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Mesmo com alta em dezembro, cerveja tem deflação em 2018

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O preço da cerveja no domicílio registrou deflação de 0,64% em 2018, de acordo com os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A queda veio mesmo com a alta expressiva em dezembro, de 0,57%.

O cenário é oposto ao do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), com elevação de 3,75% em 2018, ainda que abaixo da meta do governo federal, de 4,5%. “Após a queda de 0,21% em novembro, o IPCA registrou variação de 0,15% em dezembro, sob influência, principalmente, do grupo Alimentação e bebidas (0,44%) que, com 0,11 p.p. de impacto, foi responsável por quase 3/4 do índice de dezembro”, explica o IBGE.

No último mês do ano, seguindo a tendência apontada pelo instituto, a cerveja fora do domicílio também teve alta, fechando 2018 com inflação de 3,71% – apenas em dezembro a elevação foi de 0,85%. Essa alta se deu, portanto, bem acima do IPCA de dezembro, que foi de apenas 0,15%, o menor índice para o mês desde a criação do real.

Outros itens pesquisados pelo IBGE também apresentaram alta em 2018. Foram os casos de outras bebidas alcoólicas, seja no domicílio, com elevação de 3,57%, ou fora do domicílio, com inflação de 2,37%, além do setor de alimentação e bebidas, com aumento nos preços de 4,04%.

Desses elementos pesquisados, apenas o item outras bebidas alcoólicas no domicílio teve deflação em dezembro, de 1,07%. Os demais apresentaram inflação: outras bebidas alcoólicas fora do domicílio (0,16%) e alimentação e bebidas (0,44%).

O IBGE explica que, na variação anual, o item alimentação e bebidas também foi o grande “vilão” da inflação – esse grupo responde por cerca de 1/4 das despesas das famílias e foi o principal impacto no ano com 0,99 p.p.

“Vale lembrar que, no final de maio de 2018, a paralisação dos caminhoneiros provocou um desabastecimento, o que impactou os preços de diversos produtos, levando o grupo a apresentar variação de 2,03% em junho, a segunda maior para um mês de junho desde a implantação do Plano Real”, aponta o IBGE, antes de arrematar.

“Os preços dos alimentos para consumo em casa, cujo peso é 15,7%, subiram 4,53%, enquanto a alimentação consumida fora de casa, que pesa 8,8% no índice, apresentou variação de 3,17%”, complementa o instituto.


Colaborativa da Avós, lata da Appia, IPL da Lohn: As novidades da semana

O início de 2019 trouxe excelentes lançamentos ao mercado de artesanais. Foi o caso da Avós, que criou uma IPL em colaboração com a EverBrew, e da Lohn, que fez uma interessante parceria com a Hop Head Farms, uma das maiores produtoras de lúpulo do mundo. Entre as mainstreans, também não faltaram novidades: a Colorado lançou a Appia em lata e a Heineken apostou em uma novo posicionamento de marca. Confira, a seguir, as novidades da semana.

IPL + Avós + EverBrew
O ano de 2019 começou com uma excelente novidade colaborativa: a Ever Granny, uma aromática e refrescante Summer India Pale Lager (IPL) feita em parceria entre a Avós e a EverBrew. O resultado, segundo as marcas, é uma “colaborativa que mescla a personalidade e a identidade das marcas envolvidas, garantindo uma ótima companhia para os dias quentes”. Tem visual amarelo, espuma cremosa, aroma cítrico que lembra frutas tropicais amarelas, 6,5% de teor alcoólico e alta drinkability. Chega tanto em chope como, a partir de março, em latas de 473 ml.

Lohn e Hop Head
A tradicional e premiada Lohn Bier foi a cervejaria escolhida pela Hop Head Farms – produtora norte-americana de lúpulo fundada em 2011 – para iniciar suas atividades no mercado brasileiro. O resultado da parceria foi a Rocket to Hop, uma New England IPA que utiliza uma variação das tradicionais IPAs dos Estados Unidos, porém com mais corpo, turbidez e evidência do lúpulo. Tem 52 IBUs, 6,2% de teor alcoólico e harmoniza com comidas apimentadas e sobremesas à base de frutas. “Existe uma boa sinergia entre a maneira como a Hop Head Farms trabalha e a maneira como a Lohn produz suas cervejas. Eles estão fazendo cervejas fantásticas. Tive a sorte de provar algumas e fiquei realmente impressionado com a qualidade das cervejas que estão produzindo”, aponta David Sipes, veterano com mais de 25 anos na indústria artesanal norte-americana e, hoje, integrante da Hop Head.

Appia em lata
Uma das mais tradicionais cervejas da Colorado ganhou uma versão em lata de 410 ml. É a Appia, que mescla trigo e mel. O lançamento chega aos pontos de venda ainda neste mês, tanto nos Bares do Urso como no site Empório da Cerveja. “A Colorado nasceu com a proposta de despertar os consumidores para novas possibilidades, ou desibernar, como falamos. Agora, queremos mostrar que uma cerveja como a Colorado pode, sim, estar em latas. A escolha pela Appia veio justamente por ser de um dos estilos que mais agrada ao consumidor, além de ser marcante para nós. Como uma das nossas primeiras cervejas em garrafa, não poderia haver outra escolha”, relata Nilson Kalili, diretor de marketing de Colorado.

“Nova” Heineken
Uma mudança drástica marcou o início de ano da Heineken. Com o lançamento de sua primeira campanha de 2019, Trouble to Connect, a marca apresentou um novo posicionamento mundial: For a Fresher World, que chega para substituir o tradicional Open Your World. Assinada pela Publicis, a nova ação mostra um casal que se conhece em uma balada e não consegue se comunicar verbalmente por conta das diferenças de idiomas, mas acaba se conectando pela música. “A partir deste ano a marca deixa de utilizar a assinatura Open Your World e será possível perceber tanto nas campanhas globais, como nos eventos idealizados localmente uma fresh perspective sobre uma verdade, fato ou acontecimento”, explica Vanessa Brandão, diretora de marcas premium da Heineken Brasil. “Com o novo posicionamento, a Heineken quer trazer para as suas comunicações uma abordagem sempre inusitada e positiva sobre os acontecimentos do dia a dia”.

Heineken: “Gamificação” para falar de consumo responsável

Com o objetivo de manter seus colaboradores engajados com o tema do consumo responsável de bebidas, a Heineken recorreu à eficiência dos jogos – a chamada“gamificação”. Nessa semana, a companhia lançou o aplicativo “Think, drink & play”, aplicativo acessível por smartphone ou computador, que proporciona a interação do público com o assunto por meio de um “duelo” de conhecimentos sobre o mundo da cerveja, em que um colaborador da empresa pode desafiar seus colegas.

O Grupo Heineken tem atualmente13 mil colaboradores no país e pretende, de maneira lúdica, reforçar a importância do consumo responsável – um dos principais pilares da estratégia de sustentabilidade da companhia – além de desenvolver o protagonismo do seu público interno em relação ao tema. Conforme forem jogando, os funcionários ganham pontos e recompensas, e a plataforma monta um ranking dos melhores.

 “Consumo responsável é um dos pilares estratégicos da empresa e, com este lançamento, queremos estimular a discussão sobre o tema por meio de um formato de gamificação, no qual jogos e missões levam o colaborador a refletir sobre o tema. Dessa forma, também testamos uma nova metodologia em direção à mudança de comportamento com relação ao consumo de álcool”, explica Ornella Guzzo Vilardo, gerente de sustentabilidade da Heineken.

“Sabemos que o verão e o Carnaval são períodos em que o consumo de bebidas alcoólicas, inclusive cerveja, aumenta, por isso, o Grupo Heineken no Brasil, como a segunda maior indústria no mercado brasileiro de cerveja, tem a responsabilidade de incentivar o consumo responsável, principalmente dentro de casa, com seus colaboradores”, completa Ornella.

Tap house da Landel, festival no Eataly: 7 eventos para o fim de semana

O segundo fim de semana do novo ano chega com atrações que prometem ter sequência em 2019. A Landel inaugura a sua tap house, a Invicta retoma as suas hamburgadas e o Distrito Brewpub promete fazer cerveja em meio a uma roda de samba. Destaque ainda para o Eataly e sua Festa dela Birra. Confira, a seguir, essas e outras opções para os próximos dias.

Sudeste

Campinas
– Inauguração de tap house: A cervejaria Landel inaugura neste sábado a sua tap house, com dez bicos de chopes artesanais. Rótulos da casa, a Session IPA, a Mandarina Lager e a American Wheat estarão sempre presentes, com sazonais e convidadas se revezando nas outras torneiras. Para celebrar a inauguração, será realizado o Growler Day, algo que ocorrerá em todo segundo sábado do mês. O evento será das 10h às 22, na rua Doutor Oswaldo Cruz, 607.

São Paulo
– Festa dela Birra: O festival de cervejas artesanais do Eataly, tradicional espaço ítalo-brasileiro, ocorre neste final de semana com comida italiana e, claro, bebida de qualidade. Nove marcas – e mais de 25 rótulos – estão confirmadas: Madalena, Votus, Paulistânia, Uma, Blondine, Hipnose, Suméria, Jeffrey e Dádiva. Cada chope de 300 ml custará R$ 10, mas é possível comprar o combo de R$ 100 – pague dez e ganhe duas. Haverá, ainda, pizzas fritas da RossoPomodoro – por R$ 20 – e doces da Venchi. Será na sexta, das 18h às 22h, no sábado, das 12h às 20h, e no domingo, das 12h às 18h, na calçada do Eataly, na Av. Presidente Juscelino Kubitschek, 1489, no Itaim Bibi.

Ribeirão Preto
– Hamburgada da Invicta: Na largada dos seus eventos em 2019, a Invicta promove neste sábado a sua primeira hamburgada do ano. O público terá à disposição hambúrgueres na chapa, chope da Invicta e cerveja artesanal, além de música ao vivo, com o cantor Thiago Neves apresentando repertório acústico com rock nacional e internacional. O evento será das 10h às 17h do sábado, na avenida do Café, número 1.881.

Belo Horizonte
Festa na Hofbräuhaus BH: O brewpub mineiro realiza nos próximos três sábados as festas Sunset HB com apresentações musicais e opções de petiscos e cervejas. No sábado, a casa vai abrir às 12 horas, sendo que a apresentação do músico Daniel Lima está marcada para as 16h. A entrada é franca e o evento ocorre na sede da Hofbräuhaus, na avenida do Contorno, 7613.

Sul

Porto Alegre
– Roda de samba com cerveja: Com a presença da Central do Samba, o Distrito Brewpub realiza a Roda de Samba do Distrito, gratuita, com churrasco colaborativo e produção de cerveja na calçada em frente ao bar. Os interessados que levarem carne ganham um vale cerveja para a próxima edição do evento, que busca difundir a cultura das artesanais, além de propagar o samba. Quem já tiver o vale da roda anterior, poderá beber uma Witbier com cascas de limão siciliano, capim-limão e coentro. As torneiras da casa oferecem oito estilos de artesanais. E há opção de hambúrgueres e pizza de fermentação natural na cozinha.  O evento, mensal, será neste sábado, a partir das 15 horas, no Distrito Brewpub, na avenida Amazonas, 835.

Curitiba
– Growler Day da Bodebrown: No Growler Day deste final de semana, a marca curitibana destaca a Cacau IPA, cerveja medalhista de ouro no Mondial de La Bière de 2013. Será vendida para completar o growler a R$ 25 o litro. O evento também contará com o Tap Haus, com 20 torneiras de cervejas da Bodebrown e artesanais parceiras. Além disso, haverá o Espaço Bodebrown Funiculí de pizzas assinadas pelo chef Dudu Sperandio, e os doces da Apple Caramel. O evento será na sexta-feira, das 17h30 às 20h, e no sábado, das 9h30 às 17h, na Cervejaria Bodebrown, na rua Carlos de Laet, 1015.

Itajaí
Festival de botecos: Iniciado na quinta-feira, o 1º Festival de Botecos de Itajaí prossegue até domingo, com opções musicais e gastronômicas, como frutos do mar, peixes e iscas de frango. São 21 botecos participantes e cerca de 50 rótulos de cerveja, além de cachaças e chopes. O festival acontece no Salão Anexo do Centreventos, na avenida Ministro Victor Konder, 303, com entrada franca e sempre a partir das 18 horas.

Perspectivas 2019: Artesanal brasileira projeta conquistar até 10% de market share

A cerveja artesanal brasileira enfrentou algumas barreiras em 2018, como a crise econômica e a retração do consumo, a matriz tributária pouco efetiva e a dificuldade em baratear o preço para democratizar seu acesso. Tudo, porém, deve ser diferente para o novo ano.

Confiantes na recuperação conjuntural e em um melhor ambiente de negócios às artesanais, especialistas apontam que o ano tende a ser positivo para o setor. É o caso de Carlo Giovanni Lapolli, presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva). Para ele, em breve espaço de tempo, o mercado de artesanais pode saltar do market share atual – entre 1% e 2% – para expressivos 10%.

“Iremos trabalhar por uma reforma tributária, por melhores condições às pequenas empresas, às pequenas cervejarias e, assim, ajudar a baratear o custo da cerveja artesanal e torná-la mais popular. Com certeza ganharemos mais mercado. Nossa meta é chegar a 10% em um breve espaço de tempo”, revela o presidente da Abracerva ao Guia.

Seu otimismo é compartilhado por José Bento Valias Vargas, sócio da Lamas Brew Shop de BH, da Dunk Bier e um dos fundadores da Acerva Mineira. A melhora do ambiente econômico do país, segundo ele, impactará diretamente no nicho de artesanais, que deve “ter um aquecimento de mercado como um todo”.

José Bento cita ainda um exemplo específico – a nova lei de ocupação de solos em Belo Horizonte – para redobrar a aposta no crescimento de brewpubs. Ainda assim, ele pondera: a artesanal brasileira precisa de um melhor equilíbrio conjuntural para crescer sustentavelmente.

“Creio que vá ter um surgimento grande desse tipo de negócio [brewpubs], mas ainda desproporcional ao consumo. Nem todos obviamente vingarão, mas vai trazer visibilidade”, avalia José Bento.

“O amadurecimento do mercado de cerveja está sendo visto a passos largos, mas ainda é um setor muito novo e com problemas fundamentais, como a regulação incorreta, a alta carga de impostos, a disparidade cruel entre grandes e pequenas indústrias”, acrescenta o sócio da Dunk Bier.

Já Patrícia Sanches, fundadora da Confraria Maria Bonita Beer, sócia da cervejaria Patt Lou e do Instituto Ceres de Educação Cervejeira, aponta que ainda é difícil fazer previsões sobre 2019, mas pondera ser possível vislumbrar uma “antecipação de um futuro próximo no cenário cervejeiro nacional”, uma vez que especialistas já especulam uma melhora na economia para 2019.

E, partindo dessa premissa, ela avalia que o mercado precisará ser criativo para ganhar novos consumidores. “Sendo bem otimistas, podemos pensar em um crescimento tímido, impulsionado principalmente pelas cervejas mais leves, refrescantes e que inovam na criatividade fazendo uso de produtos brasileiros (com frutas, especiarias e madeiras locais)”, conclui Patrícia.

Queda expressiva em novembro amplia baque na indústria de bebidas alcoólicas

A produção industrial de bebidas alcoólicas ampliou a tendência negativa em novembro. Caiu 7,2% na comparação com o mesmo período de 2017, segundo dados divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Manteve, assim, o cenário de baixa dos três meses anteriores.

Essa redução sequencial ampliou os números negativos de 2018. Depois de um início promissor, a produção do setor sentiu o baque do consumo e aponta agora baixa de 1,3% no acumulado do ano. E também há registro de redução nos últimos 12 meses, de 0,6%.

Cenário parecido viveu a fabricação de bebidas não alcoólicas em novembro: caiu 0,7% na comparação com o mesmo período de 2017. Apesar disso, registra alta de 2,1% em 2018. E o resultado é positivo em 1,9% nos últimos 12 meses.

Como havia ocorrido nos meses anteriores, a indústria de bebidas também apresentou queda, agora de 4,2% na variação porcentual mensal. No ano, por sua vez, há crescimento acumulado de 0,3%, enquanto o índice dos últimos 12 meses é de 0,6%.

A queda da fabricação de bebidas em novembro se deu em um cenário de crescimento tímido da produção industrial brasileira. Na comparação entre outubro e novembro, a expansão foi de 0,1%. Mas quando a base é o mesmo período de 2017, o índice é negativo em 0,9%.

“Em novembro de 2018, a produção industrial nacional variou 0,1% frente a outubro (série com ajuste sazonal), interrompendo quatro meses seguidos de taxas negativas”, explica o IBGE. “Os índices acumulados do ano (1,5%) e nos últimos 12 meses (1,8%) continuam positivos, mas o setor seguiu mostrando perda de ritmo frente aos meses anteriores.”

Paralisação nos EUA ameaça abertura de novas cervejarias

A paralisação de grande parte do governo federal dos Estados Unidos entra em seu 18o dia e já aparece como uma ameaça para a indústria cervejeira, impossibilitando a abertura de novas cervejarias e a inovação nos rótulos.

A paralisação é uma resposta do governo do presidente republicano Donald Trump à negativa dos parlamentares de oposição a aceitarem a proposta de dotação orçamentária de R$ 5 milhões para a construção de um muro – uma das principais promessas de campanha de Trump – na fronteira com o México.

Ao todo, cerca de 800 mil funcionários do governo norte-americano estão sem trabalhar e sem receber salários. Desse modo, serviços públicos de diversas naturezas (limpeza, burocracia, programas federais de assistência, etc.) estão suspensos e sem previsão de retomada.

Uma das agências federais prejudicadas pela paralisação é a Alcohol and Tobacco Tax and Trade Bureau (algo como divisão de taxas e comércio de álcool e tabaco). A TTB é responsável pela regulação das indústrias de bebidas e fumo e, portanto, é para ela que empreendedores devem pedir a licença para iniciar a operação de uma nova cervejaria.

Assim, os processos de abertura de cervejaria foram colocados em espera, segundo um dos diretores da Brewers Association, Paul Gatza. “Isso pode atrasar a abertura de novas cervejarias após o final da paralisação”, afirma ele.

Além do processo de abertura de novas cervejarias, o lançamento de produtos também precisa passar pelo crivo da agência. “Se a paralisação durar por muito tempo, o público não vai ver muita inovação nas prateleiras”, diz.

Brewpubs e gastropubs devem se consolidar entre os bares em 2019

O consumidor de cervejas fora do domicílio deve encontrar novidades em 2019, quando decidir sair de casa em busca de opções de bares. Após o ano passado ficar marcado pela consolidação das tap house, o brasileiro terá agora o brewpub e o gastropub como uma opção constante de lazer.

“Para 2019 acreditamos que duas tendências chegam fortes: o brewpub e o gastropub”, afirma Rodrigo Sena, sommelier e gestor da Escola da Cerveja BaresSP, apontando o que considera ser a tendência dos bares neste ano.

Os brewpubs são uma interessante alternativa para o microcervejeiro, pois ele pode vender a cerveja no mesmo local onde produz. Sem precisar gastar com logística e distribuição, o preço pode se tornar mais competitivo, algo que em alguns momentos ainda é um problema no setor.

“O brewpub é o lugar que vende a cerveja feita lá mesmo, e algumas mudanças de entendimento da fiscalização de Anvisa e MAPA [Ministério da Agricultura] estão favorecendo esse tipo de negócio”, explica Rodrigo, apontando também que mudanças recentes na legislação devem facilitar esse tipo de negócio.

O gastropub, por sua vez, deve se tornar uma tendência no mercado de bares a partir de uma demanda crescente do setor, com a busca por opções gastronômicas aliadas ao consumo de cervejas artesanais.

“O gastropub foca em um público que ama cerveja artesanal e que também ama gastronomia, e que hoje encontra pouquíssimas alternativas em São Paulo. Bistrôs onde a cerveja é o tema central aliada à alta gastronomia devem aparecer mais”, conclui o gestor da Escola da Cerveja BaresSP.

Caravan repaginada, 4 lançamentos da Nils: As novidades do fim de ano

O mercado cervejeiro acelerou o passo e trouxe boas novidades na virada de 2018 para 2019. A Caravan, por exemplo, com sua inspiração no jazz, aproveitou o lançamento de quatro rótulos para mudar sua identidade visual. Já a sueca Nils Oscar apresentou quatro rótulos, enquanto a Croma anunciou que irá inaugurar seu brewpub na Vila Madalena. Confira, a seguir, as novidades do final de ano.

Caravan repaginada
Cervejaria criada com a inspiração do jazz, a Caravan Beer aproveitou um novo lote de lançamentos para mudar sua identidade visual. A ideia, segundo a marca, foi “destacar os rótulos com cores mais vibrantes, sem perder a identidade e, claro, a influência do jazz”. Já as novidades chegam em quatro estilos distintos: West Coast Style IPA, Summer Ale, West Coast Citrus IPA e Ginger Pale Ale.

4 rótulos da Nils
A cervejaria sueca Nils Oscar apresentou quatro rótulos ao mercado brasileiro: a Imperial Stout, a Celebration, a Scotch Ale e a Rökporter. A Imperial Stout tem notas de café e chocolate balanceadas com o floral do lúpulo, enquanto a Celebration, com cana de açúcar e um teor alcoólico de 9,9%, foi elaborada em comemoração ao aniversário de Nils Oscar (avô do fundador da cervejaria). Medalha de ouro na World Beer Cup, a Scotch Ale é sazonal e tem notas de caramelo e castanha. E, por fim, a Rökporter leva notas torradas e levemente defumadas.

Lançamentos da Synergy
Depois de abrir recentemente seu brewpub em Sorocaba, a Synergy lançou duas novidades. A primeira delas é a variação de uma receita de sua Daily Blonde, que agora chega com um lúpulo diferente, o Saaz – o rótulo, inclusive, nasceu com a proposta de alterar os lúpulos em cada receita. O segundo lançamento é a Overbatch – Maple Syrup Bourbon Barrel Aged, uma Russian Imperial Stout com 12% de teor alcoólico. É um rótulo limitado, experimental e a princípio engatado apenas no taproom da cervejaria, servido em doses de 100ml. “O Maple Syrup foi envelhecido em bourbon e depois adicionado ao lote da Overbatch, que é uma Russian Imperial Stout com 12% de graduação alcoólica”, explica a cervejaria.

Brewpub da Croma
A cervejaria Croma entrou em 2019 com uma boa novidade: vai inaugurar seu brewpub na Vila Madalena, em São Paulo. O bar terá 15 torneiras, cozinha e capacidade de produção inicial de 5.000 litros. “O sonho da casa própria é antigo. Estar mais perto dos nossos clientes e ter capacidade para experimentação em pequena escala é um passo fundamental para a evolução e crescimento da cervejaria”, aponta Rodrigo Nogueira, sócio da cervejaria. “A Croma já atende 15 estados em território nacional. A meta é ampliar e consolidar ainda mais nossa marca em São Paulo e em outros estados.”

Hops na Azul
O cliente da Azul ganhou uma interessante novidade neste final de ano: o happy hour da companhia aérea passou a contar com a Skol Hops, cerveja que apostou em uma carga reforçada de lúpulos aromáticos. A bebida está sendo disponibilizada em voos de quarta a sexta-feira, das 17h às 21h, em 12 aeroportos brasileiros – São Paulo (Congonhas, Guarulhos e Viracopos), Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Recife, Rio de Janeiro (Santos Dumont), Salvador e Vitória. “O nosso já consagrado happy hour Azul é uma das iniciativas diferentes que torna a experiência do cliente ainda melhor. Com a Skol Hops, a Azul mantém um padrão diferenciado em seus produtos, sempre pensando em viagens mais leves e agradáveis”, afirma Claudia Fernandes, diretora de marketing e comunicação da Azul.

Desvalorização de moedas deve pressionar artesanais latinas em 2019

O ano de 2019 deve ser complicado ao mercado de cervejas artesanais na América do Sul. É o que garante Daniel Trivelli, presidente da Copa Cervezas de América, a mais importante competição do setor no continente. Segundo ele, a desvalorização de moedas, principalmente do real brasileiro e do peso argentino, vai pressionar os produtores em função da elevação do preço dos insumos, que em sua maior parte são importados.

“2019 será um ano de dificuldades para as cervejarias no Brasil e na Argentina, especialmente para a cervejaria artesanal que utiliza uma grande quantidade de insumos importados, que tiveram um aumento de preço devido ao enfraquecimento de algumas moedas, principalmente o real e o peso argentino”, avalia Trivelli.

Ele também expressa a mesma preocupação sobre o lúpulo, pois o aumento da demanda não vem sendo acompanhado pela produção. “O mercado de lúpulo continua a produzir abaixo de uma demanda crescente, especialmente em variedades de sabor e aroma, que empurram o preço para cima”, acrescenta.

O cenário complicado para o produtor de artesanais na América do Sul também se soma a uma outra preocupação. Embora o crescimento de microcervejarias e rótulos à disposição do público seja notório, o mercado consumidor não tem acompanhado essa tendência. Ou seja, há mais aumento na concorrência do que na demanda.

Assim, para o presidente da Copa Cervezas de América, a tarefa em 2019 é educacional e cultural: ampliar a presença das artesanais no mercado a partir de ações que, com algum didatismo, estimulem o consumo dessas cervejas.

“O principal desafio é aumentar a participação de mercado das cervejas especiais, por meio da educação e promoção da cultura da cerveja, ensinando ao consumidor as diferentes variedades e estilos, além de educar sobre a forma de consumo. As cervejarias precisarão tomar medidas para aumentar a visibilidade de suas marcas e destacar a qualidade de suas cervejas em um mercado com cada vez mais participantes”, alerta.

Balanço positivo
Se o cenário para o próximo ano parece desafiador, 2018 terminou como um ano de conquistas. Em um marco que pode ser considerado histórico, o Beer Judge Certification Program (BJCP), a mais importante instituição mundial de juízes do setor, catalogou o primeiro estilo brasileiro da bebida, a Catharina Sour.

Ao citar como referência a Copa Cervezas de América de 2018, concurso que teve a Wäls, de Belo Horizonte, e a Pratinha, de Ribeirão Preto, como destaques, Trivelli aponta que a Catharina Sour já está se globalizado. Tanto que está sendo feita em países como Argentina e Estados Unidos, e com produção qualificada, como indicam as medalhas conquistadas.

“O concurso Cervezas de América foi o primeiro concurso internacional a incorporá-la [a Catharina Sour] e vimos 30 cervejas cadastradas, sendo um dos 15 estilos com maior participação. Representou 1,8% do total de cervejas cadastradas”, detalha o especialista, antes de arrematar.

“O mais interessante é que não só as cervejas brasileiras participaram desse estilo, mas também da Argentina e dos Estados Unidos, mostrando que a comunidade cervejeira internacional acolheu o novo estilo de uma forma positiva. Podemos concluir que o estilo Catharina Sour já possui personalidade própria. Além disso, foram concedidas 8 medalhas a esse estilo, de um total de 170, representando 4%, demonstrando o bom trabalho realizado pelos produtores brasileiros”, elogia Trivelli.

O presidente da Copa Cervezas de América também revelou um acréscimo de 24% na participação de artesanais do continente no concurso, um dado que indica o crescimento do setor. Porém, ele alerta não ser possível realizar uma avaliação unificada sobre o mercado de artesanais nas Américas do Sul e Latina. Afinal, enxerga cenários bem diferentes para países como Brasil, Argentina e Chile na comparação com outros, como Colômbia, Equador e Peru, que enfrentam um período de crise no setor.

“Países como o Brasil, a Argentina e, em menor grau, o Chile, mostraram um crescimento saudável, sustentado por fortes bases para o desenvolvimento da demanda, bem como uma oferta de cervejas que melhora constantemente sua qualidade e consistência. Por outro lado, países como Costa Rica, Equador, Peru e Colômbia, que apresentaram forte crescimento, estagnaram e estão passando por uma crise que se reflete em uma estagnação ou queda nas vendas”, aponta.

A dificuldade de alguns “vizinhos”, no entanto, não atingiu o Brasil, que fechou o ano em crescimento e com a entrada de novas artesanais no mercado, sinais que apontam para a sustentabilidade desse mercado no país, na avaliação de Trivelli.

“O número de cervejarias registradas aumentou em mais de 20% em relação a 2017, atingindo mais de 800 cervejarias. Um número que ainda não considera as cervejarias ciganas”, afirma o presidente da Copa Cervezas de América. “Além disso, o número de produtos registrados entre rótulos e variedades de cerveja vendidos em todos os países ultrapassa os 170 mil.”