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Harmonizando potencial: As tendências dos bares especializados em artesanais

A cerveja artesanal, felizmente, caiu no gosto do brasileiro. E, junto com ela, toda uma enorme rede de produção sofreu um impacto positivo e precisa, aos poucos, frente à nova realidade, adequar-se ao saboroso estilo desse novo mercado. É o caso do segmento de bares e restaurantes, diretamente impactado pela ampliação da oferta de rótulos especializados e do consequente amadurecimento do paladar nacional.

Para entender melhor esse mercado e o seu potencial, o Guia da Cerveja realizou uma entrevista com Ricardo Rodrigues, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Minas Gerais (Abrasel-MG) e sócio-proprietário do tradicional restaurante Maria das Tranças.

Confiante no potencial do setor, que cresce expressivamente ano após ano, Rodrigues assegura: não há qualquer risco de saturação mesmo com o aumento exponencial da oferta de bares especializados em cerveja.

O presidente da Abrasel-MG conta também que a qualidade será o grande diferencial para impulsionar esses estabelecimentos e revela um dos novos segredos para conquistar o consumidor: a aposta na harmonização.

Confira, a seguir, a entrevista completa com Ricardo Rodrigues, presidente da Abrasel-MG e sócio-proprietário do Maria das Tranças.

Qual o potencial da cerveja artesanal para o mercado de bares e restaurantes?
Estamos sentindo em Belo Horizonte, na quantidade de fábricas de cerveja artesanal, nos bares e restaurantes com exclusividade das grandes companhias, ou mesmo nas que não têm, mas que estão buscando um diferencial, que o crescimento de cerveja artesanal está sendo muito grande. É enorme o potencial. O público mineiro e nacional tem buscado essa cerveja diferenciada. Está caindo na graça da galera.

E como o setor está trabalhando o desenvolvimento desse potencial?
Estamos evoluindo. Em Belo Horizonte, inclusive, temos uma lei tramitando na Câmara dos Vereadores para que bares possam virar brewpubs e fazer a fabricação da sua própria cerveja, seu próprio chopp em escalas pequenas [trata-se do Projeto de Lei 475/2018, proposta para que qualquer cervejaria que tenha área menor de 720 m² tenha as mesmas exigências de localização e fiscalização sanitária de um bar].

Quais as características de um bom estabelecimento de cerveja artesanal?
A premissa é a qualidade. Em Belo Horizonte, por exemplo, tem um consumidor de qualidade, que sabe, que entende de produção. E o bar, então, precisa de um ponto de partida diferenciado. Quem entende isso sai na frente em relação a outras casas.

Como essa qualidade pode ser trabalhada?
Nela precisa acompanhar uma boa gastronomia, a questão do atendimento, de produtos. As casas estão investindo em harmonização. Elas já buscam hoje não apenas uma cerveja especial, mas uma harmonização com pratos, criando cervejas para o próprio cardápio. Isso é muito interessante: buscar uma cerveja só para o cardápio. Se não acha, cria.

Com a abertura de inúmeros bares especializados nos últimos anos, é preocupante o risco de saturação?
Creio que não existe esse risco. Se as grandes companhias em nível mundial têm se preocupado em adquirir pequenas cervejarias para investir nesse mercado, então vemos que ele tem potencial e incomoda. As grandes estão preocupadas. Temos vários casos no Brasil de grandes comprando artesanais para se manterem nesse mercado que está crescendo.

Que modelo internacional de negócio poderíamos nos inspirar? Qual característica de mercado mais se assemelha com a nossa?
Temos várias escolas na hora em que pensamos qual tipo seguir. Temos a linha da escola norte-americana, da alemã, da europeia. Estamos bem divididos. Sentimos aqui um volume de cervejas que tem vindo das duas, não especificamente de uma escola única. É bem diversificado. O segredo para um bar é sentir o que o seu público vai consumir mais. Mas é bem eclético quando pensamos onde nos embasar.

Produção de cevada mantém regularidade e safra de trigo cresce 0,7% em junho

A produção dos principais cerais utilizados na cerveja brasileira manteve a regularidade em junho, segundo dados divulgados na terça-feira pelo Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A cevada em grãos, por exemplo, manteve os resultados de maio: 123.683 hectares de área plantada, 427.394 toneladas produzidas e 3.456 quilos por hectare de rendimento. Se não houve crescimento, a estabilidade indica que a safra superou de vez a forte baixa de 2017. Na comparação com o ano anterior, a produção dos últimos 12 meses cresceu 49,2%.

Outro cereal a apresentar regularidade foi o trigo em grãos. Na comparação com maio, segundo o IBGE, a área plantada em junho chegou a 2.006.719 hectares e subiu 0,7%, mesmo percentual de crescimento da produção, que alcançou 5.668.546 toneladas.

Já a produtividade do trigo teve ligeira queda em junho: 2.825 quilos por hectare ante os 2.827 de maio, uma retração de 0,1%.

Se os principais componentes da cerveja apresentam bons números, o mesmo não ocorre com a produção geral. A estimativa do IBGE para a safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas totalizou 227,9 milhões de toneladas em junho, 5,3% inferior à obtida em 2017 (240,6 milhões de toneladas).

Confira, a seguir, os números da produção da cevada em junho:

Safra da CevadaJunhoMaio2017
Produção427.394 t427.394 t286.405 t
Rendimento3.456 kg/ha3.456 kg/ha2.432 kg/ha
Área123.683 ha123.683 ha117.779 ha

 

E os números da produção do trigo:

Safra do TrigoJunhoMaio2017
Produção5.668.546 t5.630.425 t4.241.602 t
Rendimento2.825 kg/ha2.827 kg/ha2.217 kg/ha
Área2.006.719 ha1.991.932 ha1.913.226 ha

 

Cerveja sem crise: Os caminhos para se proteger da instabilidade econômica

Se o mercado brasileiro de cerveja artesanal cresceu dois dígitos nos últimos anos, o país vive uma realidade inversa. Entre greve de caminhoneiros, lenta recuperação econômica e uma eleição que não empolga, o cenário conjuntural pouco inspira confiança e traz instabilidade de um setor que surgiu como um dos destaques da década.

Alexandre Prim, professor e especialista no mercado cervejeiro

No final de junho, por exemplo, o Banco Central reduziu para 1,6% a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2018, indíce 1% inferior ao da projeção anterior. A queda se deveu ao resultado abaixo da expectativa para o primeiro trimestre do ano: aumento de apenas 0,4% do PIB frente ao quarto trimestre de 2017, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Enquanto a economia derrapa e o cenário político não inspira confiança, surge uma grande aliada das empresas do setor cervejeiro: a cautela. “Não há como negar que a macroeconomia e a instabilidade política brasileira afetam a microeconomia”, assegura Alexandre Luis Prim, que vem estudando detalhadamente o mercado cervejeiro em seu doutorado em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV/EAESP).

As empresas do setor devem seguir, segundo Prim, dois preceitos fundamentais para enfrentar os riscos: controle financeiro e equilíbrio das contas.

“Como não é possível controlar estes fatores externos, as empresas devem ter atenção em controles financeiros e de custos a fim de, no mínimo, equilibrar as contas”, recomenda o especialista, antes de elencar outros dois importantes fatores.

“É preciso também segurar os investimentos, uma vez que elas podem não conseguir recuperá-lo”, diz Prim, que também é autor do livro “Gerenciamento do Escopo, Tempo e Custos em Projetos” e professor de cursos de graduação e pós-graduação do Senac Blumenau e da Uniasselvi.

Outro preceito importante nesse momento, segundo ele, é ter um controle completo da gestão. “Portanto, o que se sugere neste período de instabilidade é que as empresas reforcem os controles para garantir uma gestão mais efetiva, com dados imediatos para tomada de decisão. De certa forma, isto não garante a sobrevivência de qualquer empresa, mas reduz os riscos de qualquer atropelo financeiro.”

Um mercado peculiar
Embora aponte a necessidade de segurar o investimento, o professor do Senac explica que o mercado brasileiro tem suas especificidades. Assim, mesmo que o setor possa sentir o efeito da crise, Prim garante existir razões para que o consumo de cerveja se mantenha em alta.

“No entanto, por mais que existam diversos limitadores de consumo, percebo que os brasileiros tentam se desvincular destes fatores negativos e, portanto, ‘driblam’ o que pode limitá-los em sua vida profissional e pessoal”, garante.

Mesmo que o consumidor esteja em crise, segundo acrescenta o especialista, ele dará um jeito de tomar sua cerveja. “É um fato até curioso: os brasileiros podem estar endividados (e até com o nome sujo), mas não deixam ter seu momento de lazer, de tomar uma boa cerveja e fazer aquele churrasco”, completa Prim.

Leia mais: Em entrevista, Alexandre Luis Prim fala sobre os desafios do mercado cervejeiro para os próximos 5 anos.

Agrária amplia portfólio e promete lançar dois novos maltes até 2019

Depois de apresentar dois maltes no início deste ano, a Agrária segue trabalhando para ampliar sua oferta e disponibilizar novas opções ao mercado brasileiro. Até 2019, segundo garante Rafael Bruno Mattes, coordenador comercial da empresa, dois novos produtos devem estar disponíveis.

O primeiro é um malte Pilsen, com previsão para o segundo semestre deste ano. Em seguida, a Agrária trabalhará no lançamento de um produto de trigo.

“Teremos duas novidades no portfólio de maltes produzidos pela Agrária: o malte Pilsen extra claro, que será lançado no segundo semestre de 2018, e o malte de Trigo, com lançamento previsto para 2019”, revela Mattes com exclusividade ao Guia da Cerveja.

Essas novidades se somarão às três novas opções lançadas recentemente: o malte Pale Ale, criado em julho de 2017, o Vienna, distribuído pela primeira vez em janeiro deste ano, e o Munique, apresentado em março no Festival Brasileiro da Cerveja, em Blumenau.

Os novos maltes, aliás, segundo conta Mattes, já alcançaram o mercado externo. “Atualmente fornecemos estes novos maltes para mais de 500 clientes e tivemos um excelente feedback, dos cervejeiros caseiros, das cervejarias artesanais e até dos grandes grupos cervejeiros. Além disso já estamos exportando estes maltes para países vizinhos”, completa o coordenador da Agrária Malte.

Histórias etílicas: Stalin, a Zhigulevskoye e a cerveja russa que nem era “alcoólica”

Quando se trata do consumo de bebidas alcoólicas, os russos não brincam. O povo, acostumado a doses fortes, tem a vodca como preferência e, perto de outros países, não consome tanta cerveja: a média é de 68 litros por habitante por ano – similar ao Brasil e longe de vizinhos como Polônia (97 litros) e ex-repúblicas soviéticas como Lituânia (96l) e Letônia (78l). A relação da Rússia com a cerveja, no entanto, passou por altos e baixos no período soviético, como nos tempos de Stalin, até ela se consolidar, hoje, como segunda mais consumida no país.

Zhigulevskoye, a cerveja típica da URSS

Durante o período soviético, a bebida se confundia com a marca Zhigulevskoye. Originalmente, é o nome de uma cervejaria surgida em Samara no final do século 19, fundada e tocada pelo austríaco Alfred von Vacano nos mais latos padrões de tecnologia, infraestrutura e higiene da época. Seu principal rótulo era uma Vienna Lager, que caiu no gosto da população na virada para o século XX.

Na década de 1930, o staff do líder comunista Joseph Stalin aprovou a cerveja de Vaccano e adotou a receita de sua Vienna Lager como a cerveja oficial da União Soviética, rebatizando-a com o nome da própria cervejaria.

A Zhigulevskoye passou a ser produzida em centenas de cervejarias pelo país e mesmo hoje, após a entrada de diversos players internacionais no mercado, continua popular e reverenciada na Rússia.

Alcoolismo e restrições
Mas o consumo abusivo de álcool já aparecia como um problema de saúde pública e a popularização da cerveja, acelerada após o final da URSS, tem certo papel na mudança desse cenário. Em 1985, a Organização Mundial de Saúde alertava que a expectativa de vida dos homens soviéticos era 12 anos mais baixa do que a de um norte-americano. E o motivo era claro: o excessivo consumo de álcool.

O governo, então sob Mikhail Gorbatchev, tomou medidas visando a diminuição do consumo, aumentando preços e impostos sobre vodca, vinho e cerveja, restringindo horários e pontos de venda.

Assim, a vodca passou a ter preços proibitivos para certas faixas da população. Nas áreas rurais, a alternativa foi recorrer ao tradicional samogon, nome dado a qualquer bebida destilada artesanalmente, sem regulamentação, geralmente feita com açúcar, milho, beterraba e batata, enquanto a cerveja, por mais que tivesse encarecido, se tornara opção acessível nos centros urbanos. O resultado foi a queda drástica nas vendas e no consumo.

A medida só valeu até 1991, mas os efeitos dela e da consequente popularização da cerveja ainda são sentidos. Com a abertura do país para o mercado na década de 1990, cervejarias internacionais lá se instalaram, diversificando e popularizando a bebida.

Estudos de acadêmicos da Kellog School (EUA), em parceria com a Nova Escola de Economia da Rússia, mostram que a medida surtiu efeitos significativos: homens russos que tinham entre 16 e 22 anos e moravam em áreas urbanas no período de restrição às bebidas – e logo após o colapso da União Soviética – têm a cerveja como sua preferência.

O cenário é diferente para homens da mesma idade que viviam na área rural, cuja preferencia continuou entre vodca e samogon. Associada a outros fatores, a taxa de mortalidade caiu um terço nos anos 1990, enquanto se acentuou a diferença de mortalidade entre os que passaram a consumir cerveja e aqueles que continuaram nas bebidas mais fortes.

O problema, contudo, não terminou aí. Os níveis de consumo de álcool na Rússia continuaram mais altos do que o recomendado pela Organização Mundial de Saúde. O governo adota até hoje medidas com o objetivo de restringir o consumo – a maioria delas passa por taxação e proibições.

Mas, em 2011, uma medida curiosa abriu caminho para restrições mais duras: até então, apenas produtos com mais de 10% de teor alcoólico entravam na categoria de alcoólicos. A maioria das cervejas se enquadrava como “softdrink” até esse ano, quando todas elas passaram a ser consideradas bebida alcoólica de fato.

Mercado cervejeiro precisa ser melhor explorado pela indústria, diz Abimaq

A expansão do mercado brasileiro de cerveja vem exigindo a disponibilidade de equipamentos mais eficientes e com baixo custo de manutenção. Nem sempre, contudo, a indústria nacional consegue atender essas expectativas. É o que garante Nelson Ferreira Júnior, vice-presidente da Câmara Setorial de Máquinas para a Indústria Alimentícia, Farmacêutica e Refrigeração Industrial (CSMIAFRI) da Associação Brasileira da Indústria de Maquinas e Equipamentos (Abimaq).

Na avaliação de Ferreira, a ampliação da oferta ao setor pode favorecer tanto os industriais, que ganhariam com um amplo mercado para explorar, quanto os produtores de cerveja, que passariam a contar com equipamentos mais eficientes.

“Hoje grandes indústrias do mercado cervejeiro compram equipamentos cada vez mais eficientes, com grande confiabilidade e também com custo de manutenção baixo”, comenta o executivo, em entrevista ao Guia da Cerveja. E ele acrescenta:

“Este mercado tem que ser melhor explorado. A indústria nacional deve investir mais em tecnologia para o setor, proporcionando aos seus clientes que eles consigam repetibilidade na qualidade da sua cerveja com um custo produtivo adequado às necessidades de volume”.

Embora a indústria nacional já ofereça equipamentos específicos ao setor, Ferreira pondera que eles ainda estão longe de suprir a demanda. “Grande parte das vendas de equipamentos nacionais são feitas para um mercado de microcervejarias. Por outro lado, as grandes cervejarias têm comprado de empresas multinacionais.”

Mercado em expansão
A certeza de que o mercado cervejeiro pode ser melhor explorado se deve ao crescimento expressivo do setor nos últimos anos. Essa expansão pode tanto ser confirmada pelos dados conjunturais, segundo o executivo, quanto pelo desenvolvimento das artesanais.

“Este mercado ao longo dos anos vem se mostrando ter um potencial em pleno crescimento, principalmente no consumo de cervejas especiais”, diz Ferreira, apontando alguns bons balizadores para avaliar o setor.

“Um grande termômetro para este segmento é a economia: quando o país está bem, o volume de cerveja mainstream consumida cresce e o inverso também é verdadeiro. E aí neste intervalo entra o consumo de cervejas especiais que cresce ano a ano, gerando vários investimentos por parte da indústria.”

A aposta no setor cervejeiro, assim, segundo ele, pode definitivamente trazer benefícios a toda indústria nacional. “O mercado cervejeiro no Brasil e na América Latina como um todo é um dos mais atraentes do mundo, devido ao consumo crescente e à demanda reprimida. O mercado está aí aberto a todos que queiram produzir equipamentos de alta qualidade, de forma a valorizar ainda mais este mercado milenar, o da cerveja.”

 

 

Balcão da Copa: Rússia vive revolução das cervejas artesanais

Como na maioria dos países, o mercado de cerveja na Rússia é dominado por gigantes internacionais. Mesmo nomes tradicionais como Baltika, dona de diversos dos rótulos mais consumidos no país, pertencem a multinacionais – a dinamarquesa Carlsberg, também responsável por marcas internacionais como Asahi (Japão), Tuborg (Dinamarca) e Kronenbourg (França). No entanto, uma verdadeira revolução das artesanais está em curso.

Cerveja Nacional, da Moskovskaya, em PET

Em maio, dois outros gigantes do mercado russo, que antes disputavam a segunda e a terceira posições em share no país, a AB InBev e o grupo turco Anadolu Efes, concluíram um processo fusão, concentrando ainda mais o mercado. A Heineken vem logo atrás.

Além das grandes internacionais, sobrevivem algumas grandes cervejarias de porte nacional (Moskovskaya Pivovarennaya Kompaniya, Ochakovo) e algumas regionais relevantes (como a Trekhsosenskiy, de Ulianovsk).

“A maior parte dos rótulos é de lagers leves e claras, ou escuras e filtradas”, afirma Dimitrii Drobyshevskii, editor do site russo de cobertura do setor Profibeer.com, ressaltando que não acredita serem muito diferentes dos rótulos produzidos pelas gigantes aqui no Brasil.

Confira aqui dicas de onde encontrar boa cerveja na Rússia

No início do século XXI, um segmento começou a ganhar volume: o das zhivoe, ou cervejas “vivas”. São do tipo helles, keller, dunkel e weiss que não passam por filtragem ou pasteurização. “Nem sempre são boas, mas apareceram no momento certo, quando o consumidor passou a demandar alternativas que parecessem mais naturais aos rótulos das gigantes” , conta Drobyshevskii.

Além do timming, o segmento se beneficiou da popularização de tecnologias de envase em garrafas PET, o que acelerou sua popularização em lojas de draft beer.

Queda na produção e artesanais fortalecidas
Apesar da revolução das artesanais, o cenário cervejeiro na Rússia não é tão favorável quanto parece. Na melhor das hipóteses é possível dizer que há uma estagnação nas vendas de cerveja nos últimos anos. Desde 2008 o departamento de estatística russo, Rosstat, afere quedas na produção anual do produto.

Em 2017, por exemplo, o volume de produção foi 2,4% menor do que em 2016, resultando em um encolhimento do mercado de 0,9%. Motivos não faltam: de 2016 para cá, Moscou adotou medidas de combate ao alcoolismo. Ficaram mais rígidas as restrições à publicidade, os impostos sobre alcoólicos subiram e foi proibida a produção e venda de cerveja em  PET com mais de 1,5 litro – o formato, até 2016, respondia por 42% do volume vendido no país.

Já o movimento das artesanais, por outro lado, ganhou força por volta de 2008, quando apreciadores locais, até então mais familiarizados com rótulos tchecos e alemães, viajavam e passaram a conhecer rótulos europeus e norte-americanos.

“As pessoas passaram a se interessar por novidades, harmonização com pratos, os pequenos cervejeiros dominaram os estilos mais ligados ao artesanal. Assim,  bares especializados começaram a surgir nas grandes cidades”, conta Drobyshevskii.

Nessa época, uma microcervejaria “experimental” foi instalada nas dependências da Baltika, em São Petesburgo. Em oposição aos produtores domésticos, nela os cervejeiros tinham matéria prima abundante e nenhuma preocupação comercial, já que os rótulos eram distribuídos em eventos promocionais. A “oficina” da Baltika hospedou também interessados em pesquisar novas fórmulas – e, até hoje, é reconhecida com grande incentivadora da popularização das cervejas diferenciadas no país.

Apesar do crescimento, as artesanais correspondem uma parcela minima do mercado russo (por volta de 1%; deve chegar a 3% em 2020). E, como as marcas tradicionais, sentem os efeitos da regulamentação, da crise econômica e do enfraquecimento da moeda local. “Cerveja artesanal custa de 3 a 5 vezes mais caro do que as transnacionais e ‘vivas’”, pontua Drobyshevskii.

Assim como em outros países, não há definição exata para “craft beer” no cenário russo. Há quem defenda que a categoria inclua produtores de até 250 mil litros por ano, enquanto para a União do Malte, Cevada e Cerveja da Rússia, é possível falar em empresas que produzam até 3 milhões de litros anualmente. Dados do Catalogue of Russian Beer Producers 2018, editado pelo site journal.beer, ilustram o crescimento: em 2012, o número de cervejarias artesanais era de 582. Para a edição de 2018, foram contadas 1070 delas.

Matéria prima: um ponto crítico
Os desafios das cervejarias artesanais russas são semelhantes aos encontrados pelos pequenos por aqui: regulamentação difícil de se cumprir e dificuldades com a qualidade e preços de matéria prima. No que diz respeito ao incentivo oficial ao setor, a situação parece não ser tão promissora.

Está em estudo uma proposta para aumentar a fiscalização do volume produzido por cada cervejaria na Rússia, visando conter tanto a falsificação quanto a sonegação de impostos. A União do Malte, Cevada e Cerveja da Rússia já dá a batalha como perdida: seria uma questão de tempo, e a medida afetaria principalmente os menores, por conta dos altos custos de adaptação às novas normas.

Há uma crescente produção de lúpulos regionais ganhando espaço, mas a produção nacional supre menos de 5% do mercado. O malte utilizado no país também é predominantemente importado, apesar de maltarias afirmarem que já vendem 10% de sua produção para pequenas cervejarias. Quando se trata de cevada, no entanto, a participação da produção doméstica é maior: 1,5 milhão de toneladas são colhidas de 800 mil hectares plantados todo ano.

Copa da escassez: Pode faltar cerveja na Europa para as finais do Mundial

As fases finais da Copa do Mundo se aproximam e apenas seleções europeias estão no páreo. O cenário é favorável para uma disparada no consumo de cerveja. A Associação Britânica de Cerveja e Pubs estimava que, durante as oitavas de final entre Inglaterra e Colômbia, 6 milhões de pints deveriam ser vendidos no país. No entanto, há um fantasma rondando as torcidas: o do racionamento de cerveja. Desde meados de junho a possibilidade é real – e a culpa é da falta de dióxido de carbono (CO2) disponível para as indústrias alimentícia e de bebidas.

O CO2 usado na fabricação de bebidas gaseificadas é um subproduto das fábricas de amônia, elemento essencial na composição de fertilizantes e usado no processo de embalagem de carne. Acontece que o verão, período em que as fábricas fecham para manutenção, nesse ano coincidiu com um pico de demanda vindo principalmente da indústria de bebidas. Isso causou um descompasso entre oferta e demanda: é verão na Europa, época de alta demanda, que a Copa veio acelerar ainda mais.

Na Inglaterra, três das maiores produtoras de CO2 estão paradas, e uma quarta se recupera de um incêndio que danificou a planta.

A Coca-Cola chegou a suspender temporariamente sua produção, e marcas de cerveja como John Smith e Amstel também foram afetadas na semana passada. No entanto, notas oficiais da Heineken afirmam que suas plantas estão trabalhando “a todo vapor” para suprir a demanda.

Já em outros cantos do continente, como Portugal, o risco de falta de CO2  – e consequentemente de cerveja – parece descartado. A Super Bock, propriedade da Carlsberg, afirma não ter qualquer problema de abastecimento de CO2, enquanto a Sociedade Central de Cervejas (pertencente à Heineken), que produz a popular Sagres, se considera “autossuficiente” em CO2, produzido naturalmente no processo de fermentação.

Rumor ou não, alguns varejistas atacadistas ingleses, como Asda e Bookers, impuseram limites para a compra por cliente. Já outros, como o e-commerce Beer Hawk, vão na direção posta, oferecendo promoções de packs de 15 garrafas de rótulos sortidos pela metade do preço – sendo que alguns podem estar próximos da data de vencimento.

Para não correr o risco de ficar sem cerveja, o torcedor inglês parece ter como melhor opção viajar para Portugal e curtir a reta fina da Copa por lá. Ou, quem sabe, tomar cerveja vencida.

Inflação em junho bate recorde de 23 anos, mas preço da cerveja segue em queda

O preço da cerveja em domicílio segue destoando do mercado em 2018. Enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) quebrou em junho um recorde de 23 anos, segundo divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira, a inflação da bebida seguiu em queda.

Ainda pressionada pela greve dos caminhoneiros, a taxa que mede a inflação oficial brasileira apresentou alta de 1,26% em junho, maior valor para o mês desde 1995 (2,26%). Assim, em 2018, o IPCA chegou a 2,60% – e 4,39% nos últimos 12 meses.

“É a primeira vez desde janeiro de 2016 (1,27%) que o índice fica acima de 1,00%”, pontuou o IBGE em nota. “O acumulado no ano (2,60%) ficou acima do registrado em igual período do ano passado (1,18%). O acumulado nos últimos 12 meses subiu para 4,39%, enquanto havia registrado 2,86% nos 12 meses imediatamente anteriores.”

Se a inflação brasileira se descontrolou em junho, o preço da cerveja em domicílio manteve o ritmo de baixa dos meses anteriores. Caiu 0,17% e chegou a uma queda acumulada de -3,09% em 2018.

Já o preço da cerveja fora do domicílio teve uma ligeira alta, mas bem abaixo dos números da inflação brasileira: aumento de 0,25% em junho e de 0,67% nos seis primeiros meses do ano.

Confira, a seguir, as estatísticas da inflação em junho:

 

IPCA de JunhoJunho201812 meses
Cerveja no Domicílio-0,17%-3,09%0,53%
Cerveja Fora do Domicílio0,25%0,67%3,30%
Outras Bebidas Alcoólicas no Domicílio-0,08%0,74%1,89%
Outras Bebidas Alcoólicas Fora do Domicílio0,36%1,43%4,36%
Alimentos e Bebidas2,03%2,94%1,05%
Inflação Geral1,26%2,60%4,39%

Balcão da Copa: Entenda como o Mundial pode te ajudar a driblar a crise

A turbulência econômica e política dos últimos anos travou o consumo e tornou mais instável o ambiente para bares e restaurantes especializados em cerveja. O momento, contudo, não é de se lamentar. Quanto maior a sensação de crise, segundo garante Ricardo Rodrigues, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Minas Gerais (Abrasel-MG), mais o empresário precisa se reinventar. Ainda mais em tempos de Copa do Mundo.

“O momento é da criatividade. Ela é um dos grandes combustíveis. A crise é boa para isso. No momento que se vive uma crise, criamos muito mais do que no momento de bonança. Tem de utilizar isso”, afirma Rodrigues, que também é sócio-proprietário do tradicional restaurante Maria das Tranças.

E poucos momentos são tão favoráveis para desenvolver a criatividade como a Copa do Mundo. Com o clima de euforia provocado pela maior competição esportiva do planeta, que mobiliza tanto os aficionados pela seleção de Tite quanto os apaixonados pelo futebol, o dono de um bar tem amplo espaço para fidelizar o consumidor.

Pode, por exemplo, segundo Rodrigues, criar um pacote especial de cervejas artesanais. Ou ter a oportunidade de reinventar o seu cardápio.

“É interessante criar pacotes com produtos incluídos. De artesanal, por exemplo, trabalhando com algo mais plus. Serve a artesanal como plus em um pacote. Então, precisa desenvolver isso, pensar em um cardápio especial, que harmonize com a cerveja. Precisa ser criativo.”

Ainda assim, embora reforce a importância da criatividade, o especialista pondera que a Copa da Rússia precisa ser encarada com ponderação. Para Rodrigues, é preciso se lembrar do Mundial de 2014.

“Alguns jogos não são favoráveis pelo horário. Não deixa de ser um aquecimento, mas não temos nada como o que aconteceu na última Copa, embora saibamos que a expectativa que tínhamos para a Copa no Brasil não foi tão satisfatória como esperávamos”, compara Rodrigues, antes de enaltecer que o Brasil jogará em horário favorável contra a Bélgica e, posteriormente, se avançar à semifinal.

“Tivemos jogo às 9h, às vezes as pessoas não estão trabalhando, mas vão trabalhar depois do almoço. Mas também temos jogo às 15h, e esse é lindo, porque termina o expediente e não volta mais. Esse é perfeito”, finaliza.