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Um presente de Natal do Guia para os leitores

Hoje é Natal e todos devem estar mais a fim de relaxar e celebrar com a família e amigos do que qualquer outra coisa. Mas o Guia não poderia deixar de trazer para o leitor que nos prestigiou um pequeno mimo, nosso presente de Natal. O site nasceu em julho e, ao longo desses quase seis meses de vida, nos esforçamos para trazer para a comunidade cervejeira informação relevante, profunda e confiável. Por isso, queremos celebrar esse Natal relembrando alguns dos melhores momentos do ano por aqui.

Algumas das reportagens que mais inspiraram a equipe do Guia a seguir em frente foram aquelas em que trouxemos perfis de cervejarias que começam literalmente do zero. Com muita dedicação, as pessoas envolvidas constroem marcas sensacionais, produtos de altíssima qualidade e ajudam a estruturar esse mercado cervejeiro brasileiro, ao mesmo tempo tão promissor e cruel pelas dificuldades que impõe.

Cervejeiros são empreendedores, sonhadores, loucos e apaixonados, e sua ousadia merece sempre nossa admiração e apoio. Um brinde!

Assim, esperamos que o leitor que não tenha lido aproveite nosso presente de Natal, e aqueles que já leram, possam apreciar mais uma vez a beleza dessas histórias tão humanas e renovadoras – em sintonia com o espírito natalino. Não repara, é simples, mas é de coração. Feliz Natal a todos os amantes da cerveja.

Doktor Bräu: a cerveja que cura

Matisse: quando a arte e a cerveja se encontram

Odin: espiritualidade expressa em cerveja

Passargada: as amigas do rei atacam

Associação Feminina Cervejeira do Brasil: força da mulher na cerveja

Otim’Bé: cerveja de raiz africana

4 lançamentos cervejeiros inspirados no Natal

O Natal chegou em grande estilo no universo cervejeiro. Quatro destacadas cervejarias apostaram em receitas especiais para brindar a data, como a multipremiada Wäls, que lançou uma Panetone Ale. O resultado é comemoração em dose dupla: a oportunidade de brindar a data que celebra a amizade, a comunhão, o amor, com bebidas de extrema qualidade. Aproveitem. E um excelente Natal a todos os leitores do Guia.

Panetone Ale da Wäls
Para celebrar o Natal, a Wäls criou uma nova receita: a Panetone Ale, cerveja exclusiva do MadLab (clube de bebidas da cervejaria) para o mês de dezembro. Trata-se de uma versão especial de uma Belgian Dubbel, com adição de extrato natural de panetone com noz moscada, uva passa, canela, laranja, limão e cravo. Tem 7,5% de teor alcoólico, vem em garrafas rolhadas de 375ml e “combina muito com comemorações, além de harmonizarem com diversos pratos”, segundo a cervejaria.

Christmas Ale da Dádiva
A tradicional cervejaria Dádiva finalizou um pequeno lote de uma Belgium Dark Strong com especiarias, a Vivant Noël, uma Christmas Ale que foi lançada em garrafas rolhadas de 750 ml. Destaque para as notas de noz moscada, pimenta do reino, gengibre e canela sobre uma bebida com base belga, escura, forte e aveludada. Tem 8,2% de teor alcoólico e chega com preço sugerido de R$ 70. Esse é o segundo rótulo da linha inspirada em cervejas belgas da Dádiva, em que a levedura é a protagonista – a primeira foi a Vivant Printemps.

IPA natalina da Molinarius
Totalmente focada no estilo IPA, a Molinarius lançou uma nova linha: a Jams, com adição de polpa de frutas. E o escolhido para iniciar a série foi o damasco, que chega para realçar as propriedades do lúpulo e o clima de Natal. “Com lote de 180 kg de polpa pura de damasco, sem adição de açúcar, a cerveja tem um presente aroma e sabor de damasco combinado com os lúpulos Citra e Azacca, com corpo baixo e com uma leve acidez da fruta, tornando uma excelente opção para as festas de final de ano”, pontua Sérgio Müller, cervejeiro da marca paulistana. A Jams Damasco tem 6,4% de teor alcoólico, 50 IBUs e está sendo comercializada tanto em lata (473 ml) como em chope.

Beertone da DeBron
Também no clima de Natal, a DeBron Bier apresentou um produto especial para a ceia: o Beertone. Feita em parceria com o Galo Padeiro, a novidade leva maltes de uma cerveja premiada, a Imperial Stout da marca. O Beertone de 500g é feito de modo artesanal, com farinhas importadas, manteiga, malte de cerveja, cacau 100% e chocolate belga. Por R$ 70, é possível comprar um kit composto por um panetone e uma Imperial Stout. Leia aqui outras possíveis combinações entre doces e cerveja.

Um doce Natal: Combinações e receitas que harmonizam cerveja e sobremesa

Mesa farta, celebração, cervejas e doces. Embora os dois últimos itens sejam, algumas vezes, vistos como integrantes de lados opostos em momentos de festa, a comemoração do Natal, seja na ceia ou no tradicional almoço, é uma grande oportunidade para mostrar que eles harmonizam e podem caminhar juntos. Especialmente nas sobremesas, um importante marco de desfecho da comemoração.

A combinação começa pelo panetone, surgido em Milão e recheado com frutas secas. Mas vai muito além. “Podemos fazer ótimas harmonizações com o próprio panetone ou chocotone. Doces natalinos que tenham oleaginosas como castanhas, nozes e amêndoas também caem muito bem com cerveja”, explica Ana Araújo, chef da Mimosa Doces.

“Outra combinação interessante para os doces natalinos são as cervejas de trigo, como Weizen e Witbier”, acrescenta Thomé Calmon, sócio da cervejaria pernambucana DeBron Bier. “Já que elas não passam pelo processo de filtração, a grande pedida são sobremesas mais leves, como doces a base de banana ou leite condensado. Nesse caso os bolos de frutas harmonizam bem e os que levam canela, como a rabanada.”

Até mesmo a IPA e seu forte amargor, segundo Thomé, podem cair bem com doces. “Outra cerveja é a IPA, que confere uma boa harmonização com sabores mais fortes. Por ser uma cerveja cheia de lúpulo, o sabor amargo da bebida é bem marcante. Dessa forma, sobremesas como torta de maçã caramelada e nozes configuram uma boa opção.”

Receitas com cerveja
Para além da harmonização entre diferentes estilos e doces, que têm espaço para consumo em inúmeras etapas da ceia, as cervejas também podem entrar na mesa como um importante ingrediente de diversas receitas.

Em bolos de fruta, como explica Ana Araújo, é possível substituir o líquido utilizado por cervejas. Nesse caso, será a partir da fruta que se determinará qual a melhor bebida. Por exemplo: uma mais frutada, amadeirada ou com tons cítricos. “As que mais combinam são as que tenham algum toque de caramelo ou avelã”, afirma a especialista, que trabalhou no renomado Esquina Mocotó, do chef Rodrigo Oliveira.

Além disso, há a possibilidade de utilizar a cerveja como recheio, como a chef faz no bolo de rolo, uma das suas especialidades. O detalhe, nesse caso, é o uso de cevada na massa. “Eu coloco uma colher de sopa da cevada em pó na massa porque aí fica equilibrado, com aquele leve sabor de cevada no fundo, mas sem prevalecer muito, pois pode ser que não agrade ao paladar de todo mundo”, indica.

Ela também usa a Malzbier – uma cerveja doce, mais escura e com baixo teor alcoólico – como opção de recheio, mas no brigadeiro. “Quando faço a redução da cerveja e faço o brigadeiro, ele lembra um pouco o doce de leite, por ser uma cerveja mais doce”, diz sobre uma receita que, com algumas adaptações, também pode servir para outros tipos de cerveja.

“Eu faço também uma redução da cerveja Pilsen. Pego uma latinha e a reduzo a 150ml. E aí uso essa redução no brigadeiro. Se eu usar o volume todo, dá aquele amargo que é comum da cerveja. E a ideia é que a cerveja ajude a quebrar o doce do leite condensado, mas que não deixe amargo”, explica.

Como se vê pelas diversas dicas da chef da Mimosa Doces, o que não faltam são doces e bolos natalinos que utilizam a cerveja como ingrediente, além de opções de alimentos mais açucarados e que combinam com a bebida, especialmente em momentos de forte calor. E, ainda que os espumantes tenham conquistado seu espaço na celebração e nos seus brindes, a cerveja não deixa de ser componente importante no Natal. 

Panetone de cerveja
Para quem prefere ir às compras ou não pode colocar a mão na massa para produzir doces natalinos, a DeBron Bier fez uma aposta na inventividade ao lançar recentemente o Beertone. Trata-se de um panetone de cerveja desenvolvido em parceria com o Galo Padeiro, uma empresa de panificação e doceria também de Pernambuco.

O Beertone conta na sua composição com maltes de uma cerveja premiada, a Imperial Stout da DeBron. Com 500g, o produto é feito de modo artesanal, com farinhas importadas, manteiga, malte de cerveja, cacau 100% e chocolate belga. Foi colocado à venda por R$ 70, em um kit que contempla um panetone e uma Imperial Stout.

“Pedimos que eles acrescentassem maltes da nossa premiada cerveja Imperial Stout para compor o panetone. Acreditamos no Galo Padeiro por serem parecidos com as nossas premissas, de sempre inovar e oferecer matéria-prima de primeira qualidade”, afirma Eduardo Farias, um dos sócios da DeBron, explicando como se deu a parceria com o Galo Padeiro.

A cervejaria destaca a harmonização entre a sua Imperial Stout e o panetone como algo que tornou natural a busca por uma parceria para que o tradicional doce natalino estivesse ao lado da cerveja em um produto único. E aponta ser essa mais uma opção para que a bebida não perca o seu protagonismo nesse período de festas.

“Companheiras do ano inteiro, as (cervejas) produzidas artesanalmente apresentam diversos sabores que harmonizam perfeitamente com tudo. No caso do panetone, por exemplo, destacamos os maltes da Imperial Stout. A base mais torrada da cerveja ajuda a controlar o sabor doce do panetone, além do chocolate amargo percebido na cerveja complementar as gotas de chocolate presentes no pão”, complementa Thomé Calmon, também sócio da DeBron.

Confira uma receita especial de Bolo Escuro de Cerveja da chef Ana Araújo, da Mimosa Doces

  • 3 colheres de manteiga
  • 1 xícara de açúcar
  • 3 ovos
  • 2 xícaras de farinha de trigo
  • 1 xícara de cerveja Malzbier
  • 1/2 xícara de damasco
  • 1/2 xícara de uva passa
  • 1/2 xícara de frutas cristalizadas
  • 1 colher de sopa de fermento em pó

Bata a manteiga e o açúcar até formar um creme claro. Depois acrescente os ovos um a um. Retire da batedeira, adicione os secos e mexa com o auxílio de um fouet. Coloque em seguida a cerveja e mexa mais um pouco. Adicione as frutas e leve para assar em forno a 180 graus por aproximadamente 40 minutos. Decore com as frutas secas.

4 especialistas definem o que é uma artesanal perfeita para o verão

Iniciado às 20h22 desta sexta-feira, o verão no Hemisfério Sul deverá ser mais quente do que os anteriores, segundo análises de centros de previsão do tempo. E, claro, isso deve aumentar o consumo de cervejas na estação que tradicionalmente mais combina com a bebida.

Para que essa experiência se torne ainda mais prazerosa, o Guia conversou com alguns mestre-cervejeiros para entender o que deve ser uma artesanal própria para a época. E eles foram praticamente unânimes ao definirem: a cerveja precisa ser leve e refrescante.

Com as temperaturas superando os 30ºC com frequência nos próximos três meses – o verão se encerrará em 20 de março de 2019 -, parece ser natural que as cervejas frutadas, leves e refrescantes roubem o espaço dos rótulos densos e lupulados, especialmente em dias de praia. Mas sem nunca deixar de lado a complexidade das artesanais, garantem eles.

Confira, na avaliação de 4 especialistas, como deve ser a cerveja ideal para o verão.

David Michelsohn, fundador e mestre-cervejeiro da Júpiter, que lançou recentemente a Duna Brut IPA
Cada pessoa tem um paladar diferente, então, felizmente, temos uma gama incrível de cervejas que podem ser consideradas ideais para o verão. Mas algumas opções são bem óbvias: Witbiers e Sour Ales, em especial. Elas são leves, aceitam muito bem frutas e são sempre muito refrescantes.

Patrick Bannwart, mestre-cervejeiro e sócio da BR Brew, que apostou na Amigo da Onça
Uma cerveja mais leve, mais refrescante, fácil de beber, porém, sem perder um toque de complexidade no aroma. Aposto muito em uma cerveja com IBU baixo, teor alcoólico mais baixo, corpo bem leve e seco, mas bem aromática, como um Session IPA ou uma Sour. Não só para o verão, mas para o ano todo, já que no Brasil o calor dura o ano todo, e elas caem muito bem em qualquer momento.

Fernando R. Lapolli, consultor da Cervejaria Santa Catarina, fabricante da Barco e sua Summer Sour
A cerveja ideal para o verão é leve e refrescante. Aquela cerveja perfeita para se tomar na areia da praia.

Elton Fedalto, gerente comercial da Schornstein, fabricante da Soul
Uma cerveja leve, refrescante, que se bebe sem se sentir pesado e, ao mesmo tempo, com 100% puro malte. Nossa Soul, uma Light Lager, é essa cerveja.

Skol lança puro malte “democrática”

Amada por muitos por oferecer em seu principal produto grande leveza e refrescância, mas criticada por outros por trazer cereais não maltados, a Skol lança uma nova variedade que pretende amenizar a pendenga: sua versão Puro Malte.

A versão que deixa de lado o uso de milho na fórmula se pretende uma opção democrática para o verão, um pouco mais encorpada e com sabor mais presente, mas ainda assim valorizando os atributos de leveza característicos dos produtos da marca.

Durante cinco anos,pesquisadores dos Centros de Inovação e Tecnologia (CIT) da Ambev no Brasil e na Bélgica buscaram o processo ideal de produção e a receita mais adequada para se chegar a uma lager leve com a “cara” da marca.

A inovação vem para fechar um ano em que a marca fez movimentos claros em direção de um consumidor mais exigente e com um repertório mais amplo quando o assunto é cerveja. Junto do também recente lançamento da Skol Hops, que apresentou os lúpulos aromáticos a preços razoáveis para um público que não os conhecia, a linha de produtos da marca passa a ser mais abrangente.

lata de 269ml da nova Puro Malte

A marca definitivamente não mira o público de artesanais, envolvido com os aromas e estilos mais arrojados. No entanto, de certa forma, as ampliação do portfólio reaproxima da marca consumidores que haviam se distanciado de seu carro-chefe, a Pilsen.

“Estamos sempre atentos ao desejo dos consumidores. A Skol Pilsen já está consagrada no mercado e segue como a líder em seu segmento. A Skol Hops, apesar de nova, também ocupou seu espaço com uma boa aceitação. Então, pensamos em desenvolver algo novo para sair do quadrado e tirar as pessoas do lugar comum”, afirma Maria Fernanda Albuquerque, diretora de marketing de Skol.

Seguindo a proposta de oferecer produtos “democráticos” sob a família Skol, a Ambev não anunciou o preço – determinado pelo mercado – mas a tendência é de que, assim como a versão Hops, a cerveja que terá o “carimbo de qualidade” puro malte não tenha grandes variações em comparação ao preço da Pilsen.

O consumidor vai encontrar a nova versão a partir de 2 de janeiro de 2019, em três tamanhos delatas (269 ml, 350 ml e 473 ml) e garrafas (long neck, 600 ml e 1 litro).

11 copos cervejeiros para presentear ou usar no natal

Pra quem pretende degustar cervejas minimamente diferentes da “gelada” do boteco no Natal, não dá para fazer feio com convidados servindo em qualquer copo. A escolha do objeto certo para cada estilo de cerveja muda completamente o sabor, o aroma e a experiência do cervejeiro. Por isso, o Guia traz agora os 11 copos cervejeiros ideais para presentear ou usar no Natal.

“Inventado” em 5000 a.C, o vidro teve altos e baixos na sua utilização e popularidade ao longo dos séculos, mas se consolidou no Império Romano, principalmente como material para adereços em vitrais de igrejas católicas. Sua adoção como meio de consumir cerveja aconteceu gradualmente em diferentes pontos do planeta a partir do século XVIII.

Na Inglaterra, os canecos de estanho eram os recipientes mais comuns para o consumo de cerveja, até que técnicas de filtragem mais modernas resultaram em cervejas mais cristalinas, claras e atraentes para os olhos – o que incentivou o uso de vidro. Com o passar do tempo, as cervejarias passaram a observar, entender e recomendar copos mais adequados para cada tipo de produto.

Confira a seleção feita com auxílio dos especialistas da Nadir Figueiredo, uma das maiores fabricantes de copos do Brasil:

Brut IPA: Conheça a história da cerveja seca que foi sensação em 2018

O ano de 2018 rendeu no mundo das IPA’s. Depois de a controversa New England IPA ganhar seu espaço na lista de estilos do Beer Judge Certification Program (BJCP) em fevereiro, outra inovação, a Brut IPA, revigorou a família trazendo frescor, secura e experiências muito diferentes das suas “irmãs”, tornando-se a sensação de 2018.

A Brut IPA leva esse nome – referência à terminologia usada para espumantes e vinhos – por ser extremamente seca. “Elas são uma reação até que compreensível às NE IPAs. O que antes era super encorpado e turvo agora vem leve e cristalino. Mas aroma e sabor continuam parecidos – baixo amargor e aroma intenso de lúpulos americanos”, afirma David Michelsohn, cervejeiro e sócio da Júpiter, que recentemente lançou a Duna, sua primeira Brut.

Na opinião da sommelière Bia Amorim, essa variação conta com notas de lúpulo bastante presentes e equilíbrio com o álcool e base de maltes. “Praticamente todas as cervejas deste estilo que tomei me lembraram muito as elegantes e delicadas Bière brut, mais francesas e belgas do que americanas. Li que estão usando a mesma técnica para cervejas RIS também”, conta ela.

A técnica
Como qualquer inovação de sucesso, o desenvolvimento da técnica exigiu curiosidade, tentativas e erros. Inventor da Brut IPA, o cervejeiro Kim Sturdavant, da Social Kitchen and Brewery, de São Francisco, arriscou o uso da amilase – comum na produção de cervejas fortes como Double e Triple IPA – em uma IPA normal para “zerar” o açúcar. Acabou chegando a um resultado extremo: uma cerveja com 0o Plato (ou seja, sem açúcar residual algum).

 “As enzimas são a carta na manga para secar o mosto. Elas fazem o trabalho árduo, de quebrar alguns açúcares e ajudar que a fermentação ocorra de forma mais completa, e a levedura fica com o lanche extra”, simplifica Bia.

No caso da Bodebrown, que já tem no portfólio quatro rótulos, a centrifugação é outro detalhe importante do processo de produção. “Ela passa por dupla centrifugação, ganhando translucidez”, afirma Samuel Cavalcanti, mestre cervejeiro da casa.

Mas o processo é aberto e tem espaço para criações. Segundo Bia, encarar a produção de uma Brut IPA exige “mente aberta”, trabalhar sem preconceitos. “A diversão para os cervejeiros está em desenhar receitas onde cada elemento ganha seu espaço. Em que parte do processo colocar as enzimas? Quais os lúpulos da composição? Usar somente depois da fervura e ganhar em aroma com baixo amargor? Qual a base de grãos?” indaga ela.

No Brasil, a variação ainda engatinha, mas iniciativas interessantes já apareceram por aqui. É o caso da própria Bodebrown, que tem quatro rótulos de Brut no portfólio – a Sorachi Ace, a Galaxy, a El Dorado e a Mosaic.

“Temos várias iniciativas para aproximar o mundo das cervejas do mundo dos vinhos. São dois tipos de produtos artesanais que têm muito a ver. Acreditamos nisso. Uma de nossas principais buscas é por ter maior aproximação com a gastronomia e, para isso, nos inspiramos nos vinhos”, finaliza Samuel Cavalcanti, mestre cervejeiro da casa.

Confira abaixo as sugestões da sommelier Bia Amorim:

Bicampeão mundial, Medina reforça estratégia de “vida na natureza” da Corona

A Corona agiu rápido para reforçar sua tradicional estratégia de mercado. Poucas horas depois de Gabriel Medina sagrar-se bicampeão mundial de surf nesta segunda-feira, ao vencer a última etapa da temporada, o Billabong Pipe Masters, no Havaí, a marca anunciou que patrocinará o atleta.

Trata-se de um reforço importante ao conceito de “vida na natureza” da Corona. Além de ser a cerveja oficial do Campeonato Mundial de Surf, a marca lançou recentemente outras duas campanhas para solidificar essa estratégia.

Durante a etapa de classificação do São Sebastião Pro, realizada no início de novembro e válida pelo WQS, a divisão de acesso do Mundial de Surf, a Corona fez uma parceria com a ONG Soul Life para promover uma ação de limpeza da praia. População local, turistas e até surfistas foram convidados a contribuir na iniciativa em Maresias, onde aconteceu a bateria do campeonato.

Na mesma época, em uma campanha assinada pela Wieden+Kennedy, a Corona fez uma ação para incentivar as pessoas a se desligarem do mundo online e da rotina para “curtir o verão do jeito da marca”.

Tais ações, agora, ganharam a cereja do bolo: o patrocínio ao primeiro brasileiro da história a se tornar bicampeão mundial de surf. “Estamos muito felizes de patrocinar, apoiar e trazer ainda mais visibilidade para um dos principais surfistas do Brasil, que é o Medina”, aponta Fernanda Federico, gerente de marketing da Ambev.

“Com essa parceria, reforçamos nosso comprometimento com o surf que transmite todo o conceito de Corona, que convida a galera a viver tudo que a natureza tem a oferecer”, acrescenta.

Head de parcerias globais e atletas da go4it, empresa que cuida da carreira do atleta e gerenciou o contrato com a Corona, Felipe Stanford falou sobre a importância do patrocínio. “A Corona é uma marca global que está no universo e lifestyle do surfe e o Gabriel está muito feliz de ser o embaixador mundial da cerveja.”

A trajetória do bicampeão
Campeão mundial pela primeira vez em 2014, obtendo um feito então inédito ao país, Medina teve um início de temporada irregular, mas se recuperou a partir da sétima etapa, no Taiti. Desde então, venceu três das cinco disputas – e foi semifinalista nas outras duas.

E a última dessas conquistas veio no Havaí. Medina precisava chegar à final para faturar o bicampeonato e teve problemas em alguns rounds, especialmente nas quartas e na semifinal, quando seus concorrentes – respectivamente o norte-americano Conner Coffin e o sul-africano Jordy Smith – iniciaram com boas ondas e colocaram grande pressão na bateria.

Mas Medina, que completará 25 anos no próximo dia 22, manteve a frieza habitual, fez tubos perfeitos – com direito à única nota 10 do campeonato – e assegurou o bicampeonato. Por fim, na decisão, ele derrotou o australiano Julian Wilson, que era seu concorrente pelo título, para ficar também com o troféu da etapa.

“Trabalhei duro neste ano, foi intenso, mas valeu a pena”, comemorou o bicampeão mundial ao término da etapa. “Não tenho palavras, estou muito feliz. Quero agradecer aos amigos e familiares que me deram força. Sempre venho para fazer o meu melhor. Tive fé, tentei o máximo até o final. Vi que os rivais estavam conseguindo boas notas, mas mantive a calma, a concentração, e consegui novamente”.

A Corona, aliás, aproveitou o anúncio do patrocínio para homenagear o atleta. “Aproveitamos e parabenizamos ao Gabriel e toda sua equipe pelo excelente ano, pelo título, e estamos muito contentes com tudo que tem por vir em 2019”, finaliza Fernanda Federico.

Exportação de cerveja reage e sobe quase 12% em novembro

A exportação brasileira de cerveja de malte registrou crescimento em novembro. Tendo países da América do Sul como destinos principais, o produto alcançou US$ 9,02 milhões em vendas para o mercado externo no 11º mês de 2018, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).

O valor é 11,8% maior na comparação com novembro do ano passado, quando a exportação brasileira de cerveja de malte foi US$ 954,63 mil menor.

Porém, esse crescimento relevante não foi suficiente para modificar o cenário de baixa nos números acumulados de 2018. Os 11 primeiros meses do ano registraram US$ 76,17 milhões e 117.476,6 toneladas de cerveja exportadas, diminuições respectivas de 15,9% e 18,3% na comparação com igual período de 2017.

Tais números fazem com que a cerveja tenha apenas 0,03% de participação nas exportações brasileiras e ocupe a 183ª colocação no ranking dos produtos negociados pelo país de janeiro a novembro deste ano.

Os principais destinos da cerveja brasileira nos 11 primeiros meses de 2018 foram Paraguai (72%), Bolívia (11%), que ultrapassou a Argentina (10%), e Uruguai (5,4%).

APA da Doktor Bräu, milk-shake da Bastards: As novidades da semana

Boas e criativas cervejarias guardaram novidades para o final de ano. Foi o caso da Doktor Bräu, que apostou em uma APA, da Bastards Brewery, com dois lançamentos de sua inovadora série BSTRDS XP, e da BR Brew. Confira, a seguir, em detalhes, essas novidades.

APA da Doktor Bräu
Depois de lançar 12 rótulos durante o ano, a Doktor Bräu preparou uma última novidade para 2018: a Síncope, uma APA perfeita para o verão que chega para substituir a MedikaMenthus. “Sempre atentos ao que nossos consumidores dizem, reunimos várias opiniões sobre a MedikaMenthus e, ao invés de atualizá-la, decidimos criar um rótulo, a Síncope: sem menta, mais lupulada e aromática, cítrica e floral, muito refrescante”, explica Nuberto Hopfgartner, o médico responsável pela cervejaria. O novo rótulo, segundo ele, vem coroar o bom momento da criativa cervejaria. “Este ano foi incrível para a Doktor Bräu: três medalhas de ouro – Endorphina e Psicose Espacial no Mondial de la Bière de São Paulo; e Endorphina no South American Beer; 18 rótulos; produção de 35 mil litros em dezembro; entrada no varejo”, enumera Nuberto. “Para 2019, a expectativa é chegar aos 50 mil litros mensais já no primeiro semestre; ampliar a presença no varejo e em mais estados; incluir uma Red Ale na linha Standard; lançar vários rótulos para continuar surpreendendo os apreciadores de boas cervejas artesanais; e evoluir para nos tornar o melhor custo-benefício do mercado cervejeiro nacional”.

Milk-shake da Bastards
O projeto BSTRDS XP, linha de cervejas experimentais da Bastards Brewery produzidas diretamente na fábrica, chega ao fim do ano com duas novidades. A primeira é a Moloko IPA, uma “devastadora” mistura de lactose, aveia, trigo e cumaru, segundo a marca. Destaque, ainda, à adição generosa de purê de frutas – amora, framboesa e morango. A milk-shake IPA tem 60 IBUs, turbidez extrema e 7% de teor alcoólico. Já a a segunda novidade é a Golden Flamingo, uma Tropical Sparkling Wine com final bem seco e borbulhas que lembram os melhores espumantes. Possui baixo amargor, aroma intenso de uvas verdes e teor alcóolico de 6,2%.

Sour da BR Brew
A recém-inaugurada cervejaria de Sertãozinho, no interior de São Paulo, acaba de lançar o seu quarto rótulo de linha: a Amigo da Onça, uma refrescante Catharina Sour com adição de goiaba, cereja e hibisco. É uma “cerveja azedinha, leve, refrescante e com intensa drinkability”, segundo a marca. Possui, ainda, visual rosa intenso e 3,7% de teor alcoólico. Lançada oficialmente em junho deste ano, a marca vem se destacando com alguns rótulos criativos, como a La Mano de D10s e a Sex Machine.

APA da El Dorado
Com seu interessante conceito de contar histórias do mundo por meio de cervejas, a La Caminera apresentou o segundo lote de sua El Dorado, uma American Pale Ale leve, aromática e equilibrada. Tem 5,4% de teor alcoólico, 32 IBUs e retrata a história do mito Maia do Camino de El Dorado – e suas montanhas de ouro nunca encontradas. “Aqui juntamos cargas pesadas do lúpulo de mesmo nome em um líquido claro e translúcido que seria nossa joia em homenagem aos deuses Maias”, explica a cervejaria.