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7 avaliações sobre a participação feminina no setor cervejeiro

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Há espaço para o aumento da participação feminina no mercado de cervejas, mas existem obstáculos que dificultam esse processo. Essa é a avaliação de Amanda Felipe Reitenbach, fundadora e CEO do Science of Beer Institute, escola focada na educação cervejeira.

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Para ela, a indústria cervejeira reflete a luta que as mulheres precisam encarar em uma sociedade machista. Ainda assim, elas têm conseguido aumentar seu espaço, seja como consumidora, o que forçou o reposicionamento publicitário de algumas marcas, como também em áreas como produção e gestão de negócios.

Cientista e empreendedora, Amanda fundou em 2010 o Science of Beer, instituição que oferece cursos sobre cerveja no Brasil. Confira a sua avaliação sobre os desafios e as perspectivas da participação feminina no setor.

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1- Machismo como barreira para as mulheres
Na avaliação de Amanda, suplantar o machismo ainda é o principal desafio para as mulheres no setor cervejeiro. “Ser empreendedora e ter uma empresa feminina no setor cervejeiro sempre foi um desafio, e ainda é, principalmente quando as conexões e o trato diário são com homens. Ainda existe muito machismo e percebo isso em alguns projetos que executo. Lógico que há também o outro lado: muitos homens estão ajudando a construir um espaço mais inclusivo e a apoiar mulheres empreendedoras. Mas, infelizmente, existe a parte de masculinidade tóxica em que um ou vários homens não toleram uma mulher empreendedora, não toleram que uma mulher lidere uma equipe ou ocupe uma posição de destaque em um projeto grande. Eu já escutei isso, já vivenciei esse tipo de situação e há alguns anos luto para me posicionar profissionalmente e como mulher dentro de alguns projetos, mas nem sempre essa é uma batalha vencida”, lamenta a CEO do Science of Beer.

2- Tentativa de silenciamento das mulheres
Um exemplo claro do machismo, na avaliação de Amanda, se dá em tentativas – veladas ou não – de silenciar a opinião das mulheres. “As mulheres são constantemente silenciadas de uma forma muito velada, não é uma coisa super escrachada e que todo mundo observa e vê. Mas já participei, por exemplo, de reuniões em que eu não podia falar, não podia expressar a minha opinião porque todos ali eram homens e estavam se posicionando de uma forma muito forte e não deixando que eu falasse”. Esse silenciamento, segundo ela, não está apenas em uma fala direta, mas pode vir em atitudes e outras formas de manifestações. “Nem sempre a pessoa precisa dizer que você não pode estar ali como mulher, que a sua opinião não é considerada. Abafar a sua opinião, não deixar você falar, não aceitar a sua ideia são formas muito claras de machismo.”

3- União para fortalecer a participação feminina
Nesse cenário de desafios, Amanda enxerga a união entre as mulheres como um importante aspecto para fortalecê-las no setor. “Às vezes a masculinidade tóxica e o machismo acabam vencendo e isso é lamentável. É por isso que a gente precisa de mais união, mais força das mulheres e maior consciência do mercado como um todo para entender que existem, sim, intervenções machistas que dificultam o trabalho das mulheres que muitas vezes se calam por medo do preconceito e das críticas que o mercado pode trazer”, aponta a executiva.

4- Ter outras mulheres como referência e inspiração
A ampliação da presença feminina no setor cervejeiro serve como “espelho” e inspiração para outras mulheres, segundo Amanda. “Hoje eu recebo frequentemente mensagens de mulheres que se inspiram no meu trabalho”, diz ela, lembrando, por sua vez, pessoas que inspiraram sua trajetória. “Outras mulheres fortes cumpriram esse papel e abriram um caminho muito anterior e eu me inspirei nelas. Figuras como Kátia Jorge e Cilene Saorin, que têm décadas de experiência, foram essenciais para o amadurecimento do mercado e para inspirar outras mulheres. Uma mulher sempre se inspira em uma mulher e por isso a gente vê esse movimento crescendo mais forte.”

5- Falar sobre o preconceito
A empreendedora avalia que ampliar a presença feminina e colocar o assunto do machismo em pauta são outras ações fundamentais para combatê-lo. “Ter cada vez mais mulheres no mercado e contar com movimentos feministas em geral também a favor da cerveja é de extrema importância para que a gente lute contra esse preconceito que é velado e que todas as mulheres que trabalham no setor passam ou já passaram. Precisamos falar sobre isso, precisamos trazer luz ao assunto para entender que não é mimimi, não é um a reclamação isolada. É uma situação que nós mulheres passamos e identificamos, e que a gente não quer que faça mais parte do trabalho de nenhuma mulher.”

6- Aumento da busca por qualificação
Amanda também vê que a busca por qualificação através da realização de cursos tem aumentado por parte das mulheres. E esse é um caminho importante para ampliar a participação feminina no setor. “Felizmente vemos cada vez mais mulheres procurando cursos, se identificando e fazendo da cerveja uma profissão. No caso do Science, percebo que muito disso vem da minha posição como mulher empreendedora, pesquisadora e cervejeira”, avalia.

7- O cenário cervejeiro para mulheres no mundo e no Brasil
Embora enxergue crescimento da participação feminina no setor cervejeiro nacional, Amanda ainda vê o país atrás dos Estados Unidos e da Europa. Para ela, igualar o cenário internacional só será possível com a ampliação da inclusão como um todo.

“Com relação a outros países, o que eu observo na Europa e nos Estados Unidos, por exemplo, é que a participação feminina no mercado cervejeiro também está crescendo e que elas têm um apoio mais forte dos homens do que temos aqui. Então a questão da igualdade de gênero já é um pouco melhor entendida. Nos Estados Unidos, a Brewers Association faz uma campanha para que todos os seus trabalhos e projetos não façam distinção de gênero, raça ou orientação sexual. É uma bandeira muito forte da Brewers Association, que é a maior entidade de cervejeiros e que inspira tantos trabalhos no mundo. Mas, no Brasil, ainda precisamos de uma inclusão maior. E não só para as mulheres, mas para outras causas também: dos negros, das diversidades sexuais, de todas as outras minorias que precisam se sentir incluídas na fala da cerveja artesanal. Por tantos preconceitos que a gente vê por aí, essa diversidade é uma questão que ainda não vemos sendo pautada nos ambientes cervejeiros”, conclui.

Lá fora, gigantes fazem movimentos em direção à sustentabilidade

Na semana em que a ONU discute soluções para os problemas do clima em uma conferência que atrai olhares do mundo todo em Nova York, duas das maiores cervejarias do mundo anunciam inovações que vão no sentido da sustentabilidade e da economia de recursos naturais. Na Inglaterra, a AB InBev vai deixar de usar plástico em seus pacotes de latas, enquanto, no Canadá, a Molson Coors inaugura uma fábrica que economiza água e emite menos CO2.

Atualmente, as embalagens “6 packs” e “4 packs” das marcas da AB InBev no Reino Unido são empacotadas com anéis de plástico. Eles são a solução mais tradicional do país nos últimos 50 anos, mas vêm sendo ferrenhamente questionados pelo público e pela indústria.

Durante o transporte, esse tipo de embalagem precisa, muitas vezes, ser envolvida com fitas plásticas que unem as latas. Mas o objetivo da companhia é acabar com todo esse material, e isso pode significar a eliminação de 860 toneladas de plástico por ano – sendo 260 toneladas de argolas e 600 toneladas de fitas.

O grupo está investindo um total de £ 6.3 milhões na atualização de duas fábricas no Reino Unido para produzir alternativas ao plástico, como papelão reciclável e caixas. “Estamos orgulhosos do trabalho que fizemos até agora, mas percebemos que há mais a ser feito para atacar a questão dos plásticos não reutilizáveis”, afirma Paula Lindenberg, presidente da Budweiser Brewing Group UK & Ireland sobre a ação de sustentabilidade.

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A companhia, no entanto, não é a primeira nessa corrida no Reino Unido. No ano passado, a Carlsberg já havia anunciado um novo sistema que substitui as argolas por gotas de cola entre as latas, assim como a Diageo, dona de marcas como Guinness e Smithwick’s.

Molson Coors
Já no Canadá, uma nova planta da Molson Coors está nascendo em sintonia com as demandas ambientais atuais. A mais moderna de todas as 29 fábricas da companhia no mundo, na cidade de Chilliwack, província da Colúmbia Britânica, foi inaugurada na semana passada com o intuito de substituir uma antiga planta de Vancouver, comprada por um empreendimento imobiliário em 2016.

A fábrica, que custou US$ 226 milhões, é desenhada e equipada com tecnologias que prometem reduzir perdas e o desperdício de insumos ao longo do processo, além de sistema de recuperação do CO2 emitido. A companhia promete que a Fraser Valley Brewery produza utilizando 20% menos energia e 40% menos água do que as indústrias convencionais.

“Essa moderna fábrica é continuação do nosso comprometimento de longo prazo com nosso ambiente e sustentabilidade no coração de nossa excelência operacional”, afirma Frederic Landtmeters, presidente da Molson Coors Canada.

A cervejaria tem, para os próximos anos, mais um desafio que pode desembocar em outra fábrica moderna e eficiente: sua fábrica de Toronto, a mais antiga em funcionamento na América do Norte, com 231 anos, também foi vendida para empresas do ramo imobiliário, e deve ser substituída nos próximos anos.

Fortaleza, Brasília e São Paulo puxam inflação da cerveja em agosto

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A alta expressiva em agosto no preço da cerveja em domicílio, de 1,34%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), foi puxada por Fortaleza, São Paulo e Brasília. Essas três cidades apresentaram inflação superior a 2%, de acordo com os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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Fortaleza liderou a inflação da cerveja em domicílio entre as 16 capitais pesquisadas pelo IBGE, com elevação de 2,37% nos preços, com Brasília e São Paulo apresentando aumento de 2,05% e 2,04%, respectivamente.

Outras 11 capitais tiveram alta, sendo que Salvador (1,75%), Goiânia (1,63%) Belém (1,48%) e Rio Branco (1,43%) apresentaram inflação superior ao da cerveja em domicílio no território nacional.

Do lado oposto, apenas duas capitais apresentaram deflação no preço da cerveja em domicílio: São Luís, com queda de 1,23%, e Porto Alegre, de 0,04%.

Já os preços da cerveja fora do domicílio tiveram alta de 0,79% em agosto no cenário nacional. São Paulo, com 1,84%, Salvador, com 1,80%, e São Luís, com 1,57%, lideraram a inflação. Já Campo Grande teve deflação expressiva desse item no oitavo mês de 2019, com redução de 3,83%.

Confira, a seguir, a variação do preço da cerveja em domicílio em agosto:
Brasil: 1,34%
Fortaleza: 2,37%
Brasília: 2,05%
São Paulo: 2,04%
Salvador: 1,75%
Goiânia: 1,63%
Belém: 1,48%
Rio Branco: 1,43%
Rio de Janeiro: 1,30%
Belo Horizonte: 1,29%
Grande Vitória: 0,86%
Curitiba: 0,78%
Aracaju: 0,43%
Campo Grande: 0,15%
Recife: 0,03%
Porto Alegre: -0,04%
São Luís: -1,23%

E a variação do preço da cerveja fora do domicílio em agosto:
Brasil: 0,79%
São Paulo: 1,84%
Salvador: 1,80%
São Luís: 1,57%
Brasília: 1,45%
Aracaju: 1,30%
Rio Branco: 1,30%
Rio de Janeiro: 1,19%
Porto Alegre: 0,87%
Goiânia: 0,62%
Grande Vitória: 0,49%
Belém: -0,03%
Curitiba: -0,28%
Fortaleza: -0,40%
Recife: -0,79%
Belo Horizonte: -0,82%
Campo Grande: -3,83%

Menu degustação: Imperial Catharina Sour, Synergy em alta, 018 com batata doce…

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Imperial Catharina Sour
As cervejarias paulistanas Nacional e Minimal acabam de lançar um estilo não muito comum no mercado: a Imperial Catharina Sour Lager. Leva frutas como coco, abacaxi e limão siciliano, contém 8,1% de álcool e possui 3 IBUs. Batizada de Saramandaia, que tem como significado feitiçaria/bruxaria, ela promete enfeitiçar o consumidor com sua refrescância e acidez, segundo as marcas. O rótulo estará disponível apenas na Cervejaria Nacional e o serviço será feito em copos half-pint (330 ml) e pint (570 ml), nos valores de R$ 18 e R$ 27.

Catharina da Blumenau
Programada para outubro, a Oktoberfest de Blumenau terá um lançamento especial: a Catharina Sour de uva bordô, que será a novidade da Cerveja Blumenau para o evento. “É uma cerveja avermelhada, que traz um contraste entre a acidez da Catharina Sour e o dulçor da uva. Lembra muito um frisante. Apostamos que o público da festa vai se refrescar e, ao mesmo tempo, ter uma experiência nova com a bebida”, comenta Marcos Guerra, cervejeiro da marca.

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Wee Heavy da Satélite
Feita em parceria com a Guerrilha!, a Cosmic Revolution é o novo lançamento da Satélite. Trata-se de uma Wee Heavy maturada em barril de amburana, com notas de caramelo, corpo macio e final aquecedor. São 10% de teor alcoólico e aromas de baunilha, canela e sutil defumado. A cerveja chega ao mercado em garraras long neck de 355ml e no formato chope.

Reborn Pils em alta
Rótulo lançado no começo do ano pela Synergy, de Sorocaba, a Reborn Pils alcançou o terceiro lugar mundial no aplicativo Untappd no estilo Pilsner – Czech (Bohemian Pilsner), perdendo apenas para as cervejarias norte-americanas Hill Farmstead Brewery e Fox Farm Brewery. “A Reborn Pils faz renascer a vontade de beber cerveja despretensiosamente. Ela faz parte do nosso modus operandi de trazer diversidade, e não seria diferente para essa Bohemian Pilsner bem elaborada e com boa relação custo benefício”, celebra Eduardo Sampaio, sócio da Synergy, que acaba de relançar sua cerveja renomada. É produzida com o lúpulo Saaz e uma técnica avançada de lupulagem que evidencia o perfil do lúpulo.

018 com batata doce
Para celebrar o aniversário de Presidente Prudente, cidade no interior de São Paulo que se destaca na produção de café e batata doce, a cervejaria 018 (o DDD do município) lançou a Cerveja 102. O rótulo comemorativo é produzido com batata-doce da região, trazendo um “sabor doce e próspero de futuro”, e café fresco, “que remete ao aroma marcante e orgulhoso do nosso passado”, segundo descreve a marca. A renda arrecadada com as vendas da 102 será revertida para o SOS Crianças.

Dupla da ZEV
A cervejaria de Suzano traz uma novidade em dobro: duas versões de Berliner Weisse em chope, uma com adição de frutas vermelhas e outra com kiwi. A ZEV conta com outras três cervejas no estilo Berliner Weisse – jabuticaba (única disponível em garrafa e chope), uvaia e cambuci.

Pub da Alles Blau
Uma das vias mais agitadas de Blumenau ganhará um novo empreendimento: o primeiro pub da Alles Blau, que ficará na rua Antônio da Veiga, 484. O local seguirá a estrutura de franquia da marca, que foi lançada em junho deste ano. No Alles Blau Bierkneipe o público encontrará os rótulos da cervejaria e experimentais – serão 12 torneiras disponíveis, dez destinadas para opções da marca e duas para cervejarias convidadas.

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Nova Brasil com S
Utilizando mel de abelhas de espécies nativas como Mandaçaia, Jataí, Uruçu e Tiúba, a Colorado apresentou o novo rótulo da linha “Brasil com S”: a 07, uma Honey Beer. Há quatro opções inspiradas na Appia – uma para cada abelha –, mas todas com aroma frutado e mais complexo, provocando leve aquecimento no paladar por conta do teor alcoólico mais elevado, balanceado pelo dulçor. São 8% de teor alcoólico e 17,5 IBUs. “Pela primeira vez, temos uma cerveja com quatro opções diferentes por conta de um ingrediente. A criação desse rótulo é mais um passo no nosso alerta em relação à extinção das abelhas. Todas as espécies estão ameaçadas, principalmente as nativas. Com essa iniciativa, queremos incentivar a criação delas e o aumento de sua população no país. E o mais importante de tudo: a qualidade do mel é a mesma”, aponta Guilherme Poyares, gerente de marketing de Colorado.

Novo polo do interior de SP busca fortalecer cervejarias e ganhar novos mercados

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As cidades de médio e pequeno porte do interior do estado de São Paulo se apresentam como novos horizontes para as cervejarias artesanais. Por seu poder aquisitivo relativamente alto, revelam um bom potencial de crescimento de consumo. No entanto, os cervejeiros que desbravam essa fronteira ainda esbarram em obstáculos significativos, como dificuldades logísticas. É dessa carência que emerge a necessidade de união e, por isso, dez cervejarias das cidades de Araraquara, Brotas, Ibaté, Jaboticabal e São Carlos se uniram na criação do Polo de Cervejarias Independentes do Interior de São Paulo.

O objetivo da associação, inspirada nas atividades da região de Ribeirão Preto, é conseguir superar dificuldades comuns que as cervejarias enfrentam em todas as fases do negócio. “A ideia desse polo é fortalecer as cervejarias. Nós compartilhamos receitas, insumos, fazemos produções colaborativas, buscamos clientes e trabalhamos pela popularização da cerveja artesanal aqui na região”, explica Edmundo Escrivão Neto, o Ed, da cervejaria Kirchen, de São Carlos.

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O polo foi criado este ano e pretende desenvolver ações de marketing conjuntas, bem como encontrar meios de compartilhar soluções logísticas e conhecimento. “Temos muitas ideias boas, como, por exemplo, criar um setor de compras coletivas para poder negociar melhores preços e prazos com os fornecedores”, conta Ed.

Mas a realidade compartilhada pela maioria das cervejarias do interior – como as integrantes do novo polo – impõe obstáculos práticos para a consolidação da união, exigindo persistência dos envolvidos. “Na maioria das cervejarias do polo os próprios donos são os cervejeiros, vendedores, administradores, trabalham nos bares, e esse é um dos nossos grandes obstáculos para o polo avançar”, avalia.

Expansão
Outro objetivo do polo, segundo Ed, é ampliar o alcance das cervejarias, que hoje se limitam a uma atuação regional. “Queremos compartilhar ações de marketing e de logística para levar nossas cervejas até para outros estados.”

E uma das primeiras ações concretas da agremiação é a realização do 1º Festival das Cervejarias Independentes do Interior de São Paulo, que acontece neste sábado, em Araraquara. O evento deve receber até 1,5 mil pessoas e tem as 10 cervejarias do polo oferecendo 30 rótulos diferentes, além de food-trucks, drinks, bandas de rock e DJs.

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“A ideia do evento é mostrar a força do nosso grupo, divulgar a qualidade das nossas cervejas e ainda ajudar uma instituição de caridade”, explica Ed, falando sobre a arrecadação de alimentos para o orfanato Renascer, de Araraquara, onde o festival acontece.

O plano dos integrantes é que cada edição do festival aconteça em uma das cidades do polo, sempre mantendo o espírito solidário, promovendo ações em prol de instituições locais.

As cervejarias do Polo

  • Avenida 42 (Araraquara)
  • Base (São Carlos)
  • Brotas Beer (Brotas)
  • Cigana (Jaboticabal)
  • Kirchen (São Carlos)
  • Locals Only (São Carlos)
  • Mosteiro (São Carlos)
  • Opera (Araraquara)
  • Satélite (Jaboticabal)
  • Vitruviana (Ibaté)

1º Festival das Cervejarias Independentes do Interior de São Paulo
Data:
21/09, das 12h às 23h
Local: Orfanato Renascer, na Av. Papa Pio X, 835, em Araraquara
Preço: R$ 20 e 1kg de alimento não perecível
Mais informações aqui

Livres e inclusos: Projeto reconstrói vida de jovens que abusavam de álcool

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A equação não é simples para os jovens, mas, com o apoio devido, pode ser encontrada. Buscar o equilíbrio entre a diversão, o consumo de álcool e os desafios que a juventude e as novas experiências de vida apresentam é um desafio comum a uma parcela expressiva da população brasileira. E também para Mayara Cristine Carvalho, de 23 anos, hoje coordenadora da escola de vela do Yacht Club Santo Amaro, em São Paulo.

Comportamento muito comum a jovens brasileiros, o abuso esporádico de álcool era uma realidade há alguns meses para ela. “Eu era um desequilíbrio total. Sabe aquela história: ‘se não for para causar eu nem saio de casa?’; era eu”, relata Mayara ao Guia, revelando que utilizava a bebida como fuga, mesmo em momentos de felicidade.

“Eu sempre descontava minha vida na bebida, porque estava muito feliz, ou muito triste, ou inventávamos alguma brincadeira entre amigos, porque não tínhamos tanto assunto. E, aí, para não ficar sem fazer nada, eu bebia”, acrescenta ela.

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Embora com a experiência de trabalhar em uma das principais escolas de vela de São Paulo, Mayara não se via completamente satisfeita. Na sua visão, havia uma dificuldade em evoluir profissionalmente por sinais de insegurança. Um cenário que mudou recentemente e a permitiu ser promovida ao cargo de coordenação a partir da aquisição de autoconhecimento.

“Hoje assumo o cargo de coordenação do clube de vela, estando à frente de uma das maiores escolas de vela do país. A empresa entende e percebe que eu amadureci, que tenho capacidade para coordenar uma equipe e fazer a escola crescer cada vez mais. Eu tenho certeza de que isso não teria acontecido se eu não tivesse vivido o WeLab”, aponta Mayara.

Como antecipa Mayara, esse processo de autoconhecimento não veio sozinho, mas com a participação em um projeto, o WeLab by Heineken, criado para incentivar mudanças no comportamento de jovens em relação ao consumo exagerado de bebidas alcoólicas.

Mayara fez parte da primeira equipe a participar do projeto em São Paulo, que durou cerca de um mês e envolveu um grupo de 27 jovens, com idade entre 18 e 24 anos, com discussões e proposição de projetos.

“No WeLab eu descobri o sentido de muitas coisas na minha vida. Eu aprendi a equilibrar e expor os meus sentimentos. E mesmo que não esteja tudo bem, hoje eu me sinto segura e confiante para saber exatamente quais são os meus limites e, por meio disso, consigo controlar a minha relação com o álcool”, relata Mayara.

Liberdade com responsabilidade
Assim como Mayara e outros participantes do grupo, muitos jovens abusam do álcool logo nos seus primeiros contatos com a bebida, em atos que se dão por uma pressão social que envolve amigos. E, também, por só conseguirem associar a diversão com o ato de consumir álcool.

Foi diante dessa visão que a Heineken uniu forças com a Maker Brands para desenvolver a metodologia implementada na fase piloto do projeto, que, como no caso de Mayara, já começa a render frutos. 

Carol Romano, da Maker Brands

“A principal proposta do WeLab by Heineken é desenvolver nos jovens habilidades socioemocionais e empreendedoras, por meio do autoconhecimento e desenvolvimento colaborativo de projetos, mensurando com análises comportamentais antes, durante e depois do programa, chanceladas pela Ipsos”, conta Carol Romano, líder de estratégia da Maker Brands, uma consultoria de inovação.

O projeto, então, buscou mostrar que deve sempre haver liberdade de escolha para o jovem, sem seguir um comportamento considerado padrão, buscando a reflexão sobre as reais vontades na vida social.

“Essa parceria tem como objetivo abordar estes gatilhos do consumo excessivo de bebidas alcoólicas junto aos jovens, com a intenção de ampliar as perspectivas deste público e, a partir de escolhas menos automáticas e influenciáveis, apoiar a construção de uma relação equilibrada com a vida e, então, com o álcool”, explica Ornella Vilardo, gerente de sustentabilidade do Grupo Heineken no Brasil.

A dificuldade em conseguir fazer essa opção está na natural instabilidade que o jovem passa nesse período da vida. Então, evitar que a bebida se torne um gatilho é o principal objetivo – e desafio – da iniciativa. “A juventude é um período de instabilidade e transformações físicas e psíquicas, por isso, é importante apoiar os jovens a viver este momento de forma saudável”, acrescenta a gerente da Heineken.

Isto significa, segundo Ornella, perceber e estimular os sinais de evolução desta fase, como a capacidade de manter estabilidade na vida pessoal, profissional e financeira. “No contexto de altos níveis de depressão e ansiedade, a bebida pode assumir um papel perigoso ao se tornar catalisadora de estados emocionais conflituosos, mesmo que, inicialmente, o jovem a consuma buscando o alívio.”

Os métodos do projeto
Para que as metas do projeto se tornem realidade, os responsáveis adotaram dinâmicas que abordaram cinco pontos principais: exercício da liberdade; autenticidade e autocontrole diante das pressões coletivas; desmistificação de falsas crenças sobre o álcool; percepção dos exageros; e adoção de novos hábitos com relação à bebida.

A partir daí, a dinâmica do projeto passou pelo debate de temáticas que podem influenciar as ações dos jovens. “Depois de um início focado em descobertas pessoais, os jovens fizeram projetos para exercitar suas potencialidades, talentos e propósitos. Neste momento, foram abordados temas como negritude, construção da masculinidade na adolescência, autoconhecimento para jovens, motivações e gatilhos para o engajamento em trabalhos voluntários e novas abordagens para uma educação mais dinâmica e engajadora”, relata Carol, da Maker Brands.

Além disso, o projeto se utiliza de ferramentas bem próximas ao cotidiano dos jovens, como aplicativos para telefones celulares, que foram desenvolvidos com abordagens sobre a temática do consumo excessivo de álcool. Há também espaço para games, que apresentam o consumo de álcool em uma abordagem que se tornou bem pessoal.

“Durante essa fase piloto, os participantes contaram também com o suporte do WeLabApp, aplicativo que reúne informações e estimula a prática do consumo equilibrado no dia a dia”, explica Carol, detalhando em seguida a atuação do aplicativo.

“A ferramenta entrega conhecimento por meio da gamificação, com quizzes, testes de perfil e missões relacionadas a novas atitudes cotidianas. Além disso, foi criada uma ferramenta de monitoramento diário do consumo de álcool, o Drinkômetro, com os jovens podendo visualizar quantas doses e calorias foram ingeridas por dia e quanto gastaram com bebida durante a experiência”, acrescenta ela.

Vidas reconstruídas
Outra participante da primeira edição do projeto, a assistente administrativa Maria Gabriela, de 21 anos, destaca que o WeLab lhe mostrou que o problema com o consumo excessivo se dá por questões psicológicas. E, assim, pode ser resolvido. Ela mesmo acredita ter mudado seu comportamento após a participação na iniciativa.

“O WeLab me mostrou que falar de bebida vai muito além de alcoolismo e que nem sempre os jovens fazem o uso nocivo da bebida apenas pela diversão, pelo contrário. Muitos jovens acabam fazendo o uso da bebida para sanar ou esconder problemas pessoais”, comenta Maria.

Com a maturidade, autoconhecimento e segurança adquiridos pela participação no projeto, Mayara não precisou se afastar dos bares ou de uma vida social agitada, como ela mesmo relata. Mas o consumo exagerado ficou no passado, a vida se tornou mais leve e as opções mais condizentes com os seus sentimentos, como avalia a hoje coordenadora do Yacht Club.

“Depois de participar do projeto eu passei a sair muito mais do que antes, com a diferença de que atualmente eu me divirto muito mais, porque eu descobri que, sim, eu tenho várias coisas legais para compartilhar com os meus amigos. Não preciso ir sempre naquele open bar que todo mundo gosta só para não ficar sozinha. Eu posso ir para o meu barzinho favorito perto de casa, tomar um suco e depois ir para casa e dormir bem, sem álcool. Ou então, curtir uma música a noite toda e me lembrar de tudo o que fiz no dia anterior sem culpa”, explica Mayara.

“O projeto me trouxe autoconhecimento e a minha reconstrução. Cuidei da minha autoestima e segurança e não preciso mais fazer o uso da bebida alcoólica para me sentir inclusa e mais liberta”, acrescenta Maria.

Ampliação do programa
O projeto piloto envolvendo Heineken e Maker Brands é só o primeiro passo de uma ação que será ampliada, com a abertura de novas turmas, sendo a próxima no Rio. “Depois do primeiro piloto em São Paulo, estamos prevendo uma nova fase do WeLab by Heineken, ainda focada em testar a eficácia da metodologia, que reunirá jovens de comunidades vulneráveis em outro Estado, no Rio de Janeiro”, explica a gerente de sustentabilidade do Grupo Heineken.

Ornella Vilardo, da Heineken

Além disso, o projeto não está exatamente encerrado para os 27 jovens que fizeram parte do piloto. Eles continuarão sendo monitorados, até para que seja possível a obtenção de resultados mais qualificados sobre os efeitos da busca por um consumo mais equilibrado, que minimiza os efeitos nocivos do álcool.

“Os participantes do projeto piloto de São Paulo continuarão sendo monitorados, para avaliação dos impactos causados pelo programa no comportamento de cada um em relação ao consumo de álcool, sensação de bem-estar e perspectiva de futuro, pelo nosso parceiro Ipsos”, conclui Ornella.

Os jovens do projeto

Com colaborativas e BNegão tocando Tim Maia Racional, Tarantino faz festa de 1 ano

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Depois de praticamente inaugurar um novo e interessante conceito de cervejaria em São Paulo, em que o foco está mais na família, nas parcerias e na programação cultural do que propriamente no beergeek, a Tarantino completa seu primeiro ano em setembro com um evento que promete resumir sua trajetória.

Assim, não faltarão boa música e cervejas colaborativas em sua festa de aniversário de um ano, que ocorre dia 28 de setembro (um sábado), das 13h às 23h, na sede da cervejaria, na rua Miguel Nelson Bechara, 316, no bairro do Limão.

Leia também: Entrevista – Tarantino “esquece” geek para mirar educação, preço e família

Três colaborativas nacionais serão produzidas para o evento: a Gruit Beer, feita com a Seasons, a Robust Porter, produzida com a Motim, e a Brown Ale com cupuaçu, desenvolvida com a Morada.

Já as parcerias internacionais ficarão por conta da Stone, que produzirá a IPA Ano Um, a cerveja de aniversário da Tarantino que inclui lúpulos norte-americanos, coco e jambu; e da Sierra Nevada, em sua primeira colaborativa com uma marca brasileira.

Programação musical
E, após receber inúmeros eventos musicais de qualidade ao longo do primeiro ano, que trafegaram não só pelo rock, mas também pelo samba e pela black music, a cervejaria trará uma programação especial. Destaque para um cover do grande clássico do soul nacional, o álbum Tim Maia Racional, que será reinterpretado pela excelente banda Black Mantra e pelo icônico rapper BNegão.

Completando a programação, haverá a presença das bandas Gigante Mamuthe, Jadsa, Pessoas Estranhas e Sambarbosa, além dos DJs Dani Pimenta e Tamenpi. “A festa é a celebração de tudo o que foi realizado nesse primeiro ano! A programação musical tinha que ser especial, afinal foram muitos acontecimentos ao longo do ano”, conta Marina Kilikian, gerente de eventos da Tarantino, ao Guia.

A ideia ao escolher a programação, segundo Marina, foi reforçar o que tem feito sucesso nos eventos cervejeiros: os covers. “Em seis anos trabalhando com cerveja, vejo que uma característica musical que se repete nas festas cervejeiras é o gosto por covers. Os covers musicais funcionam como um gatilho emocional. Eles te levam a reviver momentos do passado, momentos e fases da sua história. O cover te conecta a sua história”, aponta a gerente da Tarantino, para depois complementar.

“Pensando nisso convidei o músico BNegão e a banda Black Mantra como head liners da programação, tocando um disco icônico e super conhecido que é o Tim Maia Racional. Pessoas Estranhas, Jadsa e Sambarbosa tocaram ao longo desse ano e fizeram sucesso, por isso retornam ao palco da Tarantino para a comemoração de um ano da cervejaria”, finaliza Marina.

Os ingressos da imperdível festa da Tarantino estão no segundo lote, saem por R$ 40 e dão direito a um copo exclusivo do evento e a um chope de R$ 10 – crianças até 12 anos não pagam. Para garantir sua entrada, clique aqui.

Entrevista: Setor cervejeiro sofre com vidro, mas trilha caminho sustentável “sem volta”

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O recente processo de depuração e amadurecimento do mercado cervejeiro nacional começa a se refletir em toda a cadeia produtiva. Tema complexo e cada vez mais atual, especialmente depois das queimadas que se alastraram por Amazônia, Cerrado e Pantanal colocarem a questão ambiental no centro do debate econômico, a sustentabilidade também experimentou uma importante consolidação no setor cervejeiro. E, ao que parece, trata-se de um caminho sustentável sem volta.

Essa é a análise de Rodrigo Oliveira, CEO da Green Mining, startup que vem desenvolvendo importantes iniciativas sustentáveis com empresas do setor cervejeiro, como a Goose Island. “Acredito que o setor cervejeiro nacional vem protagonizando grandes mudanças por iniciativas internas de ter processos mais sustentáveis”, aponta. “Definitivamente, não tem volta.”

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Rodrigo Oliveira, CEO da Green Mining

Em entrevista ao Guia, Rodrigo explica como esse amadurecimento vem se consolidando nos últimos anos. Detalha, ainda, alguns desafios que precisam ser enfrentados, como melhorar a logística reversa das garrafas de vidro. Trata da importância das políticas públicas de incentivo. E conta uma verdade incômoda sobre as latas de alumínio, um case de sucesso da sustentabilidade nacional.

“A máxima da lata de alumínio merece algumas reflexões. O entendimento de ‘bem-sucedido’ tem raiz no fato de ser um item que gasta muita energia para ser produzido, principalmente na extração da matéria-prima, a bauxita”, explica. “Consequentemente, a indústria de alumínio foi obrigada a pagar mais pelo material reciclado, e ele se tornou o material mais bem pago na cadeia da reciclagem – o valor da tonelada de alumínio é quase 20 vezes maior do que o vidro. Portanto, a sustentabilidade de um material está diretamente ligada ao valor do mesmo no mercado.”

Confira, a seguir, a entrevista completa com Rodrigo Oliveira, CEO da startup Green Mining.

De maneira geral, como você encara o desenvolvimento da sustentabilidade no mercado de bebidas e, mais especificamente, no de cervejas?
O desenvolvimento sustentável no mercado de bebidas tem seus desafios em pilares importantes presentes nos ODS (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável) da ONU. Alguns, muito parecidos com os desafios das indústrias em geral, como a busca de redução na utilização de água em seus processos produtivos e a implantação de projetos de MDL (Mecanismos de Desenvolvimento Limpo) – que devem ser baseados em fontes renováveis e alternativas de energia, eficiência e conservação de energia. Nos últimos meses as principais cervejarias do Brasil anunciaram grandes projetos para utilização de energia eólica e solar em suas fábricas. O anúncio mais contundente veio da maior cervejaria do país (Ambev), que pretende ter operações 100% movidas à energia solar.

Mas dois desafios são um pouco mais específicos do mercado de cerveja. O primeiro refere-se à grande geração de resíduos, principalmente bagaço de malte e levedura. Este já foi muito bem endereçado pela indústria, visto que quase a totalidade (mais de 98%) dos resíduos gerados são encaminhados para uma nova cadeia de suprimentos como subprodutos.

O segundo desafio está relacionado às embalagens, seja na utilização de matéria-prima reciclada, seja em cumprir seu papel definido na lei 12.305 de 2010, que define a responsabilidade compartilhada para que seja executada a logística reversa de suas embalagens. Durante muito tempo a indústria se escondeu atrás de associações para o cumprimento de suas obrigações e, mais uma vez, a maior cervejaria do país saiu na vanguarda buscando junto à aceleração de startups como Green Mining e Molécoola realizar de forma independente a coleta de suas embalagens pós-consumo. Movimento que vem sendo seguido por diversos segmentos e ajudando o ecossistema de desenvolvimento de novas startups, como Cataki e Trash in.

Há pouco tempo existia a prática, em supermercados e empórios, por exemplo, de dar desconto quando havia o retorno de garrafas de 600ml e de 300ml, sobretudo das tradicionais marcas Pilsen. Hoje isso pouco se vê. Por que houve essa mudança? Como avalia essa alteração e qual o impacto disso no setor?
A garrafa retornável ainda existe e representa cerca de metade do que é vendido. Em cidades do interior são mais comuns do que nas capitais, principalmente por uma migração feita pelo consumidor que preferiu a garrafa de uso único nos últimos anos motivado pela comodidade. A partir do momento em que o tema sustentabilidade toma relevância, surge uma discussão fundamental: comodidade vs. sustentabilidade. Neste momento, começamos a pensar qual seria o melhor equilíbrio para o convívio do ser humano com a natureza e permitimos rediscutir nosso conforto. A partir desta reflexão fica claro que embalagens de uso único não cumprem o papel de comodidade de forma geral, devido à energia e água que consomem, mas principalmente à poluição que geram. Dentro da economia circular este tema está sendo repensando dentro do design da embalagem em diferentes frentes que buscam a redução na quantidade de materiais usados – embalagens que facilitem a sua reciclagem ou embalagens possíveis de reuso.

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Se as garrafas ainda ficam em segundo plano na questão da reciclagem, as latas de alumínio são um exemplo nacional bem-sucedido de sustentabilidade. Como se deu a consolidação desse cenário das latas e como ele pode servir de exemplos para outras frentes de atuação? Qual o grande diferencial, aliás, entre a reciclagem da lata e da garrafa?
A máxima da lata de alumínio merece algumas reflexões. O entendimento de “bem-sucedido” tem raiz no fato de ser um item que gasta muita energia para ser produzido, principalmente na extração da matéria-prima, a bauxita. Este minério ficou praticamente inviável no Brasil, ou seja, muito caro para ser extraído, e, consequentemente, a indústria de alumínio foi obrigada a pagar mais pelo material reciclado, e ele se tornou o material mais bem pago na cadeia da reciclagem – o valor da tonelada de alumínio é quase 20 vezes maior do que o do vidro. Portanto, a sustentabilidade de um material está diretamente ligada ao valor do mesmo no mercado e não às suas características sustentáveis.

Não há dúvidas de que o reuso é a forma mais sustentável de lidarmos com as embalagens. Desta forma, incentivar o reuso de garrafas de vidro retornáveis que podem ser usadas mais de 20 vezes seria melhor do que qualquer embalagem de uso único, seja alumínio, plástico ou o próprio vidro.

Que países serviriam de exemplo para guiar o trabalho do setor cervejeiro com a sustentabilidade? Por quê? O que eles fazem que ainda não é feito aqui?
Acredito que o setor cervejeiro nacional vem protagonizando grandes mudanças por iniciativas internas de ter processos mais sustentáveis. Como exemplo externo podemos citar a Bélgica, que tem políticas públicas que determinam que toda embalagem de vidro deve ser retornável – e isso vale não apenas para cerveja, mas também para outros itens como água, vinho e refrigerante. Resíduos sólidos e reciclagem dependem prioritariamente no mundo de políticas públicas bem escritas e executadas. São inúmeros os exemplos de sucesso que poderiam ser seguidos por municípios brasileiros se o assunto fosse prioridade dentre os governantes. O sistema “pay as you throw” que já foi indicado desde o Plano Nacional de Resíduos Sólidos, escrito em 2012, mudou os patamares de reciclagem nos países em que foi implementado, como Estados Unidos, Alemanha, Canadá, Itália e Coréia do Sul.

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É possível estimar quanto o setor ganha hoje com o trabalho de reciclagem e sustentabilidade? E, por outro lado, é possível calcular quanto ele deixa de ganhar por nem sempre fazer esse trabalho?
Para a indústria, reciclagem é uma substituição de matéria-prima virgem, portanto o uso e o “ganho” sempre foram atrelados aos preços das commodities. Se as commodities reduzem o valor, o mercado paga menos no material reciclado, e vice-versa. Considerando que o Brasil recicla menos de 3% do resíduo gerado, os benefícios são proporcionalmente baixos. Mas, certamente, os ganhos são muito grandes quando uma empresa resolve se dedicar de verdade a realizar sua logística reversa e começa a ser dona de sua matéria-prima, pois não precisa mais ficar vulnerável ao câmbio ou ao valor da matéria virgem.

Frente a um governo que demonstra descaso por questões ambientais, como na recente polêmica envolvendo a Amazônia, há um risco da sustentabilidade regredir no setor cervejeiro? Ou esse tema já é suficientemente amadurecido e tende a evoluir?
As questões envolvendo a Amazônia são muito mais complexas, mas não vejo qualquer relação ou risco com a evolução na sustentabilidade do setor cervejeiro – isso não tem volta. Se analisarmos, a robustez e a ousadia das metas de sustentabilidade que a Ambev se colocou em 2018 e os avanços que ela vem fazendo para atingi-las até 2025 são fantásticos! E estas metas vêm puxando concorrentes para a agenda da sustentabilidade, incentivando mais e melhores programas. Definitivamente, não tem volta.

Lei seca e Al Capone inspiram bar secreto criado para celebrar Bourbon County

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Se uma cerveja rara merece um evento único, a Goose Island foi bastante feliz ao criar o seu novo bar em São Paulo. O local é tão especial que seu endereço é misterioso. Para conhecer o Bourbon Club, que celebrará a chegada da cultuada Bourbon County ao Brasil, os consumidores terão de seguir pistas espalhadas pela cervejaria de Chicago.

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O misterioso bar, aliás, guarda tradição com a origem da marca. Entre os anos de 1920 e 1933, os Estados Unidos viveram sob a Lei Seca, emenda que proibia a fabricação, o comércio, o transporte, a exportação e a importação de bebidas alcoólicas. Foi nesse período que o lendário Al Capone montou seu império em Chicago de contrabando do produto. E, para driblar a fiscalização, foram criados os speakeasy, bares secretos para as pessoas beberem cerveja.

Assim, para celebrar a rara Bourbon County e homenagear sua ligação com Chicago, a Goose Island trouxe para o Brasil o conceito de speakeasy, o bar secreto que precisará ser desvendado pelos consumidores. O clube da Bourbon funcionará nos dias 20, 21, 27 e 28 de setembro, das 20h às 0h. E terá uma festa especial de abertura nesta quinta-feira.

“Cada vez mais, queremos trazer experiências novas e exclusivas para os consumidores. Todo ano, as pessoas aguardam a chegada de um novo lote da Bourbon County ao Brasil. E como uma bebida raríssima, ela merece ser apresentada ao público de um jeito diferente. Foi assim que surgiu o conceito do Bourbon Club”, explica Thiago Leitão, gerente de marketing de Goose Island.

“A Goose Island nasceu em Chicago e, sempre que possível, trazemos todo o clima da cidade para o Brasil. Os bares speakeasy surgiram nos Estados Unidos durante a Lei Seca, quando o consumo de álcool era proibido. Então, foram criados locais secretos para as pessoas aproveitarem suas cervejas. Com a Bourbon County, resolvemos resgatar essa história aqui no país, além de criar uma experiência única para os consumidores. Algo raro como essa raríssima cerveja merece um evento exclusivo”, acrescenta o gerente da Goose Island ao Guia.

Para encontrar o bar secreto, os curiosos terão de seguir algumas dicas nas redes sociais, no Instagram Follow the Bourbon (@followbourbon).

Já os ingressos para a festa, que terá open bar de chope da cervejaria e uma dose de Bourbon County para cada participante, além de cardápio especial preparado pelo deBetti, podem ser adquiridos pelo site www.ingresse.com/bourbonclub.

A Bourbon County Stout, criada pelo filho do fundador da marca Greg Hall, é produzida apenas uma vez a cada ano. Trata-se de uma Imperial Stout maturada em barris de whisky Bourbon. Tem teor alcoólico de 14,7% nos barris e 15,2% na garrafa, além de 60 IBUs e aromas de couro, tabaco e tostado. 

7 Oktoberfests para curtir no Brasil

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A proximidade do mês de outubro traz ao calendário do fã de cervejas uma de suas celebrações preferidas: a Oktoberfest. Surgida em 1814 para comemorar o casamento do rei bávaro Ludwig, a festa se internacionalizou ao longo dos seus mais de 200 anos e se tornou o evento preferido dos amantes da bebida. Há muito tempo, a celebração é motivo para inúmeros festejos em diferentes Estados brasileiros. O Guia selecionou 7 Oktoberfests para você aproveitá-las nas próximas semanas. Confira.

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São Paulo
A capital paulista receberá a sua terceira edição da Oktoberfest, festa que integra o calendário de eventos oficiais da cidade, mas agora em um palco novo, o Jockey Club. Além da presença de chopes da Eisenbahn e da Baden Baden, haverá outras 15 marcas artesanais. Já a diversificada programação cultural inclui mais de 100 horas de atrações musicais, dividas em dois palcos, que receberão nomes renomados. É o caso de IRA, Paralamas do Sucesso, Kiko Zambianchi, Diogo Nogueira, Biquini Cavadão, Blitz e Raimundos, além da festa com músicas típicas.

Serviço
Quando: 20 de setembro a 6 de outubro (quinta-feira, sexta-feira, sábado e domingo)
Local: Jockey Clube de São Paulo (entrada pelo portão 6), na Rua Lineu de Paula Machado, 599
Mais informações: https://saopaulooktoberfest.com.br/

Blumenau
Colonizada por alemães, a cidade do interior catarinense é sinônimo de Oktoberfest no Brasil: desde 1984, realiza a maior e mais tradicional festa do estilo no país. O evento está em sua 36ª edição e vai oferecer pratos típicos da gastronomia germânica que podem ser harmonizados com chopes e cervejas artesanais envazadas. Também conta com desfile, concurso da realeza, shows e diversas outras atrações. A cerveja oficial do evento será a Eisenbahn, mas haverá também a presença de artesanais como a Bierland, a Cerveja Blumenau, a Antídoto e a Das Bier, entre outras.

Serviço
Quando: 9 a 27 de outubro
Local: Parque Vila Germânica, na Rua Alberto Stein, 199
Mais informações: http://oktoberfestblumenau.com.br/

Santa Cruz do Sul
Recheada de atrações culturais e artísticas, a Oktoberfest da cidade do interior gaúcho ocorre pela 35ª vez e homenageia os colonizadores alemães, que chegaram à cidade gaúcha em 1849. O tema desta edição é “História, Cultura e Tradição”, com muitas atividades programadas, entre elas, a “Tarde e a Noite da Diversidade Cultural”, com a participação de diversos grupos de danças de outros ritmos e etnias.

Serviço
Quando: 9 a 20 de outubro
Local: Parque da Oktoberfest, na Rua Galvão Costa, 755
Mais informações: https://oktoberfestsantacruz.com.br/

Igrejinha
Realizada desde 1988 na cidade do interior do Rio Grande do Sul, a Oktoberfest apresenta shows de grandes artistas brasileiros, danças folclóricas, comida e bandinhas típicas. São diversos palcos espalhados no parque que recebe o evento, contando também com bandas de baile, orquestra e DJs. Em sua 32ª edição, as principais atrações musicais nacionais serão os shows de Anitta, Alok, Matheus & Kauan e Jorge & Mateus. Além disso, na véspera do início da Oktoberfest, no dia 17 de outubro, a “Carreata do Chopp” sairá de Novo Hamburgo, percorrendo as cidades da região até Igrejinha.

Serviço
Quando: 18 a 21 de outubro
Local: Parque de Eventos Almiro Grings, na Rua Arlindo Geis, 255
Mais informações: https://www.oktoberfest.org.br/

Niterói
Uma das cidades brasileiras com maior investimento em cervejas artesanais, com destaque para marcas premiadas como Matisse, Máfia, Brewlab e Noi, entre outras, Niterói vai receber no próximo sábado a 1ª Oktoberfest na Vila Cervejeira, espaço que concentra algumas das principais marcas da cidade. O evento terá mais de 30 torneiras, comidas típicas, brincadeiras, sorteios e três shows musicais, incluindo a participação da banda Camacho Trio.

Serviço
Quando: 21 de setembro, das 14h às 22h
Onde: Vila Cervejeira, na Rua Prof. Heitor Carrilho, 250
Mais informações: https://www.facebook.com/events/1194253907428784/

Petrópolis
Iniciada no último fim de semana, a 3ª edição da Oktoberfest em Petrópolis prossegue com a presença das cervejarias artesanais da cidade, jogos, danças típicas, desafios, food trucks, gastronomia alemã e música. Destaque para a presença de marcas como Odin, Guapa, Brewpoint, Alter e Imperatriz, entre outras. Além disso, contará com a brassagem de uma cerveja especial do evento, que será realizada pelos cervejeiros da cidade e membros da Associação de Microcervejarias de Petrópolis.

Serviço
Quando: 13 a 15 e 20 a 22 de setembro
Onde: Parque Municipal de Petrópolis, na Av. Ipiranga, 853
Mais informações: https://www.facebook.com/oktoberfestpetropolis/

Sorocaba
A 2ª edição da Oktoberfest Sorocaba terá uma atração especial, preparada pela Associação Cerveja Livre: uma German IPA, estilo que não consta nos guias cervejeiros. Também será servida no evento uma Festbier, estilo comemorativo típico da Oktoberfest da Alemanha. O evento também contará com espaço kids, food trucks, shows com a Banda Chucrut’s, com músicas alemãs e versões divertidas que vão do rock a músicas brasileiras, como a Texas Flood, trazendo um estilo diversificado entre o country, blues, folk e rock’n roll, e do DJ Aramar.

Serviço
Quando: 26 de outubro, das 12h às 21h
Local: Espaço Monteiro Lobato, na Rua Antônio Aparecido Ferraz, 1111
Mais informações: https://www.sympla.com.br/oktoberfest-sorocaba-2019__525249