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Brasil leva 8 medalhas no World Beer Awards 2018

O World Beer Awards 2018 premiou oito cervejarias nacionais em seus estilos. O anúncio aconteceu no dia 15 de agosto, e a participação brasileira em um dos mais importantes concursos do mundo teve duas medalhas a menos do que em 2017. No ano passado, o primeiro que contou com uma etapa brasileira, dez cervejarias nacionais tiveram rótulos premiados.

Se a competição fosse por país, o Brasil ficaria com a honrosa terceira posição, atrás apenas da campeã Alemanha, que teve 14 rótulos premiados pelo corpo de seis jurados norte-americanos e britânicos, e da Bélgica, que levou 13 medalhas.

Os rótulos selecionados vão figurar na publicação anual da World’s Best Beers, além do direito de usar o selo de medalhista em seu material de divulgação.

Além de escolher com base em critérios sensoriais as melhores em nove categorias de cervejas reconhecidas internacionalmente, o concurso premia designs em cinco categorias. E, neste, nenhum rótulo brasileiro figurou entre os vencedores.

Confira, abaixo, a lista de brasileiras premiadas em suas categorias e estilos.

 

 

Dádiva, Dogma e Itajahy fazem festas imperdíveis no fim de semana

Os próximos dias prometem fortes emoções aos cervejeiros paulistas e catarinenses. Três importantes cervejarias farão grandes festas no fim de semana, como a Dádiva, que terá um evento para celebrar os seus 15 rótulos lançados nos últimos meses. A Dogma, por sua vez, festeja o primeiro ano de seu Tasting Room. E, no Estádio Dr. Hercílio Luz, a Itajahy comemora os seus cinco anos. Confira, a seguir, em detalhes, esses eventos.

Dádiva Remind
A Dádiva lançou tantas novidades nos últimos meses que fará uma festa para celebrá-las. Trata-se da Remind, que acontece neste sábado, a partir das 11h, em Várzea Paulista (a aproximadamente 50 km de São Paulo). Como a maioria dos rótulos foram produzidos em pequenos lotes ou como edição limitada, o evento servirá para o cervejeiro experimentar as novidades. Haverá, ainda, três novas receitas que serão apresentadas em primeira mão. Os chopes serão servidos em doses – ao preço de R$ 8 (150ml) ou R$ 10 (300ml), dependendo do estilo – e a harmonização ficará a cargo de quatro parceiros da cervejaria: Carburadores, com lanches, Sonhos de Queijo, com queijos e embutidos artesanais, e Isso é Café e Zappa Brownies, com cafés e sobremesas.
Serviço
Quando: 18 de agosto
Horário: das 11h às 18h
Onde: fábrica da Cervejaria Dádiva, na rua 3, lote 6 e 9, quadra D, galpão 90, em Várzea Paulista
Ingressos: www.sympla.com.br/dadiva-remind__337113

Festa da Dogma
O Tasting Room da Dogma está completando um ano. E, para celebrar a data, a cervejaria fará uma festa no domingo, no bairro de Santa Cecília, em São Paulo. Além da presença da China, uma nova Sour com tangerina, o evento terá o lançamento de três garrafas que eram vendidas apenas em chopp: Morning Gringo, Dark Mauro e Constellation Spin. Se levar 1kg de alimento não perecível, você terá direito a double pint. Para comer, O Cantineiro preparará suas especialidades defumadas.
Serviço
Quando: 19 de agosto
Horário: das 14h às 20h30
Local: Cervejaria Dogma, na Rua Fortunato, 236, em São Paulo

5 anos da Itajahy
Mais de 15 marcas e 28 chopes artesanais disponíveis. Eis o atrativo imperdível da festa para celebrar os cinco anos da Cervejaria Itajahy, sábado, no Estádio Dr. Hercílio Luz, em Itajaí. Além de opções como Atalaia IPA, Brava APA, Serena Hibiscus, Maré Gose e a premiada Octo Porter, a Itajahy levará experimentais como Solstício Blonde (Fruit Bier), Saison Primavera (Saison), Irish Coffee Red (Irish Red com café), Torta de Limão (Milkshake IPA) e Consertada (Herb/Spice Bier). Destaque também para o rótulo comemorativo Itajahy 5 Anos, uma Brut IPA com 6,3% de teor alcoólico e 22 IBUs. O evento terá a participação de cervejarias como a Green Coast, Sarcástica, Alfero, Antídoto, Blumenau, Seasons e Dum, entre outras, e a 4ª edição da Feirinha Itajahy, com mais de 20 expositores locais.
Serviço
Quando: 18 de agosto
Horário: das 10h às 23h
Local: Estádio Dr. Hercílio Luz, na rua Gil Stein Ferreira, 26, em Itajaí
Ingressos: www.ingressodevantagens.com.br

 

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Todos a bordo: O que levou a Eisenbahn a apostar em uma nova estratégia

A Eisenbahn mudou novamente sua “roupagem” em julho. Depois de ser adquirida pela Heineken em 2017, a cervejaria sinalizou mais uma guinada ao lançar o Todos a Bordo, uma campanha criada pela agência Suno United Creator que vem estampando outdoors, invadindo televisores e mexendo com a publicidade brasileira.

O novo posicionamento, segundo explicou a própria Eisenbahn durante o lançamento, traz elementos visuais que remetem a uma estação de trem e grandes ferrovias, marca registrada da cervejaria.

A campanha permeará, ainda, todas as ações da companhia ao longo do ano. É o caso do reality show Eisenbahn Mestre Cervejeiro, que estreará dia 26 de agosto e será exibido pelo Multishow e pela Globo, com apresentação de Titi Müller, e do patrocínio às Oktoberfests de São Paulo e Blumenau, além do Mondial de La Bière no Rio de Janeiro.

Para entender melhor o intuito da campanha, o Guia da Cerveja conversou com Karina Pugliesi, gerente da marca Eisenbahn. E, segundo a executiva, um princípio fundamental norteou a cervejaria nos últimos anos: democratizar o consumo das artesanais.

Karina garante que o mercado brasileiro, apesar do alto crescimento dos últimos anos, ainda possui muito potencial de expansão. “Basta compararmos o estágio de mercado que nos encontramos versus outros países, como os Estados Unidos, por exemplo. Lá, a carta de cervejas em um restaurante pode ser comparada à de vinhos, tanto em tamanho quanto em preços”, explica a gerente da marca, apontando razões para manter o otimismo.

“O brasileiro, aos poucos, está entendendo que é possível agregar valor à cerveja e alguns consumidores já consideram razoável gastar mais do que R$ 20 em uma garrafa. Este fenômeno é benéfico para o segmento, pois garante uma oferta de produtos de alta qualidade para atender os consumidores cada vez mais exigentes”, acrescenta.

Duas frentes
A valorização das artesanais, entretanto, ainda está longe de ter encontrado um grau de maturação. Se o consumo disparou nos últimos anos, ainda falta informação para que a cultura se sedimente no dia-a-dia do brasileiro.

“Apesar de mais interessado no universo das cervejas especiais, nos dias atuais, o brasileiro ainda possui pouco conhecimento sobre o tema”, pondera a executiva.

A Eisenbahn, assim, segundo Karina, decidiu apostar em duas frentes. Uma delas seria a política de baixos preços, algo perceptível nas long necks da marca: diferentes estilos – como Pale Ale, Weizenbock, Amber Lager – podem ser encontrados por R$ 4, R$ 5. “Uma forma [de democratização] é oferecendo seus rótulos a um preço acessível para que o consumidor possa experimentar diferentes estilos até encontrar o que mais lhe agrada.”

A outra frente, por sua vez, é justamente apostar em uma campanha que faça o consumidor “embarcar” na cultura artesanal, “trazendo conhecimento cervejeiro de forma lúdica para o consumidor por meio de suas redes sociais e do programa Mestre Cervejeiro”, detalha a executiva.

Artesanal ou multinacional?
Uma das grandes precursoras das artesanais brasileiras, a Eisenbahn teria passado por tantas modificações que perdeu suas características e estaria cada vez mais distante do movimento, segundo a avaliação de parte do mercado. A cervejaria foi adquirida em 2008 pelo grupo Schincariol, comprado em 2011 pelo braço nacional da japonesa Kirin, arrematado em 2017 pela Heineken, uma das principais multinacionais do setor.

Karina, contudo, defende que o raciocínio pode ser invertido: o sucesso de mercado faria da marca, hoje, uma grande referência nesse trabalho de democratização das artesanais. “Nós acreditamos que, devido ao tamanho que a marca atingiu, podemos contribuir de forma ativa no desenvolvimento do segmento craft no Brasil.”

Partindo desse pressuposto, assim, a cervejaria definiu o seu novo posicionamento. “A Eisenbahn hoje tem o papel de atrair novos consumidores para o universo das cervejas especiais. A marca também busca se tornar uma parceira para as pequenas e médias cervejarias, com o intuito de ajudar a desenvolver ainda mais o mercado”, afirma Karina.

Nada mais condizente, então, finaliza ela, do que uma campanha simbolizando a união das artesanais. “O posicionamento ‘Todos a Bordo’ é a forma que encontramos para fomentar esta missão de incentivar novos consumidores a embarcarem nessa jornada a fim de conhecer mais a fundo o universo das cervejas especiais, além de funcionar como um convite para que a comunidade cervejeira se una, compartilhando conhecimento com o objetivo de acelerar o desenvolvimento do mercado.”

 

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UFMG abre vagas para curso de produção de cerveja artesanal

Se você é um cervejeiro “amador” e tem a intenção de se aprofundar nesse universo, terá uma ótima oportunidade pela frente. Entre os dias 24 e 25 de agosto, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) fará o Curso de Produção de Cerveja Artesanal.

Trata-se uma boa chance de conhecer melhor esse universo por meio de uma instituição que tem desenvolvido um excelente trabalho no setor. Na UFMG, afinal, está localizado o Laboratório da Cerveja, um projeto de extensão do Laboratório de Taxonomia, Biodiversidade e Biotecnologia de Fungos do Instituto de Ciências Biológicas.

As aulas do curso ficarão a cargo dos três principais responsáveis pelo Laboratório da Cerveja: o professor Dr. Carlos Augusto Rosa, coordenador do projeto, e Beatriz Borelli e Luciana Brandão, doutoras em Microbiologia pelo ICB/UFMG e sommeliers de cerveja pela Academia Barbante de Cerveja com certificação da alemã Doemens Academy.

Voltado para iniciantes interessados em produzir cerveja caseira, o curso tem o objetivo de “capacitar o aluno a produzir cerveja em casa utilizando técnicas básicas de produção”, segundo a UFMG.

As inscrições vão até sexta-feira e o valor sai por R$ 330, que incluem apostila, lanche e uma garrafa da cerveja produzida durante as aulas. Além do curso em agosto, outros quatro serão realizados até o final do ano.

Curso de Produção de Cerveja Artesanal
Inscrições: até 17 de agosto
Quando: aulas teóricas em 24 de agosto, das 18h30 às 22h30; e de produção no dia 25, das 8h às 18h
Valor: R$ 330
Demais turmas: 28 e 29 de setembro; 19 e 20 de outubro; 9 e 10 de novembro; e 14 e 15 de dezembro
Local: Instituto de Ciência Biológicas, Bloco J, 3º andar, sala 252, na UFMG
Mais informações: http://www.cursoseeventos.ufmg.br/CAE/DetalharCae.aspx?CAE=8340

 

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Após certificação da Catharina Sour, Lohn Bier lança cerveja com guaraná

Depois de ser catalogada em julho pelo Beer Judge Certification Program (BJCP), a Catharina Sour terá o seu primeiro grande lançamento. Trata-se da Catharina Sour Guaraná, que será apresentada nesta quarta-feira pela Lohn Bier.

Uma das principais cervejarias brasileiras associadas ao estilo, que foi reconhecido pela mais importante instituição mundial de juízes do setor, a Lohn Bier já tem cinco rótulos ligados à Catharina Sour: Manga, Butiá, Bergamota, Jabuticaba e Uva Goethe, esta premiada como a melhor cerveja do mundo na categoria fruta no World Beer Awards, em agosto de 2017, em Londres.

E, agora, para celebrar um marco histórico da cerveja nacional, a Lohn Bier apostou em um fruto tipicamente brasileiro.

“O primeiro estilo de cervejas brasileiro foi catalogado. A partir de 4 de julho a Catharina Sour torna-se mundialmente compatível para fabricantes e consumidores. A Lohn Bier foi uma das catarinenses que ajudou organizar a catalogação desse estilo, ácido e com frutas, antes sem adequação assertiva para o mercado, agora no BJCP. Celebramos o novo estilo com uma fruta também brasileira que representa muito bem o Brasil, o guaraná”, conta Tatiani Felisbino Brighenti, sócia-fundadora da cervejaria.

O novo rótulo da Lohn é ácido, com um crispy láctico limpo na língua fazendo baixar o PH da boca, com o final seco e frutado, segundo detalha Tatiani. Já o guaraná surge no retrogosto, ampliando a sensação refrescante de uma cerveja pouco alcoólica e pouco lupulada.

“Bastante frisante, fará os mais atentos lembrarem e compararem com os tradicionais refrigerantes do mesmo sabor. Celebremos, temos Catharina Sour Guaraná, uma cerveja que continuará dando muito orgulho aos consumidores brasileiros”, festeja Tatiani.

 

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Doppelbock dos pais, Sassafrás: Os lançamentos cervejeiros da semana

Projeto leva cervejeiros para viagem de “imersão” na Europa e nos EUA

Com que growler eu vou? Conheça os modelos e saiba escolher

Projeto leva cervejeiros para viagem de “imersão” na Europa e nos EUA

Viagem e cerveja. Poucas palavras estão tão intimamente associadas como estas. E, para fundi-las de vez, o Science of Beer Institute lançou o Projeto Viagem Cervejeira, um tour com passagens por destinos históricos da rota cervejeira na Europa e nos Estados Unidos.

A viagem inclui visitas às principais cervejarias, fábricas, pubs, festas tradicionais e escolas cervejeiras que remontam “a história e o caminho desta bebida que atravessa gerações e sempre se reinventa”, segundo o instituto.

No roteiro europeu, que será realizado entre os dias 13 e 30 de setembro, o participante terá a oportunidade de conhecer mais de 20 cervejarias na Alemanha, Bélgica e República Tcheca.

Entre as atrações estão uma ida à Westvleteren, eleita uma das melhores cervejarias do mundo, e uma aula especial sobre leveduras e processos fermentativos na Fábrica Fermentis, uma das maiores nesse segmento. Haverá, ainda, visitas a festas tradicionais, como a Oktoberfest de Munique, e o banho de cerveja em um beer-spa.

Já a Viagem de Estudos Cervejeiros nos EUA, prevista para a primeira quinzena de novembro, tem como proposta aprofundar o conhecimento na Escola Americana. Contará, assim, com aulas orientadas por especialistas, além de visitas às cervejarias Rare Barrel, Admiral Maltings e Sierra Nevada, entre outras atrações.

“O Projeto ‘Viagem Cervejeira’ surgiu de um desejo antigo de unir duas paixões: viagem e cerveja. Decidimos então proporcionar um estudo em formato de imersão, in loco pela Bélgica e Alemanha, com um time de peso falando e ensinando sobre cerveja”, conta Amanda Reitenbach, cientista e CEO do instituto.

“Quando se viaja sozinho, você tem acesso ao bar da fábrica/cervejaria e às vezes é uma visita muito genérica. Na nossa Viagem de Estudos Cervejeiros, os donos/mestres cervejeiros nos recebem em suas cervejarias/fábricas, abrem suas melhores cervejas e contam suas histórias”, acrescenta Amanda. “É uma experiência com informações não encontradas em nenhum livro e muito mais intensa e cheia de conhecimento do que apenas beber uma cerveja da marca.”

A primeira versão do projeto já ocorreu em 2017 e entusiasmou os participantes, como o dentista e sommelier Flávio Roberto Kulmann Carneiro. “Além da cerveja, tem uma questão histórica. Eu já havia viajado para a Europa, mas não com esse intuito, não com essa proposta cervejeira. E essa foi outra viagem. Foi como se eu tivesse ido pela primeira vez. Nós acabamos vendo a cidade de uma outra forma através dessa imersão.”

“A minha experiência foi memorável. Visitar cavernas onde, na guerra, as pessoas armazenavam alimentos e faziam cerveja, por exemplo, é transformador. É uma viagem que mexe com todas as emoções”, finaliza Flávio.

Projeto Viagem Cervejeira
Quando: entre 13 e 30 de setembro, na Europa; primeira quinzena de novembro, nos Estados Unidos
Mais informações: www.scienceofbeer.com.br/br/cursos, viagemcervejeira@scienceofbeer.com.br ou (48) 9130-4906

 

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3 mudanças que podem melhorar a concorrência no setor

O surgimento de um dinâmico mercado de artesanais nos últimos anos ainda não foi suficiente para trazer um equilíbrio ao setor brasileiro de cervejas. Se o consumidor pode festejar o aumento da opção de rótulos e estilos, o produtor ainda sofre com problemas internos do próprio negócio, como a polêmica questão da concorrência.

Essa, ao menos, é a avaliação de especialistas consultados pelo Guia da Cerveja, em um especial sobre eleições para identificar quais seriam as grandes demandas políticas do setor.

Se uma matriz tributária mais equilibrada poderia beneficiar as microcervejarias, um olhar mais atento para evitar a concentração de mercado também poderia dinamizar o setor, segundo Carlo Enrico Bressiani, sommelier de cervejas, PhD em Finanças pela Universitat Ramon Llull, de Barcelona, e diretor-geral da Escola Superior de Cerveja e Malte.

“[Precisamos da] Redução da burocracia que cerca o setor e da retirada de subsídios aos grandes grupos”, aponta o diretor da Escola Superior de Cerveja e Malte. “Outro ponto importante é ter alguém vigilante à concorrência desleal.”

A avaliação de Bressiani é compartilhada por Sady Homrich, baterista do Nenhum de Nós e um dos grandes especialistas brasileiros em cerveja. A expansão das artesanais ainda é limitada pelo não cumprimento adequado da Lei de Defesa da Concorrência. Uma das consequências, segundo ele, seria a dificuldades das “pequenas” chegarem aos principais pontos de venda.

“Um ponto relevante é fazer valer a lei que proíbe exclusividade em ponto de venda. O marketing dos grandes conglomerados ‘compram’ ilegalmente pdv’s [pontos de venda] com bonificações e dinheiro em espécie via caixa 2. Isso mantém as artesanais fora da concorrência”, afirma Sady.

Assim, de acordo com Homrich e Bressiani, 3 pontos seriam fundamentais para melhorar o equilíbrio no setor:

1- Retirada de subsídios aos grandes grupos;

2- Vigilância à concorrência desleal;

3- Proibição da exclusividade em ponto de venda.

Confira, nas próximas semanas, a sequência do nosso especial sobre eleições e mercado cervejeiro. E, se quiser indicar alguma demanda, escreva para nosso editor: itamar@guiadacervejabr.com.

AB – InBev se torna a maior fabricante de cerveja artesanal dos EUA

Dez anos atrás, dificilmente alguém poderia pensar em chamar alguma cerveja produzida pela Anheuser-Busch de artesanal. A maior fabricante de cerveja dos Estados Unidos, dona de marcas como Budweiser e Bud Light, passava ao longe da crescente cena craft – ou artesanal. No entanto, uma reportagem do jornal americano Chicago Tribune, do repórter Josh Noel, revela uma grande reviravolta nesse cenário: em ao menos uma métrica, é possível dizer que a AB-InBev passou de antítese desse movimento à posição de maior fabricante de craftbeer dos EUA. O segredo, diz a reportagem, para isso não surpreende ninguém: a empresa abriu a carteira.

Entre 2011 e 2017, a AB comprou dez cervejarias artesanais espalhadas pelos EUA, começando com a Goose Island, de Chicago, e terminando com sua mais recente aquisição, a Wickerd Weed Brewing, de Asheville, na Carolina do Norte (veja a lista das dez abaixo). Suas compras deram resultado. Em julho, um relatório da Beer Marketer’s Insights mostra que a gigante ultrapassou a Boston Beer e a Sierra Nevada em milhões de dólares vendidos, segundo dados do instituto IRI Worldwide.

O relatório aponta que as vendas das marcas craft da AB cresceram 20% no acumulado do ano, chegando a US$ 107,3 milhões. Suas maiores competidoras tiveram desempenho mais modesto: a Boston Beer (Samuel Adams) cresceu 2%, chegando a US$ 103 milhões, e a Sierra Nevada vendeu 6% a menos, acumulando US$ 94,4 milhões.

A liderança da AB, segundo a reportagem, diz respeito a apenas uma métrica: o painel da IRI Worldwide de vendas em supermercados, grandes redes de varejo e lojas de conveniência. Não entram na conta as vendas em draft e nas liquor stores, o que faz da Boston Beer ainda a maior em volume no país.

No entanto, segundo o editor do relatório da Beer Marketer’s Insights, David Steinman, a troca de posições pode acontecer a qualquer momento nesse ano. “Eles estão se preparando para assumir essa posição em um futuro próximo”, afirma ele em entrevista ao Chicago Tribune. “Ainda é um choque para o universo das cervejas artesanais. Trata-se de um novo jeito de pensar nesse mercado”.

De fato, é uma nova dinâmica. Se dez anos atrás as cervejarias artesanais surgiam como um antídoto aos rótulos das gigantes, agora elas estão do mesmo lado: MillerCoors, Heineken e Constellation Brands também compraram cervejarias – mas com menos intensidade do que a AB, cujo portfólio a permite atuar em mercados locais, regionais e no nacional de costa a costa, por meio de uma poderosa rede de distribuição. Assim, cervejeiros locais relatam que a presença de marcas da AB tem se intensificado de maneira espantosa nos mercados regionais e pressionado profundamente os independentes, em um jogo de um só vencedor.

A investida da AB no Mercado de craft, conta a reportagem, começou após tentativas insossas de emplacar marcas próprias pretensamente artesanais. Em 1997, à medida que o nicho ganhava share frente às marcas de varejo, a AB mudou a estratégia e passou a comprar marcas que ela nunca conseguiria criar, começando pala Goose Island. Lançou, então, uma nova divisão da companhia dedicada exclusivamente às artesanais, a High End.

Mas a comunidade “raiz” de cervejarias artesanais não engole tão facilmente essa nova ordem. “Isso levanta a questão: o mercado é justo?”, questiona Julia Herz, diretora da Brewers Association, ao Chicago Tribune. “Para nós, se houvesse mais transparência, seria mais fácil para o consumidor saber se está comprando cerveja de um conglomerado gigantesco ou não.”

Recentemente a Brewers Association lançou um selo que atesta a independência de cervejarias das grandes corporações: uma garrafa de cabeça para baixo, que pode ser impressa apenas nos rótulos de pequenas cervejarias – nenhum rótulo da AB é elegível.

Doppelbock dos pais, Sassafrás: Os lançamentos cervejeiros da semana

Inspirada no Dia dos Pais e na essência brasileira, a semana trouxe alguns bons lançamentos cervejeiros. Os sócios da Prussia Bier, por exemplo, guiaram-se na história de seus pais para criar uma Doppelbock. Já a Treze reforçou sua aposta na cachaça ao lançar uma cerveja maturada em Sassafrás, enquanto a Ashby apresentou uma edição especial inspirada no cacau e no café. Confira, a seguir, em detalhes, essas novidades.

Doppelbock dos pais
Para homenagear seus pais, os sócios da Prussia Bier – Fernando Cota, Railton Vidal e Douglas Vidal – lançaram a Desbravator, uma Doppelbock com 8,1% de teor alcoólico e 20 IBUs, em formato de chope. “A ideia surgiu depois de pesquisarmos muito sobre o estilo e descobrirmos que deu origem ao termo ‘pão líquido’. Daí, foi inevitável lembrar da origem da Prussia e da nossa história familiar, pois somos frutos de gerações e gerações de padeiros”, conta Fernando Cota, lembrando que seu pai, Zezé, conheceu Raimundo, pai de Railton e Douglas, trabalhando em uma padaria. “Então, resolvemos homenageá-los através desta cerveja. É uma produção limitada de 700 litros, tudo em chope, mas engarrafamos poucos litros e criamos um rótulo especial apenas para presenteá-los.”

Sassafrás da 13
A 13 segue investindo na tradição brasileira da cachaça. Depois de lançar na semana passada a Brazilian Wood 2, feita em colaboração com a DUM e maturada em castanheira, a cervejaria estabeleceu agora uma parceria com a Cachaça Pardin para lançar a Sour Blonde Sassafrás. É uma cerveja levemente ácida, complexa e aromática, com base de Belgian Blonde e toque dos aromas e sabores da Sassafrás, uma das madeiras brasileiras mais exóticas e intensas. “A passagem pelo barril trouxe uma complexidade aromática única, com contribuições do sabor da madeira, da cachaça, mas também da evolução e da atividade das leveduras dentro do barril”, explica Eduardo Marques, sócio da 13.

Café + Cacau
Dois componentes essenciais da cultura brasileira serviram de inspiração para uma linha especial da Ashby: o café e o cacau. A cervejaria lançou três novos rótulos, com edição limitada, apostando nessa combinação. O primeiro é o Cacau Ale, com aroma frutado, sabor encorpado, médio amargor e teor alcoólico de 5,8%. Já o Café & Cacau Pilsen tem aroma lupulado com traços de café e cacau, malte suave e teor alcoólico de 4,8%. Por fim, o Coffee Porter possui sabor de maltes especiais com amargor leve e distinto, além de aroma de malte torrado com traços de café.

 

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Com que growler eu vou? Conheça os modelos e saiba escolher

Passado um primeiro momento de surpresa, a cultura do growler tem se mostrado dinâmica e evolui com rapidez. “Uma vez que o consumidor opta por ele, costumo dizer que é um caminho sem volta”, afirma André Lourenço, diretor comercial da Siphon Growlers, resgatando as características positivas da embalagem. Após anos de maturação, o mercado brasileiro hoje oferece produtos de materiais diferentes e uma enorme variedade de tamanhos e formas.

Mas, então, o que deve ter um bom growler? A resposta mais provável seria o bom e velho “depende”. Depende de fatores como o gosto pessoal, o que cada consumidor mais valoriza na hora de beber e, claro, o bolso. No entanto, segundo Lourenço, há dois itens básicos: “Para ser considerado adequado, ele precisa garantir a vedação completa e que a luz não incida sobre a cerveja”, afirma.

O fechamento perfeito garante que a cerveja não perca sua carbonatação. A vedação ideal é obtida por meio de tampas flip-top ou do uso de anéis de borracha – naqueles modelos com tampa de rosca, geralmente de inox. Além do inox, os growlers mais comuns são de vidro e cerâmica. Já a não incidência de luz depende do material e do modo como ele foi produzido.

A seguir, confira as principais características dos modelos mais comuns.

 

OS MODELOS DE GROWLER

De vidro, linha Rock`n`growler da My Growler

 

Vidro: É o mais popular e barato dos materiais usados em growlers, o que torna os produtos de vidro, de maneira geral, mais acessíveis. Tem um porém: com o vidro, a troca de temperatura com o ambiente é mais rápida do que com os outro materiais disponíveis. Assim, por ser transparente – mesmo o vidro escuro, do qual é feito o growler – o material pode não bloquear 100% da incidência de luz – o líquido ainda pode sofrer alterações e perder um pouco de suas características originais.

 

De cerâmica, La Muerte da Siphon

 

Cerâmica: O growler de cerâmica é provavelmente a opção mais interessante quando se fala em conservação da bebida. Sua vantagem vem do fato de ele ser totalmente opaco e não permitir a entrada de luz externa. Quanto à sua capacidade de manter a temperatura, a cerâmica também se destaca. Por suas características, ela mantém a bebida gelada por mais tempo do que o vidro. Em geral, é o material mais caro.

 

Mini keg de inox, My Growler

 

Inox: O material usado para fazer kegs é extremamente resistente e leve. Geralmente não permite a entrada de luz alguma. Há modelos que não têm paredes duplas, e isso faz com que troquem calor com o ambiente com grande velocidade, esquentando com rapidez. “Algumas pessoas relatam um leve sabor metalizado nestes produtos”, afirma o diretor comercial da Siphon, André Lourenço.

 

Há, também, no mercado, growlers feitos de garrafa PET. No entanto, eles acabam não trazendo grande parte dos benefícios esperados dele (discutidos aqui). Assim, acabam fazendo as vezes de uma grande garrafa. “Eles custam para o consumidor e são descartáveis. A proposta original é de ser reutilizável, mais econômico, sem resíduos, gerando um vínculo que entre quem vende o growler e o chopp, e quem o consome”, afirma Rodrigo Fernandes, CEO da My Growler.

Já é comum encontrar growlers a venda em cervejarias, empórios e lojas dedicadas à cerveja. Uma grande variedade de modelos, tamanhos, grafismos e acessórios estão disponíveis nos sites da My Growler e Siphon Growlers.

 

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Dia dos Pais: Descubra qual a cerveja ideal para o seu pai

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