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Menu degustação especial: 5 opções de presentes cervejeiros ao Dia dos Namorados

As cervejarias estão se preparando para o Dia dos Namorados mesmo em meio à pandemia. São boas opções de presentes de marcas conceituadas, como Bodebrown, Wonderland Brewery, Júpiter e Mestre-Cervejeiro. Confira, a seguir, 5 opções de presentes que tenham cerveja para o Dia dos Namorados.

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Amor da Bodebrown
A marca paranaense lançou neste final de semana a edição 2020 da Cerveja do Amor para o Dia dos Namorados. Trata-se de uma criação de Samuel Cavalcanti, fundador da Bodebrown, em uma homenagem à então namorada, Mônica, atualmente sua mulher, que reclamava de ele passar muito tempo na cervejaria. Ela tem como base uma Saison belga, levando adição de amoras, e apresenta uma coloração coral, além de médio amargor. “É uma cerveja para celebrar o amor em todas as suas formas”, comenta Cavalcanti. O rótulo traz um detalhe do quadro Píramo y Tisbe, que o pintor Pierre-Claude Gautherot produziu em 1799, inspirado no conto mitológico de Ovídio. Na lenda, um casal apaixonado marca um encontro proibido pelas suas famílias, próximo a uma fonte. Tisbe, ao se deparar com uma leoa, foge e deixa para trás o véu. Píramo encontra a peça da amada e, assustado ao pensar que ela tinha sido atacada pela leoa, saca a espada e fere seu próprio coração. Quando Tisbe o encontra morto, mata-se também. Os deuses, entristecidos pelo casal, decidem homenagear o puro amor de Tisbe e Píramo pintando a amoreira com a cor do sangue dos jovens apaixonados.

Kit da Júpiter
A cervejaria paulistana se uniu à Majucau para oferecer uma experiência de harmonização de cerveja com sobremesa para o Dia dos Namorados. Assim nasceu a Golias, uma Imperial Porter com 11% de álcool e maturada em bálsamo e amburana, acompanhada com barras de chocolate Dark Milk e 70% Cacau. O box fica completo com dois copos exclusivos em uma caixa personalizada – o valor do kit sai por R$ 146,62 e está disponível para compra na loja da Júpiter na internet. “A parceria com a Majucau tem tudo a ver com a Júpiter. A paixão da Mari e do Junior pelo chocolate é do mesmo tamanho que a minha paixão por cerveja. E a Golias ficou incrível com a barra de Dark Milk”, conta o mestre-cervejeiro da Júpiter, David Michelsohn.

Kits do Mestre
Pensando nos namorados que curtem a cultura cervejeira, a Mestre-Cervejeiro preparou algumas sugestões com presentes especiais. Entre os itens estão peças de vestuários, como camisetas e bonés, acessórios, abridores de garrafas, growlers e bolsas térmicas, além de copos e taças. Destaque, ainda, para os kits: o de 6 latas inclui 2 Modern IPAs, 2 Classic Witbiers e 2 Tropical Pale Ales; o Balde + 4 latas vem com 2 Double IPAs e 2 Summer Ales (American IPA), além de balde de gelo de acrílico transparente jateado; e, por fim, há o Bolsa Térmica Bons Amigos + Double Brown Ale Café + Tripel Wood-Aged.

Wonderland I
Cervejaria artesanal inspirada no universo de Alice no País das Maravilhas, a Wonderland Brewery criou o delivery de kits especiais para Dia dos Namorados. O presente traz duas garrafas (à escolha) e um conjunto de bolachas com os personagens da cervejaria, tudo dentro de uma caixa especial. “A história do País das Maravilhas é sobre a aventura e descoberta de um mundo novo, e pode ser interessante trilhar esta jornada ao lado de alguém especial. Como produto, nossas cervejas são aromáticas, ricas em sabor e muito versáteis. Cada estilo tem sua própria personalidade, e pode ser divertido descobrir quais são mais parecidas com a personalidade do(a) companheiro(a)”, afirma Chad Lewis, sócio da Wonderland Brewery. Para encomendar no Rio de Janeiro, acesse https://wonderlandrj.company.site/; em São Paulo, https://wonderlandsp.company.site/; e em Brasília, https://wonderlandbsb.company.site/. Para entrega em outras cidades, é possível fazer o pedido via WhatsApp (21 97348-2257).

Wonderland II
Além dos kits, a Wonderland Brewery se uniu à chef Andressa Cabral (Meza Bar) e à Kuke Gastronomia para organizar um jantar harmonizado que poderá ser preparado pelo próprio casal, com o suporte online de Andressa e do sommelier e fundador da Wonderland Brewery, Pedro Fraga. Todos os ingredientes serão selecionados pela Kuke Gastronomia e entregues em casa nas porções exatas para duas pessoas. O prato é um cuscuz com camarão e bacon, que harmoniza perfeitamente com a cerveja Mango Grin, uma encorpada Irish Red Ale com manga. Para garantir lugar na experiência, os interessados devem fazer a compra do jantar pelo site da Kuke Gastronomia (http://www.kuke.com.br/aula/) até 10 de junho.

Sambas, conversas e autenticidade: Como Teresa Cristina atraiu o patrocínio de uma cervejaria

Todo dia ela faz tudo sempre igual. Apoia o telefone celular em uma mesa, amparado por frascos de álcool gel, entra no Instagram às 22 horas, liga a câmera, abre um sorriso e inicia homenagens a artistas e discos históricos da música brasileira, temperadas pela sua marcante gargalhada. Assim, agrega aglomerações de ao menos 3 mil pessoas simultaneamente para suas transmissões, muitas delas personalidades conhecidas que aceitam o convite para dar uma “canja”. É desse jeito que tem sido a rotina de Teresa Cristina na quarentena no Rio, com a realização de lives que já se tornaram um marco no período de isolamento social. E lhe rendeu um patrocínio da Original.

O fenômeno que se transformou as lives de Teresa Cristina contrasta com a produção simples da transmissão, realizada na sua residência no bairro da Vila da Penha, na zona norte do Rio, e iniciada sem qualquer apoio. Para lidar com angústias e dores do isolamento social e do contexto político, a cantora começou as lives diárias e a transmissão de afeto e acolhimento em meados de março. E não deve parar tão cedo.

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As temáticas abordadas pelas lives, que costumam durar ao menos 3 horas, variam. Passam pela profundidade de comentários históricos sobre estilos musicais, especialmente o samba, com foco especial para a sua ancestralidade, em longas e aprofundadas conversas. Mas, também, por especificidades, como a carreira de algum cantor ou compositor, ou mesmo um disco destrinchado e cantado em ordem – Belchior, Dona Ivone Lara, João Gilberto, Rita Lee, Cazuza e Candeia foram alguns dos artistas lembrados. Destaque, ainda, para os assuntos fixos: quarta-feira é dia de temas de novela e sexta, de sambas-enredo.

Entre os cantores que já passaram pela live estão Caetano Veloso, Diogo Nogueira, Bebel Gilberto, Preta Gil e Roberta Sá. E o clima de informalidade dá o tom nas canjas, que lembram serenatas ou rodas de samba, a depender do estilo interpretado sempre à capela por Teresa Cristina.

A live também se tornou espaço para a apresentação de uma infinidade de músicos, que mostram a riqueza e a variedade musical brasileira, abraçados pela generosidade de Teresa Cristina. É o caso de artistas como o pianista Jonathan Ferr e a cantora Silvia Borba, atrações fixas das apresentações.

Mas a portelense Teresa Cristina, sempre ostentando o seu copo de cerveja personalizado do Vasco, não esquece o conturbado momento político. E, voz importante não só da música, mas também da resistência, defende causas como o adiamento do Enem e a não federalização da investigação sobre a morte da vereadora Marielle Franco.

Ainda há espaço para a paquera entre os convidados, principalmente através do chat, que já ganhou um apelido autoexplicativo – CrisTinder –, com a troca acelerada de mensagens e emojis.

Trata-se de um espaço essencialmente genuíno, sobretudo pela espontaneidade de Teresa, perceptível ao se emocionar com a inesperada aparição de personalidades como o ex-presidente Lula e Gilberto Gil, homenageado na última quinta-feira e que cantou e tocou violão da sua cama. Ou, mesmo, pelo seu lema, como em um estandarte: “minhas lives, minhas regras”. E, ainda, pela valorização da cultura oral, algo que lhe dá a forma para apresentar o conteúdo da história do samba e sua devoção a artistas que construíram o estilo musical.

Como se não fossem suficientes as lives diárias, Teresa ainda criou outra, chamada “Jovens Lives de Domingo”, transmitida em seu perfil no YouTube para que sua mãe Hilda, de 80 anos, pudesse cantar ao seu lado.

Essa ressignificação do sentimento de solidão provocado pela quarentena é, certamente, um dos pontos altos de uma carreira iniciada no fim dos anos 1990 no Bar Semente, no bairro da Lapa, no Rio, em uma reinvenção de uma artista mulher e negra com mais de 20 anos de carreira.

Patrocínio da Original
Todo esse processo de arqueologia cultural resultaria, por fim, em um patrocínio. No sábado passado, Teresa Cristina realizou uma live apoiada pela cerveja Original no YouTube, em uma estratégia para ampliar a relação entre a marca e o samba.

“Teresa Cristina é uma artista completa, que representa muito bem esse estilo musical e possui uma autenticidade que a faz ser reconhecida como uma das melhores sambistas de sua geração”, justifica Aline Fernandes, gerente de marketing da Cerveja Original.

Até a última sexta-feira, a transmissão da live já havia sido assistida por 243 mil pessoas. Uma audiência que acompanhou a ligação entre o comportamento despojado de Teresa Cristina, com o intimismo que tem construído com o seu público durante a quarentena. E a viu se conectar com a marca da Original, em uma interessante estratégia de marketing para a cervejaria.

“Teresa Cristina sempre se destacou por sua espontaneidade e por sua proximidade com pessoas. E ela tem demonstrado isso em suas lives no Instagram. Tudo isso se conecta diretamente com os propósitos da cerveja Original”, analisa Aline.

“Assim como ela faz com o seu público, nós temos incentivado as pessoas a viverem por uma vida mais Original. Com o patrocínio às lives de samba queremos levar aos nossos consumidores a nossa paixão por esse estilo musical e convidá-los a compartilhar as melhores coisas da vida”, acrescenta a gerente de marketing.

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Se as lives têm sido uma das marcas do período de isolamento social no Brasil, as cervejarias vêm aproveitando esses eventos para se associarem a artistas que carregam características que se aproximam das marcas. Como mostra o patrocínio à Teresa, a aposta da Original está no samba e no pagode.

A marca, assim, tem promovido diversas transmissões que buscam reproduzir o clima das tradicionais rodas, reunindo artistas como os grupos Pixote, Molejo e Revelação, além dos cantores Belo, Xande de Pilares, Dudu Nobre e Perícles nas suas lives.

“A cerveja Original sempre foi conhecida por sua longa tradição nos bares e, neste momento de distanciamento social e isolamento, vimos a oportunidade de falar com os nossos consumidores de uma maneira diferente da qual estávamos acostumados, por meio dos artistas do samba e de suas lives”, explica Aline, apontando a força do samba – e de artistas como Teresa – como fundamental para reforçar a ligação da música com a cervejaria.

“Queremos promover essa conexão entre pessoas e os músicos e, ao mesmo tempo, fazer um convite para que o público assuma sua própria originalidade. Encontramos a forma perfeita de apoiar um estilo musical e aqueles que estão envolvidos com ele, sempre com o objetivo de levar entretenimento para o público nesse momento de pandemia, quando todos devem seguir em casa”, conclui a gerente de marketing da Original.

Lives da Rota RJ abordam história e futuro de cervejarias da Serra

A região serrana do Rio de Janeiro, um dos mais tradicionais centros cervejeiros do país, sempre teve no turismo uma de suas principais atrações. Agora, como a interação com o público está limitada por causa da pandemia do coronavírus, a Rota Cervejeira RJ recorreu ao universo digital para manter essa proximidade, produzindo uma série de lives denominada “Por dentro da Rota”.

Os encontros acontecem às segundas, quartas e sextas-feiras dos meses de junho e julho, às 21 horas, com um bate-papo com representantes de 24 cervejarias de todos os portes de Petrópolis, Teresópolis, Nova Friburgo, Guapimirim e Cachoeiras de Macacu. E a transmissão se dá pelo perfil no Instagram da Rota Cervejeira RJ.

O primeiro encontro, realizado na última quarta-feira, teve a participação de Maurício Almeida, sócio da cervejaria Rota Imperial. Para a última das lives deste mês, no dia 30, a cervejaria Favre Braum é a convidada. E a atração desta sexta-feira será Gabriel Thuler, proprietário da Alpendorf.

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As conversas contarão a história de cada uma das cervejarias, suas principais características e potenciais turísticos (visitas, produtos, etc.). Além disso, o papo vai abordar os planos de cada marca e sua preparação para a retomada do movimento de turistas e consumidores, como a adoção de medidas de segurança e mudanças de procedimentos de higienização.

“Todas as lives ficam gravadas no IGTV do Instagram. Desta forma, mesmo quem não puder acompanhar as conversas com nossos cervejeiros, poderá obter informações sobre as cervejarias e o beer tour da Rota quando quiser”, lembra Ana Pampillón, coordenadora da Rota Cervejeira RJ.

A iniciativa da série de lives é da Rota Cervejeira RJ, que conta com o apoio voluntário da Agência Convés na produção e divulgação do conteúdo.

Confira abaixo as datas das lives neste mês de junho:

3/6 – Rota Imperial
5/6 – Alpendorf
8/6 – Colonus
10/6 – Pontal
12/6 – Mad Brew
15/6 – Grupo Petrópolis
17/6 – Doutor Duranz
19/6 – Brewpoint
22/6 – Brassaria Matriz
24/6 – Madame Machado
26/6 – Tortuga Craft Beer
30/6 – Favre Baum

Balcão da Matisse: A cerveja e a arte egípcia

Balcão da Matisse: A cerveja e a arte egípcia

No Egito antigo, o estado de embriaguez provocado pelo consumo de bebida alcoólica era considerado uma forma de permitir a comunicação com uma divindade ou com os mortos. Por isso, além do consumo social, em determinados eventos, os participantes bebiam em excesso para atingir um estado alterado de consciência que permitiria tal conexão.

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A cena acima, encontrada na tumba do faraó Thutmose III (1479 a.C. – 1425 a.C.), mostra uma garota servindo bebida a duas convidadas. Interessante observar que ela está com as costas voltadas para o espectador, uma posição pouco usual na arte egípcia. A inscrição diz: “Tenha um dia feliz!”

A cerveja era um alimento básico no Egito antigo, consumida por todos e em todas as idades, desde o faraó até as classes sociais mais baixas. Pinturas encontradas no interior de tumbas revelam que a cerveja era considerada importante também para os mortos.

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A pintura acima mostra Hori em sua refeição funerária. E a mesa repleta é uma oferta de todas as coisas boas e puras para o espírito de Osíris Hori. As ofertas incluem três pães brancos, um corte de carne e vários vegetais. Sob a mesa, há dois potes selados de cerveja. A cena foi pintada em um lençol de linho que provavelmente era uma mortalha colocada sobre o caixão de Hori (texto extraído do Metropolitan Museum of Art).

A figura ao lado, de aproximadamente 2.600 anos antes de Cristo, mostra o método de produção de cerveja utilizado na época, em que uma mistura de cereais e pães fermentados era prensada em uma peneira para eliminar o excesso de resíduos. Esse tipo de imagem, mostrando homens e mulheres produzindo cerveja, é recorrente na arte do antigo Egito, revelando a importância que a cerveja tinha para essa sociedade.

Muitos egiptólogos e cervejeiros têm trabalhado juntos para tentar recriar o processo que os antigos egípcios usavam para produzir cerveja. Obras de arte, resíduos em jarros e hieróglifos contendo receitas de cerveja têm servido a esse nobre propósito de trazer para os dias atuais essa bebida tão apreciada milênios atrás. Não se espera obviamente que as técnicas sejam melhores que as atuais, mas talvez um pequeno detalhe ou um ingrediente especial que era adicionado possa trazer algo de extraordinário.

A Scottish & Newcastle Brewery, antes de ser adquirida pela Heineken, trabalhou junto com a Egypt Exploration Society para recriar uma cerveja que, provavelmente, seria reconhecida pelos antigos faraós, a Tutankhamun Ale. O processo de fabricação foi descoberto em meados dos anos 1990 pelos egiptólogos Barry Kemp e Delwen Samuel, que escavaram o local da vila de trabalhadores e da cervejaria real afiliada à rainha Nefertiti.

É pouco provável que você encontre uma garrafa de Tutankhamun Ale por aí, pois as mil garrafas produzidas foram vendidas em um leilão. Mas é bom saber que a Dogfish Head também pesquisou ingredientes e tradições descritos nos hieróglifos egípcios para recriar uma cápsula líquida do tempo, chamada Ta Henket. Ela é vendida como souvenir para turistas no Egito e provavelmente pode ser encontrada na rede Dogfish Head.


Mario Jorge Lima é engenheiro químico e sócio-fundador da Cervejaria Matisse

7 ações para a retomada das atividades com segurança na indústria de bebidas

Com vários estados planejando ou ao menos avaliando a possibilidade de reabertura de diversos setores da economia, muitos segmentos também se preparam para retomar as atividades. Só que não se trata simplesmente de reabrir as empresas. Afinal, vários cuidados deverão ser tomados e medidas de higiene que não existiam antes farão parte da nova realidade. Ou seja, será necessária uma grande readaptação. Não é diferente para a indústria de bebidas.

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Para ajudar nessa retomada, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) elaborou o Guia de Orientações para a Retomada Segura das Atividades Industriais com sugestões para empresas de diversos segmentos, como as de bebidas. A ideia é de que se consiga prevenir os riscos de propagação do coronavírus.

“O Guia oferece diretrizes para a volta da produtividade plena com a preservação de empregos e a construção de um novo ambiente, seguindo sempre as determinações das autoridades em relação ao isolamento”, afirma o presidente da Firjan, Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira.

Vale destacar que a indústria de alimentação e bebidas foi incluída pelo presidente Jair Bolsonaro em decreto como atividade essencial, o que a desobrigou de paralisar as operações durante a pandemia. Ainda assim, diversas empresas do setor cervejeiro optaram por pausar os trabalhos ou ao menos realizá-los com escala reduzida, adotando restrições.

O documento é baseado em informações da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e nas recomendações feitas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), além de um conjunto de medidas adotadas pelo governo brasileiro e das orientações gerais para os empregadores com base nas indicações da Subsecretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), do Ministério da Economia.

As orientações incluem medidas para o setor de alimentos e bebidas, como avaliar a possibilidade de utilização de barreiras físicas de materiais impermeáveis entre trabalhadores e também evitar trabalho em linhas de produção próximas e paralelas.

“Distanciamento, uso de máscaras, monitoramento de temperatura diária de funcionários e questionários sobre o estado de saúde dos trabalhadores são medidas das quais o setor não pode abrir mão para a retomada segura das atividades”, aponta Marcus Rumen, presidente do Sindicato Intermunicipal das Indústrias de Bebidas em Geral do Estado do Rio de Janeiro (Sindibebi).

Confira, a seguir, as 7 principais ações para preparar equipes e ambientes de trabalho visando a retomada das atividades:

1- Fornecer máscaras de proteção e exigir o uso para todos os trabalhadores;

2- Prover produtos de higiene e assepsia aos funcionários, destinando, para isso, locais específicos dentro da empresa;

3- Rever todos os processos de limpeza, incluindo procedimentos de desinfecção de superfícies e ferramentas com maior frequência;

4- Fazer limpeza e manutenção dos sistemas de ar condicionado evitando a recirculação;

5- Fomentar o distanciamento entre as pessoas, revendo layouts e reorganizando turnos de trabalho;

6- Monitoramento contínuo da temperatura corporal e das condições de saúde de todos os trabalhadores para identificar pessoas sintomáticas;

7- Estabelecer canais eficientes de comunicação para orientações aos funcionários.

Concorrido mercado de aplicativos de delivery ganha opção que promete inovar o setor

As medidas de isolamento social frearam a circulação das pessoas e têm alterado o modo de consumo da população. Com a circulação restrita, a aquisição de produtos de modo digital se tornou rotina e tendência. Não é diferente para o setor de alimentação e bebidas, incluindo o cervejeiro, com as empresas tendo de se adaptar a esse novo cenário, apostando no delivery para se manterem ativas e financeiramente viáveis. Para isso, foi preciso associar o fornecimento de seus produtos a aplicativos como iFood, Uber Eats, Rappi e Delivery Direto.

Assim, nesse momento, há uma concorrência dupla. Em princípio, aquela tradicional, que envolve a preferência por um rótulo de cerveja, com preço, estilo e sabor fazendo a diferença no momento da escolha. Mas, na sequência, a influência sobre a tomada de decisão foi acrescida pelas possibilidades de acesso ao produto. Por isso, tornou-se crucial para a empresa fazer a escolha sobre como vai atingir o público. E há variadas plataformas disponíveis no mercado. 

Nesse cenário em que o contato se tornou digital, um diferencial para quem precisa concorrer em uma modalidade para a qual todos estão mais atentos é contar com o próprio aplicativo para pedidos. Uma possibilidade que se tornou real pelo Delivery Direto e que promete inovar o setor com preço fixo e maior possibilidade de fidelização.

Empresas interessadas em conhecer o produto em busca de uma parceria podem fazê-lo neste link

“A grande vantagem da plataforma própria é a possibilidade de trabalhar a fidelização dos clientes de perto, mantendo uma grande proximidade com eles. Isso é fundamental para que as estratégias de venda da cervejaria sejam colocadas em prática com eficiência”, avalia Allan Panossian Kajimoto, CEO do Delivery Direto, em entrevista ao Guia.

Nascido em 2016 pelas mãos dos mesmos criadores do Guia Kekanto, o Delivery Direto passou a fazer parte do Grupo Locaweb em setembro de 2019. E uma outra mudança relevante para a empresa se deu agora, com a crise do coronavírus e a consolidação de uma base de cerca de 1.800 clientes.

Afinal, se antes a sua relação de clientes estava concentrada em restaurantes, agora passou também a atender outros tipos de serviços, como o cervejeiro. “No mercado cervejeiro atendemos desde cervejarias artesanais, com produção em menor escala, até redes com uma cartela extensa de produtos”, afirma o CEO da desenvolvedora de aplicativos. 

Identidade própria
Como destaca o executivo, a identidade personalizada é uma das grandes inovações que o Delivery Direto pode trazer para o mercado cervejeiro, pois permite a adesão de empresas de diferentes portes ao desenvolvedor de aplicativos.

“Nossos clientes são tanto empresas de pequeno e médio porte, que querem ter uma identidade mais personalizada, quanto redes e franquias que veem no app próprio uma forma de manter o contato próximo com o cliente. Como nosso produto é facilmente customizado, a adaptação de cervejarias, bares e brewpubs é bem rápida e depende principalmente das necessidades específicas de cada um dos negócios”, argumenta Kajimoto.

Além de ter o diferencial de ser um desenvolvedor de soluções, o Delivery Direto possui a vantagem de não cobrar uma participação no valor das vendas. Isso dá ao empreendedor a possibilidade de adotar preços mais competitivos e ter um faturamento maior com o aumento do número de pedidos. E, também, como cobra apenas uma mensalidade fixa, o aplicativo facilita o planejamento financeiro como destaca o CEO da empresa.

“Nós não cobramos comissões por pedido. Trabalhamos com um modelo de mensalidades que tem um teto máximo, portanto o negócio pode aumentar seu faturamento sem ter que se preocupar com o valor que pagará para nós”, explica o executivo. 

Parceria e funcionalidades
A parceria, contudo, não se encerra com a criação do aplicativo desenvolvido de acordo com a identidade do cliente. Afinal, o Delivery Direto também dá ao empreendedor a liberdade de customizá-lo. E presta auxílio para que sejam feitas as adaptações que considerarem necessárias.

Allan Kajimoto, CEO do Delivery Direto

“O administrador da loja consegue alterar o catálogo de produtos, a área de entrega, a identidade visual com muita facilidade, além de fazer divulgação automática para a base de clientes cadastrada”, detalha Panossian Kajimoto. “Um dos pontos importantes é o suporte que prestamos aos nossos clientes, acompanhando-os desde o primeiro dia no Delivery Direto, auxiliando-os com as melhores práticas de configuração da plataforma, divulgação e vendas online.”

Para o cliente, por sua vez, há recursos que agilizam a realização do pedido e facilitam a organização da cervejaria na preparação e entrega dos seus produtos. “Outro aspecto que conta muito para a experiência do cliente final são funcionalidades como agendamento de pedidos e a opção de refazer a última compra com um só clique”, comenta o CEO.

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A ideia, assim, é que cada parceiro se concentre no que faz de melhor: o Delivery Direto desenvolve o aplicativo para o bar, restaurante ou cervejaria, com a marca do próprio negócio, que fica responsável pelo atendimento direto ao consumidor final.

“A nossa postura foi sempre de acompanhar as necessidades dos empreendedores, criando soluções que se adequassem tanto aos negócios quanto aos clientes finais e permitindo que eles se dedicassem ao que sabem fazer de melhor, que é atender o cliente com qualidade”, explica Kajimoto.

Reação nas vendas
Uma das empresas do setor que buscou o Delivery Direto como solução diante da indisponibilidade de vender sua produção em bares durante a pandemia do coronavírus foi a cervejaria paulistana Avós.

Para Junior Bottura, sócio-fundador da marca, a comunicação direta com o consumidor – através de um aplicativo próprio – foi um diferencial importante para minimizar a distância dos clientes. E isso a ajudou a minimizar a perda das receitas durante esse período.

“O Delivery Direto permitiu uma reação muito rápida do nosso negócio. Implementamos o portal em poucas horas e conseguimos, de certa forma, suprir parte da queda de faturamento”, garante Junior.

“A relação com os consumidores ficou mais próxima e a comunicação mais direta através das ferramentas que nos são disponibilizadas. Hoje conseguimos entregar cervejas frescas, geladas e growlers envasados na hora do pedido e o morador da cidade de São Paulo recebe em questão de minutos o que pediu”, finaliza o sócio-fundador da Avós. 

Para mais informações sobre o Delivery Direto, é só clicar aqui.

Live do Guia abordará mercado cervejeiro do Nordeste nesta quinta

No final do ano passado, havia muita expectativa sobre a continuidade da evolução do setor de cervejas artesanais no Nordeste do país. Apresentando crescimento relevante em 2018 e 2019, a região prometia um avanço ainda maior para 2020, tanto na abertura de novas empresas quanto no aumento de consumo e capilaridade.

Mas a pandemia do coronavírus afetou todas as expectativas. Os investimentos foram interrompidos e o comportamento dos consumidores ainda está sendo alterado e moldado para uma nova realidade.

Para entender a realidade do mercado cervejeiro no Nordeste e falar dos desafios e das oportunidades, a apresentadora e sommelière de cervejas Candy Nunes irá conversar com Nadhine França, colunista do Guia, sommelière, coordenadora do Instituto da Cerveja em Pernambuco e membro da confraria Maria Bonita.

A live sobre o mercado nordestino acontece nesta quinta (04) às 19h no perfil do Instagram @guiadacervejabr. “Vamos falar também de um tema que está muito em voga que é o racismo e preconceito, uma vez que nós duas somos mulheres nordestinas”, aponta Candy.

Todas as semanas o Guia leva ao ar lives com o objetivo de discutir temas relevantes e divulgar a cultura que cerca a cerveja, através de análises profundas sobre o que acontece nesse universo, sempre com convidados de diferentes áreas.

Na semana passada, a live foi apresentada pelo jornalista e sommelier de cervejas Rodrigo Sena, que conversou com o diretor do BaresSP, Fábio de Francisco, sobre os desafios para a reabertura de bares e restaurantes.

Confira na íntegra a live da semana passada

Cooperbreja resgata espírito de coletividade para apoiar setor cervejeiro em meio à crise

A pandemia do coronavírus trouxe difíceis lições à contemporaneidade. Ao mesmo tempo em que provocou uma catástrofe sem precedentes nas últimas décadas, com centenas de milhares de mortes e uma crise econômica que levará anos para ser contornada, a Covid-19 fez despertar um perdido sentimento de coletividade – seja pela solidariedade com as vítimas da tragédia ou pela saudade de parentes e amigos separados pelo isolamento. Sentimento que deve reverberar no mercado cervejeiro, como destaca André de Polverel, presidente da Cooperbreja – Cooperativa de Cervejeiros do Brasil.

“Se podemos tirar alguma lição da pandemia, olhando para o setor artesanal especificamente, é que nunca houve tanta necessidade de mudança da nossa cultura empresarial. Precisamos lutar coletivamente ‘por espaço’ e não ‘pelo espaço’. Ou enxergamos isso ou seremos engolidos pelos nossos erros em um curto espaço de tempo”, aponta o presidente da cooperativa sediada em Ribeirão Preto, em conversa exclusiva com o Guia.

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Com quase mil associados em seu quadro, aliás, a Cooperbreja tem procurado utilizar sua experiência em “coletividade” para apoiar seus cooperados a enfrentarem esse momento difícil da Covid-19. Na prática a organização funciona como um brewshop, onde seus associados e clientes podem adquirir equipamentos e insumos para a produção de cerveja. Com uma vantagem: como funciona como uma “central de compras”, a cooperativa consegue preços mais “justos”.

“Todos nós sabemos que o setor cervejeiro como um todo vai precisar se aprimorar para fazer frente aos desafios que esta pandemia nos impõe, sobretudo neste momento de flexibilização do isolamento com regras especificas para cada segmento”, aponta André, para depois acrescentar.

“O trabalho da Cooperbreja vai ser importante em um momento como esse porque as micro e pequenas cervejarias que terão a oportunidade de aderir à cooperativa poderão fazer compras de insumos adequadas ao seu porte e necessidades do momento com vantagens e suporte que certamente elas não encontrariam ‘sozinhas’ no mercado”, detalha.

Além das vantagens competitivas, mesmo para aqueles que se encontram em uma situação de inadimplência com seus fornecedores, segundo relata André, as relações de negócios resultantes “entre cooperativa e cooperado, o chamado ‘ato cooperativo’, não é tributado e, neste sentido, a cooperativa pode ser tanto um brewshop competitivo quanto um grande PDV para os seus cooperados”.

O presidente da Cooperbreja destaca, ainda, outros benefícios trazidos pelo conceito de coletividade intrínseco à cooperativa. É o caso, por exemplo, do suporte burocrático frente a questões relativas ao Ministério da Agricultura (Mapa), da realização de cursos voltados especialmente para o associado e da possibilidade de fazer testes sensoriais de sua bebida.

“Na cooperativa, além de ter acesso a preços diferenciados, as cervejarias poderão contar com suporte especializado para a sua formalização junto ao Mapa e não terão mais a necessidade de regular constantemente o seu estoque de insumos, facilitando a logística e tendo a oportunidade de um controle maior sobre a sua margem de preços”, afirma André.

“Poderão, ainda, participar de cursos oferecidos pela cooperativa para o seu aperfeiçoamento na produção de cerveja e gestão do seu negócio, além de poder levar as suas cervejas para serem analisadas sensorialmente e poderem fazer a sanitização adequada dos seus barris, entre outras vantagens”, complementa ele.

A estrutura da Cooperbreja
As vantagens propiciadas pela entidade, fundamentais em um período de crise como o atual, derivam de sua própria natureza empresarial. André explica que a Cooperbreja é uma típica cooperativa de consumo fundada nos termos da Lei Federal 5.764/71, que rege o cooperativismo no Brasil. 

“Antes de mais nada, é preciso dizer que uma cooperativa nada mais é que um empreendimento coletivo de negócios, porém com princípios e valores inalienáveis”, aponta o presidente da Cooperbreja. “Neste modelo de negócio todos os integrantes da cooperativa são sócios (donos) com o mesmo poder de voz e voto. Ela tem abrangência nacional, embora a maioria de seus cooperados residam em Ribeirão Preto e região.”

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Para que esse empreendimento desse certo e pudesse desenvolver o seu trabalho primordial, que é a prática do comércio justo, foi preciso que um grupo coeso se reunisse e levantasse um capital que fosse suficiente para realizar compras coletivas no atacado com a obtenção de vantagens competitivas para os seus membros, sobretudo nos preços, acrescenta André. 

E o resultado, segundo ele, não foi apenas o desenvolvimento do mercado cervejeiro local, mas também da própria região de Ribeirão Preto. “Por meio do seu trabalho, a cooperativa age como uma verdadeira central de compras, regulando os preços de mercado, proporcionando aos seus cooperados e clientes acesso a produtos e serviços de qualidade a um ‘preço justo’, além de contribuir para a melhora do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do município onde está inserida”, finaliza o presidente da Cooperbreja.

Maior festival de artesanais dos EUA é cancelado, mas terá edição online em 2020

Pela primeira vez em quase 40 anos, o Great American Beer Festival (GABF), maior evento de cervejas artesanais dos Estados Unidos, não acontecerá – ao menos “fisicamente”. Em vez de um grande encontro presencial, agendado inicialmente para o período entre os dias 24 e 26 de setembro em Denver, no Colorado, uma versão digital e “imersiva” vai ser realizada online.

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O cancelamento se deu na esteira dos decretos do governo estadual que determinam diretrizes e restrições para a realização de eventos. “Ao mesmo tempo em que estamos decepcionados por não podermos nos reunir em Denver para o maior evento anual da comunidade da cerveja artesanal, a saúde e segurança de nossos atendentes, cervejeiros, voluntários, juízes e colaboradores é e sempre será nossa maior prioridade”, afirma Bob Pease, presidente da Brewers Association, entidade responsável pela organização do festival.

“Enquanto o mundo ainda estiver sendo amplamente afetado pela propagação da Covid-19, nós devemos nos manter firmes às nossas prioridades e buscar outros caminhos para realizar o GABF”, completa Pease, explicando a busca por alternativas para que o evento ocorra.

Assim, a 39ª edição do festival vai ter um caráter diferente neste ano, com os cervejeiros dos Estados Unidos celebrando as artesanais digitalmente. Para isso, uma série de experiências virtuais em tempo real, envolvendo especialistas, marcas, cervejeiros e amantes da bebida, vai ocorrer nos dias 16 e 17 de outubro.

O evento e sua dinâmica ainda estão sendo planejados, mas devem incluir degustações, palestras, debates, promoções de cervejarias e alguma alternativa que proporcione delivery de kits de harmonização de rótulos com pratos.

O tradicional concurso de cervejas do festival será realizado normalmente. Um corpo de mais de cem jurados vai avaliar cerca de 7 mil amostras inscritas até 9 de junho para apontar as melhores cervejas de cada estilo.

“Estamos felizes por poder manter o concurso nesse ano, premiar as conquistas das cervejarias e gerar engajamento do público com tendências e estilos”, acrescenta Pease.

Tudo que o mercado fez até aqui tem sentido hoje?, questiona fundador da Eisenbahn

Um dos principais personagens do movimento de crescimento e ganho de relevância da cerveja artesanal no Brasil, Juliano Mendes, fundador da Eisenbahn, acredita que a crise do coronavírus precisa provocar uma “profunda revisão” no segmento para que consiga se manter saudável.

Para ele, a inevitável e necessária reinvenção das empresas do setor passa por uma nova maneira de olhar para sua operação, variedade de produtos e marketing, entre outros. Assim, o encolhimento provocado pela pandemia pode tornar as companhias mais saudáveis. “Muitos sairão mais eficientes, mais enxutos, com novas ideias de serviços e produtos”, projeta.

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O consumidor, que já vinha experimentando novas experiências e sabores nos últimos anos, deve sair da pandemia mais criterioso e valorizando a qualidade e as experiências que a cerveja pode proporcionar. “Em um momento como esse, em que as pessoas, muitas vezes, precisam repensar seus gastos pessoais, acredito que o consumidor prefira um momento prazeroso, em menor quantidade, do que abrir mão da qualidade”, avalia.

Tais análises, aliás, merecem redobrada atenção. Formado em administração pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, Juliano foi um dos precursores da cerveja artesanal no país ao criar a Eisenbahn, empresa que ajudaria a pavimentar a consolidação desse nicho nacionalmente – a marca, hoje, pertence ao Grupo Heineken. É, portanto, um nome importante para ajudar a antever o que poderá ser do mercado no período de pós-coronavírus.

Confira, a seguir, a entrevista completa com Juliano Mendes, fundador da Eisenbahn.

Diante desse novo cenário e da crise que se prolongará por meses, o que as cervejarias precisam ter em mente no mundo pós-pandemia? Quais são os possíveis caminhos a seguir?
É um momento muito difícil, sem dúvida. Mas, se há algo que essa crise pode deixar de efeito colateral, é uma profunda revisão em toda a forma com que a cervejaria opera. Seja em termos comerciais, de marketing ou na produção, todos estão tendo que repensar o negócio. E, dessa reflexão, muitos sairão mais eficientes, mais enxutos, com novas ideias de serviços e produtos. Muitas cervejarias abriram novos canais de vendas e fizeram uma revisão no mix de produtos. É hora de pensar: tudo o que fizemos até aqui faz sentido hoje e continuará fazendo amanhã? Acredito que as empresas que conseguirem superar esse desafio sairão mais bem preparadas, estrategicamente falando, para enfrentar o futuro.

A crise do coronavírus e a retração econômica provocada por ela podem afetar mais marcas de cerveja com maior valor agregado como a Eisenbahn? E como trabalhar para minimizar esses efeitos?
A crise do coronavírus infelizmente afeta todo o ecossistema em que nosso negócio está envolvido. Como empresa, nos preocupamos em fazer o máximo que está ao nosso alcance para diminuir os impactos dessa crise em nossos funcionários, clientes e consumidores. Por isso, o Grupo Heineken no Brasil está fazendo uma série de iniciativas e ações voltadas para esses públicos e também para sociedade como um todo. Uma delas chama-se Brinde do Bem, movimento de apoio aos bares de todo o Brasil (nele, por meio de uma vaquinha online, o consumidor faz uma contribuição para o seu bar preferido, que pode ser revertida em consumação após a quarentena, e a Heineken dobra o valor do repasse). Dessa forma, ajudamos os bares a balancear o caixa e a manter os salários em dia. 

Em sua avaliação, o que deve mudar no comportamento do consumidor cervejeiro quando a pandemia se arrefecer?
Acredito que a tendência do “beba menos, mas beba melhor” pode ser intensificada. O consumo responsável deve ganhar mais espaço. As pessoas têm procurado mais qualidade, mesmo sabendo que muitas vezes ela vem acompanhada de um preço mais alto. Em um momento como esse, em que as pessoas, muitas vezes, precisam repensar seus gastos pessoais, acredito que o consumidor prefira um momento prazeroso, em menor quantidade, do que abrir mão da qualidade que já vem experimentando.

Qual é o valor das lives na disseminação da cultura cervejeira e do conhecimento técnico propriamente dito? Para você, da Eisenbahn, o que elas podem sinalizar sobre o futuro do mercado cervejeiro?
Nossas lives (a Eisenbahn, junto ao Instituto da Cerveja Brasil, produziu uma série de lives abordando diversos aspectos do mercado e consumo da cerveja) têm um conteúdo bem abrangente, que envolve temas relacionados ao serviço, como copos corretos e temperatura do líquido, passando por temas históricos e até mesmo assuntos bem técnicos ligados à produção de cervejas. Ou seja, temos temas para todos os gostos, objetivos e níveis de conhecimento. Acreditamos que o compartilhamento de informação nos torna muito melhores, como pessoas e como empresa. Dividir conhecimento e compartilhar informação é um caminho sem volta.

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Já é possível enxergar interesse ou acesso de algum tipo de público que antes não teria contato com esse tipo de conteúdo? E como fazer para retê-lo?
Temos percebido a participação de um público bastante eclético. De conhecimento bem variado, também. Pelas perguntas e comentários, estamos notando que pessoas de conhecimento bem técnico têm aproveitado nossas aulas. Contudo, é muito animador ver um público leigo, mas super interessado em aprender e entrar nesse universo das cervejas especiais. Acredito que a forma de reter tanto um quanto o outro público é justamente através do compartilhamento de conhecimento, de forma técnica, precisa e profissional.

Há algum ponto negativo nessa “invasão” de lives? Qual e por quê?
Não vejo ponto negativo, pelo contrário. A informação já está aí, à disposição de todos, em blogs, redes sociais, livros. Tanto a informação boa quanto a ruim. As lives são apenas mais uma ferramenta, de muita eficiência, é verdade. Cabe aos consumidores dessa plataforma terem discernimento do que é bom ou ruim. Nem sempre é fácil, mas o tempo vai resolver isso.