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Cerveja sem álcool já responde por 6% da produção na União Europeia

A cerveja sem álcool já não é um nicho na União Europeia. Segundo dados divulgados pela Eurostat, o escritório de estatísticas do bloco, a categoria — que reúne cervejas com até 0,5% de teor alcoólico — somou 2,1 bilhões de litros produzidos em 2025. É pouco diante dos 34,4 bilhões de litros de cerveja produzidos no total pela UE no ano, mas já representa cerca de 6% de tudo o que sai das cervejarias do bloco. E, ao contrário do restante do mercado, segue crescendo.

A produção total da UE, essa sim, recuou levemente. Os 34,4 bilhões de litros de 2025 representam queda de 0,7% frente a 2024. Na comparação com 2020, ano de referência pré-recuperação pós-pandemia, o total ainda está 2,2% acima. 

No ranking geral de produtores, a Alemanha segue disparada na frente: 7,4 bilhões de litros em 2025, 21,6% de tudo o que a UE produziu. Na sequência vêm Espanha (5,3 bilhões de litros, 15,5%), Polônia (3,5 bilhões, 10,2%), Países Baixos (2,4 bilhões, 6,9%) e França (2,1 bilhões, 6%). Juntos, esses cinco países respondem por mais de 60% da produção do bloco.

A Alemanha também é, disparada, a maior produtora de cerveja sem álcool da União Europeia. E a produção do segmento no país praticamente dobrou na última década, segundo levantamento do site especializado The Drinks Business.

Espanha dispara no consumo de cerveja sem álcool

Se a Alemanha é a fábrica, a Espanha é o exemplo mais interessante da virada de chave do consumidor europeu. Pelos números da própria Eurostat, é a segunda maior produtora da UE. Já segundo o Relatório Socioeconômico do Setor Cervejeiro na Espanha 2025, elaborado pela Cerveceros de España em parceria com o Ministério da Agricultura do país, a produção espanhola atingiu 41,5 milhões de hectolitros em 2025. Alta de 0,5% sobre 2024 e de 5,1% sobre os níveis de 2019.

Os dois números — o da Eurostat e o do relatório setorial — não coincidem porque medem coisas diferentes: a Eurostat contabiliza “produção vendida” via PRODCOM (a estatística industrial europeia), enquanto a associação espanhola usa metodologia própria. De qualquer forma, os dois levantamentos concordam no essencial: a Espanha foi um dos poucos grandes mercados europeus a crescer em 2025.

No consumo, segundo o relatório espanhol, as vendas de cerveja sem álcool na Espanha cresceram 4,6% em 2025, para 3,3 milhões de hectolitros (330 milhões de litros). O segmento já representa 14% de toda a cerveja consumida no país.

No país ibérico, pesquisas mostram que 90% de quem bebe cerveja sem álcool também consome a versão com álcool regularmente. Ou seja, os levantamentos mostram uma soma dos hábitos. O dado mais chamativo: uma em cada quatro cervejas sem álcool tomadas na União Europeia é bebida em território espanhol.

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Uso de latas de alumínio por novas categorias de bebidas cresce 30%: “mercado está se transformando”

O mercado brasileiro comercializou 16,4 bilhões de latas de alumínio para bebidas no primeiro semestre de 2026, segundo o balanço da Associação Brasileira de Fabricantes de Latas de Alumínio (Abralatas). No entanto, um dos números que melhor ajuda a entender o momento do setor está fora das categorias mais tradicionais. Energéticos, cervejas sem álcool, sucos e água nesse tipo de embalagem avançaram cerca de 30% no período. E, pela primeira vez, somaram 1 bilhão de unidades comercializadas em apenas seis meses.

O movimento acompanha uma mudança no próprio mercado de bebidas. Ao lado de cervejas e refrigerantes, produtos voltados a diferentes ocasiões de consumo começam a ocupar mais espaço nas latas.

“O primeiro semestre mostra mais do que o desempenho de um período: mostra como o mercado está se transformando. Novas categorias, produtos e ocasiões estão ganhando espaço, e a lata acompanha essa evolução”, afirma Guilherme Canielo, responsável por assuntos corporativos da Abralatas.

Segundo ele, praticidade, versatilidade, proteção do produto e sustentabilidade estão entre os atributos que ajudam a embalagem a transitar entre essas novas categorias.

Novas categorias: 1 bilhão de latas de alumínio

A marca de 1 bilhão de unidades chama atenção por reunir bebidas que, até pouco tempo atrás, tinham presença bem menor nesse tipo de embalagem. É o caso das cervejas sem álcool, categoria que vem ampliando espaço no portfólio das grandes cervejarias, assim como de energéticos, sucos e água.

Na leitura da Abralatas, o crescimento dessas bebidas mostra que a expansão da embalagem deixa de depender apenas dos grandes mercados que historicamente concentram o consumo de latas.

Há também uma mudança nas ocasiões em que essas bebidas aparecem. Produtos para consumo fora de casa, opções sem álcool e categorias associadas à praticidade passam a dividir espaço com usos mais tradicionais da embalagem.

Mercado mantém expectativa de crescimento em 2026

Para o ano completo, a Abralatas trabalha com uma perspectiva de crescimento de um dígito baixo.

O calendário de 2026 reúne fatores que, em diferentes momentos, foram apontados como potenciais estímulos ao mercado de bebidas, entre eles a Copa do Mundo, as eleições e a expectativa de temperaturas mais elevadas.

Parte desse impulso, porém, ainda não apareceu na intensidade esperada durante o primeiro semestre.

Mesmo assim, a entidade mantém uma avaliação positiva para os próximos meses. E se apoia principalmente na diversificação do mercado.

“A perspectiva para o ano é tão relevante quanto o desempenho já realizado. Mesmo com alguns dos estímulos esperados para o primeiro semestre tendo ficado abaixo das expectativas, o segmento demonstra resiliência, apoiado pela diversificação das bebidas e pelas características da lata”, afirma Canielo.

Para a associação, a entrada de novas categorias ajuda a distribuir o crescimento por diferentes momentos e perfis de consumo, reduzindo a dependência de um único vetor para movimentar o setor.

Sustentabilidade entra no debate regulatório

A Abralatas também aponta a regulação como um dos temas que devem acompanhar essa transformação.

No avanço da regulamentação da Reforma Tributária, a entidade defende que os critérios adotados para diferentes tipos de embalagem considerem seus impactos ambientais, econômicos e sociais ao longo de todo o ciclo de vida.

A associação argumenta que a cadeia brasileira de reciclagem de alumínio e a possibilidade de retorno contínuo do material ao processo produtivo precisam fazer parte dessa avaliação.

“É importante que as decisões que afetam o setor considerem de forma equilibrada os aspectos ambientais, econômicos e sociais das embalagens”, afirma Canielo.

Para a Abralatas, critérios objetivos relacionados à sustentabilidade podem ajudar a diferenciar soluções de embalagem de acordo com os resultados que já apresentam em economia circular.

Com 16,4 bilhões de unidades comercializadas em seis meses, o mercado de latas segue sustentado por cervejas e refrigerantes. Mas o dado de 1 bilhão vindo de outras categorias revela onde parte da transformação começa a aparecer.

As barreiras invisíveis que travam a cerveja artesanal na América do Sul

Em agosto deste ano, o World Beer Awards (WBA) — um dos maiores concursos de cerveja do planeta — anunciou os vencedores de sua etapa regional, que serve como seletiva para o título mundial de cada estilo. O Chile conquistou 11 títulos de Country Winner entre 33 medalhas na etapa nacional; a Colômbia, 7 entre 9; o Equador, 3 entre 4. É um desempenho que desmente qualquer ideia de que a cerveja artesanal na América do Sul seja coadjuvante no cenário internacional. O Brasil, para registro, chegou a 48 Country Winners e 121 medalhas. Mesmo a Argentina, que amargou apenas um título no WBA, já tinha feito história meses antes: em abril, na World Beer Cup (WBC), conquistou três medalhas — a melhor campanha já registrada pelo país na competição.

O contraste começa aí. Nenhuma dessas conquistas nasceu de um ambiente fácil. Em abril, à margem da IV Copa Sul-Americana de Cerveja, durante a 16ª Envase Brasil, em Bento Gonçalves (RS), uma mesa-redonda reuniu cervejeiros da Argentina, do Chile, da Colômbia e do Equador — vozes que raramente dividem o mesmo palco — para discutir a realidade de seus mercados. O que emergiu dali foi um retrato bem distante do otimismo que também marcou 2026 na diplomacia regional, ano em que o Mercosul comemorou 35 anos do Tratado de Assunção e viu entrar em vigor seu histórico acordo com a União Europeia: mesmo produzindo cerveja artesanal boa o suficiente para vencer lá fora, cervejeiros independentes desses quatro países seguem tropeçando, em casa, em assimetrias regulatórias, tributação punitiva e barreiras logísticas que nenhum tratado — nem nenhuma medalha — resolve sozinho.

As falas mostram que a realidade operacional do setor é bem diferente do reconhecimento internacional recém-conquistado, com dificuldades que vão da infraestrutura à burocracia — e que dizem respeito, sobretudo, à forma como cada país trata (ou não) suas microcervejarias.

O paradoxo da cerveja artesanal argentina

Mesa-redonda sobre o setor cervejeiro na América Latina durante a feira Envase este ano em Bento Gonçalves (Crédito: Divulgação)
Mesa-redonda sobre o setor cervejeiro na América Latina durante a feira Envase este ano em Bento Gonçalves (Crédito: Divulgação)

O caso da Argentina exemplifica o paradoxo entre maturidade técnica e instabilidade — o mesmo dilema que rendeu ao país, meses depois, sua melhor campanha histórica na World Beer Cup. Após forte expansão a partir de 2015, o setor sofreu com a pandemia. Segundo Gabriel Monteiro, gerente industrial da La Paloma, o consumo concentrava-se em bares e growlers de 2 litros. A fiscalização flexível impulsionou microcervejarias, que alcançaram 25% de mercado em cidades como Mar del Plata. Contudo, a ausência de envase próprio provocou o fechamento de diversas fábricas na crise sanitária, gerando alta oferta de equipamentos usados.

“A pandemia foi um ponto de quebra, como aqui no Brasil também. Eu acho que veio baixando muito o consumo da cerveja artesanal, com a mudança de hábitos também. Mas, economicamente, a pandemia foi muito impactante pra maioria das cervejarias”, diz Gabriel.

O abastecimento de insumos tem sido crítico. Apesar de ser o segundo maior produtor de malte da região, o país sofre com escassez de tipos especiais (caramelizados e torrados) devido a barreiras não tarifárias e instabilidade política. Além disso, a peletização do lúpulo patagônico superaquece a flor e gera pellets duros, prejudicando o dry hopping. Diante da perda de qualidade do lúpulo norte-americano no transporte, produtores recorrem ao Brasil, beneficiando-se da distância e da tecnologia superior de pellets dos lúpulos nacionais do país vizinho.

Para atender à demanda por opções sem glúten sob uma legislação que proíbe enzimas químicas na cerveja, as fábricas adotaram cereais naturalmente isentos, como o milhete (miro). Já há maltarias especializadas. A técnica exige estrutura separada para evitar contaminação cruzada, mas garante produtos de alta qualidade.

Chile: qualidade que não paga as contas

O mercado chileno opera sob uma lógica distinta. Também houve um bom crescimento da cerveja artesanal, atingindo o pico em 2021. Hoje, ele passa por estagnação e fechamento de fábricas, castigadas por sua geografia continental e por uma estrutura de pagamentos perversa, explica Verônica Carrasco, cervejeira há 11 anos na capital Santiago — o mesmo país que, meses depois dessa conversa, liderou o desempenho da América do Sul no World Beer Awards.

O desenho geográfico do Chile faz com que a cerveja precise viajar de 2 mil a 3 mil quilômetros para distribuição. O frete e a logística são proibitivos para pequenas fábricas, obrigando os produtores a focarem em vendas diretas e microidentidades locais para sobreviver, conta a cervejeira.

Mas a “asfixia silenciosa” do fluxo de caixa é o maior inimigo do produtor local. Com faturas pagas por bares e restaurantes em prazos de 30 a 90 dias, o microcervejeiro se vê sem capital de giro. “Você praticamente entrega seu produto de graça, enquanto precisa comprar seus insumos à vista e pagar salários, aluguel e comida na hora. É extremamente difícil depender 100% de intermediários, como bares e restaurantes”, relata.

No Chile, as importações já foram bastante dominantes no setor da cerveja, respondendo por 10% a 15% do mercado. Mas com a melhoria dos produtos locais, os apreciadores têm trocado IPAs cansadas por versões frescas nacionais. Verônica também menciona que o consumo das Sours (cervejas ácidas) vem crescendo, que há um movimento para desmistificar o consumo de cerveja como bebida barata e existe forte investimento no segmento sem álcool.

A violência regulatória colombiana

No mercado colombiano, o setor artesanal enfrenta o que podemos chamar de violência regulatória — nem de longe compatível com a taxa de conversão quase perfeita que suas cervejarias tiveram no World Beer Awards.

Apesar de um consumo per capita robusto de 52 litros, a participação das microcervejarias na Colômbia está estagnada em ínfimos 0,45%, conta o cervejeiro Sebastian Villamil. São cerca de 200 cervejarias concentradas em Bogotá, Medellín e plantas maiores em Cali. O movimento começou em 2008 com a Tres Cordilleras e a Bogotá Beer Company, adquirida em 2016 pela AB InBev.

O motivo do freio é estrutural: o governo trata microempresas com o mesmo rigor documental e burocrático exigido de grandes corporações industriais, o que obriga centenas de marcas artesanais novas a ficarem na informalidade com medo da fiscalização e impossibilitadas de expandir comercialmente, segundo Sebastian.

Para contornar os altos custos — exacerbados pela ausência de produção nacional de malte em escala —, produtores organizaram consórcios para importação direta da Alemanha e Rússia. Mas segundo o cervejeiro, o Brasil poderia ser um parceiro ideal para reduzir custos de produção da Colômbia. Há interesse em importar leveduras líquidas brasileiras, malte, lúpulo e até frutas para a produção de cerveja artesanal.

Equador: taxado para não crescer

No mercado equatoriano, a cerveja é alvo de uma política governamental de desestímulo ao álcool que se traduz em barreiras financeiras punitivas.

A cerveja artesanal equatoriana representa apenas 1% do mercado, diz Kenneth Sócola, cervejeiro, diretor regional da Associação Equatoriana de Cervejarias Artesanais e proprietário da Wizard Cerveza Artesanal. As fábricas são, em grande maioria, muito pequenas, com média de 500 litros mensais — o volume total estimado do setor nacional é de 200 mil litros/mês.

A política de desestímulo ao álcool do governo se desdobra em várias áreas. No âmbito financeiro, um dos problemas é o acesso ao crédito público, já que as cervejarias operam com juros bancários de até 24% ao ano. No âmbito sanitário, para cada notificação de novo estilo de cerveja a ser produzido, os órgãos reguladores cobram US$ 900. Além disso, a legislação ambígua gera multas pesadas de até US$ 4 mil.

Isso tudo gera uma grande desvantagem de preço na venda das artesanais ao consumidor. “Nossa garrafa artesanal de 330 ml custa, em média, US$ 3,75 por conta de custos e fretes logísticos altíssimos, enquanto uma cerveja industrial importada chega ao varejo equatoriano por US$ 1,90. Para piorar, o governo reformulou os impostos e inseriu uma taxa sobre o consumo que chega a 75% sobre o valor caso a cerveja passe de um determinado teor alcoólico”, explica Kenneth.

Chicha como ferramenta

Tanto na Colômbia quanto no Equador há pelo menos uma boa notícia: o resgate da chicha, fermentado à base de milho, tradicional entre os povos originários andinos. Segundo Sebastian, essa revitalização tem acontecido não só como uma bebida à parte, mas também como meio para viabilizar a produção cervejeira local.

Ele defende que usar fontes locais de amido ligadas à tradição da chicha é a melhor alternativa para as cervejarias. “Precisamos valorizar o nosso território, dar o devido reconhecimento ao milho, à quinoa, à batata e às frutas nativas. Trata-se de usar nossa rica biodiversidade para baixar custos reais de produção, deixando de copiar cegamente modelos importados que simplesmente nos engessam em padrões prontos”.

Kenneth confirma que a chicha já é uma realidade prática e bem-sucedida nas panelas equatorianas. Em meio ao crescimento de cervejas de estilo Lager no Equador, as cervejarias locais estão desenvolvendo receitas com frutas nativas e milho. Nesse contexto, a chicha acaba sendo usada como uma ferramenta para transformar categorias tradicionais de cerveja em produtos com alto valor agregado e forte identidade local.

O World Beer Awards mediu a qualidade técnica que essas cervejarias já têm. A chicha aposta em outra coisa: que a soberania sobre o insumo — e não o selo internacional — é o que vai sustentar essa qualidade no longo prazo.

Artigo: Cerveja brasileira tem que ter alma brasileira

O Brasil ainda não tem uma escola cervejeira para chamar de sua e não está nem perto de ser uma. Não existe um movimento coeso que poderíamos classificar como uma cultura de cerveja brasileira que tenha alguma identidade própria e única.

Vejam… Os Estados Unidos são muito caracterizados por IPAs que são tudo a mesma coisa releitura de estilos clássicos que são fortemente influenciadas pelo caráter mais frutado de suas variedades de lúpulo. As “Ales inglesas” equilibradas e maltadas, com amargor elegante. Os belgas vivem na “locuragem”, focados em fermentações e uso de adjuntos, e, por outro lado, os alemães bem dedicados ao equilíbrio e à tradição, naquela estoicidade quase chata. Checos têm as Lagers para chamar de suas e os irlandeses têm suas Stouts e Red Ales.

Em suma, podemos pegar essa galera e entender, de forma geral, qual é a identidade preponderante. Aqui, hoje eu diria que somos reprodutores e adaptadores de estilos gringos. Fruto de um provincianismo enraizado, o qual, inclusive, é um traço cultural tupiniquim, o bom e velho “tudo que é de fora é melhor”.

As adaptações foram insuficientes

Mesmo ao adaptar, não se trata de uma releitura com a nossa cara, como nos EUA, onde um insumo local influencia profundamente o resultado geral. Aqui, por questões histórico-culturais, priorizamos o uso de insumos importados. No início, pelo simples fato de que cevada e lúpulo não se deram bem com o nosso clima. Somente agora, com tecnologias contemporâneas, é que estamos conseguindo ter variedades nacionais (caso da cevada) ou simplesmente produzir, que é o caso do lúpulo. E mesmo agora, com disponibilidade destes recursos nacionalizados, ainda usamos muito o que vem de fora.

A justificativa do uso de importados se dá sob dois aspectos principais: preço e qualidade. Nossa produção destes itens aqui não é tão eficiente quanto é lá fora e nem tem a escala que se consegue por lá, o que geralmente não se torna competitivo. E a tal questão da qualidade também é prejudicada por fatores ambientais.

O resultado é que, por fim, não há como criar uma identidade se copiamos estilos de fora e, ainda mais, usando os mesmos ingredientes que se usam por lá. Ao cabo, se torna muito complicado criar uma identidade sensorial única se usarmos as mesmas técnicas e cultura produtiva de lá e os mesmos insumos de lá, incluindo aqui até mesmo as leveduras.

Não haverá Escola Brasileira enquanto essa for a lógica do nosso mercado. É simples assim.

A arquitetura de uma cerveja brasileira

Se desejarmos, em algum momento, ser uma escola cervejeira distinguível e singular, o caminho passa obrigatoriamente pela criação de uma arquitetura produtiva lastreada em insumos endêmicos e com uma cultura produtiva própria. E há vários caminhos possíveis.

Podemos usar malte de milho. Podemos focar no uso de frutas endêmicas. Podemos usar madeiras brasileiras. Podemos usar adjuntos como sementes e especiarias locais. Podemos usar micro-organismos fermentativos locais.

Mas, importante, não é o uso disso de forma isolada que resolve. Fazer uma Tripel e adicionar uma madeira brasileira no processo não transforma uma Tripel em uma cerveja brasileira, apenas a faz uma cerveja tipicamente belga com um ingrediente exótico.

Toda a arquitetura do produto tem que ser única, singular. Um conjunto de fatores brasileiros se transformando em uma cerveja.

O Brasil tem uma enormidade de biomas, de climas e microclimas, que fornecem uma diversidade absurda de possibilidades. Temos inclusive toda uma tradição milenar de produção de cervejas à base de milho que permeia nosso continente nos últimos cinco mil anos para dizer o mínimo. Cervejas essas, aliás, que são produzidas até hoje por povos originários deste canto do mundo. Olhar para a produção de Cauim, de Caxiri, de Chicha, tirar destes exemplos ideias e conceitos técnicos para criar novas cervejas, sabores e histórias.

Mas, não, a gente quer copiar o que é de fora.

Tem que ter alma

Ao manter este comportamento, não teremos uma escola cervejeira brasileira.

E veja, não estou aqui desmerecendo nossas cervejas. O Brasil tem cervejeiros, cervejeiras, cervejarias e produtos tão excelentes quanto os lá de fora. O que não temos é uma identidade para chamar de brasileira.

Toda a arquitetura sensorial da nossa produção é seriamente influenciada por culturas de fora, principalmente pela cultura norte-americana dos EUA, mas tem muita gente que gosta de bater no peito e dizer que faz cerveja alemã, checa, belga…

Para ter uma Escola Brasileira tem que bater no peito e falar que faz cerveja brasileira, com cara e gosto de Brasil. Não é “Brazilian beer”. A soberania tem que ser sensorial, fermentativa, de insumos, no nome e principalmente na alma.


Diego Simão é economista de formação e cofundador e fermentador na Cozalinda Cervejas e Sidras.


*Este é um texto de opinião. As ideias e informações nele contidas são de responsabilidade do colunista ou articulista e não refletem necessariamente o ponto de vista do Guia da Cerveja.

Levedura: a próxima inovação da cerveja pode estar dentro do fermentador

Quando pensamos em inovação na cerveja, é comum imaginar uma matéria-prima diferente, uma nova variedade de lúpulo, uma técnica diferente de dry hopping ou técnicas de processo que valorizem a história que você vai contar sobre o produto. Porém, existe uma ferramenta de inovação que está presente em toda cervejaria e que é responsável por uma etapa fundamental: transformar açúcares em álcool e gás carbônico. É claro que é a levedura, a estrela da festa!

Só que a levedura faz muito mais do que isso. Durante a fermentação, ela produz e transforma uma enorme variedade de compostos que participam diretamente do aroma, sabor e percepção da cerveja.

Conforme avançam os estudos sobre fisiologia e metabolismo das leveduras, cresce também a possibilidade de escolher o microrganismo não apenas pela capacidade de fermentar, mas pelo conjunto de características sensoriais que ele pode construir.

É aí que a pergunta começa a mudar. Em vez de questionar apenas: qual levedura vamos usar para fermentar esta cerveja? Podemos começar a investigar: qual o perfil de levedura de que eu preciso para produzir a cerveja que quero?

É uma mudança pequena na frase, mas bastante grande na maneira de pensar o processo.

Levedura de cerveja não é tudo igual

A levedura nunca foi apenas uma produtora de álcool. A fermentação alcoólica é apenas uma parte da história. Durante o processo, a levedura produz álcoois superiores, ésteres, compostos sulfurados, ácidos orgânicos e diversos outros metabólitos que contribuem para as características sensoriais da cerveja. Isso tudo ajuda a explicar o motivo pelo qual duas cervejas produzidas com a mesma receita podem apresentar diferenças perceptíveis quando fermentadas por cepas diferentes.

Mesmo dentro das Saccharomyces, existe uma grande diversidade metabólica entre cepas. Algumas podem produzir mais ésteres, outras apresentar maior capacidade de atenuação, outras mais compostos fenólicos, diferentes velocidades fermentativas ou diferentes capacidades de biotransformação. Então, se a gente falar simplesmente em “levedura de cerveja”, é insuficiente quando o objetivo é entender o perfil sensorial. 

Biotransformação

A cepa importa. E muito! Uma das áreas interessantes dessa discussão é a biotransformação. Durante a fermentação, determinados compostos presentes no mosto são transformados pela atividade metabólica das leveduras. Isso é particularmente relevante para alguns compostos associados ao aroma do lúpulo.

Alguns dos compostos aromáticos do lúpulo podem estar presentes no mosto em formas que não correspondem diretamente à molécula aromática que percebemos no copo. Dentre eles estão precursores associados a tióis que apresentam limiares de percepção muito baixos e podem contribuir para aromas descritos como tropicais e cítricos. Parte desses compostos pode estar presente na matéria-prima na forma de precursores ligados a moléculas como cisteína e glutationa.

É aí que a levedura entra. Por meio de diferentes atividades enzimáticas, determinadas cepas podem participar da liberação e transformação desses precursores, alterando a quantidade e o perfil dos compostos aromáticos presentes na cerveja. O aroma que chega ao copo não é necessariamente apenas aquilo que estava no lúpulo. Existe uma etapa de transformação acontecendo dentro do fermentador! E isso pode mudar bastante a conversa sobre aroma de lúpulo (Svedlund et al., 2022; Buiatti et al., 2023).

Leveduras não convencionais

E se a levedura não for Saccharomyces? É justamente aqui que entra uma das fronteiras mais interessantes da biotecnologia. Além das leveduras tradicionalmente utilizadas na produção de cerveja, existe uma grande diversidade  que pode apresentar características interessantes para a fermentação de bebidas. As leveduras não convencionais ou non-Saccharomyces vêm sendo estudadas por sua capacidade de modificar características sensoriais e tecnológicas da cerveja. Também é importante fazer uma ressalva: não convencional não significa melhor, significa diferente.

Essas leveduras podem apresentar características interessantes, como produção diferenciada de ésteres, formação de ácidos orgânicos, diferentes capacidades de utilização de açúcares e menor produção de etanol em determinadas condições. Por outro lado, algumas apresentam menor tolerância ao álcool, menor capacidade de fermentação ou dificuldade para completar a fermentação. O mais importante é encontrar a levedura adequada para o objetivo desejado (Capece et al., 2018; Miguel et al., 2022).

Algumas cepas, por exemplo, possuem capacidade de produzir ácido lático durante a fermentação alcoólica. Isso cria uma possibilidade tecnológica interessante para a acidificação da bebida. Em determinadas aplicações, isso pode permitir o desenvolvimento de perfis de acidez diferentes dos obtidos por outros métodos. Claro que irá depender da cepa e das condições do processo. Temperatura, composição do mosto, disponibilidade de nutrientes, relação entre microrganismos e outras condições de fermentação influenciam o resultado.

É justamente essa variabilidade que torna o tema interessante para a cervejaria. A microbiologia deixa de ser apenas uma variável que precisa ser controlada e passa a ser também uma variável que pode ser projetada. E aí, o céu é o limite! 

Levedura na arquitetura de aromas e sabores

A fermentação pode e deve ser utilizada como ferramenta de desenvolvimento sensorial. Existe uma preocupação com a escolha dos maltes, a composição do mosto, os lúpulos, os parâmetros de processo e a levedura adequada, quando é possível… A biotecnologia permite inverter parte desse raciocínio. É quase como transformar a fermentação em uma etapa de engenharia sensorial.

Imagine, por exemplo, que o objetivo seja aumentar determinada nota de fruta tropical. Uma possibilidade é adicionar mais lúpulo. Outra é buscar uma combinação entre variedade de lúpulo, presença de precursores, atividade enzimática da levedura, temperatura de fermentação e momento de adição do lúpulo. São estratégias completamente diferentes. 

Utilizar uma levedura não convencional não deveria significar simplesmente substituir uma cepa comercial por outra e esperar que a cerveja conte sua própria história. É importante conhecer seu comportamento fermentativo, produção de metabólitos, interação com outras culturas, estabilidade e segurança. Além disso, características como tolerância ao etanol, capacidade fermentativa, formação de compostos indesejáveis e comportamento durante o armazenamento precisam ser avaliadas.

Talvez a próxima inovação não esteja em encontrar algum ingrediente mágico, mas em utilizar melhor aquilo que já existe: a diversidade dos microrganismos. A escolha da levedura pode deixar de ser apenas uma decisão sobre fermentação e passar a ser uma decisão sobre aroma, acidez, corpo, teor alcoólico e identidade sensorial.

Referências bibliográficas

  • BUIATTI, S.; TAT, L.; NATOLINO, A.; PASSAGHE, P. Biotransformations Performed by Yeasts on Aromatic Compounds Provided by Hop: A Review. Fermentation, v. 9, n. 4, 327, 2023. DOI: 10.3390/fermentation9040327.
  • CAPECE, A.; ROMANIELLO, R.; SIESTO, G.; ROMANO, P. Conventional and Non-Conventional Yeasts in Beer Production. Fermentation, v. 4, n. 2, 38, 2018. DOI: 10.3390/fermentation4020038.
  • MIGUEL, G. A.; CARLSEN, S.; ARNEBORG, N.; SAERENS, S. M. G.; LAULUND, S.; KNUDSEN, G. M. Non-Saccharomyces yeasts for beer production: Insights into safety aspects and considerations. International Journal of Food Microbiology, v. 383, 109951, 2022. DOI: 10.1016/j.ijfoodmicro.2022.109951.
  • SVEDLUND, N.; EVERING, S.; GIBSON, B.; KROGERUS, K. Fruits of their labour: biotransformation reactions of yeasts during brewery fermentation. Applied Microbiology and Biotechnology, v. 106, p. 4929–4944, 2022. DOI: 10.1007/s00253-022-12068-w.

Chiara Barros é proprietária do Instituto Ceres de Educação e Consultoria Cervejeira. Engenheira Química, especialista em Biotecnologia e Bioprocessos, em Gestão da Qualidade e Produtividade e em Segurança de Alimentos, além de cervejeira e sommelière de cervejas.


* Este é um texto de opinião. As ideias e informações nele contidas são de responsabilidade do colunista ou articulista e não refletem necessariamente o ponto de vista do Guia da Cerveja.

Menu Degustação: Cervejarias artesanais aceleram no segmento wellness com novos rótulos

As cervejarias artesanais brasileiras têm acelerado e ampliado a aposta em rótulos voltados à saudabilidade. Nos últimos dias, duas marcas catarinenses lançaram versões de baixo teor alcoólico, sem glúten, com menos calorias ou sem álcool. Não que esses produtos não existam em muitas microcervejarias. Mas o engajamento no segmento é maior entre as grandes.

A Cervejaria Blumenau apresentou a Blumenau Ultra, cerveja sem glúten com 3% de teor alcoólico, menos de 70 calorias e comercializada em long necks de 355 ml — a marca já trabalha há três anos com opções sem álcool. Já a Stannis, de Jaraguá do Sul (SC), ampliou o portfólio com a linha S-Low, que chega em duas versões: uma sem álcool, com 0,3% de teor alcoólico, e uma sem glúten, uma Session APA com 3% de álcool, low carb e 23 kcal por 100 ml. O lançamento da Stannis ocorreu durante o Treinão Corrida do Bem Sesi + Cerveja Stannis, em 29 de agosto.

O movimento já é bem nítido também no varejo. Segundo a Supermercados Mundial, a rede vem ampliando o sortimento de cervejas “fit” — sem álcool, com menos calorias ou sem glúten — para atender a um consumidor que continua bebendo cerveja, mas busca opções mais alinhadas ao seu estilo de vida. “Existe uma procura maior por opções menos calóricas, sem glúten e sem álcool. É um consumidor que continua apreciando a categoria, mas quer encontrar alternativas para diferentes momentos do dia a dia”, afirma Rodrigo Monken de Castro, gestor comercial da rede.

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Heineken une sustentabilidade e tecnologia na programação do Rock in Rio Brasil 2026

A Heineken® e a Fundação SOS Mata Atlântica instalam, na Rota 85 da Cidade do Rock, durante o Rock in Rio Brasil 2026 — que começou na sexta-feira (4) —, um espaço com espécies nativas do bioma, como grumixama, araçá e quaresmeira. Após o festival, cerca de 3 mil mudas serão destinadas à restauração florestal na Serra do Vulcão e no Parque Nacional da Tijuca. A ação integra a plataforma Green Your City e dá continuidade a uma parceria entre as organizações iniciada em 2007.

A marca, patrocinadora do festival pela oitava vez, também lançou em parceria com o Spotify a “The Loudest Playlist”, atualizada em tempo real conforme o volume do canto do público, medido por decibelímetros e sismógrafos instalados perto do Palco Mundo. A iniciativa integra a campanha “Fãs têm mais amigos”.

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Stella Artois será cerveja oficial do primeiro Time Out Market da América Latina

A Ambev fechou parceria com o Time Out Market para ser fornecedora exclusiva de cervejas, não alcoólicos e bebidas prontas no primeiro espaço da rede na América Latina, com abertura prevista para o primeiro trimestre de 2027 no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, em São Paulo (SP). O bar principal contará com experiência assinada por Stella Pure Gold, versão sem glúten e com menos calorias da marca.

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Grupo Petrópolis lança página exclusiva no iFood

O Grupo Petrópolis, maior cervejaria de capital nacional do país, anunciou parceria com o iFood para o lançamento de uma brandpage exclusiva no aplicativo, reunindo pela primeira vez todo o portfólio da companhia — cervejas, energéticos, bebidas esportivas e drinques prontos — em um só ambiente de compra. A iniciativa também dá suporte a campanhas promocionais da marca Itaipava ao longo do ano.

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Cada grau a mais eleva em 4,1% consumo de bebidas sensíveis ao clima

Levantamento da Scanntech mostra que, a cada 1°C de aumento na temperatura, o volume de bebidas associadas ao calor cresce, em média, 4,1% no Brasil. Entre as categorias, a cerveja registra alta de 5,0%, atrás de água (5,7%) e isotônicos (5,4%). Já vinho e conhaque recuam 3,2% em dias mais quentes. O estudo ganha relevância diante da previsão de um “Super El Niño” para o segundo semestre de 2026.

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Flying Fish sorteia viagem à Transilvânia com festa no Castelo do Drácula

A Ambev lançou promoção da cerveja com limão Flying Fish que vai sortear, entre a terça-feira (1º) e 29 de outubro, duas viagens à Romênia com acompanhante, incluindo festa em 7 de novembro em um castelo associado à lenda de Drácula, com show do duo Dubdogz. A ação também distribui mais de 2 mil prêmios instantâneos, entre minicâmeras, cervejeiras e vouchers do Zé Delivery.

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Caipira Beer Cup encerra inscrições com 125 amostras na estreia

A primeira edição do Caipira Beer Cup, concurso dedicado a cervejas caseiras, encerrou as inscrições com 125 amostras de 71 cervejeiros de seis estados do Sul e do Sudeste. O recebimento das amostras físicas segue até esta terça-feira (8), o julgamento técnico — sob as diretrizes do BJCP — ocorre nesta sexta-feira (11), em Piracicaba (SP), e a premiação está marcada para 18 de setembro, durante o Congrecerva.

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Lagunitas busca os cachorros mais “rock n’ roll” do país

Junto com o início do Rock in Rio Brasil 2026, a Lagunitas convida tutores a publicarem, até esta segunda-feira (7), fotos ou vídeos de seus cães com a hashtag #MeuDogLagunitas no Instagram. Participantes elegíveis recebem voucher de 20% de desconto em hospedagem pet, válido até 30 de setembro. A marca também terá espaço dedicado no festival, o Lagunitas DayTime.

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Moradores de Ponta Grossa têm desconto no Inside the Star

Para celebrar o aniversário de Ponta Grossa (PR), comemorado em 15 de setembro, o Grupo Heineken oferece 50% de desconto nos ingressos dos tours do Inside the Star Ponta Grossa a moradores do município, mediante comprovante de residência. A condição é válida durante todo o mês de setembro.

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Corona lança lata com abertura total voltada ao “ritual do limão”

A Ambev lançou uma lata com abertura total da tampa para Corona, formato inédito no segmento premium brasileiro, pensado para facilitar o consumo com limão. A novidade estreia pelo Zé Delivery na Grande São Paulo e em Campinas, Paulínia e Sorocaba (SP), e deve chegar em breve também às lojas das redes Mambo e Tauste na capital e no interior paulista.

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Brewine Leopoldina soma 7 prêmios em concursos internacionais

A Brewine Leopoldina, da Famiglia Valduga, conquistou sete distinções no World Beer Awards 2026 e na Copa Guaraní de Cervezas, disputada no Paraguai. A Italian Grape Ale Moscato foi eleita Country Winner e recebeu ouro na etapa internacional; a Belgian Quadrupel e a Belgian Tripel também levaram ouro na competição paraguaia.

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Bar Brahma define programação de setembro em suas unidades de São Paulo

As unidades Centro e Paulista do Bar Brahma divulgaram a programação musical de setembro, com shows fixos de samba e pagode — como Fundo de Quintal às sextas-feiras na unidade Paulista e apresentações de Demônios da Garoa e Cacique de Ramos na unidade Centro — além de feijoadas aos sábados nas duas casas.

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Glover Teixeira vence Maurício Shogun no Spaten Fight Night 3

Glover Teixeira derrotou Maurício Shogun por pontos na luta principal do Spaten Fight Night 3, disputado em 29 de agosto, no Pacaembu, em São Paulo. O evento, que teve a nova Spaten Pro — cerveja sem álcool com proteína — como bebida oficial, também recebeu as estreias do judô e do jiu-jitsu, com vitórias de Rafaela Silva e Felipe Pena, respectivamente.

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Stone leva dados inéditos ao Salão Abrasel 2026

A Stone participa, nos dias 15 e 16 de setembro, da primeira edição do Salão Abrasel, no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, na Bienal do Ibirapuera, em São Paulo. A companhia apresentará soluções voltadas a bares e restaurantes organizadas em quatro eixos — vender, conectar, gerir e crescer — além dos dados inéditos de agosto do Índice Abrasel-Stone, levantamento mensal sobre o setor de alimentação fora do lar em 24 estados. No dia 15, às 13h45, o economista Guilherme Freitas participa do painel “Mapeando 2027”, sobre os desafios de gestão para o próximo ano.

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Ambev celebra profissionais que sustentam a cultura cervejeira no Mês da Cerveja

No encerramento do Mês da Cerveja, a Ambev destaca trajetórias de cervejeiras responsáveis por parte do conhecimento técnico da companhia, como Paloma Del Papa, professora da Academia da Cerveja, e Juliana Jacomin Foresti, mestre cervejeira e gerente de processos na fábrica de Agudos (SP). A empresa também celebra o primeiro ciclo do Juntas na Mesa, projeto de Stella Artois que formou 150 mulheres e passou a incluir, nesta edição, uma trilha dedicada ao conhecimento cervejeiro e harmonização.

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Läut leva coleção Racing Edition à etapa da Stock Car em Curvelo

A Cervejaria Läut, de Nova Lima (MG), parceira oficial da Stock Car Pro Series 2026, marca presença na etapa do Autódromo Internacional Circuito dos Cristais, em Curvelo (MG), entre a sexta-feira (4) e o domingo (6) — segunda rodada da temporada no autódromo mineiro, que substitui a praça de Chapecó (SC). A marca lançou a coleção de bonés Racing Edition, disponível em seu e-commerce, e tem a Fuel, cerveja puro malte que recebeu ouro no 14º Concurso Brasileiro de Cervejas, como rótulo oficial da categoria. O influenciador Juninho Maderite acompanha as ativações no espaço VIP.

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Inauguração da Hofbräuhaus em Blumenau é adiada por causa das chuvas

A abertura da nova unidade da Hofbräuhaus (HB) em Blumenau (SC), prevista para a quarta-feira (2), foi adiada por causa das fortes chuvas que atingiram a região nos últimos dias. Em comunicado, a cervejaria alemã informou que os trabalhos de finalização das áreas externas, fachada e praça do imóvel foram impactados pelo temporal e que uma nova data de abertura será anunciada em breve.

A unidade catarinense será a segunda da Hofbräuhaus no Brasil e na América Latina — a primeira fica em Belo Horizonte (MG) — e vai ocupar o histórico espaço do antigo Thapyoka, na Praça Hercílio Luz, arrematado em leilão por R$ 12,3 milhões em outubro de 2025. No formato brewpub, com capacidade para 600 pessoas, a casa vai produzir suas próprias cervejas seguindo a Lei da Pureza Alemã de 1516.

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Estrella Galicia leva experiência cervejeira à Porsche Cup em Interlagos

Neste sábado (5) e domingo (6), a Estrella Galicia marca presença na etapa de Interlagos da Porsche Cup C6 Bank, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. Cerveja oficial da temporada 2026 da categoria, a marca leva ao evento uma experiência de autosserviço de chope e reforça a presença da versão sem álcool Estrella Galicia 0,0, voltada a quem prefere não consumir bebida alcoólica. A parceria com a Porsche Cup integra uma presença mais ampla da cervejaria espanhola nos esportes a motor, que inclui patrocínio a pilotos do MotoGP e à equipe Williams, da Fórmula 1.

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Ambev prorroga até segunda-feira inscrições para trainee e estágio

A Ambev prorrogou até esta segunda-feira (7) as inscrições para o Programa Global de Trainee 2027 e para o Programa de Estágio. A vaga de trainee oferece salário de R$ 9,5 mil, participação nos lucros que pode chegar a 4,2 salários adicionais e uma jornada de dez meses com experiências internacionais, como imersão em outro país da América do Sul e rotação de até três meses no exterior. Podem se candidatar profissionais formados entre dezembro de 2024 e dezembro de 2026, com no máximo dois anos de experiência profissional e inglês intermediário ou avançado.

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Instituto Inhotim terá Stella Artois como patrocinadora por 4 anos

(Crédito: Julia Lanari/ Divulgação Inhotim)

A Stella Artois firmou patrocínio de quatro anos com o Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG), considerado o maior museu a céu aberto da América Latina. A parceria amplia a atuação cultural da marca, que também patrocina, há 13 anos consecutivos, o Festival de Cinema de Gramado.

O anúncio ocorre em meio à expansão do portfólio wellness da Ambev: segundo a companhia, o segmento cresceu mais de 60% no segundo trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior, puxado pelo avanço de mais de 180% da Stella Pure Gold, sem glúten, e de 30% no portfólio de cervejas zero álcool.

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Cerveja Sol patrocina o festival Playa na Praia da Pipa

A Sol, cerveja premium e sem glúten do Grupo HEINEKEN, patrocina o Playa, festival de música e praia que ocorre de sexta-feira (4) a domingo (6), na Praia da Pipa, em Tibau do Sul (RN). A marca monta um bar com a Sol Premium Lager e a Sol Zero, opção sem álcool, ambas sem glúten, e acompanha a programação musical do evento, que reúne atrações como Nattan, João Gomes e Henry Freitas.

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7 estilos de cerveja para combinar com o line-up do Rock in Rio 2026

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Cerveja e música compartilham parte de um vocabulário sensorial: intensidade, leveza, corpo, secura, brilho, textura e equilíbrio aparecem tanto num universo quanto no outro. Foi esse parentesco que a reportagem do Guia da Cerveja usou como ponto de partida para escolher estilos de cerveja para sete músicas do line-up do Rock in Rio 2026, que acontece a partir desta sexta-feira (4) até segunda-feira (7) e também de 11 a 13 de setembro, na Cidade do Rock, no Rio de Janeiro (RJ).

A programação do festival passa pelo rock e pelo metal, mas também reúne soul, funk, jazz, música brasileira, pop e eletrônica em diferentes palcos. Essa variedade musical tem um equivalente cervejeiro: há estilos em que o lúpulo conduz o aroma e o amargor, outros guiados pelo malte, pelo trigo, pela acidez, por frutas, especiarias ou até pelo caráter defumado — e foi dentro dessa diversidade que cada faixa ganhou seu par.

Para chegar a essas combinações, a música veio primeiro: ritmo, timbres, instrumentos, dinâmica e atmosfera ajudaram a escolher o estilo de cada faixa. Só depois vieram os rótulos — não como parte da combinação em si, mas como exemplos de cada estilo, com opções de maior circulação e outras de cervejarias artesanais brasileiras.

Assim, os rótulos citados ilustram o estilo escolhido para cada música — não são uma lista fechada, nem uma prévia do que está disponível na Cidade do Rock. Por lá, a cerveja é exclusividade do Grupo Heineken Brasil, patrocinador oficial de cerveja no evento, que em 2026 completa 15 anos de parceria com o festival. Estarão disponíveis apenas as marcas Heineken®, Heineken® 0.0, Heineken® Ultimate, Lagunitas e Eisenbahn.

A seleção também não pretende esgotar o cardápio de estilos possíveis: Stout, Saison, Pilsner e tantos outros caberiam numa programação que atravessa tantos gêneros musicais. Nem é uma sequência de consumo para um único dia, e cervejas de menor graduação ou sem álcool ajudam a ampliar as escolhas num festival de muitas horas.

A seguir, uma faixa de cada vez — e o estilo de cerveja escolhido para ela.

Foo Fighters: “Everlong” com Session IPA

Na sexta-feira (4), o Foo Fighters abre o Rock in Rio 2026 no Palco Mundo com um repertório em que “Everlong” segue como uma das faixas centrais. A música tem uma base que empurra a faixa quase o tempo inteiro: as guitarras se acumulam, a bateria sustenta a pressão e Dave Grohl alterna momentos mais contidos com a abertura do refrão sem perder a melodia.

O estilo Session IPA acompanha essa dinâmica pelo lúpulo. Mantém aromas cítricos, frutados, florais ou resinosos e um amargor perceptível, mas costuma apresentar corpo e teor alcoólico menores do que uma IPA convencional. É uma forma de buscar intensidade aromática com mais leveza.

A Eisenbahn Session IPA é a opção de maior circulação: tem 4,6% de álcool e 45 IBU, com perfil cítrico, corpo leve e presença evidente de lúpulo. Para provar o estilo em outra chave, a Dogma Session IPA usa o lúpulo Mosaic, com aromas cítricos e resinosos, em uma cerveja de apenas 3,2% de álcool e corpo leve. Já a Campinas IPA Zero pode ser lida como uma Session IPA sem álcool. Ela traz menos de 0,4% de álcool, 40 IBU e os lúpulos Citra e Sabro, com três aplicações de dry hopping, preservando boa parte da proposta aromática do estilo mesmo sem o teor alcoólico.

Sepultura: “Roots Bloody Roots” com Rauchbier

Em “Roots Bloody Roots”, a guitarra pesa, mas o ritmo tem papel tão importante quanto a distorção. O riff se repete sobre bateria e percussão em uma fase da carreira na qual o Sepultura aproximou ainda mais o metal de elementos musicais brasileiros — a mesma fase que a banda leva ao Palco Mundo no sábado (5).

Para acompanhar, a Rauchbier leva a combinação para a fumaça. O estilo tem tradição na Francônia, na Alemanha, e utiliza maltes defumados que podem trazer notas de madeira, cereal tostado e alimentos defumados. O caráter costuma chamar bastante atenção no aroma e no sabor, mesmo sem depender de uma graduação alcoólica elevada.

Vale provar a Bamberg Rauchbier, uma das referências brasileiras do estilo, com 5,2% de álcool e 25 IBU, além de maltes defumados pela própria cervejaria, com notas marcantes de fumaça e bacon. Ou a Bierbaum Weizen Rauchbier, que combina trigo e malte defumado — 5,5% de álcool e 16 IBU, com madeira, torrefação leve e fumaça sobre um corpo médio.

Vale registrar à parte, como curiosidade, que o próprio Sepultura tem uma cerveja artesanal batizada em sua homenagem: a Bamberg Sepultura Ale, criada em parceria entre a banda e a cervejaria, com 4,8% de álcool, 30 IBU, fermento da região de Colônia, lúpulos de Hallertau e maltes da Francônia. É uma German Ale, e não uma Rauchbier — não tem relação com o estilo proposto acima, entra aqui só pela ligação direta com a banda.

BaianaSystem: “Sulamericano” com Catharina Sour

A sonoridade do BaianaSystem nasceu da pesquisa em torno da guitarra baiana e de sua aproximação com a cultura dos sound systems jamaicanos. No domingo (6), o grupo passa pelo Palco Sunset com “Sulamericano”, em que percussão, graves, guitarra e elementos eletrônicos circulam lado a lado.

A Catharina Sour tem acidez viva e caráter de fruta — traços que ecoam o mesmo brilho rítmico da guitarra baiana e a mistura de graves e elementos eletrônicos que marcam o grupo. Uma cerveja pensada para calor e repetição, como o próprio sound system. O estilo brasileiro parte de uma cerveja de trigo leve, ácida e de baixo amargor, geralmente acrescida de frutas. 

E é justamente a fruta que faz cada receita seguir um caminho diferente: a Blumenau Catharina Sour Maracujá (4% de álcool, 2 IBU) tem o maracujá conduzindo o aroma, com acidez limpa, corpo leve e final seco; a Campos do Jordão Sour Pitaya e Maracujá (4,8% de álcool, 8 IBU) ganha cor rosada da pitaya, com o maracujá aparecendo com mais força no aroma; e a Lohn Catharina Sour Jabuticaba (4% de álcool, 5 IBU) usa a fruta sobre uma base leve, frisante e levemente ácida.

Gilberto Gil: “Palco” com Witbier

Na segunda-feira (7), é a vez de Gilberto Gil ocupar o Palco Mundo do Rock in Rio 2026. Baixo, guitarra, bateria e percussão fazem de “Palco” uma música movimentada, mas com bastante espaço entre os elementos — o arranjo ajuda a lembrar uma característica recorrente na trajetória do artista: a facilidade de circular entre linguagens como samba, reggae, rock, forró e ritmos de matriz africana.

A Witbier entra pela combinação de leveza, perfume e especiarias. De tradição belga, é uma cerveja de trigo normalmente clara e turva, de alta carbonatação e baixo amargor. Na receita clássica aparecem sobretudo cítricos e sementes de coentro, e as variações começam justamente nos temperos escolhidos por cada cervejaria. 

A Baden Baden Witbier segue uma leitura clássica do estilo, com laranja e a picância discreta da semente de coentro (4,9% de álcool, 11 IBU). Já a Ouropretana Witbier usa cascas de limão-siciliano e tahiti junto ao coentro (4,7% de álcool, 12,9 IBU, com cítrico mais evidente e leve amargor das cascas), e a Terra Boa Witbier 10 Anos acrescenta gengibre ao limão-siciliano e ao coentro (5% de álcool, 12 IBU).

Jamiroquai: “Virtual Insanity” com Italian Pilsner

Funk dos anos 1970, soul, R&B e disco fazem parte da formação musical do Jamiroquai, mas convivem com pop e eletrônica. “Virtual Insanity”, lançada em 1996, é um bom exemplo dessa combinação entre referências anteriores e produção contemporânea. O grupo sobe ao Palco Sunset em 11 de setembro.

Assim como a faixa parte de uma base funk reconhecível e a atualiza com camadas de produção contemporânea, a Italian Pilsner pega a estrutura clássica de uma Lager e acrescenta uma carga aromática extra de lúpulo, normalmente por meio de dry hopping — o mesmo gesto de pegar algo familiar e dar uma coloração nova. Mantém a secura e a refrescância de uma Lager clara, flores, ervas, especiarias e notas cítricas podem aparecer com mais evidência. 

Duas opções mostram bem essa variação: a Noi Italian Pilsner (5% de álcool, 33 IBU), com lúpulos nobres que trazem notas florais, herbais e terrosas, e a Go Brew Tudo Começou com Eles (4,7% de álcool, 16 IBU), cujo dry hopping combina Saaz e Nelson Sauvin, com notas que remetem a uva, maçã-verde e ervas.

Laufey: “From the Start” com Munich Helles

“From the Start” aproxima jazz, pop e referências de bossa nova em pouco mais de dois minutos e meio. Laufey se apresenta no Palco Sunset na mesma segunda-feira (7) em que Gilberto Gil ocupa o Palco Mundo. A leveza da música esconde uma construção harmônica mais sofisticada do que a primeira audição pode sugerir, característica do trabalho da artista islandesa-chinesa, que vem aproximando jazz e música clássica do universo do pop.

A Munich Helles segue por uma linha de sutileza. É uma Lager dourada em que o malte costuma aparecer um pouco mais do que numa Pilsner, trazendo notas de cereal e pão sobre fermentação limpa e amargor contido. Nesse estilo, pequenas diferenças de malte, corpo e lúpulo fazem boa parte da experiência.

A Spaten, de ampla distribuição no mercado brasileiro, é uma porta de entrada clássica e puro malte; a Bamberg Helles (5% de álcool, 24 IBU) tem perfil maltado, fermentação limpa e final refrescante dentro da escola alemã; e a Galeza Galo Sereno Helles, versão artesanal gaúcha, traz presença maior de malte do que a Pilsen da própria cervejaria e um toque suave de lúpulo floral.

Jota Quest toca Tim Maia: “Do Leme ao Pontal” com Vienna Lager

Em “Do Leme ao Pontal”, baixo e bateria organizam o groove enquanto guitarra, metais e voz completam uma linguagem que Tim Maia ajudou a tornar brasileira ao aproximar soul e funk do seu próprio repertório. É esse repertório que o Jota Quest toca no Palco Sunset no domingo (6) — mesmo dia e mesmo palco do show do BaianaSystem.

A Vienna Lager acompanha esse repertório pelo malte. É uma Lager que costuma avançar do dourado para o âmbar e trazer sabores de pão, biscoito e tostado, preservando a fermentação limpa e a boa fluidez — mais presença de malte no gole sem perder o balanço. 

A Bamberg Electra (5,3% de álcool, 30 IBU) tem cor âmbar e equilíbrio entre malte e amargor, com o nome homenageando os aviões Electra da antiga ponte aérea Rio-São Paulo; a Bierbaum Vienna (5,2% de álcool, 33 IBU) combina diferentes maltes com quatro variedades de lúpulo, que acrescentam notas florais e cítricas; e a 4 Árvores Linden Vienna Lager (5,5% de álcool, 25 IBU), feita com maltes Vienna, Munich e Pilsen e lúpulo Comet, traz pão, biscoito, tostado leve e notas florais e picantes.

Atenção aos detalhes vale tanto para escolher a trilha sonora quanto para o que vai parar no copo em cada palco da Cidade do Rock.

Serviço: Rock in Rio 2026

  • Quando: 4, 5, 6, 7, 11, 12 e 13 de setembro de 2026.
  • Onde: Cidade do Rock, no Rio de Janeiro.
  • Shows citados nesta lista: Foo Fighters toca na sexta-feira (4); Sepultura, no sábado (5); BaianaSystem e Jota Quest tocando Tim Maia, no domingo (6); Gilberto Gil e Laufey, na segunda-feira (7); e Jamiroquai, em 11 de setembro.
  • Compra antecipada: o aplicativo oficial do Rock in Rio 2026 permite comprar bebidas e lanches, escolher um horário de retirada e apresentar o QR Code da compra na Cidade do Rock. O app também reúne agenda dos shows, transporte, lockers e informações de acessibilidade.
  • Pagamentos: a operação na Cidade do Rock é digital. Cartões físicos e carteiras digitais são aceitos. Para pagamentos com dinheiro ou Pix, o festival disponibiliza uma operação cashless com cartão pré-pago.

Marca, propósito e autenticidade: o que faz um rótulo de cerveja artesanal comunicar com a Geração Z

“Artesanal” não abre mais porta sozinho. Foi um forte chamariz na última década. Hoje não é mais. E isso vale principalmente para os novos consumidores que vêm chegando ao mercado. A chamada Geração Z, formada por pessoas nascidas entre 1997 e 2012, está ressignificando a relação com o consumo, principalmente com as bebidas alcoólicas, como a cerveja artesanal. Se antes uma caveira no rótulo bastava para garantir o distanciamento em relação à cerveja convencional, hoje é preciso mais de um rótulo de cerveja para conseguir se comunicar com esse público. Mas como fazer isso?

O Guia da Cerveja ouviu dois profissionais especializados em rótulo para tentar desvendar a resposta: Bento Ferreira, sócio-proprietário e diretor de arte da Alvo Comunicação & Marketing, de Porto Alegre (RS), e Alexandre “Nani” Dias Lima, designer à frente da Sete8 Design Gráfico, de São Paulo (SP), especializado em identidade visual para cervejarias desde 2014. O objetivo da conversa foi entender o que muda no design de rótulo quando o alvo é o consumidor mais jovem do mercado.

Apesar de não existir uma resposta única nem fácil, a avaliação dos dois convergiu principalmente para três pontos. Marca. Propósito. Autenticidade. Nenhum deles é necessariamente só sobre estética.

O rótulo não é o ponto de partida: é a consequência

Para Nani, que tem no currículo mais de 150 marcas e nomes como Dádiva e Zalaz, o erro mais comum é começar pelo desenho. A definição e construção da marca vêm antes. “Se o cara não tem isso na cabeça, se enxerga como custo e não como sobrevivência, já está errado”, diz.

Para o designer, o rótulo é só a “ponta” visível de uma decisão que precisa estar resolvida bem antes — o que a marca representa, como quer ser vista e sentida pelo consumidor. Sem essa base, o rótulo não tem o que comunicar. 

O “passo zero” do processo pode ser resumido numa pergunta que, segundo ele, poucos empresários do setor já se fizeram: como você quer que as pessoas vejam sua marca? O que você quer que elas sintam quando veem seu rótulo na gôndola — ou na tela do celular?

Só depois dessa resposta o rótulo entra em cena. “Às vezes o conceito da marca tá tão bem travado que o rótulo mesmo sai em dez minutos na minha cabeça”, afirma Nani. A lógica se aplica à receita, ao atendimento, ao material de merchandising — o rótulo é só uma das peças que expressam esse conceito, não o conceito em si.

O propósito precisa ser real

O segundo pilar é propósito. E aqui os dois entrevistados batem no mesmo ponto: é preciso ter uma razão de ser. Isso precisa ser real.

“Não adianta uma cervejaria tentar criar um personagem ou uma comunicação que não tenha nada a ver com ela. Se parecer forçado, o consumidor percebe”, diz Bento Ferreira, da Alvo Comunicação & Marketing. 

Nani concorda e vai além, com o exemplo da Dádiva — cervejaria conhecida pela defesa da representatividade feminina. “Ela sofre com preconceito. Já teve que tirar postagens do ar. Só que não pode parar, porque aquilo é real. Não é só um momento”, afirma.

A diferença, segundo ele, é como a Geração Z reage a esse tipo de posicionamento. Por serem hiperconectados, eles não ficam só no impacto inicial gerado pelo rótulo. Eles se informam, pesquisam e descobrem a razão de ser da marca. “Eles vão chegar lá [nas redes sociais], vão ver o que a cerveja ali tá falando. O que ela tá vendendo? Só cerveja? Só cerveja é Brahma, já existe.”

Bento reforça o mesmo ponto do lado dos dados: um levantamento americano da Brewers Association de 2026, segundo ele, mostra que a Geração Z não é um bloco único em relação ao álcool. Há quem beba, quem tenha reduzido o consumo e quem seja abstêmio — grupos diferentes, com motivações diferentes. Vender propósito, e não só produto, é o que aproxima marca e consumidor dentro dessa diversidade.

Autenticidade é o filtro que descarta atalhos

O terceiro pilar é o que separa um rótulo genuíno de um rótulo fabricado para agradar. Aqui entra o alerta mais direto dos dois entrevistados: fingir juventude tem prazo de validade curto.

“Não tente fazer um rótulo ‘de Geração Z’ simplesmente colocando cores vibrantes, letras diferentes ou alguma linguagem de internet. Isso pode envelhecer muito rapidamente”, avalia Bento.

Nani aponta outro atalho que, segundo ele, já é possível reconhecer de longe: o uso raso de Inteligência Artificial (IA) na criação de rótulos. “Tá padronizando o ruim, tá transformando o ruim em um padrão. A gente já vê no Instagram quando aquilo foi feito na IA. A gente já reconhece”, diz. 

Para ele, usar IA como parte do processo, como ferramenta de teste, é válido — jogar uma ideia, ver se funciona no papel. Publicar o resultado bruto, sem curadoria, é outra coisa. “Você tem que ter uma coisa que é só sua, que só saiu da sua cabeça. Não é uma coisa que é replicável.”

O que colocar no rótulo de cerveja, na prática

Marca, propósito e autenticidade são filtros estratégicos. Mas os dois entrevistados também deram recomendações objetivas para quem já sabe o que sua cervejaria representa e precisa traduzir isso em rótulo.

  1. Legibilidade. Logo e nome da cerveja precisam estar visíveis e reconhecíveis de longe — mesmo quando a arte é mais aberta e ilustrativa, casos de marcas como Dogma e Croma, cita Nani.
  2. Informação útil, sem excesso. Bento recomenda comunicar teor alcoólico, ocasião de consumo e características sensoriais de forma direta, sem transformar o rótulo em bula. Termos como “leve”, “para depois do trabalho” ou “sem álcool” ajudam o consumidor a decidir se aquela cerveja serve para aquele momento — informação especialmente relevante para uma geração que bebe de forma mais moderada.
  3. Pensar primeiro na tela, depois na prateleira. “Hoje muitas vezes a primeira vez que alguém vê uma cerveja não é no supermercado, é no Instagram”, diz Bento. O rótulo precisa ser reconhecível numa fotografia pequena — antes de precisar funcionar na gôndola.

O conceito vem antes de tudo

No fim, os dois profissionais concordam em um ponto central: o rótulo de cerveja artesanal deixou de ser só embalagem. Virou o resumo visual de uma decisão de marca tomada muito antes de qualquer arte ser desenhada.

Para conquistar a Geração Z, os dois entrevistados apontam na mesma direção: menos maquiagem estética, mais conceito por trás. “Quem estiver lá, atendendo, olhando para eles, sentindo as dores deles, representando eles — seja em rótulo, em imagem, em ação —, cara, vai pegar eles”, resume Nani. “A cerveja nunca vai diminuir. Ela vai mudar de forma, mas vai estar sempre lá.”

5 cervejarias da Amazônia que você precisa conhecer

Em 5 de setembro de 1850, D. Pedro II assinava a lei que criava a província do Amazonas — um decreto de gabinete, tinta e papel, para dar nome oficial a um território que já fervilhava de vida havia milênios. Cerca de 160 anos depois, em 2007, essa data virou o Dia da Amazônia (Lei nº 11.621), justamente para lembrar que o maior patrimônio natural do planeta continua precisando ser defendido todo santo dia, não só no papel.

Por lá — já há provas de sobra — os povos originários fermentavam frutas e vegetais há muitos séculos. Mas a cerveja, nos padrões europeus como conhecemos hoje, chegou em navios vindos da Europa e do Sul do país. Hoje, felizmente, já existem cervejarias da Amazônia na região. Porém, são muito poucas se comparadas às demais regiões do país.

Nesse Dia da Amazônia, que tal conhecer cinco delas para experimentar em algum momento? Quem sabe, numa próxima viagem ou no supermercado.

Cervejarias da Amazônia em números

Segundo o Anuário da Cerveja 2026, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a região Norte responde por apenas 44 das 1.954 cervejarias registradas no Brasil em 2025 — 2,3% do total. Em volume, a conta é ainda mais modesta: dos mais de 15,6 bilhões de litros de cerveja declarados no país naquele ano, o Norte produziu pouco mais de 215,6 milhões de litros, apenas 1,4% do total nacional — a única região que não chega à casa do bilhão de litros.

E tem um recorde a mais, esse pelo lado invertido: o Amazonas é, isoladamente, o estado com a menor densidade cervejeira do Brasil, com uma cervejaria para mais de 1 milhão de habitantes, contra uma média nacional de uma cervejaria para cada 108 mil habitantes, aproximadamente. No emprego direto do setor, a região soma 1.502 postos de trabalho (3,63% do país), sendo 883 só no Pará e 531 no Amazonas — os dois estados que concentram boa parte das cervejarias da Amazônia que você vai conhecer agora. 

E, olhando estado por estado, o contraste chama a atenção: o Pará, onde ficam quatro das cinco cervejarias da Amazônia desta lista, soma 22 cervejarias registradas no estado; o Amazonas, que compartilha o nome com a própria floresta e é a casa da Rio Negro, tem só quatro.

Ou seja: fazer cerveja na Amazônia nunca foi (e ainda não é) o caminho mais óbvio do mapa cervejeiro brasileiro. Envolve trazer malte e lúpulo de milhares de quilômetros de distância, distribuir por rio e rodovia em uma logística que poucos estados enfrentam, e competir com grandes marcas nacionais. Por isso mesmo, cada um dos rótulos abaixo carrega um pouco de teimosia — e de identidade regional — a mais. Vamos a eles.

Amazon Beer: a pioneira

Entre as cervejarias da Amazônia, a Amazon Beer é pioneira, tendo sido fundada em 2000 (Crédito: Divulgação)
Entre as cervejarias da Amazônia, a Amazon Beer é pioneira, tendo sido fundada em 2000 (Crédito: Divulgação)

A Amazon Beer nasceu em maio de 2000, em Belém (PA), dentro do complexo turístico Estação das Docas, pelas mãos do empresário Arlindo Guimarães. Não é força de expressão dizer que ela é uma relíquia: foi uma das primeiras cervejarias artesanais do Brasil e, à época, a única em toda a região Norte.

O diferencial, que até hoje é a cara da marca, foi apostar onde poucos tinham ousado: usar frutas, raízes e especiarias amazônicas nas receitas, num momento em que muitas das poucas microcervejarias brasileiras ainda imitavam a estética e o sabor da tradição alemã. Açaí, taperebá, bacuri, a raiz de priprioca e a semente de cumaru viraram matéria-prima ao lado do malte — um trabalho de bastidores do próprio Guimarães em parceria com o mestre cervejeiro Reynaldo Fogagnolli. A identidade visual, com um macaco estendendo a mão para uma fruta, foi assinada pelo renomado designer americano Randy Mosher.

Os rótulos batizados de Amazon Forest (Pilsen) e Amazon River (Lager) abriram o catálogo, que se ramificou em receitas mais autorais. É o caso da Açaí Stout — eleita a Melhor Cerveja do Brasil no Festival Brasileiro da Cerveja de 2014 — e da Bacuri, medalha de ouro na mesma competição em 2013. A cervejaria também já foi eleita a melhor do país pela revista “Prazeres da Mesa”, em 2012, e chegou a colaborar com nomes internacionais como Pete Slosberg, Fal Allen e Sean Paxton na Saison Puxuri.

Mais de duas décadas depois, a Amazon Beer segue operando no mesmo endereço na Estação das Docas, num modelo de brewpub que virou parada obrigatória para quem visita Belém — e segue sendo citada como a cervejaria da Amazônia que abriu caminho para toda uma escola brasileira de cerveja com ingrediente nacional.

Cerpa: o símbolo

Exemplo na indústria cervejeira, Cervejaria Cerpa tem caldeiras de biomassa que trabalham com caroços de açaí (Crédito: Reprodução / Site Cerpa)
Exemplo na indústria cervejeira, Cervejaria Cerpa tem caldeiras de biomassa que trabalham com caroços de açaí (Crédito: Reprodução / Site Cerpa)

Se a Amazon Beer é a pioneira do artesanal, a Cerpa é a matriarca industrial das cervejarias da Amazônia. Fundada em 1966 pelo imigrante alemão Konrad Karl Seibel, que viu nas águas da Baía do Guajará, em Belém, condições ideais para fabricar cerveja nos trópicos, a marca virou rapidamente a “cerveja oficial do Pará” — chegando a 65% de participação de mercado no estado em 2003, num tempo em que era praticamente a única indústria cervejeira local.

Hoje, sob o comando de Jorge Kowalski, CEO desde 2024, a Cerpa vive o que o próprio executivo chama de “ponto de inflexão”: fatura R$ 300 milhões por ano, mantém fábrica própria em Belém com capacidade para 1 milhão de hectolitros anuais — modernizada em 2015 — e ainda concentra 70% do seu volume na região Norte.

O portfólio, com mais de 22 rótulos, vai da linha premium Cerpa Export à tradicional Tijuca, queridinha das garrafas retornáveis, passando pela Kroland, de inspiração alemã, até marcas de entrada como Draf e Nevada. Entre os movimentos recentes estão o acordo de distribuição nacional com o Sistema Coca-Cola para tentar dobrar a receita até 2030 e um produto fora da cerveja — a água em lata Mapura, lançada durante a COP30 com narrativa amazônica —, além de uma parceria mais antiga, de 2020, com a Cervejaria Cidade Imperial para produção sob contrato na planta de Belém.

Aos 60 anos, a Cerpa segue sendo, de longe, a maior estrutura industrial cervejeira nascida — e sediada — na Amazônia.

Caribeña: capital amazônico

Cerveja na COP30: embalagem da Caribeña ilustrada por selo da COP30. (Imagem: Reprodução/Instagram)
Cerveja na COP30: embalagem da Caribeña ilustrada por selo da COP30. (Imagem: Reprodução/Instagram)

A Caribeña é fabricada pela INBEPA (Indústria de Bebidas Paraense), fundada em maio de 2020 no Distrito Industrial de Icoaraci, em Belém, com capital inteiramente regional — um detalhe que a própria empresa faz questão de destacar como diferencial num setor historicamente dependente de investimento de fora da região. O primeiro rótulo, batizado justamente de Caribeña, só chegou ao mercado em 2023, uma cerveja puro malte tipo Munich apresentada oficialmente durante o concurso Rainha das Rainhas daquele ano, em Belém. Em pouco tempo de estrada, a Caribeña já roda pelo Pará, Roraima, Amapá e Maranhão, com produção declarada de 16 mil hectolitros em 2023.

Em 2024, veio o segundo rótulo, a Sibéria, e o ingresso no Sindicerv (Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja) — tornando-se, segundo a própria entidade, a primeira indústria cervejeira do Norte e do Nordeste brasileiros a integrar o grupo, ao lado de nomes como Ambev e Heineken. O plano de expansão da empresa mira, inclusive, mercados fora do Brasil: Colômbia, Peru e Venezuela aparecem no radar, aproveitando a proximidade geográfica da região amazônica com o Caribe e os países vizinhos da América do Sul.

Rio Negro: artesanal de Manaus

A Cervejaria Rio Negro nasceu da parceria entre o empreendedor Adelino da Silva e o mestre cervejeiro José Pereira Lima, que idealizaram o projeto em 2011 em Manaus (AM). A estrutura fabril só ficou pronta em setembro de 2015, a produção começou em abril de 2016 e a primeira venda — feita no próprio bar da fábrica, o Shopping do Chope — aconteceu em 3 de setembro daquele ano, data que a cervejaria adotou como aniversário oficial (e que, coincidentemente, cai bem na semana do Dia da Amazônia).

A imprensa local já a aponta como a maior artesanal entre as cervejarias da Amazônia na região de Manaus. Seus rótulos — batizados de Boiúna (Stout), Patrice (Belgian Blond Ale), Yaci (Pale Ale), Yahu (Pilsen), Muyrá (Pilsen Premium), Cherokee (American Wheat com manga), S’á (trigo claro), Toho (trigo escuro) e Tembetá (Amber Lager) — homenageiam, em sua maioria, personagens e lendas da mitologia indígena amazônica, com rótulos de cores vibrantes que são quase um cartão de visitas da cultura regional.

Em 2022, a cervejaria contava com 19 funcionários, produção mensal entre 60 mil e 100 mil litros e presença em cerca de 80 pontos de venda em Manaus — número que já havia chegado a 130 antes da pandemia. Além de produzir os próprios rótulos, a Rio Negro também abre a fábrica para “cervejarias ciganas” locais, funcionando como uma espécie de incubadora para novos cervejeiros amazonenses.

Cabôca: o resgate

Fechando a lista das cervejarias da Amazônia, a Cabôca é talvez a mais recente aposta local em unir cerveja, turismo e identidade cultural num só endereço. Instalada num casarão histórico restaurado no Boulevard Castilhos França, em frente à Estação das Docas — mesmo ponto turístico onde nasceu a Amazon Beer —, a cervejaria é fruto de um projeto que levou cerca de sete anos para sair do papel. Foi iniciado por volta de 2016 pelo empresário e sommelier de cerveja Ricardo Augusto Lobo Gluck Paul, cervejeiro caseiro desde 2013, ao lado dos sócios Deivison Costa, Luis Eduardo Onishi, Paulo André e Paulo Vítor Silva de Freitas.

O projeto recebeu financiamento de R$ 5,2 milhões do Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO), via Banco da Amazônia, e teve a reforma do casarão assinada pelo renomado arquiteto paraense Paulo Chaves — o mesmo responsável pela própria Estação das Docas, e que viu a Cabôca ser inaugurada, em setembro de 2020, como um de seus últimos trabalhos concluídos.

Mais do que o endereço bonito, o nome da cervejaria carrega uma declaração de intenções: “Cabôca” vem de “cabocla”, termo usado para quem vive ou vem do interior amazônico e que, segundo os próprios sócios, carregou por décadas um tom pejorativo — sobretudo depois que Belém se viu como a “Paris dos trópicos” na época áurea da borracha. 

A proposta da marca é resgatar essa identidade como algo de que se orgulhar. Na receita, a casa segue a cartilha clássica alemã — malte, lúpulo, levedura e água —, com um cardápio de rótulos que começou com oito opções e já rendeu colaborações como a Guajará Cyclon, uma IPA feita ao lado da paulistana Dogma. Em 2021, a fábrica operava com capacidade para 80 mil litros mensais.

Inspirada nos Radlers, Sierra Nevada lança “cerveja-refrigerante” puro malte nos EUA

Pode-se dizer que o Radler é um drink feito com cerveja. Uma mistura meio a meio, em geral, de cerveja (o estilo varia) e suco de laranja ou limão. É muito refrescante e o teor alcoólico cai pela metade. Mas nesse caso há uma diluição do sabor da cerveja. Para resolver esse problema — e pegar carona na tendência de moderação no consumo de álcool — a Sierra Nevada lançou na segunda quinzena de agosto nos Estados Unidos três novos sabores da Shred, uma “beer soda”, segundo a própria cervejaria, sediada em Chico, na Califórnia. Ou, em bom português, uma “cerveja-refrigerante”.

Com sabor de toranja (grapefruit), a primeira Shred foi lançada em junho deste ano exclusivamente nas lojas da Sierra Nevada em Chico, na Califórnia, e Mills River, na Carolina do Norte. A marca agora expande a linha e a distribuição, com os sabores limão-siciliano, laranja e limão com gengibre, além de uma caixa de 12 latas variadas.

O produto ainda não é comercializado no Brasil.

Cerveja ou refrigerante?

Mas não se engane pelo nome da “categoria” do produto. É realmente uma cerveja, que tem 4,5% de álcool e é feita apenas com as quatro matérias-primas básicas: malte, lúpulo, água e levedura. Não leva refrigerante na receita. Ou seja, aqui no Brasil, seria até considerada uma cerveja puro malte.

A diferença é que se trata de uma cerveja altamente carbonatada (com muito gás carbônico) e de um sabor cítrico adocicado, fazendo com que pareça um refrigerante. Segundo a própria Sierra Nevada, essa experiência semelhante ao produto não alcoólico é que acaba trazendo o nome de “cerveja-refrigerante” à tona.

“Não, nada de refrigerante. O nome vem da experiência de degustação semelhante à de um refrigerante, bem diferente da cerveja tradicional. Como a maioria das cervejas, a Shred contém apenas água, malte, lúpulo e levedura, além de um toque cítrico”, explica o blog oficial da cervejaria.

Como é feita a “cerveja-refrigerante” da Sierra Nevada

Mas como é possível fazer um produto assim sem diluir com um suco, como no caso do Radler, e com pleno sabor da cerveja? Uma resposta fácil seria: com saborizantes, como extratos e essências. Mas a tecnologia da Shred vai um pouco além disso. Ela usa um tipo de levedura especial.

“Graças a alguns testes minuciosos realizados pela nossa equipe de Inovação na cervejaria, descobrimos que, quando essa levedura é combinada com o açúcar certo, podemos criar uma cerveja com carbonatação semelhante à de refrigerante e um sabor mais vibrante e adocicado do que as cervejas tradicionais. Adicione um toque cítrico e pronto — você tem a Shred”, descreve o blog oficial.

Acompanhando as tendências

A Sierra Nevada é uma das cervejarias norte-americanas que estão apostando em linhas de produtos diferentes da cerveja convencional. Algumas delas escolheram bebidas prontas para beber (RTDs, na sigla em inglês), outras optaram por cervejas fora do convencional, como a Shred. No caso da empresa californiana, esses produtos são marcados com a etiqueta “Crafted By Sierra Nevada”. E  refletem a resposta da empresa aos novos caminhos do mercado.

Tanto os Estados Unidos quanto o Brasil vivem uma tendência de moderação ou de, pelo menos, um maior controle sobre o consumo de álcool. Um dos reflexos disso na indústria é a explosão de cervejas sem álcool, além do consumo do tipo “listra de zebra”, alternando cervejas alcoólicas e não alcoólicas.

No exterior, bebidas de baixo teor alcoólico têm crescido. E essa categoria já começa a dar sinais aqui no Brasil também. Apesar de não se encaixar nos termos da legislação brasileira como uma cerveja de baixo teor alcoólico (entre 0,5% e 2%), o lançamento da nova Heineken Ultimate pode ser considerado um passo em direção a isso. Com 3,5%, o produto tem 30% menos álcool que a versão regular da Heineken (5%), além de 30% menos calorias.

Os drinks de cerveja com sucos ou refrigerantes não são muito comuns no Brasil, mas Radlers, Shandys e outras misturas também têm crescido na Europa, segundo o site The Drinks Business. “Radler” em alemão significa ciclista. A origem do nome se dá porque teria sido servido inicialmente nos bares próximos às trilhas dos Alpes da região de Munique, no Sul da Alemanha, um passeio tradicionalmente feito de bicicleta pelos alemães. Há histórias que dizem que, num dia quente, teria faltado cerveja em um desses estabelecimentos, que misturou suco de laranja na bebida para fazer render o estoque.

Independentemente do tipo de tradição ou tendência vinculada, o exemplo da Sierra Nevada abre novas possibilidades para a indústria cervejeira se inspirar e, quem sabe, lançar produtos parecidos. Essas novas possibilidades podem atender os mesmos clientes em novas situações de consumo ou trazer um público diferente para o setor.