Ambev e Heineken, as duas maiores empresas de cerveja do mundo, divulgaram na última semana os balanços financeiros do quarto trimestre de 2025, que fecham o ciclo do ano e dão um panorama de como foi o desempenho no período. As companhias conseguiram aumento de receita por meio da venda de produtos mais caros, como as cervejas premium e super premium, mesmo enfrentando um cenário desafiador. “Fatores cíclicos”, segundo os documentos, como clima e condições macroeconômicas, levaram a um recuo nos volumes de vendas. Ambas sinalizam que o futuro próximo será marcado pela busca de eficiência.
O relatório de resultados da Ambev aponta queda de 3,3% no volume vendido em todo 2025 e de 3,6% no quarto trimestre (4T25), comparado ao mesmo período do ano anterior. Ao mesmo tempo, houve aumento de receita líquida de 4% na comparação anual e de 4,8% no quarto trimestre.
Segundo a empresa, a queda no consumo foi motivada por “fatores cíclicos que afetaram as ocasiões de consumo”.
Somente no Brasil, a queda no volume de vendas foi de -4,1%, sendo -4,5% em cerveja e -3,1% em outras bebidas. No recorte pelo quarto trimestre, o recuo foi de -3,7%. Dentro deste percentual e neste período, as cervejas tiveram redução de -2,6% e as demais bebidas, de -6,6%.
Este cenário não afetou o lucro da empresa, que teve crescimento de 1,6% em 2025, comparado ao ano anterior.
Já o EBITDA Ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, excluindo gastos não recorrentes) cresceu 5,6% no ano e 1,3% no último trimestre. Esse desempenho foi sustentado por uma estratégia de gestão de receita que elevou a receita líquida por hectolitro em 7,5% em 2025, segundo a empresa.
“Condições climáticas adversas e um ambiente de consumo mais desafiador reduziram as ocasiões de consumo, especialmente nos canais ligados à socialização, pressionando os volumes da indústria”, diz o CEO da empresa, Carlos Lisboa, no relatório.
A aposta no segmento de alta renda foi crucial. Segundo o relatório da administração, as marcas mais caras, como cervejas premium e super premium, cresceram “um dígito alto” (high-single-digit) no ano, superando a média da categoria. A eficiência operacional também permitiu que a margem EBITDA expandisse 50 pontos-base, alcançando 33,4% em 2025 — o terceiro ano consecutivo de expansão.
Heineken e as cervejas premium
A holandesa Heineken apresentou resultados na mesma linha. Houve recuo no volume total de venda de -1,2% em 2025, comparado ao ano anterior, e crescimento da receita líquida de 1,6%. O relatório da empresa cita a estratégia de vendas de produtos premiunizados, como o segmento cervejas premium. Em 2025, o segmento teve aumento de volume de 2,7%, puxados por mercados como China, Vietnã, Nigéria e Índia.
No Brasil, as marcas Heineken e Amstel estão envolvidas nessa estratégia, ao lado da Eisenbahn.
O relatório também citou o mercado brasileiro, um dos mais importantes para a empresa, como um ponto de atenção, já que “fatores cíclicos” enfraqueceram a demanda.
“Em 2025, entregamos um desempenho resiliente e bem equilibrado. Ganhamos participação de mercado, impulsionamos a produtividade de custos e caixa, e aumentamos o investimento em nossas marcas”, afirmou o CEO global, Dolf van den Brink, no relatório de resultados. O executivo alertou para a continuidade da cautela, afirmando que a empresa permanece “prudente” para as condições do mercado de cerveja no curto prazo. Ele anunciou que deixará o cargo em 31 de maio deste ano.
Perspectivas
Ambas as empresas sinalizam que 2026 será um ano de foco em eficiência e inovação. A Heineken projeta um crescimento do lucro operacional entre 2% e 6% para o próximo ano e anunciou um corte de 5 a 6 mil cargos em todo o mundo ao longo dos próximos dois anos como parte de seu programa de produtividade. Já a Ambev aposta na digitalização de seu ecossistema, citando o crescimento de 70% no volume bruto de mercadorias.
A indústria cervejeira alemã acompanhou no último mês uma movimentação histórica no mercado bávaro. A Schneider Weisse, famosa por suas cervejas de trigo, confirmou a aquisição das marcas Bischofshof e Weltenburger, a cervejaria mais antiga do mundo ainda feita em monastério, fundada em 1050. Ambas estão entre as mais tradicionais instituições cervejeiras da Baviera.
O negócio busca preservar o legado das marcas em um momento em que a indústria cervejeira alemã passa por mudanças estruturais.
“Solução bávara”
A transação, prevista para ser concluída oficialmente em 1º de janeiro de 2027, foi descrita pela imprensa especializada como uma “solução bávara” para garantir a sobrevivência das marcas em um cenário econômico desafiador.
Segundo o site The Drinks Business, o diretor administrativo da Bischofshof e Weltenburger, Till Hedrich, afirmou que a continuidade das operações de forma independente não era mais economicamente viável, apesar dos esforços recentes.
A aquisição pela Schneider Weisse evita que as marcas sejam fragmentadas ou adquiridas por investidores sem ligação com a tradição regional. Conforme relatado pelo portal BR24, a Schneider Weisse assumirá o controle das marcas e da produção, mantendo o foco na qualidade e na herança cultural da região de Kelheim e Regensburg.
Cervejaria mais antiga do mundo feita em monastério
Abadia de Weltenburg. (Foto: Reprodução / Kloster.Weltenburg.de)
O ponto alto da negociação é a Weltenburger Klosterbrauerei. Fundada em 1050, ela é reconhecida como a cervejaria mais antiga do mundo feita em mosteiro e ainda em atividade. De acordo com o portal Plataforma Media, a venda marca um momento histórico para a instituição.
A boa notícia para os entusiastas da marca é que a unidade de produção em Weltenburg será mantida. O site inFranken.de destaca que a Schneider Weisse pretende dar continuidade às operações no mosteiro, preservando os 21 postos de trabalho locais e garantindo que a famosa Weltenburger Kloster Barock Dunkel continue sendo produzida em seu local de origem.
O título de cervejaria mais antiga do mundo em geral fica com a também alemã Weihenstephaner (Bayerische Staatsbrauerei Weihenstephan), que faz e vende cervejas desde 1040. Apesar de ter se iniciado no mosteiro beneditino de Freising, na colina de Weihenstephan, em 1803 ela passou para o controle do estado. Ou seja, ela não é mais administrada por monges, mas sim pelo estado da Baviera. A operação funciona em conjunto com a Universidade Técnica de Munique.
Fechamento da Bischofshof em Regensburg
Weisses Brauhaus, da Schneider Wiesse, da cidade de Kelheim, a cervejaria de trigo mais antiga da Baviera. (Foto: Reprodução / Schneider-weisse.de)
Se, por um lado, a Weltenburger ganha fôlego, a situação da Bischofshof é mais delicada. Fundada em 1649, a cervejaria em Regensburg deve encerrar suas atividades de produção no final de 2026, após 377 anos de história.
Conforme apurado pelo inFranken.de, a unidade de Regensburg, que emprega 56 pessoas, deixará de fabricar cerveja, mas a marca Bischofshof continuará existindo sob o guarda-chuva da Schneider Weisse.
A logística da empresa, que conta com 21 funcionários, também será integrada ao novo grupo. O objetivo, segundo o The Drinks Business, é tentar realocar os colaboradores afetados em outras áreas do grupo ou em empresas parceiras do setor de bebidas.
As partes envolvidas, que optaram pelo sigilo contratual, e não revelaram os detalhes financeiros da transação, conforme informado pelos veículos alemães citados.
Produção brasileira da Weltenburger
O Grupo Petrópolis produz as cervejas da Weltenburger sob licença desde 2010. Procurada pela reportagem, a empresa preferiu não se manifestar sobre a continuidade ou não da fabricação das cervejas da marca no Brasil. Os rótulos que estavam sendo feitos no país são Urtyp Hell, Hefe-WeiBbier, Anno 1050 e Barock Dunkel.
O ano de 2025 terminou com uma notícia muito boa para o turismo e turismo cervejeiro, principalmente para o estado do Rio de Janeiro. Em 2025, o estado recebeu 2.196.443 turistas internacionais, um crescimento de 43,7% em relação a 2024, consolidando um novo recorde, segundo a Federação de Convention & Visitors Bureaux do Estado do Rio de Janeiro (FC&VB-RJ) e a Secretaria de Estado de Turismo do Rio de Janeiro (Setur-RJ). Os números são um resultado expressivo do forte investimento da Secretaria de Turismo na promoção do destino, qualificação profissional e melhoria da infraestrutura turística.
Apesar de não termos números concretos de qual foi a contribuição do turismo cervejeiro nesses números, é importante estarmos atentos a essas estatísticas. O turista chega pela capital, mas cada vez mais se conecta com o interior, criando uma grande expectativa nas 12 regiões do estado do Rio de Janeiro.
Mirando nesse público internacional, algumas cervejarias da Serra Fluminense já começaram a se preparar. Com o apoio do Sebrae, foi feita uma oficina estruturando as experiências, de maneira que tenham atrações distintas, precificadas corretamente, num contexto no qual cervejarias, guias e agências ganhem de forma consistente.
Ao final do projeto, está sendo publicado um material de divulgação em três idiomas, que serão distribuídos em feiras de turismo nacionais e internacionais. Além disso, os cardápios dos espaços físicos dos brewpubs, bares e restaurantes também estão sendo elaborados de forma multilíngue, o que torna mais fácil e atraente para um público consumidor internacional.
Esse é um grande momento para as rotas cervejeiras do país se unirem, compartilhando e divulgando o que já existe de experiências estruturadas e precificadas, para que o produto “cervejeiro” se torne cada vez mais atraente.
Com a nossa lição de casa feita, podemos aproveitar apoio do governo, do Sebrae, da Federação dos Conventions & Visitors Bureau e outras organizações civis organizadas para colocar cada vez mais o turismo cervejeiro no mapa do turismo nacional.
É importante que as cervejarias tenham essa percepção para atrair sua fatia desses visitantes internacionais, um segmento de turistas que deve crescer muito ao longo de 2026.
Ana Cláudia Pampillón é turismóloga e sommelière de cervejas.Tem uma longa jornada de atuação no mercado turístico e cervejeiro do estado do Rio de Janeiro. Coordena há 10 anos a Rota Cervejeira RJ e também atua no mercado de lúpulo brasileiro, aproximando os produtores das cervejarias.
* Este é um texto opinativo. As opiniões e informações contidas nele são de responsabilidade do colunista e não refletem necessariamente a opinião do Guia da Cerveja.
A cervejaria Carlsberg lançou no final de janeiro uma nova plataforma de produtos com “o menor teor alcoólico na Dinamarca”. Segundo a empresa, o objetivo da linha Session é “desbloquear” um novo nicho de crescimento no mercado: o das cervejas de baixo teor alcoólico. Até agora, há dois produtos: a Lager Carlsberg Nordlyst (2,5%) e Hazy IPA Jacobsen Barbaras (3,5%), produzida pela microcervejaria Husbryggeriet Jacobsen, que pertence à empresa.
Segundo Peter Haahr Nielsen, diretor-geral da Carlsberg Dinamarca, a rápida adoção de cervejas sem álcool pelos consumidores nos últimos anos demonstra a rapidez com que as preferências podem mudar quando novas opções de alta qualidade se tornam disponíveis.
“Se você observar o mercado de cervejas sem álcool, verá que ele realmente decolou, porque os consumidores de hoje se acostumaram com a opção e a boa variedade disponível. Esperamos que o mesmo aconteça com as cervejas com menor teor alcoólico, assim que os consumidores descobrirem que a opção que desejam agora existe.”
Pesquisa sobre cervejas de baixo teor alcoólico
Uma pesquisa nacional realizada pela Ipsos para a Carlsberg na Dinamarca mostra uma mudança clara: 64% dos dinamarqueses afirmam ter começado a moderar o consumo de álcool recentemente ou nos últimos cinco anos.
Além disso, dois em cada três consumidores dizem estar abertos a experimentar cervejas com menor teor alcoólico ou as escolhem como sua principal opção. O interesse é especialmente grande entre os homens.
“Os dinamarqueses têm se tornado cada vez mais flexitarianos em relação à cerveja”, afirma o diretor-geral.
“Isso se deve a uma tendência de moderação que não se trata de ‘ou um ou outro’, mas sim da liberdade de escolha da cerveja e da porcentagem de álcool que melhor se adequa a cada situação. Isso criou uma nova e interessante lacuna no mercado de cervejas com menos álcool do que o habitual.”
A nova linha Session da Carlsberg tem cervejas que contêm aproximadamente metade do teor alcoólico de suas versões tradicionais.
Os cervejeiros criaram os rótulos para oferecer flexibilidade, dando aos consumidores mais controle sobre o consumo de álcool, sem abrir mão do prazer de apreciar uma boa cerveja em qualquer ocasião, desde jantares durante a semana até almoços e comemorações de fim de semana.
A Carlsberg Nordlyst foi lançada em 21 de janeiro. É uma Lager com 2,5% de teor alcoólico que já está sendo distribuída para supermercados, restaurantes e bares em toda a Dinamarca. Apesar do teor alcoólico mais baixo, ela oferece o perfil de sabor de uma Lager moderna e equilibrada. Foi produzida com variedades de lúpulo cuidadosamente selecionadas que conferem um leve sabor frutado tropical com notas de pinho fresco e cítricos refrescantes.
“A Carlsberg Nordlyst é uma cerveja moderna com um bom corpo”, disse Johan Sølling Henriksen, que criou a receita da Carlsberg Nordlyst.
“Normalmente, a sensação na boca de uma cerveja pode ser comprometida por uma porcentagem de álcool mais baixa, mas estamos muito satisfeitos com o resultado: conseguimos criar uma Lager saborosa sem abrir mão do caráter e da qualidade, mesmo com apenas 2,5% de álcool. O segredo está em um processo de fabricação cuidadosamente adaptado e em uma técnica especial de dry hopping que proporciona um perfil de aroma e sabor elegante.”
Jacobsen Barbaras
Já Jacobsen Barbaras Easy IPA é uma Hazy IPA de 3,5% criada pela Husbryggeriet Jacobsen em colaboração com a fábrica de pães Schulstad. Ela recebeu o nome de Barbara — bisneta de Carl Jacobsen e Viggo Schulstad e última moradora da vila de Carl perto da Carlsberg.
Feita com malte de cevada e trigo, tem dry-hopping com os lúpulos Citra e Amarillo, trazendo notas de grapefruit, numa expressão cítrica fresca e equilibrada.
O Carnaval 2026 chegou e o mapa da cerveja no Brasil está desenhado. De um lado, as gigantes do setor (Ambev, Heineken e Grupo Petrópolis) dividem os territórios dos grandes blocos de rua. Do outro, cervejarias artesanais e bares especializados criaram uma programação robusta para quem quer um refúgio com qualidade sensorial (e torneiras geladas) no meio da folia.
Com tantos blocos, desfiles, eventos e festas acontecendo, garimpamos o que há de programação para o folião que gosta da muvuca e para quem prefere as IPAs, Sours e Lagers artesanais.
Confira nosso servição completo:
Carnaval 2026 na rua e os patrocínios da folia
Nos últimos anos, os bloquinhos resgataram o tradicional Carnaval de rua. São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e diversas outras cidades ficaram muito mais democráticas na folia mostrando que é importante ter samba no pé também fora dos grandes desfiles. O número de blocos é tão grande hoje que seria difícil listar todas as atrações. Por isso, a prefeitura de São Paulo, por exemplo, lançou um site próprio com as informações básicas e mapa dos bloquinhos da cidade. Apesar de outras cidades ainda não terem o mesmo serviço, há sites especializados como o Carnaval de rua, que traz programação de Rio de Janeiro e Salvador, entre outras cidades.
Os circuitos dessas cidades tem patrocínio exclusivo da Ambev. Para o consumidor, isso também significa certa estabilidade nos preços das cervejas, que são tabelados.
Em São Paulo, a tabela oficial sugerida aos ambulantes posiciona a Skol como a cerveja mais acessível, enquanto marcas como Spaten e Budweiser aparecem como opções premium. No Rio, a lógica de preços é similar à de São Paulo, mas com algumas variações “de rua” que fogem à tabela oficial.
Em Pernambuco, os preços flutuam mais, dependendo se você está no “furdunço” dos blocos ou em áreas mais VIP, de acordo com reportagens do jornal O Tempo. Em Olinda, quem domina as ladeiras é a Amstel (Grupo Heineken).
O Grupo Petrópolis aposta em nichos específicos: a Itaipava patrocina a turnê “Ivete Clareou” (com shows em SP, RJ, BA e RS) e ativa a linha de drinks prontos Fest Drinks. Já a Petra foca no público universitário, sendo a cerveja oficial do “Carnaval Surreal” em Ouro Preto (MG).
Para quem vai encarar a rua, os preços das cervejas variam dentro das cidades ou dos circuitos. Há capitais que tabelam os preços dos ambulantes, em outras é possível encontrar variações mais elásticas. A média de preços apurada ficou em:
São Paulo
Skol (269ml): 2 por R$ 10 (R$ 5 cada)
Budweiser (269ml): 2 por R$ 12
Spaten (269ml): 2 por R$ 14
Água: R$ 5
Energético: R$ 16
Rio de Janeiro
Cerveja (Latão 473ml): R$ 8
Promoção Brahma: 3 por R$ 15
Spaten ou Patagônia (Latão): R$ 10
Skol Beats: 2 por R$ 18
Água: R$ 5
Energético: R$ 16
Salvador
Cerveja (menor preço encontrado): A partir de R$ 6,50
Recife e Olinda
Cerveja (Lata): Varia entre R$ 6 e R$ 12 nos ambulantes.
Belo Horizonte
Heineken (473ml): Chega a ser encontrada por R$ 20.
Parque aquático da Skol
A Skol, patrocinadora do Carnaval de São Paulo, criou um parque aquático gratuito no Ibirapuera para ajudar os foliões a se refrescarem.
A ação, que é gratuita e destinada a maiores de 18 anos, começou nos dias 7 e 8, e segue em 14, 15, 16, 17, 21 e 22 de fevereiro, das 11h às 17h, com controle de acesso conforme o limite de participantes por atração, garantindo organização e conforto para todos. Para participar, o folião deve apresentar um documento original e com foto na entrada. Para saber mais sobre as ações de Skol no Carnaval 2026, a marca recomenda que se a acompanhe nas redes sociais.
Serviço: Parque Aquático da Skol
Local: Ibirapuera — próximo ao Obelisco e do portão 10 do Parque Ibirapuera
Datas: 7, 8, 14, 15, 16, 17, 21 e 22 de fevereiro
Horário: das 11h às 17h
Público: gratuito e exclusivo para maiores de 18 anos.
Cerveja no enredo da escola de samba
Quem curte o Carnaval das escolas de samba verá a cerveja — mais especificamente a cultura de Amsterdã, na Holanda — no enredo da escola de samba de São Paulo Águia de Ouro. A Amstel chega ao sambódromo paulistano em parceria com escola campeã do Carnaval 2020.
Nascida às margens do Rio Amstel, a cerveja do Grupo Heineken carrega em sua essência valores que fazem da capital holandesa um símbolo mundial de convivência e liberdade. Na avenida, esses ideais ganham cor e ritmo com a bateria da agremiação.
A parceria da Amstel junto à Águia de Ouro reforça um movimento que já faz parte da trajetória da marca no Carnaval paulistano. Desde 2024, a Amstel é a cerveja oficial dos Desfiles das Escolas de Samba do Sambódromo do Anhembi, em uma parceria inédita com a Liga SP, que contempla ações dentro e fora da avenida.
Serviço: Desfile da Águia de Ouro
Local: Anhembi
Data: 14 de fevereiro
Horário: 23h35
Ingresso: Arquibancadas esgotadas
Salvos pela Amstel
A Amstel também anunciou patrocínio de mais quatro tradicionais blocos de rua de São Paulo: Tarado Ni Você, Bloco Pagu, Agora Vai e o Espetacular Charanga do França. O aporte de investimento da marca, que historicamente tem uma relação muito próxima com o Carnaval de rua da cidade, chega em meio a um cenário de incertezas, que colocavam em dúvida a realização dos desfiles, diante da escassez de recursos financeiros. Agora, com o apoio formalizado, os blocos reafirmaram a sua participação e sairão às ruas entre 14 e 17 deste mês.
Roteiro artesanal
Para quem quer fugir do mainstream e busca lúpulo fresco, as cervejarias independentes montaram uma programação robusta. Em São Paulo, o Tank Brewpub, em Pinheiros, lançou dois rótulos exclusivos para a data: a Imperial Sour Tropical Groove e a Session IPA Cajueira, ideais para o calor. Ainda na capital paulista, o Pasquim Bar e Prosa agita a Vila Madalena e a Zona Norte com blocos próprios e muito samba.
Saindo da capital, o destaque vai para o Beerland Festival em Guarulhos, que reúne mais de 15 estilos de cerveja no Parque Linear Transguarulhense.
Em Curitiba, a Bodebrown realiza o “Trooper Carnival”, um refúgio para os roqueiros com entrada franca e mais de 40 rótulos disponíveis na fábrica.
No Nordeste, a conexão entre o frevo e a cerveja artesanal acontece em Maceió. O tradicional bloco Pinto da Madrugada terá sua própria cerveja oficial, a “Breja do Pinto”, produzida pela premiada cervejaria local Caatinga Rocks, provando que a cultura da cerveja especial já permeia a festa mais tradicional do país.
Para quem prefere IPAs, Sours ou apenas um ambiente mais controlado, as cervejarias independentes e bares especializados montaram programações que vão desde lançamentos de rótulos exclusivos até festivais de rock em plena folia.
Confira a programação detalhada de quem está fazendo barulho (e cerveja boa) neste Carnaval 2026:
São Paulo (SP)
Tank Brewpub (Pinheiros)
O brewpub comandado pelo mestre-cervejeiro Rodrigo Louro aposta em lançamentos refrescantes pensados para o calor de fevereiro, ideais para quem quer qualidade no copo.
O que beber: Lançamento da Tropical Groove (Imperial Sour com caju, manga e coco – R$ 26/300ml) e Cajueira (Session IPA com caju – R$ 35/460ml).
Onde: Rua Amaro Cavalheiro, 45 – Pinheiros.
Funcionamento: Terça e quarta até 23h45; Quinta a sábado até 00h45.
Tarantino Cervejaria (Limão)
A programação da Tarantino inclui festas no espaço da cervejaria, com distribuirão de água durante o evento e cerveja produzida no local.
13/02: Bailinho de Carnaval com a DJ Lia Macedo.
Horário: das 18h às 00h
Evento gratuito
17/2: Carnaval Tarantino: Let’s Block, Ciência de Chico e DJ Dieguito Alves
Horário: das 16h às 00h
Ingressos (Sympla): de R$ 30 a R$ 40, sujeitos à virada de lote sem aviso prévio.
21/02: Ressaca da Massa Real
Horário: das 17h às 01h
Ingressos (Sympla): de R$ 30 a R$ 40, sujeitos à virada de lote sem aviso prévio.
22/02: Baile do Boto: Carnaval Tucupi
Horário: das 13h às 21h
Ingressos (Sympla): R$ 33,99, sujeitos à virada de lote sem aviso prévio.
Endereço: Rua Miguel Nelson Bechara, 316 – Bairro do Limão, São Paulo
O Pasquim Bar e Prosa (Vila Madalena e ZN)
O bar celebra o Carnaval 2026 com uma agenda intensa de bandas e blocos dentro de suas unidades, misturando o clima de boteco com rodas de samba.
Vila Madalena (Rua Aspicuelta, 524):
14/02: Bloco do Nego Veio
15/02: Bloco Meu Amigo Charlie
21/02: Bloco Era do Samba
22/02: Bloco Samba Solto
Horário: A partir das 18h30.
Zona Norte (Av. Braz Leme, 89):
14/02: Escola de Samba Unidos do Peruche
21/02: Bloco Folia de Mestre
Horário: A partir das 18h30.
Curitiba (PR)
Bodebrown (Trooper Carnival)
Um refúgio para os roqueiros. A cervejaria abre sua fábrica para quatro dias de festa, fugindo das marchinhas tradicionais.
Programação:
Sábado (14): Kiss Cover e Iron Maiden Cover.
Domingo (15): Carnaval Kids (Rock e Pop).
Segunda (16): Museos do Rock (Clássicos).
Terça (17): Candymanclub (Pós-punk).
Preço: Entrada Franca. Chopes a partir de R$ 20 (300ml).
Onde: Fábrica da Bodebrown – Rua Carlos de Laet, 1015 – Hauer.
Maceió (AL)
Caatinga Rocks
A premiada cervejaria alagoana reforça a conexão local produzindo a cerveja oficial do maior bloco da cidade.
O que beber: “Breja do Pinto”, rótulo exclusivo para o bloco Pinto da Madrugada.
Destaque: A prova de que a cerveja artesanal já permeia as festas mais tradicionais de massa.
Seja no camarote open bar, na pipoca com latão na mão ou no brewpub com ar condicionado, o Carnaval 2026 oferece opções para todos os perfis cervejeiros. Beba com moderação e boa folia!
O Carnaval 2026 já começa a ditar o ritmo nas ruas brasileiras e o setor cervejeiro também está de olho no cuidado com o folião. Além dos tradicionais lançamentos de rótulos e patrocínios de peso, o foco das grandes companhias e das marcas artesanais está voltado para o bem-estar de quem segura o copo. A proposta é garantir que a festa dure mais, com menos excessos e mais respeito, transformando a experiência de consumo em um serviço de utilidade pública para o folião.
Ambev: hidratação estratégica e suporte aos blocos de rua
A Ambev, parceira oficial do Carnaval de rua em diversas capitais, escalou um exército de aliados para essa missão. Mais do que vender bebida gelada, os milhares de ambulantes credenciados pelas prefeituras passaram por um treinamento intensivo para atuar como agentes de bem-estar. Eles foram capacitados para identificar situações de vulnerabilidade, prevenir o assédio e orientar sobre o consumo moderado. Na prática, isso significa que o atendimento na ponta final ganha um olhar atento à segurança de quem está no fervo.
Para combater o calor, a marca Beats assume o papel de protagonista da hidratação. Em pontos estratégicos de concentração e dispersão de grandes blocos, como nos Ensaios da Anitta, a marca instalou ilhas de distribuição gratuita de água. A ideia é incentivar o hábito de intercalar cada dose de álcool com um copo de água, garantindo o pós-festa sem ressaca.
Água também entra no foco da Skol para dar suporte ao folião em meio ao calor característico do mês do Carnaval. A marca inaugurou um parque aquático temático e gratuito no Parque Ibirapuera, em São Paulo, próximo ao local em que grandes blocos irão se apresentar. O espaço começa a funcionar gratuitamente para maiores de 18 anos neste fim de semana.
De olho no aumento do consumo de cervejas sem álcool, a Skol lançou neste Carnaval a Skol Zero Zero, primeira cerveja 0% álcool e 0%. E, para garantir que a música não parasse, a marca entrou como grande patrocinadora de blocos com artistas como Calvin Harris, Nattan, Xand Avião, Zé Vaqueiro e Felipe Amorim, promovendo a alegria de quem gosta de curtir o Carnaval.
Enquanto a Skol oferece alívio ao calor, seja com o parque aquático ou a nova cerveja, a Brahma aposta no acolhimento com a campanha “Brahmas Abertas”, estrelada pelo italiano técnico da Seleção Brasileira de Futebol Carlo Ancelotti. A ideia é apresentar o Carnaval para Ancelotti, celebrando a cultura popular nos grandes circuitos de Salvador e Rio de Janeiro.
Além do foco na saúde, a companhia reforçou a base da festa com o edital Brinde à Rua. Com um investimento de R$ 4 milhões, a iniciativa ampliou em 160% o apoio a blocos de pequeno e médio porte em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Heineken: tolerância zero ao assédio e respeito no Carnaval
O Grupo Heineken decidiu focar no comportamento e na segurança social através da campanha institucional #SeVirAlgo #DigaAlgo. A cervejaria promove uma política de “tolerância zero” contra o assédio em todas as suas ativações, distribuindo cartilhas educativas que ajudam o folião a diferenciar a paquera da importunação. O objetivo é transformar testemunhas em aliados, oferecendo canais de apoio e orientando equipes para agir prontamente em situações de risco físico ou psicológico.
Na passarela do samba, a marca Amstel leva essa mensagem de liberdade para o desfile da Águia de Ouro, em São Paulo. Ao celebrar a cidade de Amsterdã no samba-enredo, a marca reforça o respeito à diversidade como um valor inegociável da folia.
“Para nós, esta parceria reforça que estar presente no carnaval vai muito além de estar nos copos ou nas arquibancadas, é entrar no compasso, fazer parte da roda, reconhecer o samba como um território legítimo de expressão, identidade e liberdade”, diz Cecília Bottai, vice-presidente de marketing do Grupo Heineken no Brasil.
Grupo Petrópolis: regionalismo e conveniência para o folião
Para o Grupo Petrópolis, o Carnaval de 2026 é o momento de estreitar laços regionais. A Itaipava lançou latas temáticas exclusivas para quatro cidades: São Paulo, Salvador, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. As embalagens trazem expressões regionais e elementos culturais locais. Em BH, por exemplo, o icônico “uai” foi para a lata.
A marca também também patrocina, pelo quarto ano consecutivo, o Carnaval dos Sonhos, em Belo Horizonte, e estreia no Carnaval Surreal, em Ouro Preto (MG).
A empresa também foca na praticidade para a Geração Z, ampliando a oferta de drinks prontos para beber, como as linhas Cabaré e Crystal Ice. Segundo a companhia, o período de folia responde por mais da metade do volume de vendas anual (53%). E isso justifica o investimento em embalagens que facilitem a vida de quem está em movimento nos blocos, garantindo que a experimentação de novos produtos aconteça de forma fluída durante os encontros fora de casa.
Por fim, a Itaipava transformou o aviso legal “beba com moderação” em alerta contra o assédio. A nova campanha, criada pela WMcCANN, mudou o alerta obrigatório para: “Nunca assedie. Beba com sabedoria”. Ela foi baseada em pesquisa do Instituto Locomotiva em parceria com a marca que evidencia a dimensão do problema: 79% das brasileiras afirmam temer sofrer assédio no Carnaval e cinco em cada dez mulheres já passaram por situações de assédio durante a festa. As informações integram as peças da campanha de Carnaval da marca e reforçam a urgência do tema, validando seu compromisso social ao integrar o “Não Se Cale”, pacto assinado pelo Grupo Petrópolis no lançamento do movimento, em 2024.
Artesanais: oásis de acolhimento e resgate da cultura local
No cenário das artesanais, o bem-estar ganha um tom comunitário e direto. A Cervejaria Tarantino, em São Paulo, consolidou sua fábrica no bairro do Limão como a “Casa dos Blocos”, adotando a política de água gratuita e acessível em bebedouros durante todos os ensaios e festas. A ação atende desde blocos tradicionais até os independentes, garantindo que o público de cervejas especiais mantenha a hidratação em dia enquanto aproveita a programação cultural.
Já no Rio de Janeiro, a rede de bares Brewteco, em parceria com a Estrella Galicia, estruturou um edital para salvar a essência do Carnaval de bairro. Os selecionados foram os blocos “Chame Gente”, “Imaginô? Agora Amassa!”, “Urubuzada”, “Sinfônica Ambulante”, “Não Monogamia Gostoso Demais” e “Olha Pá Mim”.
De acordo com a rede, eles representam diferentes linguagens do Carnaval de rua, do samba à música instrumental, e refletem a diversidade de públicos e territórios da cidade.
Essas iniciativas mostram que, seja por meio de grandes campanhas ou de ações diretas de hospitalidade, a indústria cervejeira em 2026 entendeu que cuidar do folião é a melhor forma de celebrar a festa.
O calendário esportivo de 2026, marcado pela Copa do Mundo, é visto como um sopro de otimismo e uma oportunidade de ouro para a cultura cervejeira no Brasil. Apesar de um cenário político e fiscal que gera cautela entre os empresários, o evento mundial tem o poder de movimentar a economia local através do consumo social.
Para Gilberto Tarantino, presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), essa é uma oportunidade para as cervejarias fazerem lançamentos e eventos para atraírem clientes.
“Copa do Mundo e cerveja são motivo de muita celebração e o brasileiro ama isto. As cervejarias artesanais que tem bar da fabrica ou os brew pubs vão aproveitar os 45 dias de Copa para atrair clientes num ambiente com telão, gastronomia e muita cerveja fresca e aromática. Nos outros anos anteriores muitos lançamentos de rótulos especiais aconteceram durante a Copa do Mundo e este ano tem muita festa pela frente”, afirma Gilberto Tarantino, presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva).
O início do mundial vai acontecer em 11 de junho, às 15h. Os jogos devem ocorrer às 13h, 16h, 19h e 22h no horário de Brasília — o que permite encontros com amigos para assistir à Seleção Brasileira acompanhada de uma cervejinha. Os jogos do Brasil na fase de grupos vão ocorrer às 19h e 22h.
Isaac Ferreira Costa, da cervejaria Philipeia, de Cabedelo (PB), ressalta que a tradição de reunir amigos e familiares para assistir aos jogos em casa, acompanhados de um barril de chope, é um comportamento que deve impulsionar as vendas diretas ao consumidor.
Para capitalizar essa demanda, a estratégia de expansão de lojas próprias ganha força. A Philipeia planeja dobrar seu número de unidades, passando de três para seis lojas “Estação Philipeia”, criando sua própria demanda diante da dificuldade de encontrar pontos de venda terceirizados adequados.
Esse movimento visa não apenas aumentar a produção, mas garantir que a marca alcance o consumidor final de forma direta e eficiente.
Na mesma linha, cervejarias como a Ruera, de Campinas (SP), também projetam um ano significativamente melhor que 2025, apostando na paixão nacional pelo futebol como o grande catalisador de vendas e visibilidade para o setor artesanal.
Essas previsões apareceram no levantamento que o Guia da Cerveja fez no final do ano passado com 21 executivos de cervejarias artesanais brasileiras. Além de pedir um balanço de como foi 2025, a reportagem perguntou sobre as perspectivas para o novo ano.
A Heineken foi eleita a empresa de bebidas mais admirada no Reino Unido, segundo a pesquisa “Britain’s Most Admired Companies 2025”, divulgada na segunda quinzena de janeiro. Este levantamento é feito desde 1990 e se baseia na avaliação de pares corporativos — ou seja, quem concorre avalia seus concorrentes, sendo avaliado por eles.
A Echo Research, uma empresa de consultoria especializada em reputação, conduziu o estudo. Ele também contou com uma parceria com a Bolsa de Valores de Londres. A gigante cervejeira superou marcas como a Fever-Tree e a Coca-Cola Europacific Partners, que ocuparam o segundo e o terceiro lugares, respectivamente.
Execução e oportunidades
Ao site “The Drinks Business”, o diretor-geral da Heineken UK, Boudewijn Haarsma, afirmou que o reconhecimento vindo dos pares reflete a qualidade da marca, a força das parcerias com os clientes e a dedicação dos colaboradores. “Continuaremos elevando o padrão — produzindo cerveja e sidra excelentes, ampliando as opções de bebidas sem álcool e com baixo teor alcoólico e investindo para ajudar nossos clientes a crescer, enquanto administramos um negócio responsável que reduz seu impacto ambiental e cria valor a longo prazo”, disse.
A CEO do Grupo Echo Research, Sandra Macleod, avaliou que a reputação está cada vez mais ancorada na execução. “O estudo deste ano mostra que, em uma era de volatilidade e rápidas mudanças tecnológicas, a reputação está cada vez mais ancorada na execução. Clareza estratégica, gestão de alta qualidade, resiliência financeira e produtos e serviços sólidos”, afirmou, de acordo com um texto publicado no site da premiação.
Para ela, a mensagem mais importante para os conselhos de administração é o que “o ‘círculo de oportunidades’ nos indica que a capacidade de inovação e a força do talento são onde a reputação e o valor a longo prazo serão conquistados. Para os líderes, isso é tanto um alerta quanto um convite: invistam agora nas capacidades que se multiplicarão em vantagens futuras”, diz.
Escolha por pares
A premiação avaliou a reputação de mais de 250 empresas da Grã-Bretanha em 28 setores da indústria, com base em 13 critérios e uma escala que ia de 0 (ruim) a 10 (excelente). Os critérios consideram desde a capacidade de atrair e reter talentos até a solidez financeira e a inovação. No setor de bebidas, a pesquisa avaliou 10 grandes empresas, incluindo a Heineken.
A organização enfatiza que os resultados de 2025 foram baseados em mais de 350 entrevistas com representantes do conselho de administração, analistas e comentaristas do mercado financeiro.
No setor de bebidas, que obteve uma pontuação média de admiração de 6,5, a Heineken destacou-se por equilibrar fundamentos comerciais com liderança em temas de responsabilidade ambiental e social, segundo a premiação.
Fundada em 1864 em Amsterdã, a Heineken evoluiu de uma cervejaria familiar para uma das grandes produtora de cerveja do mundo. Hoje, ela opera em mais de 190 países. No Brasil, a presença da empresa teve uma expansão após a aquisição da Brasil Kirin em 2017. O que permitiu à marca consolidar uma infraestrutura de distribuição e um portfólio diversificado. Entre as cervejas, estão marcas do segmento artesanal e premium, como a Eisenbahn e a Baden Baden.
No Brasil, Heineken 0.0 é a preferida entre as sem álcool
Aqui no país, um levantamento da NielsenIQ elegeu a Heineken 0.0 como a marca de cerveja sem álcool mais presente nos lares brasileiros e a mais vendida do Brasil. A informação faz parte de uma pesquisa com consumidores acima de 19 anos realizada em quatro regiões do Brasil (exceto região Norte). Segundo o Grupo Heienken, o avanço da versão zero reflete a transformação nos hábitos de consumo do país. O consumidor está em uma busca por equilíbrio e moderação, que vem impulsionando a procura por opções zero álcool. Além dos investimentos da marca em campanhas para quebrar preconceitos históricos ligados a esse tipo de produto, garantindo que sua escolha esteja associada ao desejo, e não apenas a restrições.
Por muito tempo, o consumidor que buscava uma cerveja sem glúten ou sem álcool precisava se conformar com um produto de perfil sensorial inferior, muitas vezes descrito como tendo gosto de “cereal cru” ou com doçura excessiva. Mas o avanço das enzimas e leveduras transformou essa realidade.
Essa evolução da biotecnologia permite hoje que as cervejarias artesanais entreguem bebidas “honestas”, termo utilizado por Mario Bitencourt, supervisor técnico comercial da AEB Group, para descrever produtos que mantêm a integridade do sabor original. Segundo ele, o segredo para essa evolução não está em retirar componentes de uma cerveja pronta através de processos físicos, mas em utilizar a ciência para que ela já nasça com as características desejadas.
Essa visão de que a tecnologia é a maior aliada da qualidade sensorial é reforçada pelo mestre cervejeiro Rubens Mattos, diretor técnico da Prodooze. Para ele, o uso de ferramentas biotecnológicas modernas traz benefícios que o consumidor sente diretamente no paladar. “O uso de enzimas só ajuda, na verdade. São produtos de alta tecnologia, muito específicos no que fazem e, ao final, ajudam o consumidor na qualidade do produto para que ele tenha um frescor maior”, afirma Mattos. Dessa forma, a aplicação técnica garante a preservação de aromas e texturas que o público valoriza, sem os efeitos negativos de processos industriais agressivos.
Um dos pilares dessa revolução é o uso de enzimas específicas que funcionam como chaves exclusivas para fechaduras moleculares. No processo químico de produção da cerveja, essas enzimas abrem as moléculas e desativam apenas os componentes indesejados, como a proteína do glúten, sem afetar outras “portas” sensoriais da bebida, como o aroma e o corpo.
Mattos explica que essas ferramentas biotecnológicas são extremamente específicas: uma enzima que degrada o glúten foca apenas nas ligações de prolina da proteína — que podem ser explicadas como os pontos que tornam o glúten perigoso para algumas pessoas. Durante este processo, a ação da enzima é tão precisa que não interfere na estabilidade da espuma ou no corpo da bebida.
Essa precisão permite que as microcervejarias utilizem o malte de cevada tradicional, em vez de recorrer a grãos alternativos que poderiam comprometer o sabor. Isso garante que o celíaco ou o consumidor que evita o glúten tenha uma experiência idêntica à de uma cerveja convencional.
Além da questão do glúten, o uso de enzimas como a beta-glucanase traz benefícios diretos ao frescor do produto final. Conforme Mattos, ao acelerar a clarificação do mosto (líquido do malte) e facilitar a extração do extrato do malte, o cervejeiro reduz o tempo em que o líquido fica exposto ao calor.
Isso resulta em um mosto menos oxidado e com menor extração de polifenóis adstringentes, já que não é necessário “afofar” tanto a cama de bagaço durante a filtragem.
Para o consumidor, o resultado prático é uma cerveja com maior frescor e um perfil de sabor mais limpo e equilibrado.
Leveduras que reinventam a fermentação
No campo das cervejas sem álcool, a grande inovação reside no uso de leveduras maltose-negativas. Diferente das leveduras tradicionais, essas variedades não conseguem consumir os açúcares mais complexos do malte, gerando quase nada de álcool durante a fermentação, mas produzindo os ésteres e álcoois superiores que dão o aroma característico de uma boa cerveja.
Mario Bitencourt destaca que esse processo é um “divisor de águas”, pois evita processos físicos agressivos de desalcoolização que poderiam “machucar” a cerveja e degradar seus compostos aromáticos.
Essa tecnologia tem permitido que estilos complexos, como Hazy IPAs e Catharina Sours, entrem no portfólio de produtos funcionais, atendendo a uma demanda crescente de atletas e da Geração Z, que buscam saúde e bem-estar sem abrir mão do prazer sensorial.
O impacto dessa mudança é visível em casos de sucesso como o da Cervejaria Bierbaum, que, ao utilizar um pacote tecnológico da AEB — incluindo leveduras específicas e nutrientes —, viu suas vendas de cervejas Low Carb crescerem 300% desde o primeiro lote.
Cervejaria Bierbaum lançou linha Low Carb em parceria com a AEB Group. Foto: Divulgação.
O fim da “loteria” e a era da padronização
O amadurecimento do mercado de biotecnologia trouxe o que Bitencourt chama de “profissionalização obrigatória” para o setor artesanal. Se há 15 anos beber uma cerveja artesanal era uma “loteria” devido à instabilidade entre os lotes, hoje a régua subiu.
O uso de estabilizantes, coadjuvantes de filtração e leveduras selecionadas garante não apenas a explosão de sabores e aromas, mas também a segurança alimentar e uma validade estendida do produto nas prateleiras.
Para o consumidor final, o crescimento desse mercado de fornecedores biotecnológicos significa que a cerveja inclusiva deixou de ser uma alternativa de “consolação” para se tornar uma escolha de qualidade, tão robusta e prazerosa quanto qualquer outro rótulo premium do mercado.
O início de ano é sempre um convite à renovação. No mercado cervejeiro, esse momento pode (e deve) ser usado para colocar a casa em ordem, alinhar estratégias e garantir que nenhum detalhe da legislação cervejeira passe despercebido, especialmente regulatórios. Afinal, mais do que boas receitas, uma cervejaria precisa estar juridicamente bem estruturada para crescer com segurança.
A seguir, reuni 5 frentes fundamentais que merecem atenção neste início de 2026:
Declaração de Produção Anual: o primeiro prazo do ano
O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) exige que todas as cervejarias com registro de estabelecimento apresentem, até 28 de fevereiro de 2026, a declaração de produção anual. A declaração pode ser feita através do site oficial.
A não entrega pode acarretar sanções administrativas, além de poder fazer a empresa perder a condição de primariedade, o que impacta diretamente na dosimetria de eventuais multas.
Anuidade de Conselhos Profissionais: cobrança ilegal
Muitas cervejarias recebem, no início do ano, boletos de conselhos profissionais (como CREA ou CRQ), exigindo o pagamento de anuidades de pessoa jurídica. Essas cobranças, embora comuns, não têm amparo legal para empresas cuja atividade principal não esteja diretamente vinculada às profissões fiscalizadas pelos respectivos conselhos.
A recomendação é buscar orientação jurídica e, se necessário, ingressar com ação judicial para suspender de vez a cobrança e evitar execuções fiscais.
Rótulos: mais do que estética, uma exigência legal
Rótulos fora do padrão legal são uma das principais causas de autuações a cervejarias no Brasil. Erros aparentemente simples, como omissões obrigatórias ou uso incorreto de denominações, podem resultar em multas e recolhimento de produtos.
Além disso, o rótulo comunica com o consumidor e é peça fundamental na construção de marca. Vale revisitar a legislação cervejeira vigente e garantir que tudo esteja em conformidade.
Registro de Marca: proteger hoje para não perder amanhã
No mercado altamente competitivo das cervejas artesanais, o registro de marca é um investimento estratégico. Com o aumento de players no setor, os conflitos envolvendo nomes, logotipos e rótulos tornaram-se frequentes.
Sem o registro no INPI, a sua marca pode ser registrada por terceiros, o que pode forçar sua cervejaria a mudar de nome, reformular embalagens e perder mercado. Registrar é proteger seu ativo mais valioso: sua identidade.
Legislação cervejeira: Assessoria Jurídica como diferencial competitivo invisível
A atuação preventiva de um advogado especializado no setor cervejeiro vai além da resolução de litígios. Trata-se de um parceiro estratégico, capaz de indicar caminhos, estruturar contratos, revisar rotulagens, garantir segurança jurídica e, principalmente, blindar o crescimento do negócio.
Ter uma assessoria jurídica próxima pode ser o diferencial entre crescer com solidez ou tropeçar em armadilhas burocráticas.
2026: o ano de construir com estratégia
Empreender no mercado da cerveja exige mais do que criatividade e lúpulo de qualidade. É preciso planejamento, profissionalismo e atenção às obrigações legais: pilares que sustentam o crescimento sustentável da sua marca.
Comece 2026 com foco, responsabilidade e o apoio certo. Afinal, um bom começo pode ditar o tom de um ano inteiro de conquistas.
* Este é um texto opinativo. As opiniões e informações contidas nele são de responsabilidade do colunista e não refletem necessariamente a opinião do Guia da Cerveja.