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Alemanha cancela Oktoberfest para evitar propagação do coronavírus

A Alemanha teve na última terça-feira uma má notícia que atingiu a economia do setor cervejeiro – um dos mais consolidados e robustos do mundo -, o turismo e suas tradições: pela primeira vez depois da Segunda Guerra Mundial, a Oktoberfest foi cancelada, como consequência da pandemia do coronavírus.

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Em reunião com os primeiros-ministros dos estados, a chanceler Angela Merkel decidiu manter as medidas restritivas de circulação e contato social adotadas para conter a disseminação do vírus, mesmo que, assim como em outros países da Europa, o surto já se apresente em curva decrescente. A Alemanha soma quase 150 mil contaminações e cerca de 5 mil mortes.

A determinação federal proíbe a realização de eventos de grande e de pequeno porte até 31 de agosto. Mesmo que a Oktoberfest estivesse programada para o período entre 19 de setembro e 4 de outubro, os governantes do estado da Baviera e da cidade de Munique, onde acontece a festa, entenderam que sua realização seria muito arriscada.

“Com base na situação atual, não consigo imaginar que um evento tão grande possa ser possível nessa data”, afirmou o primeiro-ministro da Baviera, Markus Söder. “É uma pena, dói”, lamentou ele, que anunciou, também, a adoção de um programa de ajuda emergencial para os artistas que trabalhariam no festival.

O cancelamento, no entanto, ainda não é definitivo. Assim, teoricamente existem chances remotas de ser revertido. Os responsáveis explicam que uma decisão final será anunciada em junho. Acima de tudo, seguirão as orientações das autoridades sanitárias, além das determinações governamentais.

“É claro que esse tipo de decisão será tomada com a maior responsabilidade possível. Isso vai depender muito do que os médicos recomendarem e das políticas de saúde pública e regulamentações federais e locais. Vamos monitorar a situação até o último momento possível antes de uma decisão irreversível, o que deve acontecer em junho”, afirma o chefe do departamento de desenvolvimento econômico de Munique, Clems Baumgärtner.

O tradicional festival, que completa 210 anos de existência em 2020, é considerado o maior evento público do mundo, o que também significa grandes aglomerações. Em toda edição, cerca de 6 milhões de pessoas, sendo quase 2 milhões de turistas estrangeiros, visitam Munique e consomem 80 mil hectolitros de cerveja.

De maneira direta ou indireta, calcula-se que a festa movimente 1 bilhão de euros em negócios, incluindo produtos, souvenirs, reservas de hotéis, contratações de mão de obra, alimentação e transportes.


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13 cervejarias de Pernambuco com delivery a todo vapor

Marcas ligadas à Associação Pernambucana de Cervejarias Artesanais (Apecerva) se estruturaram para poder atender às demandas dos novos tempos. O resultado é uma rica lista de opções em Pernambuco para os moradores de cidades como Recife, Olinda, Jaboatão dos Guararapes e Garanhuns degustarem em casa.

As estratégias adotadas para continuar servindo seus consumidores com segurança são o delivery e a venda direta ao cliente final na própria cervejaria, que se popularizou pelo termo “take away”.

O Guia compilou 13 opções que valem a pena em Pernambuco. Confira.

Cervejaria Babylon
Os pedidos podem ser feitos pelo Instagram ou via WhatsApp no (81) 99880-0041 para as garrafas de 500ml. As solicitações de chopes em growler são pelo site ou pelo número (81) 99120-2302.

Cervejaria Capunga
Cervejas e gins da Capunga estão à venda pelo WhatsApp, nos números (81) 98835-5498, (81) 99196-1552 ou (81) 98708-5160 e pelo site, com entrega em casa. Pagamentos no cartão de crédito, ITI ou por transferência. O frete é grátis para Recife e Olinda nas compras acima de R$ 99,90. E o cliente também recebe brindes.

Cervejaria Debron
Os pedidos podem ser feitos pelos números (81) 99168-0092 e (81) 3342-4087 ou pelo site Delivery Direto.

Cervejaria Duvália
Os pedidos de cervejas em garrafa (500ml ou 275ml) podem ser realizados pelo Instagram, pelo WhatsApp (81) 98121-9343, por telefone (81) 3429-2351 ou pelo site da cervejaria. A entrega se dá em até um dia útil.

Cervjaria Ekäut
Toda a linha da cervejaria está disponível para pedidos pelo Whatsapp (81) 99992-0360, pelo iFood ou pelo site http://www.ekautemcasa.com.br, com entrega gratuita para a zona sul de Recife e frete a partir de R$ 5 para zona norte.

Cervejaria Estrada
Vende cervejas das marcas Estrada e Riffen, além de rótulos de outros estados, como Dogma, Hocus Pocus e Dádiva. As compras são pelo site. O prazo de entrega é de 24 horas e a compra mínima é de R$ 55. Entrega em Recife, Olinda e Jaboatão dos Guararapes

Cervejaria Hellcife
Cerveja Hellcife Session IPA no Growler com entrega em casa pelo Brejarte. Pedidos pelo Whatsapp (81) 99248-0712.

Grunshbier
Entregas para a cidade de Garanhuns para pedidos pelo direct do Instagram ou pelo telefone (87) 99939-4562 (WhatsApp). Tem garrafas de 500ml nos estilos APA, Weiss, Lager e Coffee Stout.

Cervejaria Malakoff
Rótulos da Malakoff estão à venda pelo WhatsApp (81) 98155-4257 ou pelo site da cervejaria.

Cervejaria Manguezal
Cervejas Manguezal com delivery para Recife, Olinda e Jaboatão pelos telefones e WhatsApp (81) 98595-7446, (81) 98839-2245 e (81) 99299-2879. A partir de 12 unidades, o frete é grátis. E os pagamentos podem ser feitos via boleto ou transferência bancária.

Cervejaria Navegantes
Cervejas da marca de Pernambuco à venda pelo WhatsApp (81) 98894-9032 e pelo seu site. Entregas para Recife, Olinda e Jaboatão.

Cervejaria Quatro Cantos
As vendas do serviço de delivery são pelo telefone (81) 99226-5823.

Cervejaria Seis Punhos
Os pedidos de garrafas de 500 ml dos rótulos da marca podem ser feitos por direct no Instagram ou via WhatsApp no (81) 99670-1422. As entregas são realizadas às sextas. O frete é grátis para pedidos a partir de seis unidades (consulte as áreas de entrega). Oferece formas de pagamento digitais ou por máquina de cartão.

Mascate Insumos
A loja de insumos de Recife trabalha com diversas das marcas artesanais de Pernambuco e rótulos de outros estados. Também atende no delivery (81) 99670-14 22 e pelo site. O catálogo de rótulos está disponível aqui.


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Higiene e educação sanitária: Especialistas detalham sobre como lidar com a crise

A crise do coronavírus terá um papel transformador em comportamentos da sociedade, especialmente naqueles relacionados a hábitos de higiene. Reforçados agora para evitar a contaminação e a expansão da doença, tais ações devem se transformar em rotina mesmo após a pandemia. Atitudes começam a ser automatizadas, seja dentro ou fora de casa, nos momentos de lazer ou no trabalho. Não é diferente no setor cervejeiro e nas indústrias.

Especialistas apontam que as empresas precisam reforçar e manter os protocolos de segurança e qualidade durante as atividades rotineiras. Mas destacam que as iniciativas não podem se ater a isso. É necessária, também, entre outras medidas, a realização de um esforço de comunicação sobre as práticas de higiene durante os processos produtivos do segmento cervejeiro.

“Como em qualquer indústria, além de dar continuidade aos protocolos de segurança e qualidade, o maior erro agora (da indústria cervejeira) seria não investir em reeducação sanitária dos colaboradores. Não utilizar e dispor de produtos de higiene e desinfecção de ambientes, pessoas e objetos seria letal nesse período de pandemia”, explicam Michel Gervasoni e Patrícia Lopes, sócios da M&P Facility Services.

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Destacando a importância das informações serem absorvidas pelos profissionais no dia-a-dia do trabalho, Michel e Patrícia dão exemplos de técnicas e atividades que podem ser realizadas para acelerar esse processo em meio à pandemia, como a realização de palestras e a adoção de uma linguagem clara e simples.

“A informação, quando repetida, acaba sendo absorvida pelo funcionário e executada de forma satisfatória. Aliar a neurolinguística às palestras será de grande valia na absorção de conteúdo, bem como trazer a informação com uma linguagem simplificada e as lideranças de departamentos-chave estarem acessíveis”, afirmam eles.

Aumentar a interação com o setor de recursos humanos e adotar práticas de segurança no trabalho também podem melhorar os resultados no combate à Covid-19. “Funcionários devidamente instruídos se sentem seguros e trabalham com mais confiança, devido a estímulos de instrução aplicados pelas lideranças dos departamentos de RH, segurança do trabalho e qualidade das empresas”, acrescentam.

Também é importante, segundo os especialistas, tanto durante a pandemia quanto ao fim da quarentena, reforçar as normas de segurança e qualidade e investir na utilização dos EPIs (os equipamentos de proteção individual), principalmente pela concentração de pessoas em um espaço fechado.

“O desafio, quando em confinamento de espaço e pessoas, inquestionavelmente será a implantação de protocolos de prevenção de contágio, disponibilizando as referidas ferramentas a todos os colaboradores, tendo a política de qualidade e segurança do trabalho alinhadas, inspecionando o uso devido das ferramentas de contenção ao vírus, sendo as já sabidas máscaras, luvas e álcool em gel”, destacam os sócios da M&P Facility Services.

Michel e Patrícia também detalham quais materiais as empresas cervejeiras devem fornecer aos funcionários para que tenham a melhor proteção possível. “É imprescindível utilizar produtos de limpeza e desinfecção (com ação antibactericida) comprovados pelos órgãos fiscalizadores em todos os espaços, investir em programas de conscientização dos colaboradores e se certificar que seus clientes e fornecedores também estejam propalando essas medidas em suas instituições”, avaliam eles, para depois completar.

“Por fim, equipamento de segurança não é conforto nem estética, mas dispositivo de proteção, para exercermos nossas atividades laborais ou em geral com relativa tranquilidade”, reforçam os sócios da M&P.

Estratégias da M&P
Com importantes clientes na carteira, a M&P tem agido para minimizar qualquer risco de contaminação pelo coronavírus em seus futuros eventos. Para isso, já tem reforçado iniciativas focadas na higiene. “Já temos parceria com fornecedores de insumos e ampliamos o orçamento nas aquisições de EPIs para atendermos aos visitantes e convidados dos eventos indoors integralmente”, comentam os sócios da empresa especializada em serviços de facilities.

Esse tipo de preocupação, porém, já fazia parte da rotina da empresa nas feiras em que atuava. “Por sermos prestadores de serviço no escopo de facility, a aquisição de produtos de limpeza e EPIs é uma realidade inerente ao portfólio. Investimos pesado em marcas renomadas e produtos de limpeza, com ação e eficácia antibactericida comprovada pela Anvisa, e EPIs inspecionados pelo Inmetro e ISO 9001”, afirmam.

Além disso, a companhia tem reforçado os treinamentos dos trabalhadores contratados para colaborar com seus eventos, compartilhando informações de higiene no combate ao coronavírus que serão aplicadas tanto durante as feiras como nas suas vidas pessoais.

“Nossos colaboradores são pré-selecionados para os eventos, passam por treinamento específico ao case atendido. Para complementar, passamos a orientar de forma objetiva e clara as informações e procedimentos sanitários para prevenir e não propagar o contágio da Covid-19, de forma que seu entendimento seja inserido em suas realidades, levados para casa, compartilhado em família”, comentam os sócios.

Na prática, a M&P já tem planos de prevenção a serem adotados nas feiras. Um deles foi a aquisição de luvas e máscaras, que serão distribuídas nos eventos.

“Reestruturamos nossas equipes para ações estratégicas contra a transmissão do coronavírus, como por exemplo: no Caex e nas entradas/acessos aos pavilhões, distribuiremos kits de prevenção pessoal com luvas e máscaras, uma vez que adquirimos uma quantidade satisfatória de um dispositivo que ficará nos acessos principais dos espaços do evento, com álcool em gel para o público”, enumeram eles, destacando a disponibilização de informações para combater a virose.

Os colaboradores da M&P também passarão por uma prévia medição da temperatura corpórea e estarão localizados em pontos estratégicos das feiras com o intuito de prestar esclarecimentos e orientar o público sobre as necessárias medidas de higiene.

“Teremos também colaboradores que farão ronda preventiva devidamente uniformizados, usando um colete informativo e se colocando à disposição dos visitantes, sobre qualquer dúvida ou necessidade, prestando qualquer auxílio quando necessário”, afirmam Michel e Patrícia.

“Nas portas dos banheiros também terão colaboradores orientando sobre o dispositivo com reservatório de álcool em gel, dispostos nas portas de acesso aos WC’s e um cesto com kit de prevenção caso seja preciso, superveniente”, concluem os sócios da M&P.

Para encarar crise, Bodebrown lança rótulo com 18% de álcool e envelhecido por 6 anos

A Bodebrown investiu em um poderoso lançamento para dar suporte à manutenção da sua fábrica durante a crise gerada pelo coronavírus. Trata-se da Double Perigosa 18% Wild, uma versão ainda mais “selvagem” da cultuada cerveja Double Perigosa, segundo descreve a marca.

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Seguindo a linha Wood Aged, a novidade esperou seis anos para ficar pronta: foram dois envelhecendo em barricas de carvalho francês previamente utilizadas por vinho tinto Cabernet Sauvignon da Serra e Gaúcha e, depois, mais quatro repousando na garrafa.

“Nestas barricas, já apresentavam microrganismos selvagens entre as leveduras. Daí o nome wild”, explica Samuel Cavalcanti, CEO da Bodebrown, detalhando também a importância do tempo de repouso na garrafa.

“Este processo aumenta o teor alcoólico em relação à Perigosa tradicional, chegando aos 18%. Complexa e estruturada, esta edição da Double Perigosa ganha sabor com o tempo, valorizando seus aromas cítricos e notas frutadas. A Double Perigosa é considerada a cerveja mais alcoólica do Brasil. Mas, além disso, se destaca pela grande experiência sensorial que proporciona”, acrescenta Samuel. “O resultado é uma cerveja surpreendente, com potencial de guarda por mais 20 ou 30 anos.”

Edição especial
Mas não é apenas a cerveja que pode ser considerada especial. A Double Perigosa 18% Wild será vendida exclusivamente em um kit composto por uma garrafa de 330 ml numerada e uma taça de cristal exclusivamente desenhada para ela. Ao preço de R$ 149, ele pode ser encontrado no site https://loja.bodebrown.com.br/.

Marca que tradicionalmente investe em parcerias culturais, como no recente lançamento da Trooper IPA, feita em conjunto com o Iron Maiden, a Bodebrown acena agora à arquitetura. O design da taça, afinal, foi inspirado na Praça de São Pedro, no Vaticano.

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Seu bojo remete à forma ovalada da praça, cujo desenho foi criado pelo arquiteto Gian Lorenzo Bernini, no século XVII. Bernini também era escultor, foi considerado um dos maiores artistas do seu tempo e, entre suas obras mais conhecidas, está O Rapto de Proserpina, baseada em um antigo mito grego que explica as estações do ano a partir do sequestro de uma bela jovem.

Segundo a lenda, nos meses quentes (primavera e verão) ela voltaria para sua mãe, a deusa das colheitas Deméter. E, nos frios (outono e inverno), precisava retornar para o seu sequestrador, Hades, com quem teve de se casar contra a vontade. “Este ciclo da natureza tem uma relação direta com as plantações de lúpulo e cereais”, aponta Samuel.

A taça que acompanha o kit também pode ser considerada uma raridade pois a Blumenau, fábrica de cristais que a criou, fechou as portas há dois anos. “Um lote destas peças – todas feitas à mão – estava guardado conosco desde então”, conta o CEO da Bodebrown, detalhando a importância do lançamento para um momento difícil como o de agora.

“Precisamos do suporte dos fãs para continuar sobrevivendo em um momento em que o mercado está sofrendo muito, com bares, restaurantes e outros pontos de venda fechados”, complementa Samuel. “Por isso escolhemos uma cerveja tão importante em nossa história para ganhar esta nova versão”.

Balcão do CerveJoca: Mercado de artesanais precisa antecipar medidas protetivas

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Surpreendente, né? Tudo apontava para o cenário atual. Tudo publicado com estatísticas e projeções sociais, mercadológicas e econômicas. Tudo direcionado para nós, para nosso negócio e para nosso mercado.

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Somos tão vulneráveis aos acontecimentos mundiais que não enxergamos nem ao menos o que acontece no nosso quintal, imaginariamente tão seguro. Somos tão complacentes que viabilizamos toda e qualquer estratégia que não exija muita análise ou estudo.

Se estiver dando certo lá, dará certo aqui. Assim temos aceitação de todos, aval dos especialistas e garantia que ninguém será apontado como culpado se der errado – afinal, todos aceitaram.

Respondam: quanto, em dinheiro, estaríamos dispostos a gastar para ter informações precisas sobre os acontecimentos mundiais dos próximos quatro meses? Melhor ainda: o que adotar como medidas protetivas para nossos negócios com tais informações?

Atualmente os recursos estratégicos mais valiosos são as informações. Talvez apenas não faça muita diferença para salvar os negócios.

Portanto agora é hora de analisar os movimentos mundiais e antecipar medidas capazes de amenizar a retomada dos negócios. Esquecer a normalidade. Nada será como antes. Até porque a tarefa é criar novas experiências, inéditas e diferenciadas.

Buscar por informações, avaliar os recursos atuais, analisar os possíveis cenários a médio e longo prazo, retomar projetos, rever metas e criar um diagnóstico capaz de levantar pontos de aprimoramentos e, assim, minimizar prejuízos e potencializar o crescimento.


José Joaquim Alves de Campos Filho é proprietário da Cervejoca Consultoria Cervejeira e Executivo de Contas da ForBeer 2020 –  Feira para Indústria da Cerveja.

Ambev promete manter empregos e reforça delivery na pandemia do coronavírus

Líder do setor cervejeiro no Brasil, a Ambev diz ainda não conseguir mensurar os impactos da pandemia do coronavírus em seus negócios, mas garante ter realizado ações para minimizá-los. Em entrevista exclusiva ao Guia, a companhia assegurou a intenção de preservar o seu quadro de funcionários e revelou iniciativas para incrementar suas receitas através do sistema de delivery.

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A companhia garante que não está em seus planos realizar demissões ou mesmo reduzir os salários de seus trabalhadores, uma medida permitida pela MP 936, desde que adotada em conjunto com a diminuição da jornada. Mas tem colocado alguns funcionários em férias.

“Desde o início da pandemia nosso principal foco é manter nossos funcionários bem. Não teremos demissões e nem redução de salários. No momento, algumas medidas como adiantamento de férias para funcionários que tenham saldo, por exemplo, estão sendo tomadas”, destacou a Ambev.

Com os bares e restaurantes fechados, a impossibilidade de realização de qualquer evento público e a maior parcela da população seguindo as determinações de isolamento social, a empresa também tem buscado escoar parcela da produção e das suas vendas para o sistema de delivery, onde se concentra a compra de bebidas pelos consumidores nas últimas semanas. Mas a Ambev reconhece ser impossível não sofrer com os efeitos da crise do coronavírus.

“Não há como fugir de impactos de uma grande crise, ainda mais em nível mundial. Isso é válido em todos os setores da economia. O mercado tem que se adaptar ao cenário, muitos dos nossos consumidores estão em casa, mas estão consumindo. Nós ampliamos e adaptamos os serviços de delivery, o Zé Delivery, e nossos canais de e-commerce, Empório da Cerveja e Sempre em Casa para que nossos produtos continuem chegando às casas dos brasileiros”, relatou a empresa.

Mensurar o impacto da pandemia e os efeitos da paralisação sobre suas marcas mais tradicionais ou mesmo as artesanais é algo, porém, que a companhia garante ainda não ter condições de realizar. Assim como não consegue projetar o cenário para os próximos meses. “Não temos esse panorama ainda”, justificou a Ambev ao ser questionada pelo Guia sobre os impactos da crise e a projeção para os próximos meses.

Iniciativas
Mas, enquanto sente o recuo óbvio, ainda que não estimado publicamente, a Ambev tem buscado agir – especialmente em parcerias com o setor público – para ajudar a minimizar os efeitos da pandemia do coronavírus e a propagação da doença.

Na última semana, por exemplo, a companhia entregou 25 mil unidades de álcool em gel à Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul e outras 40 mil para o mesmo órgão em São Paulo.

O produto é destinado a hospitais públicos das redes municipais e estaduais. E, para fazê-lo, a Ambev utilizou suas linhas de produção em Piraí (RJ) e Jaguariúna (SP), com o álcool vindo do processo cervejeiro e da produção de Brahma 0.0, a sua cerveja sem álcool.

Além disso, a empresa, que havia anunciado a produção e a doação de 3 milhões de máscaras de proteção facial para o Ministério da Saúde, disponibilizou a técnica de confecção dos protetores faciais para serem produzidos por outras empresas. As informações podem ser acessadas no site da cervejaria.

Menu degustação: Álcool da Itajahy, drive-thru da Noi, loja virtual da Krug, da Blondine

A luta contra a pandemia de coronavírus segue unindo o mercado cervejeiro. A Itajahy, por exemplo, vai doar 950 litros de álcool gel 70º e a Berggren, em uma ação com a Brewtainer, arrecadou 3 toneladas de alimentos. Já marcas artesanais importantes, como Noi, Krug e Blondine, estão reforçando os canais de vendas durante a crise. Confira.

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Álcool gel da Itajahy
Para ajudar no combate ao coronavírus em Itajaí, a cervejaria catarinense vai doar 950 litros de álcool gel 70º. Entre as instituições beneficiadas estão Asilo Dom Bosco e Renal Vida. Além da Itajahy, participam da ação o Observatório Social da região, além de empresários que contribuíram com embalagens. Segundo Alexandre Mello, sócio da cervejaria, 600 litros de álcool 96º foram comprados há poucas semanas para os sistemas de resfriamento. Como a produção foi pausada e a matéria-prima poderia ser compartilhada se manipulada, ele levou a ideia até o Observatório Social. “Nós acreditamos que as empresas podem ter um grande impacto na sua comunidade. Quando incentivamos a compra de produtos locais, estamos nos referindo a momentos como esse, em que só quem está próximo e conhece a realidade da sua região consegue atuar”, afirma o sócio da Itajahy.

Doação da Berggren
No dia 11 de abril, em Nova Odessa (SP), a cervejaria Berggren se uniu à Brewtainer TAP Container para arrecadar alimentos não perecíveis à população carente da região. Na ação feita através de sistema drive-thru, participantes doavam 1 kg de alimento em troca de um litro de chope. No total, foram três toneladas de alimentos arrecadados e 1.860 litros de chope distribuídos. Queremos agradecer a todos os envolvidos e aos nossos parceiros como a Água Platina, que fez a doação de 2 mil pets descartáveis, a Brewtainer e a BUSF, por terem contribuído com o sucesso desse projeto tão especial e satisfatório”, destaca Robson Vergilio, gerente comercial e de marketing da Berggren. A iniciativa também teve o apoio das Chopeiras Beercoolers.

Loja virtual da Krug
Depois de investir em um sistema especial de delivery, a cervejaria mineira acaba de lançar um loja virtual. No site da Krug, é possível adquirir todos os rótulos em estoque, além de suvenires como bonés, taças, baldes, growlers e copos.  Há também kits especiais e sazonais, como para o Dia das Mães, por exemplo, além de promoções exclusivas. As ações de vendas no sistema de entrega em casa estão operando sem taxas em Belo Horizonte, Contagem e Nova Lima, nas compras acima de R$ 100. Nas demais localidades, o envio é pelo Correio ou via transportadores, com os custos determinados pelas tabelas das empresas.

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Loja virtual da Blondine
Com 10 anos de mercado e um portfólio de 24 rótulos, a Blondine ampliou seus canais de vendas entrando para o mundo digital. A Crazy4beer é a nova plataforma para compra de cervejas, refrigerantes, acessórios e kits cervejeiros da marca. “Todo empresário foi pego de surpresa com essa situação pandêmica, mas toda dificuldade traz a necessidade de superação e com ela a inovação. Estamos sempre atentos às novidades de mercado e ainda temos muitas para esse ano. Tivemos que nos reinventar dadas as circunstâncias e pensar em nossos clientes que restringiram suas rotinas”, conta Aloisio Xerfan, diretor da Blondine.

Drive-Thru da Noi
A cervejaria de Niterói lançou o “Drive-Thru Noi”, que está funcionando em frente à fábrica da marca, na Estrada Francisco da Cruz Nunes, número 1964, em Itaipu. Os clientes agora podem ir até o local e pedir chopes ou cervejas sem sair do carro. O serviço é feito de forma rápida, higiênica e segura. Os chopes são vendidos em garrafas pet especiais de 1 litro, sem custo adicional, ou direto no growler do cliente. O Drive Thru-Noi funciona de terça-feira a domingo, das 10h às 17h. “Em março, passamos a fazer delivery de chope em quantidades voltadas para o consumo individual. Porém, alguns clientes ligavam perguntando se não podiam buscar as compras, ao invés de esperar o entregador. Como ainda não estava claro se o ‘Take Away’ está liberado pela prefeitura, nos antecipamos e criamos o Drive Thru Noi. O cliente que tem mais urgência pode vir aqui na fábrica, compra o chope e nem precisa sair do carro. O primeiro fim de semana foi um sucesso”, comemora Bárbara Buzin, diretora da Cervejaria Noi.

Infográfico: Brasil passa de 1.200 cervejarias em 2019

O Brasil viveu um período de expansão e otimismo no mercado cervejeiro em 2019. No início deste ano, o setor comemorava as conquistas de um crescimento consistente, falava sobre as boas perspectivas para 2020 e discutia como as marcas deveriam se diferenciar para se destacar em um negócio tão competitivo. O Anuário da Cerveja, divulgado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), indica que o número de cervejarias cresceu 36% em 2019 , chegando a 1.209. A situação, no entanto, deve ser diferente após a crise do coronavírus.

Durante o ano passado, o país registrou a abertura de 320 unidades – quase uma por dia – no território nacional. Elas continuam concentradas nas regiões Sul e Sudeste. São Paulo protagonizou um boom de cervejarias, saltando de 165 para 241, ultrapassando o Rio Grande do Sul e se tornando o estado com o maior número de empresas. Só na capital, o número de cervejarias triplicou, com 18 novas fábricas.

O crescimento, no entanto, não se limita às regiões mais tradicionais. Estados do Nordeste como Bahia e Rio Grande do Norte, mesmo que em menores proporções, apresentaram crescimentos significativos, acima de 69%.

Reviravolta
Desde seu início, no entanto, o ano de 2020 tem imposto ao mercado obstáculos consideráveis, como o abalo de confiança causado pelo episódio de contaminação em produtos da cervejaria mineira Backer e, agora, com a grave crise consequente da pandemia do novo coronavírus e das medidas de isolamento social.

A tendência, agora, é de que a crise interrompa a sequência de 20 anos de aumento do número de cervejarias no Brasil, ao levar diversas delas à falência.

O infográfico abaixo traz um raio X do cenário cervejeiro brasileiro em 2019, que, ao que tudo indica, vai ser lembrado como o ano de ouro da cerveja brasileira.



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Heineken faz “doação” a bares e leva apoio ao sertão nordestino e a favelas de SP

A crise econômica, social e sanitária provocada pela pandemia do coronavírus tem mobilizado diferentes setores e não vem sendo diferente com o cervejeiro. Uma das referências do segmento, a Heineken adotou uma série de iniciativas de apoio a famílias carentes e bares.

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Para contribuir no combate à Covid-19, a Heineken fez uma parceria com a Unilever. Juntas, se uniram às empresas Universal Chemical, BrasALPLA, CCL, Alemolde, PQS, WestRock, CRX Design e Sonoco-Trident para auxiliar moradores de favelas em ações preventivas à virose.

O conjunto de empresas vai produzir um lote especial do limpador Cif Higienizador + Álcool, voltado à higienização e desinfecção de todos os tipos de superfícies. Será, assim, usado para limpar os ambientes, algo importante nesse momento, pois o vírus é capaz de sobreviver por vários dias em algumas superfícies.

O álcool do produto é originado das cervejarias da Heineken e o agente bactericida vem da Cif. As garrafas são produzidas com o apoio de PQS e Braslapla e os rótulos pela empresa CCL. A Universal ficou responsável pelo processo produtivo do limpador, a Westrock com as caixas para transporte, a Alemolde com as tampas e a CRX e a Sonoco-Trident desenvolveram a arte que estampa o produto.

A Central Única de Favelas (Cufa) também ajudará na iniciativa ao fazer o produto chegar aos lares de famílias de 210 comunidades no Estado de São Paulo, a partir da atual quinzena.

“Em respeito às pessoas dentro e fora do Grupo Heineken, sabemos que é fundamental dar um passo maior em nossas atitudes neste cenário tão desafiador e sensível. Acreditamos que juntos podemos ser mais fortes, contribuindo no combate a essa pandemia que impacta a todos”, diz Mauricio Giamellaro, CEO da Heineken no Brasil.

Além disso, em parceria com a ONG Amigos do Bem, a Heineken está levando água mineral a cerca de 130 comunidades vulneráveis do sertão nordestino, nos estados de Pernambuco, Alagoas e Ceará. São 500 mil garrafas de 500ml, a serem doadas pela cervejaria durante todo o mês de abril.

Também serão repassadas mais de 6 mil cestas básicas no valor de R$ 50 cada. “Estamos unindo esforços em diferentes frentes, porque acreditamos que juntos conseguiremos passar por essa crise, saindo ainda mais fortes como sociedade”, afirma Giamellaro.

Apoio a bares
A Heineken ainda criou o movimento “Brinde do Bem” para apoiar bares, setor que apresentou queda drástica no faturamento em função da determinação de isolamento social, adotada para frear a propagação do coronavírus. A iniciativa vai até 31 de maio, com o repasse de valores doados por consumidores e pela cervejaria.

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O apoiador seleciona um bar de sua preferência e contribui com os valores predefinidos: R$ 25, R$ 50, R$ 75 ou R$ 100. O dinheiro será revertido em consumação e poderá ser resgatado assim que as atividades forem normalizadas. E a Heineken vai dobrar o recurso repassado pelas pessoas.

Os donos de bares interessados devem entrar na plataforma de crowdfunding (www.brindedobem.com), preencher o cadastro e criar gratuitamente uma campanha de arrecadação para seu bar.

“Acreditamos que, juntos, podemos fazer mais e ajudar um número ainda maior de bares. Por isso, convidamos outras empresas que tenham interesse em contribuir com o setor para participar do Brinde do Bem. Este é o momento de todos se solidarizarem e contribuírem de todas as formas possíveis. Juntos somos mais fortes”, destaca Giamellaro.

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Balcão da Matisse: Os pubs ingleses e a peste negra

A história dos pubs ingleses começa há mais de 2 mil anos com as invasões das tropas romanas. No seu caminho, elas iam construindo estradas, cidades e, ao longo delas, as tabernae (plural de taberna, que virou tavern), lojas que abrigavam diversas atividades econômicas, entre as quais a venda de refeições, vinho e pão.

Rapidamente, essas tavernas se adaptaram para suprir os locais com a sua bebida favorita, a ale, cerveja fermentada a temperatura mais alta e, na época, sem adição de lúpulo (o lúpulo foi sendo introduzido gradualmente entre os séculos XIV e XV). Por isso, passaram também a ser chamadas de alehouses.

Os pubs ingleses, como conhecemos hoje, são, segundo Robert Tombs, professor de história da Cambridge University, um efeito colateral inesperado da peste negra. Após o trauma que atingiu o país em 1348 e matou milhões, seguiu-se um período de salários mais altos em consequência da escassez de mão de obra. Os ganhos aumentaram e os preços caíram, elevando o poder aquisitivo da classe trabalhadora e, consequentemente, o consumo de cerveja.

A cerveja costumava ser fabricada por mulheres em casa, porque a água nem sempre era segura para beber, então cerveja fraca era a bebida padrão. Mas, com a maior procura e as tavernas se tornando lugares dedicados principalmente ao consumo da bebida, algumas dessas mulheres se tornaram cervejeiras em período integral e passaram a suprir esses locais, que eventualmente eram suas próprias casas convertidas em casas públicas, onde as pessoas podiam beber, talvez comer e certamente socializar.

Com o tempo, as tavernas ou alehouses foram se adaptando e sendo regulamentadas, passando a suprir comida e bebida aos viajantes, enquanto os inns ofereciam acomodações. Alehouses, inns e taverns passaram a ser referidos coletivamente como “public houses” (pubs).

A necessidade de socialização que se seguiu ao grande período de reclusão imposto pela peste negra não foi passageira, acabou se tornando um costume. Com o passar dos anos, esses locais públicos continuavam lotados, não só por trabalhadores, mas também por políticos e artistas, como mostram as imagens de Honoré Daumier publicadas em janeiro de 1864.


Mario Jorge Lima é engenheiro químico e sócio-fundador da Cervejaria Matisse