O Brasil deve consumir 885 milhões de litros de cerveja sem álcool em 2026, segundo projeções da Euromonitor. Trata-se de um volume quase sete vezes maior do que o registrado em 2019. Atualmente, o país já é o segundo maior mercado do mundo, atrás apenas da Alemanha. Em 2018, ele ocupava apenas a 7ª posição.
O último número fechado da Euromonitor é de 702 milhões de litros em 2024. As estimativas incluem um salto de 26,1% até o ano atual. Para 2025, a Euromonitor estima um recorde histórico de 785 milhões de litros comercializados no país.
Produção e concentração da cerveja sem álcool
O crescimento do mercado é comprovado também pelo Anuário da Cerveja 2025, publicação anual do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Ele mostra que a produção de cerveja sem álcool cresceu incríveis 536,9% em apenas um ano (de 2023 para 2024). Saltou de cerca de 119 milhões para 757,4 milhões de litros produzidos. Assim ela deixou de ser um traço estatístico (0,8% do total) para representar quase 5% de toda a cerveja fabricada no país.
O mercado é também bastante concentrado, com 95% das vendas nas mãos das três maiores empresas do setor: Ambev, Heineken e Grupo Petrópolis. Grandes cervejarias fazem investimentos muito altos em tecnologia de desalcolização de cervejas prontas para produzir as chamadas cervejas zero álcool — categoria específica de cerveja sem álcool com menos de 0,05% ABV. Já as mircocervejarias estão apostando em biotecnologia para fazer cerveja sem álcool, aquela com menos de 0,5% de teor alcoólico.
Para acompanhar essa demanda acelerada e combater a desinformação sobre o produto, o Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv) lançou o site Cerveja Zero. Trata-se de uma plataforma digital que centraliza dados setoriais, explicações sobre processos produtivos, curiosidades e dúvidas mais comuns.
Segundo Márcio Maciel, presidente-executivo do Sindicerv, o objetivo do site é servir como referência de informação em um único ambiente digital. “A proposta é contribuir para dar mais informação qualificada e esclarecer dúvidas frequentes”.
Mudança de comportamento
Uma grande parte dessa mudança é comportamental, apontam especialistas. De um lado, há um aumento de preocupação com a saúde e bem-estar. De outro, a Geração Z tem consumido menos. Pesquisas apontam que apenas 45% dos jovens com menos de 25 anos consomem álcool, o menor índice desde a década de 1960, segundo dados da MindMiner citados pelo site da revista Exame.
Desde 2020, o setor cresce acima de dois dígitos ao ano, mostrando que o que era tendência se consolidou como uma realidade palpável para a indústria brasileira.


