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Rio Mais Cerveja surge para tornar o estado referência mundial no turismo cervejeiro

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O turismo cervejeiro ganhou mais uma opção para o seu fortalecimento e expansão no Brasil. Nesta segunda-feira, foi lançado o projeto Rio Mais Cerveja – Beer Experience, uma iniciativa que nasce com a missão de fazer do estado do Rio de Janeiro uma referência no cenário mundial do turismo cervejeiro. Para isso, ele pretende desenvolver a atividade com a integração dos diversos atores do segmento e o apoio de profissionais com conhecida atuação na área.

O Rio Mais Cerveja vai atuar a partir de três pilares: desenvolvimento de experiências turísticas nas cervejarias, brewpubs, bares e produtores de lúpulo da Serra Fluminense; integração com o ecossistema turístico para comercialização desses produtos; e promoção do turismo cervejeiro e da cultura da cerveja artesanal para ampliar as fronteiras desse mercado.

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Ana Claudia Pampillón, turismóloga e coordenadora da Rota Cervejeira RJ, é uma das profissionais à frente do projeto. “Neste primeiro momento, vamos ativar a cidade do Rio de Janeiro, criar experiências locais e conectá-las com outras regiões do Estado. No futuro queremos difundir o projeto para todo o país”, explica.

Camila Mattos, mestre em turismo, especialista em marketing e comportamento do consumidor, e Rodrigo Baruffaldi, administrador de empresas, sommelier e co- fundador da cervejaria Overhop Brewing, também fazem parte do time, assim como Luana Cloper, especialista em marketing e gestão de eventos e projetos.

O Rio de Janeiro tem passado por um período de crescimento do setor, com abertura de fábricas e cervejarias, além de brewpubs e bares exclusivos. O estado ocupa a sexta posição no ranking de maiores produtores do Brasil, com 78 fábricas instaladas, apresentando um crescimento médio anual de 17%.

A Serra Fluminense concentra 1/3 deste montante e é reconhecida nacionalmente pelo seu pioneirismo na criação de uma rota cervejeira, a Rota RJ. Já a cidade do Rio de Janeiro conta com 17 estabelecimentos cervejeiros, é o polo indutor do turismo no estado e ainda não tinha uma rota estabelecida. O Rio Mais Cerveja, então, surge com o intuito de ocupar essa lacuna.


“Que outro destino tem essa vocação turística, que atrai visitantes do mundo todo, encantados pelas belezas naturais, pelos ritmos, pelos sabores e pela alegria? Agora, vamos atrair também pelas nossas cervejas e as experiências incríveis que elas podem proporcionar de forma integrada à cidade e ao estado”, destaca Luana Cloper.

Planos de integração
Camila Mattos, por sua vez, conta como agências de viagem, guias de turismo, hotéis, restaurantes, sommeliers, produtores e amantes de cerveja deverão se beneficiar com a criação do Rio Mais Cerveja.

“Nosso objetivo é capacitar, integrar e expandir. Por isso mantemos um relacionamento próximo com todo o ecossistema, ouvindo sugestões e planejando as ações de forma coordenada, sempre atentos ao comportamento do consumidor. Não é um projeto de cima para baixo, o Rio Mais Cerveja está realmente integrado com os anseios do setor”, ressalta Camila.

Já Rodrigo Baruffaldi conta que o projeto buscará integrar toda a cadeia do turismo cervejeiro. “Queremos unir toda a cadeia produtiva e inseri-la também no setor turístico cervejeiro, além de gerar novas possibilidades de negócios”.

O Rio Mais Cerveja é um dos projetos da empresa criada por esses quatro profissionais, a CMLC Consultoria Colaborativa. Ele está chancelado e conveniado às principais entidades de classe do setor, casos da Setur-RJ, Secec-RJ, Sectur-RJ, Accerj-tur, Firjan e Cadastur.

Beer Summit: Com biodiversidade, país pode se tornar uma escola cervejeira

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Quando se associa o aumento do número de cervejarias artesanais nos últimos anos ao crescimento do mercado consumidor, além da riqueza da biodiversidade brasileira e dos avanços tecnológicos, é possível imaginar o potencial que o país tem para se tornar uma escola cervejeira. É o que projeta Luciana Brandão, sommelière, co-fundadora e CEO do Laboratório da Cerveja. Ela foi uma das conferencistas do Beer Summit na última semana.

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Luciana também é microbiologista e atua com produção de leveduras e pesquisas sobre o tema. E, para ela, o país está no rumo para se tornar uma escola cervejeira, segundo disse na palestra “Leveduras Brasileiras: Um caminho para a escola cervejeira brasileira?”, realizada no Beer Summit, o maior evento online de conhecimento cervejeiro da América Latina. Ele se encerrou neste domingo, com grandes nomes do mercado se conectando com o público para troca de conhecimento em busca de um universo cervejeiro com mais diversidade e pluralidade.

“Quando se estuda a levedura brasileira, as madeiras, as frutas, não há como a gente não associar a uma escola de cervejas. Isso seria possível? Bom, na minha opinião, eu acho, sim, que existe potencial para isso”, destacou Luciana.

O Brasil já produz insumos, como malte e lúpulo, além de contar com estudos avançados sobre levedura. E conta com ingredientes típicos, como as madeiras, as especiarias e as frutas. Mas, ressalta Luciana, as pesquisas são essenciais para a consolidação do segmento. E, além disso, ainda é preciso ter um mercado consumidor maduro, capaz de absorver as  diversidades que fomentem ainda mais a criatividade e o reconhecimento de produtos nacionais.

A gente sabe que não se cria uma escola cervejeira de um dia para o outro e que a qualidade das matérias primas é primordial, a técnica é fundamental e a cultura não é uma um acessório. É uma autenticidade

– Luciana Brandão, CEO do Laboratório da Cerveja

Uma escola cervejeira pode ser definida por um conjunto de estilos e técnicas de produção de cerveja de determinada região geográfica, levando em consideração fatores como matérias-primas, tecnologias e legislações locais. Hoje há no mercado quatro escolas: a belga, a inglesa, a alemã e a norte-americana.

Novo perfil de consumo
Luciana também avaliou que o consumidor de cerveja artesanal no Brasil está mais atento, especializado, entende mais sobre cervejas e gosta mais de sentir os aromas e sabores. E, a partir da redução do consumo devido às restrições financeiras, um dos reflexos da crise econômica do coronavírus, tem-se gerado novas tendências.

“A tendência do mercado craft é exatamente mais qualidade e menos quantidade. O consumidor busca por produtos diferenciados e inovação. Além disso, por bebidas mais saudáveis, com baixo teor alto do corpo e baixa caloria”, afirmou a especialista, destacando a importância da criatividade do produtor brasileiro, oferecendo complexidade de aromas e sabores para a bebida.

Luciana apontou, também, que as cervejarias têm se preocupado em produzir novos produtos com a busca por uma maior identidade nacional, utilizando a riqueza de sabores e aromas disponíveis, como as madeiras, frutas e o café. “São produtos com características mais regionais, até mesmo rurais e de fazenda. E, nesse sentido, já que nós já utilizamos outras coisas da nossa universidade, por que também não explorar a nossa biodiversidade microbiana?”, indagou.

De acordo com a pesquisadora, existem mais de 1,5 mil de espécies de leveduras no mundo, mas não há estudos que apontem o tamanho dessa população – estima-se que apenas 5% do total de fungos e leveduras sejam descritos. Essas leveduras podem ser encontradas em todos os tipos de ambientes, como água, ar e solo – ou até mesmo em contato com o homem.

Estudo de caso
Com uma vasta diversidade de estudos concluídos e outros em desenvolvimento no Brasil focados nas leveduras nacionais, Luciana apresentou alguns deles para corroborar as suas conclusões, como a pesquisa pioneira Produção de Cervejas de Alta Fermentação em Escala de Microcervejarias Utilizando uma Linhagem de Leveduras Brasileiras, que chegou a uma produção em escala industrial da primeira cerveja com levedura nacional: a Grimor.

O trabalho foi das pesquisadoras Gabriela Montandon e Beatriz Borelli, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto com uma universidade da Bélgica. O estudo tinha o objetivo de selecionar linhagens brasileiras de diferentes ambientes e produzir uma cerveja de alta fermentação em escalas laboratorial, piloto e industrial. 

Após ensaios, que foram realizados na Bélgica, chegou-se às quatro linhagens de leveduras de todas as regiões do Brasil que tiveram as melhores performances. Elas apresentaram potencial para a produção de cerveja sem a necessidade de adaptação prévia. Já com base no perfil aromático, tais leveduras foram consideradas diferentes e capazes de gerar cervejas diferentes. 

Dessas quatros leveduras, uma destacou-se ainda mais, após comportar-se de forma semelhante nas escalas laboratorial e piloto. Entre os resultados, a linhagem selecionada foi capaz de gerar grande atividade micocinogênica, fermentação rápida do mosto cervejeiro (24h mais rápida que a linhagem de referência), fermentação completa da maltose, produção de compostos de aroma adequados para a produção de cerveja e outras características.

Com a utilização desta levedura em escala industrial dominando o processo fermentativo do início ao fim, as pesquisadoras conseguiram criar a cerveja Grimor.

O evento
O Beer Summit foi idealizado e organizado por mulheres. O evento contou com cinco trilhas: Diversidade, equidade e inclusão, Negócios, marketing e empreendedorismo, Sommelieria, estilos, serviço e harmonização, Matérias-primas, processos e inovação, e Experiências, tecnologia, ciência cervejeira e equidade.

Artesanais apostam em expansão e clube de assinaturas para driblar crise

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Ao eclodir em março, a pandemia do coronavírus alterou planos e forçou mudanças na operação da indústria nacional, também atingindo as atividades do segmento de cervejas artesanais.  Já no fim do ano, porém, o setor tem respondido com novas iniciativas, seja para ampliar as operações, como anunciado recentemente pela Cervejaria Madalena, ou mesmo para fidelizar o público, como demonstrou a Everbrew em uma nova ação.

Na última quinta-feira, a Madalena inaugurou um espaço exclusivo em Taubaté, que recebeu o nome de Beer Garden. No estabelecimento, a cervejaria oferece todas as opções dos seus rótulos em garrafas, como as dos estilos Lager Premium, Bohemian Pilsen, Amber Ale, American Pale Ale, India Pale Ale, Double IPA, Weiss e Stout. A casa também conta com seis opções de torneiras de chopes variados.

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A iniciativa confirma o cenário de expansão da Madalena, mesmo em um momento complicado economicamente para o Brasil. A marca foi aberta em 2014, no ABC Paulista. Hoje, as suas cervejas são encontradas em mais de mil pontos de venda nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Minas Gerais, Amazonas, Paraíba e Maranhão.

Com o espaço recém-inaugurado em Taubaté, a Madalena espera levar um pouco da sua fábrica para esse novo consumidor. “O Beer Garden chega como mais um formato inovador e diferente de levar nossas cervejas para mais perto dos consumidores. O objetivo é fazer com que ele se torne um pedaço da fábrica Madalena na cidade, brindando o tradicional município que é o segundo maior polo industrial e comercial do Vale do Paraíba”, comenta Renan Leonessa, gerente de marketing da Madalena.

Clube de assinatura
Já em uma iniciativa para fidelizar o público, o comércio digital Cerveja Box criou um clube de assinaturas exclusivo da Everbrew. A ação envolvendo a cervejaria de Santos teve um período de testes, seguido pelo seu lançamento oficial, ocorrido na última quinta-feira. “Para os próximos meses queremos aumentar em quatro vezes a disponibilidade”, afirma Anderson Valadares, co-CEO e um dos fundadores do Cerveja Box.

O clube de assinaturas da Everbrew no Cerveja Box possui duas modalidades de assinaturas. Uma opção é o Ever Novidades, em que mensalmente são enviados 2 lançamentos ou rótulos sazonais da Everbrew. O outro é o Ever Aclamadas. Nesse caso, o assinante recebe mensalmente 2 cervejas da marca, como Evermaine, Evermass, Everipa, Evermont, Double Maine, Double Mont, Everblend, Imortallity e Oceania.

Os participantes do clube de assinaturas da Evebrew têm outra facilidade: ganham direito a descontos que podem variar entre 10 e 50% em todos os produtos da Cerveja Box.

Mondial leva experiência cervejeira para as casas com edição digital neste sábado

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Considerado o principal festival internacional de cervejas especiais do Brasil, o Mondial de la Bière precisou inovar para viabilizar a realização da sua décima edição. Com as restrições impostas pela pandemia do coronavírus, os organizadores prepararam uma versão digital, que será realizada neste sábado, das 14h às 22h. E oferecem ações inovadoras para que a experiência do evento seja levada para a casa dos participantes.

A edição 2020 do Mondial, gratuita, será transmitida pelo canal do evento no YouTube a partir do Narreal Brewhouse, localizado no bairro de Botafogo, no Rio. E vai ser de lá que o público acompanhará e vai interagir com atrações que costumavam acontecer no espaço do festival.

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Com a distância física, a organização preparou degustações guiadas para os participantes. Poderão participar as pessoas que compraram um dos boxes exclusivos do festival, vendidos pelo Empório da Cerveja e preparados com a curadoria dos organizadores do Mondial.

Várias das cervejas que compõem os kits foram medalhistas de edições do MBeer Contest Brazil, a competições do festival. São os casos da Cacau IPA, da Bodebrown; de uma Dubbel da mineira Wäls; da Canudos, uma Saison da cervejaria Motim; da Bárbara, uma Barley Wine da Noi, de Niterói; da Nikita Cherry, uma RIS da Antuérpia; da Gravioh-Là-Là, uma Catharina Sour da cervejaria Overhop; e da Darkmoon, uma Foreign Stout da cervejaria Pratinha.

Outros rótulos presentes nos boxes do Mondial são a Goose Island Midway IPA, uma Session IPA da Goose Island, e uma Colorado Ribeirão Lager, da cervejaria Colorado.

O Mondial também oferece a opção Brinde em Casa, com benefícios e promoções em rótulos e artigos. Durante a transmissão, um QR Code dará acesso a uma seleção de lojas em todo o país que são capazes de entregar as cervejas em até duas horas. Assim, poderão ser apreciadas enquanto o evento acontece.

Para ampliar a divulgação da cultura cervejeira e o acesso ao conhecimento sobre esse universo, também haverá uma série de painéis sobre temas variados. Na parte destinada à mixologia, Fran Sanci e Tai Barbin mostram como combinar cervejas artesanais e destilados. O painel sobre gastronomia e harmonização será com os irmãos Ogro, Jimmy McManis e Marcelo Neves.

A organização também preparou algumas atrações musicais, como a banda Pepper Spray, que homenageia Red Hot Chili Peppers e já participou de outras edições do Mondial no Rio. E a DJ Tamy Reis, uma das estrelas dos bailes do Viaduto de Madureira, na zona norte do Rio de Janeiro, também vai se apresentar.

Beer Summit: Carolina Oda avalia como conceito de ‘boa’ cerveja é algo subjetivo

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É preciso entender toda a subjetividade envolvida no conceito do que é considerado bom para o consumidor de cervejas. Saber disso e compreender que cada pessoa define, a partir das suas individualidades, o que lhe agrada, utilizando fatores únicos de julgamento, é fundamental para o êxito da operação no setor e o crescimento do mercado. Tal reflexão foi apresentada por Carolina Oda nesta quinta-feira, durante a sua participação no Beer Summit.

Não basta, portanto, segundo Carolina, que é formada em gastronomia e trabalha há mais de 12 anos com cerveja e outras bebidas, sendo considerada uma das maiores especialistas brasileiras no setor, apenas produzir um rótulo tecnicamente primoroso. Para ela, a definição do que é bom pode causar inúmeras reflexões, mas a avaliação da qualidade também está intimamente ligada a fatores extrínsecos e intrínsecos, indo além da parte técnica e da qualidade da bebida. Fatores como a experiência de vida, a genética e o conhecimento, afinal, também entram na análise

 “Se a gente ficar olhando só para o que é considerado bom, de acordo com a elite crítica, a gente tem um caminho mais restrito. Mas, se tiver empatia e conseguir se colocar no lugar da outra pessoa, com essa consciência, entende que cada um tem uma construção de avaliação, só querendo que essa pessoa seja feliz sentada na mesa do bar, sentindo prazer de acordo com o que é ter prazer para ela. A gente está falando de cerveja, mas a gente pode carregar isso para todas as coisas da vida”, afirmou.

Com a participação de Carolina Oda e outras referências do setor, o Beer Summit é o maior evento online de conhecimento cervejeiro da América Latina, tendo sido idealizado e organizado por mulheres. Ele vai até o próximo domingo, com grandes nomes do mercado se conectando com o público para troca de conhecimento em busca de um universo cervejeiro com mais diversidade e pluralidade.

Para discutir a questão da qualidade, Carolina Oda usou referências de Ferran Adriá, cozinheiro espanhol que é considerado um dos melhores chefs do mundo. A especialista destacou os fatores usados para avaliar a qualidade do que é consumido. E apontou que a genética tem preponderância importante sobre isso.

“Genética não tem a ver com preferência. Assim como a gente fala da língua, ninguém tem a língua igual, cada um tem a língua de um jeito. Tem gente que tem a língua com papilas que ajudam a perceber a acidez”, observou ela.

Confira as atrações e como participar do Beer Summit

Outro fator que constrói a referência do que é bom ou ruim é o hábito, algo diretamente ligado à cultura de cada indivíduo. Já a autossugestão também tem sua importância. É esse motivo, como lembrou Carolina Oda, que faz concursos cervejeiros terem degustações às cegas. “As pessoas não veem os rótulos das garrafas porque eles as sugestionam”.

Levar conhecimento para as pessoas é outro ponto relevante, já que, teoricamente, quanto mais se conhece algo, mais se tem repertório e conteúdo para uma avaliação. “Saber e sabor têm o mesmo radical e vêm de ‘sapere’. Então, saber e sabor estão relacionados e significa que, quanto mais a gente sabe, mais sabor as coisas têm. Porque quanto mais a gente sabe, mais se valoriza”, explicou.

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Fatores intrínsecos
Oda apontou ainda que os fatores intrínsecos, que envolvem a composição do produto, como a qualidade dos ingredientes utilizados na cerveja, a matéria-prima e o lúpulo, são o ponto de partida para avaliação do que é bom pelo consumidor.

“Essa é a análise mais essencial e mais necessária que não poderia abrir mão. A meu ver, não deveria ser uma argumentação e sim básica para todas as cervejas”, destacou Oda. “Um lúpulo velho não necessariamente tem a ver com segurança alimentar, mas está relacionado com as questões organolépticas.”

Oda alerta, porém, que os sentidos – tato, paladar, visão audição e olfato – não decidem “sozinhos” o que é bom, pois essa avaliação também está ligada às memórias, medos e emoções. “É impossível você fazer uma análise sensorial desses sentidos que a gente normalmente associa sem trazer também as suas sensações de emoção, porque é a mesma região do cérebro. Então, sempre, a gente vai fazer uma avaliação organoléptica, associando também as nossas sensações emocionais, nossos medos e memórias.”

Ao compreender que é impossível separá-los, fica mais fácil entender por que produtos iguais possuem avaliações diferentes. “Por isso, em uma mesa de julgamento de bebidas, por exemplo, existem no mínimo três pessoas, porque cada um tem uma referência”, exemplificou Carolina.

Outros fatores
Os fatores extrínsecos, por sua vez, estão relacionados com o ambiente ao redor do produto, como a marca de uma determinada cerveja, o que ela passa ao consumidor e o seu status. “Tem mais a ver com comunicação e valores”, disse ela, destacando que o repertório de cada um também influencia na avaliação.

Carolina Oda avaliou que as pessoas incluem os valores na definição do que é bom, utilizando-se de referências pessoais e da sua construção moral. “A gente quer saber muito mais do que se o lúpulo é norte-americano ou se foi feito pelo designer que gosta. A gente quer saber se o malte é orgânico, se o dono [da marca ou cervejaria] estava envolvido em alguns escândalos, se essa marca apoia as causas ambientais etc.”

Muitos desses fatores já eram importantes na sociedade e consequentemente no mercado cervejeiro, mas agora são ainda mais. E Oda salienta que os casos recentes de racismo, misoginia e machismo, em suas palavras, “mudaram o mercado”.

“Isso, hoje, define muito a qualidade, o que é bom. E pode fazer cair por terra qualquer qualidade técnica. Além disso, a qualidade técnica depende da avaliação das pessoas que têm competência técnica para avaliar”, conclui Carolina Oda.

Beer Summit: A visão de Garrett Oliver sobre o setor cervejeiro no Brasil

O potencial do segmento de cervejas artesanais do Brasil é imenso. É o que garante ninguém menos do que Garrett Oliver, mestre-cervejeiro da Brooklyn Brewery e uma das grandes referências mundiais do setor. O autor do Guia Oxford da Cerveja apresentou essa visão na quarta-feira, durante a sua participação no Beer Summit.

Para ele, a diversidade é o ponto central para a produção de novas cervejas, o que provoca a conclusão de que o potencial brasileiro é imenso. Em sua visão, o país tem muita oportunidade de levar novos sabores da bebida ao mundo. “Quando um norte-americano vai ao Brasil, por exemplo para São Paulo, ele nunca viu a maioria das frutas do Mercado Municipal. Várias frutas de diversas regiões. Posso dizer, eu reconheço 30% das frutas. Nós temos um ou dois tipos de bananas. Vocês têm dez.”

Com a participação de Garrett Oliver e outras referências do setor, o Beer Summit é o maior evento online de conhecimento cervejeiro da América Latina, tendo sido idealizado e organizado por mulheres. Ele vai até o próximo domingo, com grandes nomes do mercado se conectando com o público para troca de conhecimento em busca de um universo cervejeiro com mais diversidade e pluralidade.

Confira as atrações e como participar do Beer Summit

E Oliver, ao utilizar o exemplo de marcas belgas que utilizam cerejas e framboesas em suas receitas, declarou acreditar ser possível que o Brasil possa exportar a ideia de uma cerveja com base nos frutos nacionais. “Quando falamos da nossa cultura cervejeira é importante lembrar de onde ela vem”, apontou o norte-americano.

Em sua participação no Beer Summit, Garrett Oliver relembrou a sua primeira passagem pelo Brasil, em meados dos anos 2000, atendendo a um convite dos responsáveis pela Eisenbahn. Na ocasião, ele ficou surpreso ao descobrir que a cultura cervejeira brasileira é muito semelhante à norte-americana, com uma presença muito forte da imigração alemã em ambas. “A fonte de onde veio nossa tradicional Lager nos Estados Unidos é a mesma fonte de onde vocês recebem a sua tradicional Lager no Brasil. Foi com a imigração alemã.”

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Garrett frisou, porém, não considerar que a cultura cervejeira seja europeia, apontando o caso de sociedades africanas, onde costuma-se utilizar diferentes ingredientes típicos e há cervejas feitas pelos mais velhos, sendo frequentemente usadas em cerimônias. Na América do Sul e do Norte, grupos nativos também tinham suas próprias produções.

Se você olhar para os Estados Unidos antes da Guerra Civil, quase toda a fabricação do país era feita por afro-americanos

– Garrett Oliver

Para ele, ainda que a história norte-americana de cerveja destaque a produção da bebida por nomes como George Washington, Thomas Jefferson ou James Madison, é preciso lembrar que, naquela época, os negros eram escravizados e obrigados a realizar diversos trabalhos, incluindo a produção de cerveja e destilados.

“Hoje, a cultura da cerveja é muito ampla. Como afro-americano na indústria da cerveja estou muito ciente de que nossa indústria traz pessoas de apenas uma parte de nossa cultura, essa é a parte europeia. Mas, claro, o contexto familiar de um grande número de pessoas nos EUA não é europeu”, destacou Oliver.

Garrett relatou ainda que, em 2019, foi pela primeira vez a um festival de cerveja organizado por afro-americanos. “Eu vi 2 mil negros bebendo cerveja. Não consegui acreditar. A cultura era a mesma. Eles disseram: bem, sim, nós queremos ter o nosso próprio festival já que ninguém nos convidou para os outros. Cada vez que íamos lá [nas cervejarias] nos sentíamos deslocados.”

Em sua visão, inclusive, foi o festival mais completo que presenciou, pela participação de pessoas de todas as partes, diversidade de gêneros e orientação sexual. “Eu pensei: ‘Uau, esse sim é um festival de cerveja que se parece com os EUA. Neste momento, os nossos bares de cervejas artesanais e as nossas cervejarias parecem com a Europa’”, refletiu Oliver no Beer Summit.

Diversidade na Brooklyn
Recentemente, a Brooklyn Brewery lançou o projeto Michael Jackson Foundation for Brewing & Distilling. A fundação tem o objetivo de levar educação técnica de cervejas e destilação através de bolsas de estudos para as minorias nos EUA, como negros, pardos e índios. “Eu estou trabalhando neste ramo há 30 anos e posso dizer que nunca tive um candidato afro-americano para uma vaga cervejeira. Então, decidi fazer algo sobre.”

O programa de inclusão já aplicou quase US$ 200 mil na promoção do conhecimento. O objetivo é ter uma indústria cervejeira que se pareça com o perfil social norte-americano, composta por diferentes gêneros, raças e etnias.

“Eles vão convidar os seus amigos e suas famílias para a cerveja artesanal. Depois, lentamente, você olha em volta e verá pessoas que não tinha visto antes. Como resultado, vai vender mais cerveja e ter um negócio melhor. A diversidade, de fato, não é apenas uma coisa boa para a sociedade em geral, bem-estar e felicidade. Ela também é boa para os negócios”, pontuou Garrett Oliver.

“Na Brooklyn Brewery gostamos de pensar que a nossa cerveja não tenha só um gosto muito bom. Nós queremos que seja tão boa para a terra quanto ela pode ser. Queremos que ela expresse nossa cultura como pessoas diferentes, países e origens. E que nós queremos expressar a maneira como nós sentimos. Às vezes bebo cerveja, às vezes bebo cachaça, às vezes bebo vinho, mas quero ter certeza de que é sempre bom e é o que eu quero. Então, sim, é tudo sobre mim, sempre foi”, acrescentou o fundador da marca.

Localizada em Nova York, a Brooklyn Brewery é composta por uma equipe “internacional”, ou seja, reúne pessoas de distintas nações. A cervejaria também possui um programa voltado para promover a inclusão de pessoas de distintos grupos. Na iniciativa, todos os membros têm a possibilidade de fazer a sua própria cerveja, utilizando-se dos ingredientes de suas diferentes culturas.

“Cada pessoa que trabalha na linha de cerveja, produz a própria cerveja com seu próprio nome. Depois nós fazemos uma festa de lançamento e em seguida a bebida é vendida em nosso taproom”, falou Garrett.

A Brooklyn Brewery também é famosa por seus rótulos colaborativos. E, entre os favoritos, Garrett revela que está um brasileiro: a Saison Caipira, batizada em homenagem a caipirinha. A bebida composta de cana de açucar foi feita em parceria com a cervejaria mineira Wäls. “Eu trouxe para a cerveja do Brasil um sabor que não posso encontrar nos EUA”.

Ele comentou também que, quando a Brooklyn Brewery começou a fazer rótulos colaborativos, nenhuma outra cervejaria adotava tal prática. Entretanto, para Garrett, agora o conceito moderno é uma “collab de Instagram”. Ou seja, pessoas e marcas apenas se reúnem para uma fotografia, mas se produz a mesma cerveja que todos fazem, sem levar em consideração aspectos culturais.

“Para mim não é interessante. Não é cultura. Não é imaginação. Pode ser divertido para as cervejarias, talvez venda, mas não nos dá nada de novo”, finalizou Garrett Oliver.

‘Old school’, Dogfight aposta em cervejas extremas para conquistar o mercado

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Uma cervejaria “old school”. É assim que a Dogfight, marca de Ribeirão Preto (SP), pretende ser vista e admirada, a partir de premissas que a definem: a escolha por produzir rótulos de estilos considerados extremos e a opção pela reprodutibilidade e a padronização dos sabores de suas cervejas.

Elas são, até agora, três: a Dogfight, uma American Imperial IPA que leva o nome da marca; a Commandos, uma American Double New England IPA; e a Batlefront, uma West Coast Double IPA. Rótulos que deixam claro uma opção por cervejas com forte amargor e teor alcoólico elevado. Além disso, elas não são pasteurizadas.

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“Somos uma cervejaria old school. A gente não faz lançamento toda semana. Acredito em uma cerveja que tenha reprodutibilidade. A pessoa que tomou essa cerveja há um ano e vai beber hoje, tomará a mesma cerveja, com o mesmo sabor e características”, assegura Jaime Fabretti, mestre-cervejeiro da Dogfight, uma marca que tem sua trajetória associada ao período da Segunda Guerra Mundial, aos anos 1990 e a 2017.

Foi, afinal, na década de 1990 que Jaime começou a construir a sua trajetória com a bebida. De modo amador, o então estudante universitário de Química passou a produzir cervejas caseiras, em um período em que o acesso a insumos básicos – como malte e lúpulo – era restrito.

Daquela época e de uma passagem pela Bélgica para trabalhar na sua área de formação, consolidou-se a paixão pelas cervejas – e por produzi-las. Um desejo que ficou em segundo plano na sua atuação profissional até 2017, quando Jaime foi presenteado pela esposa com um kit para fabricação caseira de cervejas.

Ao presente familiar, juntou-se outro parente, o cunhado Matheus Cardoso. Juntos, eles fundaram a Cervejaria Dois Cunhados. E a primeira fabricação oficial veio em 2019 e sob a marca Dogfight, que remete ao termo usado para o combate entre dois aviões de caça, algo marcante durante a Segunda Guerra Mundial, um tema histórico sempre presente nas criações da cervejaria.

Somos fissurados em fatos históricos da Segunda Guerra Mundial. E especialmente em aviões como Spitfire, que era o avião cervejeiro. Quando a Inglaterra invadiu a Normandia, para animar a tropa, foram amarrados barris de cerveja embaixo do Spitfire e levados até ela. E isso inspirou a gente a colocar esse nome

– Jaime Fabretti

Seguindo a mesma linha de raciocínio, a marca acredita que pode servir como um momento de relaxamento na “guerra” cotidiana dos admiradores de uma boa cerveja. “A nossa vida também é uma guerra. Entramos em batalhas diárias. Quando elas terminam, você vai relaxar e vai tomar um Dogfight, uma cerveja que tem história, raiz e contexto”, destaca Jaime.

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A influência da Segunda Guerra Mundial pode ser vista até mesmo no seu growler exclusivo, o Jerrycan. Ele é em cerâmica, na cor verde militar, lembrando o formato de um tanque de combustível dos jipes militares utilizados naquele período.

Novos clássicos
A Dogfight busca trabalhar com insumos selecionados e de qualidade, para oferecer um equilíbrio que possa ser percebido em suas cervejas, com forte carga aromática e alta lupulagem, o que se reflete no seu maior amargor. Seus três rótulos são vendidos em latas de 473ml. “Temos rótulos clássicos de estilos clássicos. Queremos resgatar as características originais de cada estilo. E dar o que é essencial”, afirma o mestre-cervejeiro.

Atualmente com três IPAs no mercado, a Dogfight já prepara novas criações. A ideia é de que o seu próximo lançamento seja uma Strong Scotch Ale Wood Aged. Além disso, a cervejaria cigana, que optou por não ter uma fábrica própria, pretende abrir em breve um brewpub em Ribeirão Preto. E as suas criações podem ser adquiridas através do e-commerce, com entrega em todo o Brasil.

Confira os detalhes dos três rótulos da Dogfight:

Dogfight

Uma American Imperial IPA moderna, turva e amarga.

  • Amargor: 100 IBUs
  • Álcool: 8,1% ABV

Battlefront

Uma American Imperial IPA estilo West Coast, mais clara e frutada.

  • Amargor: 91 IBUs
  • Álcool: 7,8% ABV

Commandos

Uma American Double New England IPA. Reúne os lúpulos Centennial, Ekuanot, Amarillo, Citra, Chinook, Cascade e Simcoe, todos unidos através do double dry hopping (DDH).

  • Amargor: 72 IBU
  • Álcool: 8,6% ABV

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Sommelier de cerveja ganha de 3 a 10 mínimos, mas 64% não trabalham na área

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A Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) divulgou nesta quarta-feira o resultado do seu primeiro grande levantamento sobre a atividade profissional do sommelier de cerveja do país. O perfil da profissão, segundo a pesquisa, é um homem branco, com idade entre 30 e 39 anos, com renda entre 3 e 10 salários mínimos e tendo se formado entre 2018 e 2020. Além disso, fez cursos de produção de cerveja caseira ou análise sensorial, possui outra atividade principal, é de classe média, morador da região Sul ou Sudeste e não-filiado à Abracerva.

A pesquisa foi proposta pelo Núcleo de Sommelières da entidade, liderado pela sommelière Priscilla Colares, e contou com a colaboração do Guia no trabalho de compilação e análise de dados. Foram 1.305 participantes. Mas apenas 93.5%, ou 1.220 pessoas (apenas aquelas certificadas como Sommelier ou Sommelière de Cervejas), tiveram respostas consideradas válidas.

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Entre os participantes, estão sommelières formados em escolas brasileiras e estrangeiras, de 24 estados e que moram fora do país. Os estados das regiões Sul e Sudeste, onde se concentram a maioria das escolas e das cervejarias, são os que contam com mais formados. Os profissionais paulistas lideram a relação, com 33,4%, sendo que 17,5% são de Minas Gerais.

Os homens são a maioria, com 71% dos respondentes, além de 28,9% mulheres e de 0,1% que se declararam de outros gêneros. As pessoas entre 30 e 50 anos são 77% da amostra, sendo 49,6% tendo entre 30 e 39 anos.

O sommelier de cerveja que se declara branco é a maioria (76,5%), enquanto os autodeclarados pretos ficam em 3,7%. Já 15,7% são pardos e menos de 1% não declararam a raça ou se autodeclararam amarelos.

Renda e atuação
A sommelieria é uma atividade mais comum entre pessoas da considerada “classe média”, porém com situação financeira mais confortável do que a média nacional: 54% responderam que têm renda entre 3 e 10 salários mínimos (R$ 3.208,65 e R$ 10.690,55). Já apenas 13% dos respondentes recebem entre 1 e 2 salários mínimos. Além disso, quase 80% dos sommelières têm formação universitária, sendo aproximadamente 40% com pós-gradução ou mestrado.

Se a renda do sommelier de cerveja pode ser considerada acima da média brasileira, boa parte ainda não trabalha diretamente com a profissão: 63,9% dos entrevistados não possuem renda proveniente da atividade. Dentre aqueles que fazem da sommelieria uma profissão, ela significa mais da metade da renda para 41%. A grande maioria está nos extremos: até 25% ou acima de 75% da renda.

A pesquisa ainda evidencia que a formação em sommelieria é um fenômeno recente: mais da metade dos sommelières concluiu sua formação entre 2018 e 2020, e uma parcela inferior a 2% terminou os estudos há mais de 10 anos.

Já 80% dos sommelières formados fizeram outros cursos, sendo produção de cerveja caseira e análise sensorial e/ou off flavours os mais escolhidos, totalizando 42% da amostra. E apenas 6% dos respondentes não possuem nenhum tipo de curso realizado.

A pesquisa também apontou que quase 9 em cada 10 sommelières não são filiados à Abracerva, correspondendo a um total de 86%. Outros 10% são filiados e 4% já fizeram parte da associação.

Avaliação
Para Priscilla Colares, ao traçar o perfil do sommelier de cerveja brasileiro, o objetivo da Abracerva foi cumprido: conhecer mais sobre quem atua neste segmento para, a partir daí, entender quais são as demandas.

“Muitos dos dados confirmam tendências que vemos no mercado. Uma informação que chama muito a atenção é o crescimento da atividade, com mais de 50% dos respondentes tendo se formado entre 2018 e 2020. A expansão do próprio mercado, que começa a ser visto de uma forma mais profissional, explica esse número”, destaca Pri Colares.

Lei seca e festas proibidas: As ações regionais para conter a Covid-19 no fim do ano

A aproximação do período das festas de fim de ano e do verão veio acompanhada pela elevação dos números de casos e mortes pelo coronavírus no Brasil. Esse avanço da doença tem elevado as taxas de ocupação de leitos em hospitais, o que fez governos estaduais e municipais anunciarem restrições para um período que, em outros anos, sempre ficou marcado por bares e restaurantes lotados, além de celebrações coletivas em shows e festas.

Mas isso não será possível no último mês de 2020. Festas de ano novo e de Natal, sejam as organizadas pelo poder público ou por instituições privadas, foram proibidas em diversas capitais e estados por causa da pandemia do coronavírus.

Além disso, tornaram-se mais restritivas a presença em bares e restaurantes, principalmente em relação aos horários de funcionamento, mas também envolvendo até mesmo a venda de bebidas alcoólicas. Há também casos de toque de recolher em alguns estados.

A média móvel de mortes pelo coronavírus nos últimos sete dias ficou em 617, de acordo com dados divulgados nesta terça-feira, segundo o consórcio de veículos de imprensa. No total, o país soma 178.184 mortes, com 6.675.915 pessoas contaminadas, apontam os dados divulgados às 20 horas.

Sob esse cenário alarmante de propagação da Covid-19, o Guia preparou um material para indicar como está a situação de bares, restaurantes e festividades em algumas das principais cidades e estados brasileiros nas últimas semanas de 2020. Confira.

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Amazonas – Em Manaus, ao contrário do cenário de ampliação de restrições em diversas capitais, o funcionamento de bares e casas de shows foi liberado no início de dezembro, mas com limitação de 50% da ocupação, assim como já ocorria com os restaurantes.

Bahia – No fim da última semana, o governo estadual vetou a realização de festas e shows por 14 dias, apresentando um indicativo de que esse prazo deverá ser ampliado. Já na capital, Salvador, o tradicional Show da Virada foi cancelado pela prefeitura.

Ceará – A operação de bares continua proibida. E, em Fortaleza, a prefeitura só permite o funcionamento de restaurantes até as 23 horas.

Minas Gerais – Em Belo Horizonte, a partir da última segunda-feira, foram proibidas a venda e o consumo de bebidas alcoólicas em bares, restaurantes, feiras e similares. O decreto também veta o licenciamento para realização de festas de réveillon. Ainda se recomenda que não sejam organizadas festas e confraternizações de fim de ano pelas famílias.

Pará – Em Belém, bares e restaurantes só podem funcionar até meia-noite e somente com 50% da capacidade. As apresentações musicais são liberadas com a limitação de seis artistas no palco.

Paraná – Há um toque de recolher a partir das 23 horas. É também a partir desse horário que estão proibidos o consumo e a venda de bebidas alcoólicas em espaços públicos, postos de combustível, condomínios e clubes. Também estão proibidas confraternizações com mais de dez pessoas. Essas ações foram adotadas em 3 de dezembro com validade de 15 dias.

Pernambuco – O governo estadual proibiu a realização de festas de Natal e réveillon, em medida que deve ser seguida por clubes, condomínios, espaços públicos e hotéis. O Estado também vetou a realização de shows, mas casamentos e eventos de formatura têm permissão. Na capital Recife, o funcionamento de bares e restaurantes está liberado até meia-noite, embora com limitação de 70% da capacidade. Há outras limitações, como o distanciamento de 1 metro entre pessoas em mesas diferentes.

Rio de Janeiro – No Rio, há diferença entre as limitações impostas entre o governo estadual e a prefeitura da capital, mas ambos permitem a ocupação de apenas 2/3 do espaço de bares e restaurantes. Na cidade, porém, as pessoas podem ficar em pé, ao contrário do que determina o Estado.

Rio Grande do Sul – As festas de fim de ano também estão proibidas no Rio Grande do Sul. O Estado adota um sistema de bandeiras para definir as restrições. Na mais grave delas, a vermelha, bares e restaurantes só podem funcionar até 22 horas, com todos sentados e distanciamento de 2 metros entre as mesas. Além disso, está proibida qualquer execução musical. Em Porto Alegre, casas noturnas só podem funcionar como bares e restaurantes, com a exigência de que todas as pessoas permaneçam sentadas.

Santa Catarina – O governo estadual determinou o fechamento de estabelecimentos às 23 horas, mesmo horário em que começa a vigorar um toque de recolher, tendo validade de 15 dias.

São Paulo – Bares precisam encerrar o atendimento presencial às 20h, enquanto restaurantes e lojas de conveniência só podem vender bebidas alcoólicas até as 20h, devendo fechar às 22h. A ocupação máxima passou a ser de 40% da capacidade. E eventos com público em pé estão proibidos. Há recomendação para que os encontros familiares de fim de ano não reúnam mais de 10 pessoas e que seja evitada a participação de idosos. Já as celebrações em estabelecimentos comerciais estão proibidas. Algumas ações também foram adotadas em cidades do interior. Em Presidente Prudente, por exemplo, está proibido o consumo de bebidas alcoólicas em áreas públicas, incluindo parques, praças e ruas. O aluguel de chácaras para eventos e shows está vetado.

Beer Summit: Brasil caminha para se tornar um país exportador de lúpulo

No ano de 2015, a explosão do sucesso das cervejarias artesanais em todo o país despertou o interesse de muitos produtores pelo lúpulo, o que fez a planta voltar a ser cultivada no Brasil após décadas. Desde então, investimentos na produção fazem com que o lúpulo nacional comece a se transformar em uma realidade, reforçando as perspectivas de que ele se junte, um dia, aos itens do catálogo de exportação do país.

“O Brasil será um exportador de lúpulo”, assegurou Rodrigo Ertel Baierle, engenheiro agrônomo e um dos produtores de lúpulo nacional para cultivo comercial, durante a palestra “Cultivo de lúpulo no Brasil”, realizada nesta segunda-feira no Beer Summit, o maior evento online de conhecimento cervejeiro da América Latina, tendo sido idealizado e organizado por mulheres. Ele vai até o próximo domingo, com grandes nomes do mercado se conectando com o público para troca de conhecimento em busca de um universo cervejeiro com mais diversidade e pluralidade.

Confira as atrações e como participar do Beer Summit

Em sua apresentação no Beer Summit, Baierle destacou que, além de se tornar um produto para exportação, o lúpulo nacional pode chegar a ter qualidade superior ao importado. A certeza veio após conversas com importadores que, segundo ele, revelaram que o produto trazido ao Brasil costuma ser de classes inferiores. “Vamos proporcionar ao brasileiro o lúpulo fresco. Quando chegarem as variedades nacionais, a qualidade com certeza estará dentro dos patamares do importados ou superiores.”

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Hoje, 99% dos lúpulos usados pelas cervejarias são advindos da exportação. Mas o cenário aponta para a possibilidade de mudanças. Para Baierle, será possível cultivar a planta em todo o país e, em algumas regiões, poderão ter até duas ou três safras por ano, o que dará ao mercado nacional preços competitivos em relação aos praticados no mercado externo.

Já as cervejarias nacionais indicam ter boa aceitação em relação ao lúpulo brasileiro. Baierle relatou que a procura é quase diária pela sua produção. “Já estou com a safra de março quase toda vendida”, contou.

Retomada e desafios
Atualmente, o país cultiva uma área aproximada de 60 hectares de lúpulo em diversos estados. Santa Catarina é o responsável pela maior quantidade de produtores, principalmente na região serrana. Já Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul também são outros estados com participação importante.

As maiores áreas de cultivo no Brasil são estimadas entre dois e quatro hectares. E, entre as espécies produzidas, predominam as variedades norte-americanas, europeias e da Nova Zelândia.

Segundo Baierle, com o auxílio da tecnologia, daqui a sete ou oito anos já será possível ter uma variedade nacional de lúpulo. Inclusive, já estão em desenvolvimento dois programas de melhoramento genético, ambos em São Paulo. Nos estudos, a planta precisa ser adaptada, produtiva, ter qualidade e não ser suscetível a doenças.

Entre os avanços para o segmento, ainda é possível destacar a criação em 2018 da Associação Brasileira de Produtores de Lúpulo (Aprolúpulo), que tem atuado com troca de informações e palestras em todo território nacional.

A Aprolúpulo também possui uma cadeira na Câmara Setorial da Cerveja, criada no ano passado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). “As nossas demandas já foram levadas e as coisas começaram a acontecer mais rapidamente. O governo tem que agir também e fazer a sua parte para ajudar nas questões”, alertou Baierle.

Resultados obtidos
Ao analisar os resultados obtidos no decorrer destes cinco anos de retomada da fabricação do lúpulo, o especialista lembrou que diferentemente de outras nações, que já possuem histórico de produção, as lavouras brasileiras ainda são jovens. Isso significa que só a partir de agora será possível analisá-las em termos de produtividade.

Nossas lavouras já conseguem boa produtividade e devemos lembrar que em alguns lugares já temos até duas safras por região. Então, a nossa produtividade está parecida com a dos gringos. Precisamos agora aumentar a escala de produção

– Rodrigo Ertel Baierle

Sobre a qualidade do lúpulo nacional, Baierle assegura que o Brasil já tem plantas “muito boas”. Segundo ele, laboratórios internacionais já realizaram análises e constataram ser “possível produzir lúpulo de qualidade no Brasil”.

Assim, o beneficiamento seria o maior gargalo da produção nacional. A secagem é outro grande desafio, por conta do maquinário envolvido – o ideal é que seja feita em temperaturas baixas, evitando a perda de qualidade das folhas.

O beneficiamento também é uma das grandes críticas dos estrangeiros em relação à produção brasileira. Mas, segundo destaca Baierle, há lúpulo peletizado e com todas as propriedades preservadas no país.

Também já existem no mercado cervejas produzidas com o lúpulo nacional, como a da Lohn Bier, que leva na receita os lúpulos plantados em Santa Catarina. “Agora precisamos aumentar a produção para aumentar a escala e abastecer as cervejarias em todo o Brasil”, concluiu Baierle.

O evento
O Beer Summit foi idealizado e organizado por mulheres. O evento conta com cinco trilhas: Diversidade, equidade e inclusão, Negócios, marketing e empreendedorismo, Sommelieria, estilos, serviço e harmonização, Matérias-primas, processos e inovação, e Experiências, tecnologia, ciência cervejeira e equidade.