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Cerveja de Breaking Bad: Da ficção para o mercado

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Na lendária série Breaking Bad, o agente do departamento anti-drogas Hank Schrader pacientemente nutria seu hobby de produção de cerveja artesanal em casa enquanto seu cunhado, Walter White, usava sua habilidade com química para produzir em escala industrial e bem de baixo do seu nariz outras fórmulas e misturas, digamos, menos nobres. Anos após o final da série, Dean Norris, o ator que vive Hank, traz sua Schraderbräu da ficção para a realidade.

Idealizada pela empresa de Dean, Rust Belt Brewing, a Schraderbräu Beer é fruto de um contrato com a divisão de produtos licenciados da Sony Pictures. A cerveja será produzida pela californiana Figueroa Mountain Brewing Co., especializada em Lagers de estilos alemães.

“É um sonho que se torna realidade trazer a público um produto pelo qual eu sou apaixonado há um bom tempo. Eu e o time da Figueroa trabalhamos duro no desenvolvimento da receita. O objetivo é trazer uma cerveja digna de prêmios, que os aficcionados por cerveja vão adorar, mas com boa drinkability e apelo para um público mais amplo. Dedicamos muito tempo e esforço a criar uma cerveja do nível da série e de seus fãs”, diz Norris.

Jaime Dietenhofer, presidente da Figueroa Mountain Brewing, concorda com o ator. “Nossa equipe está muito entusiasmada com essa oportunidade, não apenas como fãs do Dean e de ‘Breaking Bad’, mas também por produzirmos uma Lager de alto nível para os apreciadores de cerveja”.

A Figueroa é uma empresa familiar, fundada em 2010. Hoje ela conta com 250 funcionários e uma rede de taprooms que atua na costa central da Califórnia.

“Esse projeto já está sendo planejado há algum tempo. É emocionante ver que Dean acabou tocando para frente. A cerveja é deliciosa. Vai ser algo obrigatório para os fãs de ‘Breaking Bad’,” afirma Jamie Stevens, vice-presidente de bens de consumo da Sony Pictures sobre a iniciativa.

Dois anos atrás, outro negócio iniciado na série produzida pela AMC ganhou vida por alguns dias. A rede de fast-food Los Pollos Hermanos teve uma de suas lojas reproduzidas em um festival de inovação. No entanto, a rede não chegou a se tornar realidade.

Até julho de 2019 a Schraderbräu e o material de merchandising relativo a ela devem chegar ao mercado norte-americano.

Exportação de cerveja despenca em fevereiro e aponta início de ano difícil

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A exportação brasileira de cerveja de malte registrou queda no valor exportado em fevereiro, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC). O segundo mês de 2019 teve US$ 5,76 milhões negociados, uma redução de 52,7% em relação ao mesmo período do ano passado.

A queda encerrou uma sequência de quatro meses com aumento no valor exportado. E o resultado também foi negativo quando se leva em consideração a quantidade de cervejas exportadas nos dois primeiros meses de 2019. Nesse caso, a queda acumulada é de 36,5%, para 18.437,1 toneladas.

Tais números fazem com que a cerveja tenha apenas 0,04% de participação nas exportações brasileiras e ocupe a 182ª colocação no ranking dos produtos negociados pelo país entre janeiro e fevereiro de 2019.

Os principais destinos da cerveja brasileira em fevereiro foram países da América do Sul, com o Paraguai à frente, com 83%. Bolívia (10%), Uruguai (2,4%) e Argentina (1,5%) são outros países com exportação relevante do produto.

Além disso, os maiores estados exportadores foram São Paulo, com participação de 70,1%, e Paraná, com 25,7%.

Infográfico: As premiadas no Concurso Brasileiro de Cervejas

Infográfico: As premiadas no Concurso Brasileiro de Cervejas

Na semana passada, o Brasil conheceu as cervejas e cervejarias que mais se destacaram no último ano. Ao todo, foram 256 medalhas de ouro, prata e bronze. Elas foram entregues a rótulos de 141 marcas inscritas no VII Concurso Brasileiro de Cervejas.

Realizado neste mês de março, o VII Concurso Brasileiro de Cervejas distribuiu 256 medalhas de ouro, prata e bronze, benefícios que foram entregues a rótulos de 141 marcas. Alguns dos destaques foram a Cathedral, com 13 medalhas entre as cervejarias de médio porte, a Backer, que recebeu seis entre as de grande porte, e a Suricato Ales, com quatro entre as marcas de pequeno porte.

Na premiação realizada em Blumenau (SC), a Tupiniquim, a Unika e a Salvador Brewing também foram as vencedoras no Best of Show Comercial, enquanto Salva e Donner receberam os benefícios em suas categorias no Best of Show Experimental.

Além das medalhas que reconhecem um trabalho bem feito, vencer um concurso traz diversos benefícios para os agraciados. 

O Guia preparou um infográfico com estatísticas e os principais destaques do evento nas categorias Cervejaria do Ano e Best of Show. Além disso, trouxemos as impressões dos cervejeiros responsáveis por algumas das premiadas sobre seu reconhecimento. A lista de todas as cervejas medalhistas do Concurso está disponível no site do evento.

infográfico concurso brasileiro de cervejas
infográfico concurso brasileiro de cervejas

Lúpulo próprio da Baden Baden, IPA da Nils Oscar: 6 novidades da semana

A semana trouxe interessantes e diversificadas novidades no universo cervejeiro. Teve lançamento de brewpub, de Milkshake NE IPA, da Nils Oscar e de três colaborativas produzidas com lúpulo próprio da Baden Baden. Confira, a seguir, as principais novidades da semana.

Colaborativas da Baden
As cervejarias Landel, Three Monkeys e Verace se uniram à Baden Baden para criar três estilos distintos a serem apresentados no Mondial de la Bière SP, em maio. Todas as variações serão criadas a partir de um lúpulo plantado e colhido pela Baden Baden em São Bento do Sapucaí. “Serão três cervejas únicas que nós teremos o prazer de apresentar ao mercado em breve. Certamente, apenas quem domina a arte cervejeira pode fugir do tradicional e pensar de maneira inovadora e criativa”, pontua Renata Costa, gerente de marketing da Baden Baden. As receitas ficam por conta das parceiras: a Verace será responsável pela produção de uma Dark Lager, a Landel por uma Coffee Sour e a Three Monkeys por uma original Brazilian Pilsener.

Brewpub da Croma
A cervejaria paulistana inaugurou oficialmente o seu brewpub na rua Harmonia, 472, na Vila Madalena, em São Paulo. São 15 torneiras entre rótulos conhecidos e inéditos. “Desde que começamos a produzir, sonhávamos em ter um espaço próprio para evoluir nossas receitas e proporcionar uma experiência única para nossos clientes. Agora nossa casa é uma realidade e estamos muito felizes”, conta Rodrigo Nogueira, cervejeiro e sócio da Croma. Seis novos rótulos estão plugados nas torneiras: Single Fin (Pilsen), Light my Fire (Sour Ale), Red Strike (Sour Ale com maracujá e framboesa), Turrón (Barley Wine com coco queimado), Simple Man (Juicy IPA) e Thunder (Double Juicy IPA). O espaço conta também com um rooftop destinado para eventos e uma cozinha com pratos e petiscos pensados para harmonizarem com as cervejas.

Milkshake da Nacional
Em parceria com a cigana Spartacus, de Juiz de Fora, a Cervejaria Nacional acaba de lançar a Milkshake New England IPA. É uma sazonal de verão com coloração avermelhada, 5,1% de teor alcoólico e 30 IBUs. Possui, ainda, adição de lactose, coco, baunilha, amora e muito lúpulo para dar um aroma complexo e um corpo sedoso, segundo descreve a cervejaria paulistana.

Lúpulo na ESCM
A Escola Superior de Cerveja e Malte está com inscrições abertas para dois cursos focados no lúpulo. Um deles é à distância, com aulas realizadas uma vez por semana de forma síncrona, ou seja, com o aluno conectado ao vivo com o professor através da internet. História, terroir e cultivo do lúpulo são abordados no curso de 18 horas e com duração de seis semanas. Já as aulas no formato concentrado acontecem na sede da escola, em Blumenau, entre 8 e 12 de julho, das 8h às 17h. Nos encontros serão abordados temas como composição química do lúpulo, técnicas de lupulagem, análise sensorial e cálculos de amargor e rendimento. Os dois cursos serão comandados por Duan Ceola, que está em fase de conclusão do Mestrado em Química Analítica na Udesc, com projetos de pesquisa relacionados ao perfil aromático do lúpulo.

IPA da Nils Oscar
Depois de chegar ao Brasil no segundo semestre de 2017, a sueca Nils Oscar segue ampliando seu portfólio no mercado nacional. A cervejaria traz agora dois rótulos: a India Ale, uma mistura entre uma IPA norte-americana e inglesa (base típica de uma English IPA, mas com lúpulos norte-americanos), com 5,3% de teor alcoólico; e a Södermalms Pilsner, uma leitura clássica de uma pilsner checa que rapidamente se esgotou em sua primeira “vinda” ao Brasil.

Budweiser no Lollapalooza
Cerveja oficial do Lollapalooza Brasil, que ocorre de 5 a 7 de abril, a Budweiser convocou o público no Twitter – por meio da hashtag #MeuNewClassic – a fazer suas apostas sobre quem será o novo clássico do festival. “A Budweiser sempre esteve na mão de grandes músicos desde o início de sua carreira. Por isso, mais do que patrocinar um grande evento, queremos valorizar novos nomes da cena musical ainda não tão conhecidos do público. O Lollapalooza Brasil é o local ideal para apresentarmos estes novos clássicos”, afirma Alice Alcântara, gerente de marketing da marca. A conversa também ganha a TV aberta com o filme “New Classics are coming”, que retrata as apostas da marca e de influenciadores do universo musical para o festival. Veja aqui o o filme da campanha.

Após polêmica com Bolsonaro, cervejaria Mito ressurge com ação para minorias

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A definição de mito costuma associar o termo a histórias fantásticas, tradicionalmente transmitidas de modo oral, com protagonistas que são heróis geralmente vistos como deuses com poderes sobrenaturais. São seres capazes de influenciar momentos históricos e, até mesmo, a condição humana.

Foi a partir desse conceito básico – e do intuito de homenagear deuses mitológicos – que Bruno Mesquita criou em 2014, no Rio de Janeiro, a Cervejaria Mito. Uma iniciativa que chegou a ser paralisada anos depois, mas que ressurge agora por conta de uma inusitada polêmica: uma confusão com um rótulo de outra marca que homenageia o presidente Jair Bolsonaro.

Da polêmica política envolvendo o termo mito, contudo, Bruno criou uma exemplar iniciativa. Vai colocar novamente em ação as panelas da cervejaria para produção de um novo rótulo, em uma ação de cunho social que pretende auxiliar minorias como LGBTs, negros e índios.

A polêmica
Toda a confusão se iniciou durante a campanha eleitoral de 2018, quando um grupo de três empresários lançou a Mito, uma artesanal vendida pela Vapor Negro, cervejaria com sede em Nova Petrópolis (RS). O nome remetia ao apelido que alguns eleitores emplacaram no então candidato. E explica a confusão envolvendo a Mito.

Paralisada desde 2017, a cervejaria carioca produziu antes rótulos que lembravam figuras mitológicas, como a Rá, uma Witbier com o nome do Deus Egípcio do Sol. Depois, mesmo sem atuar no mercado, a Mito manteve suas contas ativas nas redes sociais. Até ser confundida diversas vezes com a marca que produz o rótulo alusivo a Bolsonaro.

“A Mito existe dede 2014. Mas, desde 2017, ela parou de produzir cerveja, até mesmo em nível caseiro. A gente tinha a intenção de lançar uma cervejaria cigana. Aqui no Rio, a gente participou de vários eventos e fez um barulho. Por isso a gente manteve a página. Mesmo que não fosse lançar a cerveja, ficou uma página de lembrança”, explica Bruno em entrevista ao Guia.

Pela confusão protagonizada por apoiadores de Bolsonaro, que invadiram sua página para comprar o rótulo Mito, a cervejaria carioca fez um post esclarecedor, explicando não possuir qualquer relação com a outra marca. Declarou-se, ainda, politicamente contra o presidente e ironizou o vídeo do “golden shower”, divulgado por ele em suas redes sociais após o carnaval.

“A gente não tem nada a ver com Bolsonaro e nem era nossa pretensão nada disso, o post foi uma brincadeira. Um desabafo em tom de brincadeira que não tinha intenção nenhuma de tomar partido. Apesar de minha posição política ter ficado bem clara no post, eu não tinha intenção de tomar partido, até porque eu acho que minha opinião é irrelevante politicamente”, afirma Bruno.

A ação
A publicação, porém, viralizou. Foram mais de 50 mil interações, 6 mil comentários e 14 mil compartilhamentos em menos de duas semanas, atingindo um público que não conhecia a Mito. Inspirado pela repercussão, Bruno planejou uma ação para que a marca não fosse mais uma mera lembrança, mas um rótulo com algum impacto e engajamento político.

Em abril, o dono da Mito criará uma nova cerveja. E os valores auferidos com as vendas serão destinados a instituições que apoiem minorias, parcela que Bruno acredita estar sendo negligenciada nos três primeiros meses da gestão Bolsonaro. A marca até criou um post nas redes sociais solicitando a indicação de instituições a serem beneficiadas pela ação.

“Vou lançar um desafio para a cerveja do Bolsonaro. A gente vai produzir, com tudo regularizado, uma cerveja e vai distribuir em nível nacional. A ideia é pegar a verba e investir em causas sociais, defendendo minorias que são negligenciadas na pauta do governo, como os LGBTs, os negros, a mulher, o índio e os animais, ajudando tudo aquilo que o governo não está interessado”, revela Bruno.

Assim, da confusão política gerada entre o apelido e o significado do termo mito, o mercado cervejeiro “lucra” com o resgate de uma marca. E em uma ação muito bem classificada por seu responsável como “corrente do bem”.

6 pontos a serem trabalhados no mercado cervejeiro nacional

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Além de reunir algumas das principais marcas brasileiras e realizar o mais importante concurso do país, o Festival Brasileiro da Cerveja se notabilizou pela realização de palestras e debates que discutem com profundidade os rumos do mercado cervejeiro.

E uma das atrações mais aguardadas desta edição foi o debate Tendências do Mercado Cervejeiro, que reuniu nomes importantes como Carlos Müller (coordenador geral de vinhos e bebidas do Ministério da Agricultura), Carlo Lapolli (presidente da Abracerva), Carlo Bressiani (diretor da Escola Superior de Cerveja e Malte), Gabriela Müller (Levtek), Rubens Deeke (Bierland), Daniel Wolf (Franquia Mestre Cervejeiro), Rubens Mattos (Prodoze) e Eli Junior (Hemmer).

Nele, além de ser anunciado a reformulação de uma plataforma online que permite agora o registro automático de novos rótulos, foram discutidos outros pontos pertinentes ao mercado. Ulisses Malacrida, do canal Malte Papo e parceiro do Guia, acompanhou o debate e trouxe os 6 pontos mais interessantes.


O que esperar do mercado cervejeiro neste ano e as ações a serem tomadas por empresas, associações e órgãos públicos para dinamizar o setor

  • Descentralização: Há otimismo e oportunidade para 2019, mas consenso de que o mercado cervejeiro ainda é embrionário, mais desenvolvido nas regiões Sul e Sudeste. No Norte e Nordeste há muita chance de expansão. Quanto à produção, o Ministério da Agricultura acredita que existe o início da maturidade. Hoje percebe-se uma alteração na prestação de serviços por setores da indústria que antes atendiam outros mercados, e agora se voltam à produção de equipamentos para cervejarias.
  • Expansão: Também foi discutida a necessidade de profissionalização do mercado em áreas como gestão, comercial, distribuição e sustentabilidade. Para isso, as empresas precisam deixar de disputar a mesma fatia de 1% e expandir o público. Ao mesmo tempo que existe uma expectativa de aumento de consumo, será necessário trabalhar por preços melhores – mesmo que a cerveja mais barata nem sempre seja a mais vendida – e focar em investimentos em comunicação para criar um novo consumidor.
  • Flexibilização: A Abracerva se posicionou pela flexibilização no ingresso na associação por parte de outros profissionais da cadeia cervejeira, buscando assim a melhoria do debate em todas as áreas rumo à democratização da cerveja.
  • Precificação: O foco das cervejarias deve ser a comunicação para novos clientes, que hoje buscam 4 ou 5 garrafas na gôndola do PDV, mas acabam levando um pack de cervejas mainstream. Assim, o ideal seria oferecer um produto de qualidade com preço entre R$ 5 e R$ 20, que corresponda à realidade financeira do consumidor.
  • Profissionalização: Outro ponto é o dos investimentos em gestão e força comercial. É consenso que as cervejarias precisam deixar de pensar apenas na paixão pelo produto e dar passos para se profissionalizarem, crescerem em escala. Às vezes isso demanda uma verdadeira reinvenção do negócio.
  • Fornecimento: Para os fornecedores de insumos, se faz necessária a preocupação com a qualidade, a busca por melhores preços e o auxílio às fábricas através de consultorias e de parcerias. No entanto, o fomento do mercado de cervejeiros caseiros também é uma tendência. Trata-se de um público que aprende a consumir um produto melhor e consegue disseminá-lo junto ao seu círculo de convivência.

Mapa anuncia registro automático de novos rótulos de cerveja

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Durante o Festival Brasileiro da Cerveja, diversas palestras e mesas redondas procuraram fomentar debates em diversos âmbitos da cadeia de produção da cerveja. Uma delas trouxe uma novidade que promete mexer com o mercado: o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) anunciou a reformulação de uma plataforma online que permite agora o registro automático de novos produtos.

Com a plataforma, que se encontra no portal do Sistema Integrado de Produtos e Estabelecimentos Agropecuários (Sipeagro), o Mapa pretende dar mais agilidade ao processo de registro de cervejas. Em 2018, foram 6,9 mil rótulos oficializados, superando os pedidos de registros de sucos e vinhos pela primeira vez na história.

O sistema garante à cervejaria o registro do produto sem a análise prévia do auditor do ministério. Mesmo assim, toda a legislação deverá ser seguida, acompanhada de declaração de conhecimento das exigências e ciência de que irregularidades poderão significar em uma custosa autuação.

“Os feedbacks foram todos positivos, especialmente no que diz respeito a estarmos pensando em soluções que tragam mais dinamismo para um segmento que já é ágil pela natureza do negócio”, afirma Carlos Müller, coordenador geral de vinhos e bebidas do Mapa.

Para o presidente da Abracerva, Carlo Lapolli, o registro automático é um passo importante, que revela a sensibilidade do ministério ao crescimento do mercado cervejeiro. “Estamos mostrando a força do mercado independente, que está crescendo em representatividade e apontando como estratégico no segmento de bebidas no Brasil”, comenta.

A primeira cerveja regularizada por meio da plataforma de registro automático foi da cervejaria Itajahy, de Santa Catarina.

Entrevista: Melhor cervejaria do país, Cathedral quer crescer com cautela

Um nome já está se tornando recorrente no Concurso Nacional de Cervejas. Pelo segundo ano consecutivo, a paranaense Cathedral conseguiu o feito máximo da disputa. Se na edição de 2018 da premiação, que acontece em paralelo ao Festival Brasileiro da Cerveja, em Blumenau, ela foi eleita como a melhor do país, na edição de 2019 se consagrou como a melhor de médio porte, depois do concurso criar algumas subdivisões.

O primeiro prêmio trouxe muitas mudanças: a cervejaria, que antes tinha apenas sua fábrica em Maringá, abriu dois pontos de venda e ampliou a distribuição na região. E, agora, com a segunda conquista, os planos são de uma expansão mais ambiciosa, mas com bastante cautela.

“Com o segundo prêmio, o intangível se fortalece ainda mais e, consequentemente, o acesso a oportunidades aumenta. É possível que a estratégia de posicionamento da marca tome proporções mais abrangentes. Mas só o tempo dirá”, conta Daniel Chaves da Silveira , sócio-proprietário da cervejaria.

Em entrevista exclusiva ao Guia, Daniel fala também sobre o foco regional da cervejaria e os diferenciais que levaram a Cathedral aos dois prêmios nacionais consecutivos.

Confira, a seguir, a entrevista completa com Daniel Chaves da Silveira, sócio-proprietário da Cathedral, feita por Ulisses Malacrida, do canal Malte Papo.

O que mudou com o primeiro prêmio da Cathedral, em 2018?
O prêmio de 2018 veio para recompensar nosso estudo e empenho no que diz respeito à gestão de uma cervejaria local. Temos uma capacidade instalada para produzir até 14 mil litros/mês, quantidade mais do que suficiente, na época, para abastecer a demanda do nosso brewpub e dos negócios locais em Maringá. A meta era: vamos abastecer nossas 16 torneiras somente com cervejas de produção própria e todas, necessariamente, precisam ser excelentes.

Trabalhar com diferentes cepas de leveduras produzindo variados estilos de cerveja (já produzimos mais de 80 cervejas diferentes), que não conversam entre si, é um grande desafio para uma pequena adega. E fica ainda maior quando as cervejas mais demandadas não podem acabar. A metodologia que criamos, aliada a muito estudo e prática, possibilitou que conseguíssemos cumprir essa tarefa. Assim, o prêmio confirmou o que buscávamos: fabricar, sempre que possível, cervejas excelentes.

Para nossos clientes, moradores da cidade e visitantes, transmitimos a mensagem de que em Maringá se fabrica cerveja muito boa e, obviamente, convertemos a mensagem em mais investimento. Em junho de 2018 inauguramos um bar com tema esportivo, o Cathedral Sports Bar. Agora mesmo, na semana do concurso, inauguramos uma hamburgueria, o Cathedral Burger Bar, ambos em Maringá.

O que vocês esperam que mude agora com este segundo prêmio consecutivo?
Nosso foco até então, principalmente pelo porte da fábrica, sempre foi voltado ao mercado local, e essa postura se mantém. Maringá é nossa base e sempre iremos priorizar nossa região. Após o primeiro prêmio sentimos um aumento gigantesco da afinidade e orgulho do maringaense em relação à marca. Com o segundo prêmio, o intangível se fortalece ainda mais e, consequentemente, o acesso a oportunidades aumenta. É possível que a estratégia de posicionamento da marca tome proporções mais abrangentes. Mas só o tempo dirá.

Era meta da Cathedral levar o título de melhor cervejaria do Brasil dois anos seguidos?
Sim. Sabíamos que éramos capazes e que tínhamos todas as ferramentas necessárias em mãos. Entramos pra ganhar.

E, agora, quais são as próximas metas da cervejaria?
Estamos trabalhando as oportunidades existentes para o aumento da nossa produção sem que a qualidade do produto fuja do controle. As cadeias de distribuição e logística ainda são muito imaturas no mercado das cervejarias independentes. Não queremos pasteurizar nossas cervejas e isso dificulta ainda mais as coisas. Começamos conversas com conhecidos de longa data do mercado cervejeiro e em breve teremos algumas novidades. Queremos proximidade com pessoas sérias e comprometidas com o mercado, e isso demanda confiança e tempo.

Quem quiser conhecer a melhor cervejaria do Brasil, onde é possível encontrar seus produtos?
Maringá! A cada dia que passa surgem mais voos diretos para cá. Tem bastante promoção aérea rolando, então o jeito é ficar de olho.


Veja também entrevista do canal Malte Papo gravada com Chaves após o Concurso Brasileiro de cervejas de 2018 aqui.

Cerveja para todos: Perro Libre faz ação por inclusão da mulher no setor

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O Dia Internacional da Mulher passou, mas as ações contra o machismo e pela maior participação feminina no universo cervejeiro estão perdurando. A paulistana Perro Libre, por exemplo, criou uma interessante campanha de inclusão para reforçar o debate sobre o tema.

Em parceria com o Instituto da Cerveja, a marca sorteará duas mulheres para o curso de Introdução ao Universo das Cervejas Especiais, sendo uma em Porto Alegre e outra em São Paulo.

As premiadas ganharão, ainda, cinco livros relacionados ao curso e ao universo cervejeiro. E, para conseguirem ir ao bar e estudarem na prática, elas receberão R$ 100 de crédito por mês durante a realização das aulas.

“Queremos apoiar para que cada vez mais as mulheres se tornem profissionais de cerveja, ocupando várias posições dentro desse mercado, que precisa ser mais democrático e inclusivo”, alerta a cervejaria paulistana. “Acreditamos na igualdade e respeito acima de tudo.”

Para participar, basta ir em um dos bares da Perro Libre (Porto Alegre ou São Paulo), fazer um post marcando o local e usar a hashtag #cervejaparatodxs. O sorteio ocorrerá no último dia de março e o resultado será divulgado logo na sequência.

“Todos nós sabemos, seja através de pesquisas, estatísticas ou, claro, na prática, que o mercado de trabalho não é nada igualitário. Pelo contrário: é bastante desigual – homens recebem mais oportunidades do que as mulheres. No meio cervejeiro, no qual atuamos há quase 5 anos, infelizmente não é diferente. Estamos em um meio predominantemente masculino, desigual e bastante machista”, acrescenta a marca.

“Por isso, há 4 anos, decidimos nos manifestar através da cerveja para compartilhar algo em que acreditamos: cerveja para todos, sem diferenças entre homens e mulheres. Percebemos e ouvimos muitos feedbacks que de lá pra cá muita coisa mudou, mas muito ainda precisa ser feito”, completa a Perro Libre.

Mapa fecha fábrica da Ambev em MG; Empresa nega risco de desabastecimento

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A Ambev teve uma fábrica fechada em Minas Gerais. Ocorrida em Juatuba, cidade localizada na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a interdição foi motivada por “problemas nas instalações como mofo nas paredes, piso e vidros quebrados, telhado com sujeira e presença de pássaros no interior da unidade”, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

O prédio da indústria funcionava desde a década de 70 e seu fechamento foi realizado pelos fiscais do Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (Sipov/MG). No local, a Ambev fabricava cervejas e chopp das marcas Skol, Caracu, Antarctica Sub Zero, Brahma, Serrana e Original.

Além disso, segundo acrescenta o Mapa, os fiscais colheram amostras de bebidas que foram enviadas ao laboratório do ministério, em Jundiaí (SP). O resultado das análises deve sair nos próximos dias e indicará se o local também possuía problemas sanitários.

Adenir Monteiro, chefe substituto do Sipov, afirmou que foi realizada uma reunião com representantes da Ambev, mas o plano de correção das não conformidades foi considerado insatisfatório. Assim, a fábrica foi interditada.

“A empresa estava funcionando sem o registro do ministério, foram esgotadas todas as possibilidades de solução dos problemas e os prazos para adequação não foram cumpridos. Foi aberto processo administrativo (PAD) contra a empresa que poderá resultar em multa de até R$ 117 mil”, complementa o Mapa.

A Ambev, por sua vez, informou que as operações foram suspensas para “a realização de pequenas reformas de estrutura, que já estão em andamento”. Argumentou, ainda, que “as questões não têm qualquer relação com a qualidade das bebidas” e assegurou que o mercado local não corre risco de desabastecimento.

Confira, a seguir, a nota completa da Ambev.

Em razão de questões administrativas com o Mapa as operações da cervejaria de Juatuba (MG) estão temporariamente suspensas para a realização de pequenas reformas de estrutura, que já estão em andamento. As questões não têm qualquer relação com a qualidade das bebidas produzidas na cervejaria e tampouco há risco de desabastecimento do mercado local.