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12 opções imperdíveis de Oktoberfest para curtir pelo Brasil

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A  Oktoberfest é uma das principais celebrações alemãs e, também, uma das festas cervejeiras mais conhecidas pelo mundo e pelo Brasil. Isso porque o evento, que costuma ter diversas atrações culturais, gastronomia e muita cerveja, não é mais uma experiência exclusiva dos alemães. Ao longo dos anos, ele transpôs barreiras e ganhou importantes comemorações em outros países, como é o caso do Brasil.

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Por aqui, além de realizar a maior festa alemã fora da Alemanha, a Oktoberfest Blumenau, o evento costuma atrair multidões de pessoas nos dias de folia em diversas outras regiões do país. Por isso, o Guia preparou uma lista com algumas opções de Oktoberfest que acontecerão pelo Brasil. Veja a seguir:

Oktoberfest Blumenau
Maior festa alemã do Brasil e das Américas, a Oktoberfest Blumenau chega à sua 38ª edição em outubro e promete atrair milhares de visitantes à Vila Germânica, em Blumenau, Santa Catarina, entre os dias 4 e 22 de outubro. 

Nesta edição, a Spaten segue como a cerveja oficial do evento, que também contará com a presença de muitas marcas artesanais que levarão mais de 100 chopes e rótulos. Os estilos vão desde tradicionais, como Pilsen, IPA, APA e Weizen, a outros nem tão conhecidos pelo público geral, como Grisette Wild e Rye Lager.

Além das bebidas, a festa proporciona experiências pela gastronomia tipicamente alemã – são mais de 150 pratos tradicionais germânicos, como o bretzel, o goulash e o spätzle. Também fazem parte os salgados e os doces regionais, atrações sempre confirmadas na festa.

São Paulo Oktoberfest
De 06 a 22 de outubro, no complexo do ginásio do Ibirapuera, na cidade mais populosa do Brasil, a São Paulo Oktoberfest trará ambientes projetados para proporcionar uma experiência imersiva e espaços interativos com serviço de gastronomia e palcos para shows.

Um exemplo é a Biergarten, ou “jardim da cerveja”, um ambiente festivo ao ar livre com mesas comunitárias para interagir com todos os presentes. Além disso, a Vila Dos Patrocinadores terá programação intensa, com jogos e brincadeiras que valem brindes. 

Com mais de 15 estilos de chopes, o evento terá a Eisenbahn como a cerveja oficial em 2023.  E outra novidade será a presença da alemã Paulaner entre as cervejas disponibilizadas para o público na São Paulo Oktoberfest. A marca, aliás, é uma das participantes da festividade original, em Munique.

Oktoberfest Campos do Jordão 
Para celebrar uma das festas cervejeiras mais esperadas do ano, a programação no Parque da Cerveja Campos do Jordão, em São Paulo, contará com open food de comidas alemãs e open bier de rótulos da Cerveja Campos do Jordão. Neste ano, o evento é feito em parceria com o restaurante Alto da Brasa, e acontecerá de 12 a 15 de outubro, das 10h às 17h. 

O valor da entrada garante ao visitante um open bier de Lager e Festbier, rótulo criado exclusivamente para a data, ambas da Campos do Jordão; open food de comidas típicas alemãs; show com música ao vivo; chapéu e tiara da Oktoberfest; visita à extensão do Parque; visita à cachoeira, jardins e trilhas; acesso aos espaços gastronômicos; e acesso à loja de souvenirs do Parque.

Oktoberfest  Sorocaba
Já em Sorocaba, a Oktoberfest Burgman BBQ Festival acontece neste domingo, em parceria com a Cervejaria Burgman e o Dom Pimenta. A programação traz diversas opções de pratos da culinária alemã e mais de 8 estilos de Chope Burgman, além de muito entretenimento. O evento acontece das 11h às 21h, na Cervejaria Burgman, e também haverá espaço kids.

Oktoberfest Santa Cruz do Sul
Em Santa Cruz do Sul, na região Sul do Brasil, a 38ª Oktoberfest e a Feirasul 2023 estão marcadas para ocorrer de 5 a 22 de outubro e terão patrocínio da Eisenbahn. Os eventos são organizados em parceria pela Associação de Entidades Empresariais de Santa Cruz do Sul (Assemp) e pelo Município de Santa Cruz do Sul. Com o tema Nossa História, Nosso Futuro, a festa espera receber 500 mil visitantes com uma diversificada programação artística e cultural, com desfiles de carros alegóricos, apresentações de danças folclóricas e bailes típicos, entre outros.

Oktoberfest Igrejinha
Também com  patrocínio da Eisenbahn, a Oktoberfest Igrejinha, outra festa realizada no Sul do Brasil, está marcada entre os dias 20 e 29 de outubro, no Parque de Eventos Almiro Grings. A 34ª edição do evento terá atrações culturais, música, gastronomia típica e muita diversão. Os shows nacionais prometem animar o público com artistas como Luan Santana, Wesley Safadão e Alexandre Pires. Já entre as bandas de baile confirmadas estão nomes como Brilha Som e Corpo e Alma. Além disso, o público poderá conferir diversas bandas tradicionais, incluindo Orquestra Continental, Super Banda Choppão, Super Banda Real e um espaço na programação para bandinhas típicas e músicas de estilos variados e alternativos, como o rock.

Nova Oktoberfest 
Ainda no Rio Grande do Sul, a Prefeitura de Nova Petrópolis e a Associação de Danças Folclóricas Böhmerland promovem a Oktoberfest de 6 a 15 de outubro, na Rua Coberta. Entre as atrações estão bandas da região, grupos de dança da cidade e a Orquestra de Sopros. Haverá, ainda, os jogos germânicos do evento, como o tradicional Chope em Metro, e outras atividades recreativas para animar o público. Oito cervejarias irão garantir muito chope e diversão.

Oktoberfest Chapecó
Em Chapecó, a festa germânica deste ano acontece nos dias 10 e 11 de novembro e traz uma série de novidades, como a localização, que será realizada no novíssimo Pavilhão 1 da Efapi. Outra novidade é a coroação do rei do Tiro ao Alvo, além de outros jogos em equipe, como competições de chope na caneca. Na gastronomia, pratos típicos que oferecem uma experiência culinária autêntica e diversificada.

Oktoberfest do Ceará
A cervejaria cearense Turatti realiza no dia 7 de outubro, das 16h às 23h, a sua 1º edição do Beer Festival Oktoberfest. Serão sete horas de open bar com nove tipos de chopes, sendo o maior evento do segmento no Estado. A Oktoberfest acontecerá na fábrica da Turatti, localizada no bairro Lagoa Redonda. O festival é a estreia dos eventos na nova fábrica. 

Entre os chopes selecionados estão Lager, Munich Helles, Indian Pale Lager, Weiss, Red Lager, Black IPA, IPA e Session IPA. O evento ainda conta com comidas típicas alemãs e criações inovadoras, como o croquete de joelho de porco, croquete de brisket, bolinho de malte, batata frita, estação de churrasco e hambúrgueres.

Oktoberfest da Domingos Martins
Em Domingos Martins, no Espírito Santo, a Oktoberfest começou no dia 28 de setembro e vai até o dia 22 de outubro. Na programação estão shows, comidas típicas e muito chope de várias cervejarias artesanais capixabas, como a Trarko, a Barba Ruiva e a DM. Além das tradicionais bandas alemãs, grupos de danças típicas também se apresentam na segunda edição do evento, que conta ainda com um concurso de chope a metro, almoço típico alemão e diversas outras atrações.

Oktoberfest in Maravilha
A 13ª Oktoberfest in Maravilha, Santa Catarina, acontece  de 13 a 15 de outubro. No primeiro dia, a festa terá um jantar típico no Centro Cultural 25 de Julho, a partir das 19h30, contando com apresentações e brincadeiras. Na sequência, será promovido um baile com animação da Banda Magia Real.

No sábado, a carreata e a sangria do 1° barril de chope são as atrações. Já à noite estão previstas apresentações dos grupos de dança e baile com sete horas de música. Por fim, no domingo, além das apresentações artísticas, haverá almoço e matinê com a Banda G10 e K’necus.

Oktoberfest Marechal Cândido Rondon
Em Marechal Cândido Rondon, no Paraná, a prefeitura promoverá neste sábado o lançamento da Oktoberfest 2023. As atividades terão início pela manhã, com o desfile do bierwagen, pelas ruas do centro da cidade. Já à tarde, a programação seguirá na Casa Cultural, no Parque de Exposições, quando serão abertas as copas e o bar temático, que oferecerão lanches típicos e muito chope. Na sequência, será realizado o cerimonial de lançamento com a sangria do barril, o concurso da Rainha da Oktoberfest 2023, o concurso Casal Fritz e Frida 2023 e as apresentações culturais com baile e a Banda Los Angeles.

Livro explora relação entre sociedade e álcool: “Faz parte do tecido da vida”

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A literatura em língua portuguesa que aborda a interação da sociedade com as bebidas alcoólicas ganhou recentemente uma adição significativa com o lançamento do livro “Embriagados”, de autoria de Edward Slingerland. O trabalho tem potencial para ampliar os debates sobre a possibilidade de um consumo saudável de álcool e como ele pode trazer benefícios ao ser humano. “O álcool é uma substância prazerosa que faz parte do tecido da vida tradicional em todo o mundo”, afirma o autor.

Agora disponível no mercado brasileiro por meio da editora Krater, “Embriagados” apresenta, em seu subtítulo, pistas sobre os temas abordados e a visão de Slingerland a respeito da relação da sociedade com o álcool: “Como bebemos, dançamos e avançamos em direção à civilização”.

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O trabalho consiste em cinco capítulos, além de introdução e conclusão, nos quais são explorados diversos tópicos, como as razões que levam as pessoas a se embriagar, a relação entre a intoxicação e as origens da civilização e do mundo moderno, bem como o papel da bebida na criatividade e nas interações humanas. Além disso, o livro aborda o lado sombrio da bebida, incluindo o problema do alcoolismo.

A versão em português de “Embriagados” é apenas uma das muitas edições já publicadas em dez idiomas diferentes. Nesta obra, o filósofo norte-americano expande seu campo de atuação para investigar a complexa relação entre a humanidade e as bebidas alcoólicas, recorrendo a abordagens multidisciplinares que envolvem arqueologia, história, psicologia e neurociência para encontrar explicações para a afinidade da sociedade por essas substâncias.

Ao enfatizar a importância cultural das bebidas alcoólicas, incluindo rituais sociais e religiosos, Slingerland argumenta que elas desempenharam um papel fundamental na formação de comunidades humanas. Além disso, defende o consumo moderado e socialmente responsável de álcool, destacando a dimensão social desse ato. Segundo Slingerland, uma das motivações para escrever o livro é demonstrar que existem aspectos positivos associados ao álcool, pois, caso contrário, ele não teria persistido ao longo da história da evolução humana.

“Parte do ponto de ‘Embriagados’ é desbancar essa visão que tem sido dominante, de que nosso gosto pelo álcool é um erro evolutivo,” diz. “E mostrar que, na verdade, ele tem funções, como redução do estresse, aumento da criatividade, promoção de vínculos sociais e confiança. E isso é o que manteve o gosto pelo álcool em nossos repertórios genéticos e culturais por milhares e milhares de anos”, acrescenta.

Slingerland também advoga por uma mudança na abordagem governamental em relação ao álcool. “Um erro é que o álcool é tratado puramente do ponto de vista do risco à saúde. Portanto, quando o governo diz que não há nível seguro de consumo de álcool, o que eles estão dizendo é que o impacto fisiológico líquido em você de consumir álcool é negativo,” diz. “Parte do problema é essa perspectiva de mitigação de risco. E depois o outro é o fato de que o álcool é tratado como se fosse apenas um vício sem sentido, como nosso gosto por nicotina ou comida junkie ou pornografia,” acrescenta.

O autor acredita que é necessário compreender profundamente os efeitos do álcool, não apenas para gerenciar seus riscos, mas também para promover uma cultura saudável de consumo de álcool, em que a ênfase seja colocada na moderação.

“Precisamos entender as funções, porque é intrigante que nós, como espécie, bebemos essa substância perigosa e temos feito isso pelo tempo em que temos feito qualquer coisa,” comenta. “Acho que a resposta não é a regulamentação do governo. É emular culturas saudáveis de consumo de álcool”.

Vantagens do álcool
Para Slingerland, o álcool possui vantagens em relação a outras substâncias intoxicantes, devido ao conhecimento claro de seus efeitos, que são consistentes entre diferentes pessoas, e à rapidez com que eles aparecem e se dissipam.

“É a cronometragem de como metabolizamos o álcool que o torna uma droga social perfeita, porque você pode bebê-lo durante uma refeição, experimentar os efeitos da intoxicação leve. E, quando estiver pronto para ir dormir, ele já saiu do seu sistema. Portanto, existem outras substâncias intoxicantes e elas têm vantagens, mas nenhuma delas, há uma boa razão pela qual o álcool foi escolhido pela evolução cultural para ser a principal droga social,” conclui o autor de “Embriagados”.

Maior premiação dos EUA tem queda nos inscritos e ascensão da Light Lager

A maior competição entre cervejarias dos Estados Unidos, o Great American Beer Fest, tem papel fundamental na identificação de tendências e cenários no setor de cervejas artesanais do país. Na recente edição de 2023, a 37ª do GABF, campeonato organizado pela Brewers Association, associação que reúne cervejarias artesanais e independentes, destacou-se o crescimento da participação das cervejas do estilo Light Lager.

Em um momento em que a expansão das cervejas artesanais está desacelerando nos Estados Unidos, o GABF registrou uma queda no número de cervejarias e cervejas inscritas em 2023. Foram julgadas 9.298 cervejas, o que representa uma redução de 6,12% em relação à edição de 2022. Além disso, o número de cervejarias participantes diminuiu em 5,72%, totalizando 2.033.

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Dentre as categorias mais concorridas, as Juicy ou Hazy IPAs lideraram com 365 rótulos inscritos, embora com uma diminuição de dez em relação ao ano anterior. A vencedora nesse estilo foi a californiana 1852 Brew.

Outras duas variações de IPA também se destacaram entre os cinco estilos com maior número de inscrições no GABF de 2023. Participaram 301 West Coast IPAs, uma categoria que não esteve presente nas edições anteriores da premiação, com a Westbound & Down Brewing, do Colorado, conquistando a medalha de ouro.

A introdução de uma nova categoria teve um impacto nas inscrições de American IPAs, que caíram de 423 no ano anterior para 206, levando essa categoria do primeiro para o quinto lugar em termos de inscrições. A vencedora dessa categoria foi a Fat Head’s Brewery & Saloon, de Ohio.

Em um Top 5 dominado pelas IPAs, a Light Lager confirmou sua ascensão no mercado dos Estados Unidos ao alcançar a terceira posição em número de inscrições, com 284 rótulos, mais que o dobro das 143 de 2022. A melhor cerveja desse estilo foi produzida pela Nashville Brewing, do Tennessee.

Outro estilo que se destacou entre os cinco com mais inscrições foi o Pilsener, com 228 rótulos, cinco a menos do que em 2022. A medalha de ouro nessa categoria foi para a Lazarus Brewing, do Texas.

Já a cervejaria com o maior número de medalhas no GABF em 2023 foi a Third Eye Brewing, de Ohio, com quatro no total, incluindo dois ouros nas categorias Herb and Spice Beer e Chocolate Beer, além de duas medalhas de prata.

Com fábricas e brewpubs, Rio quer criar Rua da Cerveja na Rua da Carioca

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A Rua da Carioca, situada no centro do Rio de Janeiro, está prestes a passar por uma transformação, tornando-se a “Rua da Cerveja”. A Prefeitura do Rio lançou o programa “Reviver Rua da Carioca” com o objetivo de incentivar a instalação de fábricas de cerveja e brewpubs na tradicional rua, a revitalizando como um polo cervejeiro.

Para facilitar a criação de fábricas de cerveja e brewpubs na Rua da Carioca, o município está oferecendo incentivos, presentes nos editais abertos para atrair proprietários de imóveis interessados em alugar seus espaços e para selecionar as cervejarias que desejam se instalar no local.

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O financiamento disponível consiste em R$ 1.000 por metro quadrado para reformas e R$ 75 por metro quadrado para despesas mensais, com um limite de 200 metros quadrados. Os repasses mensais terão duração de 30 a 48 meses.

A Prefeitura do Rio de Janeiro também destaca que essa iniciativa contribuirá para a preservação do patrimônio histórico, uma vez que parte dos edifícios na Rua da Carioca possui status de tombamento.

Os estabelecimentos comerciais que desejam participar do projeto devem estar desocupados e ter fachada voltada para a rua. Já as cervejarias devem produzir e comercializar suas próprias marcas, oferecer atividades e eventos envolvendo o público e operar durante a noite e nos finais de semana. As inscrições para imóveis e projetos devem ser realizadas até o dia 21 de outubro.

O programa foi lançado pelo secretário de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Simplificação, Chicão Bulhões, e pelo presidente da Companhia Carioca de Parcerias e Investimentos, Gustavo Guerrante, com o objetivo de recuperar o comércio para revitalizar a rua, que, de acordo com a prefeitura, viu 50% de suas lojas fecharem durante a pandemia, agravando um declínio que já estava ocorrendo anteriormente.

“Nessa caminhada aqui da prefeitura, o ponto central é a recuperação do centro da cidade, porque tem toda a infraestrutura, tem capacidade de crescer. Além de ser o berço do país, é fundamental para a economia da cidade. Estamos aprovando incentivos, várias mudanças urbanísticas, para que possamos ver o centro reviver e ver a sua retomada”, diz Bulhões.

De acordo com os dados mais recentes do Anuário da Cerveja, uma publicação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o município do Rio de Janeiro abriga 18 das 120 cervejarias do estado, o que o coloca como o oitavo município com mais fábricas no país.

Balcão do Jayro: Onde há fumaça, há uma cerveja para harmonizar

Balcão do Jayro: “Onde há fumaça, há uma cerveja subestimada para harmonizar”

Aproveitando o assunto “fumaça” da coluna anterior (clique aqui), gostaria de fazer a seguinte declaração:

Cervejas defumadas, sejam elas Rauchbiers tradicionais ou mesmo versões modernas têm um potencial de harmonização incomensurável e, por muitas vezes, subestimado pelos próprios sommeliers.

Mas Jayro! São cervejas unidirecionais! Como pode?

De fato, mesmo a mais singela presença de maltes defumados costuma ser bem perceptível e pode, para a grande maioria, parecer enjoativo depois de alguns goles – com exceção do Viajante Cervejeiro, do Dr. Breja e deste que vos escreve, beberíamos litros de Rauchbiers bem contentes e até fizemos um webinar sobre cervejas defumadas em plena pandemia, com direito a entrevista com Matthias Trum, nada menos que a 6° geração de cervejeiros e donos da Schlenkerla.

Mas uma cerveja defumada bem-feita contém bem mais do que somente “bacon líquido”. O protagonismo é da fumaça, porém a base maltada –  que pode variar desde maltes claros, passando por maltes tostados, caramelos, até chegar em maltes torrados – está logo ali, abaixo da “cortina de fumaça”. E ela traz elementos interessantes para contribuir com a complexidade da cerveja. A levedura, no caso de Weizens e Porters defumadas, por exemplo, também trazem seu caráter para contribuir. Lúpulo geralmente é tímido no aroma e serve para equilibrar o dulçor da base maltada.

E tem algo a mais. Pelo menos, para mim, desperta algo ancestral. E não estou falando do fato de que parte das cervejas antes da revolução industrial e antes da invenção do coque provavelmente tinham algum caráter defumado presente devido a secagem do malte ao fogo (Não todas como às vezes se veem em histórias por aí, posto que o malte também poderia ser seco ao sol).

Para exemplificar o que quero dizer sobre ancestral, faço referência ao documentário “Cooked”, episódio “Fire”, disponível na Netflix e baseado no best seller “Cooked: A Natural History of Transformation” de Michael Pollan:

“Fogo é uma coisa poderosa. Acho que tem muito a ver com o fato de associarmos à comida. Pois somos a única espécie que cozinha. Nenhuma outra o faz. E quando aprendemos a cozinhar é que nos tornamos realmente humanos”

“[…]. Cozinhar é algo diferente. Há algo que nos atrai para a cozinha. E acho que isso tem a ver com o fato de que todos temos lembranças intensas de sermos alimentados pelas nossas mães, nossos pais ou nossos avós. Esse ato de generosidade e amor ainda está fortemente presente em nossa memória.

Podemos supor que o primórdio do ato de cozinhar foi de uma carne, uma caça, sendo assada sobre uma fogueira. Parece factível, ao menos para mim. No próprio documentário, Pollan nos apresenta o antropólogo Richard Wrangham e sua “cooking hypothesis”, na qual o controle do fogo e do ato de cozinhar levou à criação do homem moderno. Cozinhar tornou o alimento muito mais biodisponível e levou ao aumento da massa encefálica, assim como nos deixou com mais tempo para outras atividades.

Retornemos às Rauchs. Quando falamos de fogo, falamos de fumaça, de sabores defumados e tostados, não estamos recrutando o que há de mais antigo em nossa memória sensorial, reptiliana, em nosso “DNA”? Ao degustar uma cerveja com sabores defumados, não estamos trazendo à tona essa memória ancestral?

Para além desse componente ancestral, o defumado complementa praticamente qualquer gastronomia que não tenha esse sabor em algum dos ingredientes ou no método de cocção, ou realça o sabor defumado do prato que já o contenha. A base maltada de uma cerveja defumada geralmente traz notas tostadas que ficam excelentes com pratos com bastante umami.

Cerveja defumada e lámen? Duvido que me apresentem harmonização melhor com lámen que essa.

Cerveja defumada e porco? Maravilhoso!

Cerveja defumada e ovos? Divino!

Cerveja defumada e beterrabas assadas? Super!

Feijoada, cassoulet, favada, churrascos e parrillas, sobremesas à base de chocolates, literalmente QUALQUER embutido, queijos de casca dura, pastas com molho como carbonara ou cacio e pepe, salmão defumado, gravlax, charutos – em especial o toscano, um charuto…defumado! – Pratos com bastante bottarga ou ovas…até mesmo caviar, eu desafiaria qualquer champanhe a acompanhar essa interação. Sinceramente, o champanhe não teria a menor chance.

E, como fala muito bem Matthias Trum, ao beber uma Rauchbier, estamos dando um gole na história da cerveja.

Saúde!


Jayro Neto é sommelier de cervejas e Mestre em Estilos, tendo sido campeão do Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cervejas de 2019. É organizador de concursos da Acerva Paulista e juiz certificado pelo BJCP (Beer Judge Certification Program) com experiência nacional e internacional em concursos de cerveja. Também atua como conselheiro fiscal da Abracerva.

Matisse recria cerveja com técnica de congelamento lento e 14% de álcool

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O alto teor alcoólico e a técnica de congelamento lento são as características que a Matisse, uma cervejaria de Niterói (RJ), buscou ressaltar em sua mais nova criação, a Maruhy Ice, um rótulo que também é uma releitura de uma das mais conhecidas e premiadas cervejas do seu portfólio.

Inspirada no estilo alemão Eisbock, conhecido por seu alto teor alcoólico, a Maruhy Ice é uma extensão da premiada Maruhy, da própria Matisse, uma American Stout com nibs de cacau, 6,7% de graduação alcoólica e duas vezes medalhista na Copa Cervezas de America. Já a Maruhy Ice tem 14% de álcool.

Leia também – Entrevista: “Planejamos ser a melhor cervejaria do Brasil até 2027. E seremos”

“A Maruhy Ice é produzida através de congelamentos sucessivos, com separação e descarte da parte congelada. A parte não congelada, ao atingir a concentração desejada, resulta em uma cerveja de coloração negra intensa, com um aroma marcante de chocolate e malte torrado”, afirma Mário Jorge Lima, sócio-fundador da Matisse.

Segundo ele, os sabores presentes na cerveja original são intensificados na nova bebida, ressaltando o chocolate amargo e as nuances tostadas que lembram o café. Apesar de a novidade ter 51 IBUs, Mario Jorge destaca que o amargor é quase imperceptível, mascarado pela alta complexidade da cerveja.

“O elevado teor alcoólico resultante (14% de graduação alcoólica) também se harmoniza com o corpo intenso e a complexidade elevada da cerveja, tornando-o quase imperceptível. Isso, juntamente com um baixo dulçor, confere à cerveja uma elevada capacidade de ser bebida, sendo necessária cautela para os apreciadores mais entusiasmados”, enfatiza.

Com relação ao processo de congelamento lento, o fundador da Matisse explica que, nessa técnica, a temperatura é reduzida gradualmente, permitindo que os cristais de gelo se formem nas áreas onde a temperatura é mais baixa, sem congelar a cerveja como um todo.

“Em cada etapa, a parte congelada é separada e o líquido resultante, mais alcoólico e concentrado, é submetido a uma nova etapa de congelamento em um nível de temperatura mais baixo. Esse processo se repete até que se atinja o nível desejado de concentração e graduação alcoólica”, diz.

Portanto, como ele destaca, esse processo confere um diferencial à bebida, permitindo a obtenção de cervejas com corpo mais intenso e teor alcoólico mais elevado, sem submeter o malte a um processo de fervura prolongado. “Isso resulta em uma cerveja altamente complexa, encorpada e alcoólica, mas com a frescura e suavidade das cervejas mais leves”, completa.

A Maruhy Ice está disponível no bar da fábrica da Matisse, localizado em Niterói. A marca também promete levar essa novidade ao Mondial de la Bière Rio, marcado para 11 a 15 de outubro.

68% dos torcedores bebem cerveja, mas restrições limitam acesso nos estádios

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Apenas três de cada dez torcedores de futebol no Brasil não são fãs de cerveja. O dado é confirmado pelo relatório Convocados 23, produzido pelo economista César Grafietti, especialista em finanças do futebol, apontando que 68% dos torcedores consomem cerveja. Neste domingo, porém, não haverá o produto, ao menos em sua versão com álcool, nas arquibancadas do Morumbi para um dos mais importantes jogos do ano entre clubes no país, a decisão da Copa do Brasil entre São Paulo e Flamengo.

São Paulo é um dos estados brasileiros que proíbe a venda de cerveja em seus estádios. Como resultado, houve aumento no consumo nos arredores dos estádios, seja em bares ou por meio de vendedores ambulantes, com o público passando pouco tempo nas arquibancadas. Assim, a proibição parece concentrar os torcedores em outros locais, em vez de efetivamente proibir o consumo de álcool.

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“A liberação da comercialização de bebida alcoólica dentro das arenas aumentará o tempo médio em que o torcedor ficará dentro dessas dependências, e a consequência é o aumento do consumo de produtos e serviços. Além disso, tende a melhorar o fluxo dos torcedores em horários de pico para a entrada e saída dos jogos. Junto com a liberação da comercialização de cervejas deve ter um investimento em campanhas publicitárias de conscientização do consumo moderado de bebida alcoólica”, diz Fábio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports e especialista em marketing esportivo.

Em São Paulo, a proibição da venda de cerveja nos estádios durante os jogos remonta a 1996, quando foi motivada por um conflito entre torcedores do São Paulo e do Palmeiras no Pacaembu, após a final da Supercopa São Paulo de Juniores. Essa proibição só foi levantada no estado pela Lei Geral da Copa, legislação federal, durante a Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Já são, portanto, quase três décadas sem que os clubes paulistas possam vender cerveja aos torcedores, perdendo assim uma fonte potencial de receita.

“A liberação da venda contribuiria para outros fatores importantes, como o aumento do faturamento especialmente dos clubes que promovem o espetáculo. Além disso, a liberação abre um leque maior de parcerias com as marcas, que poderão fazer mais ativações no ambiente interno do estádio, tornando o espetáculo ainda mais atrativo, e realizando campanhas de conscientização para que os torcedores não exagerem, pois atos incomuns podem afetar outras pessoas e também os próprios clubes com eventuais punições no âmbito desportivo”, afirma Renê Salviano, CEO da Heatmap e especialista em gestão esportiva.

A proibição da venda de cerveja nos estádios de São Paulo é especialmente frustrante para as torcidas dos dois principais clubes alvinegros do estado, o Santos e o Corinthians. O Relatório Convocados 23 mostra que a cerveja é um destaque no consumo de 81% dos santistas e 75% dos corintianos.

A situação é semelhante para os torcedores do Grêmio, que não podem comprar cerveja dentro do estádio do clube, embora 76% deles consumam regularmente a bebida. Coincidentemente, o deputado estadual Gaúcho da Geral, conhecido torcedor do clube, tem a liberação da venda de bebidas alcoólicas nos estádios como uma de suas principais bandeiras.

Por outro lado, três das torcidas mencionadas no Relatório Convocados 23 não enfrentam esse problema quando vão aos jogos de seus clubes como mandantes. O documento revela que a torcida do Bahia é a que mais consome cerveja, com 82%. E os números também são alto entre os torcedores do Atlético-MG, com 79%, e do Fluminense, com 76%.

Nesses casos, os estados da Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro permitem a venda de cerveja nos estádios. Renê Salviano espera que essa situação mude um dia em São Paulo, desde que seja acompanhada por campanhas de conscientização.

“O produto futebol de um modo geral e a experiência dos jogos tendem a ser mais incrementados com a inserção da venda de cerveja. No entanto, é sempre importante ressaltar que os responsáveis pelos eventos e as autoridades realizem um monitoramento em relação ao comportamento dos torcedores. Afinal, todos sabemos que esta lei surgiu a partir de um triste episódio envolvendo brigas entre torcidas e ninguém quer que este tipo de situação se repita ou seja recorrente, e muito menos seja potencializado pelas bebidas”, diz.

Confira as torcidas que têm a cerveja como destaque de consumo, segundo o relatório Convocados:
Bahia – 82%
Santos – 81%
Atlético-MG – 79%
Fluminense – 76%
Grêmio – 76%
Corinthians – 75%

Menu Degustação: 5 anos do Champions Beer, espaço da Heineken na F1…

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Os dois próximos finais de semana serão de celebração da cerveja em Campinas. Afinal, o Champions Beer vai comemorar os seus cinco anos de realização com uma edição ainda mais especial, que contará com 18 shows e a presença de 16 cervejarias artesanais ao longo de seis dias.

Já para quem está mais focado em preparar a agenda, a Heineken abriu venda de ingressos para o seu espaço no GP do Brasil de Fórmula 1, marcado para novembro. E a Academia da Cerveja aceita inscrições para os seus cursos online focados em food safety.

Leia também – Lager com mandioca: Veja cervejas de projeto entre Colorado e 5 marcas

Confira essas e outras atrações do setor no Menu Degustação do Guia:

Atrações dos 5 anos do Champions Beer
O Champions Beer está comemorando 5 anos e preparou uma programação especial para celebrar o aniversário. O evento é voltado para todos os públicos e contará com produtos de microcervejarias paulistas, shows ao vivo e espaço para quem quiser acompanhar a final da Copa do Brasil neste domingo. A 11ª edição do Champions Beer acontecerá ao longo dos próximos dois finais de semana, desta sexta-feira até domingo (22 a 24) e de 29 de setembro a 1º de outubro, no estacionamento do Galleria Shopping, em Campinas. A entrada é gratuita tanto para a área reservada ao evento quanto para os shows.

Espaço da Heineken no GP do Brasil
A Heineken é a patrocinadora global do GP de São Paulo de Fórmula 1 e pelo segundo ano consecutivo contará com o Heineken Village. Este espaço, em formato de estrela, oferece uma das melhores vistas do Autódromo de Interlagos, com 30 mil metros quadrados de área, que inclui experiências exclusivas, tirolesa, DJs e proporciona uma visão a apenas 30 metros da pista, cobrindo cerca de 70% do circuito. O Heineken Village estará em funcionamento durante o fim de semana do GP de São Paulo, que ocorre em 3, 4 e 5 de novembro. Os ingressos já estão disponíveis para o público e são válidos para os três dias do evento.

Cursos da Academia da Cerveja
A Academia da Cerveja está com inscrições abertas para uma nova edição de seus cursos de Food Safety, voltados para profissionais da indústria cervejeira, com início na próxima terça-feira (26). Os cursos abordam questões relacionadas à segurança alimentar e estão projetados para atender às necessidades de diversos públicos dentro do setor cervejeiro. Cada curso tem uma carga horária de 16 horas, divididas em 4 módulos de 4 horas cada. As inscrições estão disponíveis no site da Academia da Cerveja e são gratuitas.

Conexão Circular das latas
O setor brasileiro de latas de alumínio para bebidas aderiu ao Movimento Conexão Circular, uma iniciativa do Pacto Global das Nações Unidas. A adesão ocorreu em Nova York, como parte das atividades da Assembleia Geral da ONU. O presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio (Abralatas), Cátilo Cândido, assinou o compromisso em nome de todo o segmento de latas de alumínio do Brasil. O Movimento Conexão Circular concentra seus esforços no alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 12, que trata de consumo e produção responsáveis, com o objetivo de eliminar o descarte de resíduos em aterros e promover a reciclagem de produtos até 2030.

Inscrições prorrogadas para o Lata Mais Bonita
Cervejarias de todo o país ganharam um prazo extra e agora têm até o dia 2 de outubro para se inscreverem no concurso “Lata Mais Bonita do Brasil”, que busca reconhecer o talento e a criatividade no design de latas de alumínio que convidam os consumidores à experiência do consumo. A inscrição é gratuita, e cada cervejaria pode inscrever até cinco rótulos. Organizado pela Abralatas, o concurso oferece como prêmio o direito de usar o selo “Lata Mais Bonita do Brasil” e uma visita guiada a uma fábrica de latas. Além disso, os participantes e vencedores recebem ampla visibilidade.

Petrópolis em congresso de inovação
O Grupo Petrópolis estará presente no 10º Congresso Internacional de Inovação da Indústria em parceria com o Senai. Neste evento, eles lançarão a Missão Estratégica de Circularidade do Vidro, que tem como objetivo fortalecer a economia circular, focando no aumento da captação de embalagens de vidro pós-consumo. O evento vai acontecer na próxima quarta e quinta-feira (27 e 28).

Dádiva relança a Fight the Power
A “Fight the Power” da Dádiva foi lançada na campanha de Dia das Mulheres deste ano e agora está disponível em um segundo lote. Trata-se de uma West Coast IPA com teor alcoólico de 6,3%, apresentando aromas frutados que lembram manga e melancia, com um toque de laranja doce no final. No paladar, destacam-se notas resinosas, culminando em um final seco. A cerveja presta homenagem a mulheres como Anas, Fernandas, Julianas, Marianas, Luizas e tantas outras que, com verdade, amor e coragem, lutam diariamente por respeito e equidade em um sistema no qual as mulheres possam, finalmente, deixar de lutar e começar a viver seus sonhos.

Dalla celebra conquista
Com 12 anos de trajetória, a Dalla, cervejaria de Chapecó (SC), celebrou recentemente a conquista da medalha de ouro na categoria Pilsen do Brasil Beer Cup, esperando que esse resultado a ajude a alcançar novos públicos. “É recente a implementação de uma tecnologia europeia para envasar o chope de 1,5 litro na embalagem growler PET, que elevou nosso produto para outro patamar”, diz Braulio Dalla Vecchia, CEO e um dos fundadores da Dalla.

Mulheres na produção
O Grupo Heineken anunciou o lançamento do programa “Elas que Brilham”, uma iniciativa afirmativa para mulheres que aspiram a carreiras na produção de marcas como Heineken, Amstel, Baden Baden e Eisenbahn. O programa tem como objetivo acelerar a ascensão das participantes para posições de liderança na área de produção em até 12 meses. Na primeira edição do programa, 11 mulheres foram selecionadas após um processo seletivo que envolveu candidatas de diversas cidades e áreas de atuação

Ambev além da cerveja
A Ambev acaba de lançar sua maior campanha do ano, e ela não é sobre uma cerveja. Com a ambição de incluir produtivamente 5 milhões de pessoas até 2032, oferecendo uma rede de conexões, conhecimento e empoderamento financeiro, a empresa apresenta uma campanha que demonstra, na prática, o impacto da inclusão produtiva na vida dos brasileiros. Sob o lema “ninguém chega lá sozinho”, a Ambev demonstra como a capacitação, conexões e renda podem transformar permanentemente a vida das pessoas, impulsionando suas carreiras e oferecendo oportunidades reais de trabalho capazes de mudar a história e a realidade de muitas famílias.

Entrevista: “Planejamos ser a melhor cervejaria do Brasil até 2027. E seremos”

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Ano após ano, as competições cervejeiras apresentam aos apreciadores das artesanais tanto os vencedores já conhecidos quanto algumas novidades. Em 2023, no segundo grupo, embora não seja uma recém-chegada ao segmento, está a Big Jack Cervejaria, uma marca da cidade catarinense de Orleans (SC), que se destacou em três dos principais campeonatos do setor.

Desde março, a Big Jack conquistou o terceiro lugar no Concurso Brasileiro de Cervejas, foi campeã da South Beer Cup e se consagrou como a melhor cervejaria de médio porte no Brasil Beer Cup. Todo esse sucesso foi o tema de mais um episódio do Guia Talks, o 21º, com Marcelo Dalazen, proprietário da cervejaria catarinense.

Durante a conversa, ele explicou as estratégias da Big Jack para atrair os consumidores e se destacar nas competições. Segundo o proprietário, a marca aposta na variedade de estilos em seu portfólio e trabalha em conjunto com a comunidade de Orleans para construir uma cidade mais voltada para a cultura cervejeira.

Os sucessos nas competições estão relacionados aos planos traçados ainda quando a Big Jack era uma cervejaria em formação. Dalazen relata que, em 2017, ao participar do Empretec, um programa de formação de empreendedores promovido no Brasil pelo Sebrae, estabeleceu a meta de ter a melhor cervejaria do país em dez anos. E ele assegurou ao Guia Talks que alcançará esse objetivo.

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Confira os principais trechos da conversa com Marcelo Dalazen, proprietário da Big Jack Cervejaria:

Como a Big Jack surgiu?
A Big Jack foi fundada em 2016, embora no logotipo esteja 2011, que foi quando eu comecei a produzir na panela. E tudo começou com uma história curiosa, porque eu não gostava de cervejas comerciais e até hoje não as bebo. Então, eu fui para Blumenau, para ser padrinho de casamento e pedi samba, que em Santa Catarina é uísque com coca. E o atendente ofereceu cerveja, dizendo que a artesanal era diferente. Experimentei, gostei e voltei no dia seguinte. Quando retornei para Orleans, uma pequena cidade na Serra Catarinense, não tinha cervejas artesanais para comprar. Então, fui para a internet para comprar, vi uma propaganda de equipamentos e também adquiri. Comecei a fazer e a gostar do que fazia, porém dava muito trabalho. Também comecei a estudar, fui desenvolvendo meus métodos e ganhei algumas medalhas. E em 2016 resolvi fazer em escala industrial.

Como você avalia a trajetória da Big Jack até o momento?
Eu não fiz faculdade, só estudei até o segundo grau. E eu fiz o Empretec. E uma das metas era ter a melhor cervejaria do Brasil até 2027. Então, mais recentemente, começamos a participar de concursos, sabendo que as nossas cervejas são boas. Esse ano, o nosso primeiro em Blumenau, ganhamos seis ouros. Foi até mais do que o primeiro e o segundo colocados, mas ficamos atrás na pontuação. E fomos os melhores de Santa Catarina. Isso nos credenciou a participar da South Beer Cup. Conseguimos cinco medalhas dois ouros, dois bronzes e uma prata. Então, estamos no rumo da meta que foi traçada no Empretec, de sermos a melhor cervejaria do Brasil até 2027. E vamos conseguir isso.

Após o sucesso alcançado pela Big Jack, como você vê a importância das competições para as cervejarias?
As competições oferecem um respaldo importante para nossos clientes e fornecedores. Nossas cervejas estão disponíveis em muitos pontos de venda, então as medalhas conquistadas servem como um selo de qualidade. Na South Beer Cup, enviamos praticamente as mesmas cervejas que competiram em Blumenau e conquistamos praticamente as mesmas medalhas. Os juízes são altamente qualificados e sua avaliação atesta a qualidade do nosso produto para os consumidores. Em Blumenau, ficamos em terceiro lugar, com as duas primeiras cervejarias sendo praticamente vinícolas, premiadas apenas em categorias que eram de cervejas envelhecidas em barris de madeira. Enquanto isso, conquistamos medalhas de ouro em estilos de cervejas das quatro principais escolas cervejeiras: alemã, inglesa, belga e americana. Isso demonstra que não nos limitamos a um único estilo de cerveja; somos competentes em produzir diversos estilos, cada um com suas particularidades.

Como é a estrutura da Big Jack?
Atualmente, produzimos cerca de 50 a 60 mil litros de cerveja por mês, mas temos capacidade para chegar a até 100 mil litros. Todas as nossas cervejas são produzidas em escala comercial, não fazemos experimentos. O que enviamos para os concursos é o mesmo produto que entregamos em nossos bares e pontos de venda. Somos um pouco diferentes do padrão no mundo da cerveja, pois acreditamos em abordagens diferentes em partes do processo, como o uso de água em vez de glicol para resfriamento. Além disso, pasteurizamos todas as nossas cervejas, inclusive uma que ganhou medalha de ouro após a pasteurização.

O que torna a Big Jack diferente das outras cervejarias artesanais?
Geralmente, em nosso bar, servimos a cerveja em uma caneca congelada, por exemplo. Alguém pode perguntar: ‘Mas é muito mais fácil você lavar um copo e servir a cerveja em um copinho’. E alguém pode dizer que assim o cliente não consegue sentir tudo que a cerveja tem para oferecer na caneca. Concordo, mas você faz quais testes de qualidade da cerveja? A gente garante a qualidade do produto. Não colocamos chopeira em nenhum ponto de venda, tudo é servido com barril refrigerado. Atendemos o povão, quem gosta de cervejas, mas entregamos a melhor cerveja que conseguimos lá na ponta. Também temos o lema de que não é só sobre cervejas. Quando você visita a Big Jack, vai ver que apoiamos causas sociais e culturais. Somos patrocinadores de tudo o que acontece no nosso entorno. Acreditamos que ao crescer junto, se cresce mais. Nos envolvemos com a comunidade.

Como a Big Jack se relaciona com a comunidade de Orleans e arredores para promover a cultura cervejeira?
Durante muito tempo, dei cursos gratuitos, ensinando como fazer cerveja. E minha cidade tem muitos cervejeiros caseiros. Temos uma das maiores concentrações em volume de cervejeiros caseiros no Brasil. Numa cidade de 20 mil habitantes, temos cerca de 200 cervejeiros aqui. Recentemente, fizemos uma brassagem coletiva na fábrica. Todo mundo veio, trouxe sua fermentadora e, depois, em um encontro, vamos tomar 30 cervejas diferentes. Também já fizemos concursos, estamos sempre voltados para os cervejeiros caseiros. E quando eu entro no pub, tanto aqui como em parceiros nossos, eu sempre vejo alguém que participou do curso. Quando você tem um negócio, você tem que dar razões para as pessoas irem ao seu estabelecimento. Eu olho para o pub da Big Jack e está sempre lotado. Alguns vão para conhecer, outros vão pela música, outros vão pela comida, e outros vão porque os ensinamos a fazer cerveja. Sempre que vou ao pub, vejo alguém que começou a fazer cerveja porque eu dei um curso gratuito. Eu acho que isso ajuda muito a fortalecer a cerveja aqui na nossa região.

Você mencionou a variedade de estilos da Big Jack. Como vocês decidem o que criar e produzir?
A minha cidade é linda, tem muitas comunidades, uma só com alemães, outra em que predomina a cultura italiana… São sete, oito etnias que vieram para cá, tem bastante cultura de outros países. Então, focamos em vários estilos de cerveja e tentamos executar da melhor maneira possível. Além disso, ficamos muito próximos dos produtores rurais, vamos aonde eles estão, conversamos, integramos todo o ecossistema. E cuidamos muito da entrega do produto para o cliente, nossos pontos são todos em cadeia refrigerada. Nunca você vai ver um barril da Big Jack estragando numa chopeira. Buscamos cuidar até o momento do consumo do cliente.

Como investir na indústria da cerveja

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Não há momento melhor para investir na indústria da cerveja do que agora. O setor cervejeiro continua a crescer anualmente, com um aumento de 11,6% registrado em 2022. Existem 1.729 cervejarias registradas no país, abrindo caminho para mais produtos de cerveja inovadores competirem no mercado global. Além disso, o Brasil é o 3º maior produtor de cerveja do mundo, com previsão de alcançar um volume de vendas de 16,1 bilhões de litros em 2023, um crescimento de 4,5% em relação ao ano passado. Portanto, as pessoas que desejam investir na indústria da cerveja podem esperar uma perspectiva positiva.

Se você está interessado em fazer isso, mas não sabe por onde começar, aqui estão algumas maneiras de investir na indústria da cerveja:

Ações

Você pode investir na indústria da cerveja colocando dinheiro em ações de cervejarias. Isso é um título que permite que você tenha uma propriedade parcial de uma empresa de cerveja e permite que você lucre quando o preço de suas ações aumenta. A empresa usa o dinheiro da venda de ações para financiar várias iniciativas, como criar um novo sabor de cerveja.

Para começar a investir em ações de cerveja, você precisa abrir uma conta em uma corretora e reservar algum dinheiro para depositar. Ao escolher em quais ações investir, certifique-se de que a cervejaria seja promissora ou tenha um histórico de bom desempenho. Caso contrário, seu investimento pode ir para uma empresa que não está causando impacto na indústria da cerveja, o que, por sua vez, pode levar a uma queda no preço das ações.

Por exemplo, embora a Ambev seja uma das cervejarias brasileiras mais bem-sucedidas, suas ações recentemente caíram em agosto, com uma desvalorização total de 4,7% desde janeiro. A empresa tem enfrentado oportunidades limitadas de crescimento, então é melhor procurar outras cervejarias no momento, como a Brasil Kirin, que foi adquirida pela Heineken em 2017.

Commodities

As commodities são produtos brutos comprados, vendidos e negociados. Os preços das commodities tendem a se mover na direção oposta das ações, portanto, esta é uma ótima alternativa se as ações não estiverem se saindo bem.

Quando se trata de negociar commodities, as mais populares são metais preciosos e energias, porque essas têm variações de preço frequentes. Apesar disso, as commodities na indústria da cerveja, como a cevada, são uma ótima opção. A cevada é essencial para a produção de cerveja, então negociar com ela ajuda você a aproveitar a crescente demanda. Como mencionado acima, o setor cervejeiro no Brasil está se expandindo, então mais cervejarias precisarão de cevada. Desta forma, você permite que essas cervejarias tenham acesso à matéria-prima, investindo assim na indústria da cerveja.

Você pode negociar commodities por meio de uma plataforma de negociação, especialmente uma onde você possa ver movimentos de preço em tempo real, já que isso pode mudar rapidamente devido a fatores como notícias. Por exemplo, o preço da cevada pode mudar instantaneamente se o Brasil estiver com baixo estoque devido a desastres naturais.

Investir em uma cervejaria

A forma mais direta de investir na indústria da cerveja é contribuir para uma cervejaria existente. Quando você investe dinheiro em uma cervejaria, pode aumentar seus recursos financeiros para expandir a empresa e buscar produtos de cerveja mais inovadores. Dessa forma, você contribui para o potencial sucesso de uma cervejaria, ajudando a estabelecer seu nome na indústria da cerveja.

Se você já tem uma cervejaria em mente, pode perguntar se eles estão procurando investidores ou emprestar dinheiro para empreendedores que desejam criar uma cervejaria. Da mesma forma que escolher ações e commodities para negociar, você deve ser sábio ao escolher uma cervejaria para investir, para ter certeza de que seu dinheiro será realmente usado para o bem. Algumas das melhores cervejarias deste ano incluem a Tutta Birra e a Irmandade Cervejaria Artesanal, pois elas mostraram as bebidas mais promissoras entre milhares de opções. Ao investir em tais cervejarias, você pode garantir que está ajudando uma empresa que está a caminho do sucesso.

Investir na indústria da cerveja é uma maneira de aproveitar o crescimento contínuo do setor. Felizmente, você pode fazer isso de várias maneiras, investindo em ações e commodities ou financiando sua cervejaria favorita.