O presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), Gilberto Tarantino, reforçou ao Guia da Cerveja o pedido que a entidade fez aos associados na terça-feira (22): votar, no primeiro turno das Eleições 2026, no domingo (4), em candidatos que apoiem o setor cervejeiro. Segundo o comunicado, este é “um momento decisivo para termos representantes em todos os estados e em Brasília, pessoas que nos recebam e apoiem nos desafios que temos pela frente, como a reforma tributária e demais regulamentações”.
Para Tarantino, o objetivo do alerta é aproximar as cervejarias da política. “Esse nosso alerta é para que as cervejarias de todo o país conversem, tenham interesse na política como um direito cívico, e que a gente faça pleitos que no futuro possamos cobrar desses candidatos que tanto pedem nossos votos”, afirmou.
Reforma tributária ainda não acabou
O principal desafio citado pelo presidente da Abracerva é a reforma tributária, cuja regulamentação ainda está em curso. Segundo ele, a Abracerva pediu tratamento tributário diferenciado no Imposto Seletivo (IS), que ainda não tem alíquotas definidas. “Se a gente pegar o mapa do Brasil, a gente vai ver que os três estados do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, o Norte, todos os estados têm benefício fiscal. Isso faz muita diferença. Com a reforma vai acabar o benefício fiscal e aí a única diferença vai ser o imposto seletivo.”
O IS, popularmente conhecido como “Imposto do Pecado”, é um novo tributo federal criado pela reforma (Emenda Constitucional 132/2023). Tem natureza extrafiscal, ou seja, seu objetivo central é desestimular o consumo de bens e serviços que, segundo os legisladores, fazem mal à saúde ou ao meio ambiente. Ele incidirá sobre produtos como cigarros, bebidas alcoólicas e açucaradas, veículos e a extração de minérios, petróleo e gás.
O comunicado também orienta os associados sobre como escolher e abordar os candidatos. “Busque e converse com candidatos que compartilham a ideia do empreendedorismo como um pilar do seu objetivo”, diz o texto. A entidade sugere apresentar a eles os números do setor: “Diga que o Brasil é o 3º maior produtor de cerveja do mundo, que empregamos mais de 2,5 milhões de pessoas e que a cerveja representa 2% do PIB nacional”.
Visitas em Brasília
O comunicado ainda pede que o cervejeiro já busque uma audiência com o candidato “para irmos juntos pleitear melhores condições para as pequenas cervejarias e para todo o nosso setor”.
Depois das eleições, a Abracerva e outras entidades do setor vão organizar dois dias de visitas a gabinetes de deputados e senadores que apoiam a cerveja, no Congresso Nacional. As visitas acontecem no primeiro semestre de 2027, perto do lançamento do Anuário da Cerveja, pelo terceiro ano consecutivo. A delegação reúne representantes de cervejarias de todo o país, do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv) e da Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil). A meta é levar um ou dois representantes por estado.
“Esse trabalho não é pontual; ele é contínuo”, disse Tarantino. Com a renovação de parte do Congresso, segundo ele, será preciso conhecer os novos parlamentares e se apresentar a eles. Neste ano, a Abracerva também se aproximou da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) para incluir nesse trabalho o comércio que vende cerveja.
O presidente vê um papel também para o consumidor de cerveja artesanal. O primeiro é frequentar as cervejarias. Depois, participar da vida política: “Pode assinar um abaixo-assinado, pode falar com um vereador, com um deputado, com um senador conhecido”. Para o presidente da Abracerva, em muitas cidades do interior a população tem orgulho da cervejaria local, “da cervejaria que é feita na terra dele”.


