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Cultura

Histórias de Natal: A cerveja na vida de Jesus e na criação do Papai Noel

Redação Guia da Cerveja
Por Redação Guia da Cerveja
24 de dezembro de 2019
Atualizado em: 24 de dezembro de 2019
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    A cerveja está presente na história da humanidade nos últimos 10 mil anos. Ela surgiu junto com a civilização moderna, na Mesopotâmia, e desde então tem feito parte de diferentes povos e culturas. Os dois grandes protagonistas do Natal são homens que nasceram e viveram em regiões onde, comprovadamente, a cerveja fazia parte do cotidiano popular. Logo não é difícil concluir que a bebida fez parte das histórias destes grandes personagens natalinos: Jesus Cristo e Papai Noel.

    Leia também – Balcão da Maria Bravura: A cerveja na construção do mundo

    Para compreender como se deu essa relação, o Guia buscou registros de como a cerveja esteve presente na vida de Jesus Cristo e na criação da imagem do Papai Noel. Confira.

    Jesus e a cerveja
    Há muitas interpretações diferentes para a história de Jesus, mas todas elas descrevem que o menino nasceu na cidade de Belém, ao sul de Jerusalém, em Israel. E, segundo o Museu Judaico de Munique, a cultura cervejeira foi levada à região pelos egípcios, séculos antes do nascimento de Jesus.

    Portanto, quando Cristo nasceu, a cerveja já era uma bebida popular em Belém, por ser mais barata e fácil de ser produzida do que o vinho, sendo amplamente consumida pelos mais pobres. Jesus era filho de José e Maria, que viviam uma vida simples em uma cabana, sob sustento provido pela atividade de carpinteiro de José. Se seus pais eram cidadãos pobres e comuns naquela comunidade, certamente consumiam cerveja.

    Tanto é fato que a cerveja era popular e feita na região onde Jesus nasceu que, recentemente, uma pequena cervejaria de Jerusalém, chamada Herzl Brewery, reproduziu uma receita de cerveja que era feita por lá naquela época.

    A bebida foi produzida em conjunto com geneticistas da universidade de Tel Aviv, usando cereais e métodos idênticos aos de 2 mil anos atrás. Apelidada de cerveja bíblica, a bebida ficou muito doce, com algumas notas de frutas silvestres da região e 3% de teor alcoólico.

    Itai Gutman, proprietário da cervejaria, conta que reproduziu apenas 20 litros da receita, que acabou não virando um rótulo pois o gosto não agradou. “Estávamos apenas curiosos se era possível recriar como seria uma cerveja bíblica”, explica Gutman, que já ganhou vários prêmios de qualidade e atualmente comercializa oito rótulos na sua cervejaria.

    Ilustração retrata Jesus e seus discípulos em campos de cereais, comuns naquela época

    Mas será que Jesus Cristo bebeu cerveja? Não há nenhuma prova arqueológica ou histórica que confirme, mas não seria nenhum absurdo admitir que ele tenha bebido, pois, além de ser muito popular, naquela época a cerveja era oferecida também a crianças e jovens como fonte de nutrientes.

    O vinho sempre foi tratado pelo Império Romano como uma bebida nobre e sagrada, utilizado em cerimônias especiais, sendo amplamente citado na Bíblia. Mas a cerveja não é mencionada. Pelo menos não com esse nome.

    O professor de teologia Michael Mathias Homan, chefe de departamento na Universidade Xavier da Louisiana, em Nova Orleans, nos EUA, descobriu que o nome dado em hebraico à cerveja da região naquela época era bebida fermentada ou bebida forte. Esse pode ter sido um fator determinante para que as traduções dos textos bíblicos não mencionem a cerveja, uma vez que os tradutores não sabiam que essas expressões significavam cerveja.

    Em rara citação, no livro de Deuteronômio, que faz parte da bíblia hebraica e do antigo testamento da bíblia cristã, há uma menção na passagem 14:26. “Com prata comprem o que quiserem: bois, ovelhas, vinho ou outra bebida fermentada, ou qualquer outra coisa que desejarem. Então juntamente com suas famílias comam e alegrem-se ali, na presença do Senhor, do seu Deus”, diz o texto. Segundo o professor Homan, a “bebida fermentada” é cerveja.

    Se a arqueologia encontrou citações à cerveja em registros sumérios e babilônicos 8 mil anos antes de Cristo, não é difícil concluir que ela fazia, sim, parte da sociedade hebraica na época do nascimento de Jesus. Como uma bebida popular, muito provavelmente foi consumida por ele.

    Papai Noel e a cerveja
    Registros indicam que a figura do Papai Noel foi baseada no arcebispo Nicolau da cidade de Mira, Turquia, que viveu no século IV. Naquela época, após a queda do Império Romano na região, a cidade fazia parte do Império Bizantino, que conservava muitas tradições do Egito e da Mesopotâmia, como os mosaicos e a cerveja. Por isso, também não é difícil imaginar que o arcebispo Nicolau bebia cerveja diariamente, já que era um costume entre os clérigos da época.

    Nicolau ficou conhecido por ser uma figura benevolente, que ajudava muitas famílias anonimamente e, para não ser descoberto, ele deixava um saco com moedas de ouro nas chaminés das casas durante as noites. Muitos milagres também foram atribuídos a ele, tanto que a Igreja o santificou e até hoje é conhecido como São Nicolau.

    São Nicolau, arcebispo de Mira

    A fama da ajuda anônima que São Nicolau dava às famílias carentes correu o velho mundo – muitos povos conheciam a história dos saquinhos deixados nas chaminés. Mas nenhum deles associava São Nicolau ao Natal. E é nesse ponto que mais uma vez a cerveja passa pela história do Papai Noel: foi na Alemanha, uma grande região cervejeira, que São Nicolau teve pela primeira vez sua imagem ligada ao Natal.

    Talvez embalados por algumas cervejas, os alemães da época entenderam que as benfeitorias de São Nicolau tinham tudo a ver com o aniversário de Jesus. Somente depois disso é que o resto do mundo passou a usar a imagem de São Nicolau como o bom velhinho do Natal. Algumas das lendas em torno do Papai Noel, que permanecem até hoje, foram criadas naquela época, como o fato dele deixar presentes nas chaminés, sem ninguém presenciar o feito durante a noite.

    Mas foi somente no século XIX que a figura do clérigo São Nicolau passou a dar lugar à do Papai Noel como conhecemos hoje. E isso aconteceu em outra grande escola cervejeira – os Estados Unidos. O responsável pela imagem foi o alemão Thomas Nast, que havia imigrado com sua família para Nova York aos 6 anos.

    Nast era cartunista político, abolicionista e fora parceiro de Abraham Lincoln. Como trazia da Alemanha a lenda sobre São Nicolau, ele passou a retratar o bom velhinho em alguns de seus cartoons sobre a Guerra Civil. O mais famoso foi capa da revista Haper´s Weekly em janeiro de 1863, quando Nast retrata uma visita do Papai Noel às tropas.

    Papai Noel de Nast, pela primeira vez com roupa vermelha em 1881

    Durante vinte anos Nast evoluiu a imagem do Papai Noel, tendo criado a roupa vermelha em um cartoon que fez para ilustrar um texto do poeta Clement Clarke Moore, chamado A Visita de São Nicolau. Alguns anos após a morte de Nast, a Coca-Cola deu novos toques à imagem e o colocou para morar no Polo Norte.

    Thomas Nast era uma pessoa que respeitava e seguia suas tradições alemãs familiares, entre elas, a cultura cervejeira. A biografia escrita por Fiona Deans Halloran, chamada Thomas Nast: The Father of Modern Political Cartoon, relata que ele frequentava uma famosa taberna em Nova York chamada de Pfaff´s Beer Cellar, que pertencia a um alemão chamado Charles Pfaff. Lá a cerveja embalou reuniões com artistas e músicos da época.

    Assim, temos a cerveja fazendo parte da vida de São Nicolau e também da vida do criador da imagem moderna do Papai Noel.

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      1 COMENTÁRIO

      1. Robledo Morais Robledo Morais 26 de dezembro de 2019 No 09:12

        Muito ilustrativa a versão apresentada da existência da cerveja desde os tempos bíblicos. Gostei!

        Responder

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