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Artigo: o impacto da atividade cervejeira na agricultura brasileira

O Brasil é um dos principais produtores agrícolas do mundo e está na vanguarda de inovação e sustentabilidade no setor. Contudo, existem alguns produtos e insumos de que ainda somos dependentes de importação, tais como os fertilizantes, que tiveram grande aumento devido às tensões geopolíticas, guerras tarifárias e territoriais.

Outros produtos de que ainda somos grandes importadores são insumos para nossa indústria cervejeira. É de notório saber que a indústria nacional de cerveja depende de importação de malte e lúpulo, em torno de 50% e 99%, respectivamente. Isso é um contrassenso, uma vez que o Brasil é o terceiro maior produtor de cerveja do mundo com 15 bilhões de litros por ano.

Diante desse quadro, vamos analisar a produção local desses insumos e verificar o seu impacto na agricultura nacional, ao que passo que joga luz para o tamanho da oportunidade que é avançar na produção local de cevada/malte e lúpulo.

Cevada

A atividade cervejeira no Brasil tem espaço relevante na economia e na cultura nacional, gerando 2% PIB nacional, com quase 2 mil cervejarias de todos os tamanhos nas 27 unidades da federação, gerando mais de 2 milhões de empregos diretos, indiretos e induzidos, com uma produção de mais de 15 bilhões de litros anual. Contudo, existem importantes e crescentes números do impacto positivo do setor cervejeiro na agricultura, a saber, a produção de cevada e a recente produção de lúpulo.

A cevada possui uma história mais longa no Brasil e dados de safra da CONAB mostram que a produção vem crescendo década após década. A série histórica começa em 1976 e há uma grande evolução nos últimos anos, como podemos verificar nos gráficos abaixo sobre área plantada, produção e produtividade.

Fonte: Elaboração própria, a partir de CONAB

Em relação à área plantada importante notar que existe uma grande dispersão de dados no período analisado (1976-2026), o que mostra uma alta heterogeneidade dos dados. Para se ter uma ideia, o valor máximo de área plantada é de 1981, com 161 mil ha, frente à projeção de 146 mil hectares para 2026, contudo, a produtividade daquele ano foi de apenas 628 kg/ha, quanto que para esse ano se espera uma produtividade de 3.898 kg/ha. A primeira vez que a produtividade passou de 2 mil kg/ha foi em 1988, 3 mil kg/ha em 2010 e 4 mil em 2025, com 4.358 kg/ha, sendo o maior valor de série histórica. A projeção para 2026 é de 3.898 kg/ha. Veja que para passar de 2 para 3 mil kg/ha passaram-se mais de 22 anos e de 3 para 4 mil kg/ha 15 anos, ou seja, além do nítido aumento de produtividade existe uma aceleração do crescimento, consolidando a máxima da agricultura nacional, conseguimos produzir mais utilizando menos terra proporcionalmente.

Na análise espacial vemos um grande destaque do estado do Paraná que tomou o posto do Rio Grande do Sul entre 2008 e 2012 em área plantada e depois de 2018, para se consolidar como líder do setor, com 74,2% da área plantada de cevada. Neste ponto o Rio Grande do Sul vem perdendo área para outras culturas e hoje tem apenas 23%, totalizando 34 mil hectares, sendo que esse valor já foi de 76% em 1999. Santa Catarina parou sua produção em 2024 pelo mesmo motivo, mas já teve 23% do total da área plantada de cevada em 1985. O estado de São Paulo aparece como novo ponto de plantação de cevada, mas tem apenas 2,7% do total da área plantada, com 4 mil hectares. Sobre a produtividade, o estado do Paraná ainda é referência com valores maiores que a média nacional. Da mesma forma que no Brasil o Paraná precisou de mais tempo para a primeira barreira entre os 2 mil kg/ha para os 3 mil, do que dos 3 mil para os 4 mil kg/ha, levando 17 de 1985 para 2002 na primeira barreira e apenas 11 anos de 2002 para 2013 na segunda barreira e se mantém nesta faixa de 4 mil kg/ha.

A produção de cevada no Brasil mostra tendência de crescimento em toda a série histórica, chegou perto de 400 mil toneladas em 2005, mas depois teve forte queda no ano seguinte, ficando perto das 200 mil toneladas. A retomada do crescimento se viu a partir de 2009 até o recorde de produção em 2025 com 600 mil toneladas, representando a multiplicação por 3 vezes da produção. A safra esperada para 2026 é de 584 mil toneladas. Novamente na análise especial mostra-se a forte liderança do Paraná desde 2006 e para 2026 espera mais de 80% da produção nacional com 469 mil toneladas, o Rio Grande do Sul já teve 77% do total da produção em 1999, mas hoje tem apenas 17% com 101 mil toneladas e São Paulo com 13 mil toneladas tem apenas 2%.

Os dados do IBGE da Pesquisa Agrícola Municipal – PAM, apesar de atualizados somente para o ano de 2024, trazem informações importantes a nível de município, onde realmente a produção ocorre. A partir desses podemos confirmar a importância do estado do Paraná no setor de cevada, conforme tabela abaixo

Dez principais municípios para o setor da cevada em diferentes aspectos

NºÁrea plantada ProduçãoProdutividadeValor da Produção
1Guarapuava (PR)Guarapuava (PR)Itapeva (SP)Guarapuava (PR)
2Arapoti (PR)Pinhão (PR)Taquarivaí (SP)Tibagi (PR)
3Tibagi (PR)Candói (PR)Taquarituba (SP)Pinhão (PR)
4Pinhão (PR)Arapoti (PR)Pinhão (PR)Candói (PR)
5Candói (PR)Tibagi (PR)Foz do Jordão (PR)Arapoti (PR)
6Ponta Grossa (PR)Ponta Grossa (PR)Guarapuava (PR)Ponta Grossa (PR)
7Sertão (RS)Vacaria (RS)Muitos Capões (RS)Itapeva (SP)
8Vacaria (RS)Reserva do Iguaçu (PR)Reserva do Iguaçu (PR)Reserva do Iguaçu (PR)
9Jaguariaíva (PR)Itapeva (SP)Candói (PR)Carambeí (PR)
10Carambeí (PR)Sertão (RS)Campos Novos (SC)Vacaria (RS)

Fonte: Elaboração própria, a partir de PAM/IBGE.

Dos 10 municípios com maior área plantada de cevada, oito são do Paraná, com destaque para Guarapuava com quase 20 mil hectares, completam os três primeiros Arapoti e Tibagi, ambos no Paraná. O primeiro fora é Sertão no Rio Grande do Sul, seguido de Vacaria. Dos 155 municípios que produzem cevada, 85 estão no Rio Grande do Sul (55%), 57 estão no Paraná (37%), 7 em São Paulo (5%), além de outros. Isso mostra que os gaúchos têm mais dispersão da produção, os paranaenses estão mais concentrados, como podemos confirmar com os dados da área plantada de Guarapuava-PR, que possui sozinha quase 10% do total plantado no Brasil, com 11.570 hectares, contudo, teve redução de 41% em relação ao ano anterior, ao passo que Arapoti, em segundo lugar, cresceu 55%, alcançando 7148 hectares, representando 6%.

A produção em toneladas, consequentemente, também é liderada por Guarapuava com 55 mil toneladas, e fora do Paraná novamente Sertão e Vacaria no Rio Grande do Sul e Itapeva em São Paulo. Na produção a distância do líder é ainda maior com 13% do total e o segundo, Pinhão (PR), com 6%. Com 29 mil toneladas. Porém, a redução de Guarapuava foi de 9%, enquanto Pinhão cresceu quase 40% e o destaque foi Sertão com mais de 140% de aumento, chegando a 12 mil toneladas.

Já sobre produtividade, a liderança é de Itapeva (SP), com 6000 kg/ha em 2024, somente Taquarituba (SP) ultrapassou esse valor com 7200 kg/ha em 2022. Taquarivaí (SP) também alcança 6000 kg/ha. A maior produtividade fora de São Paulo é de Pinhão com 4910 kg/ha. A aceleração dos ganhos indica avanços em genética, manejo e organização da cadeia produtiva, aproximando o Brasil de padrões internacionais de eficiência.

No valor da produção Guarapurava retoma a liderança com R$ 77 milhões, apesar da redução de 13%, em segundo temos Tibagi (PR), com R$ 48 milhões e crescimento de 71% em relação ao ano anterior, destaque também para Vacaria com aumento de 100% chegando a R$ 14 milhões

Toda essa produção alcança 1988 propriedades rurais nos três estados do Sul e São Paulo, segundo dados do Censo Agropecuário de 2017 do IBGE. Quase a totalidade dessa produção se converte em malte por meio das maltarias que atendem à indústria cervejeira nacional, a cevada que não atinge o grau de germinação necessário acaba virando ração animal e perde muito valor, sendo negociada perto da metade do valor do milho. Nossos maiores fornecedores são, na sequência, Argentina e Uruguai, sendo que o Bloco Mercosul já consegue abastecer significativamente a necessidade de malte de indústria cervejeira brasileira.

Lúpulo

Já o Lúpulo é cultura mais recente, apesar de iniciativas exitosas nos séculos XIX e XX chegando no Brasil antes da Argentina, a produção se perdeu no tempo. Atualmente, segundo dados de 2024 da Associação Nacional de Produtores de Lúpulo – APROLÚPULO, a produção está espalhada em 109 propriedades rurais, em mais de 90 municípios e 13 estados da federação, concentrados em São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro conforme destaca mapa a seguir

Unidades da Federação com produção de Lúpulo

Em 2024 a produção alcançou 81 toneladas, em uma área aproximada de 95 hectares, gerando um valor de produção de aproximadamente R$ 12 milhões anuais. A produtividade alcançou 852 kg/ha, com predomínio de variedades aromáticas — com destaque para Comet, Cascade e Saaz —, reflete uma estratégia alinhada ao perfil da indústria cervejeira brasileira, majoritariamente orientada a cervejas de maior valor agregado e crescente utilização de lúpulos aromáticos e especiais.

Em comparação ao ano anterior ocorreu retração na área plantada (-16%) e no volume de produção (-8%), contudo, ocorreram ganhos de produtividade como eixo central do desenvolvimento atingindo 852 kg/ha (+7,5%), o maior valor da série histórica brasileira. Esse comportamento segue uma trajetória convergente às dinâmicas internacionais do setor, como é observado na Alemanha e nos EUA, com redução da área e aumento de produtividade, que nestes países chega a 2000 kg/ha.

A cadeia agrícola da cerveja ainda é fortemente dependente de importação. Em se tratando de malte, observamos um aumento considerável na capacidade produtiva dos países do bloco do Mercosul, passando de 2,03 mi toneladas em 2021 para 2,44 mi toneladas em 2025, representando um aumento de mais de 20%, sobretudo com expansões no parque produtivo do Brasil e do Uruguai, conforme dados da Cooperativa Agrária, exemplificados na tabela abaixo.

Balanço de Oferta e Demanda de Malte NCM 1107.10.10 toneladas (2021-2025)

AnoProdução Total de malte BrasilConsumo Brasileiro de Malte(-) Déficit interno de MalteImportação de Países do Mercosul(-) Déficit e/ou (+) Superávit intrabloco de MalteImportação de Países Extrabloco Mercosul(=) Superávit [excedente] extrabloco de Malte
 ABC=(B-A)DE=(D+C)FG=(F+E)
2021719.0001.900.000-1.181.000879.646-301.353539.033237.679
2022753.6301.825.000-1.071.370900.908-170.461371.290200.828
2023753.6301.860.000-1.106.370969.157-137.212324.143186.930
2024930.0001.900.000-970.000926.840-43.159243.775200.616
20251.046.0001.994.000-948.000932.302-15.697313.069297.371

Fonte: AGRÁRIA.

Como podemos observar, o Brasil possui uma demanda de malte relativamente estável na casa de 1,9 milhões de toneladas de malte, já a importação de países intrabloco Mercosul tem leves oscilações, se mantendo na casa de 0,9 milhões de toneladas. Contudo, em relação à importação de países extrabloco Mercosul, os números eram bem relevantes em 2021, representando 38% do total, mas já para o ano de 2025 esse valor passou para 25%. Neste contexto, o que mais contribuiu para o balanço quase zero da oferta e demanda de malte foi o aumento da produção nacional que saltou 45% no período analisado, isso significa manter no Brasil a riqueza produzida pela produção de malte e depender cada vez menos das importações.

Se observarmos a importação de maneira agregada dos dois principais insumos da cadeia da cerveja, observamos períodos de crescimento e estabilização. A partir dos dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços – MDIC.

Fonte: Elaboração própria a partir de COMEXSTAT

A parir desses dados é possível estabelecer período de estabilidade bem definidos, entre 1997-2006 a média de importação do agregado malte esteve em 207mo US$ e do agregado lúpulo 16miU$$, para o período 2007-2016 o malte cresceu 184% atingindo uma média de 587miUS$, já o lúpulo cresceu 117% alcançando 36miUS$ de média, no último período analisado, 2017-2025, o malte cresceu 37% para marca de 805miUS$ de média e o lúpulo avançou 74% para casa de 62miUS$ de média. Essas variações têm nítida relação com a produção de cerveja e as flutuações econômicas, tais como crises cambiais e creditícias, e além da já conhecida proximidade com o poder de compra do trabalhador brasileiro, motor do mercado nacional de cerveja. Por fim, a importação de insumos no Brasil movimentou R$ 4,5 bilhões em 2025.

Diante do cenário, podemos afirmar que a atividade cervejeira impacta positivamente a agricultura e possui, devido à necessidade de importação de insumos, vasto caminho para expansão, sobretudo na cultura do lúpulo. Pontos de destaque: temos o crescente aumento de produtividade da cevada nas últimas décadas e do lúpulo nos últimos anos, a concentração da produção de cevada no Paraná e a dispersão da produção de lúpulo em mais de dez unidades da federação.

Essa dinâmica aponta para uma trajetória de verticalização e profissionalização, onde a integração entre a indústria da cerveja e o campo é o motor para reduzir a dependência externa e fortalecer a soberania agroindustrial nacional. Exemplo desse processo é a iniciativa da indústria nacional da cerveja de oferecer suporte técnico e contratos de compra antecipada para produtores de cevada do Sul do país, garantindo assim o escoamento da produção, a estabilidade da renda do produtor e a expansão da área plantada.

Por fim, podemos afirmar que a indústria da cerveja no Brasil impacta cerca de 2,1 mil propriedades rurais, cobrindo uma área de quase 150 mil hectares, com produção perto de 600 mil toneladas, num valor de produção de aproximadamente R$ 600 milhões por ano, em 13 unidades da federação e mais de 250 municípios.

ANEXO – Agregação de NCM por insumo

Código NCM  – Descrição Lúpulo

12102010 – Cones de lúpulo, triturados ou moídos, ou em “pellets”

13021300 – Sucos e extratos, de lúpulo

12101000 – Cones de lúpulo, frescos, secos, não triturados, não moídos, etc

12102020 – Lupulina

Código NCM  – Descrição – Cevada/Malte

10039010 – Cevada cervejeira        

11071010- Malte não torrado, inteiro ou partido            

11072010- Malte torrado, inteiro ou partido            

19019010- Extrato de malte            

11072020- Malte torrado, moído ou em farinha            

11071020 -Malte não torrado, moído ou em farinha            

10030091- Cevada cervejeira         

BIBLIOGRAFIA

AGRÁRIA. Estudo Cadeia Produtiva Cevada-Malte. Guarapuava-PR: AGRÁRIA, 2025.

APROLÚPULO. Mapa do Lúpulo Brasileiro 2024. Lages-SC: APROLÚPULO, 2025.

CONAB. Acompanhamento da Safra Brasileira. Brasília: CONAB, 2026.

IBGE. Pesquisa Agrícola Municipal. Rio de Janeiro: IBGE, 2024.

IBGE. Censo Agropecuário 2017. Rio de Janeiro: IBGE, 2026.

MARCUSSO, E. Os primórdios do Lúpulo no Brasil. RIHGB, v.183, n.488, 2022.

PIMENTEL-GOMES, F. Curso de Estatística Experimental. Piracicaba: FEALQ, 2009.


Eduardo Fernandes Marcusso é Consultor Técnico da Câmara Setorial da Cerveja e Servidor do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).


* Este é um texto de opinião. As ideias e informações nele contidas são de responsabilidade do colunista ou articulista e não refletem necessariamente o ponto de vista do Guia da Cerveja.

KU Leuven, a “meca” da ciência cervejeira na Bélgica, está de portas abertas para brasileiros

Quem busca se aprimorar na teoria e prática cervejeira pode encontrar a excelência na Katholieke Universiteit Leuven (KU Leuven), considerada a universidade mais inovadora da Europa, que fica no país em que a cultura cervejeira ostenta o título de Patrimônio Imaterial da Humanidade pela Unesco: a Bélgica.

Em meio à tradição secular, a inovação de ponta se destaca. Para os cervejeiros de plantão, a KU Leuven oferece uma formação especializada em teoria e prática por meio do Programa de Pós-Graduação em Ciências de Malteação e Cervejaria (Postgraduate Program in Malting and Brewing Sciences), que é presencial, e o curso aberto e online “Cerveja: A Ciência da Produção” (Beer: The Science of Brewing), de 40 horas.

A pós-graduação é focada na ciência e tecnologia da produção, formando especialistas em cada etapa do processo, passando também pelo módulo de novos negócios, que culmina na apresentação de um plano comercial real avaliado por líderes da indústria. O curso online dá uma visão do campo da ciência e uma introdução básica aos tópicos do programa presencial – uma boa forma de entrar em contato com o idioma e a estrutura do ensino belga.

Em entrevista exclusiva ao Guia da Cerveja, Steven Simmonds, coordenador do programa e pesquisador de pós-doutorado, fala sobre os diferenciais da instituição e afirma que a universidade está de portas abertas aos brasileiros.

Pós-graduação em ciência cervejeira na KU Leuven

O objetivo do curso presencial, segundo Simmonds, é treinar os alunos para serem especialistas em todo o processo de malteação e produção de cerveja, com um conhecimento sólido e aprofundado da ciência por trás de cada etapa. ”Os alunos recebem palestras e cursos de pesquisadores líderes mundiais em todos os tópicos relacionados à malteação e produção de cerveja, desde a compreensão das mudanças bioquímicas que ocorrem em um grão de cevada durante a malteação, até a descoberta dos métodos ideais de embalagem e transporte para garantir que a sua cerveja seja entregue de forma eficiente, sustentável e fresca”, diz o coordenador.

O curso também aproveita todas as oportunidades para destacar a indústria e a cultura cervejeira da Bélgica. Os alunos visitam cervejarias e locais voltados à área, desde abadias até fabricantes de equipamento, para vivenciar em primeira mão tanto a produção inovadora de cerveja pela qual a Bélgica é famosa quanto a herança cultural, explica o Simmonds.

A instalação de micromalteação na universidade permite que os alunos malteem diferentes variedades de cevada e outros cereais em pequena escala, tornando a comparação e a experimentação possíveis. Simmonds explica que as duas cervejarias piloto da KU Leuven têm capacidade de 500 litros e servem como um laboratório prático para experimentar todas as etapas do processo de produção, desde a fermentação até a filtração, usando equipamentos e técnicas de última geração. “Isso permite aos alunos elaborar suas próprias perguntas de pesquisa de ponta para colocar toda a teoria da sala de aula em prática no chão de fábrica da cervejaria”, diz. Fora do laboratório, os alunos produzem cerveja com parceiros industriais para garantir que recebam a visão necessária para ingressar no cenário moderno de carreiras em malteação e cervejaria, segundo o coordenador.

Apoio da AB Inbev

Toda essa estrutura de ensino da pós-graduação é apoiada financeiramente pela Cátedra AB InBev em Malteação e Produção de Cerveja. “Isso significa que a AB InBev investiu em uma ‘cátedra educacional’ de cinco anos na KU Leuven para fortalecer o ensino nas ciências cervejeiras e ressaltar os laços locais com a KU Leuven e a região de Leuven. Na prática, isso fornece o suporte financeiro para administrar o programa, e nós colaboramos regularmente com parceiros industriais, incluindo a AB InBev, para criar conteúdo educacional, como séries de palestras de convidados sobre questões urgentes na indústria ou visitas técnicas inovadoras”, explica Simmonds.

Brasileiros na KU Leuven

O coordenador afirma que os candidatos do Brasil são, no geral, bem qualificados e adequados ao programa. “O nível de especialização técnica dos candidatos brasileiros e latino-americanos é geralmente excelente, o que os torna adequados e os ajuda a se destacar nos elementos mais práticos”, diz. Entre os brasileiros, Simmonds afirma que percebe uma liderança nata, organizando grupos e atividades extracurriculares entre os estudantes internacionais.

Para ele, a lacuna acadêmica mais comum é a bioquímica discutida nas aulas científicas técnicas como, por exemplo, a cinética enzimática ou a mecânica da gelatinização do amido, onde alguns alunos acham a profundidade desses assuntos mais complicada de entender. “O formato de ensino em pequenos grupos, neste caso, é de enorme benefício para os alunos, pois eles podem abordar diretamente o professor para obter ajuda personalizada ao estudar um assunto não familiar ou conceitos que acham difíceis de entender no início”, explica Simmonds.

Ele sugere que os interessados na pós-graduação presencial comecem fazendo o curso online gratuito para observarem se o perfil da formação atenderia aos objetivos do aluno.

Admissão, logística e cursos

A KU Leuven possui diversas iniciativas de bolsas de estudo, como a Science@Leuven Scholarship. No entanto, segundo Simmonds, a que desperta um maior interesse nos alunos é a isenção de taxas do Fonds Verhelst (Fonds Verhelst fee waiver).

Esse apoio financeiro é específico para o Programa de Pós-Graduação em Ciências de Malteação e Produção de Cerveja e cobre a taxa integral do curso (exceto o custo de matrícula, que é de aproximadamente 140 euros) para um aluno a cada ano. 

Simmonds explica que qualquer pessoa elegível para se candidatar ao programa também pode solicitar a isenção de taxa, o que é feito no mesmo momento da inscrição mediante o envio de uma carta de motivação demonstrando excelente posição acadêmica ou profissional e delineando uma motivação clara para seguir carreira na indústria de malteação e cervejaria. “Entendemos que nossos candidatos não pertencem a uma categoria única para todos, portanto, os requisitos para solicitar a isenção de taxa são projetados para serem aplicáveis ao maior número possível de nossos candidatos”, afirma.

Para o ano letivo de 2026/2027 foram fixadas taxas de 6.950 euros, que incluem o transporte entre as diferentes unidades da KU Leuven, todas as visitas externas e todos os materiais necessários para as aulas práticas e os momentos de produção de cerveja. Convertendo para o real (considerando uma cotação de R$ 6), o valor daria quase R$ 42 mil. Além deste custo para a formação educacional, o aluno teria que arcar com moradia, alimentação e demais despesas pessoais.

Inovação na KU Leuven

KU Leuven, na Bélgica. (Foto: Reprodução/www.kuleuven.be)

Ter um diploma da Ku Leuven significa carregar uma marca que vai além dos barris e dornas de fermentação. Simmonds destaca que a instituição é responsável por descobertas como o tenofovir, medicamento utilizado por mais de 75% dos pacientes com HIV no mundo, e o algoritmo de criptografia Rijndael, que hoje protege toda a infraestrutura global da internet e computadores desenvolvidos após 2011. Em 2025, a universidade alcançou o terceiro lugar mundial em número de pedidos de patentes no Escritório Europeu de Patentes (EPO).

Quando essa vocação científica se volta para a cerveja, os resultados ajudam a impulsionar o futuro do mercado. Simmonds destaca, por exemplo, o desenvolvimento do perfil genético das leveduras de fazendas escandinavas (farmhouse yeasts), que permitirá aos cervejeiros buscar novos sabores enquanto melhoram a resiliência e a sustentabilidade dos processos de fermentação. “Outro destaque é o desenvolvimento de modelos de IA que podem prever como uma determinada cerveja será avaliada pelos consumidores e quais compostos de aroma os cervejeiros podem adicionar para melhorá-la”, afirma. 

A KU Leuven também está trabalhando no aprimoramento da cerveja sem álcool, setor que mais cresce na indústria cervejeira, destaca Simmonds, com estudos que vão desde como melhorar seu corpo e sensação na boca (mouthfeel), até a compreensão de como seu perfil de carbonatação afeta a percepção sensorial dos consumidores.

Tributação de insumos no setor cervejeiro: o caso do extrato de lúpulo

Quando se fala em tributação no setor cervejeiro, o olhar quase sempre vai para o que está mais visível: a carga incidente sobre a bebida pronta, o preço final ao consumidor, as discussões sobre seletividade e os impactos regulatórios mais amplos. Mas, na prática, nem sempre é ali que está o ponto mais sensível da equação. Às vezes, uma mudança tributária aparentemente lateral, incidente sobre um insumo específico, revela muito mais sobre os custos da produção do que o debate travado em torno do produto final.  

A recente decisão do Gecex/Camex de renovar a redução temporária do Imposto de Importação para o produto classificado na NCM 1302.13.00, reduzindo a alíquota de 7,2% para 0%, é um bom exemplo disso. A medida foi concebida no âmbito do mecanismo de desabastecimento, com vigência de 12 meses e manutenção de quota de 1,2 mil toneladas. Em termos práticos, trata-se de um alívio tributário relevante sobre um insumo utilizado na fabricação de cerveja.  

Mas a notícia pode ser lida de forma apressada, como se houvesse uma desoneração ampla do “lúpulo” em geral. Não foi isso que aconteceu. A própria cobertura setorial destacou que a medida alcança o extrato de lúpulo, dentro de condições específicas, e não todo e qualquer lúpulo importado indistintamente. Esse detalhe, que pode parecer menor para quem olha de fora, é justamente o tipo de detalhe que muda a leitura jurídica e econômica da medida.  

Isso mostra, mais uma vez, que compreender a tributação da cadeia cervejeira exige conhecer a produção por dentro. Não basta olhar o rótulo, a gôndola ou o preço final. É preciso saber quais insumos efetivamente participam do processo, como eles ingressam na cadeia, de que forma são classificados e onde, de fato, estão os pontos de maior sensibilidade econômica. 

Em muitos casos, o impacto tributário mais relevante não está na etapa mais aparente, mas em um elo anterior, menos visível, porém decisivo para a formação do custo.

Há, portanto, uma lição importante nesse episódio. Em matéria tributária, a análise superficial costuma induzir a erro. No setor de bebidas, e especialmente no setor cervejeiro, discutir carga tributária sem atenção aos insumos, à classificação fiscal e às particularidades do processo produtivo é enxergar apenas a parte mais visível do problema. E o que é mais visível nem sempre é o que mais pesa.  

A redução do imposto de importação sobre o extrato de lúpulo é, sem dúvida, uma boa notícia para a cadeia produtiva. Mas ela vale também como alerta. Quem pretende compreender, planejar ou discutir tributação no universo cervejeiro precisa ir além da superfície. Porque, muitas vezes, o verdadeiro amargor não está no copo, mas no detalhe técnico que passa despercebido.


Clairton Gama é advogado e sócio do escritório Kubaszwski Gama Advogados Associados. Possui mestrado em Direito pela UFRGS e é especialista em Direito Tributário pelo IBET. Além disso, é cervejeiro caseiro.


* Este é um texto de opinião. As ideias e informações nele contidas são de responsabilidade do colunista ou articulista e não refletem necessariamente o ponto de vista do Guia da Cerveja.

Menu Degustação: Amstel celebra King’s Day em São Paulo e Recife

São Paulo (SP) e Recife (PE) recebem eventos gratuitos da Amstel para celebrar o King’s Day entre os dias 25 e 26 de abril. Na capital paulista, o festival terá um palco flutuante inédito no Rio Pinheiros, com shows de Marcelo D2 e Acadêmicos do Baixo Augusta. Já a capital pernambucana estreia a celebração no sábado (25), com atrações como Sambadeiras de Olinda e Los Sebosos Postizos no Marco Zero.

A marca também lançou a novela vertical original “Nos vemos no King’s Day”, disponível no TikTok em seis episódios. Estrelada por Amanda Azevedo, a produção busca conectar o público brasileiro à tradicional festa de Amsterdã por meio de histórias de amizade e pertencimento. A iniciativa integra a estratégia da companhia de utilizar formatos culturalmente relevantes para explicar o evento e fortalecer a conexão emocional com os consumidores.

Os ingressos para as experiências presenciais no King’s Day em ambas as cidades são limitados e devem ser retirados pela plataforma Sympla a partir de sexta-feira (17). O público também poderá agendar passeios gratuitos de barco pelo Rio Pinheiros e pelo canal do Molhe dos Arrecifes. As celebrações do King’s Day contam com áreas de acessibilidade e são destinadas exclusivamente a maiores de 18 anos.

Leia também neste Menu Degustação:

Blues Beer Festival movimenta rooftop do Jardim Pamplona

O Blues Beer Festival acontece neste sábado (18) e domingo (19) em São Paulo (SP). O evento ocorre no rooftop do Jardim Pamplona Shopping, das 12h às 20h, com entrada gratuita. A programação reúne música ao vivo, cervejas artesanais, vinhos e gastronomia. O festival é pet friendly e oferece espaço kids monitorado. Atrações como School of Rock e U2 Cronos estão confirmadas no line-up musical.

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Campos do Jordão recebe Bier & Food Festival no feriado

Campos do Jordão (SP) sedia a primeira edição do Bier & Food Festival até terça-feira (21). O evento gratuito ocupa o Parque Capivari com 15 operações gastronômicas e cervejarias artesanais como Baden Baden e Bamberg. A organização espera atrair 45 mil visitantes durante o feriado de Tiradentes. O festival adota práticas sustentáveis de neutralização de carbono e oferece workshops de harmonização coordenados por chefs convidados.

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Growler Day da Bodebrown tem rock psicodélico e solidariedade

Curitiba (PR) tem edição especial do Growler Day da Bodebrown neste sábado (18). O evento ocorre das 9h às 18h com shows das bandas Lapa Bloody Sabbath e Pigs & Diamonds. O público pode doar três quilos de alimentos para participar do Café da Manhã Solidário entre 10h e 11h. A cervejaria apresenta mais de 40 rótulos, incluindo o lançamento Cherry Lemon Lager. Visitas guiadas à fábrica estão disponíveis por R$ 65.

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Duas vezes Lagunitas

Bauru (SP) recebe o novo rótulo Lagunitas Daytime na Rede Confiança. O lançamento da Session IPA acompanha a campanha social “Cada ação tem uma ração”, válida até sábado (18). A marca doa 500 gramas de alimento para a ONG Arca da Fé a cada compra de quatro latas de Lagunitas. No sábado, a unidade Confiança Max sedia feira de adoção de animais das 10h às 16h no estacionamento.

Já no sábado (25), São Paulo (SP) recebe o Dogs & Drinks, ação da Lagunitas em parceria com a ONG Desabandone e o Amargot Bar. O evento promove uma feira de adoção e workshops de coquetelaria com sessões às 14h, 15h30 e 17h, incluindo bebidas alcoólicas para humanos e versões não alcoólicas para cães. As entradas estão à venda pela plataforma Sympla e 100% do valor arrecadado será destinado ao apoio à causa animal.

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Marcas da Heineken ativam Comida di Buteco 2026

O concurso Comida di Buteco movimenta 1.108 estabelecimentos em 50 cidades brasileiras até domingo (10 de maio). O Grupo Heineken patrocina a 26ª edição com as marcas Eisenbahn, Amstel e FYS. O tema deste ano é Verduras e os petiscos participantes possuem preço fixo de R$ 40. A estratégia da companhia foca em ativações regionais e no lançamento de latas temáticas do refrigerante FYS Guaraná da Amazônia.

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Tulipa Bar abre as portas no Itaim Bibi

O Tulipa Bar estreou na sexta-feira (10) no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo (SP). O novo endereço foca no serviço de chope tradicional e coquetelaria assinada pelo mixologista Laércio Zulu. O cardápio oferece petiscos como croqueta de cupim e pratos como picadinho de mignon, além de chopes Brahma, Stella Artois e Patagônia IPA. A casa tem capacidade para 100 pessoas e funcionará diariamente na esquina das ruas Pedroso de Alvarenga e Professor Carlos de Carvalho.

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Ronaldinho Gaúcho é o novo embaixador da Itaipava

A cerveja Itaipava anunciou Ronaldinho Gaúcho como seu novo embaixador para ações ligadas ao futebol. A campanha publicitária criada pela agência WMcCANN utiliza o humor para explicar o famoso drible de olhar para um lado e tocar para o outro. O Grupo Petrópolis reforça com a contratação o posicionamento da marca no território esportivo. O craque participará de ações integradas que destacam a identidade nacional da bebida.

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Lisboa sedia debate sobre o futuro da cerveja na Europa

Lisboa (Portugal) recebe o encontro anual da Brewers of Europe entre os dias 10 e 12 de junho. O evento reúne representantes de 10 mil cervejeiros europeus para debater sustentabilidade, inovação e carga tributária. A Associação Cervejeiros de Portugal apresentará estudo sobre o impacto econômico do setor, que gera 2 milhões de empregos na Europa. O segmento de cervejas sem álcool registrou crescimento de 11,45% no mercado português em 2025.

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Brahma devolve valor de compra para quem perde gol

A Brahma lançou funcionalidade na plataforma Sociedade Anônima Brahma que indeniza torcedores que perdem gols. O sistema cruza dados do Zé Delivery com o tempo real das partidas para identificar entregas finalizadas no momento do gol. O consumidor recebe o valor da cerveja em créditos para a próxima compra no aplicativo. A tecnologia monitora os pedidos feitos desde quinta-feira (9) e já beneficiou cerca de 3 mil torcedores no Brasil.

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Artigo: Por que levar ciência para o bar?

A ciência passa por uma crise de confiança. Mesmo com a pandemia de COVID-19, quando avanços científicos permitiram amenizar os impactos da doença, prever resultados e imunizar a população, nós da academia ainda encaramos muita descrença com relação à ciência.

Na mais recente versão da pesquisa “O que os jovens pensam da ciência e da tecnologia?”, observou-se que o interesse por pesquisa em saúde e medicina caiu de 2019 para 2024 de 74% para 66%, caiu de 80% para 77% nos temas ligados ao meio ambiente e manteve-se estável em 67% com relação à ciência e tecnologia. A ciência até é percebida como produtora de mais benefícios (67%) do que prejuízos (15%) para a humanidade, mas poucos jovens brasileiros sabem indicar um cientista (8%) ou uma instituição de pesquisa (19%).

As causas dessa desconfiança são variadas. A historiadora Naomi Oreskes relata em seu livro “Why trust Science” (Por que confiar na ciência, ainda não traduzido para o português) que a falta de compreensão sobre a forma como a ciência é produzida, sobre como o consenso científico é produzido e sobre como nós cientistas nos relacionamos com o público. Eu adicionaria aí a politização de todos os aspectos da vida hoje, do chinelo que você calça ao jornal que você lê, passando por como você se posiciona frente a debates científicos.

Deixemos a questão da politização de lado por enquanto. Tornar compreensível como se faz ciência, como chegamos a um consenso e, especialmente, nos relacionarmos melhor com a sociedade é fundamental e depende majoritariamente dos cientistas.

É aí que entra o bar.

Pint of Science

Nada melhor do que um espaço democrático, descontraído e livre de hierarquias (exceto o garçom, é claro. Ele claramente ocupa o mais alto status num bar) para permitir uma comunicação direta entre pessoas. Foi com isso em mente que o Festival Pint of Science surgiu. Com dez edições no Brasil, este festival surgido na Inglaterra reúne desde 2013 pesquisadores de ponta e curiosos ao redor de uma garrafa de cerveja para debater ciência.

O festival ocorre em todo o mundo nos mesmos três dias de maio e contará em 2026 com a participação de 28 países. Há vários anos o Brasil tem destaque por ser a maior sede do mundo. Ano passado tivemos 161 cidades participantes de um total mundial de 512 e atraímos 49 mil pessoas de um total de 130 mil no mundo todo.

Reunindo num bar o público e um cientista, o Pint of Science acredita estar oportunizando uma comunicação mais direta e clara entre as partes interessadas, na qual seja possível esclarecer como o conhecimento é produzido e qual a importância de colocá-lo a serviço da sociedade. Também esperamos com isso humanizar o cientista, aproximando-o do público das capitais às mais remotas cidades do Brasil. O ambiente do bar é perfeito para prover essa conexão e essa humanização, além de facilitar a comunicação.

Nós cientistas temos responsabilidade por parte da crise de credibilidade da ciência. É nosso papel dialogar com a sociedade, explicar nossa forma de produzir conhecimento e o que os cientistas pensam sobre o mundo hoje. Também é do nosso interesse nos despir da soberba acadêmica e dos nossos jalecos brancos e sairmos dos nossos laboratórios para ouvir o público e tomar uma cerveja também.


Eduardo Bessa é professor da Universidade de Brasília e coordenador nacional do Festival Pint of Science.


* Este é um texto de opinião. As ideias e informações nele contidas são de responsabilidade do colunista ou articulista e não refletem necessariamente o ponto de vista do Guia da Cerveja.

Salva, Leopoldina e Nahualli se destacam na 4ª Copa Sul-Americana de Cerveja

A 4ª Copa Sul-Americana de Cerveja divulgou nesta quinta-feira (16) as cervejas e cervejarias premiadas no concurso, que ocorreu em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, entre domingo (12) e quarta-feira (15). O evento acontece em paralelo à Envase Brasil, principal feira de envase de bebidas e alimentos da América Latina. As cervejarias Salva, Leopoldina e Nahualli se destacaram em número de medalhas, sendo eleitas melhores do concurso.

Ao todo, foram distribuídas 272 medalhas, entre ouro (99), prata (94) e bronze (79), contemplando 114 cervejarias. Foram, ao todo, 1.212 amostras inscritas por 257 cervejarias de sete países da América do Sul na edição 2026 – um crescimento de 45% em relação ao ano anterior. Do Brasil, participaram cervejarias de 18 estados e 189 cidades.

Para Fabrício Scalco, organizador do concurso, a ampliação do número de países participantes e o crescimento consistente de inscrições indicam não apenas maior adesão, mas um amadurecimento do mercado sul-americano, cada vez mais técnico, diverso e integrado. “Tivemos um aumento expressivo no número de inscrições, mais países participantes e uma diversidade técnica que mostra o amadurecimento do setor”.

Premiação da 4ª Copa Sul-Americana de Cerveja

O Brasil dominou as principais premiações do evento. Entre as melhores cervejarias, todas as vencedoras foram gaúchas. O primeiro lugar da edição 2026 ficou com a Salva, de Bom Retiro do Sul (RS), com 16 medalhas, sendo 5 de ouro, 5 de prata e 6 de bronze. Em segundo lugar vem a Brewine Leopoldina, de Garibaldi (RS), com 11 medalhas (4 de ouro, 6 de prata e 1 de bronze) e a Cervejaria Nahualli, de Farroupilha (RS), com 6 medalhas (4 de ouro e 2 de prata).

Entre as cervejas, o primeiro lugar geral foi conquistado pelo rótulo “Tô com Amendoim Cheio”, da Cervejaria Salva, uma Field Beer de base Sweet Stout com amendoim torrado. A segunda Melhor Cerveja do ano foi a “Xiuhte”, da Cervejaria Nahualli, uma Eisbock. E a terceira foi “Kaingang Double Juicy IPA”, da Kaingang Cervejaria (Xaxim – SC) – única não gaúcha no pódio principal.

O Rio Grande do Sul liderou também o número de amostras inscritas (294), seguido por Santa Catarina (271) e São Paulo (165).

Já no critério de premiações, Santa Catarina inverteu a lógica e foi o estado com maior número de medalhas (83), seguido de perto pelos gaúchos (78) e pelo Paraná (29). São Paulo, estado com maior número de cervejarias do país, aparece só na quarta posição (24).

Estilos como American IPA (50), American Lager (40), Session IPA (35) e  Catharina Sour (32) figuraram entre aqueles com mais inscritos, refletindo tendências consolidadas e a valorização de identidades locais.

A premiação completa com todas as medalhas por categoria poderá ser conferida no site oficial da Copa Sul-Americana de Cerveja.

Artigo: 8 cervejarias em Porto Alegre pra beber direto da fonte

Cerveja boa é cerveja fresca. E tomar um bom chop de qualidade, bem tirado, na temperatura adequada, com o cuidado que uma cerveja artesanal merece, é muito bom. E o número de cervejarias em Porto Alegre (43) é maior que a maioria imagina, sendo a segunda cidade no ranking nacional, atrás somente de São Paulo (66).

Porém, a capital gaúcha não passou ilesa pelos últimos anos — e quem vive a cena cervejeira sabe bem disso. Entre a redução no consumo, a nova geração que bebe menos e o impacto pesado da enchente de 2024, muita coisa mudou. Teve bar que fechou, cervejaria que precisou se reinventar, operação que encolheu, endereço que sumiu do mapa. Não foi um ajuste leve. Foi daqueles que mexem na base, no jeito de consumir, frequentar e até valorizar uma boa cerveja na cidade.

O sommelier de cervejas Edu Pelizzon indica cervejarias em Porto Alegre para tomar boas cervejas artesanais (Crédito: Arquivo Pessoal)
O sommelier de cervejas Edu Pelizzon indica cervejarias em Porto Alegre para tomar boas cervejas artesanais (Crédito: Arquivo Pessoal)

Mas — e aqui vem a parte boa — Porto Alegre segue viva. E bem-viva. Entre clássicos que resistem, novatos cheios de vontade, lugares raiz, outros mais arrumadinhos com pegada gastronômica, a cidade ainda entrega um circuito cervejeiro que vale muito a pena explorar. E sem frescura: é lugar pra beber bem, conhecer gente e viver a experiência. Então aqui vão oito bares de cervejarias em Porto Alegre que eu conheço, frequento e recomendo de verdade. Se tu curtes cerveja, ou quer começar a curtir, pode ir sem medo. Mas Bah! Vale a pena!

Roister Food and Beer Culture

Criado pelo meu amigo premiado, Lucas Meneghetti — que em 2015 foi eleito melhor cervejeiro do Brasil pelo Concurso Nacional das Acervas (Associações de Cervejeiros Artesanais) —, o Roister é uma das referências mais sólidas entre as cervejarias em Porto Alegre quando o assunto é comer e beber bem no mesmo lugar. O ambiente tem madeira, tijolinho aparente e bancos de couro, com paredes envidraçadas. O local é de esquina e traz aquela vibe que mais parece um bar de Nova York.

São várias torneiras com cervejas do Roister e do Devaneio do Velhaco, tudo é produzido na mesma fábrica bem pertinho de Porto Alegre. A cerveja que sempre está no meu copo nas minhas visitas é a German Pils, um belo exemplar do estilo. Mas os caras são bons e lidam muito bem com lúpulo, então a variedade de Hazy’s em geral é bem farta. Na cozinha, o pastrami é curado, defumado e assado na casa — e o Pork Belly Bun com barriga confit e picles de cebola roxa é o clássico absoluto do menu. Nele, a gastronomia é, sem dúvida, um ponto muito forte. E tem uma coisa que eu curto demais: a costela bovina defumada por seis horas e assada por mais seis. Ela é macia demais. Vale a pena, mas só serve no almoço de sábado.

Endereço: Rua 24 de Outubro, 1454 – Auxiliadora

Instagram: @roisterpoa e @devaneiodovelhaco

AlcaBar

O bar da fábrica da Al Capone fica na Travessa São José, no bairro Navegantes — e não tem frescura. Clima de bar de rua, ambiente industrial com alma de galpão e atendimento rápido. Tu vais até o bar e escolhes a tua cerveja. Nas torneiras, está a linha completa da Alcapone fresquinha, incluindo a Premium Lager premiada e as IPAs direto da câmara fria. Seguindo as tendências, o bar também tem opções sem glúten e sem álcool para atender todos os públicos. Para comer, há petiscos tradicionais e uma parrilla bem servida, com excelentes opções de carnes para acompanhar as cervejas. A fábrica promove tours e, à noite, muitos shows com bandas de variados estilos. É uma baita escolha para o happy hour ou para dar aquela estendida.

Endereço: Tv. São José, 515 – Navegantes (clique no link para ver mais informações do bar do Google Maps, como horário de atendimento e endereço completo)

Instagram: @alcabaralcapone

Salvador Brewing Co.

Bares da Salvador Breweing são alguns dos destaques entre as cervejarias de Porto Alegre (Crédito: Divulgação)
Bares da Salvador Breweing são alguns dos destaques entre as cervejarias em Porto Alegre (Crédito: Divulgação)

A Salvador surgiu em 2014 em Caxias do Sul a partir de um beertruck onde os irmãos Andrigo e Leonardo Salvador vendiam cervejas em eventos. Hoje, além das operações na Serra Gaúcha, eles têm dois bares exclusivos da cervejaria em Porto Alegre, com foco em um público criterioso — os que sabem o que estão bebendo.

O bar no Shopping Pontal tem uma vista para o pôr do sol da cidade que é um espetáculo à parte. O repertório é forte em NEIPAs e cervejas extremas como a Engesa Oil, uma Russian Imperial Stout com um toque de coco, já levou bronze no Concurso Brasileiro. As torneiras rodam lançamentos com frequência, e as colaborações com outras cervejarias gaúchas são parte do DNA da casa. Quem curte lúpulo pesado vai se sentir em casa. Particularmente as minhas cervejas favoritas: Big Chief (West Coast IPA) e a 1979 (Dry Stout), que mudou de nome recentemente, era chamada de Duffin – pelo jeito o Homer Simpson ligou lá e pediu pra mudar o nome já que eles voltaram com a cerveja no Brasil.

Pontal Shopping: Av. Padre Cacique, 2893

Bourbon Carlos Gomes: Av. Carlos Gomes, 707

Instagram: @salvadorbrewingco

4Beer

O 4Beer foi o primeiro bar a se instalar no Quarto Distrito, em 2016, e ocupa um galpão industrial de 700 metros quadrados. São mais de 30 torneiras saindo direto da câmara fria da fábrica, que fica nos fundos do mesmo pavilhão. As cervejas são das marcas Diefen Bros, Polvo Loco e 4Beer — e na parede um quadro enorme exibe o teor alcoólico e o amargor de cada opção para facilitar a escolha. O local tem mesas comunitárias de madeira estilo biergarten, sem garçom, pedido no balcão. A cozinha faz carnes na parrilla uruguaia, hambúrgueres e petiscos de bar. Eles tem várias localidades em toda a Porto Alegre, essas são as minhas favoritas.

4Beer (original): Av. Polônia, 200 – São Geraldo

4Beer Bela Vista: R. Passo da Pátria, 389 – Bela Vista (conta com espaço kids)

4Beer Moinhos de Vento: Praça Dr. Maurício Cardoso, 71 – Moinhos de Vento

Instagram: @4beerpoa

Hidden Brewpub

Um pub intimista montado na garagem de uma casa, em área residencial da Zona Sul. Luz baixa, aconchegante, rock, blues e jazz no fundo, torneiras com estilos variados, todas produções próprias, todas com raíz tradicional, buscando a identidade de cada estilo na sua essência. As lagers lá são muito bem feitas e consideradas as especialidades da casa. Gostei bastante da Bohemian Pilsner e de uma Lager sem glúten com  2,7% de álcool que estava muito bem feita.

Duas ótimas surpresas foram a Vienna Lager redondinha e a Barley Wine que impressionou pelo equilíbrio. O cardápio para comer é enxuto, com serviço rápido. No entanto, tudo muito saboroso. Eu fui no sanduíche de filé mignon que é o carro chefe da casa. O atendimento e o papo com o Gustavo abrilhantaram a minha visita — o que faz diferença quando você quer entender o que está bebendo. Aberto desde 2012, é um dos mais antigos da cena, foi o berço e encontro de todos os cervejeiros que participaram do início do movimento (Maniba, Irmãos Ferraro, Seasons, Babel, entre outros). 

Endereço: Rua Gregório da Fonseca, 680 – Nonoai

Instagram: @hiddenbrewpub

Delta Brick (Delta Brewing CO.)

A Delta reformulou sua identidade em 2018 e expandiu a planta na capital, o que abriu espaço para criar cervejas em mais de 50 estilos diferentes. O taproom, abre de quinta a sábado com várias taps próprias, convidadas e do Delta Lab, que são as experimentais da casa. Com várias cervejas premiada, alguns destaques são: Classic 97 (American IPA com 97 IBU, amargor intenso e aroma resinoso), a Gym and Juice (NEIPA) e a Thunder Pils (German Pilsner). Para comer, há um belo cardápio com muitas opções que saem da brasa e do PitSmoker. O espaço é grande e é bastante focado em eventos. A localização é um pouco fora da rota de bares de Porto Alegre, mas é uma parada obrigatória. A @likazorn e o time de atendimento são super atenciosos e estão prontos para um super atendimento. 

Endereço: Rua 18 de Novembro, 106 – Navegantes

Instagram: @deltabrewco

Fora da Lei Cervejaria

Localizado na Zona Norte da capital, atende com 20 torneiras. O cardápio inclui finger foods, burgers, pizzas e assados. O ambiente é descontraído e conta com o modelo de serviço self-service, onde os clientes podem escolher e servir a própria cerveja na quantidade que desejarem. Promovem muitos eventos e têm música ao vivo direto no bar. É aconchegante, tem boa variedade e qualidade nas cervejas. Legal provar a Brown Ale da cervejaria, que é um estilo não muito encontrado geralmente. Vale a visita.

Endereço: Av. Assis Brasil, 1116 – Passo d’Areia

Instagram: @cervejariaforadalei

Levedura Brewpub

A Levedura BrewPub entra como uma grata surpresa na cena das cervejarias em Porto Alegre. Com pouco mais de um ano de operação, a casa aposta em uma proposta descolada, sem firulas, que resgata aquela essência mais raiz do movimento artesanal — quase como voltar no tempo para os primórdios da cultura cervejeira independente. O ambiente é tranquilo, despretensioso e autêntico, daqueles que não tentam parecer nada além do que realmente são.

A experiência ganha ainda mais força no copo. Entre os destaques, estão uma Hop Lager assertiva no lúpulo, bem saborosa e com personalidade. Quem sugeriu a ceva foi a Maria Eduarda, que foi certeira e elevou ainda mais a visita. Com a produção visível ali, acontecendo diante dos olhos, o BrewPub entrega exatamente o que promete: cerveja fresca, direto da fonte, em um ambiente que respira verdade. É o tipo de lugar que vale a pena para quem quer beber bem e entender o espírito real da cena cervejeira local.

Endereço: Rua General Caldwell, 958 – Menino Deus

Instagram: @levedurabrewpub


Edu Pelizzon é Sommelier de Cervejas, Técnico Cervejeiro e Mestre em Estilos formado pelo Instituto da Cerveja, Certified Cicerone e Campeão do 4º e Vice-Campeão do 5º Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cervejas. Por quatro vezes representou Brasil no World Beer Sommelier Championship, ficando entre os 20 melhores do mundo – evento no qual, em 2025, o Brasil foi a segunda melhor nação do campeonato. Jurado de concursos nacionais e internacionais.


* Este é um texto de opinião. As ideias e informações nele contidas são de responsabilidade do colunista ou articulista e não refletem necessariamente o ponto de vista do Guia da Cerveja.

Entrevista: Brasil Brau bate recorde de patrocínios, amplia escopo e promete extensa grade

As expectativas para a Brasil Brau 2026 já estão nas alturas. A principal feira profissional da indústria cervejeira na América Latina, que será realizada esse ano de 9 a 11 de junho no São Paulo Expo, na capital paulista, já bateu o recorde de patrocínios meses antes da realização, superando em 270% a edição 2024. Trata-se de um evento de importância ímpar para qualquer profissional que quer se atualizar ou fazer negócios. 

A informação foi dada por Laura Harvey, gerente de projetos da GL Events responsável pelo evento, em entrevista exclusiva ao Guia da Cerveja. Com aumento de 40% na área de exposição, a expectativa da organização é reunir 160 marcas expositoras — mais de cem já estão confirmadas — e chegar a 15 mil profissionais presentes, um crescimento de 20%. 

Laura também contou que uma das maiores novidades do evento este ano é a ampliação do escopo, abrindo as portas para outras bebidas. Assim, a Brasil Brasu se alinha à uma tendência mundial do mercado cervejeiro, já presente em eventos internacionais. 

Além disso, o evento vai contar com uma grade de conteúdos extensa. Além da 19ª edição Congresso Brasileiro de Ciência e Tecnologia Cervejeira (CBCTEC), que este ano tem curadoria da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), haverá palestras e trocas de experiências na programação do CBCTrends e o CBCTalks.

Será um evento à altura da importância histórica da feira, que é a mais tradicional do país. O embrião da Brasil Brau nasceu ainda na década de 1980 em Curitiba (PR), em paralelo ao CBCTEC, ambos criados pela antiga Associação Brasileira dos Profissionais em Cerveja e Malte (Cobracem). Isso num contexto no qual não haviam escolas de cerveja e era necessário compartilhar o conhecimento e fazer networking para fazer a indústria crescer. A primeira edição com o nome Brasil Brau é realizada em 1990 em Blumenau (SC).

O credenciamento gratuito para profissionais do setor na feira já está aberto.

Confira a entrevista:

O que o público pode esperar da Brasil Brau 2026?

Uma edição inesquecível e cheia de novidades. A Brasil Brau deste ano promete vir ainda mais forte, reunindo inovação, experiências, conhecimento e o que há de mais atual no universo cervejeiro. A expectativa é de um ambiente vibrante, com muita troca de conhecimento, tendências do mercado, tecnologia e oportunidades de networking para os profissionais do setor. Sem falar nas experiências interativas, degustações especiais e conteúdos que vão inspirar tanto quem já é do setor quanto quem está começando a explorar esse mundo.

O objetivo da Brasil Brau é promover encontros e negócios na cadeia da cerveja. Com aumento de 40% na área de exposição e uma estimativa de 20% de crescimento de profissionais presentes, como anda a expectativa para isso esse ano?

Foram 160 milhões em negócios gerados na última edição nos três dias de evento e 310 milhões nos meses subsequentes, um recorde de todas as edições. Para 2026 a expectativa é ainda maior. Estamos construindo uma Brasil Brau histórica com diversas novidades em termos de conteúdo, exposição e principalmente no escopo do evento. A Brasil Brau vem em uma crescente constante e expressiva com sua realização acontecendo desde a década de 80 e a cada ano reunindo mais players do mercado durante os dias de evento, com o objetivo de levar conhecimento, gerar networking e converter as conexões em negócios para o segmento.

Mesmo ainda sem ter encerrado a compra de espaços, o que já é possível afirmar sobre o número de expositores e marcas participantes?

São mais de cem marcas já confirmadas e o grande recorde desde a primeira edição da Brasil Brau é no número de patrocinadores que temos esse ano. Estamos 270% acima do realizado em 2024 e já contamos com patrocínio da Heineken, Ruvolo, Fermentis, Agrária, Appinacle by AB Biotek, Novonesis, Consulado da República Tcheca, Fusion Filters e NKA Schiaveto, além dos demais parceiros estratégicos e institucionais, assim como os apoiadores de mídia.

Quais as principais novidades da Brasil Brau este ano? O que muda e o que se mantém das edições anteriores?

Temos duas novas áreas de conteúdo, o CBCTrends e o CBCTalks que dão voz para o mercado. O CBCTrends é um espaço dedicado à apresentação das tendências que estão moldando o presente e o futuro do segmento, enquanto o CBCTalks é um ambiente inspirador de trocas sobre inovação, criatividade, cases de sucesso, sustentabilidade, comportamento e muito mais.

Mas a grande novidade será a ampliação do escopo da Brasil Brau que a partir de 2026 irá incorporar todo o universo de bebidas. Enxergamos essa tendência no mercado com eventos internacionais como Brau Beviale, Craft Brewers Conference (CBC), dentre outros, e acreditamos que abrir este leque seja um movimento imporantíssimo para o setor. Nosso principal objetivo é trabalhar toda a cadeia da indústria de bebidas, com foco no crescimento e nas conexões dos players envolvidos em cada edição.

O Congresso Brasileiro de Ciência e Tecnologia Cervejeira (CBCTEC) chega à sua 19ª edição. E pela primeira vez a curadoria está sendo feita pela Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva)? Como está sendo essa parceria?

Programação de conteúdo da Brasil Brau 2026 será extensa, com CBCTEC e mais duas áreas de palestras e trocas de informações (Crédito: Divulgação / Brasil Brau)
Programação de conteúdo da Brasil Brau 2026 será extensa, com CBCTEC e mais duas áreas de palestras e trocas de informações (Crédito: Divulgação / Brasil Brau)

Muito positiva. A Abracerva sempre foi uma associação parceira e para esta edição potencializamos essa entrega entendendo a força e conexões da associação com o mercado. Hoje temos 90% da grade do CBCTEC completa com nomes extremamente relevantes para o segmento, tanto nacionais como internacionais.

Este ano será sua primeira edição à frente da Brasil Brau. Como está a expectativa para o evento? 

Altíssima. Como comentei, já é uma edição com um marco histórico em número de patrocinadores, o que nos permitiu investir no CBCTEC. Elevar o nível de conhecimento para o mercado trazendo nomes inéditos e pautas relevantes significa ser porta-voz nas tendências atuais e do futuro.

Além do CBCTEC, há o CBCTrends e o CBCTalks. Quais são seus destaques pessoais na programação dos três pivôs de conteúdo do evento?

Temos nomes como Bob Pease, Apiwe Nxusani-Mawela, Kyle Roderick, Rob Tod, Tin Kocijan, Laura Burns, dentre diversos outros internacionais e nacionais que colocaram os espaços de conteúdo como grande chamariz este ano [confira a programação completa e saiba como se inscrever].

Tarifas sobre alumínio viram gargalo para cervejarias nos Estados Unidos

As taxas impostas por Donald Trump a produtos importados nos Estados Unidos continuam gerando transtornos tanto para o comércio internacional como para os norte-americanos. Entraram em vigor na segunda-feira (6) as modificações feitas pelo presidente na Seção 232, que versa sobre as tarifas sobre alumínio, aço e cobre, assim como derivados. E, apesar da expectativa do mercado cervejeiro – já que essas taxas afetam diretamente as latas, barris e equipamentos de fabricação –, as modificações não trouxeram alívio para as cervejarias, o que deve manter os custos elevados, gerando um gargalo no setor.

Mesmo com a redução do percentual do valor cobrado de certos produtos, como tampas de alumínio – que saíram de 50% para 25% – e o maior esclarecimento sobre a aplicação das taxas, itens como chapas de alumínio, folhas de alumínio e recipientes se mantiveram no maior patamar.

Além disso, a Brewers Association (BA) também diz que a política pode gerar novas incertezas. “O governo pode adicionar produtos derivados à lista de tarifas a qualquer momento, incluindo recipientes metálicos, mesmo quando estes estiverem cheios de outras mercadorias. Isso significa que embalagens comumente usadas na distribuição de cerveja podem enfrentar novas tarifas no futuro”, diz a nota publicada pela entidade que representa as cervejarias artesanais norte-americanas.

Ainda de acordo com a BA, apesar da política ter sido concebida para fortalecer a produção nacional de metais, esses benefícios levarão tempo para se materializarem. “No curto prazo, o impacto geral para as cervejarias artesanais permanece claro: custos elevados de embalagens para latas e possivelmente barris, equipamentos caros (tanques e componentes da sala de brassagem) e volatilidade”.

Cervejas importadas vão pagar menos

Apesar disso, existem alguns elementos que podem beneficiar os importadores de cerveja. A cerveja importada agora está isenta das taxas da Seção 232. Portanto, os importadores não pagarão mais tarifas sobre alumínio das latas que chegam ao país.

Taxas mais baixas também se aplicam a produtos fabricados inteiramente com metais produzidos nos EUA, o que pode incentivar novos acordos e parcerias na cadeia de suprimentos.

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Guerra no Oriente Médio

As notícias também não são boas quando se olha para o mercado internacional. Os preços do alumínio atingiram, na última semana, o maior patamar em quatro anos, após o Irã atacar duas grandes fundições do metal no Oriente Médio. Ambas eram importantes fornecedoras dos Estados Unidos. O alumínio consta na lista de 60 minerais considerados críticos pelo governo americano.

Os Estados Unidos são o segundo maior produtor de cerveja do mundo. E têm o maior mercado de cervejas artesanais do planeta, com mais de 9 mil cervejarias. No entanto, as microcervejarias vêm sofrendo com um processo de maturação do mercado, com queda nos volumes de vendas nos últimos anos. Cerca de 13% do market share de cervejas dos EUA é das cervejarias artesanais.

Inflação da cerveja em março fica em 0,36%, abaixo do IPCA

Os preços da cerveja acumularam alta de 0,36% em março, percentual que ficou abaixo da inflação oficial do país, de 0,88%. Já os preços fora do domicílio avançaram 0,65%.

No acumulado de 12 meses – de março de 2025 a março de 2026 – a inflação da cerveja em domicílio ficou em 6,06%, e fora do domicílio fechou em 3,61%, enquanto o índice geral ficou em 4,14% no período.

Os dados fazem parte do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Eles foram divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em fevereiro, a inflação também foi de 0,36%.

Março (%)Acumulado em 12 meses (%)
IPCA Geral0,884,14
Alimentação e bebidas1,562,16
Alimentação no domicílio1,940,53
Cerveja0,366,06
Alimentação fora do domicílio0,616,54
Cerveja0,653,61
Fonte: IBGE

Segundo o IBGE, os preços de alimentos e bebidas são influenciados por vários fatores, tais como os efeitos sazonais, questões climáticas e os preços dos fretes na distribuição dos produtos aos mercados consumidores. No indicador geral, os preços de transportes impactaram na inflação de março, com avanço de 4,47% no subitem. A gasolina — que havia caído 0,61% em fevereiro — subiu 4,59% em março. Já o óleo diesel saltou de uma variação de 0,23% para 13,9%. O etanol subiu 0,93% e o gás veicular recuou 0,98%.

Na série acumulada nos últimos 12 meses, até março, o movimento é o mesmo observado na variação mensal, com tendência de estabilidade na série da cerveja consumida no domicílio e aceleração na série de índices da cerveja consumida fora do domicílio, segundo o IBGE.

Onde está mais barato beber cerveja?

A menor variação de preços da cerveja em março foi registrada em Salvador, com recuo de -0,71%. Em seguida vêm Goiânia (-0,47%), Belém (-0,36%) e Belo Horizonte (-0,33%), segundo os dados do IBGE.

A maior variação de preços foi no Rio de Janeiro, com alta de 1,9%. Em seguida vêm Campo Grande (1,84%), Fortaleza (1,57%) e Brasília (1,36%).

Inflação da cerveja nas capitais
Variação mensal (%)Variação acumulada em 12 meses (%)
Rio de Janeiro (RJ)1,99,2
Campo Grande (MS)1,849,09
Fortaleza (CE)1,579,05
Brasília (DF)1,365,4
Aracaju (SE)0,636,47
Grande Vitória (ES)0,4811,93
São Luís (MA)0,458,05
Recife (PE)0,437,2
São Paulo (SP)0,385,89
Brasil0,366,06
Curitiba (PR)0,316,94
Porto Alegre (RS)0,153
Belo Horizonte (MG)-0,334,64
Belém (PA)-0,365,45
Goiânia (GO)-0,476,07
Salvador (BA)-0,715,34
Fonte: IBGE

Produção industrial de bebidas em fevereiro

Os dados da Produção Industrial Mensal (PIM) apontam que, em fevereiro, a fabricação de bebidas alcoólicas teve avanço de 8,9% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Bem acima do índice geral, que ficou em 0,9%, trazendo o segundo mês seguido de crescimento do setor.

No acumulado de 12 meses, o recuo foi de -2,9%. A indústria cervejeira representa quase 90% da produção industrial de bebidas alcoólicas. 

Fabricação de bebidas
Fevereiro*Acumulado em 12 meses**
Alcoólicas8,9-2,9
Não Alcoólicas3,31,3
*Em relação ao mesmo mês do ano anterior ; **Em relação ao período anterior de 12 meses. Fonte: IBGE

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Já as bebidas não alcoólicas tiveram avanço de 3,3% na fabricação em fevereiro, se comparado ao mesmo mês do ano anterior. No acumulado de 12 meses, a variação foi de 1,3%.

O IBGE divulga os dados da indústria com maior defasagem e ainda não publicou os números de março.