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7 estilos de cerveja para combinar com o line-up do Rock in Rio 2026

Cerveja e música compartilham parte de um vocabulário sensorial: intensidade, leveza, corpo, secura, brilho, textura e equilíbrio aparecem tanto num universo quanto no outro. Foi esse parentesco que a reportagem do Guia da Cerveja usou como ponto de partida para escolher estilos de cerveja para sete músicas do line-up do Rock in Rio 2026, que acontece a partir desta sexta-feira (4) até segunda-feira (7) e também de 11 a 13 de setembro, na Cidade do Rock, no Rio de Janeiro (RJ).

A programação do festival passa pelo rock e pelo metal, mas também reúne soul, funk, jazz, música brasileira, pop e eletrônica em diferentes palcos. Essa variedade musical tem um equivalente cervejeiro: há estilos em que o lúpulo conduz o aroma e o amargor, outros guiados pelo malte, pelo trigo, pela acidez, por frutas, especiarias ou até pelo caráter defumado — e foi dentro dessa diversidade que cada faixa ganhou seu par.

Para chegar a essas combinações, a música veio primeiro: ritmo, timbres, instrumentos, dinâmica e atmosfera ajudaram a escolher o estilo de cada faixa. Só depois vieram os rótulos — não como parte da combinação em si, mas como exemplos de cada estilo, com opções de maior circulação e outras de cervejarias artesanais brasileiras.

Assim, os rótulos citados ilustram o estilo escolhido para cada música — não são uma lista fechada, nem uma prévia do que está disponível na Cidade do Rock, já que a cerveja ali é exclusividade do Grupo Heineken Brasil, patrocinador oficial de cerveja no evento, que em 2026 completa 15 anos de parceria com o festival. 

A seleção também não pretende esgotar o cardápio de estilos possíveis: Stout, Saison, Pilsner e tantos outros caberiam numa programação que atravessa tantos gêneros musicais. Nem é uma sequência de consumo para um único dia, e cervejas de menor graduação ou sem álcool ajudam a ampliar as escolhas num festival de muitas horas.

A seguir, uma faixa de cada vez — e o estilo de cerveja escolhido para ela.

Foo Fighters: “Everlong” com Session IPA

Na sexta-feira (4), o Foo Fighters abre o Rock in Rio 2026 no Palco Mundo com um repertório em que “Everlong” segue como uma das faixas centrais. A música tem uma base que empurra a faixa quase o tempo inteiro: as guitarras se acumulam, a bateria sustenta a pressão e Dave Grohl alterna momentos mais contidos com a abertura do refrão sem perder a melodia.

O estilo Session IPA acompanha essa dinâmica pelo lúpulo. Mantém aromas cítricos, frutados, florais ou resinosos e um amargor perceptível, mas costuma apresentar corpo e teor alcoólico menores do que uma IPA convencional. É uma forma de buscar intensidade aromática com mais leveza.

A Eisenbahn Session IPA é a opção de maior circulação: tem 4,6% de álcool e 45 IBU, com perfil cítrico, corpo leve e presença evidente de lúpulo. Para provar o estilo em outra chave, a Dogma Session IPA usa o lúpulo Mosaic, com aromas cítricos e resinosos, em uma cerveja de apenas 3,2% de álcool e corpo leve. Já a Campinas IPA Zero pode ser lida como uma Session IPA sem álcool. Ela traz menos de 0,4% de álcool, 40 IBU e os lúpulos Citra e Sabro, com três aplicações de dry hopping, preservando boa parte da proposta aromática do estilo mesmo sem o teor alcoólico.

Sepultura: “Roots Bloody Roots” com Rauchbier

Em “Roots Bloody Roots”, a guitarra pesa, mas o ritmo tem papel tão importante quanto a distorção. O riff se repete sobre bateria e percussão em uma fase da carreira na qual o Sepultura aproximou ainda mais o metal de elementos musicais brasileiros — a mesma fase que a banda leva ao Palco Mundo no sábado (5).

Para acompanhar, a Rauchbier leva a combinação para a fumaça. O estilo tem tradição na Francônia, na Alemanha, e utiliza maltes defumados que podem trazer notas de madeira, cereal tostado e alimentos defumados. O caráter costuma chamar bastante atenção no aroma e no sabor, mesmo sem depender de uma graduação alcoólica elevada.

Vale provar a Bamberg Rauchbier, uma das referências brasileiras do estilo, com 5,2% de álcool e 25 IBU, além de maltes defumados pela própria cervejaria, com notas marcantes de fumaça e bacon. Ou a Bierbaum Weizen Rauchbier, que combina trigo e malte defumado — 5,5% de álcool e 16 IBU, com madeira, torrefação leve e fumaça sobre um corpo médio.

Vale registrar à parte, como curiosidade, que o próprio Sepultura tem uma cerveja artesanal batizada em sua homenagem: a Bamberg Sepultura Ale, criada em parceria entre a banda e a cervejaria, com 4,8% de álcool, 30 IBU, fermento da região de Colônia, lúpulos de Hallertau e maltes da Francônia. É uma German Ale, e não uma Rauchbier — não tem relação com o estilo proposto acima, entra aqui só pela ligação direta com a banda.

BaianaSystem: “Sulamericano” com Catharina Sour

A sonoridade do BaianaSystem nasceu da pesquisa em torno da guitarra baiana e de sua aproximação com a cultura dos sound systems jamaicanos. No domingo (6), o grupo passa pelo Palco Sunset com “Sulamericano”, em que percussão, graves, guitarra e elementos eletrônicos circulam lado a lado.

A Catharina Sour tem acidez viva e caráter de fruta — traços que ecoam o mesmo brilho rítmico da guitarra baiana e a mistura de graves e elementos eletrônicos que marcam o grupo. Uma cerveja pensada para calor e repetição, como o próprio sound system. O estilo brasileiro parte de uma cerveja de trigo leve, ácida e de baixo amargor, geralmente acrescida de frutas. 

E é justamente a fruta que faz cada receita seguir um caminho diferente: a Blumenau Catharina Sour Maracujá (4% de álcool, 2 IBU) tem o maracujá conduzindo o aroma, com acidez limpa, corpo leve e final seco; a Campos do Jordão Sour Pitaya e Maracujá (4,8% de álcool, 8 IBU) ganha cor rosada da pitaya, com o maracujá aparecendo com mais força no aroma; e a Lohn Catharina Sour Jabuticaba (4% de álcool, 5 IBU) usa a fruta sobre uma base leve, frisante e levemente ácida.

Gilberto Gil: “Palco” com Witbier

Na segunda-feira (7), é a vez de Gilberto Gil ocupar o Palco Mundo do Rock in Rio 2026. Baixo, guitarra, bateria e percussão fazem de “Palco” uma música movimentada, mas com bastante espaço entre os elementos — o arranjo ajuda a lembrar uma característica recorrente na trajetória do artista: a facilidade de circular entre linguagens como samba, reggae, rock, forró e ritmos de matriz africana.

A Witbier entra pela combinação de leveza, perfume e especiarias. De tradição belga, é uma cerveja de trigo normalmente clara e turva, de alta carbonatação e baixo amargor. Na receita clássica aparecem sobretudo cítricos e sementes de coentro, e as variações começam justamente nos temperos escolhidos por cada cervejaria. 

A Baden Baden Witbier segue uma leitura clássica do estilo, com laranja e a picância discreta da semente de coentro (4,9% de álcool, 11 IBU). Já a Ouropretana Witbier usa cascas de limão-siciliano e tahiti junto ao coentro (4,7% de álcool, 12,9 IBU, com cítrico mais evidente e leve amargor das cascas), e a Terra Boa Witbier 10 Anos acrescenta gengibre ao limão-siciliano e ao coentro (5% de álcool, 12 IBU).

Jamiroquai: “Virtual Insanity” com Italian Pilsner

Funk dos anos 1970, soul, R&B e disco fazem parte da formação musical do Jamiroquai, mas convivem com pop e eletrônica. “Virtual Insanity”, lançada em 1996, é um bom exemplo dessa combinação entre referências anteriores e produção contemporânea. O grupo sobe ao Palco Sunset em 11 de setembro.

Assim como a faixa parte de uma base funk reconhecível e a atualiza com camadas de produção contemporânea, a Italian Pilsner pega a estrutura clássica de uma Lager e acrescenta uma carga aromática extra de lúpulo, normalmente por meio de dry hopping — o mesmo gesto de pegar algo familiar e dar uma coloração nova. Mantém a secura e a refrescância de uma Lager clara, flores, ervas, especiarias e notas cítricas podem aparecer com mais evidência. 

Duas opções mostram bem essa variação: a Noi Italian Pilsner (5% de álcool, 33 IBU), com lúpulos nobres que trazem notas florais, herbais e terrosas, e a Go Brew Tudo Começou com Eles (4,7% de álcool, 16 IBU), cujo dry hopping combina Saaz e Nelson Sauvin, com notas que remetem a uva, maçã-verde e ervas.

Laufey: “From the Start” com Munich Helles

“From the Start” aproxima jazz, pop e referências de bossa nova em pouco mais de dois minutos e meio. Laufey se apresenta no Palco Sunset na mesma segunda-feira (7) em que Gilberto Gil ocupa o Palco Mundo. A leveza da música esconde uma construção harmônica mais sofisticada do que a primeira audição pode sugerir, característica do trabalho da artista islandesa-chinesa, que vem aproximando jazz e música clássica do universo do pop.

A Munich Helles segue por uma linha de sutileza. É uma Lager dourada em que o malte costuma aparecer um pouco mais do que numa Pilsner, trazendo notas de cereal e pão sobre fermentação limpa e amargor contido. Nesse estilo, pequenas diferenças de malte, corpo e lúpulo fazem boa parte da experiência.

A Spaten, de ampla distribuição no mercado brasileiro, é uma porta de entrada clássica e puro malte; a Bamberg Helles (5% de álcool, 24 IBU) tem perfil maltado, fermentação limpa e final refrescante dentro da escola alemã; e a Galeza Galo Sereno Helles, versão artesanal gaúcha, traz presença maior de malte do que a Pilsen da própria cervejaria e um toque suave de lúpulo floral.

Jota Quest toca Tim Maia: “Do Leme ao Pontal” com Vienna Lager

Em “Do Leme ao Pontal”, baixo e bateria organizam o groove enquanto guitarra, metais e voz completam uma linguagem que Tim Maia ajudou a tornar brasileira ao aproximar soul e funk do seu próprio repertório. É esse repertório que o Jota Quest toca no Palco Sunset no domingo (6) — mesmo dia e mesmo palco do show do BaianaSystem.

A Vienna Lager acompanha esse repertório pelo malte. É uma Lager que costuma avançar do dourado para o âmbar e trazer sabores de pão, biscoito e tostado, preservando a fermentação limpa e a boa fluidez — mais presença de malte no gole sem perder o balanço. 

A Bamberg Electra (5,3% de álcool, 30 IBU) tem cor âmbar e equilíbrio entre malte e amargor, com o nome homenageando os aviões Electra da antiga ponte aérea Rio-São Paulo; a Bierbaum Vienna (5,2% de álcool, 33 IBU) combina diferentes maltes com quatro variedades de lúpulo, que acrescentam notas florais e cítricas; e a 4 Árvores Linden Vienna Lager (5,5% de álcool, 25 IBU), feita com maltes Vienna, Munich e Pilsen e lúpulo Comet, traz pão, biscoito, tostado leve e notas florais e picantes.

Atenção aos detalhes vale tanto para escolher a trilha sonora quanto para o que vai parar no copo em cada palco da Cidade do Rock.

Serviço: Rock in Rio 2026

  • Quando: 4, 5, 6, 7, 11, 12 e 13 de setembro de 2026.
  • Onde: Cidade do Rock, no Rio de Janeiro.
  • Shows citados nesta lista: Foo Fighters toca na sexta-feira (4); Sepultura, no sábado (5); BaianaSystem e Jota Quest tocando Tim Maia, no domingo (6); Gilberto Gil e Laufey, na segunda-feira (7); e Jamiroquai, em 11 de setembro.
  • Compra antecipada: o aplicativo oficial do Rock in Rio 2026 permite comprar bebidas e lanches, escolher um horário de retirada e apresentar o QR Code da compra na Cidade do Rock. O app também reúne agenda dos shows, transporte, lockers e informações de acessibilidade.
  • Pagamentos: a operação na Cidade do Rock é digital. Cartões físicos e carteiras digitais são aceitos. Para pagamentos com dinheiro ou Pix, o festival disponibiliza uma operação cashless com cartão pré-pago.

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