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Voz etílica: Frank Sinatra inspira série de cervejas envelhecidas da Mafiosa

“A Voz”. É assim que muitos fãs se referem a Frank Sinatra, lenda da música norte-americana e reconhecidamente um dos maiores artistas do século XX. Mas, multifacetado, ele também possui outros capítulos interessantes na sua história, alguns motivos de lendas até hoje. Um deles versa sobre o seu envolvimento com a máfia. E esse controverso traço o “uniu” a uma cervejaria de Valinhos, no interior paulista: a Mafiosa.

Surgida em 2013, a cervejaria recebeu esse nome porque os seus criadores viram na produção caseira, naturalmente com vários improvisos em seu início, uma lembrança da fabricação de bebidas durante o período que vigorou a Lei Seca nos Estados Unidos, entre 1920 e 1933, quando a produção era controlada pela máfia italiana.

Desde então, a Mafiosa expandiu e ampliou a sua carta de opções, tendo a Crooner, uma American Strong Ale, entre as suas opções de sazonais. Como o nome indica, a inspiração é clara: o cantor que eternizou My Way e Strangers in the Night, entre outros standards, e teria sido a inspiração de Mario Puzo para o personagem Johnny Fontane, um cantor protegido pela máfia em Poderoso Chefão, livro transformado em trilogia nos cinemas por Francis Ford Coppola.

E se não há coletânea que possa resumir a carreira de Sinatra, a Mafiosa aproveitou uma reserva especial da Crooner para lançar a Irrefutabile #1. Trata-se da primeira cerveja de uma linha Barrel Aged, de aroma frutado, criada a partir dessa reserva e tendo sido envelhecida em barris de carvalho norte-americano por seis meses.

“Já havia um tempo que queríamos envelhecer uma cerveja em madeira. Quando criamos a Crooner, nos inspiramos em Frank Sinatra, sua história com a máfia e sua paixão por uísque. Pensamos em trazer a cerveja no primeiro momento, fresca, usando uma variedade de lúpulo que trouxesse as características da madeira e da bebida (madeira, coco, baunilha). Depois relançaríamos a mesma cerveja, a princípio seria o mesmo nome, com o envelhecimento na madeira”, explica Gui Matheus, sócio-fundador e cervejeiro da Mafiosa.

A primeira Irrefutabile
Embora originária de um lote da Crooner, a Irrefutabile #1 tem diferenças se comparada com a cerveja que lhe deu origem, advindas das barricas de carvalho utilizadas em sua produção.

“Separamos esse lote em quatro barricas de carvalho norte-americano, semi-novos. Cada barrica trouxe uma peculiaridade para a cerveja. Uma agregou um pouco de acidez, a outra trouxe características mais presentes do carvalho, as demais tinham um funky de leveduras selvagens. O blend das quatro barricas ficou incrível. Trouxe muita complexidade, aromas de madeira. O envelhecimento também arredondou a cerveja, deixando-a mais seca, com um leve aquecimento remetendo ao uísque ou bourbon”, acrescenta o cervejeiro da Mafiosa.

A Irrefutabile #1 tem 9% de álcool e 70 IBUs, com destaque para baunilha, caramelo, coco, madeira e uma leve acidez com toque de funky. Tem harmonização sugerida para carnes assadas, de caça e cordeiro, assados ou grelhados, queijos maturados e sobremesas com caramelo. É comercializada em chope e em garrafas rolhadas de 375ml, com preço sugerido de R$ 42.

Como indica o número 1 no nome da cerveja, não se trata de uma mera artesanal, mas do começo de uma linha da Mafiosa. Gui Matheus destaca que a ideia de criar uma série de cervejas envelhecidas surgiu durante a realização desse processo com a Crooner. E a promessa é de que a linha, como diz o seu nome, será irrecusável para qualquer apreciador de cerveja.

“Enquanto ela estava descansado nas barricas, decidimos envelhecer outras cervejas. Com isso, ao invés de chamar a cerveja com o mesmo nome e só acrescentar o Barrel Aged, decidimos criar uma linha de cervejas únicas e especiais, irrecusável! Assim surgiu a linha – Irrefutabile”, conclui.

Os próximos passos da Mafiosa
Barrel Aged – Também inspirada no Poderoso Chefão, em uma frase dita por Peter Clemenza, a Leave the Gun! Take the Cannoli será a próxima dá série. Trata-se de uma Russian Imperial Stout que está descansando em barricas de vinho do Porto.

Lawless – Para 2019, segundo antecipa Gui Matheus, a Mafiosa quer trabalhar ainda mais com madeira. “Estamos planejando resgatar mais, pelo menos, um estilo histórico para a nossa linha Lawless [que também resgata a época da Lei Seca]. Além disso, uma Milkshake IPA e uma American Sour.”

Produção de cevada sofre queda pelo terceiro mês seguido

A produção de cevada em grãos voltou a ter resultado negativo pelo terceiro mês seguido. Após os números positivos apresentados no primeiro semestre, a safra do cereal cervejeiro caiu em setembro, dessa vez para 384.985 toneladas, uma redução de 1,9% na comparação com agosto, segundo dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado reflete a diminuição da área plantada e do rendimento no último mês. A área passou de 99.601 hectares para 98.408, uma redução de 1,2%. Já a queda do rendimento foi de 0,8%, de 3.942 kg/ha em agosto para 3.912 kg/ha em setembro.

A nova diminuição da área plantada ampliou a redução no comparativo com 2017, agora apresentando queda de 16,4%. Mas a produção, com aumento de 34,4%, e o rendimento médio, com elevação expressiva, de 60,9%, ainda indicam a recuperação da safra anual de cevada em 2018, mesmo com os números negativos de setembro.

Os dados do nono mês de 2018 também não foram positivos para o trigo. A produção retraiu 0,5%, com queda de 2,1% no rendimento. Já a área plantada apresentou elevação de 1,6%. Apesar disso, o cenário continua sendo de recuperação na comparação com os números do ano passado.

Confira, a seguir, os números da cevada em setembro:

Safra da Cevada
Setembro
Agosto
2017
Produção
384.985 t
392.633 t
286.405 t
Rendimento
3.912 kg/ha
3.942 kg/ha
2.432 kg/ha
Área
98.408 ha
99.601 ha
117.779 ha
 
E os números do trigo:

Safra do Trigo
Setembro
Agosto
2017
Produção
5.849.671 t
5.879.675 t
4.241.602 t
Rendimento
2.864 kg/ha
2.925 kg/ha
2.217 kg/ha
Área
2.042.691 ha
2.009.981 ha
1.913.226 ha

Marinha norte-americana acaba com a cerveja da capital da Islândia

O que era para ser apenas um exercício militar de tropas dos países da Organização para o Tratado do Atlântico Norte (Otan) teve consequências inusitadas na Islândia. Em metade de uma semana, milhares de marines (nome dado aos oficiais da marinha dos Estados Unidos) beberam simplesmente toda a cerveja disponível na capital Reykjavik.

Entre quarta-feira, dia 24 de outubro, e domingo, 28, cerca de 7 mil militares norte-americanos estiveram na capital Reykjavik. Os oficiais participavam de um exercício militar batizado Trident Juncture, que envolveu 65 embarcações, 150 aeronaves e 10 mil veículos militares dos países da Otan, Suécia e Dinamarca.

Para se ter uma ideia, a população da Islândia é de pouco menos de 340 mil habitantes, o que significa um aumento temporário de 2% no número de pessoas na ilha – todos sedentos por cerveja.

O simpático centro de Reykjavik tem uma cena noturna agradável. Conta com diversos bares interessantes para o público norte-americano, como o Dillon Whiskey Bar, com tema gângster, o bar Lebowski, inspirado na comédia hollywoodiana O Grande Lebowski, de 1998, e um pub batizado The English.

Ao portal norte-americano Star and Stripes e ao portal local Vísir, proprietários e trabalhadores dos bares da cidade relataram que as vendas ultrapassaram o dobro do previsto para o final de semana de exercícios militares.

“Tivemos que mandar funcionários do bar para o nosso depósito para buscar correndo mais cerveja”, afirmou o barmen Ingvar Svendsen, do American Bar, um dos destinos preferidos do público. Os estabelecimentos com estoques maiores colaboraram emprestando a quem tinha menos reserva.

A cervejaria Olgerdin Egill Skallagrimsson, que faz a cerveja mais popular do país, a Gull, precisou mandar remessas extra emergenciais para abastecer os estoques dos bares. Apesar da correria, os comerciantes locais relataram que os marinheiros tiveram comportamento exemplar, e não causaram problemas.

4 benefícios dos concursos para o setor cervejeiro

“O importante não é vencer, mas competir. E com dignidade.” O lema, ligado ao Barão de Coubertin, sempre lembrado durante a realização dos Jogos Olímpicos, também pode ser associado ao setor de cervejas artesanais diante do crescimento da realização de concursos, normalmente durante festas, feiras ou encontros.

Só nas últimas semanas, três importantes concursos foram realizados: o Mbeer Contest Brazil, a Copa Cervezas de América e a Copa Cerveja Brasil.  Mais do que apenas oferecerem medalhas e o reconhecimento da qualidade da cerveja, contudo, esses  eventos servem como importante avaliação e podem indicar a definição de rotas a serem tomadas pelas artesanais.

Além disso, os concursos são benéficos para todas as pontas do setor. Afinal, além do grande potencial para atração de um público maior, que pode usar seu resultado como balizador no momento de definição do consumo, também servem como indicador para onde o mercado está se direcionando, apontando tendências.

A partir de conversa com Amanda Felipe Reitenbach, fundadora e CEO do Science of Beer Institute, escola focada na educação cervejeira e responsável pela organização do Concurso Brasileiro de Cervejas, uma das competições mais tradicionais e valorizadas do setor, o Guia da Cerveja apontou quatro benefícios da realização dos concursos. Confira:

1- Avaliação qualificada da cerveja que está sendo produzida
O concurso é a oportunidade ideal para o microcervejeiro receber uma avaliação qualificada sobre a qualidade da bebida que está produzindo. “Permite que a cervejaria tenha um feedback muito qualificado. Não é uma mera avaliação, mas uma avaliação feita por um time de jurados muito competente”, afirma Amanda.

2- Dicas de correções a serem feitas nas cervejas
Independentemente do resultado do concurso, com a conquista de uma medalha ou não, os apontamentos dos avaliadores podem ser valiosos na busca de rumos e para a correção de detalhes. “Ganhando ou não medalha, é importante para saber como está seu produto, como você pode direcioná-lo para o mercado, como corrigir, se tiver coisas a corrigir”, explica.

3- Mapeamento do mercado pelos profissionais do setor
Alguns concursos envolvem centenas de rótulos, o que permite aos jurados, em um espaço curto de tempo, ter contato com uma parcela considerável do setor de artesanais. Isso permite ao especialista “dimensionar algumas estatísticas de como o mercado está indo, como o mercado está se desenvolvendo, quais os estilos as cervejarias estão desenvolvendo, qual é a constância desses estilos”, enumera Amanda.

4– Indicação de tendências para o futuro
A lista de inscritos e o tipo de cervejas participantes podem escancarar mudanças no setor, especialmente se comparadas com as edições anteriores dos concursos, revelando tendências. “O concurso serve como um senso. É importante para observar as mudanças que o mercado vem apresentando”, comenta.

Biscoito ou bolacha: Confira as novidades cervejeiras da semana

A semana trouxe criativas novidades para o universo cervejeiro. A rivalidade entre paulistas e cariocas e a clássica divisão nacional – é biscoito ou bolacha? – rendeu duas cervejas feitas em parceria entre a Treze e a 2cabeças. Já a Dádiva apostou na jabuticaba e no mirtilo para lançar o quarto rótulo de sua linha Pink Lemonade. Confira, a seguir, as novidades da semana.

Biscoito ou bolacha?
A rivalidade entre paulistas e cariocas resultou em uma nova e criativa cerveja ao mercado brasileiro. A paulista Treze e a carioca 2cabeças se uniram para brincar com outra clássica divisão nacional: afinal, qual o termo correto, biscoito ou bolacha? Dessa questão nasceu duas Double Brown Ales: a Biscoito, que leva baunilha e côco na receita; e a Bolacha, com baunilha e cacau. As duas possuem 8,8% de teor alcoólico e colocação marrom escuro. “O estilo Double Brown Ale tem um perfil sensorial que lembra bolacha, bolo, panificação, nozes e cereais. Ainda adicionamos baunilha e dividimos em duas finalizações diferentes, com os ingredientes dos dois sabores mais clássicos de bolachas e biscoitos: coco e cacau”, conta Eduardo Marques, sócio da Treze. “Bolacha é para apoiar o copo cheio de cerveja, no máximo. O certo mesmo é biscoito, é indiscutível. Mas, estamos muitos felizes nessa criação com a Treze que, apesar de paulistas e não saberem o que falam, são grandes amigos. No fim, temos duas cervejas deliciosas” brinca Bernardo Couto, da 2cabeças.

Purple Sour
A Dádiva lançou o quarto rótulo de sua linha Pink Lemonade. Trata-se da Purple Sour, uma Berliner Weisse de cor púrpura que ganhou uma combinação de jabuticaba e mirtilo, com um toque final aveludado de baunilha. Possui teor alcoólico de 4%, sabor intenso de frutas escuras e uma acidez típica do estilo. “Sempre que vejo uma jabuticaba, me lembro da minha avó Deilah. Ela dizia que eu tinha olhos de jabuticaba. Então, quando decidimos fazer uma Berliner Weisse com a fruta, vasculhei os baús da família para encontrar uma foto com a qual pudesse homenageá-la”, relata Luiza Lugli Tolosa, sócia-fundadora da Dádiva.

Oktoberfest da Blondine
A Blondine entrou no clima de festa ao lançar um rótulo comemorativo da Oktoberfest. A Märzen, que faz alusão ao mês de março, caracteriza esse tipo de cerveja produzida em março para ser consumida em setembro e outubro. “A Oktober possui aroma maltado, de coloração dourada ao vermelho-âmbar e textura cremosa, tem um paladar adocicado com final seco. Este é um rótulo que não só celebra uma das mais tradicionais festas cervejeiras, como também busca democratizar o seu acesso, com um produto de muito sabor e ótimo preço”, diz Mariane Marques, gerente de marketing da Blondine.

Catharina com seriguela
A Kairós utilizou a seriguela como inspiração para lançar a Maricota Catharina Sour, uma cerveja ácida e refrescante que faz parte da série “Lendas da Ilha”, que homenageia o folclore de Florianópolis. No rótulo, estão retratados os personagens Maricota, Bernúncia e Boi-de-mamão, retratando a história de Mateus, um vaqueiro simples do interior da Ilha que, ao ver seu boi de estimação morto, busca um médico e um curandeiro para ressuscitá-lo. Ao fim, o boi volta à vida e todos comemoram com cantorias e danças. Quem dança e rodopia é a Maricota, uma mulher que alcançaria o melhor fruto da seriguela para produzir a cerveja.

Lei Seca: Confira como será o segundo turno no seu estado

Os mesmos 12 estados brasileiros que adotaram a Lei Seca no primeiro turno das eleições vão restringir  venda ou consumo de bebidas alcoólicas no segundo turno. A decisão sobre a restrição depende da interpretação do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de cada estado. Há, ainda, estados em que a aplicação da lei ficou a cargo do juiz de cada zona eleitoral – o que torna a questão mais confusa ainda e indefinida até agora.

Em diversos estados (como Pará e Paraná), a liberação da Lei Seca foi obtida na Justiça por meio de liminar concedida a representantes dos setores de bares e restaurantes, alegando que o período sem poder vender significa um grave prejuízo financeiro.

Mesmo com a liberação da Lei Seca na maioria dos estados, é preciso ficar atento a às regras que determinam as condutas adequadas no dia das eleições. Em suma, as autoridades estão atentas a qualquer “bagunça” nos locais de votação, e não é permitido votar embriagado.

Abaixo, a lista dos estados que terão a proibição, com suas regras e horários específicos para o segundo turno:

  • Acre: proibição em diversas cidades, com horários diferentes:
    • Xapuri e Capixaba: 0h às 18h do dia 28.
    • Sena Madureira e Santa Rosa: 18h do dia 27 às 18h do dia 28.
    • Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter e Rodrigues Alves : 23h59 do dia 27 às 19h do dia 28.
    • Tarauacá e Jordão: 20h do dia 27 às 19h do dia 28.
    • Brasileia, Epitaciolândia e Assis Brasil: 22h do dia 27 às 22h do dia 28.
    • Feijó: 22h do dia 27 às 20h do dia 28.
    • Senador Guiomard, Acrelândia e Plácido de Castro: 18h do dia 27 às 21h do dia 28.
  • Amazonas: proibido o consumo em locais públicos das oh às 17h do domingo
  • Amapá: proibido o comércio, distribuição, venda e consumo das 0h às 18h de domingo
  • Ceará: em Fortaleza, proibido o comércio, distribuição, venda e consumo das 0h às 19h de domingo. Em outras cidades, a decisão dos juízes eleitorais deve sair hoje.
  • Maranhão: proibido o comércio, distribuição, venda e consumo das 18h de sábado às 23h59 de domingo
  • Mato Grosso do Sul: proibido o consumo das 3h às 17h de domingo em lugares públicos, mas liberado em estabelecimentos que funcionem apenas como restaurantes entre 11h30 e 14h40
  • Minas Gerais: proibido o comércio, distribuição e venda das 6h às 18h de domingo, o consumo não foi proibido
  • Piauí: proibido o comércio, distribuição, venda e consumo em locais públicos das 0h às 17h de domingo
  • Rio Grande do Norte: proibido o comércio, distribuição e venda das 6h às 18h de domingo
  • Pará: proibido o comércio, distribuição e venda das 0h às 18h de domingo, além da proibição de festas em clubes, casas de shows, boates e bares
  • Roraima: proibido o comércio, distribuição e venda das 6h às 18h de domingo

Infográfico: Os vencedores da primeira Copa Cerveja Brasil

A primeira edição da Copa Cerveja Brasil, realizada pela Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), teve seus vencedores anunciados no último dia 20 de outubro, com altíssimo nível de microcervejarias, cervejas e brewpub.

A microcervejaria do ano, com a maior pontuação média, foi a Bierbaum, de Treze Tílias (SC). O diretor da empresa, Markus Bierbaum, reconhece a dificuldade de impressionar jurados em um nível tão alto. “As premiações em concursos são de extrema importância, pois indicam se os produtos atendem aos mais exigentes paladares, e também demonstram possíveis ajustes e melhorias”, afirma. As 590 amostras inscritas na Copa foram analisadas por cerca de 50 juízes, coordenados por Igor Puorro.

Entre as marcas ciganas, com produção terceirizada, o destaque do ano foi para a Mantrap, de Belo Horizonte (MG).  “Até pouco tempo a cervejaria era composta de apenas uma pessoa, ao mesmo tempo o cervejeiro, motorista, marketing, vendedor, entregador, comprador, CEO…” conta Fernando Cherem, cervejeiro da casa. Ele enxerga no competitivo cenário nacional um espaço promissor para as ciganas. “Esse prêmio demonstra que as cervejarias ciganas podem sim ter seu lugar no mercado. Há muita coisa boa por aqui e queremos servir de exemplo para as demais.”

O brewpub 3 Orelhas, de Gonçalves (MG), foi o considerado o melhor do Brasil, e seu mestre cervejeiro Bruno Faria celebrou a conquista. “Representa o reconhecimento do nosso trabalho e planejamento como empresa. Somos apaixonados pela cerveja e a cultura que a circunda, tanto no Brasil quanto no resto do mundo. No final das contas é um belo motivo para comemorarmos!”

Na contagem total de medalhas, os estados de Santa Catarina (16) e Rio Grande do Sul (13) foram os vencedores, seguidos de Distrito Federal (7), Minas Gerais (7), São Paulo (6), Espírito Santo (5), Rio de Janeiro (5), Paraná (4), Goiás (2), Mato Grosso (1) e Pernambuco (1).

Ao todo, 36 cervejarias foram premiadas com 67 premiações, que você confere no infográfico abaixo:

 

 

Oktoberfest, Outubro Rosa: A agenda cervejeira do final de semana

Se o clima de tensão eleitoral toma boa parte do país no final de semana, o cervejeiro pode descontar a ansiedade em bons eventos etílicos, como a Oktoberfest na Mercadoteca, o Outubro Rosa da Acerva-PR e a inauguração do taproom da Daoravida. Confira, a seguir, a agenda do final de semana.

Curitiba
– Oktoberfest na Mercadoteca: O espaço gastronômico e cultural realiza sua versão da festa alemã no sábado, das 11h às 23h, na Rua Paulo Gorski, 1309. Destaque para a promoção de chope Way no bar Glasso, a partir de R$ 9, e para a decoração temática, além de comidas especiais e show do grupo folclórico Original Einigkeit Tanzgruppe.

– Outubro Rosa da Acerva-PR: O importante mês de prevenção ao câncer de mama será celebrado por um evento feito em parceria entre a Alright Brewing Co. e a Acerva-PR, domingo, das 11h às 18h, na sede da cervejaria, na Rua Adir Dalabona, 95. A entrada custa R$ 15 e dá direito a um chope de 400 ml. Com apresentação da banda Dose in Blues, o evento terá cerveja a preços promocionais: cada 100 ml sairá por R$ 2,50.

São Paulo
– Inauguração da Daoravida: Criada pelo casal Wagner Falci e Michele Gimenez, a Daoravida inaugura no sábado o seu taproom em São Paulo, na Rua Celso de Azevedo Marques, 193, na Mooca. O espaço terá cinco torneiras e fará parcerias com foodtrucks e restaurantes próximos. Para a inauguração, estarão engatadas cervejas como a Labirintite, uma Belgian Tripel com Candy Sugar artesanal, e a Akaya, uma Brazilian Juicy IPA feita em parceria com a italiana a Birrificio del Ducato.

Hoegaarden no brunch: A 6ª edição do Brunch Weekend termina neste final de semana com uma inusitada promessa: a de harmonizar o brunch, tradicional refeição britânica, com bebidas alcoólicas. Mais de 50 restaurantes participarão do evento que ocorre no sábado e no domingo, das 09h30 às 16h30, com menu a preço fixo de R$ 55. E, entre eles, o Botani Kafé escolheu um prato – o Ozzy Break, um pão levain, com ovos mexidos, espinafre, coalhada com páprica, shitake e salmão defumado – para harmonizar com a Hoegaarden. Confira aqui mais informações.

Quer incluir seu evento em nossa agenda? Escreva para nosso editor: itamar@guiadacervejabr.com

Entrevista: Matisse une cerveja e arte para resgatar o inexprimível da memória

Definir o inexprimível. Eis um conceito fundamental na concepção artística, um conceito presente em cada obra criada pela humanidade, decisivo para amparar nossa existência diante da inevitabilidade do ocaso. Um conceito também preciso para tempos como estes, onde o lado exprimível da política – aqui entendida como a capacidade de nos associarmos na busca por um bem comum – é varrido por ruídos e brutalidades incapazes de identificar a beleza inexprimível das nuances e dos matizes.

Pois é justamente nessa busca essencial pelo inexprimível que Mario Jorge Lima, engenheiro químico e ex-funcionário da Petrobras, e sua esposa Maria Antônia, também engenheira química, decidiram criar a Matisse, uma cervejaria de Niterói que se utiliza da inspiração artística para criar bebidas que se interligam com a memória.

Mario Jorge e Maria Antônia, o casal sócio da Matisse

“No sentido de que a arte pode transmitir um sentimento inexprimível, entendemos que fazer cerveja artesanal também é uma forma de arte, pois através de uma cerveja podemos transmitir um sabor que temos em nossa memória e não podemos descrever”, explica Mario Jorge ao Guia da Cerveja.

Para auxiliar nesse projeto de resgate da memória, um trabalho que remonta a Marcel Proust, o clássico escritor francês cuja obra principal – Em Busca do Tempo Perdido – aborda a procura pelas reminiscências inexprimíveis do passado, Mario Jorge fez um curso de fabricação de cerveja artesanal nos Estados Unidos, onde chegou a brassar com cervejarias como a Dogfish Head e a Allagash.

Essa importante experiência resultou no surgimento da Matisse em 2017 e em rótulos inspirados no universo artístico, como Amélie, Lydia e Saboya. Bebidas que dialogam com o estilo fauvista de Henry Matisse, pintor francês reconhecido pela versatilidade na expressão artística, pela simplicidade dos traços e pela pureza quase selvagem das cores, segundo descreve Mario Jorge.

O resultado de toda essa jornada não foi apenas a criação de uma marca única, com conceitos icônicos e uma identidade visual atraente e inventiva. Mas, também, de cervejas com qualidade, como demonstram os prêmios recém-conquistados pela Saboya, medalha de ouro no Mbeer Contest Brazil, do Mondial de la Bière RJ, e pela Maruhy, prata na Copa Cervezas de América.

Confira, a seguir, a entrevista completa com Mario Jorge Lima, sócio da Matisse.

Como surgiu a cervejaria, como ela está estruturada e quem são seus principais integrantes?
A nossa paixão por cerveja artesanal vem de longa data, quando o Brasil ainda não tinha praticamente nada de cerveja artesanal e ficávamos maravilhados quando viajávamos para o exterior e podíamos beber uma cerveja mais elaborada. Depois já era possível encontrar alguma coisa por aqui, principalmente no Sul e em São Paulo. Mas foi somente por volta de 2012 que entramos na onda de fabricar nossa própria cerveja em casa, inicialmente ajudando nossa filha e alguns colegas do curso de engenharia química, que entusiasmados compraram um equipamento bem rudimentar e elegeram a nossa casa para a fabricação. Depois compramos equipamentos melhores, fomos aprimorando as receitas e colocamos no calendário da família uma festa anual para celebrar com os amigos as cervejas que nós e eles, alguns também cervejeiros, tínhamos feito durante o ano. Esta festa ocorre entre outubro e novembro e, é claro, é chamada de Oktober Fest.

E como foi a passagem para a cervejaria?
No ano passado eu e minha esposa Maria Antônia resolvemos nos dedicar ao negócio de fabricar cerveja mais seriamente. Foi criada a Cervejaria Matisse no dia 4 de julho e, depois de pesquisar várias fábricas, elegemos a Lagos, em Saquarema, como nossa parceira, onde produzimos a nossa primeira cerveja, a Amélie, uma APA, lançada em novembro. A Matisse está estruturada como uma cigana, embora não o sejamos no sentido estrito do termo, já que até hoje fabricamos todas as nossas cervejas na Lagos. Com um capital modesto, mas adequado às necessidades de uma “cigana”, a Matisse hoje é composta por mim e minha esposa e continuamos recebendo muita ajuda de nossos filhos, a Nádia e o Túlio, que elaboram as receitas, o Públio e o Hudson, que ajudam nas vendas e na logística.

De onde veio a inspiração artística e por que exatamente a escolha por Matisse?
No sentido de que a arte pode transmitir um sentimento inexprimível, entendemos que fazer cerveja artesanal também é uma forma de arte, pois através de uma cerveja podemos transmitir um sabor que temos em nossa memória e não podemos descrever. Não existe sensação melhor do que quando a pessoa prova a nossa cerveja e nos olha com aquela cara, aí você pensa: ela entendeu. Pode ter gostado ou não, mas entendeu. Criamos então um lema: “Da arte ao artesanal” e saímos procurando um nome que refletisse essa ideia. Acabamos por escolher Matisse, que pela versatilidade na expressão artística, pela simplicidade dos traços e pela pureza quase selvagem das cores, que lhe valeu o título de fauvista, nos pareceu uma referência mais do que adequada para homenagear a arte como um todo.

O que o pintor traz de inspiração para cada cerveja de vocês? Sensorialmente, em alguns dos principais rótulos da Matisse, como essa inspiração é perceptível?
Fazer uma obra de arte é o nosso pensamento sempre que estamos trabalhando alguma receita, ousadia e equilíbrio, algum elemento do fauvismo talvez, que choca, mas de uma forma agradável, que é berrante, mas ao mesmo tempo simples e harmônico. A ideia de transmitir um sabor inexprimível, talvez algo que venha da infância. Meu pai trabalhava com café e aquele cheiro de café verde no armazém, vindo das sacas de café antes da torra… Como transmitir isso para alguém senão através de uma cerveja?

A Lydia, uma IPA com café verde, cumpriu esse objetivo. Lydia Delectorskaya foi assistente e musa de Henri Matisse e Amélie a esposa, justa homenagem ao pintor nas duas primeiras cervejas. A Saboya, nossa cerveja premiada no Mondial de la Bière RJ 2018, da mesma forma evidencia, para quem nunca teve a oportunidade de provar, o sabor da uvaia, uma fruta deliciosa mas altamente perecível, portanto não comercial. Uma fruta cítrica em uma cerveja estilo sour, na medida certa, a acidez perceptível, o sabor marcante e tudo isso em equilíbrio quase como se aquela garrafa tivesse nascido de uma uvaieira. Isso para nós é arte.

Linha da Matisse no Mondial de la Bière RJ

Como foi o desafio de criar uma identidade visual inspirada em um ícone como Matisse? Como foi esse processo, quem são os parceiros?
Esse foi na verdade o grande desafio, não somos artistas, a nossa arte, se existe, é a de fazer cerveja. Procuramos então alguns designers com formação em arte e passamos para eles o que queríamos, a nossa visão da marca, a inspiração em Matisse sem ser uma cópia, a beleza simples e pura, quase minimalista. Ficamos muito satisfeitos com o que nos apresentou o designer do Estúdio Lunar, de Niterói. Uma logo dinâmica, com o M estilizado em evidência, a palavra Matisse escrita em letras de forma, para que não parecesse uma assinatura, e ao fundo uma espécie de trapézio, uma figura geométrica na forma de tela, onde se pode projetar qualquer coisa, desde os recortes de Henri Matisse até o fogo de Antonio Parreiras, como aparece em Maruhy, uma American Stout que homenageia o grande artista de Niterói.

O que une o universo da cerveja com o de Matisse?
A arte.

A arte no sentido de transmitir algo que não se pode exprimir com palavras. Não é possível enviar pelo WhatsApp uma mensagem que explique a sensação de estar em uma ventania, só mesmo contemplando o quadro Ventania, de Antonio Parreiras; nem a sensação de estar no nascer do sol que nos transmite o quadro de Monet; assim como não é possível explicar a combinação dos sabores da pera e do cardamomo em uma witbier, só mesmo experimentando Camille, cujo nome é uma homenagem a Monet, grande expoente do impressionismo, cujas pinturas são turvas como a cerveja.

13 rótulos exclusivos que serão lançados no Slow Brew

Um dos festivais cervejeiros mais tradicionais não só de São Paulo, como de todo o país, o Slow Brew ocorrerá no dia 3 de novembro, das 12h às 20h, no Centro de Eventos Pro Magno, na Avenida Professora Ida Kolb, em São Paulo, com a promessa de interessantes novidades.

O evento contará com 74 marcas nacionais e internacionais e 371 rótulos, dos quais 50 serão lançamentos e 13 produzidos exclusivamente para o Slow Brew. Todas essas cervejas entrarão no esquema all inclusive, uma vez que o ingresso (compre aqui) garante a degustação livre.

“São muitos os destaques, mas para citar alguns, a Cervejaria MF, de Gramado, chega pela primeira vez no evento com 12 rótulos, assim como a Cozalinda, de Floripa, que estará com 4 lançamentos. A carioca Hocus Pocus chega com 4 lançamentos, a cervejaria 5 Elementos, do Ceará, produziu uma RIS especial para a festa, além dos seus lançamentos”, pontua a organização do festival.

“Quer mais lançamentos? Fique de olho na Juan Caloto e Freaktion, que fizeram rótulos para serem blendados entre si às 14h, Dogma, Trilha, cervejaria Tábuas, Black Princess (com lançamentos que foram mantidos como segredo), as inglesas Thornbridge e Fullers que aparecem pela primeira vez no evento, Salvador Brewing Co., de Caxias do Sul, com 4 lançamentos, Molinarius, Everbrew, Narcose, entre outras”, acrescenta.

O engate de cada lançamento, aliás, como é a marca do festival, será lembrado pelo toque das cornetas. Fique de olho.

E, para facilitar, reunimos aqui o horário dos 13 lançamentos exclusivos do Slow Brew. Não perca.

1- Cogumelo New Pará Aipiei (cerveja oficial do evento) – NE IPA com Capuaçu – 12h
2- Bamberg Weizen com Gengibre – 12h
3- Tábuas Flora Bálsamo – Saison com Madeira Bálsamo – 12h
4- Landel American Wheat Cardamomo – 13h
5- Landel 2 Hop Lager – 13h
6- Tábuas Serrote White Oak – Double IPA em carvalho 13h30
7- Júpiter Carmen Miranda – Sour com Manga, Maracujá, Abacaxi, Manjericão e Pepino  13h45
8- Júpiter Inca Brut IPA – 13h45
9- Bamberg Rauchbier Habanero – 14h30
10- Bamberg Weizenbock em Umburana – 14h30
11- Tábuas Brasa Maple – RIS com nibs de Cacau, Cumaru, Laranja e Maple 15h
12- 5 Elementos Abyssal #SBB2018 – RIS com Café, Baunilha e Coco 16h15
13- Trilha Gorilla Slow Brew – RIS com Avelã e Cacau envelhecido em Carvalho Americano – 16h30