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Educação para todos: O trabalho da UFSC para desenvolver o setor cervejeiro

De maneira estapafúrdia, o Ministério da Educação (MEC) decidiu (e logo desistiu), nessa semana, cortar repasses para universidades públicas pela suposta promoção de “balbúrdia” em seus campus –  a Universidade de Brasília (UnB), a Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Universidade Federal da Bahia (UFBA) seriam as primeiras atingidas. Em vez disso, o MEC propôs um corte “linear”, que afetará todas as federais do país, ameaçando a continuidade de serviços básicos nas faculdades e atingindo diretamente a qualidade da educação e da pesquisa realizada. Os efeitos danosos devem respingar em diferentes setores da sociedade.

Não é diferente para o setor cervejeiro, que demanda estudo e pesquisas de qualidade para o seu desenvolvimento e crescimento. E nem é coincidência, por exemplo, que Blumenau, conhecida pelo Festival Brasileiro de Cerveja, pela Oktoberfest e por diversos rótulos de artesanais, conte com atividades desenvolvidas na sua unidade da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) relacionadas ao setor cervejeiro.

Parte dessa importante iniciativa é desenvolvida por Alfredo Muxel, professor adjunto e subcoordenador do curso de licenciatura em Química da UFSC Blumenau. Seu trabalho de pesquisas e estudos sobre a cerveja ocorre em três diferentes vertentes: ensino, extensão e pesquisa. Na graduação, ele explica, é ofertada a possibilidade de o aluno realizar a disciplina optativa “Fundamentos de produção de cerveja”.

“São abordados conceitos teóricos como a história da cerveja, geografia da cerveja, todo conceito de matéria-prima, tecnologia de produção, noções de análises sensoriais e legislação. Como prática, os alunos aprendem a manipular software de elaboração de receitas, fazem análises de malte, lúpulo e levedura, bem como determinação dos parâmetros físico-químicos de qualidade da cerveja, além da visita técnica a uma das cervejarias da região”, detalha Muxel em entrevista ao Guia.

Durante todo o semestre, segundo acrescenta o professor, eles desenvolvem a sua própria cerveja, aplicando conceitos vistos nas aulas. E, como avaliação final, as cervejas produzidas pelos estudantes passam por uma banca avaliadora.

Parcerias e educação
Na área de pesquisa, por sua vez, a universidade tem firmado parcerias com empresas de tecnologia no intuito de ampliar o conhecimento para o setor, em uma iniciativa interessante tanto ao setor privado quanto ao desenvolvimento do setor como um todo.

“Neste trabalho de pesquisa a empresa de tecnologia em leveduras está buscando isolar leveduras do gênero Saccharomyces que podem estar presentes em determinados frutos e com potencial para utilização na produção de cervejas artesanais. Por contrapartida, na universidade as cervejas produzidas com essas leveduras são avaliadas por provadores (treinados em nosso curso de análise sensorial) capazes de determinar certas características destas cervejas, além de realizarmos toda parte burocrática, como receber do comitê de ética da UFSC parecer favorável à realização dessas avaliações, utilizando pessoas como parte da experimentação”, detalha Muxel, doutor em Química Bioinorgânica pela UFSC.

Já na área de extensão a UFSC Blumenau oferece cursos de produção de cerveja artesanal e de análise e avaliação sensorial de cerveja. Além disso, a comunidade pode se beneficiar de palestras na própria universidade e em outras instituições de ensino. “Vejo alguns dos alunos que passaram pela disciplina, hoje em dia, trabalhando em cervejarias da região e até mesmo os que investiram em produção própria abrindo sua cervejaria na região do Vale”, revela Muxel.

O professor lembra que os cursos de extensão são uma importante ferramenta social ao permitir a ampliação do público atingido pelo ensino universitário, o que, posteriormente, se transforma em benefícios para a sociedade e ao próprio setor cervejeiro, com a utilização do conhecimento em seus empreendimentos.

“Recebo nos cursos de extensão desde curiosos, entusiastas e profissionais que querem atuar no setor, que não teriam condições de arcar com um curso pago, tendo a oportunidade de aprender ou se aperfeiçoar de forma gratuita, com qualidade e certificação da UFSC. Tenho muitos participantes dos cursos de extensão que começaram de curiosos e voltam para continuar se aperfeiçoando porque começaram a produzir sua própria cerveja”, explica.

Qualidade e integração
Em seus próximos passos na UFSC Blumenau, Muxel pretende realizar, ainda que em caráter experimental, um curso sobre controle de qualidade de cerveja e malte, focado nos trabalhos das cervejarias da região. “Neste curso serão abordados métodos físico-químicos de análises para controle de qualidade de malte, lúpulo e cerveja, utilizando metodologias internacionais, como o ASBC (American Society of Brewing Chemists) e o EBC (European Brewery Convention), incluindo as análises solicitadas pelo Mapa (Ministério da Agricultura) para registro de produto, conforme IN–54 de 2001”, revela.

Há, porém, segundo Muxel, diversas oportunidades a se explorar. Para ele, a integração entre a universidade e a indústria pode ser ampliada e se tornar algo importante para o setor de ensino e pesquisa, especialmente neste contexto de corte de verbas das instituições públicas.

“A interação entre universidade e indústria ainda é muito pequena, até mesmo devido às questões burocráticas impostas pela própria universidade. Acredito que isso está começando a mudar, pois, com cada vez mais cortes nas verbas das universidades e agências de fomento que financiam as pesquisas, a indústria será um agente importante nesse aspecto”, diz, apontando vantagens para todas as partes na ampliação dessa parceria.

“Ambos se beneficiam pois, com uma melhor integração, a universidade poderia oferecer à indústria o know-how de uma equipe (multidisciplinar) capacitada para solucionar problemas que porventura a empresa tenha dificuldades em solucionar, propondo e testando métodos inovadores no processo, analisando a qualidade do produto em laboratórios equipados, da mesma maneira que os alunos que trabalham se beneficiariam ganhando experiência não só acadêmica, mas de rotina de uma indústria”, acrescenta.

O professor também aponta que o desenvolvimento do setor cervejeiro pode ser potencializado a partir da ampliação da parceria com as universidades, exemplificando com oportunidades que podem surgir a partir do conhecimento ofertado pela UFSC Blumenau.

“Temos profissionais da área química, engenheiros de materiais, engenheiros de controle e automação e matemáticos altamente capacitados, profissionais estes que podem contribuir muito para o desenvolvimento das empresas do setor cervejeiro. O ganho em inovação e qualidade seria altíssimo e com uma contrapartida ínfima quando comparado à contratação de uma empresa com profissionais da mesma qualificação provenientes da iniciativa privada”, conclui.

Campeão da NBA, Leandrinho estrela coleção de roupas da Budweiser

A recente edição da São Paulo Fashion Week contou com uma inusitada novidade. Em parceria com a marca PIET, a Budweiser desenvolveu uma coleção de roupas inspirada no lifestyle dos jogadores de basquete. Mas não apenas o lançamento chamou a atenção, como o modelo responsável por sua divulgação: o armador Leandrinho Barbosa.

Campeão da NBA em 2015, pelo Golden State Warriors, o jogador do Minas esteve ao lado das passarelas paulistanas para apresentar as três primeiras peças dos agasalhos e uniformes de jogo. São roupas pensadas para aliar a temática do esporte ao espírito casual, esportivo e street, com o intuito de “levar a cultura das ruas para as passarelas e valorizar a ousadia e originalidade dos atletas”, segundo a Budweiser.

Se hoje é considerado um importante jogador da história do basquete brasileiro, com passagens por times renomados como Phoenix Suns, Boston Celtics, Indiana Pacers e Toronto Raptors, além da seleção, Leandrinho admitiu que precisou deixar sua “zona de conforto” neste novo desafio. E enalteceu a coleção da Budweiser.

“É algo totalmente fora da minha zona de conforto, mas é um desafio. É uma experiência maravilhosa. Estou muito feliz pela oportunidade, é um prazer vestir essa roupa”, comentou o armador de 36 anos. “Achei a roupa muito legal, muito bacana. Estou muito feliz em poder colocá-la, ainda mais apresentada pela Budweiser. É uma oportunidade única.”

Estreante nas passarelas brasileiras, Leandrinho revelou ainda que foi modelo outras duas vezes. “Estive em outros desfiles duas vezes, mas fora do país. A primeira delas foi em Roma. A outra foi com a minha esposa, em Phoenix. Ela é do meio da moda, estou nesse mundo mais por causa dela, agora, fico mais ligado em relação a isso. A terceira vez é neste momento, em uma situação diferente. Estou muito feliz.”

O armador falou, também, sobre como os jogadores de basquete costumam se relacionar com o universo da moda. E apontou uma interessante evolução. “A gente se diverte com a moda no basquete. É uma coisa muito normal nos Estados Unidos. Antes, era tudo muito largo, calça larga… Mas isso mudou muito. Entrou também o visual europeu, todo mundo usa a roupa mais apertada, slim. E cada jogador passou a ter seu estilista, ter a sua forma de se vestir.”

A coleção da Budweiser
Investir em uma coleção de roupas inspirada no universo do basquete parece uma aposta natural da Budweiser, marca que se consolidou como cerveja oficial da NBA. A promessa, inclusive, é de que novas ações no mercado brasileiro integrem os fãs do esporte com a cervejaria, segundo detalha Alice Alcântara, gerente de marketing de Budweiser.

“Ser fã de basquete no Brasil pode ser um desafio e, por não ser o esporte favorito no país, os adeptos da modalidade se destacam por um amor real. Nesta collab queremos valorizar cada vez mais esses aspectos únicos dos jogadores e dos torcedores e provar que as principais tendências do mundo da moda também podem nascer dentro das quadras”, explica Alice.

Estilista da nova coleção, por sua vez, Pedro Andrade comenta como tentou unificar esses três vértices, formados pela NBA, pela Budweiser e pela PIET. “Desconstruí os agasalhos que os jogadores usam em aquecimento e os transformei em uma versão casual”, explica ele, antes de complementar.

“Procurei ser clean, trazendo os elementos gráficos de maneira minimalista, esportiva e com atitude. Os patches de borracha trazem a esportividade, enquanto a sarja khaki e a cor preta no lugar do poliester esportivo traz o casual”, finaliza Pedro.

Reino Unido vive estagnação na criação de novas cervejarias

O boom das artesanais deu sinais de estagnação no Reino Unido em 2018. Durante todo o ano, apenas oito novas cervejarias foram abertas no país, segundo um estudo publicano nesta semana. O número é baixo, se comparado às 390 inauguradas em 2017.

Com grandes empresas globais comprando marcas artesanais em todo o país, o crescimento do número de cervejarias foi o menor dos últimos 5 anos. Em 2013, diz o relatório do grupo de contabilidade UHY Hacker Young, o setor estava na chamada “corrida do ouro” da cerveja artesanal britânica.

O cenário era propício para startups entrarem no negócio e rapidamente atingirem um market share satisfatório. No final daquele ano, o Reino Unido tinha 1.352 cervejarias, número que chegou a 2.274 no final de 2018.

Mas o amadurecimento do mercado deixou as coisas mais difíceis. Ao passo que multinacionais investiram na compra de marcas novas, ganhar terreno passou a ser uma missão mais difícil para as novatas.

Nos últimos anos, compras significativas foram feitas pelas gigantes do mercado no Reino Unido. A Camden Town Brewery foi vendida em 2015 para a AB InBev, em um negócio de aproximadamente £ 85 milhões.

No ano passado, a Fuller’s (posteriormente comprada pela japonesa Asahi) adquiriu 100% da Dark Star, uma cervejaria artesanal de West Sussex. Já a holandesa Heineken arrematou participação minoritária na cervejaria Beavertown por £ 40 milhões, além da Brixton Breweries.

“Não estamos dizendo que o mercado está se encolhendo. Dizemos apenas que o número de players no mercado está se consolidando, e crescimento de vendas passa a ser algo difícil de acontecer”, afirma James Simmonds, sócio da UHY Hacker Young.

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Aracaju lidera deflação da cerveja em março

A cidade de Aracaju puxou a deflação da cerveja em domicílio no mês de março. Enquanto o índice medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou redução de 0,34% no preço nacional da bebida, a queda na capital de Sergipe foi de 2,48%.

Além de Aracaju, outras 12 das 16 capitais pesquisadas pelo IBGE apresentaram aumento no preço da cerveja em domicílio. Foram elas: Campo Grande (-2,39%), Belo Horizonte (-2,16%), Grande Vitória: (-1,28%) Belém (-0,91%), Rio de Janeiro (-0,90%), Salvador (-0,88%), Curitiba (-0,80%), Goiânia (-0,80%), Porto Alegre (-0,71%), Recife (-0,61%), Fortaleza (-0,27%) e São Luís (-0,14%).

As exceções foram Rio Branco, com alta expressiva no preço da cerveja de 1,66%, e Brasília, com elevação de 1,20%, além de São Paulo, que registrou inflação de 0,84% em março.

O preço da cerveja fora do domicílio também apresentou queda em março, de 0,36% no Brasil, e na maior parte das capitais. A queda mais relevante se deu em São Luís, com redução de 4,74%, seguida por Porto Alegre, com 1,62%. No sentido oposto, Fortaleza teve aumento de 2,85% nos preços.

Edge no Brasil, Eisenbahn com Iggy Pop: Confira as novidades da semana

Fundada por norte-americanos e sediada em Barcelona, a premiada Edge Brewing acaba de desembarcar no Brasil com 11 rótulos, trazidos pela importadora Suds Insanity. A novidade coroa uma semana que trouxe, ainda, um lançamento da Blumenau e uma nova campanha televisiva da Eisenbahn, ao som de Iggy Pop. Confira, a seguir, as novidades da semana.

Edge no Brasil
Fundada em 2013 pelos norte-americanos Scott Vanover e Alan Sheppard em Barcelona, e eleita pelo Rate Beer como a melhor nova cervejaria do mundo em 2014, a Edge Brewing está chegando pela primeira vez ao Brasil. São 11 cervejas – 10 delas também na versão chope (barris limitados) – trazidas por meio da importadora Suds Insanity. Destaque para os rótulos Apassionada (Berliner Weisse com maracujá), medalha de prata no Barcelona Beer Challenge, a dupla amarga de IPAs Hoptimista e Accidental Jedi, além da High Orbit (Barley Wine), Padrino (Porter), Triple Virgin Cherries (Belgian Tripel), entre outras.

Witbier da Blumenau
Apostando na levedura belga tradicional, que traz aromas de especiarias que harmonizam com os ingredientes da receita, a Cerveja Blumenau acaba de lançar uma Witbier. Destaque para a presença de cascas de laranja Bahia e sementes de coentro, ingredientes já comum do estilo. Tem 5% de teor alcoólico e 12 IBUs. “Procuramos nos manter o mais fiel possível ao estilo usando a levedura tradicional, mas sem perder a nossa identidade. Acreditamos que esse rótulo remete à qualidade da marca e torna nosso mix ainda mais completo”, comenta Daniel Ropelato, cervejeiro da Blumenau.

Campanha da Eisenbahn
Marca do grupo Heineken, a Eisenbahn investiu em uma forte campanha televisiva, a Todos a Bordo, para descomplicar seus principais estilos e convidar o telespectador a descobrir as artesanais. “A marca acredita que a cerveja é o principal protagonista dessa jornada e que quanto mais você conhece, mais quer conhecer e experimentar”, explica Bruna Fausto, diretora de Marketing do segmento Craft do Grupo Heineken. Com as presenças de Juliano Mendes, fundador da marca, Patricia Sakakura, beer sommelière da Heineken, e Estácio Rodrigues, sócio-fundador do Instituto da Cerveja do Brasil, o filme apresenta uma jornada construída em stop motion, uma minuciosa técnica de animação quadro a quadro. Já a trilha é composta por um clássico que marcou a década de 70, The Passenger, de Iggy Pop. Foi escolhida “a dedo pois foi composta dentro de um trem em Berlim, e narra a jornada exploradora de um passageiro”, segundo a marca.

Camisetas da Hoegaarden
O Brunch Weekend e a cerveja Hoegaarden se uniram para fazer uma coleção especial de camisetas, inspiradas no festival que acontece em São Paulo e no Rio de Janeiro, em abril. As peças têm a leveza de Hoegaarden e dos cardápios, segundo a marca, e foram produzidas por artistas e estilistas como Dani Cury, Fabio Kawallys e Arturo, da Touts. “O brunch é um momento divertido e descontraído, os pratos tradicionais desta refeição, que têm em destaque ovos, toasts, avocados e uma deliciosa coquetelaria inspiraram os criativos do festival e designers convidados para criar uma coleção de camisetas. Somos fãs de brunch e queremos contar isso para todo mundo”, diz Kelly Lobos, diretora do Brunch Weekend. Confira aqui as camisetas: https://www.touts.com.br/brunchweekend?ref=brunchweekend.

Copa Cervezas
Estão abertas as inscrições para a edição 2019 da Copa Cervezas de América, o maior concurso cervejeiro da América Latina. Trata-se de uma grande oportunidade para ter suas receitas avaliadas por juízes de renome internacional, segundo explicam os organizadores do evento. “Nós entregamos um feedback de alto nível, completo, claro, ágil e digital. Não é a toa que somos referência para outros concursos no mundo”, comentam em nota. A Copa será realizada simultaneamente à Semana Cervecera de Valparaíso (Chile), de 26 a 31 de agosto. As inscrições vão até 28 de junho e os envios de amostras ocorrem entre 22 de junho e 12 de julho, para o Centro de Recepção, em São Paulo.

Copa Cerveja
A Copa Cerveja Brasil abrirá na terça-feira (30/04) as inscrições para sua 2ª edição. Realizada pela Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) e feita exclusivamente para cervejarias artesanais independentes, a disputa terá sua análise realizada de 13 a 15 de agosto, em Vitória (ES), e reunirá juízes renomados do Brasil e do exterior – a premiação ocorre no dia 16, no Parque de Exposições Floriano Varejão. Para participar, as cervejarias não podem ter vínculo com grandes grupos econômicos e precisam ter produzido até 50 mil hectolitros em 2018. “A possibilidade de ter feedbacks de juízes renomados do mundo todo é algo incrível. Através disso, as cervejarias conseguem aprimorar seus rótulos e torná-los cada vez melhores”, aponta Carlo Lapolli, presidente da Abracerva. Para mais informações, acesse o site do evento: www.copacervejabrasil.com.br.

Campeonato cervejeiro: Apoio a 21 times reforça “conexão genuína” entre Brahma e futebol

Mais aguardada competição de clubes do calendário nacional, o Campeonato Brasileiro se inicia neste sábado com a disputa de quatro jogos. E, independentemente de quem se sairá melhor nas 38 rodadas, uma certeza já se faz presente: vai ter torcedor de clube patrocinado pela Brahma comemorando gols e vitórias em cada uma delas. Afinal, a marca da Ambev apoia 21 times no futebol nacional, 14 deles da Série A.

Essa forte ligação com o futebol brasileiro é motivo de extremo orgulho à Brahma. Trata-se de uma “conexão genuína”, segundo a marca. Não é para menos: fundada em 1888, a cerveja nasceu antes mesmo do desembarque da primeira bola de futebol ao Brasil, em 1894, através das mãos de Charles Miller, segundo registros históricos.

“A Brahma nasceu há 130 anos, pouco antes de a primeira bola de futebol chegar ao Brasil. Uma  coincidência, mas isso permitiu que a cerveja fosse, desde o início, parceira chave para tornar o futebol um patrimônio brasileiro”, afirma Rodolfo Carvalho, gerente de marketing da Brahma, em entrevista ao Guia.

Complexo de vira-latas
No processo de definição do futebol como importante característica da identidade nacional, a Copa do Mundo de 1958 teve aspecto decisivo. Afinal, após protagonizar uma das mais marcantes derrotas da história do futebol, para o Uruguai, em 1950 (o “Maracanazo”), a seleção estaria presente quatro anos depois em outro momento marcante das Copas – a derrota e eliminação para a Hungria, que ficou conhecida como Batalha de Berna pela briga generalizada entre jogadores, membros das comissões técnicas e dirigentes após a derrota por 4 a 2.

Uma reviravolta – e em grande estilo – viria em 1958, quando o Brasil, com uma equipe formada por craques históricos, como Pelé, Garrincha, Didi e Vavá, conquistou o primeiro de seus cinco títulos mundiais. E a Brahma teve participação no imaginário e na divulgação daquela conquista histórica, que sepultou o “complexo de vira-latas”, termo criado por Nelson Rodrigues para, a partir da derrota de 1950, definir a falta de autoestima do brasileiro.

Em 1958, quando o país ainda sequer sonhava em ver uma Copa televisionada, a Brahma foi a principal responsável por apoiar e patrocinar o pool de rádios – liderado pela Nacional – que transmitia os jogos do torneio disputado na Suécia. A iniciativa ficou como conhecida como “Grande Rede Esportiva Brahma Chopp” e foi, inclusive, relembrada em campanhas publicitárias para a Copa do Mundo de 2018, na Rússia.

“A Brahma esteve em todas as Copas do Mundo com a seleção brasileira e, em 1958, ano do primeiro título, tornou possível levar via rádio a emoção do Mundial para todos os cantos do Brasil por meio da Grande Rede Brahma”, relembra Rodolfo.

Futebol Melhor
Com o passar dos anos, para além da percepção de cerveja associada à seleção brasileira, a qual mantém um patrocínio de décadas, a Brahma também se associou a alguns dos principais clubes do país. O apoio a times passa, em alguns casos, pelo investimento na infra-estrutura dos CTs, como no auxílio à modernização de academias e de salas de imprensa, por exemplo.

Mas foi a criação do Movimento Por Um Futebol Melhor, em 2013, a ação mais chamativa dos últimos tempos. A iniciativa tinha como chamariz os descontos em produtos, estimulando a adesão a programas de sócio-torcedor dos clubes – o último balanço apontou mais de 1,4 milhão de associados entre os times cadastrados, um  número relevante, mas que parece inferior ao mercado potencial criado pela paixão do brasileiro pelo futebol.

Ainda assim, foi algo visto pela Brahma como a comprovação de uma mudança cultural importante no futebol brasileiro. “O Movimento consolidou a cultura de sócio-torcedores no Brasil e ajudou a criar uma onda de associações de torcedores aos seus clubes por meio das vantagens criadas para eles. Foram benefícios na compra de produtos que iam desde descontos na compra de Brahma, a vantagens na aquisição de serviços e produtos de outras empresas parceiras. O saldo foi muito positivo, com mais de R$ 145 milhões em descontos para os sócios em seis anos”, revela o gerente de marketing da Brahma.

É tetra
Embora não tenha sido encerrado, o programa de descontos a sócios-torcedores passou a ficar em segundo plano em 2019. Neste ano, a Brahma tem concentrado o seu marketing no futebol com a oferta de experiências exclusivas e mais diretas do torcedor com seus times.

Essa tentativa de troca de ações de engajamento envolvendo a cerveja por experiências ligadas aos clubes faz parte da concepção do “Clube Nº 1”, lançado no início de abril. O nome faz referência a um dos slogans mais marcantes da história da Brahma – a Nº 1 -, adotado no início dos anos 1990 e que ficou muito vinculado ao título da Copa do Mundo de 1994, conquistado pela seleção brasileira.

O slogan deixou de ser usado no fim dos anos 1990, mas voltou a ser acionado pela Brahma às vésperas do Mundial da Rússia. E, agora, está associado a mais uma iniciativa ligada ao futebol.

“A expressão Número 1 se tornou sinônimo de Brahma e ganhou força durante a Copa do Mundo de 1994, ano do tetra. Ela fez parte de toda estratégia da marca e foi sucesso, tanto que até hoje ela é associada naturalmente à Brahma. Depois dos anos 90, a expressão deixou de fazer parte das comunicações da marca, mas, em 2018, voltamos com tudo com o ‘Nº1’ nas nossas campanhas para a Copa do Mundo”, explica Rodolfo.  “O Clube Nº1 faz parte naturalmente dessa estratégia”, acrescenta.

A nova ação conta, até agora, com duas iniciativas principais: o “Foto Com Seu Time”, que permitirá aos torcedores a participação em uma foto oficial com o elenco do seu clube; e o “Estádio em Casa”, no qual a marca vai sortear um kit de TV, home theater, cervejeira e um ano de assinatura do canal de pay-per-view que transmite torneios do futebol brasileiro.UAlém dessa iniciativa, a Brahma também apresentou outra novidade em 2019 relacionada ao esporte: a campanha “Não É Só Futebol”, que mostra, através de vídeos reais, como a relação dos torcedores com seus times de coração é algo que transcende o esporte. Ela segue a linha do “Clube Nº1” e tenta confirmar que a fidelização vai além do consumo de produtos proposto pelo “Movimento Por Um Futebol Melhor”.

União entre clubes
São, também, segundo a Brahma, iniciativas que buscam superar as naturais rivalidades entre clubes que estão unidos por um mesmo patrocínio. Assim, com ações de incentivo como a melhoria de CTs, entre outras, a marca apoia Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco no Rio; Palmeiras, Santos, São Paulo e Ponte Preta no futebol paulista; América, Cruzeiro  e Atlético em Minas; Internacional e Grêmio no Rio Grande do Sul; Bahia e Vitória em Salvador; Chapecoense, Avaí e Figueirense em Santa Catarina; Sport e Náutico em Pernambuco; além do Coritiba no Paraná.

“Apoiar essas equipes é apoiar o esporte. E por respeitar as histórias desses clubes, respeitamos suas rivalidades e tratamos todos os parceiros de forma idêntica. Trabalhamos para criar um legado para o futebol brasileiro e apoiar grandes clubes é fundamental para essa nossa estratégia”, conclui o diretor de marketing da Brahma, marca que tem outro atrativo em 2019 ligado ao futebol: o patrocínio para a Copa América, torneio que será realizado no país a partir de junho.

https://www.youtube.com/watch?v=leu0R28JWts

Em busca de versatilidade, marcas consagradas migram para tamanhos menores

Depois de ganhar espaço com as garrafas de 300ml, a Original buscou ampliar sua inserção no mercado ao lançar uma versão em latas de 350ml. A novidade chega no fim de abril aos pontos de venda das regiões Sul e Sudeste. Outra marca consagrada, a Baden Baden, também faz movimento rumo aos tamanhos menores lançando sua versão de 300ml.

As novidades ocorrem em um momento de grande mudança no paladar do consumidor brasileiro. No caso específico das marcas da Ambev, um recente relatório apresentado pelo banco suíço UBS – voltado para o mercado financeiro – avalia que tais “mudanças parecem jogar contra a Ambev, que historicamente se concentrou em volumes mais altos para aumentar a alavancagem operacional”.

baden baden 300ml
IPA Baden Baden de 300ml

Já a Baden Baden, que lançou nessa semana as versões em garrafas de 300ml de seus rótulos, segue caminho distinto. Com um posicionamento premium e em faixa de preço bastante distinta da Original, a marca aproveita o movimento de popularização de estilos cervejeiros para propor seu consumo em novas ocasiões.

Escolhas da Ambev
O caminho percorrido pela marca da Ambev acaba sendo semelhante ao da Serramalte, que também viu suas latas se popularizarem nas prateleiras do país. Até o final do ano, segundo a Original, as demais regiões também receberão as versões em lata.

Apostar na maior versatilidade de uma de suas principais marcas, atrelada tanto ao conceito de boemia quanto de tradição, parece ser uma tentativa de resposta da Ambev para encarar esse novo mercado consumidor.

Se antes a iniciativa tinha sido “popularizar” a Serramalte, sua cerveja de gosto mais forte, segundo avalia parte do consumidor “comum”, agora o foco recai na Original, uma bebida mais palatável ao grande público.

“Estamos sempre querendo expandir o nosso portfólio, seja com novos produtos ou na forma de consumi-los. A Original em lata chega para aumentar o número de opções para o nosso consumidor”, afirma, em conversa com o Guia, Felipe Cerchiari, diretor de inovação da Ambev.

Para Francisco Freire, diretor executivo da Vox Pesquisas, instituto dedicado a estudos do comportamento do consumidor, a Original é uma marca muito associada à ideia da conversa em torno da garrafa, e a um bom custo-benefício.

“A formação do imaginário do cervejeiro brasileiro passou por ela, e ela conseguiu sobreviver ao boom de novas opções de cerveja no mercado”, avalia Francisco. “Mas fica difícil Manter-se relevante sem estar em todos os lugares e ocasiões onde o consumidor circula”.

Estética tradicional
A nova lata da Original foi desenvolvida em parceria entre a agência Questtonó e a fabricante de latas Ball. Tem “design exclusivo”, segundo a marca, e foi inspirada nos formatos das latas da década de 90.

Para Francisco, da Vox, a manutenção da estética tradicional da Original tem um papel fundamental na migração para lata. “A marca se consolidou em uma atmosfera de bar, de boteco, com um jeito específico de ser consumida. Agora muda tudo. A estética retrô e o líquido são os únicos vínculos que sobram, e têm o desafio de transportar a mesma atmosfera de consumo para outros territórios e ocasiões”, avalia ele.

Felipe Cerchiari, da Ambev, reforça que a receita da lata é a mesma das garrafas. “A única mudança é que agora as pessoas têm uma nova forma de consumi-la. Nosso foco são todos os consumidores de cerveja, sejam aqueles que já conhecem a marca ou que ainda pretendem experimentar”, revela.

Balcão da Mauá: Cervejaria 4.0, entrar ou não nessa “jornada”?

Balcão da Mauá: Cervejaria 4.0, entrar ou não nessa “jornada”?

Antes de tudo é fundamental entender o que é essa tal Manufatura Avançada ou Indústria 4.0 tão comentada ultimamente. Trata-se de um nome dado ao que se chamou de Quarta Revolução Industrial, expressão criada por Klaus Schwab em seu livro[1]. Nele, o autor apresenta a versão futurista das indústrias, regida pelos desejos dos consumidores e por sistemas ciberfísicos que levam à produção de lotes econômicos de uma (sim, uma) unidade.

No meu entendimento, tem-se pela frente uma revolução mental, que exigirá que os seres pensantes sejam realmente pensantes. Não se trata de investir muito dinheiro na compra de robôs ou de máquinas sofisticadas. Não! Ao contrário, é preciso primeiro coletar, de forma adequada, os próprios dados, analisá-los e, a partir disso, tomar decisões maduras e alinhadas com os recursos disponíveis. Utilizar sensores adequados (não são caros) para coletar essas informações e extrair o máximo dos atuais equipamentos é passo básico e essencial. Portanto é preciso pensar!

A ACATECH[2], associação alemã de tecnologia, apresenta os passos dessa jornada (ver Figura 1) que qualquer empresa deve seguir para atingir esse patamar. Observem as perguntas formuladas: O que acontece? Por que acontece? O que vai acontecer? Como obter uma resposta autônoma? São questões aparentemente simples, mas que requerem um exaustivo processo de autoconhecimento.

Para tanto, o Instituto Mauá de Tecnologia criou a Metodologia do Birô de Competitividade[3], com cinco passos que devem anteceder a jornada estabelecida pela ACATECH. São eles: mapear os processos; padronizar os procedimentos; cronometrar os procedimentos padronizados; virtualizar o processo[4]; simular melhorias.  Pode-se perceber que o quinto se mescla com o primeiro estabelecido pela instituição alemã.

FIGURA 1: PASSOS DA JORNADA RUMO À INDÚSTRIA 4.0.

Adaptado de https://www.acatech.de/Publikation/industrie-4-0-maturity-index-managing-the-digital-transformation-of-companies/

Apresentadas as considerações teóricas iniciais, é preciso voltar à questão que norteia este texto: vale a pena entrar nessa jornada?

A resposta é clara: sim, vale a pena. Todas as empresas fatalmente entrarão. Caso contrário, perecerão. Não há alternativa. São tempos novos, em que os sistemas produtivos se regularão para atender a demanda, e isso permitirá a customização em massa, ou seja, as indústrias conseguirão produzir um lote econômico de uma unidade. Trata-se, portanto, de uma revolução de mentalidade, em contraste com o atual pensamento focado apenas na redução de custos.

Entendo que o mercado cervejeiro se divide em três categorias:

  • as grandes empresas, com grandes estruturas, conhecedoras dos seus processos, que se adaptarão e sobreviverão nesse novo mundo, se começarem hoje a pensar no assunto;
  • as empresas regionais de médio porte, que precisarão de apoio e tempo para chegar a tal patamar. Caso se fechem no seu próprio mundo, estarão fadadas ao insucesso;
  • as pequenas empresas artesanais, que resistirão mais tempo a essa avalanche tecnológica, mas, cedo ou tarde, se entregarão a ela.

Em síntese, não se trata de perguntar se vale a pena entrar nessa jornada. Trata-se, sim, de perguntar: “Como vamos preparar-nos para entrar nessa jornada? ”.


Imagem: Adaptado de https://www.acatech.de/Publikation/industrie-4-0-maturity-index-managing-the-digital-transformation-of-companies/

[1] SCHWAB, Klaus. A Quarta Revolução Industrial. Tradução Daniel Moreira Miranda – São Paulo: EDIPRO. 2016.

[2] Disponível em https://www.acatech.de/Publikation/industrie-4-0-maturity-index-managing-the-digital-transformation-of-companies/ , acesso em 6 de fevereiro de 2019.

[3]  https://www.maua.br/servicos-tecnologicos/areas-atuacao/biro-competitividade-micro-pequena-industria

[4] A Mauá utiliza o software Simul8 para a virtualização de processos em micro e pequenas indústrias  https://www.maua.br/servicos-tecnologicos/areas-atuacao/biro-competitividade-micro-pequena-industria


Antonio Cabral é coordenador do curso de Engenharia de Produção e do curso de Pós-Graduação em Engenharia de Embalagem do Centro Universitário do Instituto Mauá de Tecnologia (CEUN/IMT)

Novo growler promete cerveja gelada por 24 horas

Uma parceria entre a cervejaria Patagônia e a marca de utensílios Stanley promete resolver grande parte das angústias dos usuários de growlers: a temperatura, que inevitavelmente sobe quando a bebida é transportada. O novo growler promete manter a cerveja gelada por até 24 horas, além de conservar o líquido fresco por três dias, segundo garantem os fornecedores.

O growler térmico da cervejaria argentina é uma versão do produto da marca norte-americana Stanley, já disponível no Brasil. É totalmente feito com aço inox (incluindo tampa e parte interna) e suas paredes duplas de isolamento a vácuo não o deixam transpirar quando a cerveja estiver muito gelada no seu interior.

Além de preservação térmica por até 24 horas gelada e 96 horas com gelo, o novo growler também pode servir para o contrário: manter as bebidas quentes por 18 horas.

O growler Patagonia é uma edição limitada, tem capacidade de 1,9l e está à venda no Refugio Patagonia, em Curitiba, e online, no e-commerce cervejeiro Empório da Cerveja.

Veja também:

https://guiadacervejabr.com/guia-do-growler/

Exportação de cerveja segue em baixa e cai quase 20% em março

A exportação brasileira de cerveja de malte segue enfrentando dificuldades em 2019. No balanço de março, segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), o país negociou 8,34 mil toneladas com o mercado internacional, uma queda de 19,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Quando se compara o acumulado dos três primeiros meses do ano, o resultado é ainda pior: 26.780 toneladas exportadas, resultando em uma expressiva redução de 32,1% na comparação com janeiro-março de 2018.

O único resultado favorável se deu no valor exportado de março, que alcançou US$ 5,71 milhões, uma ligeira alta de 0,3% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Ainda assim, quando somados os três primeiros meses, há um total negociado de US$ 18,06 milhões – e uma queda de 25,7% frente a 2018.

Tais números fazem com que a cerveja tenha perdido ainda mais espaço nas exportações brasileiras: caiu de 0,04% para 0,03% na participação total e da 182ª para a 187ª posição no ranking de produtos negociados.

Já os principais destinos da cerveja brasileira em março novamente foram países da América do Sul, com o Paraguai à frente, com 84%. Bolívia (9,4%), Uruguai (3,1%) e Argentina (1,4%) são outros países com exportação relevante do produto.

Além disso, os maiores estados exportadores foram São Paulo, com participação de 70,3%, e Paraná, com 24%.