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Dia do Orgulho LGBT+: 5 iniciativas cervejeiras em prol da diversidade

De todas as minorias dentro do mercado cervejeiro, talvez as sexuais sejam as mais invisibilizadas. Trata-se de um meio predominantemente masculino, branco e heteronormativo, apesar de ter ganhado mais diversidade nos últimos anos. Justamente por isso, iniciativas que trazem essa comunidade para o centro do debate são tão importantes. Que tal, então, aproveitar que neste domingo (28) comemora-se o Dia Internacional do Orgulho LGBT (a rigor, LGBTQIAPN+) para conhecer algumas delas?

Dia do Orgulho LGBT

A data que hoje simboliza a busca por direitos iguais e o combate ao preconceito nasceu de uma forte reação à opressão. Em 2026, completam-se 57 anos da Revolta de Stonewall, episódio que aconteceu no dia 28 de junho de 1969, em Nova York, e se tornou o grande marco do movimento.

Naquela noite, uma violenta batida policial no bar Stonewall Inn — um dos raros pontos de encontro para a comunidade na época — resultou na prisão de 13 pessoas. As autoridades alegavam falta de licença para venda de bebidas e o uso de trajes “inadequados” ao gênero dos frequentadores. Naquele período, as relações entre pessoas do mesmo sexo eram criminalizadas nos Estados Unidos.

Indignada com a truculência, a multidão concentrada do lado de fora reagiu arremessando objetos contra a polícia, o que deu início a um tumulto e a um princípio de incêndio no local. O confronto acendeu a faísca para manifestações que ocuparam as ruas do entorno por seis dias seguidos, consolidando o início da militância organizada.

Brooklyn Brewery Stonewall Inn

Para manter essa memória viva, a nova-iorquina Brooklyn Brewery criou a Stonewall Inn IPA, uma Session IPA leve e refrescante. Elaborada exclusivamente com o lúpulo Citra, ela apresenta notas cítricas e teor alcoólico de 4,6%, trazendo um amargor bem mais suave do que o das IPAs tradicionais. Lançado globalmente em 2019 para celebrar os 50 anos da revolta, o rótulo já esteve disponível no mercado brasileiro, tendo parte do valor de suas vendas revertido para uma instituição que apoia a comunidade LGBTQIAPN+ nos Estados Unidos.

Brewing Love Project

No cenário nacional, o movimento ganhou força em 2021 com o Brewing Love Project, idealizado pela Cervejaria Octopus, hoje sediada em Belo Horizonte (MG). A iniciativa mobilizou mais de 20 marcas brasileiras, que lançaram cervejas utilizando a mesma identidade visual inspirada nas cores do arco-íris. O objetivo do projeto foi utilizar a visibilidade do mercado de cervejas artesanais para conscientizar o setor e combater a LGBTfobia, destinando parte dos lucros arrecadados para entidades de acolhimento e apoio à causa.

A ideia surgiu a partir do incômodo com o posicionamento conservador e preconceituoso de parte do meio cervejeiro. Em entrevista ao Guia da Cerveja sobre o projeto, o designer e sócio da Octopus, Walter Costa, destacou que a campanha buscou furar a “bolha” do público tradicional e engajar marcas influentes no cenário nacional. Mais do que uma ação comercial, o Brewing Love Project foi estruturado como uma plataforma aberta. Ele permitia que cada cervejaria participante fizesse a sua própria receita e escolhesse uma instituição local para apoiar. O projeto se repetiu até 2024.

Cerveja Corisca

Além dos projetos pontuais, o fortalecimento da causa passa diretamente pelo apoio ao empreendedorismo representativo. Um caso emblemático é o da Cerveja Benedita (atual Corisca), produzida em Taboão da Serra, na Grande São Paulo. Fundada e gerida pelo casal Melissa Miranda e Eneide Gama, a marca ganhou espaço na mídia por sua identidade firmada no protagonismo de mulheres, lésbicas e periféricas. Na ativa desde 2017, a cervejaria já teve em linha estilos tradicionais como Lager, Witbier, APA e IPA.

Patrocínio da Amstel à Parada do Orgulho LGBT+

No segmento das grandes cervejarias, o investimento em eventos de massa tem sido uma ferramenta de visibilidade. A Amstel, marca do Grupo Heineken, chega em 2026 ao seu oitavo ano consecutivo como a cerveja oficial da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo. A parceria engloba uma série de ativações ao longo do mês de junho, incluindo trios elétricos próprios, corridas temáticas e ações voltadas ao impacto social.

Torneira Boteco

Outro destaque em São Paulo é o Torneira Boteco, localizado na Vila Madalena. Ele foi idealizado por Dani Lira, empresária que construiu uma carreira sólida na área financeira antes de se formar sommelière e abrir o próprio negócio. O espaço nasceu há cinco anos com pilares bem definidos: a democratização da cultura cervejeira e a inclusão social. Toda a equipe do bar é formada por mulheres e pessoas da comunidade LGBTQIAPN+, com foco especial na contratação de pessoas trans, que estão entre as mais marginalizadas pelo mercado de trabalho tradicional.

Recentemente, para ampliar o público e desmistificar a cerveja artesanal, o antigo Torneira Bar se reposicionou como Torneira Boteco. A mudança trouxe um cardápio reformulado e uma parceria estratégica com a Amstel, unindo marcas populares aos rótulos de pequenos produtores.

Luís Celso Jr.
Luís Celso Jr.
É jornalista, escritor e sommelier de cervejas. Formado pela PUC-PR, se especializou em jornalismo digital e em gestão de Pequenas e Médias Empresas (FIA Business School). No ramo da cerveja, foi premiado no 1º Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cervejas em 2014, defendo o Brasil no mundial em 2015. É professor do Instituto da Cerveja, juiz de concursos nacionais e internacionais (National BJCP), consultor e fundador do BarDoCelso.com — blog mais antigo de cerveja da internet brasileira que completa 20 anos em 2026. Premiado no Edital Fermenta!, é autor do livro “Uma viagem pela história da cerveja no Brasil” (no prelo).
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