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O que pensa o Guia: Só existe um lado possível – o da democracia

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Nomear e classificar são desafios para todos: para os cientistas, em suas pesquisas estudos e descobertas; para os recém-transformados em pais, com seus filhos; para cervejeiros, que buscam a melhor acolhida para seus produtos; para a sociedade e a imprensa, em busca de relatar o que está acontecendo, qual é a última novidade.

No Brasil, apenas para ficar em casos recentes, falas fascistas foram classificadas como polêmicas. Participantes de atos que defendem o fim da democracia foram jocosamente definidos como lunáticos. E ataques contra princípios democráticos foram apontados como liberdade de opinião.

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Não foi por falta de aviso. Se o marco temporal do início da era mais recente de ataques à democracia foram os atos financiados com recursos públicos de 7 de setembro de 2021, quando a Independência do Brasil foi sequestrada, alguns dos acontecimentos pós-eleição de 2022 mostraram que não seria fácil fechar a caixa de Pandora. Destaque (negativo, claro) para os atos de vandalismo na sequência da diplomação do presidente Lula e a ação que debelou um ataque terrorista próximo ao aeroporto de Brasília às vésperas do réveillon.

Os atos do último domingo (8) na capital federal, com ataques às sedes dos três poderes e a depredação de valiosos bens públicos, representaram um passo além. Depois de semanas encastelados na porta de quartéis espalhados pelo Brasil sem qualquer pauta de reivindicação, fascistas buscaram causar caos com o intuito de derrubar a democracia.

A gravidade se deu não apenas pela pauta golpista e seus perpetradores, mas também por aqueles que não invadiram as sedes dos poderes, porém permitiram que tudo isso acontecesse: o Exército, artífice do Golpe de 1964, as forças de segurança do Distrito Federal e seu governador, pela inação, no mínimo, negligente, assim como dos mandantes do ato, sejam intelectuais ou financiadores, que transformaram pessoas em massa de manobra para um ataque à democracia.

Esse ataque derruba outro erro de nomeação e/ou classificação. Não existe – e nunca existiu – a polarização tantas vezes propagada durante o período eleitoral, e mesmo antes dele. O que há de existir, a partir de agora, espera-se, é uma única força que coadune diferentes personagens em busca da emergência democrática que atinge o Brasil.

Essa força precisa agir contra a inação do Exército que, outra vez em nossa história, desempenha um papel desonroso contra o Estado de Direito. Alguns dos seus membros sempre fizeram parte da ala dos sabotadores da democracia. E foram reforçados por empresários, políticos e grupos privados que, como demonstram no último domingo, financiaram e formaram milícias dispostas a praticarem atentados.

A resposta contra os que ameaçam o país precisa vir da sociedade civil, unida em torno dos princípios da democracia, assim como dos poderes, com a apuração e a culpabilização dos responsáveis por tais ataques tresloucados. Sim, dessa vez sem a anistia que embaralha mentes e a história, ameaçando o Estado de Direito.

Precisamos dar nomes e classificar o que vem acontecendo do modo certo. Como sociedade, devemos construir o convívio democrático na diversidade, que permita o debate dos contrários e, claro, a inclusão de grupos minorizados. Democracia para sempre!

Copa ajuda e produção de alcoólicas cresce após 2 meses; veja análises

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Após dois meses de queda, a produção de bebidas alcoólicas se recuperou no Brasil e apresentou alta de 1,4% em novembro de 2022, de acordo com o IBGE, na comparação com o mesmo mês de 2021. Foi um crescimento maior do que o da produção industrial, que ficou em 0,9% na análise anualizada, com queda de 0,1% ante outubro.

Mesmo com a alta em novembro, a produção de bebidas alcoólicas no Brasil está em queda em outros dois cenários. O recuo é de 0,6% em 2021 e de 1% no período acumulado de 12 meses.

Esse resultado da atividade industrial em novembro provocou visões diferentes de analistas de mercado. No Monitor do Mercado, a XP Investimentos relatou que “a produção de bebidas alcoólicas veio acima das nossas estimativas (7,5%) e, aplicando a sazonalidade, as estimativas para o 4T aumentam 5,0%”.

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Assim, exibiu otimismo com os próximos resultados da Ambev. “Após uma queda em outubro, mas com uma surpresa positiva em novembro, uma vez que aplicamos a sazonalidade, nossa regressão sugere volumes para a Cerveja Brasil da AmBev ligeiramente abaixo (-1,6%) do que estimamos para o 4T, mas continuamos confiantes principalmente devido à recuperação do canal on-trade (bares e restaurantes) e consumo fora de casa impulsionado pela Copa do Mundo”, diz.

Para analistas do Morgan Stanley, porém, o resultado deveria ter sido melhor, pois novembro marcou o início da disputa da Copa do Mundo no Catar, com a realização de jogos nos 11 dias finais do mês. Eles avaliam que o clima, com chuva e temperaturas mais amenas do que o usual para o período, pode ter provocado esse resultado.

“Dado que os números mensais já foram provavelmente impactados até o início da Copa do Mundo, esperávamos um desempenho melhor para a indústria. Talvez as temperaturas mais baixas em novembro possam ajudar explicar o desempenho indiscutivelmente inferior (novembro foi muito mais frio do que a média em regiões-chave, embora também chuvosa)”, afirmam Ricardo Alves e Lucas Mussi.

Os analistas do Morgan Stanley lembram, ainda, que a seleção brasileira foi eliminada precocemente na Copa do Mundo e que os feriados de Natal e réveillon aconteceram no fim de semana, o que pode ter provocado impacto negativo na demanda por cerveja em dezembro, em efeito que tornará o começo de 2023 mais desafiador.

“Olhando para o futuro, questionamos como se deu efetivamente a demanda/produção em dezembro também considerando a saída relativamente precoce do Brasil da competição de futebol e também levando em conta um clima persistentemente mais frio/chuvoso em todas as regiões, bem como as datas da temporada de férias (Natal e Ano Novo no fim de semana)”, dizem. “Isso sugere uma demanda um pouco mais difícil pelo cenário no Brasil, por isso continuamos mais cautelosos com a demanda de cerveja em 2023, pelo menos por enquanto”, acrescentam os profissionais do Morgan Stanley.

Produção industrial
Se a produção de bebidas alcoólicas apresentou resultado positivo em novembro, o desempenho das não alcoólicas foi ainda melhor no período, com alta de 10,5% ante o mesmo mês de 2021. Com isso, passou a acumular crescimento de 10,2% em 2022 e de 9,2% de dezembro de 2021 a novembro do ano passado.

O resultado também causou impacto na produção de bebidas, que expandiu 5,8% em relação a novembro de 2021 e 10,3% ante outubro de 2022. No ano, a alta é de 3,5%, ficando em 2,7% no período de 12 meses.

O crescimento de dois dígitos do setor de bebidas pode ter relação com o atendimento de fim de ano, explicou o gerente da pesquisa, André Macedo. Ele ressalta, no entanto, que essa atividade vinha com perdas importantes nos dois meses anteriores.

Já a indústria nacional apresentou queda, apesar da variação positiva, de 0,9%, em relação a novembro de 2021. Porém, houve queda de 0,1% ante outubro. No ano, a retração está em 0,6%. Já ao longo de 12 meses, o recuo é de 1%.

“Nos últimos seis meses, foram quatro resultados negativos, do total de cinco que tivemos até agora para 2022. Isso mostra o setor girando em torno de um mesmo patamar, mas com um viés negativo, já que a média móvel trimestral está em queda pelo quarto mês seguido e mostra uma trajetória decrescente muito clara”, explica Macedo.

Em novembro, 11 das 26 atividades pesquisadas pelo IBGE tiveram queda, com os piores resultados sendo dos setores de indústrias extrativas (-1,5%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-6,5%), produtos têxteis (-5,4%), confecção de artigos do vestuário e acessórios (-3,8%), produtos de metal (-1,5%) e produtos de minerais não metálicos (-1,2%).

A alta de 10,3% das bebidas foi um dos destaques da atividade industrial brasileira em novembro, assim como produtos alimentícios (3,2%), veículos automotores, reboques e carrocerias (4,4%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (2,8%).

Balcão do Aloisio: Safra 2022 de cevada no Brasil e o melhoramento genético

Balcão do Aloisio: Safra 2022 de cevada no Brasil e o melhoramento genético da cultura

A cevada vem sendo cultivada no Brasil desde o início do século passado, porém a expansão do cultivo no país é relativamente recente, ocorrendo a partir de 1970, quando a indústria cervejeira passou a fomentar a produção nacional, a fim de garantir oferta em função do encarecimento do produto no mercado externo. Desde então, a área cultivada no país saltou de pouco mais de 1.000ha, na década de 1930, para quase 94 mil ha, em 1976.  Desse período até os dias atuais, a área cultivada oscilou em torno dos 100 mil ha, com média, do ano de 1976 a 2022, de 107 mil ha. Segundo dados da Conab, em 1981, 1997, 1999 e 2001, a área plantada chegou a ultrapassar os 150 mil ha.

Já em relação ao rendimento de grãos, embora tenha havido ao longo desse período oscilações em função das condições climáticas de cada ano, houve uma tendência de incremento constante. Houve um salto de 1.000 kg/ha, na década de 1970, para 3.812 kg/ha, em 2021, e previsão de um novo recorde de rendimento em 2022, de 4.182 kg/ha. Com isso, a produção nacional também apresenta tendência de crescimento, ultrapassando a barreira de 400 mil toneladas de grãos de cevada em 2019 e 2021 (429,1 e 425,0 mil toneladas, respectivamente) e com previsão de novo recorde de produção em 2022, de 496,8  mil toneladas de grãos.

A principal região produtora de cevada no Brasil sempre foi a Sul, com destaque para o Paraná e o Rio Grande do Sul. Até o início dos anos 2000, o Rio Grande do Sul era o maior produtor desse cereal no Brasil, sendo ultrapassado pelo Paraná a partir de 2006, permanecendo nessa posição até os dias atuais. Além dos estados da região Sul, desde 2008 a cevada vem sendo cultivada também, em sistema irrigado, no estado de São Paulo, com registro nas estatísticas oficiais a partir de 2016. Em 2022, o estado produziu 15.653kg de grãos de cevada, em uma área colhida de 2.690ha e rendimento médio de 5.819 kg/ha, segundo dados do IBGE.

Além da melhoria nas condições de cultivo, com adoção de tecnologias cada vez mais modernas e avançadas no cultivo da cevada, um dos principais fatores que tem permitido esse aumento no rendimento de grãos e, consequentemente, na produção de cevada no Brasil, é o melhoramento genético. Atualmente, são três os principais programas de melhoramento dessa cultura no Brasil: o programa desenvolvido pela Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária (FAPA), em Guarapuava (PR), o programa desenvolvido pela Ambev e o desenvolvido pela Embrapa Trigo, esses dois últimos em Passo Fundo (RS). Embora, nos dias atuais, cada instituição tenha seu próprio programa de melhoramento genético, elas sempre atuaram em parceria. Mais de 30 cultivares de cevada já foram desenvolvidas pela Embrapa em parceria com a FAPA e a Ambev e estas chegaram a ocupar de 70% até 90% da área cultivada de cevada no país na década de 1990 até, por volta de 2015. Atualmente, a cultivar mais plantada no Rio Grande do Sul é a BRS Cauê, mas vem crescendo a área cultivada com a ABI Rubi, desenvolvida pela Ambev, que já possui novas cultivares registradas, como as ABI Valente e ABI Gaia. Está em fase final de avaliação da qualidade para malte, na Ambev, a cultivar BRS Kolinda. No Paraná, as duas cultivares mais plantadas são a Imperatriz e a Danielle, desenvolvidas pelo programa de melhoramento da FAPA, que também está com uma nova cultivar registrada, a Princesa.

Por outro lado, o principal fator limitante para o crescimento da cevada no Brasil é o clima que, em função das instabilidades ao longo dos anos, acaba promovendo também instabilidades na qualidade do grão de cevada produzido, gerando incertezas para o produtor, uma vez que grãos de cevada que não apresentem qualidade para malteação são comercializados para outros usos por preços inferiores aos pagos para os grãos com qualidade. Um dos principais desafios do melhoramento genético dessa cultura, na atualidade, é desenvolver cultivares de cevada que apresentem, além de estabilidade no rendimento de grãos, maior estabilidade na qualidade dos grãos produzidos, a despeito das variações climáticas ocorridas de ano para ano, principalmente no Rio Grande do Sul, de forma a reduzir a proporção de grãos fora do padrão, proporcionando maior segurança e rentabilidade ao produtor.


Aloisio Alcantara Vilarinho é engenheiro agrônomo com doutorado em Genética e Melhoramento de Plantas. Pesquisador da Embrapa desde 2003, ele atua, desde novembro de 2019, como melhorista de cevada na Embrapa Trigo.

Schornstein faz lançamento e passa a ter cerveja sem álcool no portfólio

Uma das mais tradicionais cervejarias artesanais do mercado brasileiro, a Schornstein iniciou o ano de 2023 com uma novidade em seu portfólio. A marca de Pomerode (SC) lançou a sua primeira cerveja sem álcool, a Schornstein Summer Ale.

O novo rótulo, baseado no estilo Summer Ale, é refrescante e intenso, de acordo com o descritivo divulgado pela marca, que faz parte da Companhia Brasileira de Cerveja Artesanal (CBCA). Em seu processo de fabricação, a bebida contou com o dry hopping do lúpulo Comet. E a novidade também traz notas de malte, de frutas amarelas e cítricas como a tangerina e o grapefruit, e herbais. Tem, ainda, 17 IBUs de amargor e 0,5% de graduação alcoólica.

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A cerveja sem álcool da Schornstein será comercializada em garrafas long neck de 355ml e chope. A sua criação foi motivada pela percepção de aumento da busca do consumidor pelas cervejas sem álcool, como destaca Karin Barreira, gerente de marketing da CBCA.

“O mercado da cerveja sem álcool tem se desenvolvido bastante nos últimos tempos e a bebida deixou de ser consumida apenas para um momento de restrição alcoólica, como por motivos de contraindicação médica, por exemplo. Atualmente, ela também está associada a diferentes hábitos de vida, cultura e momentos, por isso, é um dos segmentos que mais cresce entre os tipos de bebidas”, diz.

A cerveja sem álcool é uma das apostas da Schornstein para o período do verão, tanto pela sua refrescância como pela possibilidade de ser consumida em diferentes momentos pelos apreciadores da cerveja que buscam uma opção de alta qualidade entre os variados rótulos sem álcool disponibilizados no mercado.

“É uma cerveja para ser consumida nas mais diversas ocasiões, inclusive, para apreciadores de uma boa cerveja, pois a qualidade das bebidas tem sido um grande destaque, como Schornstein Summer Ale, que tem alto drinkability com aromas e sabores do estilo muito presentes”, afirma Karin.

O novo rótulo da Schornstein está disponível na loja virtual da CBCA e em diversos parceiros e pontos de vendas em todo o país. Assim, amplia um portfólio que já contava com diversos estilos de cerveja como IPA, Bock, Weiss, Pilsen, Stout, Pilsen, APA e Witbier, disponíveis em garrafas de 500ml, long neck 355ml e latas.

Festa Pomerana
Alguns desses estilos de cerveja da Schornstein poderão ser apreciados durante a tradicional Festa Pomerana. A marca é a cerveja oficial da 38ª edição da festa em Pomerode, que vai acontecer de 11 a 22 de janeiro. A cervejaria da CBCA irá disponibilizar sete estilos – Pilsen, IPA, Weiss, Witbier, Bock, Bock Pimenta e IPA Tangerina – e tem a estimativa de servir 40 mil litros nos seis pontos de distribuição espalhados pelos pavilhões.

Livro sobre produção de lúpulo no Brasil traz dados, avaliação técnica e custos

Ainda pequena, mas em expansão e alvo de grande interesse, a produção de lúpulo no país ganhou recentemente um livro que fornece conhecimento a interessados no seu cultivo, avaliações técnicas e um panorama do cenário atual. Trata-se de “Lúpulo no Brasil, Perspectivas e Realidades”, publicação lançada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

O livro é o resultado de estudo de viabilidade técnica e econômica da produção do lúpulo no Brasil, que foi desenvolvido pela Secretaria de Agricultura Familiar e Cooperativismo em parceria com o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) e com apoio da Associação Brasileira de Produtores de Lúpulo (Aprolúpulo).

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A obra apresenta um plano de viabilidade técnica e econômica para o plantio comercial, apontando como as cadeias produtivas funcionam em países com relevância mundial no cultivo do lúpulo. A ideia, assim, é trazer embasamento técnico. Além disso, o material também conta com um manual de boas práticas, que visa auxiliar o desenvolvimento da atividade rural pelo produtor interessado em realizar o cultivo do ingrediente cervejeiro.

O diagnóstico, apresentado no livro, foi de que o cultivo de lúpulo pode ser uma interessante alternativa para a agricultura familiar, que, inclusive, responde por 84,4% dos empreendimentos agropecuários do Brasil. E a necessidade de acesso a equipamentos para transformação do produto plantado fez os profissionais ressaltarem a importância da formação de cooperativas.

“O estudo revelou que por ser uma cultura que em pequena área da propriedade consegue ter alto valor agregado, o lúpulo é uma boa oportunidade para a agricultura familiar diversificar a produção. Além disso, por os equipamentos para beneficiamento da flor serem de um valor alto, identificamos e sugerimos que, de forma cooperada, os agricultores familiares se unam para a compra desses equipamentos e criem suas próprias cooperativas com o fim de beneficiar e de vender de forma coletiva”, diz Gabriel Assmann, que foi supervisor do estudo e até o fim do ano passado atuava como coordenador geral do Cadastro Nacional da Agricultura Familiar.

Os números da pesquisa
Realizado em 2020, o trabalho contou com 171 respostas ao seu questionário, sendo que 152 dos respondentes afirmavam que cultivavam lúpulo. E Santa Catarina concentrou a maior parte das respostas, com 50, seguida por Rio Grande do Sul, com 31, e São Paulo, com 21. De acordo com o somatório geral de respostas, haviam 75 mil plantas de lúpulo no Brasil, com uma área de cultivo de 25 hectares.

Os números já são certamente maiores, tanto que 95 das 152 pessoas que cultivavam lúpulo responderam que pretendiam aumentar o plantio de 2020 para 2021. O trabalho, então, aponta uma perspectiva de aumento de até 47,8 hectares.

Entre as variedades mais citadas por quem cultiva lúpulo, Cascade está presente em 128 propriedades, seguida por Chinook, com 77, e Columbus, com 59. Nugget, com 47, e Saaz, com 44, completam o Top 5.  O trabalho também contabiliza um total de 48 cultivares de lúpulo registradas no país.

Custos
O livro também traz análises sobre valores de investimento inicial e custos de produção para cultivo do lúpulo. Para sistemas de treliças altas em V, o montante total para implantação de 1 hectare é estimado em R$ 177.534,68. O sistema de condução em latada, por sua vez, tem custo menor, de R$ 136.778,53.

A versão digital do livro pode ser baixada no link. “Essa publicação faz parte da estratégia de compartilhar e difundir o conhecimento gerado a partir de resultados expressivos desenvolvidos no âmbito da cooperação do IICA com a Saf/Mapa, em especial ampliação da gestão do conhecimento em temas inovadores e contemporâneos, principalmente alinhados com o governo brasileiro. Podemos dizer que trata-se de um estudo inédito bastante aprofundado e diversificado dessa cadeia”, afirma o coordenador de Negócios e Projetos do IICA, Heithel Silva.

Setor cervejeiro se profissionaliza, mas de modo lento, avaliam juristas

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Fundamental para que o segmento de cervejas artesanais apresente um crescimento consolidado e ganhe relevância, a profissionalização das empresas do setor avançou em 2022, ainda que de forma lenta. Essa avaliação foi apresentada por juristas consultados pela reportagem do Guia sobre em que estágio a indústria terminou o ano recém-encerrado.

Para André Lopes, sócio do escritório Lopes, Verdi & Távora Advogados e criador do site Advogado Cervejeiro, as cervejarias têm trabalhado para formalizar, através de contratos, acordos e relações que possuem. Porém, o ritmo dessa profissionalização poderia ser, em sua visão, melhor.

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“O processo de profissionalização do mercado, que passa por formalizar questões jurídicas e mitigar passivos tributários, segue avançando, mas ainda de forma lenta. Vemos que as cervejarias têm se preocupado mais em priorizar contratos escritos, registrar marcas e em buscar seus direitos, como no caso de ações movidas contra conselhos profissionais para suspender cobranças ilegais”, diz.

Ele destaca que a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) tem, inclusive, buscado auxiliar as empresas do segmento sobre a melhor maneira de formalizar relações de trabalho.

“A Abracerva disponibilizou para seus associados um modelo de contrato de prestação de serviços de sommelieria e consultoria, o que é um passo importante para a formalização das relações entre os sommeliers e as cervejarias”, afirma Lopes, que faz parte da atual gestão da associação.

O advogado ressalta que alguns acontecimentos recentes, como ações para combater fraudes e evasão de tributos, reforçam a importância de as cervejarias se profissionalizarem, evitando equívocos que poderão causar problemas.

“Temos notícia de operações coordenadas pela Receita Federal e por secretarias da fazenda estaduais relacionadas à sonegação de ICMS por parte de cervejarias. Episódios como esses devem servir de alerta para as cervejarias, para que evitem manobras tributárias que podem gerar grandes passivos ao longo dos anos”, diz.

Programa emergencial
Em 2022, essa necessidade de profissionalização veio acompanhada da busca pela retomada de um segmento que sofreu bastante com a pandemia. E um impulso para os empreendedores foi o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos, o Perse. Esse foi um dos aspectos positivos do ano recém-encerrado, na visão de juristas.

Criado pela Lei nº 14.148 de 2021, o programa prevê a instituição de medidas para incentivar a retomada do setor de eventos, um dos mais afetados pelas restrições impostas durante os períodos mais graves da pandemia, como explica o advogado Clairton Kubaszwski Gama, sócio do escritório Kubaszwski Gama Advogados Associados, citando três medidas principais.

“A primeira delas é a criação de uma modalidade específica de renegociação de débitos tributários. A segunda, diz respeito à possibilidade de empresas do setor receberem uma indenização referente aos prejuízos experimentados em decorrência da pandemia. E a terceira, que certamente é a principal medida prevista, institui alíquota zero por cinco anos para o IRPJ, CSLL, PIS/Pasep e Cofins”, diz.

“Sem dúvidas, trata-se de importante medida para as empresas do setor, embora alguns pontos a respeito desta desoneração merecem cuidado. Um deles diz respeito ao enquadramento de atividades secundárias”, acrescenta Kubaszwski Gama.

O impasse citado se deu porque a regulamentação definia que somente fariam jus ao Perse as atividades que, na data da publicação da lei, tivessem cadastro regular como serviço de turismo junto ao governo federal. Mas esse cadastro era facultativo para algumas, como restaurantes.

Em 20 de dezembro de 2022, o governo federal, através de uma medida provisória, definiu que o acesso ao benefício fiscal deveria basear-se no ato que define os códigos de atividades até que houvesse nova regulamentação pela Secretaria da Receita Federal.

Na última segunda-feira (2), então, o governo federal editou portaria que restringe o acesso de empresas ao Perse, reduzindo de 88 para 38 as atividades contempladas. Restaurantes foram mantidos, mas bares e lanchonetes acabaram sendo excluídos.

Conscientização sobre uso de álcool busca ajudar a reduzir acidentes

O período festivo costuma ser lembrado pelas celebrações, mas também pode contar com uma união que sempre será perigosa: álcool e trânsito. Afinal, viagens e deslocamentos são comuns nessas datas, assim como o consumo de bebidas alcoólicas. E ter a consciência de que um não combina com o outro é fundamental.

Algumas pesquisas recentes têm indicado a relação direta entre acidentes de trânsito e consumo de álcool. Trabalho realizado pelo Departamento Estadual de Trânsito do Rio Grande do Sul (Detran-RS) mostrou presença de álcool no sangue de 38% dos motoristas que perderam a vida em acidentes de trânsito entre 2018 e 2021.

Dado semelhante veio do Espírito Santo. Por lá, um levantamento do Laboratório de Toxicologia Forense da Polícia Civil revelou que 48% das vítimas fatais de acidentes de trânsito no estado em 2020 estavam sob o efeito de drogas. E o álcool estava presente em 31,4% das vítimas fatais.

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Como reduzir o número de acidentes de trânsito é uma meta global, as frentes de conscientização e punição têm atuado diretamente sobre o álcool. Em maio de 2021, o STF considerou que a punição ao motorista que se recusar a fazer o teste do bafômetro é constitucional. Além disso, manteve a proibição de venda de bebidas alcoólicas em rodovias federais e a tolerância zero ao consumo de álcool imposta pela Lei Seca.

Globalmente, ONU e Organização Mundial da Saúde realizam a Década de Ação pela Segurança no Trânsito 2021-2030, com a ambiciosa meta de prevenir ao menos 50% das mortes e lesões no trânsito até 2030.

As ações necessárias para atingir a meta de reduzir mortes e lesões no trânsito envolvem tornar as caminhadas, as bicicletas e o uso do transporte público seguros, assim como garantir vias, veículos e comportamentos seguros, alémd de assegurar atendimento de emergência oportuno e eficaz.

No mundo, mais de 3,5 mil pessoas morrem todos os dias nas vias, o que equivale a quase 1,3 milhão de mortes evitáveis e cerca de 50 milhões de pessoas lesionadas a cada ano. Com isso, essa é a principal causa de morte de crianças e jovens em todo o planeta.

A queda no número de mortes no trânsito, porém, se tornou tímida nos últimos anos no Brasil. De acordo com o Registro Nacional de Acidentes e Estatísticas de Trânsito (Renaest), o número de óbitos caiu de 23.946 em 2018 para 22.857 em 2021.

Para acelerar essa evolução, trabalhos têm sido feitos, com o desenvolvimento de projetos e criação de ferramentas para conscientizar sobre o consumo moderado de bebidas alcoólicas envolvendo as iniciativas privada e pública. E algumas delas, inclusive, foram registradas em livro.

Recentemente, a Ambev apresentou os detalhes das ações envolvendo parcerias público-privadas no livro “Cooperação: o veículo da mudança – Como público e privado se uniram para fazer a gestão de trânsito no Brasil melhorar”. Nele, há relatos sobre os trabalhos por parte dos governos dos estados de São Paulo, Distrito Federal e Ministério da Infraestrutura, desenvolvido em parceria com a indústria cervejeira e a Falconi.

Os projetos de cooperação envolvendo a Ambev se iniciaram em 2013. E as iniciativas criadas incluem o Movimento Paulista de Segurança no Trânsito, atual Programa Respeito à Vida, em parceria com o governo do estado, que gerou a ferramenta de busca e base de dados Infosiga; e o programa Brasília Vida Segura, em parceria com o governo do Distrito Federal. Além disso, com o Ministério da Infraestrutura, foi criado o Renaest.

Entre os resultados alcançados, a Ambev cita a redução de 23% nas mortes no trânsito no estado de São Paulo. Já na etapa de Brasília, iniciada em 2016, a parceria contribuiu para queda de 61% no número de óbitos por acidentes de trânsito em quatros anos de execução.  

Com os resultados registrados em livro, a Ambev espera que mais ações sejam implementadas, permitindo que, a partir das lições reunidas, outras empresas também participem de iniciativas semelhantes em parceria com o poder público.  

“Buscamos dividir essa experiência para que outras entidades e empresas possam explorar as possibilidades de unir o público e o privado para promoção de impacto positivo na sociedade buscamos novos caminhos para levar o consumo responsável a uma terceira potência, nos provocando a reprogramar a cultura da sociedade e potencializar a importância do consumo moderado nos próximos anos”, diz Rodrigo Moccia, diretor de relações institucionais da Ambev.

Ação da Ambev desvaloriza 6% em 2022 e acumula 3º ano seguido de queda

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A ação da Ambev fechou 2022 em baixa. O ativo, negociado na B3, a bolsa de valores brasileira, terminou o ano recém-encerrado valendo R$ 14,52, o que representa retração de 5,94% em relação ao preço de R$ 15,42, registrado no último pregão de 2021.

São, agora, 3 anos seguidos de desvalorização da ação da Ambev na B3. A última alta em um ano foi em 2019, quando valia R$ 19,16. Caiu, depois, para R$ 15,65 no final de 2020, fechando 2021 em R$ 15,42.

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A desvalorização da ação da Ambev em 2022 teve impacto direto do comportamento do ativo em dezembro. Após iniciar o último mês do ano valendo R$ 15,89, apresentou perda de 8,62% no período, invertendo um cenário que até então era de alta.

Para o recuo pelo terceiro ano consecutivo, pode ter pesado o fato de a Ambev ser uma empresa dependente do consumo no varejo. E as perspectivas para companhias desse tipo são, nesse momento, mais desafiadoras, pois há um cenário de deterioração do poder de compra, o que pode ser agravado pela continuidade dos juros em níveis elevados.

Em dezembro, a maior variação do preço da ação da Ambev se deu no dia 19, com alta de 2,56%. Não foi à toa, pois essa era a data que definia a distribuição aos acionistas de juros sobre capital próprio (JCP) de 0,7623 reais por ação, ocorrida em 29 de dezembro.

Porém, de alguma forma, a ação da Ambev seguiu a tendência de perdas do Ibovespa em dezembro. A diferença é que a desvalorização do principal indicador da B3 foi menor do que o do papel da indústria cervejeira, ficando em 2,45%. Além disso, apesar desse recuo, fechou 2022 em alta de 4,69%, cotado a 109.734,60 pontos.

O avanço não chega a ser expressivo, sendo inferior ao da poupança e do IPCA, mas chama a atenção quando comparado ao recuo de 19,45% do S&P500, grupo das 500 ações mais relevantes negociadas na Bolsa de Nova York. O resultado positivo foi puxado pelas commodities, mas houve mais ações desvalorizando do que tendo alta – 53 dos 91 papéis que compõem o Ibovespa caíram no ano passado.

Em 2022, a maior perda na Bolsa foi da resseguradora IRB Brasil, de 78,61%. A Americanas teve a segunda maior queda do ano, de 68,76%, à frente de CVC Brasil (66,54%), Qualicorp (64,56%) e Méliuz (63,58%).

Já a campeã de valorização na B3 no último ano foi a Cielo, com variação positiva de 140,2%. PetroRio (80,02%), BB Seguridade (74,8%), Hypera (65%) e Assaí (51,7%) completaram o Top 5 das principais altas.

Fora do Brasil
Nos Estados Unidos, a ação da Ambev repetiu o mesmo comportamento que apresentou no Brasil em dezembro e em 2022. Cotado a US$ 2,72 na última sexta-feira (30) em Nova York, caiu 2,86% no ano e 10,32% no período de um mês.

Na Europa, a ação da AB InBev se valorizou em 2022, valendo 56,27 euros. O desempenho foi praticamente estável em dezembro, com alta de meros 0,39%, e de 5,83% ao longo de 12 meses.

Já o ativo do Grupo Heineken apresentou desvalorização de 11,11% em 2022, de 98,86 euros para 87,88 euros. Em dezembro, sua queda foi irrisória, de 0,45%.

9 expectativas de profissionais da indústria da cerveja para o governo Lula

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A virada do ano, sempre vista como início de uma nova etapa, veio, de 2022 para 2023, com uma grande novidade: o começo de um novo mandato presidencial, agora de Luiz Inácio Lula da Silva, recém-empossado para comandar o país ao longo dos próximos quatro anos, o que provoca, claro, expectativas e apresentação de demandas pelas diferentes esferas da sociedade, incluindo a indústria da cerveja.

Primeiro político eleito três vezes presidente do Brasil, Lula, seus ministros e secretários vão encontrar uma indústria da cerveja bem diferente – e muito mais diversificada – na comparação com aquela dos seus dois primeiros mandatos, entre 2003 e 2010.

Afinal, na década de 2000, as cervejarias artesanais apenas engatinhavam no país. Dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento apontam que o Brasil tinha 42 cervejarias registradas em 2002. Em 2010, até então o último ano de Lula à frente da presidência, eram 114, com uma expansão anual que nunca foi além dos 18%.

Aos poucos, porém, a cerveja artesanal começou a entrar na pauta do consumidor – e dos empreendedores – no Brasil, com seu salto mais relevante tendo ocorrido em 2016, quando o número de cervejarias registradas cresceu 48,5% em relação a 2015. E, de acordo com a última edição do Anuário da Cerveja, são 1.549 cervejarias registradas no país.

Os últimos anos, porém, têm sido de grandes desafios, tanto que o crescimento de produtos registrados foi quase irrelevante em 2021, de apenas 5,2%, demonstrando que o segmento vem enfrentando problemas para inovar, apresentar novidades e se manter relevante perante o consumidor.

O retorno de Lula à presidência fomenta a esperança de início de um novo ciclo expansionista que favoreça a indústria da cerveja, ajudando especialmente os pequenos empreendedores do segmento, em um movimento que favoreceria toda a cadeia produtiva, incluindo os fornecedores.

De 2003 a 2010, o PIB teve média de crescimento anual de 4,1%, com a renda per capita expandindo 23,05% em todo o período. “Esperamos sinceramente que o próximo governo consiga cumprir as promessas de melhorar o poder aquisitivo da população em geral. Isso certamente seria o melhor dos cenários, pois sabemos que o brasileiro adora uma cervejinha gelada, e tendo mais dinheiro para gastar, haverá uma demanda maior, o que refletirá diretamente em toda a cadeia produtiva”, diz Dario Occelli, CEO da Eureka.

Além da expectativa de aumento do consumo pelas famílias, os representantes da indústria da cerveja esperam que o governo Lula e os novos deputados e senadores eleitos também adotem uma tributação que torne mais saudável a atuação de quem deseja empreender.

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Confira as expectativas de 9 representantes da indústria da cerveja para o recém-iniciado governo Lula:

Beer Business (Filipe Bortolini, sócio-administrador)
Acreditamos que o mercado cervejeiro deve continuar crescendo, como vem acontecendo nos últimos anos, mesmo com o evento da pandemia. É fundamental mantermos o setor unido e lutar por melhorias, especialmente na parte tributária, que pesa muito para o mercado cervejeiro. A aprovação da correção da tabela do Simples é fundamental para favorecer o crescimento dos negócios e tornar mais justa a taxação das cervejas.

BierHeld (Ewerton Miglioranza, sócio-fundador)
A expectativa ainda é de crescimento, puxado pelo mercado, mas ainda com ressalvas à espera da formação da equipe econômica do governo e das políticas de gastos a serem adotadas. Embora o Brasil ainda apresente muitos problemas sociais a serem resolvidos, o aumento de gastos sem uma responsabilidade fiscal pode provocar o efeito inverso no médio e longo prazo, por isso o mercado ainda age com cautela. Contudo, com a eleição de vários membros da oposição para o Congresso, espera-se que reformas muito radicais tenham dificuldade em serem aprovadas, minimizando o risco de gastos desenfreados pelo Executivo.

CBCA (Gustavo Barreira, CEO)
Acredito que, se fizermos nossa parte, estaremos sempre bem posicionados e preparados para capturar o máximo de valor em cenários de bonança ou enfrentar crises. Quanto ao novo governo especificamente, desejamos todo sucesso do mundo, pois estamos todos no mesmo barco. Esperamos uma gestão eficiente e responsável que trará bons resultados para toda população.

Cia de Brassagem Brasil (Danielle Mingatos, sócia)
Esperamos que o setor cervejeiro continue aquecido e em ascensão, não apenas para as grandes cervejarias, mas para as pequenas e micro também. Se de fato tivermos o aumento do poder de compra, isso afetará de forma muito positiva o setor das artesanais.

Eureka (Dario Occelli, CEO)
Historicamente, sempre que ocorrem mudanças no cenário político, isso gera uma série de incertezas e preocupações, mas creio que ainda é cedo para fazermos qualquer prognóstico. O importante nesse momento é sermos otimistas, mas, ao mesmo tempo, não tendo um sentimento de euforia.

Esperamos sinceramente que o próximo governo consiga cumprir as promessas de melhorar o poder aquisitivo da população em geral. Isso certamente seria o melhor dos cenários, pois sabemos que o brasileiro adora uma cervejinha gelada, e tendo mais dinheiro para gastar, haverá uma demanda maior, o que refletirá diretamente em toda a cadeia produtiva,

Meu Garrafão (Helton Aguiar, diretor)
Percebo que os ciclos de crises estão cada vez mais curtos não só aqui no Brasil, mas a nível mundial, e por isso vale a máxima “só fica vivo quem se mantém em movimento”, ou seja, quem se adapta às crises. E em relação ao governo não é tão diferente. Esperamos sempre muito trabalho e transparência no cenário político para que nós, cidadãos, consigamos ficar tranquilos e livres para atuarmos onde sabemos bem, empreender e fazer a economia girar.

NewAge (Edison Nunes, gerente comercial)
Para a NewAge é desejável:
1. Menor carga tributária, com a reforma tributária;
2. Aumento do consumo das famílias, com programas sociais perenes;
3. Estabilidade na cotação do dólar;
4. Subsídios para máquinas industriais.

Porofil (Nelson Karsokas Filho, proprietário)
Estamos ainda aguardando as movimentações econômicas. Tudo ainda está muito incerto com esse novo governo e como não sabemos para que direção ele seguirá, ficaremos atentos até que as coisas se ajeitem. Nossa expectativa é que o governo faça investimentos na economia para que o país cresça e, assim, todo o mercado entre nessa corrente virtuosa.

Rota RJ (Ana Cláudia Pampillón, coordenadora)
As perspectivas são as melhores possíveis uma vez que o turismo é uma das principais ferramentas de fomento econômico de nossa região. E o turismo tem tido um olhar mais cuidadoso nos últimos dois anos. Acredito fortemente que deverá continuar desse jeito.

Espaço aberto: Abridores com furo quadrado

*Por Carlos Alberto Tavares Coutinho

Muitos abridores de garrafas do início do século XX têm um pequeno orifício quadrado chamado de “Chave Prest-O-Lite”.

O automóvel, a primeira “carruagem sem cavalo”, tinha simples lâmpadas a óleo, e isto quando tinha alguma coisa. A chama amarela que nascia do pavio, imerso em um recipiente com óleo, querosene ou gasolina, dava apenas luz aos motoristas para que eles evitassem os buracos.

Logicamente, isso não significa que não havia quem viajasse à noite ou precisasse das luzes para chegar em casa. Por isso, desde o século XVIII, os cocheiros adaptavam lanternas às suas carruagens.

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Como a luz precisava iluminar ao redor dos cavalos, os cocheiros instalavam uma lanterna em cada lado da carruagem. Inicialmente, eles usavam velas e refletores de metal polido. Depois da descoberta do acetileno, no fim do século XIX, as velas foram substituídas por recipientes com esse gás. São as chamadas “carbide lamps” ou simplesmente “lanternas/lâmpadas de acetileno”. Os faróis Prest-O-Lite foram originalmente usados em charretes puxadas por cavalos.

Os condutores de automóveis, naqueles tempos heroicos, não se atreviam a viagens noturnas, não só porque o estado das estradas não era dos melhores, mas também por haver a possibilidade de um desarranjo no motor.

Quando os primeiros carros começaram a circular, eles tinham motores sob os bancos ou na parte traseira do chassi, então os faróis poderiam ficar em qualquer lugar. Mas como o design daqueles carros era diretamente derivado das carruagens — é por isso que naquela época, antes de ser chamados “automóveis”, eles também eram chamados de “horseless carriages“, ou “carruagens sem cavalos” –, quando alguém decidiu colocar faróis em um carro, eles foram posicionados como as lanternas das carruagens. Mais tarde, quando os próprios fabricantes passaram a equipar seus carros com faróis de fábrica, o padrão simplesmente foi mantido e assim permanece até hoje.

A velocidade dos automóveis não passava muito dos 15 km/h. Mas à medida que os automóveis ficavam mais velozes, começaram a exigir uma luz mais clara, deixando o antigo sistema de iluminação com um pavio embebido em óleo, querosene ou gasolina. No começo do século XX, vários automóveis começaram a utilizar a nova técnica de iluminação à base da queima do gás acetileno. O acetileno era obtido por meio de uma reação química que acontecia na própria lanterna com a mistura de água e carbureto. Para a chama não apagar, a lanterna era protegida por um vidro. Infelizmente, este combustível não durava muito e era bastante volátil, mas era a solução mais eficaz para iluminar o caminho. O histórico Ford Modelo T, por exemplo, usava lâmpadas de acetileno à frente e a óleo na traseira.

Evidente que acender esse equipamento não era tarefa simples. Primeiro era necessário abastecer os reservatórios com água e carbureto. Para dar início à reação química que liberaria o gás, deixava-se a água gotejar sobre o carbureto. Quando o gás acetileno começava a se formar, era a hora de abrir a válvula e acender o farol com um fósforo. Isso sem contar a dificuldade de limpar e desobstruir os dutos do sistema e o mau cheiro do gás.

Era, apesar de algumas resistências a seu uso, um mal necessário. Havia sempre o perigo de explosões e necessitavam de frequentes inspeções. Mas, por mais de 15 anos, a iluminação a acetileno foi praticamente a única a ser usada nos carros a motor.

Mas, o que os faróis têm a ver com o abridor de garrafas?

Com a invenção da tampa (coroa de cortiça) e por conseguinte do abridor de garrafas, que eram feitos de aço ou latão em forma de figura plana, logo no início as cervejarias visualizaram um espaço para sua propaganda e passaram a utilizar o corpo do abridor para anunciar seus produtos e seus endereços. Outras cervejarias com um pouco mais de visão, além de sua propaganda, procuraram colocar nos abridores alguns apetrechos com alguma outra utilidade, pois quanto maior a utilização, maior a visibilidade de sua propaganda. Assim, incluíram peças como saca-rolhas, cortador de capas de rolha de cortiça, pequenas chaves de fenda ou furadores e o mais importante: um furo quadrado.

Esse furo, na verdade, fazia com que o abridor se transformasse numa ferramenta imprescindível, para quem utilizasse os faróis de acetileno, antes que os faróis elétricos fossem amplamente usados. Os abridores de furo quadrado foram usados de 1910 até o início de 1930 para abrir e fechar a válvula do acetileno e permitir a regulagem da chama nos faróis dos veículos e, inclusive, para evitar que pessoas não autorizadas mexessem nela, já que a regulagem era quadrada e sem a ferramenta adequada era mais difícil.


*Carlos Alberto Tavares Coutinho é funcionário público septuagenário e aposentado que atende pelo pseudônimo de Cervisiafilia, colecionador de itens de bebidas desde 1994, blogueiro que tenta escrever sobre a história da cerveja brasileira no blog cervisiafilia.blogspot.com.br – A História das Antigas Cervejarias.