechamento das portas há dois anos, no entanto, não é uma história de fracasso comercial pós-pandemia, mas sim um raro e corajoso relato de preservação da saúde mental no empreendedorismo periférico. Pressionado pelo acúmulo de dívidas e pela exaustão, Leandro Sequelle, decidiu pausar as atividades antes de adoecer, optando por um modelo de negócio que hoje ele define como tendo “raízes e asas”.

Leandro Sequelle, um dos fundadores da Graja Beer (Crédito: Divulgação)
Leandro Sequelle, um dos fundadores da Graja Beer (Crédito: Divulgação)

Livre das amarras, a Graja Beer voou. Estabeleceu parcerias com o poder público, fortaleceu sua conexão com o hip-hop e o samba e lançou recentemente uma cerveja em colaboração com Edi Rock, dos Racionais MC’s — um símbolo máximo de que a marca segue quebrando as barreiras da bolha da cerveja artesanal. 

Para Sequelle, a bebida nunca foi o objetivo final, mas sim um meio. Nesta entrevista exclusiva ao Guia da Cerveja, ele reflete sobre os dez anos de existência e resistência da marca e expõe o quão passageira foi a onda da diversidade no mercado. E revela que, no fim das contas, a grande utopia da Graja Beer não é erguer uma cervejaria, mas sim construir uma escola de educação infantil de excelência para as crianças da periferia. 

Você já falou que a Graja Beer tem vários aniversários. Em um deles, pelo menos, a marca está fazendo dez anos em 2026. Da concepção até hoje, como foi unir cerveja artesanal à periferia?

Celebrar e comemorar toda conquista e toda ação é fundamental para nós que viemos do impossível e do invisível. E a Graja tem muitos marcos em sua trajetória. O primeiro marco é a criação, é a existência dela num lugar de impossível mesmo. Quando a gente criou, era uma coisa tipo, “puxa, não tem ninguém de onde a gente veio, que vive o que a gente vive, fazendo cerveja, vivendo a cerveja”. Então, em 2016, dez anos atrás, eu e mais um grupo de amigos, educadores, professores, artistas do Grajaú, numa mesa de bar discutindo os problemas da sociedade, os problemas da comunidade do dia a dia, tivemos um insight que foi: “Por que que a gente bebe cerveja, fala sobre tudo isso e o dinheiro dessa cerveja vai só para fora, não vai para dentro?”. 

Levamos quase 2 anos pesquisando, entendendo o que era cerveja, conversando com pessoas do mercado, para oficialmente, em 25 de janeiro de 2018, lançá-la no evento do Centro Cultural Grajaú. De lá para cá, tivemos o lançamento do primeiro bar, que fechou devido à pandemia. Na pandemia, abrimos o segundo bar, com a capacidade 50% maior que o primeiro e que durou três anos. Depois, nós abrimos o terceiro bar com três vezes a capacidade do segundo. Todos esses marcos são comemorados como celebrações, vitórias e símbolos de existência e resistência da Graja Beer.

A periferia bebe cerveja desde sempre. O butiquim, o samba, o futebol de várzea, a festa de aniversário, churrasco da laje, ele sempre teve a cerveja como seu meio de campo, como azeitear das ideias. O grande lance é que a cerveja artesanal decidiu que era elitista, que ela era branca, classista, que ela vinha da Europa e esqueceu que a gente é um povo de miscigenação, e que tem uma potência gigantesca.

O que a Graja Beer fez nada mais foi do que trazer o olhar de volta para quem inventou, produziu e desenvolveu a cerveja e, segundo, para quem consome em grande escala. Se você parar para pensar, as grandes corporações não fazem cerveja pensando no público classe A, e sim no consumo de massa. O que a Graja Beer fez foi olhar para quem consome a cerveja.

Atualmente a Graja não tem mais um local físico, certo? Como está sendo essa fase atual da marca? Como está funcionando a Graja Beer?

Pouquíssima gente do mercado sabe que a Graja Beer fechou seu bar físico há dois anos. E não fechou por não ter dado certo. Nós, sim, enfrentamos uma porrada de problemas igual quase todos os empreendedores no pós-pandemia, com acúmulo de dívidas, juros com bancos, contas pendentes com fornecedores. Apanhamos muito disso. Mas a gente conseguiu crescer o bar e ter eventos absurdamente incríveis, conseguimos criar uma rede autônoma e sustentável dentro da comunidade.

Só que existe uma coisa que pouca gente fala e olha: a saúde mental de quem desenvolve os seus trabalhos, principalmente os projetos de inovação. Eu cheguei num momento em que olhei para um lado, olhei para o outro e falei: “Está incrível! Mas eu estou ficando doente, estou ficando maluco e se eu não cuidar, tudo isso que eu estou fazendo vai acabar”. Então decidi pausar as atividades do bar e focar em estar bem e desenvolver a Graja num outro lugar. No lugar da marca. 

A Graja não nasceu para ser somente territorial. Eu costumo dizer que ela tem raízes e asas. Ela é um modelo replicável. Uma coisa que eu fiz foi levar a palavra da Graja, o case, a inspiração e os resultados positivos para outros lugares. De lá para cá eu venho sendo convidado pela Prefeitura de São Paulo, pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, para realizar uma série de eventos. Juntos temos feito eventos, conexões e desenvolvido parcerias incríveis.

Recentemente, a Graja lançou uma cerveja com o Edi Rock. Como está sendo essa experiência de fazer um trabalho com um grande artista?

Quem veio da periferia não escapou de ser influenciado direto ou indiretamente pelo Racionais MC’s. Eles são uma das últimas experiências fenomenais de transformação e impacto social que mudaram e salvaram a vida de milhões de pessoas pelo Brasil afora. E eu sou uma dessas pessoas.

Em 1994, eu era novinho, adolescente, e estava ouvindo o começo do rap, que estava bombando nas rádios, ouvindo Racionais. E muitos anos depois, estou sendo convidado pela equipe do Edi Rock para desenvolver o retorno da cerveja dele. Para mim, ele é um marco e sinal de que estamos no caminho certo.

A Graja Beer sempre se propôs a falar com as periferias e mostrar que a cerveja pode ser feita por qualquer um. Qualquer um que goste de tomar cerveja e curta a história da cerveja pode fazer cerveja. Mas para isso a gente precisa apresentar para mais pessoas, apresentar e aproximar, né? Mostrar que aquilo não é só um monte de consoantes estranhas em um rótulo, e sim estar com o Edi Rock, né? E o Edi Rock tem um trabalho solo muito potente. É a prova de que sim, é possível, sim, estamos no caminho certo e sim, dá para falar com quem não está inserido dentro do mercado craft.

O momento do mercado cervejeiro hoje é outro: aquele frisson passou, as coisas estão mais difíceis, o crescimento desenfreado diminuiu. Como você encara essas mudanças para a Graja? Elas favorecem a descoberta da cerveja artesanal pela periferia ou prejudicam? Por quê?

O mercado cervejeiro artesanal, dito classista com uma cara de que é o europeu, com uma proposta de marco de status, ele sofre grande impacto quando a economia tem uma dificuldade. E aí a gente tem uma virada de geração que consome de outra forma. E, automaticamente, a venda diminui, as cervejarias fecham, as marcas somem, né? O que me parece que acontece é que ninguém se importa. O tanto de cervejaria que fechou e ninguém fez um ato, um manifesto, um festival para salvar cervejarias.

Em 2020 tivemos uma série de casos de racismo no mercado cervejeiro, onde isso foi parar na mídia e houve um frisson de “vamos nos salvar, não somos assim”. Mas isso passou porque, inclusive, responsabilidade social ela muito mais é um movimento de mercado do que de consciência. O ESG (Environmental, Social, and Governance) olhava para a negritude de uma forma muito forte até dois, três anos atrás. Mas também muito mais preocupado com o movimento de mercado do que necessariamente com as vidas que estão nas margens, né? Que estão historicamente desde 1.500 sofrendo e sendo invisibilizadas no dia a dia.

Tanto que após esse barulho todo, em que a Graja Beer se tornou uma das referências em discutir diversidade e inclusão, nós fomos invisibilizados. Invisibilizados não sendo mais convidados para nada, não aparecendo mais, não estando mais em diálogo com os eventos, com os festivais… muitas coisas aconteceram. 

Enquanto na margem nós crescíamos e começávamos a desenvolver de forma autônoma, me parece que do outro lado as pessoas já não se importavam mais. E o importar e dar visibilidade é um movimento político. Quando você invisibiliza alguém, você está tendo um ato político de, além de silenciamento, negar a existência daquilo.

E sobre o mercado cervejeiro, eu desde que surgi, aponto que o consumo, o crescimento, os números, eles estão no volume. E o volume não está nos centros econômicos. O mercado precisa ter diálogo direto com quem consome. E o samba, a quebrada, o futebol de várzea, continuam consumindo muita cerveja.

Hoje se fala que as novas gerações pararam de beber, mas para onde estamos olhando? Para quem consome cerveja ou para quem está fazendo o seu exercício no Parque Ibirapuera tomando aquela bebida com pouca caloria? O grande lance é: nós continuamos, enquanto mercado, querendo ser um mercado classista, olhando para os hábitos classistas e reclamando que a conta não fecha. E realmente não fecha.

Desde a fundação da Graja, você se tornou uma das vozes mais proeminentes pela inclusão no meio cervejeiro. Como estão seus projetos nessa área hoje?

Uma voz proeminente para inclusão no mercado cervejeiro não tem a necessidade de ser inclusiva para o mercado cervejeiro. Para nós, a cerveja é um bem da humanidade criada por mulheres em um território africano. Isso daí é histórico, está registrado. O grande lance é que essa cultura foi apropriada pelos colonizadores e hoje nós temos apenas o papel de consumidores. Nós não nos vemos no lugar de produtores. A riqueza é gerada, mas ela não é compartilhada. 

O trabalho da Graja Beer vai muito mais de encontro a ter a cerveja como ferramenta do que como fim. O que nós queremos é a emancipação econômica dos povos pretos e periféricos, das mulheres, dos LGBTs, das pessoas que estão no que se diz como margem social, mas que na verdade são as grandes potências. 

A cerveja, um dos produtos mais consumidos na humanidade, pode e deve ser ferramenta de geração de emprego, renda, visibilidade, de empoderamento dessas camadas. Mas no lugar certo, que é como meio. A cerveja não é para ser discutida como fim — a não ser pelas pessoas profissionais e técnicas. Não importa, durante uma partida de futebol, se aquela água tem um pH, se ela tem a concentração maior de minerais… O que importa é se ela está contribuindo com a geração do emprego daquela senhora, com a visibilidade de um artista que fez o rótulo, se está gerando renda para um coletivo LGBT — que tem uma expectativa de vida de 30 anos de idade. Você tá me entendendo?

A classe média e média-alta não se importa com isso. Quem é que se importa? Nós. Então, que nós utilizemos a ferramenta a nosso favor.

Ser uma voz para inclusão do mercado cervejeiro é fazer uma ponte de diálogo para que possamos ambos utilizar as ferramentas, cada um do seu lado.

Quais os planos para o futuro da Graja?

Os planos são muitos, mas quem anda com pé-descalço sabe a importância de cada passo e o peso que ele tem. De futuro, de utopia, a Graja Beer quer construir uma escola de educação infantil que tenha os mesmos moldes de educação tidos para a galera de classes privilegiadas. Mas que seja para as pessoas da periferia. Para que tenham acesso à arte, à educação física, corporal, expressiva, à educação financeira, para toda a sensibilidade e as possibilidades humanas que muitas vezes não são oferecidas para nós — que somos vistos apenas como trabalhadores. A cerveja pode construir isso. Mas ainda está muito longe.

Para hoje, para agora, nós queremos continuar e expandir essa parceria com o hip-hop, com o samba, com o futebol de várzea e os movimentos sociais. Dialogando a cerveja como meio e não como fim. Colocando a cerveja como potencial de sorriso, de comemoração e de festejo.

Para esse ano, acreditamos que haverá mais alguns rótulos do Edi Rock sendo lançados e estamos em diálogo com outros artistas para outras cervejas. E algumas cervejas da Graja Beer virão nesse meio de campo.

O futuro é em linha reta, em frente, mesmo que haja muitas bifurcações no caminho. A gente acredita que o objetivo da Graja é compartilhar saberes e riquezas materiais ou imateriais com os nossos. E com “os nossos” quero dizer a humanidade como um todo. Então, o futuro da Graja Beer é continuar construindo materialidades e melhores dias para os nossos e para os que virão.

Eleita melhor do Brasil, Big Jack planejou o próprio sucesso, cumpriu e dobrou a meta

Pensei em começar falando que a Big Jack previu o próprio sucesso. Mas não seria totalmente correto nem justo. Na verdade, Marcelo Dalazen planejou o sucesso da sua cervejaria, localizada na pequena cidade de Orleans, na região Sul de Santa Catarina. Em 2023 deu entrevista ao Guia da Cerveja dizendo que a meta era ser a melhor cervejaria do Brasil até 2027. “E vamos conseguir isso”, cravou. Não só atingiu seu objetivo como o fez dois anos antes do prazo. “A Big”, como ele chama carinhosamente, foi eleita a Melhor Cervejaria do Brasil em 2025 pelo Concurso Brasileiro da Cerveja (CBC) de Blumenau (SC). E para ninguém dizer por aí que foi sorte ou alinhamento dos astros, dobrou a meta e repetiu o prêmio agora em 2026.

Estive na cerimônia de premiação e vi Marcelo subir no palco, segurando a bandeira de sua cidade e com toda a equipe da cervejaria que estava presente por lá. “Quando estabeleci essa meta, o ano era 2018. Fomos trabalhando e tínhamos até 2027 para cumpri-la. A gente já vinha aprimorando e trabalhando nossas receitas desde então. Foram [os prêmios de 2025 e 2026] conquistas muito comemoradas, ainda mais com o alto padrão das cervejarias que disputam o CBC com a gente”, diz o fundador e proprietário em uma nova entrevista ao Guia. 

Marcelo credita o sucesso ao time da Big Jack, que está sempre em busca de novos desafios, como ele diz. “Fazemos cervejas para nós mesmos, o que sobrar a gente vende”, confessa entre risos. E talvez aí também esteja uma parte da fórmula do sucesso: ele nunca deixou de ser um cervejeiro caseiro.

Da panelinha à melhor cervejaria do Brasil

Marcelo (ao centro, segurando o troféu) e equipe da Big Jack recebendo o prêmio de Melhor Cervejaria do Brasil (Crédito: Luís Celso Jr. / Guia da Cerveja)
Marcelo (ao centro, segurando o troféu) e equipe da Big Jack recebendo o prêmio de Melhor Cervejaria do Brasil (Crédito: Luís Celso Jr. / Guia da Cerveja)

Marcelo, que não gostava de cerveja, certo dia foi para Blumenau ser padrinho de casamento e acabou convencido por um garçom a provar uma cerveja artesanal. O ano era 2011. E ele gostou muito. Tinha sido mordido pelo bichinho e ficou com gana de saber mais. Mas quando voltou à sua cidade no dia seguinte, viu que não existia nada igual por lá. “Então, fui para a internet para comprar, vi uma propaganda de equipamentos e também adquiri. Comecei a fazer e a gostar do que fazia”, conta. 

Mas essa vida de cervejeiro caseiro não é fácil — quem já fez sabe bem. Dá trabalho. Marcelo então começa a estudar, desenvolve receitas e ganha até prêmios em concursos de homebrew. Para sair da panelinha, parte para a produção em escala industrial em 2016.

Esse ânimo, essa vontade de aprender, fazer, experimentar, errar, tentar novamente, é típico de quem acaba de descobrir o hobby. E é bonito de ver — mesmo que as cervejas nem sempre sejam boas de provar. É a motivação que faz as pessoas crescerem na brincadeira, aprenderem muito e, em alguns casos, se tornarem profissionais. Mas também é muito comum que a febre baixe, o tesão diminua e esse fervor todo até suma com o tempo.

Quando digo que Marcelo nunca deixou de ser caseiro, quero dizer que ele parece nunca ter perdido esse brilho nos olhos. Ele fala em aprimorar receitas, criar novas, fazer a cerveja que gostaria de beber e que “qualidade sempre é o que nos norteia”. Os prêmios, conquistados pela somatória de pontos das dezenas de medalhas que ganhou no concurso, mostram que não é só discurso. 

Nem só de paixão vive uma cervejaria

Big Jack já foi eleita a melhor cervejaria do Brasil em dois anos seguidos: 2025 e 2026 (Crédito: Divulgação / Big Jack)
Big Jack já foi eleita a melhor cervejaria do Brasil em dois anos seguidos: 2025 e 2026 (Crédito: Divulgação / Big Jack)

Outro fato curioso sobre Marcelo é que ele, como eu, é um empreteco. É assim que se tratam as ex-participantes que passaram pelo Empretec, programa de desenvolvimento de empreendedores criado pela ONU e aplicado exclusivamente pelo Sebrae no Brasil. É uma semana de curso, de muito trabalho, que foca em ensinar os comportamentos de um bom empreendedor. Algo que não se aprende nas faculdades de administração e é determinante para muitos negócios. 

Tendo estudado até o Ensino Médio, Marcelo se lançou no programa em 2017, traçou a meta de ser a melhor cervejaria do Brasil em dez anos e partiu para alcançá-la. Ele entendeu o que muitos caseiros que se tornam donos das próprias cervejarias muitas vezes não enxergam ou ignoram: é preciso saber também de gestão para ter um negócio. Não é só paixão.

Marcelo hoje tem uma empresa sólida. Produz entre 50 e 60 mil litros de cerveja por mês, distribui chope em todo o estado de Santa Catarina e vende suas latas pela internet e até no Nordeste, por meio de um distribuidor no Ceará. Em Orleans, cidade da qual fala com orgulho, são dois bares, “um com 30 e o outro com 19 torneiras”, o que motiva a criação de várias receitas diferentes para sempre ter novidade engatada.

“Não é só sobre cerveja”

Uma coisa de que muito se fala no meio cervejeiro dos Estados Unidos — o maior mercado de cervejas artesanais do mundo e no qual muitas cervejarias brasileiras se espelham — é a necessidade do envolvimento com as comunidades, que na maioria das vezes são locais. O segredo, segundo orientações repetidas à exaustão pela Brewers Association, entidade representativa do setor, é conseguir atuar dentro delas e com elas, para engajá-las com o negócio. É sobre estabelecer uma relação autêntica, de proximidade, confiança e até de orgulho em beber da cerejaria local.

A Big Jack faz isso há um bom tempo. “Também temos o lema de que não é só sobre cervejas. Quando você visita a Big Jack, vai ver que apoiamos causas sociais e culturais. Somos patrocinadores de tudo o que acontece no nosso entorno. Acreditamos que ao crescer junto, se cresce mais. Nos envolvemos com a comunidade”, diz Marcelo na entrevista concedida em 2023. 

Marcelo também construiu uma comunidade de cervejeiros caseiros, dando curso gratuito ao longo dos anos. Afirmou até que se tratava da cidade com maior concentração de hobbystas do Brasil. E a comunidade, por sua vez, retribui. “Quando você tem um negócio, você tem que dar razões para as pessoas irem ao seu estabelecimento. Eu olho para o pub da Big Jack e está sempre lotado. Alguns vão para conhecer, outros vão pela música, outros vão pela comida, e outros vão porque os ensinamos a fazer cerveja”. 

Outro exemplo desse retorno é que hotéis têm indicado a cervejaria como programa para se fazer na cidade. “Nossa cidade está crescendo para o turismo agora e nos orgulhamos de toda semana recebermos gente de diversos lugares do Brasil que se hospedam e vêm conhecer a região por causa da Big Jack”.

O futuro planejado da Melhor Cervejaria do Brasil

Big Jack produz hoje entre 50 e 60 mil litros por mês (Crédito: Divulgação / Big Jack)
Big Jack produz hoje entre 50 e 60 mil litros por mês (Crédito: Divulgação / Big Jack)

Marcelo também fala em trocar mais, ampliar a comunidade para além da cidade. Ele quer conversar com o meio cervejeiro em geral. “É muito bom ter a Big Jack como a melhor cervejaria do Brasil porque eu acredito que a gente tem muita coisa para servir de exemplo, muita coisa legal pra mostrar para esse mercado para ele se manter vivo, firme e forte”, diz. 

Por todos esses sinais é que seria falta de sensibilidade e até injustiça atribuir o sucesso da Big Jack à sorte, algo do acaso ou sobrenatural, como uma visão do futuro. O que vejo, em vez disso, é um caso de planejamento e execução, com paixão, mas também com muto pé-no-chão. E mais planos vêm por aí.

“Queremos abrir dois bares próprios ainda este ano, em cidades vizinhas, além de implantar uma unidade no Nordeste, contribuindo para o fortalecimento da cultura cervejeira na região”, conta ele. “Nosso objetivo é seguir figurando entre as melhores cervejarias do país. Nosso time evoluiu com cada conquista e se cobra diariamente para permanecer no topo”, completa.

O ano da meta, 2027, ainda nem chegou. Será que vai rolar um tricampeonato do prêmio de Melhor Cervejaria do Brasil? Alguém duvida?

Falta um mês para a Brasil Brau 2026: saiba tudo sobre a feira e como participar

Falta um mês para a Brasil Brau 2026. A principal feira do setor de cervejas da América Latina ocorre entre os dias 9 e 11 de junho, no São Paulo Expo, na capital paulista. Em sua 18ª edição, o evento consolida sua importância para o mercado e projeta superar os R$ 470 milhões em negócios movimentados na edição anterior.

Além disso, a feira cresceu e ocupa agora 5 mil m² de área comercializável, um aumento de 22% em comparação ao último evento. A expectativa é que o espaço reúna mais de 10 mil profissionais e 160 marcas expositoras de 14 países diferentes.

O credenciamento para profissionais do setor é gratuito e já está aberto. Se você ainda não se programou, a hora é agora. Se já garantiu sua vaga, fique de olho nos detalhes para não perder nada. 

O que esperar da Brasil Brau 2026

A Brasil Brau é, acima de tudo, uma feira de negócios, com fornecedores da indústria cervejeira como expositores. Por isso, é um importante espaço para empresas que oferecem soluções para o mercado, de um lado, e quem busca a resolução de demandas de seus negócios, de outro. Ela ocorre a cada dois anos.

Por ser um espaço de troca, também é muito valorizado por profissionais para construir relacionamentos — o famoso networking. E já vai começar com recorde quebrado: será a maior edição em patrocínios, superando em 270% o evento anterior. São empresas como Heineken, Ruvolo e Cooperativa Agrária.

“A Brasil Brau é uma plataforma estratégica de negócios para empresas que buscam ampliar presença no mercado, fortalecer relacionamento com clientes e acessar um público profissional altamente qualificado”, afirma Laura Harvey, gerente de projetos da GL events, multinacional francesa e organizadora da Brasil Brau.

Além de tecnologia, equipamentos e insumos, a Brasil Brau 2026 também deve ampliar o escopo para outras bebidas além da cerveja, como contou Laura ao Guia da Cerveja em entrevista exclusiva. Assim, a Brasil Brau se alinha a uma tendência mundial do mercado cervejeiro, já presente em eventos internacionais. 

Novos espaços e conteúdo gratuito

A feira também é muito buscada por profissionais em busca de aperfeiçoamento e atualização. Por isso, a Brasil Brau 2026 criou dois novos espaços de acesso livre que terão programação de conteúdo aberta a todos. 

O CBCTrends é um espaço para apresentações sobre tendências de mercado, posicionamento de marca e painéis com degustações guiadas. Já o CBCTalks é local dedicado a conversas rápidas, demonstrações práticas e relatos inspiradores sobre o mercado de bebidas. A programação desses ambientes deve ser divulgada em breve.

Congresso Brasileiro de Ciência e Tecnologia Cervejeira (CBCTEC)

Paralelamente à Brasil Brau 2026, acontece a 19ª edição do Congresso Brasileiro de Ciência e Tecnologia Cervejeira (CBCTEC), com curadoria da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva). O congresso terá mais de 30 palestrantes nacionais e internacionais e 24 horas de conteúdo técnico (confira a programação completa). 

Nomes de peso já estão confirmados, como Bob Pease (ex-CEO da Brewers Association), Rob Tod (Allagash Brewing) e Laura Burns (AB Biotek). Os temas passam por gestão de fábrica, sustentabilidade, ingredientes brasileiros e novas políticas públicas.  

A participação para o CBCTEC é comprada à parte, sendo necessário fazer a inscrição pelo site oficial. 

Como participar e fazer seu credenciamento

Se você é profissional da área, o acesso à feira de negócios da Brasil Brau 2026 é gratuito, mas é necessário comprovar vínculo com o setor.  A entrada no evento é proibida para menores de 18 anos, mesmo que estejam acompanhados pelos pais. As inscrições devem ser feitas pelo site oficial ou pela plataforma Sympla.

Como chegar na Brasil Brau 2026

O transporte numa cidade do tamanho de São Paulo é sempre um ponto crítico, mas o São Paulo Expo fica em uma localização estratégica (Rodovia dos Imigrantes, km 1,5, na Vila Água Funda). O espaço está fora da zona de rodízio municipal para carros de passeio e oferece acesso facilitado para quem vem de diferentes pontos da cidade ou de fora dela.  

Se você desembarca em São Paulo para o evento, a proximidade com os aeroportos é uma mão na roda: o pavilhão fica a apenas 10 minutos do Aeroporto de Congonhas e a cerca de 40 minutos de Guarulhos. Para quem vai de carro, o acesso principal é pela Imigrantes, mas se a ideia é usar táxi ou aplicativos, o evento contará com um ponto fixo de atendimento do início ao fim da programação.

Para quem prefere a agilidade dos trilhos, as estações mais próximas são a Jabaquara (Linha 1-Azul), que fica a apenas 850 metros do local, e a Santos-Imigrantes (Linha 2-Verde), a cerca de 5 minutos de deslocamento motorizado.

Assim como em anos anteriores, a organização do evento confirmou ao Guia da Cerveja que haverá transfer gratuito de van saindo da Estação São Judas (Linha 1-Azul) direto para o evento. Mais detalhes sobre horários e o local exato da parada serão informados em breve no site oficial da Brasil Brau.

Serviço

  • O que: Brasil Brau 2026
  • Data: 9 a 11 de junho de 2026.
  • Local: São Paulo Expo (Rodovia dos Imigrantes, km 1,5 – Vila Água Funda).
  • Horário da Feira: 13h às 20h. 
  • Horário do CBCTEC: 9h às 17h30.
  • Informações e Vendas: +55 21 99735-15718. 
  • Site oficial: www.brasilbrau.com.br

Programação CBCTEC

HoraPalestra / DescriçãoPalestrante / Cargo
9 DE JUNHO
9hWelcome Coffee–
9:30Cerimônia de abertura–
10:30 Fabricando resiliência: Uma atualização da Indústria Cervejeira Artesanal Americana
Bob Pease apresenta uma palestra em quatro partes que aborda a história da Revolução da Cerveja Artesanal nos Estados Unidos, um breve resumo da Brewers Association, um panorama das estatísticas do setor cervejeiro em 2025 no país e algumas reflexões sobre novas táticas para enfrentar os novos desafios.
Bob Pease Ex-presidente e CEO da Brewers Association
11:30Beer BreakDegustação de cervejas especiais, harmonizações gastronômicas e Networking
11:50 Os desafios de se fazer uma cerveja boa, campeã e sem álcool
David Figueira mostra que, apesar da popularização das cervejas sem álcool, sua fabricação ainda exige muitos cuidados regulatórios e técnicos que poucas cervejarias dominam. Nesta apresentação, serão abordados os principais pontos de atenção para a produção de cervejas de excelência global, mesmo em baixa escala.
🍺 Degustação
David Figueira Físico, co-fundador e CEO da Sim Cerveja
12:50Almoço–
14:30 Entre o artesanal e o mainstream: a jornada das cervejarias em expansão
Este painel reúne lideranças de cervejarias brasileiras de médio porte. A conversa propõe refletir sobre os caminhos do crescimento: como estruturar a gestão, expandir capacidade produtiva, manter a identidade de marca e dialogar com um público cada vez mais diverso. Participantes compartilharão aprendizados práticos sobre investimentos, modelos de operação e posicionamento de mercado.
Gregório Ballarotti Sócio-diretor da Cervejaria Louvada João Luís Giovanella Fundador e CEO da Cervejaria Salva Wadi Presidente da Cervejaria Germânia
Mediação: Tania Miyake Engenheira de alimentos e sócia-administrativa da Cervejaria Dona
15:30 Perspectiva nebulosa ou clara? Deixe a levedura decidir
Laura Burns demonstra como certas cepas de levedura “haze-positive” ou “haze-neutral” podem influenciar a estabilidade da turbidez em NEIPAs dry-hopped. Aprenda as melhores práticas de dry hopping, incluindo momento, dosagem e impacto das variedades de lúpulo, e descubra como a genética da levedura desempenha um papel na formação da névoa.
Laura Burns Líder técnica global da divisão de cervejas da AB Biotek
16:30 Filtração crossflow de cervejas: O fim da “Era diatomácea”
Paulo Schiaveto explica que o processo tradicional de filtração com terra diatomácea vem sendo substituído pela filtração tangencial (crossflow). Na apresentação, serão abordados os princípios desse método e os resultados obtidos por cervejarias brasileiras em termos de qualidade, eficiência operacional, custos e sustentabilidade.
Paulo Schiaveto Engenheiro de produção, mestre cervejeiro e sócio na NKA Schiaveto
17:30Happy Hour–
10 DE JUNHO
9hWelcome Coffee–
10:30 Resultados reais: Conectando cervejarias e consumidores online
Kyle Roderick explora como a tecnologia e as plataformas de engajamento estão transformando a forma como as cervejarias se conectam com os consumidores. Por meio de casos reais, ele mostra como um ecossistema digital integrado impulsiona eficiência e comunidade.
Kyle Roderick Diretor de produto da Next Glass/Untappd
11:30Beer BreakDegustação e Networking
11:50 Adaptação & Inovação: tecnologia e transformação comercial
Painel dedicado a discutir inovação e tecnologia no setor comercial cervejeiro. O foco será o uso de ferramentas digitais, dados e plataformas de relacionamento para ampliar vendas e eficiência.
Carlos “Véio” Lima Beer sommelier e mestre em estilos Douglas Salvador Fundador e CEO da Caixa da Alegria Ivan Lima Mestre cervejeiro
Mediação: Ludmyla Almeida Empresária e podcaster
12:50Almoço–
14:30 Do Brasil ao mundo: A trajetória de uma marca com identidade
Explora a trajetória da Japas Cervejaria — de cigana no interior de São Paulo à presença consolidada nos EUA e Ásia — e reflete sobre representatividade, identidade cultural e expansão global.
Maira Kimura Cervejeira da Japas Cervejaria Fernanda Ueno Diretora de inovações e qualidade da Japas Cervejaria Yumi Shimada Diretora criativa da Japas Cervejaria
15:30 A evolução da Allagash como uma cervejaria de propósito
Os primeiros dez anos da Allagash Brewing Company e os desafios de introduzir e comercializar um estilo de cerveja pouco conhecido. Também discute os desafios atuais de manter uma atuação orientada por propósito em um mercado competitivo.
Rob Tod Fundador da Allagash Brewing
16:30 Biossoluções aplicadas à produção cervejeira: eficiência, flexibilidade e futuro
Como o uso de enzimas termoestáveis pode reduzir custos operacionais, otimizar matérias-primas e aumentar a eficiência energética sem comprometer a qualidade da cerveja.
Ana Paula Freitas Engenheira de alimentos e mestre cervejeira
17:30Happy Hour–
11 DE JUNHO
9hWelcome Coffee–
10:30 Celebrando a África através da cerveja: a história da Tolokazi
A jornada da Tolokazi, liderada por mulheres e de propriedade negra. Do simbolismo do sorgo e do umqombothi ao “branding glocal”, conecta herança local à relevância global e advocacy ESG.
Apiwe Nxusani-Mawela Mestre cervejeira e fundadora da Tolokazi
11:30Beer BreakDegustação e Networking
11:50 Superior yeast: O novo padrão de qualidade para levedura seca ativa de cerveja
Projeto inovador da Fermentis que redefine os padrões de qualidade, trazendo avanços em pureza, estabilidade e controle microbiológico rigoroso.
Roberto Biurrun Gerente de Contas Industriais da América Latina na Fermentis
12:50Almoço–
14:30 PDVs Paulistas: vanguarda e reinvenção
Painel sobre os bares especializados emblemáticos de São Paulo. Tradição e novidade se encontram para discutir como esses espaços seguem relevantes construindo comunidade e experiência.
Gabrieli Morais Administradora de Empresas Paulo Almeida Empresário Cassio Picolo Empresário
Mediação: Ju Bernardo Sommelière e anfitriã na Casa Lúpulo
15:30 Microbiologia da cerveja e envelhecimento em barril
Como a dinâmica microbiana em barris influencia a química e o sabor das cervejas ácidas. O estudo mostra que a ordem de inoculação de microrganismos afeta significativamente a maturação.
🍺 Degustação
Tin Kocijan Pesquisador científico
17:30Happy Hour–

Stella Pure Gold e diversificação de portfólio puxam crescimento da Ambev no 1º trimestre de 2026

O crescimento de 160% da Stella Pure Gold, versão com menos calorias e sem glúten da cerveja Stella Artois, foi um dos fatores que impulsionaram os bons resultados da Ambev no primeiro trimestre de 2026. Segundo o balanço do período, divulgado pela empresa na manhã desta terça-feira (5), houve aumento de 2,1% no lucro líquido em relação ao mesmo período do ano passado — o valor ficou em R$ 3,9 bilhões, superando as expectativas do mercado de R$ 3,5 bilhões. O lucro líquido ajustado foi de 0,3%.

Os resultados foram influenciados pelo Carnaval e também por uma estratégia de diversificação de portfólio. As apostas foram no segmento premium, a área de “escolhas equilibradas” (que engloba cervejas sem álcool e sem glúten) e “Beyond Beer” (outros produtos além da cerveja, como drinks prontos para beber).

O Ebitda ajustado (métrica do desempenho da operação) foi de R$ 7,5 bilhões, marcando crescimento de 1,5%, enquanto o mercado falava em R$ 7 bilhões. A margem operacional chegou a 33,6%, avanço de 0,5 ponto percentual. Já o volume de cerveja no Brasil, um dos pontos mais delicados dos últimos balanços, cresceu 1,2%.

O resultado marca a primeira expansão da Ambev em três anos, desde o início de 2023. 

Stella Pure Gold

Um dos grandes destaques foi o crescimento de 160% da Stella Pure Gold, versão da Stella Artois sem glúten e com 17% menos calorias. Ela pertence ao segmento premium, que cresceu 20% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. A cerveja tem ticket médio mais elevado, sendo, em geral, a mais cara do portfólio da companhia.

Recentemente, a Ambev lançou o produto em embalagens de 600 ml, com o objetivo de ampliar as ocasiões de consumo do produto. A empresa estima que o segmento premium já responda por cerca de 25% do mercado de cervejas do Brasil. Dentro dele, estão cervejas como Original e Corona.

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Stella Pure Gold e o “escolhas equilibradas”

A Stella Pure Gold também participa da área “escolhas equilibradas” da Ambev, com cervejas sem glúten e sem álcool, que cresceu 70% no primeiro trimestre de 2026 em relação a 2025. E ela contribuiu para o resultado, bem como cervejas como Michelob Ultra, outro grande destaque que avançou 180% em volume no período.

O grupo das cervejas sem álcool também teve crescimento de 10% com marcas como Corona Zero e Skol Zero Zero — cerveja zero álcool e zero açúcar lançada para o Carnaval.

Beyond Beer

A área chamada “Beyond Beer”, que engloba outras bebidas não tradicionais e driks pontos para beber, foi outro vetor de crescimento, com avanço de 20% na comparação anual, segundo a Veja. São produtos com Beats, Brutal Fruit e Flying Fish, que atingem principalmente os mais jovens e diversificam as ocasiões de consumo, atingindo um público novo.

Apesar do crescimento acelerado, estima-se que no Brasil esse tipo de bebida mista seja 3% do mercado de bebidas em geral.

Apesar de queda de 5% em 2025, cerveja artesanal dá sinais de estabilização nos EUA

A produção de cerveja artesanal nos Estados Unidos tem mostrado resiliência, apesar da queda de 5% em volume em 2025, de acordo com dados divulgados pela Brewers Association (BA) em abril. Mesmo com a perda de produção (o país registra 2,6 bilhões de litros, sendo o maior mercado desse tipo de produto do mundo), o desempenho foi melhor do que o do mercado geral de cervejas, que encolheu 5,7% em volume este ano. Além disso, houve leve aumento no market share, um número menor de fechamentos de cervejarias e até regiões com  crescimento ou estabilidade de volume.

Por conta da diferença de desempenho, o market share da cerveja artesanal em volume saiu de 13,2% em 2024 para 13,3% em 2025. Isso também se refletiu na estabilidade da participação de mercado em dólares, que aumentou de 24,4% para 24,6% no total das vendas de cerveja no varejo. Em números absolutos, isso totaliza US$ 27,8 bilhões — uma queda de 3,6% em relação ao ano anterior. Um impacto menor do que a queda de volume, já que o valor da cerveja artesanal é maior.

A BA vê esses sinais como positivos, mas diz que é necessária cautela na análise dos números. “A perspectiva do setor aponta para um otimismo cauteloso, já que as mudanças nas tendências oferecem esperança de um caminho mais estável após vários anos desafiadores”, disse Matt Gacioch, economista da Brewers Association. “Embora seja provavelmente prematuro dizer que o setor se estabilizou em um ‘novo normal’, há muitos indícios de que estamos caminhando nessa direção”, completa, no material publicado no site oficial da BA.

Cervejarias e desempenho regional

Também há sinais positivos no número de cervejarias. Apesar da queda do número de aberturas de novas cervejarias nos Estados Unidos (de 518 em 2024 para 300 em 2025), o número de fechamentos também desacelerou, chegando a 481 (foi de 591 no ano anterior). Atualmente o país conta com aproximadamente 9,6 mil cervejarias no total.

O desempenho de algumas áreas isoladas também surpreendeu. A região Leste Centro-Norte dos Estados Unidos (também conhecida como Região dos Grandes Lagos e que abrange os estados de Illinois, Indiana, Michigan, Ohio e Wisconsin) cresceu 0,3%. Já a Divisão do Pacífico (Alaska, California, Hawaii, Oregon e Washington) se manteve praticamente estável, com queda de aproximadamente 0,1%.

Modelos de negócio

Os modelos de negócios cervejeiros que foram menos impactados em geral são aqueles voltados à hospitalidade, segundo análise da BA, permanecendo relativamente resilientes. A venda direta ao consumidor permite margens maiores, permite preços mais altos e diminui a dependência da distribuição. Brewpubs (cervejarias com bar que vendem pelo menos 25% da produção no local) e Taprooms (mesmo conceito, mas sem serviço de alimentação).

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Outra análise é de que cervejarias com forte identidade de marca e posicionamento de mercado claro continuaram a apresentar um desempenho superior, com marcas como Garage Beer e Outlaw (da Tivoli Brewing Company) entre as que apresentaram ganhos notáveis. 

“O que é praticamente garantido é que o sucesso daqui para frente dependerá da criação de algo significativo e memorável para os consumidores. As cervejarias que oferecerem qualidade consistente, conexão humana e experiências únicas se destacarão”, comenta Matt Gacioch, economista da BA.

50 maiores da cerveja artesanal nos EUA

A BA também divulgou o ranking das 50 maiores cervejarias artesanais dos Estados Unidos. Em relação ao divulgado em 2024, a Sierra Nevada passou da terceira para a segunda posição, ultrapassando a Boston Beer. Já a Athletic Brewing, cervejaria especializada em cervejas sem álcool, continua crescendo. Passou da 8ª para a 6ª colocação em 2025.

Uma das grandes novidades do ano foi a entrada da Garage Beer na lista e diretamente na 12ª posição, mostrando um crescimento agressivo.  Trata-se de uma marca de cervejas Light Lagers de baixa caloria e low carb, com marketing agressivo e personalidade singular.

Confira o ranking completo:

RankingNomeCidadeEstado
1D.G. Yuengling & Son IncPottsvillePA
2Sierra Nevada Brewing CoChicoCA
3Boston Beer CoBostonMA
4Tilray Beer BrandsNew YorkNY
5Duvel Moortgat USACooperstownNY
6Athletic Brewing CompanyMilfordCT
7GambrinusShinerTX
8Brooklyn BreweryBrooklynNY
9Monster BrewingLongmontCO
10Deschutes BreweryBendOR
11Artisanal Brewing VenturesCharlotteNC
12Garage Beer CoColumbusOH
13New Glarus Brewing CoNew GlarusWI
14Matt Brewing CoUticaNY
15Georgetown Brewing CoSeattleWA
16Gordon Biersch Brewing CoSan JoseCA
17Fiddlehead BrewingShelburneVT
18Tivoli Brewing CompanyDenverCO
19Rhinegeist BreweryCincinnatiOH
20Narragansett Brewing CoPawtucketRI
21Allagash Brewing CompanyPortlandME
22Tröegs Brewing CoHersheyPA
23Barrel One CollectiveBostonMA
24August Schell Brewing CompanyNew UlmMN
25Three Floyds BrewingMunsterIN
26Great Lakes Brewing CompanyClevelandOH
27Hendler Family Brewing CompanyFraminghamMA
28Stevens Point BreweryStevens PointWI
29Creature Comforts Brewing Co.AthensGA
30Great Frontier HoldingsEugeneOR
31Pittsburgh Brewing CoPittsburghPA
32Odell Brewing CoFort CollinsCO
33Maui Brewing CompanyKiheiHI
34Abita Brewing CoCovingtonLA
35BrewDog Brewing CoCanal WinchesterOH
36Alaskan Brewing Co.JuneauAK
37Kona Brewing HawaiiKailua-KonaHI
38Saint Arnold Brewing CoHoustonTX
39Revolution BrewingChicagoIL
40Summit Brewing CoSt. PaulMN
41Pizza PortCarlsbadCA
42New Trail Brewing CompanyWilliamsportPA
43pFriem Family BrewersHood RiverOR
44Russian River Brewing CoSanta RosaCA
45The Florida BreweryAuburndaleFL
46Maine Beer CompanyFreeportME
47Surly Brewing CompanyMinneapolisMN
48BJ’s Restaurants, Inc.Huntington BeachCA
49Coronado Brewing CoCoronadoCA
50Fat Head’s BreweryMiddleburg HeightsOH

Instituto da UFRJ busca recursos e cidade-sede para ser polo do lúpulo no Brasil

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) estão prontos para viabilizar a cadeia produtiva do lúpulo no Brasil, com o objetivo de dar escala à produção nacional. O que falta, agora, são recursos financeiros para tirar o projeto do papel e atrair investimentos que podem reverter milhões em arrecadação de impostos. Isso abre a oportunidade para cidades brasileiras que queiram se colocar em uma posição estratégica para se tornar referência na produção nacional.

Quem lidera a iniciativa é Amanda Xavier, coordenadora do Centro Avançado em Sustentabilidade, Ecossistemas Locais e Governança (Casulo) do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) – um dos maiores centros de ensino e pesquisa em Engenharia da América Latina.

Segundo os pesquisadores, o lúpulo representa uma das maiores oportunidades ainda não exploradas do agronegócio nacional. A demanda anual de lúpulo no país gira em torno de R$ 500 milhões, segundo estudos prospectivos liderados por Amanda. Para atender a esse volume, seria necessário produzir 6.421 toneladas (o equivalente a 1.712 hectares plantados). O Brasil, no entanto, produz apenas 90 toneladas, o que atende somente 1,4% da demanda. O restante, 98,6%, é suprido por lúpulo importado.

O projeto para o lúpulo no Brasil

A Coppe estruturou o projeto para mudar esse cenário e atender às exigências comerciais das grandes cervejarias. O modelo inclui horticultura de precisão com uso de inteligência artificial; secagem com eficiência energética; peletização com padrão internacional; e extração voltada tanto para a indústria cervejeira quanto para os setores de fitoterápicos e etanol verde.

“Já chegamos a um estágio bem avançado da pesquisa para o cultivo do lúpulo, agora falta o pontapé para a implementação da escala industrial. Temos muitos cultivos no Brasil a ponto de saber o que e como plantar, além das técnicas de manejo”, afirma Amanda Xavier. “A gente está com uma cadeia bem montada. Estamos com a faca, o queijo e a goiabada na mesa. Mas quem vai cortar isso, a gente ainda não sabe”, brinca.

O gargalo da peletização

Para que as flores de lúpulo cheguem aos tanques das indústrias, o beneficiamento precisa ser rigorosamente padronizado. Atualmente, muitos produtores brasileiros secam a planta de forma rústica ou adaptam secadoras de café, mas o processo envolve calor excessivo, o que queima compostos aromáticos essenciais.

A solução desenhada pela universidade é a instalação de uma planta industrial de secagem ecológica e peletização a frio.

“Hoje, o nosso maior gargalo no Brasil é a peletização. Por falta dela, as grandes cervejeiras não compram em escala do produtor nacional. Além disso, o processo exige rastreabilidade, qualidade constante e previsibilidade”, diz Amanda.

Para garantir esse padrão, a equipe defende um modelo de governança inspirado em cooperativas americanas, como a Yakima Chief. Nesse formato, o cultivo fica com os fazendeiros, mas o beneficiamento e a negociação comercial são centralizados para garantir um padrão de qualidade. 

Inovação no campo e o trunfo das três safras ao ano

A pesquisa também propõe alternativas para os altos custos de produção. Iniciar uma lavoura de lúpulo no Brasil exige hoje um investimento de quase R$ 200 mil por hectare. Como a planta depende de muitas horas de luz, os agricultores recorrem à iluminação artificial (lâmpadas de LED) durante a noite. O resultado é que a conta de energia elétrica acaba se tornando um grande empecilho para otimizar os lucros.

A saída proposta pela Coppe vem da aplicação de fitormônios, técnica inspirada no cultivo de uvas que permitiu a cultura no Vale do São Francisco, entre Pernambuco e a Bahia.

A ideia é reduzir a necessidade de suplementação luminosa com hormônios vegetais, diz Amanda.

Sem essa dependência, o país se torna extremamente competitivo, conseguindo até três safras por ano, enquanto potências globais, como Alemanha e EUA, colhem apenas uma vez ao ano por causa de seus invernos rigorosos.

Modelo de negócio e impacto milionário

Montar a infraestrutura de processamento exige capital. Um único maquinário industrial de grande capacidade para peletização custa entre três e cinco milhões de reais. Mas os estudos de viabilidade econômica do Casulo/Coppe apontam retorno rápido e consistente.

A proposta de negócio prevê que o município-sede da unidade industrial entre como sócio, explorando o potencial turístico da rota do lúpulo e o pagamento de 1% sobre o faturamento como royalties.

Em um cenário projetado com um investimento público de R$ 50 milhões, diluído em três anos, seria possível processar colheitas de 330 hectares. A estrutura geraria uma receita de R$ 260 milhões ao ano, além de 220 empregos diretos, 2,6 mil indiretos e R$ 161 milhões em impostos. A produção renderia insumo suficiente para 470 milhões de litros de cerveja.

A projeção de comercialização indica que a unidade industrial teria capacidade de produzir cerca de 1,2 mil toneladas de pellets ao ano. Com o quilo a R$ 120, o faturamento bateria R$ 148,5 milhões. A produção de extrato de lúpulo, vendido a R$ 2 mil o quilo, adicionaria outros R$ 11,9 milhões ao caixa anual.

Coppe/UFRJ tem projeto pronto para colocar de pé a cadeia do lúpulo no Brasil, e abre oportunidade para cidade se tornar referência no setor (Foto: Unsplash)
Coppe/UFRJ tem projeto para colocar de pé a cadeia do lúpulo no Brasil e abre oportunidade para cidade se tornar referência (Foto: Unsplash)

O modelo ainda prevê segurança econômica ao diversificar os clientes, estruturando fornecimento de extratos de lúpulo como bactericida natural para usinas de etanol, indústrias farmacêuticas e nutrição animal.

A demanda por insumo nacional de qualidade já é comprovada. Segundo Amanda, o laboratório recebe solicitações internacionais de 60 toneladas anuais e guarda cartas de intenção de compra assinadas por gigantes do mercado de bebidas.

Com a cadeia de produção estruturada, resta saber qual será a cidade que vai abraçar a iniciativa e se tornar a primeira produtora industrial de lúpulo do Brasil.

O texto que você (quase) não leu

Esta coluna quase não existiu. E não foi por falta de assunto, foi falta de tempo ou, sendo mais honesto, foi falta de espaço mental.

Os últimos dois meses têm sido intensos, voltei às origens, assumi uma área criativa. Desafio grande, daqueles que a gente quer fazer bem feito desde o primeiro dia. E junto com ele, vieram também novas responsabilidades, projetos, conversas e urgências. Coisas boas, mas que fazem o tempo, que já era curto, diminuir mais ainda.

No meio disso tudo, tinha essa coluna. Um compromisso que eu demorei pra assumir, justamente por falta de tempo. E quando assumi, não é que tivesse tempo de sobra, mas precisava desse momento e, desde então, ele fazia parte da minha rotina com algum respiro. Um espaço de pensamento e de pausa. Um momento de organização interna antes de virar texto.

Só que dessa vez, esse espaço não veio e ainda mandou uma pergunta: sobre o que escrever quando não dá tempo de pensar no que escrever?

O texto que você (espero) ainda tá lendo não era pra existir. Foi numa pausa pra um papo com um Celso interessado, insistente e tão crente na causa que me procurava há dias, sem resposta (nem no Whatsapp), que a resposta apareceu. Eu explicava justamente sobre a correria, o novo momento, a dificuldade de parar, quando percebi que talvez o texto fosse esse.

Não o que eu gostaria de ter escrito.
Mas o que eu precisava escrever. Porque às vezes, tudo que a gente precisa dizer é o que precisa ser dito. Nem mais, nem menos.

A vida adulta tem dessas coisas. A gente passa tanto tempo tentando dar conta de tudo que para de olhar o que interessa de verdade.

E isso não vale só para uma coluna.

Vale para aquele encontro que você adia, aquela conversa que a gente deixa pra depois, o happy hour com aquela cervejinha que vira o clássico “vamo marcar”.

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Vale principalmente pra esses espaços onde a vida não só passa, ela acontece de verdade.

Foi o próprio Celso, editor do Guia e dono de um repertório jornalístico de respeito, quem me lembrou de grandes cronistas que escrevem justamente sobre a falta de assunto.

A real é que nunca foi sobre falta de assunto. Foi mais um excesso de vida mesmo. E se o problema é estar tão imerso dentro de um fluxo caótico, a coisa mais honesta a fazer é escrever a partir dele.

Talvez esse texto seja isso. Um registro de que, mesmo quando tudo aperta, ainda vale a pena parar, nem que seja só pra reconhecer o caos. Ou pra trocar ideia com um velho amigo que, entre umas e outras, nos lembra do valor de compartilhar a verdade.

Porque, na real, o mais importante nem é dar conta de tudo. É não abrir mão do que importa enquanto a gente tenta, né não?


Eduardo Sena é publicitário, entusiasta cervejeiro, podcaster e agitador etílico-cultural. Com mais de 20 anos de experiência como criativo, é diretor de conteúdo do Hora do Gole HUB — plataforma que conecta cerveja, cultura, equidade e criatividade. Também colabora como estrategista e criativo para outras marcas.


* Este é um texto de opinião. As ideias e informações nele contidas são de responsabilidade do colunista ou articulista e não refletem necessariamente o ponto de vista do Guia da Cerveja.

Menu Degustação: Academia da Cerveja abre inscrições para curso de cerveja da VLB Berlin

A Academia da Cerveja abriu inscrições para a turma 2026 do curso de Tecnologia Cervejeira realizado em parceria com a VLB Berlin. A escola é a única fora da Alemanha a oferecer a certificação oficial dessa famosa instituição cervejeira alemã.

O curso de cerveja ocorre entre os dias 11 e 29 de maio, com aulas on-line e ao vivo, das 19h às 22h, via plataforma Zoom. O investimento é de R$ 2.490,00 (mais taxa de 10% da plataforma Sympla) e os interessados devem ter ao menos 18 anos.

O programa técnico abrange desde a análise de matérias-primas, como água, malte e lúpulo, até processos avançados de fermentação, maturação e controle de qualidade. Com conteúdo atualizado e ministrado por especialistas da indústria, o currículo inclui ainda aulas sobre diversidade no setor e eficiência energética.

A carga horária também contempla atividades práticas, como uma aula de brassagem na sede da Academia e visitas técnicas às unidades da Ambev — ambas podem ser feitas também de maneira virtual. As vagas para o curso de cerveja são limitadas e as inscrições devem ser realizadas pela plataforma Sympla.

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“Reset da Mesmice”: Quase metade dos brasileiros já não distingue seus gostos das recomendações de algoritmos

Um estudo inédito realizado pela Heineken em parceria com a consultoria Box1824 revela uma profunda crise de autonomia no consumo digital dos brasileiros. Segundo a pesquisa “Reset da Mesmice”, lançada oficialmente em abril de 2026 como desdobramento da campanha “Algoritmo”, 42,9% dos entrevistados admitem que já não conseguem diferenciar o que é seu gosto autêntico daquilo que foi sugerido por algoritmos de recomendação. O levantamento aponta que o desejo de retomar as rédeas das próprias escolhas é uma prioridade crescente, com 48,9% da população afirmando que pretende reduzir a dependência dessas sugestões automatizadas no futuro próximo.

A investigação surge em um momento de exaustão mental e busca analisar a tensão entre a conveniência tecnológica e a construção de repertório pessoal. O contexto do estudo indica que a lógica da previsibilidade, antes vista como uma facilidade, tornou-se uma barreira para o novo: para 37,7% das pessoas, a experiência digital atual assemelha-se a um “eterno looping”, onde o fator surpresa desapareceu. De acordo com os pesquisadores, essa padronização está gerando impactos diretos na identidade individual, fazendo com que 38,7% dos brasileiros passem a considerar o “ter um gosto próprio” — mesmo que não validado pelo coletivo — como um novo símbolo de luxo e autenticidade.

Os dados detalham que o impacto é mais agudo no setor cultural e social, com 60,9% dos brasileiros dependendo de plataformas como Spotify e TikTok para descobrir músicas, embora quase metade já questione se realmente gosta do que ouve. No campo das interações humanas, a “bolha” algorítmica gerou um efeito colateral de ansiedade, em que 30% relatam desconforto diante do imprevisível e 27,6% perderam a paciência para diálogos fora de seus interesses imediatos. Como resposta, o estudo identifica um movimento de “fuga” para o mundo físico: a corrida consolidou-se como o maior espaço de autonomia real para 63,8% dos praticantes, enquanto 73,9% dos entrevistados reafirmam a preferência por conexões presenciais em vez das relações mediadas por telas.

Corona lança garrafa de alumínio em escala no Rio

A Corona comercializará em escala, pela primeira vez, sua garrafa de alumínio “alu bottle” durante o evento Todo Mundo no Rio, que terá show da cantora Shakira, no Rio de Janeiro (RJ). A embalagem especial, que homenageia a capital fluminense, será um dos destaques no show da cantora Shakira. O recipiente foi projetado para permitir o ritual do limão no gargalo na areia de Copacabana, onde é proibido o uso de vidro. A peça, 100% reciclável, estará disponível com ambulantes, em quiosques e em uma área exclusiva da marca.

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Itaipava patrocina turnê de Mumuzinho

A Itaipava, marca do Grupo Petrópolis, é a cerveja oficial da turnê de dez anos do projeto Resenha do Mumu, do cantor Mumuzinho. O evento estreou em Belo Horizonte (MG) no sábado (25) de abril e percorrerá outras oito capitais, como Rio de Janeiro (RJ) em maio, São Paulo (SP) em agosto e Curitiba (PR) em outubro. Com bares exclusivos e camarotes, a marca reforça a parceria com o artista iniciada em 2020. O encerramento da turnê ocorrerá na capital fluminense, no sábado (12) de dezembro.

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Grupo Heineken promove harmonização de boteco

O Inside the Star, espaço do Grupo Heineken, iniciou na sexta-feira (1º) uma programação de harmonização com clássicos de boteco em Jacareí (SP) e Ponta Grossa (PR). Os visitantes podem participar de sessões que combinam estilos de cerveja com queijos e embutidos da charcutaria fina às sextas-feiras, às 14h, e aos sábados, às 10h e 14h. A ação segue até o domingo (30) de junho. Os ingressos para a experiência harmonizada custam R$ 80 e as vendas ocorrem pela plataforma Sympla para maiores de 18 anos.

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Budweiser lança campanha global com Haaland e Klopp

A Budweiser, cerveja oficial da Copa do Mundo Fifa 2026, lançou a campanha global “Let it Pour” com a participação do jogador Erling Haaland e do técnico Jürgen Klopp. A ação inclui a promoção Bud Fan Store, que sorteia TVs, cervejeiras e produtos licenciados entre consumidores que cadastrarem notas fiscais no hotsite oficial até o dia 20 de julho. A participação é restrita a maiores de 18 anos e as chances de ganhar dobram na compra da versão sem álcool Bud Zero.

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Heineken e GPA levam consumidores à final em Budapeste

O Grupo Heineken e o GPA realizam até o domingo (10) de maio a promoção “Passaporte para a Final”, que levará dois vencedores com acompanhantes para a decisão da UEFA Champions League em Budapeste, na Hungria. A cada R$ 50,00 em produtos da marca adquiridos em lojas como Pão de Açúcar e Extra, o cliente pode cadastrar a nota fiscal no site da campanha para gerar números da sorte. A iniciativa contempla passagens, hospedagem e ingressos para o espetáculo esportivo.

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Bodebrown promove feriado com rock e cerveja do Iron Maiden

Richie Kotzen e Adrian Smith degustam nova cerveja (Crédito: Gui Gluck / Bodebrown)
Richie Kotzen e Adrian Smith degustam nova cerveja (Crédito: Gui Gluck / Bodebrown)

A cervejaria Bodebrown, em Curitiba (PR), realiza programação especial para o feriado prolongado do Dia do Trabalho na sexta-feira (1º) e no sábado (2). O evento marca o lançamento da Run For Your Lives, sexta cerveja produzida em parceria com a banda Iron Maiden. O guitarrista do grupo, Adrian Smith, visitou a fábrica na quinta-feira (23) de abril, onde provou a nova Lager e tocou clássicos da banda de improviso para o público presente.

A agenda inclui cinco shows de rock, com destaque para tributos a AC/DC e Metallica no sábado. O público terá acesso a mais de 40 opções de chopes, além de um cardápio gastronômico com pratos de influência belga e alemã. No sábado, a fábrica abre mais cedo para um café da manhã solidário e oferece tours guiados com degustação. A entrada para o Growler Day é gratuita e ocorre na Rua Carlos de Laet, no bairro Hauer.

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Jazz Is Dead: projeto musical vira rótulo de cerveja em Minas e terá nova edição

Não é incomum curtir música apreciando uma boa cerveja. E, quando se trata de jazz, a cerveja precisa estar à altura da excelência musical. Unindo paixões, a cervejaria mineira Vinil, de Nova Lima (MG), decidiu engarrafar uma homenagem ao famoso selo fonográfico Jazz Is Dead e criou, no ano passado, dois novos rótulos: Jazz is Dead e Jazz Está Morto. A iniciativa deu tão certo que entrará em uma segunda edição neste ano, com novos lotes chegando ao público em maio e junho, para acompanhar festivais de música locais.

A inspiração, o Jazz is Dead, é um projeto cultural criado em 2017 por Adrian Younge e Ali Shaheed Muhammad, em Los Angeles (EUA). A iniciativa se tornou um selo musical que se propõe a gravar álbuns inéditos de mestres do jazz, soul e funk, de todo o mundo. Entre eles, há inclusive brasileiros, como Marcos Valle, Azymuth e João Donato.

Jazz e vinil, uma combinação perfeita

A cervejaria Vinil já trazia em seu DNA a ideia de unir a qualidade da cerveja ao amor pela música – não à toa leva o nome do formato de gravação que, ainda hoje, desperta paixões ao reproduzir música com ruídos característicos. 

A ideia de criar uma cerveja em homenagem ao projeto surgiu naturalmente, de acordo com o diretor executivo Alfredo Lanna, quando um dos sócios da cervejaria foi morar na Califórnia, berço do projeto, e chegou a trabalhar com a dupla idealizadora do Jazz is Dead.

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“Vimos uma sinergia muito grande com a marca, cultuando grandes nomes da música e com grande admiração pelo projeto com a música brasileira. Sabíamos de uma turnê que iria ocorrer em abril do ano passado junto de grandes nomes como Marcos Valle, Céu, Hyldon e Carlos Dafé e então preparamos duas receitas especiais”, conta. A turnê a que ele se refere é a “Something About April”, que aconteceu em abril do ano passado.

Cervejas com lúpulos nacionais e brincadeira com idiomas

Jazz Está Morto e Jazz is Dead, da Cervejaria Vinil. (Foto: Divulgação)

Lanna conta que, para materializar essa homenagem, foram produzidos dois lotes iniciais que somaram 10 mil litros de cerveja – 5 mil de cada rótulo. Ambos com lúpulos nacionais.

A cerveja Jazz Is Dead (em inglês) é uma Summer Ale refrescante que valoriza o terroir nacional ao utilizar o Lúpulo Mantiqueira. 

Já a cerveja Jazz Está Morto (em português) é uma Session IPA feita com uma variedade de lúpulo americano cultivado em solo mineiro.

Lanna explica que a decisão pelos nomes não tem relação com direitos autorais ou problemas de licenciamento. “O próprio projeto Jazz is Dead utiliza os nomes traduzidos dependendo do artista, tendo traduções em francês e espanhol também”, diz. 

“A repercussão foi muito boa, principalmente pelo nome curioso e provocativo do projeto. Muitos clientes mandaram mensagem falando que conheceram os discos através da cerveja”, lembra.

Novos lotes a caminho

Agora, novos lotes das cervejas estão a caminho. A Jazz Está Morto ficará pronta em maio e a Jazz Is Dead, em junho. A reedição, com lotes de 1 mil litros, foi escolhida para acompanhar os festivais de jazz e blues do meio do ano que ocorrem na região, como o Vijazz e o Ibitipoca Blues, onde a Vinil atende cerca de 15 mil pessoas e vende 8 mil litros de chopes e cervejas. 

Segundo Lanna, os fãs de música e cerveja poderão encontrar as cervejas no site Central da Cerveja assim que os estoques forem repostos.

Dia do Trabalho: 5 fatos históricos que mostram que a cerveja é a bebida do trabalhador

A história da cerveja é indissociável da história do trabalho. Muito antes de se tornar o símbolo do descanso após o expediente, a bebida foi utilizada como salário, nutrição e ferramenta de mobilização social. Desde as tavernas medievais até a fumaça dos pubs da Revolução Industrial, passando pela história dos Movimentos Trabalhistas, ela sempre serviu como o tecido social que uniu trabalhadores ao longo dos séculos. Para celebrar este 1º de maio em tempos de discussão de escala 6×1, Dia do Trabalho e do Trabalhador, a reportagem do Guia da Cerveja separou cinco fatos históricos que provam que a nossa “gelada” tem o DNA proletário.

1 – Salário em estado líquido

A relação entre cerveja e o trabalhador é tão forte que remonta à Antiguidade. Muitas das primeiras civilizações do mundo usavam a cerveja como parte do pagamento da mão de obra. Assim, um dos seus primeiros usos foi como salário. A prova mais célebre é uma tabuleta de argila de 3 mil a.C., pertencente ao acervo do Museu Britânico. O artefato funciona como um holerite ancestral, registrando as rações de cerveja distribuídas aos operários na cidade de Uruk, na Mesopotâmia. 

Pagar salário com cerveja também foi prática comum no Egito Antigo. Há várias inscrições que registram a prática e, dizem, até as pirâmides foram construídas com apoio da bebida, que garantia também hidratação e nutrição adequadas.

2 – Saison: o combustível das fazendas

Muito antes da cerveja chegar às grandes cidades ou ser produzida em indústrias, ela já era feita em fazendas, de uma maneira quase caseira. Até hoje existe um estilo de cerveja que conserva essa marca em sua história: a Saison.

No interior da Bélgica, a cerveja seguia o ritmo das estações. Os fazendeiros produziam a Saison durante o outono e inverno para vender aos saisonnieres — os trabalhadores temporários que chegavam para a plantação no verão e colheita na primavera.

Phil Markowski, mestre cervejeiro e um dos maiores especialistas norte-americanos em cervejas de fazenda, explica em seu artigo no Guia Oxford da Cerveja que a Saison era, acima de tudo, uma “cerveja de provisão”. Segundo ele, a produção atendia a três objetivos: refrescar os trabalhadores no verão, garantir ocupação para a mão de obra fixa durante o inverno e gerar bagaço para alimentar o gado. “Assim, a cerveja era produzida em uma estação, o inverno, para ser consumida na estação seguinte, o verão”.

Embora o sabor original tenha se perdido no tempo, as Saisons modernas preservam o caráter rústico, sendo bebidas leves, secas e refrescantes, marcadas por notas frutadas de laranja e um toque condimentado que remete à pimenta-do-reino. Experimente a Saison Dupont, uma das maiores referências do estilo que voltou a ser importada para o Brasil no início deste ano.

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3 – Grisette: A aliada dos mineiros

A cerveja acompanhou o trabalhador não apenas no campo, mas também até às minas de carvão. O Sul da Bélgica foi uma das primeiras regiões a se industrializar na Europa Continental entre o final do século 18 e o começo do 19. E havia uma grande necessidade de combustível para mover as novas máquinas.

A Grisette é uma espécie de variação da Saison que entrou para a história por ser muito apreciada especialmente pelos mineradores. Uma cerveja leve e refrescante, pensada especificamente para ajudar a “lavar a alma” e recuperar as energias após um dia exaustivo de trabalho braçal puxado nas profundezas da terra. O nome significa algo como “a pequena cinzenta”. E tem inúmeras explicações, nenhuma de fato provada. Pode fazer referência à sua aparência em geral turva, já que poderia levar trigo e aveia na receita, até mesmo uma menção à condição dos próprios trabalhadores pós-expediente, cobertos de cinzas.

4 – Porter: a “rockstar” da Revolução Industrial

Talvez uma das histórias mais conhecidas sobre a bebida e a classe trabalhadora seja a da Porter. Começa pelo nome, que é o mesmo dado aos estivadores do porto de Londres no século 18 — e que era usado por extensão para todos os trabalhadores braçais da região. Depois, ela se desenvolveu e se tornou o grande símbolo da Revolução Industrial, servindo de sustento para a nova massa de operários que surgia nas cidades. Martin Cornell, jornalista especializado em cervejas, autor de “A História das Cervejas Britânicas”, a considerava como a primeira cerveja rockstar do mundo.

Há várias histórias e lendas sobre sua criação. Uma delas é que teria surgido como uma mistura de cervejas com diferentes teores alcoólicos e envelhecimentos nos pubs. E os principais consumidores dessa bebida eram justamente os trabalhadores braçais. A mistura teria, então, sido institucionalizada e entregue pronta pelas cervejarias. 

A Porter foi uma das primeiras cervejas mais escuras do mundo, mesmo antes da invenção dos maltes torrados modernos. Tinha cor marrom escura e também foi uma das primeiras a receber maiores doses de lúpulo na Inglaterra — que até o século 16 não usava apenas uma mistura de ervas na bebida, o gruit. Hoje existem diferentes versões, mas se você quer provar algo mais próximo do original, a Fuller’s London Porter tenta justamente fazer referência a essas Porters iniciais.

5 – Bitters, German Lagers e o Movimento Trabalhista

As primeiras manifestações do Movimento Trabalhista aconteceram justamente na Inglaterra durante o século 19 como forma de reivindicar melhores condições de trabalho e menores jornadas — que podiam passar de 15 horas diárias naquela época. 

Mas as reuniões de trabalhadores eram ilegais até 1824. E muitos encontros se davam às escondidas entre uma cerveja e outra, até mesmo nos pubs. No cardápio, além da Porter e sua evolução natural preta e com mais maltes torrados, a Stout, havia também as Bitters, cervejas de cor mais claras, de âmbar a cobre em geral, e mais amargas que suas atecessoras. 

Esse tipo de cerveja foi se popularizando até as primeiras décadas do século 20, acompanhando o crescimento do movimento trabalhista europeu. Um bom exemplo contemporâneo é a Fuller’s London Pride, uma Special Bitter.

Nos Estados Unidos, no final do século 19, a cerveja muda, mas não as reivindicações. No dia 1º de maio de 1886 em Chicago, mais de 300 mil trabalhadores fizeram greve exigindo “8 horas de trabalho, 8 horas de descanso e 8 horas de vida”. Três dias depois, acontece o que ficou conhecido como massacre de Haymarket, quando uma bomba explode durante um protesto, seguida de repressão policial, prisões e execução de líderes trabalhistas. Em 1889, em Paris, a data de 1º de maio é instituída como símbolo da luta trabalhista.

A cerveja que acompanhava os trabalhadores da época e a German Pils, uma variação mais tradicional da Pilsen moderna. Mais lupulada e amarga, foi trazida da Europa pelos imigrantes germânicos que chegaram ao país nas décadas anteriores. Em Chicago, a grande maioria das cervejarias era de origem alemã. Um bom exemplo dessa cerveja hoje é a Frohenfeld German Pils, de Curitiba (PR).

O Brasil e o Dia do Trabalho

Trabalhadores começaram a comemorar a data no Brasil no início do século 20. Mas só se torna um feriado a partir de um decreto assinado pelo presidente Artur Bernardes em 1924. Em 1º de maio de 1943, Getúlio Vargas utilizou a data para assinar a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), instituindo salário mínimo e férias. E alterando o título para Dia do Trabalho, como explica o historiador e professor da Escola Dieese de Ciências do Trabalho, Samuel Fernando de Souza, em matéria da Agência Brasil.

Independentemente da nomenclatura ou da época, a cerveja se consolidou como a recompensa histórica para quem dedica a vida ao ofício. Neste feriado, seja com uma Porter robusta ou uma Pilsen refrescante, o brinde é para você, trabalhador.