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Setor cervejeiro aposta na Copa do Mundo 2026 para elevar as vendas

Basta ligar a televisão, sair pelas ruas ou entrar em algum comércio aqui no Brasil para entender: a Copa do Mundo 2026 começou. O brasileiro pode ter demorado para entrar no clima e, sem dúvida, há quem desconfie do desempenho da Seleção Brasileira de futebol. Mas é inegável que os empresários e executivos estão apostando alto que o Mundial vai movimentar a economia. E não é diferente no meio cervejeiro. Desde grandes empresas e marcas até microcervejarias e bares, todos estão esperançosos de fazer bons negócios nesse período.

Porém, não é apenas uma questão de torcer para dar certo. Há sinais claros de que o desempenho da indústria cervejeira pode ser muito bom aqui no Brasil e no mundo. Segundo estimativas da consultoria financeira Jefferies publicadas pelo jornal britânico Financial Times, a Copa do Mundo 2026 pode gerar o consumo adicional de cerca de 1 bilhão de pints de cerveja (cerca de 568 ml) em todo o planeta. O volume é equivalente a um aumento de aproximadamente 3% no consumo durante os 39 dias do Mundial.

Aqui no Brasil, 58% dos torcedores pretendem aumentar o consumo de cerveja durante os jogos, segundo relatório do banco Citi, elaborado com a participação de 1,8 mil pessoas de sete países. O percentual é superior ao registrado no México (43%), nos Estados Unidos (33%) e no Canadá (25%). 

Grandes cervejarias

As grandes cervejerias, como Ambev e Heineken, estão investindo alto na Copa do Mundo 2026, já que o evento pode render um dos melhores trimestres para as empresas em anos.

A patrocinadora oficial do evento é a AB Inbev, controladora da megacervejaria brasileira, que mantém esse acordo há 40 anos. Apesar do valor exato do contrato não ter sido revelado, analistas do mercado financeiro apontam uma cifra superior a 110 milhões de dólares.

Em 2026, a marca principal do evento será a Michelob Ultra — opção de baixa quantidade de carboidratos e calorias. Mas diversos outros produtos do portfólio, especialmente do segmento premium. Ainda em abril, a Budweiser, por exemplo, lançou uma edição limitada de garrafas de alumínio da Copa. Já a Flying Fish lançou uma campanha que foca no resgate do tradicional gol de peixinho nos gramados mundiais, jogada que não acontece no torneio desde o mundial de 2014. A Brahma, por sua vez, prometeu até cerveja de graça se a Seleção Brasileira vencer a competição como parte da campanha “Tá liberado acreditar”.

Mas a Heineken não fica para trás, ampliando também o investimento. Segundo o Citi, a marca foi a mais lembrada na pesquisa, que contou com 300 entrevistados brasileiros, com 39% da preferência. A mais recente aposta do grupo é a Heineken Ultimate, cerveja sem glúten, de teor alcoólico e calorias reduzidas lançada em maio. 

O tema também foi forte presença no Festival Apas Show 2026, maior evento de alimentos e bebidas das Américas e a maior feira supermercadista do mundo que aconteceu em maio em São Paulo. Além da Ambev, o Grupo Petrópolis apostou no mundial com a “Embaixada Itaipava”, um ambiente totalmente dedicado ao futebol, e contratou o ex-jogador Ronaldinho Gaúcho como embaixador.

Microcervejarias na Copa do Mundo 2026

Que a Copa do Mundo 2026 seria uma grande aposta também das pequenas cervejarias, a gente já sabia. O tema apareceu na pesquisa do Guia da Cerveja realizada no final do ano passado, realizada com 21 executivos de cervejarias artesanais brasileiras

Para Gilberto Tarantino, presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), essa é uma oportunidade para as cervejarias fazerem lançamentos e eventos para atraírem clientes.

“Copa do Mundo e cerveja são motivo de muita celebração e o brasileiro ama isto. As cervejarias artesanais que têm bar da fábrica ou os brew pubs vão aproveitar os 45 dias de Copa para atrair clientes num ambiente com telão, gastronomia e muita cerveja fresca e aromática. Nos outros anos anteriores muitos lançamentos de rótulos especiais aconteceram durante a Copa do Mundo e este ano tem muita festa pela frente”, afirma.

A cervejaria cigana RuERA, de Campinas (SP), por exemplo, lançou uma coleção de oito cervejas em homenagem aos países campeões mundiais de futebol. Os rótulos ganharam nomes de atletas históricos, como a versão brasileira Cafu, uma American Lager com mandioca e 4,8% de teor alcoólico, e a argentina Lionel, uma American IPA com erva-mate. Todos os chopes engatam nas torneiras do bar de Barão Geraldo no dia do lançamento, e a previsão é que as latas cheguem ao mercado ainda esta semana.

Já a Cervejaria Quatro Poderes, de Brasília (DF), lançou a coleção Torcida Poderosa, inspirada em países que participarão do maior torneio de futebol do planeta. São oito cervejas premiadas da marca em latas comemorativas exclusivas. Cada rótulo traz um personagem temático que homenageia as tradições cervejeiras e a identidade cultural das nações participantes e já está disponível em bares parceiros, em eventos ou pela loja virtual e delivery no site oficial.

Hospitalidade e food service

Um levantamento da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) aponta que 52% dos estabelecimentos pretendem transmitir os jogos. Entre eles, a expectativa é positiva: 80% acreditam que haverá aumento no faturamento em comparação aos dias sem jogos. A maior parte desse grupo (59%) projeta crescimento de até 20% nas receitas durante o período da competição.

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Até mais do que rótulos especiais ou latas personalizadas, a aposta de muitas cervejarias pequenas está em seus próprios pontos de venda, que comercializam cervejas e outros produtos diretamente ao consumidor, misturando hospitalidade e food service, criando experiências. É o caso de cervejarias que têm seus próprios bares, seja no modelo de brewpubs ou taprooms.

A Cervejaria Stannis, de Jaraguá do Sul (SC), por exemplo, prepara uma programação especial para a estreia da Seleção Brasileira com a banda Teoria do Caos, happy hour com metade do preço no chope das 16h às 19h e transmissão da partida . No sábado (13), das 16h às 22h, a fábrica exibe o jogo em um telão de 10 por 3,5 metros, o maior da cidade.

As duas unidades da Cervejaria Central, localizadas na Vila Buarque e na Barra Funda, em São Paulo (SP), também exibem os jogos da seleção em telões. Para o torneio, a marca lança uma versão em lata da cerveja Pilsen Mesmo Copa 2026, ilustrada pela artista Leticia Lasak. A programação musical para os dias de partidas inclui grupos como Roberta Valente Convida Paula Sanches, Samba da Esquina Grajaú e Pagode na Lata. Os eventos e o cardápio temático, que terá feijoada e petiscos, valem para as partidas deste sábado (13), sexta-feira (19) e quarta-feira (24).

Locais icônicos, como o Bar Brahma, no Centro de São Paulo (SP), terão programação musical especial além das exibições dos jogos. Os palcos da casa recebem apresentações diárias de samba, pagode, bossa nova e forró, com shows de artistas residentes e a participação especial de baterias de escolas de samba paulistas. A agenda do mês inclui projetos das noites de terça-feira com o cantor Levi de Paula e feijoadas com rodas de samba aos sábados. Confira a programação no site do Bar Brahma.

Os empresários estão fazendo o seu papel. Agora só resta saber se a Seleção Brasileira vai corresponder a toda essa expectativa. A “febre” de Copa de grande parte dos consumidores está vinculada ao desempenho do time, o que gera um fator de incerteza. Até mesmo a duração dessa onda depende de até que fase o time canarinho vai conseguir chegar. Só o que resta, nesse aspecto, é torcer por uma boa e longa participação no Mundial.

O que Bob Pease ensinou no CBCTEC da Brasil Brau?

Poucas pessoas conhecem o mercado cervejeiro americano tão bem quanto Bob Pease. Ex-presidente e CEO da Brewers Association, onde atuou por 32 anos até se aposentar em 2025, foi ele quem liderou a campanha de 12 anos que resultou na aprovação do Craft Beverage Modernization and Tax Reform Act, cortando em 50% o imposto federal sobre a cerveja artesanal nos Estados Unidos. 

Duas vezes eleito Pessoa do Ano da indústria pelo veículo especializado norte-americano BrewBound e com presença constante na lista dos principais lobistas de Washington, Bob Pease subiu ao palco da 19ª edição do Congresso Brasileiro de Ciência e Tecnologia Cervejeira (CBCTEC) na Brasil Brau 2026 sem vender otimismo barato. Trouxe números duros e recados diretos que merecem atenção do cervejeiro brasileiro, até porque as tendências americanas costumam chegar por aqui com alguns anos de atraso.

Bem-estar e falta de fidelidade à bebidas

O primeiro recado é de contexto. A Pandemia de Covid-19 abriu o olho do consumidor para saúde e bem-estar, e esse movimento se somou a uma atuação coordenada de forças neoproibicionistas que trabalham para demonizar o álcool. O resultado é que a ocasião de consumo da cerveja, antes praticamente cativa, passou a ser disputada com outras bebidas e até com a abstinência.

Bob Pease também descreveu a nova geração de consumidores como “omnibibulous”: todo mundo bebe de tudo. No passado, cada pessoa tinha a sua bebida de preferência e raramente saía dela. Hoje o mesmo consumidor transita entre cerveja, vinho, destilados e drinks sem álcool.

E há um dado que deveria incomodar o setor: o principal motivo apontado para não consumir cerveja artesanal é simplesmente não gostar do sabor. Somem-se a isso a polarização do mercado, dividido entre rótulos de baixo teor alcoólico e latas únicas de alta graduação, e o retrato fica completo.

O que fazer, segundo Bob Pease?

Diante desse cenário, qual a saída? Para Pease, o ponto de partida é inegociável: “world class beer gets you in the game”. Ou seja, a cerveja de nível mundial não é diferencial competitivo. É o ingresso para entrar no jogo. Quem não tem qualidade nem chega a disputar. Quem tem, apenas começou.

A partir daí, o jogo se decide em outro campo. “It’s the experience, stupid”. O cliente precisa de uma razão concreta para voltar: ser recebido com cordialidade, encontrar copos limpos, ter um atendimento impecável. “World class service” deixou de ser luxo e passou a ser condição de sobrevivência.

Na visão de Pease, a cervejaria precisa entender que está no negócio da hospitalidade. O consumidor tem que sair do taproom sentindo que o dinheiro foi bem gasto. Quando isso não acontece, ele não volta e ainda compartilha a má experiência com outros.

Há ainda um alerta econômico relevante: cerca de 40% da capacidade produtiva instalada nos Estados Unidos está ociosa. Capacidade parada é prenúncio de mais fechamentos. A resposta passa por foco no consumidor, resiliência e pela busca constante de formas de fazer a marca se destacar.

A cerveja não vai a lugar nenhum!

Apesar do diagnóstico duro, a conclusão de Pease é de confiança no produto: “beer is not going anywhere”. A cerveja vai continuar aqui.

A pergunta que fica para o cervejeiro brasileiro é se a sua operação está preparada para um jogo que agora exige, ao mesmo tempo, qualidade de nível mundial, experiência memorável e hospitalidade genuína.


André Lopes é advogado, sócio do escritório Lopes Verdi Advogados e criador do Advogado Cervejeiro.


* Este é um texto de opinião. As ideias e informações nele contidas são de responsabilidade do colunista ou articulista e não refletem necessariamente o ponto de vista do Guia da Cerveja.

5 novidades apresentadas na Brasil Brau 2026

A Brasil Brau 2026, maior evento profissional da indústria cervejeira da América Latina, começou nesta terça-feira (9) no São Paulo Expo, em São Paulo (SP). Além de todo o conteúdo do Congresso Brasileiro de Ciência e Tecnologia Cervejeira (CBCTEC) e dos espaços CBCTrends e CBCTalk, muito networking e negócios, a feira é conhecida por apresentar novidades do setor cervejeiro no Brasil. A reportagem do Guia da Cerveja esteve presente e pode ver algumas das tecnologias que devem chegar ao mercado nos próximos meses.

Confira cinco novidades da Brasil Brau 2026:

Inovações para bebidas da Globalfood

Em termos de produto, algumas latinhas chamaram a atenção no estande da Globalfood, empresa brasileira de tecnologia e ingredientes para a indústria alimentícia. Junto com seus parceiros internacionais, a marca desenvolveu duas águas lupuladas com vitaminas B1, B3 e B5, sendo uma delas saborizada com abacaxi, chamada de soda, e uma com lúpulos.

Porém, as que chamaram mais atenção do público foram uma cerveja zero álcool com colágeno e fibras, além de vitaminas B5, B7 e B9, e um suplemento alimentar líquido com melatonina e magnésio — uma espécie de energético ao contrário, para relaxar. A cerveja ainda contém suporte GLP-1 que, segundo as informações repassadas, auxilia na saciedade e no metabolismo. Já o suplemento tem vitaminas C, D e B.

Os produtos não necessariamente são comerciais, mas ilustram as pré-misturas de vitaminas e minerais, as soluções de aromatização e os ingredientes especiais comercializados pela Globalfood.

Tecnologia de chopeiras da Memo

Um grande desafio para quem lida com chope são os altos volumes em tempos reduzidos. Quando é preciso servir vários copos seguidos, muitas chopeiras não dão conta do recado e a bebida começa a sair quente e espumar, aumentando o desperdício. A novidade da Memo, maior empresa de chopeiras das Américas, tem a ver com isso. Ela lança na Brasil Brau 2026 o modelo HUG 60 litros/hora. 

A nova chopeira faz parte da linha HUGs, que teve início em 2022 com chopeiras de maior capacidade e grande eficiência energética. O segredo está numa tecnologia própria desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de Uberlândia. Enquanto chopeiras elétricas de expansão direta utilizam um líquido refrigerante que gela a serpentina do chope, as HUGs contam com uma massa térmica que envolve esses canos com grande capacidade de reter o frio. Ou seja, ela opera como uma chopeira de banco de gelo — tecnologia já existente no mercado para grandes volumes —, mas sem gelo e com grande capacidade. Quanto à energia, ela tem consumo cerca de 50% menor.

A tecnologia também faz parte de um sistema de automação de chope da Beerpass. Especializada na área, a empresa promete operação autônoma de autosserviço sem necessidade de grandes estruturas, como câmara fria. 

Enzimas para produção de cerveja sem álcool da Prozyn

A grande novidade da Prozyn, empresa de biosoluções, é o Attenumax Zero, sistema enzimático para produção de cervejas que exigem alta atenuação, como low ou zero carb. As enzimas dele degradam os carboidratos, garantindo maior conversão em açúcares fermentescíveis que serão transformados em álcool no processo de fabricação da bebida.

Há também novidades na área das cervejas sem álcool, com produtos enzimáticos que ajudam no perfil sensorial desse tipo de bebida. Essas tecnologias degradam compostos que deixam aroma e sabor de mosto (cerveja não fermentada) no produto acabado. No estande, são apresentadas diferentes cervejas produzidas dessa forma, como Sours e Session IPA, com alta qualidade sensorial.

Novos maltes da Agrária Malte na Brasil Brau 2026

Além do Malte Melanoidina de fabricação própria lançado durante a 17ª edição do Congresso Técnico Internacional, a Agrária Malte aproveitou a Brasil Brau 2026 para lançar um malte de trigo nacional feito a partir de um cultivar desenvolvido especificamente para a malteação.

A nova variedade foi desenvolvida pela FAPA (Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária) e pela Biotrigo Genética e chama-se Biotrigo Weiss. Foi apresentado pela primeira vez na 16ª Reunião da Comissão Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale (16ª RCBPTT) em julho de 2023. Ela tem mudanças importantes em relação ao trigo convencional, como uma diminuição na quantidade de proteínas, o que facilita o processo de fabricação do malte e da cerveja, além de aumentar o rendimento.

Enquanto o Malte Melanoidina é um insumo aromático que traz notas de casca de pão, caramelo e amêndoas torradas, além de uma coloração avermelhada intensa, o novo malte de trigo foi feito em versão clara, trazendo as notas tradicionais de miolo de pão e trigo. Ambos são maltes produzidos em estufa, mas a Agrária tem planos para o desenvolvimento de mais maltes especiais em breve.

Aromas de lúpulos via fermentação da Yops

A startup EvodiaBio levou para a Brasil Brau a marca Yops. Trata-se de uma linha de aromas naturais que aproveita a fermentação com leveduras para produzir compostos aromáticos. O material pode, inclusive, trazer para cervejas aromas classicamente associados ao lúpulo por meio da dosagem dos blends já no produto acabado.

O Hoppy-H3, por exemplo, traz notas de lúpulo fresco, tangerina e manga enquanto Citrus-C1 traz notas cítricas e de manga. No entanto, a novidade não se limita aos lúpulos. O Y-Banana traz ésteres da fermentação com notas fenólicas normalmente encontrados em Weizenbiers, cervejas de trigo de tradição alemã.

Extra: Ampliação para Brasil Brau & Beverage em 2028

Tatiana Zaccaro, diretora de negócios da GL events (Crédito: Divulgação / DP Conteúdo
Tatiana Zaccaro, diretora de negócios da GL events (Crédito: Divulgação / DP Conteúdo

Não é uma tecnologia, mas sem dúvida é uma novidade. Em 2028, a Brasil Brau passará a se chamar Brasil Brau & Beverage. A mudança se dá por conta da ampliação de escopo de atuação da feira, que passará a incluir outras bebidas, alcoólicas e não alcoólicas, já na próxima edição.

Durante a abertura do CBCTEC e da Brasil Brau, Tatiana Zaccaro, diretora de negócios da GL events, fez o anúncio. “A evolução da Brasil Brau reflete um movimento natural do próprio mercado, marcado pela convergência tecnológica, geracional e comercial entre diferentes segmentos do setor de bebidas”, explica Zaccaro.

Por que visitar a Brasil Brau? Profissionais do setor explicam a importância da feira

Começa nesta terça (9) e vai até quinta-feira (11) a aguardada edição 2026 da Brasil Brau, o maior e mais importante evento profissional da indústria cervejeira na América Latina. Em um momento em que o mercado brasileiro atinge um novo estágio de maturidade e exige cada vez mais inovação, eficiência e controle de custos, a feira se consolida como o verdadeiro epicentro para o desenvolvimento do setor. 

Seja para buscar aprimoramento técnico, gerar negócios ou ler as novas tendências de um mercado altamente competitivo, a feira é um compromisso indispensável. Para entender os motivos que tornam a visita à Brasil Brau obrigatória, o Guia da Cerveja conversou com renomados especialistas e profissionais do mercado, que detalharam por que este evento é de suma importância para quem vive a cerveja.

Atualização em ciência, tecnologia e tendências de mercado

A velocidade da inovação no universo cervejeiro exige que os profissionais estejam sempre um passo à frente. Para se manter relevante, o contato com novas tecnologias e ingredientes é fundamental. A Brasil Brau se destaca por concentrar essas novidades em um só lugar a cada dois anos.

Rafael Leal, sócio-proprietário e cervejeiro na Caatinga Rocks (Murici – AL), destaca que a feira é insubstituível nesse aspecto formativo: “A Brasil Brau é, atualmente, o evento mais importante para o setor quando se fala em ciência e tecnologia cervejeira. Estar presente nele possibilita ver de perto as tendências do mercado e trocar experiência com grandes nomes da atualidade”.

A necessidade de vivenciar essas inovações é reforçada por Bia Amorim, sommelière de cervejas e pesquisadora, que ressalta o valor das interações no mercado atual. “É importante nos situarmos em um mercado competitivo e que está sempre em movimento. Na Brasil Brau, as empresas trazem suas novidades e muitas vezes é possível ver de perto os produtos e equipamentos, além de conversar sobre questões técnicas com diversos profissionais especializados”.

Bia ainda destaca o clima único de imersão que o evento e o congresso técnico proporcionam. “Os debates estão nos corredores, nos Beer Breaks, nos encontros casuais, em ver pessoas de outras nacionalidades, descobrir como é plural o mercado cervejeiro e além. Muito acontece ali, é imperdível”.

Maurício Gorayeb, cervejeiro da Cervejaria Catheral, de Maringá (PR), também enfatiza a importância da atualização no setor. “Toda cervejaria que quer se manter no mercado de forma competitiva deve estar atualizada, e a Brasil Brau é uma oportunidade de alcançar essa atualização de forma direta. A Brasil Brau permite a exposição e contato direto com quem fornece as novidades e os serviços que podem facilitar a cervejaria se manter atualizada no novo mercado e dentro do novo perfil de consumo”

Networking qualificado e presença internacional na Brasil Brau

Para além do maquinário, o setor é feito de pessoas. A oportunidade de trocar conhecimentos com referências globais da indústria é um atrativo valorizado pelos veteranos.

Gilberto Tarantino, presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) e sócio da Cervejaria Tarantino (São Paulo – SP), destaca o peso da presença internacional: “Eu acho que todo mundo que está antenado e que quer saber o que acontece no Brasil e no mundo tem que ir à principal feira de cerveja da América Latina. Muitos gringos que eu trouxe aqui já em edições anteriores ficaram surpresos com o tamanho e a potência do evento”. 

Ele ressalta que momentos do congresso, como o Beer Break, são fundamentais para “poder trocar uma ideia com esses palestrantes internacionais, que são figuras que dificilmente você vai encontrar de outra forma”. Para ele, a presença é essencial: “Acho que quem quiser se atualizar nas várias pautas e nos vários estandes tem que ir na Brasil Brau, porque ali, durante três dias, São Paulo vai ser o centro cervejeiro da América Latina”.

A feira também é vital para estreitar laços locais, como lembra Wagner Falci, cofundador e cervejeiro do Daoravida Brewpub (Campinas – SP). “A Brasil Brau é importante para estar em contato com um amplo espectro do mercado cervejeiro. Desde visitar os principais fornecedores nacionais e internacionais até encontrar com colegas do mercado, algo raro diante da rotina corrida de cada operação. É uma chance de atualização de tendências de mercado, conhecer novas tecnologias e construir networking”.

O sommelier e influenciador Edson Carvalho, o Viajante Cervejeiro, também vê na Brasil Brau uma grande oportunidade para encontrar pessoas. Segundo ele, “a feira é um espaço excelente para estreitar relacionamentos, fortalecer o networking e fechar parcerias. Essa troca de ideias com o setor é o que nos ajuda a desenhar as melhores estratégias para os nossos negócios”, diz.

Leitura de mercado e geração direta de negócios

A sobrevivência de uma cervejaria passa, invariavelmente, por boas decisões de compra e por uma percepção clara de para onde o mercado caminha.

Para Kathia Zanatta, fundadora e sócia-proprietária do Instituto da Cerveja Brasil, a feira é um polo decisivo para a gestão e inteligência empresarial. “Participar da Brasil Brau é essencial para visitantes que querem atualizar-se sobre tendências, ver inovações em equipamentos e insumos e fazer networking qualificado com fornecedores e especialistas; a feira oferece palestras, demonstrações e degustações que facilitam decisões de compra e desenvolvimento de portfólio, tornando a visita um investimento direto em conhecimento e inteligência de mercado”.

Corroborando a visão de que o evento transcende a mera exposição, Chiara Barros, proprietária do Instituto Ceres de Educação e Consultoria Cervejeira, enfatiza o impacto comercial do encontro. “A Brasil Brau é a principal feira de tecnologia para a indústria cervejeira da América Latina e um dos eventos mais relevantes para o desenvolvimento do setor. Vai muito além da exposição de insumos, equipamentos e soluções tecnológicas. O evento reúne profissionais, fornecedores, pesquisadores e empresas de toda a cadeia produtiva, uma oportunidade única para atualização técnica, troca de experiências e geração de negócios”.

André Lopes, advogado e criador do Advogado Cervejeiro, alerta que a frequência bienal do evento cria uma urgência competitiva. “Não existe outro lugar no Brasil onde toda a cadeia produtiva se encontra no mesmo espaço: do vendedor de insumo ao distribuidor, do campo ao copo. São três dias intensos nos quais você se atualiza tecnologicamente, fecha fornecimento, lê tendência e conversa olho no olho com quem decide […] É um termômetro do setor. Para mim, que atendo cervejarias o ano inteiro, é onde percebo, antes de qualquer relatório, para onde o mercado está indo. E como ela só volta em 2028, quem fica de fora perde dois anos de leitura de mercado”.

A conexão e o fortalecimento de toda a cadeia produtiva

Por fim, o amadurecimento do mercado não se constrói de forma isolada. A Brasil Brau atua como o grande ponto de união entre diferentes portes e atuações da indústria cervejeira.

Alexandre Esber, gerente de conhecimento e cultura cervejeira na Ambev e responsável pela Academia da Cerveja, resume o sentimento de propósito coletivo que o evento desperta: “Na Academia a gente acredita que o crescimento do setor passa necessariamente pelo compartilhamento de conhecimento e pela conexão entre as pessoas. Aí está a beleza da Brasil Brau, o papel tão relevante que ela tem, que mais que uma feira de negócio, é justamente um ponto de conexão e encontro onde os profissionais de toda a cadeia produtiva podem trocar experiências, conhecer novas tecnologias, acompanhar tendências e os desafios do mercado”.

Ele conclui reforçando que o espaço é democrático para todos os estágios de carreira. “Para quem já atua no setor, é oportunidade de atualização e networking. E para quem está ingressando na área, é uma chance para compreender a dimensão, o tamanho e a diversidade da indústria cervejeira”.

Fernanda Brito, sommelière, cofundadora e sócia da Cervejaria RuERA, também vê no evento a oportunidade de aprimoramento para o setor, que enfrenta um momento delicado. “Eu diria que mais do que nunca é o momento para todos do setor irem a Brasil Brau. Eu acho que a gente tá passando por um momento em que o nosso mercado precisa ser reanalisado e repensado para que a gente volte a ter fôlego para sair desse recuo em que a gente está”, constata.

Serviço: Brasil Brau 2026

Reconhecimento do gramado: como é o mercado da cerveja nos países-sede da Copa do Mundo?

A Copa do Mundo 2026 está chegando. Em menos de uma semana, na quinta-feira (11), a bola já começa a rolar com o primeiro jogo entre México e África do Sul no Estádio Azteca, na Cidade do México. Mas, como é costume no futebol, antes do apito inicial é preciso fazer o reconhecimento do gramado. Se o torneio fosse a Copa do Mundo da cerveja, isso seria equivalente a conhecer o mercado da cerveja dos países-sede, que pela primeira vez serão três: Estados Unidos, o Canadá e o México.

A América do Norte abriga operações que vão dos maiores conglomerados do mundo a microcervejarias de vanguarda. Ao analisar esses três “campos”, podemos observar três estágios de mercado completamente diferentes, moldados por raízes históricas, legislações locais e comportamentos de consumo distintos.

Seja você entusiasta da cerveja, profissional ou empresário do setor, que tal aproveitar o evento também como uma janela de observação e aprender com esses mercados?

O peso da camisa no mercado da cerveja da América do Norte

Que tal começar medindo literalmente os campos? Para isso, os relatórios globais de 2024 da Barth-Haas e do Grupo Kirin estabelecem um panorama de gigantismo da região na indústria cervejeira.

Os Estados Unidos e o México são, respectivamente, o 2º e o 4º maiores produtores de cerveja do mundo. O mercado americano fabrica cerca de 184,5 milhões de hectolitros anuais, seguido pelo volume mexicano de 144,9 milhões de hectolitros. O Canadá, com uma base populacional muito menor, ocupa a 19ª posição global, produzindo 20,4 milhões de hectolitros.

No entanto, não é o tamanho do gramado que garante a beleza da partida. A liderança de produção não reflete a sede do consumidor.

O México é o líder absoluto da região em consumo per capita (83,4 litros por pessoa ao ano), ocupando a 12ª posição mundial e mantendo a cerveja consolidada na cesta de consumo regular de mais de 60% da população. Os Estados Unidos (29ª posição global) vêm perdendo força, consumindo 65,4 litros per capita. Já o Canadá, impactado por mudanças demográficas, imigração e uma forte cultura de moderação, viu o consumo de álcool atingir seu nível mais baixo em 20 anos, com a cerveja girando em torno de 47 litros por habitante.

A bola também rola diferente em cada tipo de grama. A discrepância se estende aos preços. No varejo padrão, levantamentos globais mostram que EUA e Canadá figuram entre os dez países mais caros do mundo para se comprar cerveja. Segundo a plataforma financeira HelloSafe, custa em média R$ 12 e R$ 11 a garrafa de 355 ml, respectivamente. Nos supermercados mexicanos, o vasilhame de 500 ml sai por R$ 10, sendo ainda mais comuns os formatos ultraeconômicos de vidro retornável, como as garrafas de quase 1 litro (popularmente chamadas de caguamas).

Para dar o exemplo mais direto possível dessa disparidade, enquanto os estádios mexicanos na Copa venderão cervejas a partir de R$ 14, os modernos estádios da Califórnia quebrarão recordes ao cobrar até R$ 72 por copo.

O berço da cerveja moderna em fase de correção

Não é porque os ingleses inventaram o jogo chamado futebol que tem os melhores estádios. Da mesma forma, apesar de não serem uma das culturas cervejeiras mais tradicionais — como Reino Unido, Alemanha e Bélgica —, os Estados Unidos têm uma importância enorme para o mercado da cerveja no mundo hoje: eles adaptaram a cerveja para a versão mais popular do mundo hoje (o estilo American Lager) e são o berço do Renascimento da Cerveja Artesanal. É como se eles tivessem redefinido as regras do jogo. Duas vezes.

A base cervejeira americana vem dos colonizadores britânicos, mas foi fortemente influenciada por imigrantes alemães no século 19. Eles popularizaram as cervejas de baixa fermentação (Lagers) claras no Novo Mundo. A Lei Seca (1920-1933), com a proibição de produção e consumo de álcool, devastou milhares de pequenas fábricas, levando à consolidação do mercado por gigantes.

Após a guerra, elas popularizaram uma versão de cerveja inspirada nas Pilseners alemãs, mas muito mais leve e padronizada, com uso de adjuntos, como arroz e milho, e focada na produção em massa. O estilo, hoje chamado tecnicamente de American Lager mas muito conhecido ainda como Pilsen, domina seguramente mais de 80% do market share mundial.

Após anos de domínio de um único tipo de cerveja feito em massa para todos, a resposta veio a partir dos anos 1960. Pioneiros como a Anchor Brewing, New Albion e a Sierra Nevada resgataram estilos esquecidos, dando início ao que se chama de Renascimento da Cerveja Artesanal. Hoje os EUA são o mercado de craft beer mais maduro e desenvolvido do mundo. As mais de 9.578 microcervejarias independentes em operação controlam cerca de 13,3% do mercado nacional em volume (mais de 2,5 bilhões de litros). O setor movimenta cerca de US$ 28 bilhões anuais em vendas no varejo.

Ajuste de rota

Mas mesmo um terreno tão fértil pode sofrer com buracos no gramado. Dados de 2025 da Brewers Association (BA) mostram um mercado em correção. O volume de produção artesanal caiu 5% no ano, e o fechamento de fábricas (481) superou de forma acentuada as novas aberturas (300). Segundo Bart Watson, economista-chefe da BA, trata-se de uma “vibecession” — um momento em que a percepção pessimista parece pior do que os dados reais, visto que 39% das cervejarias ainda registraram crescimento no período.

A dinâmica financeira atual forçou as cervejarias a focarem no modelo de venda direta e na hospitalidade de seus taprooms e brewpubs. Esses formatos se mostram mais resilientes contra a saturação das prateleiras do varejo tradicional.

Além disso, o mercado da cerveja americano encontrou um novo e poderoso “montinho artilheiro”, um filão de faturamento: a categoria de cervejas artesanais sem álcool, cujas vendas em dólares saltaram 159% (e 111% em volume) desde 2021, surfando na onda de saúde e moderação, da qual a Geração Z vem se mostrando adepta.

Tradição autossuficiente e o peso do Estado

O campo canadense não é tão moderno quanto o dos Estados Unidos. Mas segue suas diretrizes e se mostra bem honesto, possibilitando boas partidas de diferentes estilos de jogo.

A escalação e a consolidação do mercado da cerveja no Canadá foram desenhadas por sucessivas ondas migratórias, iniciadas pelos colonos da Nova França no século 17. Os primeiros registros de cerveja datam dessa época em Quebec. Desse período e do contato com os povos indígenas, nasceu a exótica Spruce Beer (Cerveja de Abeto), feita com brotos de pinheiro para combater o escorbuto (doença provocada por falta de vitamina C) durante os rigorosos invernos.

Com a posterior dominação britânica e a chegada massiva de soldados e lealistas fugindo dos EUA, o paladar do país mudou drasticamente, criando uma enorme demanda por Ales que impulsionou a fundação de cervejarias históricas, como a de John Molson (1786) e a de Alexander Keith (1820).

Essa fusão de influências europeias e adaptações locais moldou a diversidade que o consumidor encontra hoje no mercado canadense. As províncias atlânticas preservam a herança britânica, Quebec foca em inspirações franco-belgas e a Colúmbia Britânica absorve as inovações lupuladas da Costa Oeste dos Estados Unidos.

Hoje o Canadá possui um mercado artesanal consolidado e maduro. O país conta com cerca de 1,3 mil cervejarias que detêm sólida participação de 10% em volume no mercado interno. Uma característica comercial fortíssima do Canadá é a autossuficiência e a lealdade do consumidor. Impressionantes 88% de toda a cerveja bebida no país é produzida domesticamente pelas cervejarias locais.

O desafio da “arbitragem”

O maior desafio para a cadeia cervejeira canadense, no entanto, é a arbitragem. Os juízes são muito rígidos, construindo um ambiente regulatório e tributário dos mais agressivos para cervejarias no mundo.

Os impostos governamentais engolem quase 50% do preço final da cerveja nas prateleiras. O cenário foi agravado em abril de 2024, quando o governo introduziu um aumento de 4,7% no imposto federal sobre a cerveja (a maior alta em quase 40 anos), gerando forte custo operacional e drenando dezenas de milhões de dólares do setor.

Aliado a isso, o escoamento dos produtos ainda esbarra em monopólios de distribuição em várias províncias, como The Beer Store em Ontário, exigindo das cervejarias independentes canadenses estratégias altamente eficientes para se manterem viáveis e criando uma barreira de entrada quase intransponível para marcas importadas.

Um mercado da cerveja gigante e adormecido

O gramado mexicano foi moldado para possibilitar um jogo tradicional, mas dificulta o jogo de quem aposta na criatividade.

Durante a era colonial do século 16, a Coroa Espanhola restringiu a produção de cerveja com altas taxas para forçar a importação de vinhos. O consumo mexicano se voltou para fermentados locais como o pulque (seiva de agave fermentada) e o tesgüino (cerveja de milho). A virada ocorreu no final do século 19, sob influência de imigrantes europeus e do breve império de Maximiliano I da Áustria, que introduziu as tradicionais cervejas tipo Vienna Lager — uma tradição até hoje presente em rótulos como Negra Modelo.

No início do século 20, as grandes cervejarias industriais fizeram campanhas contra as bebidas nativas, consolidando definitivamente a cerveja de matriz europeia como bebida popular moderna. A indústria também aproveitou os efeitos do período da Lei Seca dos Estados Unidos para crescer. Muitos atravessavam a fronteira para beber e deixavam o dinheiro para as cervejarias mexicanas.

Atualmente, o panorama financeiro mexicano apresenta uma dicotomia extrema. Na produção industrial, o México é um titã. A cerveja é uma das principais exportações. Na verdade, o país é o maior exportador de cerveja do planeta com rótulos onipresentes como Corona e Modelo Especial. O mercado da cerveja interno é dominado de cerca de 90% a 95% pelo duopólio formado pelo Grupo Modelo (Anheuser-Busch InBev) e pela Cervecería Cuauhtémoc Moctezuma (Heineken).

Por outro lado, o mercado artesanal é uma fração pequena ainda. Segundo dados da Associação de Cervejarias Independentes do México (Acermex), as microcervejarias (cujo número é estimado entre 940 e 1,5 mil) representam algo em torno de meros 0,22% a 0,23% de todo o volume de cerveja consumido no país.

“Custo México”

Performar nesse tipo de campo exige muita energia dos jogadores mais criativos. Apesar das taxas de crescimento que chegaram a superar 50% ao ano na última década, os empresários artesanais enfrentam as agressivas barreiras do “Custo México”.

Pela falta de uma infraestrutura agrícola nacional voltada à cerveja, eles precisam importar cerca de 85% de suas matérias-primas primárias, como malte e lúpulo. O que expõe o setor artesanal a uma forte volatilidade cambial frente ao dólar.

Além disso, a carga tributária é punitiva: os produtores pagam 16% de Imposto de Valor Agregado (IVA) somado a um Imposto Especial sobre Produção e Serviços (IEPS) que pode chegar a 26,5% para pequenas empresas. O estresse hídrico no norte do país (onde se concentra mais da metade da produção artesanal) é outra enorme ameaça de longo prazo, tendo levado o governo a sugerir, em secas recentes, que o setor paralisasse atividades por não ser “essencial”.

Mesmo com as dificuldades, a cadeia artesanal mexicana inova ao se desvincular das tendências estritas dos vizinhos. Ela utiliza ingredientes como cacau, café, tamarindo, goiaba e pimentas nativas, criando complexidade e identidade local que têm garantido prêmios e o início de exportações de nicho bem-sucedidas.

É tempo de Bauernfest em Petrópolis

Coluna Ana Pampillón

A Bauernfest, comemoração também conhecida como Festa do Colono Alemão, é a segunda maior festa de origem germânica do Brasil e terá início em cerca de duas semanas. Realizada anualmente em Petrópolis (RJ), a edição de 2026 ocorrerá entre 19 de junho e 5 de julho, celebrando a cultura e a história dos imigrantes alemães que ajudaram a fundar e construir a cidade no século 19.

A festa acontece no entorno do Palácio de Cristal e conta com programação intensa: gastronomia típica alemã, desfiles folclóricos e diversas outras atrações.

A Prefeitura de Petrópolis espera receber mais de 500 mil visitantes nesta que é a 37ª edição do evento. O evento ocorre ao longo de 17 dias, englobando três fins de semana de celebração germânica, e movimenta fortemente a rede hoteleira da Cidade Imperial, atraindo mais de 1,6 mil ônibus e vans de turismo. Curiosidade: historicamente, os visitantes consomem mais de 5 toneladas de salsichões e mais de 130 mil litros de chope e cervejas artesanais.

Bauernfest e a cidade de Petrópolis

Petrópolis tem uma relação histórica profunda com a Alemanha. Dom Pedro II convidou famílias de imigrantes alemães para colonizar as terras da serra. Esses imigrantes trouxeram seus costumes, sua língua, sua gastronomia e a tradição de celebrar com festas comunitárias. A Bauernfest nasceu justamente para honrar essa herança e manter viva a identidade cultural germânica na Cidade Imperial.

Petrópolis, reconhecida como Capital Estadual da Cerveja, reúne um grande número de cervejarias artesanais em operação. A cidade também se prepara para o turismo cervejeiro, recebendo em suas fábricas o público que aprecia boas cervejas.

As cervejarias contam com um cardápio de experiências recém-formatado em parceria com o Sebrae. Cada uma oferece produtos diferenciados, permitindo que o visitante experimente rótulos com histórias e características únicas, enriquecendo ainda mais o período da festa.


Ana Cláudia Pampillón é turismóloga e sommelière de cervejas. Tem uma longa jornada de atuação no mercado turístico e cervejeiro do estado do Rio de Janeiro. Coordena há 10 anos a Rota Cervejeira RJ e também atua no mercado de lúpulo brasileiro, aproximando os produtores das cervejarias.


* Este é um texto de opinião. As ideias e informações nele contidas são de responsabilidade do colunista ou articulista e não refletem necessariamente o ponto de vista do Guia da Cerveja.

Menu Degustação: Brahma promete cerveja de graça se o Brasil vencer a Copa

A Brahma, marca da Ambev, anunciou uma operação nacional para distribuir cerveja de graça caso a Seleção Brasileira conquiste o hexacampeonato na Copa do Mundo de 2026. A ação promocional faz parte da campanha publicitária Tá Liberado Acreditar, estrelada pelo treinador Carlo Ancelotti e pelo ex-jogador Ronaldo. A iniciativa visa a embalar os torcedores que aguardam um novo título mundial do país há 24 anos, desde o torneio de 2002.

Brahma: cerveja de graça

Os consumidores poderão realizar o resgate da cerveja de graça da Brahma por meio do aplicativo Zé Delivery, em redes de supermercados parceiras ou em bares credenciados espalhados por todo o território nacional. As regras da Ambev limitam a entrega de cerveja de graça a uma participação por CPF. A retirada nos estabelecimentos físicos dará direito a uma garrafa de 600 ml da marca, enquanto os pedidos no aplicativo de entregas e no varejo darão direito a um pack de cerveja.

A promoção de cerveja de graça ficará disponível para o público por pelo menos um dia depois de uma eventual vitória na final do mundial. Os organizadores informaram que o período poderá ser estendido para ampliar a participação na celebração.

Leia também neste Menu Degustação:

São Paulo sedia a Brasil Brau e debate os novos rumos do mercado cervejeiro

A Brasil Brau 2026, maior feira profissional da indústria cervejeira da América Latina, acontece de terça (9) a quinta-feira (11) no São Paulo Expo, em São Paulo (SP). O evento reúne 160 marcas de 14 países em um momento de acomodação do setor nacional, que registrou recorde de 1.954 fábricas em operação, mas com o menor crescimento da história. Paralelamente, o congresso técnico debate soluções de automação e o avanço de produtos sem glúten e desalcoolizados. Patrocinada pela Heineken, a feira de negócios busca reaquecer o mercado de bebidas e superar os 470 milhões de reais em transações comerciais da última edição. Os profissionais do setor podem realizar a inscrição gratuita na página oficial da Brasil Brau.

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Bodebrown estende programação e realiza festival cultural em Curitiba

A Bodebrown promove o seu Festival Cultural de Outono, que teve início na quinta-feira (4) e vai até domingo (7) em Curitiba (PR). Os organizadores ampliaram o evento para quatro dias de festa na fábrica e no trecho bloqueado da Rua Carlos de Laet, no bairro Hauer. A programação gratuita reúne 14 apresentações de rock e jazz, grupos de dança folclórica e opções gastronômicas como yakisoba e batatas belgas. O público terá à disposição mais de 40 rótulos de chopes da marca paranaense, incluindo a Run For Your Lives, cerveja produzida em parceria com o Iron Maiden, e o lançamento da linha Candyman Club.

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Cervejaria Stannis monta maior telão de Jaraguá do Sul para estreia do Brasil

A Cervejaria Stannis, de Jaraguá do Sul (SC), prepara uma programação especial para a estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo. No sábado (13), das 16h às 22h, a fábrica exibe a partida em um telão de 10 metros por 3,5 metros, o maior da cidade. O evento tem a realização da Cerveja Stannis e da We Art Produtora. A abertura terá show da Banda Teoria do Caos e happy hour com metade do preço no chope das 16h às 19h. A estrutura coberta terá estacionamento, segurança e food trucks, sendo permitida a entrada de cadeiras de praia. Os organizadores barram a entrada de comidas e bebidas externas, e o acesso do público será feito pelo portão dos fundos.

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Santo Mercado distribui chope grátis a cada gol do Brasil na Copa

O Santo Mercado transforma o tradicional Mercado Municipal de Santo Amaro em arena temática para os torcedores na Zona Sul de São Paulo. Durante os jogos da Seleção Brasileira no mundial, que começa na quinta-feira (11), o estabelecimento distribui uma rodada de chope gratuita para o público a cada gol marcado pelo Brasil. A programação do espaço inclui transmissão ao vivo das partidas e uma área fixa para a troca de figurinhas de colecionadores aos sábados. O local também programou um campeonato de embaixadinhas para o dia 20 de junho, a partir das 14h, aberto para a participação de frequentadores de todas as idades.

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RuERA lança coleção de cervejas inspiradas em campeões mundiais

A RuERA, cervejaria cigana de Campinas (SP), apresenta na próxima segunda-feira (8) uma coleção de oito cervejas em homenagem aos países campeões mundiais de futebol. Os rótulos ganharam nomes de atletas históricos, como a versão brasileira Cafu, uma American Lager com mandioca e 4,8% de teor alcoólico, e a argentina Lionel, uma American IPA com erva-mate. A série inclui receitas com uva Tannat para o Uruguai, trigo sarraceno para a França e fubá para a Itália. Todos os chopes engatam nas torneiras do bar de Barão Geraldo no dia do lançamento, e a previsão é que as latas cheguem ao mercado até quinta-feira (11).

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Heineken debate sustentabilidade urbana na Rio Nature & Climate Week

A Heineken participa da Rio Nature & Climate Week, encontro ambiental internacional que termina neste sábado (6) no Rio de Janeiro (RJ). A cervejaria promove a Green Your City, plataforma de sustentabilidade urbana focada em metas de circularidade de embalagens e no uso de energia renovável em pontos de venda até 2030. O grupo montou um lounge de relacionamento na feira e vende a Mamba Water, marca de água em lata que reverte parte dos ganhos para projetos sociais. A empresa também apoia a capacitação de jovens de periferias no setor audiovisual em parceria com o Instituto Heineken.

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Flying Fish estreia como patrocinadora da Copa e foca no gol de peixinho

A Ambev lança a Flying Fish, nova marca de cerveja saborizada do portfólio, como patrocinadora oficial da Copa do Mundo Fifa 2026. A campanha de estreia foca no resgate do tradicional gol de peixinho nos gramados mundiais, jogada que não acontece no torneio desde o mundial de 2014. O plano de divulgação tem comerciais estrelados pelo jornalista Lucas Gutierrez e ações digitais com criadores de conteúdo focados no público jovem. A companhia planeja a expansão da distribuição do produto para dez capitais brasileiras, com ativações de marketing de rua e estruturas exclusivas em arenas e fan fests.

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Heineken House antecipa clima do festival Só Track Boa em São Paulo

A Heineken House, espaço de eventos da cervejaria holandesa no Parque Villa-Lobos, em São Paulo (SP), encerra neste sábado (6) a semana de ativações com o festival Só Track Boa. O local serviu de ponto de encontro para DJs, criadores de conteúdo e fãs de música eletrônica antes da abertura oficial do evento de música. A programação contou com oficinas de mixagem de som e técnicas de discotecagem na pista comandadas pelos artistas Buga, Analu e Jayboo. O público que circular pela casa hoje pode participar de sorteios de ingressos surpresa escondidos na estrutura.

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Bar Brahma une samba e transmissões da Copa na programação de junho

Enquanto a marca Brahma promete distribuir cerveja de graça caso a Seleção Brasileira conquiste o hexa, o Bar Brahma Centro divulga a programação musical para as noites de junho no centro de São Paulo (SP). O tradicional estabelecimento, na famosa esquina das avenidas Ipiranga e São João, exibe as transmissões dos jogos da Copa do Mundo em um projeto que une futebol e música. Os palcos da casa recebem apresentações diárias de samba, pagode, bossa nova e forró, com shows de artistas residentes e a participação especial de baterias de escolas de samba paulistas. A agenda do mês inclui projetos das noites de terça-feira com o cantor Levi de Paula e feijoadas com rodas de samba aos sábados. Confira os horários dos shows e faça reservas no site do Bar Brahma.

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Inside The Star abre sessões de harmonização para casais em Jacareí e Ponta Grossa

O Inside The Star, centro de experiências do Grupo Heineken, realiza uma programação temática para o Dia dos Namorados na próxima sexta-feira (12) e no sábado (13). As unidades fabris de Jacareí (SP) e de Ponta Grossa (PR) recebem casais para uma sessão de harmonização guiada de cervejas do portfólio com tábuas de queijos finos, charcutaria, geleias e castanhas. O passeio interativo inclui a entrega de brindes da marca parceira Tirolez e o acesso aos itens exclusivos da loja da fábrica ao final do roteiro. Os ingressos para o circuito com degustação custam 80 reais por pessoa. Consulte os horários disponíveis e compre as entradas na página do Inside The Star no Sympla.

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Cervejas da Madstein e Louvada se destacam na etapa Centro-Oeste da Copa Cerveja Brasil

As cervejarias Madstein e Louvada produziram as três melhores cervejas da etapa Centro-Oeste da Copa Cerveja Brasil 2026. A Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), que organiza o concurso, divulgou o resultado com a lista completa de cervejas premiadas nesta sexta-feira (5). A competição regional funciona como seletiva para a etapa final nacional da Copa, na qual as melhores colocadas ganham inscrições para o World Beer Cup — mais renomada competição cervejeira do mundo. 

A disputa ocorreu durante o road show Conexão Cerveja Brasil 2026, que aconteceu entre terça (2) e esta sexta-feira (5) na cidade de Pirenópolis (GO). Foram 157 amostras inscritas, um recorde. Ao todo, foram distribuídas 53 medalhas, sendo 16 de ouro, 20 de prata e 17 de bronze.

Para Juliana Behr, coordenadora do Conexão Cerveja Brasil, o recorde de inscrições demonstra o amadurecimento da etapa e o engajamento do setor na região. “A Etapa Centro-Oeste teve uma resposta muito positiva das cervejarias e da comunidade cervejeira e da população. O número recorde de inscrições mostra que existe uma produção cada vez mais interessada em avaliação técnica, visibilidade e troca de experiências”, diz.

Behr também enfatiza a importância do apoio institucional. “Também foi muito importante contar com o envolvimento do poder público do Estado e Município de Pirenópolis, uma cidade histórica, de gastronomia rica e valorizada, que oferece um ambiente muito favorável para conectar cerveja, cultura, turismo e desenvolvimento regional”, conclui.

Prêmios da etapa Centro-Oeste da Copa Cerveja Brasil

Dois rótulos da Cervejaria Madstein, de Brasília (DF), ficaram nos primeiros lugares no pódio do Best Of Show — rodada final da disputa, em que só participam as amostras medalha de ouro em suas categorias. A Madstein Rauch faturou a primeira colocação. Trata-se de uma Märzen Rauchbier, cerveja feita com maltes defumados. O segundo lugar foi para a Madstein Catharina Sour Goiaba, Amora e Hortelã, vencedora na categoria Herb and Spice Beer.

A cerveja que completa o pódio é a Darkside 3, da Cervejaria Louvada, de Cuiabá (MT). Ela foi medalha de ouro na categoria Wood- and Barrel-Aged Beer e recebeu bronze na rodada de Best of Show. A cerveja base é uma Russian Imperial Stout de 8,5% feita com aveia, baunilha e açúcar mascavo, que foi maturada em barril de Amburana.

A Madstein também foi a cervejaria que mais recebeu medalhas, com um total de dez premiações. Já a Louvada recebeu 8 condecorações e a Biomma Cervejaria, de Aparecida de Goiânia (GO), levou 5.

Confira a lista completa de medalhas.

Um concurso e um evento itinerante

O Conexão Cerveja Brasil reúne, em etapas regionais, a Copa Cerveja Brasil, congressos técnicos e ações de integração para o mercado cervejeiro. Em Pirenópolis, a programação também contou com o Congresso Cerveja Brasil 2026 – Etapa Centro-Oeste, realizado no Espaço Cultural Santa Dica, com palestras sobre produção de cervejas sem álcool, lúpulos franceses, cervejas low carb e sem glúten, além de harmonização gastronômica com cervejas.

A realização da etapa em Goiás marca a primeira passagem do Conexão Cerveja Brasil pelo estado, que é a unidade da federação com mais cervejarias no Centro-Oeste. Segundo o Anuário da Cerveja 2026, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Goiás soma 39 fábricas, ocupando a oitava posição no ranking nacional.

A etapa Centro-Oeste contou com o apoio do Deputado Estadual Virmondes Cruvinel, da Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SEDUC) da Prefeitura de Pirenópolis, da Aldeia do Vale Pirenópolis, da Cervejaria Santa Dica, da Globalfood e da Hop France.

Copa Cerveja Brasil 2026 – Etapa Centro-Oeste

Role a tabela lateralmente para ver tudo.

CategoriaMedalhaCervejaCervejariaCidadeEstadoEstilo
01 – All Origin Hybrid / Mixed Lagers or Ale1 – OuroDARKSIDE – LOUVADA DS3Cervejaria LouvadaCuiabaMTWood- and Barrel-Aged Beer
01 – All Origin Hybrid / Mixed Lagers or Ale2 – PrataDunaBiomma CervejariaAparecida de GoiâniaGOAmerican-Style Cream Ale
02 – American Ambar, Brow or Black Ale3 – BronzeSANTA DICA BROWN IPACervejaria Santa DicaPirenópolisGOAmerican-Style Brown Ale
04 – American and Juicy Imperial or Double India Pale Ale2 – PrataDesabusadaMadsteinBrasíliaDFJuicy or Hazy Imperial or Double India Pale Ale
04 – American and Juicy Imperial or Double India Pale Ale3 – BronzeOdisseyCruls Cervejaria ArtesanalSanta MariaDFAmerican-Style Imperial or Double India Pale Ale
05 – American and other Pale Ale or Strong Pale Ale1 – OuroLOUVADA BERGAMOTCervejaria LouvadaCuiabaMTAmerican-Style Pale Ale
06 – American and West Coast India Pale Ale1 – OuroVanDogh IPACervejaria VanDogh BeerTangará da SerraMTAmerican-Style India Pale Ale
06 – American and West Coast India Pale Ale2 – PrataAmazôniaBiomma CervejariaAparecida de GoiâniaGOAmerican-Style India Pale Ale
06 – American and West Coast India Pale Ale3 – BronzeNattos IPANattos BeerAparecida de GoiâniaGOAmerican-Style India Pale Ale
07 – American Fruited Sour Ale or Fruit Beer2 – PrataCerveja Nattos SourNattos BeerAparecida de GoiâniaGOAmerican-Style Fruited Sour Ale
08 – American Lager or Light Lager2 – PrataHop Capital Beer – Califórnia LagerHop Capital BeerBrasíliaDFAmerican-Style Lager
08 – American Lager or Light Lager3 – BronzeBionda Light LagerCervejaria BiondaSinopMTAmerican-Style Light Lager
09 – American or Contemporary Pilsener1 – OuroLOUVADA HOPLAGERCervejaria LouvadaCuiabaMTContemporary American-Style Pilsener
09 – American or Contemporary Pilsener2 – PrataLagerCambuí Cervejaria e Bar de estarBrasíliaDFAmerican-Style Pilsener
10 – Belgian and French Origin Ale Styles1 – OuroSANTA DICA BELGIAN BLONDE ALECervejaria Santa DicaPirenópolisGOBelgian-Style Blonde Ale
10 – Belgian and French Origin Ale Styles2 – PrataSaisonCambuí Cervejaria e Bar de estarBrasíliaDFClassic French & Belgian-Style Saison
10 – Belgian and French Origin Ale Styles3 – BronzeColombina RomariaCerveja ColombinaAparecida de GoianaGOBelgian-Style Strong Dark Ale
12 – Catharina Sour1 – OuroSour de CajuMadsteinBrasíliaDFCatharina Sour
12 – Catharina Sour2 – PrataSour Graviola e AbacaxiCambuí Cervejaria e Bar de estarBrasíliaDFCatharina Sour
12 – Catharina Sour3 – BronzeAtlânticaBiomma CervejariaAparecida de GoiâniaGOCatharina Sour
13 – Cerveja com lúpulo Brasileiro1 – OuroColombina Session IPACerveja ColombinaAparecida de GoianaGOCerveja com lúpulo Brasileiro
14 – Cerveja com madeira Brasileira2 – PrataColombina PoemaCerveja ColombinaAparecida de GoianaGOCerveja com madeira Brasileira
15 – Chocolate or Cocoa and Coffee Beer1 – OuroCacau Power IPACervejaria Quatro PoderesBrasíliaDFChocolate or Cocoa Beer
15 – Chocolate or Cocoa and Coffee Beer2 – PrataÁs de EspadasGOBREWAnápolisGOCoffee Beer
15 – Chocolate or Cocoa and Coffee Beer3 – BronzeLOUVADA PILSEN COM CAFÉCervejaria LouvadaCuiabaMTCoffee Beer
16 – Contemporary Gose1 – OuroBezy-Gose Umbu CajáBezyBrasíliaDFContemporary-Style Gose
16 – Contemporary Gose2 – PrataLOUVADA GOSE COM LIMÃOCervejaria LouvadaCuiabaMTContemporary-Style Gose
16 – Contemporary Gose3 – BronzeMaracajuGOBREWAnápolisGOContemporary-Style Gose
17 – German Koelsch1 – OuroCocoriKolschCervejaria Artesanal Dos AnimausGoiâniaGOGerman-Style Koelsch
18 – Herb and Spice or Field Beer1 – OuroCatharina Sour Goiaba, Amora e HortelãMadsteinBrasíliaDFHerb and Spice Beer
18 – Herb and Spice or Field Beer3 – BronzeBlack IPAMadsteinBrasíliaDFField Beer
19 – Imperial, Dessert or Pastry Stout1 – OuroMindubimMadsteinBrasíliaDFDessert Stout or Pastry Stout
19 – Imperial, Dessert or Pastry Stout2 – PrataRISMadsteinBrasíliaDFBritish-Style Imperial Stout
19 – Imperial, Dessert or Pastry Stout3 – BronzeEscura – Imperial StoutCambuí Cervejaria e Bar de estarBrasíliaDFBritish-Style Imperial Stout
20 – Irish, British or American Stout3 – BronzeMonkey StoutOld Monkey CervejariaGoiâniaGOClassic Irish-Style Dry Stout
21 – Juicy or Hazy India Pale Ale1 – OuroCerradoBiomma CervejariaAparecida de GoiâniaGOJuicy or Hazy India Pale Ale
21 – Juicy or Hazy India Pale Ale2 – PrataLa Bella LunaGOBREWAnápolisGOJuicy or Hazy India Pale Ale
21 – Juicy or Hazy India Pale Ale3 – BronzeSOLARIUSCruls Cervejaria ArtesanalSanta MariaDFJuicy or Hazy India Pale Ale
23 – Munich Helles and German Pilsener2 – PrataPiuPilsenCervejaria Artesanal Dos AnimausGoiâniaGOGerman-Style Pilsener
25 – North American and Other Origin lager2 – PrataTeta de EsmeraldaTETA Cheese BarBrasíliaDFAmerican-Style India Pale Lager
25 – North American and Other Origin lager3 – BronzeSANTA DICA LAGERCervejaria Santa DicaPirenópolisGOInternational-Style Pilsener
26 – Other British Origin Ale1 – OuroLOUVADA PORTERCervejaria LouvadaCuiabaMTRobust Porter
26 – Other British Origin Ale2 – PrataGrossbräu Strong BitterGrossbräuBrasíliaDFExtra Special Bitter
26 – Other British Origin Ale3 – BronzeRobust PorterMadsteinBrasíliaDFRobust Porter
27 – Other European Origin Lager Styles1 – OuroRauchMadsteinBrasíliaDFBamberg-Style Maerzen Rauchbier
27 – Other European Origin Lager Styles2 – PrataLOUVADA LOWCervejaria LouvadaCuiabaMTGerman-Style Leichtbier
27 – Other European Origin Lager Styles3 – BronzeDIAS VIENNACervejaria Dias Ltda.GoiâniaGOVienna-Style Lager
29 – Session India Pale Ale2 – PrataSANTA DICA SESSION IPACervejaria Santa DicaPirenópolisGOSession India Pale Ale
29 – Session India Pale Ale3 – BronzePantanalBiomma CervejariaAparecida de GoiâniaGOSession India Pale Ale
30 – Weizen Bier2 – PrataAsturia WeissCervejaria KlaroGoiâniaGOSouth German-Style Hefeweizen
Best of Show1 – OuroRauchMadsteinBrasíliaDFBamberg-Style Maerzen Rauchbier
Best of Show2 – PrataCatharina Sour Goiaba, Amora e HortelãMadsteinBrasíliaDFHerb and Spice Beer
Best of Show3 – BronzeDARKSIDE – LOUVADA DS3Cervejaria LouvadaCuiabaMTWood- and Barrel-Aged Beer

Cerveja é catalisadora da sociabilidade e cidadania no Brasil, diz Luiz Antônio Simas

Nesta sexta-feira, 5 de junho, é celebrado o Dia da Cerveja Brasileira. A data, criada em 2012 por um grupo de blogueiros — os influenciadores da época — para exaltar a produção nacional, convida à reflexão sobre a profunda conexão entre a bebida e a identidade nacional. Para o professor, historiador e escritor carioca Luiz Antônio Simas, a cerveja atua como uma catalisadora de sociabilidade e cidadania no país, sendo o elemento central da cultura do encontro.

Essa é a constatação de Simas apresentada em uma palestra no último dia 20 de maio, em Brasília. O evento ocorreu a convite do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), logo após o lançamento do Anuário da Cerveja 2026 pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Influenciadores e convidados reuniram-se no camarote da Heineken, na Arena BRB Mané Garrincha, para ouvir o pesquisador, dono de uma obra com 33 livros publicados e uma trajetória dedicada ao estudo da cultura urbana.

O que a República excluiu, o boteco incluiu

Para entender o valor social da cerveja, é preciso olhar para a história do país. Simas lembrou que a República Brasileira foi construída sem um projeto de inclusão da maior parte de sua população. Como consequência dessa exclusão dos espaços formais de poder, o brasileiro transformou a rua no seu principal e mais contundente local de exercício de cidadania.

Dentro dessa dinâmica urbana, os botequins e a cultura da cerveja assumiram um papel de protagonismo. Para o historiador, o boteco funciona para os brasileiros como a praça pública onde se debatem os rumos da cidade, como a Ágora funcionava na Grécia Antiga. “O botequim é um espaço de conversa sobre a vida. É no botequim que você vai xingar eventualmente o prefeito, é no botequim que você vai saber quem nasceu, quem morreu, e é ali que você vai abrir sua cerveja gelada”, resumiu.

A cerveja, portanto, não é apenas um produto numa gôndola ou um barril engatado. Ela é, segundo Simas, o elemento agregador na construção da sociabilidade da classe trabalhadora e permite a fruição do tempo, atuando como um poderoso instrumento de identidade comunitária.

A cerveja, o rito e a resistência

A relação do brasileiro com a cerveja também bebe em fontes ancestrais e espirituais. Simas, que pesquisa profundamente as culturas de matriz africana, pontuou que qualquer processo de diáspora tende a fragmentar o sentido comunitário de um povo, sendo a celebração coletiva e a festa as principais ferramentas de reconstrução de laços.

No Brasil, a festa não acontece porque a vida é fácil, mas justamente como uma ferramenta de sobrevivência diante das dificuldades. O ato de sentar no boteco e beber cerveja integra essa rede de reconstrução de identidades, onde o copo compartilhado cria um rito de comunidade. Essa ligação é tão profunda que se estende às próprias religiosidades afro-brasileiras urbanas, que usam, como Simas aponta, a cerveja preta como elemento ritualístico de oferenda.

Uma questão de sanidade contra a “cultura da urgência”

O recado do historiador também tocou em um ponto nevrálgico contemporâneo: a saúde mental. Simas alertou que vivemos uma época de “corpos saudáveis com mentes ferradas”, fruto de uma sociedade do desempenho que nos domestica para a hiperprodutividade e gera extrema ansiedade.

“As grandes cidades são cada vez mais hostis à cultura do encontro”, diagnostou. O uso excessivo do celular, as milhares de abas abertas e o esfacelamento das conexões reais criaram uma “cultura da urgência” que aniquila o sentido comunitário de viver. Nesse cenário caótico, o simples ritual de apoiar o cotovelo no balcão de um barzinho para beber uma cerveja se torna um ato subversivo e essencial para a preservação da mente.

“O ato de se encontrar para tomar cerveja no botequim, enquanto há um imaginário que mostra que é um ato que pode ser destruidor da sua saúde, a meu ver, é um ato de construção de sanidade”, cravou o professor. Simas defende que os ritos de sociabilidade ancorados na cerveja deveriam ser encarados quase como uma questão de saúde pública, combatendo o individualismo bruto que tem adoecido a sociedade.

A cerveja e o futebol

Por fim, ao falar de dentro de um estádio de futebol, Simas classificou como “uma insanidade absoluta” a proibição da venda de cervejas nas arquibancadas como medida de segurança pública em algumas regiões.

Ele argumenta que é um erro histórico associar a cerveja à violência e a brigas de torcidas. E ressalta que a bebida sempre pertenceu, na verdade, ao imaginário pacífico da sociabilidade urbana. “É mais fácil colocar a culpa na cerveja”, lamentou.

Conheça 3 estilos nacionais para comemorar o Dia da Cerveja Brasileira

Nesta sexta-feira, 5 de junho, é o Dia da Cerveja Brasileira. Não é uma data oficial, daquelas formalizadas em lei. Mas já faz 14 anos que um grupo de blogueiros de cerveja (no qual eu estava incluído) fez a proposta da comemoração para exaltar a produção nacional. Era 2012, o mercado cervejeiro estava começando a acelerar o passo no crescimento e a ideia pegou, gerando celebrações por todo o país depois disso.

Muita água passou por debaixo dessa ponte desde então. E agora em 2026, pela primeira vez na história, o Concurso Brasileiro de Cervejas (CBC) de Blumenau (SC) — a mais tradicional competição do Brasil — condecorou três cervejas de estilos nacionais como as três melhores da competição. Ou seja, o país desenvolveu e está consolidando não apenas um, mas alguns tipos de cerveja diferentes.

Nada melhor, então, do que celebrar o Dia da Cerveja Brasileira com rótulos autenticamente nacionais. Separamos algumas sugestões para você conhecer mais sobre esses estilos brasileiros e levantar um brinde à produção nacional, aos profissionais envolvidos e a todo o mercado.

As origens do Dia da Cerveja Brasileira

O Dia da Cerveja Brasileira foi criado pelos Blogueiros Brasileiros de Cerveja (BBC) para homenagear o catarinense Rupprecht Loeffler, o mestre cervejeiro mais antigo do país em atividade até sua morte, em 2011. O dia escolhido, 5 de junho, era seu aniversário.

O movimento também buscou educar o público para o consumo de marcas locais, desmistificar a produção independente e criar uma vitrine de visibilidade política e econômica voltada às demandas das microcervejarias. Assim, a data nasceu como um manifesto em defesa da cultura brasileira da cervejeira, incentivando o público a valorizar a história, a economia e a criatividade contidas no próprio copo.

Catharina Sour

O primeiro estilo de cerveja brasileiro, o Catharina Sour, foi criado a muitas mãos. Deu seus primeiros passos em 2015 no meio dos cervejeiros caseiros de Santa Catarina. A primeira produção profissional aconteceu em 2016 pelo Liffey Brewpub e em parceria com a Cervejaria Blumenau. A cerveja foi a Coroa Real, feita com abacaxi e hortelã.

No mesmo ano, o estilo foi discutido e pensado em uma reunião entre caseiros e profissionais na Cervejaria Armada, da região de Florianópolis (SC). E a partir dali, passou a ser produzido pelas cervejarias da região e do país. Em 2018 acaba sendo inserido no Guia de Estilos do Beer Judge Certification Program (BJCP), um dos mais utilizados do mundo. Trata-se do único estilo brasileiro formalizado em um guia internacional até agora.

Catharina faz uma referência ao estado em que surgiu. E “sour” significa ácido, já que se trata de uma cerveja de acidez acentuada, corpo leve, feita com trigo na receita e frutas frescas. É extremamente refrescante.

Pina Colada – Faroeste Beer

Além do Dia da Cerveja Brasileira, você pode comemorar os dez anos de produção profissional da Catharina Sour experimentando a segunda melhor cerveja do CBC deste ano: a Pina Colada. Trata-se de uma Catharina Sour com abacaxi e coco feita pela Faroeste Beer, de Itajaí (SC). E, de fato, lembra o famoso drink tropical com um toque extra da acidez.

Caju Pitang – Cervejaria Unika

Outra opção de destaque é a Caju Pytang, uma cerveja do mesmo estilo com caju e pitanga, produzida pela Cervejaria Unika, de Rancho Queimado, na Serra Catarinense. Ela levou medalha de ouro no World Beer Cup (WBC) este ano, o mais renomado concurso mundial de cervejas. Em 2026, o Brasil teve o melhor desempenho de todos os tempos na competição com três ouros, uma prata e um bronze.

Madeiras brasileiras

Ainda não há nos guias de estilo um lugar específico para as cervejas maturadas em madeiras brasileiras. No entanto, concursos nacionais como o CBC procuram valorizar esse tipo de produção, abrindo categorias de inscrição de amostras em suas competições.

O Brasil faz cervejas em madeiras brasileiras desde que começou a entrar na então tendência mundial de produção desse tipo de bebida. Uma das primeiras a explorar as possibilidades da flora do país foi a Way Beer, de Pinhais, na região metropolitana de Curitiba (PR). Ela lançou em 2010 a Amburana Lager, que chegou a ser citada em livro do escritor cervejeiro canadense Stephen Beaumont. Trata-se de uma Lager escura e intensa (8%) maturada em Amburana Cearensis, madeira típica da Caatinga e do Cerrado brasileiros, preparada com alta tosta.

Cacacu Wood – Cervejaria Patanegra

Também maturada em Amburana por dois meses, a Patanegra Cacacu Wood é uma Imperial Sour — cerveja ácida e alcoólica (7,5%) — feita com caju, cajá e cupuaçu. Ela foi condecorada com o prêmio máximo de melhor cerveja da competição, além de conquistar a medalha de ouro no estilo de cervejas ácidas com madeira brasileira.

É uma cerveja de cor dourada com notas destacadas da madeira, que é meio condimentada, quase como canela. As frutas também aparecem bem, com corpo médio-baixo e bom aquecimento alcoólico.

Terminus 2026 – Daoravida Brewpub

Outra cerveja do tipo que se destacou em competições recentemente é a Terminus 2026, do Daoravida Brewpub, de Campinas (SP). Ela também ganhou medalha de ouro no WBC, na categoria Wood- and Barrel Aged Strong Beer.

Trata-se da edição comemorativa de 11 anos da cervejaria. É uma Barley Wine maturada em Castanheira (Bertholletia excelsa). A série Terminus da Daoravida já coleciona mais de 20 medalhas.

Manipueira Selvagem

O estilo de cerveja manipueira selvagem faz referências aos caiuns, bebidas fermentadas dos povos originários brasileiros. Para fazê-la, se aproveitam os micro-organismos presentes no caldo liberado na prensagem da mandioca (a manipueira) para fermentar a cerveja. Também pode utilizar mandioca como parte dos amidos da produção, substituindo parte do malte de cevada.

O estilo nasceu em 2018 na Cervejaria Cozalinda, em Florianópolis (SC). A ideia foi ampliada em um projeto colaborativo com a Cervejaria Zalas, de Paraisópolis (MG), em 2022. No mesmo ano, a ideia ganhou apoio da Associação Brasileira de Cervejas Artesanais (Abracerva), que ampliou o escopo com adesão de 55 cervejarias de todo o país pra produzir cervejas desse estilo com terroir local de suas cidades de origem. A safra foi lançada em 2023 durante o evento Semana Selvagem em São Paulo.

Por ser fermentada com micro-organismos diversos, é também ácida, com notas rústicas que lembram couro, mas também frutadas, como abacaxi e frutas amarelas e brancas.

Alagoas Funky Wild – Caatinga Rocks

Diretamente da cidade de Murici, no estado de Alagoas, no Nordeste brasileiro, vem a terceira melhor cerveja do Brasil segundo o CBC: Alagoas Funky Wild. Feita pela cerveja Caatinga Rocks, é uma cerveja complexa, com toques rúticos, como couro, e que mistura notas de mandioca com frutados e condimentados diversos.

Já Passou o Paulo Lopix? – Cozalinda

Outra boa pedida é a Já Passou o Paulo Lopix?, da Cozalinda, a mais tradicional produtora desse estilo no país. São cervejas safradas com os anos de produção. Portanto, é possível também entender, numa degustação de várias safras diferentes, os efeitos do tempo e a evolução da fermentação na garrafa.