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Entrevista: Mercado cervejeiro enfrentará seleção natural nos próximos 5 anos

O mercado brasileiro de cerveja é composto por apenas 2% de artesanais, número que chega a 12% nos Estados Unidos e 20% na Europa. Não há como negar que o potencial de crescimento seja imenso a toda cadeia produtiva do setor. Mas os riscos do “boom” cervejeiro também são iminentes. Em meio à ampliação exponencial da oferta, o país também pode, por outro lado, viver uma seleção natural nos próximos anos.

Essa é a análise de Alexandre Luis Prim, que vem estudando detalhadamente o mercado cervejeiro em seu doutorado em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV/EAESP), com ênfase na linha de pesquisa Gestão de Operações e Competitividade.

Mestre em Administração pela Fundação Universidade Regional de Blumenau (FURB), ex-consultor do Senai/SC, autor do livro “Gerenciamento do Escopo, Tempo e Custos em Projetos” e atualmente professor de cursos de graduação e pós-graduação da Faculdade Senac Blumenau e da Uniasselvi, Prim falou com exclusividade ao Guia da Cerveja. E, em sua análise, embora se demonstre otimista, ele trouxe importantes ponderações no debate sobre o futuro do mercado cervejeiro.

“O potencial de crescimento deste setor é gigantesco, uma vez que está havendo uma mudança de hábito no consumo de cervejas artesanais”, garante o especialista. “Mas, num futuro breve (aqui estimo no máximo 5 anos), haverá uma seleção natural das melhores cervejarias devido a uma maior maturidade no setor.”

Prim comenta também sobre os caminhos para sobreviver a essa eventual seleção de mercado: investir na padronização de processos e, especialmente, na qualidade do produto. “As empresas brasileiras irão perceber uma seleção de mercado e, desta maneira, obrigatoriamente terão de se reinventar”, pontua.

Confira, a seguir, a entrevista completa com Alexandre Luis Prim, doutorando pela FGV e professor da Faculdade Senac Blumenau e da Uniasselvi.

Em meio a tantos números por vezes conflitantes, qual seria hoje o tamanho aproximado do mercado brasileiro de cerveja artesanal, considerando-se não apenas os dados oficiais?

Atualmente há em torno de 1000 cervejarias instaladas no Brasil. No entanto, este número se expande ao adicionar as cervejarias ciganas (aquelas que não possuem uma fábrica própria), bem como os cervejeiros caseiros. Estima-se que há aproximadamente 5000 cervejarias ciganas no Brasil no presente momento.

Prim é professor do Senac Blumenau

Qual o potencial de crescimento desse mercado?

O potencial de crescimento deste setor é gigantesco, uma vez que está havendo uma mudança de hábito no consumo de cervejas artesanais, bem como inovações também estão sendo muito bem-vindas. Dados do setor demonstram que o mercado brasileiro é composto por aproximadamente 2% de cervejas artesanais sobre as de produção em massa. Em contrapartida, nos Estados Unidos, este contraste é menor, com aproximadamente 12%, e 20% na Europa. De acordo com estes dados, há ainda uma imensa oportunidade de crescimento das cervejarias artesanais.

E, diante desse cenário, quais os principais desafios do setor cervejeiro?

No momento, as cervejarias estão na “crista da onda” e, portanto, “praticamente” tudo o que se faz é aceito pelo mercado. Mas, num futuro breve (aqui estimo no máximo 5 anos), haverá uma seleção natural das melhores cervejarias devido a uma maior maturidade no setor. Então, neste caso, as empresas que se preocuparem mais com qualidade e nível de serviço serão melhores que as demais. Por sua vez, a evolução deste setor ainda é um pouco limitada devido à logística de distribuição para atender diversas regiões no país, bem como pela carga tributária, ainda que seja na mesma proporção das grandes.

Olhando para as principais referências externas no mercado, o que aproveitamos com qualidade e onde ainda precisamos melhorar?

Aqui posso lhe dizer com base em uma pesquisa que estou conduzindo em relação à qualidade: a maioria das empresas de cerveja ainda não está enxergando um ponto de corte vindo do mercado, num futuro breve, em relação à qualidade do produto. Como as artesanais possuem recursos limitados para controlar todos os processos e reduzir a variabilidade nesses processos, ainda há um imenso trabalho para padronização de processos, controles e melhoria contínua no que se refere à qualidade do produto e de processos.

Como isso afetará o mercado?

Como mencionei na resposta anterior, eu acredito que naturalmente as empresas brasileiras irão perceber uma seleção de mercado e, desta maneira, obrigatoriamente terão de se reinventar. Neste momento, aquelas que se preocuparem antecipadamente com a qualidade terão seu nome garantido no mercado.

Há características próprias do mercado interno que as cervejas brasileiras podem aproveitar?

Com certeza. Cada mercado pode aproveitar características locais para demonstrá-las ao mundo. Um exemplo claro são as cervejas da cervejaria Lohn Bier, de Santa Catarina, que utilizam frutas ou especiarias regionais para dar um toque regionalístico em seus produtos. Até onde eu sei nenhuma cervejaria recebeu tantas premiações de feiras como a Lohn Bier (mais de 40 prêmios em apenas 3 anos de operação). Como eles fazem? Inovação constante em seus produtos. Trazem características locais para pensar no global.

Não é só vodca: Dicas para tomar boa cerveja na Rússia

As paisagens na Rússia são um atrativo à parte durante a Copa do Mundo. Seja nas belas imagens mais conhecidas, como as da Praça Vermelha, em Moscou, e das pontes içadas nas noites brancas de São Petersburgo, ou mesmo nos lugares de uma beleza escondida e aconchegante, como na pequena Saransk, o país que serviu de berço à União Soviética é um local feito para visitar entre bons goles de cerveja.

E quem está aproveitando a Copa do Mundo para conhecer melhor a bebida local – ou mesmo quem se inspirou na competição para agendar uma viagem – terá bastante trabalho pela frente. Segundo Dimitrii Drobyshevskii, editor do site russo Profibeer, especializado no setor, quem estiver aberto à experimentação de cervejas russas vai se deparar com uma verdadeira montanha russa.

“Passar a noite tomando cerveja artesanal russa vai te levar de sensações de desapontamento profundas a deleite extremo em questão de minutos. Mas não tenha medo”, recomenda Drobyshevskii, elencando algumas das marcas mais interessantes do país: AF Brew, 8 Barrels Brew, Brewlok e New Riga’s.

Apesar de as melhores opções de bares e cervejarias se concentrarem em Moscou e São Petersburgo, há ótimas atrações em outras cidades sede da Copa da Rússia. Confira algumas dicas:

 

Sochi
A cervejaria Endemic fica nas montanhas próximas à Krasnaya Polyana e leva o concenito de “artesanal” ao extremo. Foi fundada por um jovem entusiasta que mora na cervejaria, colhe levedura selvagem – este é o ingrediente endêmico de seus rótulos – encontrado nas florestas da região para produzir seus seis estilos. A água usada vem de uma nascente local e não passa por preparação alguma. É possível fazer visitas turísticas à Endemic.
http://www.endemicbeer.ru/

Zhigulevskoe, a cerveja da URSS nasceu em Samara

Samara
A sugestão é provar a local Zhigulevskoe. Trata-se de uma lager comum, mas tem seu valor histórico: era a mais popular – praticamente sinônimo – cerveja da União Soviética. Embora diversas plantas tenham produzido o rótulo, é lá que fica a fábrica da “original”. Moradores locais frequentam as tradicionais casas Dne e Vacano, fundado pelo Austríaco Alfred von Vacano, criador da Zhigulevskoe no século 19.
https://web.facebook.com/zhigulevskoepivo/?_rdc=1&_rdr

Saransk
Capital da República da Mordóvia, uma divisão federal da Rússia, a cidade tem pouco mais de 300 mil habitantes e alguns bares com boa oferta de cerveja artesanal. Mas vale ficar atento nas pequenas vendas e mercados. Neles, é possível encontrar diversas torneiras “especiais”, onde as cervejas locais são vendidas em litro e em garrafas de plástico. Pode não ser a melhor bebida do mundo, mas o preço é convidativo – menos de R$ 7 o litro – e vale demais a experiência. Para acompanhar, há sempre uma oferta variada de peixe seco, uma das mais tradicionais iguarias russas.

Moscou
A capital da Rússia é a cidade com mais opções a serem visitadas. Moscou é conhecida por sua noite vibrante, e de 2014 para cá, os brewpubs e taphouses se espalharam rapidamente por diversas regiões.

  • Rule Taproom: tem 27 rótulos de cerveja, de belgas a inglesas, passando por uma boa variedade de russas.
    http://ruletaproom.ru/
  • Jawspot: bar especializado nos rótulos da cervejaria russa Jaws. Além de opções de cervejas tchecas e belgas.
    https://web.facebook.com/Jawsspot-Msk-1106360412795337/?_rdc=1&_rdr
  • Beermarket Moscow: próximo do que os americanos chamariam de “speakeasy” dos pubs moscovitas: ainda pouco frequentado por turistas, considerado barato, difícil de encontrar e fiel à raiz rock’n’roll.
    https://web.facebook.com/beermarketbar/?_rdc=1&_rdr
  • Craft Republic: 25 rótulos, sendo a maioria de artesanais russas, além de belgas, alemãs e italianas.
    https://craftrepublic.ru/
  • Iggy Pub: Localizado em uma pequena travessa da Nikitskaya, tradicional avenida que abriga o Teatro Mayakovsky, entre outras atrações, o bar traz boas opções de torneiras gringas – como a BrewDog – e russas. Além do agradável ambiente interno, possui banquetas na calçada, num descontraído clima de boteco brasileiro.
    https://www.facebook.com/iggypub/

São Petersburgo
A cena cervejeira é efervescente na segunda maior cidade russa. Ela foi berço da revolução das artesanais no país e guarda algumas das mais interessantes casas do ramo.

 

Greve atrapalha e produção industrial de bebida alcoólica cai 13% em maio

A produção industrial sentiu o efeito da greve dos caminhoneiros e teve uma acentuada queda de 10,9% em maio na comparação com abril, segundos dados divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se da baixa mais acentuada desde dezembro de 2008 (-11,2%).

A queda reflete os “efeitos da paralisação dos caminhoneiros que afetou o processo de produção de várias unidades produtivas no país. Com o resultado, o patamar de produção retornou a nível próximo ao de dezembro de 2003, ficando, dessa forma, 23,8% abaixo do ponto recorde alcançado em maio de 2011”, segundo explicou o IBGE em nota.

E uma das categorias que mais sentiu o efeito da greve foi o de Fabricação de Bebidas: queda de 18,1% na comparação com abril e de 14,9% com maio do ano anterior. No acumulado de 2018, por sua vez, o segmento apresenta ligeiro crescimento de 0,6%.

Em meio ao caos provocado pela greve dos caminhoneiros, o segmento de bebidas alcoólicas também foi duramente afetado. Apresentou queda de 13% em maio, embora tenha crescido 0,7% em 2018 e 2,9% nos últimos 12 meses.

Confira, a seguir, as estatísticas da produção industrial em maio:

Produção IndustrialMaio201812 meses
Bebidas Alcoólicas-13%0,7%2,9%
Bebidas Não Alcoólicas-16,9%0,6%0,2%
Fabricação de Bebidas-18,1%0,6%1,6%
Geral-10,9%2%3%

Balcão da Copa: 7 a 1 agora é só cerveja

O temor do torcedor brasileiro de enfrentar novamente a Alemanha na Copa do Mundo e tomar outro sacode foi desfeito pela seleção da Coreia do Sul, que despachou para casa os atuais campeões ainda na primeira fase. O 7 a 1 que não veio nos campos, no entanto, voltou a aparecer nas prateleiras: a cerveja Gol da Alemanha, lançada em colaboração entre as cervejarias 2 Cabeças (RJ) e Aeon (MG) após a Copa de 2014, está de volta.

Além do nome que lembra o massacre do Mineirão, tudo em sua receita reforça a memória: trata-se de uma IPA com 7,1o de teor alcoólico, sete ingredientes alemães e um brasileiro (a água…) e amargor de 71 IBUs.

Na essência do rótulo e dos ingredientes da linha da 2 Cabeças, porém, um elemento é primordial: o bom humor, em direção oposta a de grandes cervejarias, que abordam o futebol em suas campanhas com seriedade (como a campanha da Brahma, que resgatou os rótulos dos anos em que o Brasil foi campeão). Parao cervejeiro Bernardo Couto, da 2 Cabeças, é preciso saber rir das derrotas. “Faz parte da vida”, afirma.

“Conversamos com um público menor, que está mais disposto à criatividade e produtos fora do padrão, e baseamos o nosso humor nesta visão”, diz ele, que vê no fato de ser pequeno a vantagem de não precisar falar com todos os públicos, nem de agradar a todos. “Claro que é um produto que traz rejeição de alguns, mas em geral o nosso público reconhece apenas como uma piada”.

Segundo Couto, foram produzidos seis mil litros da Gol da Alemanha, e não há previsão ou intenção de lançar qualquer outro rótulo inspirado na Copa de 2018. “Nossa ideia é criar produtos únicos, com a nossa cara, e a Gol da Alemanha surgiu a partir disso, da criatividade e do bom humor, apenas. Não temos qualquer interesse em nos vincular ao futebol”.

Produção de cevada mantém expansão e cresce 49% nos últimos 12 meses

A produção de cevada em grãos manteve seu ritmo de alta em 2018. Depois de subir quase 13,9% no mês anterior, o cultivo anual da safra apresentou bons números em maio e chegou a 423 mil toneladas, segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O número representa um crescimento de 0,8% em relação a abril, quando a safra foi de 423.886 toneladas. Na comparação com o ano de 2017, os últimos 12 meses apresentam um resultado ainda mais expressivo: aumento de 49,2%.

Se o cultivo aumentou em maio, a produtividade da cevada se manteve praticamente a mesma. Foram 3,456 mil quilos por hectare no mês ante 3.453 kg/ha em abril, um crescimento de 0,1%. Quando comparados aos 2.432 kg/ha de 2017, por sua vez, o aumento foi de 42,1%.

Quem também apresentou números positivos foi a safra do trigo em grãos: a produção alcançou 5.620.444 toneladas em maio e subiu 0,2% na comparação com abril. A produtividade, por sua vez, foi de 2.827 kg/ha, praticamente a mesma do mês anterior.

Confira, a seguir, os dados completos da produção de cevada em maio:

Safra Anual de CevadaMaioAbril2017
Produção427.394 t423.886 t286.405 t
Rendimento3.456 kg/ha3.453 kg/ha2.432 kg/ha

 

Preço da cerveja destoa da inflação e cai 0,88% mesmo após greve

A cerveja foi uma das principais “âncoras” da inflação em maio. Se o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,40% no mês, pressionado especialmente pela greve dos caminhoneiros, a bebida consumida em domicílio teve impactante queda de 0,88%.

O resultado da taxa que mede a inflação oficial brasileira, assim, reforçou ainda mais a queda do preço da cerveja no domicílio. Em 2018, o índice apresenta baixa de 2,93%. E, nos últimos 12 meses, o preço subiu apenas 0,77%.

Já a cerveja fora do domicílio sentiu a pressão inflacionária e subiu 0,68% em maio, valor superior ao do índice geral. Fez, assim, o preço se elevar 0,42% no ano e 3,20% nos últimos 12 meses.

O grupo de Alimentos e Bebidas, por sua vez, apresentou elevações menores do que a inflação geral. Subiu 0,32% em maio e 0,89% em 2018. Nos últimos 12 meses, porém, o índice aponta queda de 1,46%.

Confira, a seguir, os dados completos da inflação da cerveja em maio:

IPCA de MaioMaio201812 meses
Cerveja no Domicílio-0,88%-2,93%0,77%
Cerveja Fora do Domicílio0,68%0,42%3,20%
Outras Bebidas Alcoólicas no Domicílio0,11%0,82%1,24%
Outras Bebidas Alcoólicas Fora do Domicílio-0,23%1,07%4,10%
Alimentos e Bebidas0,32%0,89%-1,46%
Geral0,40%1,33%2,86%

 

Cerveja artesanal se destaca na maior feira latina da indústria alimentícia

Embalada pela força do crescente mercado das cervejas artesanais, a Fispal Tecnologia se encerrou no final de junho apresentando marcas expressivas, com mais de 38 mil visitantes. E uma das grandes novidades do evento foi a Arena da Cerveja Artesanal, criada em parceria com o Instituto da Cerveja Brasil (ICB).

O espaço, que teve palestras em temas como gestão, mercado e tecnologia, além de contar com a exposição de equipamentos, foi um dos principais destaques daquela que é considerada a maior feira latina da indústria alimentícia. A expectativa é de que a arena seja mantida às próximas edições da Fispal Tecnologia.

“Consideramos a Arena da Cerveja Artesanal com uma das grandes novidades desta edição da Fispal Tecnologia”, afirma Clélia Iwaki, diretora da Informa Exhibitions, multinacional responsável pela feira. “Nosso objetivo é que a Arena da Cerveja Artesanal se torne uma atração fixa da Fispal Tecnologia.”

Iwaki revela também que a criação do espaço surgiu após uma demanda dos próprios visitantes. “Esta ideia surgiu após uma pesquisa realizada com os visitantes da edição passada, onde eles apontaram o desejo de encontrar no evento algo para essa indústria que cresce a passos largos no Brasil”, conta a executiva, antes de acrescentar.

“A Fispal Tecnologia reconhece seu papel como fomentadora do setor que representa e espera que a Arena da Cerveja Artesanal continue a desenvolver este mercado para que ele mantenha sua curva de crescimento”, complementa Iwaki.

O espaço cervejeiro contou, diariamente, com quatro palestras de professores do Instituto da Cerveja Brasil. Mestre cervejeiro e professor da escola, Marcus Dapper abordou conceitos aplicados em matérias-primas e explicou como a tecnologia pode otimizar a produção. Já o sommelier Guto Procópio trouxe os diferentes estilos da bebida, enquanto Luis Fernando Amaro, sócio da fábrica do ICB, falou sobre os desafios do mercado atual.

“Para o instituto é muito importante ajudar a Fispal Tecnologia a desenvolver esta nova área de microcervejaria, um mercado que segue em amplo crescimento. É, também, uma forma de unir as duas marcas e mostrar que é possível empreender neste mercado”, explica Estácio Rodrigues, sócio e sommelier do Instituto da Cerveja.

Realizada de 26 e 29 de junho, no São Paulo Expo, em São Paulo, a 34ª Fispal Tecnologia teve a presença de 38.600 visitantes e 440 expositores, o “melhor resultado já registrado com relação à qualificação do público visitante”, segundo os organizadores do evento.

Com 12 mil visitantes, Mondial de SP agrada público e garante 2ª edição

A versão paulista do Mondial de la Bière consagrou o crescimento do mercado brasileiro de cerveja artesanal. Durante os quatro dias do evento, realizado pela primeira vez em São Paulo, o tradicional festival recebeu 83 cervejarias, mais de 600 rótulos e 12 mil visitantes. Números que asseguraram a realização de uma segunda edição do Mondial de SP.

“A cidade de São Paulo abraçou o evento”, comemorou Luana Cloper, diretora do Mondial de la Bière no Brasil. “Os resultados da nossa primeira edição nos motivam a já começarmos a trabalhar para o ano que vem. Reunimos uma ótima seleção de cervejarias, recebemos visitas de profissionais do mercado, jornalistas, consumidores com forte cultura cervejeira e novos consumidores das artesanais. Foi um evento feliz, com boa comida, boa música, amigos, famílias.”

Realizado no São Paulo Expo, espaço com 7 mil m², o Mondial de la Bière São Paulo recebeu expositores nacionais dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e Distrito Federal. A presença de cervejarias internacionais – Estados Unidos, Alemanha, Bélgica, Irlanda, Escócia, Holanda e República Tcheca – coroou a diversificação.

Além da ampla e diversificada oferta de rótulos, o evento contou com 12 pontos de alimentação, food trucks e uma programação musical liderada pelo rapper Projota e pela banda O Bardo e O Banjo, entre outras atrações.

“Em termos de estrutura, a parte externa com banda ao vivo foi um diferencial”, opina o gerente de marketing Eduardo Martineli. “Ganhei o ingresso em um sorteio e arrastei mais dois amigos comigo”, acrescentou o oftalmologista Rafael Almeida. “Saímos do trabalho e o Mondial foi nosso happy hour com cervejas de qualidade. Valeu a pena.”

Coordenadora de marketing da Cervejaria Blondine, Mariane Marques admitiu que estava insegura com a primeira edição do evento. O resultado, contudo, a fez comemorar. “O primeiro ano é sempre uma incógnita, mas foi muito cheio e com um público bem bacana”, opinou. “Além do pessoal mais especializado, estamos conhecendo um público entusiasta, que está entrando para o ramo e aprendendo a tomar cerveja artesanal.”

Já David Michelsohn, sócio da Cervejaria Júpiter, também elogiou o conhecimento do público. “Não é um evento ‘para encher a cara’, mas sim para experimentação. Encontramos um público interessado e com conhecimento. Por ser a primeira edição me impressionei com o volume (de pessoas)”, garantiu. “Todo mundo traz o que tem de melhor. Isso faz parte do nosso esforço para encantar o público e cativar, para que as pessoas comecem a optar cada vez mais pelas cervejas artesanais.”

Se a próxima edição paulista do Mondial de SP será apenas no próximo ano, o Rio de Janeiro receberá o evento entre os dias 5 e 9 de setembro, no Pier Mauá.

Cerveja Point of View recebe medalha de platina no MBeer Contest

A Cervejaria Dádiva foi a principal destaque no MBeer Contest Brazil. Realizado durante o Mondial de la Bière, ocorrido entre os dias 17 e 20 de maio, o concurso premiou a Point of View com a medalha de platina, o atestado de excelência da disputa.

Lançada neste ano pela Dádiva, a Point of View é uma cerveja do estilo Russian Imperial Stout com adição de goiabada. Foi elaborada de forma colaborativa com a cervejaria dinamarquesa Amager Bryghus e venceu o concurso às cegas que considerava qualidade e sabor, independentemente do estilo.

Se a Point of View levou a platina entre as 136 cervejas inscritas, outras 11 receberam a medalha de ouro: Hop Damage, da Blondine; Half Pint Peach Gose, da Sinergy, Kremilin Reserva, da Antuérpia; Kremer IPA, da Kremer Cervejaria; Bravo, da Backer; Carvoeira, da Lohn Bier; H5, da Hausen Bier; Endorphina e Psicose Espacial, da Doktor Bräu; e Melon Sat e Cryosat, da Satélite.

Jurado do concurso e proprietário da Weird Barrel Brewing Co., Rafael Moschetta elogiou a qualidade das cervejas concorrentes. “Há uma clara tendência das sours, principalmente as Catarina sours com frutas, mas me chamaram atenção alguns bons equilíbrios: cervejas com madeira, cervejas com bastante lúpulo e uma base que sustentava bem, tornando-as muito agradáveis de tomar”, avaliou. “No geral, as amostras tinham uma qualidade boa e as que se destacaram tinham uma qualidade excepcional.”

Também fizeram parte da lista de jurados o peruano Diego Rodriguez, proprietário da Cervecería Barbarian, o jornalista norte-americano Tony Forder, do Ale Street News, e os brasileiros Gabriel Di Martino, mestre cervejeiro da Therezópolis, Bia Amorim, sommelière da Pratinha, e Pedro de Lucca, mestre cervejeiro da Ethos.

Produção de cevada retoma força e cresce quase 14% em abril

A produção brasileira de cevada em grão começou a mostrar força em 2018. Depois de cair quase 25% em 2017, o cultivo anual da safra apresentou bons números em abril e alcançou 423 mil toneladas, segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Foi um crescimento de 13,9% na comparação com março, que registrou 372 mil toneladas. E de expressivos 48% quando se compara as 286.405 toneladas produzidas no ano anterior.

Os números da cevada também são favoráveis quando se observa a produtividade. Enquanto março teve um rendimento médio de 3,070 mil quilos por hectare, abril alcançou a marca de 3.453 kg/ha, um aumento de 12,5%.

Já a produção anual da safra de trigo em grão alcançou 5.620.444 toneladas em abril e cresceu 1% na comparação com março, semelhante aos números da produtividade: rendimento de 2.828 kg/ha e aumento de 0,9%.

Confira, a seguir, os dados completos da produção de cevada em abril:

Safra Anual de CevadaAbrilMarço2017
Produção423.886 t372.164 t286.405 t
Rendimento3.453 kg/ha3.070 kg/ha2.432 kg/ha