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Verão: Artesanais apostam em cervejas leves para expandir mercado consumidor

A chegada do verão ao Hemisfério Sul, a estação mais aguardada pelos brasileiros, também significa às artesanais um importante momento para adotar estratégias que ampliem vendas e presença de mercado. E é o que vem sendo feito por diferentes marcas, com lançamentos de rótulos e ações específicas para atrair um público que ainda dá os primeiros passos no setor de artesanais.

A tendência das microcervejarias foi apostar em cervejas mais leves para o verão, mas sem deixar de lado um traço diferenciado das artesanais. Foi o que fez a Barco ao apresentar a Summer Sour, com a qual espera agradar o público ao trazer a leveza tradicional das cervejas brasileiras, mas também com alguma acidez.

“O paladar do brasileiro é acostumado a um tipo só de cerveja: muito leve, além de extremamente gelada. A Summer Sour é uma cerveja muito leve e traz a acidez como característica sensorial principal, algo novo para a maior parte do público. Ainda carrega toques cítricos, vindos do lúpulo. Mas sem soar amarga”, explica Fernando Lapolli, consultor da Cervejaria Santa Catarina, fabricante das Cervejas Barco.

Assim, com sua novidade de 4% de teor alcoólico, 5 IBUs e notas de frutas ácidas, como o maracujá, a marca espera aproveitar o verão para utilizar a Summer Sour como uma porta de entrada do consumidor ao mercado de cervejas diferenciadas.

“Ela é pensada tanto para o público já iniciado nas artesanais, quanto para quem nunca provou uma cerveja ácida. É uma ‘azedinha fácil'”, acrescenta Lapolli.

Catharina e Brut
A BR Brew, que aposta na Amigo da Onça para o verão, também segue a mesma linha. Com a sua refrescante Catharina Sour com adição de goiaba, cereja e hibisco, com visual rosa intenso e 3,7% de teor alcoólico, a marca espera alcançar um público que busca novidades por estar cansado das Pilsens, que dominam o mercado cervejeiro no Brasil.

“O público-alvo está aberto a provar novidades e se dispõe a entrar no mundo das Sour, mas não vai se assustar por não ser uma cerveja muito ácida. Tem uma acidez que chama para o próximo gole. Então queremos o público que está entrando no mundo das artesanais. E também o público que não é tão cervejeiro, mas quer tomar algo para provar, saindo da zona de conforto das Pilsens tradicionais”, conta Patrick Bannwart, mestre-cervejeiro e sócio da BR Brew.

E ele assegura que os primeiros resultados da aposta vêm sendo positivos, com a expansão do público consumidor. “A nossa aposta é pegar a faixa de mercado de quem nunca provou uma Sour. Fizemos um primeiro lote que vendemos em menos de dez dias. E foi para consumidores que levam a cerveja para eventos de família e churrascos”, acrescenta.

Já a Júpiter lançou recentemente a Duna, uma Brut IPA com 6% de teor alcoólico, leve, refrescante, frisante e muito lupulada no aroma, mas com amargor bem suave e adição de flocos de arroz e milho. A marca diz ter feito a aposta depois dos últimos anos ficarem marcados por cervejas mais encorpadas e pesadas.

Mas, de acordo com David Michelsohn, fundador e mestre-cervejeiro da Júpiter, as novidades não ficarão por aí e novos rótulos devem ser apresentados nas próximas semanas. “Felizmente o verão – e o calor – ainda vai durar mais uns meses e teremos tempo de envasar mais rótulos sazonais em breve.”

Fidelização do consumidor
Tais estratégias de verão caminham em direção de um importante desafio das artesanais para 2019: democratizar o consumo e conquistar novos segmentos de mercado. E, para que essa expansão seja consistente e duradoura, é importante criar políticas de preço que seduzam consumidores não apenas das classes A e B. Foi o que fez a Schornstein ao apostar na Soul, uma Light Lager com 3,5% de teor alcoólico.

“Para buscar escala e popularizá-la, entramos com uma estratégia de preço final ao consumidor bastante agressiva, a fim de dar visibilidade do produto ao consumidor”, conta Elton Fedalto, gerente comercial da Schornstein.

E a estratégia foi um sucesso. Embora a marca tenha lançado em abril a Schornstein Soul, é no verão que está a expectativa de maior venda. E, para dar conta da demanda, houve até um realinhamento da produção.

“A aposta tem também o objetivo de buscar uma parte do consumo das cervejas mais comerciais, onde tradicionalmente são mais leves, mas com o nosso diferencial de ser puro malte. A aceitação esta sendo fantástica, tanto que estamos revendo toda programação de produção, pois há risco de não conseguirmos atender toda demanda”, detalha Elton.

Ele aponta que até a embalagem da cerveja foi pensada para chamar mais a atenção do público. “Ela tem como característica ser uma Light Lager, leve, refrescante e com toda qualidade 100% puro malte da Schornstein”, acrescenta o gerente comercial. “A aposta nela tem, além das característica da cerveja, a própria embalagem em garrafa long neck de vidro transparente, que dá um charme a mais.”

Perspectivas 2019: Preços altos travam democratização do mercado de artesanais

A democratização inerente ao conceito de cervejas artesanais em função da grande oferta de opções e sabores tem esbarrado em um fator que, inclusive, o impede de alcançar um público maior: os preços. Em um país onde a desigualdade é uma marca indesejada, os valores cobrados por uma artesanal impõem travas ao mercado consumidor dessas cervejas, que também são duramente afetadas pelas regras tributárias.

“As cervejas têm qualidade melhor, mas o preço chegou a um nível absurdo, quase impagável. Virou um produto de elite da elite. Um negócio que deveria ser acessível está se tornando inacessível. Não tem como meio litro de cerveja custar R$ 50. Tem algo errado nessa conta”, avalia Luis Marcelo Nascimento, consultor cervejeiro, juiz do BJCP e sócio do Volátil, do H. e do The Lab.

Esse é um desafio que reflete um problema conjuntural brasileiro. Fundadora da Confraria Maria Bonita Beer, sócia da cervejaria Patt Lou e do Instituto Ceres de Educação Cervejeira, Patrícia Sanches lembra a desigualdade social e a concentração do consumo em classes privilegiadas em detrimento de grande parcela da população, que não tem como pagar o preço alto e fica à margem do setor de artesanais.

“Os consumidores de cerveja artesanal têm como preocupação optar pela qualidade ao invés da quantidade, comportamento de fácil observação nas classes A e B, com difícil penetração na classe C em virtude dos preços praticados no mercado, influência direta da carga tributária e dos baixos volumes produzidos pelas nano e microcervejarias”, comenta.

Para Patrícia, esse difícil cenário foi amplificado pela crise econômica dos últimos anos, algo que forçou o público a adaptar seus hábitos de consumo a partir dos preços, sem se preocupar tanto com a qualidade.

“Inserir a cerveja nos hábitos do consumo do brasileiro vem sendo um dos grandes desafios da cadeia produtora de cerveja artesanal no Brasil. Desde a queda do poder de compra, impulsionado pela crise econômica do país, esta situação vem obrigando o consumidor a ser mais seletivo na hora de economizar e, infelizmente, as bebidas alcoólicas vêm brigando por um lugar ao sol na mesa do consumidor”, acrescenta Patrícia.

Possíveis soluções
Em uma ação para alterar esse cenário, José Bento Valias Vargas, sócio da Lamas Brew Shop de BH, da Dunk Bier e um dos fundadores da Acerva Mineira, aponta que a busca por preços mais competitivos pode ser alcançada se o setor mudar o foco. Sua ideia é que se mire totalmente o consumidor, sem esquecer das diferenças entre o público que bebe a cerveja mais tradicional e o que gosta das artesanais.

“O mercado precisa focar menos em querer crescer o número de fábricas e mais em crescer o número de consumidores. Formar cultura para ter cliente perene e não só ficar dando murro em ponta de faca, achando que vai conseguir concorrer com as grandes. O nosso mercado não é o deles. Vamos focar em criar nossos consumidores”, avalia.

Outro ponto importante é reforçar a batalha por uma matriz tributária mais adequada ao microcervejeiro, como aponta Carlo Giovanni Lapolli, presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva). Os altos impostos provocam uma elevação no custo de produção das artesanais, que acaba sendo repassado ao consumidor.

Diante dessas dificuldades, há expectativa de que os novos governantes e a nova legislatura sejam conscientizados para que a lógica tributária danosa ao produtor – e também ao consumidor – seja modificada.

“O grande desafio para 2019 é buscar, junto com a nova legislatura, com os novos governantes, um ambiente melhor de negócios para a cerveja artesanal. Nossa grande conquista será quando a cerveja artesanal independente for democrática, puder estar em todas as mesas. Esse é o grande desafio”, garante Lapolli, demonstrando otimismo para 2019.

“Tenho certeza que o consumidor é o grande agente transformador do nosso setor. O consumidor está sedento por tomar uma boa cerveja artesanal, e logo logo ele terá uma por um preço mais competitivo”, acrescenta.

Com uma avaliação parecida, mas não tão otimista, Luis Marcelo reconhece que o setor de artesanais sofreu o impacto da crise brasileira nos últimos anos, o que provocou uma retração de mercado. Mas alerta que será difícil o cenário ser alterado se o preço cobrado por uma cerveja não for mais acessível.

“Os últimos dois anos foram ruins para o mercado cervejeiro, a crise foi real, impactou o setor, o consumo baixou, muito bar fechou. O mercado retraiu. Então, vai ser um ano de recuperação. Mas existe um paradoxo aí: o mercado retrair e uma lata custar R$ 50. Então, para o próximo ano, algo precisa ser visto para retomar isso”, conclui o consultor e juiz do BJCP.

Brewers Association revê definição de “cervejaria artesanal”

O que é cervejaria artesanal? A dúvida é comum e, em diversos lugares do mundo, pode-se encontrar definições diferentes e até grandes celeumas em torno dessa definição. Nos Estados Unidos, a entidade que representa a maior parte das pequenas cervejarias, a Brewers Association (BA), reviu em dezembro o conceito de “cervejaria artesanal”.

Desde a primeira definição em 2006 e sem periodicidade definida, o conselho de diretores da associação sem fins lucrativos se debruça sobre o tema para garantir que o conceito acompanhe a evolução do mercado e reflita o que acontece na comunidade cervejeira. O processo de revisão começou no meio do ano de 2018 com uma pesquisa para entender as mudanças nos produtos e nas propostas dos cervejeiros dos EUA.

O termo atualizado deixou de lado um dos pilares da definição vigente até então. Na avaliação da BA, os cervejeiros de hoje, na busca por lucro, tentam manter sua produção na capacidade máxima, se preocupam com diversas questões mercadológicas e criam produtos que não se encaixam na definição tradicional de cerveja. Assim, a nova definição diz que “um cervejeiro artesanal americano é um ‘cervejeiro independente e pequeno’”.

Por pequeno, entende-se produtor de menos de 6 milhões de barris (714 milhões de litros) por ano. Por independente, compreende-se que a empresa tenha no máximo 25% de participação acionária de empresas que não sejam também artesanais. E por “cervejaria” entende-se a empresa que tenha licença do Alcohol and Tobaco Tax and Trade Bureal (algo como departamento de comércio e taxação de álcool e tabaco) e, de fato, produza cerveja.

“O mais importante é que essa definição dá à BA a possibilidade de manter estatísticas sobre o crescimento do segmento craft, que comporta a maioria das cervejarias americanas”, afirma Julia Herz, diretora da entidade. “Estatísticas servem como importante ferramenta de planejamento de negócios para cervejeiros e são muito valorizadas pelos outros players do mercado”.

Para ela, a nova definição reflete um momento próspero do mercado. “As cervejarias artesanais estão prosperando, mesmo contra todas as dificuldades, inovando e revirando estilos do Velho Mundo nos EUA, fazendo com que nos tornemos o maior e mais diversificado destino cervejeiro no mundo”, complementa ela.

Retrospectiva: Os momentos mais importantes de 2018 na cerveja

E chegou o fim de 2018. Um ano agitado no universo da cerveja, cheio de novidades, tendências, reviravoltas. E o Guia esteve lá, cobrindo, checando e noticiando os principais momentos da indústria, do mercado e da cultura cervejeira no Brasil e no mundo. Selecionamos em uma retrospectiva os momentos mais significativos de 2018. Confira quais foram esses acontecimentos e que consequências eles podem ter nos próximos anos.

Somos 835: O número de cervejarias instaladas no Brasil cresceu 23% nos primeiros nove meses do ano, chegando a 835, na sua maioria micro cervejarias e concentradas no Sul e Sudeste.

Mais empregos: Em ano de altas taxas de desemprego, a indústria cervejeira fechou o ano com saldo positivo. As micro e pequenas cervejarias puxaram esse movimento, e aquelas com até 4 funcionários foram responsáveis por 45% das 1.757 vagas geradas pelo setor.

União cervejeira: Em cidades como Niterói e Belo Horizonte, o diálogo entre poder público e o setor cervejeiro resultou em legislações que favorecem o desenvolvimento da indústria e do varejo cervejeiro.

Tudo no rótulo: Nova lei determina que cervejarias especifiquem nos rótulos todos os ingredientes da cerveja. Não vale mais dizer apenas “cereais não maltados”: se tem milho, deve constar no rótulo.

Skol se mexe: O desenvolvimento do paladar do brasileiro se consolidou a ponto de ser reconhecido pela Skol. A marca mais valiosa do Brasil tomou diversas atitudes em direção a contemplar um público cada vez mais exigente: em setembro, lançou uma versão lupulada e, em dezembro, anunciou o lançamento da versão puro malte para o início de 2019.

Cevada ameaçada: Estudos acadêmicos mostraram que o aquecimento global pode comprometer a colheita de cevada – e consequentemente a produção de cerveja nos próximos 100 anos.

Cerveja de maconha: Flexibilização das leis que regulam a produção e consumo de maconha em países como EUA e Canadá já faz com que as grandes cervejarias, como a Constellation Brands, se movimentem de olho no mercado milionário de bebidas feitas à base da erva.

A Catharina é nossa: Em marco histórico da cerveja brasileira, a Catharina Sour, variação desenvolvida em Santa Catarina, foi catalogada pelo BJCP como estilo oficial, abrindo novos horizontes para a indústria nacional.

Internacionais: Em agosto, o World Beer Awards, uma das premiações mais importantes da cerveja mundial, coroou 8 rótulos brasileiros, mais um passo importante no processo de consolidação das marcas nacionais no mercado internacional

7 especialistas avaliam como foi o ano do setor cervejeiro em 2018

A cerveja artesanal vem ganhando espaço não só no mercado brasileiro, mas em toda a América Latina. Ainda assim, alguns problemas conjunturais – a crise econômica, por exemplo – e outros inerentes ao setor, como o preço ainda alto, dificultaram o pleno fortalecimento da indústria cervejeira em 2018.

Essa é, em suma, a análise de 7 especialistas consultados com exclusividade pelo Guia da Cerveja, com o intuito de entender como se comportou o setor cervejeiro neste turbulento ano.

Carlo Lapolli, presidente da Abracerva, Luis Marcelo Nascimento, juiz do BJCP, e Patrícia Sanches, fundadora da Confraria Maria Bonita Beer, foram alguns nomes a darem sua importante avaliação.

Para entender um pouco mais a dinâmica de outros nichos e mercados, escutamos também Daniel Trivelli, presidente da Copa Cervezas de América, e Rodrigo Sena, sommelier e gestor da Escola da Cerveja BaresSP.

Confira, a seguir, a avaliação de 7 importantes especialistas sobre o desempenho do setor cervejeiro em 2018.

Carlo Giovanni Lapolli, presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva)
Sem dúvida nenhuma, o ano de 2018 foi muito feliz, muito profícuo para as cervejarias artesanais independentes. Tivemos um grande crescimento no número de cervejarias, os consumidores ampliando o conhecimento sobre cerveja, consumindo mais artesanais. E nossas cervejarias gerando muito mais emprego. Durante o ano, as pequenas cervejarias, aquelas com 99 empregados, geraram cerca de 50% dos empregos do setor, um número bastante significativo quando a gente lembra que tem apenas 2% da fatia de mercado.

Daniel Trivelli, presidente da Copa Cervezas de América
2018 foi um ano que trouxe grandes diferenças entre os países latino-americanos, especialmente no caso da artesanal. Países como Brasil, Argentina e, em menor medida, Chile, vêm demonstrando um crescimento saudável, apoiado em bases fortes para o desenvolvimento da demanda, assim como uma oferta de cervejas que melhora constantemente sua qualidade e consistência. Por outro lado, países como Costa Rica, Equador, Peru e Colômbia, que vinham mostrando um forte crescimento, estancaram e atravessam uma crise refletida em uma estagnação ou até baixa nas vendas.

José Bento Valias Vargas, sócio da Lamas Brew Shop de BH, da Dunk Bier e um dos fundadores da Acerva Mineira
O ano de 2018 foi ruim para a economia brasileira de um modo geral. Não seria diferente para a cerveja. Com a recessão, incerteza politica, crise governamental e principalmente o elevado preço do dólar (o que encarece demais os insumos de produção) sendo desfavoráveis. E considerando que a cerveja, mesmo sendo a queridinha do brasileiro, é um item supérfluo no orçamento doméstico. A queda no comércio foi visível. Houve mais uma vez o crescimento de cervejarias, mas o aumento do consumo não acompanhou. Portanto, o mercado está inundado de cerveja artesanal encalhada. Claro que o consumidor não deixa de comprar, mas vai comprar das mais baratas, volta a cerveja de massa ou as cervejarias artesanais que pertencem às grandes e conseguem custos de produção e regalias governamentais desproporcionais.

Luis Marcelo Nascimento, consultor cervejeiro, juiz do BJCP e sócio do Volátil, do H. e do The Lab
Em produto, na gôndola, estamos muito melhores do que já fomos. As cervejas têm qualidade melhor, mas o preço chegou a um nível absurdo, quase impagável. Virou um produto de elite da elite. Um negócio que deveria ser acessível está se tornando inacessível. Não tem como meio litro de cerveja custar R$ 50. Tem algo errado nessa conta.

Patrícia Sanches, fundadora da Confraria Maria Bonita Beer, sócia da cervejaria Patt Lou e do Instituto Ceres de Educação Cervejeira
Apesar da crise, o que tem sido observado durante os últimos 4 anos é que os consumidores de cerveja vêm comprando um pouco menos, porém, novos apreciadores da cerveja estão surgindo, trazendo um balanço possível para os pontos de venda, apesar da queda. Em 2018, os festivais, as atividades de associação da cerveja com a gastronomia, as divulgações de marcas em grandes mídias de massa, o investimento de grandes cervejarias mainstream em produtos artesanais e a formação de diversos profissionais sommeliers vêm contribuindo para a popularização da bebida ao redor do país. Acreditamos que os consumidores ainda têm baixo conhecimento sobre questões relacionadas às potencialidades organolépticas da cerveja, poder de emparelhamento com diversos alimentos, detalhes sobre a influência da matéria-prima, métodos de produção, qualidade e prolongamento da vida útil da cerveja nas prateleiras.

Rodrigo Sena, sommelier e gestor da Escola da Cerveja BaresSP
2018 foi um ano de consolidação de um modelo de negócio para bares cervejeiros: a Tap House. Houve um boom em São Paulo de abertura desses bares que possuem diversas torneiras com cerveja artesanal, na grande maioria brasileiras, e que não possuem cozinha, abrindo espaço para um food-truck diferente a cada dia. Esse modelo teve ótima aceitação pelo público cervejeiro que consegue encontrar ótimas cervejas, frescas, e às vezes com preços interessantes. O legal é que a abertura de bares assim não ocorreu apenas nos chamados bairros nobres, muitos foram abertos em regiões mais distantes do centro da cidade. Acreditamos que 2 motivos levaram a isso: primeiro a forte demanda de um grande nicho por cervejas artesanais e depois a crescente oferta por parte de cervejarias, principalmente do interior de SP e do Sul do país, que tornou mais fácil a logística para esses bares. Além disso, em 2018, ainda houve um crescimento da quantidade de bares e restaurantes tradicionais que aderiram à venda de cervejas artesanais, ainda que um crescimento tímido.

Wellington Alves, fundador da 5Elementos
Acredito que o surgimento de novas cervejarias em ritmo exponencial representa um retrato do que o nosso mercado está se tornando. Os entraves burocráticos continuam sendo um obstáculo importante, acredito que o maior limitador do mercado como um todo, juntamente com os altos impostos.

Cerveja no ano novo? Brut IPA é solução ao champanhe

Chegou o ano novo e, mesmo quem não gosta muito, sempre acaba entrando na farra e brindando com um champanhe ou espumante. Nesse ano, no entanto, o cervejeiro ganhou um modo de continuar com sua bebida preferida sem fugir muito da tradição: as Brut IPA, variedade que compartilha muitas características com os espumantes, foram o grande destaque de 2018 e vieram para ficar.

Segundo Bia Amorim, sommelière e criadora da revista Farofa Magazine, a proximidade entre as Brut IPA e os espumantes é tanta que os próprios criadores da variante se empolgaram.

“Os cervejeiros que criaram e divulgaram a receita ainda pensaram em nomear de ‘Champagne IPA’, mas sabemos que usar essa denominação não seria permitido”, comenta ela. A restrição diz que só podem ser chamados champanhe os espumantes produzidos pelo método tradicional desenvolvido na região de mesmo nome, na França.

Para Samuel Cavalcanti, cervejeiro da Bodebrown, as Brut IPA têm uma efervescência marcante. “Mas não deixam de lado a natureza de uma IPA, por conta de seu amargor e corpo”, conta ele, que já desenvolveu quatro receitas. Nelas, como a Brut IPA Galaxy, fica evidente a refrescância.

“O lúpulo Galaxy é mais suave e cítrico do que lúpulos clássicos. No aroma, toques de lima, pomelo, mamão verde e frutas tropicais. Tem baixa formação de espumas, mas elas são bem persistentes. Muito fácil de beber e refrescante”, acrescenta Samuel.

Tendências
A novidade, para Bia Amorim, não chega a revolucionar o mercado, mas estabelece um novo rumo que pode ser tratado em paralelo ao caminho desenhado pelas New England IPA – fortes, amargas e turvas. “A chegada da Brut animou o mercado brasileiro, mas temos poucos lugares fazendo”, diz.

Para Bia, é preciso testar na panelinha antes de brassar uma receita em larga escala. “Há um nicho de apreciadores que gostam das novidades tanto quanto os cervejeiros de fato. Se funcionar com eles, o mercado entende que pode aumentar o volume”, explica.

Bia lembra a trajetória da Catharina Sour, que primeiro apareceu como moda em centros cervejeiros e hoje é feita e consumida em todo o país – tornou-se, inclusive, reconhecida pelo Beer Judge Certification Program (BJCP).

Balanço 2018: Tap house se consolida entre os bares brasileiros

No momento de beber sua cerveja fora de casa, o consumidor brasileiro se acostumou em 2018 com uma novidade que conquistou espaço entre os bares: a tap house. Foi fácil encontrar opções, não necessariamente requintadas, de estabelecimentos com diversas torneiras de artesanais à disposição do público.

As tap house vieram aliadas a um facilitador para o comerciário, que muitas vezes optou por não montar uma cozinha industrial, algo que costuma ser mais custoso em termos de investimentos. A opção era o food truck, que já faz parte do cenário brasileiro há alguns anos. E, ao público, ficou a possibilidade de contar com opções gastronômicas diferentes a cada ida ao bar.

“2018 foi um ano de consolidação de um modelo de negócio para bares cervejeiros: a Tap House. Houve um boom em São Paulo de abertura desses bares que possuem diversas torneiras com cerveja artesanal, na grande maioria brasileiras, e que não possuem cozinha, abrindo espaço para um food-truck diferente a cada dia”, avalia Rodrigo Sena, Sommelier e Gestor da Escola da Cerveja BaresSP.

Esse tipo de modelo de negócios foi bem aceito pelo consumidor, entre outras razões, segundo ele, pois ha preços mais acessíveis de sua cerveja artesanal preferida em uma tap house. ” Esse modelo teve ótima aceitação pelo público cervejeiro que consegue encontrar ótimas cervejas, frescas, e às vezes com preços interessantes.”

Rodrigo aponta também a expansão do modelo de tap house por diferentes regiões das cidades como fator importante para sua consolidação em 2018. “O legal é que a abertura de bares assim não ocorreu apenas nos chamados bairros nobres, muitos foram abertos em regiões mais distantes do centro da cidade.”

O surgimento de bares com diversas torneiras também teve uma importante função no mercado de artesanais: funcionar como um receptor da produção. Esses novos estabelecimentos, inclusive, trazem a segurança para as microcervejarias produzirem, sabendo que haverá uma demanda a ser atendida.

E esse é um fator visto como importante para o êxito da tap house, na visão do Gestor da c. “Acreditamos que dois motivos levaram a isso (o êxito da tap house): primeiro a forte demanda de um grande nicho por cervejas artesanais e, depois, a crescente oferta por parte de cervejarias, principalmente do interior de São Paulo e do Sul do país, que tornou mais fácil a logística para esses bares”, avalia.

Em um cenário mais amplo, Rodrigo Sena também aponta que as artesanais conquistaram uma participação maior entre as opções de cervejas oferecidas por bares mais tradicionais. “Em 2018 ainda houve um crescimento da quantidade de bares e restaurantes tradicionais que aderiram à venda de cervejas artesanais, ainda que um crescimento tímido”, afirma.

5 praias do Nordeste que receberão eventos da Corona no fim de ano

Depois de formalizar um patrocínio a Gabriel Medina, bicampeão mundial de surf, a Corona reforçou sua estratégia de “vida na natureza” ao anunciar mais uma interessante iniciativa: uma série de eventos especiais de fim de ano em cinco espetaculares praias do Nordeste.

Sob o conceito de #thisisliving, que convida as pessoas a curtirem a vida perto da natureza, a marca fará eventos em São Miguel dos Milagres, em Alagoas; Barra Grande e Trancoso, na Bahia; Fernando de Noronha, em Pernambuco; e São Miguel do Gostoso, no Rio Grande do Norte.

Cada uma dessas cidades receberá eventos específicos, além das tradicionais Corona Sunsets, festas da marca que prometem momentos de desconexão da rotina. “O ano novo é uma das melhoras épocas do ano para a galera ficar offline e curtir tudo que a estação tem para oferecer. Ficar em contato com a natureza é um momento especial em que as pessoas se conectam com elas mesmas”, afirma Fernanda Federico, gerente de marketing da Ambev.

“Queremos que nossos consumidores tenham uma experiência completa nesse verão e vivam o estilo de vida de Corona, por isso estamos investindo em ações que convidam as pessoas a viverem o #thisisliving. Além disso, queremos reforçar e conscientizar sobre a importância de preservarmos a natureza. Se gostamos tanto de aproveitar o lado de fora temos que cuidar dele também”, complementa Fernanda.

Confira as 5 cidades que receberão eventos da Corona neste fim de ano.

São Miguel dos Milagres (AL)
Aproveitando a beleza natural do vilarejo, a marca promoverá passeios às piscinas naturais, onde será possível curtir as praias em barcos. Já a Corona Sunsets de São Miguel dos Milagres será no domingo. Para mais informações, acesse: https://www.reveillondosmilagres.com.br/.

Barra Grande (BA)
Situada no litoral Sul do Estado, a Península de Maraú reúne uma grande variedade de belas paisagens. E, para reforçar o clima de festa, a Corona Sunsets Barra Grande ocorrerá no domingo. Para mais informações, acesse: https://meubilhete.com/reveillon-mil-sorrisos-2019.

Trancoso (BA)
O badalado distrito de Porto Seguro será palco da Casa Corona, na Praia dos Coqueiros, com restaurante com cardápio exclusivo da Casa Carbone, além de muita cerveja gelada. Terá, ainda, área de bem-estar e espaços para praticar esportes como slackline, futebol de mesa, futevôlei, vôlei de praia e stand up paddle. Estará disponível até o dia 6 de janeiro.

Fernando de Noronha (PE)
Assim como em São Miguel dos Milagres, a marca promoverá passeios às piscinas naturais na mais famosa das ilhas brasileiras. Já a Corona Sunsets de Fernando de Noronha será nesta sexta-feira. Para mais informações, acesse: https://www.reveillondenoronha.com/.

São Miguel do Gostoso (RN)
Próximo a Natal, o pacato e inigualável vilarejo de pescadores receberá oficinas de kitsurf, esporte que se tornou célebre na região devido aos fortes ventos. E, para embalar a integração com a natureza, a Corona Sunsets São Miguel do Gostoso ocorrerá no domingo. Para mais informações, acesse: https://reveillondogostoso.com.br/.

Balanço 2018: Em ano difícil para cervejas, artesanais ganham espaço

Sinais trocados podem ajudar a explicar e a compreender como foi 2018 para o mercado de cervejas. O ano foi de consolidação e confirmação da importância das artesanais, que vão conquistando seu espaço com o público e sendo importante polo gerador de empregos. Mas também de desafios, especialmente provocados pela crise econômica e política, algo que freou o aumento do consumo, mesmo em um setor em expansão.

De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o número de cervejarias artesanais independentes saltou de 679 para 835 entre dezembro de 2017 e setembro de 2018, um aumento de 23%. E estes estabelecimentos têm expressivos 169.681 produtos registrados.

Além disso, em um cenário de crise e falta de emprego, as artesanais deram sua contribuição em 2018 para não tornar o cenário ainda pior. Segundo dados divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), 1.757 vagas foram criadas pelo setor cervejeiro entre janeiro e outubro. Desse total, 951 vieram de empresas de pequeno porte, ou seja, com até 99 funcionários – número que equivale a 54,13% do total e supera os 806 empregos criados pela grande indústria.

“O ano de 2018 foi muito feliz, muito profícuo para as cervejarias artesanais independentes. Tivemos um grande crescimento no número de cervejarias, os consumidores ampliando o conhecimento sobre cerveja, consumindo mais artesanais. E nossas cervejarias gerando muito mais emprego”, afirma Carlo Giovanni Lapolli, presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), ao Guia.

Mas, se houve crescimento no número de cervejarias artesanais e na quantidade de empregos surgidos a partir delas, o consumo praticamente estagnou. Tanto que uma recente pesquisa divulgada pela Kantar Worldpanel demonstrou crescimento, mas tímido, da compra de cerveja no Brasil.

No período de 12 meses encerrado em setembro, o aumento da presença da bebida nos domicílios foi de 0,7%, passando de 62,7% para 63,4%. E o volume médio levado para casa passou de 4,4 para 4,5 litros. Já o valor gasto chegou aos R$ 342 em 2018, ante aos R$ 286 de 2016.

“Os últimos dois anos foram ruins para o mercado cervejeiro, a crise foi real, impactou o setor, o consumo baixou, muito bar fechou. O mercado retraiu”, aponta Luis Marcelo Nascimento, consultor cervejeiro, juiz do BJCP e sócio do Volátil, do H. e do The Lab.

Por isso, José Bento Valias Vargas, sócio da Lamas Brew Shop de BH, da Dunk Bier e um dos fundadores da Acerva Mineira, vê um cenário em que há mais oferta do que demanda ao público, que pode estar se voltando para opções mais baratas.

“O mercado está inundado de cerveja artesanal encalhada. Claro que o consumidor não deixa de comprar, mas vai comprar das mais baratas, volta a cerveja de massa ou nas cervejarias artesanais que pertencem às grandes e conseguem custos de produção e regalias governamentais desproporcionais”, alerta.

5Elementos: Premiada e com aposta em cervejas pesadas em Fortaleza

A 5Elementos vem conquistando um importante espaço no mercado brasileiro desde o seu surgimento, em 2016. Foi assim neste ano ao obter prêmios relevantes no setor. E também ao apresentar rótulos de cervejas criativas e pesadas, com mais de 10% de teor alcoólico.

Criativa também é a história dessa microcervejaria que surgiu da união de um grupo de amigos. Como na Teoria dos Cinco Elementos, em que madeira, fogo, terra, metal e água são vistos como formadores do mundo material e que sua interação e controle recíproco determinam o estado de constante movimento e mudança, a junção deles permitiu uma ação que levou à criação da cervejaria na capital do Ceará, como relembra Wellington Alves, um dos fundadores da 5Elementos, em entrevista ao Guia.

Com uma capacidade inicial para produzir 1.200 litros de cerveja por mês, a 5Elementos aumentou significativamente esses números. Hoje, são 7 mil litros mensais e mais de 50 rótulos produzidos, o que inclui cervejas de linha, sazonais e colaborativas. E, com o crescimento, vieram os prêmios e as apostas mais ousadas, com cervejas de graduação alcoólica elevada.

Neste ano, em parceria com a Augustinus, de São Paulo, a 5Elementos lançou “a cerveja mais alcoólica do Brasil”, segundo descreve a marca: a Dead In The Abyss. É uma Russian Imperial Stout que leva baunilha, lactose e café. A bebida, que traz ainda um rótulo especial, reúne algumas das principais características das Imperial Stouts já produzidas por cada cervejaria – a Abyssal, da 5Elementos, e a Dead by Dawn, da Augustinus.

Seu diferencial foi a adição de café maturado em barril de Bourbon, desenvolvido pela Franck’s Ultra Coffee, marca de Curitiba reconhecida pelo seu trabalho com cervejas artesanais. Mas, claro, o destaque fica por sua graduação alcoólica: 20%, resultando em uma cerveja imponente e intimidadora, escura e viscosa, segundo as cervejarias.

Variedade e prêmios
O lançamento de uma cerveja pesada poderia ser um indício de que a 5Elementos estaria mais voltada ao público que se interessa por esse tipo de bebida. Mas o pensamento não é esse, mas em produzir cerveja “pensando em qualidade acima de tudo”. E a atender aos mais diferentes nichos.

“Temos uma legião de apreciadores que vão desde o consumidor iniciante, que procura as cervejas de entrada, até o beergeek, que procura as cervejas na linha high end. Acredito que o mercado suporte bem ambos os nichos, sempre trazendo um pouco de cada lado para um ambiente comum. É nesse ambiente mais ao centro que focamos o nosso trabalho, sem perder o hype”, explica Wellington Alves.

A própria 5Elementos, porém, vê as Imperial Stout como seu carro-chefe no mercado de artesanais. “Nossas cervejas mais procuradas são as Imperial Stouts. Nessa linha, a Abyssal e variantes (coffee e coconut edition) têm bastante saída, em virtude da intensidade da cerveja, combinada com 12% (de graduação alcoólica) muito bem equilibrados”, afirma.

E foi com essa linha que vieram prêmios de prestígio para a 5Elementos em 2018. No Slow Brew, realizado em São Paulo, conquistou algumas das principais medalhas. A Coconut & Pancake Brunch Stout, uma Russian Imperial Stout com 12% de teor alcoólico, ganhou os prêmios de melhor lançamento e rótulo mais curtido do festival. Além disso, a Coffee & Pancake Brunch Stout foi bronze na votação de rótulo mais curtido, e a Abyssal SBB2018 levou a prata na disputa entre os lançamentos.

Para atingir tais feitos, a 5Elementos conseguiu evoluir em alguns aspectos da produção de suas cervejas. “Acredito que aperfeiçoamos muito o uso de adjuntos em nossas produções, onde exploramos uso de maple, frutas, lactose”, comenta Wellington, em uma auto-avaliação sobre o que a cervejaria cearense evoluiu nos últimos meses.

Mercado aquecido
De iniciante em 2016 a cerveja premiada em 2018, a 5Elementos é arquétipo de um setor em expansão, com aumentos de 23% no número de artesanais apenas nos nove primeiros meses deste ano. “Acredito que o surgimento de novas cervejarias em ritmo exponencial representa um retrato do que o nosso mercado está se tornando”, afirma o sócio da marca, também torcendo por melhoras no setor para que o seu bom exemplo se expanda.

“Os entraves burocráticos continuam sendo obstáculo importante, acredito que o maior limitador do mercado como um todo, juntamente com os altos impostos. Esperamos que em 2019 o mercado comece a se consolidar, despertando o interesse inclusive de autoridades que possam contribuir com a redução das taxas abusivas, ajudando o mercado a crescer de forma menos nociva”, diz.

E, além dos pedidos para melhoria do mercado, a 5Elementos também já trabalha com a intenção de manter seu crescimento qualificado para o próximo ano.

“Para 2019 estamos com diversas cervejas que foram envelhecidas em barris de madeira, nossa linha barrel-aged”, revela Wellington Alves, mostrando que o apreciador das suas cervejas continuará sendo muito bem saciado.